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ESPECIAL Barrica: de boizinho apaixonado por uma estrela a símbolo contagiante da cultura popular do Maranhão

 

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O boizinho Barrica e seus momentos de alegria pelos arraiais

A ideia inicial tinha tudo para não dar certo: um boizinho com corpo de barrica apaixonou-se pela Estrela Dalva, e encantado pelo seu brilho nas claras noites juninas, resolveu percorrer os arraiais de São Luís em busca da sua amada. Mesmo imaginado pelo viés poético, o Boizinho Barrica, como seria batizado, em princípio não teria a menor chance de brilhar nos arraiais e terreiros da Ilha de Upaon Açu, terrenos dominados por bois imensos, ricamente adornados e embalados por “batalhões” arrasadores, como o Boi da Maioba, por exemplo, que aonde chega faz “a terra tremer e a poeira levantar”. Mas, o que nasceu como uma criação atípica e rompendo padrões, espantou puristas e sofreu restrições por cometer a audácia de bailar nos quatro sotaques, ganhou vida no universo junino de São Luís e chegou aos 31 anos encantando multidões na Ilha e no resto do mundo nos cinco continentes.

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Barrica no palco e seus dois poetas maiores: Godão e Bulcão

A beleza das formas, os movimentos do bailado e a força da poesia e da música que o animam transformaram o Boizinho Barrica no que ele de fato é: um grupo de teatro de rua, que reúne todos os elementos da quadra junina: bumba-meu-boi, cacuriá, dança do coco e ladainha. Tudo isso embala o Boizinho na sua busca acompanhado pelo seu corpo de baile cujos integrantes se revezam nos papéis de vaqueiros, índios, coreiras e majestades do Divino. São casais de dançarinos que expressam também a sensualidade dos outros bailados. Anima o Boizinho uma música contagiante, registrada em mais de uma dezenas de discos. Entre as canções, muitas inesquecíveis, como Caixinha de segredos, com sotaque de zabumba, que quando cantada costuma colocar multidões para bailar.

Mas, afinal, de onde surgiu e o que é mesmo o Boizinho Barrica, essa brincadeira de rua que há mais de três décadas vem encantando arraiais, palcos, praças e ruas no Maranhão e do resto do mundo? É cria da imaginação do poeta e compositor José Pereira Godão, um apaixonado por tudo o que viu e ouviu desde que começou a compreender o mundo: as manifestações na Madre Deus, as lendas, as histórias de troncoso, as festas juninas, o Carnaval, enfim, todo o universo mágico que tornou São Luís uma cidade diferente, especial. O Barrica poderia ter nascido uma versão mais arrojada dos novilhos dominantes da Ilha, mas foi concebido  nas rodas de música e nas buscas teatrais, por isso, veio ao mundo como uma miniatura tímida, mas que logo se revelou dono de uma força cultural avassaladora e de um incontrolável poder de encantamento.

Começou tímido, com apenas 21 brincantes liderados por Cláudio Pinheiro, acompanhados por um grupo musical composto por pouco mais de uma dúzia de instrumentistas, entre eles o seu criador José Pereira Godão. O primeiro passeio se deu nas ruas da Madre Deus, depois de ser batizado na Igreja de São Pedro e na Casa das Minas. Depois disso, ganhou o mundo e nunca mais parou, acumulando mais força e prestígio a cada ano. Sua existência se tornou tão rica que meses mais tarde, no Natal daquele ano, os integrantes da Companhia Barrica de Teatro de Rua ganharam as ruas e igrejas com a ladainha Natalina da Paixão e, tempos mais tarde, invadiram o Carnaval com o Bicho Terra, que desde então contagia e arrasta multidões durante o reinado de Momo.

Ao longo de 30 anos, turbinado pela música magistral dos mestres José Pereira Godão e Luis Bulcão, o Boizinho Barrica foi se ajustando, enriquecendo o seu vestuário, aprimorando o seu bailado extasiante das suas bailarinas e melhorando cada vez mais sua música. Suas indumentárias feitas de fibra de palha e adornadas com fitas, fitilhos, paetês, miçangas, canutilhos – montados com a ponta da agulha por mestres do cerzimento a mão – e outros adereços as tornam únicas, mágicas, perfeitamente ajustadas ao enredo do folguedo. O bailado é também único, e se dá numa perfeita harmonia entre os brincantes, que traduzem, à maneira do Boizinho, os movimentos de cada sotaque, como o frenesi intenso do boi de zabumba, o bailado progressivo do sotaque de orquestra, a dança cadenciada e contagiante ao som de matracas e pandeirões, passando também pela manhosa e instigante sensualidade do cacuriá e a intensidade pesada do tambor de crioula, e ainda ao toque forte e quase mágico das caixas do Divino.

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Inácio e Roberto: as vozes do Barrica

A música do Boizinho Barrica, que move o seu corpo de dança, é um item especial. Primeiro, pela qualidade e a beleza das composições de José Pereira Godão e Luiz Bulcão. E depois pela interpretação magistral de Inácio Pinheiro e Roberto Brandão, vozes poderosas e contagiantes, que ao longo dos anos se tornaram as grandes marcas registradas do mais diferenciado folguedo junino do Maranhão. Difícil resistir a “Morenhinha”, de Bulcão na voz de Inácio, como também é especial ouvir “A Ilha”, de Godão na voz de Brandão, não havendo ainda como não se curvar ante a bandeira vermelha com a pomba branca ao ouvir “Divino Santo”, de Godão, na voz de Inácio. Igualmente contagiantes são “O mar”, “Adorada estrela”, “Quero, quero”, “Festa”, “Estrela boieira”, “Régia” e muitas outras toadas e ladainhas que estão gravadas na memória musical de cada maranhense. É uma música que se torna especial também pelos belos e ricos arranjos – muitos deles criados pelo mago das cordas Gordo Elinaldo -, executados por instrumentistas de primeira linha, aí nivelados os percussionistas, o grupo de cordas e o do sopro, que podem fazer bonito em qualquer palco do mundo.

O empenho em proporcionar um painel completo do que é a riqueza e a diversidade rítmica e musical dos folguedos juninos do Maranhão, com a paixão de um devoto fiel às suas raízes, transformou o Boizinho Barrica em ícone da cultura popular do Maranhão, ao lado de gigantes imortalizados como Maioba, Maracanã, São José de Ribamar, Pindoba, Morros, Guimarães e vários outros símbolos das manifestações juninas de base. Polêmicas eminentemente culturais, causadas pela quebra de padrões, e controvérsias de natureza política, provocadas pelo envolvimento da Companhia com os governos de Roseana Sarney, atraíram discussões – nem sempre justificadas – e muito mau olhado para o grupo. Nada disso sequer arranhou o brilho do Boizinho Barrica, que indiferente a questões que não lhe dizem respeito diretamente, continua sua busca apaixonada pela Estrela Dalva nos terreiros da Ilha e do resto do mundo, num bailado cada vez mais encantador.

 

A discografia do Boizinho Barrica

Bem Maranhão

Baiante

Maranhão de Ritmos

Estrela Amante

Trupiada

Caixinha de segredos

Terreiros de São João

Barrica Bumba Brasil

Barrica 20 Vivas Juninas

Em tempo: não constam dessa relação os discos do Bicho Terra nem os da Natalina da Paixão.

 

São Luís, 25 de Junho de 2016.

 

Nova pesquisa mostra Edivaldo Jr., Eliziane e Wellington embolados num cenário em que o prefeito parece ser o mais sólido

 

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Eliziane, Edivaldo Jr. e Wellington enrolados na liderança

Tudo indica que não houve combinação entre os institutos e Exata e Prever, mas as pesquisas que eles acabam de publicar – o primeiro o fez na semana passada -, não repetem os mesmos números, mas parecem traduzir, com uma boa margem de acerto, o quadro do momento, faltando menos de um mês para o início das convenções partidárias que escolherão os candidatos à Prefeitura de São Luís. A do Exata, contratada pela TV Guará, e a do Prever, encomendada pela TV Difusora numa parceria com o bem informado blog do jornalista Neto Ferreira, mostraram os líderes da maratona Eliziane Gama (PPS), Edivaldo Jr.(PDT) e Wellington do Curso estão correndo ombro a ombro, o que, à princípio, torna o desfecho imprevisível. Mas uma análise mais cuidadosa, que leve em conta a situação de cada um dos candidatos que integram o pelotão da frente, mostra que o cenário está em movimento e que são fortes as diferenças que marcam a desenvoltura de cada um deles.

Na pesquisa Prever, que ouviu 800 eleitores e foi divulgada ontem, encontrou Eliziane Gama (PPS) com 20,6% das intenções de voto, Edivaldo Jr. (PDT) com 19%, e Wellington do Curto (PP) com 18,2%. Ou seja, os três estão empatados dentro da margem de erro. Na pesquisa Exata, a diferença do primeiro para o segundo foi de três pontos percentuais, e deste para o terceiro foi também de três pontos. Na do Prever, eles se enrolam no patamar dos 20 pontos, já grosso modo  comprometendo dois terços do eleitorado, um indicador preciso de que, a menos que haja um fato excepcional nas próximas semanas ou durante a campanha, os números continuarão dançando entre eles três.

Uma avaliação mais apurada entre os três que lideram a corrida leva a algumas situações que podem indicar com alguma segurança aas tendências que começarão a ser desenhadas de agora por diante. Dos três candidatos, o que agora demonstrou mais consistência política e eleitoral foi o prefeito Edivaldo Jr.. A explicação é simples: ele saiu de 11% na primeira pesquisa, realizada ainda no ano passado. De lá para cá vem crescendo, ponto a ponto, com visível segurança. Foram 10 pontos percentuais nos últimos meses, rascunhando uma tendência que, se mantida, logo virará desenho definitivo. Para isso concorrem um expressivo volume de obras e uma série providências que mostram uma mudança radical na dinâmica da sua gestão. E para completar, o prefeito tem um amplo lastro partidário para embalar sua campanha É quase unânime entre observadores atentos a avaliação de que ele tem vaga garantida no 2º turno.

Eliziane Gama, nesse momento, só conta mesmo com a sua palavra e os estímulos nada vibrantes do seu partido e com a promessa de apoio intenso do PSDB, seu único parceiro assumido até aqui. Só que em meados do ano passado, ela chegou a 58% na preferência do eleitorado, segundo uma das primeiras pesquisas. De lá para cá sua bola foi murchando e acabou alcançada por Edivaldo Jr. no patamar dos 20 pontos percentuais. Já o deputado Wellington do Curso, visto por muitos como um franco atirador, tem avançado inflando como um balão, sem que ninguém saiba identificar com precisão a consistência e a natureza do gás que o move. E a pergunta que se faz agora é se ele tem “sustança” para continuar crescendo.

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Pindaré, Braide e Rose comandam o segundo time

A pesquisa Prever – que foi registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo nº MA-09836/2016 – encontrou alterações no segundo time, que agora é liderado pelo deputado Bira do Pindaré (PSB) com 7,9%, com potencial para crescer, se de fato vier a ser candidato. Logo atrás aparece o deputado Eduardo Braide (PMN) com 4,8% das preferências dos entrevistados, praticamente empatado com a vereadora Rose Sales (PRB) com 4,4% das intenções de voto tem as mesmas condições e a mesma varia de Braide, variando de 1,4% a 7,4%. Fábio Câmara e João Bentivi até aqui funcionaram como figuração.

Enfim, a pesquisa Prever trouxe uma contribuição importante para que possa começar a desenhar para valer o cenário da corrida para a Prefeitura de São Luís. Isso porque a partir de agora dificilmente um dado novo mudará a com posição dos dois times.

 

PONTO & CONTRAPONTO

As variações dos percentuais pela margem de erro
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Câmara e Bentivi não alcançam o limite da margem de erro

Se os números da pesquisa Prever forem traduzidos rigorosamente de acordo com a margem de erro de 3%. A candidata do PPS, Eliziane Gama pode ter uma variação decrescente e chegar a 17%, mas pode ter até 23%. O prefeito Edivaldo Jr., por seu turno, pode variar para menos até 16%, como pode ter alcançado 22%. O mesmo pode acontecer a Wellington do Curso, que aparece com 18,2%, mas pode estar com 15,2%, como também pode ter chegado a 21,2%, de acordo com a margem de erro. No segundo time de candidatos, somente Bira do Pindaré, Eduardo Braide e Rose Sales entram nessa avaliação que leva em conta a margem de erro. Com 7,9% na avaliação geral, Pindaré pode ter uma variação que vai de 4,9% a 10,9%, conforme a margem de erro de 30%. Eduardo Braide, que trem a preferência de 4,8% dos entrevistados, pode ter no eleitorado uma variação que vai de 1,8% a 7,8%. E Rose Sales tem as mesmas condições e a mesma varia de Braide, variando de 1,4% a 7,4%. Fábio Câmara e João Bentivi até aqui funcionaram como figuração.

 

Wellington espanta colegas com declarações explosivas

O deputado Wellington do Curso entrou ontem para a crônica da atual legislatura como o autor da mais bombástica e inacreditável declaração que um deputado poderia fazer da tribuna da Assembleia Legislativa. Num discurso em que exaltava as suas qualidades de homem público, destacando o que definiu como honestidade política, o parlamentar causou espanto ao afirmar, sem motivo aparente, que nada deve aos líderes e que na Casa existem deputados “que bajulam” o presidente Humberto Coutinho (PDT) e, mais grave, tem também “uns que querem que ele morra”. “Eu respeito o presidente”.

Embalado pelos números de uma pesquisa divulgada horas antes, que o apontaram empatado com o prefeito Edivaldo Jr. e com a deputada Eliziane Gama, Wellington do Curso provavelmente falou por impulso, provavelmente não se dando conta de que tais afirmações causaram constrangimento e indignação na Casa. A situação ficou mais tensa quando em seguida ele avisou que não daria nomes, sugerindo uma espécie de recuo tardio, pois já havia colocado a faísca no rastilho de pólvora. O comentário dominante após o discurso foi o de que tais declarações terão desdobramentos.

 

São Luís, 23 de Junho de 2016.

Dividido e abalado, PT vai decidir se entra numa aliança ou se lança candidato próprio para a Prefeitura de São Luís

 

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Zé Inácio e Mário Macieira são opções do PT na Capital

 

O PT começa a se movimentar para sacudir poeira, dar a volta por cima e entrar na corrida eleitoral. Na noite de terça-feira, o comando do partido realizou uma reunião plenária para discutir o rumo que a agremiação tomará na disputa pela Prefeitura de São Luís. O resultado foi que líderes petistas entregaram ao presidente do Diretório do partido na Capital um documento no qual faz a seguinte recomendação: o melhor caminho para o PT em São Luís firmar uma aliança em torno de um candidato identificado com o campo político liderado pelo governador Flávio Dino (PCdoB).  A aliança preferencial será com o PDT em torno da candidatura do prefeito Edivaldo Jr. à reeleição, podendo também, em hipóteses mais remotas, apoiar a candidatura do deputado estadual Bira do Pindaré (PSB). A hipótese descartada é a deputada federal Eliziane Gama (PPS), cujo partidos e aliados se movem para derrubar o governo petista. A alternativa menos provável para o PT é lançar um candidato próprio, que pode ser o deputado estadual Zé Inácio, o deputado federal José Carlos Araújo ou o ex-presidente da OAB, Mário Macieira. Caberá agora ao presidente municipal, Fernando Magalhães, mobilizar as diversas correntes do partido e coordenar as discussões, de modo a definir como o PT irá às urnas. Nas conversas informais, petistas de proa defendem que primeiro passo é reconstruir a unidade partidária, sem o que dificilmente haverá consenso.

Sob o impacto da perda de poder no País com o afastamento da presidente Dilma Rousseff, enfrentando acusações fortes e graves e saindo de uma complicada aliança com o PMDB, de quem é hoje adversário cruento, o PT maranhense é um partido marcado, sobretudo, pela divisão. São basicamente duas grandes correntes, uma que abraçou a aliança com o PMDB nos governos Lula e Dilma, e outra que nunca aceitou tal união e se manteve afastada sem perder a identidade petista. Agora, o grande desafio é superar as diferenças e restabelecer um lastro que permita ao PT operar como um partido de fato. As eleições municipais, em especial a de São Luís, funcionarão como um grande teste de sobrevivência para a agremiação petista.

É nesse clima de reconstrução que a tese da aliança com o PDT em torno da candidatura do prefeito Edivaldo Jr. se encaixa como a alternativa mais viável. Isso porque reúne os requisitos essenciais, como a reunião de antigos parceiros, a começar pelo PDT, partido do prefeito, e o PCdoB, legenda do governador Flávio Dino, com quem o PT recompôs relações desde que rompeu com o PMDB. Essa aliança tem consistência e o prefeito já alcançou Eliziane Gama, zerando uma diferença que nas primeiras pesquisas chegou a mais de 30 pontos percentuais. E tudo indica que as próximas pesquisas poderá o apontá-lo na frente. A candidatura de Edivaldo Jr. à reeleição tem o aval do Palácio dos Leões, hoje o mais importante bastião de defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff.

Não se discute que a preferência do PT seria pela candidatura do deputado Bira do Pindaré (PSB), que já foi uma das estrelas petistas, mas que abandonou o partido por não aceitar a aliança com o PMDB. O problema é que Pindaré, mesmo tendo potencial eleitoral, vive o drama de não ter o apoio da cúpula do seu partido em São Luís devido a suas insuperáveis diferenças com o senador Roberto Rocha, que poderá apoiar Eliziane Gama ou Wellington do Curso (PP). O deputado federal poderia ser o candidato, mas todas as evidências indicam   que ele não tem suporte dentro do partido.

No item candidato próprio, o deputado Zé Inácio é o nome mais citado nos bastidores do partido, ele próprio admitindo que se o PT topar, vai para a briga. Um dos representantes da nova geração do PT, Zé Inácio é um militante obstinado, que aproveita todas as oportunidades para defender o governo petista e a presidente Dilma. Outro nome, que circula no circuito universitário, no meio profissional, especialmente entre advogados, é o advogado e professor Mário Macieira, ex-presidente da OAB. Petista de ponta, ele acha que o caminho mais certo para o PT é apoiar o projeto de reeleição do prefeito Edivaldo Jr., mas admite que se a decisão final for a de lançar candidato próprio e as forças do partido o convocarem, está pronto para discutir e assumir o desafio.

O comando do PT sabe que o partido não tem mais tempo para se preparar para se jogar numa aventura em São Luís, correndo o risco de perder o que lhe resta de prestígio. O partido está muito enfraquecido para pagar mais esse preço.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Fantasmas do TCE deixam Pavão incomodado
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Pavão: situação incômoda por causa de fantasmas

É incômoda a situação do presidente do Tribunal de Contas do Estado, Jorge Pavão. O sindicato dos servidores do TCE resolveu apertar o cerco contra servidores fantasmas – uma turma que integra o contingente os mais de centenas de ocupantes de cargos em comissão, cujos salários variam de R$ 3 mil a R$ 25 mil, simplesmente não trabalha. Por mais que se esforce para parecer tranquilo com a situação, o conselheiro-presidente não consegue disfarçar seu mal-estar. Pavão virou vidraça por causa do ex-presidente, conselheiro Edimar Cutrim, que tinha entre os comissionados do seu gabinete, ganhando R$ 7 mil mensais, o médico Maranhão, filho do presidente interino da Câmara Federal, deputado Waldir Maranhão, mas que inacreditavelmente mora em São Paulo e nunca deu um só dia de expediente na Corte de Contas maranhense. O caso virou escândalo nacional, tendo Jorge Pavão sido jogado aos leões da mídia com explicações nada convincentes e prometendo um recadastramento para o início do mês que vem, quando o sindicato diz ter uma relação dos fantasmas. Enquanto isso, Edimar Cutrim, depois de dar a explicação sem nexo, saiu de cena e “mergulhou”, deixando um tremendo abacaxi para o presidente descascar. Há quem diga que o recadastramento seria um caminho para evitar um escândalo de largas proporções. Só que o sindicato dos servidores do TCE não parece disposto a comer uma fatia de uma pizza malfeita.

Frota garante que ainda não tem candidato a prefeito
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Eliziane recebeu Frota ontem no café da manhã para falar de  alianças para sucessão na prefeitura de SL

O deputado estadual Sérgio Frota (PSDB) fez um esclarecimento à Coluna: não decidiu ainda o candidato que apoiará na corrida à Prefeitura de São Luís. A explicação veio a propósito de informação divulgada na edição de ontem, dando conta de que estaria na contramão do seu partido, que declarou apoio à pré-candidatura de Eliziane Gama. De acordo com informação divulgada por um jornal local, Frota teria declarado apoio ao prefeito Edivaldo Jr.. O deputado disse que o jornal interpretou mal suas palavras. Explicou que elogiou ações do prefeito de São Luís, reconheceu que ele vem melhorando o seu desempenho, mas não declarou apoio à sua candidatura á reeleição. Sérgio Frota disse que para esse essa situação ainda não está resolvida e que também não faz restrições à candidatura de Eliziane Gama, com quem tomou café da manhã ontem, a convite dela, para conversar sobre corrida eleitoral. “Estou bem à vontade, analisando cada candidato”, disse o parlamentar.

 

São Luís, 22 de Junho de 2016.

Acordo da dívida dos Estados é jogada de Temer para atrair apoio político, mas estratégia não alcança Dino

 

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Dino mantem relação institucional, mas não politica, com Temer

Vários analistas interpretaram o acordo que suspende por seis meses o pagamento, pelos Estados, das parcelas das suas dívidas, dando aos governadores uma folga financeira de 150 dias, como uma jogada de largo alcance político do presidente interino Michel Temer (PMDB), que com o gesto para atrair para o Palácio do Planalto apoio dde líderes estaduais em duas frentes. A primeira é a consumação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), o que o transformará em presidente efetivo; e a segunda é o suporte político para que, em sendo efetivado, possa governar sem vozes discordantes a tirar-lhe o sono. Se, de fato, concebeu essa estratégia para se consolidar no cargo, o chefe interino da Nação não deve ter incluído o governador Flávio Dino (PCdoB). Pelo menos é o que se deduz no primeiro momento, de vez que não há qualquer sinal que indique uma mudança de posição do chefe do Governo do Maranhão, que parece continuar a apoiar a presidente afastada e a pregar que o processo de impedimento em curso no Senado da República é um golpe de Estado disfarçado de legalidade.

Desde que a presidente Dilma foi suspensa e exilada no Palácio da Alvorada, o governador Flávio Dino tem se mantido fiel à linha de respeitar o Governo interino de Temer como o responsável formal e legal, mas provisoriamente, pela gestão da máquina federal, por reconhecer que, independente das circunstâncias em que a titular da Presidência da República foi afastada, o seu substituto legal é o vice-presidente. Daí não ter o governador maiores dificuldades é dialogar e formular pleitos ao presidente interino e aos ministros de Estado, os quais, tanto quanto o chefe maior, se encontram submetidos ao incômodo e intranquilo regime da interinidade. Todos estão cientes, portanto, que se a presidente afastada se safar do impeachment e o PT voltar ao poder, como querem seus adversários, ou do golpe, como pregam seus aliados, estarão no olho da rua.

O governador Flávio Dino tem todas as condições de se relacionar institucionalmente com o Governo Michel Temer mantendo uma posição de oposição. Para começar, é titular de um mandato incontestável, conquistado em turno único e com uma larga e esmagadora maioria, num pleito limpo e sem qualquer rasura. Seu partido, o PCdoB, é aliado do PT nos planos estadual e federal, mas sem estar subordinado a qualquer acordo que fira sua autonomia política. Além disso, o governador tem deixado claro que a máquina e os recursos públicos não têm dono e que nenhum Estado poderá ser discriminado por ser administrado por um partido adversário. E pelo menos até aqui, o governador do Maranhão tem se portado com correção política impecável, atuando aberta e claramente contra o processo de impedimento da presidente Dilma, mas sem mover uma palha para criar situações que possam criar embaraços para o governo interino.

Um exemplo recente traduz fielmente a linha de coerência do governador Flávio Dino nesse cenário em que qualquer gesto pode ganhar interpretações positivas ou negativas. Há menos de duas semanas, o chefe do Executivo maranhense foi recebido em Brasília pelo atual ministro da Defesa Raul Jungman, um dos representantes do PPS no governo interino. A conversa se deu em torno de pleitos maranhenses naquele ministério, como também projetos maiores como o que transformará São Luís em sede de uma das esquadras da Marinha. A situação foi a seguinte: um governador do PCdoB, aliado da presidente do PT afastada, foi recebido por um ministro do PPS no Governo do PMDB, que substituiu a um ministro do PCdoB (Aldo Rebelo). Nitroglicerina pura, que, no entanto, não causou nenhuma explosão devido à natureza institucional da reunião. E o governador saiu sem reclamar.

Na reunião de segunda-feira no Palácio do Planalto, quando o presidente interino Michel Temer anunciou  acordo da dívida,o governador do Maranhão participou como defensor da iniciativa – que, aliás, é fruto de pressão dos líderes estaduais.cordo de renegociação das dividas dos Estados. E, provavelmente não por acaso, foi colocado quase na cabeceira, separado do presidente interino apenas pelos ministros Gedel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Eliseu Padilha (Casa Civil), e tendo ao lado o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Prestígio gratuito? Provavelmente não. Afinal, interessa ao presidente interino mostrar ao País que consegue dialogar também com os contrários, entre os quais Flávio Dino é um dos mais destacados. E certamente não desagrada ao governador maranhense ser visto pelo país inteiro como um opositor firme, coerente com seu viés político e ideológico, mas com uma faixa larga de pragmatismo quando o que está em jogo são os interesses do seu Governo, os quais, segundo afirma sempre, são também os do Maranhão.

Os desdobramentos da crise política desenharão o futuro dessa relação.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Frota entra na contramão do ninho e declara apoio a Edivaldo Jr.
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Sérgio Frota não apoia Eliziane Gama e vai com Edivaldo Jr.

Estava escrito nas estrelas que a relação do PPS com o PSDB em torno da pré-candidatura da deputada federal Eliziane Gama não seria bem amarrada. Principalmente porque sufocou três aspirantes com potencial para pleitear a vaga de candidato: o deputado federal João Castelo, o deputado estadual (licenciado) Neto Evangelista e o deputado estadual Sérgio Frota. Os dois primeiros fizeram de contas que engoliram a aliança articulada pelo presidente tucano, o vice-governador Carlos Brandão, numa operação que envolveu a cúpula nacional do PSDB. O terceiro, que vinha disposto a brigar internamente para garantir a vaga de candidato tucano a prefeito não engoliu a rasteira. Inicialmente tentou mudar a decisão do partido conversando com seus pares e reafirmando sua aspiração, mas nada conseguiu. Assim, por não ter alcançado a vaga de candidato do partido e por não fechar com projeto político e eleitoral da deputada Eliziane Gama, Sérgio Frota decidiu entrar na contramão do partido e declarar apoio ao prefeito Edivaldo Jr. (PDT), causando forte rebuliço dentro do ninho dos tucanos. Para Frota, a cúpula do PSDB comete erro político grave ao se aliar ao PPS e dar suporte a um projeto que na opinião dele não é o melhor caminho para São Luís nem para o partido. Na avaliação do presidente do Sampaio Corrêa, o melhor caminho para os tucanos seria lançar candidato próprio. A segunda opção seria apoiar a candidatura do prefeito Edivaldo Jr. à reeleição, que na sua avaliação é um projeto mais consistente e mais viável.

 

PDT e PCdoB amarram acordo em Imperatriz
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Marco Aurélio desiste e PCdoB declara apoio a Rosângela Curado na disputa em Imperatriz

Articulações internas destravaram o PCdoB de Imperatriz, que anunciou aliança com o PDT em torno da candidatura da enfermeira Rosângela Curado à sucessão do prefeito Sebastião Madeira (PSDB), indicando o vereador Adonilson como candidato a vice. O acordo foi possível com a decisão do deputado Marco Aurélio de desistir de brigar pela vaga de candidato a prefeito pelo PCdoB. Desfecho natural de uma articulação que já vinha sendo realizada há tempos pelo presidente estadual do PCdoB, Márcio Jerry, com o aval do governador Flávio Dino. Se amarra em definitivo a chapa liderada pela pedetista Rosângela Curado, a decisão do PCdoB sufocou o projeto eleitoral do deputado Marco Aurélio, que para muitos era viável. Ao mesmo tempo, a chapa PDT/PCdoB teria fechado as portas para o PSDB do prefeito Sebastião Madeira, que na avaliação de pedetistas e comunistas é uma força nada desprezível no cenário político e eleitoral de Imperatriz.

 

São Luís, 21 de Junho de 2016.

Waldir dá sinais de que está se afastando de Cunha para tentar se firmar como chefe interino da Câmara. Ou não?

 

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Waldir Maranhão emite sinais de que quer virar o jogo na Câmara

A decisão do presidente interino da Câmara Federal, deputado Waldir Maranhão (PP), de retirar a consulta à Comissão de Constituição e Justiça sobre os ritos  do processo de cassação do presidente afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), detonando a possibilidade de um parecer que viesse a sugerir artimanhas para, pelo menos, amenizar a situação do chefão da Casa, podendo até evitar a cassação do mandato dele, levantou uma indagação: Waldir está se afastando de Cunha para assumir de vez a sua condição de presidente ou está de novo servindo de massa de manobra para Cunha ou de algum grupo interessado em criar novos embaraços na crise que vem traumatizando a Câmara Baixa do Congresso Nacional?

Depois de vestir a fantasia de bobo da Corte dando uma de herói de fancaria ao suspender o processo de impeachment por algumas horas, e de ser várias vezes escorraçado do plenário da Casa por deputados e líderes que não o querem como presidente, Waldir Maranhão parece começar a dar alguns passos que podem levá-lo a reverter sua dramática posição de interino indesejado. O movimento pode pelo menos garantir-lhe continuar no cargo, mesmo com suas prerrogativas usurpadas pelo 2º vice-presidente, deputado Giacomo (PR-PR), e sob a tutela do mineiro Beto Mansur (PSD-MG), ambos nomes de destaque na tropa de Eduardo Cunha.

As pancadas que recebeu até ontem podem tê-lo acordado para a realidade, chamando a sua atenção para o fato de que Eduardo Cunha está com um pé na sua cova política, enquanto ele, Waldir, mesmo mergulhado em reveses avassaladores, tem caminho para seguir em frente, já que, ao contrário do que acontece com o do presidente afastado, o seu mandato não corre o menor risco. Waldir já parece ter percebido que seu caminho agora é entrar para valer na ciranda parlamentar e tentar passar alguma credibilidade e confiabilidade aos líderes e aos colegas de Mesa Diretora. Sabe que não pode continuar sendo uma espécie de pária quando tem a oportunidade de conquistar algum respeito dos seus pares, podendo até mesmo se firmar, ainda que com alguma precariedade, como presidente definitivo se Eduardo Cunha perder, como está previsto, o mandato parlamentar e o presidencial.

Waldir Maranhão tem clareza de que não pode alimentar a impressão de que continua como um “homem de Cunha” nem se referir ao presidente afastado como “meu eterno presidente”. E sabe que só ganhará sobrevida política se sair das sombras e encarar a realidade como ela é, mostrando-se como um deputado de terceiro mandato, com larga experiência no jogo político-partidário, portanto com discernimento e habilidade que o tornam capaz de conduzir a Casa num momento politicamente dramático como o que está em curso no País. Se não conseguir se livrar das garras de Eduardo Cunha não irá a lugar algum.

Ao mesmo tempo em que precisa livrar-se da sombra de Eduardo Cunha, Waldir Maranhão não pode se deixar envolver integralmente por outras influências. Basta para isso lembrar o quão danosa foi o inacreditável e desastrado apelo que lhe fez o governador Flávio Dino, este atendendo a apelo também dramático com advogado José Eduardo Cardozo, para anular as sessões da Câmara, que resultou na autorização para o Senado instaurar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Agiu para atender a aliados, mas sabendo que o plano era furado e que o resultado seria para ele uma catástrofe política. Não deu outra, mas ficou no ar a dúvida de que ele tenha aprendido a lição.

Algumas decisões recentes indicam que Waldir Maranhão está se movimentando o sentido de se afastar de Eduardo Cunha, tentando assim construir a sua própria identidade política. Não será fácil, porque o seu grau de desgaste é visivelmente elevado. Mas a avaliação geral é a de que qualquer tentativa será válida.

 

PONTO & CONTRAPONTO

PMDB testa potencial de Fábio Câmara em busca de um milagre
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Fábio Câmara foi acordado pela verdade dos números mostrados pela pesquisa Exata

A pesquisa Exata sobre a corrida sucessória na Prefeitura de São Luís ligou alerta vermelho no comando do PMDB, que viu o pré-candidato do partido, vereador Fábio Câmara, numa posição humilhante na preferência do eleitorado. Com 2% das intenções de voto, o pemedebista é o penúltimo entre os nomes avaliados, ganhando assim o desenho de um fracasso político e eleitoral, aparentemente sem nenhuma chance de alcançar o primeiro grupo, este formado pelo prefeito Edivaldo Jr. (PDT) empatado com a deputada federal Eliziane Gama (PPS) e ambos ameaçados pelo deputado estadual Wellington do Curso (PP).

O impacto foi tão forte na cúpula do PMDB que o senador João Alberto tomou o pré-candidato e o levou a bairros, para testar seu poder de fogo junto ao eleitorado. Fábio Câmara cumpriu o roteiro, suou, apertou mãos, deu tapinhas em costas e falou varias vezes para grupos pequenos.

A prospecção feita pelo presidente do PMDB, que é tarimbado em corridas eleitorais,  pode não ter produzido o resultado esperado, mas foi suficiente para sinalizar que, se quer chegar a algum lugar nessa corrida, Fábio Câmara terá de virar o jogo e operar um milagre político e eleitoral, o que é altamente improvável.

 

Judiciário breca tentativa de Ribamar Alves pressionar Flávio Dino
raimundo e ribamar
Melo brecou ação de Alves contra Dino

O Poder Judiciário freou ontem tentativa do prefeito de Santa Inês, Ribamar Alves, de criar o forte embaraço para o secretário de Estado de Saúde, Carlos Lula, e, por via de consequência, colocar o governador Flávio Dino (PCdoB) numa situação de desconforto. O experiente e atento desembargador Raimundo Melo indeferiu mandado de segurança, impetrado pelo Município de Santa Inês contra ato do chefe do Poder Executivo estadual, e titular da Secretaria de Estado de Saúde, para obrigá-los a entregar – em 60 dias – o Hospital Macrorregional de Santa Inês.

Em sua decisão, o magistrado afirmou que a ação não atendeu os requisitos legais, uma vez que não comprovou, por via documental, o direito líquido e certo do pedido. No entendimento do magistrado, o mandado não demonstrou qualquer afronta à legalidade ou à moralidade administrativa que permita a atuação do Poder Judiciário no controle administrativo.

Para o desembargador Raimundo Melo, se é certo que, com o advento da Constituição da República de 1988 flexibilizou-se a antiga lição que vedava ao juiz imiscuir-se no chamado “mérito” do ato administrativo,  – reservado à área de oportunidade e conveniência, onde imperava a discricionariedade – certo é, também, que, na atualidade – por força da aplicação do princípio da separação dos Poderes – a atuação do Judiciário no controle do ato administrativo fica circunscrita à análise da legalidade e da moralidade”.

O magistrado concluiu sua decisão, enfatizando que não se deve permitir ao julgador substituir o administrador, na tomada de decisões entre opções de natureza política.

Em resumo: a pressão que o prefeito Ribamar Alves, que abre caminho para fazer oposição pesada ao Palácio dos Leões, não vai acontecer. Mas de qualquer maneira acendeu o sinal amarelo nos gabinetes do governador Flávio Dino e do secretário Carlos Lula.

 

São Luís, 20 de Junho de 2016.

Pesquisa mostra empate de Edivaldo Jr. com Eliziane e Wellington em terceiro ameaçando os dois

 

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Edivaldo Jr., Eliziane Gama e Wellington do Curso integrama li nha de frente da pesquisa Exata

Na mais completa e – tudo indica – honesta pesquisa realizada até agora sobre a corrida para a Prefeitura de São Luís, contratada pela parceria TV Guará/Fiema, o instituto Exata desenhou com precisão o cenário da disputa e confirmou que, se a eleição fosse agora, a medição de força se daria entre o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) e a deputada federal Eliziane Gama (PPS), que aparecem rigorosamente empatados em dois levantamentos estimulados, seguidos de perto pelo deputado estadual Wellington do Curso (PP), que saiu da condição de aventureiro para pilotar agora um projeto eleitoral viável. Na primeira pergunta estimulada – os candidatos são apresentados aos entrevistados – Edivaldo Jr. e Eliziane Gama encabeçam, ombro a ombro, com 23% cada na preferência do eleitorado, enquanto Wellington do Curso surge no retrovisor dos dois com 18%. Dos nove candidatos listados pelo Exata, o nome mais próximo desse primeiro pelotão é o deputado Bira do Pindaré (PSB), que recebeu 7% das intenções de voto, mesmo sem saber se será candidato.

Antes de estimular os entrevistados mostrando-lhes nomes, o Exata provocou-os indagando em quem votariam, sem dar-lhes opções. O resultado da pesquisa espontânea foi a liderança de Edivaldo Jr. com 13%, seguido de Eliziane com 8%, de Wellington com 4% e do ex-prefeito João Castelo (PSDB), que não será candidato, com 3%. Os demais têm 1 ou -1. E quanto fez a primeira pergunta estimulada, além dos três líderes, o resultado é o seguinte: Bira com 7%, a vereadora Rose Sales (PMB) com 5%, o deputado estadual Eduardo Braide (PMN) com 5%, Fábio Câmara (PMDB) com 2%, e o ex-vereador João Bentivi (PHS) com 1%.

A pesquisa Exata é reveladora. Numa segunda provocação, colocou no questionário apenas os quatro primeiros colocados na primeira pergunta estimulada. O cenário se repetiu, com Edivaldo Jr. e Eliziane rigorosamente empatados com 25% cada. Atrás deles, quase colado, aparece Wellington do Curso, com 21%; e na rabeira, com 9%, Bira do Pindaré.

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Bira do Pindaré, Rose Sales, Eduardo Braide, Fábio Câmara e João Bentivi formam o segundo time da corrida

Os principais números sugerem que dificilmente o pleito será encerrado no 1º turno, pois nenhum candidato aparece com fôlego para liquidar a fatura na primeira rodada. E que a disputa do 2º turno. E diante dessa indicação, a pesquisa revela que num embate entre Edivaldo Jr. e Eliziane, ela levaria a faixa com 41% contra 32%. E que se esse fosse travado entre Edivaldo Jr. e Wellington, o deputado bateria o prefeito por 41% a 32%. Numa terceira simulação de 2º turno, esta entre Edivaldo Jr. e Bira, o prefeito venceria por 39% contra 29%. Em outras simulações, essas improváveis, Eliziane venceria Wellington, enquanto este derrotaria Bira. E todos esses exercícios, o número de “nenhum” e “não sabe” varia de 27% a 32%, indicando que os números encontrados não são definitivos.

O item “rejeição” embora completamente a guerra travada entre Edivaldo Jr., Eliziane Gama e Wellington do Curso. O prefeito amarga uma rejeição de 37%, seguido de Bentivi (34%), Bira Pindaré (23%), Zéluiz Lago (20%), Eduardo Braide (18%), Rose Sales (17%), Fábio Câmara (15%) e Wellington Curso (8%). Esse item chama atenção nos seus dois polos. No primeiro, a rejeição do prefeito é ainda muito elevada, mas está caindo, pois em pesquisas anteriores ele já teve rejeição próxima de 50%, No outro polo, Wellington do Curso surfa rejeitado por apenas 8% dos entrevistados, situação indicadora de que ele é o candidato de ponta com maior potencial de crescimento. Surpreenderam também os 23% de rejeição para Bira do Pindaré, principalmente por ser ele um candidato apoiado pelas forças que se movem em torno do governador Flávio Dino (PCdoB).

O fato é que os números encontrados pela pesquisa divulgada ontem pela TV Guará mostram um cenário de início de corrida, que nem de longe pode ser visto como definitivo. Mas é fato também que as posições já começam a se definir.

Em tempo: A pesquisa Exata/TV Guará/Fiema foi realizada  no período de 13 a 16 de Junho, ouviu 800 eleitores  e foi registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo nº 0024/2016.

PONTO & CONTRAPONTO

Posição de Edivaldo Jr. não é confortável, mas é sólida

A pesquisa Exata/TV Guará/Fiema sobre a sucessão em São Luís mostrou que a posição do prefeito Edivaldo Jr. não é confortável para quem pleiteia a reeleição, mas também não é pior dos mundos como avaliam alguns intérpretes dos números. Para começar, no plano das intenções de voto, o prefeito já amargou percentuais inferiores a 20%, apontando uma situação dramática. Agora, a avaliação da sua gestão, que já ultrapassou os 60% negativos, agora mostra uma reação consistente, com 48% de aprovação e 52% de desaprovação, percentuais que analisados levando-se em conta a margem de erro da pesquisa (4%), o prefeito pode inclusive estar acima dos 50% de aprovação. Uma avaliação isenta, portanto, conclui que o prefeito vem revertendo – vagarosamente é verdade -, a rejeição ao seu desempenho e a reprovação ao seu governo, mas com a vantagem de que tem largo tempo – antes e durante a campanha -, para melhorar sua posição perante a opinião pública. Ou seja: o prefeito Edivaldo Jr. está vivo, está na briga e reúne as condições politicas e administrativas para chegar na reta final como o candidato a ser batido. As próximas pesquisas podem confirmar ou não esse roteiro.

Eliziane precisa de suporte político para crescer

A pesquisa confirmou que Eliziane Gama é, até aqui, o grande adversário do prefeito Edivaldo Jr., a quem venceria num eventual 2º turno se a eleição para prefeito fosse agora. Ele está no páreo sem suporte político forte, já que o PSDB, seu único aliado até aqui, tem alguma musculatura política, mas só lhe garante alguma vantagem eleitoral se o mobilizador for o ex-prefeito João Castelo, que sem ser candidato aparece na pesquisa espontânea com 3% das intenções de voto. Para consolidar sua massa de intenção de voto.

Wellington é o grande beneficiado nos números  da pesquisa Exata

O grande vitorioso da pesquisa Exata/TV Guará/Fiema é o deputado Wellington, que está fazendo sombra forte nos dois líderes do processo, o prefeito Edivaldo Jr. e a deputada Eliziane Gama. Inicialmente, o seu crescimento foi visto – inclusive pela Coluna – como um balão de ensaio, que logo murcharia por falta de substância. Nada indica que o pré-candidato se tornou substancioso sede uma hora para outra, mas que ele saiu do nada para se tornar um dos principais protagonistas da disputa até aqui, disso não resta a menor dúvida. Além disso, todas as condições politicas e eleitorais lhes são favoráveis. Pertence ao PP, um partido com pouca força em São Luís, mas um político de ação solitária, que não tem financiadores e que tem autoridade política para dizer o que pensa. Essas circunstâncias poderão atrair, por exemplo, o apoio do PMDB, já que o pré-candidato pemedebista, vereador Fábio Câmara, não decolou como ele próprio coando do partido previam. Enfim, Wellington do Curso saiu da condição de coadjuvante da deputada Eliziane Gama no PPS para se tornar o ator principal do PP na corrida ao Palácio de la Ravardière.

 

São Luís, 18 de Junho de 2016

 

 

Em inserção do PV, Sarney Filho mostra que delação de Machado não o colocou na mira da caneta de Temer

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Sarney Filho passa impressão de que não foi alcançado por delação de Sérgio Machado

Citado pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado – adjetivado “monstro moral” pelo ex-presidente José Sarney (PMDB) – como beneficiário de recursos do esquema de dinheiro sujo para campanhas eleitorais, o ministro de Meio Ambiente, deputado federal licenciado Sarney Filho (PV), deu ontem uma demonstração pública de que não está perdendo o sono com o que disse o ex-senador pelo Ceará. Mandou colocar no ar, no espaço de TV destinado aos partidos políticos, inserção na qual avalia que o Brasil passa por um momento grave, mas que pode ser superado se todos se mobilizarem e colaborarem, de preferência assinando ficha no Partido Verde. Com a inserção, que circulou também numa versão protagonizada pelo deputado estadual Adriano Sarney, Sarney Filho exibiu a imagem de quem não se sentiu atingido pela informação do homem-bomba do PMDB na Lava Jato e que nem pensa na possibilidade de deixar o comando da pasta federal, a exemplo do que fizeram outros três ministros bombardeados na delação premiada de Sérgio Machado.

Na edição anterior, a Coluna embarcou na avaliação de vários colunistas e articulistas da chamada grande imprensa e registrou a impressão de que as declarações do ex-presidente da Transpetro poderia ter colocado o ministro Sarney Filho na mira da caneta do presidente interino Michel Temer, que parece disposto a mandar para casa todo membro do ministério que estiver encalacrado na Operação Lava Jato. Mas, ao contrário de outros colegas seus, que xingando a mãe do “monstro moral” do Ceará, dando toda pinta de quem tem culpa no cartório, o ministro do Meio Ambiente reagiu com maturidade e habilidade. Do alto dos seus 10 mandatos parlamentares e de uma bem sucedida passagem pelo mesmo ministério, Sarney Filho foi à TV dizer que ele e seu partido estão na briga, aparentemente sem dar a mínima para as palavras do delator Sérgio Machado.

A reação de Sarney Filho não encerra o assunto do suposto benefício por ele recebido de Sérgio Machado como ajuda para a campanha de 2010. A delação do “monstro moral” tem se revelado consistente e pode conter alguma informação que venha fragilizar a segurança passada pelo ministro do Meio Ambiente. Mas também a reação do ministro e chefe estadual do PV esteja sustentada numa certeza de que o ex-presidente da Transpetro estava blefando quando contou sua versão aos procuradores federais, afirmando, com planilhas e tudo o mais, que viabilizara mais de R$ 100 milhões para chefes do PMDB e PSDB, incluindo uma “raspinha” de R$ 1 milhão para o PV.

O fato, passado o primeiro impacto, não foi confirmado que a delação do ex-chefe da Transpetro colocou o ministro do Meio Ambiente na mira da caneta do presidente Michel Temer. Mas também não há como afirmar que o ministro esteja 100% seguro no cargo, como mostrou na inserção do PV.

 

PONTO & CONTRAPONTO

ESPECIAL
Humberto Coutinho mostra que cultiva raízes ao ser homenageado por colegas da Turma de Medicina de 1970 da UFBA

 

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Humberto e Cleide Coutinho: médicos que não perderam contato com seus colegas de turma de faculdade

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho (PDT), é conhecido pela maneira despojada de fazer política, tratando seus interlocutores com afabilidade, em conversas francas, muito longe da formalidade, o que ele próprio identifica como “o meu feijão com arroz”. Um pouco da explicação desse estilo está em andamento desde quinta-feira (16), quando desembarcou em São Luís um grupo de médicos integrantes da Turma de Medicina de 1970 da Universidade Federal da Bahia, para mais um dos encontro que realizam periodicamente. O reencontro com seus colegas de faculdades, que após a diplomação se espalharam pelo Brasil, revelou um Humberto Coutinho mais descontraído, como se ainda estivesse no cotidiano universitário e se relacionando com parceiros num grau de amizade que os uniria para o resto das suas vidas.

Ao lado da esposa Cleide Coutinho, também médica da mesma turma e linha de frente do movimento que preserva a confraria que se mantém de pé há quase meio século, o deputado-presidente recebeu o grupo de quase setentões e setentonas num clima de alegria que surpreendeu os que sempre o viram como um político de gestos comedidos. E igualmente festivo foi o reencontro dos demais entre si.

As reuniões da Turma de 70 normalmente são realizadas em Salvador, onde tudo começou e produz sempre um clima no qual o grupo revive a trajetória universitária, relembram as reminiscências e os altos e baixos daqueles anos – “a gente lembra e ri sempre das mesmas piadas”, como disse uma médica porta-voz dos colegas. Mas como no encontro mais recente uma guerra contra um câncer não permitiu a ida do casal Coutinho a Salvador, os colegas decidiram realizar um encontro em São Luís, como espécie de homenagem aos colegas ilustres.

Num dos encontros, os visitantes se extasiaram com uma mixagem musical Maranhão/Bahia interpretada magistralmente pelo Coral de São João e pela encantadora cantora Cecília Leite, e se deliciaram com uma exibição do trio “Pão com ovo”, que hoje representa o melhor do humor maranhense.

Muitas turmas universitárias se reúnem periodicamente para reafirmar os laços de amizade e fraternidade entre os seus integrantes. Os médicos formados pela UFBA em 1970 alimentam esse compromisso, e, a julgar por seus gestos e declarações, levam para seus encontros muito mais do que a simples intenção de rever colegas de turma. Eles deixam no ar a impressão de que carregam uma forte dose de orgulho por serem profissionais que saíram da mais antiga e respeitada Escola de Medicina do País, circunstância que lhes impõe a obrigação de serem bons médicos e bons cidadãos. Essa vaidade é reforçada por que eles conseguiram sua formação no começo dos anos de chumbo, quando a ditadura se tornou cruenta, principalmente em relação ao muito universitário.

Os profissionais da Medicina preparados na UFBA via de regra se destacam nas suas trajetórias. É o caso de Humberto e Cleide Coutinho, que é sergipana. Eles se ligaram afetivamente durante o curso, se formaram juntos e se estabeleceram em Caxias, terra-natal de Coutinho. Ali, o casal, além de militar na Medicina, montou uma estrutura hospitalar de grande porte. Por sua história familiar e profissional, os dois foram irremediavelmente picados pelo vírus da política, que acabou se tornando mais uma paixão do “Doutor Humberto” e acabou por afastá-los dos consultórios e salas de cirurgia, empurrando-os cada vez mais para os palanques, os plenários, os gabinetes e os duros embates que marcam a atividade.  Coutinho foi deputado estadual por cinco mandatos, foi prefeito de Caxias duas vezes, voltou para a Assembleia Legislativa e se tornou seu presidente em janeiro de 2015, com reeleição já assegurada em 2017, e caminha agora para conquistar uma cadeira no Senado da República nas eleições de 2018. A médica Cleide Coutinho exerceu dois mandatos na Casa, mas sempre atuou como a companheira de todas as horas.

São situações assim que mostram a dedicação do deputado Humberto Coutinho à palavra compromisso, e o coloca entre os que têm a sabedoria de cultivar suas raízes e de fortalecer as suas relações. A reunião dos membros da Turma de Medicina da UFBA de 1970 em São Luís mostrou isso com muita clareza.

 

São Luís, 17 de Junho de 2016.

 

 

Imagens e declarações do “monstro moral” do Ceará complicam José Sarney e podem tirar Sarney Filho do ministério

 

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José Sarney, Roseana Sarney e Sarney Filho têm carreira política ameaçada

Se os áudios com as conversas gravadas pelo ex-senador cearense Sérgio Machado com o ex-presidente José Sarney (PMDB) sobre problemas relacionados com a Operação Lava Jato causaram grande impacto no meio político e fora dele e fizeram o ex-chefe da Nação mergulhar forte constrangimento, os vídeos mostrados ontem para milhões e milhões de brasileiros certamente agravaram o seu ânimo e abalou de vez a solidez política da família dele. A afirmação feita pelo “monstro moral” cearense de que repassou, em ao longo de alguns anos, R$ 18,2 milhões em propina ao ex-presidente da República, incluindo no pacote R$ 1,2 milhão ao deputado federal Sarney Filho (PV), atual ministro do Meio Ambiente, agravou ainda mais o quadro. E o tornou devastador quando afirmou, sem meias palavras, que todos sabiam que se tratava de dinheiro sujo captado junto a empresas que tinham contratos com a Transpetro.

As declarações de Sérgio Machadas mostradas ontem pela Rede Globo em horário nobre em nenhum momento passou a impressão de que ele estava mentindo. Ao contrário, as imagens exibem um homem que parece ter absoluta convicção do que está falando, com respostas claras e sem titubear ao citar nomes, cifra e circunstâncias em que as propinas foram repassadas. As reações, por sua vez, por meio de notas e declarações também passam a impressão de que os acusados estão indignados por serem vítimas de uma trama, transformando assim o ex-presidente da Transpetro num psicopata que resolveu manchar a imagem de expressões políticas que com ele conviveram por décadas numa relação de amizade. E sugerem a indagação fatal: porque Sérgio Machado conceberia tamanha infâmia, se no histórico das suas relações não aparece nada que justifique tal atitude? A situação desenha um impasse.

A delação de Sérgio Machado pode funcionar como o fato que poderá encerrar a atuação política do ex-presidente José Sarney, da ex-governadora Roseana Sarney, do deputado Sarney Filho, restando o deputado estadual Adriano Sarney o único nome em condições levar á frente o nome da família. Para que isso não aconteça, José Sarney terá de provar por A mais B que Sérgio Machado inventou essa peça politicamente dramática para atingi-lo sem motivo, e torcer para que o “mostro moral” cearense não tenha guardado no seu baú de maldades algum dado material que confirme suas declarações. Roseana Sarney, por sua vez, continua desafiada a provar que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, é um corrupto que tenta se livrar inventando que lhe repassou dinheiro sujo do esquema de corrupção da Petrobras em 2010.

Nesse contexto de “fez-não fiz”, a situação mais delicada agora é a do deputado Sarney Filho, hoje ministro de Meio Ambiente. As declarações de Sérgio machado o colocaram na mira da caneta do presidente interino Michel Temer, que pelo mesmo motivo já transformou em ex-ministro pemedebistas de proa como o senador Romero Jucá (Planejamento) e o ex-deputado Henrique Alves (Turismo). E tudo indica que continuará demitindo os que forem citados como beneficiários de qualquer malfeito, a começar por dinheiro sujo de algum esquema de corrupção. É bem verdade que ao longo de 10 mandatos – um de deputado estadual e nove de deputado federal -, Sarney Filho tem se mantido à margem de esquemas subterrâneos de financiamento de campanha. Mas se o “monstro moral” do Ceará comprovar o que disse na delação premiada, dificilmente Sarney Filho permanecerá despachado na Esplanada dos Ministérios.

O impacto das declarações em Sarney Filho é mais forte porque, além de colocar em risco sua permanência no Ministério do Meio Ambiente, poderá desmontar o projeto por ele anunciado de ser candidato ao Senado da República nas eleições de 2018. E para complicar ainda mais o quadro envolvendo o ministro, as afirmações de Sérgio Machado podem criar embaraços nas suas relações com o PV, que atua com um forte viés ético. E pode atingir, por tabela, qualquer projeto eleitoral da ex-governadora Roseana Sarney para aquele ano.

Em resumo: as declarações do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, do ex-diretor da Área Internacional Nestor Cerveró e agira do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado estão dando à Operação Lava Jato poder de fogo para colocar ponto final na carreira da família política liderada pelo mais célebre político maranhense de todos os tempos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Lobão leva pancada forte e revê projeto de pedir licença
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Lobão não vai abrir vaga agora para Lobão Filho

As afirmações do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado em delação premiada atingiu em cheio o senador Edison Lobão (PMDB), ex-ministro de Minas e Energia. Além afirmar que ele recebia dinheiro sujo do seu esquema, Lobão exigia boladas mais gordas sob o argumento de que era o ministro, controlava as estatais assaltadas e por isso tinha direito a mais que os outros. Foi a pancada mais forte que Lobão recebeu em toda a pancadaria que vem enfrentando desde que foi acusado por um dos chefes do esquema de corrupção na petroleira, Paulo Roberto Costa, de ter recebido e também mandado dar dinheiro sujo para a campanha da então governadora Roseana Sarney na corrida eleitoral de 2010, que culminou com a vitória dela sobre Jackson Lago (PDT) e Flávio Dino (PCdoB) no primeiro turno. E mais do que isso: o dinheiro da propina era entregue ao seu filho, Márcio Lobão, atingindo aí também a família, mais gravemente a ex-deputada Nice Lobão Os trechos de vídeos da delação de Sérgio Machado divulgados ontem pela Rede Globo já teriam levado Lobão a suspender a operação de sair de licença para que Lobão Filho assumisse temporariamente. A licença deveria ser iniciada em Julho, mas diante das novas acusações, o senador avaliou que não é momento para deixar o Senado, mesmo por apenas quatro meses. Faz todo sentido.

 

Conversa franca suspende greve da Policia Civil
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Jefferson Portela: greve suspensa pelo diálogo com policiais civis

A disposição para o diálogo evitou ontem que policiais civis entrassem em greve no Maranhão. Representantes do Governo se reuniram com membros do Sindicato dos Policiais Civis do Maranhão (Sinpol-MA) para firmar acordo pelo prosseguimento das atividades da categoria. Durante a reunião o Governo propôs para melhorias à categoria, principalmente em relação a gratificações. O sindicato chegou a anunciar paralisação, mas diante da pronta disposição do Governo em dialogar, decidiu suspender o movimento. O secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela esclareceu: “Os policiais decidiram pela suspensão do início da greve e aguardar uma informação maior em relação ao processo de conversas com a comissão técnica de governo. Isso é importante, porque é uma categoria de fundamental relevância para o país”. E acrescentou que “essa negociação está aberta e o nosso prazo é exatamente o mês de junho, para finalizarmos algo sobre isso”. Jefferson Portela lembrou que o governador Flávio Dino (PCdoB) e toda a gestão da Segurança estão comprometidos com a melhoria de condições de trabalho e de mais qualidade de vida para o policial, seja Civil ou Militar. “A prova deste compromisso são as medidas de efeito direto que o governador vem implantando nesta área. A gestão trabalha para alcançar condições melhores e mudar uma realidade que se arrasta por anos”, pontuou o secretário. Na reunião foi apresentada a proposta do Governo que contempla uma recomposição remuneratória a ser implementada a partir de acordo judicial. A proposta oferece ainda a incorporação de Gratificação de Dedicação Exclusiva. “Nós estamos fora das condições ideais e isso não é uma coisa isolada. A sociedade tem conhecimento do conjunto de problemas políticos e econômicos do país. Hoje você tem 11 estados pagando salários parcelados, o que é muito ruim para a economia, para a sobrevivência do cidadão. Aqui no Maranhão há um controle, o governo faz uma economia com o gasto controlado e justo do dinheiro público para afastar as consequências dessa crise. Os policiais deram uma demonstração importante de que compreendem isso e suspenderam o início do movimento grevista para continuarem à mesa de negociações”, assinalou o secretário de Segurança Pública. Em tempo: a Polícia Civil recebeu novos e modernos armamentos, coletes e aparelhos de radiocomunicação digitais. Somado a este, o Governo do Estado concedeu promoção para mais de 2,3 mil policiais, além de capacitação em cursos na área de segurança.

 

São Luís, 16 de Junho de 2016.

 

 

Wellington do Curso avisa que é candidato a prefeito de São Luís decidido a ser o maior adversário do prefeito Edivaldo Jr.

 

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Se alguém duvidava que o deputado estadual Wellington do Curso (PP) se movimentava embalado pelo objetivo de entrar para valer na corrida eleitoral, essa dúvida foi derrubada ontem, no plenário da Assembleia Legislativa, em cuja tribuna ele anunciou sua pré-candidatura à Prefeitura de São Luís. O anúncio, feito na esteira de um discurso emocionado, transformou a sessão legislativa de num ato político cujo peso foi medido pela reação de vários deputados, que não apenas o cumprimentaram pelo audacioso projeto eleitoral, como também reconheceram que ele reúne as condições para entrar na briga em condições de obter um bom resultado nas urnas. O mais novo pré-candidato a prefeito da Capital, que há algum tempo vem assombrando os demais envolvidos na disputa com uma desenvoltura surpreendente, justificou o passo decisivo com duras críticas ao prefeito Edivaldo Jr. (PDT) e, por tabela, aos demais nomes que já estão em pré-campanha, como a sua ex-colega de partido, a deputada federal Eliziane Gama (PPS), que até aqui lidera a preferência do eleitorado.

Wellington do Curso entra na briga pelo gabinete principal do Palácio de la Ravardière turbinado por pesquisas que – polêmicas à parte – o apontam como um nome leve e viável para aspirar candidatura. No levantamento mais recente, feito pelo confiável instituto Econométrica, ele aparece em terceiro lugar, com 16% das intenções de voto, atrás de Eliziane Gama (24%) e de Edivaldo Jr. (20%). Levada em conta a margem de erro de 3,5%, esses percentuais poderiam colocá-lo em situação de empate técnico com os dois, dependendo do desempenho de cada um. Tais números, somados à avaliação que faz da atual gestão municipal, lhe deram argumentos para assumir a condição de candidato a prefeito de São Luís pelo PP.

Deputado de primeiro mandato, com mais de metade da votação em São Luís, e exibindo uma vontade férrea de se tornar militante de uma política de resultados, Wellington do Curso entra na briga turbinado por uma bem armada estratégia de combinar a sua condição de parlamentar estadual com a de um atuante e incansável “vereador” de São Luís. Essa combinação começou a se desenhar em meados do ano passado, quando percebeu que seu destino imediato era figurar como suporte para Eliziane Gama, já que figurava sempre à sombra da deputada. Certo de que se permanecesse no PPS seria sempre “regra três” da pré-candidata, rompeu com o partido, permaneceu algum tempo sem partido e acabou desembarcando no PP, com a garantia de controlá-lo em São Luís. Aprendeu a lição quando em 2012, com forte possibilidade de eleger-se vereador, foi atropelado pelo então presidente do PSL, Francisco Carvalho, e por uma equação óbvia: o partido faria um vereador, Wellington do Curso; sem ele na chapa, teria a vaga, que nesse caso ficaria com o mais votado, Francisco Carvalho. Certo de que não bateria Wellington nas urnas, Carvalho o catapultou do partido.

Longe da sombra inibidora de Eliziane Gama e filiado a uma agremiação onde não corre o risco de ser atropelado, Wellington do Curso entra na corrida eleitoral focado apenas na guerra pela conquista do eleitorado. E logo chegou à conclusão de que só chegará a algum lugar credenciando-se como o mais duro e implacável opositor do prefeito Edivaldo Jr.. Desde então, tem dedicado a maior parte do seu tempo a procurar e apontar mazelas estruturais, sociais e econômicas na vida de São Luís, responsabilizando o prefeito Edivaldo Jr. por tudo o que há de errado na cidade, transformando a tribuna da Assembleia Legislativa numa espécie de trincheira, de onde dispara diariamente petardos na direção do prefeito. Sua atuação insistente já tirou várias vezes do sério o deputado Edivaldo Holanda (PTC), que faz as vezes de porta-voz e escudeiro do prefeito de São Luís no parlamento estadual.

No seu discurso, Wellington repassou sua trajetória de menino pobre que venceu na vida, tornando-se um empresário bem sucedido no ramo educacional. Na política, destacou que atua desligado de grupos, que não tem chefe nem está subordinado a financiadores, situação que lhe dá independência para fazer o que acha certo. Disse pertencer à base de apoio do governador Flávio Dino (PCdoB), mas que até hoje não foi recebido no Palácio dos Leões, o que em nada muda sua posição nem sua autonomia. E avisou que está no jogo sucessório decidido a chegar ao Palácio de la Ravardière, “para fazer o que acho que deve ser feito”.

O anúncio da pré-candidatura foi saudado por vários parlamentares, entre eles Roberto Costa (PMDB), que é pré-candidato à Prefeitura de Bacabal e que o estimulou a seguir em frente; Vinícius Louro (PR) e Cabo Campos (DEM), entre outros.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Alívio fugaz e recado direto
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Sarney e Lobão gravemente acusados por Sérgio Machado

O ex-senador pelo Ceará e ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado declarou, na sua delação premiada, que durante os mais de 10 anos em que esteve na direção da subsidiária da Petrobras arrecadou mais de R$ 100 milhões junto a empresas que prestadoras de serviço para abastecer mais de uma dezena de políticos, em especial dirigentes do PMDB, e principalmente pemedebistas maranhenses, no caso o senador e ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão e o ex-presidente José Sarney. Os dois teriam recebido R$ 42 milhões – Lobão R$ 22 milhões e Sarney R$ 20 milhões. Tais informações chegaram a público menos de 24 horas depois de o Brasil tomar conhecimento de que o Supremo Tribunal federal decidira não acatar o pedido de prisão dos principais denunciados por Machado: José Sarney e os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá. É como se com isso o ministro-relator Teori Zavaski estivesse mandando o seguinte recado: não comemorem, pois ainda temos muito que conversar. Os detalhes com que Sérgio Machado ornou a delação são muito fortes. Um exemplo: na condição de ministro de Minas e Energia, Lobão teria exigido R$ 500 mil por mês. São não forem mentiras canalha do delator que ele parece ser, serão será um crime do qual o ministro maranhense não conseguirá se livrar. Situação idêntica a do ex-presidente José Sarney, que terá de explicar o recebimento de R$ 20 milhões em doações que supostamente lhe foram repassados pelo então presidente da Transpetro, um sujeito tão íntimo que o chamava de “pai”.

 

Imagem de uma geração no poder
nova geração
Expressões de uma geração na posse do novo procurador geral de Justiça: Edivaldo Holanda Jr., Roberto Costa, James Magno Farias, Paulo Velten e Thiago Diaz

A imagem foi registrada segunda-feira (13), na sede do Ministério Público do Maranhão, pouco antes de ser iniciado o ato de posse do novo procurador geral de Justiça, Luiz Gonzaga Coelho. Ela expressa com precisão a geração que se encontra exercendo algumas das mais importantes faces do poder no Maranhão. Na ordem da esquerda para a direita:

Edivaldo Holanda Jr. (PDT), menos de 40 anos, prefeito de São Luís há três anos e meio, enfrentando enormes dificuldades em decorrência da crise que assola o País, mas enfrentando-a com muito trabalho e, mais do que isso, com correção administrativa e coerência política. Pleiteia a reeleição, mas independentemente do resultado a ser produzido pelas urnas, já está inscrito como um dos políticos mais importantes da sua geração.

Roberto Costa, deputado estadual pelo PMDB, partido do qual é hoje um dos nomes mais representativos em todo o País, representava no ato a Assembleia Legislativa. Um dos mais destacados articuladores do Poder Legislativo, Roberto Costa é considerado um militante partidário fiel e obstinado, tanto que no momento trabalha duramente para disputar a Prefeitura de Bacabal, onde seu trabalho político o transformou em representante daquele que está entre os 10 municípios mais importantes do Maranhão.

James Magno Farias, desembargador do Trabalho e reconhecido no meio jurídico como um dos mais bem preparados magistrados do Maranhão nas mais diversas esferas da Justiça. Já comandou todas as instâncias da Justiça do Trabalho no Maranhão. Mas o exercício da magistratura é complementado com o magistério, que também exerce em faculdades de Direito de São Luís, reconhecido como um pensador do direito.

Paulo Velten, desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão, onde vem se destacando como um dos magistrados mais preparados. Levou para a mais importante Corte da Justiça maranhense os conhecimentos  e a larga e rica experiência de advogado estudioso e fundador e líder de uma banca bem sucedida, com importante contribuição também no magistério.

Thiago Diaz, presidente da Secional Maranhense da OAB. Representante de novíssima geração de advogados maranhenses, Diaz surpreendeu o mundo da advocacia quando em 2015 contrariou a lógica e venceu a eleição para o comando da instituição que representa sua categoria profissional e atua na defesa do estado democrático de direito.

São Luís, 15 de Junho de 2016.

 

 

Membros da nova geração de políticos maranhenses, Alberto Filho e André Fufuca entram na contramão a favor de Eduardo Cunha

 

 

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Alberto Filho e André Fufuca: a favor de Eduardo Cunha

Por caminhos diversos, os deputados federais Alberto Filho (PMDB) e André Fufuca (PP) entraram na contramão da História, ao vivo e a cores, no Conselho de Ética da Câmara Federal, ao votarem contra o parecer que pede a cassação do presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O resultado da votação garantiu a aprovação do parecer, que agora passará pela Comissão de Constituição e Justiça para, finalmente, ser votado pelo plenário, onde se receber 257 votos a favor, confirmará a cassação de Eduardo Cunha. Reconhecidos como integrantes da “tropa de choque” do deputado fluminense, Alberto Filho e André Fufuca usaram rigorosamente o mesmo discurso, segundo o qual eles não viram no parecer a prova material ou documental de que Eduardo Cunha tenha contas no exterior, especialmente na Suíça, mesmo diante de um sem números de documentos e confirmações  de que tais contas existem e movimentaram milhões de dólares de origem suja. Os dois jovens deputados maranhenses causaram a impressão de que ensaiaram as suas respostas.

Nas suas declarações de voto, o pemedebista Alberto Filho e o pepista André Fufuca foram acompanhados de perto pelo deputado Carlos Marum (PMDB-MT), o mais destacado e atuante líder da tropa que segue fielmente a orientação de Eduardo Cunha na Câmara Federal. Tanto que Marum tinha Alberto Filho à sua direita e André Fufuca à sua esquerda, como se estivesse dedicando cuidados especiais aos dois jovens parlamentares. Quando votaram, primeiro Alberto Filho e segundo André Fufuca, a impressão que causaram foi a de que prestavam contas ao seu tutor, o deputado Carlos Marum, que acompanhou atentamente o discurso de cada um. Alberto Filho e André Fufuca votaram sem emoção, parecendo estar ali para cumprir uma tarefa, e nada mais, não transparecendo qualquer traço do entusiasmo que naturalmente se espera de um jovem num embate político tão intenso e tão decisivo.

A devoção de Alberto Filho e a de André Fufuca por Eduardo Cunha têm explicações diferentes. Alberto Filho é do PMDB, defendia, portanto, um colega de partido. Mas a motivação vai bem mais além e se consolidou quando o deputado de Bacabal chegou à Câmara para o seu segundo mandato, depois de um duro e complicado embate no tapetão judicial com o ex-prefeito de Porto Franco e ex-deputado estadual Deoclídes Macedo (PDT), ganhou o direito de assumir o mandato, que já estava sendo exercido pelo adversário. A posse de Alberto Filho dependeria de alguns procedimentos formais, mas Eduardo Cunha o jovem colega pemedebista sob a sua proteção, agilizou o processo e lhe deu posse em tempo recorde, tirando de Deoclídes Macedo qualquer chance de retornar à Casa. Desde então, Alberto Filho faz parte do grupo identificado como a “Turma do Cunha”.

Com André Fufuca o processo foi mais complicado, mas resultou igualmente numa fidelidade surpreendente do parlamentar de Alto Alegre do Pindaré para com o colega fluminense. André Fufuca chegou à Câmara Federal para ser uma das estrelas do PEN, partido que, com o ele, estreava na Câmara. Atento e seguindo as orientações do pai, o ex-prefeito de Alto Alegre do Pindaré e ex-deputado estadual Fufuca Dantas, o jovem parlamentar foi seduzido pelo movimento que levou Eduardo Cunha à presidência da Câmara numa vitória espetacular depois de um embate em que o pemedebista enfrentou a força do PT e do Palácio do Planalto. Desde então, André Fufuca se vinculou fortemente ao presidente à “Turma do Cunha”, tornando-se um dos mais próximos e ativos integrantes. Já no primeiro semestre de 2015, foi compensado com a presidência da CPI da Prótese, que o tirou do anonimato e lhe deu visibilidade por algumas semanas. Mais recentemente, a influência de Cunha foi decisiva na operação que defenestrou o 1º vice-presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão, do comando do PP no Maranhão para entregá-lo a André Fufuca, que deixou o PEM e agora dá as cartas no partido.

A decisão de ontem funcionou como uma bomba bunker de Cunha na Câmara Federal e certamente teve impacto muito forte no grupo que segue sua orientação. Não é possível prever o tamanho do estrago que a virtual cassação do deputado Eduardo Cunha causará na trajetória dos dois jovens parlamentares, que num novo cenário terá de reorientar suas caminhadas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sarney livre do risco de prisão
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Sarney livre da ameaça de prisão, e junto com ele Renan e Jucá

O ex-presidente José Sarney não será preso. Nem ele nem os senadores Renan Calheiros, presidente do Senado e do Congresso Nacional, e Romero Jucá. A decisão foi tomada ontem pelo ministro-relator da Lava Jato Teori Zavaski, que não acatou o pedido nesse sentido formulado pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot. Os três foram acusados de tramar para criar obstáculos para a Operação Lava Jato, segundo a interpretação dada pelo procurador geral Rodrigo Janot às gravações de conversa com eles feitas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que informou, em delação premiada, que conseguiu R$ 70 milhões de um esquema de corrupção na estatal para o caixa dois para campanhas eleitorais. Na sua decisão, o ministro Teori Zavaski jogou por terra o argumento do procurador geral de que Sarney, Renan e Jucá estariam tramando contra a Lava Jato, observando que não viu nada de trama nas gravações, mas apenas conversas sérias, mas travadas em circunstâncias especiais e que, por isso, não podem ser interpretadas como um complô contra a Operação Lava Jato. Daí não ter autorizado também busca e apreensão nas residências dos três. Em: o ministro-relator considerou que, mesmo que tenham dito coisas graves, o conjunto do que foi dito não caracteriza uma trama. São muitas as interpretações para a decisão do ministro Teori Zavaski, sendo uma das mais correntes é a de que ele não acredita numa conspiração encabeçada pelo ex-presidente José Sarney. Tem fundamento, porque, por mais antipatia que possa ter pela Lava Jato, Sarney jamais entraria num enfrentamento direto, mesmo subterrâneo, contra um processo tão expressivo e exposto. A decisão foi uma pancada do açodamento do procurador geral da República, que jamais vai admitir, mas neste caso ele se precipitou, forçou a barra e, por isso mesmo, pisou feio na bola. O desfecho vai frustrar muitos que apostaram alto que a velha raposa – que caiu feito pato na armadilha do “mostro moral” Sérgio Machado – ficaria preso em casa usando uma tornozeleira. Difícil visualizar o ex-presidente da República com tal adereço. E tudo indica que, mesmo machucado e com alguns problemas para resolver, o ex-presidente vai alimentar a dignidade, a vaidade e a liturgia.

 

Coutinho lidera grupo e vai à PM pedir mais segurança nas bases
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Rigo Teles, Paulo Neto, Humberto Coutinho, coronel pereira e Alexandre Almeida: reunidos no comando da PM por mais por mais segurança para suas regiões

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho (PDT), continua dando demonstrações de que o cargo não lhe sobe à cabeça e que ele está sempre aberto a participar de situações que envolvem deputados, mas que raros foram os presidentes que vivenciaram. Uma dessas situações aconteceu ontem, quando ele, juntamente com os deputados Rigo Teles (PV), Alexandre Almeida (PSD) e Paulo Neto (PSDB), esteve no Comando Geral da Polícia Militar do Maranhão, para solicitar ao comandante da corporação, coronel Pereira, reforço na área de Segurança Pública nas cidades e regiões em que atuam. Sem usar a sua condição de chefe do Poder Legislativo, mas atuando como representante parlamentar de uma expressiva fatia do eleitorado estadual, o deputado Humberto Coutinho relatou a boa vontade do comandante geral da PMMA em solucionar os problemas apresentados pelo grupo de parlamentares. “Os deputados estão preocupados com suas cidades e regiões por conta da violência e aqui fomos muito bem atendidos pelo coronel Pereira, que se dispôs a atender o que foi solicitado”, assinalou o presidente da Alema.

O deputado Alexandre Almeida pediu mais atenção para o município de Timon que, segundo ele, por ficar próximo Teresina (PI), tem sofrido com o aumento do índice de criminalidades. O aumento de viaturas e uma melhoria no orçamento do batalhão seriam as soluções apresentadas pelo parlamentar ao comandante. Alexandre reivindicou também a instalação do sistema de videomonitoramento no município. “Uma ferramenta como essa, com certeza, ajudaria no combate à violência, dando agilidade ao trabalho da polícia”, enfatizou.

Já o deputado Rigo Teles solicitou um Posto Militar ou uma Companhia para o bairro Altamira, de Barra do Corda, mais precisamente onde o Governo do Estado está construindo a MA-272, que liga o município a Fernando Falcão. Além disso, Rigo Teles quer o aumento de viaturas na cidade e região. “Barra do Corda não é uma cidade violenta, mas é preciso prevenir. Então, acho necessário o aumento das viaturas a fim de garantir a segurança da população”, disse.

O coronel Pereira se dispôs a atender as solicitações para servir e aquilo que nós pudermos adequar e implantar, nós faremos. E destacou que o Comando está de portas abertas para atender as necessidades da sociedade maranhense.

 

São Luís, 14 de Junho de 2016.