Disputa pela vaga de vice de Edivaldo Jr. abre crise na base partidária que dá apoio ao governador Flávio Dino

 

 

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Edivaldo Jr. entre dois indicados para a vaga de candidato a vice: Roberto Rocha Jr. e Mário Macieira

Estava escrito nas estrelas que cedo ou tarde a megacoligação (18 partidos) articulada pelo PDT em torno da candidatura do prefeito Edivaldo Jr. à reeleição seria estremecida por choque de interesses e a consequente insatisfação de algum dos partidos mais importantes, por causa da disputa pela vaga de candidato a vice-prefeito. A discórdia se instalou na seara governista depois que Edivaldo Jr. e o comando da coligação não acolheram a indicação, pelo PT, do advogado Mário Macieira para companheiro de chapa. Ao que tudo indica, o acolhimento não se deu pelo fato de já teria sido fechado um acordo nesse sentido com o PSB, tendo a vaga sido destinada ao vereador Roberto Rocha Jr.. Dono de preciosos segundos a mais na TV, o que lhe dá peso na corrida eleitoral, o PT se sentiu “traído” pelo PDT e pelo PCdoB, parceiros dos quais esperava outra atitude. E como resposta decidiu suspender sua participação na gigantesca aliança, tirando dela os seus segundos a mais na TV, esperando com isso reverter a situação a seu favor, conforme nota divulgada pelo presidente Raimundo Monteiro.

A crise detonada pela reação do PT causa alguns danos políticos no grupo liderado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) e gera uma nuvem de incerteza no futuro da coligação. Para começar, até as paredes dos Palácios de la Ravardière e dos Leões sabem que a escolha e indicação do advogado Mário Macieira para vice de Edivaldo Jr. foi uma operação  inteiramente avalizada pelo governador, o que explica o fato de o PCdoB não ter entrado na disputa pela vaga. Rejeitá-lo funciona como uma recusa explícita do prefeito Edivaldo Jr. a indicação do seu mentor, padrinho e parceiro Flávio Dino, o que seria um absurdo político. Mas o caldeirão de interesses às vezes torna a política uma via sinuosa, escorregadia e traiçoeira, que obriga líder e candidato a contrariar o óbvio e optar pelo inesperado.

No caso da montagem da coligação do prefeito Edivaldo Jr., o contraponto é o PSB, que não tem os preciosos segundos no tempo da TV, mas é hoje comandado por um senador, Roberto Rocha, que no Brasil atual tem um peso político excepcional. Rocha foi vice de Edivaldo Jr., deixou o posto e se elegeu senador pelo PSB tendo o controle do partido em São Luís. E já é dado como certo que após as eleições de outubro, assumirá o comando do partido no estado, o que lhe dará um poder de fogo político muito maior. É com esse cacife que Roberto Rocha banca a indicação do filho, o jovem vereador Roberto Rocha Jr., para vice de Edivaldo Jr. Daí a situação colocada ao governador Flávio Dino e ao prefeito Edivaldo Jr.: de trocar a vice pelo pacote do PT – tempo a mais de TV e um vice avalizado pelo governador, ou garantir a parceria com o PSB em 2018, tendo como garantia Rocha Jr. com o vice.

É claro que qualquer escolha terá consequências, mesmo que panos quentes sejam colocados para evitar que as reações de quem perder coloquem em risco a viabilidade do projeto de reeleição do prefeito de São Luís. Fragilizado e sem lastro para se jogar numa aventura eleitoral solitária, o PT tenta ajustar-se à situação com os recursos que dispõe e tendo na candidatura de Mário Macieira um trunfo para se manter vivo. O PSB, por sua vez, joga todos os recursos ao seu alcance, a começar pelo peso senatorial de Roberto Rocha, para se firmar como uma força política capaz de influir decisivamente no futuro político do Maranhão. E a eleição do prefeito de São Luís é a grande vitrine para o sucesso ou para o fracasso.

Uma grande operação está em curso para encontrar um meio termo no qual PT e PSB sejam acomodados na coligação gigante sem sofrer prejuízos políticos e eleitorais e, mais importante ainda, evitar prejuízos danosos ao projeto de reeleição do prefeito Edivaldo Jr.. Isso porque não interessa ao governador Flávio Dino sair desse processo derrotado nas urnas nem estremecido com aliados que poderão fazer a diferença projeto político e eleitoral maior que está sendo rascunhado para 2018.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PMDB volta ao poder e ocupa espaço na máquina federal
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Escudado por Hildo Rocha, Jones braga é empossado superintendente regional pela presidente da Codevasf , Kênia Anasenko, em ato ocorrido em  Brasília

A nomeação do ex-prefeito Jones Braga para a superintendência regional da Codevasf é o mais claro indicador de que o PMDB está se movimentando fortemente para ocupar todos os espaços de poder federal no estado. Totalmente afinado com o governo do presidente Michel Temer, o braço maranhense do PMDB parece disposto a fazer um contrapeso ao Governo do Estado, que agora não condições de dar as cartas nessa área. Nos bastidores pemedebistas a conversa dominante é a de que, agora no poder, o partido não pode abrir mão de tentar controlar o maior número possível de cargos federais no estado. Sabe que vai ter de abrir mão de fatias para o PPS, o PP, o DEM e o PSDB, por exemplo, mas está seguro de que terá, por direito de maioria, ao maior quinhão. Os grandes articuladores desse projeto de poder é a ex-governadora Roseana Sarney e o senador João Alberto, numa estratégia avalizada pelo ex-presidente José Sarney, que está recolhido, mas continua fazendo política e exercitando o poder.

Polícia dispara fogo pesada em Astro de Ogum e Pereirinha
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Astro de Ogum e Isaías Pereirinha foram acusados gravemente pela Polícia Civil

Bombástica, sob todos os aspectos, a informação divulgada em primeira mão pelo bem informado Blog do Garrone e segundo a qual a Polícia Civil entregou ao Ministério Público as conclusões de um inquérito no qual o presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Astro de Ogum, e seu antecessor, vereador Isaías Pereirinha (PSL), são acusados de peculato e formação de quadrilha por conta de um rumoroso caso envolvendo empréstimos consignados e agiotagem em conluio funcionários do Bradesco. O conteúdo do inquérito é devastador para os dois vereadores mais influentes da Casa, principalmente às vésperas de um processo eleitoral no qual eles se movimentam para renovar seus mandatos e reafirmar sua influência no Legislativo municipal. Astro de Ogum e Pereirinha naturalmente reagem afirmando não ter nada a ver com a suposta falcatrua. As afirmações contidas no relatório policial são, porém, contundentes, o que cria no mínimo um impasse que só será resolvido se o Ministério Público denunciá-los à Justiça e essa instaure um processo para que tudo venha às claras.

São Luís, 27 de Julho de 2016.

 

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