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Com Dino candidato e Roseana ainda indecisa, corrida aos Leões já tem elenco com nomes potencialmente fortes

 

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Flávio Dino, Roseana Sarney, Roberto Rocha, Luis Fernando, Eduardo Braide, Márlon Reis, João Alberto, Lobão Filho, Raimundo Prazeres e Marcos nomes para a disputa

O argumento segundo o qual ainda é cedo para se falar seriamente sobre a corrida sucessória ao Palácio dos Leões já perdeu sentido e caiu por terra, irremediavelmente abatido pelos fatos. O cenário pré-eleitoral começa a ganhar contornos já o tema principal das conversas nos bastidores políticos e partidários do Maranhão e tem como protagonistas de primeiro plano o governador Flávio Dino (PCdoB), a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) e o senador Roberto Rocha (PSB), seguidos de personalidades em ascensão, como o prefeito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva (PSDB), o deputado estadual Eduardo Braide (PMN), o ex-juiz Márlon Reis (Rede), o senador João Alberto (PMDB) e o suplente de senador Lobão Filho (PMDB), e outros de menor cacife, mas igualmente ativos, com os da esquerda radical, como Raimundo Pedrosa (PSOL) e Marcos Silva (PSTU). A opinião dominante é que, aconteça o que vier a acontecer na política maranhense, a briga pelo comando do Estado dificilmente acontecerá fora desse conjunto de pré-candidatos, a começar pelo fato de que, manifestamente ou não, são eles que estão se credenciando, e com isso fechando portas e janelas para “projetos” de última hora, eventualmente encabeçados por aventureiros sem futuro.

Nesse contexto de pré-campanha, os indicativos são os de que o confronto maior se dará entre o comunista Flávio Dino e a pemedebistas Roseana Sarney. Pesquisas feitas até aqui mostram que o governador lidera em todos os cenários, seguido da governadora, ora mais de perto, ora bem distanciada. Ele aparece com a vantagem de ser o menos rejeitado, o que lhe dá fôlego para viabilizar o seu potencial de crescimento, benefício potencial do qual ela não desfruta, o que dificulta gravemente o seu projeto eleitoral. Flávio Dino deve atrelar sua campanha à do ex-presidente Lula da Silva, que lidera por larga e irreversível maioria, as preferências dos maranhenses na corrida presidencial, o que injeta gás de sobra no projeto de reeleição do governador. Roseana Sarney, por sua vez, depende essencialmente do sucesso do Governo do presidente Michel Temer (PMDB), pois o fracasso dele pode resultar também na desistência dela. Tudo isso, porém, são questões que estão sendo postas levando em conta a prevista candidatura da ex-governadora Roseana Sarney, que ainda é uma possibilidade, que pode se consolidar ou não, ao contrário da do governador Flávio Dino, que é um projeto definido e em franca processo de consolidação.

Apontado como o construtor de uma terceira via – condição identificada pela Coluna nos ensaios primordiais da corrida sucessória -, o senador Roberto Rocha é o candidato mais consolidado depois do governador Flávio Dino. Rocha se desvencilhou do controle político do governador e desde então tenta construir o seu próprio caminho, tendo até aqui conseguido se mostrar como uma alternativa, se não ainda inteiramente viável, com ousadia e movimentação suficientes para  avançar como um desafiante determinado a chegar ao topo – agora ou na próxima corrida.

O segundo time, formado por Luis Fernando Silva, Eduardo Braide e Márlon Reis, poderá fazer a diferença na corrida sucessória de 2018 se algum desses nomes vier a entrar para valer na disputa, mas é, de longe, o leque de alternativas com maior potencial para a sucessão de 2022. O prefeito de São José de Ribamar é apontado como uma das melhor das maiores estrelas da gestão pública do Maranhão na atualidade, e dono de  potencial político imensurável, com a vantagem de já ter sido pré-candidato a governador e, nessa condição, conhecer em profundidade o estado, seus problemas e suas nuanças políticas, além de baixíssima rejeição. O deputado Eduardo Braide é visto por muitos como o mais promissor politico da sua geração, tendo demonstrado esse potencial na corrida pela prefeitura de São Luís, quando, a partir de um projeto solitário, e por isso tem sido sondado por outros grupos – incluindo PMDB e PSDB – preferiu permanecer no PMN, atendendo a apelos da direção nacional – que o tem como um trunfo -, e por controle total sobre o partido, podendo seguir o caminho que achar melhor. A pré-candidatura ex-juiz Márlon Reis é ainda uma expectativa política remota, já que trabalha também com a hipótese de se candidatar ao Senado, devendo fazer a escolha, de modo a colocar sob teste o prestígio que angariou nacional e internacionalmente como um dos pais da Lei da Ficha Limpa, com seu projeto eleitoral diretamente vinculado o projeto presidencial de Marina Silva (Rede).

No cenário da corrida ao Palácio dos Leões aparecem, em movimentos furta-cores, nomes importantes. O primeiro é o senador João Alberto (PMDB), que “ameaçou” se aposentar, que já visto como candidato à reeleição, mas que também aparece como a primeira opção do Grupo Sarney para disputar o Governo do Estado na hipótese – não tão remota, diga-se de passagem – de Roseana Sarney decidir não entrar na briga. O empresário e suplente de senador Lobão Filho (PMDB) poderá ser escalado para substituir a Roseana Sarney na hipótese – mais provável – de João Alberto optar por tentar renovar o mandato no Senado da República.

E como não poderia deixar de ser, a disputa pelo Governo do Estado deve reunir nomes da esquerda radical, que via de regras já entram sem chance eleitoral, mas têm o poder de animar o embate fazendo denúncias e dizendo verdades que os candidatos convencionais não dizem e às vezes se sentem incomodados quando ouvem. Dessa seara podem sair Raimundo Pedrosa pelo PSOL e Marcos Silva ou Saulo Arcangelli pelo PSTU.

A maioria desses nomes, a começar pelo governador Flávio Dino, está em campanha – informal mas intensa – movimentando-se para ocupar espaço no que será uma das mais renhidas e decisivas corridas sucessórias da História recente do Maranhão.

PONTO & CONTRAPONTO

Lula amplia liderança para 2018, e Bolsonaro chega a 2º, diz Datafolha em pesquisa sobre a corrida à Presidência

Luiz Inacio Lula da Silva, Brazil's president, attends a meeting regarding changes in the Brazilian tax system at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil, on Thursday, Feb. 27, 2008. Brazil posted a budget surplus of 5.53 billion reais ($3.3 billion) in January, and Finance Minister Guido Mantega said that the country's tax code will boost economic growth to 5.5 percent. Photographer: Adriano Machado/Bloomberg News
Lula isolado na liderança da corrida ao Palácio do Planalto

A Coluna reproduz integralmente o texto publicado na edição deste domingo do Jornal Folha de S. Paulo, produzido pelo jornalista Igor Gielow, sobre a pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial. As informações sobre o desempenho dos pré-candidatos ao Palácio do Planalto têm tudo a ver com a corrida para o Palácio dos Leões, especialmente no que diz respeito às candidaturas do governador Flávio Dino, aliado do ex-presidente Lula da Silva (PT), e Roseana Sarney, que aguarda a definição de um candidato da provável composição liderada pelo PMDB à qual atrelará sua candidatura, se vier de fato a entrar na disputa. O que relata a Folha:

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) cresceu e aparece no segundo lugar da corrida para a Presidência2018, empatado tecnicamente com a ex-senadora Marina Silva (Rede). É o que aponta a primeira pesquisa Datafolha após a divulgação de detalhes da delação da Odebrecht, que atingiu em cheio presidenciáveis tucanos – que veem o prefeito paulistano, João Doria (PSDB), surgir com índices mais competitivos.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, mantém-se na liderança apesar das menções no noticiário recente da Lava Jato.

O Datafolha fez 2.781 entrevistas, em 172 municípios, na quarta (26) e na quinta (27), antes da greve geral de sexta (28). A margem de erro é de dois pontos percentuais. O deputado Bolsonaro, que tem posições conservadoras e de extrema direita, subiu de 9% para 15% e de 8% para 14% nos dois cenários em que é possível acompanhar a evolução. Nesses e em outros dois com candidatos diversos, Bolsonaro empata com Marina.

Ele é o segundo nome mais lembrado de forma espontânea, com 7%. É menos que os 16% de Lula, mas acima dos 1% dos outros.

Com uma intenção de voto concentrada em jovens instruídos e de maior renda, Bolsonaro e favorece da imagem de “outsider” com baixa rejeição (23%) e do fato de que o Datafolha já registrava em 2014 uma tendência conservadora no eleitorado. Ele parece ocupar o vácuo deixado por lideranças tradicionais de centro-direita do PSDB, golpeadas na Lava Jato, confirmando a avaliação de que há espaço para candidaturas que se vendam como antipolíticas em 2018.

O senador Aécio Neves (MG), que terminou em segundo em 2014 e hoje é investigado sob suspeita de corrupção e caixa dois, é o exemplo mais eloquente da crise tucana. É tão rejeitado quanto Lula: não votariam nele 44%, contra 30% no levantamento de dezembro passado. Sua intenção de voto oscilou de 11% para 8%, quando era de 26% no fim de 2015.

Já o governador Geraldo Alckmin viu sua rejeição pular de 17% para 28%, e sua intenção de voto oscilou para baixo, de 8% para 6%. Até a delação da Odebrecht, em que é suspeito de receber R$ 10,7 milhões em caixa dois, ele passava relativamente ao largo da Lava Jato.

Marina, com “recall” de candidata em 2010 e 2014, registra tendência de queda nos cenários de primeiro turno. Para o segundo turno, ela segue na liderança, mas empata tecnicamente com Lula.

O ex-presidente mostra resiliência enquanto surgem relatos de sua relação com a construtora OAS e tendo a possibilidade de ficar inelegível se for condenado em duas instâncias na Lava Jato. Nos dois cenários aferíveis, suas intenções subiram para 30%, saindo de 25% e 26%.

Lula atinge assim o terço do eleitorado que era considerado, antes da debacle do governo Dilma Rousseff, o piso de saída do PT. Parte do desempenho pode estar associado à vocalização da oposição ao governo Michel Temer (PMDB), impopular.

Já na pesquisa de segundo turno, Lula derrota todos exceto Marina e um nome que não havia sido testado até agora: o do juiz Sérgio Moro, que comanda processos contra o ex-presidente na primeira instância da Lava Jato.

Sem partido, Moro supera Lula numericamente, com empate técnico: 42% a 40%. No cenário de primeiro turno em que é incluído, o juiz chega tecnicamente em segundo. Neste cenário, o apresentador Luciano Huck (sem partido, mas sondado pelo Novo), estreia com 3%.

Outro neófito na pesquisa é Doria, que tem tido o nome cada vez mais citado como pré-candidato ao Planalto. Ele ultrapassa seu padrinho Alckmin, ainda que dentro da margem de erro. E tem duas vantagens importantes: ainda não é um nome nacionalmente conhecido e tem baixa rejeição, de 16%.

Na hipótese de ser o candidato tucano com Lula, Doria pontua 9% no quarto lugar. Sem Lula, sobe para 11% mas fica na mesma posição, ultrapassado por Ciro Gomes (PDT) – que tenta se posicionar como nome da esquerda caso o petista não concorra. No segundo turno, Doria perderia para Lula, Marina e Ciro.

 

Humberto Coutinho garante ação política de apoio a São Domingos do Maranhão e Passagem Franca

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Humberto Coutinho reunido com a Comissão de São Domingos do Maranhão

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho (PDT), não descuida do trabalho político de assistência aos municípios, atividade que considera essencial na vida parlamentar e que, ao contrário do assistencialismo puro e simples, que causa muitas distorções, enxerga na ação política produtiva um caminho saudável para impulsionar o trabalho das Prefeituras. Na semana passada, por exemplo, recebeu duas comissões municipais, uma de São Domingos (23) e outra de Passagem Franca (25). As duas representações lhe apresentaram pleitos cuja viabilidade foi discutida, tendo o presidente da Assembleia Legislativa.

Liderada pelo secretário-adjunto de Relacionamento com a Sociedade Civil e ex-prefeito Kléber Andrade, conhecido no meio político como “Tratorzão”, e formada por empresários, produtores rurais e lideranças políticas, a Comissão de São Domingos do Maranhão  pediu ao presidente do Poder Legislativo apoio para a reativação da agência do Banco do Brasil, desativada desde a sua explosão por assaltantes no ano passado e para o aumento do efetivo policial na cidade. “Tanto o comércio, quanto a agricultura do município estão praticamente paralisados”, afirmou Astolfo Seabra, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais do município. Os líderes dominguenses pediram também mais segurança para o município, cuja população vive o trauma da ação de assaltantes.

Presente à reunião a pedido do presidente Humberto Coutinhoo superintendente do Banco do Brasil, Ingo Kobarg Júnior, garantiu que, até o dia 15 de maio, a agência do município passará a funcionar normalmente. Ele ressaltou que a parceria com Secretaria de Estado de Segurança Pública é fundamental para o banco voltar às atividades normais.

Já o secretário Jefferson Portela, também presente, assegurou que todas as indicações e sugestões feitas pela comissão serão analisadas junto com o comando da Polícia Militar e da Polícia Civil, para que sejam determinadas, imediatamente, intervenções policiais na área. O presidente Humberto Coutinho avaliou: “Foi uma reunião muita boa para todos. Vamos abrir o banco e será aumentada a segurança no município de São Domingos”, finalizou.

Passagem Franca

Na quarta-feira (26), o presidente Humberto Coutinho (PDT) recebeu uma comitiva liderada pelo prefeito Marlon Torres (PTB) e com a participação dos ex-prefeitos Antônio Reinaldo de Sousa e José António Gordinho e do presidente do PCdoB no município, Virgílio Cazé. A Comitiva de Passagem Franca apresentou uma pauta com vários pleitos, entre eles um trator de pneu, dois ônibus escolares e uma ambulância.

O presidente da Assembleia informou que encaminhará as reivindicações ao comando do Governo do Estado, e assegurou que fará o que estiver ao seu alcance para que os pleitos sejam atendidos pelo governador Flávio Dino.

São Luís, 30 de Abril de 2017.

Conversa de José Reinaldo com Geraldo Alckmin causa agitação nos bastidores da política maranhense

 

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José Reinaldo e Geraldo Alckmin durante a reunião no Palácio dos Bandeirantes

O encontro do deputado federal José Reinaldo Tavares  (PSB) com o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), ontem, no Palácio dos Bandeirantes, assanhou os bastidores da política maranhense. E como não poderia deixar de ser, a especulação mais óbvia foi a de que a conversa poderá resultar no ingresso do ex-governador no PSDB, rompendo um casamento de vários anos com o PSB, mas pode também mantê-lo na seara socialista, arquivando de vez o projeto de virar tucano. Se a mudança se confirmar, haverá reviravoltas pontuais dentro do ninho dos tucanos, no cenário da disputa para o Senado, e também mudanças significativas dentro do próprio braço do PSB no Maranhão. Toda a movimentação se dará, é claro, no contexto da corrida para as duas vagas de senador a serem disputadas no ano que vem, especialmente nos nomes que serão incensados pelo Palácio dos Leões e que integrarão, formal ou informalmente, a chapa que será encabeçada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) na busca da reeleição. Peso-pesado com prestígio consolidado em todas as correntes políticas do Maranhão, José Reinaldo vive há algum tempo medindo forças dentro do PSB com o senador Roberto Rocha, que está em campanha aberta para o Governo do Estado. Se mudar de partido e desembarcar no PSDB, encontrará no ninho alguns problemas para resolver, mas certamente terá situação bem mais confortável do que a que vive atualmente no PSB.

Se vier a desembarcar no ninho dos tucanos, o deputado José Reinaldo terá de compor com o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, que aspira ser candidato a senador ou a deputado federal pelo PSDB. Se o fizer, fortalecerá a posição do atual presidente do partido, o vice-governador Carlos Brandão, que está fragilizado por trabalhar para manter o PSDB na aliança liderada pelo governador Flávio Dino. Só que no plano nacional, o PSDB formará com o PMDB a massa política que jogará pesado para manter o comando do país derrotando o movimento liderado pelo ex-presidente Lula da Silva (PT). No PSDB, José Reinaldo certamente tentará levar o partido para apoiar a candidatura do governador Flávio Dino à reeleição, mas como Dino certamente abraçará a o projeto eleitoral de Lula no estado, é pouco provável que os tucanos maranhenses embarquem no projeto. Além disso, José Reinaldo terá de trabalhar duro para mobilizar o partido em torno da sua candidatura.

Um dos problemas que José Reinaldo terá de vencer para se converter ao tucanismo é exatamente o interesse, nítido, que o senador Roberto Rocha (PSB) tem no PSDB. Ao mesmo tempo, Roberto Rocha poderá avaliar que a saída do ex-governador do PSB abrirá caminho para que ele finalmente assuma o controle do partido em todo o estado, ficando com o caminho livre para se lançar candidato a governador sem maiores embaraços. Se permanecer no PSB, José Reinaldo certamente fará de tudo para levar o partido para a aliança em torno do governador Flávio Dino, movimento que certamente enfrentará fortíssima resistência do senador Roberto Rocha, que pretende ser o candidato do partido ao Governo do Estado. O diferencial nessa peleja é que José Reinaldo não é candidato a governador nem faz restrições ao projeto de Roberto Rocha de chegar ao Palácio dos Leões, nem Roberto Rocha é candidato a senador nem tenta impedir que José Reinaldo o seja. O embate dos dois, que se dá no limite do drible e do chega-pra-lá, não alcançando o nível das caneladas perigosas.

A visita de José Reinaldo a Geraldo Alckmin se dá num momento especialmente delicado na relação do ex-governador maranhense com o PSB, estremecidas por causa do voto favorável que ele deu à Reforma Trabalhista, contrariando a orientação do partido. Ocorre também num momento delicado para o PSDB, que foi duramente atingido pela “Lista do Fachin” e precisa decidir o mais rapidamente possível sobre como irá para as eleições do ano que vem, especialmente para o páreo presidencial. José Reinaldo, por seu turno, precisa definir sua barca partidária, para evitar dúvidas que aqui e ali surgem a respeito do seu projeto senatorial.

Num contexto de fortes tensões políticas e indefinições partidárias, é improvável que o encontro no Palácio dos Bandeirantes – com direito a lanche – tenha sido apenas uma visita de amigo, já que as circunstâncias indicam que o mais provável é que os dois trataram do futuro político do ex-governador do Maranhão, que no cenário geral pode ter tudo a ver com o futuro político do governador de São Paulo, e, de quebra, com o do senador Roberto Rocha.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Operação Satélites, braço da Lava Jato, investiga assessor de confiança do ex-presidente José Sarney

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José Sarney sofre nova investida da Lava Jato, agora por meio de um assessor

Ao contrário do que muitos começavam a imaginar, a Operação Lava Jato voltou a apertar o cerco ao ex-presidente José Sarney (PMDB). Ontem, a Polícia Federal foi às ruas, agora com a Operação Satélites, destinada a jogar a rede sobre peixes pequenos, mas de muita influência e importância junto a ex-chefes de Poder – no caso José Sarney e Renan Calheiros (PMDB), ambos ex-presidentes do Senado, ambos detentores de Foro Privilegiado. Como seus chefes, eles são suspeitos de terem sido beneficiados com dinheiro desviado da Transpetro, conforme delatou o ex-presidente da companhia, o bandido cearense Sérgio Machado, que um dia foi senador.

Um dos satélites procurador é o oficial da Marinha Amauri Piccolo, ajudante-de–ordens de José Sarney desde que ele deixou a Presidência da República. Assessor discreto e eficiente, Piccolo é um militar preparado e cujos atributos e bagagem o tornaram, ao longo dos anos, auxiliar da confiança absoluta do ex-presidente José Sarney. Vários oficiais militares e agentes federais, escolhidos a dedo pelo Serviço de Inteligência da Presidência da República, se revezaram na equipe a que os ex-chefes de Estado brasileiros têm direito ao deixar o cargo. Um exemplo é o atual deputado federal Aluísio Mendes (PMN), que é agente de carreira da Polícia Federal, já integrou a equipe que assessora José Sarney, mas dela se desligou para se tornar secretário de Segurança do último Governo de Roseana Sarney (PMDB).

A Operação Satélites cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de Amaury Piccolo. Os mandados foram expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, relator da Lava-Jato. O objetivo é apurar irregularidades na Transpetro, a partir da suspeita de que os investigados podem ter cometido crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, entre outros. Em maio do ano passado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão de José Sarney, e dos senadores Renan Calheiros e Romero Jucá, ambos do PMDB, por suspeita de obstrução da Lava-Jato, após vir à tona gravações feitas por Sergio Machado. José Sarney é citado 49 vezes na delação de Machado, que afirma ter repassado R$ 18,5 milhões ao ex-presidente da República, que nega enfaticamente a acusação.

 

Dia de protesto, mas sem ocorrências e com final tranquilo

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Líderes sindicais protestam na Praça Deodoro, mas reuniram poucos manifestantes 

Os trabalhadores brasileiros tiveram todo direito de participar da greve geral de ontem, principalmente pelo clima de insegurança em que o Governo Michel Temer os mergulhou com as reformas Trabalhista e da Previdência. Em São Luís, nada excepcional aconteceu além da falta de transporte de massa, das arengas de sempre, das situações incômodas e dos engarrafamentos e outras ocorrências. Mas o que chamou atenção mesmo é que o povo, a massa dos trabalhadores, não foi para as ruas. Todos os casos foram criados por sindicalistas profissionais, chefes e chefetes de centrais sindicais, que resolveram mostrar serviço porque o futuro das organizações que controlam é rigorosamente incerto, já que o imposto sindical não será mais obrigatório – a expectativa é que pelo menos metade das centrais fecharão as portas por falta de grana. Apesar de tudo, o dia de protesto em São Luís terminou bem, sem nenhuma ocorrência grave. Pelo simples fato de que a massa de trabalhadores permaneceu em casa por falta de transporte público.

São Luís, 28 de Abril de 2017.

Com posições contra e a favor, bancada maranhense votou com equilíbrio e coerência na Reforma Trabalhista

 

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Hildo Rocha, João Marcelo, Alberto Filho, José Reinaldo, Pedro Fernandes, Victor Mendes, André Fufuca, Waldir Maranhão, Aluísio mendes, Juscelino Filho, Cléber Verde e Júnior Marreca votaram a favor das mudanças nas leis trabalhistas
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Deoclídes Macedo, Weverton Rocha, Eliziane Gama, Rubens J´r. Zé Carlos e Luana Alves votaram contra

Os votos dos 18 deputados federais maranhenses em relação à chamada Reforma Trabalhista os dividiram em dois grupos. De um lado, a grande maioria da bancada, formada pelos deputados Alberto Filho (PMDB), Hildo Rocha (PMDB), João Marcelo de Souza (PMDB), André Fufuca (PP), Waldir Maranhão (PP), Pedro Fernandes (PTB), Cléber Verde (PRB), Aluísio Mendes (PTN), José Reinaldo (PSB), Júnior Marreca (PEN), Juscelino Filho (DEM) e Victor Mendes (PSD) – votou a favor das mudanças. Na outra ponta, os deputados Weverton Rocha (PDT), Deoclídes Macedo (PDT), Rubens Jr. (PCdoB), Luana Alves (PSB), Zé Carlos (PT) e Eliziane Gama (PPS), que formam a minoria nessa questão, votaram contra o projeto. Para os que concordam com as mudanças, por considerarem as leis trabalhistas brasileiras estavam ultrapassadas, os parlamentares que votaram a favor agiram de acordo com o realismo que as circunstâncias do momento exigem, enquanto que os que votaram contra “perderam o carro da História”. No contrapeso, os críticos e adversários das mudanças na legislação trabalhista acham que os deputados que votaram a favor do projeto “traíram os trabalhadores”, enquanto que os que se manifestaram contra agiram com “correção e coerência”.

As duas correntes cometem o equívoco de ideologizar esse embate, eliminando a possibilidade de equilibrar mais o resultado da votação – 296 votos a favor e 177 contra. Os números indicam claramente que se o embate tivesse se dado o plano das relações entre capital e trabalho, perdas e ganhos de direitos e potencial para o desenvolvimento, é provável que o resultado poderia ter sido mais equilibrado. Mas o que houve na Câmara Federal foi um confronto entre Governo e Oposição, no qual os interesses dos trabalhadores e do país foram colocados sobre a mesa. A maioria dos maranhenses votou com a orientação do Palácio do Planalto aos seus partidos, apoiando a ideia de que a reforma é crucial para o sucesso do projeto de reerguer a economia nacional. Já a minoria votou praticamente toda em defesa dos velhos postulados trabalhistas implantados por Getúlio Vargas nos anos 30 do século passado.

Os deputados Alberto Filho, Hildo Rocha e João Marcelo fizeram o que todo político coerente faz quando é convocado pelo PMDB para enfrentar uma guerra e dar suporte ao Governo do presidente pemedebista Michel Temer : podem até não ter concordado com um ou outro artigo do projeto, mas foram fiéis à orientação do seu partido, o que é essencial num estado democrático. Os deputados André Fufuca e Waldir Maranhão também seguiram orientação dada pelo PP, e não poderiam agir de outra maneira. Na mesma linha de seguir os partidos votaram a favor os deputados Cléber Verde (PRB), Aluísio Mendes (PTN), Júnior Marreca (PEN), Juscelino Filho (DEM) e Victor Mendes (PSD), cujos partidos encontram-se na base governista.

No contexto da maioria que respaldou a expectativa do Palácio do Planalto, os votos mais diferenciados foram os de Pedro Fernandes (PTB) e José Reinaldo (PSB). Aparentemente contrariando a memória do presidente Getúlio Vargas, pai da CLT e do trabalhismo nacional,  Fernandes foi um dos petebistas que batalharam internamente para que o PTB desse apoio às reformas, o que foi conseguido e tornou coerente o voto do petebista maranhense. Na mesma linha, o deputado José Reinaldo quebrou lança dentro do PSB para que o partido tomasse posição a favor da reforma, mas não conseguiu, obtendo apenas a liberação da bancada, o que lhe permitiu votar a favor. Tanto o PTB quanto o PSB foram duramente criticados pelas esquerdas.

Os deputados maranhenses que votaram contra o projeto da reforma trabalhista o fizeram basicamente por questão ideológica. Seguido pelo deputado Deoclídes Macedo, o deputado Weverton Rocha liderou a bancada do PDT na Câmara Federal seguindo a orientação do comando nacional do partido, que manteve sua fidelidade ao legado de Getúlio Vargas e reafirmou sua condição de Oposição ao governo do PMDB. Rubens Jr. se manteve fidelíssimo à orientação do comando nacional do PCdoB, reforçando sua posição com as orientações do governador Flávio Dino, um crítico ácido da reforma trabalhista. A deputada Eliziane Gama votou de acordo com a orientação do PPS, que mesmo aliados do Governo Temer, manteve posição contrária à reforma. Por sua vez, a deputada Luana Alves se valeu da liberação da bancada do PSB para votar contra a reforma. E o deputado Zé Carlos se manteve firme sob a orientação do PT, que é o mais ativo partido da Oposição do Governo Michel Temer.

Mesmo levando em conta os votos favoráveis do trabalhista Pedro Fernandes e do socialista José Reinaldo, aparentemente fora de lógica, mas dentro de um realismo pé no chão, a bancada maranhense votou a Reforma Trabalhista com coerência partidária.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Hostilidade de aliados governistas pode levar Hilton Gonçalo a se afastar do grupo do governador Flávio Dino

16/05/2014.Crédito:Karlos Geromy/OIMP/D.A.Press.Brasil.São Luís-MA. Dr. Hilton Gonçalo do PDT-MA, reivindica candidatura para Governador do Maranhão.
Hilton Gonçalo: aliado valioso pode se transformar em adversário incômodo

Não será surpresa se o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB), e a mulher dele, Fernanda Gonçalo (PMN), prefeita de Bacabeira, romperem politicamente com o governador Flávio Dino e embarcar numa via alternativa para as eleições. E o motivo da inclinação está dentro do PDT, de onde têm sido disparados seguidos petardos destinados a atingi-los, sem que o comando do PCdoB e os braços políticos do Palácio dos Leões ajam no sentido de conter as investidas pedetistas ao aliado. Tal situação surpreende a partir do fato de que Hilton Gonçalo é um aliado que teve participação importante no movimento que levou o Flávio Dino ao poder e tem hoje três municípios sob sua influência política direta – a irmã de Gonçalo, Iriane Gonçalo (SD) é prefeita de Pastos Bons.

Tudo indica que o comando estadual do PDT não engole os movimentos de independência política de Hilton Gonçalo, que aparece em muitas listas como um candidato potencial ao Senado, possibilidade que ganhou reforço depois que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho (PDT), decidiu retirar sua candidatura a senador. O PDT também não gostou nem um pouco que Hilton Gonçalo tenha contrariado a orientação do PCdoB e apoiado a candidatura do deputado Eduardo Braide (PMN) à Prefeitura de São Luís contra o pedetista Edivaldo Jr..

Nos bastidores, há quem veja um equívoco político na estratégia de  hostilizar Hilton Gonçalo – um político forte, que tem mais de 80% de aprovação no seu município, tem ligações políticas em várias regiões do estado – é equivocada. Quem pensa assim avalia que o prefeito de Santa Rita, com o poder político que tem e com o prestígio que desfruta como bom articulador e gestor eficiente, é um aliado valioso, mas pode também se transformar num adversário danoso.

 

Ana do Gás dá guinada na sua ação parlamentar sem esquecer a luta permanente para ajudar seus municípios

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Ana do Gás dá um passo além na sua ação política e parlamentar

Depois de desembarcar na Assembleia Legislativa com quase 100 mil votos – foi a segunda mais votada em 2014 – e passar metade do mandato trabalhando duro nos bastidores, sem mostrar esse trabalho e suas posições políticas na tribuna nem seus projetos como legisladora, a deputadas Ana do Gás (PCdoB) começa a mostrar os frutos do aprendizado. De uns tempos para cá, a parlamentar neocomunista tem ocupado discretamente a tribuna para falar de temas que pareciam fora do seu interesse como parlamentar cujo foco são municípios que carecem de um bom trabalho de ação política.

Nessa semana, por exemplo, Ana do Gás surpreendeu alguns deputados e um bom número de observadores ao protocolar na Secretaria da Mesa Diretora da Casa um Requerimento que é uma clara evidência de que a parlamentar interiorana, que preferia passar a maior parte do seu tempo em secretarias de Estado em busca de recursos os municípios que lhe deram votos, vai ampliar a sua ação legislativa.

No Requerimento, que ganhou o número 277/17, a deputada Ana do Gás pede que a Mesa da AL encaminhe requerimento à Câmara Federal solicitando urgência na votação do projeto nº 6986/2017, de autoria do deputado cearense Odorico Monteiro (PROS), propondo mudanças na lei Federal nº 12.965, de Abril de 2014, que fixou o Marco Civil da Internet n o Brasil. Ana do Gás quer incluir na Lei mecanismos que assegurem a retirada de conteúdos que instiguem e induzam jovens ao suicídio, como vem acontecendo por meios de jogos criminosos. Ana do Gás justifica a proposta de Requerimento chamando atenção para os inúmeros casos já registrados no Brasil em que jovens se suicidaram induzidos por esses conteúdos. Na Justificativa, a parlamentar usa uma série de argumentos que dão densidade à sua inciativa.

A visível mudança da postura parlamentar de Ana do Gás parece ser fruto da compreensão de que a atividade parlamentar vai muito além da dura e permanente batalha por recursos para os municípios, como as que ela vem travando incansavelmente desde que iniciou o mandato, e que continuará a ser o carro chefe da sua ação política. Só que agora parece que Ana do Gás está determinada a construir o segundo degrau da sua plataforma política, que poderá lhe dar as condições de atuar de maneira mais ampla, envolvendo-se em assuntos de interesse público. Para tanto, tomou a decisão política de avançar, melhorou sua assessoria com a contratação do experiente assessor Ricardo Bastos, que já trabalha intensamente para planejar os novos passos de Ana do Gás, uma jovem destemida e determinada que ganhou os corações e as mentes de milhares na região polarizada por Santo Antonio dos Lopes.

São Luís, 27 de Abril de 2017.

Defesa frágil aos ataques de Eduardo Braide e Wellington do Curso revela problemas na base política de Edivaldo Jr.

 

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Sérgio Vieira foi “escalado” para defender Edivaldo Jr.

Algo de muito estranho está acontecendo na base política do prefeito Edivaldo Jr. (PDT). Ele vem sendo duramente atacado na Assembleia Legislativa pelos seus dois mais fortes adversários na corrida eleitoral de 2016, os deputados estaduais Eduardo Braide (PMN) e Wellington do Curso (PSB), mas, surpreendentemente, quase nenhuma voz se levanta em sua defesa. Ultimamente, os dois têm feito ataques duros, sempre em tom muito áspero, afirmando que a Capital vive situação “caótica” nos hospitais, nas escolas, na malha viária e na área de segurança. Nas avaliações que fazem, a gestão do pedetista é fruto de “incompetência”, “despreparo” e “omissão” – nas suas falas exaltadas, Wellington do Curso tem sido agressivo, taxando o prefeito de “covarde” e mandando-o “criar vergonha na cara”. A artilharia verbal de Wellington do Curso foi repetida ontem, e, para surpresa geral, uma voz se levantou para fazer o contraponto a favor do prefeito: o deputado em exercício Sérgio Vieira (PEN), um político de Açailândia, sem maior afinidade com a realidade de São Luís.

Vários fatores estimulam os deputados Eduardo Braide e Wellington do Curso a manter Edivaldo Jr. como alvo preferencial das suas ações políticas. Os dois se deram muito bem e se projetaram na disputa para a Prefeitura da Capital explorando exatamente os pontos fracos da gestão do prefeito, que buscava a reeleição, e agora se movimentam sobre os caminhões de votos que receberam para alçar voos mais altos. Braide e Wellington operam, cada um a seu modo, para chegar à Câmara Federal, podendo o primeiro, que se tornou uma liderança emergente com visível densidade, seguir outros caminhos, podendo até mesmo ser candidato a governador. O fato, porém, é que, independente do que vier por aí, os dois se mantém legitimamente no palanque como candidatos assumidos à Prefeitura de São Luís em 2020 decididos, portanto, a infernizar a vida do prefeito até a corrida sucessória.

O que chama a atenção é que, estranhamente, o prefeito Edivaldo Jr. tem dado argumentos de sobra para quem está disposto a criticá-lo. Isso porque, se após quatro anos e quatro meses no cargo, ou seja, 1.550 dias, sua gestão não deixou que a Capital se transformasse no inferno apontado por seus críticos, por outro lado, São Luís não é hoje nem de longe a cidade prometida na campanha eleitoral de 2012. Os problemas continuam os mesmos em áreas essenciais como saúde, educação, saneamento, limpeza, mobilidade, segurança, entre outros. É verdade que Edivaldo Jr. foi duramente reprimido por uma crise que avassala o país e limita cruelmente as gestões municipais, mas mesmo a crise não justifica alguns problemas que afetam São Luís. A atual gestão, renovada em 2016 com recados estridentes de insatisfação do eleitorado, não passou à população a sensação de que a São Luís que abriga hoje 1,3 milhão de habitantes e enfrentam desafios gigantescos, está caminhando firme para ser em pouco tempo uma cidade bem melhor do que é atualmente.

Não se diga que o prefeito Edivaldo Jr. seja omisso ou incompetente como apontem seus adversários. Mas não há como negar que seu modus operandi distante e de comunicação difícil atrai duras cobranças. E os sintomas que estimulam tal avaliação estão exatamente na falta de apoio manifesto da sua base política e parlamentar. Edivaldo Jr. vem apanhando sistematicamente na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal, onde também as vozes que o atacam são agressivas e as que o defendem são cautelosas e tímidas. Esse cenário às vezes sugere que o prefeito vive um processo de isolamento político. Mas se de um lado não consegue motivar defensores nas casas parlamentares, tem sido um ativo participantes das incursões pré-eleitorais no estado do deputado federal Weverton Rocha, chefe estadual do PDT e candidato assumido ao Senado, numa evidente contradição.

É claro que a Prefeitura de São Luís encontra-se no meio de uma guerra política cujo desfecho se dará nas urnas no ano que vem. Pode estar em curso uma estratégia para garantir sobrevivência às intempéries do momento. Mas com a experiência política que já acumulou, o prefeito Edivaldo Jr. deveria saber que, somados, letargia administrativa e equívocos políticos costumam provocar desastres nas urnas. Acionar o deputado Sérgio Vieira para defender a gestão de São Luís foi um equívoco. E mesmo com a intervenção do deputado Rafael leitoa (PDT), que acusou Eduardo Braide e Wellington do Curso de permanecerem no palanque e fazer “discurso fácil”, o movimento do Palácio de la Ravardière  reforçou a impressão de que o prefeito Edivaldo Jr. precisa urgentemente reforçar sua base política, sob pena de pagar preço alto.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sérgio Vieira foi “escalado” por Jota Pinto, que não estaria acertando nas suas articulações por apoio ao prefeito

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Jota Pinto ganhou secretaria estratégica tenta articular apoio para Edivaldo Jr.

A “escalação” do deputado Sérgio Vieira para defender o prefeito Edivaldo Jr. na Assembleia Legislativa, além de surpreender os deputados presentes em plenário, causou surpresa também a informação de que a iniciativa partiu do secretário de Assuntos Políticos da Prefeitura de São Luís, Jota Pinto (PEN). A explicação dada pelo próprio Sérgio Vieira: atendeu a um pedido do secretário, que é do seu partido, para “prestar alguns esclarecimentos” aos deputados Eduardo Braide e Wellington do Curso, que bombardeiam sistematicamente o prefeito de São Luís. Nos bastidores políticos, corre solto que Jota Pinto, que é suplente de deputado estadual e se movimenta para ser titular nas próximas eleições, não estaria sendo bem sucedido nas suas tentativas de reforçar o poder de fogo do Palácio de la Ravardière. No caso do deputado Sérgio Vieira, a estratégia falhou. Não por falha do parlamentar, que até deu seu recado com segurança e coragem politica, mas porque a ação se transformou numa demonstração de que o prefeito de São Luís não tem defensores no parlamento estadual – isso não inclui, claro, o deputado Edivaldo Holanda (PTC), cujos discursos, feitos de pai para filho, já não ecoam tanto. Nos bastidores é corrente que ele estaria enfrentando problemas também na Câmara Municipal, onde tem maioria, mas a minoria oposicionista tem batido forte e vem incomodando o prefeito, apesar das mediações feitas pelo presidente da Câmara, o hoje poderoso vereador Astro de Ogum (PMN).

Coutinho recebe comitiva de Passagem Franca e garante encaminhar pleitos do Município ao Governo do Estado

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Humberto Coutinho ao lado do prefeito e membros da comitiva de Passagem Franca

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho (PDT), não se intimida com as agruras do valente e bem sucedido combate que vem dando ao câncer, e reforça o tratamento fazendo o que mais gosta: atuar na articulação política. Além da rotina de comandar as sessões do parlamento e de atuar fortemente para estancar sintomas de crise e de articular a solução de conflitos que ocorrem nos bastidores da Casa, o presidente encontra tempo também para dar atenção a lideranças municipais. Um exemplo aconteceu ontem (26), quando ele recebeu, em clima de descontração, uma comitiva de lideranças políticas de Passagem Franca, formada pelo prefeito Marlon Torres (PTB), pelos ex-prefeitos Antônio Reinaldo de Sousa e José António Gordinho Rodrigues dos Santos, e pelo presidente do PCdoB municipal, Virgílio Cazé. A Comitiva de Passagem Franca apresentou ao presidente Humberto Coutinho, que atua politicamente no município, uma pauta de reivindicações, entre elas um trator de pneu para serviços urbanos, dois ônibus escolares e uma ambulância. O presidente da Assembleia informou que encaminhará a pauta de reivindicação ao Governo do Estado, e disse acreditar que os pleitos serão atendidos pelo governador Flávio Dino (PCdoB). Participaram ainda o diretor de Relações Institucionais da AL, ex-deputado Rubens Pereira, e o diretor de Comunicação, Carlos Alberto Ferreira.

 

São Luís, 26 de Abril de 2014.

“Máfia da Sefaz”: ataque de promotor a desembargador que desbloqueou bens de Roseana gera mal-estar e reação no Judiciário

 

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Froz Sobrinho foi duramente atacado por Paulo Ramos

Invadiram ontem ao Pleno do Tribunal de Justiça (TJ) os estridentes ecos da refrega entre o promotor de Justiça Paulo Ramos, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Tributária e Econômica de São Luís, e o desembargador Froz Sobrinho, por causa de decisões tomadas pelos dois em diferentes momentos do rumoroso caso conhecido como “Máfia da Sefaz”. Os dois estão “batendo de frente”, produzindo uma situação de tensão na relação do Tribunal de Justiça e o Ministério Público, principalmente nas decisões relacionadas com a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), que juntamente com membros destacados da equipe fazendária do seu governo, é acusada de haver montado um suposto esquema de corrupção que teria desviado R$ 1,2 bilhão na concessão de benefícios fiscais a grandes empresas que se instalaram no Maranhão naquele período. Paulo Ramos e Froz Sobrinhos se chocaram quando, no mês passado, o desembargador suspendeu liminarmente decisão da juíza Oriana Gomes, da 2ª Vara Criminal, que bloqueara os bens da ex-governadora Roseana Sarney, a pedido do promotor, autor da denúncia.

Numa entrevista recente, o promotor Paulo Ramos saiu dos trilhos de conduta e externou sua inconformação com a liminar que desbloqueou os bens da ex-governadora, fazendo duras críticas ao desembargador, que na sua avaliação não tem isenção para atuar no caso. “Muito estranho que um desembargador nomeado com a anuência da ré durante um dos seus governos tenha tomado esse tipo de medida. Por que decidiu dessa maneira tão rápida? É de se desconfiar de qualquer amparo jurídico para essa decisão”, declarou, num ataque direto e comprometedor ao desembargador.

A controvertida atitude do promotor Paulo Ramos repercutiu fortemente dentro e fora do MPE, e causou forte mal-estar nos principais gabinetes do Tribunal de Justiça. Inicialmente, mesmo colocado sob suspeita de favorecer Roseana Sarney, o desembargador Fróz Sobrinha preferiu fazer de conta que nada aconteceu, resumindo o caso declarando o seguinte: “Não tenho interesse em fazer nenhuma divulgação, porque o foro de discussão de qualquer decisão judicial ou matéria jurídica é na Justiça e nos autos”. Só que os ecos da entrevista do promotor Paulo Ramos atingiram o meio judiciário, com reflexos no meio político, levando-o a mudar de posição.

Ontem, o assunto veio à tona na sessão do Pleno do TJ, onde o clima era de visível incômodo entre os desembargadores, o presidente da Corte, desembargador Cleones Cunha, saiu em defesa de Froz Sobrinho, declarando-lhe total apoio. “Todos nós, integrantes desta Corte, estamos de acordo com o desembargador Fróz Sobrinho em seu posicionamento, oferecendo-lhe total apoio, e nenhum de nós duvida ou discute a lisura da decisão proferida por ele”, declarou o presidente Cleones Cunha. E acrescentou: “O Tribunal não pode entender que um membro do Ministério Público se posicione daquela forma, colocando a honra e a integridade moral (do magistrado) na imprensa, sem apresentar provas. E quando houver qualquer suspeita, a denúncia deve ser feita formalmente, e não irresponsavelmente, como foi realizada”.

Fortalecido pelo apoio corporativo que recebeu, o desembargador Froz Sobrinho, que não é apontado como sumidade jurídica, abriu mão da oportunidade de surrar verbalmente o promotor Paulo Ramo, preferindo dar-lhe uma lição de procedimento técnico e ético: “Este é um assunto superado. Agradeço o apoio de todos que se colocaram à disposição. Reafirmo que foi uma decisão liminar, que vai passar pela Câmara e pelos colegas e que deve ser tratada como tal, como uma questão jurídica. É aqui, no Judiciário, o campo de discussão dessa liminar. Me posicionei dessa forma até pelo respeito que tenho pelo Ministério Público e pelo Juízo de base – no caso, a juíza Oriana Gomes -, para preservar tudo isso, até porque é um processo que está correndo em sigilo decretado pelo 1º Grau”.

Por razões que certamente ainda serão reveladas – alguns acham que inspirado pela celebrização dos investigadores da Operação Lava Jato, ele esteja em busca de holofotes – o promotor vem cometendo um erro atrás do outro desde que esse caso lhe caiu às mãos. Foi inicialmente acusado de receber o “pacote” quase pronto de uma “força-tarefa” do atual Governo que procura malfeitos de gestões anteriores para denunciá-los. Depois, assombrou o meio judiciário ao declarar que fizera um acordo com uma juíza para definir um procedimento, o que, se confirmado, será crime grave em matéria processual. Agora, Paulo Ramos sai dos trâmites regulares da ação e despreza os instrumentos jurídicos para questionar, como um verdadeiro aloprado, a decisão de um desembargador, que foi sequer comentada pela juíza que teve sua decisão revista.

É verdade que Froz Sobrinho não é santo e surpreendeu e desagradou a meio mundo ao derrubar uma decisão da juíza Oriana Gomes e liberar os bens de uma turma suspeita de haver desviado milhões do Estado. Mas a alegação de que ele decidiu motivado pelo fato de ter sido nomeado pelo governador em exercício João Alberto de Souza (PMDB), vice da então governadora Roseana Sarney, que estava viajando, não faz o menor sentido. Contribui apenas para politizar o caso, já que ele próprio tem sido acusado de fazer o jogo do Governo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Marco histórico: municípios da Ilha ordenam seus limites e ganham feições territoriais definitivas

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Luis Fernando Silva assina o Termo como uma conquista no ato com a presenta de Domingos Dutra

Uma audiência realizada ontem na 5ª Vara da Justiça Federal, sob a presidência do juiz José Carlos Madeira, tendo ao lado a procuradora da República Thayná Freire de Oliveira, vai entrar para História como o ato decisivo para o ordenamento territorial da Ilha de Upaon Açu, esse paraíso de 1.412 quilômetros quadrados e que abriga quase 1,5 milhão de pessoas. No ato foi homologado o Termo de Ajuste de Limites para definição dos marcos territoriais de São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa.

O evento, que abre caminho para a solução de uma série de problemas, dúvidas e indefinições, teve a participação do prefeito Luis Fernando Silva (PSDB), de São José de Ribamar, considerado o grande responsável pelo resultado, uma vez que foram dele a proposta e a liderança do movimento que mobilizou os outros prefeitos, especialmente Domingos Dutra (PCdoB), de Paço do Lumiar, também presente à reunião.

Durante a audiência, o juiz José Carlos Madeira apresentou as fases do processo, iniciado em janeiro deste ano. Na ocasião, foi estabelecido e realizado estudo técnico para definição dos marcos territoriais dos respectivos municípios, o que resultou na elaboração do Termo de Ajuste de Limite elaborado com base no levantamento coordenado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos, IMESC, e pelo IBGE.

Responsável pelo andamento do processo, o juiz José Carlos Madeira festejou a homologação: “Estamos vivendo um momento histórico, no qual ajustamos não apenas limites, mas corrigimos distorções que dificultavam e muito o acesso da população a serviços essenciais, com o acordo feito entre os municípios”.

O prefeito lumiense Domingos Dutra demonstrou animação com a correção das distorções nos limites e destacou que a medida servir a também para corrigirá problemas populacionais e até orçamentários dos quatro municípios. E fez o seguinte registro: “A homologação é resultado de uma grande preocupação levantada por todos os municípios, encabeçada pelo prefeito Luis Fernando, a quem agradeço o empenho, pois existia a demanda por redefinição de limites e divisas municipais, e hoje chegamos a um acordo que beneficiará diretamente a população lumiense”, comentou.

Sem esconder sua empolgação, prefeito Luís Fernando definiu o resultado como “o mais positivo possível, uma vez que todos ganham na adequação dos limites’. E assinalou: “Tínhamos a necessidade de encontrar soluções para a definição dos limites entre os quatro municípios, observando que São José de Ribamar já havia definido limites em relação à capital, porém faltava chegar a um consenso entre as demais linhas operacionais. E foi exatamente isso que ocorreu, mas levando principalmente em consideração as necessidades da população de todas as cidades”.

Com a homologação, o Termo de Ajuste de Limites será apreciado pela Assembleia Legislativa e será levado ao conhecimento do Governo do Estado.

Pesquisa Vox Populi diz que se eleição presidencial fosse agora, Lula venceria em todos os cenários

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Lula da Silva: lidera corrida presidencial em todos os cenários

Mesmo impiedosamente bombardeado pelo noticiário da Operação Lava Jato, agora municiado pelas delações da Odebrecht, se a eleição presidencial fosse agora, o ex-presidente Lula da Silva (PT) se mudaria pela terceira vez para o Palácio da Alvorada e trabalharia no Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos. Foi o que revelou pesquisa do Vox Populi encomendada pela CUT, na qual Lula aparece como favorito para vencer o pleito em todos os cenários de primeiro e segundo turnos. A pesquisa foi realizada entre os dias 6 e 10 de abril e divulgada terça-feira (18) pela Central Única dos Trabalhadores.

Em uma possível disputa de Lula com o senador Aécio Neves (PSDB), por exemplo, o petista aparece com 44% das intenções de voto, contra 9% do tucano. Em dezembro do ano passado, uma pesquisa apontou que Lula teria 37% dos votos, contra 13% de Aécio. Já o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) subiu de 7% para 11% na mesma comparação. Marina Silva se manteve com 10% e Ciro Gomes (PDT-CE) com 4%.

Se o adversário fosse o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), Lula venceria com 45% dos votos, contra 12% de Bolsonaro, 11% de Marina Silva, 6% de Alckmin e 4% de Ciro Gomes. Em dezembro, Lula tinha 38%; Alckmin, 10%; Bolsonaro, 7%; Marina Silva, 12%; e Ciro Gomes, 5%.

Contra o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), ele teria 5% das intenções de voto, a mesma quantidade de Ciro Gomes, enquanto o ex-presidente ficaria com 45%. Marina e Bolsonaro com 11%.

O Vox Populi fez simulações para um eventual segundo turno, e nelas Lula também venceria em todos os cenários. Contra Doria, o petista venceria por 53% a 16%. Já contra Alckmin, bateria o tucano com 51% das intenções de voto contra 17%. Enfrentando Aécio Neves no turno final, o ex-presidente levaria 50% dos votos válidos e o senador teria 17%. Já se a oponente fosse Marina, Lula venceria por 49% a 19%.

No voto espontâneo, sem lista de candidatos, Lula tem 36% das intenções de voto, Doria aparece com 6%, Aécio, 3%; Marina, 2%; o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Alckmin têm 1%.

Apesar da vitória em todos os cenários, 66% dos entrevistados disseram que Lula cometeu erros, mas fez “muito mais coisas boas pelo povo e pelo Brasil”. 58% acham que a vida melhorou com o governo dos petistas Lula e Dilma Rousseff; outros 13% disseram que piorou; e 28% responderam que nem melhorou, nem piorou.

O Vox Populi ouviu 2.000 pessoas em 118 municípios de todos os Estados e do Distrito Federal, e a margem de erro é de 2,2%.

São Luís, 19 de Abril de 2017.

Pesquisas com dados e focos estranhos mostram Dino liderando e Roseana em segundo na corrida aos Leões

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Flávio Dino lidera, seguido de Roseana, Roberto Rocha, Márlon Reis e Maura Jorge 

Duas pesquisas sobre a corrida sucessória no Maranhão sacudiu a blogosfera e, por via de desdobramento, os bastidores políticos no início desta semana. Nas duas, o governador Flávio Dino (PCdoB) lidera a corrida, tendo a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) em segundo lugar, confirmando assim tendência apontada por outro levantamento no sentido de que a grande peleja eleitoral será mesmo entre o governador e o movimento por ele liderado, e o Grupo Sarney, que por falta de opção, deverá mesmo interromper a aposentadoria política da ex-governadora. A primeira pesquisa, feita por Perfil Pesquisa de Opinião, empresa registrada no interior de São Paulo, que incluiu como pré-candidatos o senador Roberto Rocha (PSB), o ex-juiz Márlon Reis (Rede) e a ex-prefeita de Lago da Pedra Maura Jorge (PSDB). A segunda, realizada pelo bem avaliado instituto Exata, de São Luís, estranhamente mediu apenas o poder de fogo de Flávio Dino e Roseana Sarney, como se a disputa estivesse restrita aos dois, o que não é, e muito provavelmente não será, uma verdade política.

Alvo de todas as restrições e suspeitas, por ter sido feito por uma empresa do interior de São Paulo, não se sabendo quem o contratou, o levantamento da tal Perfil Pesquisa de Opinião foi realizada no período de 4 a 10 de abril, e mediu o poder de fogo de cinco pré-candidatos a governador, sem, no entanto, informar o número de eleitores ouvidos, a região enfocada nem a margem de erro, que são informações essenciais para a avaliação a uma pesquisa dessa natureza e importância. Com esses “porens”, o quadro que encontrou foi o seguinte: Flávio Dino com 31% das intenções de voto, Roseana Sarney (27%), Roberto Rocha (11%), Márlon Reis (9%) e Maura Jorge (4%). Indecisos, brancos e nulos totalizaram 18%.

Uma leitura superficial dos resultados da Perfil remete, de cara, para uma eleição em dois turnos duríssimos. Além disso, sugerem que, se são números verdadeiros, mesmo com a liderança do governador Flávio Dino e a vice-liderança da ex-governadora Roseana Sarney, a corrida sucessória no Maranhão está rigorosamente indefinida, já que o favoritismo do líder nas preferências não parece nem um pouco consolidado, situação que poderia ser perfeitamente respondida pela margem de erro. Numa avaliação mais realista, é difícil entender que um governador que aparece com mais de 60% de aprovação – numa outra pesquisa, é bom frisar – tenha apenas 31% de intenções de votos para o seu projeto de reeleição. Tal cenário produz uma forte suspeita que o levantamento objetivou mostrar o governador Flávio Dino eleitoralmente fragilizado.

Se tem uma base verdadeira, a pesquisa da empresa paulista coloca o senador Roberto Rocha no páreo com seus 11%, porque sugere que ele tem potencial de crescimento, exatamente por ser uma novidade. E num candidato com potencial de crescimento, crescer, por exemplo, 16% para alcançar a ex-governadora e medir forçar com o governador. O mesmo acontece com o ex-juiz Márlon Reis, que deve estar festejando os seus 9% e que o cacifaram para entrar na briga ou se movimentar em outra direção, como candidato a vice ou ao Senado.  E, finalmente, por mais inexpressivos que pareçam os 4% de preferência que lhe deram, a ex-deputada estadual e ex-prefeita Maura Jorge tem todos os motivos do mundo para comemorar, porque isso a credencia a uma vaga de candidata a vice ou a uma provável eleição de deputada federal, ou alimentar o sonho de se viabilizar durante a campanha.

A pesquisa do já acreditado Instituto Exata, que tem contabilizados acertos últimas campanhas eleitorais, surpreende negativamente pelo fato de ter medido apenas o potencial do governador Flávio Dino e a ex-governadora Roseana Sarney, como se fossem eles os púnicos aspirantes ao Governo, o que não é verdadeiro, e dando a impressão de que por isso a eleição se dará em turno único. Realizada no período de 23 a 26 de março e tendo ouvido 1.400 em 40 municípios, a singular medição chegou ao seguinte resultado: Flávio Dino com 59% das preferências do eleitorado, contra 26% da ex-governadora Roseana Sarney. Outros 10% disseram que votariam em branco ou anulariam o voto, e 5% estão indecisos.

Não se questiona aqui a integridade do levantamento, mas não há como não indagar o motivo que levou o contratante a limitar a dois candidatos de uma disputa que poderá ter no mínimo três, com possibilidade de chegar a sete aspirantes ao Palácio dos Leões. E nesse contexto, vale a indagação: será que o governador Flávio Dino alcançaria 59%? Roseana Sarney teria 26%? Dificilmente, mesmo levando em conta os indicativos de que o governador lidera a corrida em qualquer cenário e reúna todas as condições de confirmar o favoritismo nas urnas.

Que as próximas pesquisas tragam informações completas.

 PONTO & CONTRAPONTO

Se for candidato a presidente, Lula poderá repetir performance eleitoral no Maranhão ano que vem

Luiz Inacio Lula da Silva, Brazil's president, attends a meeting regarding changes in the Brazilian tax system at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil, on Thursday, Feb. 27, 2008. Brazil posted a budget surplus of 5.53 billion reais ($3.3 billion) in January, and Finance Minister Guido Mantega said that the country's tax code will boost economic growth to 5.5 percent. Photographer: Adriano Machado/Bloomberg News
Lula da Silva é líder disparado na preferência do eleitorado do Maranhão para presidente

A pesquisa do Instituto Exata apurou também as preferências do eleitorado do momento em relação à corrida para o Palácio do Planalto. Confirmando a tendência histórica, o ex-presidente Lula da Silva (PT) desponta para sair das urnas mais uma vez como campeão de votos, com nada menos nada menos que 62% das intenções de voto. Atrás, muito atrás, dele, em segundo lugar, aparece a verde Marina Silva (Rede) com 15%. Como terceira opção do eleitorado maranhense desponta o deputado fluminense Jair Bolsonaro (PSC) com 7%; o ex-governador cearense  Ciro Gomes (PDT), o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) com 3% e o prefeito de São Paulo João Dória (3%). Esse cenário dificilmente será alterado se Lula firmar a aliança com o governador Flávio Dino, que aparece na mesma pesquisa com 59%.

Mesmo que venha amargar mais problemas na Operação Lava Jato, como ser preso, por exemplo, o que vem se tornando uma possibilidade mais concreta a cada dia, Lula continuará sendo o candidato preferencial da esmagadora maioria do eleitorado maranhense. Isso porque ele é e é quase certo que continuará sendo o “Pai do Bolsa Família”. Essa posição será mais forte agora, se vier a ser mesmo candidato numa aliança com o governador Flávio Dino, que a mesma pesquisa mostra com 59% das intenções de voto num embate direto com a ex-governadora Roseana Sarney.

 

Eduardo Braide e Wellington do Curso desancam Edivaldo Jr. chamando-o de “incompetente”, “covarde” e “omisso”

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Eduardo Braide e Wellington do Curso: chumbo grosso contra Edivaldo Jr. ao avaliar os 100 dias da nova gestão 

As avaliações dos 100 das novas administrações municipais, a gestão do prefeito de São Luís, Edivaldo Jr (PDT), e ele próprio, foram alvos de carga pesada, com chumbo grosso a granel, disparada em duas baterias verbais, uma pelo deputado Eduardo Braide (PMN) e outra pelo deputado Wellington do Curso (PSB), seus adversários mais incômodos na disputa do ano passado e que continuam fazendo-lhe oposição cerrada.

A primeira carga foi disparada pelo deputado Eduardo Braide, que foi seu adversário no turno final e saiu das urnas com a chancela de 240 mil eleitores. Braide começou dizendo que “São Luís está completamente abandonada”, justificando com a afirmação, feita em tom de denúncia, de que “o prefeito não pisou na Prefeitura neste mandato”. E foi em frente fazendo, por sua ótica, uma radiografia quase caótica da administração municipal: saúde em crise com hospitais que funcionam precariamente – “o Hospital da Mulher não tem um mamógrafo, o que é um absurdo” -, a maioria das escolas está com problemas, a cidade está toda esburacada, o sistema de transporte está em crise por causa da pane na emissão do passe escolar. “A cidade está acéfala”, bradou o parlamentar do PMN, que perguntou: “Cadê as parcerias com o Governo do Estado prometidas na campanha?” E terminou fazendo um desafio ao prefeito e aos seus aliados a rebater suas afirmações. Ninguém se apresentou.

Em seguida, o deputado Wellington do Curso não deixou por menos, ao contrário, foi mais abrangente nas reclamações e mais agressivo nos ataques pessoais ao prefeito. “Temos em São Luís um gestor incompetente”, afirmou, acusando Edivaldo Jr. de ter “sumido da cidade”. E foi em frente acrescentando uma denúncia: “Ele agora só está aparecendo no interior”, referindo-se à participação do prefeito de São Luís nos atos de pré-campanha do deputado federal Weverton Rocha ao Senado em diversos municípios. “Em vez de se preocupar com São Luís que o reelegeu, ele só se preocupa agora com a manutenção do poder”, afirmou. Mais à frente, ao falar sobre a insegurança que infelicita São Luís, o deputado bateu mais forte:  “Esse prefeito é omisso e covarde”. E provavelmente acreditando estar falando pelos 100 mil ludovicenses que lhe deram o voto na corrida à Prefeitura, Wellington do Curso disparou o ataque mais duro: “O prefeito não tem competência nem vergonha na cara”.

Tanto quanto os petardos verbais disparados pelos deputados Eduardo Braide e Wellington do Curso, chamou atenção o fato de que nenhum aliado do prefeito Edivaldo Jr. se apresentou para defendê-lo.

São Luís, 18 de Abril de 2017.

Maranhenses investigados pela Lava Jato não abrem mão de candidaturas e intensificam suas ações de campanha

 

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Flávio Dino, José Reinaldo e Weverton Rocha mantêm seus projetos políticos e eleitorais; Edison Lobão nada diz

É unânime a impressão de que as bombásticas revelações feitas pelos delatores da Odebrecht em relação à política do Maranhão causaram estragos nas imagens dos seus protagonistas, mas são igualmente numerosas as divergências a respeito de qual será a extensão dos danos e os seus efeitos na corrida eleitoral do ano que vem. Até aqui, não há sinais de que o governador Flávio Dino (PCdoB) venha a promover alterações no roteiro do seu projeto de reeleição, como também não há informação de que o senador Edison Lobão (PMDB) esteja planejando qualquer movimento no sentido de tentar se reeleger. Os deputados federais José Reinaldo Tavares (PSB) e Weverton Rocha (PDT) não alteraram um milímetro sequer das rotas das suas caminhadas visando desembarcar no Senado. O que se viu até agora foram declarações categóricas de inocência e, na esteira da autodefesa enfática, assistiu-se esses chefes de peso afirmar que são vítimas de “mentiras” e “distorções”, e confirmar – com exceção de Edison Lobão – que suas caminhadas em direção às urnas são irreversíveis.

No meio político, partidários, aliados e até mesmo adversários do governador Flavio Dino manifestam certeza de que ele não tem de se preocupar em relação à sua candidatura à reeleição. Na cuidadosa leitura que afirmam ter feito da delação do executivo José de Carvalho Filho, não existe a confirmação de que o então deputado federal Flávio Dino tenha recebido R$ 200 mil de caixa 2 da Odebrecht para sua campanha ao Governo do Estado em 2010. O delator afirma que Flávio Dino recebeu uma senha e forneceu o endereço para a entrega do dinheiro, mas o governador rebate no mesmo tom, afirmando categoricamente que não recebeu tal senha, não forneceu o tal endereço nem viu a cor do dinheiro, acrescentando que, por não haver existido, a tal “ajuda” não consta da sua prestação de contas da sua campanha. Na mesma ciranda de declarações conflitantes, Flávio Dino confirma ter recebido “doação” da Odebrecht para a campanha de 2014, mas enfatiza que ela foi dada pelos meios legais e está contabilizada na prestação de contas. Ou seja, a versão do governador parece se impor sobre a do delator.

Os que acham que o governador Flávio Dino sairá ileso da pancadaria argumentam ele levou a melhor sobre a delação, pois até aqui parece não haver prova material de que tenha de fato recebido dinheiro de caixa 2 em 2010. Isso torna difícil que a Justiça abrace o conteúdo da delação e despreze a defesa do governador e o condene sem provas. E independentemente de aparecerem ou não provas, seus adversários aplaudem o delator Carvalho Filho e torcem para que o governador se enrole de vez, seja condenado e impedido de concorrer, o que parece altamente improvável. Daí a conclusão de que o caminho de Flávio Dino seja manter sua campanha a todo vapor.

Todas as evidências surgidas até agora sinalizam que o senador Edison Lobão caminha para a aposentadoria. Alvo de seis inquéritos, todos eles baseados em delações que o apontam como favorecido com milhões e milhões de reais saídos de esquemas de corrupção no setor do petróleo (Petrobras), energia elétrica (usinas elétricas) e energia nuclear (Angra III) quando comandou o Ministério de Minas e Energia nos Governos Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT). Por meio do criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, Lobão vem negando peremptoriamente as acusações, rebatendo as delações taxando-as de “mentirosas” e jurando que nunca foi favorecido com um tostão de dinheiro sujo desviados por esses esquemas. A Procuradoria geral da República, porém, garante ter reunido provas “robustas” contra o senador, que com o apoio do PMDB e outros partidos, foi recentemente eleito presidente da poderosa Comissão de Constituição e Justiça do Senado, cargo normalmente ocupado por senadores de reputação ilibada. É prematuro afirmar que Edison Lobão venha a ser declaro culpado e condenado e seja banido da vida pública. Mas nos bastidores da política não se encontra quem aposte um centavo na sua absolvição. E até por conta da sua postura discreta, avessa a embates públicos, o senador não disse até agora qual o seu próximo passo político, fomentando assim a suspeita de que encerrará com o atual mandato, com desfecho policial, uma das mais vitoriosas e brilhantes carreiras políticas do Maranhão nas últimas décadas.

Com a experiência de quem já comeu o pão que o diabo amassou na famosa Operação Navalha, deflagrada em 2007 em mais de uma dezena de estados e mais o Distrito Federal, na qual foi acusado de se beneficiar de um esquema montado pela construtora também baiana, o deputado federal José Reinaldo Tavares foi alcançado por tabela pela Operação Lava Jato, já que o grande vilão das investigações, Lago na Prefeitura de São Luís. No caso, o investigado é o advogado Ulisses Martins, que na condição de procurador geral do Estado no Governo de José Reinaldo, teria recebido R$ 1,2 milhão de propina para garantir que o Governo pagasse um débito de cerca de R$ 30 milhões com a Odebrecht. Todas as evidências dizem que quem está caminhando para ajustar contas com a Justiça e acabar atrás das grades é mesmo Ulisses Martins, apontado como mentor e maior beneficiário do esquema com a Odebrecht no Maranhão. O ex-governador diz e repete que nada tem a ver com a encrenca, garante que está limpo, que as investigações vão provar sua inocência e que não abre mão da candidatura ao Senado. Admite que sofreu abalos no seu prestígio político, mas garante que tem fôlego para levar o projeto em frente.

Situação idêntica vive o deputado federal e líder do PDT na Câmara Federal, Weverton Rocha. Um dos mais – se não o mais – ativo candidato ao Senado pelo Maranhão, o líder pedetista foi recentemente denunciado ao Supremo Tribunal Federal como suspeito de desviar dinheiro público na reforma do Ginásio Costa Rodrigues quando secretário de Esporte e Juventude do Governo Jackson Lago (2007-2009). Weverton Rocha garante que a denúncia pé um factóide, que vai provar sua inocência e recolocar a verdade no seu devido lugar. Sobre seu projeto senatorial, o  parlamentar reafirma categoricamente aos seus interlocutores que ele está firme, de pé e com amplas possibilidades de dar certo, não admitindo qualquer dúvida a respeito. Aos seus interlocutores, Weverton Rocha garante que não vê qualquer risco à sua candidatura. Tanto que a campanha continua em curso e intensa.

Agora é aguardar o desenrolar dos processos, que já estão em pleno movimento.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Verdades incômodas: Maranhão é tratado com deboche durante o programa Manhattan Connection

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Ricardo Amorim, Diogo Minardi, Lucas Mendes, Caio Blinder e Pedro Andrade: grandes jornalistas tratando o Maranhão com escárnio

O Maranhão foi mais uma vez alvo de deboche em programa jornalístico. Desta vez aconteceu na mais recente edição do Manhattan Connection, programa da Globo News realizado em Nova York pelos brasileiros Lucas Mendes, Caio Blinder, Diogo Minardi, Ricardo Amorim e Pedro Andrade. O deboche surgiu quando Lucas Mendes perguntou a Diogo Minardi, que mora em Veneza, Itália, se ele saberia qual a pior cidade do mundo. Minardi vacilou e Mendes respondeu por ele: “É Presidente Sarney, no Maranhão”, ao que se seguiu uma série de comentários nada abonadores. Diogo Minardi sugeriu que o Maranhão é o pior em tudo. Caio Blinder disse que “os Sarney ficam com a grana”. E Pedro Andrade aliviou declarando “amor” ao Maranhão porque a avozinha dele é maranhense. Como já é contumaz, a sequência de comentários dos “manhattazanas” teve objetivo claro de mostrar o Maranhão e suas cidades como o inferno.

Mesmo lembrados pela empáfia que exibem aqui e ali, os integrantes do programa têm um traço comum: são gigantes do jornalismo, que em conjunto produzem uma visão extraordinária do mundo, começando pelo centro dele: Manhattan. E por mais debochados e arrogantes que possam parecer pegando no pé do Maranhão, não há como negar que os seus comentários refletem uma realidade indiscutível, a de que o Maranhão continua um estado pobre, que ainda se debate com bolsões de pobreza como Presidente Sarney, que apesar de tudo não é  o pior cidade do mundo, nem está entre os lugares onde se vive bem nos itens mais elementares. A afirmação de que os Sarney “ficam com o dinheiro”, feita com aparente convicção, bem que poderia ser detalhada pelo jornalista, que pé reconhecido como um dos mais bem informados entre os  correspondentes do Brasil nos EUA.

Fica a sugestão ao programa: quando o Maranhão entrar na pauta, que seja tratado com um pouco mais de seriedade, de modo que seus problemas sejam enfocados numa perspectiva bem realista. Sem, é claro, baixar a guarda para os que pensam que está tudo bem por aqui.

Michel Temer diz que impeachment de Dilma Rousseff foi retaliação solitária de Eduardo Cunha
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Michel temer confirma que processo de impeachment foi retaliação de Eduardo Cunha contra Dilma Rousseff

Mais cedo do que se espera caráter golpista do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) começa a se confirmar. Não que tenha sido um golpe nos moldes das repúblicas bananeiras do miolo do América Latina, mas de um caprichoso ato de retaliação do então presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). E por incrível que possa parecer, o hoje sem-mandato e morador de um presídio no Paraná, já condenado em um dos vários processos a que responde. A revelação foi feita por ninguém menos que o presidente Michel Temer (PMDB), na noite de domingo, em entrevista à TV Bandeirante. Principal beneficiário do desfecho traumático ato de Eduardo Cunha, Michel Temer relatou a sua versão do episódio que mudou a História recente do País livrando a própria cara da alcunha de traidor e resumindo o processo a um gesto tresloucado do então deputado fluminense.  E o motivo, confirmado por Michel Temer, foi ridículo se verdadeiro, uma reação barata: Cunha insurgiu contra Dilma porque os três deputados petistas do Conselho de Ética que o julgou por cerca de dez meses – Léo de Brito (PT-AC), Valmir Prascidelli (PT-SP) e Zé Geraldo (PT-PA) – não aceitaram votar pela sua absolvição. Leiamos o relato do presidente à TV Bandeirante:

“Até vou contar um episódio aqui, que foi o seguinte: Em uma ocasião, ele (Cunha) foi me procurar – e isso era umas duas horas da tarde, mais ou menos – dizendo: Olha, eu hoje vou arquivar todos os pedidos de impeachment da presidente – e eram dez ou 12 pedidos –, porque prometeram-me os três votos do PT no Conselho de Ética’. Eu disse: ‘Ora, que bom. Muito bom. Assim acaba com esse história de você estar na oposição, etc. Até porque, convenhamos, eu sou o vice-presidente da República, do PMDB, e fica muito mal essa situação de você, a todo momento, estar se posicionando como oposicionista”.

Michel Temer prosseguiu:

“Naquele dia, curiosamente, tinha uma reunião dos governadores com a então senhora presidente Dilma Rousseff. Eu fui ao Palácio da Alvorada, onde se daria a reunião, e ela estava na biblioteca. Eu fui até a biblioteca e disse: ‘Presidente, pode ficar tranquila porque o presidente [da Câmara] Eduardo Cunha me disse, agora, que vai arquivar todos os processos de impedimento’. Ela disse: ‘Ô, que coisa boa.’ Até, convenhamos, ela foi muito tranquila para a reunião com os governadores. Pois bem. No dia seguinte, eu vejo logo o noticiário dizendo que o presidente do partido – o PT, naturalmente – e os três membros do PT se insurgiam contra aquela fala e votariam contra [Cunha]. Quando foi três horas da tarde, mais ou menos, ele me ligou dizendo: ‘Olha, tudo aquilo que eu disse não vale, porque agora eu vou chamar a imprensa e dar início ao processo de impedimento. Então, veja que coisa curiosa: se o PT tivesse votado nele naquela comissão de ética, é muito provável que a senhora presidente continuasse no mandato”.

Durante a entrevista, Michel Temer reiterou a ideia de que não atuou nos bastidores para derrubar a ex-presidente. Mas no Brasil inteiro todo sabem, a começar por seus aliados, que o impeachment da presidente petista foi, de fato, um caprichoso ato de retaliação.

 

São Luís, 17 de Abril de 2010.

 

Manifesto afirma que Governo agrava situação do Brasil e propõe medidas urgentes para retomar o projeto de nação

bandeira

No que já é, sem dúvida, ser um dos momentos mais traumáticos da sua história, brasileiros assistem, perplexos, pela TV, os inacreditáveis depoimentos dos corruptores da Odebrecht, que mostram como o grande capital, encarnado em toda plenitude pela empreiteira, age monstruosamente para manipular e corromper agentes do Estado e líderes políticos para impor os seus interesses, e como eles, quando assediados, se deixam corromper, numa ópera reveladora da tragédia do Brasil, refletida no caos nos hospitais públicos, no aumento da violência, no baixo rendimento escolar, no caos na infraestrutura, enfim, na incapacidade do Estado de dar a resposta adequada aos impostos que arrecada. Nesse contexto, economistas, intelectuais, profissionais das mais diversas áreas, professores e artistas, homens e mulheres de bem até prova em contrário, rompem a letargia da perplexidade e propõem uma saída urgente para o Brasil. Liderados pelo economista e professor Luiz Carlos Bresser-Pereira, que foi ministro dos Governos Sarney e FHC, o grupo lançou o manifesto Projeto Brasil Nação, cuja íntegra é a seguinte:

“O Brasil vive uma crise sem precedentes. O desemprego atinge níveis assustadores. Endividadas, empresas cortam investimentos e vagas. A indústria definha, esmagada pelos juros reais mais altos do mundo e pelo câmbio sobreapreciado. Patrimônios construídos ao longo de décadas são desnacionalizados.

Mudanças nas regras de conteúdo local atingem a produção nacional. A indústria naval, que havia renascido, decai. Na infraestrutura e na construção civil, o quadro é de recuo. Ciência, cultura, educação e tecnologia sofrem cortes.

Programas e direitos sociais estão ameaçados. Na saúde e na Previdência, os mais pobres, os mais velhos, os mais vulneráveis são alvo de abandono.

A desigualdade volta a aumentar, após um período de ascensão dos mais pobres. A sociedade se divide e se radicaliza, abrindo espaço para o ódio e o preconceito.

No conjunto, são as ideias de nação e da solidariedade nacional que estão em jogo. Todo esse retrocesso tem apoio de uma coalizão de classes financeiro-rentista que estimula o país a incorrer em déficits em conta corrente, facilitando assim, de um lado, a apreciação cambial de longo prazo e a perda de competitividade de nossas empresas, e, de outro, a ocupação de nosso mercado interno pelas multinacionais, os financiamentos externos e o comércio desigual.

Esse ataque foi desfechado num momento em que o Brasil se projetava como nação, se unindo a países fora da órbita exclusiva de Washington. Buscava alianças com países em desenvolvimento e com seus vizinhos do continente, realizando uma política externa de autonomia e cooperação. O país construía projetos com autonomia no campo do petróleo, da defesa, das relações internacionais, realizava políticas de ascensão social, reduzia desigualdades, em que pesem os efeitos danosos da manutenção dos juros altos e do câmbio apreciado.

Para o governo, a causa da grande recessão atual é a irresponsabilidade fiscal; para nós, o que ocorre é uma armadilha de juros altos e de câmbio apreciado que inviabiliza o investimento privado. A política macroeconômica que o governo impõe à nação apenas agravou a recessão. Quanto aos juros altíssimos, alega que são ‘naturais’, decorrendo dos déficits fiscais, quando, na verdade, permaneceram muito altos mesmo no período em que o país atingiu suas metas de superávit primário (1999-2012).

Buscando reduzir o Estado a qualquer custo, o governo corta gastos e investimentos públicos, esvazia o BNDES, esquarteja a Petrobrás, desnacionaliza serviços públicos, oferece grandes obras públicas apenas a empresas estrangeiras, abandona a política de conteúdo nacional, enfraquece a indústria nacional e os programas de defesa do país, e liberaliza a venda de terras a estrangeiros, inclusive em áreas sensíveis ao interesse nacional.

Privatizar e desnacionalizar monopólios serve apenas para aumentar os ganhos de rentistas nacionais e estrangeiros e endividar o país.

O governo antinacional e antipopular conta com o fim da recessão para se declarar vitorioso. A recuperação econômica virá em algum momento, mas não significará a retomada do desenvolvimento, com ascensão das famílias e avanço das empresas. Ao contrário, o desmonte do país só levará à dependência colonial e ao empobrecimento dos cidadãos, minando qualquer projeto de desenvolvimento.

Para voltar a crescer de forma consistente, com inclusão e independência, temos que nos unir, reconstruir nossa nação e definir um projeto nacional. Um projeto que esteja baseado nas nossas necessidades, potencialidades e no que queremos ser no futuro. Um projeto que seja fruto de um amplo debate.

É isto que propomos neste manifesto: o resgate do Brasil, a construção nacional. Temos todas as condições para isso. Temos milhões de cidadãos criativos, que compõem uma sociedade rica e diversificada. Temos música, poesia, ciência, cinema, literatura, arte, esporte – vitais para a construção de nossa identidade. Temos riquezas naturais, um parque produtivo amplo e sofisticado, dimensão continental, a maior biodiversidade do mundo. Temos posição e peso estratégicos no planeta. Temos histórico de cooperação multilateral, em defesa da autodeterminação dos povos e da não intervenção.

O governo reacionário e carente de legitimidade não tem um projeto para o Brasil. Nem pode tê-lo, porque a ideia de construção nacional é inexistente no liberalismo econômico e na financeirização planetária.

Cabe a nós repensarmos o Brasil para projetar o seu futuro – hoje bloqueado, fadado à extinção do empresariado privado industrial e à miséria dos cidadãos. Nossos pilares são: autonomia nacional, democracia, liberdade individual, desenvolvimento econômico, diminuição da desigualdade, segurança e proteção do ambiente – os pilares de um regime desenvolvimentista e social.

Para termos autonomia nacional, precisamos de uma política externa independente, que valorize um maior entendimento entre os países em desenvolvimento e um mundo multipolar.

Para termos democracia, precisamos recuperar a credibilidade e a transparência dos Poderes da República. Precisamos garantir diversidade e pluralidade nos meios de comunicação. Precisamos reduzir o custo das campanhas eleitorais, e diminuir a influência do poder econômico no processo político, para evitar que as instituições sejam cooptadas pelos interesses dos mais ricos.

Para termos Justiça precisamos de um Poder Judiciário que atue nos limites da Constituição e seja eficaz no exercício de seu papel. Para termos segurança, precisamos de uma polícia capacitada, agindo de acordo com os direitos humanos. Para termos liberdade, precisamos que cada cidadão se julgue responsável pelo interesse público.

Precisamos estimular a cultura, dimensão fundamental para o desenvolvimento humano pleno, protegendo e incentivando as manifestações que incorporem a diversidade dos brasileiros.

Para termos desenvolvimento econômico, precisamos de investimentos públicos (financiados por poupança pública) e principalmente investimentos privados. E para os termos precisamos de uma política fiscal, cambial socialmente responsáveis; precisamos de juros baixos e taxa de câmbio competitiva; e precisamos ciência e tecnologia.

Para termos diminuição da desigualdade, precisamos de impostos progressivos e de um Estado de bem-estar social amplo, que garanta de forma universal educação, saúde e renda básica. E precisamos garantir às mulheres, aos negros, aos indígenas e aos LGBT direitos iguais aos dos homens brancos e ricos.

Para termos proteção do ambiente, precisamos cuidar de nossas florestas, economizar energia, desenvolver fontes renováveis e participar do esforço para evitar o aquecimento global.

Neste manifesto inaugural estamos nos limitando a definir as políticas públicas de caráter econômico. Apresentamos, assim, os cinco pontos econômicos do Projeto Brasil Nação.

1- Regra fiscal que permita a atuação contracíclica do gasto público, e assegure prioridade à educação e à saúde.

2- Taxa básica de juros em nível mais baixo, compatível com o praticado por economias de estatura e grau de desenvolvimento semelhantes aos do Brasil.

3- Superávit na conta corrente do balanço de pagamentos que é necessário para que a taxa de câmbio seja competitiva.

4- Retomada do investimento público em nível capaz de estimular a economia e garantir investimento rentável para empresários e salários que reflitam uma política de redução da desigualdade.

5- Reforma tributária que torne os impostos progressivos.

Esses cinco pontos são metas intermediárias, são políticas que levam ao desenvolvimento econômico com estabilidade de preços, estabilidade financeira e diminuição da desigualdade. São políticas que atendem a todas as classes exceto a dos rentistas.

A missão do Projeto Brasil Nação é pensar o Brasil, é ajudar a refundar a nação brasileira, é unir os brasileiros em torno das ideias de nação e desenvolvimento – não apenas do ponto de vista econômico, mas de forma integral: desenvolvimento político, social, cultural, ambiental; em síntese, desenvolvimento humano. Os cinco pontos econômicos do Projeto Brasil são seus instrumentos- não os únicos instrumentos, mas aqueles que mostram que há uma alternativa viável e responsável para o Brasil”.

Estamos hoje, os abaixo assinados, lançando o Projeto Brasil Nação e solicitando que você também seja um dos seus subscritores e defensores.

Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista,

Eleonora de Lucena, jornalista,

Celso Amorim, embaixador,

Raduan Nassar, escritor,

Chico Buarque de Hollanda,

Mario Bernardini, engenheiro,

Roberto Schwarz, crítico literário,

Pedro Celestino, engenheiro,

Fábio Konder Comparato, jurista,

Kleber Mendonça Filho, cineasta,

Laerte, cartunista,

João Pedro Stedile, ativista social,

Wagner Moura, ator e cineasta,

Vagner Freitas, sindicalista,

Margaria Genevois, ativista de direitos humanos,

Rogério Cezar de Cerqueira Leite, físico,

Fernando Haddad, professor universitário,

Marcelo Rubens Paiva, escritor,

Maria Victoria Benevides, socióloga,

Luiz Costa Lima, crítico literário,

Paul Singer, economista,

Ciro Gomes, político,

Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, economista,

Alfredo Bosi, crítico e historiador,

Eclea Bosi, psicóloga,

Manuela Carneiro da Cunha, antropóloga,

Fernando Morais, jornalista,

Leda Paulani, economista,

André Singer, cientista político,

Luiz Carlos Barreto, cineasta,

Paulo Sérgio Pinheiro, sociólogo,

Maria Rita Kehl, psicanalista,

Tata Amaral, cineasta,

Eric Nepomuceno, jornalista,

Carina Vitral, estudante,

Luiz Felipe de Alencastro, historiador,

Roberto Saturnino Braga, engenheiro e político,

Roberto Amaral, cientista político,

Eugenio Aragão, subprocurador geral da República,

Ermínia Maricato, arquiteta,

Marcia Tiburi, filósofa,

Frei Betto, escritor e religioso,

Ribamar Corrêa, jornalista.

São Luís, 14 de Abril de 2017.

Torpedos da Lava Jato causam grandes estragos nos principais centros de comando político do Maranhão

 

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Flávio Dino, Edison Lobão, Weverton Rocha e José Reinaldo terão de administrar estragos feitos por denúncias feitas pela Lava Jato nos seus grupos partidários

A Operação Lava Jato, cuja etapa mais recente e mais bombástica é a “Lista do Fachin”, e outras denúncias, alcançaram e tiraram de tempo alguns grupos políticos do Maranhão, especialmente os mais poderosos e influentes e que no momento travam uma guerra sem trégua pelo poder. À exceção se siglas como PV, PTB, DEM e outros com boa projeção e da  esquerda radical, formada por partidos como PSOL, PSTU e PCB, que praticamente não existem no conjunto das forças políticas, a maioria dos partidos de peso e grupos encontram-se sob o fogo cerrado das denúncias, com suas lideranças direta ou indiretamente atingidas pelo impacto das suspeitas de desvios e malfeitos. O PCdoB, que está no poder e que durante muito tempo teve como argumento forte o fato de não ter nenhum líder maranhense envolvido em desmandos, foi agora alcançado pela denúncia segundo a qual o seu líder maior, o governador Flávio Dino, que teria sido ajudado pela Odebrecht, pela via do caixa 2, na campanha eleitoral de 2010, o que ele nega. E o PMDB, seu principal adversário, com o senador e ex-ministro Edison Lobão, em situação gravíssima, e o seu maior símbolo, o ex-presidente José Sarney, alvos de investigações Os embates que virão com a campanha para as eleições de 2018, quando essas acusações serão levadas a extremos.

A repercussão da denúncia de que Flávio Dino teria recebido dinheiro de caixa 2 da Odebrecht em 2010 vai muito além do dele próprio, gerando apreensão em todos os envolvidos no projeto de poder que começou a ganhar forma em 2010, se viabilizou nas urnas em 2014 e até aqui tem caminhado com visível segurança para ser definitivamente referendado nas urnas no ano que vem. A reação do governador à denúncia sinalizou que o petardo incomodou, mas que a confiança no futuro do projeto não foi abalada. As explicações e os esclarecimentos iniciais, se não satisfizeram inteiramente à opinião pública, funcionaram para quebrar o impacto da pancada, deixando no ar clara impressão de que o governador e seu projeto político não foram feridos de morte, ainda que no desdobramento venha a sofrer algum desgaste, o que até aqui parece improvável.

O PMDB maranhense encontra-se numa grande enrascada, principalmente por causada do senador, ex-governador e ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão, que está entre os que respondem por mais denúncias, todas elas bombásticas, exatamente por envolver muito dinheiro sujo, o que faz deles um dos réus que dificilmente escaparão da mão pesada na Justiça. A situação de Lobão certamente criará embaraços ao PMDB na corrida ao voto. O senador não foi abandonado pela cúpula do PMDB do Maranhão, é verdade, mas é visível que há um esforço em andamento para evitar que os problemas que ele enfrenta sejam misturados com o braço maranhense do partido. É opinião geral que se Lobão cair, Lobão Filho terá drasticamente reduzidas as suas chances de dar novo passo na política, como vem ameaçando. A preocupação dominante no PMDB é que em parte das denúncias feitas até agora ele aparece como integrante de um esquema criminoso que forrou o caixa pemedebista durante as últimas campanhas eleitorais, e nesse contexto o braço maranhense pode ser duramente atingido. Um exemplo foi a primeira denúncia, feita pelo operador do esquema de desvio na Petrobras, Paulo Roberto Costa, que disse ter autorizado a entrega, pelo doleiro Alberto Yusseff, de R$ 1 milhão à então governadora Roseana Sarney para ajudar na sua reeleição em 2010. A confusão só não foi em frente porque o doleiro disse não se lembrar do caso, o que resultou no arquivamento do caso. A situação de Edison Lobão ainda pode causar estragos no PMDB do Maranhão.

No PDT, a situação era tranquila e animada até a chegada ao Supremo Tribunal Federal (STF) da denúncia que transformou em réu a sua maior estrela, o deputado federal Weverton Rocha, que além de liderar a bancada federal do partido, caminha como a figura mais ativa na disputa para a uma cadeira no Senado. Ele argumenta que o assunto é velho – as suspeitas de desvio nas obras de reforma do Ginásio Costa Rodrigues, no Governo do líder pedetista Jackson Lago – e que ao longo do processo mostrará sua inocência. Sabe que se não o fizer, sua surpreendente e promissora carreira poderá ser interrompida por um implacável ponto final.

Na outra ponta da linha, o PSB, que já tem alguns graúdos se debatendo no atoleiro, mas que no Maranhão vinha navegando em céu de brigadeiro, vê sua trajetória agora ameaçada de rasura com a denúncia envolvendo o deputado federal e ex-governador José Reinaldo Tavares, um dos nomes fortes na próxima disputa ao Senado. Ele foi denunciado por suposta má conduta do procurador geral do Estado no seu Governo, Ulisses Martins, que teria feito proposta indecente à Odebrecht. Pelo tom da sua reação, o ex-governador, que parecia totalmente recuperado da cinematográfica prisão na Operação Navalha (2007), parece seguro do que diz, indicando que poderá dar mais uma volta por cima elegendo-se senador.

Por enquanto é esse o cenário, que poderá ser agravado com novas revelações da Operação Lava Jato, que tem ainda guardadas delações da OAS, Andrade Gutierrez e outros pesos pesados da construção civil e outros segmentos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Reações à “Lista de Fachin” mostraram coerência e degradação das relações dentro dos partidos

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Andrea Murad atacou Flávio Dino e esqueceu Edison lobão; Rogério Cafeteira: defendeu o governador e esqueceu José Reinaldo

Além do impacto político que causou no Maranhão, a “Lista do Fachin” produziu uma situação que vale a pena ser registrada. Trata-se da reação de aliados à caminhada dos denunciados em direção ao inferno político, social e moral. Houve caso de posicionamento de partidários e aliados, como também se evidenciou completa omissão de membros de partido em relação a membro da agremiação. E finalmente houve bancada que se mobilizou para atacar violentamente adversário citado, mas nenhum dos seus membros deu um pio em relação a colega de partido denunciado. Um episódio que revela a completa degradação das relações dentro dos partidos, respeitadas as exceções.

O PCdoB agiu como partido diante da denúncia que atingiu o governador Flávio Dino em defesa de quem seus deputados e aliados saíram em bloco. Os deputados da base governista ocuparam a tribuna da Assembleia Legislativa para rebatar os ataques da Oposição e para criticar a inclusão do nome do chefe do Poder Executivo na “Lista do Fachin”. Foi uma reação que levou à tribuna os deputados Othelino Filho e Marco Aurélio, do PCdoB, e Rogério Cafeteira e Bira do Pindaré, do PSB, que fizerem contundentes pronunciamentos afirmando contraditando a denúncia e afirmando a integridade pessoal e política de Flávio Dino.

Por outro lado, os deputados socialistas Rogério Cafeteira e Bira do Pindaré, que formam a bancada do PSB no Legislativo estadual, não fizeram qualquer referência à situação do deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB), que entrou na lista por tabela, sem acusação direta a ele próprio, caso que também não motivou o senador Roberto Rocha (PSB) a fazer algum comentário a respeito da inclusão do ex-governador na lista.

O Bloco de Oposição se manifestou através dos deputados Andrea Murad (PMDB), Adriano Sarney (PV) e Souza Neto (PROS) se mobilizaram e dispararam chumbo grosso contra o governador Flávio Dino. Mas, surpreendentemente, os três ignoraram solenemente a situação dramática do senador pemedebista Edison Lobão, que é chefe de proa no Grupo Sarney, que não mereceu uma só frase de solidariedade. O grupo parlamentar também fez de conta que não tem conhecimento da existência política do deputado federal José Reinaldo Tavares.

“Lista” deve adiar decisão sobre o PSDB no Maranhão

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Carlos Brandáo ganha tempo com a crise das delações da Lava Jasto

A devastadora “Lista do Fachin” contribuiu para retardar uma tomada de posição da direção nacional do PSDB em relação ao braço maranhense do partido, que está em crise, apesar das aparências. Explica-se: a direção nacional caminhava para tomar uma decisão em relação à permanência ou não do vice-governador Carlos Brandão no comando do partido. O canhão disparado contra o senador Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin, Aluízio Nunes. Presidente nacional dos tucanos, Aécio Neves, que apenas por causa de rumores vinha jogando o problema maranhense para frente, deve adiará todas as decisões do partido, o que certamente causará mais desgastes nas relações internas do PSDB maranhense, hoje dividido em vários grupos. E nesse contexto de indefinições, o presidente Carlos Brandão, que está sofrendo pressões de grupos que contrário à sua liderança, vai ganhando tempo e procurando alternativas para permanecer no comando do ninho maranhense.

São Luís, 13 de Abril de 2017.