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Pesquisa Ibope foi senha para guerra decisiva na reta final da corrida para a Prefeitura de São Luís

 

Eduardo Braide, Duarte Júnior, Neto Evangelista e Rubens Júnior entram em guerra por dois turnos; Bira do Pindaré, Jeisael Marx e Yglésio Moises brigam por mais legitimidade e Franklin Douglas, Hertz Dias e Silvio Antônio se mantêm na disputa pela Prefeitura de SL

A pesquisa do Ibope divulgada sexta-feira pela TV Mirante, na qual Eduardo Braide (Podemos) aparece com 44% das intenções de voto, seguido de Duarte Júnior (Republicanos) com 19%, Neto Evangelista (DEM) com 14%, Rubens Júnior (PCdoB) com 6%, Bira do Pindaré (PSB) com 3%, Jeisael Marx (Rede) com 2%, e Hertz Dias (PSTU), Franklin Douglas (PSOL), Yglésio Moises (PROS) com 1% – Silvio Antônio (PRTB) não pontuou -, funcionou como um toque de alerta geral para todos os candidatos e, ao mesmo tempo, como uma senha de largada para a reta final da campanha para a Prefeitura de São Luís. Os números sugerem dois cenários possíveis: a definição em turno único, com a eleição de Eduardo Braide, ou um somatório de forças para brecar essa tendência e transformar o segundo turno numa outra eleição, independentemente de quem venha a ser o adversário do candidato do Podemos. Os recados cifrados trazidos pelos números do Ibope, se corretamente interpretados, transformarão a sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) num dos embates políticos e eleitorais de maior intensidade no Maranhão nos últimos tempos.

Mesmo embalado por uma vantagem sólida, que vem se mantendo desde a fase prévia da campanha, alcançando a fronteira para um desfecho em turno único, Eduardo Braide sabe que uma segunda rodada guarda muitas mudanças e riscos. Daí ser provável que nessa etapa final da campanha para a corrida às urnas, ele intensifique suas ações e dê um tom mais forte ao seu discurso. Isso porque, de acordo com a lógica que move uma eleição como essa, é natural que, mesmo travando uma disputa ferrenha entre si, os seus principais adversários certamente vão apontar seus canhões para ele. Seu desafio será administrar o bombardeio e sobreviver a eles sem maiores danos.

Mesmo sem uma estrutura política e partidária de peso, Duarte Júnior vem numa curva ascendente, que ganhou intensidade na última semana, conforme revelou a pesquisa do Ibope. Com um discurso fácil e direto, dizendo exatamente o que o eleitor que precisa da eficiência do setor público quer ouvir, o candidato do Republicanos vem mostrando no rádio, na TV e nas ações de rua, a força da sua estratégia nas redes sociais. Poucas frases ditas na campanha até aqui causaram tanto impacto como “Se rico não pode esperar por exame, pobre também não vai esperar”, dita por ele ao abordar o problema da espera por atendimento no Sistema Municipal de Saúde, um dos maiores desafios de qualquer prefeito. Se não for “atropelado” por concorrentes do mesmo campo, Duarte Júnior caminha para ser o adversário de Eduardo Braide no segundo turno.

O cenário desenhado pelos números do Ibope deu ao candidato do DEM, Neto Evangelista, o gás que ele precisava para montar uma estratégia capaz de tirá-lo do terceiro lugar e o colocá-lo em segundo. Mesmo tendo feito até aqui uma campanha com a desenvoltura de um político experiente, usando um discurso objetivo, às vezes em tom crítico em relação à atual gestão, o candidato do DEM precisa turbinar seus movimentos. É visível que, além do desempenho pessoal, ele precisa do suporte mais agressivo de um aliado importantíssimo: a militância do PDT, que só será integral e euforicamente mobilizada se convocada para a “guerra” pelo seu comandante, o senador Weverton Rocha, presidente do partido, que tem na eleição do candidato do DEM um suporte importante para seus novos passos.

Mesmo mais distanciado dos três primeiros, Rubens Júnior deve dar uma guinada na sua campanha nos próximos dias, segundo zumzum que corre nos bastidores. O discurso de candidato do ex-presidente Lula da Silva (PT) e do governador Flávio Dino é forte, lhe dá vitamina política, mas precisa ser reforçado com vieses mais ousados, que fortaleçam sua identidade como candidato. Rubens Júnior sabe que, independentemente do resultado que emergir das urnas, seu papel nessa corrida tem importância capital. Não é sem razão que o governador Flávio Dino vem aparecendo fortemente na sua campanha de uns dias para cá. Há quem avalie que ele ainda tem tempo e munição para mudar o cenário.

Mesmo em tese fora da disputa, segundo indicam os números do Ibope, os outros candidatos não vão tirar o pé do acelerador. Detentores de mandatos, Bira do Pindaré e Yglésio Moises têm horizontes largos pela frente e precisam sair dessa eleição devidamente credenciados, o que os obriga a lutar com unhas e dentes para melhorar suas posições na reta final da campanha. É o caso também de Jeisael Marx e Franklin Douglas, dois estreantes na seara eleitoral – preocupação que parece não alcançar Hertz Dias e Silvio Antônio, que querem apenas exibir seus extremos ideológicos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Rocha divulga agenda de Jair Bolsonaro no Maranhão no dia 29

Anúncio divulgado por Roberto Rocha confirmando a viagem do presidente Jair Bolsonaro ao Maranhão

O senador Roberto Rocha (PSDB) divulgou ontem a agenda que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fará ao Maranhão no dia 29. São apenas dois compromissos, um pela manhã em São Luís e outro à tarde em Imperatriz. A informação do senador desmonta alguns roteiros falsos para a viagem que foram sendo especulados e desmentidos nos dias que antecederam o anúncio de ontem feito pelo senador Roberto Rocha. Oficiosamente, o presidente da República visitará a Praça João Lisboa, que acabou de ser restaurada com recursos provenientes da União, sendo provável que ele visite um conjunto de prédios construídos pelo Governo do Estado com recursos do Minha Casa, Minha Vida. Em relação à visita a Imperatriz, o presidente deverá inspecionar obra de restauração de rodovia federal, a BR-010.

A definição da visita veio depois do imbróglio causado pela declaração inverídica do presidente à Jovem Pan de que não iria a Balsas porque o governador Flávio Dino (PCdoB) teria negado o apoio da Polícia Militar. Indignado, o governador protocolou uma reclamação no Supremo Tribunal Federal para que Jair Bolsonaro prove o que falou, sob pena de ser processado.

Alinhado de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro, o senador Roberto Rocha será o cicerone do chefe da Nação no Maranhão.

 

Pesquisa diz que Coronel Schnneyder perdeu a liderança para Dinair Veloso em Timon

Dina Veloso, Coronel Schnneyder e Socorro Waquim na briga pela Prefeitura de  Timon

Uma pesquisa realizada pelo instituto Opinar indica que o inicialmente insuperável favoritismo do candidato do Republicanos à Prefeitura de Timon, Coronel/PM Schnneyder, foi pulverizado. O cenário é o seguinte: a candidata do PDT, Dinair Veloso, já lidera com 29,1% das intenções de voto, seguida do Coronel/PM Schnneyder com 26,2%, Socorro Waquim (MDB) com 15,3% e Jaconias Morais (PSC) com 7,3%, Professora Fafá (PSOL) com 1,1% e Erisvaldo Lima com 0,7%. Um contingente de 6,2% respondeu que vai votar em branco ou anular o voto, e outro, de 14,2%, não respondeu.

O Coronel/PM Schnneyder surgiu na corrida sucessória em Timon, terceiro maior município do Maranhão, como um furacão, com um discurso duro, anticorrupção, bem à la Jair Bolsonaro, a exemplo de outros outsiders militares surgidos país a fora. Pesquisas feitas ainda na pré-campanha o apontaram com poder de fogo avassalador, alcançando mais da metade das intenções de voto. Aquela aparência de imbatível se revelou inconsistente e começou a mudar quando o prefeito Luciano Leitoa (PSB) bateu martelo pela candidatura de Dinair Veloso, indicada pelo PDT, ali controlado pelo ex-prefeito Chico Leitoa, e a ex-prefeita Socorro Waquim decidiu também entrar na disputa. Formalizadas as duas candidaturas, o lastro do Coronel/PM Schnneyder começou a derreter, encolhendo a cada pesquisa.

E se não encontrar urgentemente uma maneira eficiente de estancar a sangria e evitar a disparada de Dinair Veloso e alimentar a briga pela liderança, corre o risco de ter sua atual segunda posição ameaçada por Socorro Waquim.

Em Tempo: Contratada pelo Blog do Elias Lacerda, conforme o prestigiado Blog do Sabá, de Caxias, a pesquisa realizada nos dias 14 e 15, ouviu 450 eleitores, tem margem de erro de 4,62% para mais ou para menos e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-03552/2020. A Coluna não tem maiores informações sobre o instituto Opinar. Mas o fato de a pesquisa ter sido registrada na Justiça Eleitoral já assegura o fato de que se trata de uma empresa legalmente constituída, o que, em princípio, legitima o seu levantamento estatístico.

São Luís, 25 de Outubro de 2020.

Ibope: Eduardo Braide mantém dianteira, mas Duarte Júnior, Neto Evangelista e Rubens Júnior crescem bem

 

Eduardo Braide mantém liderança, mas Duarte Júnior, Neto Evangelista e Rubens Júnior têm forte crescimento

A segunda pesquisa Ibope/TV Mirante sobre a corrida para a Prefeitura de São Luís foi divulgada ontem à noite e o cenário encontrado é o seguinte: Eduardo Braide (Podemos) lidera com 44% das intenções de voto, seguido de Duarte Júnior (Republicanos) com 19%, Neto Evangelista (DEM) com 14%, Rubens Júnior (PCdoB) com 6%, Bira do Pindaré (PSB) com 3%, Jeisael Marx (Rede) com 2%, e Hertz Dias (PSTU), Franklin Douglas (PSOL), Yglésio Moises  (PROS) com 1% – Silvio Antônio (PRTB) não pontuou. Além disso, 5% pretendem anular o voto ou votar em branco, e 4% não souberam ou não quiseram responder. O Ibope pesquisou também preferências para um segundo turno: Eduardo Braide venceria Duarte Júnior com 54% a 31%, com uma massa de 15% de indecisos; Eduardo Braide sairia vencedor se disputasse com Neto Evangelista com 55% contra 28%, com 17% de indecisos; e num confronto entre Duarte Júnior e Neto Evangelista, o primeiro teria 44% contra 32% do segundo.

Embora todos os números sejam amplamente favoráveis ao candidato do Podemos, sua vantagem, no entanto, não lhe assegura vitória em turno único, a começar pelo fato de que está estacionado, tendo oscilado apenas um ponto percentual em relação à primeira pesquisa Ibope, divulgada há pouco mais de três semanas. Se aplicada a margem de erro, o percentual de preferência de Eduardo Braide pode variar de 41% a 47%. Tanto que a pesquisa trouxe três simulações de segundo turno. Ao mesmo tempo, Duarte Júnior, que na pesquisa anterior apareceu com 14%, avançou nada menos que cinco pontos percentuais, saltando para 19%, podendo, pela margem de erro, variar de 16% até 22%, numa indiscutível demonstração de que pode ganhar fôlego na reta final da campanha. O mesmo aconteceu com Neto Evangelista: na primeira pesquisa ele obteve 10% e nesta aparece 14%, podendo varias de 11% a 17%. O Ibope identificou um forte crescimento de Rubens Júnior, que na primeira pesquisa apareceu com módicos 2%, obtendo 6% no novo levantamento, podendo, pela margem de erro, variar de 3% a até 9%.

A pior notícia trazida pela segunda pesquisa Ibope desembarcou no QG de campanha do candidato do PSB, Bira do Pindaré, que recebeu 2% das intenções de voto, quando no primeiro levantamento foi o preferido de 5% dos eleitores ouvidos. Pela margem de erro, seu percentual de preferências pode variar de 1% a 5%. Para um candidato da sua estatura, essa desidratação tem peso de tragédia. Jeisael Marx, por sua vez, pouco tem a comemorar, mas ao ter a preferência de 2% dos entrevistados, pode afirmar que já tem um eleitorado cativo, à medida que obteve os mesmos 2% da pesquisa anterior.  Os números do Ibope opinam que os demais candidatos aproveitam bem a oportunidade e se preparem para a próxima.

O levantamento do Ibope não deixa qualquer margem de dúvida quanto à liderança de Eduardo Braide e a consistência da sua margem de preferência, com cacife até para vencer a eleição em um só turno. Por outro lado, o crescimento de Duarte Junior, de Neto Evangelista e de Rubens Júnior, todos acima da margem de erro, pode funcionar como um recado de que o jogo não acabou, tem muita bola para ser rolada e que por isso ninguém deve cantar vitória antes da hora. A disputa tem ainda três semanas de campanha pela frente, tempo suficiente para que as imprevisibilidades possam se manifestar, ou se manter recolhidas, deixando tudo como está.

Em Tempo: Pesquisa Ibope ouviu 805 eleitores entre os dias 21 e 23, margem de erro de 3% para mais ou para menos, intervalo de confiança de 95%, e está registrada na Justiça Eleitoral sob número MA-05018/2020.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Rejeição atinge forte Bira do Pindaré

O Ibope quis saber em quem os eleitores entrevistados não votariam de jeito nenhum. O resultado é o seguinte:  28% não votariam em Bira do Pindaré, 16% em Rubens Júnior, 15% em Eduardo Braide, 15% em Jeisael Marx, 15% em Yglésio Moises, 10% em Neto, 12% em Silvio Antônio, 12% em Hertz Dias, 11% em Franklin Douglas e apenas 9% em Duarte Jr..

Em todos os levantamentos que investigaram esse quesito, o deputado federal Bira do Pindaré apareceu como o mais rejeitado. Trata-se de um caso a ser observado, a começar pelo fato de ser ele um político militante e atuante, ideologicamente definido e com um histórico de bom desempenho nas urnas e boa produtividade nos seus mandatos parlamentares. Vale lembrar que quando disputou o Senado em 2006, bateu ninguém menos que Epitácio Cafeteira em São Luís, um feito que entrou para a crônica da política ludovicense. Daí ser difícil entender a surpreendente rejeição que o atinge na corrida à Prefeitura da Capital.

Num outro viés, Duarte Júnior aparece como o menos rejeitado, com 9%, seguido de ninguém menos que Neto Evangelista, que aparece com 10%. Chama também a atenção de que Eduardo Braide empata com Rubens Júnior no quesito rejeição, ambos com 15%.

 

Flávio Dino vai à Justiça contra Bolsonaro por calúnia

Flávio Dino vai ao Supremo contra Jair Bolsonaro

Diante do silêncio do Palácio do Planalto a respeito da informação inverídica dada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à rádio Jovem Pan afirmando que suspendeu a visita que faria a Balsas, para participar de um evento evangélico, porque a Polícia Militar do Maranhão teria sido proibida de participar do esquema de segurança presidencial, o governador Flávio Dino (PCdoB) fez o que todo cidadão correto ou homem público sério, principalmente um chefe de Estado, deve fazer: protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma representação cobrando que o presidente da República apresente a prova do que disse à emissora de rádio paulista, sob pena de responder por calúnia e difamação

O governador foi surpreendido quarta-feira (21) com a informação de que o presidente o acusara de negar apoio ao esquema de segurança que daria apoio à sua visita a Balsas. A declaração de Jair Bolsonaro está gravada em áudio, e nela ele faz uma afirmação categórica, tanto que repercutiu nas redes sociais, onde bolsonaristas cegos criticaram “a atitude do governador comunista”. No campo político, o senador Roberto Rocha (PSDB), aliado de primeira hora ao presidente e interessado na visita dele a Balsas, endossou a fala presidencial e criticou a suposta recusa do Governo maranhense de apoiar a segurança ao chefe da Nação. Teria sido mais prudente e politicamente mais correto se antes de se manifestar tivesse buscado esclarecimentos, bastando para isso usar as suas prerrogativas de senador pelo Maranhão e teria todas as informações sobre o assunto. Até por obrigação institucional, o Palácio dos Leões não lhe negaria uma manifestação.

Flávio Dino reagiu afirmando categoricamente tratar-se de uma mentira, uma vez que nenhuma solicitação de apoio nesse sentido foi feita pelo Palácio do Planalto ao Palácio dos Leões. Foi mais longe ao desafiar publicamente o presidente a apresentar prova do que declarou à Jovem Pan. O Palácio do Planalto, que deveria atender à cobrança de explicação e esclarecer a declaração de Jair Bolsonaro, fez de conta que nada existiu, numa omissão acintosa, em se tratando de uma acusação de inverdade pronunciada por ninguém menos que o presidente da República.

O mais grave é que todas as evidências reforçam a suspeita de que a crise foi tramada. Já será escandaloso se Jair Bolsonaro tiver sido induzido por uma mentira destinada a aprofundar o abismo que o separa de Flávio Dino.  E tenebroso – e muito difícil de admitir e de aceitar – se ele próprio tiver criado a acusação fantasiosa.

Diante da situação, Flávio Dino, que tem demonstrado total respeito às instituições e pelas regras do jogo democrático, decidiu buscar esclarecimento e reparação pelo caminho certo: o da Justiça, pela via do Supremo Tribunal Federal, onde protocolou uma reclamação e um pedido de esclarecimento. Restam ao presidente Jair Bolsonaro três caminhos. O primeiro é provar com documentos a afirmação de que o governador negou apoio ao esquema de segurança. O segundo é reconhecer que falou o que não devia e formalizar um pedido de desculpas ao governador. E o terceiro é se recusar a dar explicação e responder a uma ação por injúria e difamação

São Luís, 24 de Outubro de 2020.

Ribamar: disputa entre Eudes Sampaio e Júlio Matos é guerra política e será decidida na reta final  

 

Eudes Sampaio e Júlio Matos polarizam a disputa na cidade do Padroeiro, sem chance para outros nomes

São José de Ribamar será palco de uma das mais intensas retas finais entre as corridas por Prefeituras em curso em todo o Maranhão. Quarto maior colégio eleitoral do estado, com 105 mil eleitores, a Cidade do Padroeiro está transformada num campo de guerra pelo voto, com duas forças políticas tentando assumir o controle administrativo e político da cidade a partir de Janeiro, num jogo que terá repercussão na corrida eleitoral de 2022. Ali, o prefeito Eudes Sampaio (PTB) busca a reeleição embalado pelo apoio político do ex-prefeito Luís Fernando Silva, e o ex-prefeito Júlio Matos (PL) tenta voltar ao poder com o apoio do ex-prefeito e atual deputado federal Gil Cutrim (ainda no PDT) e do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL). Entre eles, mas sem chance, o ex-deputado Jota Pinto (PDT) se movimenta com o aval do senador Weverton Rocha, que comanda o partido no estado. Outros candidatos – Beto das Vilas (Republicanos), Edson Júnior (MDB) e Magao (PSOL) – estão no páreo apenas para marcar posição e ocupar espaço visando eleições futuras.

Com grande potencial para o turismo religioso e cultural, polo pesqueiro e abrigo de várias unidades industriais importantes, São José de Ribamar é o que pode se definir como uma extensão autônoma de São Luís. Com uma população de 176 mil habitantes, sendo que a maioria de adultos trabalha na Capital, a Cidade do Padroeiro vem se esforçando para ganhar identidade política própria e avançar na formação de uma base econômica forte, de modo a desfazer a imagem de dependência de São Luís.

Todos os observadores da evolução da disputa em São José de Ribamar ouvidos pela Coluna externaram a mesma impressão: o embate decisivo será entre o prefeito Eudes Sampaio e o ex-prefeito Júlio Matos. Isso porque, ao contrário do que alardeou quando articulava para ingressar no PDT, o ex-deputado Jota Pinto não tem ali expressivo lastro político nem eleitoral. Tanto que o comando pedetista, que no início da corrida demonstrava algum entusiasmo com a sua candidatura, parece ter tirado o pé do acelerador, mantendo-lhe o apoio, mas sem muito entusiasmo. Entre os que não têm chance de eleição, o candidato mais pé no chão é Edson Júnior, uma aposta do MDB para a sucessão municipal de 2024.

No início da corrida, o prefeito Eudes Sampaio se movimentava com a certeza de que seria reeleito, já que ficou claro desde o início que Jota Pinto seria facilmente batido nas urnas. Só que a entrada de Júlio Matos – que estava inelegível, mas está brigando na Justiça pelo direito de se candidatar – alterou drasticamente o cenário da disputa. Apoiado pela família Cutrim e por Josimar de Maranhãozinho, e contando com uma base expressiva de apoiadores, Júlio Matos se mostrou um adversário forte e com cacife para entrar no jogo em condições de enfrentar o prefeito de igual para igual. A mudança no cenário acendeu a luz amarela para Eudes Sampaio e para o seu principal apoiador, Luís Fernando Silva, que saiu a campo para fortalecer a campanha do aliado, participando de atos de campanha e da propaganda.

Os Cutrim encontraram em Júlio Matos o caminho para derrotar o prefeito Eudes Sampaio e, assim, atingir politicamente o ex-prefeito Luís Fernando Silva, de quem já foram aliados, mas que agora o apontam como inimigo político irreconciliável. Júlio Matos parece nutrir o mesmo sentimento pelo ex-prefeito, e tem como um dos seus objetivos minar o poder de fogo de Luís Fernando Silva derrotando seu aliado e reassumindo o comando do terceiro maior município e colégio eleitoral do estado.

Os mesmos observadores da cena ribamarense avaliam que, independente do retrato de pesquisas até o momento, a disputa pela Prefeitura de São José Ribamar será decidida na reta final. Partidários do prefeito Eudes Sampaio fazem contas e garantem que ele se reelegerá, mantendo o grupo liderado por Luís Fernando Silva, enquanto os aliados de Júlio Matos apostam alto na eleição dele, o que abrirá caminho para a volta do ex-prefeito Gil Cutrim ao poder.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Flávio Dino desafia Jair Bolsonaro a provar que ele lhe negou segurança em Balsas

Flávio Dino diz que Jair Bolsonaro faltou com a verdade na declaração à Jovem Pan

O que, em princípio, parecia uma mentira dita por provocadores que navegam em redes sociais, a “informação” de que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teria cancelado sua ida a Balsas para um evento evangélico porque o governador Flávio Dino (PCdoB) teria proibido a Polícia Militar de participar do esquema de segurança presidencial, ganhou uma dimensão bem maior ontem, com a revelação de que a “informação” foi dada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro em entrevista à rádio Jovem Pan.

Na manhã de quarta-feira, a “informação” ganhou as redes sociais, levando o secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela, reagir com um desmentido contundente dizendo tratar-se de uma mentira. Ele afirmou que até aquele momento não havia recebido do Palácio do Planalto qualquer solicitação de apoio à segurança do presidente da República em Balsas. Mesmo diante do desmentido do secretário de Segurança Pública, o senador Roberto Rocha (PSDB), que articulara a visita do presidente a Balsas, divulgou comentário criticando o governador Flávio Dino.

Ontem, Flávio Dino usou sua conta no twitter para divulgar a seguinte mensagem: “Acabo de descobrir que a mentira de que eu neguei segurança a Bolsonaro em Balsas partiu dele próprio. Exijo que ele mostre o documento que prova a sua versão”. E anexou o áudio em que o presidente da República diz que sua ida a Balsas foi cancelada porque “o sr. Flávio Dino resolveu não ceder a Polícia Militar para fazer a segurança mais aberta”.
Indignado com a declaração do presidente, o governador afirmou categoricamente que não houve nenhuma negativa de segurança ao presidente, desafiando o chefe da Nação a provar, com documento, o que classificou de “fantasiosa versão”.

Reforçando a reação do governador, a Associação dos Pastores Evangélicos de Balsas (APEB) também divulgou nota, assinada por seu presidente, pastor Natanael Gomes, esclarecendo que “em nenhum momento foi procurada ou informada sobre a realização do evento, tomando conhecimento apenas pela divulgação do vídeo”.

Chefe de Estado que tem consciência plena dos seus deveres institucionais, o governador Flávio Dino jamais cometeria a insensatez de negar o apoio da PM a um esquema de segurança ao presidente da República em território maranhense, independentemente das diferenças políticas e do grau de animosidade nas suas relações.

Resumo da opereta: ou alguém “envenenou” o presidente Jair Bolsonaro com uma mentira cabeluda, que ele não checou e mandou em frente, como costuma fazer, ou o presidente escorregou feio na ética.

 

Neto Evangelista tem preocupação com a situação fiscal de São Luís

Neto Evangelista tem manifestado preocupação com a situação fiscal a ser deixada por Edivaldo Holanda Jr.

“Tenho ciência da situação fiscal de São Luís e não vou prometer o que sei que não poderei cumprir”. Essa declaração tem sido feita com frequência pelo candidato do DEM/PDT/MDB/PSL à Prefeitura de São Luís, Neto Evangelista. Ao fazê-la, ele joga no ar uma nuvem de interrogações de que existe uma situação complicada a ser resolvida nessa área, contrariando o discurso do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) de que, se não é excelente, a situação fiscal (equilíbrio entre receita e despesa) da Capital não é temerária. Chama atenção o fato de que os demais candidatos anunciam projetos e projetos, passando ao largo de uma discussão sobre a situação financeira do município. Ao contrário dos seus concorrentes, Neto Evangelista vez por outra faz menção à situação financeira, às vezes dizendo que “vai olhar primeiro esse problema”. É fato que no seu primeiro mandato, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior passou pelo menos dois anos “arrumando a casa” e colocando as finanças em ordem. E é quase certo que ele repassará ao seu sucessor uma situação muito melhor do que a que recebeu. O candidato do DEM sabe disso, mas prefere não fazer promessa de custo elevado enquanto não tiver acesso à chave do cofre. Caso seja eleito, é claro.

São Luís, 23 de Outubro de 2020.

Pesquisa DataIlha sobre a disputa em São Luís chega defasada e confunde mais do que informa

 

Coletados há mais de uma semana, números podem estar corretos, mas não traduzem a realidade do momento sobre a corrida para a Prefeitura de São Luís

A pesquisa DataIlha/Band divulgada ontem mostrou que se a eleição tivesse sido realizada no período de 13 a 15 deste mês, portanto uma semana atrás, Eduardo Braide (Podemos), que naquele momento apareceu com 39% das intenções de voto, e Duarte Júnior (Republicanos), preferido por 13,1%, sairiam das urnas para se enfrentar num segundo turno. Neto Evangelista (DEM), que apareceu com 12%, Rubens Jr. (PCdoB) com 9%, Jeisael Marx (Rede) com 2,8%, Bira do Pindaré (PSB) com 2,5%, Yglésio Moysés (PROS) com 2,2%, Sílvio Antônio (PRTB) com 0,6%, Franklin Douglas (PSOL) com 0,5%, e Hertz Dias (PSTU) com 0,2% ficariam de fora. Naquele período, 6,8% não votariam ou anulariam o voto, enquanto 11,4 formaria o exército de indecisos. Sem duvidar dos seus números, e reconhecendo que o DataIlha tem feito um trabalho importante de pesquisar as tendências eleitorais nas eleições mais recentes, tendo apresentado resultados convincentes, quase sempre confirmados pelas urnas, a pesquisa sobre a corrida para a Prefeitura de São Luís confunde mais do que informa sobre a medição de força entre os candidatos.

E a explicação é simples. Num processo eleitoral como o de agora, mais enxuto e com um período de campanha mais curto, a dinâmica dos movimentos dos candidatos é muito mais intensa. Essa velocidade faz com que eles atuem com mais agilidade, para se manterem próximos dos eleitores, cumprindo compromissos de campanha, concedendo entrevistas em emissoras de rádio e TV e participando de debates. E o desdobramento natural dessa maratona é que as mudanças, muitas delas decisivas, ocorram também de maneira muito rápida. Tanto que, guardadas as devidas proporções e respeitadas as diferenças, vale lembrar que neste processo eleitoral, institutos como Ibope e Datafolha divulgam levantamentos feitos no máximo 48 horas antes, oferecendo aos eleitores cenários bem próximos da realidade.

Ao chegar ao conhecimento público seis dias depois da coleta de entrevistas, a pesquisa informa um retrato fortemente defasado. Do dia 15 de Outubro para cá, vários acontecimentos agitaram a movimentação dos candidatos: Rubens Júnior saiu da clausura, o governador Flávio Dino (PCdoB) respondeu duramente a um comentário de Eduardo Braide feito em redes sociais, os candidatos comandaram uma série de animados atos de campanha, todos foram entrevistados em diferentes emissoras de rádio e TV, e para culminar, sete dos 10 candidatos participaram do mais produtivo debate da campanha até aqui, uma parceria O Estado do Maranhão/Imirante.com. Eduardo Braide, Duarte Júnior, Neto Evangelista, Rubens Júnior, Bira do Pindaré, Yglésio Moises e Jeisael Marx travaram o bom combate num evento bem organizado e em expressivo espaço de tempo. A pesquisa DataIlha chega ao conhecimento público exatamente na ressaca desse evento, causando a impressão de que já refletiria os possíveis desdobramentos desses eventos.

Os fatos e movimentos de campanha ocorridos nos seis dias que se seguiram ao levantamento feito pelo DataIlha podem ter provocado mudanças em posições, como também pode ter deixado tudo igual. Mas isso quem vai dizer é a pesquisa Ibope, que, segundo informações oficiosas, deverá ser divulgada nas próximas 48 horas. Esse levantamento, sim, revelará as posições do eleitorado que desenharam o cenário do momento. Há também em curso um levantamento da JPesquisa, uma empresa do Jornal Pequeno, que também poderá trazer uma fotografia atualizada das posições dos candidatos à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT).

Reafirmando que não está colocando em xeque os números divulgados, que podem perfeitamente refletir a situação de uma semana atrás, é lícito assinalar que a pesquisa DataIlha chegou ao público na hora errada, por isso semeando mais dúvidas do que certezas nos eleitores e nos próprios candidatos.

Em Tempo: A pesquisa DataIlha foi realizada de 13 e 15 de Outubro, ouviu 1080 eleitores e foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número MA-04987/2020.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Distante da disputa, Edivaldo Holanda Jr. não é alvo de candidatos à sua sucessão

Edivaldo Holanda Júnior: longe da corrida eleitoral e perto das obras de sua gestão

O prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) vem se mantendo olimpicamente distanciado da guerra pela sua sucessão. Com o seu programa de obras em andamento, financiado pelo empréstimo de R$ 300 milhões que conseguiu, o prefeito transformou São Luís em um canteiro de obras, dando trafegabilidade a ruas e avenidas, construindo e reconstruindo praças e revitalizando feiras, mercados e o centro da Capital. Por razões diversas, sendo a principal a decisão do PDT de apoiar a candidatura do deputado Neto Evangelista (DEM), com quem tem fortes diferenças, o prefeito decidiu ficar de fora do processo no primeiro turno, dando-se o luxo de aguardar o desfecho para, se for o caso, se posicionar aberta e efetivamente no segundo turno. O prefeito está em estado de graça, pois as pesquisas feitas até aqui informam que ele está bem situado no conceito da opinião pública, aprovado por larga maioria. Tivesse mergulhado na campanha, dando seu apoio a um candidato, certamente estaria hoje transformado em saco de pancadas. Com o distanciamento do prefeito, adversários pensam duas vezes em atacá-lo, e quando o fazem, recorrem a artifícios que tornam a crítica não explícita. Durante o debate no Sistema Mirante, todos os candidatos apontaram falhas na Saúde, prometendo soluções para problemas na área, mas nenhum o responsabilizou pela existência dessa ou daquela deficiência. Tudo indica que o prefeito caminha para passar o cargo numa transição sem traumas, independentemente da escolha a ser feita nas urnas.

 

Secretário de Segurança detona informação falsa sobre segurança de Bolsonaro na visita ao Maranhão

Jefferson Portela desfez notícia falsa sobre segurança do presidente no Maranhão

Por causa de uma notícia falsa publicada em redes sociais afirmando que a Secretaria de Estado da Segurança Pública teria se negado a participar do esquema de segurança ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao Maranhão, no final do mês, o secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela, foi obrigado a rebater o petardo fajuta. Ele classificou a “informação” como criminosa, informando que somente ontem recebeu mensagem do Palácio do Planalto solicitando o apoio da Polícia do Maranhão no esquema de segurança do presidente, que irá à cidade de Balsas e ao interior do município.

Certamente imaginado para aprofundar ainda mais o abismo que separa o presidente Jair Bolsonaro do governador Flávio Dino, o boato criminoso não causou o menor dano. Primeiro porque a visita de um presidente é um assunto de Estado, e não um evento político ou meramente privado. Em qualquer situação, a Polícia do Maranhão, se solicitada no sentido de prestar o apoio, tem a obrigação institucional de atender à solicitação, independentemente do grau das diferenças que distanciam o chefe da Nação do governador do Estado. E mesmo que não houvesse a obrigatoriedade, dificilmente o governador Flávio Dino causaria qualquer tipo de dificuldade para dificultar o atendimento de uma solicitação do Palácio do Planalto.

Qualquer que tenha sido sua motivação, autor da informação falsa jogou mal e perdeu feio.

São Luís, 22 de Outubro de 2020.

Debate no Imirante confirmou nivelamento entre candidatos e indicou que força política será decisiva

 

Eduardo Braide, Duarte Júnior, Neto Evangelista, Rubens Júnior, Bira do Pindaré, Yglésio Moises e Jeisael Marx são bons nomes para chegar ao Palácio de  la Ravardière

Se o eleitor indeciso assistiu ao debate de ontem à noite no portal Imirante.com, realizado em parceria com o jornal O Estado do Maranhão, com o objetivo de escolher um candidato à Prefeitura de São Luís entre os sete que dele participaram, provavelmente terá ido para a cama embalado por dúvidas. Durante três horas, Eduardo Braide (Podemos), Duarte Jr. (Republicanos), Neto Evangelista (DEM), Rubens Jr. (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB), Yglésio Moises (PROS) e Jeisael Marx (Rede) se mostraram antenados com os principais problemas da Capital, propuseram soluções factíveis e fugiram de propostas milagrosas. Ao mesmo tempo distribuíram farpas entre si, tendo Eduardo Braide sido escolhido o alvo preferencial, tendo usado muita habilidade para se defender de algumas acusações e, ao mesmo tempo, reagir com petardos, numa demonstração de que se preparou para a pancadaria, que acabou não acontecendo como era esperado. Duarte Jr. com sua ousadia, Neto Evangelista com sua habilidade política, Rubens Jr. com um discurso firme e convincente, e Bira do Pindaré com sua experiência, também trocaram estranhamentos entre si. Em meio a esses movimentos, em tons diferentes, Yglésio Moises com sua reconhecida competência e Jeisael Marx também muito articulado, assumiram posições de independência, o que ficou mais claro com ataques à gestão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), que só foi elogiado pelo candidato do PCdoB.

Como era previsível, Saúde, saneamento e mobilidade foram as áreas dominante entre os questionamentos feitos por jornalistas, eleitores e os candidatos entre si. Nesse contexto, os candidatos apontaram problemas na política municipal de Saúde em curso. Todos os candidatos prometeram pôr fim a filas para cirurgias, acabar ou, pelo menos, reduzir tempo de espera para exames e ainda fazer parte do Sistema Municipal de Saúde funcionar 24 horas por dia,  nos sete dias da semana. Os candidatos falaram também de infraestrutura urbana, da balneabilidade das praias, da queda de braço entre Uber e taxis tradicionais, tocaram na segurança pública e nas dificuldades financeiras. Todos apresentaram soluções para velhos problemas, deixando no ar a impressão de que, seja quem for o eleito, São Luís estará em boas mãos na gestão que será iniciada no dia 1º de Janeiro do ano que vem. Mesmo de “raspão” falaram sobre cultura e turismo.

Curiosamente, nenhum candidato tocou nos problemas da cidade antiga, tradicional, detentora do título de Patrimônio Cultural da Humanidade, sendo todas as preocupações expostas relacionadas com a periferia. No geral, eles demonstraram consciência dos problemas e um bom nível de preparo para enfrentá-los. Ninguém apresentou ideias revolucionárias nem mirabolantes, nem tentou enganar o eleitor com conversa fiada. Reforçaram, enfim, a impressão de que a eleição do prefeito se dará pela força da mobilização política e partidária e não por uma guerra política sem limites.

O debate ficou tenso em alguns momentos, por causa de acusações e provocações. Começou com Neto Evangelista disparando contra Eduard Braide, acusando-o de haver fracassado na gestão da Caema, ao que ele contestou elencando algumas conquistas da sua gestão, inclusive a contratação de mil servidores por concurso, tendo Bira do Pindaré rebatido afirmando que só houve concurso por causa de decisão judicial.  Eduardo Braide acusou Duarte Jr. de usar verba indenizatória da Assembleia Legislativa durante a pandemia, tendo ele reagido afirmando que Eduardo Braide é investigado pela Polícia Federal, acusando-o também de haver usado assessor da Assembleia Legislativa como caseiro de um sítio. O candidato do Podemos também foi acusado de ter recebido, quando deputado estadual, auxílio-moradia, “mesmo morando na Península”. Eduardo Braide chamou Duarte Jr. de “enganador”, que devolveu acusando-o de mentir. Rubens Jr. e Eduardo Braide também trocaram petardos verbais, sem, no entanto, descer o nível, que, aliás, não aconteceu em nenhum momento das três horas em que os candidatos estiveram frente a frente.

Qualquer análise isenta certamente concluirá que não houve vencedores nem vencidos no debate Imirante.com/O Estado. Os candidatos se mostraram preparados tecnicamente, diferenciados apenas por aspectos pontuais. Mais do que isso, em vez de causar estragos em reputações, a troca de farpas entre eles consolidou a impressão geral de que nenhum tem ficha suja nem rabo preso. O que é uma vantagem excepcional, e indica que a eleição do prefeito de São Luís dependerá do desempenho das forças políticas envolvidas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Debate Imirante/O Estado teve bom formato, bom tempo e boa condução

Os candidatos deram seus recados num enfrentamento sem atropelos e bem conduzido pelo mediador, jornalista Clóvis Cabalau

Muito bem organizado o debate realizado pelo Portal Imirante.com, que colocou frente a frente sete dos 10 candidatos à prefeitura de São Luís. Com um formato inteligente e um tempo generoso, assegurou aos participantes uma excelente oportunidade para expor suas ideias e propostas e também jogar o jogo político com provocações que renderam acusações, reações e estremecimentos, sem descambar para o charco da baixaria. Vale anotar ainda que o formato garantiu a todos os candidatos mesmo tempo e o mesmo grau de participação, não permitindo que houvesse ações articuladas entre candidatos. Foi conduzido com eficiência e equilíbrio e sem protagonismo pelo jornalista Clóvis Cabalau, diretor de Redação do jornal O Estado do Maranhão, que atuou mais para facilitar do que para complicar. Tudo isso permitiu que o evento transcorresse sem nenhum momento de tensão, sem qualquer fato ou gesto que indicasse quebra das regras. O resultado foi um bom debate, principalmente pelo desempenho dos candidatos.

Assembleia Legislativa encara mais um desvio de conduta do deputado Fábio Macedo

Ao mesmo tempo em que se consolida cada vez mais como uma instituição atuante, que cumpre as suas obrigações institucionais e se conserva corretamente como um espaço de debate político, a Assembleia Legislativa do Maranhão encara uma situação que causa forte desconforto aos seus integrantes e dirigentes: os desvios de conduta do deputado Fábio Macedo (PDT). Depois de causar um escândalo por embriagues num show popular em Teresina, onde chegou a ser preso e só foi liberado por interferência do presidente Othelino Neto (PCdoB), o parlamentar agora está obrigado pela Justiça a manter distância de 300 metros da sua mulher e dos seus filhos. A acusação é de violência doméstica, denunciada à Polícia pela sua cônjuge, que se diz vítima de agressões, ameaças e constrangimentos. O caso aterrissou na mesa da deputada Helena Duailibe (Solidariedade), titular da Procuradoria da Mulher na Assembleia, que divulgou ontem a seguinte nota:

A Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão, com base no art. 24-A do Regimento Interno desta Casa, em face de notícias veiculadas na imprensa, envolvendo o deputado Fábio Macedo em suposto episódio de violência doméstica no âmbito familiar, vem a público manifestar o seu repúdio a todo e qualquer ato de violência física, verbal e/ou psicológica à mulher.

Informa que ao tomar conhecimento das notícias envolvendo o parlamentar, esta Procuradoria decidiu solicitar cópia do processo relacionado ao caso, que tramita na 2ª Vara Especial de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de São Luís, e, após isso, convidará a esposa do deputado, Lorena Melo Macedo, para trazer informações, que ainda entender necessárias, para esclarecimentos dos fatos narrados nos referidos meios de comunicação.

A Procuradoria da Mulher esclarece, ainda, que após receber o processo, ouvir a vítima e efetuar a análise dos fatos, tomará as providências cabíveis, permanecendo à disposição, tanto da esposa do deputado, quanto de toda a sociedade, no combate à violência e discriminação contra a mulher.

São Luís, 20 de outubro de 2020

Deputada Helena Duailibe

Procuradora da Mulher da Assembleia Legislativa

São Luís, 21 de Outubro de 2020.

 

Candidatos mais fortes turbinam suas campanhas para a Prefeitura de São Luís

 

De cima para baixo: Eduardo Braide e a esposa na festa do Sírio de Nazaré no Cohatrac; neto Evangelista em carreata com Roberto Costa e Wellington do Curso; Duarte Júnior com Carlos brandão e Detinha e Honorato Fernandes, vice de Rubens Júnior, comanda passeata com Márcio Jerry (d)

Faltando três semanas para o fim da campanha eleitoral, todas as evidências indicam que as principais candidaturas à Prefeitura de São Luís estão ganhando corpo, reforçando a impossibilidade de um desfecho em turno único, cenário que deve ser desenhado com clareza pelas pesquisas Ibope, DataIlha e JPesquisa, que estão com pessoal em campo para medir as preferências do eleitorado. Na avaliação da maioria dos observadores, Eduardo Braide (Podemos) mantém liderança folgada, mas sem fôlego de liquidar a fatura em turno único. Por seus turnos, Duarte Júnior (Republicanos), Neto Evangelista (DEM) e Rubens Júnior (PCdoB) têm feito intensas movimentações, sendo provável que os levantamentos que estão sendo realizados indiquem com mais clareza qual dos três está, de fato, se credenciando para ser o oponente do favorito na segunda rodada. De um modo geral, as campanhas dos quatro que estão efetivamente na disputa estão niveladas, com focos coincidentes – principalmente a Saúde – e propostas parecidas.

A julgar pelo que foi dito até agora, por mais viáveis e interessantes que sejam as propostas, a impressão que se tem é a de que não serão elas as definidoras das preferências do eleitorado. Pelo andar das carruagens na direção do Palácio de la Ravardière, parece que a força política, as alianças, os movimentos imprevistos e o volume de campanha dos candidatos serão os fatores que decidirão a parada, tanto no primeiro turno quanto no segundo.

Na liderança da corrida desde os primeiros levantamentos, Eduardo Braide tem mostrado fôlego e se esforça para consolidar o seu favoritismo dando mais volume à sua campanha de rua, que inclui caminhadas e carreatas. O problema é que, diferentemente dos seus principais adversários, ele atua só, passando ao eleitor a ideia de que não tem aliados políticos nem parceiros partidários, dando, assim, substância à crítica feita por seus adversários segundo a qual ele evita apresentá-los. É fato que, por terem outros compromissos de campanha nas diferentes regiões do estado, os seus aliados formais – o senador Roberto Rocha (PSDB) e os deputados federais Edilázio Júnior (PSD) e Aluízio Mendes (PSC) – não têm participado da sua campanha, o que pode ser também uma estratégia negociada.

Numa outra vertente, Neto Evangelista realiza uma campanha política e partidariamente aberta, reunindo em torno do seu projeto personalidades como o senador Weverton Rocha (PDT), o deputado Roberto Costa – homem forte do MDB –, o deputado estadual Wellington do Curso (PSDB), além do deputado federal Juscelino Filho, presidente regional do DEM. Com esses apoios, neto Evangelista tem aumentado expressivamente sua campanha de rua, chamando a atenção por onde tem passado. Na mesma linha, Duarte Júnior tem contado com a companhia do vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), um dos fiadores da sua candidatura, e também do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), ou da deputada Detinha (PL), os dois avalistas da base partidária da candidatura.

Mesmo em isolamento social por haver testado positivo para a Covid-19 – situação agora agravada com a internação do seu pai, Rubens Pereira, também alcançado pelo novo coronavírus -, Rubens Júnior tem aproveitado para atuar fortemente nas redes sociais, deixando sua campanha de rua sob a coordenação do candidato a vice-prefeito Honorato Fernandes (PT) e do presidente regional do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, ambos realizando caminhadas e carreatas. Os demais candidatos – Bira do Pindaré (PSB), Yglésio Moises (PROS), Jeisael Marx, (Rede), Franklin Douglas (PSOL), Hertz Dias (PSTU) e Silvio Antônio (PRTB) – têm apresentado campanhas mais tímidas.

O cenário a ser desenhado pelas pesquisas em andamento deve mexer com as posições dos quatro candidatos mais fortes, apontando a tendência que poderá se confirmar nas urnas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Casal Gonçalo dá sinais de que se reelegerá em Santa Rita e em Bacabeira

O casal Hilton Gonçalo e Fernanda Gonçalo em ato de campanha em Bacabeira

Todas as pesquisas e evidências políticas indicam que Hilton Gonçalo (PMN) e Fernanda Gonçalo (PMN) serão reeleitos prefeitos de Santa Rita e Bacabeira, respectivamente. Os dois são apontados como franco favoritos, não havendo informações discordantes, a não ser alguma diferença entre um resultado e outro.

Pelo quadro que se desenha em Santa Rita – que com seus 35 mil habitantes integra o complexo metropolitano de São Luís – Hilton Gonçalo deve sair das urnas com uma maioria folgada de votos, uma vez que seu único adversário, Jucimauro Albuquerque (PCdoB), não emite sinais de que tenha fôlego para reagir e virar o jogo nem tornar a disputa um pouco mais difícil para o prefeito, que caminha para emplacar o terceiro mandato no município.

Em Bacabeira a situação é um pouco diferente. A prefeita Fernanda Gonçalo enfrenta o ex-prefeito Venâncio Filho (DEM), mais conhecido como Venancinho e que tem um naco de liderança. Fortemente apoiada pelo marido, a prefeita é apontada por observadores da região como favorita, tendência que dificilmente será revertida pelo ex-prefeito, comandou Bacabeira no desastre econômico e social causado pelo arquivamento dramático da Refinaria Premium I, que de uma hora para outra transformou uma cidade promissora quase que numa terra arrasada.

No meio político é dado como certo que, confirmada sua reeleição, Hilton Gonçalo se “mudará” para São Luís para, se for o caso, apoiar a candidatura de Eduardo Braide no segundo turno.

 

Roberto Rocha anuncia visita do presidente Jair Bolsonaro ao Maranhão

Roberto Rocha articula a visita d presidente Jair Bolsonaro ao Maranhão no dias 29 e 30 deste mês

O senador Roberto Rocha acertou no terceiro andar do Palácio do Planalto a data e o roteiro da visita que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fará ao Maranhão. Ele desembarcará em São Luís no dia 29, seguindo para Imperatriz no dia 30, irá a São padro dos Crentes. Em São Luís, visitará as obras de revitalização da Praça João Lisboa e o conjunto de apartamentos “Jomar Moraes”, ambos financiados com recursos federais. Em Imperatriz, o presidente inspecionará dias obras: a restauração da BR-010 e construção da hidrovia no rio Tocantins. Deve passar por Açailândia e alcançar São Pedro dos Crentes, um município controlado por evangélicos e que deu a maior votação proporcional para o presidente no Maranhão. Não se sabe como será o tom político da visita, mas há quem diga que o presidente deverá, ainda que indiretamente, incensar a candidatura do ex-prefeito Sebastião Madeira à Prefeitura de Imperatriz.

São Luís, 20 de Outubro de 2020.

PCdoB e PDT se mobilizam para fortalecer Marco Aurélio em Imperatriz, onde o cenário é de indefinição

 

Marco Aurélio (centro) entre Rildo Amaral, Othelino Neto e Weverton Rocha no comício no Calçadão, um ato que reforçou o apoio partidário do candidato do PCdoB

As cúpulas do PCdoB e PDT decidiram reforçar a candidatura do deputado Marco Aurélio (PCdoB) à Prefeitura de Imperatriz, dando uma demonstração de força com um megacomício no Calçadão comercial da cidade, na noite de sexta-feira, com a participação do presidente do PDT, senador Weverton Rocha, e do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB). O movimento de reforço a Marco Aurélio coloca a corrida eleitoral na Princesa do Tocantins em rota de decisão, uma vez que ali quatro candidatos – Marco Aurélio, o prefeito Assis Ramos (DEM), e os ex-prefeitos Ildon Marques (PP) e Sebastião Madeira (PSDB) – encontram-se muito próximos, o que, na avaliação de dois observadores que conhecem bem o jogo político tocantino, neste momento, é precipitada qualquer afirmação categórica a respeito do desfecho da disputa.

Para esses observadores, a chave para o desfecho da disputa em Imperatriz está na situação do ex-prefeito Ildon Marques. Ele tem pendências judiciais relacionadas com sua gestão na Prefeitura, foi colocado na lista negra do TCU e do TCE como inelegível. Garantido por liminares, ele caminha para as urnas entre os candidatos mais fortes. Se a inelegibilidade de Ildon Marques for confirmada pela Justiça Eleitoral, o quadro da disputa sofrerá uma reviravolta cuja intensidade e abrangência dependerá de como vão se comportar os eleitores do ex-prefeito. Se, ao contrário, a Justiça Eleitoral acatar seus argumentos e permita sua participação na eleição, ainda que liminarmente, o jogo entre os quatro ficará mais acirrado.

Dos quatro, a posição politicamente mais consistente é a do deputado Marco Aurélio, que conta com o suporte do seu partido, o PCdoB, e do apoio forte do PDT, do PSB, PT e do Solidariedade, este comandado em Imperatriz pelo deputado Rildo Amaral, seu aliado de primeira hora, e do aval entusiasmado do governador Flávio Dino (PCdoB). O prefeito Assis Ramos, por sua vez, vem fazendo uma gestão com altos e baixos, não conseguindo a liderança na corrida, mas apostando alto em uma arrancada no final da campanha. O ex-prefeito Sebastião Madeira desfruta uma posição confortável: conserva um naco expressivo do eleitorado, e segue embalado pela certeza de que será beneficiado caso Ildon Marques seja considerado inelegível. Ildon Marques, por sua vez, se mantém no jogo apostando suas fichas no aval da Justiça Eleitoral à sua candidatura.

O evento de sexta-feira em torno da candidatura de Marco Aurélio foi um sinal claro de que a aliança governista vai jogar pesado para definir a corrida sucessória de Imperatriz a favor dele. O candidato do PCdoB faz por onde: é um político jovem, preparado e inteiramente integrado ao partido e ao projeto político liderado pelo governador Flávio Dino, tanto que exerce, fortemente prestigiado, a liderança do Governo na Assembleia Legislativa, o que reforça o discurso segundo o qual terá total apoio do Governo para comandar Imperatriz. “Professor Marco Aurélio é um gigante que se constrói a cada dia no Parlamento, dedicando-se com muito empenho à cidade de Imperatriz”, afirmou, em discurso no ato de campanha de sexta-feira o presidente da Assembleia Legislativa Othelino Neto.

Sem pesquisa recente, a corrida para a Prefeitura de Imperatriz parece, portanto, rigorosamente indefinida. Mas com o diferencial de que entre os principais vai se destacar quem mostrar mais força para alcançar a fatia dos eleitores ainda indefinidos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Espalhados em diferentes partidos, policiais militares tentam vagas na Câmara Municipal

Esmênia Miranda é um dos policiais militares candidatos

Nada menos que 17 policiais militares aposentados e da ativa estão na guerra por vagas na Câmara Municipal de São Luís. São um cabo, seis sargentos, um subtenente, dois tenentes, quatro coronéis e dois capelães, além da Tenente Esmênia Miranda (PSD), companheira de chapa  de Eduardo Braide (Podemos). Eles fazem parte de um grande movimento de abrangência nacional que estimula a participação de policiais militares no processo eleitoral com o objetivo de fortalecer a categoria. Levantamento feito pelo portal UOL encontrou nada menos que 6.754 militares – a maioria policiais militares – candidatos a prefeito e a vereador. Como os evangélicos, eles não estão articulados ideologicamente e encontram-se pulverizados em uma dezena de partidos, como o PRTB, de direita radical, que tem o vice-presidente Hamilton Mourão como guru, e até o PSTU, de extrema-esquerda.

Os candidatos à Câmara Municipal de São Luís que se identificam agregando a patente ao nome são os seguintes: Cabo Campos (Patriota); “Sargento”: Chagas (DEM), Márcio (PSTU), César (PSL), Mendes (Podemos), Claudinar (Rede) e Gean (Solidariedade); Sub-Tenente Fabiano (PRTB); “Tenente”: Assis (PTB) e Nilo Moraes (PRTB); “Capelão”: Renalcy (PMB)  e Valdenir (Patriotas) ; e “Coronel”: Ivaldo (PMN), Galdi (Novo), Flávio (PSD) e Amaro (PMN).

Vale lembrar que nas eleições de 2016 apenas o ex-policial César Bombeiro foi eleito vereador, e pelo que se comenta nos bastidores, corre o risco de não se reeleger. Em 2014, o policial civil Júnior Verde e o policial militar Cabo Campos de elegeram para a Assembleia Legislativa. Não corresponderam e foram duramente punidos nas urnas. Cabo Campos tenta uma sofrível retomada como candidato a vereador de São Luís.

 

Em contradição flagrante, candidato tucano a vereador exalta a direita

Felipe Arnon: voz da direita no PSDB

Centro, esquerda e direita são vertentes ideológicas legítimas e lícitas numa sociedade democrática. E por isso mesmo deveriam ser muito bem definidas e com seus militantes devidamente organizados dentro de partidos com ideologias, doutrinas e programas claros, de modo a não gerar confusão, principalmente nos momentos de decisão eleitoral. Na campanha em andamento em São Luís, a manifestação de um candidato a vereador Felipe Arnon, chamou a atenção. Com surpreendente entusiasmo, ele bradou, em tom de mote, que “a direita vai mostrar que tem espaço na Ilha”. Sua declaração enfática teria sido vista como politicamente normal e ideologicamente honesta, não fosse por um detalhe decisivo: ele se apresenta como candidato pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), agremiação de centro-esquerda criado por sociais-democratas liderados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Quando expõe o seu viés ideológico de direita, o jovem candidato Felipe Arnon entra em confronto aberto com a linha a ideologia tucana, contrariando, agressivamente, a base ideológica e doutrinária de um partido que foi concebido para enfrentar a direita em todos os seus graus e a esquerda mais assumida e suas tribos mais radicais. Com esse discurso, ele mostra desconhecer que a social-democracia nasceu exatamente para criar um estado democrático que garantisse liberdades plenas e focasse suas ações para a criação do estado social, para assegurar ao cidadão direito a educação, saúde, cultura, lazer, trabalho e previdência, sem os controles excessivos do socialismo nem os excessos do capitalismo.

O PSDB foi concebido por FHC, José Serra, Tasso Jereissati, Geraldo Alckmin para ser, de um lado, contrapeso ao PT, e de outro, às siglas de direita, a começar pelo PFL, hoje DEM. Nele não cabe o rótulo de esquerda nem de direita.

Nesse contexto, o candidato Felipe Arnon tem todo o direito de professar suas convicções de um político de direita. Mas está claro que ele se filiou ao partido errado, como parece ser o caso do seu líder estadual, senador Roberto Rocha, que exibe uma relação cada vez mais próxima e ostensiva com a direita radical que tem o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como sua principal referência.

São Luís, 18 de Outubro de 2020.

Flávio Dino avalia que verdades desmontam discurso de Jair Bolsonaro sobre corrupção

 

Flávio Dino diz que discurso de Jair Bolsonaro sobre corrupção não tem sustentação

“De um jeito inusitado, a verdade mais uma vez derrotou uma mentira de Bolsonaro. Ele sabe onde a corrupção está, sempre bem perto dele, nos círculos mais íntimos do seu transitório poder. Bolsonaro acabar com a corrupção seria uma espécie de autoextermínio”.

O comentário é do governador Flávio Dino (PCdoB), feito ontem no Twitter, à propósito da reação e dos comentários do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a respeito da operação da Polícia Federal que, cumprindo mandados judiciais emitidos com base em investigações feitas pelo Ministério Público Federal de denúncias de desvio de dinheiro público destinado ao combate da Covid-19 em Roraima, e que flagrou o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), vice-líder do Governo no Senado e amigão do peito do presidente e de sua família, com R$ 30 mil escondidos na cueca. O presidente, que em outro momento chegou a brincar afirmando ter quase “uma união estável” com o senador roraimense, o descartou em live, afirmando que ele e sua equipe combatem a corrupção, dando a entender que a operação da PF na casa do senador Chico Rodrigo foi uma ação do seu Governo.

Ao descartar o amigão do peito, com quem quase manteve uma “união estável”, fingindo que agora despreza “esse senador aí” porque a Polícia Federal, com base em denúncias investigadas pelo MPF, descobriu que ele é corrupto, o presidente da República comete um grosseiro ataque à verdade no que diz respeito às suas relações com o agora expurgado Chico Rodrigues.

Para o presidente, o senador roraimense foi íntegro e digno da sua intimidade durante os quatro mandatos como deputado federal, período em que foi denunciado por maquiar prestações de contas da ajuda de custo bancada pela Câmara Federal, protagonizando um escândalo que ganhou manchetes em todo o País. Aos olhos de Jair Bolsonaro e seus familiares, a integridade de Chico Rodrigues não foi sequer arranhada quando a Justiça Eleitoral lhe cassou o mandato de governador de Roraima acusando-o de traquinagens na campanha eleitoral. Continuou um “político sério” quando foi escalado para relatar, no Senado, aprovando a inacreditável indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos – o Brasil foi salvo do vexame planetário depois que o presidente, diante das críticas, retirou a indicação.

Chico Rodrigues se manteve como aliado de proa na função de vice-líder do Governo no Senado, por escolha pessoal do presidente, que lhe deu trânsito livre nos Palácios do Planalto e do Alvorada, para atuar como leva-e-traz de tudo o que acontecia na Câmara Alta em relação ao presidente e sua gestão.  O senador também se manteve um “cara legal” ao empregar em seu gabinete, como assessor e ganhando R$ 22 mil por mês, o notório Léo Índio, filho da irmã da ex-mulher de Jair Bolsonaro, mãe dos seus três filhos políticos, carne e unha com Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro.

Na live de quinta-feira à noite, o presidente Jair Bolsonaro falou sobre “esse senador aí” sem fazer nenhuma menção à quase “união estável” que manteve com ele até o momento em que a PF o flagrou com dinheiro na cueca. Não disse uma palavra sobre nenhum dos vários itens que os ligaram por muitos anos. Nas suas palavras, “esse senador aí” foi vice-líder do Governo por decisão do seu partido, o DEM, mas até as maravilhosas colunas do Palácio do Planalto sabem que foi uma escolha pessoal do presidente.

O governador Flávio Dino tem razão quando diz que o presidente Jair Bolsonaro sabe que a corrupção está sempre bem perto dele, “nos círculos mais íntimos do seu transitório poder”. Os indícios são muitos e fortes: grande movimentação de dinheiro vivo, sem origem declarada, pelo presidente e seus filhos, o caso da “rachadinha” protagonizado pelo atual senador Flávio Bolsonaro e seu fiel escudeiro Fabrício Queiroz, as relações com a milícia que inferniza o Rio de Janeiro, são até agora situações graves e não devidamente esclarecidas. Isso porque as versões dadas pelo presidente Jair Bolsonaro para esses imbróglios são muito frágeis e não se sustentam. Assim como sua inacreditável tentativa de insinuar que as operações da Polícia Federal são ações do seu Governo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

“Pastores”, “missionários” e “irmãos” tentam vagas de vereador em São Luís

Os evangélicos resolveram participar em número expressivo da corrida para a Câmara Municipal de São Luís. São 27 candidatos, espalhados por 17 partidos, parecendo uma estratégia para ocupar espaço nas mais diversas correntes políticas em luta pelo poder na Capital. Um levantamento feito por jornalistas independentes identificou o que pode ser uma grande articulação envolvendo todas as regiões do País, com o incentivo direto das cúpulas das organizações religiosas pentecostais, para a eleição de vereadores, de modo a reforçar o que elas já têm de representação no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas.

Na corrida às 31 cadeiras da Câmara Municipal de São Luís, 14 candidatos que se identificam como “Pastor” ou “Pastora” – André (PMB), Antônio Cícero (PTB), Domingos (PMB), Fábio Leite (Podemos), João Jorge (PT), Juscelino Oliveira (PTB), Rocha (PDT), Sampaio (Avante), Diana Soares (Patriotas), Kaká (Solidariedade), Kelly (PSL), Vilcimar (Solidariedade), Zenaide (PSL) e Zenilde (DC). Quatro se assumem como “Missionário” ou “Missionária”: Amorim (Patriotas), Eridan (Republicanos), Aliana (PV), Lourdes (Podemos) e Jadna (PSC). E nada menos que oito se apresentam como “Irmão” ou “Irmã”: Rose da Farmácia (PSC), Vilanir da Vila Vitória (PL), Antônio (Republicanos), Codó (PRTB), Dijé (PMN), Francisco (PSDB), Jadson (Podemos) e Lourival (PMN).

Entre os “pastores”, o nome mais conhecido é o de Antônio Cícero, calejado militante do braço maranhense do PTB, juntamente com o saudoso jornalista Vera Cruz Marques. Antônio Cícero todas as eleições parlamentares desde a redemocratização, sem conseguir mandato. Os demais “pastores”, “missionários” e “irmãos” passam a impressão de que têm poucas chances de chegarem lá.

 

Lei proposta por Detinha e promulgada por Othelino Neto cria programa contra câncer de mama

Detinha teve lei promulgada por Othelino Neto

A partir de agora, o Maranhão conta com mais um instrumento importante no combate ao câncer de mama, doença responsável por expressivo número de morte de mulheres. Trata-se do Programa de Apoio às Mulheres com Neoplasia Mamária e Mastectomizadas, instituído pela Lei Nº 11.355/2020, aprovada pela Assembleia Legislativa e promulgada pelo presidente Othelino Neto (PCdoB). O Programa foi proposto no Projeto de Lei Ordinária Nº 568/2019 pela deputada Detinha (PL) e contou com o aval do plenário, que o aprovou sem restrições após cumpridos os trâmites Legislativos.

A Lei promulgada estabelece diretrizes para o programa, que será implementado por meio de órgãos públicos de Saúde, com o objetivo de apoiar, orientar, tratar, reabilitar e reintegrar pacientes e ex-pacientes acometidas pelo câncer de mama. O Programa vai também orientar sobre a importância da reconstrução do complexo aréolo-papilar de mulheres mastectomizadas, prestar apoio social presente desde a fase do diagnóstico até a reabilitação psicossocial, e fomentar a recuperação da saúde física e emocional.

As diretrizes incluem também suporte a mulheres quando confrontadas com situações adversas, como as impostas pelo câncer de mama. Será disponibilizado local adequado para reuniões de autoajuda para mulheres em tratamento. Além disso, garantirá a realização de exames periódicos de ultrassonografia, mamografia, entre outros, cuja finalidade é a prevenção e o controle ao câncer de mama, como também acesso ao tratamento químico e radioterápico, e também ao oncologista. Além disso, o Programa fomentará a realização de campanhas destinadas à prevenção.

No ato da promulgação, o presidente Othelino Neto destacou a importância da lei: “Nós sabemos que é alto o índice de mulheres com neoplasia mamária. Daí a importância dessa lei. Trata-se de um suporte essencial e fundamental para o restabelecimento das condições de saúde dessas pacientes”.

Com a proposta transformada em Lei, a deputada Detinha, que se licenciou para dar uma oportunidade para a suplente Ducilene Belezinha (PL), acertou em cheio com a iniciativa aprovada sem restrições pela Assembleia Legislativa.

São Luís, 17 de Outubro de 2020.

Braide mantém liderança com discurso ameno, mas sabe que o roteiro pode mudar para o confronto

 

Eduardo Braide: campanha amena, que pode ter roteiro mudado

Adversário a ser batido na corrida à Prefeitura de São Luís, uma vez que vem mantendo a dianteira desde muito antes de a sua própria e as outras candidaturas terem sido formalizadas, o candidato do Podemos, Eduardo Braide, vem se esforçando para se manter na liderança usando o que tem de habilidade política. Fez expressão de paisagem diante de algumas provocações empurrando-o para o ringue, lapidou ainda mais a imagem de bom moço, que vem mostrando na campanha, e para completar, declarou, em entrevista ao jornal O Estado do Maranhão, que, se eleito for, estará aberto ao diálogo com todas as correntes políticas em ação no Maranhão, incluindo as que formam a aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB). E foi mais longe, afirmando que esse diálogo, se vier a ocorrer, poderá inclusive resultar na indicação de nomes para a equipe de um eventual governo sob seu comando, desde que o eventual indicado esteja devidamente qualificado para a função.

Com essa postura, Eduardo Braide trabalha para evitar que a campanha se transforme num confronto ácido, com denuncismo e troca de acusações. Sabe que se a corrida descambar para esse viés, ele será o alvo preferencial da pancadaria, como aconteceu em 2016, em que seus adversários o colocaram contra as cordas, conseguindo reverter a tendência que o estava desenhando como uma ameaça real ao então prefeito e candidato à reeleição Edivaldo Holanda Júnior (PDT). A estratégia que vem mantendo, admitida com clareza na entrevista, segundo reportagem publicada pelo jornal na edição de quarta-feira (14), é também parte do esforço para que a larga vantagem que desfruta seja consolidada e ele consiga liquidar a fatura em turno único, o que a maioria dos observadores vê como improvável, prevendo que a eleição será decidida em dois turnos.

Tarimbado no jogo, o candidato do Podemos tem ciência plena de que o cenário de agora é radicalmente diferente do de 2016, quando, à exceção do próprio prefeito Edivaldo Holanda Júnior – que não é afeito a confrontos diretos – os demais candidatos não tinham estatura para enfrentá-lo. No cenário de agora, sabe que Duarte Júnior (Republicanos), Neto Evangelista (DEM), Rubens Júnior (PCdoB) e Yglésio Moises (PROS) são, como ele, jovens, com boa formação, ousados, ambiciosos e estão se desdobrando pela oportunidade de enfrentá-lo num embate direto, olho no olho. Eduardo Braide está consciente, portanto, de que se não liquidar a fatura logo no primeiro turno, entrará para o segundo com a certeza de que será desafiado, não exatamente para uma disputa, mas para um embate, com a crueza dos confrontos verbais que costumam marcar momentos decisivos de disputas eleitorais.

Político pouco dado a emoção e que costuma tomar decisões com frieza lógica, refletindo cuidadosamente sobre cada passo a ser dado, Eduardo Braide tem todos esses cenários possíveis avaliados e, pelo que se ouve nos bastidores, estaria preparado para se movimentar em todos eles. Seus assessores e conselheiros – que são poucos, pois ele costuma tomar sozinho as suas próprias decisões – estão monitorando os movimentos dos outros candidatos, que nas próximas três semanas deverão sair do cenário “paz e amor” para endurecer seus discursos. A expectativa é a de que em alguns momentos o roteiro de apresentar projetos posando de bons moços seja substituído, ainda que eventualmente, pela estratégia de um dizer o que pensa do outro, tornando a disputa menos racional e mais passional.

Eduardo Braide sabe que, se de fato vierem a ser disparados, os petardos serão, em sua maioria, dirigidos a ele. Resta saber se, em se confirmando essa previsão, ele vai segurar a onda ou partirá também para o enfrentamento.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Disputa de Belezinha com Higor Almeida distancia Magno Bacelar da reeleição em Chapadinha

Ducilene Belezinha lidera, ameaçada por Higor Almeida, e Magno Bacelar perde força na corrida em Chapadinha

Um dos municípios de grande porte conhecidos pela intensa disputa de grupos políticos consolidados, Chapadinha – 80 mil habitantes e polo da Região do Baixo Parnaíba – terá uma das eleições mais disputadas pelo comando municipal. Ali, segundo pesquisa do instituto DataM, a ex-prefeita e deputada temporária Ducilene Belezinha (PL) aparece à frente com 33,7%, seguida do bancário Higor Almeida (PSB) com 31% – situação de empate técnico -, seguidos do prefeito e candidato à reeleição Magno Bacelar (Cidadania) com 15,7%, e de outros candidatos: Aldir Jr (5,6%), Neto Pontes (1,3%), Márcia Gomes (0,7%) e Professor Janio (0,3%).

A liderança frágil, mas real, da ex-prefeita e atual deputada Ducilene Belezinha, já era esperada e ganhou força quando ela passou a fazer parte do projeto maior armado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que aposta alto na sua eleição, o que, se confirmado, lhe permitirá montar sua barraca na região. Já seu principal adversário, Higor Almeida, estreia na política como uma das apostas do PSB, partido comandado pelo deputado federal Bira do Pindaré, candidato à Prefeitura de São Luís. Sua eleição, que não está descartada fortalecerá o projeto maior do PSB no estado.

A grande surpresa em Chapadinha é a situação do prefeito Magno Bacelar (Cidadania), que comanda o município pela segunda vez, depois de ter sido, no século passado, prefeito de Aldeias Altas, quando ganhou folclórica projeção estadual como o prefeito “Nota 10”. Há tempos circula nos bastidores da política que Magno Bacelar não conseguiu imprimir sua marca de gestor eficiente, provavelmente por não mais contar com o apoio do Grupo Sarney, especialmente o então deputado federal Sarney Filho (PV), que por muito tempo lhe abriu portas em Brasília. E a julgar pelo que revela a pesquisa DataM, o prefeito dificilmente reverterá a situação e se reelegerá.

Os números indicam que a disputa em Chapadinha se dará entre Ducilene Belezinha, com o aval de Josimar de Maranhãozinho, e Higor Almeida, que tem o apoio de Bira do Pindaré

Em Tempo: O DataM ouviu 300 eleitores nos dias 03 e 04 de Outubro e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número MA-03527/2020.

 

Wellington do Curso reforça candidatura de Neto Evangelista e deve deixar o PSDB

Wellington do Curso declarou apoio a Neto Evangelista

Impedido de levar em frente a sua candidatura à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), o deputado estadual Wellington do Curso (ainda no PSDB) anunciou seu apoio à candidatura do deputado estadual Neto Evangelista (DEM). Ele revelou que considerou dar seu apoio ao também deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos), mas avaliou que Neto Evangelista está mais preparado para fazer uma boa gestão na Prefeitura de São Luís.

O anúncio tem dois aspectos positivos. O primeiro é que Wellington do Curso não deixou que seus ressentimentos por ter sido tirado da disputa, mesmo aparecendo nas pesquisas ora em segundo ora em terceiro lugar, para ter uma participação política inteligente e produtiva na corrida eleitoral, optando por apoiar um candidato viável. O segundo é que, com a decisão, Wellington do Curso coloca um ponto final no episódio da sua exclusão do quadro de candidato por uma medida de força do comando estadual do PSDB, que, movido também por pragmatismo, decidiu apoiar a candidatura de Eduardo Braide (Podemos).

A tomada de posição de Wellington do Curso pode ter desdobramentos. O primeiro é que parte do seu eleitorado é jovem e fidelizado e pode atender ao seu chamamento e fazer campanha e votar em Neto Evangelista. O segundo é que, independente do resultado da eleição na Capital, depois do pleito, Wellington do Curso deverá procurar um novo pouso partidário.

São Luís, 16 de Outubro de 2020.

Candidatos ganham reforço de lideranças na campanha de rua à Prefeitura de São Luís

 

Neto Evangelista em caminhada no Anjo da Guarda acompanhado de Weverton Rocha (camiseta preta) 

Depois da fase de articulações, do primeiro debate, da corrida às entrevistas e da fase inicial da propaganda no Rádio e na TV e das carreatas, a campanha para a Prefeitura de São Luís chegou com força às ruas. Todos os candidatos, a começar pelos politicamente mais fortes, estão realizando animadas caminhadas por bairros, no contato direto com o eleitorado. Já foram para as ruas Eduardo Braide (Podemos), Duarte Júnior (Republicanos), Neto Evangelista (DEM) e Bira do Pindaré (PSB) percorrendo as reentrâncias dos bairros mais populosos, levando suas mensagens para a grande massa do eleitorado que se espalha pelas mais diversas regiões da cidade. Rubens Júnior (PCdoB) está em isolamento com Covid-19, mas sua campanha está sendo levada ao contato direto com o eleitor pelo candidato a vice, Honorato Fernandes (PT), e pelo presidente do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry. E agora, a campanha de rua ganha mais um ingrediente: a participação de líderes políticos importantes, como os senadores, deputados federais e estaduais e chefes partidários, que passam ao eleitor impressão de que esses candidatos estão bem respaldados.

Ontem, o candidato da aliança DEM-PDT-MDB-PSL, Neto Evangelista, “invadiu” o Anjo da Guarda à frente de uma caminhada que reuniu grande número de apoiadores, tendo ao lado a sua companheira de chapa, Luzimar Lopes (PDT), e ninguém menos que o senador Weverton Rocha, o presidente do PDT e principal avalista e articulador da candidatura do democrata. A senadora Eliziane Gama já participou de vários eventos de Rubens Júnior, entre eles a grande carreata por ele liderada no último Domingo, e já está programando participação em outras carreatas e passeatas. Ambos têm projetos políticos de curto, médio e longo prazo, de modo que sua participação na corrida à Prefeitura de São Luís é fundamental.

Para os candidatos, transitar pelos bairros em busca de votos tendo a companhia de um senador da República é uma atividade de campanha da maior importância. Esses movimentos têm sido decisivos nas eleições para a Prefeitura de São Luís, porque passa para os eleitores a impressão de que os candidatos terão apoio político para viabilizar seus planos, ao contrário dos que tentam emplacar um projeto de poder solitário, sem base política nem partidária, candidatos, portanto, ao fracasso, mesmo que venham a lograr êxito nas urnas. Em 2008, por exemplo, João Castelo usou as caminhadas como estratégia forte de campanha, realizando dezenas delas nas mais diferentes áreas da periferia da Capital, tendo conseguido eleger-se. Na campanha em curso, os postulantes à sucessão do prefeito Divaldo Holanda Júnior (PDT) apostam alto na campanha eletrônica, mas com a consciência de que o corpo-a-corpo tem importância decisiva nas disputas eleitorais.

Todas as avaliações indicam, por exemplo, que o senador Weverton Rocha é peça-chave no projeto eleitoral de Neto Evangelista. O senador é reconhecido como um ousado e eficiente articulador político, ao mesmo tempo em que tem “pós-graduação” em movimentos de rua. Sua experiência foi adquirida no comando da militância do PDT, que o acompanha desde que o líder-maior do partido, Jackson Lago, o escalou para comandar a ala jovem do partido, tarefa que abraçou de maneira ostensiva e por meio da qual galgou todos os degraus da hierarquia pedetista. Weverton Rocha participou de todas as campanhas eleitorais de, tendo obtido bons resultados em todas.

A mesma posição tem a senadora Eliziane Gama, que se consolidou política atuando nos movimentos de rua na Capital, primeiro como militante nas fileiras do PT, tendo migrado depois para o PPS, que se tornou Cidadania, onde ocupou espaço, participando do processo que que a levou à Assembleia Legislativa, à Câmara Federal e agora ao Senado. Experiente nas ações políticas de rua em São Luís, a senadora deve se integrar mais fortemente à campanha do candidato do PCdoB.

A participação desses líderes na campanha de rua poderá ser o diferencial da corrida à Prefeitura de São Luís, com desdobramentos favoráveis aos candidatos e a eles próprios.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Fora da mídia eletrônica, Jeisael Marx, Hertz Dias e Sílvio Antônio ficam sem chance na disputa

Jeisael Marx, Hertz Dias e Sílvio Antônio: sem espaço na mídia eletrônica e praticamente fora da disputa

A não participação na campanha no Rádio e na TV, por conta da fragilidade dos seus partidos, selou os destinos dos candidatos Jeisael Marx (Rede), Hertz Dias (PSTU) e Sílvio Antônio (PRTB) na corrida à Prefeitura de São Luís. Só com campanha de rua eles não têm qualquer chance de reagir e atrair apoio eleitoral para, pelo menos, justificar a continuidade das suas ações nos próximos 30 dias. Mas, ao contrário do que mostra a realidade e sugere a lógica, nenhum deles cruzará os braços e arquivará seu projeto de candidatura.

Jeisael Marx, sabia que as limitações do Rede Sustentabilidade não lhe dariam as condições mínimas para embalar sua campanha. Mas, com uma visão política diferenciada, que não se encaixa nas formas tradicionais de conquistar mandatos eletivos, decidiu entrar na guerra e levar seu propósito até o final, mesmo sabendo que não teria a menor chance de alcançar a linha de frente da disputa. Vai cumprir seu roteiro de campanha até último dia, produzindo um bom exemplo de consciência política e ocupando um espaço que lhe permitirá alimentar boas perspectivas no porvir.

Representantes dos extremos ideológicos, Hertz Diaz e Sílvio Antônio também irão até o final, mas saindo dom processo como entraram: sem perspectiva alguma.

 

TCE deve se manifestar sobre decisões polêmicas

TCE: decisões beneficiando fichas sujas têm causado polêmica

Até aqui, as diversas instituições envolvidas com o processo eleitoral, a começar pela Justiça Eleitoral como um todo, vêm desempenhando suas atividades e cumprindo suas responsabilidades a contento. Nesse contexto, a única que parece estar saindo dos trilhos é o Tribunal de Contas do Estado (TCE), de onde têm saído decisões polêmicas dando a fichas sujas uma aparência de limpeza. O comando da Corte de Contas precisa se pronunciar sobre os casos envolvendo os ex-prefeitos de São José de Ribamar, Júlio Matos (PL), e de São Roberto, Jerry Adriane, fichas sujas que teriam resgatado elegibilidade sem ter direito ao benefício.

São Luís, 15 de Outubro de 2020.