
presidencial; Orleans Brandão pode ter Lula da Silva,
e Lahesio Bonfim tem Romeu Zema
O Maranhão tem uma das situações mais complexas e surpreendentes em relação à corrida presidencial. São posições as mais diversas, que colocam os candidatos ao Senado e ao Governo do Estado num xadrez complexo, no qual os movimentos quase sempre vão na contramão da lógica político-eleitoral. Essa complexidade alcança candidatos ao Governo do Estado, ao senado e à Câmara Federal, que no geral estão contrariando seus partidos apoiando candidatos a presidente de outras agremiações. Nesse contexto, o presidente Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, vem levando a melhor, à medida que já conta com o apoio declarado de dois pré-candidatos declarados ao Governo do Estado, três pré-candidatos a senador e dois deputados federais, ambos ex-ministros. Os demais candidatos presidenciais já consolidados só contam mesmo com os seus candidatos a governador, sendo que um deles tem o apoio de um candidato a senador.
O projeto de reeleição do presidente Lula da Silva está lastreado pelo apoio declarado de dois candidatos ao Governo, Orleans Brandão (MDB), cujo partido não tem candidato presidencial, e Enilton Rodrigues (PSOL), aliado ao PT no plano nacional. O terceiro aliado do presidente nessa corrida seria o vice-governador Felipe Camarão (PT), mas ele ainda não bateu martelo consolidando a sua pré-candidatura ao Governo, pois está dependendo exatamente do aval do presidente da República e do seu partido. Que poderá vir ou não. Nesse contexto, Eduardo Braide (PSD) seguirá a orientação de apoiar o pré-candidato do seu partido, o ex-governador goiano Ronaldo Caiado, enquanto Lahesio Bonfim (Novo) vai incorporar a pré-candidatura do ex-governador mineiro Romeu Zema, do mesmo partido. Hilton Gonçalo, que comanda o Mobiliza no Maranhão, deverá administrar o pepino de controvertido Cabo Daciolo como candidato presidencial do partido. Não há candidato a governador do Maranhão apoiando o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Dos quatro candidatos declarados ao Senado, três – Eliziane Gama (PT), Weverton Rocha (PDT) e André Fufuca estão na base de apoio da pré-candidatura do presidente Lula da Silva à reeleição. Eliziane Gama sempre fez parte da aliança governista, posição que foi consolidada depois que ela saiu do PSD e se filiou ao PT; Weverton Rocha também sempre esteve na base aliada de Lula da Silva; e André Fufuca, que foi ministro do Esporte prestigiado, mas cujo partido faz oposição ao Governo Lula, decidiu contrariar essa orientação e apoiar o projeto de reeleição do chefe da Nação. Fora isso, ex-senador Roberto Rocha (Novo), pré-candidato a senador, apoia o projeto presidencial do Novo liderado por Romeu Zema.
As posições mais diversas está entre deputados federais que buscam a reeleição e os que pretendem chegar lá. Ex-ministro das Comunicações, o deputado federal Juscelino Filho, cujo partido, o PSDB, não tem candidato presidencial, apoiará o presidente Lula da Silva, e para reforçar ainda mais esse laço, sua irmã, Luanna Rezende, se filiou ao PT para disputar cadeira na Alema. Lula da Silva conta também com os deputados federais Rubens Júnior (PT), Márcio Jerry (PCdoB), Roseana Sarney (MDB), Amanda Gentil (PP), Márcio Honaiser (Republicanos) e Cléber Verde (MDB). Já o deputado federal Duarte Júnior (Avante), aliado do presidente Lula da Silva, terá de encarar o fato de que seu partido tem candidato a presidente, o escritor de autoajuda Augusto Cury.
O grupo do PL, formado pelos deputados federais Josimar de Maranhãozinho, Detinha, Pastor Gil e Júnior Lourenço, todos do PL, deve se posicionar pelo projeto de candidatura de Flávio Bolsonaro, em que pesem as divergências de Josimar de Maranhãozinho com o ex-presidente Jair Bolsonaro; nesse grupo está o deputado federal Josivaldo JP, bolsonarista assumido. E não se sabe ainda para onde irão os deputados federais Fábio Macedo (Podemos), Aluísio Mendes (Republicanos), Marreca Filho (PRD), Pedro Lucas Fernandes (União) na corrida presidencial, já que seus partidos não têm candidatos ao Palácio do Planalto.
Esse é um cenário prévio, que expressa o início da fase prévia da corrida eleitoral. Até as convenções partidárias de agosto, quando as pré-candidaturas serão transformadas em candidaturas de fato, podem haver muitas alterações nesse quadro, começando pelo posicionamento dos deputados federais que ainda não escolheram seus candidatos presidenciais.
PONTO & CONTRAPONTO
Braide diz que não vai entrar na polarização Lula da Silva/Flávio Bolsonaro
Não surpreendeu s reação do ex-prefeito Eduardo Braide (PSD), e Coroatá, na tarde de sábado, depois de ter incursionado em Timon e em Caxias, ao ser indagado sobre se posicionará em relação à polarização Lula da Silva (PT)/Flávio Bolsonaro (PL) na corrida ao Palácio do Planalto.
Sua resposta: “Eu sempre disse que o meu padrinho político é o povo do Maranhão”.
E arrematou: “Como futuro governador do Maranhão, eu terei a obrigação de me relacionar bem com qualquer dos candidatos que chegue à cadeira de presidente da República”.
Para começar, o partido dele, o PSD, tem um candidato a presidente, Ronaldo Caiado. Logo, não faz sentido um posicionamento em favor de outro candidato, o que seria uma incoerência política que não cabe no perfil do ex-prefeito de São Luís.
Do ponto de vista prático, qualquer avaliação simples indicará que ele, como candidato politicamente independente no cenário do Maranhão, só terá a perder se abraçar uma candidatura, deixando o candidato do seu partido fora dessa equação.
Além do mais, ficando de fora da briga entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, alinhando-se ao candidato do seu partido, Eduardo Braide poderá chegar ao segundo turno cacifado para buscar apoio em outras frentes.
Em resumo, a resposta do candidato do PSD à oportuna provocação da imprensa deu bem a medida de como ele sabe o que está fazendo na corrida ao Palácio dos Leões.
Registro
Brandão anuncia restauração da Vala da Macaúba, obra que foi um desafio vencido em 120 dias por João Alberto em 1990

Bandeira, lança o edital da restauração da Vala da Macaúba;
João Alberto na primeira visita à Macaúba para
anunciar obra; e numa das suas visitas diárias à obra,
que concluída em 120 dias
O governador Carlos Brandão (sem partido) anunciou, na tarde de sexta-feira, um pacote de restauração e requalificação de algumas obras importantes na cidade de São Luís. Uma delas será o Canal da Macaúba, que tem papel fundamental na drenagem e esgotamento de uma ampla região no entorno da Avenida Vitorino Freire, na Areinha.
O Canal da Macaúba é uma obra emblemática, realizada em 1990 pelo Governo João Alberto, a partir de uma intensa reivindicação por parte de moradores de bairros como Codozinho, Vila Bessa e Coreia de Baixo e Caminho da Boiada, entre outras áreas. Era um tabu prometido por muitos e não realizada.
Mesmo enfrentando dificuldades financeiras e perseguição implacável do presidente Collor de Mello, que cortara todos os recursos previstos para o Maranhão, o governador João Alberto se impôs o desafio de transformar a então Vala da Macaúba, uma área residencial cortada por um canal estreito por meio do qual todo o esgoto da região era escoada, para desaguar no rio Bacanga. O projeto foi concebido para ser realizado em quatro meses, ou seja, 120 dias.
Quando João Alberto anunciou a empreitada, a região a ser beneficiada entrou numa ebulição tão intensa que contagiou a cidade. Na sua primeira visita à Macaúba, foi evidente o mal-estar dos moradores, que lhe disseram, sem meias palavras, que ali já tinham ido ministros, entre eles Mário Andreazza, governadores, senadores e deputados, todos prometendo a obra e nenhum cumpriu a promessa.
João Alberto ouviu pacientemente as duras palavras dos moradores e foi claro com eles: “Vim aqui com os técnicos, para saber o que pode ser feito a já. Se for possível, nós faremos”. Depois, anunciou que a vala da Macaúba seria feita em 120 dias, segundo o contrato que previu trabalho contínuo, dia e noite.
Ninguém acreditou. A imprensa divulgou colocando em dúvida, políticos da cidade e do estado travaram debates, foram organizadas até bolsas de aposta. Muitos iniciaram uma contagem regressiva, tornando mais difícil o desafio assumido pelo governador.
Com disposição incontida e determinação surpreendente, o governador João Alberto transformou a Macaúba num canteiro e num gabinete a céu aberto, passando pelo menos duas horas dos seus dias na obra, sem folgar em domingos, feriados ou dias santos, às vezes lá chegando no meio da madrugada. Em cada visita conversava com engenheiros, mestres de obra e operários, motivando cada um com o argumento de que a obra era urgente e que a cidade precisava dela.
Iniciada em meados de agosto, a Vala da Macaúba foi inaugurada em meados de novembro, no prazo previsto de 120 dias. A inauguração se deu com uma das maiores reuniões populares da Capital naquele período.
São Luís, 19 de Abril de 2026.



























