Arquivos mensais: julho 2017

Decisão da Câmara Federal sobre o futuro de Michel Temer decidirá também o futuro eleitoral de Roseana Sarney

 

Roseana Sarney: movimentos mais intensos, mas atenta ao futuro de Michel Temer
Roseana Sarney: movimentos mais intensos, mas muito atenta ao futuro político do presidente Michel Temer

Exatamente daqui a uma semana, a sessão da Câmara Federal que decidirá o destino do pedido de autorização para o Supremo Tribunal Federal instaurar processo de investigação contra o presidente Michel Temer (PMDB), por suspeita de corrupção passiva, será um marco decisivo para que o Grupo Sarney comece a delinear sua estratégia para a briga do ano que vem pelo Palácio dos Leões e pelas duas vagas no Senado da República. Se o pedido for rejeitado, como está sendo previsto até aqui, passa a ser muito forte a possibilidade de a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) ser a candidata do Grupo ao Governo do Estado. Se o pedido for aprovado e o presidente for afastado e processado, é quase certo que a ex-governadora ficará longe das urnas, e no caso o Grupo terá de acionar um “plano b”. Otimistas com a sobrevida do presidente da República até aqui, sarneysistas de coturnos baixo e alto garantem que a ex-governadora será candidata “de qualquer maneira”, não dependendo para isso da sobrevivência presidencial. Lembram que na hipótese de Michel temer cair, será substituído pelo residente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um amigão da família Sarney.

De uns tempos para cá, Roseana Sarney começou a se movimentar no campo político com passos mais largos, e com mais visibilidade. Decidiu dividir seu tempo entre São Luís e Brasília. Quando está na terra, preenche a parte maior do seu dia em conversas com aliados políticos, especialmente prefeitos e ex-prefeitos, usando com frequência uma sala que lhe foi preparada nas instalações do Sistema Mirante. Em Brasília, mantém contatos com senadores e deputados federais do seu grupo e cuida de estreitar contatos com próceres da administração federal – nesta semana, por exemplo, esteve com o secretário nacional de Juventude, maranhense Assis Filho, militante do PMDB Jovem. Nessas audiências, atua para manter os links que tem como a cúpula nacional do partido e do Governo Michel Temer. Está, portanto, ativa e alinhavando prováveis alianças, confirmando a afirmação de um pemedebista graúdo segundo a qual ela “é candidatíssima”.

Não é sem razão que o instituto Escutec vem pesquisando as tendências iniciais do eleitorado para governador e senador em municípios estratégicos, como São Luís, Imperatriz e Codó, por exemplo. Não é possível afirmar que o instituto do radialista Fernando Júnior esteja a serviço do Grupo Sarney, mas a julgar pelo uso que está sendo feitos dos números por ele apurados, é lógico supor que o objetivo de tais levantamentos é oferecer à ex-governadoras informações estatísticas que lastreiem as decisões que tomará de agora por diante. Difícil imaginar, por exemplo, que Roseana Sarney esteja em vantagem na preferência do eleitorado de Imperatriz, ainda que o município tenha um pemedebista no comando da Prefeitura. De qualquer modo, esses números informam que, se de fato vier a ser candidata, é um nome a ser levado muito a sério, principalmente pelo governador Flávio Dino (PCdoB), que reúne até aqui todas as credenciais para renovar o mandato.

Roseana Sarney sabe que sua candidatura pode ser a redenção ou a pá de cal sobre o Grupo Sarney. Se entrar na briga para valer, o fará sabendo que sua eleição pode funcionar como uma espécie de upgrade no Grupo, que saiu destroçado das urnas em 2014, mas com a vantagem de que ela, por não ter enfrentado as urnas, saiu politicamente enfraquecida, mas pessoalmente ilesa. Entrará igualmente com a consciência de que sua derrota significará o fim da sua trajetória e, por via de consequência, do seu Grupo, que no caso só terá alguma chance de sobrevivência se o deputado federal Sarney Filho (PV) sair das urnas com o mandato de senador, confirmando assim a previsão política de que o eleitorado dificilmente mandará um Sarney para o Palácio dos Leões e outro para o Senado.

Com a experiência que acumulou como assessora de pai presidente da República, deputada federal e governadora por três mandatos e meio, e que nesse período teve de encarar situações como a Operação Lunos, que lhe estraçalhou a imagem em 2002, que a obrigaram a encarar interrogatórios na Polícia Federal e que continuam a mandar oficiais de Justiça para bater à sua porta, Roseana Sarney dificilmente dará um passo em falso nessa corrida. Daí o fato de o seu projeto de candidatura depender tanto da sobrevivência do presidente Michel Temer.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Edivaldo Jr. dispara contra Roseana Sarney no lançamento do “Mais Asfalto” na Ilha de São Luís

Governador assinou pacote do Mais Asfalto beneficiando mais de 1,4 milhões de pessoas da Grande Ilha. Foto: Karlos Geromy/Secap
Flávio Dino e a cúpula e aliados do seu Governo lança “Mais Asfalto” para pavimentar mais de 200 km de pavimentação asfáltica na Ilha 

“Eu sei bem o que é a falta de apoio de um Governo Estadual  quando prática retaliação contra uma gestão. Eu enfrentei isso nos anos iniciais do meu Governo”. A declaração, em tom de desabafo, partiu do prefeito de São Luís, Edvaldo Jr. (PDT), ontem, no Palácio Henrique de la Rocque, durante o concorrido ato de lançamento de mais uma etapa do programa “Mais Asfalto”, um dos cartuchos políticos mais poderosos dos que o governador Flávio Dino vai disparar contra a oposição a partir de agora. Serão 200 quilômetros de pavimentação asfáltica em mais de 30 grandes bairros e avenidas na Ilha de São Luís, definidos em conjunto pela Sinfra, Prefeituras, Agência Metropolitana e Agência de Mobilidade Urbana.

O petardo verbal do prefeito da Capital foi disparado na direção da ex-governadora Roseana Sarney com o objetivo de mostrar que ela praticou a política de perseguir e retaliar adversários. É verdade, Roseana Sarney jogou pesado com Edivaldo Jr. Não se pode negar que ela se mostrou acessível, recebeu o prefeito de São Luís e tentou fazer parceria com ele, mas é verdade também que as parcerias propostas pela então governadora foram do tipo “deixe que eu faço a obra e não se meta”. No caso da Saúde, que era o maior problema do prefeito de São Luís nos seus primeiros meses de gestão, a parceria proposta pela governadora previa que os Socorrões seriam assumidos pela Secretaria de Estado da Saúde – então sob o comando do deputado Ricardo Murad – para a qual a Prefeitura repassaria também os recursos da área. Ou seja, Roseana Sarney tentou impor a Edivaldo Jr. um “modelo” de parceria em que o Governo do Estado daria todas as cartas e o Governo Municipal seria um mero coadjuvante. E nesse jogo, os méritos do que fosse feito seriam da governadora, cabendo ao prefeito apenas agradecer. Aconselhado por seus aliados, a começar pelo então candidato a candidato a governador Flávio Dino, Edivaldo Jr. recuou e descartou qualquer acordo naquelas condições, e por isso passou baixo e comeu o pão que o diabo amassou. Apostou todas as suas fichas na eleição de Flávio Dino. Ganhou a salvação quando o aliado e apoiador chegou ao Palácio dos Leões dois anos depois. O desabafo de ontem estava entalado na garganta e foi feito na hora em que ele julgou a mais acertada.

 

Para a História: Sarney faz questão de registrar o seu constrangimento ao depor na Polícia Federal

José Sarney registra constrangimento para a História
José Sarney registra para a História constrangimento ao depor na PF

Mesmo em situações extremamente delicadas, o ex-presidente José Sarney (PMDB) consegue se colocar de maneira inteligente. Antes de iniciar formalmente o seu depoimento à Policia Federal, em Brasília, sobre a acusação de que teria agido para obstruir a Justiça, baseada em áudios de conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, José Sarney pediu à delegada Graziela Machado da Costa e Silva que registrasse o seu “constrangimento ao responder pela primeira vez inquérito em que é acusado de cometimento de crime que não cometeu”.

Não há dúvida de que o ex-presidente se sentiu constrangido ao sentar-se em frente a uma delegada da PF para responder a perguntas sobre um suposto crime por ele cometido. Quem o conhece sabe do quanto ele é cioso com sua trajetória sem máculas pessoais, para ele um legado que deixa para a História. E no caso, o registro do seu estado de ânimo ao depor casou com o desfecho da investigação: nada foi encontrado que justificasse a acusação de ter agido para obstruir a Justiça.

São Luís, 25 de Julho de 2017.

Sarney não será candidato, mas continua ativo na política, dá as cartas no grupo e joga pesado contra Flávio Dino

 

José Sarney e Flávio Dino: ataque ni jornal e contra-ataque nas redes sociais
José Sarney e Flávio Dino: ataque no jornal e reação nas redes sociais

Na semana passada, nota publicada na coluna política do jornal O Estado de S. Paulo especulou que o ex-presidente José Sarney (PMDB), hoje com 87 anos, teria decidido candidatar-se a senador pelo Amapá, onde diversas pesquisas sobre as tendências do eleitorado para as eleições do ano que vem o apontariam como nome preferido para uma das duas vagas a serem disputadas. A nota é uma tremenda “barrigada” jornalística e um factóide político. O ex-presidente já bateu martelo que não será candidato, mas tem avisado com estridência que não vestirá o pijama em relação à militância política e que continuará com o arquiteto-mor do seu grupo e permanecerá na linha de ataque aos seus adversários, especialmente o governador Flávio Dino (PCdoB), a quem não perde oportunidade de estocar de maneira provocativa. O ex-presidente da República continua muito ativo, embalado por saúde e lucidez invejáveis, que o mantêm no plao nacional como um dos mais consultados arautos da República.

Desde 2014, quando o seu grupo foi destroçado nas urnas e apeado do poder pelo movimento liderado por Flávio Dino, que se tornou governador na esteira de uma vitória retumbante sobre o candidato sarneysista, José Sarney não descuida de alimentar sua estratégia de provocá-lo e, por meio da provocação, tentar desequilibrá-lo. Vale-se de informações superficiais, periféricas para disparar petardos provocadores, sempre na crônica que publica na primeira página das edições de fim de semana de O Estado do Maranhão. No texto mais recente, o ex-presidente ataca duramente o governador desenhando um quadro quase dantesco do Maranhão, como sendo um pedaço do inferno onde só existe perseguição, caça às bruxas, medo, insegurança, desesperança, etc.. José Sarney diz que sempre teve adversários, mas nunca inimigos, e que foi governador e presidente e não há quem possa acusá-lo de ter perseguido adversários, que nunca usou os instrumento de poder para atingir alguém, e que nunca castigou adversário por ódio, inveja, ideologia ou simpatia. Fala que em outros tempos havia progresso no Maranhão. Na sequência, espalha a cizânia: “O governo comunista todos sabem que não suporta empresários nem empreendedores e a rodos quer asfixiar”. E encerra com uma estocada quase rasteira ao dizer que “contam que aqui só um negócio está prosperando: a fabricação de placas com os dizeres ´vende-se`  e ´aluga-se`”.

O ex-presidente atira sempre sabendo que o contra-ataque fulminante sempre o alcança na primeira hora pelas redes sociais, território que Flávio Dino domina com precisão e eficiência. Ao bombardeio mais recente, o governador respondeu na bucha pelo canhão virtual do twitter: “Claro que um oligarca não considera importante que em dois anos tenhamos construído mais escolas do que em décadas. Claro que um oligarca sente saudade do passado em que havia espaço para ele se tornar sócio de “investidores” em tenebrosas transações. Claro que um oligarca não aceita não poder mais usar helicópteros do Estado para passeios à sua ilha privada. Lamento que o oligarca não evolua e, diariamente, mobilize seu império midiático para deturpar, agredir, perseguir. E esconda a mão. A oligarquia já vive a ansiedade eleitoral. Batalha em que tentará reaver seus privilégios perdidos, suas fontes de riqueza e poder. Da minha parte,  que fiquem ansiosos. Meu foco é governar, fazer o bem, etc..”

José Sarney não será candidato ao Senado pelo Amapá por dois motivos. Primeiro para atender aos apelos da família, que não o quer mais envolvido numa desgastante disputa eleitoral, ainda que os ventos lhe sejam francamente favoráveis, como prenunciam as pesquisas realizadas naquele estado. E segundo porque ele próprio chegou a conclusão de que já chegou a hora de substituir as chuteiras pelos tênis. Isso não significa que ele deixará a política para se dedicar apenas à literatura – é grande a expectativa em relação ao livro de memórias que está escrevendo. Quando deixou o Senado, em 2015, imaginou que pudesse afastar-se do universo da política para se dedicar inteiramente aos seus projetos literários, participar com mais frequência das reuniões da Academia Brasileira de Letras, da qual é decano. Mas nada aconteceu como ele planejara. O terremoto político que derrubou a presidente Dilma Rousseff (PT), as bombas lançadas pela Operação Lava jato e a ameaça de tsunami que ronda o presidente Michel Temer (PMDB) o colocaram no centro nervoso das decisões, como conselheiro.  Seus adversários, principalmente o governador Flávio Dino, que se preparem, porque a velha raposa vai continuar na área e ativa por bom tempo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Alguns problemas e o projeto de ser deputada estadual tiraram Helena Duailibe da Saúde municipal

Mudança radical na Saúde: Helena Duaillibe e entra Lula Fylho
Mudança  na Saúde: Helena Duaillibe, entra Lula Fylho

O prefeito Edivaldo Jr. (PDT) mudou o comando da Secretaria Municipal de Saúde. Exonerou, a pedido, Helena Duailibe e nomeou para o cargo Lula Fylho, até então secretário municipal de Governo, que será substituído por Pablo Rebouças, que era adjunto da pasta. A mudança deu o que falar, mas, ao que tudo indica, não afetará a relação do vereador Afonso Manoel Ferreira com o Palácio de la Ravardière.

Por razões as mais diversas, a secretária teria esgotado seu cacife no comando da pasta, gerando com isso insatisfação no prefeito Edivaldo Jr., que tem pagado preço alto por conta da ineficácia na área. Houve rumores de que o ex-secretário estadual de Saúde, Ricardo Murad, primo de Helena Duailibe, estaria interferindo indiretamente na sua gestão por meio de emissários. Nada disso, porém, se sustentou ou foi usado como argumento para a mudança. Especulou-se também que a demissão de Helena Duailibe teria sido decidida a partir de uma “sugestão” do Palácio dos Leões, o que é improvável.

O motivo mais provável é que Helena Duailibe, que além de gestora pe conhecida por sua habilidade política, estivesse “politizando” as suas ações visando a possibilidade de se candidatar a uma cadeira na Assembleia Legislativa nas eleições do ano que vem. Isso teria irritado aliados do prefeito na Câmara Municipal que também estão de olho no parlamento estadual.  Mas isso também não tem consistência fática.

 

Episódios envolvendo oficiais têm colocado em xeque as regras disciplinares da Polícia Militar

símbolopmAlgo de muito estranho vem contaminando a elite da Polícia Militar do Maranhão que são os seus oficiais superiores, a começar pelos seus coronéis. Nos últimos anos, vez por outra noticia-se fatos e episódios protagonizados por oficiais de ponta da corporação cometem atos surpreendentes de indisciplina, que causa perplexidade atpe mesmo em membros daquela instituição policial.

Na greve ilegal que paralisou a PM em 2012, alguns coronéis quebraram a hierarquia e afrontaram a Constituição do Estado e se juntaram aos grevistas. Durante a campanha para a Prefeitura de São Luís, coronéis romperam com sua obrigatória isenção polpitica e formaram um grupo de apoio ao candidato Edivaldo Jr.. Na campanha para a Prefeitura de Imperatriz, um major se rebelou a uma ordem administrativa de transferência, gravou um vídeo em que xingava explicitamente o Governador do Estado, ganhou tintura de vitima e influenciou decisivamente o resultado da eleição. Na semana passada, um oficial superior quase agrediu verbalmente e quase espancou o procurador geral do Estado, em frente ao Palácio da Justiça, por conta de divergências n um processo de promoção. Além disso, são frequentes os registros na imprensa de oficiais PM de patente elevada se voltarem contra seus superiores.

A primeira impressão que alcança qualquer cidadão é a de que há um sério problema de disciplina, não observação das regras que norteiam a conduta dos policiais militares, a começar pela noção de hierarquia. E quando essa espinha disciplinar é comprometida por causa de desvios de conduta, fica evidente que algo de errado está minando a estabilidade dai instituição. A prisão disciplinar pode até ajudar, mas certamente não resolve o “x” do problema. É hora de uma tomada de posição do Governo no sentido até mesmo de rever as regras disciplinares da corporação.

São Luís, 24 de Julho de 2017.

Especial: livro resgata a “geração oito meia”, que transformou a UFMA e traçou parte do futuro do Maranhão na segunda metade dos anos 80

\capa do livro e imagem de um protesto da geração oito meia
Capa do livro e imagem de um protesto da geração oito meia, que dominou a cena na UFMA entre 1986 e 1990

O Maranhão é rico de história, mas, contraditoriamente, tem uma memória registrada muito pobre. São escassos os apanhados que resgatam momentos da trajetória dos maranhenses nos diferentes aspectos que envolvem essa caminhada. Uns documentam situações e episódios importantes, outros dão dimensão adequada, ainda que frágil, a personagens as mais diversos, produzindo rascunhos cuja utilidade maior é servir de ponto de partida para quem se dispuser a mergulhar e reconstruir a verdade à tona. Um caminho para se resgatar a memória e compreender o Maranhão de pouco tempo atrás e que gerou o Maranhão de agora e o que vem por aí foi aberto pelo jornalista Félix Alberto Lima nas surpreendentes, impactantes e comoventes 188 páginas de Maio oito meia, crônica de uma geração em movimento, um registro de momentos, movimentos, eventos, atitudes, posicionamentos e passos decisivos que transformaram o Campus do Bacanga, da Universidade Federal do Maranhão, a partir do Curso de Comunicação Social, num micromundo efervescente de ideias e ações políticas e culturais entre 1986 e 1990, onde uma geração viveu, livre e apaixonadamente, nas ondas da utopia, os primeiros momentos de democracia após uma ditadura que durou duas décadas. A política predominou no roteiro frenético e intenso, e no qual a arte, especialmente a poesia, e seus criadores, fizeram a sua parte. O desenrolar do processo com tintura revolucionária forjou a geração de líderes que hoje dá as cartas no Maranhão, que tem no governador Flávio Dino o exemplo mais expressivo na política, o cantor e compositor Zeca Baleiro na música e o próprio Félix Alberto e Wal Oliveira nas duas áreas básicas da comunicação de massa, o jornalismo e a publicidade.

Construído com os mais diversos recursos do jornalismo – crônica, reportagem, entrevista, memória, investigação, pesquisa, etc. –, Maio oito meia, crônica de uma geração em movimento conta, em 12 estridentes capítulos, a saga daquela geração de adolescentes que “atravessou a Barragem do Bacanga” atrás do sonho de obter conhecimentos , alcançar a  graduação e entrar no mercado de trabalho, mas que, impulsionada pelas ideias libertárias que trazidas da luta contra a ditadura e pelos fluídos remanescentes da Greve de 79 em São Luís, construiu ali um mundo à parte, a sua utopia e a sua realidade, com aguerridas barricadas, lembrando os “revolucionários do céu” da rica e miserável Paris de Vitor Hugo. Essa geração descobriu ali a força, a beleza, os problemas e as contradições da democracia, e debateu a fundo o sonho de delinear uma sociedade livre, democrática, solidária e sobretudo justa.

O livro de Félix Alberto Lima mostra, em cada crônica, que aqueles jovens, oriundos dos diversos níveis de uma pirâmide social absurdamente desigual, descobriram nas salas de aula, nas assembleias, nos embates, nas rodas de fumaça e nas de cerveja e cana pura na Área de Vivência e no Sá Viana, a noção possível de igualdade e as possibilidades de virar o jogo usando as bases da democracia. E o fizeram por meio do confronto verbal direto, das experiências jornalísticas antimercado, do assembleísmo terceiro-mundista, mas também dos recitais de poesia e dos festivais de música popular.

Com narrativa leve, linguagem direta e enriquecida por imagens precisas, recorrendo também a um humor sutil e inteligente, Félix Alberto Lima registra, por exemplo, que parte daquela geração começou a pensar já nos grêmios secundaristas que agitavam a escola pública e a privada nos estertores da ditadura. Começa relatando o impacto que a candidatura de Luiz Vila Nova (PT) à Prefeitura de São Luís em 1985 causou nos adolescentes, que enxergaram nela algo muito diferente do politico convencional, novidade trazida pelo nascimento do PT e da chegada da esquerda para atuar em território livre. Mas à frente, falando de si, mas traduzindo o sentimento da sua geração naquele 1986, escreve que fez da travessia do Bacanga “uma das mais venturosas e ricas experiências de vida”, porque logo descobriu que a UFMA era “terreno fértil de indignação e imaginação”. Surpreso, deparou-se com um ambiente onde “Qualquer um podia falar, pensar, jogar, amar, protestar… Pensar alto; falar o que desse na telha; jogar um a carta no final da tarde para depois amar ao relento depois de dar uma esticada no Sá Viana; e no outro dia matar a ressaca na passeata contra o mau humor do reitor”. Descobriu, enfim, que, ao contrário de lá fora, “Quase tudo era permitido. Bedel não tinha. Quase nada era proibido”. O mundo era maior ali do que em qualquer outro lugar.

Com precisão jornalística, Maio oito meia, crônica de uma geração em movimento resgata os diversos momentos e embates renhidos do movimento estudantil, fracionado em radicais e articuladas correntes da esquerda – ser de direita, ainda que democrática, era crime hediondo-, com eleições diversas, todas marcadas por campanhas agitadas, tensas e, por isso mesmo, memoráveis. Relata, como roteiro de um filme de ação, o dia em que estudantes, depois de uma verdadeira odisseia e sob pressão da Polícia Federal, então ainda vista como um braço mau da ditadura, exibiram o filme Je vous salue, Marie, do genial e provocador cineasta francês Jean-Luc Godard, que por pressão da Igreja Católica, estava cesurado e proibido Brasil pelo então presidente José Sarney (PMDB). Conta também como aquele momento foi influenciado pela Akademia dos Párias, um movimento poético que se contrapôs aos padrões conservadores usando ao extremo a liberdade de expressão artística e ultrapassando todos os limites impostos ao comportamento. Registra os festivais de música realizados pelas entidades estudantis, que não apenas marcaram o período no Campus da  UFMA, como repercutiram fortemente além dos seus muros, revelando grandes nomes da MPM, como Zeca Baleiro, Zé Pereira Godão, Luis Bulcão, Sérgio Brenha.Mano Borges, Celso Reis, Ronald Pinheiro,  Lourival Tavares e muitos outros. E conta a tensa relação dos militantes do Movimento Estudantil com o reitor José Maria Cabral Marques, e com a comunidade do Sá Viana, que se transformou no seu campo de experimento para as transformações libertárias.

Maio oito meia, crônica de uma geração em movimento abriga duas entrevistas que nada têm a ver uma com a outra, mas que traduzem com precisão a visão de mundo da geração que se moveu intensamente naquele período e a sua própria tradução por um dos seus gurus. A visão de mundo está nas palavras do lendário líder comunista Luis Carlos Prestes, que em passagem por São Luís incendiou os revolucionários da UFMA. A interpretação do movimento é feita pelo professor Agostinho Marques, até hoje reverenciado como ideólogo e guru da geração que sacudiu o micromundo chamado Campus do Bacanga. A última crônica livro  mostra que, na esteira das regras da democracia, das liberdades e da moldagem de um novo país, que nasceu com a Assembleia Nacional Constituinte de 1988 e das contradições cada vez mais evidentes das ideias politicas e culturais,  a “geração oito meia” saiu da cena universitária em 1990, abrindo caminho para uma nova,  menos barulhenta, mas com certeza respirando os mesmos sonhos e utopia.

Com o livro – que é complementado com um documentário que resgata aquele momento e um disco com o melhor das músicas que embalaram o período -, o jornalista, publicitário, escritor e poeta Félix Alberto Lima dá uma baita, saudável e oportuna contribuição para a construção da memória do Maranhão.

 

Personagens que ganharam peso, alimentaram seus sinhos e hoje dão as cartas no Maranhão

Flávio Dino
Destaques da “geração meia oito”: acima: Flávio Dino, Márcio Jerry, Jefferson Portela, Douglas Martins e Wal Oliveira, embaixo:Zeca Baleiro, Márlon Reis, Ademar Danilo, Fernando Abreu e Félix Alberto, o autor,

A “geração oito meia” é, – e provavelmente o será por muito tempo –  a que mais produziu líderes e personalidades com o poder de influenciar que saíram da militância estudantil diretamente para o patamar de cima da vida política e cultural do Maranhão. Sem diminuir ou desconhecer o papel de centenas que tiveram participação efetiva naquele movimento, a Coluna destaca alguns dos mais ativos daquele tempo e que hoje são referência:

Flávio Dino – Cursou Direito e foi um dos líderes destacados do Movimento Estudantil, tornou-se advogado e, por concurso, juiz federal. Em 2006, renunciou à carreira vitalícia na magistratura e ingressou na política, elegendo-se deputado federal e, depois de amargar derrotas eleitorais em 2008 para a Prefeitura e em 2010 para o Governo do Estado, elegeu-se governador do Maranhão em 2017, liderando um movimento que, guardadas as devidas proporções e as circunstâncias do momento, repetiu a grande virada política que o Maranhão deu com a eleição de Jose Sarney para o Governo do Estado em 1965. Líder incontestável da sua geração, Flávio Dino ganha espaço cada vez maior como um referência das esquerdas e até do centro no plano nacional. No momento, se prepara para disputar a reeleição.

Márcio Jerry – Um dos mais destacados líderes da “geração oito meia”, formou-se em Jornalismo, dedicando-se intensamente ao jornalismo oficial, de assessoramento, experiência que o tornou assessor destacado do político Flávio Dino, tornando-se o quadro mais atuante e influente do atual Governo. Militante político de tempo integral, Márcio Jerry nasceu partidariamente no PT, de onde migrou para o PCdoB, do qual é o atual presidente no Maranhão. Um dos chefes partidários mais importante do Maranhão atual, é candidato à Câmara Federal.

Jefferson Portela – Militante político aguerrido da “geração meia oito”, formou=se em Direito e prestou concurso publico e foi aprovado para o cargo de Delegado de Polícia. Foi líder classista e sempre atuou no PCdoB, ao qual é filiado. Foi secretário de Segurança Pública nos Governo Jackson Lago (PDT) e  no de Flávio Dino, no qual é titular da pasta de Homem da inteira confiança. É o atual secretário de Segurança Pública e, dizem nos bastidores, é candidato a deputado federal,

Douglas Martins: graduou-se em Direito e se tornou, por concurso publico, membro da fatura magistratura maranhense. Quando juiz em Araioses, mandou soltar presos por causa das más condições da cadeia público. Atualmente é titular da Vara de Assuntos Difusos, em cujo exercício tem tomado decisões de impacto na vida da cidade e do estado.

Wal Oliveira: Graduou-se em Jornalismo depois de ter sido uma da líderes mais atuantes da “geração oito meia” no Curso de Comunicação e do Movimento Estudantil na UFMA. Militou em vários jornais de São Luís e virou empresária bem sucedida no ramo de assessoramento na área de comunicação.

Zeca Baleiro: Atuou no Movimento Estudantil daquele período pela vertente da música, tendo sido um dos principais participantes e fomentadores dos festivais de música. Ganhou estatura como cantor e compositor, mudou-se para o eixo São Paulo-Rio de Janeiro, para se tornar um dos nomes mais importantes da MPB da sua geração, juntamente com o paraibano Chico César. Além da música, Zeca Baleiro estimula movimentos sociais de inclusão e se dedicam à militância política.

Márlon Reis – Graduou-se em Direito na UFMA e logo em seguida entrou para a magistratura estadual, tendo exercido uma forte militância política quando tentou, na condição de juiz, conscientizar eleitores contra a fraude eleitoral e a contra de votos. Sua cruzada anticorrupção eleitoral ganhou projeção nacional e internacional quando, juntamente com 0utrps´militantes, comandou o movimento de mobilização popular que resultou na provação da Lei da Ficha Limpa, da qual é um dos pais. Em 2015, Márlon Reis deixou a magistratura para se tornar assessor jurídico de Rede Sustentabilidade e um dos principais colaboradores da ex-senadora e líder do partido, Marina Lima. Estuda a possibilidade de ser candidato a senador em 2018.

Fernando Abreu – Um dos líderes do movimento Akademia dos Párias, mas engajado nas lutas estudantis pelo Curso de Comunicação, graduou-se em jornalismo e entrou para o Tribunal de Contas do Estado ao se tornar servidor por concurso público. É um dos poetas mais importantes do Maranhão na atualidade.

Ademar Danilo: Estudou Direito e foi um dos principais nomes do Movimento Estudantil da UFMA daquele período, militância que alternava com o exercício da poesia como um pária autêntico. Dono de sólida formação cultural, sem um dos primeiros a dar importância do reggae em São Luís, tendo sido também o 0rimeuro radialista a comandar um 0rograma de reggae na Capital, dando ao ritmo jamaicano uma dimensão que ele dificilmente ganharia sem esse pioneirismo do advogado que foi também vereador da Capital pelo PT.

Félix Alberto Lima – Jornalista com formação também economia, foi participante destacado na “geração oito meia”, foi bancário (Caixa Econômica Federal), praticou jornalismo e se tornou empresário da Clara Comunicação. Cronista de mão cheia, tem vários livros publicados, entre eles um amplo perfil do poeta José Chagas, incursionando também pela poesia. É um nomes mais bem sucedidos da sua geração como escritor e empresário da Comunicação.

 

Em Tempo: a Coluna será atualizada na Segunda-Feira, 24/07/2017.

São Luís, 20 de Julho de 2017.

Golpe duro: ao perder o controle do PSB em São Luís, Roberto Rocha deve sair do partido e pode amargar desgaste político

 

Roberto Rocha não tem lastro partidário firme
Roberto Rocha não tem lastro partidário firme

Saído das urnas de 2014 como um dos políticos mais bem sucedidos do Maranhão, e com o ânimo de quem brilharia no Senado da República para tornar-se a “terceira via” da política maranhense, com estatura para encarar uma disputa pelo Governo com o governador Flávio Dino (PCdoB) e com a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), o senador Roberto Rocha não decepcionou como parlamentar. Mas, por outro lado, vem perdendo terreno ao sofrer derrotas amargas e politicamente perigosas no campo partidário. No lance mais recente, ele perdeu o controle do PSB em São Luís, que foi entregue ao seu maior adversário doméstico, o deputado estadual Bira do Pindaré. A decisão da direção foi uma reação à aproximação cada vez maior do senador Roberto Rocha do presidente Michel Temer (PMDB), contrariando a orientação do comando socialista de que os parlamentares do PSB devem fazer oposição cerrada ao Governo e ao chefe da Nação.

Na verdade, o ato da direção socialista de trocar o comando do PSB em São Luís é o desfecho de uma longa peleja iniciada na década passada, quando Roberto Rocha deixou o PSDB – do qual chegou a ser presidente estadual – e ingressou no partido, coincidindo com a chegada ao terreiro socialista ludovicense do ex-governador João Reinaldo, que deixara o PTB. Roberto Rocha não perdeu tempo e assumiu o controle do partido, onde desembarcaria tempos depois Bira do Pindaré, que rompera com o PT por não aceitar a aliança do partido com o PMDB do Grupo Sarney no Maranhão. Sua permanência no PSB foi tranquila até as eleições de 2010, quando traumatizou sua relação com o ex-governador por causa da disputa para o Senado – até hoje José Reinaldo afirma que Roberto Rocha tirou-lhe a eleição de senador ao se lançar candidato. O racha no PSB continuou, com José Reinaldo dando as cartas no Diretório estadual e Roberto Roca controlando com mão de ferro o Diretório de São Luís.

A decisão do comando nacional tirando-lhe o controle do Diretório de São Luís e entregando-o ao deputado Bira do Pindaré sentencia que o senador perdeu não somente foi apeado do poder no partido, e funcionou também como um “convite” para que ele deixe a legenda. A derrota de Roberto Rocha dentro do PSB não pode ser interpretada como uma vitória de José Reinaldo, que também deve oficializar a qualquer hora sua migração ara o DEM.

A verdade é que com a decisão da cúpula do PSB o senador Roberto Rocha dificilmente permanecerá no partido mais que o tempo suficiente para encontrar outro pouso partidário. O partido refundado pelo célebre líder pernambucano Miguel Arraes fechou questão e vai trilhar uma linha ideológica de esquerda. Roberto Rocha é um político que ideologicamente chega no máximo ao centro, não tendo, portanto, nenhuma identificação com a esquerda. Ele poderá desembarcar de volta ao PSDB, do qual já foi presidente no Maranhão. O problema é que a sua condição de senador e a sua maneira de atuar dificilmente o farão aceitar ingressar num partido sem ter o seu controle no Maranhão. Para voltar ao PSDB como chefe do tucanato no estado, Roberto Rocha precisaria destituir o vice-governador Carlos Brandão do comando tucano, o que não será nada fácil, embora não seja impossível. Vai depender do cenário politico nacional a ser construído a partir de agosto, quando a situação do presidente Michel Temer (PMDB) for definida pela Câmara Federal.

O virtual rompimento com o PSB não será uma tragédia para o senador Roberto Rocha, pois é apenas o fim de um casamento sem amor e que  nunca deu certo. Vai permitir que o parlamentar procure  um pouso partidário com o qual tenha afinidade ideológica e identificação programática. Encaixar-se-ia com facilidade no PMDB, que pode ser identificado como um partido de centro, e mais ainda no DEM, que foi definido, com honestidade política, pelo presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, como um “projeto de centro-direita”. O problema é que se escolher o DEM, terá se entender o deputado federal Juscelino Filho, hoje detentor da confiança da direção partidária, e seu tio, o deputado estadual Stênio Rezende – dois políticos forjados na arte da sobrevivência. E se a escolha for o PMDB, Roberto Rocha pode até se tornar um cardeal no partido, desde que reze no missal do Grupo Sarney – situação à qual ele só se submeteria como candidato a governador com o apoio total e irrestrito do grupo.

Em resumo: o senador Roberto Rocha tem um baita problema para resolver, mas com a vantagem de que um mandato senatorial tem peso de ouro na balança que mede o cacife de um político jovem e de futuro como ele.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Cúpula socialista acerta em cheio ao entregar PSB de São Luís para Bira do Pindaré

Bira do Pindaré agora no comando do PSB em São Luís
Bira do Pindaré agora no comando do PSB em SL

Se foi traumática para o senador Roberto Rocha, a entrega do comando do PSB em São Luís para o deputado Bira do Pindaré foi um tiro certeiro do partido no Maranhão. Forjado no rico aprendizado desafios do movimento estudantil, nas renhidas lutas sindicais e na militância que construiu o PT no estado, Bira do Pindaré é uma autêntica referencia da esquerda no cenário político. E com um lastro eleitoral invejável, que além dos dois mandatos de deputado estadual, inclui uma memorável candidatura ao Senado em 2006, quando conseguiu a proeza de bater  ninguém menos que os ex-governadores João Castelo e Epitácio Cafeteira em São Luís. Carreira bem sucedida de Bira do Pindaré tem sido pautada pela coerência ideológica e política. É um quadro autêntico e bem resolvido da chamada esquerda democrática, e sempre militou na Oposição ao Grupo Sarney, não lhe fazendo qualquer concessão – tanto que deixou uma posição de liderança destacada no PT, que ajudou a consolidar no estado, por não concordar com a aliança com o PMDB no Maranhão, migrando para o PSB. Enfrentou no novo partido duros embates com o senador Roberto Rocha e com fragmentos ainda influenciados por uma breve e incompreensível passagem do ex-deputado Ricardo Murad pelo partido. Identificado cm a linha do partido, Bira do Pindaré resistiu a muitas as intempéries no partido, chegando em alguns momentos preparado as malas para migrar para outras legendas, mas pensou melhor e decidiu permanecer, convencido de que cedo ou tarde a cúpula do partido cairia na real e lhe entregar o partido em São Luís, construindo assim a unidade que faltava ao PSB, cujo potencial agora poderá fluir sob a orientação do prefeito de Timon, Luciano leitoa, um quatro inteiramente afinado com a linha partidária. Com a saída do deputado federal José Reinaldo, o PSB recuperará a identidade que ganhou quando foi fundado no Maranhão no início dos anos 80 do século passado por um grupo de idealistas, entre eles Guilherme Freire, Valdelino Cécio, Rossini Corrêa e Ribamar Corrêa.

Em Tempo: A Comissão Provisória do PSB de São Luís nomeada pela Direção Nacional tem a seguinte composição:  Bira do Pindaré (presidente), Conceição Marques (vice-presidente), Ângelo Francisco Freitas (secretário geral), Fabrizio Henrique Goulart do Couto Correa (primeiro-secretário), Nelson Brito Martins (secretário de Finanças), Carlos André Lobato Mendes (secretário de Mobilização) e Renata Teixeira Pearce Sousa (secretária de Comunicação).

 

José Reinaldo deve oficializar saída do PSB e ingresso no DEM, onde está sua origem política

José Reinaldo: voltando ao DEM, sua origem paertidária
José Reinaldo: voltando ao DEM, sua origem partidária

O ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares deve confirmar oficialmente, nas próximas horas, a sua saída dos quadros do PSB para empreender uma viagem de volta às origens ingressando no DEM, onde nasceu político quando a agremiação ainda se chamava PDS. Se for efetivamente confirmada, a saída do ex-governador do PSD encerrará uma relação nada harmônica. Político ideologicamente de centro-direita, José Reinaldo Tavares jamais nutriu maiores amores pela esquerda, embira a sua formação liberal e democrática lhe permita conviver sem maiores problemas com a seara esquerdista, a ponto de permanecer vários anos filiado ao PSB, a ponto de ter sido mola-mestra da candidatura de Jackson Lago em 2016 e um dos esteios da candidatura de Flávio Dino em 2014. No DEM, José Reinaldo se reencontrará com as suas origens partidárias e retomará a convivência com lideranças com as quais tem afinidade, como o presidente nacional da agremiação, o senador capixaba José Agripino Maia, e o atual líder maior do partido, o presidente da Câmara Federal, o fluminense Rodrigo Maia.

São Luís, 19 de Julho de 2017.

Polêmica sobre pedido de quebra de sigilo bancário de Nelma Sarney evidencia guerra pelo comando do Judiciário

 

Nelma Sarney: no centro da disputa pelo comando do Judiciário
Controvérsias: Nelma Sarney está no centro da disputa pelo comando do  Poder Judiciário

As duas últimas semanas foram marcadas por uma agitação forte nos bastidores do Tribunal de Justiça, com repercussão visível no meio político, por causa da decisão do Ministério Público de pedir a quebra do sigilo bancário da desembargadora Nelma Sarney, negada pelo juiz Clésio Cunha, titular da 3ª Vara Criminal. O pedido e a negação causaram um certo frisson, como se a iniciativa do MP fosse um absurdo e a posição do Judiciário uma espécie de reação paladina para salvar a honra da magistratura. Nem uma coisa nem outra. A repercussão se explica pelo fato de que daqui a quatro meses o Poder Judiciário, por meio do Colégio de Desembargadores, elegerá os novos presidente, vice-presidente e corregedor geral da Justiça, sendo a desembargadora Nelma Sarney um dos membros do colegiado com o direito de ser candidata a presidente, queiram ou não seus eventuais adversários.

Não precisa ir muito longe para constatar que a surpreendente repercussão do quebra-não quebra em torno do sigilo bancário da desembargadora Nelma Sarney está diretamente relacionada com a corrida sucessória no Tribunal de Justiça. Em qualquer roda que reúna advogados, magistrados, jornalistas e servidores graduados da Justiça, o caso acaba sendo abordado, ganhando as versões mais diversas, algumas estapafúrdias, seja por desinformação, seja pura e simples tomada de posição contra ou a favor, dependendo das preferências na disputa para o comando do Poder Judiciário, para o qual estão habilitados os desembargadores Nelma Sarney, Marcelo Carvalho e José Joaquim  Figueiredo dos Anjos, exatamente por serem os mais antigos membros da Corte que ainda não a presidiram.

O disse-me disse em torno da desembargadora Nelma Sarney se dá pela via do chamado “Caso Bradesco”, um esquema de manipulação criminosa de dinheiro alheio por uma funcionária do Banco. O esquema foi descoberto ainda na década passada, em uma agência do Bradesco em São Luís, e funcionava mais ou menos assim: embalada pela confiança que tinha dos seus clientes com costas e endinheirados, a bancária Raimunda Célia Abreu sacava dessas contas expressivas quantias e as jogava no mercado negro da agiotagem. Um desses correntistas era a desembargadora Nelma Sarney que, até prova em contrário, seria vítima da bandidagem da funcionária do banco. Outra conta alcançada pelo esquema foi a da Câmara Municipal de São Luís, então sob a responsabilidade do presidente, vereador Isaías Pereirinha e, junto com ele, o atual presidente, vereador Astro de Ogum.  Após anos de investigação, o caso permanece em aberto. E foi no prosseguimento da investigação que o MP pediu a quebra do sigilo bancário de Nelma Sarney.

O pedido do MP, feito pela promotora Lize de Maria Brandão Costa, que responde pela 6ª Promotoria de Justiça Criminal, e negação do mesmo  pelo titular da 3ª Vara Criminal foram fatos absolutamente normais num processo judicial. Foi pedida a quebra do sigilo bancário da cidadã Nelma Sarney, e não da desembargadora Nelma Sarney. Além de cidadã, ela é uma servidora pública como qualquer outra,  subordinada, portanto, às regras que alcançam a todos os cidadãos, e o fato de pertencer à magistratura de segundo grau não lhe assegura qualquer direito diferenciado, como, por exemplo, o de não ter seu sigilo bancário quebrado por ordem judicial. Se o juiz não autorizou foi porque não encontrou uma justificativa que o convencesse da necessidade da medida, mas nunca pelo fato de tratar-se de uma desembargadora. Daí ser difícil de entender a reação indignada do comando da OAB em solidariedade à magistrada Nelma Sarney em face do pedido do MP, iniciativa estranha que ensejou uma resposta da Associação do Ministério Público (AMPEM). A instituição guardiã do direito e a entidade classista deram ao caso uma dimensão que ele não deveria ter. Tanto que cobraram um posicionamento do comando do Tribunal de Justiça, que prudentemente não caiu na cilada de envolver a instituição nos assuntos pessoais de um dos seus integrantes.

Mas se a iniciativa do MP estiver relacionada com algum movimento contrário à ascensão de Nelma Sarney ao comando do Poder Judiciário, quem estiver por trás pode ir tirando o cavalo da chuva, porque a desembargadora só não será candidata a presidente se não quiser, e até agora todas as evidências são as de que ele quer. Isso porque, vale repetir, Nelma Sarney e seus colegas Marcelo Carvalho e José Joaquim Figueiredo dos Anjos são os três aptos. Como ela já foi corregedora, só lhe resta à presidência da Corte e do Poder. Se os 26 eleitores do Tribunal Pleno vão elegê-la presidente, essa é outra história, que se só se saberá ao final da primeira sessão do mês de outubro, quando a Corte elegerá o futuro presidente do Poder Judiciário.

Quanto ao “Caso Bradesco”, o MP vai continuar investigando.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Migração do PSB para DEM ou PMDB pode deixar José Reinaldo em situação delicada

José Reinado pode migrar para o DEM ou PMDB
José Reinado pode migrar para o DEM ou PMDB

O jogo de engorda partidária iniciado nesta semana em Brasília com a possibilidade de 10 deputados do PSB migrarem para o DEM ou para o PMDB coloca o deputado federal José Reinaldo Tavares numa situação extremamente delicada. Se ele migrar para o PMDB, entrará em confronto aberto com o governador Flávio Dino (PCdoB), de quem a legenda pemedebista é o maior adversário. Não dá para imaginar, por exemplo, o ex-governador fazendo campanha para a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) contra o governador na corrida para o Governo. Mesmo levando em conta o fato de que o DEM do Maranhão está na base de apoio do governador Flávio Dino, é fácil prever que se o presidente Michel Temer sobreviver ou o comando do País cair nas mãos do presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), José Reinaldo ficará numa posição constrangedora na corrida eleitoral, devendo enfrentar muitas dificuldades para viabilizar o seu projeto de candidatar-se ao Senado da República.

 

Comissão de Representação tomará decisões na Assembleia Legislativa durante o recesso parlamentar

Comissão: Rogério Cafeteira, Marco Aurélio, Bira do Pindaré, Fábio braga, Eduardo Braide e Sérgio Frota
Comissão de representação que atuará durante o recesso: Rogério Cafeteira, Marco Aurélio, Bira do Pindaré, Fábio braga, Eduardo Braide e Sérgio Frota

O recesso parlamentar da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão começou segunda-feira (18) e termina no dia 31. Os deputados retornarão ao batente no dia 1º de agosto. Durante esse período, as decisões legislativas e administrativas de emergência serão tomadas pela Comissão de Representação nomeada pelo presidente Humberto Coutinho (PDT) a partir da indicação dos blocos e partidos com o aval da Mesa Diretora. Os integrantes da Comissão de Representação são os deputados Rogério Cafeteira (PSB), Fábio Braga (SD), Bira do Pindaré (PSB), Professor Marco Aurélio (PCdoB), Eduardo Braide (PMN), Roberto Costa (PMDB) e Sérgio Frota (PSDB).

A Comissão de Representação tem a prerrogativa de resolver  questões  inadiáveis surgidas durante o recesso parlamentar, apreciar e votar pedidos de licença que derem entrada durante o recesso e atender ao que dispõe os incisos II e III do parágrafo 2º, do artigo 32 da Constituição  do Estado do Maranhão: realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil (II) e  receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa contra atos das autoridades públicas (III).

De acordo com as regras do Regimento Interno do Poder Legislativo, a Comissão de Representação deve tomar todas as suas decisões de maneira consensual, não podendo qualquer dos seus membros decidir sobre qualquer assunto de maneira isolada. Deve c=atuar como um colegiado.

São Luís, 18 de Julho de 2017.

Montagem de chapas para o Senado também sofrerá reflexos da situação de Lula e Temer

 

Sarney Filho
Sarney Filho, João Alberto, Edison Lobão e Lobão Filho são os nomes do Grupo Sarney ligados a Michel temer; Liderados por Flávio Dino,  Weverton Rocha, Waldir Maranhão são Lula, já José Reinaldo e Eliziane Gama estão mais para o presidente Michel Temer

Assim como influenciará fortemente a corrida para o Palácio dos Leões, o desfecho das duas vertentes da crise política nacional repercutirá com a mesma intensidade na disputa pelas duas vagas no Senado. Os candidatos do Grupo Sarney, que ainda não estão definidos – só o deputado federal Sarney Filho (PV), atual ministro do Meio Ambiente, se apresentou até agora – não brigam entre si e jogam todas as fichas na sobrevivência política do presidente Michel Temer (PMDB) ou, no caso da sua queda, na ascensão do presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Por seu turno, os nomes ligados ao movimento liderado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) – só o deputado Weverton Rocha (PDT) está confirmado – estão em guerra aberta e divergem e divergem em relação ao futuro do ex-presidente Lula da Silva (PT), querendo alguns que ele lidere uma grande reação das esquerdas pela via eleitoral em 2018, e outros que o líder petista acabe na cadeia. Um terceiro grupo – Gastão Vieira (PROS), Eliziane Gama (PPS) e Márlon Reis (Rede) vai tentar se equilibrar entre os dois resultados.

No Grupo Sarney, os senadores João Alberto (PMDB) e Edison Lobão torcem pela sobrevivência do presidente Michel Temer para definir os seus futuros. João Alberto tem seu projeto diretamente ligado ao da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), que por sua vez depende do suporte político de Michel Temer para “amarrar” o seu projeto eleitoral. João Alberto tem como plano A ser candidato à reeleição, mas guarda no bolso do paletó um plano B, que é ser vice-governador numa “chapa pura” com Roseana Sarney na cabeça, e um plano C: deixar a senatória de lado e entrar diretamente na briga pelo Governo do Estado, no caso da ex-governadora arquivar seu projeto de candidatura. Bem dispostos aos 81 anos, João Alberto tem dito a interlocutores que está pronto para fazer o que for melhor pelo grupo. Já o senador Edison Lobão permanece alimentando dois planos. O plano A é brigar pela reeleição. O plano B é abrir mão da candidatura senatorial em favor do atual suplente de senador Lobão Filho e fechar a se aposentar na Câmara Federal, onde começou nas eleições de 1978. Os dois planos são mais viáveis se o  presidente da República escapar da degola.

O que chama atenção nessa esfera do Grupo Sarney é que não há disputa e as candidaturas serão definidas num grande consenso.

Gastão Vieira não depende vai por fora, já Márlon Reis é Marina Silva
Gastão Vieira não depende vai por fora, já Márlon Reis é Marina Silva

A briga pelas vagas no Senado no movimento liderado pelo governador Flávio Dino vem até aqui marcada pela indefinição decorrente de uma disputa tensa por candidaturas abençoadas pelo Palácio dos Leões. No páreo estão os deputados federais Weverton Rocha, que parece consolidado, e Waldir Maranhão (PP), ambos partidários do ex-presidente Lula da Silva, e os deputados federais José Reinaldo Tavares (ainda PSB, mas a caminho do DEM) e Eliziane Gama (PPS), ambos hoje ais próximos de Michel Temer. O governador Flávio Dino até aqui tem sido cauteloso ao se manifestar sobre esse tema, mas tem sinalizado alguma simpatia por uma chapa Weverton-Waldir ou por uma Weverton-Eliziane, mas pode também montar duas chapas, sendo uma com Weverton-Waldir, totalmente afinada com a provável candidatura de Lula da Silva, e outra com José Reinaldo-Eliziane, ambos mais inclinados ao campo onde atua o presidente da República.

O terceiro grupo é disperso, não havendo qualquer afinidade política e partidária entre os nomes que o compõem, não havendo também qualquer possibilidade de formação de chapa. Pelas informações estatísticas sobre as tendências do eleitorado, o deputado federal Gastão Vieira se move para uma corrida solitária, com um pé no campo de Lula da Sila e outro no de Michel Temer, podendo também tentar fazer o caminho de volta à Câmara Federal. O mesmo deve acontecer se o ex-juiz Márlon Reis deixar a assessoria jurídica do projeto presidencial de Marina Silva (Rede) para brigar por uma cadeira no Senado, o que até aqui parece improvável.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Reportagem da Record confirma denúncia de Hildo Rocha de que a Globo quer derrubar Temer

Hildo Rocha: denúncia forte contra a Rede Globo
Hildo Rocha quando denunciou a Globo

Não foi um factóide, como muitos chegaram a definir, a denúncia feita pelo deputado federal Hildo Rocha (PMDB) de que a Rede Globo estaria por trás de um grande esquema para derrubar o presidente Michel Temer. O discurso de Hildo Rocha na Comissão de Constituição e Justiça atacando duramente o relatório do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) contra o presidente da República. Reforçado no dia da votação por vários deputados em entrevistas e declarações na CCJ, a denúncia de envolvimento da Rede Globo num esquema para derrubar o presidente da República, foi ratificada no programa “Domingo Espetacular”, da Rede Record, com a exibição de uma reportagem que apontou os chefes da família Marinho – Roberto Irineu, que comanda a Rede Globo, João Roberto, chefe do jornal O Globo, e José Roberto, chefe da Fundação Roberto Marinho – ligados a um suposto esquema criminoso. A reportagem denunciou os Marinho envolvidos, por meio de suas esposas, parentes e laranjas, numa trama de lavagem de dinheiro e remessas milionárias para o exterior por meio de empresas de fachada. Pelo que foi mostrado – nome das empresas fantasmas, endereços fajutos, laranjas e outros dados que consolidam a informação -, os Marinhos foram contrariados pelo presidente Michel Temer e estão dispostos a usar de todo o poder do grupo para derrubá-lo. Mesmo subtraindo os traços do ranço da Rede do bispo Edir Macedo em relação à Globo, a reportagem exibida na noite de domingo dá indiscutível consistência ao discurso do deputado Hildo Rocha.

Notas na Folha confirmam esquema de pressão da Globo sobre deputados

Duas notas da coluna de Mônica Bergamo na edição de ontem do jornal Folha de S. Paulo reforça a denúncia feita pelo deputado Hildo Rocha de que a Rede Globo quer mesmo derrubar o presidente Michel Temer por meio da intimidação de deputados. Veja a íntegra dos dois registros:

A TV Globo transmitirá ao vivo toda a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados, marcada para o dia 2 de agosto. Mesmo que seja em horário nobre, interrompendo novelas, jogos e séries.

NOME E SOBRENOME
A emissora abrirá a transmissão a partir do primeiro parlamentar a votar, e manterá a narração ao vivo até o último deputado declarar sua posição no microfone.

São Luís, 17 de Julho de 2017.

Sobrevida de Temer faz Roseana se movimentar; condenação de Lula estimula Dino a agilizar Governo e ações políticas

 

Roseana Sarney depende de Michel Temer, Flávio Dino quer Lula lá
Roseana Sarney depende da sobrevivência de Michel Temer, Flávio Dino quer Lula lá

A guerra está longe de chegar ao fim, as batalhas a serem ainda travadas estão a caminho e o desfecho da opereta protagonizada pelo presidente Michel Temer (PMDB) é, portanto, rigorosamente imprevisível. A vitória – forjada, armada, comprada, seja lá o adjetivo que quiserem usar – do presidente da República na Comissão de Constituição e Justiça e os sintomas de que aquele resultado será repetido no plenário da Câmara Federal foram visivelmente comemorados pelos aliados do presidente, principalmente no Maranhão, que do clima de desânimo registrado na semana anterior passaram a enxergar uma luz no fim do túnel e a fazer planos para as eleições do ano que vem. Até pouco tem cautelosamente recolhida, só se manifestando e mandando recados por intermédio de aliados de proa e em situações excepcionais, a ex-governadora Roseana Sarney começa a sair da condição de produtora de suspense político para começar a desenhar política e abertamente o seu projeto político-eleitoral cujo objetivo é voltar ao Palácio dos Leões em 2018. Por outro lado, esse cenário em evolução acendeu um sinal de alerta para os opositores do presidente Michel Temer, que no Maranhão são liderados pelo governador Flávio Dino (PCdoB), que já tem montado o seu projeto de reeleição.

Com movimentos ainda tímidos, a ex-governadora do Maranhão tem dado prosseguimento a uma ampla consulta à classe política, recebendo, às terças e quintas-feiras, nas instalações do Sistema Mirante, líderes de partidos e de grupos para conversar. Roseana Sarney não deu até agora certeza de que será candidata ao Governo no ano que vem, mas é cada vez maior o número de aliados dela que manifestam essa convicção. Antenada e muito envolvida com o que acontece em Brasília, ela trabalha com a possibilidade de Michel Temer ser livrado do risco de ser mandado para casa, pois sabe que sem o aval do Palácio do Planalto e da cúpula do PMDB uma eventual candidatura poderá até decolar, mas terá voo breve. Trabalha também com a hipótese de que a presidência da República caia nas mãos do presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), de quem é amiga e interlocutora política.

Política tarimbada, que já viveu as mais diferentes situações partidárias e eleitorais, Roseana Sarney sabe que, para ser candidata com alguma chance de se dar bem precisa, além do suporte planaltino e pemedebista, afastar alguns obstáculos já mostrados, que vale a pena serem lembrados por seu poder de influência na definição do projeto: a expressiva rejeição, os vários fantasmas judiciais que rondam os Governos que comandou, principalmente o último. Além disso, precisa recompor o grande grupo, pulverizado nas urnas em 2014. Não é sem razão, portanto, que a ex-governadora mergulha em consultas, pois sabe que as informações que está recolhendo são preciosas e a ajudarão a tomar um rumo. Até lá, estará na linha de frente da tropa de choque do presidente Michel Temer, tentando estancar a sangria presidencial para viabilizar a sua candidatura, que é tida como certa por alguns, como o senador João Alberto (PMDB), por exemplo, mas que também é apontada como inexistente pela ex-prefeita de Lago da Pedra e pré-candidata “irreversível” ao Palácio dos Leões, Maura Jorge (Podemos).

No contrapeso, o governador Flávio Dino se movimenta rumo à reeleição usando todos os recursos ao seu alcance, inclusive os políticos. Ao contrário de sua eventual adversária, ele só precisa manter e trabalhar para ampliar o seu horizonte eleitoral num contexto em que terá de enfrentar o poder de fogo do Palácio do Planalto, situação que já viveu em 2014, quando enfrentou o posicionamento da presidente Dilma Rousseff (PT) e do ex-presidente Lula da Silva (PT) que apoiaram abertamente a candidatura do seu adversário, Lobão Filho (PMDB). Agora, Flávio Dino é um político muitas vezes mais robusto e sólido tem o apoio declarado e determinado dos dois, mesmo sem saber como eles participarão das eleições do ano que vem.

Afirmando que ainda não está “fazendo política” visando às urnas, o governador vem atropelando a crise e acelerando os principais programas do seu Governo, que controla com mão firme para manter em elevado nível de eficiência e em respeitável padrão ético. Aposta alto no resultado dessas ações para consolidar o seu projeto de poder, que passa pela sua reeleição, pela eleição de uma base parlamentar sólida e de uma bancada federal forte, e pela volta da esquerda ao poder central, de preferência com a eleição do ex-presidente Lula da Silva.

É fato, portanto, que o desfecho dos problemas que tiram o sono do presidente Michel Temer e dos que atormentam o ex-presidente Lula da Silva terão reflexos importantes nos movimentos de Roseana Sarney e Flávio Dino na construção para a corrida eleitoral de 2018,

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sarney Filho tergiversa e deixa vácuos na entrevista que concedeu ao jornal O Estado do Maranhão

Sarney Filho: candidatura decidida
Sarney Filho: entrevista sem muito sentido

Curiosa a entrevista do ministro Sarney Filho (PV) publicada na edição de fim de semana de O Estado do Maranhão. Um dos mais antigos e ativos membros do Congresso Nacional e integrando a equipe ministerial do presidente Michel Temer por força de relações políticas – ganhou o Ministério do Meio Ambiente na cota do PV e com uma forcinha do ex-presidente José Sarney (PMDB) -, Sarney Filho respondeu a 14 perguntas, sendo 12 dedicadas às suas atividades ministeriais e apenas duas com enfoque político furta-cor. Foi evasivo e dispersivo quando falou da sua candidatura ao Senado, justificando-a apenas como uma “necessidade de alavancar o desenvolvimento do Maranhão”. E quando falou da sua condição de ministro em tempo de crise aguda no País, ele correu para a tangente, fez malabarismo verbal e não referiu uma só vez à situação política do Governo nem citou o presidente Michel Temer. Uma entrevista de página inteira muito estranha, se levado em conta o contexto em que ela foi concedida e publicada. Com o País politicamente incendiado, com o Governo a que pertence equilibrando-se numa verdadeira corda bamba, vivendo um dia sem saber o que acontecerá no dia seguinte, o ministro ignorou tergiversou sobre temas importantes, é verdade, mas muito distantes da realidade que deveria ser abordada. A explicação para sua candidatura ao Senado, que todos reconhecem importante para cenário político do Maranhão, foi simplória, quando deveria ser densa e convincente. E a sua posição em relação no contexto do País foi pura perfumaria. Com a trajetória política que construiu em uma dezena de mandatos de debutado federal e as posições que assumiu nesse período – a começar pela defesa das Diretas Já, contrariando a orientação do pai – ministro Sarney Filho bem que poderia ter aproveitado o espaço no jornal da sua família para mostrar aos leitores e á sociedade como um todo posições que desse a medida do seu tamanho político.

 

João Alberto pode ter cometido erro primário ao aceitar Representação contra senadoras que protestaram no Senado

João Alberto reeleito pela sexta vez presidente do Conselho de Ética
João Alberto: erro político ao aceitar denúncia contra senadoras

Conhecido pelo seu senso de equilíbrio como presidente do Conselho de É tica do Senado, o senador João Alberto (PMDB) pode ter cometido um erro primário ao aceitar a Representação assinada por 14 senadores pedindo punição para as seis senadoras – Gleise Hoffman (PT-PR), Fátima Bezerra (PT-RN), Ângela Portela (PT-PI), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lídice da Mata (PSB) e Regina Sousa (PDT-RR) – por quebra de decoro parlamentar no protesto que fizeram no plenário da Casa contra a Reforma Trabalhista. Elas ocuparam a Mesa do Senado por mais de sete horas, impedindo que o presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE) abrisse a sessão na qual seria votado o projeto que modifica profundamente as relações entre o capital e o trabalho no Brasil. Qualquer avaliação cuidadosa certamente concluirá que o protesto das senadoras foi um ato ligth, decente e realizado de maneira digna e civilizada, não causando danos materiais, e realizado sem palavras, gestos ou atitudes que ofendessem a dignidade dos senadores e da instituição que representam. As cinco senadoras podem até ter causado alguma inconveniência regimental, mas nada que se compare à truculência da presidência de desligar o som e em seguida a energia elétrica. O maior problema é que aquelas cinco senadoras, que representam milhões e milhões de eleitores, detêm um nível de competência política e parlamentar que facilmente abafa o dos 14 senadores que assinaram a Representação, entre eles a “sumidade” parlamentar e legislativa Romário. Membro da elite do Senado, o presidente do Conselho de Ética chutou bola fora ao aceitar a reclamação dos “ofendidos”. Tanto que nada menos que 21 senadores protocolaram no Conselho de Ética um documento pedindo o puro e simples arquivamento da Representação dos “ofendidos”, por total falta de sentido.

São Luís, 16 de Julho de 2017.