Todos os posts de Ribarmar Correa

Projeto da ZPE lembra grandes projetos eleitoreiros que frustraram o Maranhão nas últimas décadas

 

Um imenso "deserto" foi o que restou do projeto da refinaria que judaria o Maranhão
Um imenso “deserto” foi o que restou do projeto da refinaria que judaria o Maranhão

 

Na semana passada, o mundo o Maranhão foi alcançado pela notícia de que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, presidida pelo senador Edison Lobão (MDB), aprovara projeto de lei de autoria do senador Roberto Rocha (PSDB) criando uma Zona de Processamento e Exportação (ZPE) para ser instalada na região metropolitana de São Luís. Uma notícia excelente e alvissareira, principalmente se levado em conta o fato de que o Brasil enfrenta uma crise econômica sufocante, que resultou na eliminação de 13 milhões de postos de trabalho, penalizando todas as regiões, todos os estados, entre eles, claro, o Maranhão. A passagem do projeto pela CCJ foi meio caminho andado, faltando agora o aval Comissão de Assuntos Econômicos, para que desembarque no plenário da Câmara Alta para ser finalmente submetido ao crivo da totalidade dos senadores. Se o projeto for bem negociado e acabar caindo na simpatia dos líderes da Casa, pode ser que sua aprovação se dê no segundo semestre, podendo até mesmo ser sancionado pelo presidente Michel Temer (MDB).

O projeto inicial de Roberto Rocha era para criar uma Zona Franca, mas o relator Edison Lobão o convenceu de uma ZPE é menos complexa e se adequaria mais ao Maranhão. Assim, a já batizada “Zema” se vingar será uma área industrial isolada, na qual as indústrias receberão isenção fiscal e o que vierem a produzir será destinado exclusivamente ao mercado internacional, não podendo ser colocado no mercado brasileiro. O básico do projeto é a geração de emprego, sendo que as indústrias que se instalarem utilizarão mão-de-obra qualificada, o que exigirá do Poder Público investimentos expressivos na formação adequada de trabalhadores. Além disso, algumas questões, como a ambiental, por exemplo, deverão pesar nas discussões, de modo que um projeto dessa envergadura, se nada vier a travá-lo, levará pelo menos meia década para sair do papel. E o bom senso recomenda, claro, que se dê ao autor da proposição um necessário crédito de confiança.

O grande risco é um projeto dessa natureza vir a se transformar num engodo pré-eleitoreiro. Não que se duvide do propósito do senador Roberto Rocha, mas a julgar pelas experiências amargas vividas pelos maranhenses nas últimas décadas, por conta de duas promessas dessa envergadura, o mesmo bom senso que lhe der o crédito, seja também usado para ligar o desconfiômetro. Afinal, desde 1994, candidatos e governos recentes prometeram, primeiro, que o Maranhão seria transformado num polo produtor de tudo o que se pode produzir a partir do ferro bruto que sai de Carajás, corte o estado, usa o seu porto e segue para todos os continentes. O grande projeto siderúrgico nunca foi sequer colocado no papel, e o que aconteceu foi que algumas usinas de produção de ferro gusa surgiram ao longo da ferrovia, tendo a maioria delas quebrado, e a instalação de uma fábrica de pelotas de ferro em São Luís que funcionada de acordo com os humores do mercado internacional, que a obriga a permanecer mais tendo fechada do que funcionando – foi reaberta recentemente depois de quase quatro anos com as portas fechadas.

Nada, porém, superou o blefe eleitoreiro mais espetacular da história do Brasil republicano, a Refinaria Premium I, prometido em ato solene, em Bacabeira, em janeiro de 2010, com a presença do presidente Lula da Silva (PT), da futura presidente Dilma Rousseff (PT), do ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB), da então governadora e candidata à reeleição Roseana Sarney (PMDB), e do ex-presidente José Sarney (PMDB), além de diretores da Petrobras – entre eles o diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, que viria a entrar para a história como o chefe do maior esquema de corrupção, tornando-se uma das maiores “estrelas” da Operação Lava Jato. Pelo projeto, que resultara de um processo de negociação que durou meses entre a petroleira e o Governo do Estado, a pequena Bacabeira seria premiada com um investimento básico de R$ 40 bilhões numa gigantesca estrutura projetada para produzir óleos finos, destinados ao consumo de indústrias de ponta no mundo inteiro. Vieram as eleições, todos os envolvidos na promessa se elegeram, foram enterrados mais de R$ 1 bilhão em desmatamento da área, que recebeu as primeiras estruturas de cimento. Ao mesmo tempo, Bacabeira de transformou num frenético Eldorado, onde muitos enterraram suas economias. Resultado: de uma hora para outra o vento virou e tudo foi por água abaixo, configurando o maior fracasso da história do Maranhão até aqui.

Os megaprojetos que seriam a redenção do Maranhão têm em comum o fato de terem sido anunciados como coisa certa em ano de eleições, sendo seus patrocinadores candidatos a caminho das urnas. E o fato de receber um empurrão expressivo na sua tramitação exatamente no ano eleitoral e de que o senador-autor e o senador-relator sejam candidatos acende um sinal de alerta quanto ao futuro da Zema em tramitação no Senado. Cabe agora ao senador Roberto Rocha mostrar que a Zema é para valer.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Central-Bequimão: Depois de passar por incômodo, Governo cala Oposição com chegada da ponte em carretas

Carreta com peças da ponte Central-Bequimão
Carreta com peças da ponte Central-Bequimão chegam à região da Baixada

Há cerca de duas semanas, um interessante debate foi travado no plenário da Assembleia Legislativa. Deputados situacionistas e oposicionistas se enfrentaram num verdadeiro duelo verbal, civilizado e de alto nível, com os primeiros exaltando os feitos do governador Flávio Dino (PCdoB) e os segundos tentando minimizá-los. No bate-rebate, oposicionistas acusaram o Governo dinista de não realizar “obras estruturantes”, tais como complexos rodoviários, viadutos, pontes, etc.. Nos seus discursos, oposicionistas tomaram o projeto da ponte que ligará Central a Bequimão, ampliando fortemente a ligação rodoviária na Baixada Ocidental, como um exemplo de que o Governo “prometeu, mas não cumpriu”, relatando que a obra teria sido abandonada depois que as “cabeceiras” ficaram prontas. Os oposicionistas apanharam os governistas no contrapé, conseguindo passar a incômoda impressão de que a ponte Central-Bequimão seria mesmo uma promessa não cumprida. A bancada situacionista reagiu enfatizando a obra social do atual Governo, mas estranhamente não soube explicar o caso da ponte de maneira convincente. Há três dias, porém, o vento virou a favor do Palácio dos Leões: nada menos que uma dezena de carretas “invadiram” a Baixada transportando a ponte na forma de imensas peças de aço que serão usadas para ligar as cabeceiras já prontas. Os deputados oposicionistas sabiam, claro, que a obra da ponte não fora abandonada, enquanto os governistas não souberam mostrar que a ponte estava a caminho da Baixada nas carrocerias das imensas carretas. É verdade que naquele debate, os oposicionistas tiraram os governistas do eixo. Mas a chegada das carretas com a ponte pronta para ser montada foi um “cala-boca” amargo e desanimador para a Oposição.

 

Arraial do Gedema deu tão certo que será reaberto no sábado na véspera de São João

Othelino Neto e Ana Paula Lobato: sucesso com o "Arraiá do Povo"
Othelino Neto e Ana Paula Lobato: sucesso com o “Arraiá do Povo”

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Filho (PCdoB) acertou em cheio no projeto junino do Gedema, braço social do Poder Legislativo, comandado por sua esposa, Ana Paula Lobato. Organizado para ser uma grande prévia das festas juninas de São Luís, o “Arraiá do Povo”, realizado quinta-feira (14), sexta-feira (15) e sábado (16) no pátio de estacionamento do Palácio Manoel Beckman, tornou-se uma festa bem maior do que muitos esperavam. Os três dias de festança reuniu milhares de servidores da instituição e visitantes. Bem organizado, com os portões abertos e com uma programação recheada do que há de melhor de todos os sotaques de bumba-boi e outros folguedos juninos, o “Arraiá do Povo” foi tão bem sucedido que o presidente do Poder Legislativo e a presidente do Gedema decidiram “esticar” a programação com a reabertura do arraial no próximo sábado (23), véspera de São João.

São Luís, 18 de Junho de 2018.

Corrida ao Senado é fator de tensão na aliança dinista, no ninho dos tucanos e no Grupo Sarney

 

Eliziane Gama enfrenta pressão, Jozé Reinaldo se choca com tucanos e Sarney Filho e Edison Lobão quase no cada um por si
Eliziane Gama enfrenta pressão, Jozé Reinaldo se choca com tucanos e Sarney Filho e Edison Lobão quase no cada um por si na corrida ao Senado

Apontada desde o início das articulações como a disputa mais intensa e complicada da campanha eleitoral que desaguará nas urnas em Outubro, a corrida às duas vagas no Senado está sendo alvo de embates e pressões em todos os campos da polpitica maranhense. São problemas visíveis, causados por divergências diversas, na aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), onde são candidatos os  deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS), no Grupo Sarney, pelo qual são candidatos o senador Edison Lobão (MDB) e o deputado federal Sarney Filho (PV), e também na chapa majoritária do PSDB, que tem como candidatos ao Senado o ex-governador José Reinaldo Tavares e o deputado estadual Alexandre Almeida. São situações diferentes, mas que, caso não sejam resolvidas por bem amarrados acordos internos, poderão resultar em fortes traumas partidários e até mesmo em acachapantes desastres nas urnas.

Na aliança liderada pelo governador Flávio Dino, enquanto Weverton Rocha tem o seu projeto senatorial politicamente garantido, de modo a que seus esforços agora sejam concentrados na viabilidade eleitoral, a situação da candidatura de Eliziane Gama vive uma situação inversa, com indiscutível potencial eleitoral, mas sem a consistência política que precisa para deslanchar de vez. A fonte da pressão política contra Eliziane Gama é o PT, que não sua candidatura pela aliança e reivindica sua vaga para ser ocupada por um candidato petista. A não aceitação da candidatura pelo PT vem do fato de Eliziane, seguindo a orientação do seu partido, o PPS, foi voz estridente a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O alvo da pressão petista é o governador Flávio Dino, que trabalha para acomodar a situação sem prejuízo para a candidatura de Eliziane Gama, mas o PT vem avisando que não pretende se conformar com a chapa incluindo a parlamentar. O deputado petista Zé Inácio avisa que a questão permanece em aberto.

No ninho dos tucanos, a corrida ao Senado está sendo complicada por uma situação de crise aguda, causada por atitudes e posições do ex-governador José Reinaldo Tavares, que além de não assumir a candidatura do senador Roberto Rocha ao Governo do Estado, incentiva, aberta e ostensivamente, a candidatura do deputado Eduardo Braide (PMN). Além disso, vem atuando à revelia do comando partidário, como fez na escolha do jovem político tucano caxiense Catulé Jr. para ser candidato a suplente. Diante da movimentação do ex-governador, o presidente do PSDB, Roberto Rocha, e o secretário geral, Sebastião Madeira, avisaram publicamente que se José Reinaldo não se enquadrar, perderá a vaga de candidato a senador, que, no caso, será dada ao deputado federal Waldir Maranhão. A situação no PSDB tende a ficar mais confusa com a fragilização da candidatura presidencial do ex-governador paulista Geraldo Alckmin, com reflexos fortes no projeto eleitoral do senador Roberto Rocha. O fato é que, com o aval da cúpula tucana, Waldir Maranhão já se apresenta nos eventos pré-eleitorais como pré-candidato a senador, num claro indicativo de que a guerra no ninho dos tucanos caminha para um desfecho traumático.

No campo sarneysista não existe uma crise propriamente dita. Mas já são fortes nos bastidores os sintomas de uma “guerra eleitoral” entre a corrente ligada ao senador Edison Lobão e a que embala o deputado Sarney Filho. Diante da leitura segundo a qual há uma tendência no sentido de que partidários de Lobão não aceitam que ele seja menos votado e perca a suposta vaga da coligação para o ex-ministro do Meio Ambiente. Há quem veja sinais de que o grupo da ex-governadora Roseana Sarney está se movimentando mais por Sarney Filho, ao mesmo tempo em que roseanistas de carteirinha estão enxergando movimento mais intenso de partidários de Lobão estariam puxando brasa apenas para o ex-ministro de Minas e Energia. É fato que Edison Lobão e Sarney Filho não estão exatamente atuando como uma dupla, ajudando-se mutuamente, como aconteceu, por exemplo, com Lobão e João Alberto em 2010. Não se duvida que o ex-presidente José Sarney entre nesse circuito de tensões e coloque as coisas nos seus devidos lugares, pois sabe que um for eleito e o outro sair derrotado o mal-estar será grande.

É verdade que esses problemas costumam acontecer na fase de pré-campanha e que após as convenções e na campanha propriamente dita eles tendem a passar por um grande processo de acomodação, levando as disputas internas a um grau de intolerância aceitável.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Eliziane Gama mostra força política com a declaração de apoio do governador Flávio Dino

Eliziane apoiada por Flávio Dino: demonstração de força política
Eliziane apoiada por Flávio Dino demonstra de força política

A deputada Eliziane Gama mostrou força eleitoral e gás político no grande ato em que lançou da sua pré-candidatura ao Senado, sábado, no Rio Poty Hotel. Para começar, foi prestigiada pelo governador Flávio Dino, pelo prefeito de São Luís Edivaldo Jr. (PDT) e seu parceiro de coligação na corrida senatorial, deputado federal Weverton Rocha, além de deputados federais, deputados estaduais, secretários de Estado, prefeitos e vereadores, liderando um ato de forte densidade política. Ao mesmo tempo, reuniu lideranças políticas de base, a começar por chefes evangélicos. Representantes da juventude, de negros, indígenas, mulheres, conselheiros tutelares engrandeceram o evento mostrando a força de Eliziane junto os movimentos sociais de base.  Roberto Freire, presidente nacional do PPS, mandou uma mensagem em apoio à pré-candidatura de Eliziane ao Senado.

O ato serviu para extirpar todas as dúvidas que vinham povoando os bastidores sobre o apoio do governador Flávio Dino à candidatura da parlamentar do PPS. Além da presença, o governador fez um discurso de firme apoio à candidatura de Eliziane gama, destacando principalmente as sua qualificação como política e as bandeiras que ela vem defendendo com muito empenho. Flávio Dino assinalou que numa sociedade marcada por desigualdades como é a brasileira, e particularmente a maranhense, é alentador o surgimento de políticos como Eliziane Gama. E foi mais longe ao destacar as bandeiras que a deputada vem defendendo com afinco na sua trajetória parlamentar – defesa da criança, dos desvalidos, dos trabalhadores do campo e da cidade, etc. – numa demonstra de que está qualificada para pleitear uma vaga no Senado. “Eliziane não é apenas uma mulher, ela é uma mulher que, reconhecidamente, luta pelos direitos das mulheres”, destacou o governador.

Seu parceiro de chapa na disputa pelas vagas do senado, Weverton Rocha declarou apoio total ao projeto de Eliziane Gama e mostrou a base da afinidade política que os liga: “Eliziane é filha de Araguanã e eu sou de uma família de Porto Franco, nós conhecemos a realidade do Maranhão. Tivemos que lutar para conseguir chegar onde estamos, diferente de outros que já nasceram com tudo na mão”.

Numa resposta direta ao apoio que recebia naquele momento, Eliziane Gama demonstrou quase euforia com o tamanho e a importância polpitica do ato de lançamento de sua pré-candidatura. Ela disse que o seu projeto de ser senadora é para trabalhar em conjunto com o governador Flávio Dino no processo revolucionário que está em andamento no Maranhão e que está mudando para melhor a vida das pessoas.

– Me sinto lisonjeada e com muita responsabilidade, pois Flávio Dino é o governador mais bem avaliado do Brasil. Ele escolher uma mulher, da sociedade, evangélica, que não tem um histórico em uma retaguarda política familiar é dar oportunidade àqueles que não têm, as mulheres e as minorias do Maranhão”.

 

Se a visita a Mirinzal foi ato planejado de pré-campanha, Roseana e Sarney Filho precisam rever sua estratégia

Roseana Sarney e Sarney Filho em Mirinzal: grupo pequeno para ouvi-los
Roseana Sarney e Sarney Filho em Mirinzal: grupo pequeno para ouvi-los falar

Salvo seus aliados e assessores mais próximos, quase ninguém entendeu direito o que a ex-governadora Roseana Sarney e o deputado federal Sarney Filho, pré-candidato ao Senado, foram fazer em Mirinzal, na quinta-feira. Para começar, a visita não foi divulgada previamente, e não pareceu ser um ato de pré-campanha, já que não contou também com a participação do senador Edison Lobão, o outro candidato do grupo ao Senado, nem teve o acompanhamento de deputados federais e deputados estaduais do campo sarneysista. Mais estranho ainda foi o fato de a pré-candidata do MDB ao Governo falar a um grupo reduzido de pessoas no que pareceu ser o coreto de uma praça, quando seria previsível que, pelo seu cacife político e o seu poder de fogo pessoal, a ex-governadora reunisse uma multidão, ainda que reunisse partidários e curiosos. Afinal, uma cidade como Mirinzal não costuma receber com frequência um líder político do porte da ex-governadora. A julgar pela imagem divulgada, se a visita a Mirinzal foi um ato de pré-campanha devidamente programado, Roseana Sarney e Sarney Filho precisam rever urgentemente suas estratégias de campanha, pois do contrário não chegaram muito longe.

São Luís, 17 de Junho de 2018.

Bolsonaro é festejado por partidários, fala para um grande número de empresários de peso e prestigia Maura Jorge

 

Aplaudido por Maura Jorge, Jair Bolsonaro sacode a bandeira do Maranhão
Aplaudido por Maura Jorge e anunciado pelo  vereador Chico Carvalho, presidente do PSL Jair Bolsonaro sacode a bandeira do Maranhão em evento com empresários

A escala que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) fez quinta-feira em São Luís foi marcada por uma série de constatações, revelações e esclarecimentos. Ele confirmou pertencer mesmo à direita conservadora, que tem como objetivo principal “varrer o comunismo”, não admitindo qualquer relação com a esquerda, independentemente do viés democrático que essa corrente ideológica defenda. No campo das revelações, consolidou sua veia conservadora ao avisar que, caso seja eleito presidente, nomeará militares para boa parte dos ministérios, assim como entregará aos economistas a tarefa de consertar o país que eles colocaram no buraco. E no campo dos esclarecimentos, o presidenciável do PSL deixou claro, em vários momentos, que a ex-deputada e ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (PSL), é a responsável pela sua campanha no Maranhão.

Jair Bolsonaro teve recepção compatível com a sua posição de liderança na corrida presidencial – quando Lula da Silva (PT) não é levado em conta -, com uma grande e zoadenta clack que o acolheu no Aeroporto do Tirirical, como também na palestra que proferiu no Villa Reale Buffet, no Calhau, para cerca de duas centenas de empresários – segundo estimativa do Portal do Maranhão, comandado pelo competente e experiente jornalista Aquiles Emir -,  entre eles alguns dos mais destacados do estado, totalizando uma fatia expressiva do PIB maranhense, em evento organizado pela Associação Comercial do Maranhão (ACM), Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), a  Federação do Comércio (Fecomércio) e Federação  das Indústrias (Fiema). Foi ouvido com atenção redobrada, principalmente porque falou o que esse segmento queria ouvir: se eleito, investirá numa política econômica associada a uma dura política de segurança pública, além de uma política  que reduza a carga tributária sobre a atividade produtiva. Enfim, deixou o empresariado local vivamente animado.

O capitão reformado do Exército e atual deputado federal pelo Rio de Janeiro, notabilizado por uma retórica agressiva, que inclui xingamentos a adversários, e uma visão simplificada da realidade, que parece ver de maneira rigorosamente cartesiana, e que dispara como uma metralhadora giratória, principalmente na direção da esquerda, para ele se resume ao PCdoB, PT, PSOL e PDT, partidos com os quais não tem a menor possibilidade de dialogar. Alguns entrevistadores tentaram fazê-lo disparar contra o governador Flávio Dino, mas o pré-candidato do PSL a presidente preferiu não abrir fogo, explicando que os dois nunca dialogaram no Congresso Nacional exatamente pela diferença ideológica que os mantêm distantes. Mas não resistiu atacar o governador quando declarou que Maura Jorge o ajudará “a varrer” o comunismo do Maranhão. De acordo com o portal Maranhão Hoje, ao ser indagado sobre que projetos tem para o Maranhão, Bolsonaro disse que sua visão tem de ser macro, a nível nacional, e que questões pontuais devem ser levadas pelos companheiros de partido nos estados, “e a companheira Maura deve dizer o que é prioritário para o Maranhão”.

O presidenciável do PSL contrariou todos os boatos segundo os quais não prestigiaria a ex-prefeita de Lago da Pedra e pré-candidata assumida ao Governo do Estado como sua representante no Maranhão. Jair Bolsonaro não apenas confirmou seu apoio ao projeto político e eleitoral de Maura Jorge. Ele foi mais longe ao insinuar, em alguns momentos da sua escala em São Luís, que ele poderia vir a ser a sua companheira de chapa. E ara não deixar dúvidas sobre isso, a manteve ao seu lado o tempo todo, numa demonstração clara de que a ex-prefeita de Lago da Pedra está, de fato, integrada ao seu projeto de chegar à presidência da República.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sob bombardeio do PT, Eliziane Gama formaliza hoje sua pré-candidatura ao Senado

Eliziane Gama vai para a disputa de vaga no  Senado com o apoio de Flávio Dino
Eliziane Gama vai para a disputa de vaga no Senado com o apoio de Flávio Dino

A deputada federal Eliziane Gama (PPS) lança hoje, em ato em que pretende mostrar sua força política e eleitoral, sua pré-candidatura ao Senado, integrado a chapa majoritária da aliança partidária que tem o governador Flávio Dino (PCdoB) como candidato à reeleição. Líder nas pesquisas que mediram até aqui as preferências do eleitorado para as cadeiras no Senado, Eliziane Gama lança sua pré-candidatura num momento em que esse projeto está sendo duramente bombardeado pelo PT, que não apenas não aceita apoiá-la, como também pretende que a sua vaga seja cedida ao partido, para ser ocupada pelo ex-secretário de Esportes, Márcio Jardim. Além de avaliar que tem o direito de ocupar uma das vagas de candidato a senador na chapa liderada pelo governador Flávio Dino – a outra já está com o deputado federal Weverton Rocha (PDT) -, o PT não perdoa Eliziane Gama por haver ela e o PPS terem feito campanha a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Será um embate duro e de desfecho imprevisível, pois se de um lado o PT ecoa o poder de fogo da candidatura de Lula da Silva a presidente, por outro, Eliziane Gama tem forte poder de fogo eleitoral e está politicamente respaldada pela grande maioria dos pastores evangélicos do Maranhão, que teriam fechado um acordo para apoiá-la. O ato de hoje, no Rio Poty Hotel, e que deve ser prestigiado pelo governador Flávio Dino e pelo deputado federal Weverton Rocha, deve colocar as coisas nos seus devidos lugares.

Oito presidenciáveis já visitaram o Maranhão em pré-campanha

Lula da Silva, Guilherme Boulos, Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Álvaro Dias, Aldo Rabelo e ,Rodrigo Maia já visitaram o Maranhão em clima de pré-camoanha
Lula da Silva, Guilherme Boulos, Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Álvaro Dias, Aldo Rabelo e ,Rodrigo Maia visitaram o Maranhão em clima de pré-campanha

Jair Bolsonaro foi o oitavo presidenciável a visitar o Maranhão em campanha desde o final do ano passado. O primeiro foi o próprio Lula da Silva do (PT), que encerrou em São Luís, com um grande ato em frente ao Palácio dos Leões, a incursão política que fez pelo Nordeste. Depois veio o senador Álvaro Dias (Podemos), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL), o presidente da Câmara Federal Rodrigo Maia (DEM), o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e o ex-ministro Aldo Rebelo (Solidariedade). De todas, a visita mais zoadenta foi a de Jair Bolsonaro.

São Luís, 15 de Junho de 2018.

Othelino Neto acredita na reeleição de Flávio Fino e prevê, “com muita humildade”, que a aliança dinista fará “barba, cabelo e bigode”

 

Othelino Neto prevê reeleição de Flávio Dino e vitória da aliança dinista em todos os noiveis
Othelino Neto prevê reeleição de Flávio Dino e vitória da aliança nas eleições de outubro em todos os níveis

O cenário da corrida sucessória no Maranhão ainda está marcado por uma série de indefinições, mas a julgar pelo que já está definido, a aliança governista, que reúne 14 partidos, sairá das urnas de Outubro com o governador Flávio Dino (PCdoB) reeleito, os dois candidatos às vagas no Senado eleitos e entre e até 30 deputados estaduais eleitos, sendo a maioria reeleita. Quem faz essa avaliação é o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), que prevê, “com toda humildade”, que a coligação dinista fará “barba, cabelo e bigode”. Uma das lideranças jovens mais bem situadas no cenário político estadual, o chefe do Poder Legislativo se revela bem in formado e muito articulado e observa que até aqui a aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino é a única que está praticamente consolidada e que já conta com a chapa majoritária definida, tendo o vice Carlos Brandão (PRB) como candidato à reeleição, e os deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS) para o Senado.

Atento a todos os movimentos relacionados com o processo político-eleitoral em curso, o deputado Othelino Neto avalia como “tímida” a movimentação da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) em relação a sua condição de candidata ao Governo, observando que ele terá dificuldades para montar uma aliança forte e que lhe dê muito tempo de TV para a campanha. Enxerga definição na candidatura do senador Roberto Rocha (PSDB), mas vê muita indefinição em pré-candidaturas como Ricardo Murad (PRP) e Maura Jorge (PSL), observando ainda que o deputado Eduardo Braide (PMN) depende de uma aliança partidária para viabilizar sua candidatura, já que seu partido é pequeno e praticamente não tem tempo de TV para viabilizar um palanque eletrônico. O presidente da Alema observa que essas pendências em relação às demais candidaturas serão resolvidas até meados de Julho, quando começará o período de convenções partidárias. “Acredito que de agora até meados de julho teremos bem definidas as coligações e as definições de quem será candidato ou não”, prevê o presidente do parlamento estadual, com a segurança de quem sabia o que estava dizendo. A candidatura do governador Flávio Dino se destaca das demais exatamente por estar sustentada pelo maior grupo partidário.

O presidente Othelino Neto não esconde sua confiança no poder de fogo da aliança dinista ao crer que ela elegerá a esmagadora maioria da futura Assembleia Legislativa, que na sua previsão só será renovada em cerca de 30%: “Não será uma renovação alta, pois muitos deputados têm condições de se reeleger. Creio que deverão permanecer aqui algo em torno de 26 a 30 deputados”. E indagado se não está fazendo uma previsão muito otimista, Othelino Neto respondeu: “É uma previsão otimista, sim. Claro que a gente só vai saber quando tivermos a verdade das urnas. É um exercício de adivinhação, observando o potencial de cada um, as suas bases eleitorais. Fazendo essas avaliações e esse exercício de adivinhação, creio que a reeleição vai variar em torno disso, entre 26 e 30 deputados”. E vai mais longe ao prever que na Assembleia que sairá das urnas a aliança dinista fará entre 28 a 30 deputados.

O presidente da Assembleia Legislativa diz não ter dúvidas de que a corrida ao Palácio do Planalto terá repercussão na corrida eleitoral no Maranhão: “Acho que temos um cenário nacional estranho, complicado, com intervenções fortes quando se tira o primeiro colocado nas pesquisas, que é o presidente Lula, que ganharia a eleição em todos os cenários. O campo do presidente Lula aqui no Maranhão é o nosso campo, liderado pelo governador Flávio Dino, que inclusive foi a voz eu mais falou nacionalmente contra a cassação, do impeachment da presidente Dilma, que consideramos um ato absurdo, e contra a condenação e prisão do presidente Lula. O outro campo político, o do presidente Michel Temer, é associado à ex-governadora Roseana Sarney. Então, aqui no Maranhão está muito claro quem é Lula e quem é Temer”.

Em resumo: sem qualquer arroubo estridente ou ataque a adversários, o presidente Othelino Neto está seguro de que, independente de quem sejam seus concorrentes e da influência da campanha presidencial, a aliança dinista está firme e vencerá as eleições em todos os níveis.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Jair Bolsonaro mostra em São Luís que não é um apenas um “balão de ensaio”

Bolsonaro, tendo Maura Jorge ao lado, fala a partidários em apanque improvisado no Tirirical
Bolsonaro, tendo Maura Jorge ao lado, fala a partidários em apanque no Tirirical

O desembarque do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) ontem em São Luís foi revelador de que ele pode até não vencer a disputa pelo Palácio do Planalto no pleito de Outubro, mas definitivamente não é um balão de ensaio que murchará facilmente durante a campanha eleitoral. Mesmo que a multidão que o recebeu no Aeroporto do Tirirical tenha sido formada em sua maioria por recrutas das três forças, que gritaram palavras de ordem num coro visivelmente ensaiado, com a predominância absoluta de homens jovens, a recepção impressionou muita gente. Lá estavam também pessoas do povo, mas curiosamente quase nenhuma mulher se misturou à multidão, nem para saudar a ex-prefeita Maura Jorge (PSL), que certamente se sentiu só em meio dos entusiasmados partidários do presidenciável da direita conservadora, que promete “consertar” o Brasil. Jair Bolsonaro tem partidários no Maranhão, e não são poucos.

Quanto à ex-prefeita Maura Jorge, vários são os enfoques em relação ao seu papel nesse projeto. A interpretação mais comum é a de que ela nada representa e que os apoiadores de Bolsonaro no Maranhão não a querem como candidata do Governo do Estado. Não é bem assim. Para começar, no vídeo em que anunciou a sua vinda ao Maranhão, Bolsonaro a tinha ao lado e fez o convite também em nome dela, numa clara demonstração de que ela é o seu braço no estado. Não fosse assim, não a teria colocado ao seu lado, ontem, no palanque improvisado em frente ao aeroporto.

É cedo ainda para medir o tamanho político e eleitoral de Jair Bolsonaro no Maranhão, mas não há como duvidar de que Maura Jorge está nesse bolo e será de alguma maneira beneficiada por ele. Porque sua candidatura ao Governo do Estado não convence, o que leva à especulação de que ela tem um “plano b”.

 

Clima pesado continua dentro do PSDB e crise pode se agravar

José Reinaldo, Roberto Rocha e Sebastião Madeira: clima pesado continua no PSDB
José Reinaldo, Roberto Rocha e Sebastião Madeira: clima pesado continua no PSDB

Pode perder feio quem aposta que o clima de divisão e tensão dentro do PSDB está foi superado depois do bate-boca público entre o secretário geral do partido, Sebastião Madeira, e o ex-governador José Reinaldo Tavares, pré-candidato ao Senado. O ex-governador vem trabalhando sozinho, colocando em prática uma estratégia que não inclui trocar impressões com o presidente e candidato a governador, senador Roberto Rocha, e o secretário geral do partido nem consultá-los a respeito dessa ou daquela situação. E tudo leva a crer que essa situação estranha dentro de um partido que se prepara para tentar eleger presidente da República, governador do Estado, senadores, e por aí vai, terá um desfecho bombástico. É só aguardar.

São Luís, 14 de Junho de 2018.

Imperatriz: Flávio Dino lidera com folga e Weverton Rocha e Edison Lobão estão na frente para o Senado

Flávio Dino lidera com folga, seguido de Roseana Sarney, Roberto Rocha. Maura Jorge, Eduardo Braide e Ricardo Murad em Imperatriz
Flávio Dino lidera com folga, seguido de Roseana Sarney, Roberto Rocha. Maura Jorge, Eduardo Braide e Ricardo Murad em Imperatriz, segundo pesquisa do Data 3

 

A se confirmarem os percentuais de intenções de voto encontrados por pesquisa realizada em Imperatriz pelo Instituto Data 3, o governador Flávio Dino (PCdoB) sairá das urnas de lá com nada menos que  57,4% dos votos, seguido da candidata do MDB, ex-governadora Roseana Sarney  com 17,1%, do senador Roberto Rocha (PSDB) com 7,3%, e da ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (PSL), com 3%, num cenário em que o deputado estadual Eduardo Braide (PMN) aparece com 1% e o ex-deputado Ricardo Murad, com 0,8%. No levantamento espontâneo – aquele em que se pergunta ao entrevistado em quem ele vai votar sem mostrar-lhe a relação de candidato -, o governador Flávio Dino aparece com 45,6% das intenções de voto, contra 9,6% de Roseana Sarney e 3% de Roberto Rocha. Nessa amostra, Eduardo Braide, Maura Jorge e Ricardo Murad não chegaram a 1%.  E a posição do governador Flávio Dino é reforçada por 67,8% de aprovação em Imperatriz.

No levantamento para identificar as tendências do eleitorado imperatrizense na corrida para as duas vagas do Senado, os números encontrados pelo Data 3 surpreendem com a liderança do deputado federal Weverton Rocha (PDT), que aparece destacado na liderança com 24,7% das intenções de voto, seguido do senador Edison Lobão (MDB) com 18,4%, do deputado federal Sarney Filho (PV), que aparece em terceiro lugar com 9,8%, do ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares com 9,1%, da deputada federal Eliziane Gama (PPS) com 4,3% e do deputado estadual Alexandre Almeida (PSDB) com 4,0%.

Os números de Imperatriz, que é o segundo maior colégio eleitoral do Maranhão, com mais de 160 mil votos, costumam ser decisivos nas eleições majoritárias do Maranhão, principalmente se o líder das intenções de voto tiver bom desempenho em São Luís e em Caxias, por exemplo. Na corrida ao Palácio dos Leões, o Data 3 confirma os números encontrados por outros institutos, apontando o governador Flávio Dino cacifado para liquidar a fatura já no primeiro turno. Tendo a pesquisa como base, o eleitorado da Princesa do Tocantins parece disposto a repetir o posicionamento de 2014, quando sufragou a candidatura de Flávio Dino com mais de 60% dos votos sobre o pemedebista Lobão Filho, candidato apoiado pela então governadora Roseana Sarney. Naquela eleição, o candidato a senador apoiado por Flávio Dino, Roberto Rocha, então no PSB, deixou o então pemedebista Gastão Vieira para atrás.

O cenário da disputa pelas duas vagas do Senado em Imperatriz exibe situações surpreendentes, a começar pelo desempenho do deputado federal Weverton Rocha como detentor da maior fatia de intenções de voto, deixando para trás, por exemplo, o ex-governador José Reinaldo e o deputado federal e ex-ministro Sarney Filho. A posição do senador Edison Lobão reflete o peso do seu nome na região onde começou, no final dos anos 70 do século passado. Chama a atenção o fraco desempenho da deputada federal Eliziane Gama em Imperatriz, uma vez nos levantamentos feitos em todo o estado ela aparece como líder das intenções de voto.

O levantamento do Data 3 em Imperatriz chega num momento em que, na falta de números, as especulações ganham os bastidores e começam a rascunhar cenários absolutamente fora da realidade. Serve, portanto, de um lado, para o governador Flávio Dino manter a segurança e a confiança de que será bem votado na maior cidade do interior do Maranhão. Serve também como alerta vermelho para a ex-governadora Roseana Sarney, cujas relações com Imperatriz sempre foram de altos e baixos. Em relação ao Senado, os recados mais fortes da pesquisa vão para o ex-ministro Sarney Filho, que até agora não liderou nenhum levantamento, aparecendo sempre em terceiro lugar, e para a deputada federal Eliziane Gama, que precisa investir ali para sair do quinto lugar.

Em Tempo: A pesquisa Data 3 foi contratada pela TV Difusora, entrevistou 397 eleitores entre os dias 4 e 6 desta mês e foi está registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o protocolo Nº 09455/2018.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Com CFEM e ZPE, Roberto Rocha domina a cena parlamentar na semana

Roberto Rocha:no centro de duas decisões de interesse do Maranhão
Roberto Rocha:no centro de duas decisões de interesse do Maranhão

O senador Roberto Rocha, candidato ao Governo do Estado, dominou a semana no cenário parlamentar. Primeiro pela assinatura, pelo presidente Michel Temer (MDB), do decreto que regulamenta as novas regras para a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). A partir de agora, os municípios não produtores de minerais, mas que são impactados pelo transporte, operações de embarque e desembarque, ou ainda, para localidades com pilhas de estéril, barragem de rejeitos e instalações serão beneficiados com 13% dos royalties da CFEM. Dentro desse percentual, 50% serão destinados exclusivamente para municípios não produtores, mas que são cortados por ferrovias. Essa alíquota foi fixada a partir de uma intensa e ampla articulação feita pelo senador Roberto Rocha. O decreto presidencial contempla 23 municípios maranhenses cortados pela Estrada de Ferro Carajás, coroando uma reivindicação que durou quase três décadas. São eles: Açailândia, Alto Alegre do Pindaré, Anajatuba, Arari, Bom Jardim, Bacabeira, Bom Jesus das Selvas, Buriticupu, Cidelândia, Igarapé do Meio, Itapecuru Mirim, Itinga do Maranhão, Miranda do Norte, Monção, Pindaré-Mirim, Santa Inês, Santa Rita, São Francisco do Brejão, São Pedro da Água Branca, São Luís, Tufilândia, Vila Nova do Martírios, Vitória do Mearim.

Roberto Rocha também assistiu a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovar Projeto de Lei de sua autoria que propõe a implantação de uma Zona de Processamento de Exportações (ZPE) no Maranhão, mais especificamente na Ilha de Upaon Açu. O projeto inicial previa a instalação de uma Zona Franca, mas o relator da matéria, senador Edison Lobão modificou-a, propondo a instalação de uma ZPE. Pelo projeto de o senador Roberto Rocha, as empresas que se instalarem na Zona de Exportação do Maranhão (Zema) terão isenção de impostos e contribuições incidentes sobre a importação ou sobre aquisições no mercado interno de insumos, para que possam produzir mercadorias ou prestar serviços destinados à exportação. Roberto Rocha observou que a Ilha de Upaon-Açu apresenta características geográficas que a habilitam a constituir uma área de livre comércio, especialmente pelas condições logísticas que favorecem a entrada de insumos e o escoamento da produção para o exterior.

 

Movimentos de Maura Jorge estariam incomodando a cúpula do sarneysismo

Maura Jorge entre Márcio Coutinho e Pastor Bel: desenvoltura que está incomodando a cúpula do sarneysismo
Maura Jorge entre Márcio Coutinho e Pastor Bel: desenvoltura que está incomodando a cúpula do sarneysismo

Candidata ao Governo do Estado, a ex-prefeita Maura Jorge vive duas situações curiosas. A primeira é que vem se apresentando como braço do presidenciável Jair Bolsonaro – que faz escala hoje em São Luís -, mas os grupos de bolsonarista organizados no estado não a reconhecem como porta-voz nem como líder do movimento que dá suporte à candidatura do militar ao Palácio do Planalto. A outra situação é que Maura Jorge, cujo projeto de candidatura foi estimulado inicialmente pelo deputado federal Aluízio Mendes (Podemos), estaria causando mal-estar no comando do Grupo Sarney. Há rumores – não confirmados – segundo os quais a própria ex-governadora Roseana Sarney estaria incomodada com a desenvoltura da ex-prefeita de Lago da Pedra no cenário da corrida ao Palácio dos Leões. Os próximos dias revelarão o tamanho desse abacaxi.

São Luís, 14 de Junho de 2018.

“Animadíssima”, segundo o senador João Alberto, Roseana Sarney prepara agenda de campanha disposta a “ir para cima”

 

Roseana Sarney se prepara para a difícil campanha que vai enfrentar nos próximos meses
Roseana Sarney se prepara para a difícil campanha que vai enfrentar nos próximos meses na tentativa de voltar ao poder

“A Roseana está animadíssima, muito entusiasmada mesmo”. A afirmação foi feita pelo senador João Alberto, presidente regional do MDB, contrariando comentários que circulam no meio político, dando conta de que a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) estaria desanimada com o projeto de disputar o Governo do Estado. O senador João Alberto revelou inclusive que a candidata emedebista está trabalhando na montagem de uma agenda de campanha que prevê sua ida “a todos os municípios”. Sabe-se também que, ao mesmo tempo, tem mantido uma intensa rotina de conversas com políticos do interior, operando para remontar a sua base de apoio, duramente desmontada nas eleições de 2014 e, mais ainda, nas eleições municipais de 2016. Outras fontes informaram à Coluna que a ex-governadora está se movimentando em relação à pré-campanha, que pretende retomar em pouco tempo, agora com projeto de visitar todas as regiões antes da campanha oficial, que será iniciada na segunda quinzena de Agosto e vai durar apenas 45 dias.

Apontada pelas pesquisas publicadas até agora como dona de um cacife que varia entre 25% e 30% das intenções de voto, a ex-governadora e candidata do MDB até agora não se manifestou sobre o que pretende apresentar como base de um programa para defender durante a campanha. Até agora, Roseana Sarney deu poucas declarações sobre sua candidatura, limitando as manifestações a recados ao governador Flávio Dino (PCdoB), como “Eu vou pra cima!”, frase que repercutiu intensamente no meio político, interpretada que foi como um petardo endereçado diretamente ao chefe do Executivo. Além disso, Roseana Sarney vem contando com o apoio direto e aberto da sua megaestrutura de comunicação de massa para tentar minar o poder de fogo do governador Flávio Dino, que segundo as pesquisas feitas até aqui, lidera com folga a corrida às urnas com mais de 55% das intenções de voto.

Roseana Sarney tem plena consciência de que esta corrida pelo Governo do Estado é para ela um desafio gigantesco. Primeiro porque no seu bem sucedido histórico de disputas, ela ou alguém do seu grupo perdeu as eleições que disputaram fora do poder, sem o comando da máquina do Estado – em 2006, ela perdeu para Jackson Lago (PDT) e em 2014 o seu candidato Lobão Filho (PMDB) foi derrotado por Flávio Dino. Nestas eleições, a situação se repete, agora com Flávio Dino no comando do Estado e candidato à reeleição. Não bastasse isso, a candidata do MDB não conta com o apoio poderoso e decisivo de presidentes da República, como contou com Itamar Franco (PMDB) em 1994, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1998, Lula da Silva (PT) em 2006 e 2010. Agora, sua base federal é o presidente Michel Temer (MDB), que vem cometendo um desatino atrás do outro, é rejeitado por quase 90% dos brasileiros, tem a Polícia Federal no seu encalço e pode ser preso tão logo perca a proteção do manto presidencial, a partir de janeiro do ano que vem.

Mesmo somando-se todos os pontos negativos que rondam sua candidatura e ainda que as pesquisas lhe deem um teto, Roseana Sarney é uma candidata para ser levada a sério. Seus quase 14 anos de Governo permitiram que ela construísse um lastro de importantes obras de infraestrutura, projetos e programas arrojados, mas também foram marcados por fracassos retumbantes. Carismática, tem cacife político próprio. Nesse contexto, o seu maior problema é que vai enfrentar nas urnas o governador Flávio Dino, um político da nova geração, preparado, reformador e muito bem avaliado. Tanto que as pesquisas lhe dão vantagem confortável nessa fase de pré-campanha.

Se a candidata Roseana Sarney está tão animada como revelou o senador João Alberto, um dos esteios do Grupo Sarney, é porque algum fator que não veio à tona a está estimulando a encarar a situação que no momento lhe é inteiramente desfavorável.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Classe política vive expectativa com a passagem de Jair Bolsonaro pelo Maranhão

Jair Bolsonaro e Maura Jorge: aliança será confirmada no dia 16 de junho
Jair Bolsonaro e Maura Jorge: aliança será confirmada na visita de amanhã a São Luís

É grande no meio político a expectativa em relação à escala que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) em São Luís, nesta quinta-feira. Líder nas pesquisas que medem o desempenho dos candidatos ao Palácio do Planalto, o deputado federal fluminense, que representa a visão mais primária da direita conservadora, está bem situado no eleitorado maranhense, ainda que perdendo feio para o ex-presidente Lula da Silva, que lidera todos os levantamentos em todas as faixas. Nas rodas de aposta, a previsão dominante é a de que o coronel terá uma recepção festiva e entusiasmada, organizada pelo seu braço no Maranhão, a ex-prefeita de Lago da Pedra e ex-deputada Maura Jorge (Podemos), candidata assumida ao Governo do Estado. Bolsonaro andou sondando um candidato a governador mais consistente para ser seu lugar-tenente no estado. O primeiro a se apresentar foi o coronel reformado Ribamar Pinheiro, que se lançou candidato a governador com a bandeira bolsonarista, mas foi atropelado por Maura Jorge, que abandonou o candidato presidencial do seu partido, senador Álvaro Dias (Podemos), para abraçar com entusiasmo o projeto de poder do coronel-deputado que defende a ditadura, assumindo sua condição de militante da direita conservadora.

 

Luciano Genésio declara apoio à reeleição de Flávio Dino

Flávio Dino terá o apoio de Luciano Genésio com articulação de Othelino Neto
Flávio Dino terá o apoio de Luciano Genésio com articulação de Othelino Neto

O prefeito de Pinheiro, Luciano Genésio (Avante), vai apoiar o governador Flávio Dino na corrida à reeleição. O acordo político foi firmado esta semana em São Luís, em reunião no Palácio dos Leões. Com a participação do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), que milita politicamente na maior cidade da Baixada Maranhense. Luciano Genésio já foi filiado ao PCdoB e tem uma ligação histórica com o governador Flávio Dino, ainda que a relação dos dois seja marcada por momentos de altos e baixos, mas sempre estiveram juntos. O rompimento partidário e político se deu em 2016, por conta da influência do pai do prefeito, o ex-prefeito e ex-deputado estadual José Genésio, que levou Luciano a romper acordo que envolvia a candidatura do médico Leonardo Sá (PCdoB). O afastamento não impediu que o governador Flávio Dino esteja apoiando a administração de Luciano Genésio. O presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto, foi um dos articuladores da reaproximação e do acordo pelo qual Luciano Genésio apoiará o projeto de reeleição do governador Flávio Dino.

São Luís, 13 de Junho de 2018.

 

 

 

 

 

Flávio Dino e Roseana Sarney ainda sem presidenciáveis definidos; Maura Jorge leva a melhor ao apoiar Jair Bolsonaro

 

Flávio Dino vota em Manuela D`Ávila, mas quer Ciro Gomes unindo a esquerda; Roseana Sarney deve apoiar Henrique Meireles, Robeerto Rocha apoia Geraldo Alckmin, Maura Jirge abraçou Jair Bolsonaro e Odívio Neto vai com Guilherme Boulos
Flávio Dino vota em Manuela D`Ávila, mas quer Ciro Gomes unindo a esquerda; Roseana Sarney deve apoiar Henrique Meireles, Roberto Rocha apoia Geraldo Alckmin, Maura Jorge abraçou Jair Bolsonaro e Odívio Neto vai com Guilherme Boulos

A pesquisa Datafolha chamou atenção para um fato surpreendente: o governador Flávio Dino (PCdoB) e a ex-governadora Roseana Sarney, os dois principais candidatos ao Governo do Estado, não têm candidato a presidente da República, enquanto que três dos quatro demais candidatos menos fortes têm nomes bem definidos para disputar o Palácio do Planalto. O governador Flávio Dino ainda não tem candidato a presidente, o mesmo acontecendo com a ex-governadora Roseana Sarney. Ao passo que o senador Roberto Rocha (PSDB) está definido com o presidenciável tucano Geraldo Alckmin, a ex-prefeita Maura Jorge (Podemos) firmou aliança com Jair Bolsonaro (PSL) e o professor Odívio Neto (PSOL) está firme com Guilherme Boulos, do seu partido. O ex-deputado Ricardo Murad (PRP), que vinha em marcha lenta, parece ter estacionado de vez o seu projeto, não emitindo qualquer sinal em relação para a disputa presidencial. O deputado Eduardo Braide (PMN) mantém suspense sobre a sua própria candidatura, o que significa dizer que não tem candidato presidencial.

O governador Flávio Dino está vivendo uma espécie de xadrez em relação à corrida à presidência da República. Vota na candidata do seu partido, Manuela D`Ávila, é partidário da candidatura do presidente Lula da Silva (PT), mesmo estando ele na prisão, mas  trabalha com um Plano B bem definido, que deve ser o ex-ministro Ciro Gomes (PDT). E a equação é muito simples: condenado em segunda instância, o que o coloca automaticamente na lista negro dos ficha suja, Lula não terá sua candidatura validada pela Justiça Eleitoral. O PT deve se movimentar nesse tabuleiro com um candidato alternativo, mas esse, seja lá quem for, não terá o mesmo peso do ex-presidente. Esse cenário reforça a proposta, feita e mantida pelo governador Flávio Dino, no sentido de que as esquerdas se unam em torno do ex-ministro Ciro Gomes, uma tese que a cada dia ganha mais força dentro do universo esquerdista. Se ela for consumada, Flávio Dino ficará politicamente mais forte.

Lançado pelo presidente Michel Temer para ser o candidato do MDB à sua sucessão, o banqueiro e ex-ministro da Fazenda Henrique Meireles ainda não deslanchou, deixando no ar forte impressão de que não deslanchará. Se Meireles for mantido, Roseana Sarney terá de aceitá-lo, por o MDB não tolerará que um candidato a governador saia dos trilhos colocados pelo partido numa campanha presidencial. A ex-governadora pode correr o risco de travar sua campanha por causa do presidenciável emedebista, caso ele esteja mesmo enfrentando dificuldades para alçar voo. O problema de Roseana Sarney em relação à corrida presidencial é que ela não pode ter um “Plano B”, pois no caso de a candidatura de Henrique Meireles mergulhar na frustração e for tirada do páreo, a primeira opção do MDB será firmar uma aliança com o PSDB em torno de Geraldo Alckmin. Tal situação criará um grande imbróglio monumental na relação dos partidos no Maranhão por conta da candidatura do senador Riberto Rocha. Talvez o “fator” Henrique Meireles explique as cautelas da emedebista até aqui. Situação do senador Roberto Rocha é, em certa medida, a mesma que a da ex-governadora Roseana Sarney.

Por uma dessas incongruências da política, Maura Jorge, a princípio sem qualquer futuro na corrida sucessória estadual, tem no momento a posição mais confortável em relação à corrida presidencial. Chega ao limiar da campanha como a porta-voz de Jair Bolsonaro no Maranhão, navegando na possibilidade concreta de vir a ser o braço do presidente da República no estado, a julgar pelo que apontou a pesquisa Datafolha publicada Domingo pela Folha de S. Paulo. De acordo com a pesquisa, sem Lula da Silva no páreo e se a esquerda não se unir em torno de Ciro Gomes, Jair Bolsonaro pode vir a ser o próximo presidente.

É claro que o momento é ainda de pré-campanha, com uma enorme distância a ser percorrida até outubro.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Aliança PSOL/PCB define chapa completa encabeçada por Odívio Neto

Odívio Neto fala no encontro de delegados do PSOL e do PCB que o lançou candidato a governador
Odívio Neto fala no encontro de delegados do PSOL e do PCB que o lançou candidato a governador

Não surpreendeu a aliança PSOL-PCB para lançar a candidatura do professor Odívio Neto ao Governo do Estado, tendo a professora Helena como candidata a vice-governadora. A chapa será comporta com os professores Saulo Pinto e Iego Bruno como candidatos da coligação às vagas no Senado. Essa aliança vai apoiar e propagar a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) à presidência da República.

A definição da chapa majoritária foi feita num encontro de delegados dos dois partidos realizado no sábado (9), no qual foi decidido também a ampliação da participação dos dois partidos no processo eleitoral com o lançamento de candidatos a deputado federal e a deputado estadual. Para deputado federal foram lançados como candidatos o professor e policial militar aposentado Antônio Alves, o estudante Wagner (mestrando da UFMA) e do agente comunitário de saúde Antônio José. Para deputado estadual concorrerão o sindicalista Luiz Carlos Noleto, o engenheiro Enilton Rodrigues, a professora Ana Paula e a professora Fernanda Suely.

Com a definição da chapa, PSOL e PCB, que são partidos mais à esquerda, que não chegam a ser radicais, mas já atuam já na fronteira do radicalismo, confirmam sua política de distanciamento do PCdoB fazendo uma oposição moderada, mas sistemática, ao Governo Flávio Dino, por discordar da linha de atuação do PCdoB. No mesmo plano, PSOL e PCB mantêm uma linha aberta de conflito com o PT, tendo feito Oposição sistemática aos Governos Lula da Silva e Dilma Rousseff. Daí a decisão de lançar candidato ao Governo do Estado.

 

Roseana Sarney pode buscar vice na Região Tocantina ou optar por solução caseira

Roseana Sarney vai definir candidato a vice
Roseana Sarney  vai definir seu vice

A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) ainda não iniciou movimentos em busca de um companheiro de chapa. Todas as conversas travadas até agora sobre o assunto aconteceram em ambiente fechado, com a participação apenas da cúpula. Nos bastidores do Grupo Sarney vozes respeitadas dizem que há duas possibilidade: uma que prevê a procura de um você na Região Tocantina, onde a ex-governadora precisa reforçar seu cacife. E outra poderá ser uma solução caseira, que poderá sair do MDB ou do PV. A hipótese de uma aliança com o PT foi inteiramente descartada pelo comando nacional do partido, já que o partido fechou questão fazendo opção por aliar-se à aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB). Se a posição final for por uma solução caseira, o senador João Alberto (MDB), que não vai disputar a reeleição, encabeça todas as listas.

São Luís, 11 de Junho de 2018.

Candidatos aos Leões se voltam para a definição de vice e suplente de senador para deflagrar a guerra pelo voto

 

Flávio Dino, Roseana Sarney, Roberto Rocha, Maura Jorge e Ricardo Murad caminham para dar forma final ás chapas
Flávio Dino, Roseana Sarney, Roberto Rocha, Maura Jorge e Ricardo Murad caminham para dar forma final ás chapas que disputarão Governo e Senado 

 

A menos de 120 dias para as eleições, os candidatos ao Governo do Estado encontram-se mergulhados em articulações para os acertos finais da montagem das suas chapas, trabalhando para definir candidatos a vice-governador e a suplente de senador, que são os cargos mais cobiçados por aliados que ainda não tenham – ou mesmo os que já têm – definidos espaços no campo majoritário. O governador Flávio Dino (PCdoB) já tem sua chapa pronta, enquanto a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) ainda procura um vice, caso também do senador Roberto Rocha (PSDB). A ex-prefeita Maura Jorge (Podemos), o ex-deputado Ricardo Murad (PRP) e o deputado Eduardo Braide PMN) – que ainda não confirmou sua candidatura – ainda se movimentam para confirmar seus projetos eleitorais e nada têm ainda definido para compor suas chapas.

O governador Flávio Dino é, de longe, o mais definido e organizado dos candidatos. Confirmou Carlos Brandão como candidato a vice e os deputados federais Eliziane Gama (PPS) e Weverton Rocha (PDT) como candidatos ao Senado, faltando escolher os quatro suplentes senatoriais. Recentemente, o PT resolveu reivindicar uma das vagas de senador para compensar o tempo de rádio e TV que colocará à disposição da coligação dinista. Só que o governador avisou que os candidatos ao Senado estão consolidados, não havendo possibilidade de mudar a composição da chapa. Depois de vai-e-vem, sobe-e-desce e entra-e-sai e ameaça de se bandear para Roseana Sarney, o PT começa a colocar os pés no chão e admitir aceitar uma vaga de suplente, indicando o ex-secretário de esportes, Márcio Jardim, como candidato a 1º suplente Weverton Rocha. A vaga de 1º suplente de Eliziane Gama poderá ficar com o DEM, que ainda não definiu nome. Essa negociação será concluída nos próximos dias, dando cara definitiva à chapa liderada pelo governador Flávio Dino.

Roseana Sarney ainda tem de definir o vice e os suplentes de senador. São muitas as especulações em relação à escolha do vice, sendo a mais recente e barulhenta delas a de que o escolhido pode ser o ex-deputado federal Chiquinho Escórcio (MDB), homem da extrema confiança do ex-presidente José Sarney atual “assessor especial” do presidente Michel Temer (MDB). Mas outras vozes sarneysistas dizem Chiquinho Escórcio não tem a menor chance e que Roseana Sarney está em busca de um vice na região Tocantina, podendo ser um político, um empresário ou um líder de classe. Mas pode resolver com uma solução caseira: o senador João Alberto (MDB), que decidiu não se candidatar à reeleição. O fato é que a vaga do vice está aberta no Grupo Sarney. No que diz respeito às suplências senatoriais, a primeira vaga do senador Edison Lobão já está definida com a permanência do empresário e atual suplente Lobão Filho (MDB), permanecendo em aberto a vaga de 2º suplente, já que o atual, Pastor Bel (PSDC), que decidiu se candidatar a senador. Quanto aos dois suplentes de Sarney Filho (PV), um já está definido: João Manoel Souza (PMDB), restando preencher a segunda vaga.

O candidato tucano Roberto Rocha está em busca de um vice, que deve sair de Imperatriz ou de São Luís. O nome citado até agora é o do empresário Ribinha Cunha (PSD), que disputou a Prefeitura de Imperatriz apoiado pelo então prefeito Sebastião Madeira (PSDB). Quanto às vagas de suplente de senador, o candidato José Reinaldo Tavares já escolheu o 1º da sua vaga: o advogado e político caxiense Catulé Jr., faltando escolher o 2º. Já os suplentes de Alexandre Almeida ainda não foram definidos.

Maura Jorge não decidiu ainda quem será seu companheiro de chapa, como também não terá candidatos a senador pelo seu partido, o Podemos. Na ciranda que a levou à condição de representante do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no Maranhão, há duas semanas ela se reuniu com Pastor Bel (PRTB) e Márcio Coutinho (PSDC). Quanto é escolha do vice, essa deve se dar depois da passagem de Bolsonaro por São Luís, no dia 14, para lançar seu projeto presidencial oficialmente no Maranhão.

Quanto a Ricardo Murad, até ele agora não confirmou sua candidatura a governador, nada sinalizou em relação a vice. Quanto a senador, fez um convite ao radialista Geraldo Castro, não deixando claro até agora se esse projeto vai mesmo vingar. A verdade é que Ricardo Murad ainda não bateu martelo em relação à sua candidatura a governador, o que dificulta a composição de uma chapa com vice, candidatos a senador e suplentes. A mesma situação se aplica ao deputado Eduardo Braide, que vem mantendo suspense sobre se será mesmo candidato ou não ao Palácio dos Leões.

As próximas semanas serão decisivas para essas definições.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edivaldo Jr. supera dificuldades financeiras e avança nas melhorias das escolas de São Luís

Tendo ao lado a primeira-dama Camila Holanda, e na oresença de veresdores, incluindo o presidente eleoto Osmar Filho, o prefeito Edivaldo Jr. festeja a reabertura da escola Bernardina Spíndola
Tendo ao lado a primeira-dama Camila Holanda, e na presença de vereadores, incluindo o presidente eleito Osmar Filho, o prefeito Edivaldo Jr. festeja a reabertura da escola Bernardina Spíndola, que agora vai funcionar climatizada

Ao reabrir, na manhã de sábado, a Unidade de Ensino Básico Bernardina Spíndola, localizada na Rua Celso Magalhães, na área onde existiu o chamado Sítio do Tamancão, nas imediações do Centro de São Luís, o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) presidiu o 120º ato de entrega de escola reformada e equipada com as condições de conforto e de ensino necessárias para que as mais de 200 crianças ali matriculadas recebam a primeira etapa da sua formação com eficiência e  dignidade. A Bernardina Spíndola é uma das 120 escolas do Município de São Luís alcançadas pelo que o prefeito definiu como “programa de requalificação”, que consiste em reformar toda a rede – cerca de 200 unidades -, dando a cada uma o mesmo padrão de qualidade, que inclui a preparação de um ambiente arejado e climatizado, com estrutura e equipamentos didáticos, um quadro preparado de professores e serviço assistencial, como merenda escolar, por exemplo. A partir de agora, as crianças que estudam na Bernardina Spíndola terão tudo isso.

A reinauguração da Bernardino Spíndola é parte do gigantesco e desafiador esforço que a Prefeitura de São Luís vem fazendo para dar à rede escolar da Capital um padrão de qualidade que nivele todas as unidades, focando as medidas em dois ponto: a dignidade da criança-aluna e a qualidade do ensino, de modo que uma esteja umbilicalmente ligada à outra.

“A nossa meta é requalificar todas as unidades de ensino da rede até o final do nosso mandato”, refirmou o prefeito Edivaldo Jr., que se impôs tal objetivo como um desafio, a começar pelo fato de que comanda a administração de uma cidade com mais de 1 milhão de habitantes e penalizada por um grave e permanente sufoco financeiro. Jogando aberto, o prefeito in forma que a situação financeira dos municípios em geral, e a de São Luís em particular, “é muito grave”, mas que tais dificuldades têm sido domadas com uma gestão financeira draconiana, o que tem tornado possível programas coo o da requalificação das escolas da fede municipal.

Numa espécie de desabafo, mas visivelmente bem animado – estava acompanhado da primeira-dama Camila Holanda e duas filhas -, o jovem prefeito de São Luís parece não se abalar com as dificuldades. “Não tem sido fácil. Há cinco anos e meio administramos em um cenário de crise e queda de receita. Mas, mesmo diante de todas as dificuldades, estamos reestruturando a educação municipal, garantido deste modo que nossas crianças e jovens tenham a oportunidade de um futuro melhor. Já avançamos muito e vamos avançar mais”, declarou em tom determinado.

Tanto que aproveitou para informar que mais 166 professores concursados estão sendo convocados, deixando no ar o seguinte recado: os que ainda não foram, não percam a esperança. “Nós vamos chamá-los na medida do possível”, afirmou.

Não tem mesmo sido fácil para o prefeito de São Luís dar o tratamento que vem dando à educação municipal diante dos graves problemas enfrentados diariamente pela administração municipal. E é sempre oportuno e honesto lembrar que  quando assumiu, em janeiro de 2013, encontrou a rede escolar municipal mergulhada no caos, coma maioria das escolas fechadas, e com os professores em “pé de guerra”. Foram semanas de tensão e trabalho duro até que a situação alcançasse uma normalidade. O primeiro mandato foi dedicado a avaliar, programar e deflagrar o que está sendo feito agora num processo quase diário de superação das dificuldades financeiras.

 

Prefeito de São Luís prevê queda de receita e crise forte nas Prefeituras

Edivaldo Jr. faz previsão sombria das consequências da greve dos caminhoneiros para as finanças municipais
Edivaldo Jr. faz previsão sombria das consequências da greve dos caminhoneiros para as finanças municipais

Numa conversa rápida com jornalistas na reinauguração da Escola Bernardina Spíndola, o prefeito Edivaldo Jr. fez um prognóstico sombrio da situação financeira dos municípios por causa da greve dos caminhoneiros, que parou a economia do País durante sete dias. “São sete dias de indústria, comércio e serviços parados, sem gerar impostos”, observou, alertando para o fato de que as consequências dessa paralização deverão se refletir já nas próximas transferências de Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que é a principal item da receita dos municípios. Sem perder o eixo e encarando o gigantesco abacaxi uma ponta de bom humor, o prefeito de São Luís lembrou que problemas de queda de receita são rotineiro e que já sabe lidar com eles. No caso do emagrecimento do FPM por causa da greve dos caminhoneiros, a situação poderia ficar bem mais séria, já que a indústria precisará de algum tempo para retomar sua capacidade produtiva, e que até lá haverá certamente uma forte queda na receita tributária do Governo Federal.

E indagado sobre como enfrentar a crise na Prefeitura, respondeu sem pensar duas vezes: “É a receita de sempre. Avaliar a situação e cortar onde for possível”.

São Luís, 10 de Junho de 2018.

 

 

PT pode até rachar e fazer candidatos majoritários nas chapas de Flávio Dino e Roseana Sarney

 

 

Flávio Dino entre Augusto Lobato, Zé Carlos e Zé Inácio selam aliança
Flávio Dino entre Augusto Lobato, Zé Carlos e Zé Inácio selam aliança

 

Ganham forma os rumores que vinham prenunciando, há algum tempo, que o braço do PT no Maranhão racharia na corrida eleitoral, ficando uma banda na aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) e outra alinhada à coligação que será comandada pela ex-governadora Roseana Sarney (MDB). Essa possibilidade, que era levantada em conversas informais, só começou a ser levada a sério e a repercutir nos bastidores depois que os partido começaram a montar as suas chapas majoritárias. Antes, havia um clima em meio ao qual o PT se unificaria e marcharia nas fileiras da aliança liderada pelo governador Flávio Dino. Depois, o partido começou a pressionar o governador Flávio Dino por uma vaga na chapa majoritária, por julgar justa a sua participação, ainda que não ofereça nomes com cacife para disputar uma das vagas de senador da República, por exemplo. O PT mira, na verdade, a vaga de candidato a vice-governador, pretendendo assim reeditar aliança que firmou em 2010 com o então PMDB, e que resultou na indicação e eleição de Washington Oliveira (PT) como candidato a vice de Roseana Sarney.

Ainda que tenha objetivos claros e argumentos de alguma maneira convincentes, pois afinal a aliança que manteve com o Grupo Sarney desde 2006 teve seus objetivos e condições mantidos, com a nomeação de petistas para secretarias, na esteira da eleição de Washington Oliveira vice-governador e depois para o Tribunal de Contas do Estado. O mesmo aconteceu com a banda petista que ficou com Flávio Dino em 2015, quando o PT foi agraciado com duas secretarias.

Nesse contexto, o movimento do PT causa surpresa, pois o grupo de comando se dispõe a deixar uma aliança multipartidária, com predomínio na esquerda, por não ter conseguido um emplacar um candidato majoritário, mas aceita renovar os laços com a direita e com Grupo Sarney,  sem também receber esse mimo. Isso porque, vale lembrar, as vagas de candidato a senador já têm donos, o senador Edison Lobão (MDB) e o depurado federal Sarney Filho (PV), restando a vaga de candidato a vice-governador, que dificilmente será dada ao PT – rumores dizem que Roseana Sarney buscará um candidato a vice na Região Tocantina ou adotará uma solução “caseira” com a escolha do senador João Alberto, que não parece muito animado, animado que está com a iminente aposentadoria.

No campo político propriamente dito, o PT cometerá uma surpreendente e inexplicável derrapagem se deixar o campo da esquerda do governador Flávio Dino, uma vez que o chefe do Executivo maranhense foi uma das vozes mais ativas e firmes contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), e mais do que isso, tem sido incansável na defesa política do ex-presidente Lula da Silva (PT). Mais do que isso: se alinhará a um grupo que esteve na linha de frente do movimento que resultou na deposição da ex-presidente Dilma Rousseff, e que não se posicionou claramente em relação à prisão do ex-presidente Lula da Silva.

O fato é que o PT se move numa verdadeira corda bamba, podendo dar-se bem ou levar um tombo feio, dependendo da escolha que fizer. O problema é que o próprio partido está rachado e cada lado dessa rachadura  tende a se isolar na própria casa partidária. Mas é provável que o lançamento da candidatura do ex-presidente Lula da Silva, que teve o governador Flávio Dino como um dos seus principais incentivadores. Ao mesmo tempo, Flávio Dino divulgou um vídeo convidando para o lançamento da candidatura da deputada federal Eliziane Gama (PPS) no dia 16, gesto que a confirma na chapa governista, eliminando completamente a participação do PT na luta por vagas no Senado. Resta ao PT apostar na vaga de candidato a vice-governador, mas essa pertence ao vice Carlos Brandão, que pelo visto ninguém tira.

Esse jogo de pressão deverá durar até as convenções de julho.

PONTO & CONTRAPONTO

 

Flávio Dino tem o aval de Lula para entrada do PT na coligação

Flávio Dino e Lula da Silva: aliança firme no Maranhão
Flávio Dino e Lula da Silva: aliança firme no corrida eleitoral no Maranhão

O governador Flávio Dino é um dos chefes de Estado que apoiarão a candidatura do ex-presidente Lula da Silva (PT). Ele defendeu essa posição desde que a prisão do ex-presidente começou a deixar de ser uma mera possibilidade, para ser uma verdade. Com a experiência e os conhecimentos como ex-juiz federal, o governador tem dito e repetido, primeiro, que o ex-presidente tem condições legais, a começar pelo fato de que a sua condenação e prisão por causa do tal apartamento no Guarujá, são ilegais e configuram uma aberração jurídica e uma aberração política. Flávio Dino recepcionou Lula com um grande ato político em São Luís, no encerramento da incursão do ex-presidente pelo Nordeste, onde foi ovacionado por onde passou. No seu discurso, Lula da Silva não apenas declarou seu apoio ao governador, afirmando que o PT integrará uma vaga na coligação que dá suporte ao Governo e ao projeto de reeleição do governador Flávio Dino.

 

Escórcio não deve ser candidato a vice na chapa de Roseana

Chiquinho Escórcio: vice de Roseana? Difícil.
Chiquinho Escórcio: vice de Roseana? Muito difícil.

Não deve passar de balão de ensaio a informação segundo a qual o ex-deputado federal Chiquinho Escórcio (MDB) esteja escolhido para ser o candidato a vice-governador na chapa da ex-governadora Roseana Sarney (MDB). Até onde a Coluna conseguiu apurar, Chiquinho Escórcio está se preparando para tentar mais uma vez chegar à Câmara Federal. Empresário da construção civil bem sucedido do Distrito Federal, o ex-suplente de senador Chiquinho Escórcio é cria política do ex-senador Alexandre Costa, que o tinha como uma espécie de “faz tudo”. Com a morte de Alexandre Costa, foi “adotado” pelo então senador José Sarney, a quem segue com fidelidade canina e fervor quase religioso. No caso, a ex-governadora tem preferência pelo senador João Alberto (MDB), cujo mandato se encerra no dia 31 de Dezembro deste ano. Não se duvida de que o ex-presidente José Sarney banque politicamente a candidatura de Chiquinho Escórcio, mas ninguém dúvida também de que haverá muita resistência dentro do Grupo.

São Luís, 08 de Junho de 2018.

Tensões políticas na OAB e protesto tumultuado no Fórum expõem a crise que atinge a representação dos advogados no MA

 

Mozart Baldez foi alvo de "nota de repúdio" emitida por Joaquim Figueiredo e Marcelo Carvalho
O sindicalista Mozart Baldez foi alvo de “nota de repúdio” emitida por Joaquim Figueiredo e Marcelo Carvalho

Os advogados maranhenses encontram-se mergulhados num conflito que tem duas frentes de combate. Uma delas é a que se dá dentro da própria categoria, com as tensões que vêm dominando a Seccional da OAB, hoje presidida pelo advogado Thiago Diaz. A outra é a atuação forte e estridente do Sindicado dos Advogados do Maranhão (Sama), cujo presidente, Mozart Baldez, tem sido um duro crítico do tratamento que magistrados e servidores do Judiciário dão aos advogados e mantido confronto aberto com o comando do Tribunal de Justiça. Um exemplo desse clima aconteceu ontem, no Fórum Desembargador Sarney Costa, onde uma manifestação de advogados contra uma juíza acusada de abusar de poder terminou em confusão. As duras manifestações verbais do líder sindical Mozart Baldez criticando a gestão da máquina judiciária caíram como bombas no Tribunal de Justiça, levando o presidente do Poder Judiciário, desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos, e o corregedor geral da Justiça, desembargador Marcelo Carvalho, a emitirem nota contestando e criticando a ação e as declarações do presidente do Sama.

As tensões dentro da OAB-MA, onde acontecem os primeiros movimentos para a eleição, marcada para Outubro, estão cada vez mais fortes. O presidente Thiago Diaz rompeu com a maior parte do grupo que o apoiou e tenta reunir forças para concorrer à reeleição. O clima de tensão chegou a tal ponto que o presidente mandou instalar câmeras nas salas da sede da Seccional, no Calhau. O presidente da Caixa de Assistência dos Advogados, Fernando Antônio Pinto Silva Júnior, reagiu com protesto e indignação à colocação da câmera na sua sala de trabalho, classificando a iniciativa do presidente Thiago Diaz como “procedimento invasivo, inconsequente e temerário”, dando largada para mais um a crise de larga escala dentro da instituição. As explicações do presidente sobre a iniciativa, que seria uma medida de segurança, não bastaram e a crise continua insuflada pelos ventos da temporada eleitoral.

Mas, enquanto a instalação de câmeras alimentava o clima de tensão na OAB, advogados enfrentavam problemas no Fórum de São Luís. Situações que vão desde desentendimentos com magistrados até problemas relacionados com atendimento nos diversos segmentos do Poder Judiciário, sempre com advogados reclamando de desrespeitos às suas prerrogativas. O episódio de ontem se exatamente por causa de um desentendimento entre o advogado Tufi Maluf com a juíza Andrea Lago durante audiência no 1º Juizado Criminal de São Luís. O conflito causou uma manifestação de advogados acusando a magistrada de praticar abuso de autoridade. O protesto foi liderado pelo presidente do Sama, Mozart Baldez, que, como sempre, criticou duramente a gestão, denunciando o que chamou de “ditadura” na Justiça maranhense. O protesto terminou em confusão, e produzindo uma situação insólita: a juíza Andrea Lago determinou a prisão de Mozart Baldez por desacato de autoridade, e Mozart Baldez dando voz de prisão à juíza Andrea Lago por abuso de autoridade.

O episódio ocorrido no Fórum e a pancadaria verbal do presidente do Sama causaram forte repercussão no Palácio Clóvis Bevilácqua, onde o desembargador-presidente Joaquim Figueiredo e o desembargador-corregedor Marcelo Carvalho, após avaliar a situação, tomaram as dores da juíza Andrea Lago e emitiram “Nota de Repúdio” às posições e declarações do advogado-sindicalista Mozart Baldez, e cujo teor é o seguinte:

O Poder Judiciário do Maranhão, que tem entre suas finalidades constitucionais a defesa e o respeito aos valores jurídicos e às instituições, vem a público manifestar seu repúdio, perplexidade com o oportunista comportamento do Presidente do Sindicato dos Advogados do Maranhão, Mozar Baldez, que, com achaques públicos e achincalhes incompatíveis com a Advocacia, vem atacando em redes sociais o Poder Judiciário.

É inconcebível que atitudes como a do citado advogado coexistam no ambiente jurídico, sendo de todo reprovável o comportamento que fere os preceitos do próprio Estatuto da Advocacia, uma vez que o causídico não tem legitimidade para intervir ou pronunciar-se fora do momento próprio, desconsiderando os mais comezinhos princípios de atividade profissional, ao fazer comentários destrutivos à imagem do Judiciário.

A precária dimensão republicana do advogado enseja a imediata ação institucional do Poder Judiciário para questionar suas condutas desviantes e desconectadas dos valores que fazem da Justiça a referência maior da sociedade.

É necessário fazer a justa ressalva de que não há qualquer prova de ocorrência relacionada a agressão ou desrespeito à prerrogativa da nobre e essencial atividade profissional por parte de membros do Poder Judiciário do Maranhão, nas dependências do Fórum de São Luís. O que está claro sobre o episódio são as declarações maldosas com generalizações. Desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos, presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, e Desembargador Marcelo Carvalho Silva
Corregedor-Geral da Justiça.

Os acontecimentos dos últimos dias e os que vêm sendo há tempos registrados, principalmente nas redes sociais, dão uma dimensão clara da crise por que está passando a OAB maranhense e o braço corporativo da classe dos advogados. Ainda que seja uma entidade civil, a OAB se situa no centro do complexo de instituições que formam o Poder Judiciário, com a obrigação maior de zelar pelo cumprimento das regras por meio das quais os advogados atuam, funcionando também como guardiã das normas que asseguram o estado democrático do direito. Daí porque surpreende a situação em que se encontra a sua representação no Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Depois de Jair Bolsonaro, Flávio Rocha (PRB) fará escala em São Luís no dia 22 para lançar o seu “Brasil 200”

Flávio Rocha será recepcionado em São Luís por Cléber Verde
Flávio Rocha, presidenciável do PRB, será recepcionado em São Luís por Cléber Verde

Na esteira de Jair Bolsonaro (PSL), que desembarcará em São Luís no dia 14 para cumprir roteiro de pré-campanha na sua corrida à presidência da República, o presidenciável Flávio Rocha (PRB), mais conhecido por ser o dono da cadeia de lojas Riachuelo, fará escala na Capital maranhense no dia 22, para lançar o movimento “Brasil 200”, que expressa as bases do programa de Governo que defenderá durante a campanha. Flávio Rocha terá como anfitrião o deputado federal Cléber Verde, um dos fundadores do PRB e atualmente seu presidente no Maranhão e que deverá estar acompanhado do vice-governador Carlos Brandão. Será a primeira vez que Jair Bolsonaro virá ao Maranhão em campanha. Já Flávio Rocha já esteve no estado nessa condição dois. Foi em 2002, quando era deputado federal pelo PL e se candidatou a presidente da República defendendo a proposta do Imposto Único. Torrou uma fatia da fortuna da sua família e foi trucidado nas urnas, abandonou a política para se dedicar à tarefa hercúlea de salvar a Riachuelo, que na época corria o risco de entrar em colapso. Conhecido como empresário ousado e arrojado, Flávio Rocha colocou a mão na massa e não só evitou o naufrágio da marca, como a transformou numa das maiores cadeias de lojas do País, sendo por isso muito respeitado no meio empresarial. Nas entrevistas que deu até aqui, deixou claro que é um político da direita liberal, esclarecida, defensor intransigente das privatizações – diz que privatizará até o Banco do Brasil e a Petrobrás – e que não tolera a esquerda e não simpatiza com programa de distribuição de renda – como o bolsa-família, por exemplo – preferindo investir na economia para gerar emprego e renda. “Nós personificamos a indignação da imensa maioria da população que sofre com o fracasso e a ineficiência da farra estatal. Vamos fazer o estado ser eficiente e prestador de serviços e não um mantenedor de privilégios”, concluiu.

 

DEM e PP trabalham na surdina para conseguir as vagas de candidato a suplente de senador

Juscelino Filho (DEM) e André Fufuca (PP) atuam na surdina
Juscelino Filho (DEM) e André Fufuca (PP) atuam na surdina por vagas na chapa

Enquanto o PT pressiona o governador Flávio Dino para que “rife” a deputada federal Eliziane Gama (PPS) e lhe dê a vaga de candidato a senador na sua chapa, o DEM faz o mesmo movimento, só que agora já mais modesto, disposto a aceitar uma das vagas de 1º suplente de senador, que pode ser de Eliziane Gama ou do deputado federal Weverton Rocha (PDT). E pelo que vem sendo soprado nos bastidores, o deputado André Fufuca está também trabalhando na surdina para emplacar um pepista na vaga de suplente de senador. Esses dois partidos preferem trabalhar em silêncio, evitando, de todas as maneiras, o alarde que o PT está fazendo com o mesmo objetivo, com a diferença é que os petistas querem é a vaga de candidato a senador e não a de candidato a suplente. Até o final do mês o mundo vai saber como ficará esse quadro no espaço senatorial da chapa a ser liderada pelo governador Flávio Dino.

 

São Luís, 07 de Junho de 2018.