Todos os posts de Ribarmar Correa

Roseana, Pedro Lucas e Duarte Jr. ganham espaço e corrida ao Senado entra numa fase de indefinições

Roseana Sarney, Pedro Lucas Fernandes e Duarte Jr.
entram em cena na disputa pelo Senado, na qual
já estão Eliziane Gama, André Fufuca, Weverton
Rocha e Iracema Vale como nome alternativo
da situação, e Roberto Rocha na oposição

Movimentos, sussurros e especulações feitos nos últimos dias indicam que a corrida para as duas cadeiras do Maranhão no Senado pode sofrer mudanças radicais nas próximas semanas, com a entrada forte dos deputados federais Roseana Sarney (MDB), Pedro Lucas Fernandes (União) e Duarte Jr. (Avante) no tabuleiro das candidaturas, o mesmo acontecendo com a senadora Eliziane Gama (PT). Em sentido contrário, o senador Weverton Rocha (PDT) vem perdendo gás como nome preferido no grupo governista, enquanto o deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP) se move para manter e, se possível, ampliar o lastro que já construiu. Fora da relação de pré-candidatos, o nome da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), voltou a circular com força nessa seara. Todos esses movimento se dão em torno das pré-candidaturas de Orleans Brandão (MDB), Eduardo Braide (PSD) e Felipe Camarão (PT) ao Governo do Estado, que ainda não têm chapas definidas para o Senado.

No entorno da pré-candidatura de Orleans Brandão, cujo centro das decisões está no Palácio dos Leões, havia o projeto de chapa senatorial formada por Weverton Rocha e André Fufuca. O próprio Orleans Brandão previu essa chapa em pelo menos três entrevistas. Só que de uns dias para cá, esse projeto começou a ser revisto com o intenso reaparecimento de Roseana Sarney e Pedro Lucas Fernandes no cenário. Ela seria uma reivindicação da cúpula nacional do MDB com o aval do ex-presidente José Sarney (MDB), e estaria motivada para encarar uma disputa desse porte. Quanto a Pedro Lucas Fernandes, lançado no ano passado pelo presidente do seu partido, Antônio Rueda, teria agora o aval do governador Carlos Brandão (sem partido). Tanto que, provocado sobre o assunto, o parlamentar tem dito que o seu futuro “está nas mãos” do governador. E no meio político surgiu a especulação de que o deputado federal Duarte Jr. poderá se lançar ao Senado, seja como integrante de uma chapa, seja com uma candidatura independente.

Em conversas reservadas, nomes graúdos da aliança governista admitem tais mudanças e são unânimes em prever que, caso Roseana Sarney ou Pedro Lucas Fernandes não emplaque, o nome certo para a vaga é Iracema Vale, que no momento só admite ser candidata à reeleição, embora esteja cotada para vice, mas sempre completando suas repostas com o prudente “Deus é quem sabe”.

O fato é que na seara governista o ambiente é de indefinição em relação a quem comporá a chapa de Orleans Brandão para o Senado. Antes apontado como “o cara” desse cenário, o senador Weverton Rocha vem perdendo terreno, já não sendo visto como imexível. Ao mesmo tempo, o ex-ministro André Fufuca, mesmo tendo montado um lastro político denso, não teve até agora o seu nome cravado como candidato incontestável do grupo governista a uma das vagas. Ele já foi “incluído” na chapa de Orleans Brandão, foi apontado como eventual integrante da chapa de Felipe Camarão, e até mesmo para a chapa de Eduardo Braide. Neste exato momento, sua posição é indefinida, mas com o projeto de pé.

A entrada de Felipe Camarão na corrida aos Leões, que deve ser oficializada nesta sexta-feira (15) em ato comandado em São Luís pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, certamente mexerá ainda mais no desenho da corrida ao Senado. Começa pelo fato de que a senadora Eliziane Gama, candidata à reeleição e apadrinhada pelo presidente Lula da Silva, tem lugar garantido na chapa. A outra vaga ainda será preenchida, com muitos rumores de que ela poderá ser ocupada pelo ex-ministro André Fufuca. Corre ainda nos bastidores a possibilidade de o PT lançar apenas um candidato e orientar o voto em Roseana Sarney, caso ela venha a ser candidata. E por aí vai…

Fora da seara das três candidaturas, o nome forte é o do ex-senador Roberto Rocha (Novo), que aparece bem nas pesquisas, mas corre o risco de ser tragado pelos descaminhos do seu candidato a governador, Lahesio Bonfim (Novo). Por seu turno, Hilton Gonçalo (Mobiliza) segue com sua campanha solitária, com a possibilidade remota de fazer uma aliança com Eduardo Braide.

Em resumo, a corrida às duas cadeiras no Senado pode vir a ser bem mais animada e imprevisível do que o enfrentamento para o Governo do Estado.

 Esse desenho é completado pelo ex-senador Roberto Rocha, que tem lastro denso, mas

PONTO & CONTRAPONTO

Lançamento de Camarão ao Governo definirá a situação do PT, mas é também risco para Lula

Imagem de Lula da Silva com Felipe Camarão
para ser usada na campanha

É grande, no meio político, a expectativa em relação ao ato por meio do qual o presidente nacional do PT, Edinho Silva, respaldado por uma Resolução da Executiva Nacional, lançará, oficialmente, nesta sexta-feira (15), a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT) ao Governo do Estado. O lançamento será respaldado por um vídeo em que o presidente Lula da Silva (PT) torce pela candidatura do vice-governador afirmando ser ele o melhor para o Maranhão.

A pré-candidatura de Felipe Camarão passa a impressão de que o presidente Lula da Silva e o comando nacional do PT resolveram jogar pesado e pagar para ver o desfecho de um cenário em que o ponto principal é a divisão do braço maranhense do partido, com uma banda apoiando o vice-governador, outra cerrando fileiras com Orleans Brandão (MDB), e uma terceira “em cima do muro”, pregando que Lula da Silva tenha dois palanques no Maranhão.

A decisão do PT de lançar Felipe Camarão envolve uma complicada teia situações políticas complicadas a serem resolvidas. Começa com o fato de ser uma espécie de “rompimento” político com governador Carlos Brandão, já que o partido não abraçou a pré-candidatura de Orleans Brandão, passa pela definição de candidatos ao Senado, inclui medidas para juntar as correntes em torno do vice-governador e, finalmente, criar uma situação em que os palanques de Felipe Camarão e Orleans Brandão peçam votos para a reeleição do presidente da República.

Há quem veja a iniciativa do PT como lógica, mas há também quem a veja como uma situação de risco para o presidente Lula da Silva no Maranhão. Os acontecimentos pós-lançamento darão as respostas.

Famem, MPE e TCE definem parâmetros para gastos de prefeituras com festas juninas

Roberto Costa (camisa branca) entre o procurador geral
do MP de Contas, Douglas Silva, o procurador geral
de Justiça, Danilo Castro, a corregedora geral do MP,
Fátima Travassos, e o presidente do TCE Daniel Brandão

O procurador-geral de justiça, Danilo de Castro, reuniu-se nesta terça-feira, 12, na sede da PGJ, com o presidente da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem), Roberto Costa, o presidente do Tribunal de Contas do Maranhão, Daniel Brandão, e o procurador-geral do Ministério Público de Contas, Douglas Silva. Pelo MPMA, também participou a corregedora-geral, Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro.

Acabou a farra da contratação milionárias de artistas para eventos como São João e Carnaval nos municípios maranhenses. Um grande acordo articulado pela Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), Ministério Público (MPE) e Tribunal de Contas do Estado (TCE) produziu uma resolução que institui limites de gastos nessa área. Os parâmetros serão definidos com base na capacidade financeira dos municípios e a regra básica é a de que os gastos não podem comprometer o funcionamento dos serviços essenciais das Prefeituras, como vinha acontecendo no estado.

Articulada pelo presidente da Famem e prefeito de Bacabal Roberto Costa (MDB), que colocou Prefeituras, TCE e MPE na mesma mesa e com a mesma preocupação, a medida tem como foco central afastar qualquer risco ao equilíbrio financeiro dos municípios, garantindo a transparência desses gastos, de modo que fique demonstrado que os serviços de educação, saúde, assistência social e infraestrutura não foram afetados. “Os municípios precisam desse controle. A Resolução vai permitir a realização de festas, mas a um custo compatível com as finanças de cada prefeitura”, disse Roberto Costa à Coluna.

Definida num diálogo franco e realista do presidente da Famem com o procurador geral de Justiça, Danilo Castro, e o presidente do TCE, Daniel Brandão, a Resolução, além de definir parâmetros para gastos com a contratação de artistas para as festas juninas e para o Carnaval, evitará de vez a ação de promotorias para coibir abusos nessas contratações, fazendo com que haja também exploração abusiva por parte de artistas.

Vale lembrar que é a primeira vez que a Famem sai do protecionismo puro e simples para colocar os municípios num ambiente de realismo saudável no que diz respeito a esses gastos.

São Luís, 13 de Maio de 2026.

Na corrida ao voto, Braide, Orleans e Lahesio vão medir força na Agrobalsas

Eduardo Braide, Orleans Brandão e Lahesio
Bonfim vão medir prestígio na Agrobalsas

Balsas, o epicentro do agro, cidade que ganha musculatura econômica e política a cada safra de soja, milho e algodão, será destino certo na agenda dos pré-candidatos a governador Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB) e Lahesio Bonfim (Novo). Isso porque a cidade, que abriga 101 mil habitantes, dos quais 70 mil são eleitores, exerce influência econômica e política em toda a região Sul do estado. Essa condição geopolítica e econômica deu a Baldas um perfil político que vai do centro-esquerda à direita dura, o que exige dos aspirantes ao Palácio dos Leões um grande esforço para ganhar a maioria do eleitorado. De ontem até sábado (16), a cidade será o epicentro econômico do estado com a realização da tradicional Agrobalsas, que atrai visitantes das mais diversas regiões maranhense, e também do chamado Matopiba, a mega região produtora de grãos formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.  

Balsas hoje vive uma clara divisão em relação à corrida ao Palácio dos Leões. Ali, o prefeito Alan da Marisol (PRD) está alinhado com o governador Carlos Brandão (sem partido) e apoia declaradamente a pré-candidatura de Orleans Brandão, juntamente com a deputada Andrea Rezende (MDB). O governador fez uma série de investimentos no município, sendo que o maior deles foi o complexo industrial da Inpasa, que produz proteína vegetal, que conseguiu com o apoio do vice-presidente Geraldo Alckmin. Na avaliação de governistas, o governador Carlos Brandão é dono de grande prestígio em Balsas, cultivando bom relacionamento com os produtores do agro.

No contraponto, Eduardo Braide conta com o apoio declarado e firme do médico ex-prefeito Eric Silva (PSD), que comandou o município por oito anos e cuja liderança é sólida e expressiva no município, juntamente com a sua esposa, a deputada estadual Viviane Silva (PSD). Eduardo Braide trabalha para transformar Balsas numa forte base de sustentação, numa ação que veio à tona durante a edição da Agrobalsas de 2025, quando ele, ainda prefeito de São Luís e sem sinalizar que seria candidato a governador, desembarcou na cidade, se reuniu com políticos e deu entrevistas com o de estivesse se sentindo em casa.

Informações não confirmadas deram conta, ontem, de que os Orleans Brandão e Eduardo Braide visitarão a freira, que reúne políticos e empresários de toda a região, como deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores.

O pré-candidato Lahesio Bonfim vem tentando entrar nessa briga, mas todas as informações que circularam até agora dizem que nesse momento há uma disputa quase polarizada entre Orleans Brandão e Eduardo Braide, que pode se refletir em vários municípios da região. Médico com empreendimentos, o pré-candidato do Novo é visitante contumaz da Agrobalsas, que visitou no ano passado no dia seguinte à visita-surpresa de Eduardo Braide. Vai agora em busca de reforço ao seu projeto de candidatura.

Na esteira dos três pré-candidato a governador, pelo menos três pré-candidato a senador visitarão a Agrobalsas, o senador Weverton Rocha (PDT), que já teve forte lastro político e eleitoral quando Eric Silva foi prefeito pelo PDT, tendo também o apoio do deputado federal Márcio Honaiser, que trocou o PDT pelo Solidariedade; o deputado federal e ex-ministro André Fufuca (PP), que apoiou o candidato a prefeito que ficou em segundo lugar, mas mantém aliados; e o ex-senador Roberto Rocha (Novo), cuja raiz política, plantada pelo seu pai, o ex-governador Luiz Rocha está fincada naquele município, onde o ex-governador foi prefeito e o irmão do ex-senador, Luiz Rocha Filho, também comandou o município.

É grande no meio político a expectativa relacionada com a ida dos pré-candidatos a governador à Agrobalsas. Isso porque o desempenho de cada um terá reflexos em toda a região sul, com ecos da região Tocantina.

PONTO & CONTRAPONTO

Ministério Público: mais votado na lista tríplice, Danilo Castro é nomeado por Brandão para novo mandato

Mais votado da lista tríplice, Danilo Castro foi
nomeado por Carlos Brandão para novo mandato

Nenhuma surpresa no processo de escolha do procurador geral de Justiça. Mais votado da lista tríplice definida por votação de procuradores e promotores de Justiça, num total de 307 dos 311 votos, o procurador Danilo Castro foi o mais votado e horas depois nomeado pelo governador Carlos Brandão para o segundo mandato. Aconteceu o que o Ministério Público e o Palácio dos Leões aguardavam: Danilo Castro foi o mais votado (201) e o governador Carlos Brandão manteve a tradição nomear o mais votado, no caso exatamente o atual procurador geral que ele queria manter no cargo.

Alguns dados dessa eleição chamam a atenção por indicarem que o Ministério Público do Maranhão é uma instituição fatiada por grupos, que travam uma verdadeira guerra pelo poder nos bastidores. Para começar, o procurador geral recebeu 201 votos, ou seja, dois terços dos sufrágios de um eleitorado pequeno e qualificado, que reúne apenas 311 votos, sendo que apenas 307 votaram. Traduzindo, 106 eleitores não lhe deram o voto.

Outro dado também objeto de atenção foi a participação incomum do ex-procurador geral de Justiça Eduardo Nicolau, que saiu das urnas com 133 votos, sendo o segundo mais votado. É verdade que ele perdeu feio para Danilo Castro, que impôs uma diferença de 68 votos, mas a vantagem do atual do procurador geral não justifica o fato de o ex-procurador, que também foi reeleito no seu tempo, haver recebido votação tão expressiva, 12 votos amais que o terceiro colocado, Carlos Henrique Vieira, que recebeu 121 votos.

O governador Carlos Brandão poderia ter nomeado qualquer um dos três, mas a sua escolha estava sacramentada, uma vez que escolheria Danilo Castro, mesmo que ele tivesse sido o segundo ou o terceiro mais votado. E a explicação é simples: Governo e Ministério Público têm mantido uma relação institucional sem tremores.

Por outro lado, o resultado da eleição indicou com clareza que o MPE-MA é uma instituição ainda marcada por profundas diferenças internas, que vêm de longe.

Partidos da Federação Brasil Esperança estão fechados com Lula, mas divergem em relação à corrida aos Leões

Patrícia Carlos, Márcio Jerry e
Adriano Sarney: afinados com Lula,
mas divergindo na disputa estadual

O braço maranhense da Federação Brasil Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV, está a caminho da implosão, uma vez que que seus líderes estão se posicionando em campos completamente diverso no que diz respeito à corrida eleitoral no Maranhão.

Ao mesmo tempo em que pregam o voto pela reeleição do presidente Lula da Silva, os dirigentes do PT, do PCdoB e do PV estão totalmente desconectados em relação à corrida ao Governo do Estado.

A presidente estadual do PT, Patrícia Carlos, vem pregando a reeleição do presidente Lula da Silva, mas no que diz respeito à disputa para Palácio dos Leões, sua pregação defende dois palanques, como se estivesse liberando os petistas para escolher candidato a governador sem a orientação do partido.

No caso do PCdoB, o presidente do partido, deputado federal Márcio Jerry vem pregando a candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT) ao Governo do Estado, numa posição mais aguerrida do que a de petistas que dizem acompanhar o pré-candidato do partido.

Já o presidente estadual do PV, ex-deputado estadual Adriano Sarney, declara apoio incondicional à reeleição do presidente Lula da Silva, mas, ao contrário da indefinição da petista ???? e da opção de Márcio Jerry por Felipe Camarão, apoia enfaticamente a pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) para o Governo do Estado.

Como se vê, ao mesmo tempo em que estão alinhados em relação à corrida ao Planalto, os três comandos partidários divergem fortemente no que diz respeito à guerra pelo Palácio dos Leões.

São Luís, 12 de Maio de 2026.

Com pré-candidatos definidos, corrida aos Leões ainda é marcada por várias pendências no campo partidário

Felipe Camarão, Eduardo Braide e Orleans Brandão:
candidatos ainda com pendências a resolver

A espantosa diferença nos resultados de duas pesquisas divulgadas na semana que passou – Inop e Veritá -, a confirmação do vice-governador Felipe Camarão como candidato do PT, e a mudança no tom das declarações os pré-candidatos, entre outros fatores, sinalizaram com clareza que a corrida aso Palácio dos Leões, mesmo ainda em fase prévia – a campanha para valer só será iniciada em 16 de agosto -, entra, de fato, numa fase de definição. A partir de agora, são seis aspirantes em busca da consolidação das suas candidaturas: Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Lahesio Bonfim (Novo), Felipe Camarão (PT), Enilton Rodrigues (PSOL) e Saulo Arcangeli (PSTU) que serão confirmadas oficialmente convenções a serem realizadas entre julho e agosto – existe ainda dúvidas sobre a pré-candidatura de Simplício Araújo (Solidariedade).

O cenário agora é o de que, mesmo ainda com algumas pontas que precisam ser amarradas, como, por exemplo, a relação de Felipe Camarão com o PT, a convivência de Eduardo Braide com o PSB e, finalmente, como o presidente Lula da Silva (PT), em busca da reeleição, será tratado no palanque de Orleans Brandão, que não obteve o apoio do comando nacional do PT. São pontos sensíveis dessa guerras, que, resolvidos, nortearão melhor as três pré-candidaturas, uma vez que assim os seus titulares saberão exatamente com quem enfrentarão a guerra pelo coração do eleitor maranhense.

O quadro mais complicado envolve o vice-governador Felipe Camarão. Ele recebeu a chancela do comando nacional do PT e o aval do presidente Lula da Silva para ser candidato a governador. Só que o braço maranhense do PT, que deveria se tornar o seu principal suporte, está claramente dividido entre a sua pré-candidatura e a de Orleans Brandão. Petistas proeminentes como Washington Oliveira e Zé Inácio, advogam que o presidente Lula da Silva deve ter dois palanques no Maranhão e estão inclinados a somar forças com Orleans Brandão, como Cricielle Muniz (ex-Iema), que está em campanha aberta em São Luís ao lado do candidato do MDB. Felipe Camarão tem o desafio de resolver esse racha partidário e unir o partido em torno de si. Se vai conseguir, o tempo dirá.

Eduardo Braide, cuja pré-candidatura está plenamente consolidada, realiza uma pré-campanha buscando reforço político e eleitoral com lideranças nas mais diversas regiões do estado – escolheu sua vice, Elaine Carneiro (PSD), em Imperatriz -, vem costurando, sem açodamento, uma aliança com o PSB, formado pelo chamado grupo dinista. O problema é que a pré-candidatura de Felipe Camarão colocou o grupo dinista em situação delicada, pois o vice-governador, mesmo no PT, é integrante destacado dessa corrente. Eduardo Braide toca sua pré-campanha sem aparentar preocupação com o dilema que se instalou no PSB. O PSB e uma pequena fatia do PT esperam que o ex-prefeito de São Luís sinalize simpatia pela reeleição de Lula da Silva. Só que o partido de Eduardo Braide, o PSD, tem um candidato a presidente, o goiano Ronaldo Caiado, e ele não está disposto a fazer um jogo dessa natureza. Por enquanto, segue com a sua pré-candidatura, sem deixar que isso altere o ritmo da sua maratona.

E, por fim, tudo indica que, mesmo com a entrada de Felipe Camarão na corrida aos Leões com o aval de Brasília, o que implica automaticamente no não apoio à pré-candidatura de Orleans Brandão, a relação política e institucional do presidente Lula da Silva com o governador Carlos Brandão tende a ser mantida. Eles tentaram, durante meses, encontrar uma solução para a corrida sucessória estadual, mas o presidente e o PT discordaram da opção do governador por Orleans Brandão, abrindo mão de ser candidato a senador, enquanto Carlos Brandão não aceitou apoiar a candidatura de Felipe Camarão. Várias alternativas foram propostas, mas nenhuma vingou. Tudo indica que os dois palanques defenderão a reeleição do presidente das República, provavelmente sem a presença dele. Nesse contexto, Orleans Brandão segue sem parecer incomodado com essa rusga.

O fato concreto é que essas pré-candidaturas dão os seus primeiros passos com tais pendências, mas sinalizando que forte disposição de seguir em frente.

PONTO & CONTRAPONTO

Partidos fortes são transformados em feudos por deputados federais

Aluísio Mendes, André Fufuca, Juscelino Filho,
Pedro Lucas Fernandes, Duarte Jr. e Márcio
Jerry têm partidos para chamar de seus

Os partidos políticos viraram, definitivamente, agremiações controladas por deputados federais, que vêm formando verdadeiros feudos na política do Maranhão. Com exceção do PT e do MDB, que são organizações consolidadas e que conseguem evitar esse perfil distorcido, e do PSB, que é presidido pela senadora Ana Paula Lobato, e ainda do PDT que permanece sob o controle férreo do senador Weverton Rocha, depois de ter perdido deputado federal Márcio Honaiser, os demais partidos são legendas controladas com mão de ferro e chamados de seus por deputados federais.

O caso mais emblemático de controle partidário por deputado federal e o PL, comandado há tempos pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Hoje, o partido tem quatro deputados federais e continua sob a influência direta do seu líder, que tendo o seu mandato cassado e sob a acusação de corrupção do emendas, repassou o controle para sua sobrinha, Fabiana Vilar, que será candidata à Câmara Federal. Josimar de Maranhãozinho tenta reforçar uma imagem de renovação indicando o vereador por São Luís Aldir Júnior para disputar mandato de deputado federal no lugar da deputada federal Detinha, que disputará uma cadeira na Assembleia Legislativa.    

O Republicanos, por exemplo, é domínio exclusivo do deputado federal Aluísio Mendes, que não abre espaço para a filiação de políticos fortes que querem disputar a Câmara Federal, usando a maioria deles, como a deputada estadual Mical Damasceno, como “buchas” para dar suporte ao seu projeto de reeleição.

O mesmo acontece com o União Brasil, que depois de uma longa disputa entre os deputados federais Pedro Lucas Fernandes e Juscelino Filho, se transformou no feudo partidário do primeiro. Juscelino Filho preferiu deixar o partido, que passou ao controle absoluto de Pedro Lucas Fernandes. E o reflexo disso chegou a Assembleia Legislativa, onde o líder do Governo, deputado estadual Neto Evangelista, um dos quadros mais antigos e consolidados do União (ex-DEM), migrou para o MDB quando percebeu que toda a estratégia de Pedro Lucas Fernandes era fortalecer a candidatura do irmão dele, Paulo Casé, à Assembleia Legislativa.

Na mesma toada, o deputado Juscelino Filho deixou o União e ganhou um partido de presente, o PSDB, que parecia destinado ao ex-senador Roberto Rocha, mas que por conta da condição de deputado federal, ganhou o controle absoluto, sem qualquer sombra.

Na mesma linha, o deputado federal Marreca Júnior controla o PRD com mão de ferro, passando a ideia de que trabalha para colocar o partido em função, primeiro, da sua reeleição. E num contexto em que a disputa para a Câmara Federal será dura, abriu o partido para o deputado estadual Yglésio Moises, que será também candidato a deputado federal. Pelos cálculos deles, o partido pode eleger os dois, embora haja quem diga que existe um risco elevado.

O PP é comandado sem questionamentos pelo deputado federal André Fufuca, que é pré-candidato ao Senado. Nas contas de pepistas juramentados, a candidatura senatorial de André Fufuca garantirá a reeleição da deputada federal Amanda Gentil, que corria o risco de não se reeleger se o ex-ministro do Esporte decidisse renovar o mandato de deputado federal. Mesmo sem estar mais no comando do PP, a parlamentar caxiense é o nome recomendado pelo

PP para deputado federal. Sem condições políticas de permanecer no PSB, que se tornou oposição ranzinza ao governador Carlos Brandão (sem partido), de quem é aliado, o deputado Duarte Júnior ganhou um partido para chamar de seu: o Avante. Ele inicialmente migrara para o União Brasil, mas dias depois acusou o senador Ciro Nogueira de ser bandido e “despachante” do chefão do Banco Master, foi obrigado a deixar a legenda. O Avante caiu-lhe no colo sem uma sombra no Maranhão.

Finalmente, o deputado federal Márcio Jerry controla o PCdoB, não havendo ninguém, dentro e fora do partido, disposto a disputar o comando da legenda comunista.

Registro

O Imparcial chega aos 100 anos vencendo desafios com ânimo de quem dá a largada para os 200

Foto 1: entre Antônio Pereira, Gerson de Oliveira, José
Sarney, Haroldo Sabóia, Célio Sérgio, Pedro Freire e
Raimundo Borges, Iracema Vale exibe a edição dos
100 Anos de O Imparcial; Fotos 2 e 3: Iracema Vale,
Célio Sérgio, Pedro Freire e Raimundo Borges e
Felipe Klamp, Douglas Cunha, José Sarney, Neres
Pinto e Iracema Vale. Foto 4: José Sarney, Célio
Sérgio e Raimundo Borges discursam na Alema.

O 1º de Maio deste ano deixou no Maranhão uma marca muito maior do que as tradicionais comemorações do Dia do Trabalho, ao elevar o jornal O Imparcial à condição de centenário como parte da cadeia dos Diários Associados, ao lado de ícones da imprensa nacional como O Correio Braziliense (Brasília), O Estado de Minas (Belo Horizonte), Diário de Pernambuco (Recife), e a Tarde (Salvador), por exemplo. Essa conquista, que só os que o fazem e os que o leem conseguem mensurar, foi comemorada com justiça em movimentada sessão solene da Assembleia Legislativa, na última quinta-feira. Entre os presentes, escritor e ex-presidente da República, José Sarney (MDB), que começou no Jornalismo nas páginas do diário fundado por Assis Chateaubriand.

Para alcançar esse patamar, O Imparcial atravessou um século documentando o que aconteceu em São Luís, no Maranhão, no Brasil e no mundo. Ao longo dessas 5.400 semanas, fez o registro do fato mais simples do cotidiano, como os problemas de mobilidade urbana e as ocorrências policiais, como o de grandes eventos, que vão da violenta explosão do navio Maria Celeste no cais de São Luís à tragédia que destruiu o VLT no Centro de Lançamento de Alcântara; assistiu ao nascimento da segunda República, e  viu nascer e morrer o domínio do vitorinismo na política do Maranhão – incluindo a eleição de Assis Chateaubriand para o Senado pelo estado -, tendo ainda registrado o surgimento, a ascensão e o ápice da carreira vitoriosa de José Sarney, assim como o declínio dessa corrente com a eleição de Jackson Lago em 2006 e a de Flávio Dino em 2024. E contou nas suas páginas as tragédias e a evolução do mundo, como a Segunda Guerra Mundial, o nascimento da ONU, o surgimento e o impacto do computador e do telefone celular na vida das pessoas, e tudo o que de bom e ruim mexeu com a Humanidade nesses 36.500 dias.

Foram 100 anos fazendo a História como contador de histórias pelo via sagrada do jornalismo impresso.

Como todo meio de comunicação impressa, O Imparcial sofreu o impacto causado pela chegada do mundo virtual, um concorrente implacável, voraz e com capacidade incontrolável e imensurável de se expandir e dominar de corações e mentes. Nesse contexto conturbado, ao contrário de outros semelhantes seus, que sucumbiram por incapacidade de reação ou por decisão calculada de sacrifica-los tomada por seus donos, O Imparcial vem resistindo, adaptando-se como é possível a uma realidade cada vez mais sombria para os veículos de comunicação impressa. Dá um exemplo de resistência e de dignidade ao jornal impresso e de resiliência como sobrevivente impávido numa realidade socioeconômica adversa. Circula de segunda a domingo, faça chuva ou faça sol e apesar dos desafios.

Essa trajetória é o resultado do trabalho de várias gerações de jornalistas, que têm como referência o incansável e competente Raimundo Borges, ao mesmo tempo diretor de Redação e editor e colunista de Política, em cuja figura respeitável Repórter Tempo homenageia todos os jornalistas que pertencem ou pertenceram aos quadros do jornal Associado. Da mesma maneira, é reconhecida a participação decisiva do diretor-geral Pedro Freire nesse processo, que hoje é levado à frente com garra, destemor e trabalho duro pelo atual diretor-geral Célio Sérgio, em nome de quem a Coluna saúda o corpo administrativo e comercial da empresa A Pacotilha.

Em momento descontraído na Assembleia Legislativa, alguém disse que aquele evento marcava a largada de O Imparcial para os seus 200 anos. Que assim seja!

São Luís, 10 de Maio de 2026.    

Pesquisa Inop mostra Orleans à frente de Braide em empate técnico dentro da margem de erro

Inop: Orleans Brandão à frente de Eduardo
Braide, Lahesio Bonfim e Felipe Camarão

O Inop divulgou ontem os resultados de pesquisa apontando o pré-candidato do MDB, Orleans Brandão com 41,2% das intenções de voto, à frente do pré-candidato do PSD, Eduardo Braide, com 38,60%, virando o jogo na fase inicial da pré-campanha. Na terceira posição aparece o pré-candidato do Novo, Lahesio Bonfim, com 10,39%, seguido do recém anunciado pré-candidato do PT, Felipe Camarão, em quarto com 4,17% das intenções de voto. O levantamento totalizou 5,47% de indecisos (voto nulo, nenhum, e não sabe). O Inop não incluiu os pré-candidatos do PSOL, Enilton Rodrigues, e do PSTU, Saulo Arcangeli.

Contratado pelo Jornal Pequeno, o levantamento do Inop quebrou um longo jejum de pesquisas sobre a corrida ao Palácio dos Leões, trazendo um cenário que animou fortemente o campo liderado pelo governador Carlos Brandão (sem partido) ao apontar Orleans Brandão na liderança da disputa exatamente a cinco meses das eleições. Na verdade, o Inop registrou um empate técnico, se levado em conta o fato de que a diferença entre os dois é de 2,6 pontos percentuais e a margem de erro registrada é de 3,03 pontos percentuais, para mais ou para menos.

A circunstância de a diferença encontrar-se dentro da margem de erro, gerando a leitura de empate técnico, não muda o fato de, caso os números representem a realidade, ou pelo menos sejam próximos a ela, a posição do ex-secretário de Assuntos Municipalistas é indicativa de que seu projeto de candidatura é consistente, o que o torna um pré-candidato em condições enfrentar o poder de fogo político e eleitoral do ex-prefeito de São Luís, que liderou todas as mais de quarenta pesquisas realizadas sobre a corrida sucessória nos últimos dois anos. Isso quer dizer que o governador Carlos Brandão está determinado a entregar o bastão para Orleans Brandão.

No que respeita a Eduardo Braide, se os números do Inop expressarem a realidade, o resultado não é uma tragédia. Inicialmente, eles desenham tendência de dois turnos. E como o terceiro colocado, Lahesio Bonfim, encontra-se aparentemente estagnado, o caminho rascunhado é o da polarização, estimulando a Orleans Brandão e Eduardo Braide a medirem forças para ver quem chega a 6 de outubro na liderança da corrida. Eduardo Braide tem o fato apurado das raposas políticas, deve avaliar os números do Inop comparando-os aos indicadores que o município em pesquisas fechadas que balizam suas tomadas de decisão.

Chama a atenção o fato de que a pesquisas Inop foi realizada antes de a Executiva nacional do PT divulgar resolução confirmando a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Governo do Estado. A grande indagação no meio político é a seguinte: vai vingar? Se vingar, dar passos à frente? E se der passos à frente, tirará voto de quem? O fato é que, horas antes de a divulgação dos números do Inop, o vice-governador reafirmava sua pré-candidatura anunciando alguns nomes para compor o seu plano de Governo. O desafio de Felipe Camarão, será o de mostrar, nas próprias pesquisas, que com o apoio do PT e o aval do presidente Lula da Silva ele pode ir além dos 4,17% encontrados pela pesquisa do Inop.

O fato é que os números da pesquisa Inop confirmam a polarização Brandão/Braide, alimenta a tendência de dois turnos, podendo também abrir caminho para que a disputa seja decidida a turno único. Há espaço e tempo para que essas condições sejam criadas.

Em Tempo: contratada pelo Jornal Pequeno, a pesquisa Inop foi realizada no período de 24 de abril a 02 de maio, ouviu 2.588 eleitores, tem margem de erro de 3,03 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-06910/2026.

PONTO & CONTRAPONT

Polêmica, a pesquisa Veritá prevê vitória de Braide no 1º turno contra Orleans, Lahesio e “outros”

Veritá: Eduardo Braide vence no 1º turno, à frente
de Orleans Brandão e Lahesio Bonfim

Outra pesquisa, esta do instituto mineiro Veritá, mostra um cenário completamente diferente, que muitos apontam como fora da realidade. De acordo com os dados divulgados compilados, se a eleição para governador do Maranhão fosse agora, Eduardo Brande (PSD) venceria no 1º turno com 52,4% dos votos, seguido de Orleans Brandão (MDB) com 18,4% e Lahesio Bonfim (Novo) com 9,3%. Sem citar Felipe Camarão (PT), Enilton Rodrigues (PSOL) e Saulo Arcangeli (PSTU), os definiu como “outros”, que juntos somariam 9,9% dos votos, enquanto os indecisos totalizariam 19,7%. Uma conta que não fecha, porque totaliza 109,7%, o que não faz sentido em qualquer resultado estatístico.

De acordo com o que foi divulgado pelo instituto Veritá, com defasagem de mais de uma semana, se a eleição acontecesse agora, Eduardo Braide seria eleito governador com 59% dos votos válidos, que é quando se exclui abstenções, votos em branco e votos nulos. Orleans Brandão seria o segundo mais votado com 20,7% da votação, e Lahesio Bonfim ficaria em terceiro com 10,5% dos votos válidos. O instituto não citou os três outros pré-candidatos declarados, referindo-se a eles como “outros”, que somariam 9,9% dos votos, sem informar quanto coube a cada um deles nessa fatia do eleitorado.

Esse levantamento chegou aos pedaços nos espaços de divulgação. Para começar, ele seria divulgado no dia 1º de maio, mas várias ações denunciaram falhas, levando a Justiça Eleitoral a suspender a sua divulgação. Depois, a Justiça liberou a divulgação, causando uma grande celeuma, principalmente por causa dos seus percentuais, que apontam definição em turno único com a eleição do ex-prefeito de São Luís.

Em Tempo: sem revelar o seu contratante, o Veritá informou que a pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 30 de abril, ouviu 1.526 eleitores, tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, intervalo de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-07144/2026.

Veritá e Inop divulgam números diferentes sobre a corrida ao Senado

Roberto Rocha, Weverton Rocha,
André Fufuca e Eliziane Gama

Os duas pesquisas se confrontaram também em relação à disputa para o Senado. Enquanto a do instituto Veritá divulgou o cenário do levantamento estimulado, mostrando números bem realistas, mas também algumas falhas, o instituto Inop um release mostrando o cenário espontâneo da corrida ao Senado, e ainda assim com informações aparentemente contraditórias.

Para começar, a pesquisa Veritá incluiu o governador Carlos Brandão entre os pré-candidatos a senador no cenário estimulado, o que não faz o menor sentido, uma vez Carlos Brandão tornou impossível sua candidatura ao não se desincompatibilizar no prazo, que terminou a 04 de abril. Ao mesmo tempo, não incluiu a deputada federal Roseana Sarney (MDB), ainda apontada como possível candidata ao Senado. E para complicar ainda mais o quadro de absurdos, “esqueceu” o senador Weverton Rocha (PDT), que apareceu entre os primeiros em todas as outras pesquisas.

Com essas falhas inacreditáveis, o instituto mineiro encontrou os seguintes cenários na corrida às duas cadeiras no Senado: 1) Roberto Rocha (Novo) com 24,5%, Carlos Brandão (sem partido) com 15,9% e Eliziane Gama (PT) com 14,3%; e 2) Carlos Brandão com 18,7%, André Fufuca (PP) com 17,8% e Eliziane Gama com 11,9%. E ficou nisso.

Já o Inop fez uma divulgação absurdamente confusa ao apresentar os números da pesquisa espontânea para o Senado, sem mostrar os números da pesquisa estimulada, que sempre foram os mais confiáveis e mais realistas em matéria de investigação das preferências do eleitorado.

O resultada da patacoada é o seguinte: Roseana Sarney 6,38% das intenções de voto, Roberto Rocha (4,95%), Weverton Rocha (3,59%), André Fufuca (2,59%) e Eliziane Gama (1,58%). No mesmo pacote, incluiu o deputado estadual Yglesio Moises (PRD), que é candidato a deputado federal (0,97%); Hilton Gonçalo (Mobiliza) com 0,93%, Pedro Lucas (União), que é candidato à reeleição (0,85%); Mical Damasceno (Republicanos), mas é candidata à Câmara Federal (0,62%), e César Pires (0,43%).

A pesquisa Inop fecha esse estranho relatório com a seguinte informação: Iracema Vale (MDB), Juscelino Filho (PSDB), Hildo Rocha (MDB), Carlos Brandão (sem partido) e Lahesio Bonfim (Novo), todos com 0,40% das intenções de voto. Só que nenhum deles manifestou publicamente a intenção de disputar o Senado.

São Luís, 09 de Maio de 2026.

Camarão descarta diálogo com Braide, que agora se torna seu adversário na corrida aos Leões

Pré-candidato ao Governo, Felipe Camarão
é agora adversário de Eduardo Braide

A decisão do vice-governador Felipe Camarão, pré-candidato do PT ao Governo do Estado, de não mais procurar dialogar com o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide, pré-candidato do PSD, é uma das decisões mais pé no chão que ele tomou nos últimos tempos, pelo simples fatos de que candidatos governador são adversários e não faz nenhum sentido abrirem diálogo. Essa deve ser a motivação de Eduardo Braide, já que, atento aos movimentos de cada aspirante aos Leões, como Orleans Brandão (MDB) e Lahesio Bonfim (Novo), ele aguardou pacientemente uma definição do PT, e se fechou em copas quando o comando petista bateu martelo tornando o vice-governador candidato do partido ao Governo.

A mesma posição do vice-governador Felipe Camarão será mantida em relação aos demais candidatos depois que ele se tornou pré-candidato do PT ao Governo com o aval do presidente Lula da Silva (PT). Isso porque, por mais fragilizado que esteja no campo eleitoral, seus aliados mais próximos apostam que ele sairá do patamar de um dígito e alcançará os dois dígitos. Isso, se ocorrer, não será bom para os demais candidatos, que já na pré-campanha sinalizam que vão brigar pelo maior número possível de votos, se preciso atropelando adversários.

Pode haver procedimentos que indiquem, por exemplo, que um candidato sinalize apoio a um determinado com corrente, caso não chegue no segundo turno. Essa é uma decisão política unilateral, que não comporta qualquer nível de diálogo durante os 45 dias da guerra no turno regulamentar da corrida aos Leões. A sinalização pode se dar de várias maneiras, mas isso não muda, por exemplo, o foco dos candidatos, independentemente das suas posições políticas e da distância que mantenham entre si enquanto estiverem se engalfinhando para seduzir o eleitor.

Se a eleição não for resolvida no 1º turno, os candidatos não eleitos poderão, aí sim, dialogar com os que se enfrentarão na segunda rodada. É claro que os dois buscarão naturalmente o apoio de quem não passou no teste das urnas. Afinal, a política tem os seus momentos de confronto, mas também abre espaço para conversas e alianças em momentos decisivos, como é o caso do segundo turno de uma eleição para prefeito de cidade com eleitorado acima de 200 mil, para Governo do Estado e para a Presidência da República.

Ao afirmar que não mais procurará Eduardo Braide para dialogar, o vice-governador Felipe Camarão fez o registro sabendo da impossibilidade desse diálogo. Eduardo Braide, assim como Orleans Brandão. Lahesio Bonfim, Enilton Rodrigues (PSOL) e agora Saulo Arcangeli (PSTU), passa a olha-lo como concorrente, podendo essa visão “evoluir” para adversário e até mesmo inimigo político e eleitoral. O fato de o PSB, que abriga o chamado grupo dinista, estar alinhado ao projeto eleitoral de Eduardo Braide não muda a distância que o ex-prefeito de São Luís manterá do vice-governador agora pré-candidato candidato a governador.

Além das palavras e dos gestos, a realidade nua e crua é que o vice-governador Felipe Camarão entra na corrida aos Leões no momento em que seus participantes começam a ganhar corpo e endurecer o discurso. A começar pelos que apareceram até aqui bem situados nas preferências do eleitorado, segundo as pesquisas, como Eduardo Braide, que lidera, e Orleans Brandão, seu oponente mais próximo, com tendência de polarização. O petista chega com o dificílimo desafio de virar um jogo no qual o primeiro adversário a ser passado para trás será o pré-candidato do Novo Lahesio Bonfim.

Está escrito nas estrelas, portanto, que sua pré-candidatura, ser viabilizada, carece de força política, que o presidente Lula da Silva pode lhe dar, e de peso eleitoral, que só ele poderá atrair com o apoio determinado do PT. O diálogo que precisa, portanto, é o que pode travar com líderes e militantes petistas, para uni-los em torno da sua candidatura.

PONTO & CONTRAPONTO

Cricielle lidera ato de apoio a Orleans no momento em que Camarão é confirmado pré-candidato do PT

Orleans Brandão e Cricielle Muniz
juntos em palanque no São Francisco

No momento em que inicia movimentos para consolidar sua pré-candidatura ao Governo do Estado, o vice-governador Felipe Camarão (PT) toma conhecimento, pelas redes sociais e via blogosfera, que a professora Cricielle Muniz, ex-dirigente da Rede Iema e candidata a deputada estadual, reafirmou publicamente a sua aliança com Orleans Brandão (MDB). Ela integra a ala do PT que defende aliança com o governador Carlos Brandão.

Uma das principais estrelas da nova geração de líderes do PT no Maranhão, Cricielle Muniz teve atuação destacada na equipe de ponta do governador Carlos Brandão. Já no seu segundo ano de gestão na Rede Iema, ela emitiu fortes sinais de que estava se preparando para disputar mandato na Assembleia Legislativa.

Os movimentos da militante petista foram desde o início apoiados pelo governador Carlos Brandão, que já em meados do ano passado declarou publicamente seu apoio ao projeto político-eleitoral de Cricielle Muniz, que além da sua candidatura, atua na linha de frente da pré-campanha do presidente Lula da Silva (PT) à reeleição.

No evento de terça-feira (05), que foi parte da estratégia de quebrar o favoritismo de Eduardo Braide (PSD) em São Luís, Cricielle Muniz recebeu Orleans Brandão em um ato de pré-campanha no São Francisco. No seu discurso, ela reafirmou seu apoio à candidatura dele ao Governo, argumentando que conheceu de perto o seu trabalho na Secretaria de Assuntos Municipalistas e afirmando que, na sua avaliação, o candidato emedebista está preparado para governar.

Na contrapartida, Orleans Brandão não poupou elogios à ex-dirigente da Rede Iema: “Receber o apoio da Cricielle, que tem uma história de luta pela educação e pela juventude do Maranhão, é motivo de muita alegria e também de muita responsabilidade porque ela é uma liderança muito comprometida com a educação, com sua comunidade e com o futuro do nosso estado”.

Dois petistas ouvidos ontem pela Coluna disseram basicamente a mesma coisa: Cricielle Muniz nada tem contra Felipe Camarão, mas vai cumprir até o fim o compromisso que assumiu com Orleans Brandão.

Um deles fez uma observação curiosa: “Isso pode representar um segundo palanque para o Lula no Maranhão”.

Maranhão foi o melhor do País no ranking de competitividade

Painel mostra que o Maranhão
saltou 11 posições no ranking

O Maranhão foi o estado que mais avançou em competitividade no País entre 2023 e 2025.  Saltou da 20ª para a 9ª posição, ou seja, 11 posições, de longe o melhor desempenho entre os 26 estados. Os dados são do Ranking de Competitividade dos Estados, com base em investigação realizada pelo Centro de Liderança Pública (CLP) e divulgada no início da semana.

De acordo com o relatório, o melhor desempenho foi o do Espírito Santo, cuja estratégia tem por base o equilíbrio fiscal e a melhoria da eficiência administrativa. A lanterna ficou com Roraima, que obteve os piores resultados no Ranking de Competitividade dos Estados.

A pesquisa realizada pelo CLP apurou que o desempenho competitivo do Maranhão tem como lastro a solidez fiscal do estado, ou seja, o equilíbrio entre o que arrecada e o que gasta. Esse equilíbrio gerou outros benefícios, como a melhoria de quatro posições em eficiência administrativa, segundo o relatório.

Nesse campo, o Maranhão atual aumentou a sua capacidade de investimento, o controle de gastos, a digitalização dos serviços públicos e a transparência.

São Luís, 07 de Maio de 2026.

Esquerda dura amplia participação na disputa com PSTU lançando Saulo Arcangeli para os Leões e Hertz Dias para o Planalto

Saulo Arcangeli candidato aos Leões
e Hertz Dias aspirante ao Planalto

A exatos cinco meses das eleições, a corrida ao Palácio dos Leões ganha novo tempero: o anúncio de que o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), um dos mais ativos braços da extrema-esquerda no país, escolher como pré-candidato a governador do Maranhão o servidor público federal Saulo Arcangeli, e oficializará a pré-candidatura do professor maranhense Hertz Dias à presidência da República. Com esse comunicado, a esquerda-dura, que não faz concessões, amplia sua participação na corrida sucessória e mantém o ideal da luta de classes e o objetivo maior de implantar do socialismo pleno no Brasil, tendo como meio o voto democrático. As pré-candidaturas serão lançadas oficialmente às 18h desta sexta-feira (08), no auditório do Curso de História das Uema, na Praia Grande.

Fundado em 1994 pelo operário José Maria Almeida, que já foi candidato a presidente da República, o PSTU tem raízes em São Paulo, mas, por uma circunstância que ainda não está bem explicada, produziu em São Luís o seu segundo núcleo mais importante em todo o País. Daí a sua participação intensa do seu núcleo militante, liderado por Saulo Arcangeli, que já foi candidato, a senador e a prefeito de São Luís e agora vai disputar o Palácio dos Leões. Saulo Arcangeli é militante político de tempo integral, com foco em questões sindicais, ecológicas e direitos sociais. O foco da sua candidatura não é exatamente vencer a eleição, mas criar “uma alternativa para romper as engrenagens do sistema capitalista”, pela via do que define como “marxismo revolucionário”.

O peso do braço maranhense do PSTU está demonstrado na decisão do partido de lançar o professor Hertz Dias candidato a presidente da República, colocando-o no mesmo patamar político do presidente Lula da Silva (PT), do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD), por exemplo. Hertz Dias foi candidato a governador em 2022 e também a prefeito de São Luís em 2020 e agora vai encarar o desafio de representar o partido na corrida ao Palácio do Planalto, com o diferencial de quem será o primeiro maranhense a participar da guerra pela chefia da Nação.

Semanas atrás, o PSOL, navegante de mares um pouco menos revoltos e que mantém uma federação com a Rede, mas mantém pesado discurso anticapitalista, batendo forte no liberalismo econômico, lançou pela segunda vez a pré-candidatura do servidor público Enilton Rodrigues aos Leões, e as do professor universitário e jornalista Franklin Douglas e da militante social Antônia Cariongo ao Senado, os quais defenderão o que definem como “projeto de unidade popular”. O PSOL lançou candidato próprio depois do fracasso de uma tentativa de aliança com o PT, que resultaria numa federação. Se a aliança tivesse vingado, o caminho do partido hoje seria apoiar a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão.

No universo das correntes mais duras da esquerda outras legendas podem lançar candidatos a governador e a senador. A expectativa é que o PCB, que é o mais antigo partido do Brasil (1922) e mantém a mesma linha dura dos seus fundadores, lance pré-candidato a governador, provavelmente Frankle Costa, que disputou o Palácio dos Leões em 2022. Existe ainda a possibilidade, essa bem mais remota, de o Unidade Popular (UP), que ainda aposta na emancipação do proletariado e prega, por exemplo, que a propriedade é um roubo, também lance candidato a governador.

No universo da esquerda estão partidos bem mais moderados, com viés democrático mais aberto, como o PT, que deve lançar o vice-governador Felipe Camarão ao Governo do Estado e a senadora Eliziane Gama à reeleição. Fazem parte desse meio-de-campo o PCdoB, que está federado com o PT e o PV, devendo se alinhar à candidatura de Felipe Camarão, e o PSB, que no momento está alinhado à pré-candidatura do ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), de centro-direita.

Com a entrada de Saulo Arcangeli, o quadro da disputa para o Governo do Estado agora está composto por ele, Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Lahesio Bonfim (Novo) e Enilton Rodrigues (PSOL).

PONTO & CONTRAPONTO

Resolução da Executiva Nacional do PT confirma a pré-candidatura de Felipe Camarão ao Governo

Felipe Camarão tem candidatura
confirmada em Resolução
da Executiva Nacional do PT

O vice-governador Felipe Camarão será mesmo candidato a governador. Até então baseada apenas em declarações do presidente nacional do PT, Edinho Silva, a decisão foi formalizada ontem em documento da Comissão Executiva Nacional do partido. O documento foi postado no final da tarde de ontem nas redes sociais do vice-governador.

Batizado “Resolução sobre a candidatura ao Governo do Maranhão”, o documento afirma, categoricamente, que a prioridade do PT é a reeleição do presidente Lula da Silva, e que, “diante da complexidade do cenário político do Maranhão e da necessidade de preservar e ampliar alianças sólidas, construídas no último período, a Comissão Executiva Nacional decide pela pré-candidatura de Felipe Camarão ao Governo do Estado, por considera-la capaz de unificar forças, garantir competitividade eleitoral e sustentar um palanque forte e alinhado ao projeto nacional”.

Traduzindo sem rodeios, o documento informa que o comando nacional do PT, com a anuência do presidente Lula das Silva, fez uma opção clara, preferindo lançar candidato próprio do que levar o PT a somar forças com o governador Carlos Brandão (sem partido) em torno da pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB).

Por outro lado, a Resolução do comando nacional do PT não contém uma só linha rejeitando alianças, indicando que, em nome do projeto de reeleição do presidente, o partido não pretende romper com o governador Carlos Brandão. Mas também não dá indicações em sentido contrário.

O documento diz que a “tarefa imediata do PT é nacionalizar a disputa estadual, transformando a eleição em cada estado numa escolha entre, de um lado, aqueles que estão no ‘time do Lula’, comprometido com o desenvolvimento, a inclusão e a soberania; do outro, o campo da extrema direita, pautado pelo ódio, pelo retrocesso e pelo desmonte do Estado”.

As próximas semanas dirão como essa Resolução será interpretada pelo o Palácio dos Leões.

Brandão comanda lançamento do São João do Maranhão na Avenida Paulista

Carlos Brandão exibe a bandeira do Maranhão entre os secretários
Sérgio Macedo (Comunicação), Abimael Berredo (Cultura) e Socorro
Araújo (Turismo) e brincantes de Bumba Boi na Avenida Paulista

Parte da Avenida Paulista, a mais importante artéria de São Paulo, foi transformada num mini arraial na segunda-feira (4). Ali, o governador Carlos Brandão (sem partido) comandou um movimento colorido e festivo formado por grupos de Bumba Boi e Cacuriá em pleno asfalto, para promover o último São João do seu Governo. Foi um convite dos maranhenses para que os paulistas conheçam as belezas da cultura popular do Maranhão e transformem as festas juninas do estado em opção para as férias de junho.

Não deu outra. Contagiados pelos ritmos, pelos bailados e pelas cores, os paulistanos, sempre reservados e focados no trabalho, pararam para ver e ouvir. O espanto logo se transformou em alegria, indicando uma clara empatia da frieza da selva de concreto de São Paulo do que acontece em junho nas animadas entranhas dos casarões coloniais de São Luís.

Animado com a receptividade, o governador Carlos Brandão declarou: “O São João é a nossa riqueza e a nossa tradição. Estamos aqui em São Paulo mostrando as belezas do nosso estado e a nossa cultura com essa diversidade linda. Nosso São João é muito bonito e precisamos que todos conheçam”.

É isso aí.

São Luís, 06 de Maio de 2026.

Líderes petistas querem dois “ou mais” palanques para Lula no Maranhão num cenário de confronto

Parte do PT quer Lula da Silva no palanque
de Felipe Camarão e de Orleans Brandão

O anúncio de que o vice-governador Felipe Camarão será o candidato do PT ao Governo do Estado colocou no tabuleiro sucessório estadual uma série de situações que terão de ser ajustadas ao novo cenário da corrida ao Palácio dos Leões. O item mais delicado desse conjunto de situações é a proposta de montagem de dois palanques para o presidente Lula da Silva (PT) no Maranhão, um liderado pelo petista Felipe Camarão e outro comandado por Orleans Brandão (MDB), ambos adversários declarados.

Esse desenho, que na visão de muitos observadores é irreal diante do quadro configurado na política maranhense. Na visão de algumas figuras proeminentes do PT, não haverá problemas para Lula da Silva ser recebido no palanque de Felipe Camarão, no qual se sentirá naturalmente “em casa”, nem marcando também presença no palanque de Orleans Brandão. Isso pode acontecer? Quem sabe? Mas a viabilidade de uma proeza assim vai depender de um quase milagre, algo que venha a “dobrar” o mais elevado grau de imprevisibilidade da política.

Quando confirmou que o PT terá o vice-governador Felipe Camarão como candidato ao Palácio dos Leões, a primeira conclusão óbvia e lógica de qualquer observador isento foi a de que o comando petista e o Palácio do Planalto se afastavam politicamente do governador Carlos Brandão (sem partido), ainda que sobrevivesse a relação institucional por meio da qual o Governo Lula da Silva financia parte expressiva da maioria das grandes obras do Governo do Estado, como o prolongamento da Avenida Litorânea, por exemplo. O afastamento político comprometerá essa relação?

Em meio a essas indagações, a até pouco tempo desconhecida presidente interina do PT estadual, Patrícia Carlos, disse que não, que o presidente Lula da Silva pode ter sim dois ou mais palanques no Maranhão, porque a prioridade é a sua reeleição, querendo dizer que a candidatura de Felipe Camarão só servirá a esse propósito. A mesma proposta foi defendida há dois dias pelo ex-vice-governador, ex-conselheiro do TCE e ex-secretário da Representação do Governo do Maranhão em Brasília, Washington Oliveira, que lidera a ala petista alinhada ao governador Carlos Brandão.

Como está claro, o braço maranhense do PT – pelo menos uma grande parte dele -, quer o presidente Lula da Silva pedindo votos para o candidato do seu partido a governador, quando o palanque for o de Felipe Camarão, e também pedindo votos para o candidato a governador adversário, como o emedebista Orleans Brandão, se vier a ser o caso. É uma situação que, seja qual for o ângulo, parece não fazer o menor sentido. Ou será que alguém imagina a situação na qual o presidente Lula da Silva ora suba no palanque de Felipe Camarão e peça votos para si e para o aliado, e num outro momento marque presença no palanque de Orleans Brandão pedindo votos somente para ele próprio e não dizendo para o eleitor votar no candidato a governador?

A situação acima zomba da realidade, a começar pelo fato de que o presidente Lula da Silva jamais toparia uma aberração política dessa natureza, e certamente o governador Carlos Brandão não aceitaria submeter o seu candidato a governador uma fórmula tão grotesca.

No caso específico dos palanques do PT, comandado por Felipe Camarão, e do MDB, encabeçado por Orleans Brandão, por mais politicamente esdrúxulo que possa parecer, seria admissível o presidente Lula da Silva participar dos dois. Mas para isso, ele teria de dispensar ao candidato do MDB o mesmo tratamento que certamente dispensará ao candidato petista, exaltando qualidades e pedindo votos com o argumento de que ele será o melhor para o Maranhão. Seria uma solução salomônica e justa do ponto de vista ético. Mas seria também, sem a menor sombra de dúvida, o maior absurdo da história política do estado, algo não visto nem nos áureos tempos do vitorinismo, quando politicamente boi voava, e de asa quebrada, nos ares políticos do Maranhão.

A candidatura do vice-governador Felipe Camarão, assim como a de Orleans Brandão, trouxe teor politicamente explosivo do rompimento, que o PT terá de administrar, como o governador Carlos Brandão vem tentando fazer em relação à candidatura de Orleans Brandão.

PONTO & CONTRAPONTO

Estreito: Justiça Eleitoral cassa prefeito do PL e sua vice do PT

Léo Cunha e Irenilde da Silva: PL e PT
foram cassados pela Justiça Eleitoral

A cassação do prefeito de Estreito, Léo Cunha e da vice-prefeita Irenilde da Silva causou estragos em duas vertentes políticas absolutamente distantes, via de regrar em confronto nos planos municipal, estadual e, principalmente nacional. Léo Cunha é um empresário de Imperatriz que chegou à Prefeitura de Estreito como candidato do PL, pelas mãos do deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Irenilde da Silva é filiada ao PT.

Os dois foram cassados pela Justiça Eleitoral sob a acusação, comprovada em provas fartas, de abuso de poder econômico e político. Ele foi tornado inelegível por oito anos e ela apenas perdeu o mandato, não tendo sido alcançada pela inelegibilidade. Durante a campanha, Léo Cunha afrontou as regras eleitorais ao distribuir brindes a eleitores, entregar ambulância em clima de comício e realizar comício em data proibida, esnobando o controle da Justiça Eleitoral.

 Como se trata de uma decisão de 1ª instância, tomada pelo juiz Bruno Miranda, titular 82ª Zona Eleitoral de Estreito, o prefeito e a vice ainda não deixam os cargos, uma vez que têm direito a recurso ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA). Mas a cassação foi uma pancada impiedosa no prefeito de Estreito e sua companheira de chapa, e a julgar pelo teor da denúncia, dificilmente o TRE desmanchará a decisão do titular da 82ª Zona Eleitoral.

Léo Cunha é parte de uma família empresarial influente em Imperatriz, cujo irmão, Ribinha Cunha, foi candidato a vice-governador na chapa liderada por Roseana Sarney (MDB) em 2018, quando foi derrotada no 1º turno por Flávio Dino (PCdoB).

A cassação de Léo Cunha e Irenilde da Silva afeta duramente o PL, que perde um prefeito importante, e o PT, que terá muito o que explicar com essa cassação. E funcionou também como um recado de que outras cassações estão a caminho.

Afastamento de médico que assistia à jogo em plantão mostra que Roberto Costa usa coragem como base da sua gestão

Coragem de quebrar tabus como inaugurar
escolas só com estudantes e professores

O ato do prefeito de Bacabal, que é também presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) Roberto Costa (MDB), de afastar um médico flagrado, por ele próprio, assistindo a um jogo de futebol durante plantão em uma unidade hospitalar bacabalense, reforçou o seu conceito de bom gestor, que vem construindo desde que assumiu o cargo em janeiro de 2025. E consolidou outra marca pessoal e política: a coragem, item decisivo na composição de um perfil de gestor bem sucedido.

Roberto Costa mostrou esse traço desde os primeiros momentos, com gestos desassombrados, mostrando que, tanto quanto a razão, o senso de justiça e a correção na prática administrativa, a coragem é fundamental para a tomada de decisões em todos os níveis.  

Ele começou a se mostrar um gestor ao mesmo tempo sensato e corajoso quando decidiu, por exemplo, pôr fim às inaugurações festivas e caras, que sempre foi regras imutável nos municípios. Foi corajoso quando foi pessoalmente ao um hospital para determinar que a partir daquele momento a comida a ser servida aos pacientes teria de ser do mesmo nível de qualidade da servida aos médicos, enfermeiros e servidores, o que não acontecia.

A coragem vem moldando o seu perfil político desde o Movimento Estudantil, quando, ainda adolescente, liderou parte do Movimento Secundarista de São Luís enfrentando os ativos e temidos líderes da esquerda, como o hoje deputado federal Márcio Jerry, por exemplo.

Sua coragem foi decisiva quando ele assumiu a Juventude do MDB, no início dos anos de 1990 enfrentando fortes pressões internas e externas, o que não o impediu de se tornar uma liderança forte dentro do partido, a ponto de anos mais tarde enfrentar as lideranças do partido, como Roseana Sarney, de quem cobrou uma participação mais ampla da ala jovem nas decisões do partido.

Roberto Costa enfrentou inúmeras situações complicadas como deputado estadual, as quais só superou pelas corajosas decisões que tomou. Agora, como prefeito, ele reforça o perfil de gestor que não teme os desdobramentos das decisões que toma. No caso do afastamento do médico por assistir à um jogo de futebol em pleno plantão hospitalar.

Sua postura certamente inspira colegas prefeitos e amplia sua estatura política.

São Luís, 05 de Maio de 2026.

PT lança Camarão e muda cenário apostando na força de Lula para viabilizar sua candidatura

Lula da Silva deu aval à candidatura
de Felipe Camarão a governador

O PT bateu martelo e vai lançar a candidatura do vice-governador Felipe ao Palácio dos Leões, confirma anúncio feito neste sábado pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, numa conferência virtual com os líderes petistas do Maranhão. Nossa linha no Maranhão é Felipe Camarão, não há que ter dúvida. Essa é uma decisão tomada junto com o presidente Lula. O presidente Lula tem convicção de que com o apoio dele, deixando claro que o seu candidato no Maranhão é Felipe, nós vamos pôr o Felipe no segundo turno e vamos ganhar a eleição”, declarou, enfático, o presidente do PT, confirmando informação corrente nos bastidores partidários maranhenses desde o início da semana passada.

A opção do PT por candidatura própria produz naturalmente alteração expressiva e abrangente no canário da corrida aos Leões, começando pela confirmação de que o partido e o presidente Lula da Silva entram em rota de colisão com o seu principal aliado no estado, o governador Carlos Brandão (sem partido), por não aceitam apoiar a candidatura de Orleans Brandão (MDB), numa reação do tipo “olho por olho” ao fato de o governador Carlos Brandão haver se negado a apoiar a apoiar a candidatura do vice-governador, que para os petistas era o “caminho natural”. Resta saber agora como ficará a relação do presidente Lula com o governador Carlos Brandão.

Na avaliação do comando nacional do PT, com o apoio declarado do presidente Lula da Silva, o vice-governador Felipe Camarão reúne condições para se tornar um candidato viável, com possibilidade de entrar efetivamente na briga pelo Palácio dos Leões, num confronto aberto com os três candidatos já definidos: Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB) e Lahesio Bonfim. A expectativa do presidente nacional do PT é que Felipe Camarão chegue ao segundo turno, e para isso ele tem de deixar para trás dois dos três nomes que estão de fato, na corrida pelo Governo.

O desenho político e partidário desse novo cenário não será tão simples como pensa, por exemplo, a presidente estadual do PT, Patrícia Carlos, que defende que o presidente Lula da Silva tenha dois palanques no Maranhão, o do próprio partido, liderado por Felipe Camarão, e o Orleans Brandão, que tem comando do governador Carlos Brandão, patrono político do candidato emedebista. Será que Orleans Brandão abrirá seu palanque para o presidente depois de ter sido vetado para ser o nome de uma aliança PT/MDB? E depois, nos bastidores partidários começa uma tímida, mas já visível movimentação no sentido de levar parte da aliança a apoiar Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial.

Por outro lado, a candidatura do PT coloca em xeque uma aliança do partido com o candidato do PSD, Eduardo Braide, que já tem praticamente certo o apoio do chamado grupo dinista, via PSB. No entendimento de importantes petistas maranhenses, o “caminho natural” do PSB é apoiar o vice-governador Felipe Camarão. Acontece que o grupo e formado por cinco deputados estaduais, que veem na aliança com Eduardo Braide, um caminho para a sobrevivência nas urnas. Uma fonte do grupo dinista tem dito que o seu caminho é apoiar Eduardo Braide, e que uma mudança por Felipe Camarão exigirá uma articulação bem amarrada em todas as pontas. Isso porque para eles, não será fácil desfazer uma delicada, mas viável, aliança com Eduardo Braide, que vem sendo moldada há meses.

A entrada do vice-governador Felipe Camarão na corrida sucessória, agora oficializada pela direção nacional do PT, define o quadro de candidatos ao Governo do Estado, que já inclui Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Lahesio Bonfim (Novo) e Enilton Rodrigues (PSOL) – há ainda a possibilidade de o PSTU, que há lançou Hertz Dias para presidente da República, vir a lançar um nome ao Governo do Estado.

O fato é que, ainda que prevista num longo jogo de “pode, não pode”, a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão altera consideravelmente o cenário da corrida aos Leões.   

PONTO & CONTRAPONTO

Candidatura de Camarão ao Governo pode mudar o cenário da disputa para o Senado

Eliziane Gama está definida; Weverton
Rocha e André Fufuca apontados para a
outra vaga na chapa de Felipe Camarão

A confirmação, pelo PT, da candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Governo do Estado, além de alterar amplamente a corrida sucessória, terá influência de peso na disputa pelas duas vagas no Senado. Desde de que essa decisão começou a ganhar corpo em Brasília, as contas em relação à corrida senatorial começaram a ser refeitas, e nessa reengenharia pré-eleitoral a senadora Eliziane Gama ganha novo espaço como candidata do PT à reeleição.

Nos bastidores, as especulações são as mais diversas, começa pela dupla Eliziane Gama/Weverton Rocha (PDT), sob o argumento de que o senador pedetista teria o aval do Palácio do Planalto. O problema é que Weverton Rocha é também candidato da aliança encabeçada por Orleans Brandão, ficando no ar a pergunta: com quem ele estará de fato?

No tabuleiro das especulações surge a dupla Eliziane Gama/André Fufuca (PP). Depois de meses de incertezas, há menos de duas semanas Orleans Brandão fechou questão sobre a chapa Weverton Rocha/André Fufuca para o Senado. E há quem diga que se André Fufuca migrar para a candidatura de Felipe Camarão o MDB pode rever sua posição e lançar a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB).

O comando nacional do PT trabalha com a eleição de dois senadores alinhados ao Palácio do Planalto. Daí a insistência do presidente Lula da Silva para que o governador Carlos Brandão fosse candidato ao Senado, mas ele preferiu lançar Orleans Brandão ao Governo e permanecer no cargo até o final.

“Caçadores de culpados” tentam incluir Flávio Dino na lista dos que agira contra Jorge Messias

Flávio Dino incluído, sem base, na lista dos
que agiram contra Jorge Messias no Senado

A rejeição, pelo Senado, do advogado geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeou uma frenética caçada aos “culpados”. E nessa tresloucada onda especulativa, o ministro Flávio Dino foi incluído na lista como “um dos principais adversários” do rejeitado. O curioso é que não existe registro de um gesto, uma fala, um recado, uma pressão direta a senadores, uma “recomendação”, uma declaração contrária ou coisa parecida contra Jorge Messias em todo esse imbróglio gigantesco.

Nesse contexto, a única fala de Flávio Dino sobre o assunto foi a resposta a um jornalista que lhe perguntou, de chofre, se ele estava pedindo a senadores que votassem contra Jorge Messias. Ele respondeu que isso seria impossível, porque é odiado no Congresso Nacional por causa das suas decisões sobre emendas parlamentares. Deixou claro que não se moveu nem a favor nem contra, como deve ser a postura de um ministro da Suprema Corte  

Dono de vasta cultura jurídica e de conhecida posição ideológica, Flávio Dino tem sido, via de regra, duramente criticado pela extrema direita, que o acusa de “politizar” a corte, sob o argumento de que ministro do STF que se preza não faz política. Esse ânimo ácido em relação ao ministro faz esses inimigos interpretarem o seu silêncio em relação ao caso como um movimento contrário a Jorge Messias.

A situação é tão esdrúxula e salpicada de má fé que nenhum dos adversários criticou, e muitos acharam “louvável” e acataram de bom grado, que o ministro André Mendonça, porta-voz da direita dura na Corte, fizesse campanha aberta pró-Jorge Messias, com declarações e nota de apoio ao indicado, isso sem contar a pressão direta sobre senadores pela aprovação da indicação.

O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, teria feito pressão ameaçadora a senadores para votarem contra Jorge Messias, ação explicada por um suposto acordo subterrâneo para o sepultamento da CPMI do Master, caso em que ele tem interesse direto por conta da relação suspeita do escritório de advocacia da família com o comando do Banco Master. O que se diz é, por esse motivo, o ministro Alexandre de Moraes pegou pesado pela rejeição de Jorge Messias, prevendo um desequilíbrio de forças dentro da Suprema Corte.

O ministro Flávio Dino pode não simpatizar com a pessoa ou com o ideário jurídico-político de Jorge Messias, que é evangélico e conservador, podendo inclusive alimentar um sentimento contrário à não ida dele para a Corte. Mas entre um sentimento e agir efetivamente, usando o cargo, para que ele fosse rejeitado pelo Senado há uma distância enorme. Quem conhece Flávio Dino sabe que ele é movido pela razão e pelas regras que movem as instituições. Foi assim como juiz federal, como deputado federal, como governador, como senador, como ministro da Justiça e continua mantendo sua postura como ministro do STF.

Não há rasuras na postura do ministro Flávio Dino em relação ao advogado Jorge Messias, como tentam fazer crer os “caçadores de culpados”.

São Luís, 03 de Maio de 2026.

Derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria causou forte divisão e algumas surpresas na bancada maranhense

Acima Eliziane Gama, Weverton Rocha e Ana Paula Lobato votaram pela
manutenção do veto. Embaixo, à esquerda, Amanda Gentil, Aluísio
Mendes, Cleber Verde, Duarte Jr. Josivaldo JP, Márcio Honaiser, Pastor
Gil, Pedro Lucas Fernandes, Paulo Marinho Jr., e Silvio Antônio votaram
pela derrubada do veto; e à direita André Fufuca, Rubens Jr.,
Márcio Jerry e Fábio Macedo votaram pela manutenção do veto

A votação por meio da qual o Congresso Nacional derrubou ontem o veto do presidente Lula da Silva (PT) ao PL da Dosimetria (Projeto de Lei 2162/23), que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro, em especial o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje em prisão domiciliar por razões de saúde, foi uma demonstração cabal de como pensam os atuais congressistas maranhenses sobre como devem ser punidos os responsáveis pelo mais grave movimento contra a democracia e o estado democrático de direito no Brasil depois do golpe militar de 1964. Enquanto os senadores Weverton Rocha (PDT), Eliziane Gama (PT) e Ana Paula Lobato (PSB) votaram pela manutenção do veto, os deputados federais se dividiram, sendo que 10 votaram pela derrubada do veto e quatro votaram pela manutenção, um se absteve e três faltaram à sessão.

Os votos favoráveis ao veto dados pelos senadores Weverton Rocha e Ana Paula Lobato seguiram orientação dos seus partidos, ambos alinhados ao Palácio do Planalto Já senadora Eliziane Gama teve dupla motivação para defender o veto presidencial: além de seguir a orientação do PT, ela foi a relatora da CPI do 8 de Janeiro e no seu relatório ela confirmou a tentativa de golpe de Estado tramada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições de 2022, e pediu punição severa para todos os envolvidos.

Já os deputados federais se mostraram política e ideologicamente com muita clareza, com revelações surpreendentes. Para começar, a bancada do PP se dividiu, com a deputada Amanda Gentil votando pela derrubada do veto e, consequentemente, para aliviar a punição aos golpistas, e o deputado federal e ex-ministro André Fufuca dando voto para manter o veto, alinhado que é ao presidente Lula da Silva. Já a bancada do PL, representada na sessão pelos deputados interinos Paulo Marinho Jr. e Sílvio Antônio e pelo deputado quase cassado Pastor Gil, votou em bloco pela derrubada do veto, o que era esperado. E os deputados Pedro Lucas Fernandes e Josivaldo JP votaram também para derrubar o veto, seguindo a orientação do comando nacional do União, que tem um pé firme no bolsonarismo.

Único representante do MDB na sessão, o deputado Cléber Verde, que é um jogador tarimbado, votou contra o veto, o mesmo acontecendo com o deputado Aluísio Mendes (Republicanos), que é da direita dura e tem alinhamento com o bolsonarismo, também votou e fez campanha pela derrubada do veto. Já os deputados Márcio Jerry (PCdoB) e Rubens Jr. (PT), que são nomes de proa da base governista e se posicionaram contra o PL da Dosimetria desde a primeira hora, votaram alinhados com os seus partidos pela manutenção do veto presidencial.

Três votos, dois pela derrubada e o terceiro pela manutenção, chamara a atenção. O deputado Duarte Jr. (Avante), que é advogado e pontilha os seus pronunciamentos com defesas densas da democracia plena, causou espanto ao votar pela derrubada do veto do presidente Lula da Silva ao PL da Dosimetria. Também o deputado Márcio Honaiser (Solidariedade), que foi governista roxo até deixar o PDT em março, votou pela derrubada do veto. Já o deputado Fábio Macedo (Podemos), visto como um político de direita, que tem um pé no bolsonarismo, surpreendeu votando pela manutenção do veto, entendendo que o PL da Dosimetria não foi uma decisão saudável para a democracia.

O deputado interino Ribeiro Neto (Solidariedade) preferiu se abster, enquanto os deputados Hildo Rocha (MDB), Juscelino Filho (PSDB) e Júnior Lourenço (MDB) não participaram da votação.

Vale registrar que esses foram dados 48 horas depois que o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo da tentativa de golpe, apresentou à Suprema Corte, o relatório final do processo, no qual confirma, com farta documentação, tudo o que foi armado, tramado e tentado pelo então presidente Jair Bolsonaro e o grupo que o cercava entre o anúncio da vitória do presidente Lula da Silva no final de outubro de 2022 e o 8 de Janeiro de 2023.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão cumpre agenda intensa conciliando compromissos administrativos e atos políticos na capital e no interior

Carlos Brandão, quarta-feira, em Grajaú, no ato de
entrega de 800 títulos de propriedade
do programa “Esta Casa Agora é Minha”

O governador Carlos Brandão (sem partido) tem cumprido uma agenda absolutamente fora da normalidade, que inclui despachos e audiências no Palácio dos Leões, eventos institucionais, lançamento, inspeção e inauguração de obras e, agora mais intensamente, eventos políticos.

Decidido a permanecer no cargo até o final do mandato, ele está imbuído de dois propósitos. O primeiro é manter o ritmo acelerado do Governo até 31 de dezembro deste ano, o último dia da sua gestão. E o segundo é passar a faixa do poder ao pré-candidato ao MDB ao Governo do Estado, Orleans Brandão.

Se vem mantendo um ritmo arrojado no comando do Governo, com um amplo elenco de obras a serem entregues até o final do ano, arrojada ainda é a sua movimentação política, que incluir reuniões com auxiliares do campo político, aliados da Assembleia Legislativa – a começar pela presidente Iracema Vale (MDB) – e da Câmara Federal e do Senado da República.

No momento, o mandatário maranhense está empenhado em amarrar todas as pontas da aliança que construiu com 11 legendas para dar suporte à pré-candidatura de Orleans Brandão ao Palácio dos Leões. Essa maratona inclui reuniões e atos de lançamento, como foi o evento de sábado em Imperatriz.

O chefe do Executivo começa sua movimentação por volta da seis da manhã e só entrega os pontos depois das 22 horas. Isso de domingo a domingo.

Não existe “primeira” e “segunda” vaga para o Senado; serão duas vagas em condições iguais

Senado renovará dois terços da sua
composição nas eleições deste anos

Alguns textos sobre a disputa para as duas vagas no Senado insistem em falar em “primeira” e “segunda” vaga. Nada mais equivocado, porque não existe “primeira” nem “segunda” vaga. Existem duas vagas, que serão disputadas em condições rigorosamente iguais pelos candidatos estiverem devidamente habilitados. Nada de “fulano vai disputar a ´primeira` vaga” nem “beltrano vai tentar a ´segunda` vaga”.

Essa qualificação de “primeira” e “segunda” vaga na corrida senatorial gera certa confusão no eleitor menos avisado, que acaba avaliando, equivocadamente, por exemplo, que o senador Weverton Rocha (PDT), por aparecer como maior percentual de preferência nas pesquisas, está disputando a “primeira” vaga, o que não é verdade. Ele, como os demais candidatos, está concorrendo a uma vaga, em plenas condições de igualdade. Se as pesquisas o apontam como o candidato com maior potencial de votos e esse potencial se confirmar nas urnas, ele será eleito para uma das vagas. E ponto final.

Vale lembrar que o Poder Legislativo federal no Brasil é bicameral, com uma Câmara dos Deputados, com 513 cadeiras, que representa a população brasileira, e um Senado, com 81 cadeiras, que representa os estados. Cada estado, independentemente do tamanho do seu território e de sua população, detém três cadeiras no Senado.

A cada quatro anos, o Senado é renovado, ora em um terço, ora em dois terços. Em 2022, a renovação foi de um terço, tendo o Maranhão elegido o ex-governador Flávio Dino (PSB). Nas eleições deste ano serão renovados dois terços, com cada estado elegendo dois senadores.

Cada partido ou federação tem direito a lançar dois candidatos, podendo, se for o caso, lançar apenas um, ou nenhum, se assim decidir. Mas todos os candidatos concorrerão em condições de igualdade às duas vagas, sem essa classificação de “primeira” e “segunda”.

Em Tempo: até agora, os pré-candidatos a senador no Maranhão são o senador Weverton Rocha (PDT), que busca a reeleição; a senadora Eliziane Gama (PT), também tentando renovar o mandato; o deputado federal André Fufuca (PP), o ex-senador Roberto Rocha (Novo), o jornalista e advogado Franklin Douglas (PSOL) e a professora militante social Antônia Cariongo (PSOL). Essa relação pode aumentar.

São Luís, 01 de Maio de 2026.

Se o PT e Lula lançarem Felipe Camarão, o movimento pode alterar o cenário da sucessão estadual

Felipe Camarão deve ser candidato
aos Leões avalizado pelo PT
e pelo presidente Lula da Silva

A ser confirmada nos próximos dias – e tudo indica que o será -, a decisão do comando nacional do PT de lançar o vice-governador Felipe Camarão (PT) ao Governo do Estado pode produzir uma série de desdobramentos com força para alterar expressivamente o cenário da corrida sucessória estadual desenhado até aqui. Para começar, ao mesmo tempo em que garantirá um palanque petista para o presidente Lula da Silva (PT) no Maranhão, por outro, esse movimento colocará o PT e o seu líder maior em rota de colisão com o governador Carlos Brandão (sem partido), que de aliado de primeira hora pode passar a adversário, já que o chefe do Executivo não abre mão da candidatura de Orleans Brandão (MDB). Isso porque, reduzindo o problemão a uma escala simples, Carlos brandão não quer Felipe Camarão no Palácio dos Leões e o PT e o presidente querem Felipe Camarão e não Orleans Brandão com o sucessor de Carlos Brandão.

A decisão do comando nacional do PT, cujo presidente, Edinho Silva, já teria comunicado aos líderes do PT maranhense, abre um amplo leque de situações, sendo a primeira delas o posicionamento de Felipe Camarão e o braço maranhense do PT como adversários dos pré-candidatos do PSD, Eduardo Braide, e do MDB, Orleans Brandão. Como os dois reagirão à nova situação – se ela vier a ser de fato criada -, só o tempo dirá. Mas em política, principalmente num contexto eleitoral, as regras são ditadas pelo grau de interesse que cada um dos candidatos tiver pelo objetivo a ser alcançado, no caso o Palácio dos Leões, o maior espaço de poder no Maranhão.

Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), que no momento polarizam a corrida sucessória, terão de reorganizar os seus projetos e reposicionar as suas forças. Isso porque, mesmo estando em posição muito frágil, como vêm sinalizando as pesquisas, não seria surpresa se, apresentado pelo presidente Lula da Silva, que continua sendo a maior força eleitoral do estado, o vice-governador vier a se tornar um candidato viável. No contrapeso, Eduardo Braide, que tem o reluzente portfólio da sua gestão em São Luís, e Orleans Brandão, que controla uma base ampla formada por prefeitos e um suporte garantido pelo seu patrono, o governador Carlos brandão, que abriu mão de uma candidatura viabilíssima ao Senado, para ser a tração de força desse projeto de candidatura.

Na semana passada, o governador Carlos Brandão esteve em Brasília e ali conversou com o líder petista Edinho Silva. Na rodada de negociação, todos os prós e contras da relação do PT com o governador Carlos Brandão foram levados em conta, mas não houve avanço em relação ao item mais importante reivindicado pelo governador: o apoio do PT a Orleans Brandão. Ao retornar a São Luís, Carlos Brandão disse à Coluna que a situação permanecia indefinida. No início desta semana, o comando nacional do PT teria batido martelo e decidido lançar o vice-governador Felipe Camarão candidato ao Governo, desenhando um confronto direto com o candidato do governador Carlos Brandão.

Esse cenário, se confirmado, colocará o PSB numa situação delicada no tabuleiro, já que o partido vem negociando uma relação eleitoral, sem a exigência do toma-lá-dá-cá com o ex-prefeito de São Luís.

Se, de fato, vier a ser lançado pelo presidente Lula da Silva ao Palácio dos Leões, o vice-governador Felipe Camarão sairá de vez do cipoal de incertezas em que estava se movimentando, perdendo força política e prestígio pessoal. Com a chancela partidária, o seu caminho será entrar na corrida e tentar ocupar um espaço nas graças do eleitorado, cuja maioria neste momento está dividida entre Eduardo Braide, Orleans Brandão e Lahesio Bonfim (Novo). Ele entrará na corrida em quarto lugar, com menos de 10% das preferências, segundo as pesquisas mais recentes. E com o desafio de se tornar, de fato, um candidato competitivo, primeiro tendo de ultrapassar o pré-candidato do Novo Lahesio Bonfim, que ocupa o terceiro lugar.

Há tempo para isso. O desafio estará nas suas mãos.

PONTO & CONTRAPONTO

Derrota humilhante de Jorge Messias e de Lula alcançou também Weverton Rocha e Eliziane Gama

Weverton Rocha e Eliziane Gama:
derrotados com a rejeição
de Jorge Messias pelo Senado

Feitas as contas, a derrota histórica e humilhante sofrida pelo advogado geral da União, Jorge Messias, ao ter sua indicação para o Supremo Tribunal Federal rejeitada, além do presidente Lula da Silva (PT), que foi o grande derrotado no plano político, os estilhaços da explosão alcançaram também, duramente, os senadores Weverton Rocha (PDT), relator da indicação, e Eliziane Gama (PT), que trabalhou arduamente a favor do indicado nos segmentos evangélicos.

A derrota do senador Weverton Rocha foi acachapante. Escolhido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), com quem é “carne e unha”, o senador maranhense apresentou um relatório integralmente favorável a Jorge Messias, e durante a sabatina e a votação, atuou para as câmeras como uma espécie de “santo protetor” do indicado, falando a todo momento que estava tudo bem encaminhado para que ele fosse aprovado no plenário.

Com o lastro de quem foi o relator da indicação do então senador Flávio Dino para a vaga na Suprema Corte, também por escolha do presidente Davi Alcolumbre, o senador Weverton Rocha provavelmente soube que ele seria derrotado nos primeiros movimentos da votação no plenário. O fato é que publicamente o senador pedetista apareceu como duramente derrotado. Há quem veja por outro ângulo, mas essa é outra história.

A rejeição de Jorge Messias foi também uma pancada política na senadora Eliziane Gama. Ela atuou fortemente na mobilização de lideranças evangélicas em favor do indicado. Durante a sabatina e a votação no plenário, a senadora maranhense se movimentou intensamente, ora se manifestando, ora tentando convencer senadores de oposição a votar a favor do indicado e ora manifestando apoio pessoal a Jorge Messias quando ele era inquirido pelos senadores. Deu tudo errado e a decepção apareceu espantada no semblante da parlamentar petista.

Não há dúvida de que os senadores Weverton Rocha e Eliziane Gama, ambos candidatos à reeleição, terão de explicar – ele mais do que ela – esse fato que está abalando fortemente o equilíbrio institucional do País.

Em Tempo: alinhada ao Palácio do Planalto, a senadora Ana Paula Lobato (PSB) trabalhou por Jorge Messias, mas a derrota dele no plenário do Senado não a atingiu politicamente.

Esmênia vai ajustando sua gestão consciente de que a transição vai passar e que desafios estão a caminho

Esmênia Miranda: ajustando
a equipe para manter o ritmo

A prefeita de São Luís, Esmênia Miranda (PSD) vem conseguindo o que alguns observadores duvidavam: manter o controle da administração municipal e assegurar a continuidade do ritmo de trabalho implantado pelo seu sucessor, Eduardo Braide (PSD), pré-candidato ao Governo do Maranhão.

Ainda fazendo ajustes na máquina administrativa municipal, operando mudanças de acordo com os secretários pelo ex-prefeito, ela não apenas manteve a equipe, como vem orientando os seus integrantes no sentido de que nada mudará.

No plano institucional, a prefeita vem trabalhando silenciosa e efetivamente para construir uma relação sem pressão nem dependência com a Câmara Municipal. O seu objetivo é assegurar que matérias de interesse do Palácio de la Ravardière tenham trâmite normal, com debates e votações sem maiores delongas e, se possível, sem conflitos nem confrontos.

Esmênia Miranda sabe que, mesmo tendo se preparado para assumir o comando de uma máquina que cuida dos interesses de mais de 1,2 milhão de ludovicenses, ela vive um período de transição e que em pouco tempo vai ter de encarar desafios que estão camuflados pela corrida eleitoral, mas que emergirão a partir do ano que vem.

Se o ex-prefeito Eduardo Braide se der bem nas urnas, será o melhor dos juntos para a nova gestão de São Luís. Do contrário, ela continuará tendo de administrar uma convivência com um adversário no Palácio dos Leões.

São Luís, 30 de Abril de 2026.