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Flávio Dino larga na frente ao apresentar chapa majoritária com Carlos Brandão, Weverton Rocha e Eliziane Gama

 

Flávio Dino entre Carlos Brandão, Weverton Rocha e Eliziane Gama no ato de apresentação dos nomes da sua chapa
Flávio Dino entre Carlos Brandão, Weverton Rocha e Eliziane Gama no ato de apresentação dos nomes da sua chapa majoritária para as eleições de outubro

O governador Flávio Dino (PCdoB) buscará a reeleição liderando chapa que tem o vice-governador Carlos Brandão (PRB) também buscando a renovação do mandato, e os deputados federais Eliziane Gama (PPS) e Weverton Rocha (PDT) como candidatos às duas cadeiras no Senado. A composição da chapa majoritária foi apresentada a presidentes de 14 dos 15 partidos que formam a aliança governista – PCdoB, PT, PPS, PRB, PTB, PTC, SD, PEN, PSB, PP, DEM, PR – na noite de quinta-feira, no Palácio dos Leões. Com a definição, o governador Flávio Dino larga na frente na corrida pelo voto, demonstrando que soube construir a base de sustentação do seu projeto de poder, aliando eficiência administrativa com inteligência política. Os seus companheiros de chapa estão inteiramente alinhados ao horizonte político alcançado pelo governador, estando também cientes de que enfrentarão adversários tarimbados e duros, e dispostos a usar todos os seus recursos e trunfos na disputa, uns para voltar ao poder, como a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), e outros para chegar lá pela primeira vez, como é o caso do senador Roberto Rocha (PSDB).

Ao fazer a proposta de chapa majoritária aos partidos, o governador Flávio Dino foi enfático ao afirmar que não se trata de uma imposição. Ele deixou os partidos à vontade para respaldar ou não os nomes, esperando que os indicados já tenham feito o seu dever de casa buscando o aval das agremiações aliancistas. A definição também foi feita com base na avaliação de pesquisas recentes, que apontam, primeiro, sua liderança folgada nas intenções de voto até aqui, para governador, e que indicam que os candidatos ao Senado têm suporte político e viabilidade eleitoral para conseguir bom desempenho nas urnas.

O governador e sua aliança partidária caminharão agora para as urnas cientes dos imensos desafios que têm pela frente. Primeiro, e de convencer o eleitorado de que está realizando um bom Governo e que precisa de mais um mandato para consolidá-lo. E o segundo é o de que, se eleitos senadores, Weverton Rocha e Eliziane Gama fortalecerão um eventual segundo Governo com no Congresso Nacional, revertendo a situação atual, na qual a bancada do Maranhão no Senado é  inteiramente hostil ao seu Governo. Se for reeleito levando junto os dois novos senadores, o governador Flávio Dino sairá das urnas de outubro com a sua liderança consolidada e permitindo-lhe intensificar sua cainhada política para um desfecho absolutamente imprevisível em 2022.

Os deputados federais Eliziane Gama e Weverton Rocha têm noção clara e ampliada do cenário em que estão se movimentando. Sabem que se forem eleitos, passarão a ser nomes considerados cacifados de maneira diferenciada. Ela entrou nessa seara embalada pelas pesquisas de opinião que a apontam como um dos nomes  ais fortes da disputa, e mais do que isso, que precisa convencer o eleitorado de que seu projeto senatorial consistente, como vem sendo o seu elogiado desempenho na Câmara Federal, reconhecido até mesmo por adversários. O mesmo cenário se descortina para Weverton Rocha, que, se eleito for, sairá das urnas como nome forte para o Governo do Estado em 2022.

A definição da chapa majoritária liderada pelo governador Flávio Dino certamente abre caminho para que seus adversários também definam as suas. Roseana Sarney já tem o senador e ex-ministro Edison Lobão como candidatos ao Senado, faltando-lhe bater martelo apenas na escolha ha do vice, que ainda não está devidamente encaminhada, mas é possível que ela recaia sobre o senador João Alberto (MDB), que decidiu não correr por um novo mandato na Câmara Alta. Roberto Rocha, por sua vez, já tem chapa encaminhada com o ex-governador José Reinaldo Tavares e o deputado estadual Alexandre Almeida (PSD) para o Senado, dependendo ainda de um nome para ser seu vice. O cenário da corrida pelo Palácio dos Leões e para as duas cadeiras no Senado está, como se vê, praticamente definido. E nesse contexto a única incógnita continua sendo o deputado estadual  Eduardo Braide, que poderá ou não ser candidato a governador.

Em Tempo: o presidente do PROS, ex-ministro Gastão Vieira, não compareceu ao ato de apresentação da chapa porque está em viagem ao exterior.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edivaldo Jr. articula apoio para Weverton e Eliziane mirando a sucessão de Flávio Dino em 2022

Edivaldo Jr.: articulaççao para fortalecer Weverton Rocha e Eliziane Gama visando 2022
Edivaldo Jr.:  fortalecendo Weverton Rocha e Eliziane Gama visando 2022

Apoiador primeiro da candidatura do deputado federal Weverton Rocha para o Senado, o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) também vai respaldar politica e partidariamente o pleito da deputada federal Eliziane Gama de chegar à Câmara Alta. O faz por dois motivos básicos, mas plenamente justificados. O primeiro: espera que um dos dois se candidate à sua sucessão em 2020 – Eliziane Gama não esconde que continua acalentando o seu projeto de ser prefeita de São Luís. O segundo: tudo indica que o prefeito de São Luís entrará na lista de aspirantes a sucessor do governador Flávio Dino. Edivaldo Jr. vem intensificando obras do seu programa de Governo, dando a entender que quer ir muito além do Palácio de La Ravardière. Dentro do grupo liderado pelo governador Flávio Dino, Edivaldo Jr. é visto como o parceiro político do governador mais credenciado para encarar as urnas de 2022 como candidato e residir por quatro anos no Palácio dos Leões.

 

Sem poder concorrer, Astro de Ogum marca eleição da Mesa para Agosto e tensiona a Câmara

Astro de Ogum desobedece Justiça e marca eleição da Mesa da Câmara
Astro de Ogum desobedece Justiça e marca eleição da Mesa da Câmara

Já consciente de que está fora do páreo para a presidência da Câmara Municipal de São Luís, o vereador-presidente Astro de Ogum atura. (PRB) decidiu passa por cima da liminar concedida pelo desembargador Jamil Gedeon proibindo sua reeleição e determinando que a eleição da nova Mesa seja realizada no máximo até o final deste mês, marcou o pleito para o dia 5 de. Agosto. Com a decisão, mais do que uma solução para harmonizar a Casa, o presidente da Câmara joga lenha na fogueira, elevando muito a temperatura nos bastidores da Casa. Com a decisão, Astro de Ogum ganha tempo para procurar uma saída jurídica que possa garantir a sua participação no pleno. O presidente da Câmara ficou visivelmente fragilizado diante da decisão judicial de confirmar a regra segundo a qual o presidente da Câmara não pode concorrer ao mesmo cargo na mesma legislatura. Os aliados do vereador Osmar Filho (PDT), que reagiram imediatamente contra a decisão do presidente. O PTB entrou com mandado de segurança para reverter a decisão. Vale aguardar os próximos movimentos dessa chicana.

São Luís, 20 de Abril de 2018.

Sem definição do MDB sobre corrida presidencial, Grupo Sarney quer formalizar logo chapa para governador e senador

 

Roseana Sarney deve definir sua chapa até o final de maio
Roseana Sarney deve definir  chapa até o final de mai

A cúpula do Grupo Sarney deve se reunir até o final deste mês para bater martelo em relação à chapa majoritária com a qual vai encarar as urnas em outubro. Em princípio, a chapa terá a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) como candidata ao Governo do Estado, e senador Edison Lobão (MDB) e o deputado federal Sarney Filho (PV) como candidatos ao Senado. Inicialmente, a chapa será sustentada por uma aliança formada por MDB, PV, PSD, PR, PSDC e outros partidos menores – como o PRP, por exemplo, se o ex-deputado estadual Ricardo Murad não sustentar a sua anunciada candidatura a governador. Os integrantes da cúpula sarneysista avaliam que essa definição deve acontecer até meados de maio, de modo a que o grupo reúna as condições para fazer uma campanha viável. Ficarão em aberto as vagas de candidato a vice-governador, e pelo menos duas das quatro vagas de candidatos a suplente de senador, isso porque são espaços na chapa que podem ser usados para negociações de última hora, como é comum nas articulações do grupo liderado o pelo ex-presidente José Sarney (MDB).

Os chefes do Grupo Sarney acreditam que até o final de maio o quadro de candidatos a presidente da República estará definido, a começar pelo que representará o MDB. Isso porque, ainda que até aqui esteja trabalhando com a possibilidade de lançar candidato próprio a presidente – o ex-banqueiro e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, por exemplo -, já que o projeto inicial do presidente Michel Temer foi implodido pelas novas denúncias contra ele -, o partido trabalha também com a possibilidade de firmar uma aliança com o PSDB, podendo indicar o vice do candidato tucano Geraldo Alckmin. Na seara emedebista transita, já com alguma força, uma corrente que defende uma aliança tucano-emedebista como a única maneira de barrar o avanço de um candidato de esquerda – no caso Marina Silva (Rede) – ou um de extrema direita – o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL). O MDB nacional poderá optar por uma aliança com o DEM em torno da candidatura do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (RJ). O candidato do Grupo Sarney ao Governo do Estado deverá se situar de acordo com o que for decidido pela cúpula nacional do partido.

É certo que o Grupo Sarney não abre mão da candidatura de Roseana Sarney, a começar pelo fato de que não conta com outro nome com alguma viabilidade – ela poderia sair para o Senado e Sarney Filho para governador, mas a ideia, que já foi o seu sonho dourado, já não entusiasma o ex-ministro do Meio Ambiente. O Grupo tem plena consciência do poder de fogo político e eleitoral do governador Flávio Dino (PCdoB), sabe que dificilmente impedirá sua reeleição, mas sabe também que não pode deixar de comandar as forças que ainda consegue reunir. Roseana Sarney tem esse mapeamento, sabe com quem ainda conta, mas para mobilizar esses grupos, que estão espalhados nas mais diversas regiões do Maranhão, terá de fazer uma campanha que tenha como mola-mestra um candidato presidencial de e com chances concretas de chegar ao Palácio do Planalto.

Essa dificuldade do Grupo Sarney ficou bem clara durante a maratona de visitas a municípios, em pré-campanha, que a ex-governador realizou no mês passado. Enfrentou problemas para engatilhar um discurso consistente e convincente, exatamente por não dispor de um candidato a presidente com viabilidade que pudesse ser apresentado como garantia de que seu projeto de governo poderia ter o respaldo do Palácio do Planalto. Roseana resumiu seu discurso a apontar supostos defeitos e malfeitos no Governo Flávio Dino e lembrar o que definiu como conquistas dos quase 14 anos em que esteve à frente do Governo do Estado. Até aqui, portanto, o quadro é de completa indefinição, ainda que a sua candidatura ao Palácio dos Leões esteja posta na ordem do dia do Grupo.

Roseana Sarney tem a avaliação de que não pode atrelar sua candidatura ao desgastado e impopular Governo do presidente Michel Temer, que na última pesquisa do Datafolha apareceu rejeitado por quase 90% dos brasileiros. Mas sabe também que, se de fato está querendo chegar a algum lugar, não pode ficar estacionada, vendo o trem dinista, cuja majoritária está bem definida, com vice-governador, faltando apenas os entendimentos para reencher as vagas de candidato a suplente de senador. Daí a agenda por meio da qual a cúpula do Grupo Sarney pretende resolver até meio as suas pendências, que não são de solução fácil para as eleições que estão chegando.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Waldir Maranhão se movimenta para ser candidato a senador pelo PSDB

Waldir Maranhão estaria querendo vaga de candidato a senador no PSDB
Waldir Maranhão estaria querendo vaga de candidato a senador no PSDB

O PSDB estaria sendo sacudido por uma pequena encrenca interna. Motivo: o recém desembarcado deputado federal Waldir Maranhão estaria querendo a vaga ainda aberta de candidato ao Senado, que seria destinada ao também recém chegado ao ninho, deputado estadual Alexandre Almeida, para fazer dobradinha com o ex-governador José Reinadio Tavares, dono absoluto da primeira vaga. Fonte bem situada do partido diz que, a menos que haja uma reviravolta, um fato novo surpreendente, dificilmente os tucanos rifariam Alexandre Almeida para dar a vaga a Waldir Maranhão. O comando tucano não faz qualquer restrição ao ex-presidente interino da Câmara Federal, e o quer como candidato à reeleição na chapa proporcional que tem como carro-chefe o ex-prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira. Há também quem garanta que Waldir Maranhão não tem a intenção de criar qualquer tipo de embaraço ao PSDB, que o recebeu de braços abertos depois que ele rompeu com o governador Flávio Dino ter peregrinado atrás de uma legenda.

 

Boa nova: Ouvidorias do Judiciário e do Ministério Público vão atuar em conjunto

José Luis Almeida e Rita de Cássia Baptista: parceria entre Ouvidorias
José Luis Almeida e Rita de Cássia Baptista: parceria entre Ouvidorias

Os ouvidores do Tribunal de Justiça, desembargador José Luis Almeida, e do Ministério Público, procuradora de Justiça, Rita de Cassia Maia Baptista, se reuniram terça-feira para trocar informações e estabelecer uma relação que permita uma convivência interativa e produtiva, iniciativa que pode inclusive ser ampliada com a participação da Ouvidoria da Defensoria Pública. Os ouvidores discutiram propostas de parceria entre os dois órgãos, e, conforme informações divulgadas pela Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça, o desembargador a troca de experiências entre as instituições públicas é uma de suas metas a serem alcançadas.

Ainda que não pareça, as Ouvidorias do Tribunal de Justiça e do Ministério Púbico são órgãos de extrema importância. Elas são canais por meio dos quais o cidadão pode externar suas críticas, suas demandas e sugestões ao funcionamento dessas instituições, que são fundamentais para a garantia dos direitos e deveres da sociedade. É sabido que Judiciário e Ministério Público enfrentam problemas, são deficitários em estrutura e, por conta dessa deficiência, muitas vezes o ônus recai sobre a qualidade dos serviços prestados por essas instituições.

A iniciativa for de fato levada à frente e a sério pelos ouvidores José Luis Almeida (TJ) e Rita de Cássia Maria Baptista (MP) abre caminho para que as manifestações do cidadão podem ajudar a corrigir distorções e até mesmo injustiças nas decisões diretamente relacionadas à vida do cidadão. “A reunião foi o ponto de partida para um trabalho conjunto a ser desenvolvido a partir de agora”, ressaltou o desembargador José Luiz Almeida. Que assim seja.

São Luís, 18 de Abril de 2018.

Justiça estanca projeto de poder de Astro de Ogum e abre caminho para mudanças no comando da Câmara de São Luís

 

 

Astro de Ogum manter´[a os anéis, mas deve perderá o poder, que deve ficar com Osmar Filho
Astro de Ogum manterá os anéis, mas deve perderá o poder, que deve ficar com Osmar Filho, forte candidato a presidente
Após um prolongado embate subterrâneo entre grupos, decisões judiciais consolidaram a regra pela qual a Câmara Municipal de São Luís terá de realizar a eleição da nova Mesa Diretora até o final deste mês, e com um dado que muda radicalmente o cenário político no Legislativo da Capital: o atual presidente, vereador Astro de Ogum (PMN), não poderá ser candidato. A reviravolta detonou a articulação do grupo liderado por Astro de Ogum e Isaías Pereirinha (PSL), que está no comando da instituição há anos, situação que pretendia manter por pelo menos até 2020, com a reeleição do atual presidente, ou a de um vereador por ele indicado. A contramarcha abre caminho para a ascensão do vereador Osmar Filho (PDT), que representa a nova geração de integrantes da Casa e uma visão bem diferente da do grupo que está no poder, sendo também mais sintonizada com a grande transição política em curso no Maranhão.

Para se manter no poder, o grupo comandado pelo presidente Astro de Ogum tentou derrubar Resoluções da Câmara aprovadas em 2012 e que proibiu a reeleição de membros da Mesa Diretora dentro da mesma legislatura. Questionada na Justiça pelo vereador Chico Carvalho (PSL), a regra, se derrubada, abriria caminho para a reeleição de Astro de Ogum ou – quem sabe? – a eleição do próprio Chico Carvalho, que já presidiu a Casa por dois mandatos, na década passada, exatamente quando a reeleição na mesma legislatura era permitida. A estratégia montada por Chico Carvalho com o aval de Astro de Ogum e de Isaías Pereirinha foi, porém, por água abaixo, já que o posicionamento da Justiça mantém a Câmara Municipal nos trilhos das suas próprias regras, que poderão até ser mudadas, mas que seja com base num processo normal de alteração legislativa, uma vez que, não se sabe exatamente por que, a instituição pode escolher a data de escolha dos seus dirigentes de acordo com as conveniências da maioria do plenário.

A “parceria” Astro de Ogum-Isaías Pereirinha começou para valer em fevereiro de 2012, quando o segundo se elegeu presidente, tendo o primeiro como seu vice. Antes que a regra fosse mudada naquele ano, Isaías Pereirinha se reelegeu presidente, mantendo Astro de Ogum como vice. Ocorre que no início 2016, um ano antes de terminar seu segundo mandato, Isaías Pereirinhas adoeceu gravemente, afastando-se do cargo para cuidar da saúde, entregando o poder ao seu vice, que assumiu como presidente interino. No comando da máquina que alimenta o Palácio Pedro Neiva de Santana, Astro de Ogum se revelou um político esperto e ativo, conseguindo ampliar o seu raio de influência, saindo das eleições de 2016 reeleito como o vereador mais votado de São Luís. E na esteira do prestígio que conseguiu ao concluir o mandato presidencial de Isaías Pereirinha – que também se reelegeu -, Astro de Ogum elegeu-se presidente da Câmara para o atual período legislativo. O seu projeto incluía, é claro, derrubar a regra que proibia a reeleição num mesmo mandato, reeleger-se, e assim manter-se no poder até o início de 2021.

O projeto de poder de Astro de Ogum começou a ser minado quando o vereador Osmar Filho (PDT) ganhou o terceiro mandato como o mais votado de São Luís. Mesmo antes de assumir o novo mandato, o pedetista anunciou aos seus colegas sua intenção de disputar a presidência, mas o seu projeto foi adiado mediante um acordo pelo qual apoiaria Astro de Ogum, ficando acertado que teria o apoio dele na eleição de agora. Como Astro de Ogum tentou “esquecer” o acordo e jogar pesado para se reeleger, Osmar Filho fez uma ampla articulação para, primeiro, fazer valer a regra da proibição em vigor e, segundo, consolidar o seu projeto de candidatura.

A decisão judicial confirmando a regra segundo a qual a eleição tem de ser realizada agora e que o presidente atual não pode ser candidato à reeleição, não apenas tirou Astro de Ogum do páreo e implodiu o seu grupo, consolidou a candidatura de Osmar Filho. Com o lastro de quem já conhece o jogo de poder nos bastidores da Câmara Municipal e que já foi secretário municipal de Articulação Política, Osmar Filho soube se proteger neutralizando as artimanhas do atual presidente e seus aliados, e trabalhar para viabilizar sua candidatura a realização da eleição da Mesa Diretora da semana passada mostrou que ele ganhou o primeiro round. E deu a largada para o segundo e decisivo embate ao reunir 15 dos 31 vereadores em um almoço cujo prato principal.

Quem conhece a tradição e os bastidores da Câmara Municipal de São Luís sabe que até a eleição da Mesa, cuja data deve ser definida depois que o Tribunal de Justiça bater martelo sobre o assunto na sessão do Plano desta quarta-feira, sabe que muita água ainda pode rolar. Mas a julgar pelo cenário de hoje, o que está se desenhando é o seguinte: Astro de Ogum perdeu poder e seu grupo está se desmanchando, e Osmar Filho desponta como o provável sucessor, com o apoio discreto, mas decisivo, do Palácio de la Ravardière.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Enchentes: Tema articula apoio estadual e federal a desabrigados e comemora o “Mais Casa”

Tema Cunha: comanda a busca da soluções para os problemas causados pelas enchentes
Tema Cunha: comanda a busca da soluções para os problemas causados pelas enchentes

O prefeito de Tuntum e presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), Cleomar Tema (PSB), respirou aliviado no fim de semana. Depois de vários dias de sufoco por conta dos vendavais que se abateram – e continuam se abatendo – sobre sua cidade e mais de uma dezena de municípios maranhenses, principalmente na região central do estado, o presidente da Famem chegou ontem a São Luís para dar seguimento aos pleitos que formulou ao governador Flávio Dino (PCdoB), na visita que fez a Trizidela do Vale, no Sábado (14). Tema informa que, mesmo com a persistência das chuvas, o pior já passou em Tuntum, mas garante que as equipes da Prefeitura continuam trabalhando para limpar as áreas mais afetadas com o transbordamento do riacho Tuntum, dando a atenção possível às famílias desabrigadas. Além do Governo do Estado, que já está em ação nos mais diversos municípios atingidos, o presidente da Famem está em sintonia com a bandada federal, agora coordenada pela deputada federal Luana Costa (PSB), pedindo aos deputados maranhenses que unam forçar para obter ajuda do Governo Federal. Cleomar Tema está especialmente entusiasmado com o anúncio feito em Trizidela do Vale pelo governador Flávio Dino: o Governo do Estado instituiu o “Mais Casa”, por meio do qual cada família diretamente afetada pelas chuvas e que tenham perdido suas casas e pertences, receberá u cheque n valor de R$ 5 mil para reconstruir suas moradias. “Esse é um alento enorme, que vai ajudar ânimo novo aos desabrigados”, disse Cleomar Tema.

 

Lobão lamenta enchentes e evita transformar o drama dos desabrigados em tema da guerra política

Edison Lobão se solidariza com desabrigados das enchentes, evitando politizar o drama social
Edison Lobão se solidariza com desabrigados das enchentes, evitando politizar o drama social

O senador Edison Lobão (MDB) gravou e veiculou na internet um vídeo no qual trata da situação dos municípios maranhenses atingidos pelas enchentes. Além do previsível – manifestação de solidariedade e anúncio de iniciativas para ajudar as populações afetadas -, a manifestação do senador emedebista chama a atenção por um dado diferenciado: ao contrário de outras vozes, que estão aproveitando para politizar os estragos causados pelo aguaceiro, o discurso do senador Lobão é exatamente o inverso. Na mensagem virtual, Edison Lobão lamenta o que está acontecendo em Tuntum, Trizidela do Vale, Joselândia, Marajá do Sena e outros municípios, mas enfatiza tratar-se de um problema “imprevisível”, evitando assim a tentação de responsabilizar A ou B pelos estragos e suas consequências. Lobão até aproveita para valorizar seu cacife, mas o faz de maneira cuidadosa, lembrando que quando foi governador (1991-1994) enfrentou problema idêntico e tomou as providências que podia tomar à época. Em nenhum momento puxou o sufoco dos temporais para o campo das disputas políticas de agora, tratando o problema dentro dos seus limites. Ou seja, o senador mostrou mais uma o seu viés de político tarimbado, que sabe jogar na seara do politicamente correto.

São Luís, 16 de Abril de 2018.

Datafolha mostra quem é quem na relação dos presidenciáveis com os candidatos ao Governo do Maranhão

Flávio Dino pode ser apoiado por Manuela D`Ávila, Fernando Hadade e Ciro Gomes; Roseana sarneu está entre Henriwue Meireles e Rodrigo Maia; Maura Jorge fica com Jair Bolsonaro em vez de Álvaro Dias; Roberto Rocha está firme com geraldo Alckmin, o mesmo acontecendo com Odívio Neto com Guilherme Boulos
Flávio Dino pode ser apoiado por Manuela D`Ávila, Fernando Hadade e Ciro Gomes; Roseana Sarney está entre Henrique Meireles e Rodrigo Maia; Maura Jorge fica com Jair Bolsonaro em vez de Álvaro Dias; Roberto Rocha está firme com Geraldo Alckmin, o mesmo acontecendo com Odívio Neto com Guilherme Boulos

Enquanto o cenário político do Maranhão corre o risco de ser contaminado por casos e situações de natureza exclusivamente policial, uma pesquisa do Datafolha, a primeira realizada sobre a sucessão presidencial depois da prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), apresenta o primeiro rascunho da posição dos candidatáveis apontados até aqui. Os números mostram que Lula da Silva perdeu pontos ao ser encarcerado, mas continua liderando com folga as intenções de votos para o Palácio do Planalto. Lula tem 31%, Jair Bolsonaro (?) 15%, Marina Silva (Rede) 10%, Joaquim Barbosa (PSB) 9%, Geraldo Alckmin (PSDB) 6%, Ciro Gomes (PDT) 5%, Álvaro Dias (Podemos), 3%, Manoela D`Ávila (PCdoB) 2% e Fernando Collor (PTC), Henrique Meireles (MDB), Rodrigo Maia (DEM) e Flávio Rocha (PRB) com 1%, enquanto Guilherme Boulos (PSOL),  Paulo Rabello, Guilherme Afif Domingues  (PSD), José Amoêdo (Novo) e Paulo Rabello (PSC) nada receberam. Relacionados ao momento da corrida para o Palácio dos Leões, os números são amplamente favoráveis ao projeto de reeleição do governador Flávio Dino (PCdoB), injetam ânimo na pretensão da ex-prefeita Maura Jorge (Podemos), é duramente desanimador para a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), não altera muito a situação do senador Roberto Rocha (PSDB), e mantém Odívio Neto (PSOL) na estaca zero.

No quadro de opções que tem à esquerda para uma aliança com uma candidatura presidencial, o governador Flávio Dino não deve contar com a parceria direta com Lula da Silva, mas é quase certo que terá o apoio do substituto do ex-presidente como candidato do PT, que pode ser, por exemplo, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Hadade, apontado como provável herdeiro da vaga de candidato do PT a presidente e de boa parte dos votos do líder petista. A segunda opção de Flávio Dino é o ex-ministro Ciro Gomes, que pode também herdar uma fatia das intenções de votos de Lula da Silva. E numa situação não prevista até aqui, mas que está no conjunto das alternativas, Flávio Dino poderá firmar um pacto com Marina Silva, que, segundo a pesquisa, caminha para também herdar votos de Lula e brigar com Jair Bolsonaro. Ou sair a campo levando à tiracolo a deputada gaúcha Manuela D`Ávila, candidata do seu partido a presidente. Isso porque, qualquer avaliação isenta levará à conclusão de, a exemplo do que aconteceu em 2014, que o governador não depende necessariamente de um candidato presidencial para fazer sua campanha.

Em segundo lugar no cenário da corrida presidencial, o deputado fluminense Jair Bolsonaro, que representa a extrema-direita em estado puro, anima o projeto da ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge, de chegar ao Palácio dos Leões. Maura Jorge parece ter levado a melhor na briga com o coronel José de Ribamar Monteiro (PSL) pelo posto de representante-mor de Bolsonaro no Maranhão. Tanto que, depois de uma reunião com o candidatável em Brasília, cuidou de espalhar out doors em São Luís e nas principais cidades maranhenses anunciando o embrião de uma aliança com o presidenciável da extrema-direita.

A julgar pelos números do Datafolha, em relação a alianças com candidatos presidenciais, a situação mais desfavorável é a da ex-governadora Roseana Sarney, que aparece como nome mais forte entre os adversários do governador Flávio Dino. O neoemedebista Henrique Meireles e o democrata Rodrigo Maia se arrastam com 1% de intenções de voto cada um, situação nada alentadora para a ex-governadora, que precisa de um candidato presidencial forte para turbinar sua candidatura, como aconteceu nas outas vezes em que disputou o cargo. A pesquisa coloca duas situações diante da ex-governadora: sair a campo sem vincular seu nome a um presidenciável ou aguardar o desenrolar dos acontecimentos para fazer a escolha quando o cenário estiver mais bem definido.

A situação do senador Roberto Rocha em nada foi alterada com os números do Datafolha. O candidato tucano Geraldo Alckmin (6%) entrou na corrida na semana passada, sofreu, de cara, uma suspeita de corrupção, mas saiu por cima e deve começar agora a embalar o seu projeto presidencial. Roberto Rocha é, portanto, até aqui, um candidato a governador com um candidato presidencial definido, o que lhe dá a vantagem de entrar de cabeça na corrida pelo voto sem depender de definições do partido no plano nacional.

Elogiado por Lula da Silva no histórico discurso que fez antes de se entregar à Polícia Federal, o candidato presidencial do PSOL, Guilherme Boulos, não foi votado na pesquisa, o que mantém o professor universitário Odívio Neto, o candidato do partido ao Governo do Maranhão na mesma situação no estado. Mas, ao contrário de outros candidatos, Odívio Neto é também um candidato cujo partido tem um presidenciável definido, o que o deixa à vontade para entrar em campanha.

É claro que não dá para afirmar se essa pesquisa produzira alguma mudança no cenário da corrida sucessória no estado por conta da posição dos presidenciáveis. Mas não é exagero apontá-la como uma espécie de ponto de partida para a corrida ao Palácio do Planalto. E supor que os seus números sugerem alguns rumos que poderão se seguidos por pelos candidatos que estão na disputa pelo Palácio dos Leões.

Em Tempo: A pesquisa Datafolha foi realizada na semana passada e ouviu 4.194 eleitores em 227 municípios de todas as regiões do Brasil.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Situações estranhas na relação com presidenciáveis no Maranhão

 

Algumas situações chamam a atenção na relação dos presidenciáveis com lideranças no Maranhão. Vale o registro de três delas:

Maura Jorge bandeou-se para Jair Bolsonaro
Maura Jorge bandeou-se para Jair Bolsonaro depois de largar Álvaro Dias

1 . A primeira delas é a estranha e, para muitos, politicamente incorreta da ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge. Filiada ao Podemos, a candidatura de Maura Jorge ao Governo do Estado foi lançada em ato realizado em São Luís com a presença do candidato a presidente do seu partido, senador Álvaro Dias, a quem a ex-prefeita declarou apoio total, juntamente com o deputado federal Aluísio Mendes (PTN). Passadas algumas semanas, Maura Jorge deu uma guinada radical e entrou na briga com o coronel aposentado José Monteiro pelo posto de representante de Jair Bolsonaro, candidato a presidente pelo PSL, no Maranhão. Maura Jorge foi a Brasília, se deixou fotografar com o deputado, e logo em seguida espalhou cartazes e out doors, vídeos e mensagens nas redes sociais apresentando-se como a voz do candidato da extrema-direita no Maranhão. Há quem diga que ele poderá ser expulsa do Podemos e, assim, ser impedida de disputar votos em outubro. Vem confusão por aí.

Carlos Brandão vai apoiar Flávio Rocha?
Carlos Brandão vai apoiar Flávio Rocha?

2 . Pela lógica partidária, o vice-governador Carlos Brandão teria de apoiar o presidenciável Flávio Rocha, que é o candidato do PRB, para onde o já definido companheiro de chapa do governador Flávio Dino migrou depois que foi tirado do PSDB. Mas nem Carlos Brandão nem o chefe maior do partido no Maranhão, deputado federal Cleber Verde, se manifestaram sobre o assunto. Mas a julgar pela determinação de Flávio Rocha – que é milionário dono da Riachuelo e representa uma direita mais civilizada – de se viabilizar, a expectativa é a de que os chefes do PRB no estado sejam levados a tomar uma posição em pouco tempo.

Edivaldo Holanda vai apoiar a candidatura de Fernando Collor de Melo
Edivaldo Holanda  apoiar F. Collor ?

3 . Depois de ter sido enxotado da Presidência da República por corrupção, cumprido o castigo que lhe foi imposto, retornar à política como senador da República e  entrar de novo na mira do Ministério Público e da Policia Federal, o ex-presidente Fernando Collor de Mello decidiu disputar o Palácio do Planalto pelo PTC. No Maranhão, o partido é comandado pelo experiente Edivaldo Holanda. A pergunta que fica no ar é a seguinte: Edivaldo Holanda vai abraçar a candidatura de Collor de Mello?

 

MDB encolheu na Assembleia, mas ganhou mais identidade com Roberto Costa e Nina Melo

Roberto Costa e Nina Melo: MDB mais enxuto, mas mais autêntico
Roberto Costa e Nina Melo: MDB mais enxuto, mas mais autêntico na AL

A janela partidária transformou o MDB num partido com peso reduzido na Assembleia Legislativa, com apenas dois deputados: Roberto Costa e Nina Melo. Mas se perdeu numericamente, manteve a linha do partido, já que a deputada Andrea Murad, mesmo eleita pelo então PMDB, seguia rigorosamente a cartilha do pai, ex-deputado Roberto Murad, que apesar de filiado ao partido, ignorava totalmente as orientações da cúpula do partido, alimentando uma espécie de “feudo” dentro da agremiação – tanto que sua migração para o PRP não foi sequer lamentada pelos chefes emedebistas. Hoje o nome mais destacado do partido na AL, o deputado Roberto Costa atua rigorosamente de acordo com o comando partidário, adorando uma linha que o mantém distante do Governo Flávio Dino (PCdoB), mas numa linha de convivência. Nessa pisada, Roberto Costa funciona muitas vezes como interlocutor fazendo ponte entre governistas e oposicionistas em decisões complicadas. Foi um dos deputados mais próximos do ex-presidente Humberto Coutinho (PDT) e atualmente é um forte aliado do presidente Othelino Neto (PCdoB) nas questões do parlamento – foi o autor do Projeto de Resolução Legislativa que garantiu que o então 1º vice-presidente sucedesse ao presidente falecido sem necessidade de uma nova eleição. Continua sendo um dos mais ativos mediadores nos bastidores do Poder Legislativo. Pouco afeita à tribuna, mas registrando um elevado nível de frequência, a deputada Nina Melo dedica parte do seu mandato a dar assistência às suas bases eleitorais. Médica por formação, a deputada emedebista atua articulada com o pai, o ex-deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativa, Arnaldo Melo, hoje um dos diretores nacionais da Funasa e que também é médico. Avessa a confrontos verbais no plenário, Nina Melo também atua nos bastidores e segue fielmente a orientação do partido. Na avaliação de um emedebista das antigas, a bancada do PMDB na Assembleia Legislativa diminuiu, mas manteve a qualidade.

São Luís, 15 de Abril de 2018.

PT cai na real e busca a unidade para se engajar de vez na aliança liderada por Flávio Dino

 

Flávio Dino entre Augusto Lobato, Zé Carlos e Zé Inácio selam aliança
Flávio Dino entre Zé Inácio, Zé Carlos e Augusto Lobato: peça aliança

 

O PT vai mobilizar todas as suas correntes para, unificado, participar da aliança partidária a ser liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) nas eleições de outubro. Essa posição foi decidida na tarde de sexta-feira (13), numa conversa franca e direta do governador com os líderes do partido no Maranhão: o presidente Augusto Lobato, o deputado federal Zé Carlo do PT e do deputado estadual Zé Inácio. Pelo entendimento que resultou do encontro, o PT poderá indicar até dois dos quatro candidatos a suplente de senador na chapa situacionista e, claro, participar do Governo no próximo mandato, caso o governador Flávio Dino seja reeleito. Com a definição, o braço do PT no Maranhão selará a paz internamento, garantindo assim que o partido estanque o processo de autofagia que o vem ameaçando desde as eleições de 2006, quando o partido rompeu com o campo da esquerda no estado ao se afastar do PDT e se aliou ao PMDB, que no caso é a mais forte expressão partidária do Grupo Sarney. Agora, a meta é juntar todas as correntes e jogar pesado para, pelo menos, manter sua representação na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa, podendo ainda ganhar suplências no Senado.

Foi a primeira vez nos últimos tempos que o PT maranhense passou a impressão de que vai mesmo superar – ou pelo menos suspender, por meio de uma trégua temporária – as suas divergências internas e caminhar para um processo eleitoral falando o mesmo idioma. Nas duas últimas décadas, o partido simplesmente viveu mergulhado numa autofágica crise interna, com duas correntes e várias subcorrentes se digladiando de maneira intensa e perigosa. A corrente majoritária, que segue a orientação do grupo lulista, sempre deu as cartas, impondo, por exemplo, a orientação de se aliar ao Grupo Sarney, enquanto que a facção mais independente se manteve no campo esquerdista e permaneceu aliado ao PCdoB, inclusive ocupando espaço importante no Governo, como a estratégica Secretaria de Combate à Pobreza e Mobilização Popular, comandada com eficiência pelo jornalista e professor universitário Chico Gonçalves, um dos nomes mais preparados e respeitados quadros da agremiação.

A mobilização pela unidade se sustenta em duas bases. A primeira é a prisão do ex-presidente Lula da Silva, desfecho dramático de um longo e inclemente processo de desgaste pelo qual o partido vem passando desde que eclodiu o caso do Mensalão, em meados do segundo mandato do presidente Lula (2007-2011), que tirou o PT da zona de conforto e o colocou na dura estrada da sobrevivência. A outra é a posição do governador Flávio Dino, que apesar da maneira com que o PT lhe virou as costas em 2019 e 2014, segurou a onda e se se transformou na principal voz não petista na defesa da ex-presidente Dilma Rousseff, que acabou perdendo o cargo num controvertido processo de impeachment, e do ex-presidente Lula, que foi condenado por corrupção não devidamente comprovada e hoje cumpre pesa de 12 anos de cadeia numa sala da sede da Polícia Federal no Paraná. Para mostrar coerência, o PT não poderia fazer diferente do que está fazendo agora: cuidar da unidade interna e aliar-se, de maneira clara e engajada, ao movimento liderado pelo governador Flávio Dino.

A reunião de ontem no Palácio dos Leões – que aconteceu depois de resolvido o imbróglio causado pelo deputado federal Waldir Maranhão, que se filou ao PSDB – foi, pode-se dizer, um marco na história recente do PT, que finalmente começa de fato a sair da zona de turbulência para entrar na vida real, que é a de convencer o eleitorado de que está voltando às suas origens.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Tucanos fazem conta e concluem que o PSDB ganhou mais do que perdeu no troca-troca partidário.

Roberto Rocha, José Reinaldo e Sledrandre Almeida formam chapa tucana
Roberto Rocha, José Reinaldo e Alexandre Almeida formam chapa tucana para as eleições de outubro

Os tucanos fizeram muitas contas e chegaram à conclusão de que a desidratação do PSDB foi menor que muitos calcularam depois da saída do vice-governador Carlos Brandão. Para começar, afirmam categoricamente que o partido agora comandado pelo senador Roberto Rocha, manteve mais de 20 dos 29 prefeitos que elegeu em 2016, quando a previsão inicial pera a de que pelo menos 15 seguiriam o vice-governador para o PRB e outros partidos. E no jogo das perdas e ganhos da janela partidária que se fechou no dia 7 de Abril, o partido teria ganhado mais do que perdido. Os tucanos exibem a entrada dos deputados federai José Reinaldo Tavares e Waldir Maranhão e dos deputados estaduais Alexandre Almeida, Wellington do Curso e Graça Paz. Na avaliação dos chefes do partido, o PSDB saiu fortalecido, a começar pelo fato de que terá uma chapa majoritária bem definida, e, segundo a avaliação deles, competitiva, com o senador Roberto Rocha como candidato a governador e o deputado federal José Reinaldo e o deputado estadual Alexandre Almeida para o Senado, mantendo em aberto a vaga de candidato a vice-governador para negociações definitivas para a formalização da chapa. Acreditam os tucanos que a chapa poderá representar bem a candidatura presidencial de Geraldo Alckmin – que, aliás, voltou a ganhar força com a minimização da denúncia de que sua campanha em 2014 teria recebido R$ 10 milhões da Odebrecht na forma de caixa 2.

 

Eliziane Gama constrói suporte partidário para consolidar candidatura ao Senado

Eliziane Gama e Jopsimar de Maranhãozinhio: ampliado suporte partidário
Eliziane Gama e Josimar de Maranhãozinhio: ampliado suporte partidário

Quem acompanha a movimentação da deputada federal Eliziane Gama (PPS) na condição de candidata ao Senado na chapa do governador Flávio Dino nem de longe enxerga a candidata a prefeita de São Luís em 2016. Aparentando indecisão, insegurança política e conflito partidário em todos os momentos da corrida ao Palácio de la Ravardière, ela conseguiu passar uma imagem politicamente pouco consistente. A Eliziane Gama de agora, candidata ao Senado, é exatamente o oposto: firme, decidida e incansável na busca de suporte partidário para consolidar a sua candidatura dentro da aliança dinista. Uma demonstração dessa desenvoltura foi registrada ontem, quando ela visitou a sede estadual do PR e conversou com o presidente estadual do partido, deputado Josemar de Maranhãozinho. Os dois conversaram sobre o cenário da disputa e a deputada pediu o apoio do PR ao seu projeto de chegar ao Senado. Josimar de Maranhãozinho, e tudo indica que um acordo será selado. O presidente do PR é candidato a deputado federal e mira pelo menos uma fatia dos quase 140 mil eleitores que nela votaram em 2014, enquanto ela espera que os simpatizantes do PR embarquem no seu projeto senatorial. Uma aliança limpa, tranquila, na qual os dois podem ganhar. O PR é o 11º partido procurado por Eliziane Gama, que já se programa para conversar com o PT na semana que vem o mesmo objetivo. Ela segue assim, rigorosamente, o roteiro traçado pelo governador Flávio Dino para a viabilização de aspirantes ao Senado: ter potencial eleitoral, que ela já demonstrou, e suporte partidário, que ela está construindo.

São Luís, 14 de Abril de 2018.

 

Famem mobiliza prefeitos para organizar reação aos estragos causados pelo aguaceiro que vem se abatendo sobre o Maranhão

 

Cleomar Tema fala a prefeito na reunião contra os estragos das enchentes
Cleomar Tema fala a prefeito na reunião contra os estragos das enchentes no estado

O surpreendente e implacável aguaceiro que vem se abatendo sobre o Maranhão  neste verão, com volumosas chuvas quase diárias que vêm causando estragos em alguns municípios e, com isso, dificultando imensamente a já difícil vida de milhares de maranhenses, está produzindo um fato novo no estado. É que, em vez de chororô, de procurar culpados, de se vitimizar e de procurar caminhos solitários para resolver os problemas dos que aguardam no sufoco as suas providências, prefeitos de municípios afetados se mobilizaram para uma ação conjunta para combater os estragos causados pelas enchentes. Fizerem o que é feito nesses casos em qualquer lugar do mundo: mobilizados pelo prefeito de Tuntum, Cleomar Tema (PSB), presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), sua entidade corporativa, bateram às portas dos Governos do Estado e da União em busca de apoio, que será viabilizado tão logo os dirigentes municipais baixarem decretos reconhecendo o estado de calamidade pública nos seus municípios.

A mobilização foi articulada pelo presidente da entidade municipalista, Cleomar Tema, prefeito de Tuntum, um dos municípios mais afetado pelos temporais, que inundaram áreas urbanas, afogaram pequenas propriedades rurais e romperam rodovias, dificultando imensamente a vida de milhares de pessoas. Cleomar Tema transformou a sede da Famem em QG das operações contra as consequências do aguaceiro, à medida que ali os problemas foram colocados na mesa de negociações por prefeitos e secretários municipais para o secretário de Articulação Política e Comunicação do Estado, Ednaldo Neves, o coordenador adjunto da Defesa Civil do Estado, major Jairon Moura. Foi formada ali, informalmente, uma “força-tarefa”, que deverá atuar para minimizar o sufoco das populações afetadas.

Com a autoridade de presidente da Famem e de prefeito de município gravemente afetado, Cleomar Tema relatou a situação de calamidade que se abateu sobre Tuntum, considerado uma referência em gestão em todo o estado: “Nosso município passa por uma situação delicada. Num período  de 10 horas, choveu o equivalente a um mês, provocando o transbordamento do riacho que dá nome à cidade e deixando um rastro de problemas, com cerca de 400 famílias desabrigadas”. E na sequência da esteira de problemas, sugeriu que seus colegas prefeitos adotem as medidas necessárias para a decretação do estado de emergência, identificando número  de desabrigados, prédios públicos e privados danificados e que recorram de imediato à Defesa Civil.

Na reunião, prefeitos de Lagoa Grande, Chico Freitas (PCdoB); de Araioses, Cristino Araújo (PSDC), e Morros, Sidrack Feitosa (MDB), de Morros, fizeram relatos da dramática situação vivida por seus municípios e deixando claro que as prefeituras não têm condições de enfrentar sozinhas as dificuldades causa pelos vendavais às suas cidades.  Chico Freitas relatou, por exemplo, que as estradas vicinais de Lagoa Grande ficaram intrafegáveis, com uma ponte prestes a desabar. Sidrack Feitosa destacou que as ruas e estradas de Morros estão praticamente bloqueadas. Araioses enfrenta uma situação mais complicada, uma vez que várias ilhas dos municípios estão alagadas e com seus moradores sem poder sair de casa. “É uma verdadeira catástrofe”, disse o prefeito Cristino Araújo. Outros municípios, como Imperatriz, Pedreiras, Bacabal, Marajá do Sena, Presidente Vargas, São João do Sóter, Trizidela do Vale e Lago dos Rodrigues  vivem situações difíceis com o excessivo volume de chuvas.

No campo mais operacional, assessores da Famem entraram em ação dando orientações técnicas para que os prefeitos e suas equipes ajam mais rapidamente no sentido de obter as condições possíveis de apoio aos municípios por meio esta “força-tarefa”. O secretário adjunto de Articulação Civil e diretor-executivo da Famem, Geraldo Nascimento,  orientou os prefeitos no sentido de que agilizem as providências formais que têm de tomar, para que o socorro por parte do Governo estadual seja o mais rápido possível.  Seguindo orientação do presidente Cleomar tema, o diretor-geral da entidade, Gildásio Ângelo informou que parte da bancada federal já estava alertada em Brasília e à disposição para atuar na esfera do Governo da União, na busca de ajuda aos municípios encharcados pelo aguaceiro.

O secretário Ednaldo Neves destacou que o governo Flávio Dino – que conversou por telefone com o presidente da Famem – está sensível ao drama das populações que estão sofrendo  com as cheias, mas ponderou ser necessário que os prefeitos ajam com a máxima urgência no encaminhamento dos documentos adequados para a decretação do estado de emergência. Por sua vez, o coordenador adjunto  da Defesa Civil, Major Jairon, fez uma explanação técnica a respeito do decreto emergencial, ressaltando que com uma modificação na lei da emergência, agora os  municípios é que dão os  passos iniciais quando de qualquer ocorrência desastrosa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

PT tem posição delicada e complicada em relação à aliança liderada por Flávio Dino

Zé Inácio tenta encontrar um caminho para o PT do Maranhão
Zé Inácio tenta encontrar um caminho eleitoral para o PT do Maranhão

É delicada a posição do PT do Maranhão em relação à aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino. Mergulhado pela disputa entre vários grupos, entre eles o que defende o alinhamento ao movimento governista e o que prega o lançamento de candidatura própria ao Governo do Estado ou a reedição da aliança com o Grupo Sarney, o partido parece não saber exatamente o que quer nem para onde vai. Os que defendem a participação na aliança dinista condicionam o alinhamento à inclusão de um nome do PT na chapa majoritária. O problema é que o partido não viabilizou nenhum nome competitivo, ao contrário do que fez o PDT, que fechou questão em torno da candidatura do deputado Weverton Rocha ao Senado, exemplo que foi seguido pelo PPS, que jogou tudo pela deputada federal Eliziane Gama com o mesmo foco. Politicamente ativo, mas eleitoralmente fraco, o braço do PT no Maranhão consome  mais tempo se digladiando internamente do que procurando caminhos de formar um grupo compacto e forte para sentar à mesa de negociações como um partido que tem posições fechadas no tocante a alianças e eleições. Daí viver a estranha situação em que o seu presidente, Augusto Lobato, prega o alinhamento movimento liderado pelo governador Flávio Dino, enquanto o ex-presidente, Raimundo Monteiro, diz que ele próprio está disposto a ser candidato a governador, quando o que quer mesmo é ser candidato à vice de Flávio Dino ou de Roseana Sarney (MDB), ou até mesmo suplente de um dos candidatos a senador. Entre as duas correntes, o ativo deputado estadual Zé Inácio faz um esforços gigantesco para encontrar um discurso único para o partido. Enquanto isso, o governador Flávio Dino joga todo o peso do seu prestígio na defesa que faz do presidente Lula da Silva, numa cruzada que a maioria dos petistas maranhenses parece não enxergar nem entender.

 

Edison Lobão desfaz rumores e reafirma sua candidatura à reeleição

Edison Lobão desfaz rumores garantindo ser candidato à reeleição
Edison Lobão desfaz rumores  e afirma ser candidato à reeleição

Não têm base nem fazem sentido os rumores segundo os quais o senador Edison Lobão (MDB) estaria pensando em desistir da candidatura à reeleição, abrindo a vaga para o seu atual primeiro suplente, Lobão Filho (MDB). Lobão é candidatíssimo. E tem dito isso enfaticamente a todos os interlocutores com quem fala sobre o momento político. O seu argumento principal é que ainda tem fôlego suficiente para encarar uma campanha, ânimo que aumenta diante dos percentuais de pesquisas que o apontam como um dos candidatos mais viáveis entre os que estão na disputa. No plano político, conta com o apoio, declarado ou discreto, de um grande número de prefeitos e de um bom número de vereadores e deputados estaduais, base que é reforçada com aval de muitos segmentos empresariais da indústria, do comércio e da produção rural. Ele mostra que os problemas que enfrenta por conta da Operação Lava Jato estão equacionados e sob controle pela defesa. E, finalmente, os problemas de saúde recente estão já superados, como ficou demonstrado durante a maratona de visita a municípios que fez no mês passado com a ex-governadora Roseana Sarney. Na avaliação tanto de aliados como de adversários, o senador Edison Lobão é um candidato forte e não precisa das bênçãos do ex-presidente José Sarney bem da ex-governadora Roseana Sarney para manter e consolidar sua candidatura à reeleição. Ele tem voo político próprio e continua sendo uma das apostas do MDB nacional para se manter majoritário na composição do plenário do Senado a partir de 2019. E como sua candidatura é fato consumado, as urnas terão a palavra final sobre o assunto.

São Luís, 13 de Abril de 2018.

Flávio Dino monta chapa com Carlos Brandão na vice e Weverton Rocha e Eliziane Gama para o Senado

 

Flávio Dino, Carlos Brandãp, Weverton Rocha e Eliziane Gama: chapa pronta
Flávio Dino, Carlos Brandão, Weverton Rocha e Eliziane Gama: chapa majoritária pronta para as eleições de outubro

 

O governador Flávio Dino (PCdoB) saiu na frente e já definiu a chapa majoritária da aliança que vai comandar para as eleições de outubro. Confirmou o vice-governador Carlos Brandão (PRB) no posto e bateu martelo pelos deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS) como candidatos às duas cadeiras no Senado. A definição veio depois das tensões que envolveram a escolha de Eliziane Gama, que foi antecedida de um jogo de pressões que resultou no rompimento do ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares, que deixou a aliança governista e embarcou no ninho dos tucanos, caminho seguido por outro interessado na vaga, o deputado federal Waldir Maranhão, que, numa guinada absolutamente imprevisível, se converteu ao tucanato depois de tentar de tudo se tornar petista.

A chapa da aliança dinista tem dois aspectos que a torna um projeto diferenciado. O primeiro é que, candidato à reeleição, o governador Flávio Dino entra na corrida às urnas com a vantagem e a segurança de quem as pesquisas estão apontando como favorito. Já os deputados Weverton Rocha e Eliziane Gama entram na corrida eleitoral para enfrentar o maior desafio das suas vidas políticas até aqui, ele como politicamente mais articulado, ela exibindo maior potencial eleitoral. O governador vai batalhar num campo que já conhece bem, onde também enfrentará adversários conhecidos, como a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) – que aguarda o momento certo para montar sua chapa, e senador Roberto Rocha (PSDB), cuja candidatura já é fato consumado. Seus dois candidatos ao Senado são cristãos novos nessa seara e enfrentarão nas urnas raposas tarimbadas do Grupo Sarney, o senador Edison Lobão (MDB) e o deputado federal Sarney Filho (PV), ambos políticos traquejados no duro jogo da permanência no poder, e o neotucano José Reinaldo Tavares.

Contrariando algumas avaliações e expectativas, o governador optou por manter o vice Carlos Brandão como companheiro de chapa, reconhecendo que ele tem sido parceiro um importante, que vem exercendo corretamente o cargo. Ao contrário de outros vices, que por falta do que fazer passam mais tempo conspirando, Carlos Brandão é um Nº 2 ativo e tem sido escalado para cumprir as mais diferentes missões, que vão de representar o titular em eventos de chefes de Estado a viagem mundo a fora em busca de investimentos, como é o caso dos chineses. Politicamente, Brandão exibiu indiscutível fidelidade ao projeto dinista ao abrir mão do comando do PSDB no Maranhão, deixar o partido e embarcar como soldado no PRB comandado pelo deputado federal Cléber Verde. Revelando-se, a cada momento e a cada situação, um parceiro confiável e engajado, o que, somadas tais virtudes, justifica plenamente sua confirmação como candidato à reeleição. E com a estimulante perspectiva de, se a chapa for reeleita, deverá se tornar governador efetivo a partir de abril de 2022, quando Flávio Dino poderá deixar o cargo para enfrentar as urnas, provavelmente para o Senado ou para voos mais altos.

Ao montar uma chapa com Weverton Rocha Eliziane Gama para o Senado, Flávio Dino optou por abrir caminho para a nova geração numa Casa cuja tradição é abrigar caciques de proa, a começar por ex-governadores, como José Sarney, João Castelo, Epitácio Cafeteira, João Alberto, Edison Lobão, Roseana Sarney, e figuras de mando, como Victorino Freire, Henrique La Rocque e Alexandre Costa, por exemplo. Iniciou essa guinada em 2014 com a bem sucedida campanha que resultou na eleição do hoje senador Roberto Rocha, sob o argumento de que está na hora de oxigenar a política maranhense. O Grupo Sarney preferiu apostar na reeleição dos quadros de comando. Será, nesse campo, uma disputa de políticos de campos diferentes, adversários na tradição e na ideologia, mas será também, e sobretudo, uma disputa de gerações. E isso significa dizer que não será uma corrida eleitoral comum.

Com essas definições, o governador Flávio Dino sai na frente, devendo estimular a ex-governadora Roseana Sarney e o senador Roberto Rocha a agilizar a montagem das suas chapas, que só precisam escolher candidatos a vice-governador. E a posição mais difícil de todas, a do deputado Carlos Braide (PMN), que terá resolver se brigará por votos visando uma cadeira de deputado federal ou se entra mesmo para a corrida ao Palácio dos Leões.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roseana Sarney aguarda definição de Michel Temer e do MDB para retomar campanha

Roseana Sarney depende de definição de Michel Temer para seguir em frente
Roseana Sarney depende de definição de Michel Temer para seguir em frente

Interlocutores da ex-governadora Roseana Sarney confirmam que ela mantém firme o seu propósito de disputar o Governo do Estado. Revelam que o recolhimento que se impôs é momentâneo e estratégico. Com a vantagem de já ter definidos o deputado federal Sarney Filho e o senador Edison Lobão como candidatos ao Senado, dependendo apenas de escolher o vice para fechar sua chapa, a ex-governadora está aguardando as definições do presidente Michel Temer e da cúpula nacional do MDB. Os acontecimentos recentes a obrigaram a pisar no freio e interromper a maratona de visitas a municípios que vinha realizando. Até então, ela já começava a trabalhar com a hipótese de uma candidatura de Michel Temer, mas esse embrião de projeto está sendo desmanchado com as operações que levaram para a cadeia amigos íntimos e colaboradores do presidente, suspeitos de envolvimento com a máfia que atua no bilionário Porto de Santos. Com o presidente praticamente fora do páreo, a atenção da emedebista se volta para o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que caminha para ser o candidato do partido, e para o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, que pode consolidar seu projeto de candidatura diante do vazio que se abre na esfera governista. Na avaliação de políticos sarneysistas, é complicada a hipótese de Roseana entrar na corrida eleitoral sem o respaldo de uma candidatura presidencial. Mas diante das circunstâncias e das indefinições nesse campo, não será surpresa se pela primeira vez na sua trajetória ela entrar no jogo sem tal amparo.

 

 Denúncia contra Geraldo Alckmin pode atrapalhar projeto de Roberto Rocha

Roberto Rocha acompanha com atenção denúncias contra Geraldo Alckmin
Roberto Rocha acompanha com atenção denúncias contra Geraldo Alckmin

O comando do PSDB no Maranhão entrou em estado de alerta com a informação de que o ex-governador de São Paulo e candidato do partido a presidente, Geraldo Alckmin, será investigado por suspeita de desvio no Governo paulista. A investigação poderá desidratar a candidatura de Alckmin, que vinha até aqui sendo apontado como o nome mais forte entre os candidatos presidenciais com Lula da Silva fora do páreo. A preocupação de Roberto Rocha com essa situação se justifica plenamente. Sua candidatura ao Governo está direta e umbilicalmente ao projeto nacional do PSDB, que decidiu apoiá-lo também para ter um palanque expressivo no o Maranhão. Se houver algum problema com a candidatura do ex-governador paulista, Roberto Rocha terá de rever o seu projeto de campanha, podendo ter de substituir Geraldo Alckmin por João Dória, que renunciou à Prefeitura de São Paulo para disputar o Governo do Estado.

 

São Luís, 12 de Abril de 2018.

Dino assume liderança na defesa de Lula e se credencia para ocupar espaço no cenário político nacional

 

Flávio Dino deixando a sede da PF em Curitiba depois de ser impedido de visitar Lula da Silva
Flávio Dino deixando a sede da PF em Curitiba após de ser impedido de visitar Lula 

O governador Flávio Dino (PCdoB) deu mais um passo para se consolidar como um político de influência no cenário nacional, ao reafirmar a coerência do seu discurso e das suas posições na guerra político-jurídica que vem tensionando fortemente o País desde que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ratificou a sentença do juiz-chefe da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, condenando o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) a 12 anos e um mês de prisão sob a acusação de que ele recebeu propina da empreiteira OAS no controvertido Caso do Triplex de Guarujá. O governador e mais oito governadores foram a Curitiba tentar uma visita ao ex-presidente, mas o grupo foi impedido por decisão da juíza Carolina Moura Lebbos, responsável pela execução da pena do líder petista, que considerou o encontro uma regalia à qual Lula da Silva não tem direito. Sem delongas nem crise de autoridade, o governador Flávio Dino – que foi juiz federal e sabe como as coisas funcionam nessa seara – respeitou a decisão da magistrada, e marcou sua ida ao Paraná escrevendo, do próprio punho, uma carta ao ex-presidente expressando-lhe total apoio, que recebeu a assinatura dos demais governadores.

O governador do Maranhão fez questão de comunicar ao mundo que foi a Curitiba reafirmar suas convicções políticas e jurídicas sobre a prisão de Lula da Silva, e o fez por meio de um vídeo no qual lhe declara solidariedade “pessoal e política”, por ter “a convicção de que há um erro imenso, tanto no tocante ao mérito, ou seja, no caso do dito apartamento, do triplex, não comporta uma condenação desse tipo”, e também porque, segundo o seu entendimento, “não houve o exaurimento dos recursos que a Constituição, a lei brasileira, assegura a todos os brasileiros”. Justifica que “por isso nós estamos diante de uma prisão de caráter mais político do que legal, clara violação à Constituição e ao artigo 283 do Código do Processo Civil, uma vez que não houve o trânsito em julgado”. E fecha o argumento afirmando que “por isso estamos defendendo, claro, a liberdade do presidente Lula, os seus direitos políticos, mas estamos defendendo também e integridade e a autoridade do sistema jurídico, da Constituição e das leis para todos os brasileiros”. Conclui afirmando, em tom de convocação, tratar-se de “uma causa que deve unir a todos aqueles que sabem a importância do cumprimento e da democracia em favor de todos”. E no clássico estilo de militante, propõe uma palavra-de-ordem: “Lula livre!”.

Por qualquer ângulo que se observe a sua movimentação se chegará à conclusão de que o governador Flávio Dino sabe exatamente o que está fazendo. Quando discursa contra o que chama de “erro jurídico imenso”, fala tecnicamente e com a autoridade de quem já foi juiz federal. As estocadas que dá no juiz Sérgio Moro parecem manifestações baseadas na convicção em relação à anormalidade do processo. Tanto que nenhuma voz partidária das decisões do juiz Sérgio Moro se manifesta em sua defesa. E quando afirma que a condenação de Lula da Silva  é principalmente um ato político, o silêncio da Justiça Federal em Curitiba parece uma atitude temerosa de que haja, de fato, algo de muito grave nas entranhas das decisões tomadas até aqui em relação ao ex-presidente.

Chama atenção o fato de que o movimento dos governadores foi iniciativa do líder maranhense, que vem tomando as iniciativas e sendo seguido pelos dirigentes estaduais identificados como essa linha de ação na defesa do ex-presidente. Flávio Dino fala de igual para igual com seus colegas governadores, independente do peso político dos estados que representam, e vem dando seguidas demonstrações de que começa, de fato, a ocupar um lugar destacado nesse campo político. A iniciativa que tomou, diante do impedimento de acesso a Lula da Silva, de escrever-lhe uma carta do próprio punho e tê-la respaldada com as assinaturas dos oito governadores e dos três senadores presentes foi uma demonstração cabal de que assumiu, de fato, a liderança do movimento e do grupo. E certamente não agiria com essa desenvoltura se estivesse preso a algum malfeito ou tivesse alguma conta sinistra a acertar com a Justiça, o que torna ainda mais sólida sua posição política nesse contexto em que pelo menos oito entre 10 têm rastros suspeito a serem explicados, com delegados, promotores e juízes.

O que está se vendo é um político maranhense com posição consolidada no estado, com amplas chances de reeleição, e em franca ascensão no plano nacional, com possibilidade concreta de ocupar espaço expressivo nesse vazio de lideranças que o País está vivendo. Pelo menos até aqui, nenhuma outra interpretação dos fatos mostrará um cenário diferente.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Roberto Rocha aposta que o PSDB farpa uma campanha “eficiente” no Maranhão

Roberto Rocha: está entusiasmado com a campanha dos tucanos
Roberto Rocha: está entusiasmado com a campanha dos tucanos

O senador Roberto Rocha começa a articular o lançamento da chapa com a qual o PSDB vai disputar o Governo do Maranhão e as duas cadeiras no Senado. Mais candidato a governador do que nunca, Roberto Rocha se movimenta embalado pelo faro de que vai liderar uma chapa que considera competitiva, principalmente para o Senado, que terá como candidatos o ex-governador d atual deputado federal José Reinaldo Tavares e o deputado estadual Alexandre Almeida. E ainda com dois candidatos de peso à Câmara Federal, o ex-prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira e o deputado federal Waldir Maranhão. O senador trabalha para viabilizar sua candidatura fortemente atrelada ao projeto presidencial do tucano Geraldo Alckmin, que teria lhe prometido incluir o Maranhão pelo menos duas vezes no roteiro da sua campanha. Ao contrário do que muitos vêm afirmando, o senador Roberto Rocha tem afirmado em conversas reservadas que o PSDB não perdeu muitos prefeitos com a saída do vice-governador Carlos Brandão, que previu ser seguido por pelo menos 20 dos 28 prefeitos tucanos. Nas contas da cúpula dos tucanos, nem uma dezena de prefeitos deixou o partido, entre eles Vianey Bringel, de Santa Inês, que migrou para o DEM, e Luis Fernando Silva, de São José de Ribamar, que por enquanto se mantém. Roberto Rocha tem garantido a interlocutores que o PSDB no estado.

 

DEM amplia bandada estadual e reforça base com nomes como Daniela Tema

Daniela Tema: nome forte do DEM na Região Central do estado
Daniela Tema: nome forte do DEM na Região Central do estado para outubro

É a cada dia mais evidente a expectativa que o DEM fará forte diferença na corrida por cadeiras na Assembleia Legislativa. O partido, que já contava com os deputados Stênio Rezende, Antônio Pereira e Cabo Campos, saiu da janela reforçado pelos deputados Rogério Cafeteira, Neto Evangelista e Paulo Neto. Além dos deputados, que são naturalmente candidatos à reeleição, o DEM foi turbinado por nomes politicamente fortes e com amplas chances de chegar à Assembleia Legislativa. Um desses é Daniela Tema, esposa do prefeito de Tuntum e presidente da Famem, Cleomar Tema (PSB). Nutricionista por formação e desde a infância envolvida com a política por influência familiar, Daniela Tema, pouco mais de 30 anos, nasceu em Presidente Dutra e se tornou conhecida em toda a região pelo trabalho que realizou na direção do Socorrão de Presidente Dutra, o primeiro hospital regional implantado pelo governador Jackson Lago (PDT). Jovem, bonita, com boa formação e politicamente determinada, Daniela Tema ganhou também o incentivo do governador Flávio Dino, que elogiou o desempenho na condução do Socorrão de Presidente Dutra. Poucos duvidam da sua força eleitoral na Região Central do Maranhão.

São Luís, 11 de Abril de 2018.