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Eliziane Gama afirma que é candidata ao Senado, “com a força de Deus”, e que candidatura é irreversível

 

Eliziane Gama: decisão de disputar uma cadeira no Senado
Eliziane Gama: decisão de disputar uma cadeira no Senado já como bom cacife

Coluna – Deputada Eliziane, a Senhora é mesmo candidata ao Senado?

Eliziane Gama – Sou sim. Deus já decidiu isso e está me guiando.

Coluna – É decisão irreversível ou é coisa do momento?

Eliziane Gama – É decisão irreversível. Sou candidata ao Senado, com a força de Deus.

A entrevista informal aconteceu ontem, por volta do meio-dia, no estacionamento da Assembleia Legislativa, onde a entrevistada passara boa parte da manhã participando de uma reunião sobre Conselho Tutelar. Ao contrário de outras vezes, quando o conteúdo e o ânimo das respostas causaram mais dúvidas do que certeza, as respostas de ontem foram categóricas, sem qualquer traço de vacilo. A deputada federal Eliziane Gama (PPS) é candidata a uma das vagas no Senado da República pelo Maranhão nas eleições do ano que vem. Ela abre mão de uma reeleição quase certa para a Câmara Federal para entrar numa guerra na qual medirá força política e eleitoral com concorrentes do quilate dos senadores Edison Lobão (PMDB) e (provavelmente) João Alberto (PMDB), e os deputados federais Weverton Rocha (PDT), Sarney Filho (PV) e José Reinado Tavares (PSB), para citar apenas os que se posicionaram até aqui.

Eliziane Gama entra na corrida senatorial com alguns diferenciais: é a única mulher entre os aspirantes à Câmara Alta, foi eleita deputada federal com mais de 130 mil votos, não tem padrinho e aparece nas pesquisas como o nome mais lembrado. Ou seja, reúne todas as condições para se credenciar como candidata a uma das vagas a serem preenchidas nas eleições do ano que vem. E não são condições simples, mas essenciais para quem se propõe a enfrentar as urnas em busca de um mandato majoritário. Os demais candidatos podem até reunir outras condições essenciais, mas nenhum deles até aqui entra na briga com esses diferenciais. E o atual contexto, no qual impera o chamado “politicamente correto” e onde as mulheres estão se mobilizando em verdadeiras cruzadas para ampliar sua presença no universo político, sua condição de mulher é um diferencial e tanto. Mas se não forem bem trabalhadas, essas mesmas condições que devem embalar o seu projeto senatorial podem funcionar também como calcanhares de Aquiles.

O cacife de Eliziane Gama para essa corrida tem sido em parte responsável pela indefinição do Palácio dos Leões para montar a dupla de candidatos ao Senado que integrará a chapa a ser liderada pelo governador Flávio Dino. Corre nos bastidores que a maior parte das pesquisas de acompanhamento que chegam ao conhecimento da cúpula do Governo aponta a deputada do PPS como líder na corrida senatorial, na maioria das vezes formando dupla com o deputado federal José Reinaldo Tavares. Tais informações têm balizado as observações do governador Flávio Dino, que deverá escolher seus candidatos em breve. Mas a deputada do PPS tem cacife político e eleitoral para entrar nessa briga, mesmo que venha lançar sua candidatura de maneira independente, sem vinculação com coligações.

Eliziane Gama sabe, por outro lado, não pode se encantar com o favoritismo apontado pelas pesquisas do momento. As duras lições que lhe foram passadas pelo fracasso monumental que amargou na eleição para a Prefeitura de São Luís, quando saiu da condição de favorita nas pesquisas, com aparência de imbatível, mas fez uma campanha pífia, morna, e acabou amargando um humilhante quarto lugar. Agora, se de fato está disposta a encarar a disputa em meio a candidatos fortes, a deputada do PPS tem a oportunidade de apagar a má impressão que sua participação no pleito de 2016 deixou no eleitorado da Grande São Luís, que costuma ser decisivo em eleições majoritárias.

Se estiver mesmo decidida a ser candidata ao Senado, a deputada Eliziane Gama contribuirá para o processo eleitoral no mínimo com um invejável gesto de coragem política, que na verdade revela sua saudável ousadia. E se souber conduzir sua candidatura com uma campanha inteligente, nada parecida com a apatia que a mostrou na corrida à Prefeitura da Capital, Eliziane Gama reúne todas as condições chegar ao Senado na esteira de uma eleição consagradora.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Em lance cultural de ponta, Othelino Neto faz homenagem justa ao Samba maranhense

Othelino Neto: oportuna homenagem ao Samba do Maranhão
Othelino Neto: oportuna homenagem ao Samba do Maranhão

12 de Outubro, Dia Maranhense do Samba. A homenagem virou lei estadual ontem, quando o plenário da Assembleia Legislativa aprovou Projeto de Lei proposto pelo deputado Othelino Neto (PCdoB), 1º vice-presidente e presidente em exercício do Poder Legislativo. A aprovação foi unânime, e revelou a atenção dos deputados estaduais para um dado cultural importante no riquíssimo universo da Música Popular Maranhense (MPM).

Para quem está fora do contexto da cultura musical do Maranhão, a iniciativa do deputado Othelino Neto de instituir, com força de lei estadual, uma data para homenagear o Samba no Maranhão, parece uma decisão graciosa, sem muita relevância. Só na aparência, porque quando se busca o Samba maranhense na sua essência, o que se encontra são jóias preciosas do cancioneiro popular, com ricas, surpreendentes e  desconcertantes variações, algumas consideradas originais, não encontradas nem na Bahia nem no Rio de Janeiro, polos culturais que disputam a condição de “berço” do Samba nacional.

Com a propriedade de quem foi a fundo na pesquisa sobre o Samba maranhense, o deputado Othelino Neto argumentou com precisão: “O Maranhão é terra dos batuques, do Tambor de Crioula, que é reconhecido nacionalmente como “avô” do Samba, terra da Turma da Mangueira, fundada na primeira metade do século passado, assim como terra dos Fuzileiros da Fuzarca de 1936, terra dos blocos tradicionais, uma forma ímpar de tocar Samba e que só existe aqui. Portanto, nada mais justo do que estabelecer um dia para comemorarmos o nosso Samba, pois se trata de um reconhecimento”.

Inspirado em fundamentos culturais incontestáveis, o autor do projeto afirma, com razão absoluta, que “fazer Samba no Maranhão não é inventar e sim apenas manter viva essa tradição”. E mostrando que não se limitou ao rico painel do gênero no universo urbano, Othelino Neto ampliou ainda mais o raio de alcance do seu projeto, foi buscar o Samba Rural, uma preciosa variação típica da Região do Munim, até hoje preservado, com um ritmo próprio, “herdado dos nossos ancestrais”.

Na fundamentação do seu projeto, o deputado Othelino Neto relacionou uma turma de sambistas que responde pelo que há de melhor no gênero:  Felipe, Leonardo, Amaral, Apolônio, Messias, Cristóvão Colombo Alô Brasil, Antônio Vieira, Lopes Bogéa, Zé Pivô, Maestro João Carlos (pai de Alcione Nazaré, a Marrom), Caboclinho, Tabaco, Bibi Silva (pai do nosso poeta, o também sambista genial César Teixeira), Sapinho, Luís de França, Patativa, Urubuzinho, Mascote e outros.

O deputado Othelino Neto foi preciso na argumentação: “Esse reconhecimento é vital em todos os sentidos, até para que as pessoas entendam que o samba também é uma manifestação do nosso Folclore, dos nossos folguedos, da nossa riqueza e diversidade cultural. Em suma, é legítimo e justo todo o apoio e incentivo ao samba maranhense para preservá-lo e fortalecê-lo cada vez mais”.

E para tornar mais completa a homenagem ao Samba maranhense, a data 12 de Outubro marca o aniversário de Cristóvão Alô Brasil, um dos mais geniais sambistas do Maranhão, uma escolha que contempla a todos os cultivadores do gênero em terras maranhenses. Valendo também a informação de que a data é feriado por conta de Nossa Senhora Aparecida e das Crianças.

 

Roberto Costa age corretamente ao buscar um desfecho para a crise que prejudica Bacabal

Roberto Costa: envolvimento politicamente correto com a crise em Bacabal
Roberto Costa: envolvido  corretamente com a crise em Bacabal

Algumas vozes têm criticado o deputado Roberto Costa (PMDB) por causa do seu envolvimento no imbróglio em que se transformou a eleição para a Prefeitura de Bacabal. Para começar, o deputado Roberto Costa saiu das urnas com mais de 18 mil votos, o que, independente de não ter vencido a eleição, lhe dá uma responsabilidade enorme em relação ao destino de Bacabal. Além do mais, o que está em jogo naquele município é a própria essência do processo eleitoral, que no caso foi inteiramente contaminado com a participação do ex-prefeito Zé Vieira (PR) de maneira ilegal segundo denunciou o Ministério Público ainda no período de registro de candidatura. A guerra judicial travada paralelamente ao processo eleitoral provou cabalmente que a decisão do Ministério Público de impugnar a candidatura de Zé Vieira estava correta, não por algum crime eleitoral – que até onde se sabe Zé Vieira não cometeu -, mas pela sua condição de político ficha suja, segundo sentenças prolatadas pela Justiça Federal. Nesse contexto, o deputado Roberto Costa não faz mais que sua obrigação permanecendo a postos, acompanhando, atuando onde for possível, enfim, contribuindo para que o imbróglio seja resolvido pela Justiça. É assim que age um político correto, comprometido com a causa pública e com as regras do jogo. Se desse as costas para a crise, não seria merecedor dos mais de 18 mil votos que recebeu dos bacabalenses. O exercício da política vai muito além dos bons momentos da vitória eleitoral. Ele inclui também o amargor das crises e a tensão das indefinições. A crise de Bacabal provoca os dois sentimentos. E eles são visíveis no deputado Roberto Costa, com a diferença de que ele é otimista quanto ao futuro.

São Luís, 21 de Novembro de 2017.

 

Dino e Lula reforçam laços para juntar forças e Roseana vai ter a sombra de Temer na corrida às urnas

 

Flávio Dino e Lula e Roseana Sarney e Michel Temer: alianças para as eleições
Flávio Dino e Lula e Roseana Sarney e Michel Temer: alianças firmadas para as eleições do ano que vem no Maranhão

A participação destacada do governador Flávio Dino no 14º Congresso do PCdoB, realizado no fim da semana passada em Brasília, e a ação política consistente e contínua do ex-presidente José Sarney (PMDB) junto ao presidente Michel Temer (PMDB) delinearam bem como as forças que se baterão no pleno nacional se movimentarão no Maranhão. A reunião do PCdoB colocou mais uma vez – e parece que agora em caráter definitivo – o governador Flávio Dino (PCdoB) e o ex-presidente Lula da Silva (PT) lado a lado para a guerra eleitoral. E a ação política do ex-presidente José Sarney parece que consolidou o apoio do presidente Michel Temer (PMDB) como o lastro principal do projeto por meio do qual a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) pretende disputar o Governo do Estado. Entre esses dois projetos de rolo-compressor se movimenta a candidatura do senador Roberto Rocha pelo PSDB, que deve abrir caminho para a provável candidatura tucana do atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

É cada vez mais forte a ligação política do governador Flávio Dino com o ex-presidente Lula. E a menos que haja uma reviravolta surpreendente, os dois marcharão juntos em 2018, o governador lutando pela reeleição e o ex-presidente tentando voltar ao Planalto. Apesar dos pequenos azedumes que aqui e ali estremecem as relações do PT com o PCdoB, numa ciranda que às vezes envolve também PSB e PDT, Flávio Dino tem sabido levar à frente a aliança reconstruída depois do longo casamento do PT com o PMDB. Em tempos de duro desgaste para o PT, o governador Flávio Dino tem emprestado seu prestígio numa enfática defesa de Lula. A relação indica que, mesmo que venha a ser judicialmente impedido de ser candidato, Lula entrará de cabeça na campanha de Flávio Dino, que por sua vez apoiará incondicionalmente candidato o PT, que deve ser o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

O ex-presidente José Sarney tem se movimentado com toda sua expertise na construção da ponte que está transformando o projeto eleitoral da ex-governadora Roseana Sarney na lista de prioridades do PMDB e do presidente Michel Temer na corrida eleitoral de 2018. A movimentação que resultou na escolha do delegado Fernando Segovia para o comando da Polícia Federal mostrou o grau de sintonia do ex-presidente como o atual ocupante do Palácio do Planalto. Nos bastidores de Brasília corre que, mesmo impopular, o presidente Temer aposta alto na recuperação econômica, e esteira da façanha, embalar algumas candidaturas da preferência do PMDB e dele próprio, sendo a de Roseana Sarney uma delas. Essa decisão foi tomada na euforia da derrubada da segunda denúncia contra o presidente. E foi a batida de martelo que levou a ex-governadora desembarcar em São Luís alguns dias depois como candidata assumida, indicando que se Michel Temer tivesse sido afastado ela não entraria na briga pelo Palácio dos Leões.

Tudo está sendo desenhado para que esse seja o embate central da corrida aos Leões no ano que vem. O governador Flávio Dino vem dando ênfase política cada vez maior às ações do seu Governo, cumprindo uma agenda intensa de visitas ao interior para inaugurar e anunciar obras. Sabe que, exatamente por estar fora do poder, Roseana Sarney tentará retomá-lo usando todo o seu arsenal político e midiático, como está fazendo no caso da Operação Pegadores. E nessa guerra entrarão Lula por Flávio Dino e vice versa, e os ventos do Palácio do Planalto por Roseana Sarney. A primeira aliança já está selada e dificilmente sofrerá algum revés. A segunda já é fato, mas ainda está ganhando forma nas sombras e será mostrada à medida que as notícias econômicas sejam mais alvissareiras.

Nesse contexto, observadores mais exigentes sugerem mais tempo para o embate Flávio Dino/Roseana Sarney seja definido, chamando atenção para a candidatura do senador Roberto Rocha, que nas suas avaliações, pode ganhar impulso com a candidatura presidencial do PSDB. São poucos os que apostam que ele leve a melhor, mas são muitos os que acreditam que ele pode vir a desequilibrar a disputa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Cleide Coutinho pede aos amigos tempo para “Grandão” possa se recuperar tranquilo

Cleide e Humberto Coutinho: a médica e esposa cuidando marido e parceiro
Cleide e Humberto Coutinho: a médica e esposa cuidando marido e parceiro

O deputado Humberto Coutinho (PDT), presidente da Assembleia Legislativa e um dos pilares da aliança que hoje governa o Maranhão, está vencendo a batalha contra um quadro infeccioso no intestino. A boa nova veio a público ontem na forma de uma nota emitida por sua inseparável esposa Cleide Coutinho. Com a autoridade de mulher e médica, Cleide Coutinho informou que o tratamento está em franca evolução, mas para que seja eficiente, é necessário que Humberto Coutinho permaneça em completa reclusão, seguindo rigidamente recomendações médicas e longe da agitação e das emoções. O comunicado faz todo sentido para quem conhece Humberto Coutinho. Médico por formação e profissão, o deputado descobriu na política a sua verdadeira vocação. E desenvolveu uma maneira singular de praticá-la: conversando, ao pé do ouvido, e assumindo parcerias e compromissos que nunca deixaram de ser cumpridos, honrando a palavra acima de tudo. Por isso dedica a maior parte do seu tempo recebendo deputados, prefeitos, vereadores e líderes os mais diversos. Cada conversa é uma história, que puxa pela emoção. E nesse momento, o que ele menos precisa é de emoção forte ou de fazer esforços prejudiciais à sua recuperação. Daí o apelo forte feito por Cleide Coutinho, a pedido da equipe médica, no sentido de que seus amigos, especialmente deputados, evitem visitá-lo. Segue a nota:

Nota pública

A equipe médica que acompanha o tratamento do Presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho, solicitou que todas as visitas ao parlamentar sejam suspensas até a completa recuperação do quadro infeccioso.

De acordo com o médico, as visitas que Dr. Humberto tanto gosta de receber, provocam muita emoção ao nosso amigo, exigindo esforços que no momento não são bons para a sua recuperação.
A Dra. Cleide Coutinho e família agradecem a todos pela compreensão e assim que o ‘Grandão’ voltar ao seu pleno restabelecimento, ficará muito feliz de receber as visitas que tanto o emocionam e agradam.

Caxias, 20 de novembro de 2017

Cleide Barroso Coutinho

 

Weverton Rocha não deixa que prisão de Rosângela Curado interfira na sua corrida ao Senado

Weverton Rocha: atuação intensa na liderança do PDT na Câmara Federal
Weverton Rocha: atuação intensa na liderança do PDT na Câmara Federal

Ao contrário do que alguns previram – a Coluna inclusive -, o deputado federal Weverton Rocha (PDT) não está permitindo que a prisão de Rosângela Curado na Operação Pegadores abale o seu projeto de chegar ao Senado nas eleições do ano que vem. O líder do PDT na Câmara Federal vem cumprindo uma programação intensa de encontros regionais, como o que aconteceu em Timon, no final da semana, quando recebeu declaração de apoio do prefeito Luciano Leitoa e, com ele, o aval do PSB à sua candidatura. Rosângela Curado foi uma aposta alta e errada, mas que poderia ajudá-lo a disseminar sua candidatura na Região Tocantina, a começar por Imperatriz, onde Curado parece ter ainda uma réstia de liderança. Focado no seu projeto senatorial, Weverton Rocha mantém uma atividade política frenética, percorrendo os quatro cantos do Maranhão, para consolidar pequenas, médias e grandes bases eleitorais. O jovem líder pedetista sabe que está numa guerra de gente grande, na qual não haverá espaço para vacilação nem passo em falso. Daí o seu cuidado em não se envolver diretamente no charco descoberto pela Operação Pegadores, ainda que a ação da PF esteja sob uma forte sombra de dúvidas. Principalmente pelo fato de que, ainda que as pesquisas não o apontem como um dos favoritos, é quase unanimidade no meio político que ele tem possibilidade de chegar onde planejou.

São Luís, 20 de Novembro de 2017.

Operação Pegadores começou forte, mas perdeu gás com tropeços e com a reação do governador Flávio Dino

 

Flávio Dino no Congresso do PCdoB, em Brasília: denúncia de pressões ao seu Governo
Flávio Dino no Congresso do PCdoB, em Brasília: denúncia de criação de factóides para desestabilizar o seu  Governo

Anunciada e realizada com força midiática suficiente para causar barulho considerável se os supostos malfeitos investigados tivessem a consistência que pareciam ter, a Operação Pegadores teria deixado um rastro de estragos de difícil reparação. Mas o que seria um catastrófico “day after” para o Governo-alvo, que parecia ter sido arremessado na direção do limbo moral, virou um surpreendente clima de contra-ataque. Parte do que foi apresentado pelo delegado Wedson Lopes – o caso da sorveteria, por exemplo -, e a declaração meio sem jeito da superintendente , foi categórico e documentalmente contestado, ao mesmo tempo em que o Governo cobrou a entrega da suposta lista de 400 fantasmas em cujas contas teriam ido paras a maior fatia dos R$ 18 milhões supostamente desviados no braço tocantino da Secretaria de Estado da Saúde, onde, segundo o relatório das investigações, a enfermeira Rosângela Curado e sua turma andaram metendo os pés pelas mãos, e por isso devem acertar contas com a Polícia e com a Justiça. O Palácio dos Leões não reagiu contra a operação em si, mas partiu com força para derrubar informações contidas no relatório lido pelo delegado.

Quando a bomba estourou, por volta das 8hs da manhã de quinta-feira, o QG da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) entrou em ação e enxergou na Operação Pegadores a oportunidade de ouro que esperava havia quase três anos: colar a pecha da corrupção no atual Governo. E o fez por todos os canais ao seu alcance, levando a prisão de Rosângela Curado e sua turma para o campo político. Mas, ao contrário do que era esperado por muitos, que apostaram na sua entrada em parafuso, o governador Flávio Dino (PCdoB) segurou a onda r programou a reação na base da razão, sem açodamento. Auxiliado pelos secretários de Estado de Saúde, Carlos Lula, de Articulação Política e Comunicação, Márcio Jerry, determinou a elaboração de uma nota na qual não contestou a ação, reconheceu sua licitude e manifestou disposição de colaborar para que tudo seja esclarecido, doa em quem doer.

Deflagrada na manhã de quinta-feira, a Operação Pegadores foi realizada com força plena e argumentos supostamente sólidos. Mas antes mesmo da entrevista coletiva da PF, no final da manhã, uma nota do Palácio dos Leões sinalizaria que o buraco seria mais embaixo. Na sexta-feira, o governador Flávio Dino comandou uma reação intensa e eficiente que, sem contestar a ação em si, colocou em xeque algumas das suas conclusões. Com documentos supostamente incontestáveis, porta-vozes formais e informais do Palácio dos Leões azedaram algumas das cerejas do bolo da investigação, caso, por exemplo, a tal sorveteria que teria sido usada como “lavanderia”, que deixara de existir em 2013, não podendo ter sido usada entre 2015 e 2017.   Antes, no início da manhã, contrariando o noticiário da TV Mirante na noite anterior, tratando o assunto como um escandaloso caso de corrupção no Governo Flávio Dino, dando a impressão de que o Palácio dos Leões estava encolhido na defensiva, o Bom Dia Brasil, da Rede Globo, praticamente desfez o que fizera. Ao tratar do assunto, o apresentador, Chico Pinheiro, comentou: “É uma luta desmontar esses esquemas que foram montados durante anos e anos de corrupção”. Um petardo direto contra o Governo Roseana Sarney, que teve também o poder de eliminar qualquer eventual culpa do Governo Flávio Dino no caso.

Logo em seguida, animado pela interpretação dada pelo apresentador global, o governador Flávio Dino disparou uma série de mensagens no twitter descartando qualquer bandalheira no seu Governo e cobrando da Polícia Federal a relação de 400 servidores irregulares que estariam drenando criminosamente parte dos recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS) enviados ao Governo do Maranhão. A tal lista é tida como a cereja do bolo da investigação, daí porque o governador acha que com ela em mãos poderá informar-se melhor sobre o que de fato estava acontecendo e poderá adotar providências no sentido de corrigir os eventuais malfeitos de Rosângela Curado e companhia.

O governador Flpavio Dino entrou na guerra midiática jogando duro. “Jamais compactuamos com qualquer má aplicação de recursos públicos. Sempre tomamos todas as providências administrativas quando erros foram cometidos”, escreveu o governador Flávio Dino no twitter. E partiu para o ataque direto ao Grupo Sarney, que tentou lhe emplacar a pecha da corrupção ao seu Governo:  “Quanto à oligarquia Sarney-Murad, falta-lhe as condições mínimas para falar em moralidade”. E aprofundou a estocada: “Que cuidem dos seus problemas na Polícia e na Justiça. São Muitos”.

Com a série de twittadas, o governador Flávio Dino respondeu os ataques que recebera durante toda a quinta-feira dos seus adversários e, ao mesmo tempo, colocou a Polícia Federal contra a parede ao cobrar enfaticamente a lista dos 400 nomes que teriam sido contratados irregularmente, segundo revelaram as investigações. Esse rebate do governador será apenas mais momento do “bateu-levou”, que ainda vai produzir desdobramentos, porque nessa guerra tudo pode acontecer, menos o Grupo Sarney depor as armas em relação a Flávio Dino até outubro do ano que vem.

Em Tempo: O posicionamento do governador Flávio Dino em relação à Operação Pegadores ficou mais claro ainda no sábado, durante o Congresso do PCdoB. Ele acusou o Grupo Sarney de estar por traz de ações e operações que tentam desestabilizar o seu Governo, “o que foi intensificado com factóides que buscam ter impacto nacional”, acrescentando que “toda hora eles fabricam um negócio absurdo”. E levantou a suspeita de que órgãos federais podem ser usados para atingi-lo: “É possível o uso dos aparelhos federais contra o Governo”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Gastão Vieira articula aliança com Flávio Dino e pode entrar na briga pelo Senado

Gastão Vieira: próximo de Flávio Dino e pensando no Senado
Gastão Vieira: próximo de Flávio Dino e pensando em candidatar-se ao Senado

O quadro da disputa para o Senado, que parecia definido, pode ganhar novo ingrediente: a possível candidatura do ex-ministro Gastão Vieira. O PROS, partido que ele lidera no Maranhão, caminha para entrar formalmente na aliança comandada pelo governador Flávio Dino, podendo incluir nos acertos políticos candidatura do ex-ministro a uma das vagas na Câmara Alta. Gastão Vieira tem conversado com Flávio Dino, e a cada conversa a relação se torna mais estreita. O projeto inicial de Gastão Vieira é disputar uma vaga na Câmara Federal, onde já cumpriu cinco mandatos. Mas ele, com o lastro que construiu na disputa senatorial de 2014, quando recebeu mais de 800 mil votos, avalia que obter resultado positivo em 2018, mesmo numa disputa envolvendo pesos pesados como Edison Lobão (PMDB), José Reinaldo Tavares (PSB), Sarney Filho (PV), Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS). A interlocutores mais próximos, o ex-ministro do Turismo se diz animado para tentar o Senado mais uma vez, mesmo correndo o risco de não alcançar a eleição e permanecer fora do cenário político por mais quatro anos. Daí é que também trabalha seu projeto básico, que voltar à Câmara Federal, onde tem prestigio como especialista em Educação, Turismo e em matéria orçamentaria. No que diz respeito às relações políticas e partidárias, Gastão Vieira está definitivamente afastado do Grupo Sarney e cada vez mais alinhado ao projeto de poder liderado pelo governador Flávio Dino.

 

Tema participa em Brasília de ações por mais recursos para os municípios

Tema Cunha lidera caravana de prefeitos à XX Marcha
Tema Cunha lidera mais uma incursão em Brasília em busca de recursos para municípios

“Não deixem os municípios afundarem”. Embalados por esse slogan, prefeitos de todo o Maranhão, liderados pelo prefeito de Tuntum e presidente da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem), Cleomar Tema, desembarcarão em Brasília, nesta segunda-feira (20), para participar de uma nova mobilização nacional com o objetivo de conseguir recursos federais desta vez para aliviar o caixa das Prefeituras, de modo a que possam fechar o ano numa situação pelo menos mais aliviados.

A mobilização está sendo organizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), da qual Cleomar tema é hoje um dos militantes mais ativos, dada sua crença no municipalismo. “As coisas acontecem é nos municípios, e nós temos que fortalecer as Prefeituras”, diz Tema, que espera desembarcar nesta segunda-feira em Brasília com um grupo expressivo de líderes municipais.

A programação inclui reuniões na Câmara Federal e no Senado e com representantes do Governo Federal e de órgãos de controle externo. No Senado, os prefeitos irão discutir temas como a atualização dos programas federais; emendas do FPM – Fundo de Participação dos Municípios (PEC 61/15), e 1% do FPM (PEC 29/17). Na Câmara serão tratadas a PEC 212/16, que trata de precatórios, e os PLs 3776/08, sobre piso do magistério, e 2289/15, relacionado com resíduos sólidos. No Congresso Nacional, a pauta comum tratará sobre a derrubada do veto ao Encontro de Contas (nº 30/17).

Com representantes do Poder Executivo, serão discutidas medidas que viabilizem a liberação de novos recursos para os municípios. Os gestores municipais do Maranhão também irão se reunir com a Bancada do Estado em Brasília, formada por deputados federais e senadores.

São Luís, 19 de Novembro de 2017.

Ação da PF no Governo Dino e decisão do TJ a favor de Roseana elevarão o tom do “bateu-levou” na campanha eleitoral

 

Flávio Dino e Roseana Sarney: posições diferentes em situações parecidas
Flávio Dino e Roseana Sarney: posições diferentes em situações parecidas geram munição para a guerra política e eleitoral

O 17 de Novembro de 2017 vai entrar para a crônica política do Maranhão como um dia, se não exatamente excepcional, mas suficientemente movimentado para ser lembrado por uma reviravolta em posições que vinham se consolidando e que norteariam os discursos das principais forças envolvidas na disputa pelo poder no estado ao longo da corrida às urnas. O dia começou com a Polícia Federal realizando a Operação Pegadores (5ª fase da Operação Sermão dos Peixes), com a prisão de mais de uma dezena de pessoas em São Luís e Imperatriz – entre elas Rosângela Curado, que disputou a Prefeitura de Imperatriz pelo PDT apoiada pelas forças governistas – por suposto desvio de recursos de pelo menos R$ 18 milhões da Secretaria de Saúde entre 2015 e 2017, portanto no atual Governo. E antes do final da manhã, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça bateu martelo e, por meio do trancamento de ação acusatória movida pelo Ministério Público, eximiu a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) de envolvimento ou responsabilidade no que ficou conhecido como “Máfia da Sefaz”, um suposto esquema de mutreta fiscal que teria desviado nada menos que R$ 400 milhões dos cofres estaduais.

Os dois episódios sugerem uma inversão de posições, mas na essência têm o mesmo roteiro e, tudo indica, o mesmo desfecho. A julgar pelo que foi dito pelo delegado responsável, a Operação Pagadores atingiu em cheio o Governo Flávio Dino (PCdoB), já que os supostos desvios foram praticados entre 2015 e 2017, portanto durante o seu período, dando ao exército midiático alinhado ao Grupo Sarney munição de grosso calibre para disparar à vontade contra o governador Flávio Dino, que lidera a corrida eleitoral em todos os cenários. Do outro lado, a decisão da 2ª Câmara Criminal favorável à ex-governadora Roseana Sarney levou às forças de mídia alinhadas ao Palácio dos Leões a lembrarem que  a situação é idêntica, argumentando que a ex-chefe do Executivo foi eximida, mas a encrenca existe, com provas robustas e que cedo ou tarde poderá levar para atrás das grades os envolvidos, entre eles o ex-secretário de Fazenda, Cláudio Trinchão.

Como um desdobramento articulado, a Operação Pegadores e a exclusão da ex-governadora Roseana Sarney da lista de acusados da “Máfia da Sefaz” já estão sendo transformadas em motes para a guerra de acusações a ser travada na corrida eleitoral que, pelo visto, já está em curso e tende agora a ganhar mais volume e barulho. Ciente da repercussão e do potencial de estrago da ação da PF, o Palácio dos Leões agiu rápido e antes de o comando da Operação se manifestar em entrevista coletiva, soltou uma nota dando uma série de explicações, anunciando providências e afirmando que o Governo não compactua com esse tipo de coisa. O secretário de Saúde, Carlos Lula, disse no twitter que estava acompanhando a ação da PF e se afirmou que a SES está colaborando para que tudo seja colocado em pratos limpos, garantindo também que no final ficará demonstrado que o Governo não tem envolvimento com qualquer distorção. Já os aliados da ex-governadora Roseana Sarney festejaram a sua condição de ficha limpa, mas preferiram silenciar em relação ao andamento das investigações destinadas a enquadrar os envolvidos no esquema criminoso da “Máfia da Sefaz”, que na perspectiva de alguns, terá um desfecho bombástico em pouco tempo, que poderá respingar politicamente na candidata do PMDB do Governo do Estado.

O fato incontestável é que uma leitura equilibrada e isenta dos dois acontecimentos desse 17 de Novembro mostra que o que foi apurado pela Polícia Federal na Secretaria de Saúde – funcionários fantasmas recebendo boladas gordas das empresas prestadoras que são pagas com dinheiro federal – é gravíssimo e deverá ter desdobramentos pesados para a conta do Governo, mas sem atingir diretamente o governador Flávio Dino, e que o esquema da “Máfia da Sefaz” poderá arranhar profundamente a imagem de lisura do Governo passado, mesmo que o arranhão não alcance diretamente a ex-governadora Roseana Sarney. Não há dúvidas, porém, de que nos momentos decisivos da guerra política e eleitoral, os dois serão responsabilizados pelas manchas s policialescos que alcançaram suas gestões.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Prisão de Rosângela Curado é pancada forte no projeto senatorial de Weverton Rocha

Weverton Rocha bancou politicamente Rosângela Curado, que errou no Governo e fracassou nas urnas
Weverton Rocha bancou politicamente Rosângela Curado, que errou e fracassou

A prisão da suplente de deputada federal Rosângela Curado arranha, no contexto geral, a imagem do Governo Flávio Dino, mas o seu impacto causará danos mais graves no até aqui bem encaminhado projeto do deputado federal Weverton Rocha de chegar ao Senado nas eleições do ano que vem. Foi o parlamentar quem, como chefe maior do PDT, bancou a nomeação – feita a contragosto, diga-se – da enfermeira e política tocantina para a Subsecretaria de Estado da Saúde naquela região. Menos de um ano depois, ainda na gestão do médico Marcos Pacheco na Secretaria de Saúde, o governador demitiu-a sob forte suspeita de desvio de conduta administrativa, abrindo uma crise na relação com o deputado Weberton Rocha. Certo de que Rosângela Curado seria a porta pela qual entraria forte em Imperatriz, já que naquele momento ela aparecia em todas as pesquisas como nome imbatível para a Prefeitura de lá em 2016, Weverton Rocha decidiu minimizar os danos políticos e eleitorais da demissão se licenciando para dar-lhe quatro meses de mandato federal. Ao mesmo tempo, travou uma luta de foice contra o presidente do PCdoB, o influente Márcio Jerry – então secretário de Comunicação e principal conselheiro político do governador Flávio Dino -, pela escolha do candidato do grupo em Imperatriz. Depois de meses de uma verdadeira guerra nos bastidores da aliança governista, Weverton Rocha conseguiu minar o deputado Marco Aurélio (PCdoB) e o secretário de Infraestrutura Cleyton Noleto (PCdoB) e impor Rosângela Curado como candidata do grupo governista. Uma série de fatores transformou a candidata do PDT no maior fiasco eleitoral da história recente de Imperatriz, desmontando o projeto senatorial do líder pedetista, que até o momento não “arrancou” em Imperatriz. A prisão de Rosângela Curado na Operação Pegadores, confirma que o governador Flávio Dino estava certo quando a demitiu em 2015 e que Weverton Rocha calculou muito mal. Há quem acredite que por sua capacidade de superar adversidades, o deputado Weverton Rocha consiga reverter tal situação, mas há também quem preveja que ele dificilmente conseguirá viabilizar como sonhou o seu projeto de sair de Imperatriz como escolhido para uma das vagas no Senado em 2018.

 

Operação Pegadores coloca Ricardo Murad em estado de alerta máximo

Ricardo Murad: alerta máximo com a Operação Pegadores
Ricardo Murad: alerta máximo com a Operação Pegadores

Ao mesmo tempo em que anima as forças do Grupo Sarney, que ganhou um mote para disparar contra o Governo Flávio Dino, a Operação Pegadores coloca o ex-deputado e ex-secretário de Saúde Ricardo Murad em estado de alerta máximo. Na avaliação geral, a ação de ontem da PF cuidou de um caso isolado de suspeita de desvio no Sistema Estadual de Saúde pela via do sistema de empresas prestadoras de serviço criado e posto em prática durante a sua marcante e controversa gestão no Governo Roseana Sarney. Ricardo Murad está no epicentro e é o alvo principal da Operação Sermão dos Peixes, desencadeada em 2015 com o objetivo de colocar na cadeia os responsáveis pelo suposto desvio de R$ 1,2 bilhão. Durante a Operação Sermão dos Peixes, Ricardo Murad foi acordado por agentes na manhã de 17 de Novembro 2015 – há exatamente dois anos – e levado coercitivamente para prestar depoimento na sede da Polícia Federal, onde permaneceu várias horas respondendo a uma bateria de perguntas de uma esquipe de delegados. A pancada política e moral foi tão forte que levou Ricardo Murad a tomar uma decisão antes impensável no seu caso: anunciou ao mundo que a partir daquele momento suspenderia suas intensas e abrangentes atividades políticas para se dedicar integralmente à sua defesa. E realmente se recolheu e sumiu do mapa por bom tempo, retornando meses depois, aos poucos. Aparentemente, as investigações da Operação Sermão dos Peixes parecem até encontrar-se em banho maria, mas a julgar pelo que está acontecendo no País, dificilmente uma denúncia envolvendo suposto desvio criminoso de R$ 1,2 bilhão da área de Saúde será mandada para o arquivo morto sem que tudo esteja devidamente esclarecido. Daí alguns observadores ouvidos ontem pela Coluna preverem que o Sermão vai continuar, abrindo caminho para Ricardo Murad fechar sua defesa e – quem sabe? – levar à frente seu projeto de encarar as urnas em 2018 como candidato a senador ou até mesmo a governador.

São Luís, 16 de Novembro de 2017.

Enquanto adversários tentam se consolidar, Dino reforça sua aliança partidária e mantém favoritismo

 

Flávio Dino amplia aliança com Gastão Vieira, Juscelino Rezende e André Fufuca
Flávio Dino amplia aliança com Gastão Vieira, Juscelino Rezende e André Fufuca

Enquanto a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) ainda tenta dar forma e conteúdo à sua pré-candidatura recém anunciada, o senador Roberto Rocha (PSDB) dá os primeiros passo para dar consistência ao seu projeto eleitoral, a ex-prefeita Maura Jorge (Podemos) continua se esforçando para convencer o eleitorado e a classe política de que não é um blefe, e a pré-candidatura do deputado Eduardo Braide (PMN) ainda é apenas uma possibilidade com chance de se tornar uma realidade, o governador Flávio Dino (PCdoB) fortalece o seu projeto de reeleição construindo sem maiores dificuldades uma ampla e sólida aliança, reunindo em torno da sua candidatura líderes expressivos e um espectro partidário que vai da esquerda à direita. Está concluindo negociações com o ex-ministro Gastão Vieira (PROS), com o deputado federal Juscelino Rezende (DEM) e com o deputado federal André Fufuca.

Favorito em todas as pesquisas, exceto nas realizadas em bolsões isolados, o governador vai aos poucos dando velocidade a essa locomotiva em direção às urnas. E o faz inaugurando ou anunciando obras em todas as regiões do estado, numa maratona que o difere da maioria esmagadora dos demais governadores, muitos atolados no charco da má gestão e da crise financeira. Essa realidade foi traduzida recentemente pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, em visita a São Luís: “Muitos Estados estão passando por um momento difícil, mas aqui no Maranhão, com a gestão Flávio Dino, a gente percebe que há rigidez e uma eficiência muito grande, que privilegia o desenvolvimento, a geração de renda”.

Enquanto comanda um Governo correto, que paga suas contas em dia e faz investimentos em áreas vitais, como educação, saúde e infraestrutura, o governador vai aos poucos dando coloração politica à sua maratona, certo de que, a menos de 11 meses das eleições, é hora de começar a fazer política e mostrar o que fez e está fazendo para dar mais legitimidade ao pedido de votos para a reeleição. Nas últimas semanas, Flávio Dino vem intensificando suas incursões pelos municípios, cumprindo uma agenda intensa, que inclui sábados, domingos e feriados.

E com o cacife de bom Governo – a Oposição não engole e o acusa de má gestão -, o governador tem auferido também bons resultados dos seus movimentos políticos. Repercutiu fortemente nas últimas horas sua aproximação com o ex-ministro Gastão Vieira, que decidiu a afastar-se do Grupo Sarney e levar o PROS para a órbita governista. A aproximação de Gastão Vieira tem um simbolismo forte e repercute com maior intensidade, principalmente pelo fato de que o ex-ministro foi durante décadas um dos “homens de ouro” do núcleo mais próximo de Roseana Sarney. Sua saída do PMDB foi a mais nítida sinalização de que o Grupo Sarney está fragilizado e terá dificuldades para se recompor. Seu ingresso na aliança situacionista demonstra que ele enxerga caminho largo nessa banda da polpitica estadual.

A política de atração de reforço partidário tem produzido outros resultados surpreendentes. É o caso do PTB, por exemplo, hoje comandado pelo deputado federal Pedro Fernandes. Agremiação alinhada – mas sem submissão – há décadas ao Grupo Sarney, o PTB ingressou firme na aliança governista, tendo como elo o vereador Lucas Fernandes, que é hoje o atual gestor urbanístico da Região Metropolitana de São Luís, numa aliança com o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) sob as bênçãos e estímulos do Palácio dos Leões. Na mesma linha, o governador Flávio Dino está praticamente fechado com DEM, liderado pelo deputado federal Juscelino Filho, num pacote que deve incluir a filiação do deputado federal José Reinado Tavares ao partido e a sua candidatura ao Senado – exigência do comando nacional.

O reforço à aliança liderada pelo PCdoB ganhou ainda mais consistência e densidade quando o PP, agora liderado pelo deputado federal Fufuca Dantas, que colocou as cartas na mesa e decidiu aliar-se ao governador, deixando de lado uma relação de décadas com a família dele com o Grupo Sarney visando exatamente dar uma guinada radical. Na mesma trilha, o governador construiu uma relação surpreendente com o ex-prefeito de Imperatriz, Ildon Marques, que foi por quase duas décadas a voz de Roseana Sarney na Princesa do Tocantins.

No cenário do momento, não dá para menosprezar nenhuma das candidaturas ou projetos de candidatura já postos, mas é absolutamente inviável enxergar algum candidato em condição de encarar Flávio Dino e acreditar que tenha condições de levar a melhor. Isso porque o que garante o favoritismo do governador é um conjunto de fatores – uma gestão eficiente e limpa, força política, credibilidade pessoal e boa articulação.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Sarney Filho minimiza participação no programa do PV

Sarney Filho: participação sem peso no programa do PV
Sarney Filho:  travado no programa do PV

Estranha a participação do ministro Sarney Filho no programa nacional do PV, exibido ontem antes do Jornal Nacional, da rede Globo. Enquanto o presidente da agremiação verde, Luiz Penna, bateu forte no desmonte moral e ético do Governo e dos políticos de um modo geral, mas com um foco claro no PMDB, e a líder do partido na Câmara Federal, deputada Leandre Dal Ponte (PR), criticou o desrespeito com as minorias e defendeu uma maior atuação política das mulheres, Sarney Filho participou com uma amena e didática defesa dos grandes rios. Como quem nada tinha a ver com a pancadaria, o deputado federal, que é candidato a senador, fez de conta que ignorou a pancadaria do presidente do partido contra o Governo Michel Temer, que identificou como um antro de corrupção. Como um professor ginasial, o ministro Sarney Filho, que é deputado federal licenciado e candidato a senador, aproveitou o horário nobre para, em cadeia nacional, ensinar, de maneira quase prosaica, que o importante é “salvar as nascentes dos pequenos rios”, porque, ensinou, “são eles que formam os grandes rios”. A participação “professoral” escondeu totalmente o deputado federal Sarney Filho, político de discurso forte e combativo, mas que ficou inteiramente apático diante da pancadaria no Governo do qual ele é parte. Essa situação esdrúxula pode ser uma sinalização de que o ministro está a caminho de mudar de partido, como vem sendo especulado sem que ele desminta.

 

Lobão desafia adversidades e fala na inserção do PMDB como candidato à reeleição

Edison Lobão reafirma sua candidatura à reeleição
Edison Lobão reafirma sua candidatura

Mesmo sob intenso bombardeado pelos canhões impiedosos da Operação Lava Jato, que o acusam – até agora sem provas concretas – de participar de esquema, o senador Edison Lobão fez no horário destinado ao PMDB exatamente o contrário do que o ministro Sarney Filho fizera no programa do PV. Na inserção pemedebista, Edison Lobão jogou pesado como parlamentar informando haver destinado R$ 200 milhões em emendas para as áreas essenciais como saúde, educação, infraestrutura, etc.. O senador pemedebista sinalizou com clareza que, apesar dos pesares, ele está no jogo e disposto a jogar pesado para renovar o mandato. Lobão, que se apresentou sem paletó nem gravata fez um discurso direto, objetivo, como um comunicado, com uma formação precisa, sem adereços. Falou como um senador que está determinado a seguir na carreira, mesmo correndo o risco de ter sua carreira interrompida por um processo judicial.

São Luís, 14 de Novembro de 2017.

Eduardo Braide volta ao debate sucessório com vídeo insinuando sua candidatura ao Governo

 

Eduardo Braide volta a criar expectativas no quadro sucessório
Eduardo Braide volta a criar expectativas no quadro sucessório estadual no ano que vem

O deputado estadual Eduardo Braide (PMN) volta ao centro nervoso e agitado do cenário político, e de novo apontado como possível candidato a governador. Os registros entusiasmados dessa possibilidade foram motivados por um vídeo de publicidade partidária no qual o parlamentar assanha o universo sucessório com um discurso em que se mostra interessado em entrar agora na corrida pelo Palácio dos Leões. Na peça, ele afirma que “o Maranhão pode crescer de verdade (…), sem aumentar impostos de forma abusiva prejudicando a população e os pequenos comerciantes (…)”, e que “educação e segurança não sejam só propaganda, mas funcionem de verdade”. Trata-se, evidentemente, de uma clara provocação ao governador Flávio Dino (PCdoB) e, de quebra, uma insinuação de que se as coisas lhe forem favoráveis, ele suspenderá sua corrida à Câmara Federal e partirá para o gigantesco desafio de entrar na briga pelo comando político e administrativo do Maranhão.

Um dos quadros mais preparados e promissores da nova geração de políticos maranhenses, Eduardo Braide faz um jogo inteligente nessa fase de pré-campanha. Com o enorme cacife que acumulou na corrida pela Prefeitura de São Luís no ano passado, na qual começou na rabeira e alcançou o peso de adversário principal do prefeito Edivaldo Jr. (PDT), com quem disputou um animado segundo turno, o parlamentar do PMN aproveita as incertezas que ainda povoam o quadro de candidatos a governador e se apresenta como alternativa saudável no jogo sucessório. Assim, assume o espaço do que seria uma espécie de “quarta via”, credenciando-se a se tornar o caminho da faixa do eleitorado que não gosta da linha de esquerda do governador Flávio Dino (PCdoB), da suspensão da aposentadoria da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) nem do projeto ainda em desenvolvimento do senador Roberto Rocha (PSDB).

Político antenado, que já consegue se situar no cenário como opção para deputado federal, senador e governador, Eduardo Braide procura tirar proveito dessa posição mostrando que tem noção clara do seu potencial e dos seus limites. No vídeo, por exemplo, ele se coloca como uma alternativa, mas isso não significa que esteja anunciando sua candidatura. O seu projeto, segundo ele próprio, é eleger-se deputado federal, disputar a Prefeitura de São Luís em 2020 e, consumadas essas conquistas, chegar ao Governo do Estado. Um roteiro natural, factível e viável, segundo todas as projeções feitas por aliados e adversários. Por enquanto, se nada excepcional e prejudicial acontecer, ele permanecerá fiel ao seu projeto, que vem montando cuidadosamente desde que chegou à Assembleia Legislativa em 2010.

Atento ao desenrolar dos fatos, e ciente de que a excepcionalidade pode acontecer, Eduardo Braide vem se preparando cuidadosamente para o desafio de saltar duas etapas – Câmara Federal e Prefeitura de São Luís – para encarar a briga por um mandato majoritário. Se as circunstâncias o empurrarem, ele poderá se credenciar a uma vaga no Senado, e se esse empurrão for de fato excepcional, estará pronto para medir força e prestigio com o governador Flávio Dino, a ex-governadora Roseana Sarney e com o senador Roberto Rocha. Poderá também entrar como candidato apoiado pelo Grupo Sarney se a ex-governadora desistir de enfrentar as urnas. Essa última possibilidade é admitida por fontes graúdas do Grupo Sarney, e o próprio parlamentar não diz nem sim nem não, apenas abre um sorriso maroto quando lhe perguntam sobre o assunto. Um comportamento típico de quem já alcançou o status de “raposa política”

Não é possível, nesse momento, fazer uma previsão segura sobre qual será o caminho do deputado Eduardo Braide nas eleições do ano que vem. A possibilidade visível é que ele vai disputar votos numa posição diferenciada, com a vantagem de quem parece vocacionado para se tornar um quadro político que, mesmo tendo um ideário político conservador do ponto de vista ideológico, está acima da média.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Zé Vieira se diz perseguido em Bacabal, mas a verdade é que ele está lutando contra ele próprio

Zé Vieira, Roberto Costa e João Alberto: guerra sem perseguidor nem perseguido
Zé Vieira, Roberto Costa e João Alberto: guerra sem perseguidor nem perseguido

O prefeito eleito, empossado e afastado de Bacabal, Zé Vieira (PR), se diz vítima de perseguição, em entrevista publicada na edição de Domingo do Jornal Pequeno. Ele afirmou que a perseguição se dá porque ele declarou apoio ao governador Flávio Dino (PCdoB) e porque é inimigo do senador João Alberto (PMDB). O que acontece em Bacabal é uma guerra pelo poder, um conflito entre dois grupos que brigam há tempos pelo comando da Prefeitura bacabalense. Nessa guerra sem trégua, Zé Vieira, um senhor que caminha para os 80 anos, se desdobra para ocupar novamente um cargo que já ocupou por dois mandatos, e para isso joga tudo para seduzir o eleitorado e anular o adversário – agora mesmo está gastando uma pequena fortuna numa guerra judicial que, tudo indica, está perdida. Do outro lado está o senador João Alberto, um político integral e de tempo integral e que tem uma paixão sem medida por Bacabal, onde nasceu e passou parte da infância, mas nunca cortou os laços que os ligam. A diferença é que o senador João Alberto – que também já foi prefeito (janeiro de 1989 a abril de 1990) – não está disputando o cargo, mas apoiando o deputado Roberto Costa (PMDB), um dos políticos mais preparados e promissores da sua geração. Não há, portanto, nessa guerra política pelo comando de Bacabal, um algoz e uma vítima. E fazendo uma avaliação simples da situação, o mais correto é afirmar que, apesar de ter um adversário osso duro de roer na sua cola, Zé Vieira está na verdade lutando contra ele próprio, pois quem está dando força para a cassação do seu registro de candidatura, anular seus votos e mandá-lo para casa sem o direito de votar o ser votado durante três anos são as condenações por improbidade administrativa que lhe pesam sobre as costas.

 

Humberto Coutinho se recupera de um quadro infeccioso e se recolhe em Caxias para intensificar tratamento

Humberto Coutinho: recuperação entre famiiiares em Caxias
Humberto Coutinho: recuperação entre famiiiares em Caxias

A Dra. Cleide Coutinho e familiares, em respeito à população de Caxias e do Maranhão, informam que Dr. Humberto Coutinho encontra-se em Caxias para dar continuidade ao tratamento de um quadro infeccioso e, por determinação da equipe médica, as visitas estarão restritas aos familiares. Informam, ainda, que logo que haja liberação da equipe médica, Dr. Humberto retornará a receber todos os seus amigos com a mesma receptividade. 

Caxias, 13 de novembro de 2017

O comunicado esclarece a ausência do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho (PDT), das últimas sessões. E se submeteu a mais uma sessão de quimioterapia, com a qual vem vencendo um câncer no intestino, e a um tratamento intenso para combater sequelas de um processo cirúrgico que sofreu para a retirada de aderências decorrentes de uma cirurgia anterior. A Coluna apurou que o deputado Humberto Coutinho encontra-se se recuperando em sua residência, mas sob rigorosa determinação dos seus médicos de proibir temporariamente o contato com amigos, aliados e correligionários políticos, com os quais costuma passar horas seguidas conversando sobre o cenário político nacional e nele o quadro maranhense e nos municípios. Nessas conversas, Humberto, Humberto Coutinho costuma se agitar, apesar da sua aparência serena. “Fazer polpitica conversando e o que eu mais gosto de fazer”, disse ele em uma conversa com o titular da Coluna. E é verdade, pois o médico, empresário da área de Saúde e pecuarista troca qualquer programa por uma boa conversa política, e é essa relação com a política que fez dele uma das principais referências do Maranhão nessa seara.

São Luís, 13 de Novembro de 2017.

Briga pela Prefeitura de Bacabal produz uma frenética e nebulosa guerra de liminares no Tribunal de Justiça

 

Zé Vieira, Cleonice Freire, Ribamar Castro, Nelma Sarney e Bayma Araújo, na guerra dos recursos
Zé Vieira, Cleonice Freire, Ribamar Castro, Nelma Sarney e Bayma Araújo, na guerra dos recursos que movimentou o Tribunal de Justiça pela Prefeitura de Bacabal

Não será surpresa se o desfecho da eleição para prefeito e vice-prefeito de Bacabal – que deve acontecer nos próximos dias – entrar para a crônica política como o mais surpreendente, frenético e nebuloso da História recente do Maranhão, tendo com o epicentro desse movimento o Tribunal de Justiça do Estado. O entra-e-sai de Zé Vieira (PR) no cargo por força de liminares tem causado espanto nos observadores externos, e até onde se sabe, mal-estar nos diversos escalões do Poder Judiciário. O que mais chama atenção é que nessa chicana o que está em jogo não é exatamente a condição do candidato do PR, porque a Justiça Federal já bateu martelo que ele está inelegível por três anos, mas uma ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ) mandando o Tribunal de Justiça do Maranhão suspender a sua permanência no cargo até que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirme ou a cassação do registro da sua candidatura, pedida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), o que anulará os seus votos. A Justiça Eleitoral também decidirá se empossa o segundo colocado, o deputado Roberto Costa (PMDB), ou se convocará nova eleição.

Esse desafiador quebra-cabeça judicial começou ainda em junho de 2016, quando os candidatos a prefeito de Bacabal registraram suas chapas. Naquele momento, MPE pediu a anulação do registro de Zé Vieira alegando ser ele inelegível por ter sido condenado por improbidade administrativa pela Justiça Federal em processos relacionados com sua gestão anterior na Prefeitura de Bacabal. Zé Vieira acionou seu exército advocatício o recorreu ao TRE, que confirmou o pedido do MPE, levando o candidato do PR a recorrer ao TSE. Ao mesmo tempo, a tropa de choque advocatícia de Zé Vieira abriu outra frente, esta na Justiça Federal, recorrendo das condenações por improbidade administrativa. Enquanto isso, o processo eleitoral evoluía, com Zé Vieira se mantendo na disputa por liminares.

Apurados os votos de Bacabal, Zé Vieira foi eleito com mais de 22 mil votos, tendo como vice o jovem vereador e empresário Florêncio Neto (PHS), que entrara na chapa com o aval do pai, o deputado estadual Carlinhos Florêncio (PHS). O segundo colocado foi o jovem deputado estadual Roberto Costa (PMDB), que saiu das urnas com mais de 18 mil votos, comandando o grupo liderado pelo senador João Alberto (PMDB). De cara, o MPE contestou o resultado da eleição e pediu à Justiça Eleitoral que Zé Vieira não fosse diplomado. Foi atendido. Mas o candidato recorreu e conseguiu a diplomação por liminar. Nesse meio tempo, o STJ julgou a ação do MPF e os recursos do candidato e confirmou que está condenado por improbidade administrativa, comunicando essa decisão ao presidente do Tribunal de Justiça (TJMA), desembargador Cleones Cunha, que por sua vez cumpriu a regra e repassou o comunicado ao juiz de Bacabal. Diante da decisão do STJ, o juiz Jorge Sales Leite, titular da 3ª Vara de Bacabal, indeferiu (28/10) pedido de Zé Viera e manteve válido o ato do presidente da Câmara, Edvan Brandão suspendeu a posse de Zé Vieira, mas ele recorreu e reverteu a medida, levando em seguida a juíza Daniela Ferreira a confirmar o impedimento.

Foi a decisão da juíza de suspender a posse de Zé Vieira e empossar o vice-prefeito Florêncio Neto que deu a largada para o surpreendente conflito de entendimentos entre desembargadores. O recurso de Zé Vieira contra a decisão da Juíza foi protocolado no TJ na noite de 31/10, quando estava como plantonista a desembargadora Cleonice Freire, ex-presidente do Poder, que num despacho – que surpreendeu pela extensão -, contrariou a decisão da Justiça Federal e mandou empossar Zé Vieira. Dois dias depois, advogados do candidato Roberto Costa recorreram da decisão de Cleonice Freira ao relator do processo, desembargador Ribamar Castro, que no seu despacho (1º/11) cassou a liminar concedida pela colega e mais uma vez suspendeu a permanência de Zé Vieira no cargo, mandando empossar de novo o vice-prefeito.

A intensa “guerra” judicial produziu então uma situação no mínimo surpreendente. Os hábeis e ágeis advogados de Zé Vieira recorreram da decisão do desembargador Ribamar Castro. E no frenético sai-daqui-vai-para-ali, o processo foi parar nas mãos da desembargadora Nelma Sarney, que também não pensou duas vezes e (08/11) cassou a liminar concedida por Ribamar Castro e mandou empossar Zé Vieira, alegando que o desembargador não tinha competência para decidir sobre o caso. A aí aconteceu o mais incrível. Os advogados de Roberto Costa descobriram que, ao contrário do que havia sido decidido, era a desembargadora Nelma Sarney que não tinha competência para se manifestar, prerrogativa exclusiva do desembargador Ribamar Castro, que é o relator do processo. Diante da revelação, que cassou a liminar concedida por Nelma Sarney. O imbróglio foi parar na presidência da Corte, mas como o presidente Cleones Cunha não se encontrava em São Luís e a vice-presidente, desembargadora Maria da Graça Duarte se deu por impedida, coube ao decano do Judiciário, desembargador Bayma Araújo, colocar ponto final na mixórdia.

Considerado o maior processualista do TJMA, Bayma Araújo matou a charada e bateu martelo: Nelma Sarney não poderia desmanchar uma decisão do relator Ribamar Castro. Com isso, ficou valendo a suspensão da volta de Zé Vieira ao cargo. Houve ainda uma tentativa dos advogados dele de levar a questão ao Plenário, mas o decano Bayma Araújo fez valer a regra e brecou a operação. Sua decisão esgotou a possibilidade de recursos contra a decisão do STJ no TJMA. Zé Vieira continua fora do cargo.

Agora, o futuro da eleição para prefeito de Bacabal está nas mãos da Justiça Eleitoral. Nos próximos dias, o TSE vai julgar o último recurso de Zé Vieira, que já perdeu no Juizado de base e no TRE, por unanimidade.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Hilton Gonçalo dá sinais de que pretende deixar o PCdoB e seguir seu próprio rumo

Hilton Gonçalo sinaliza afastamento do governador Flávio Dino
Hilton Gonçalo sinaliza afastamento do governador Flávio Dino 

Não há dúvida de que está causando certo impacto no Palácio dos Leões e no universo governista com o um todo, mas a verdade é que as declarações do prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB), sinalizando a possibilidade de deixar o partido e romper com o governador Flávio Dino já eram aguardadas por observadores mais atentos. E as razões várias e óbvias. A primeira é que Hilton Gonçalo é um político independente, que dificilmente se submeteria a uma orientação nada identificada com o que ele pensa. Seus movimentos indicam que ele é um democrata, com uma visão de centro, mas nada identificado com a esquerda, o que o torna inteiramente incompatível com o PCdoB. Depois, é um líder personalista, que não admite sombras. Além, tem um conceito próprio do que é gestão pública, que não “bate” exatamente com a do governador Flávio Dino. Vale lembrar que Hilton Gonçalo deixou o PDT depois de não encontrar condições de conviver com o comando absoluto do deputado federal Weverton Rocha.

Mesmo controlando três prefeituras – Santa Rita, Bacabeira e Pastos Bons – e tendo condições plenas de alcançar um mandato de deputado federal, Hilton Gonçalo sempre sinaliza que sua pretensão vai muito além, como o Palácio dos Leões ou um período de oito anos no Senado. E isso o torna um quadro atípico no cenário político do Maranhão. A primeira evidência de que dificilmente se manteria rigorosamente alinhado ao PCdoB e ao Palácio dos Leões veio na campanha para as eleições municipais de 2016. Candidato a prefeito de Santa Rita, com cacife de mais de 80% das preferências nas pesquisas, cuidou diretamente da eleição da mulher, Fernanda Gonçalo, em Bacabeira e da irmã, em Pastos Bons, encontrou ainda ânimo para, contrariando a orientação do seu partido e do Governo, participar intensamente da campanha do deputado Eduardo Braide (PMN) para a Prefeitura de São Luís.

Mais recentemente, Hilton Gonçalo tem sinalizado que pode entrar na disputa para o Senado. Não consolidou ainda esse projeto, mas as declarações dadas ao jornalista Diego Emir indicam que ele está disposto a esticar a corda e seguir o seu próprio rumo. Aguarda-se o seu próximo passo.

 

Movimentos de Brandão não mudarão a intervenção no PSDB do Maranhão

Carlos Brandão sob risco de não continuar como vice de Flávio Dino
Carlos Brandão sob risco de não continuar como vice de Flávio Dino

Erra feio quem insiste em alimentar a ideia de que poderá haver uma reviravolta no comando do PSDB no Maranhão. Pelo que aconteceu até agora e pelo que é possível prever diante dos fatos, a situação do ninho dos tucanos maranhenses está resolvida. O partido está sob o controle do senador Roberto Rocha, que é seu presidente provisório, e do ex-prefeito Sebastião Madeira, que será o secretário-geral. O embate entre os grupos liderados pelo senador mineiro Aécio Neves e os comandados pelo senador cearense Tasso Jereissati, que mantém o tucanato nacional em clima de guerra doméstica, não tem qualquer influência sobre a refrega que se deu no tucanato maranhense, que resultou na troca de comando, saindo o vice-governador Carlos Brandão e assumindo Roberto Rocha. A situação é simples. Roberto Rocha e Sebastião Madeira pediram e o então presidente provisório, Tasso Jereissati, interveio, afastou Brandão da presidência e entregou a direção a Rocha. Com a decisão do presidente afastado Aécio Neves de tirar o presidente provisório Tasso Jereissati da direção do partido, entregando ao ex-governador de São Paulo Alberto Goldman, aliados de Carlos Brandão aproveitaram para “espalhar” que a mudança no braço maranhense do partido poderia ser revertida. Não será. Pelo simples fato de que os graúdos do tucanato nacional estão cientes de que Carlos Brandão tentará manter o PSDB na órbita do governador Flávio Dino (PCdoB), o que contraria frontalmente o projeto nacional de impedir a volta da esquerda ao poder, movimento no qual o chefe do Executivo maranhense é um dos comandantes de proa. O vice-governador Carlos Brandão não é malquisto na cúpula nacional do PSDB. Ao contrário, é respeitado. Mas encontra-se numa rota que não se encaixa na do partido, enquanto que Roberto Rocha e Sebastião Madeira se enquadraram perfeitamente. É apenas uma questão de conveniência, e não exatamente de simpatia.

São Luís, 12 de Novembro de 2017.

Sem o comando do PSDB, Carlos Brandão se fragiliza e abre disputa pela vaga de vice de Flávio Dino

 

Carlos Brandão sob risco de não continuar como vice de Flávio Dino
Carlos Brandão sob risco de não continuar como vice de Flávio Dino

A perda do comando do PSDB do Maranhão pelo vice-governador Carlos Brandão intensificou a disputa pela vaga de candidato a vice-governador na chapa com que o governador Flávio Dino (PCdoB) vai concorrer à reeleição. Os movimentos dos últimos dias nos bastidores da aliança governista revelaram que o PT evidenciou que é o principal interessado na vaga, caso o governador Flávio Dino resolva mudar o seu companheiro de chapa. Há outros interessados, como o PDT, o PSB, e o próprio PCdoB, por exemplo, mas seus dirigentes permanecem cautelosos, aguardando que as mudanças no PSDB do Maranhão sejam confirmadas e consolidadas, para que então definam se vão ou não entrar na briga pela vaga de vice. Trata-se de uma posição estratégica, que pode significar mais tempo de rádio e TV durante a corrida às urnas, bem como mais suporte político ou até mesmo reforço eleitoral. Mais do que isso, está em jogo, além da influência que o posto lhe assegura, a possibilidade concreta de o seu ocupante vir a tornar-se governador num mandato tampão de oito meses em 2022, já que é quase certo que, se reeleito, o governador Flávio Dino se desincompatibilizará para disputar um mandato federal, que poderá ser uma cadeira no Senado ou na Câmara Federal, o cargo de vice-presidente ou – quem sabe? – de presidente da República.

Carlos Brandão chegou ao cargo de vice-governador depois de assumir o comando do PSDB e aproveitando o vazio deixado pelo PT, que preferiu manter a aliança com o Grupo Sarney, e levou os tucanos para o movimento liderado pelo então candidato Flávio Dino em 2014. E com o PSDB tinha bom tempo de TV, apresentando ele próprio como o nome do partido.  Cria política do ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB), em cujo Governo foi chefe da Casa Civil, e de onde saiu para ser deputado federal. Em Brasília, estreitou laços com o senador Aécio Neves, de quem se tornou aliado dentro do partido. Com a vitória de Flávio Dino em 2014, Carlos Brandão vem atuando como um vice inteiramente afinado com o governador, de quem vem recebendo tarefas importantes, como a de representá-lo em reuniões de governadores, compromissos em Brasília, e, mais recentemente, chefiando missões do Governo do Maranhão no exterior – a mais recente foi na China e durou quase 20 dias. No plano político, Carlos Brandão turbinou o PSDB e a base política do Governo com a eleição de 29 prefeitos em 2016, alguns dos quais devem segui-lo se ele deixar o ninho dos tucanos.

No jogo das montagens para as disputas eleitorais, vale quem tem poder partidário. Se virar o jogo e retomar o comando do PSDB maranhense, entregue ao senador Roberto Rocha e ao ex-prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira – o que parece improvável a essas alturas do campeonato -, Carlos Brandão terá grande chance de continuar.  Se, por outro lado, não recuperar o poder de fogo político e partidário, dificilmente será candidato à reeleição junto com o governador. E pelo que se observa até aqui, seja qual for o desfecho da guerra em curso na cúpula nacional do partido, a decisão tomada em relação ao braço da agremiação no Maranhão será mantida, pelo simples fato de que, para os cardeais do tucanato, é imprescindível que o PSDB tenha um candidato a governador e candidatos a senador no Maranhão para levar a candidatura presidencial a todos os rincões do estado. E já está definido que essa tarefa será do senador Roberto Rocha, tendo como coordenador o ex-prefeito Sebastião Madeira, que hoje fazem oposição frontal e dura ao governador Flávio Dino.

É essa a lógica das relações políticas e partidárias quando o que está em jogo é um projeto de poder até aqui bem sucedido que só sobreviverá com resultado positivo nas urnas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ricardo Murad assume comando do PRP para atuar como linha auxiliar de Roseana Sarney

Ricardo Murad (d) sela acordo com Ovasco Resende (c) e Severino Sales
Severino Sales, Ovasco Resende e Ricardo Murad selam acordo que dá ao ex-deputado o comando do PRP no MA

O ex-deputado Ricardo Murad é o novo manda-chuva do Partido Republicano Progressista (PRP) no Maranhão. Sua condição de presidente do partido foi consumada quarta-feira, em São Paulo, numa reunião com o presidente nacional da agremiação, Ovasco Resende, tendo como avalista o empresário maranhense Severino Sales, vice-presidente nacional. Ao assumir a presidência do PRP no Maranhão, Ricardo Murad cria mais uma linha auxiliar para a candidatura da ex-governadora Roseana Sarney, podendo ser ele próprio candidato a governador ou a senador dentro de uma estratégia de centrar artilharia pesada na direção do governador Flávio Dino. No comando do partido, Ricardo Murad vai definir um projeto para manter a deputada Andrea Murad (PMDB), sua filha e porta-voz aplicada e dedicada, e também garantir a renovação do mandato do deputado Souza Neto (PMN). Mas o ponto central da estratégia levar o PRP para uma posição de confronto aberto com o PCdoB, funcionando também como anteparo de Roseana Sarney. A ideia inicial seria Ricardo Murad ser candidato a governador para ser o contraponto de Flávio Dino, evitando o confronto dela com o governador, mas essa proposta caiu. O fato é que agora o ex-deputado está instrumentalizado, tendo um partido sob o seu comando absoluto, para participar ativamente na corrida eleitoral do ano que vem.

Em Tempo: Consumado seu ingresso no PRP, Ricardo Murad passar a ser, provavelmente, o político maranhense da sua geração que mais mudou de partido ao longo da carreira. Ele nasceu na antiga Arena e passou pelo PDS, PFL, PTB, PDT, PSB, PSDB e PMDB. Saiu de quase todos por absoluta incompatibilidade com as suas direções.

 

Edison Lobão avisa que sua candidatura à reeleição é irreversível

Edison Lobão reafirma sua candidatura à reeleição
Edison Lobão reafirma sua candidatura à reeleição

O senador Edison Lobão (PMDB) é candidato irreversível a novo mandato no Senado. Uma fonte a ele ligada disse à Coluna que, apesar de estar enfrentando uma barra pesada por conta das acusações que pesam contra ele na Operação Lava Jato, Edison Lobão está em franca atividade política, articulando sua candidatura à reeleição com prefeitos de todo o Maranhão. Além das intensas atividades de plenário – ele é conhecido como um dos senadores mais ativos – e das obrigações como presidente da Comissão de Constituição e Justiça, o senador pemedebista tem atuado como um dos principais articuladores do presidente Michel Temer (PMDB) no Congresso Nacional. No campo político estadual com foco na corrida eleitoral, o senador Edison Lobão mantém ativa sua ampla rede de contatos, que envolve deputados federais, deputados estaduais, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e líderes municipais em todos os recantos do Maranhão, muitos deles apoiadores fiéis e responsáveis de um intenso entra e sai do seu gabinete na Câmara Alta. Se o fogo intenso de procuradores da Lava Jato vier a criar algum embaraço à sua candidatura à reeleição, o senador Edison Lobão só adite uma solução: a candidatura do seu primeiro suplente, Lobão Filho, que tem seu nome citado opção do grupo, mas deixa claro, que só entra para substituir o pai.

São Luís, 09 de Novembro de 2017.