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Prisão de Temer abala o braço político do clã e Sarney não quebra lança sobre o escândalo

 

José Sarney e Michel Temer nunca simpatizaram um com o outro e sempre tiveram relação de altos e baixos dentro do MDB

Não dá para rotular como tragédia, mas não há qualquer dúvida de que a prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB) causou um forte impacto na couraça política da família Sarney, em especial na do ex-presidente José Sarney, que, surpreendentemente, não se manifestou sobre a decisão do juiz federal Marcelo Bretas de decretar a prisão preventiva do ex-chefe do Estado brasileiro nem sobre a maneira como ele foi preso – numa operação espetaculosa, realizada em rua movimentada de São Paulo. Bem diferente de como fez em relação à prisão do ex-presidente Lula da Silva (PT), que foi tão ou mais espetaculosa, mas num sentido diferente, já que o líder petista deu as cartas, impôs os termos e os modos da prisão e só se entregou na hora que bem entendeu.

Nas entranhas do poder partidário é tido como verdade incontestável que José Sarney não nutre simpatia ou amizade por Michel Temer. Os dois sempre estiveram em campos opostos dentro do MDB e alimentaram relações furta-cores, ora exibindo compatibilidade integral, ora mostrando azedume um em relação ao outro. Ambos travaram duras lutas dentro do MDB. Michel Temer mostrou-se muitas vezes um representante de uma fatia da ala paulista do partido que nunca aceitou de bom grado a presença de José Sarney na agremiação. José Sarney, por seu turno, vez por outra cortou as asas de Michel Temer dentro do MDB, com o apoio da sua turma, formada por Renan Calheiros e Romero Jucá, mesmo quando ele presidiu a legenda. Esses altos e baixos, porém, nunca chegaram a configurar uma situação de confronto aberto, gerador de crise, pois se deram num elevadíssimo nível de civilidade, terrenos em que os dois sempre foram craques. E isso permitiu que na maioria dos momentos decisivos os dois estivessem afinados em torno dos interesses do partido, mostrando-se para o mundo com sorrisos, abraços e outros afagos.

Quando, com seu faro apurado ao longo de mais de meio século de batalhas políticas nos cenários local e nacional, José Sarney anteviu a queda de Dilma Rousseff (PT), cuidou, lenta e cuidadosamente, de fazer a migração do seu apoio para o vice-presidente Michel Temer. E o fez quase que naturalmente, sustentado no argumento não declarado publicamente, mas revelado nas rodas fechadas dos seus convivas políticos: não gostaria de ver Dilma Rousseff perder o mandato, mexeu-se contra o impeachment, mas diante do fato consumado, não poderia ficar contra o futuro presidente emedebista. Por mais forte que fosse a vinculação que manteve com Lula da Silva, Dilma Rousseff e o PT, José Sarney apostou no impeachment como um emedebista de proa, levantando a bandeira segundo a qual os interesses do partido estão acima das conveniências pessoais, dando assim total apoio ao vice-presidente. E na discrição dos bastidores, atuou para atenuar a pancada em Dilma Rousseff – há quem jure que o gesto do presidente do senado, Renan Calheiro, de propor que a ex-presidente mantivesse seus direitos políticos foi ideia sua.

Entronizado na presidência da República com o apoio do ex-presidente, Michel Temer respondeu dias depois, saindo do Palácio do Jaburu para visitar José Sarney em casa e levando no bolso do paletó o ato nomeando o deputado federal Sarney Filho (PV) ministro do Meio Ambiente. E os agrados não ficaram por aí. José Sarney manteve seus principais aliados no comando do poderoso setor elétrico, emplacou a arquiteta Kátia Bogea na presidência do Iphan e empregou dezenas de aliados no terceiro escalão. Ao mesmo tempo, seus aliados Renan Calheiros e Romero Jucá comandavam uma operação para reassumir o controle do MDB, desalojando dos postos–chave aliados de Michel Temer, que presidia o partido. Inebriado pelo poder presidencial, Michel Temer nem ligou.

José Sarney foi uma espécie de eminência parda do Governo de Michel Temer, atuando como conselheiro do presidente nos momentos políticos mais tensos. Com a experiência de quem sofreu situação parecida quando presidia o Senado, no caso dos atos fantasmas, aconselhou-o, por exemplo, a resistir a todas as pressões por meio das quais falsos aliados e adversários tentaram catapultá-lo da cadeira presidencial. Correu nos bastidores, à época que José Sarney atuou como o estrategista-mor nas estratégias políticas que livraram o presidente Michel Temer da abertura de processo de impeachment pela Câmara Federal, tendo a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) participado ativamente de algumas articulações que resultaram na formação da base parlamentar contra o impeachment do presidente emedebista. Foi também de José Sarney o conselho para que Michel Temer resistisse a todas as pressões possíveis e não renunciasse, pois seria lançaria o País num charco institucional profundo e caótico.

José Sarney saiu de cena nacional durante a campanha eleitoral de 1018, voltando suas energias para tentar evitar o naufrágio da candidatura de Roseana Sarney ao Governo do Estado, apoiada, vale lembrar, pelo presidente Michel Temer. Mas as denúncias contra o ainda presidente fizeram José Sarney perceber com clareza que Michel Temer seria carta fora do baralho tão logo levantasse da cadeira presidencial e deixasse o Palácio do Jaburu, onde decidiu continuar morando quando assumiu a presidência da República. Não surpreende, portanto, que o ex-presidente maranhense tenha mergulhado na cautela silenciosa diante da prisão do ex-presidente paulista, principalmente depois que o comando nacional emedebista divulgou uma nota que nem de longe expressa indignação diante do acontecimento que afundou mais ainda o MDB.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Destaque

Sob a coordenação de Othelino Neto, presidentes de Legislativos nordestinos discutirão o País em São Luís

Othelino Neto será o anfitrião e vai coordenar o 3º Encontro de Presidente de Assembleias Legislativas do Nordeste

Queiram ou não os adversários, a aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) vem conseguindo, passo a passo, colocar o Maranhão no epicentro das decisões políticas da Região Nordeste, com expressivos reflexos no cenário nacional. E a confirmação dessa avaliação acontecerá no próximo dia 29, quando, duas semanas após São Luís ter sediado a segunda reunião do Fórum de Governadores do Nordeste, será sede também do 3º Encontro de Presidentes de Assembleias Legislativas dos Estados do Nordeste, este capitaneado pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB). O evento, que tem natureza institucional e forte motivação política, acontecerá no Palácio Manoel Beckman, sede do Poder Legislativo maranhense.

Os chefes dos Poderes Legislativos nordestinos discutirão uma pauta com temas diretamente ligados às relações dos Estados com a União, dentro das regras da Federação. É o caso, por exemplo, do projeto de Reforma da Previdência proposto pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), que em muitos aspectos gera problemas gigantescos para os Estados e que precisam ser discutidos com afinco, de modo a encontrar saídas que conciliem as propostas. Os presidentes dos legislativos nordestinos devem evoluir na discussão do Pacto Federativo, de modo a melhorar a relação da União com os Estados no que diz respeito a aspectos fiscais e tributários, e no campo de obrigações com infraestrutura, saúde, educação, segurança e outros itens essenciais.

Sob a presidência do maranhense Othelino Neto, o 3º Encontro de Presidentes de Assembleias Legislativas da Região Nordeste discutirá vários temas de interesse do Poder Legislativo e da população, a exemplo do Consórcio dos Estados do Nordeste, criado pelo Fórum de Governadores realizado no dia 15 em São Luís e que precisa ser aprovado pelo Poder Legislativo dos nove estados nordestino. Os chefes dos Legislativos discutirão também formas para o fortalecimento dos órgãos regionais de desenvolvimento, como a Companhia do Vale do São Francisco (Codevasf), por exemplo, e devem fechar a reunião com a divulgação da Carta de São Luís, que deverá conter as conclusões do encontro e propostas e encaminhamentos de interesse da Região Nordeste e do Legislativo.

Vale lembrar que os presidentes dos Legislativos estaduais da região estão afinados, depois dos dois Encontros já realizados. O primeiro aconteceu no Ceará, e o segundo, na Bahia. A pauta principal do primeiro encontro foi a criação do Colegiado Nordestino, que congrega os dirigentes dos Legislativos estaduais. Já no segundo Encontro, foram eleitos os integrantes do ParlaNordeste e criada uma Frente Parlamentar pela revitalização do Rio São Francisco e a não privatização da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf).

 

Longe da crise nacional, o MDB maranhense se move em silêncio para mudar seu comando

João Alberto continua tentando conciliar as correntes lideradas por Roberto Costa e Hildo Rocha no MDB

Longe das turbulências que o partido está sofrendo no plano nacional, com a prisão do ex-presidente Michel Temer, o braço maranhense do MDB se movimenta para dar uma guinada na sua trajetória por meio de uma nova direção. Sem alarde, o presidente regional do partido, ex-governador João Alberto, trabalha no sentido de conciliar as duas correntes que se batem pelo comando partidário, uma liderada pelo deputado estadual Roberto Costa, que defende que o partido seja entregue a líderes da nova geração, e outra, mais conservadora, que tem como líder o deputado federal Hildo Rocha, cujo projeto é revitalizar o partido fazendo oposição pesada e radical ao Governo Flávio Dino. Depois de vários meses de conversas e tensões internas, que resultou, por exemplo, na exclusão da ex-governadora Roseana Sarney como opção para presidir o partido, o presidente João Alberto fechou questão sobre o seguinte roteiro: tentará, numa última cartada, conciliar as duas correntes num grande acordo; se isso não for possível, convocará a convenção para que a nova direção partidária seja definida pelo voto. Roberto Costa e Hildo Rocha mantêm inalteradas suas posições e devem seguir para o confronto na convenção. Todas as avaliações feitas até aqui indicam que a corrente liderada por Roberto Costa é mais forte, exatamente por reunir quadros da nova geração, como o ex-secretário nacional da Juventude, Assis Filho, que também é cotado para presidir o partido em um acordo, e deve contar também com o apoio do prefeito de Imperatriz, Assis Ramos. Hildo Rocha tem corrido em faixa própria, não representando até agora um movimento dentro do partido a seu favor, embora ninguém duvide de que ele tenha aliados fortes no partido, entre eles Roseana Sarney, mesmo tendo ele concordado com a exclusão dela como opção para a presidência. No geral, o cenário da disputa dentro do MDB é francamente favorável a Roberto Costa, que de fato encarna a mudança no MDB.

Em Tempo: não está descartada uma solução pela qual o ex-governador João Alberto seja mantido na presidência por mais algum tempo, até encontrar uma saída que contemple as duas correntes

 

Estratégia de ataque do Grupo Sarney a Flávio Dino não está funcionando

Adriano Sarney, César Pires, e Edilázio Jr. atacam Flávio Dino em ações coordenadas na Assembleia e na Câmara

O Grupo Sarney decidiu jogar pesado contra o Governo Flávio Dino, numa trajetória que, em princípio, visa minar o prestígio nacional alcançado pelo governador maranhense. Na Assembleia Legislativa, os deputados Adriano Sarney (PV) e César Pires (PV), que tem feito uma série de ataques à política tributária e à política previdenciária do Governo estadual, e plano nacional acionou o deputado Edilázio Jr. (PSD) para cumprir a tarefa de desqualificar o que o governador Flávio Dino tem apresentado como conquistas. Na semana que passou, no eco da pancadaria desferida por Adriano Sarney e César Pires na Assembleia Legislativa, Edilázio Jr. fez na Câmara Federal um discurso duro contra o Governo do PCdoB, denunciando o que seriam distorções na Previdência do Estado, no ajuste tributário (ICMS), e no que acusou de “inchaço” da máquina e a possibilidade de o Maranhão vir a perder o controle do Porto do Itaqui. A investida não produziu resultados visíveis. O Palácio dos Leões não vem dando nenhuma importância aos brados de Adriano Sarney e César Pires. No seu discurso na Câmara Federal, o deputado Edilázio Jr. cometeu um erro de amador, que ele já não é: negou três pedidos de aparte feito pelo deputado federal Marcio Jerry (PCdoB), que em seguida desmontou os ataques, um por um, e não teve uma palavra de tréplica. Conclusão óbvia: há algo de muito errado na estratégia de ataque do Grupo Sarney.

São Luís, 24 de Março de 2019.

 

Acordo sobre Alcântara foi preparado às pressas para dar brilho à pauta de Bolsonaro com Trump e precisa ser revisado

 

Centro de Lançamento de Alcântara será usado comercialmente pelos norte-americanos, conforme acordo já firmado por Brasil e  EUA há duas semanas

Desde que o Acordo de Salvaguarda Tecnológica (AST), no qual estão instituídas as regras que nortearão o uso operacional e comercial do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), foi firmado por Brasil e Estados Unidos, na segunda-feira (18), como o item mais destacado da agenda do presidente Jair Bolsonaro (PSL) aos EUA, o que parece rascunhado para ser um grande debate sobre soberania nacional e transferência de tecnologia foi desencadeado no País, em especial no Maranhão. Os aliados e simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro comemoraram com fanfarras estridentes o que para eles foi obra divina, enquanto que outras vozes, aí misturando-se líderes de Oposição, pessoas alheias à refrega política e até mesmo bolsonaristas mais centrados, bradaram, não exatamente contra o AST, mas a favor da necessidade de que ele seja examinado cuidadosamente, de modo que sua execução seja transparente e nada contenha nas suas linhas e entrelinhas que possa ferir a soberania e a dignidade brasileiras.

O governador Flávio Dino (PCdoB), que tem posição vigilante e reage duro a qualquer situação criada pelo Governo Bolsonaro que interprete como uma ameaça aos interesses do País e do Maranhão, tem dito e repetido que não faz maiores restrições ao AST firmado com os EUA. “É positiva a ideia de retomada da Base de Alcântara. Nós defendemos o programa espacial brasileiro, defendemos a soberania nacional”, disse o governador. E defende também um exame mais aprofundado do documento, exatamente “para garantir que não haja nenhuma lógica de enclave, ou seja, de transferência da soberania brasileira para outros países do mundo”. E completa: “A base (CLA) tal como está é operacional, pode ser operacionalizada, e nós queremos que isso aconteça”, declarou o governador, traduzindo, grosso modo, expectativa e a preocupação que Nação alimenta em relação ao AST.

Esse sentimento dominante é motivado por uma impressão generalizada de que o presidente Jair Bolsonaro “forçou a barra” para inclui-lo como item destacado da pauta da sua visita aos EUA, para se encontrar com seu ídolo, o presidente Donald Trump. Arranjada às pressas para iniciar pelos EUA, em “grande estilo”, sua agenda internacional demonstrando prestígio, o presidente se valeu do AST, que estava engavetado desde 2000, e foi desengavetado no Governo do presidente Michel Temer (MDB), exatamente para ser reexaminado com o cuidado de extirpar todas as armadilhas “sugeridas” pelos EUA à versão inicial elaborada pelo Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Para os críticos, no afã de apresentar-se em Washington como aliado “roxo” do presidente norte-americano, a ponto ser chamado “Trump dos Trópicos” pela rede de TV conservadora Fox, o presidente brasileiro viu no AST, que interessa mais do que nunca ao programa espacial norte-americano, o grande presente ao colega dele.

Para as vozes que vêm demonstrando preocupação, a versão do AST negociada com os EUA pode não ter sido suficientemente analisada pelo Governo Michel Temer e menos ainda pelo de Jair Bolsonaro, o primeiro porque não teve pressa, e o segundo, porque não deu tempo. O presidente entregou o pacote ao ministro da Ciência e Tecnologia, o astronauta Marcos Pontes, que juntamente com a turma conservadora que assumiu o Itamaraty, analisou e avalizou o conteúdo. Daí a preocupação de vozes de alerta como a do governador Flávio Dino, que são contraditadas pelo aval entusiasmado do senador Roberto Rocha (PSDB), que integra do a comitiva da viagem aos EUA e garantiu ao presidente Jair Bolsonaro que o AST será aprovado sem reservas pelo Congresso Nacional.

No geral, a expectativa dominante é a de que, por ser uma espécie de portal privilegiado especial na ligação da terra com o cosmos, o CLA se transforme, de fato, num grande negócio para o Brasil e para o Maranhão. De preferência sem pendências, e de que em pouco tempo os bares da Avenida Litorânea se transformem em camarotes privilegiados para que maranhenses e visitantes assistam confortavelmente à subida de foguetes em busca do espaço sideral. Daí a importância dos alertas e do debate que eles podem instigar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Deputados propõem criação de Colegiado para defender interesses do Brasil e do Maranhão no Acordo

Os deputados federais Marreca Filho, Márcio Jerry, Pedro Lucas Fernandes, João Marcelo, Hildo Rocha e Gil Cutrim formalizam o pedido de criação do Colegiado para analisar o Acordo de Salvaguarda Tecnológica recém-firmado

A preocupação com o futuro do CLA, por conta do AST firmado com os EUA não se limita às indagações relacionadas com o conteúdo do Acordo. Elas, porém, abriram caminho para uma série de posicionamentos, entre eles uma saudável aproximação entre os adversários políticos maranhenses na Câmara federal. Ali, deputados da aliança liderada pelo governador Flávio Dino, como Márcio Jerry (PCdoB), Pedro Lucas Fernandes (PTB) Gil Cutrim (PDT) e do Grupo Sarney, como Hildo Rocha (MDB) e João Marcelo (MDB), e ainda Marreca Filho (Patriotas), que transita nos dois polos, deram-se as mãos e propuseram formalmente a criação de um Colegiado Parlamentar para Modernização do Centro de Lançamento de Alcântara. Se for criado, o Colegiado terá a responsabilidade de acompanhar, examinar e discutir qualquer matéria relacionada ao CLA que vier a tramitar no Congresso Nacional. De imediato, o Colegiado Parlamentar vai acompanhar todas as informações do acordo assinado entre Brasil e Estados Unidos para uso comercial da Base de Alcântara, no Maranhão. O deputado Márcio Jerry lembra que o AST firmado pelo presidente Jair Bolsonaro e Donald Trump ainda precisa ser chancelado pelo Congresso Nacional, onde será intensamente discutido. Vetado pelo Poder Legislativo em 2000, durante o Governo FHC, exatamente pelos excessos de exigência e proibições por parte dos norte-americanos. Agora, depois dos ajustes que foram feitos no texto, a Agência Espacial Brasileira (AEB) defende a aprovação do acordo para que o Brasil não fique de fora do mercado de lançamentos espaciais e afirma que esse tipo de documento é praxe no setor espacial. A bancada maranhense concorda, como também concorda o governador Flávio Dino e a bancada no Senado, mas com a condição de que o texto seja cuidadosamente revisado e discutido no Congresso Nacional. O Colegiado proposto ontem ganha muita relevância nesse contexto, funcionando como uma espécie de guardião dos interesses do Brasil e do Maranhão.

 

Jeisael Marx: jornalismo ativo ao desafio de entrar na corrida sucessória em São Luís

Jeisael Marx entre la lista de nomes que podem se candidatar a prefeito de São Luís em 2020

De uns dias para cá, um nome surgiu e está navegando na blogosfera maranhense como alguém que está em movimento visando disputar a Prefeitura de São Luís: Jeisael Marx. Jornalista, radialista, apresentador de TV e professor de comunicação e oratória, com destaque na programação da TV Difusora, apareceu no cenário disposto a construir e ocupar um espaço como voz da novíssima geração na cena política ludovicense, e assim desembarcar na linha de partida da corrida para o Palácio Henrique de la Ravardière. Bem articulado e bem informado, Jeisael Marx comanda com entusiasmo, desassombro e boa dose de carisma o programa “Na Hora D”, da TV Difusora, ao mesmo tempo em que turbina o sorteio Maracap como o seu o principal divulgador. Jeisael Marx se mostra identificado com bandeiras sociais, observador que é, como jornalista atento e participativo, das contradições visíveis na grande e injusta pirâmide social. Sua disposição de entrar na corrida eleitoral anima mais ainda a disputa para a sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT). A começar pelo fato de que militante da comunicação chega como um quadro jovem e sobretudo qualificado, em condições de oferecer uma grande contribuição a um debate de alto nível com pretendentes do quilate do deputado federal Eduardo Braide (sem partido), dos deputados estaduais Neto Evangelista (DEM), Duarte Jr. (PCdoB) e Adriano Sarney (PV), e do vereador Osmar Filho (PDT), num contexto em que podem entrar nomes de nível como o professor Franklin Douglas (PSOL), entre outros. Independentemente de qualquer juízo que se possa fazer ainda do seu perfil político e ideológico – que em princípio lembra a de um outsider – e do seu potencial eleitoral, a sua iniciativa de entrar no grande debate sobre São Luís já é, em si, uma boa notícia.

 

Roberto Costa, adversário, e Carlinhos Florêncio, aliado, registram pesar pela morte de Zé Vieira

Zé Vieira foi homenageado pelo adversário Roberto Costa e pelo aliado Carlinhos Florêncio

Duas manifestações homenagearam, na Assembleia Legislativa, o empresário e político José Vieira Lins, mais conhecido como Zé Vieira, três vezes prefeito de Bacabal, falecido terça-feira (19), em São Paulo, aos 86 anos. A primeira partiu do deputado Roberto Costa (MDB), seu adversário político e com quem disputou a Prefeitura de Bacabal no pleito de 2016, tendo vencido nas urnas. A outra foi a de um aliado, o deputado Carlinhos Florêncio (PCdoB).

O deputado Roberto Costa destacou a atuação de Zé Vieira como empresário e como político, reconhecendo nele qualidades de empreendedor e de líder político. “Quero aqui destacar que, mesmo sendo seu adversário político, não poderia deixar de registrar o meu sentimento de pesar pelo falecimento do ex-prefeito Zé Vieira”, disse Roberto Costa, lamentando o fato e assinalando que sem o ex-prefeito a política de Bacabal e da região perde muito. “Quero transmitir aos familiares o meu sentimento de pesar e dizer que Bacabal perdeu um dos seus maiores líderes”, declarou o deputado pemedebista, que enviou mensagens de pesar à família Vieira Lins.

Já o deputado Carlinhos Florêncio lamentou a morte do aliado lembrando que ele vinha lutando havia cinco anos contra um câncer. “Foi um guerreiro, um homem de luta, mas deixou um grande legado, um legado de muito trabalho, um legado de atenção ao povo de Bacabal e, sem dúvida nenhuma, um dos maiores políticos que Bacabal”, destacando que ele foi prefeito de Bacabal três vezes.

Na visão de muitos observadores, Zé Vieira foi um político carismático, ousado, mas sobretudo marcado pela controvérsia.

São Luís, 21 de Março de 2019.

PSB avaliza Bira do Pindaré para disputar a Prefeitura de São Luís no pleito de 2020

 

Bira do Pindaré chancelado pelo PSB para disputar a prefeitura de São Luís em 2020

Estava escrito no firmamento, mas a confirmação veio bem antes do que era aguardado: o deputado federal Bira do Pindaré será o candidato do PSB à Prefeitura de São Luís em 2019. A decisão foi tomada ontem, em Brasília, numa reunião entre o presidente regional do partido, Luciano Leitoa, atual prefeito de Timon, e o presidente Nacional, Carlos Siqueira. Nenhuma surpresa na reunião, na pauta nem na decisão tomada, a não ser o fato de que o PSB decidiu antecipar o lançamento de Bira do Pindaré à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) e dando a entender que a candidatura do parlamentar será independente da aliança. E no contexto geral dos primeiros preparativos para o pleito, que se realizará daqui a pouco mais de 17 meses, Bira do Pindaré entra na briga com o ar de quem já tem a candidatura como fato consumado, confirmando sua própria sentença segundo a qual para ser candidato basta ter um partido e um mandato como garantia, o que se encaixa perfeitamente no seu perfil.

Há cerca de duas semanas, numa conversa informal no Comitê de Imprensa da Assembleia Legislativa, ao ser indagado sobre se seria candidato a prefeito, o deputado Bira do Pindaré fora taxativo: “Eu sou candidato. Meu nome sempre foi colocado como candidato”, disse, alertando apenas para o fato de que naquele momento ainda não tinha formalizado esse propósito no partido. O que foi decidido na reunião de ontem, realizada sem a sua presença, confirmou a sua previsão, e lançou no cenário que se trata de uma decisão em princípio irrevogável.

O posicionamento do PSB abre caminho para uma série de desdobramentos. O primeiro deles é que, em princípio, pré-candidatura de Bira do Pindaré, já com ar de candidatura, passa ao largo do Palácio dos Leões e do Palácio de la Ravardière, parecendo ser um movimento de Oposição. Além disso, a menos que haja uma reviravolta imprevisível, o candidato Bira do Pindaré irá para o embate sem ter o PDT nem o PCdoB como aliados, uma vez que, não sendo ele o candidato da aliança, pelo menos num primeiro turno terá de enfrentar nas urnas um candidato apoiado pelos dois partidos – O deputado estadual Neto Evangelista (DEM) ou o deputado estadual Duarte Jr. (PCdoB), ou ainda o vereador-presidente Osmar Filho (PDT). Sem conversas prévias com esses dois partidos, o que significa não ter o aval do prefeito Edvaldo Holanda Jr. e do governador Flávio Dino, a pré-candidatura de Bira do Pindaré pode criar um embaraço dentro da grande aliança. Mas ele pode também, numa hipótese muito remota, mas viável, vir a ser o candidato da aliança, caso o governador Flávio Dino e o prefeito Edivaldo Holanda Jr. não consigam um nome que seja bom voto e tenha vontade e habilidade para atrair os partidos aliancistas à sua volta.

Com a desenvoltura de quem já conhece todas as filigranas do poder, Bira do Pindaré dá outra demonstração de que joga no escuro para obter a luz no fim do turno. Sabe que se viabilizar como o nome da aliança é tarefa complicada, uma vez que, ao mês o tempo em que tem aliados, tem também muitos adversários na seara dinista. Isso significa que terá de fazer, sem perder um dia de tempo, um cuidadoso e amplo trabalho de apaziguamento político e pessoal com o objetivo de desfazer a ideia há muito disseminada de que não tem a confiança plena da cúpula da aliança, e mais ainda, é por muitos apontado como arrogante.

Advogado por formação e bancário por profissão, construiu um robusto currículo como militante da ala sindical do PT, que o levou à presidência do poderoso e influente Sindicato dos Bancário. Essa militância intensa lhe proporcionou até aqui uma bem-sucedida carreira política, com dois mandatos de deputado estadual e um de federal em andamento, com o cacife de já ter disputado o Senado em 2006, com votação consagradora em São Luís, onde derrotou o lendário Epitácio Cafeteira. Agora, na esteira de mais de 100 mil votos que o elegeram em 2018, o ex-petista que virou socialista ganha o aval do seu partido para dar a largada com o objetivo de alcançar o Palácio de la Ravardière, numa corrida em que, além do candidato da aliança PDT/PCdoB/DEM, terá de encarar oponentes como o deputado federal Eduardo Braide (ainda sem partido) e o deputado estadual Adriano Sarney (PV).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Márcio Jerry pede a revisão do acordo sobre Alcântara

Marcio Jerry cobra mais debate sobre o Acordo de Salvaguarda tecnológica sobre uso de Alcântara pelos norte-americanos

O Acordo de Salvaguarda Tecnológica (AST) firmado entre Brasil e Estados Unidos para uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) deve ser discutido mais detalhadamente pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara Federal, de modo a que sejam dirimidas todas as dúvidas que ainda restam acerca de aspectos como soberania nacional, área limite do CLA, integridade das comunidades quilombolas da região e intercâmbio tecnológico, de modo a definir com a maior transparência possível se a medida de fato boa para o Brasil. Quem propõe o debate é o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), vice-presidente da Comissão, sob o argumento de que o Governo Bolsonaro apressou a assinatura do AST para dar uma demonstração de boa vontade do presidente Jair Bolsonaro para com os norte-americanos. “Um acordo dessa natureza pode ser bom para o Brasil, inegavelmente, desde que ele não atente contra a soberania nacional, desde que não haja uma lógica de enclave, como houve no passado, e desde que, além de se transformar em dividendos para a comunidade local e para o Maranhão de modo geral, ele possa significar algo importante e estratégico para a política aeroespacial brasileira”, explicou o vice-presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática. Ele propôs que a Comissão crie uma subcomissão espacial para tratar exclusivamente do AST. Márcio Jerry teme que o AST contenha nas suas entrelinhas armadilhas que possam comprometer a soberania do Brasil. Sua argumentação fez com que alguns deputados antes taxativamente favorável ao Acordo com os EUA começassem a fazer indagações sobre diferentes aspectos do documento. E tomou a providência de convidar o ministro da Ciência e Tecnologia, o astronauta Marcos Pontes, para comparecer à Comissão e dar as explicações necessárias para dirimir todas as dúvidas. A iniciativa do deputado Márcio Jerry faz todo sentido, para o Brasil em geral e para o maranhão em particular.

 

Roberto Rocha dá sinais de aproximação com Jair Bolsonaro

Com sorriso largo e visível satisfação, Roberto Rocha emoldura Jair Bolsonaro com o ministro Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, durante reunião em Washington

Líder do PSDB no Senado, o senador Roberto Rocha deu – ou pretendeu dar – ontem, nos Estados Unidos, uma demonstração de que está mais próximo do presidente Jair Bolsonaro do que o seu próprio partido. Integrando a banda parlamentar da comitiva presidencial na viagem ao País do Tio Sam, o senador tucano não escondeu o seu entusiasmo para com o presidente a quem o seu partido, se não é Oposição radical, também não se declarou ainda um aliado assumido. O vídeo da presença do presidente em uma reunião aberta mostra o senador visivelmente entusiasmado e preocupado em se posicionar bem ao lado do chefe do Poder Executivo. O semblante do líder do PSDB no Senado é de completa felicidade, causando a impressão de que está muito afinado com o Governo Bolsonaro. O registro fotográfico reforça essa impressão.

 

PSTU não entra na aliança da ultra-esquerda

Uma correção a propósito da nota da Coluna de ontem a respeito dos preparativos da ultra-esquerda para disputar as eleições municipais do ano que vem, especialmente em São Luís. Na nota, a Coluna informou que há um movimento no sentido de unir PSOL, PCB e PSTU numa aliança para lançar candidato a prefeito de São Luís. Tudo confirmado, menos a participação do PSTU, que por divergências profunda com os outros partidos, não seria admitido na aliança. De acordo com a fonte da Coluna, PSOL e PCB não aceitam, por exemplo, que o PSTU não veja o impeachment da presidente Dilma Rou0sseff (PT) como um golpe, entre ouros pontos nervosos de divergência. Daí a aliança só será possível entre PSOL e PCB.

São Luís, 19 de Março de 2019.

 

Carlos Brandão se consolida na base política de Flávio Dino e é apontado por muitos como nome forte para 2022

 

Com Flávio Dino: cosolidaççao noprimeiro mandato; co,o “embaixador” do maranhçao na China; filiando-se ao PRB deppois de perder o PSD, e comemorando a posse na Assembleia Legislativa, com Flávio Dino na presença do presidente do Poder, deputado Othelino Neto (PCdoB)

“Olá, como vai?”, “Tudo bem com você?”, “Muito prazer em vê-lo”, são frases de cumprimento que, acompanhadas de abraços, apertos de mão, tapinhas nas costas e efusivos gestos de “positivo”, com o polegar apontado para o céu, estão virando marca do vice-governador Carlos Brandão (PRB), que, com o evidente aval do governador Flávio Dino (PCdoB), circula e participa dos atos oficiais com desenvoltura cada vez maior, parecendo, em alguns momentos, um político em pré-campanha. Com esse comportamento efusivo, que vem elaborando cuidadosamente de uns tempos para cá, o vice-governador alimenta fortemente o zumzum corrente nos bastidores do Governo e fora deles dando conta de que está abrindo caminho para ser opção forte e viável ao Palácio dos Leões à sucessão do governador Flávio Dino. Essa situação ficou muito clara sexta-feira (15), no concorrido ato de posse do ato de posse dos novos secretários de Estado, entre eles Luis Fernando Silva, e no qual Carlos Brandão se comportou e foi reconhecido como um quadro politicamente diferenciado da grande aliança que dá suporte ao atual Governo.

No ato de sexta-feira, Carlos Brandão se movimentou como um pré-candidato, mas com as cautelas de quem sabe onde está pisando e aonde quer chegar. Foi apontado como o principal articulador da surpreendente guinada por meio da qual Luis Fernando Silva – que fora por ele levado para o PSDB depois que deixara o PMDB, na esteira do fracasso da sua tentativa de sair candidato ao Governo do Estado em 2014 -, deixou a Prefeitura de São José de Ribamar para tomar assento no 1º escalão do Governo do Estado. E o próprio ex-prefeito, no seu discurso de posse na Secretaria de Programas Estratégicos, fez questão de saudar vice-governador com distinção excepcional, demonstrando que, se não foi principal responsável pela guinada, teve participação decisiva na operação, da qual participaram também os secretários Marcelo Tavares (Casa Civil) e Rodrigo Lago (Comunicação e Articulação Política).

Chefe da Casa Civil no Governo de José Reinaldo Tavares, em seguida deputado federal e chefe do PSDB maranhense, Carlos Brandão chegou à vaga de vice na chapa liderada por Flávio Dino em 2014 por arranjo partidário. Naquele momento, era importante ter um tucano na chapa, e ele liderava os tucanos e tinha o aval integral do ex-governador José Reinaldo Tavares.  Eleito, revelou-se um vice leal e ativo e aos poucos foi ganhando a confiança do governador, para em pouco tempo se tornar um aliado correto, eficiente, a quem foram confiadas diversas missões de envergadura, além de cumprir curtos períodos de ausência do chefe, assumindo o Governo interinamente sem cometer uma só gafe. Mais adiante, recebeu tarefas como representar o governador em Brasília e no exterior, tendo ido à China, Europa e Estados Unidos em missões oficiais em busca de parcerias. Tornou-se uma espécie de embaixador itinerante do Maranhão.

No campo político, Carlos Brandão levou o PSDB a uma grande vitória nas eleições municipais de 2016, saindo das urnas com 29 prefeitos, só perdendo para o PCdoB, que elegeu 46. Sofreu, porém, um duro revés em 2017, quando iludido pela falsa expectativa de que seria m ais forte no Maranhão, o comando nacional dos tucanos decidiu tirar-lhe da direção do PSDB e entregá-la ao senador Roberto Rocha. Aparentemente abatido pela subida perda de poder partidário, o vice-governador filiou-se ao PRB, perdeu o apoio de vários prefeitos, já que nem todos prefeitos tucanos o acompanharam na migração para o PRB, que no Maranhão é comandado pelo deputado federal Cleber Verde.

Ao longo do primeiro Governo Flávio Dino, o vice Carlos Brandão foi testado e retestado nos mais diferentes – confiabilidade, lealdade, desempenho administrativo, articulação política, entre outros -,   conseguindo passar em todos em todos os testes, a começar pelo da lealdade, alcançando com o tempo o status pleno de vice-governador e de um dos braços fortes do Governo, com assento cativo no chamado “núcleo de ferro” do governador Flávio Dino.

A julgar pela maneira hábil como vem se movimentando no cenário sucessório em plena evolução, afirmar, agora, que Carlos Brandão é o candidato do governador Flávio Dino à sua sucessão é demasiadamente precipitado. Mas apontá-lo como um dos nomes com cacife para vir a ser o candidato faz todo sentido. A começar pelo fato é que essa possibilidade permeia todas as conversas sobre a corrida ao Palácio dos Leões em 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sarney não teria avalizado integralmente o Acordo sobre Alcântara firmado ontem com os EUA

José Sarney tem laço forte com Alcântara e não aprova integralmente o Acordo de Salvaguarda Tecnológica firmado por Jair Bolsonaro com os Estados Unidos

A assinatura, ontem, em Washington do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) entre os Governos do Brasil e dos Estados Unidos para permitir o uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) pelos Estados Unidos, não foi aplaudida pelo ex-presidente José Sarney (MDB), chefe de um dos Governos que mais investiu na implantação do CLA. Por mais liberal que possa aparentar, José Sarney tem um forte traço nacionalista na sua cultura política, e vê Alcântara como um poderoso instrumento de poder do Brasil. Ele apoia o AST, mas faz reservas ao “liberou geral” da versão que passou a vigorar desde ontem. Não concordou com a versão do Governo FHC, na qual os norte-americanos impunham uma série de restrições à presença de brasileiros nos seus lançamentos e que acabou rejeitada pelo Congresso Nacional em 2000. Defendeu, mais do que outro aspecto, a troca de tecnologias, apostando que o Brasil poderia ter ganhos tecnológicos imensuráveis se houvesse uma maior flexibilização nesse sentido, principalmente pelos EUA. Ontem, uma fonte ligada ao ex-presidente soprou à Coluna que, mesmo entendendo tratar-se de um passo importante decisivo para o futuro do CLA, ele não fez muita festa com a versão do AST que acabou prevalecendo.

 

Aniversário da Lava-Jato não deu bola para a mala de dinheiro que Alberto Youssef entregou no Hotel Luzeiros

Alberto Youssef foi preso no Hotel Luzeiro, mas a mala de dinheiro que ele entregou a emissário palaciano, minutos antes da prisão nunca apareceu

O quinto aniversário da Operação Lava-Jato, registrado no Domingo (17), trouxe à tona um balanço altamente positivo do terremoto policial-judicial, com forte tintura política: centenas de investigados, 153 condenados, entre eles o presidente Lula da Silva (PT), três ex-governadores, vários ex-poderosos, e a devolução aos cofres públicos de RS 38,5 bilhões, resgatados no Brasil e no exterior, frutos, em grande parte, da delação sem-vergonha – muitas duvidosas e outras mentirosas – de bandidos sem honra, feitas não como gestos de remissão, mas comente para aliviar o peso da condenação, tudo tingido fortemente por gravíssimos erros e pecados judiciais e demonstrações afrontosas de abuso de poder de juízes, procuradores e delegados. Mas curiosamente, o quinto ano não trouxe qualquer traço de esclarecimento sobre o destino da mala dinheiro que o doleiro Alberto Youssef passou a frente minutos antes de ser preso pela Polícia Federal nas dependências do Hotel Luzeiros, naquela noite de 17 de Março de 2014 em São Luís. Ao ser preso, Alberto Youssef revelou que a mala continha R$ 1,4 milhão em propina e teria sido entregue a Marco Antonio Ziegert, assessor do Palácio dos Leões, que deveria entregá-la a um figurão do Governo que nunca foi devidamente identificado. Com a operação para prender Alberto Youssef em São Luís, a PF procurava um infrator financeiro que intermediava propina para corruptos da máquina pública e acabou se deparando uma gigantesca teia de dreno criminoso dos recursos do País.

 

PSOL< PCB e PSTU devem se juntar em aliança para disputar Prefeitura de São Luís

Os raros sinais emitidos pelos braços maranhenses da esquerda radical indicam que PSOL, PCB e PSTU começam a se movimentar para formar uma aliança para as eleições municipais do ano que vem, principalmente na disputa para a prefeitura de São Luís. O PSOL, que é o mais articulado e promissor dos três, não descarta lançar candidato à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), e ainda em base embrionária, examina nomes para definir um candidato. Um nome com potencial é o do jornalista e professor universitário Franklin Douglas (foto), militante intenso e coerente na defesa dos postulados da ultra-esquerda, apontado também como viável para disputar uma cadeira da Câmara Municipal da Capital. Parceiros tradicionais e preferenciais, PSOL, PSTU e PCB deverão conversar ao longo dos próximos meses, de modo a entrar em 2019 com um projeto eleitoral pelo menos alinhavado.

São Luís, 18 de Março de 2019.

Posse de Luis Fernando Silva, Simplício Araújo, Luis Porto e Enos Ferreira na equipe de Flávio Dino vira ato de forte conotação política

 

Flávio Dino emoldurado por Luis Fernando Silva, Mical Damasceno, Enos ferreira, Pedro Lucas Fernandes, Carlos brandão, Luis Fernando Silva, Eliziane gama, Eudes Sampaio, Cleide Coutinho e Luis Porto apos o ato de posse no Henrique la Rocque

Muito mais que um ato administrativo, a posse dos secretários Luis Fernando Silva (Projetos Especiais), Simplício Araújo (Indústria e Comércio), Enos Ferreira (Relações Institucionais) e Luis Porto (Região Tocantina) e José de Ribamar Mendes (Instituto de Metrologia e Qualidade Industrial ao Maranhão –  Inmeq), ontem, no Palácio Henrique de la Rocque, foi um evento de forte conotação política. Primeiro porque, com a reforma administrativa, feita por meio de engenhosas mexidas nas pedras da sua base partidária, o governador Flávio Dino (PCdoB) conseguiu abrigar no Governo representantes de todos os partidos da aliança que lidera, exibindo uma musculatura política excepcional. E depois, Luis Fernando Silva foi empossado como uma espécie de quadro diferenciado, em condições efetivas de contribuir o fortalecimento do Governo. E, finalmente, porque o auditório foi tomado por partidários do agora ex-prefeito de São José de Ribamar, numa clara indicação de que ele está longe da aposentadoria política.

Com uma habilidade verbal cada vez mais afinada, o governador Flávio Dino saudou os novos secretários com um discurso no qual usou diversas reflexões para reafirmar os princípios democráticos e o senso de justiça social e a natureza ética do seu Governo, assinalando que cada centavo do contribuinte tem sido destinados a programas voltados para os que de fato precisam da ação do Governo. E nesse sentido destacou, “especialmente, a incorporação do ex-prefeito Luís Fernando, uma liderança política e administrativa atestada e provada há muitas décadas”. E prosseguiu com o cuidado de saudar, com expressões adequadas e palavras de apreço, a todos os novos membros do Governo, notadamente a Simplício Araújo, que deixou a Câmara Federal para comandar pela terceira vez a pasta da Indústria, Comércio e Energia, e ao vice-governador Luis Porto, que foi vice-governador de Jackson Lago (PDT).

Na sua fala, o governador destacou o caráter social do seu Governo, as dificuldades que enfrenta e as conquistas que contabilizou até agora. Flávio Dino não falou como um mero chefe de Governo. Suas palavras foram as de um gestor bem-sucedido e de um líder político que tem plena consciência do papel que exerce num processo de transformação. Falou para um auditório se reuniram a senadora Eliziane Gama (PPS), deputados federais, deputados estaduais – estes capitaneados pela Cleide Coutinho, que representou o presidente Othelino Neto (PCdoB) -, prefeitos e vereadores. E pela entusiasmada reação dos presentes, Flávio Dino tem sua liderança cada vez mais consolidada.

Luis Fernando foi distinguido e falou em nome dos demais secretários

Luis Fernando Silva falou pelos novos secretários. Muito à vontade, e dando mostras de que tirou um fardo das costas ao renunciar a Prefeitura de São José de Ribamar, o novo secretário de Programas Estratégicos (Sepe) declarou: “Eu fico muito honrado com o convite e vamos dar o melhor de nós, como sempre fizemos, para colaborar com este grande Governo, que a cada dia constrói um Maranhão de todos nós”. Fez poucas referências a São José de Ribamar, preferindo centrar sua fala em destacar o governador Flávio Dino, a sua liderança e o sucesso da sua gestão. A prometeu se dedicar ao máximo à tarefa de buscar investimentos com o objetivo de fortalecer a economia estadual e, assim, dar ais força à gestão dinista.

Em nenhum momento o governador Flávio Dino falou sobre o cenário político estadual, dizendo apenas que as circunstâncias e as dificuldades têm-no feito manter permanentemente o foco no Governo, observando que “as eleições de 22 estão muito distantes”, e que trabalha com a realidade segundo a qual “cada dia com sua agonia”. Em outra abordagem sobre político, se disse satisfeito porque, ao contrário do que muitos pensam, acha “muito bom” que na sua base política e partidária existe mais de uma dezena de nomes candidato. “Isso é muito bom. Problema seria se não tivesse nenhum”, disse Flávio Dino, que não emitiu qualquer sinal de que tem reservado um papel político-eleitoral para Luis Fernando Silva, limitando-se a afirmar que esperar “uma grande contribuição”.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Luis Fernando assume secretaria sem explicar por que deixou o comando de São José de Ribamar

Quem esperou que Luís Fernando Silva  aproveitaria o discurso de posse na Sepe para explicar sua decisão e revelar o(s) motivo(s) que o levaram a renunciar à Prefeitura de São José de Ribamar perdeu tempo. Na sua fala, ele não fez qualquer referência ao fato, demonstrando que manterá essa informação no fundo do seu baú de segredos. Nas inúmeras entrevistas que concedeu após o ato de posse, o ex-prefeito de Cidade do Padroeiro usou de toda a sua habilidade para desconversar sobre e, dessa maneira, aumentar ainda mais a curiosidade geral. E o fez como quem estava feliz da vida, sem o ar sorumbático e enigmático que vinha exibindo em tempos recentes.

José Reinaldo Tavares surpreende: participou ao ato da posse e foi elogiado por Flávio Dino

Um dado surpreendente da posse dos novos secretários foi a presença do ex-governador José Reinaldo Tavares (PSDB) na fila da frente dos convidados. Bem à vontade e sem demonstrar qualquer constrangimento, nem parecia o político insatisfeito da última campanha, quando rompeu com o governador Flávio Dino e se aliou ao senador Roberto Rocha (PSDB), de quem fora adversário e que juntos amargaram uma derrota histórica nas urnas. No seu discurso, o governador fez questão de saudar o ex-aliado de primeira linha, tecendo elogios à sua figura de governante e de político, e afirmando, com muita ênfase, nutrir por ele um forte sentimento de respeito e gratidão. Soube-se nos bastidores do evento que a presença de Jose Reinaldo Tavares, ontem, no Palácio Henrique de la Rocque, foi fruto de uma ação articulada por Luis Fernando Silva e pelo vice-governador Carlos Brandão (PRB).

 

Rompido com Luis Fernando, PDT não marca presença na posse dos secretários

Nem o senador Weverton Rocha nem o prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr., os principais líderes do PDT compareceram  à posse dos quatro secretários. A Coluna apurou que a ausência pedetista foi o resultado de uma operação articulada pelo comando pedetista visando alfinetar a Luís Fernando Silva. Para começar, na ausência do presidente Othelino Neto (PCdoB), a Assembleia Legislativa deveria ser representada pelo deputado Glauberth Cutrim, 1º vice-presidente, mas ele teria recusado e passado a bola para a 2ª vice, deputado Cleide Coutinho (PDT), que foi o único pedetista presente no ato. Por contas das profundas diferenças com o ex-prefeito Gil Cutrim (PDT), que fora seu vice em 2008 e com quem acabou rompendo, abrindo um fosse que resultou na ida do PDT para a Oposição ao seu Governo em São José de Ribamar.

 

Eudes Sampaio não cabe em si ao se tornar prefeito de São José de Ribamar

O novo prefeito de São José de Ribamar, Eudes Sampaio (PTB) era ontem a felicidade em pessoa. Antes e depois da posse, ele permaneceu colado no ex-prefeito, reagindo com entusiasmados gestos de agradecimento aos que o saudavam pela chegada ao poder na Cidade do Padroeiro. Eudes Sampaio tem enormes desafios pela frente, mas o entusiasmo de ter chegado ao comando do quinto maior município do Maranhão em população e renda é tão grande que ele parece disposto a atropelas o que tiver à sua frente. E ficou mais feliz ainda quando ouviu o governador Flávio Dino dizer que, por ter tirado Luis Fernando Silva da Prefeitura, sente-se na obrigação de reforçar a atenção que vem dando ao segundo mais importante município da Ilha de Upaon Açu.

São Luís, 16 de Março de 2019.

Unidos, governadores criam consórcio, criticam reforma da Previdência e regras que facilitam acesso a arma de fogo

 

O governador Flávio Dino, o vice Carlos Brandão (e) e os governadores durante entrevista coletiva em que anunciou a criação do Consórcio do Nordeste 

Confirmado o que estava escrito no firmamento da política regional: reunidos ontem em São Luís, os governadores do Nordeste, que formam um bloco bem articulado de centro-esquerda, criaram o Consórcio Nordeste, por meio do qual poderão construir parcerias em várias áreas, e dispararam vários “misseis” na direção do Governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), entre eles duras críticas ao projeto de reforma da Previdência proposto ao Congresso Nacional pelo Palácio do Planalto, e outras mais duras ainda à flexibilização do uso de arma de fogo no País feita entusiasticamente pelo presidente da República. O Fórum de Governadores do Nordeste é formado pelos governadores do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), do Piauí, Wellington Dias (PT), do Ceará, Camilo Santana (PT), de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), da Paraíba, João Azevedo (PSB), da Bahia, Rui Costa (PT), do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) e de Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD) – o único ausente foi o de Alagoas, Renan Filho (MDB), que mandou o vice, Luciano Barbosa.

Era forte a expectativa de que a reunião do Fórum dos Governadores da região em São Luís teria importância diferenciada de outras. E foi, como previra o governador Flávio Dino, anfitrião e um dos principais articuladores do movimento. O principal assunto da pauta, a criação do Consórcio do Nordeste, foi concretizado, dando aos Governos da região um importante e inovador instrumento de gestão, que permitirá, entre outras ações, a montagem de uma central de compras compartilhadas pelos Governos estaduais, garantindo forte redução nos custos. E como não poderia deixar de ser, os líderes nordestinos reafirmaram a política do bloco de manter posição crítica ao Governo da República, sem comprometer as relações institucionais que garantem a convivência dos Governos estaduais com o Governo central.

O posicionamento dos líderes regionais foi externado na Carta do Maranhão, divulgada no início da tarde, na qual eles criticaram duramente aspectos essenciais da reforma da Previdência proposta pelo Governo Bolsonaro, a partir da avaliação de que o preço maior das mudanças nas regras previdenciárias será pago pelos mais pobres. O documento propõe um debate mais amplo sobre a reforma, destacando três pontos: eles não aceitam a “desconstitucionalização”, rejeitam o “regime de capitalização” e preveem que as mudanças contribuirão para “piorar as contas do sistema vigente”. Afirma, ao mesmo tempo, que o Fórum de Governadores está aberto a um diálogo com o Governo. Na Carta, os governadores criticam ainda a flexibilização do acesso dos brasileiros a armas de fogo, manifestando a preocupação de que a política de Segurança Pública pode fracassar se o afrouxamento das regras avance e acabe facilitando o porte de arma de fogo.

Na Carta, os governadores lembraram o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, no Rio de Janeiro, completava exatamente um ano, e do massacre de estudantes, quarta-feira, em Suzano (SP), para criticar duramente a alteração do Estatuto do Desarmamento com o objetivo de flexibilizar a posse de armas de fogo no País. Tanto na Carta de São Luís quanto nos pronunciamentos e entrevistas, os governadores consideraram absurdas. “Tragédias como o assassinato da vereadora Marielle e a de Suzano, no Estado de São Paulo, mostram que armas servem para matar e aumentar a violência na sociedade”, diz o documento.

Anfitrião e um dos líderes mais destacados do Fórum, o governador Flávio Dino assinalou que o interesse maior dos governadores é dialogar, e não estimular Oposição ao Governo de Brasília. “Queremos evitar o aprofundamento do ciclo de violência no Brasil. Flexibilizar a posse de armas vai, longe de gerar paz, gerar mais violência. Há uma posição unânime em defesa do desarmamento”, declarou Flávio Dino, para em seguida assinalar:

– Nosso desejo é que o Brasil dê certo, que o Brasil avance. E por isso nós fazemos questão de dizer que nós temos propostas, nós temos uma visão sobre o desenvolvimento brasileiro. A nossa esperança, é claro, é que o atual Governo Federal, o presidente da República e os ministros, obviamente levem em conta, no diálogo respeitoso, as posições que nós estamos registrando, que vêm no sentido de aprimorar as instituições brasileiras – discursou o governador do Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Frente Parlamentar está sendo formada para ser suporte aos governadores do Nordeste

Observado por Flávio Dino, o baiano Rui Costa fala após ter sido eleito para  presidir o Consórcio, que terá o apoio de Frente Parlamentar articulada por Márcio Jerry (e)

A reunião do Fórum de Governadores do Nordeste no Maranhão cumpriu todos os objetivos previstos na pauta, a começar pela criação do Consórcio Nordeste, que vai mexer com as administrações desses estados, e a Carta de São Luís, na qual se posicionam criticamente em relação ao projeto de reforma da Previdência e ao afrouxamento das regras do desarmamento no País. Os governadores foram unânimes em manifestar esse posicionamento, classificando a criação do Consórcio e os termos da Carta de São Luís como fatos históricos, que ganharão dimensão muito maior quando esses movimentos tiverem o respaldo da Frente Parlamentar mista, cuja criação está sendo articulada pelo deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) e pelo senador Weverton Rocha (PDT), com a participação de deputados e senadores de todos os estados da região, que tem, no total, 153 deputados federais e 27 senadores. O deputado Márcio Jerry avaliou que a Frente Parlamentar não apenas fortalecerá o Fórum de Governadores do Nordeste como será o suporte político da unidade dos governadores, que está definitivamente identificada. Com a Frente, o Fórum de Governadores do Nordeste terá respaldo para aprofundar os temas os mais diversos, principalmente os relacionados a decisões do Governo Central. O deputado Márcio Jerry não faz previsões, mas afirma que Frente Parlamentar terá mais de uma centena de deputados e pelo menos duas dezenas de senadores. Tão logo esteja devidamente criada, com seus associados definidos, a Frente será lançada no Congresso Nacional, para a partir de então funcionar como o mais importante braço de apoio dos governadores Nordestino.

 

Othelino Neto lidera deputados em ato de apoio ao Fórum de Governadores

Othelino Neto e deputados com o governador Flávio Dino, no Palácio dos Leões

Para se tornar uma realidade, o Consórcio Nordeste terá de ser respaldado pela Assembleia Legislativa. E pelo que ficou bem claro durante a reunião do Fórum de Governadores, o parlamento estadual vai respaldar o projeto. Numa manifestação explícita de apoio, o presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), fez questão de atender ao convite do governador Flávio Dino e foi ao Palácio dos Leões com um expressivo grupo de deputados que integram a bases do Governo, todos demonstrado muito boa vontade em relação ao documento, e declarando apoio ao novo governo

O presidente do Poder Legislativa enxergou no Fórum de Governadores do Nordeste uma iniciativa de importância fundamental para melhorar o desenvolvimento regional, principalmente se for levada em cinta a posição do Governo Federal. “O Consórcio Nordeste não é somente uma instância de representatividade política do Nordeste, por meio da qual os governadores posicionam-se sobre temas de interesse da região e nacionais, mas também constitui importante instrumento de gestão por intermédio do qual os estados poderão trocar experiências e licitar conjuntamente, entre outras ações. Enfim, é um ganho muito grande para o povo nordestino”, ressaltou.

O evento contou também com a presença dos deputados estaduais Rafael Leitoa (PDT), Cleide Coutinho (PDT), Carlinhos Florêncio (PCdoB), Dr. Yglésio (PDT), Zé Inácio (PT), Wendell Lages (PMN), Vinícius Louro (PR), Pastor Cavalcante (PROS), Marco Aurélio (PCdoB), Ariston (Avante), Fernando Pessoa (Solidariedade), Zito Rolim (PDT), Daniela Tema (DEM) e Helena Duailibe (Solidariedade).

São Luís, 15 de Março de 2019.

Reunião do Fórum de Governadores em São Luís reforça unidade política da região e fortalece posição de Flávio Dino

 

O imponente Palácio dos Leões sediará hoje o Fórum de Governadores do Nordeste

A reunião do Fórum de Governadores do Nordeste, que será realizada hoje em São Luís, com a participação dos chefes dos nove estados da região, tem dois vieses muito claros. O primeiro é o posicionamento político dos líderes nordestinos em relação ao Governo da União, um movimento que tem por base a certeza de que em certos aspectos só uma força conjunta, bem articulada e com discurso e pleitos comuns, poderá convencer o Governo da União. O outro é a liderança do governador Flávio Dino (PCdoB), anfitrião e um dos principais articuladores do Fórum e de outros movimentos destinados a revisar o Pacto Federativo de modo a fortalecer os estados e os municípios, independentemente das suas regiões. No encontro, além de   reivindicações pontuais para a região o Fórum formalizará a criação do Consórcio Nordeste, um instrumento por meio do qual os governos nordestinos poderão realizar coletivamente uma série de ações com maior eficiência e custos mais baixos. A reunião do Fórum em São Luís será, ao mesmo tempo, um grande esforço de articulação administrativa e um ato político de grande envergadura.

Do ponto de vista administrativo, os estados nordestinos encontram-se, em sua maioria, enfrentando sérias limitações financeiras, o que os leva a reivindicar uma partilha mais justa dos recursos tributários recolhidos pela União. Afinal, a região abriga uma população de aproximadamente 55 milhões de habitantes, algo em torno de um quarto do contingente populacional do País. E com a agravante de que é a menos contemplada pela massa de recursos arrecadados pelo Poder Central. Essa reivindicação foi explicitada na Carta de Brasília, que resultou da primeira reunião, realizada em Janeiro, e que deve ser reafirmada na Carta de São Luís, que será divulgada no final do encontro.

O Fórum de Governadores do Nordeste é hoje a tradução mais fiel da face política nordestina. E formado por líderes da nova geração de políticos da região, todos posicionados na banda de centro-esquerda, não tendo um só chefe de Estado posicionado ideologicamente à direita. Esse perfil reflete uma unidade política ímpar no País, o que facilita o entendimento entre eles e estimula as discussões que definem posições de importância, como a formação do Consórcio, por exemplos. Unidos em um bloco compacto, que reflete os problemas e os anseios da região, os governadores querem ser ouvidos nas reformas que estão sendo alinhavadas pelo Governo Central, como a da Previdência, por exemplo, e reivindicam recursos para eliminar as dificuldades que enfrentam por causa da escassez de recursos.

Nesse contexto, o governador Flávio Dino se destaca como um líder firme e confiável, e cujo discurso traduz fielmente a realidade da região. O governador maranhense tem ajustado cuidadosamente o seu discurso com a sua prática, à medida que mantém intacto o seu posicionamento político de Oposição ao Governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), atuando como um crítico duro das posições do presidente e seus principais porta-vozes. Ao mesmo tempo, se movimenta com equilíbrio na construção de uma relação institucional produtiva, que já o levou a audiências com o vice-presidente Hamilton Mourão e vários ministros, em Brasília e em São Luís, como aconteceu na semana passada os ministros da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, e da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

A reunião do Fórum de Governadores do Nordeste, hoje, em São Luís, é o reflexo de uma realidade resultante das lutas políticas travadas no País nos últimos tempos, agora com forças bem definidas nos dois campos ideológicos, estando os líderes nordestinos situados na seara que vai do centro à esquerda. Mas com a responsabilidade política e institucional de compreender que numa democracia há lugar para todas as tendências e de que cabe às urnas definir o espaço de cada uma a cada eleição. O Fórum de Governadores do Nordeste, que tem o governador Flávio Dino como um dos principais articuladores, é um reflexo dessa realidade.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PT pode vir a ter candidato próprio a prefeito de São Luís

Zé Inácio Lula e Zé Carlos Araújo são opções do PT para a prefeitura de São Luís, se a opção for lançar candidato

O PT já conversa internamente sobre como participará da corrida para a Prefeitura de São Luís no ano que vem. Seus líderes alinhavam três caminhos possíveis: seguir com a aliança liderada pelo governador Flávio Dino, podendo indicar o candidato a vice-prefeito na chapa majoritária, ou lançar candidato próprio no primeiro turno, podendo também não lançar candidato. Na hipótese de entrar na briga com seu próprio candidato, dois nomes estão considerados, o deputado estadual Zé Inácio Lula e o deputado federal Zé Carlos Araújo. Até aqui são os nomes que estão de fato sendo considerados nas conversas prévias, sem que isso seja ainda uma decisão partidária. Até porque nenhuma decisão será tomada antes de o partido conversar com o governador Flávio Dino e com o prefeito Edivaldo Holanda Jr., que terão a palavra final sobre candidatura, o que só deverá acontecer em meados do segundo semestre, quando for iniciado o ano eleitoral.

Reeleito deputado estadual com boa votação em São Luís, contrariando previsões que rezavam em sentido contrário, Zé Inácio Lula é hoje um dos líderes mais influentes do PT estadual, com bom trânsito na aliança e bem considerado no comando nacional do partido. Homem de partido e militante fiel, daqueles que cumprem missões partidárias sem pestanejar, Zé Inácio Lula sabe das dificuldades do cenário pré-eleitoral, mas acredita que o PT vai seguir o melhor caminho. Já o deputado Zé Carlos Araújo tem se mantido como uma espécie de reserva do partido, que poderá ser acionada na corrida à Prefeitura de São Luís. Inicialmente visto com reservas por segmentos mais “xiitas” do PT maranhense, Zé Carlos Araújo vai se firmando como uma liderança moderada, mas firme, dentro do partido, posição que consolidou com a reeleição em 2018, a exemplo de Zé Inácio Lula, podendo vir ser a opção petista para entrar na briga pelo Palácio de la Ravardière.

Em Tempo: Na semana passada, a Coluna levantou, com base em informações periféricas, a possibilidade de o PT lançar o vereador Honorato Fernandes ou o ex-secretário de Esporte e Lazer, Márcio Jardim. Uma apuração mais aprofundada levou à conclusão de que o vereador Honorato Fernandes prefere tentar a reeleição, e que Márcio Jardim deve mesmo brigar pela Prefeitura de Arari.

 

Vinícius Louro convoca deputados e autoridades para debater a situação de risco na Barragem do Flores

Vinícius Louro: alerta sobre os riscos de rompimento da Barragem do Rio  Flores, no município de Joselândia

É necessária e urgente uma tomada de posição para a produção de medidas práticas que reforcem a Barragem do Rio Flores, no município de Joselândia, que por falta de manutenção preventiva regular, corre o sério risco de romper-se, podendo resultar numa tragédia de largas proporções. Foi nesse sentido que o deputado Vinícius Louro (PSL) ocupou ontem a tribuna para convidar colegas e autoridades de diversos níveis e áreas para uma reunião, sábado (16), na Câmara Municipal de Pedreiras, para debater a situação daquela importante estrutura de represamento das águas do Rio Flores.

Essa não é a primeira vez que o deputado Vinicius Louro ocupa a tribuna para chamar a atenção para as condições precárias daquela barragem e alertar para os riscos de rompimento, que, se ocorrer, resultará numa tragédia de largas proporções. E o modo de prevenir é pressionar os órgãos responsáveis para providenciar as intervenções que reforcem a estrutura e garantam a segurança às populações da das cidades situadas no curso do Rio Flores.

Para o deputado Vinícius Louro, “é importantíssimo” criar uma força-tarefa que trabalhe com o objetivo de prevenir um desastre. Ele reforça o alerta: “Precisamos de união e, acima de tudo, de inciativa, para que possamos evitar o pior. Conheço a realidade de perto e o assunto é sério. Não podemos descansar. Temos que agir e buscar soluções para o problema”.

A situação da Barragem do Flores é apenas um item do elenco de várias barragens maranhenses que se encontram em estado que inspira cuidados e exige providências. Num dos seus primeiros discursos como parlamentar, a deputada Thaíza Hortegal (PP) denunciou a situação calamitosa da Barragem do Pericumã, em Pinheiro. E citando outros casos, como a Barragem do Bacanga, em São Luís, e a Barragem do Flores, propôs a formação de uma frente parlamentar de defesa das barragens do Maranhão.

São Luís, 14 de Março de 2019.

Com atraso de década, acordo do Brasil com os EUA pode transformar Alcântara em centro de ponta da corrida espacial

 

CLA: um lançamento de foguete experimental, a plataforma de lançamento, uma panorâmica das instalações do Centro  e um registro de visitantes ouvindo explicações sobre foguete

Quase quatro décadas depois de ter sido planejado, 16 anos após ter sido palco da maior tragédia que atingiu a área científica e tecnológica do País, com a explosão da sua plataforma, e de ter sido objeto de uma polêmica míope, que retardou o seu desenvolvimento como uma das bases mais promissoras entre as que movem a corrida espacial em todo o planeta, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) volta a ser alvo de atenções, discussões e decisões do Governo sobre o seu futuro. É que no dia 19, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) firmará com o colega norte-americano Donald Trump um acordo pelo qual o Brasil abre o CLA aos Estados Unidos, que poderão utilizá-lo para lançar seus foguetes. O acordo mantém salvaguardas tecnológicas, mas agora em um nível menos rigoroso, podendo o Brasil se beneficiar da tecnologia ianque, como também a questão da soberania parece bem mais amarrada, sem danos visíveis. E o que é mais interessante: o CLA será explorado comercialmente, tornando-se parte do bilionário mercado da indústria espacial, que cresce aceleradamente a cada ano, devendo o Maranhão auferir gordos dividendos em futuro próximo.

Alcântara se tornou alvo do interesse das potencias da corrida espacial nos anos 80 do século passado, quando o embrião do Programa Espacial Brasileiro (PEB) acontecia na Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte. Estudos realizados em todo o planeta durante a corrida que levou o homem à Lua revelaram que, situada na latitude 2°13’ sul, uma área próxima à histórica Alcântara é ideal para o lançamento de foguetes, que, grosso modo, lançado de lá, sobe mais rápido e gasta menos combustível, potencializando dois itens fundamentais dos lançamentos destinados a romper as camadas atmosféricas da Terra: tempo e custo. Alcântara é melhor do que Cabo Canaveral, nos EUA, do que a base francesa de Kourou, na Guiana Francesa, e melhor que as várias bases russas, ucranianas, e por aí vai. Isso fez com que as grandes potencias mirassem a área maranhense como o sonho de consumo da corrida espacial.

Tudo começou em março de 1983, quando o ainda Governo militar começou a implantação do CLA, destinando-lhe mais de 600 quilômetros quadrados de área exclusiva. Surgiu logo o primeiro e mais espinhoso problema: comunidades quilombola e agrícolas reagiram à imposição de serem remanejadas para agrovilas planejadas pelos militares. Foram anos de sai – não sai, vai – não vai, tensão, truculência e ações judiciais, que se arrastam até hoje. O CLA andou bem, apesar das questões periféricas. Com a chegada de José Sarney à presidência da República, a chamada “Base de Alcântara” ganhou impulso, com o robustecimento do PEB, com gordos investimentos na estrutura, na qualificação de mão-de-obra especializada e na segurança.

O aumento da sua importância atraiu de vez a cobiça norte-americana pela área, levando o Governo FHC a propor um acordo pelo qual usaria o CLA comercialmente. A proposta básica era a seguinte: a Nasa utilizaria o CLA para lançar seus foguetes, pagaria por isso, mas com uma condição inaceitável: o Brasil não poderia usar o dinheiro recebido para custear projetos de desenvolvimento dos seus próprios foguetes. Esse item desencadeou uma reação em cadeia, liderada pelos partidos de esquerda e engrossada por outros segmentos, que viram na cláusula impositiva uma inaceitável interferência do Tio Sam na soberania do Brasil. Ocorrida exatamente na virada do século (2000), a polêmica da soberania puxou outros itens do acordo, desencadeando uma celeuma que resultou na rejeição total do acordo pelo Congresso Nacional. Quando deputados e senadores debatiam, FHC chegou a um acordo com Bill Clynton, derrubando a restrição, mas o seu visível enfraquecimento político e o acirramento dos ânimos no Congresso Nacional inviabilizaram o projeto por inteiro. O desfecho causou perplexidade no mundo inteiro, porque os envolvidos na corrida espacial não conseguiram entender o motivo de o Brasil abrir mão de entrar para o clube.

Mesmo isolado, o CLA conseguiu fazer cerca de quatro dezenas de lançamentos de foguetes experimentais, que foram aumentando de tamanho até chegar ao VLS-2, que estava sendo preparado para ser lançado em grande estilo no dia 22 de Agosto de 2003. Para tanto, a quase totalidade da equipe de especialistas formada ao longo de anos pelo PEB encontrava-se em Alcântara, cuidando dos mínimos detalhes para aquele que seria um marco na história do CLA. E exatamente às 13h28m daquele sábado, um dos foguetes foi acionado antes da hora, causando em segundos uma explosão que pulverizou o artefato, destruiu a plataforma de lançamento e matou 22 técnicos, no que entrou para a História como uma das maiores tragédias da corrida espacial em todo o planeta. A explosão levou o Programa Espacial Brasileiro a uma regressão de décadas.

Durante os Governo de Lula da Silva e de Dilma Rousseff, o PEB viveu um período de recuperação, mas colocou o Brasil diante de uma realidade crua: dispõe de um pedaço de terra e uma estrutura que pode render milhões e milhões de dólares por ano e ainda agregar tecnologia para turbinar os seus próprios projetos na área. Sem querer acordo com os EUA, o Governo Lula ensaiou uma improvável parceria com a Ucrânia, que fora o centro nervoso do programa da antiga União Soviética na corrida espacial. Só que, agora como um país autônomo, que se mantém sob forte tensão com a Rússia, a Ucrânia detém conhecimentos e sucatas, não dispondo de capital para tirar seus projetos da prancheta. Mesmo assim, o Brasil firmou um acordo com a Ucrânia em torno do projeto Cyclone, um revolucionário foguete de médio porte. Para tanto, foi criada uma empresa, a Cyclone Space, que não saiu do papel pela incapacidade de a Ucrânia honrar com a parte que lhe coube. O acordo fracassou.

Durante o seu Governo, o presidente Michel Temer tirou o acordo da gaveta e reabriu as negociações com os EUA, conseguindo refazer vários itens polêmicos, entre eles o que gerou a crise em 2000. O presidente Jair Bolsonaro vai entrar para a História pegando carona sem qualquer mérito e sem ter dado uma única contribuição efetiva ao acordo que assinará com Donald Trump. Mas, independentemente desse detalhe, o acordo com os EUA para uso comercial do CLA deve produzir bons resultados para o Brasil e para o Maranhão.

 

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Luis Fernando vai mesmo ser secretário. Por quê?

Luis Fernando e Flávio Dino: diminuindo a distância política que os separava em 2014

O governador Flávio Dino (PCdoB) confirmou ontem que Luis Fernando Silva (PSDB) renunciará ao cargo de prefeito de São José de Ribamar para assumir a Secretaria de Estado de Programas Estratégicos. Confirmou também que Simplício Araújo (SD) deixará a Câmara Federal para reassumir a Secretaria de Indústria e Comércio, abrindo vaga para Gastão Vieira (PROS). A posse dos dois novos secretários ocorrerá sexta-feira (15).

Com a confirmação, o governador coloca ponto final numa informação, inicialmente especulativa que espantou o meio político, gerando muitas interrogações, a partir de uma básica: como é possível um político com muita estrada pela frente renunciar ao comando de um dos cinco maiores municípios do Maranhão, ligado à Capital, que recebe FPM Especial e tem forte vocação turística, para assumir uma Secretaria de Estado que garante mais incertezas do que resultados palpáveis? Mesmo que seja um município com enormes desafios – dois mega-conjuntos habitacionais aumentaram sua população em mais de 60 mil pessoas de uma hora para outra, por exemplo -, isso não justifica a guinada surpreendente.

Em política, renúncia tem de ser sinônimo de passo à frente, tentar um voo mais alto; no caso, seria perfeitamente justificável se tivesse renunciado em abril de 2018 para disputar o Governo do Estado, uma vaga no Senado ou na Câmara Federal. A pasta que lhe será entregue pelo governador Flávio Dino não é algo menor, mas qualquer avaliação honesta concluirá que ao fazer a troca de um mandato desse porte por um cargo de Secretário de Estado, ele reduz expressivamente o seu peso político. A menos que isso seja parte de um plano que o leve a ser candidato a prefeito de São Luís ou a governador, mas não parece ser isso o que está acontecendo.

E chama também a atenção o fato de que com a sua renúncia, São José de Ribamar será entregue ao vice-prefeito Eudes Sampaio (PTB), um político gente boa, respeitado, mas sem liderança para comandar o barco.

 

Projeto de Hospital agita os bastidores da corrida sucessória em Imperatriz

Marco Aurélio, Antônio Pereira e Assis Ramos, posições diferentes sobre projeto de hospital em Imperatriz

A decisão do governador Flávio Dino de construir o Hospital de Urgência em Imperatriz foi o tema dominante na Assembleia Legislativa na tarde de segunda-feira. Um dos nomes bem situados entre os lembrados para disputar a Prefeitura de Imperatriz, o deputado Marco Aurélio (PCdoB) foi à tribuna para enaltecer a medida e detalhar o projeto. O mesmo fez o deputado Antônio Pereira (DEM), que é médico, destacando a importância do projeto e revelando que vai se engajar no processo para apoiar a construção do hospital “no que for possível”. Nenhum dos dois, porém, falou nos petardos que o prefeito de Imperatriz, Assis Ramos (MDB), vem disparando contra o projeto, insinuando que a iniciativa não tem futuro e que o Hospital de Urgência anunciado na semana passada pelos secretários de Saúde, Carlos Lula, e de Infraestrutura, Clayton Noleto, na presença de parlamentares e de pessoas renomadas da cidade, como o ex-prefeito Ildon Marques, por exemplo, não será construído.

Observadores atentos enxergam no projeto de construção do Hospital de Urgência o grande tema da campanha para a prefeitura de Imperatriz, podendo ser também a chave para o desfecho da eleição. Nos bastidores, é corrente a seguinte avaliação: se o hospital não sair do papel, o prefeito Assis Ramos tem alguma chance de reeleição, mas se a construção for, de fato, iniciada, o prefeito dificilmente renovará o mandato.

São Luís, 13 de Março de 2019.

Reunião do Fórum de Governadores do Nordeste em São Luís criação de Consórcio e apoio de Frente Parlamentar

 

Flávio Dino será o anfitrião do Fórum de Governadores; em São Luís; Márcio Jerry e Weverton articulam no Congresso a Frente parlamentar de Defesa do Nordeste

A segunda reunião do Fórum de Governadores do Nordeste (2019/2022), que será realizada em São Luís e terá como ponto alto a criação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento do Nordeste, deve ganhar uma dimensão política bem maior com o suporte de uma Frente Parlamentar de Defesa do Nordeste, reunindo deputados federais e senadores dos nove estados nordestinos e de outras regiões. A Frente está sendo articulada por parlamentares da região, entre eles o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) e o senador Weverton Rocha (PDT), que estão na linha de frente do movimento, que tem o governador Flávio Dino (PCdoB) como um dos principais líderes. Devem desembarcar quinta-feira em São Luís os governadores do Piauí, Wellington Dias (PT), Ceará, Camilo Santana (PT), Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), Paraíba, João Azevedo (PSB), Bahia, Rui Costa (PT), Alagoas, Renan Filho (MDB), Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) e Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD). Todos estão “fechados” com o projeto de mobilização política regional e com a criação do Consórcio Nordeste, com base na Carta dos Governadores do Nordeste, que divulgaram na primeira reunião do Fórum, realizada em Brasília, semanas após a instalação dos novos Governos.

O Fórum de Governadores do Nordeste nasceu das dificuldades de relacionamento dos Governos da Região com o Governo do presidente Michel Temer (MDB), iniciado em 2017, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), e ganhou força com o resultado das urnas de 2018. Com a derrota fragorosa de Jair Bolsonaro (PSL) em todos os nove estados nordestinos – a começar pelo Maranhão, onde o candidato do PSL teve pouco mais de 30% dos votos – os governadores, quase todos ligados a partidos de esquerda, avaliaram o cenário e concluíram que a região sofreria restrição do novo Governo, posicionados na extrema direita. Diante desse contexto, consolidaram o Fórum, que realizou sua primeira edição em Janeiro, em Brasília. A reunião de quinta-feira, além de mais um passo na consolidação do Fórum, resultará numa medida prática da maior importância, que é a criação do Consórcio Nordeste, imaginado para ser um instrumento capaz de garantir uma relação mais efetiva entre os Governos da região e produzir resultados práticos.

O Consórcio cria mecanismos para que os estados possam firmar parcerias, turbinar resultados administrativos e economizar recursos financeiros. Isso será possível por meio de compras compartilhadas entre os Estados, com o que obterão a redução de custos. Além disso, os estados poderão firmar parcerias em áreas como infraestrutura, tecnologia e inovação, segurança pública, administração prisional e proteção do meio ambiente. E além de criá-lo, os governadores reafirmarão os termos da Carta de Brasília, na qual cobram soluções não traumáticas para a Previdência, programas destinados à criação de empregos e à geração de renda. Haverá também discussão mais profunda e abrangente sobre áreas como segurança pública, sobre o novo Fundeb e sobre temas como a revisão do Pacto Federativo, com a redefinição do papel dos estados e dos municípios.

A consolidação do Fórum dos Governadores do Nordeste será mais consistente com o suporte político da Frente Parlamentar formada, em princípio, por representantes da Região no Congresso Nacional. Os nove estados nordestinos são representados por 27 senadores e 151 deputados federais. Não há como garantir a adesão de todos, mas é possível que pelo menos 15 senadores e 100 deputados venham a integrar o movimento, que poderá ser reforçado com o apoio de parlamentares das regiões Norte e Centro-Oeste, por exemplo. Frente Parlamentar não é uma organização formal, é um movimento que mobiliza congressistas dos mais diferentes vieses partidários e ideológicos em torno de um tema. No caso, a Frente a ser criada terá como foco a defesa do Nordeste e o apoio ao Fórum de Governadores da Região. E a previsão do deputado federal Márcio Jerry, que é engajado nos esforços políticos do governador Flávio Dino em favor do Maranhão e da Região, é a de que é possível formar uma Frente Parlamentar robusta em defesa do Nordeste e em apoio ao movimento dos governantes regionais.

Por ter como pauta central a criação do Consórcio Nordeste e ganhando o suporte de uma Frente Parlamentar mista, congregando deputados federais e senadores nordestinos e de outras regiões, a reunião do Fórum dos Governadores do Nordeste em São Luís terá importância política bem maior do que as realizadas até agora.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Flávio Dino e Santos Cruz: o emblemático encontro do governante comunista com general do núcleo duro do Governo Bolsonaro

Em clima descontraído, Flávio Dino mostra o Palácio dos Leões a Santos Cruz

A imagem, registrada na última sexta-feira (8), é emblemática. Mostra o governador Flávio Dino, um líder de esquerda da nova geração, como anfitrião do ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, integrante do chamado “núcleo duro” do presidente Jair Bolsonaro, e que, em tese, representa o suprassumo da direita. Os dois pertencem a campos ideológicos opostos, o primeiro lidera um Governo que faz firme Oposição política ao Governo ao qual o segundo pertence. O governador já recebeu em audiência outros comandantes das três Forças, com quem manteve diálogos aberto, deixando-os impressionados com a cortesia do recebimento e com o nível de informação mostrado por ele.

A visita do general Santos Cruz teve um caráter bem diferente, o que a tornou emblemática. A função dele no Governo Bolsonaro é cuidar da relação do Palácio do Planalto, com poder de fogo para dizer sim ou não, fazer ou negar concessões, e, claro, manter o presidente informado acerca de quem é quem e quem quer o quê no complicadíssimo tabuleiro do xadrez de Brasília. Daí ser absolutamente lógico supor que sua vinda ao Maranhão junto com o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, teve um objetivo bem mais político do que tratar de assuntos como a BR-135, o Porto do Itaqui e o Aeroporto do Tirirical. A Coluna aposta que Santos Cruz, que já comandou tropas do Brasil a serviço da ONU no Haiti e Congo, voou para São Luís para, além de cumprir uma pauta administrativa, se informar sobre o que é e como funciona o bem-sucedido Governo do comunista Flávio Dino.

A atenção e a cortesia com que foi recebido pelo governador causaram uma impressão altamente positiva, pois em vez do comunista ranheta e agressivo, o anfitrião do general portou-se como um líder com os pés no chão, democrático e civilizado, que defende posições e não guarda ranços. Um adversário que não é inimigo e com quem o Governo central pode manter uma relação produtiva.

 

Sem lastro para encarar seus pares, Fábio Macedo vai se licenciar para cuidar da saúde e curar a ferida moral

Fábio Macedo: licença  do mandato para curar vício do álcool e ressaca moral

Protagonista de um dos episódios mais lamentáveis do universo político do Maranhão nos últimos tempos, causado por embriaguez alcoólica, com todos os ingredientes de uma opereta de baixo nível, ocorrido em Teresina (PI), o deputado Fábio Macedo (PDT) vai se licenciar do mandato por quatro meses, período em que tentará encontrar uma relação menos indigna com as limitações de uma cirurgia bariátrica e o consumo de álcool. Além dos problemas de saúde que ele próprio afirma amargar, o parlamentar encontra-se absolutamente impossibilitado moral e eticamente de enfrentar o plenário da Assembleia Legislativa, onde todos os seus pares, sem uma única exceção, se encontram tomados pela perplexidade provocada pelos vídeos que causaram estupefação em toda a sociedade maranhense e pais afora.

O oportuno pedido de desculpas por ele feito em redes sociais e jornais pode até ter estancado a indignação, mas certamente não eliminará a impressão de que suas declarações embriagadas, como “sou gente do povo” e “sou rico”, tornaram o senhor Fábio Macedo absolutamente desprovido de autoridade pessoal e política para falar em nome do povo, propor projetos de lei ou emitir votos sobre matéria de qualquer natureza no parlamento estadual. Tal situação só lhe dá uma chance de remissão: o afastamento pelo prazo maior de 121 dias, tempo suficiente para iniciar um tratamento sério e para refletir sobre o seu futuro político, a começar pelo seu retorno ao plenário da Assembleia Legislativa.

Ao deixar a Casa para uma ausência temporária, o deputado Fábio Macedo deve desculpar-se e agradecer ao presidente Othelino Neto (PCdoB), que passou pelo constrangimento de interceder junto às autoridades policiais piauienses. O presidente, que tem se firmado como um chefe de Poder sereno e equilibrado, entrou no circuito para, pelo menos, amenizar a dramática situação em que se meteu o deputado por ter trocado tapas com o cantor de periferia Léo Cachorrão e ter sido agressivo com policiais piauienses, o que resultou na sua detenção. Não fosse a iniciativa do presidente Othelino Neto, que conversou com o secretário de Segurança do Piauí, a quem pediu desculpas pelos desatinos alcoólicos do parlamentar pedetista, Fábio Macedo certamente teria prolongada sua condição de preso na capital piauiense.

Em Tempo: A patacoada monumental do deputado Fábio Macedo produziu pelo menos um resultado positivo para a Assembleia Legislativa: o retorno temporário da ex-deputada Valéria Macedo (PDT), que reforçará o time feminino da Casa.

São Luís, 12 de Março de 2019.