Todos os posts de Ribarmar Correa

Nas chapas já definidas para a disputa em São Luís há vices com diferentes poder de fogo

 

Chapas já definidas: Rubens Júnior/Honorato Fernandes, Neto Evangelista/Luzimar Lopes, Duarte Júnior/Fabiana Vilar, Yglésio Moises/Mauro César, Adriano Sarney/Vall Nascimento. Jeisael Marx/Jacinelma Fernandes, Carlos Madeira/Jaremias Fernandes, Franklin Douglas (d)/Ribamar Arouche e Hertz Dias/Jayron Mesquita

Nem todas as convenções foram ainda realizadas, mas, à exceção dos candidatos Eduardo Braide (Podemos) – que só realizará sua convenção no dia 14 (segunda-feira) – e Bira do Pindaré (PSB) – cuja convenção será realizada neste sábado -, os companheiros de chapa dos outros nove candidatos já estão definidos. São os seguintes: Duarte Júnior (Republicanos) terá como vice a advogada Fabiana Vilar (PL), Rubens Júnior (PCdoB) formará neste domingo chapa com o vereador Honorato Fernandes (PT), Neto Evangelista terá na chapa Luzimar Lopes (PDT), Adriano Sarney (PV) somará com a fisioterapeuta e lutadora de jiujitsu Vall Nascimento, Jeisael Marx (Rede) escolheu a pedagoga Janiselma Fernandes (Rede), Carlos Madeira (Solidariedade) foi buscar o oficial bombeiro Jeremias Fernandes, Yglésio Moises (PROS) terá na chapa o médico Mauro César, Franklin Douglas (PSOL) terá na vaga de vice o sindicalista Ribamar Arouche, e Hertz Dias (PSTU) terá na vice o sindicalista Jairo Mesquita (PSTU). São vices com pesos diferentes, alguns com força eleitoral, outros com estatura profissional, outros com veia de militante e as soluções caseiras por falta de alternativa.

Provavelmente o mais forte entre os candidatos a vice, o vereador Honorato Fernandes dará forte contribuição política, eleitoral e estrutural à viabilização da candidatura de Rubens Júnior, pois entra com mais de cinco minutos de rádio e TV, agrega o nome do ex-presidente Lula à campanha e põe no apoio a aguerrida militância petista, dando ao candidato da aliança PCdoB/PT/Cidadania/DC/PMB um poder de fogo excepcional.  Militante social e comunitária pedetista Luzimar Lopes, também conhecida como Nêga do Coroadinho, não será efetivamente uma canalizadora de votos para o candidato Neto Evangelista, mas tem poder para abrir caminhos em comunidades importantes, como a região Coroado/Coroadinho, onde ela atua, o que a torna peça de grande importância na engrenagem da aliança DEM/PDT/MDB/PSL.

Por seu turno, Fabiana Vilar, indicada pelo PL de Josimar de Maranhãozinho, nada agregará em matéria de voto à candidatura do republicano Duarte Júnior, mas o seu partido terá importância capital na formação do tempo da campanha do candidato do Republicanos no rádio e na TV, além de uma boa estrutura para intensificar a corrida ao voto.

As chapas Adriano Sarney/Val Nascimento, Jeisael Marx/Jacinelma Fernandes, Carlos Madeira/Jeremias Fernandes, Yglésio Moises/Mauro César, Franklin Douglas/Ribamar Arouche e Hertz Dias/Jayro Mesquita são chapas caseiras, montadas pelo fato de que os partidos dos candidatos não conseguiram parceiros na ciranda das alianças eleitorais, como deverá ser o caso da chapa a ser liderada por Bira do Pindaré, que não conseguiu parceiro para coligar e deve apresentar uma solução caseira na convenção que realizará hoje à tarde.  Nessa condição, esses vices não agregam expressivo poder de fogo eleitoral. Eles podem atrair credibilidade aos projetos dos cabeças da chapa e atuar na campanha como bons cabos eleitorais no plano geral ou junto a segmentos, funcionando como aliados produtivos no sentido de apoiar as ações do líder da chapa. No caso das mulheres, elas podem ser um diferencial se conseguirem falar a língua da banda feminina do eleitorado que, aliás, é maior que a masculina.

Inicialmente com favoritismo que lhe permitiria ter um poste como vice, Eduardo Braide se vê agora num cenário em que a escolha do vice pode ser decisiva para o futuro da sua candidatura. Seus aliados – senador Roberto Rocha (PSDB), deputado federal Edilázio Júnior (PSD) e deputado federal Aluísio Mendes (PSC) – estão igualmente interessados na vaga, mas corre nos bastidores que os ventos sopram para o ex-vereador Roberto Rocha Júnior, que preside o PSDB em São Luís. Eduardo Braide terá de conduzir com habilidade uma ampla negociação, que já está em curso, para evitar que a escolha venha a comprometer a aliança partidária e as vantagens que ela proporcionará à sua candidatura, principalmente em matéria de tempo no rádio e na TV.

Vale lembrar que a campanha para valer será iniciada no próximo dia 27, conforme o calendário fixado pela Justiça Eleitoral.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edivaldo Holanda Júnior não apoiará ninguém no primeiro turno

Edivaldo Holanda Júnior: longe da corrida eleitoral e tocando o programa de obras

Andaram especulando que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) anunciaria seu candidato à sua sucessão no início da campanha eleitoral. Bola fora. A pelo menos três interlocutores o prefeito revelou que não se manifestará no primeiro turno, para não ser acusado de usar seu programa de obras com caráter eleitoreiro, o que, garante, não é o caso. Nessas conversas, Edivaldo Holanda Júnior teria dito que apoiará o candidato da aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) que for para o segundo turno, provavelmente contra o candidato do Podemos, Eduardo Braide. Antes disso, se manterá distanciado da cena política e eleitoral, dedicando integralmente seu tempo à execução do alentado programa de obras com o qual fechará seus dois mandatos consecutivos, ou seja, oito anos no comando da Prefeitura de São Luís. Sem um só “porém”.

 

Atuação de Maranhãozinho na corrida eleitoral tem chamado atenção

Continua chamando a atenção a maneira avassaladora com que o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (foto) avança nos municípios, lançando candidatos do seu partido, o PL, com festas imensas, aglomerações perigosas e discursos inacreditáveis, nos quais avisa que dará as cartas nas administrações de prefeitos eleitos com o seu apoio. A espantosa tática do chefe do PL envolve dinheiro gordo, sendo difícil crer que o braço maranhense do PL seja detentor. Motivado pela ideia de que será candidato a governador em 2022, o parlamentar da “BR”, Josimar de Maranhãozinho parece dispostos a financiar candidaturas viáveis, tudo indica que com o propósito de se tornar “parceiro” de prefeitos que vierem a ser eleitos dentro da sua “estratégia”. Vale lembrar que seu modus operandi não funcionou para viabilizar a candidatura da deputada Detinha em São Luís.

São Luís, 12 de Setembro de 2020.

Neto Evangelista reforça candidatura com vice mulher e com forte militância na periferia

 

Entre Weverton Rocha e Juscelino Filho, Neto Evangelista ouve Luzimar Lopes no PDT

O deputado estadual Neto Evangelista (DEM) consolidou de vez sua candidatura à Prefeitura de São Luís ao anunciar, ontem, a militante social Luzimar Lopes, também conhecida como Nêga do Coroadinho, indicada pelo PDT, como sua companheira de chapa. Com a definição, o candidato democrata amarrou todas as pontas da robusta teia partidária que embalará sua caminhada para as urnas, reunindo em coligação DEM, PDT, PSL e MDB, partidos que, juntos, lhe dão lastro político, condições para realizar uma campanha eficiente, além, claro, de um respeitável potencial eleitoral. A indicação de Luzimar Lopes confirmou a posição do PDT como aliado preferencial do DEM nessa jornada eleitoral e confirma a posição do senador Weverton Rocha como principal articulador da aliança. E reforça o cenário que coloca o partido fundado por Jackson Lago e Neiva Moreira na obrigação de mobilizar todas as suas forças ramificadas nas reentrâncias da Capital para turbinar o projeto político e eleitoral de Neto Evangelista agora, e preparar terreno para dar firmeza ao passo que Weverton Rocha pretende dar em 2022.

A escolha de Luzimar Lopes para vice de Neto Evangelista não foi uma decisão apressada, de última hora, tomada no sufoco por falta de opções. Ao contrário, o comando do PDT chegou ao seu nome após optar por oferecer ao eleitorado uma referência popular, que represente as comunidades periféricas e mais pobres na cúpula do poder municipal. A ideia inicial era escolher entre os nomes mais conhecidos e prestigiados do partido no cenário político de São Luís, como o vereador Ivaldo Rodrigues, seu colega Raimundo Penha ou até mesmo o presidente da Câmara Municipal, Osmar Filho. Esse caminho, porém, foi descartado, levando o comando do partido a optar por uma estratégia mais ousada, escolhendo uma militante social e comunitária, com ligação direta com esses segmentos.

Mais do que uma militante partidária e ativista das causas sociais e de defesa da mulher, o PDT preencheu sua vaga na chapa encabeçada por Neto Evangelista com uma candidata decidida a chegar à vitória. Tanto que na sua fala no ato em que foi apresentada, Luzimar Lopes foi enfática: “Vamos andar cada canto dessa cidade. Melhor para a cidade é ter alguém que sabe na pele as necessidades da comunidade”. Uma indicação eloquente de que não vai posar de candidata, mas mergulhar nos bairros de São Luís em busca de votos.

Com a chapa definida, Neto Evangelista está devidamente aparelhado política e partidariamente para mergulhar nas reentrâncias da cidade em busca de votos. Além do PDT, que é o partido mais enraizado e estruturado em São Luís, herança de Jackson Lago, o candidato do DEM conta com o peso do PSL, comandado pelos vereadores Chico Carvalho e Isaías Pereirinha, duas raposas que conhecem o caminho das pedras. Conta também com o MDB, que vem mostrando força com o grupo jovem liderado pelo deputado Roberto Costa, e também com o prestígio da ex-governadora Roseana Sarney, que não quis ser candidata, mas decidiu seguir a escolha do partido, declarando apoio ao candidato do DEM.

O ato de ontem na sede do PDT foi uma demonstração de força de Neto Evangelista, que conta com o apoio incondicional do comando estadual do DEM, que tem à frente o deputado federal Juscelino Filho, e do comando nacional, que vê sua candidatura como uma das prioridades do partido, segundo declarou o presidente da legenda, ACM Neto, atual prefeito reeleito de Salvador. Traquejado em embates políticos e eleitorais, o candidato do DEM conhece os humores do exigente eleitorado ludovicense e, tanto quanto, os adversários que precisa bater para se tornar prefeito, a começar pelo candidato do Podemos, Eduardo Braide, que lidera a corrida, e o candidato do Republicanos, Duarte Júnior, que está em segundo lugar, segundo todas as pesquisas divulgadas até aqui.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

STJ arquiva factoide gerado na PGR contra Flávio Dino

Flávio Dino: factoide arquivado e Governo sem mácula

O arquivamento, pelo Superior Tribunal de Justiça, do inquérito com que a Procuradoria Geral da República tentou jogar uma suspeita de desvio no governador Flávio Dino (PCdoB), mostrou duas verdades. A primeira: o atual Governo do Maranhão tem sido até aqui à prova de corrupção. A segunda: existe viés tendencioso em bolsões do Ministério Público Federal. As duas realidades ficaram farta e definitivamente demonstradas na decisão da ministra Laurinda Vaz de mandar o factoide ministerial para o arquivo morto.

Quando o jornal o Globo trouxe à tona o inquérito aberto pela subprocuradora geral da República, Lindôra Araújo levantando a suspeita de que a Secretaria de Segurança Pública havia comprado combustível em excesso e superfaturado para helicópteros do GTA, e apontando o governador Flávio Dino como responsável direto pelo suposto desvio, ganhou forma outra suspeita, a de que a denúncia era fajuta. Primeiro porque não veio à tona qualquer dado, número ou decisão que fundamentasse a tal suspeita. Além disso, o Governo agiu rápido e mostrou que, ao contrário do que dizia a peça acusatória, nada houve de irregular nas compras de combustíveis para as aeronaves do Estado.

Além de derrubar a suspeita com informações corretas e explicações convincentes, o governador Flávio Dino bateu forte no que apontou como armação política destinada a prejudicá-lo. O governador desafiou a subprocuradora geral da República a confirmar e comprovar a acusação, e bateu às portas do Supremo Tribunal Federal contra o factoide gestado na PGR destinado a atingi-lo moral e politicamente. Foi ouvido pelo STF.

A ministra Laurinda Vaz, relatora do processo, rejeitou a primeira versão da subprocuradora geral da República, exatamente porque nenhuma prova ou argumento fundamentou a denúncia, levando-a a conceder mais três meses para novas investigações. Passado o prazo, a situação foi a mesma: nada de compra excessiva e nenhum indício de superfaturamento. Ou seja, a denúncia ganhou a forma de um tremendo factoide, o que levou a própria subprocuradora geral da República Lindôra Araújo a sugerir ao STJ que arquivasse o inquérito. Determinado pela ministra Laurinda Vaz, o arquivamento se deu ontem, colocando um ponto final no imbróglio gerado pela PGR.

 

Wellington do Curso pede arrego ao comando do PSDB e ganha tempo para definir rumo

Wellington do Curso

O deputado Wellington do Curso está determinado a não sair com as mãos abanando do episódio em que teve sua candidatura à Prefeitura de São Luís rifada pelo comando estadual do PSDB. Inconformado com o fato de não ser o candidato do ninho municipal à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), e por ter sido perdido a legenda em razão de um acordo dos chefes tucanos com o candidato do Podemos, Eduardo Braide, Wellington do Curso decidiu levar a encrenca aos chefes nacionais do ninho, apostando numa ordem que lhe devolva a vaga de candidato.  O parlamentar sabe que dificilmente o comando nacional dos tucanos deixará de dar razão ao senador Roberto Rocha para lhe atender. Mas sabe também que se conformar sem fazer zoada seria uma demonstração de fraqueza, uma atitude por meio da qual admitiria que Roberto Rocha está certo puxar-lhe o tapete para entregar o PSDB de São Luís a Eduardo Braide, o favorito entre os candidatos. Agindo assim, constrói e consolida a condição de vítima de um golpe, e ganha tempo para encontrar um rumo nessa corrida às urnas.

São Luís, 11 de Setembro de 2020.

Corrida às urnas: seis casos de sucesso, sobrevivência e fracasso de prefeitos com direito de pleitear reeleição

 

Fábio Gentil, Luciano Genésio e Hilton Gonçalo vão confiantes tentar a reeleição, enquanto Eudes Sampaio, Assis Ramos e Francisco Nagib vivem situações diferentes

As eleições deste ano mostrarão com nitidez sucesso e fracasso de administrações cujos comandantes estão em busca da reeleição. Seis casos relacionados com grandes municípios são exemplo do que estão sendo gestões bem-sucedidas, administrações colocadas em xeque e projeto político-administrativo que finda como fracasso retumbante. O dado mais curioso é que tais situações mostram que os bons e os maus resultados administrativos e, por desdobramento, os sucessos e os fracassos dos gestores, independem de partido, como também de grupo político. Os exemplos estão em Caxias, governada por Fábio Gentil (Republicanos); Pinheiro, que tem no comando Luciano Genésio (PP); Santa Rita, liderada por Hilton Gonçalo (Podemos), São José de Ribamar, que tem à frente Eudes Sampaio (PTB), Imperatriz, administrada por Assis Ramos (DEM), e Codó, gerida por Francisco Nagib (PDT). Todos surgidos da nova geração de políticos e eleitos em 2016 com expressivas votações e com a certeza dos eleitores de que eles fariam transformações que dariam novos rumos aos seus municípios.

Caxias é um exemplo de uma gestão de bons resultados. Comandada por Fábio Gentil (Republicanos), um político ainda jovem e com um histórico de vários mandatos de vereador, a cidade, que é a quarta maior do Maranhão, mas com um peso político diferenciado, ganhou forte impulso nos últimos 36 meses. É hoje uma cidade limpa, bem organizada, com áreas de lazer atraentes, uma rede escolar que funciona e uma estrutura de saúde adequada. A Prefeitura de Caxias vem cumprindo corretamente seus compromissos, por exemplo, pagando rigorosamente seus servidores em dia. E, pelo menos até aqui, não se tem notícia de atos de corrupção ou desvios administrativos. Sofreu a perda do pai e mentor, o deputado José Gentil (Republicanos), mas não perdeu o eixo. O resultado: todas as pesquisas feitas até aqui indicam que o prefeito Fábio Gentil caminha seguro para a reeleição.

Outro exemplo de gestão eficiente está em Pinheiro. Ali, depois de um período inicial de desconfiança de observadores, que temiam forte interferência do pai, o ex-prefeito José Genésio, o prefeito Luciano Genésio mostrou quem mandaria na sua administração, surpreendendo com um comando forte e livre de influências. Além disso, vem fazendo uma gestão eficiente, com todos os serviços funcionando a contento, e desde fevereiro do ano passado com o apoio da mulher, a deputada estadual Thaíza Hortegal (PP). Mesmo enfrentando adversários fortes, Luciano Genésio caminha com firmeza para a reeleição, segundo pesquisas divulgadas até agora.

Eleito em 2016 com maioria esmagadora de votos, o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Republicano), atendeu nesse mandato às expectativas dos seus eleitores. Fez uma gestão produtiva e eficiente, reafirmando a linha de ação de sua passagem anterior pelo comando da cidade. Todas as informações que circularam nos últimos tempos dão conta de que, apesar de alguns rumores de desvios – que não o envolvem diretamente -, sua popularidade no município é excepcional. Ninguém duvida da sua reeleição, tudo indicando que seu maior desafio será renovar o mandato da sua mulher, Fernanda Gonçalo (PMN), na vizinha Prefeitura de Bacabeira.

São José de Ribamar é palco de uma situação diferenciada. Catapultado para o cargo pela renúncia do então prefeito Luís Fernando Silva, de quem era vice, Eudes Sampaio (PTB) vem realizando uma gestão tida como ativa e correta, chegou a liderar a corrida sucessória, mas apesar dos bons resultados administrativos, corre o risco de ser atropelado. O diferencial da situação de Eudes Sampaio é que ele está atrelado a Luís Fernando Silva e sua reeleição parece depender do prestígio do ex-prefeito. É caso curioso que uma reeleição dependa de um complicado jogo de xadrez que envolve três ex-prefeitos, o próprio Luís Fernando Silva, o hoje deputado federal Gil Cutrim (PDT) e o médico Júlio Matos (PL).

É complicada a situação do prefeito de Imperatriz, Assis Ramos (DEM). Eleito em 2016 como um fenômeno, tendo deixado para trás poderosos como o ex-prefeito Ildon Marques, o delegado de Polícia Assis Ramos, um outsider que só havia gerido delegacias, encalacrou-se no comando da segunda maior cidade do Maranhão. Na avaliação de observadores isentos, sua gestão não é uma tragédia em andamento, mas também não pode ser considerada um exemplo de sucesso. Por conta da situação que ele próprio criou com o seu desempenho, Assis Ramos está no jogo, briga pela reeleição, mas enfrenta adversários muito fortes, como o deputado Marco Aurélio (PCdoB) e os ex-prefeitos Ildon Marques (PP) e Sebastião Madeira PSDB). Poucos apostam alto na sua reeleição.

De todos os prefeitos eleitos em 2016 e agora com direito de buscar a reeleição, o caso mais surpreendente é o do prefeito de Codó, Francisco Nagib (PDT), que simplesmente anunciou que não tentará renovar o mandato. Não se trata de saúde – ele é jovem e saudável -, nem de força maior no âmbito familiar ou coisa parecida. Sua desistência ocorre porque sua gestão, que tinha tudo para dar certo, foi um fracassou, produzindo a pior das consequências políticas, a rejeição. Provavelmente vítima da inexperiência, ficou sem condições de reverter o cenário desfavorável, sendo obrigado a passar o boné para uma raposa aliada, o ex-prefeito e atual deputado estadual Zito Rolim (PDT), que vai para a disputa com o argumento de duas gestões bem-sucedidas.

Vale lembrar que as eleições ocorrerão daqui a pouco mais de dois meses, tempo suficiente para muita coisa mudar. Afinal, nunca é demais lembrar que na política do Maranhão, aqui e ali boi ainda voa, às vezes de asa quebrada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Aumento do números de policiais candidatos preocupa analistas

Cabo Campos, um caso de policial que não deu certo na política no Maranhão

Levantamento divulgado domingo pelo jornal O Globo mostra um expressivo aumento do número de policiais civis e militares que serão candidatos a prefeito e a vereador nas eleições municipais deste ano. No Maranhão, 31 se licenciaram dos quartéis e delegacias para enfrentar as urnas – número nada menos que quase 100% maior do que o do pleito de 2016, quando 16 de candidataram. Tanto quanto pelo crescimento da participação de policiais na política, o levantamento surpreendeu pela reação de líderes de entidades representativas de policiais, que não esconderam o fato de que tais segmentos estão estimulando tal participação com o objetivo de “empoderar” a categoria, reforçando meios de “lutar por seus direitos”.

Diante dos números de todo o País, analistas políticos importantes chamaram a atenção para o risco da politização da polícia, uma instituição de Estado que pode cometer distorções funcionais se motivada por estímulos políticos, partidários e ideológicos. Alguns observam que nenhum País do primeiro mundo, a começar pelos Estados Unidos, é permitida essa participação a policiais.

Por conta do crescente número de policiais envolvido em política já está sendo articulado no Congresso Nacional um movimento no sentido de estender a policiais a regra que hoje obriga juízes, desembargadores, ministros de tribunais superiores e membros do Ministério Público a se demitir para poder se candidatar, sem direito a readmissão sendo ou não eleito. O argumento é simples: se a membros de outras carreiras de Estado, como magistratura e Ministério Público, é imposta a demissão para permitir filiação partidária e candidatura, a regra tem de valer para policiais civis e militares.

No Maranhão, o caso mais recente de eleição de um policial foi o do Cabo Campos. Ele chegou à Assembleia Legislativa na esteira de uma ativa e barulhenta militância corporativa, tendo sido um dos líderes da greve da Polícia Militar que sacudiu o Brasil e agitou o Maranhão em 2013. Mas, como parlamentar, frustrou todas as expectativas e foi duramente reprovado nas urnas em 2018.

Continua a ciranda dos candidatos para definir companheiros de chapa em São Luís

Quase definido o quadro de candidatos a vice-prefeito em São Luís. Hoje, o candidato do DEM, Neto Evangelista, comandará um ato na sede do seu aliado PDT, para anunciar o seu companheiro de chapa, que será apontado pelo chefe pedetista senador Weverton Rocha. Já Rubens Júnior (PCdoB) deve apresentar o vereador Honorato Fernandes como seu vice, o que ocorrerá no dia seguinte à convenção do PT, marcada para o dia 13, Domingo, na qual o partido referendará a aliança e o seu representante na chapa. Restam ainda sem vice Eduardo Braide (Podemos), Bira do Pindaré (PSB), Yglésio Moises (PROS) e Hertz Dias (PSTU).

São Luís, 10 de Setembro de 2020.

Especial: Cinco livros essenciais para que os jovens candidatos a prefeito conheçam a história e a alma de São Luís

 

Rua Portugal, uma das artérias mais fortes do coração da antiga cidade de São Luís

São Luís completa hoje 408 anos e, por causa de nova eleição para prefeito, encontra-se no epicentro de mais um debate sobre seu futuro. De 1612 para cá, foi vila, empório comercial, sede do ambicioso projeto de dominação pela Companhia das Índias Ocidentais, amargou a condição de bastião de uma disputa sangrenta de portugueses, franceses e holandeses, foi invadida, reagiu a invasões, foi explorada por um mercenário inglês, resistiu à independência, serviu como trampolim para norte-americanos chegarem à Europa, tendo sido também palco das suas próprias guerras, como, por exemplo, índios contra invasores, a revolta de Bequimão e as greves de 51 e de 79. Desde o desembarque do francês Daniel de la Touche, se passaram 149 mil dias, ao longo dos quais ela foi se erguendo, ganhando forma física, estatura política e personalidade cultural, tornando-se um incomum pedaço urbano do mundo composto de um precioso acervo da arquitetura colonial portuguesa, que lhe valeu o título de Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. Hoje, São Luís é uma metrópole de 1,2 milhão de habitantes, com muitos problemas, mas avançando na construção de uma feição moderna. Ao mesmo tempo, luta tenazmente para cuidar da sua alma e conservar os traços da sua personalidade nas raízes profundas e firmes da sua feição urbana.

Eduardo Braide (Podemos), Duarte Júnior (Republicanos), Neto Evangelista (DEM), Rubens Júnior (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB), Adriano Sarney (PV), Jeisael Marx (Rede), Carlos Madeira (SD), Yglésio Moises (PROS), Franklin Douglas (PSOL) e Hertz Dias (PSTU), que disputam o privilégio de comandá-la, representam uma novíssima geração, e que, mesmo preparados e bem-intencionados, precisam ter compreensão consistente do que a urbe ludovicense representa em história, cultura e tradição. Precisam consolidar a consciência de que, sem o centro velho, São Luís perde sua identidade, seus valores, sua personalidade, enfim, sua razão de ser. Cinco documentos guardam informações preciosas, oportunas e definitivas para a formação dessa consciência: “São Luís, Ilha do Maranhão e Alcântara”, “Urbanidade do Sobrado”, “Rua Grande, Um Passeio no Tempo”, “Caminhos de São Luís”, “ São Luís 400 Anos”. É provável que os aspirantes ao Palácio de la Ravardière já tenham mergulhado nessas páginas, ou em parte delas, mas, se não o fizeram, que deem um jeito de ajustar as suas agendas e encontrar tempo para, pelo menos, uma passada d`olhos em cada um deles, com a certeza de que tais leituras os deixarão, pelo menos, bem mais ricos em cultura ludovicense.

“São Luís, Ilha do Maranhão e Alcântara” é um guia bilíngue de arquitetura e paisagem, mesclado com informações históricas preciosas sobre a cidade, editado em 2008 pela Prefeitura de São Luís, no final da gestão Tadeu Palácio, fruto de um acordo com a Agência Espanhola de Cooperação Internacional, por meio da Junta de Andaluzia, com a negociação do Ministério dos Transportes no Governo Lula da Silva. O guia de São Luís foi o quinto de uma seleção internacional que incluiu cidades históricas de importância capital no continente americano: Havana (Cuba) Cidade do Panamá (Panamá), Morelia (México) e Potosi (Bolívia). Trata-se de um documento excepcionalmente rico em informações e imagens, resultado de uma pesquisa ampla e profunda, realizada por especialistas, que mostram a cidade em toda a sua grandeza histórica, arquitetônica e cultural. Entre os muitos dados especiais, os croquis em nanquim dos casarões ilustram páginas excepcionais. Se nada tivesse feito pela memória da cidade, a edição desse guia já colocaria o prefeito Tadeu Palácio num lugar honrado da memória ludovicense.

Urbanidade do Sobrado – Um estudo sobre a Arquitetura do Sobrado de São Luís” é um documento excepcional sobre a feição urbana ludovicense. Para começar, trata-se de uma tese de mestrado do arquiteto Francisco Fuzzetti de Viveiros Filho, ninguém menos do que o genial compositor Chico Maranhão. Com a sensibilidade de poeta que se move pela música, Chico Maranhão conseguiu dar leveza e fluência ao que normalmente seria um texto seco, rigorosamente técnico, destinado a especialistas. Sem fugir às regras do academicismo, Chico Maranhão explora a estrutura física, em suas formas, entranhas e feições, os pilares, os mirantes, os portais, as bandeiras, as grades e a divisão social, econômica e política dos sobrados da São Luís histórica. O livro é ricamente ilustrado com imagens fotográficas e desenhos, formando um precioso conjunto de informações sobre a São Luís antiga. E fecha com um brinde: letras com partituras de dois poemas-odes musicados de Chico Maranhão sobre o tema: a canção “Sobrados e Trapiches”, na qual afirma que o primeiro é de prata (barata) e o segundo pé de ouro (besouro); e “Sobrado”, um samba genial que começa sugerindo ao sobrado vivo caído na rua, carregando a lua como um estivador, e que fez Graça Aranha nas suas entranhas se entristecer, que reaja dando compasso nessa arquitetura e fale com os românticos Odorico Mendes, Celso Magalhães e Sotero dos Reis. Sugestão: ler o livro ouvindo a música superior de Chico Maranhão.

Caminhos de São Luís” é uma obra do pesquisador Carlos de Lima, ludovicense de raiz e apaixonado pela cidade. Com uma linguagem elegante, uma boa dose de bom humor e um viés crítico duro, mas sem qualquer traço de crueldade, ele identifica, revela e traduz avenidas, ruas, becos, praças e prédios ainda de pé, herdados da impagável São Luís de outros tempos. À medida que os vai identificando, resgata a história e explica a origem do nome, mostrando, umas vezes com fina ironia, outras com acidez crítica, as trocas de identidade, feita ao sabor das conveniências políticas. A atual Praça da Misericórdia, por exemplo, já foi rebatizada inúmeras vezes e hoje se chama Praça Conselheiro Silva Maia, sendo que ninguém a reconhece como tal. Uma boa leitura para quem aspira e necessita conhecer as reentrâncias da São Luís tradicional.

Rua Grande – Um Passeio no Tempo”, editado em 1992 pela Prefeitura de São Luís, na primeira gestão do prefeito Jackson Lago (PDT), é um resgate especialíssimo da história da mais importante e tradicional artéria de São Luís. Com genial apresentação do pesquisador Carlos de Lima, que resgata fatos e situações impagáveis da São Luís da primeira metade do século passado, a obra tem por base um bem apurado e fundamentado texto de Paulo Melo Souza sobre a história e a importância do antigo Caminho Grande, que acabou se tornando o principal corredor comercial da Capital. Em formato de álbum, o livro é ricamente ilustrado com fotografias de época, parte delas mostrando fachadas e interiores de antigas residências, e espaços comerciais consagrados, como a Farmácia Garrido, que fez época na cidade e ainda se mantém, e a Mercearia Luzitana, que deu origem à rede se Supermercados Lusitana. Trata-se de um documento da maior importância para o conhecimento do futuro gestor, mesmo que ele receba a cidade com a Rua Grande reformada e perfeitamente situada no século XXI.

A quinta sugestão de leitura aos aspirantes a prefeito é “São Luís 400 Anos”, publicado como encarte do jornal O Estado do Maranhão na edição de 2012. Trata-se do mais completo retrato jornalístico de São Luís publicado até hoje. Produzido inteiramente pela equipe de jornalistas de O Estado, suas 336 páginas reúnem registros da história política, social, econômica, cultural e urbanística da Capital do Maranhão, enriquecidos por um material fotográfico adequado, mostrando a cidade de ontem, de hoje e do futuro. O material ganha força com textos opinativos de escritores, poetas e colaboradores adoradores da cidade, formando uma densa teia de informações, reflexões, preocupações e declarações de amor a ela, como a de José Sarney: “O que posso te dizer nesta data? A reafirmação do meu amor de sempre. Milhões de flores, milênios de beijos e no futuro infinito ser um grão de pó do seu solo numa paixão vulcânica”.

Se já beberam nessas fontes, os jovens candidatos a prefeito de São Luís já conhecem um pouco da alma dessa senhora que já exibe as marcas do tempo, e saberão que ela precisa de cuidados tanto quanto a cidade nova e os bolsões que a rodeiam. Se não beberam, cuidem de arranjar algum tempo para fazê-lo. De preferência ouvindo “Sobrado”, de Chico Maranhão, no seu disco integralmente genial “Contradições”.

São Luís, 8 de Setembro de 2020.

Eduardo Braide, Neto Evangelista e Rubens Júnior buscam acordos para escolha de vices

 

Adriano Sarney e Vall Nascimento, Janiselma Fernandes e Jeisael Marx, Carlos Madeira e Jeremias Fernandes e Franklin Douglas e Ribamar Arouche: chapas “puro sangue”

Os candidatos à Prefeitura de São Luís caminham para uma decisão crucial para consolidar sua caminhada em direção às urnas: a escolha dos candidatos à vice. Para boa parte dos que estão no jogo, com chance remota ou nenhuma de chegar ao Palácio de la Ravardière, são escolhas sem maiores dificuldades, tanto que algumas já foram definidas. Já para os candidatos que estão efetivamente na disputa, cada um com possibilidade real de sair das urnas autorizado a assumir o comando e os destinos da máquina administrativa da Capital, a escolha do companheiro de chapa pode turbinar ou inibir o projeto. Eduard Braide (Podemos), Neto Evangelista (DEM) e Rubens Júnior (PCdoB), cada um tem o desafio de escolher o vice que some política e eleitoralmente, a exemplo de Duarte Júnior (Republicanos), que já fez sua escolha, indicada pelo PL, seu parceiro na coligação. Os bastidores estão fervendo por causa desse item, reforçando a certeza de que não podem fazer escolhas equivocadas, sob pena de pagar caro nas urnas.

No primeiro momento, candidatos que parecem não ter lastro para brigar pela ponta, daí porque não encontraram parceiros para coligar, montaram as chamadas chapas “puro sangue”. O candidato do PV, Adriano Sarney, realizou convenção na semana passada e escolheu como vice a fisioterapeuta e lutadora de judô e jiujitsu Vall Nascimento, que milita na causa ambientalista, mas sem suporte político e eleitoral. O candidato do Rede, Jeisael Marx, também sem parceiro partidário, consolidou sua candidatura com solução doméstica: Janiselma Fernandes, uma pedagoga conhecida e que tem no currículo a presidência do Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente. E Carlos Madeira, candidato do Solidariedade, escolheu para vice o jovem capitão-bombeiro Jeremias Fernandes, membro do partido e atuante em comunidades da região Itaqui-Bacanga. Franklin Douglas (PSOL) já definiu o militante José Ribamar Arouche, um dos fundadores do partido, como seu companheiro de chapa.

Entre os candidatos com força para disputar, o único que tem candidato à vice é Duarte Júnior, que deve formalizar a advogada Fabiana Vilar, presidente do PL de São Luís, indicada pelo chefe maior do partido no Maranhão, Josimar de Maranhãozinho, que declarou apoio ao candidato do Republicanos depois de retirar a inviável pré-candidatura de Detinha (PL). Dos outros seis candidatos, Bira do Pindaré (PSB), Yglésio Moises (PROS) e Hertz Dias (PSTU), por não terem aliados para coligações, completarão suas chapas com membros dos seus partidos.

Eduardo Braide tem dois caminhos para escolher seu vice. Ele teria um acordo com o deputado federal Aluísio Mendes, que lhe entregou o Podemos e ingressou no PSC. No jogo das compensações, teriam acordado que o vice seria do PSC. Por outro lado, o PSDB vai cobrar o preço de rifar a pré-candidatura de Wellington do Curso para apoiar o candidato do Podemos indicando-lhe o vice. Nesse jogo de cartas marcadas envolvendo Aluísio Mendes e o senador Roberto Rocha, alguém tem de ceder. O candidato do PCdoB, Rubens Júnior, não terá maiores problemas para definir seu vice. Corre nos bastidores que o Cidadania, comandado pela senadora Eliziane Gama, estaria reivindicando a vaga. Mas o que todos dão como certo é que o candidato a vice de Rubens Júnior será o vereador Honorato Fernandes, a ser anunciado no momento em que o PT ludovicense se desvencilhar do jogo da cúpula nacional e declarar apoio ao candidato do PCdoB.

Tudo indica que a escolha mais complicada é a do vice do candidato do DEM, Neto Evangelista. A lógica sugere com clareza que a vaga seja preenchida com uma indicação do PDT, a começar uma vez que o senador Weverton Rocha é o principal fiador da aliança com o DEM, e pelo fato de seu partido ser o mais enraizado nas entranhas políticas da Capital. Há, porém, rumores de que o PSL estaria tentando inverter a lógica com a pretensão de indicar o vice. Mas o que todas as evidências indicam é que o vice será mesmo do PDT, ainda não definido, mas na hora certa Weverton Rocha sacará o nome do bolso do colete e complementará a chapa.

Os líderes partidários e os candidatos desse time têm ainda um mês para fechar esses acordos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lobão Filho no PSL: o que poderia ter sido uma festa acabou como um imbróglio incômodo

Lobão Filho e Chico Carvalho: em vez de uma a,liança forte, um mal-estar incômodo pelo comando do PSL

O que parecia uma espécie de volta por cima, depois da dura derrota que sofreu em 2014 na disputa do Governo do Estado com Flávio Dino e da não renovação do mandato do senador Edison Lobão (MDB) em 2018, o anúncio de que o empresário e ex-suplente de senador, Lobão Filho, se filiaria ao PSL e assumiria o comando do partido no Maranhão, atendendo a convite do comando nacional, acabou se transformando num imbróglio incômodo. No epicentro do mal-estar o presidente do partido no Maranhão há mais de uma década, vereador Chico Carvalho, uma raposa tarimbada, que conhece como poucos as entranhas do mundo político e as nuanças e armadilhas da ciranda partidária, sobrevivente a algumas tentativas de tomar-lhe as rédeas do braço maranhense da agremiação.

A notícia de que Lobão Filho assumiria o comando do PSL no Maranhão surpreendeu, não pelo fato em si, mas pela facilidade com que Chico Carvalho fora convencido de abrir mão do poder de fogo que o comando do partido lhe dá no estado. No ano passado, quando a família Bolsonaro, de olho nos milhões que o PSL recebe do Fundo Partidário e receberá do Fundo Eleitoral, decidiu dar um golpe e apear da presidência o seu fundador, deputado federal Luciano Bivar (PE), bolsonaristas maranhenses, certo de que se dariam bem, fizeram um cerco a Chico Carvalho, quase que o obrigando a deixar o comando do partido. Raposa de faro apurado e amigo de Luciano Bivar, Chico Carvalho se fez de derrotado, agiu nos bastidores e com uma só rasteira derrubou a ex-prefeita Maura Jorge e o médico Alan Garcez, mantendo-se firme no comando partidário.

Agora, segundo relato do próprio Lobão Filho, teria havido uma conversa com Chico Carvalho, que teria aceitado passar o comando estadual do partido para o ex-suplente de senador, contentando-se com o controle da legenda em São Luís. Só que horas depois da tal conversa, Chico Carvalho declarou que não teria havido tal acordo e que só pretende deixar o partido em abril do ano que vem, quando seu mandato presidencial se encerrar. A reação de Chico Carvalho foi bombástica, deixou Lobão Filho numa situação incômoda, obrigando-o a divulgar nota reafirmando as informações da reunião, entornando ainda mais o caldo. O disse-não-disse, que parece ter sido criado por uma cadeia ganhou ecos e, ao que parece, produziu o risco de a operação não se consumar.

Com o comando do PSL, Lobão Filho pretende voltar à política, agora distanciado do Grupo Sarney, e disputar uma vaga na Câmara Federal em 2022. Pelo jeito, terá de iniciar tudo de novo, amarrar um acordo com Chico Carvalho, pois já declarou que não pretende tomar o comando do PSL do Maranhão a partir de uma intervenção traumática.

 

Disputa dura em Imperatriz, S. J. de Ribamar, Timon e Paço do Lumiar e sinal de reeleição em Caxias

 

A corrida sucessória começa a se definir nos cinco maiores municípios maranhenses além da Capital. Em quatro, há disputas renhidas, com desfechos imprevisíveis, e em um, todos os sinais indicam o caminho da reeleição.

Em Imperatriz não há favoritismo largo entre o prefeito Assis Ramos (DEM), o deputado Marco Aurélio (PCdoB), o ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB) e o também ex-prefeito Ildon Marques (PP). Para quem conhece bem os humores eleitorais da Princesa do Tocantins, as avaliações só terão sentido quando houver certeza quanto à elegibilidade de Ildon Marques.

Em São José de Ribamar, depois da entrada atropeladora do ex-prefeito Júlio Matos (PSDB), esmagando a vantagem inicial do prefeito Eudes Sampaio (PTB), o cenário começa a sofrer uma lenta, mas evidente, reviravolta, que se dá com a entrada para valer do ex-prefeito Luís Fernando Silva na campanha do prefeito e do senador Weverton Rocha incentivando o candidato do PDT num projeto que envolve sua candidatura do Governo do Estado em 2022

Em Timon, ao contrário do que previam os observadores mais atentos, a candidatura do coronel/PM Hormann Schnneyder (Republicanos), vem mantendo largo favoritismo e recebendo apoios fortes, como o do PSDB – que ali é comandado pelo ex-deputado Alexandre Almeida, e do PROS, levado pelo ex-deputado federal Gastão Vieira em pessoa. Não será surpresa se o Grupo Leitoa, comandado pelo prefeito Luciano Leitoa (PSB), e seu pai, o ex-prefeito Chico Leitoa (PDT), tomarem decisões surpreendentes nas próximas semanas. O ponto de equilíbrio em Timon está sendo a candidatura da ex-prefeita Socorro Waquim (MDB).

Em Caxias, apesar de muito zunzum, o prefeito Fábio Gentil (Republicanos) vai nadando de braçada na direção da reeleição, com larga vantagem sobre o adversário mais forte, o deputado estadual Adelmo Soares (PCdoB), que tem o apoio do Grupo Coutinho. Ali todas as apostas apontam o prefeito como favorito e sem risco de reviravolta.

A situação em Paço do Lumiar é rigorosamente indefinida e imprevisível. A prefeita Paula da Pindoba (Solidariedade), que não é nenhum gênio político, mas conhece como poucos as entranhas eleitorais do município, vai tentando consolidar eu projeto de reeleição.  Tem no seu encalço o candidato Fred Campos (PL), que ganha corpo turbinado pelo apoio do deputado Josimar de Maranhãozinho. No momento, o cenário é de completa indefinição, com muitos observadores acreditando que tudo vai depender da posição a ser adotada pelo prefeito afastado Domingos Dutra (PCdoB).

São Luís, 06 de Setembro de 2020.

Força de concorrentes e ataques de Wellington do Curso podem comprometer liderança de Eduardo Braide

Eduardo Braide: candidatura em momento crucial

Com o cenário da disputa pela Prefeitura de São Luís praticamente definido, as atenções se voltam para os movimentos por meio dos quais o candidato do Podemos, Eduardo Braide, pretende consolidar a sua liderança nas preferências do eleitorado, evitar a desidratação da sua base e administrar, com eficácia, os problemas que ameaçam a estabilidade do seu projeto, como a reação barulhenta do deputado Wellington do Curso à decisão do comando do PSDB de tirá-lo da disputa. Eduardo Braide se encontra num momento crucial da sua corrida ao Palácio de la Ravardière, a começar pelo fato de que, agora com suas situações políticas e partidárias resolvidas, seus principais oponentes – Duarte Júnior (Republicanos/PL/Avante/Patriotas), Neto Evangelista (DEM/PDT/PSL/MDB) e Rubens Júnior (PCdoB/Cidadania/PMB/DC e PT) -, estão se turbinando para melhorar seus desempenhos na corrida às urnas. Visto por todos os demais como o candidato a ser batido, Eduardo Braide encontra-se sob pressão e precisará de muita consistência para manter a liderança.

O candidato do Podemos sabe que, mesmo lhe sendo ainda muito favorável, o cenário de agora já não lhe permite liquidar a fatura em um só turno. Sabe também que, na hipótese de decisão em dois turnos, os dois candidatos entrarão com um jogo zerado. Se for um deles, como prevê a quase totalidade dos observadores, Eduardo Braide terá no embate final um adversário política e partidariamente poderoso, que provavelmente contará com nada menos que os fluídos dos Palácios de la Ravardière e dos Leões, soma de forças, portanto, para ninguém botar defeito. A seu favor, o candidato do Podemos terá pouco mais do que o mesmo suporte do primeiro turno, como o apoio do PSDB, por exemplo, hoje motivo de um zoadento protesto do deputado Wellington do Curso.

Além dos apoios políticos e partidários, o candidato do Podemos tem a seu favor nada menos que 150 mil votos que recebeu na Capital, de um total de 189 mil que amealhou em 2018, e que fizeram dele o segundo mais votado para a Câmara Federal, só perdendo para Josimar de Maranhãozinho. Salvo alguns aliados – como o senador Roberto Rocha (PSDB) e os deputados federais Aluísio Mendes (PSC) e Edilázio Júnior (PSD) -, Eduardo Braide não lidera um grupo expressivo e só conta com o próprio taco, o que o torna um concorrente ao mesmo tempo forte e imprevisível, que pode reverter a tendência de queda e liquidar a eleição em turno único, chegar ao segundo turno exaurido, ou ser alcançado pelo improvável, que seria não chegar ao turno final. Daí as suas cautelas, a estratégia de se preservar e de evitar bolas divididas.

Político racional, que decide seus passos com frieza lógica, calculando cuidadosamente o alcance e o objetivo dos seus movimentos, não se deixando dominar pela emoção, Eduardo Braide tem clareza suficiente para saber que a eleição não está decidida. Todas as avaliações feitas até agora indicam que ele será um dos que desembarcarão no segundo turno. Ao mesmo tempo, os dois meses e meio que faltam para a corrida às urnas é tempo suficiente para mudar qualquer cenário de corrida eleitoral, o que exigirá dele um desempenho excepcional para confirmar essa tendência no dia 15 de Novembro, quando os mais de 600 mil eleitores da Capital irão às urnas. Isso porque, como acontece em qualquer disputa com mais de dois candidatos, o favorito sempre vira alvo preferencial.

O imbróglio causado pelo arquivamento compulsório, pela cúpula do PSDB, da candidatura de Wellington do Curso, de modo a levar o partido a aliar-se ao Podemos e apoiar sua candidatura, se transformou numa incômoda fonte de desgaste para Eduardo Braide, que o obrigou a se manifestar publicamente sobre o assunto, se defendendo da acusação e dando explicações que, em princípio, teriam de ser dadas pelo presidente do PSDB, senador Roberto Rocha. Decidido a não sair no prejuízo, Wellington do Curso se mantém no ataque, acusando-o de traição. Tudo que o candidato do Podemos não precisa nesse momento.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Carlos Madeira não lamenta falta de aliança e reafirma que está “mais firme do que nunca”

Carlos Madeira: candidatura firme

O candidato do Solidariedade à Prefeitura de São Luís, Carlos Madeira, não se deixou abater pelo fato de que seu partido não conseguiu um aliado para se coligar, obrigando-o a liderar chapa “puro sangue”. Ele minimizou o fato dizendo que a grande aliança “é com o povo”. E declarando que o seu projeto político-eleitoral está “mais firme do que nunca”, e que sua motivação aumenta a cada dia, o candidato do SD acha que vai sair do bloco dos menos posicionados nas preferências do eleitorado. Carlos Madeira acredita piamente que as próximas pesquisas informarão que ele está avançando, otimismo que não é compartilhado por aliados e simpatizantes da sua candidatura. Há, por outro lado, largo entendimento de que, mesmo sendo um estreante tardio na seara política e eleitoral, ele está preparado para o embate direto com seus oponentes e tem um discurso consistente, até porque é o único candidato que já tem um plano de governo detalhado.

 

Candidatos buscam “bênção” no Palácio Episcopal de São Luís

Palácio Episcopal: no roteiro doscandidatos 

Boa parte dos candidatos à Prefeitura de São Luís já bateu às portas do Palácio Episcopal para pedir as bênçãos do arcebispo Dom José Belizário. Muitos dirigentes e sacerdotes simpatizam com a esquerda moderada, tendo apoiado a corrente cristã do petismo, liderada durante muito tempo por Helena Heluy, e por grupos cristãos socialistas, que foram liderados por Juarez Medeiros e Conceição Andrade – os três se elegeram deputados estaduais com essa base de apoio. Agora, a corrente mais influente no universo católico de São Luís é liderada pela deputada Helena Duailibe e seu marido, o vereador Afonso Manoel Ferreira, ambos do Solidariedade, e que religiosamente militam na linha de frente do Movimento Carismático.

São Luís, 03 de Setembro de 2020.

São Luís tem dois grupos de candidaturas, as que disputam para valer e as que lutam para disputar

 

Sob o olhar de La Ravardière: Eduardo Braide, Duarte Júnior, Neto Evangelista, Bira do Pindaré e Rubens Júnior estão na disputa; Adriano Sarney, Carlos Madeira, Jeisael Marx, Yglésio Moises, Franklin Douglas e Hertz Dias se movem para entrar na disputa pela Prefeitura de SL

Falta apenas o PT oficializar o “sim” ao PCdoB em apoio a Rubens Júnior para que o quadro de candidatos à Prefeitura de São Luís e as alianças possíveis sejam confirmados para o que será uma disputa que produzirá outros desdobramentos além da eleição do novo prefeito da Capital. O que foi montado pelos partidos criou dois cenários na arena eleitoral ludovicense. O primeiro é formado por candidatos que vão realmente disputar a sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) – Eduardo Braide (Podemos/PSC/PDS), Duarte Júnior (Republicanos/PL/Avante/Patriotas), Neto Evangelista (DEM/PDT/PSL/MDB), Bira do Pindaré (PSB) e Rubens Júnior (PCdoB/PT/Cidadania/PMB/DC). No outro estão os candidatos que fazem força para entrar no primeiro cenário – Adriano Sarney (PV), Carlos Madeira (Solidariedade), Jeisael Marx (Rede), Yglésio Moises (PROS), Franklin Douglas (PSOL) e Hertz Dias (PSTU). Esse desenho dificilmente sofrerá mudanças, mas como toda situação política guarda uma dose de imprevisibilidade, a prudência recomenda cautela nos prognósticos, principalmente no que diz respeito ao primeiro time.

Eduardo Braide continua líder na preferência do eleitorado, mas a julgar pelo que cantaram as pesquisas até aqui e pelo poder de fogo político e partidário dos outros candidatos do primeiro cenário, faz sentido arriscar a previsão de que essa será uma eleição de dois turnos. Nos bastidores, analistas experientes se mostram convencidos desse roteiro e fazem esforços para identificar o oponente de Eduardo Braide para a rodada final. Os quatro do primeiro cenário estão distanciados por alguns percentuais, mas há diferenças importantes.

Duarte Júnior, por exemplo, tem sua faixa eleitoral, é inteligente, usa bem as redes sociais e tem potencial para crescer, mas lhe falta base política e partidária para fortalecer o seu projeto. O Republicanos tem força mediana, e o peso político do vice-governador Carlos Brandão, somado à estrutura do PL de Josimar de Maranhãozinho – que arquivou o projeto de candidatura da mulher, a deputada Detinha para apoiá-lo – podem lhe embalar a candidatura. Mas esse suporte se mostra limitado quando se avalia o poder de fogo dos demais. O futuro na sua candidatura dependerá basicamente do desempenho do próprio candidato.

Até agora, o candidato mais turbinado política e partidariamente é Neto Evangelista. Além do DEM, sua base conta com o PDT, que é o maior, mais influente mais ramificado partido de São Luís, comandado pelo senador Weverton Rocha, com o PSL, que também tem força na seara ludovicense, e agora com o MDB, que tem poder de fogo na Capital. Não bastasse isso, Neto Evangelista terá, de longe, o maior tempo no rádio e na TV, garantido pela soma dos tempos dos partidos que o apoiam. Essa soma de ingredientes o torna um candidato que pode deslanchar.

No mesmo patamar, Rubens Júnior irá para a campanha com um suporte partidário poderoso: o PCdoB que tem a marca do governador Flávio Dino, o PT que lhe dará o discurso do ex-presidente Lula da Silva e seus programas, o Cidadania que lhe assegurará a militância da senadora Eliziane Gama e seu grupo. A soma dos tempos dos três partidos e mais os segundos do PMB e do DC lhe garantirão espaço expressivo para uma campanha bem animada no rádio e na TV, combustível que também o torna um candidato altamente competitivo.

Bira do Pindaré é um candidato importante, que conhece as entranhas eleitorais de São Luís. Falta-lhe, a exemplo de Duarte Júnior, uma estrutura partidária que lhe assegure explorar a ramificação eleitoral do município. Seu partido, o PSB, vai com chapa pura, tempo de rádio e TV tímido, além de outras limitações de natureza política. Sem deixar de considerá-lo um candidato forte, que conta com uma militância fiel e aguerrida, parte dela do PT, Bira do Pindaré tem a estrutura mais tímida entre os candidatos, o que exigirá dele um desempenho excepcional.

Adriano Sarney (PV), Carlos Madeira (Solidariedade), Jeisael Marx (Rede), Yglésio Moises (PROS), Franklin Douglas (PSOL) e Hertz Dias (PSTU) têm suas virtudes, bons argumentos, excelentes propósitos, e principalmente muita vontade de ganhar o gabinete principal do Palácio de la Ravardière. Mas, a eleição do prefeito de São Luís se dá por uma liderança muito forte, exemplo de Jackson Lago (PDT) e João Castelo (PSDB), ou pelo ajuntamento de forças políticas e partidárias em torno do candidato, como ocorreu com Edivaldo Holanda Júnior em 2012 e 2016. Fora disso, só uma grande surpresa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Wellington do Curso baterá às portas da Justiça por vaga de candidato que não tinha

Emocionado, Wellington do Curso avisa que irá à Justiça contra cúpula tucana que lhe tirou a candidatura 

O deputado Wellington do Curso anunciou ontem, em discurso emocionado na Assembleia Legislativa, que baterá às portas da Justiça para obrigar o PSDB a devolver-lhe a vaga de candidato à Prefeitura de São Luís. O parlamentar, que perdeu a condição de pré-candidato há tempos, mas só se deu conta disso quando o senador Roberto Rocha, que manda no partido no estado, e outros tucanos emplumados do ninho maranhense passaram a declarar publicamente que a sua candidatura não existia, era fruto da sua imaginação, e que, por força de um acordo firmado em 2018, o partido apoiará a candidatura de Eduardo Braide (Podemos). O tiro de misericórdia veio na semana passada, quando os chefes tucanos anunciaram a decisão numa coletiva.

Se é, de fato, um político esclarecido, como sugere sua condição de professor, Wellington do Curso certamente sabe que não há como ele conseguir que a Justiça obrigue o partido a devolver-lhe uma coisa que não lhe foi oficialmente dada. Não há uma declaração pública enfática do senador Roberto Rocha apontando-o como candidato do PSDB à Prefeitura de São Luís, como também não há registro de qualquer ato do partido na mesma direção. Logo, dificilmente a Justiça lhe dará ouvidos.

O que aconteceu foi uma pancada do parlamentar. O PSDB poderia ter liquidado essa fatura num processo cuidadoso, que poderia até convencer o pretenso candidato a abrir a vaga para o aliado, que, pelo menos até aqui, tem chances reais de se eleger. O senador Roberto Rocha deixou o barco correr, apostando que Wellington do Curso cairia em si, mas perdeu o timing, deixando para dar a pancada já próximo das convenções. Violenta ou não, essa é uma decisão partidária, tomada com base na lógica segundo a qual o PSDB tem mais chances de se dar bem apoiando Eduardo Braide, indicando-lhe o vice, do que bancar a candidatura sem muito futuro de Wellington do Curso.

Sua indignação é justificada, mas a Justiça não é o caminho para resolver essa pendenga. Pendências partidárias se resolvem nas entranhas dos partidos e não no tapetão judicial.

 

Adriano Sarney vira candidato com chapa “puro sangue”

Adriano Sarney e Vall Nascimento na convenção do PV que formalizou candidatura

Adriano Sarney saiu na frente e oficializou sua candidatura à Prefeitura de São Luís, com chapa “puro sangue” do PV, tendo como vice a fisioterapeuta Vall Nascimento, militante verde que também é atleta praticante de judô e jiujitsu. Na convenção, realizada em ambiente aberto na sua sede, no Turu, na segunda-feira, o PV municipal formalizou também chapa com 40 candidatos a vereador.

Bem situado no segundo cenário das candidaturas à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), Adriano Sarney se jactou de comandar uma chapa “puro sangue”, quando, na verdade, essa decisão só foi tomada depois que ele foi descartado pelo MDB. O agora candidato do PV tentou obter o apoio emedebista, mas suas profundas diferenças com a ala jovem daquele partido inviabilizaram a aliança.

O candidato do PV sabe que, mesmo levando em conta a imprevisibilidade de uma guerra eleitoral, as suas chances de chegar ao Palácio de La Ravardière são remotas. Para ele – que conta com o apoio do pai, o ex-deputado federal Sarney Filho, hoje secretário do Meio Ambiente de Brasília -, no entanto, a corrida sucessória municipal é uma vitrine importante, que bem usada poderá, por exemplo, facilitar sua reeleição para a Assembleia Legislativa.

Para tanto, se esforça para ser convincente:  “Trago como diferencial o meu conhecimento como economista, administrador e quase 10 anos de carreira política independente. Faremos uma gestão sem amarrações políticas e com o olhar realmente voltado para resolver os problemas de São Luís ouvindo as pessoas estabelecendo prioridades e utilizando corretamente os recursos públicos”.

São Luís, 02 de Setembro de 2020.

MDB avalia cenário, ouve lideranças e decide apoiar Neto Evangelista para a Prefeitura de São Luís

 

Roseana Sarney e Neto Evangelista entre Hildo Rocha, Roberto Costa e João Marcelo à direita, e Assis Filho, Weverton Rocha e Juscelino Filho, à esquerda: escolha feita

 

O MDB fechou com o DEM e vai integrar, juntamente com o PDT e o PSL, a base partidária que dará sustentação à candidatura do deputado estadual democrata Neto Evangelista à Prefeitura de São Luís. A decisão foi tomada ontem, no final da manhã, e anunciada logo em seguida na residência da ex-governadora Roseana Sarney, com a presença do candidato, dos comandantes do DEM, deputado federal Juscelino Filho, e do PDT, senador Weverton Rocha, do vice-presidente e articulador do MDB, deputado estadual Roberto Costa, dos deputados federais emedebistas Hildo Rocha e João Marcelo, e do presidente nacional da Juventude do MDB, Assis Filho. O MDB estava oscilando entre o candidato do Solidariedade, Carlos Madeira, e Neto Evangelista. Uma série de movimentos feitos em São Luís e em Brasília levou o comando emedebista a se reunir na manhã de segunda-feira, avaliar o cenário e bater martelo, que favoreceu a aliança com DEM, PDT e PSL. Com a definição, a candidatura de Neto Evangelista se torna de vez um projeto politicamente robusto e eleitoralmente viável, colocando-o efetivamente na disputa pelo Palácio de la Ravardière.

A escolha foi o desfecho de uma ampla articulação que envolveu as lideranças locais e as nacionais do MDB e do DEM. Por uma série de fatores, Neto Evangelista já tinha a preferência do articulador emedebista Roberto Costa, mas mesmo assim o partido abriu diálogo com todos os pré-candidatos. Com exceção dos dois representantes da esquerda radical e, salvo engano, Detinha (PL), todos os demais pré-candidatos sinalizaram querendo o apoio do MDB. E isso se explica porque, com nova perspectiva, construída pela ala jovem que assumiu seus destinos, organizado, com boa estrutura, bom tempo de rádio e TV e lideranças como a ex-governadora Roseana Sarney e o ex-senador João Alberto, o MDB virou “noiva” muito cobiçada. Ao ganhar sua “mão”, o candidato do DEM ganha expressivo reforço.

A batida do martelo foi o desfecho de uma articulação ampla. Alguns fatores empurravam o MDB na direção do candidato do Solidariedade, Carlos Madeira, entre eles o de que poderia indicar o candidato a vice, o que se tornava inviável se o escolhido fosse Neto Evangelista, desde o início comprometido nesse fator com o PDT. Essa tendência mudou quando, numa articulação em Brasília, o chefe regional do DEM, deputado federal Juscelino Filho, acionou o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM/RJ), que se articulou com o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi (MDB/SP), formando um bloco de “pressão” a favor do apoio do MDB ao candidato do DEM. Com o aval dos deputados federais emedebistas Hildo Rocha e João Marcelo, Baleia Rossi e Rodrigo Maia conversaram com Roberto Costa e Roseana Sarney, conseguindo selar o acordo a favor do candidato do DEM.

O apoio do MDB transforma a candidatura de Neto Evangelista num projeto político e eleitoral reforçado, com cacife para enfrentar os demais “pesos pesados”, como Eduardo Braide (Podemos), Duarte Júnior (Republicanos), Rubens Júnior (PCdoB) e Bira do Pindaré (PSB), colocando-o definitivamente no patamar dos candidatos que estão, de fato, na disputa. E sem o peso de ter de escolher um vice, o partido terá dois focos: reunir seus eleitores em torno do candidato do DEM e direcionar esforços para embalar sua chapa de candidatos a vereador, apostando numa bancada de pelo menos três assentos na Câmara Municipal de São Luís.

Além das decisões tomadas para as eleições de Novembro, chama a atenção a guinada que o MDB vem dando desde que foi destroçado nas urnas em 2018. Sob a coordenação do seu vice-presidente, deputado Roberto Costa, que lidera ala jovem hoje no controle. Em um ano e meio, o MDB revisou sua postura, respirou novos ares, livrou-se das decisões imperiais e passou a ser um partido solto, com portas abertas ao diálogo, enfim, se renovando sem perder sua identidade nem renegar suas origens. Abriu caminho para saltos mais ousados nos próximos tempos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Antevendo o fracasso, Detinha sai da corrida em São Luís e declara apoio a Duarte Júnior

Detinha anuncia apoio a Duarte Júnior em ato com a presença de Josimar de Maranhãozinho (atrás da ex-candidata), do deputado federal Júnior Marreca (camisa cinza) e do deputado estadual Leonardo Sá (atrás de Duarte Júnior)

Não surpreendeu a meia-volta da deputada estadual Detinha desmontando sua candidatura à Prefeitura de São Luís pelo PL. E também não foi surpresa que ela tenha declarado apoio à candidatura do deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos), segundo colocado nas intenções de voto, conforme as pesquisas divulgadas até aqui. Ao declarar apoio a Duarte Júnior, a campeã de votos nas eleições para a Assembleia Legislativa em 2018 sai do primeiro plano, mas continua ativa na Capital, à medida que o seu partido ganhou o direito de indicar o candidato a vice, que será, claro, alguém da sua mais absoluta confiança: a ex-secretária estadual de Agricultura, Fabiana Vilar.  E levou junto os dois outros partidos que controla, o Avante e o Patriotas, que pouco ou quase nada representam, mas somados ao PTC e ao Republicanos, garantirão a Duarte Júnior mais de dois preciosos minutos de tempo no rádio e na TV.

Ainda que tenha ocupado espaço no projeto eleitoral de um candidato forte e viável, Detinha tornou evidente que tinha perfeita noção de que, ao contrário do que planejou seu marido e mentor, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, sua aventura eleitoral em São Luís, se mantida, resultaria num fracasso retumbante. Isso produziria uma consequência política de médio prazo: a perda de gás do projeto de candidatura de Josimar de Maranhãozinho a governador em 2022. A renúncia já arranha o projeto do chefe do PL, mas a extensão do estrago só poderá ser conhecida após o resultado das eleições de Novembro. Se Duarte Júnior vier a se eleger, Josimar de Maranhãozinho compensará a perda; se não, o tombo será bem maior.

 

Parlamentares e empresários discutem situação do setor produtivo no Maranhão

Othelino Neto e Edilson Baldez entre Neto Evangelista, Weverton Rocha, Juscelino Filho e empresários na Fiema: reunião para debater temas do setor produtivo

Que rumos tomará a economia maranhense nos próximos tempos? Como se movimentará a classe empresarial? E como deve atuar o Poder Público, incluindo a Prefeitura de São Luís? Essas e muitas outras indagações roteirizaram um encontro de trabalho com dirigentes da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), com o presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), o senador Weverton Rocha (PDT), o deputado federal Juscelino Filho (DEM) e o deputado estadual Neto Evangelista (DEM), com a mediação do presidente da entidade empresarial, Edilson Baldez.

Os presentes trocaram impressões e opiniões sobre demandas importantes do setor produtivo maranhense, entre elas a mais recente e mais complicada: investimentos necessários para superar a crise em diversas áreas, por conta da pandemia do novo coronavírus. Políticos e empresários também discutiram a importância da atualização do Plano Diretor de São Luís, bem como a realização de obras de infraestrutura para o escoamento da produção.

O presidente Othelino Neto defendeu o debate e o diálogo como iniciativas sempre salutares, à medida que, juntas, vozes do parlamento e representantes de empresas podem buscar soluções que promovam o desenvolvimento econômico e social do Maranhão. “A Fiema representa parte do setor produtivo do estado e, para a Assembleia, que é uma casa plural, momentos como esse são importantes para que possamos trocar informações e ouvir opiniões sobre investimentos que beneficiem o nosso estado”, destacou o parlamentar.

Complementando o posicionamento do presidente do Poder Legislativo, o presidente da Fiema, Edilson Baldez, pontuou que a Federação sempre buscou o diálogo, não só com o Poder Legislativo, mas também com todas as instituições do setor público, que podem ajudar a desenvolver a cadeia produtiva do estado.

São Luís, 01 de Setembro de 2020.

Pré-candidatos devem saber que o Orçamento de São Luís para 2021 será muito apertado

 

Município de São Luís terá  Orçamento apertado para 2021

Depois de um período de timidez, durante o qual apresentaram ideias dispersas, causando a impressão de que estavam perdidos ou escondiam o jogo, os pré-candidatos à Prefeitura de São Luís começam a mostrar os rascunhos dos seus planos de Governo. A maioria dos planos que começam a ganhar forma no papel e no discurso dos aspirantes a prefeito dependerá da robustez do caixa municipal. E é exatamente nesse ponto que, em muitos casos, os projetos esbarram num obstáculo fundamental, ou seja, a falta de dinheiro. Para colocar os pés no chão e planejar de acordo com a realidade, Eduardo Braide (Podemos), Duarte Júnior (Republicanos), Neto Evangelista (DEM), Bira do Pindaré (PSB), Rubens Júnior (PCdoB), Adriano Sarney (PV), Jeisael Marx (Rede), Yglésio Moises (PROS), Carlos Madeira (Solidariedade), Detinha (PL), Franklin Douglas (PSOL) e Hertz Dias (PSTU) precisam voltar sua atenção para o Orçamento da Prefeitura  para 2021, já aprovado pela Câmara Municipal, é acanhado, principalmente por causa do novo coronavírus.

Os números são um choque de realidade, uma vez que, de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias, a Prefeitura de São Luís programou uma receita de R$ 3,2 bilhões para 2021. Desse total, R$ 2,2 bilhões sairão das transferências constitucionais, sendo R$ 568 milhões do repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), liberados pela União, R$ 560 milhões do ICMS, transferidos pelo Governo do Estado, e R$ 362 milhões do Fundeb, dinheiro destinado à área de Educação. E R$ 787 milhões de receita própria, sendo as principais fontes o IPTU, que entra com R$ 115 milhões, e o ISS, de onde sairão R$ 540 milhões, entre outras fontes de menor porte, mas importantes.

No contrapeso da receita estão as despesas, que nos cálculos registrados na Lei Orçamentária aprovada pela Câmara Municipal, que somados todos os itens, chegará a R$ 3,2 bilhões, mais de R$ 100 milhões a mais. O item para importante da despesa da Prefeitura de São Luís são os gastos com salários e encargos do funcionalismo: estão previstos na Lei Orçamentária nada menos que R$ 1,7 bilhão, o que significa um desembolso de R$ 143 milhões por mês, incluindo o 13º, ou seja, mais de 50% da receita prevista. E o que mais chama atenção: dos R$ 3,2 bilhões de receita estimada, somente R$ 500 milhões estão previstos para investimentos, o equivalente a R$ 42 milhões por mês, o que é um valor muito tímido diante das necessidades estruturais que São Luís ainda guarda.

Essa estimativa de receita e despesa feita no Orçamento de São Luís para o ano que vem vai depender, claro, da retomada das atividades econômica durante o próximo ano, fortemente prejudicada pela pandemia do novo coronavírus. Trata-se, porém, de uma projeção realista, perfeitamente realizável, principalmente se a economia ganhar força na Ilha, no estado e no plano nacional. Do ponto de vista de gestão, prefeito Edivaldo Júnior (PDT), que recebeu uma bomba financeira explodindo, com a máquina arrecadadora em crise e o caixa sem fôlego para cobrir as despesas, oito anos depois, vai entregar ao seu sucessor uma Prefeitura organizada, arrecadando o que pode para bancar a máquina administrativa, assegurando um equilíbrio entre receita e despesa.

Nessa fase da caminhada rumo às urnas, os pré-candidatos à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior precisam colocar os pés no chão e conceber um programa de ações realista para o próximo ano. Não podem se basear no fato de que São Luís virou canteiro de obras nos últimos meses da atual gestão. Os recursos com os quais o prefeito está bancando obras de asfaltamento, esgotamento sanitário, urbanização, praças e outras ações vieram de um empréstimo de R$ 230 milhões. Quando chegar ao Palácio de la Ravardière o próximo deve ter em mente o fato de que não terá dinheiro para continuar o programa de obras. Se não cair na real, vai amargar problemas e decepção.

PONTO & CONTRAPONTO

 

Rifado pelo PSDB, Wellington do Curso tem dois caminhos: o da conformação e o do confronto

Wellington dp Curso

Confirmando informação dada pela Coluna no último dia 21, dando como fato consumado o que nos bastidores ainda era e especulação, o PSDB consumou ontem o golpe na pré-candidatura do deputado estadual Wellington do Curso à Prefeitura de São Luís, complementando a degola ao anunciar que os tucanos vão mesmo apoiar a candidatura do deputado federal Eduardo Braide (Podemos).

Wellington do Curso pagou preço alto por dois erros que cometeu. O primeiro: lançou sua pré-candidatura sem negociar com o senador Roberto Rocha, que, reconheça-se, foi coerente quando se negou a dar qualquer declaração respaldando o projeto, emitindo, ao mesmo tempo, todos os sinais de que não concordava com a iniciativa. O outro: sabia, desde o ano passado, que não seria candidato, mas resolveu pagar para ver, quando poderia ter procurado outro partido, como fizeram os deputados Duarte Júnior, que deixou o PCdoB e embarcou no Republicanos, e Yglésio Moises, que negociou sua saída do PDT e ingressou no PROS. Com o cacife eleitoral que tem em São Luís, não lhe faltaria partido.

Agora, além de passar pelo vexame de ter sido rifado aberta e ostensivamente, Wellington do Curso entra numa situação complicada. O drama começa com o fato de, a exemplo do que aconteceu em 2016, sua candidatura a prefeito foi apenas uma jogada inteligente para sem manter em evidência e ganhar credibilidade para engordar seu cacife para a reeleição de deputado estadual, o que aconteceu, inclusive com melhora na votação. Agora, não tem como ser candidato, vai entrar na zona turva dos esquecidos, podendo chegar a 2022 com dificuldades para se reeleger.

Ele agora só tem um caminho: engolir seco e se tornar cabo eleitoral de Eduardo Braide, como se nada tivesse acontecido. Se não domar seu temperamento explosivo e imprevisível e partir para o confronto com o candidato do Podemos e os tucanos, enfrentará problemas sérios para a reeleição, seja qual for o resultado da disputa na Capital.

 

São José de Ribamar consolida status político com a terceira maior população do Maranhão

São José de Ribamar: status político reforçado com a terceira maior população

Consolidado como dono da terceira maior população, só perdendo para São Luís e Imperatriz, deixando para trás, com boa vantagem, Timon e Caxias, respectivamente terceiro e o quarto colocados, o município de São José de Ribamar reforça seu status político no estado. O ganho populacional, vale destacar, é o resultado de uma queda-de-braço travada com o IBGE por Luís Fernando Silva, quando prefeito. Numa série de altos e baixos, ele demonstrou, com farta documentação, que muitas residências, incluindo conjuntos habitacionais, estavam no território ribamarense, mas seus habitantes eram computados pelo IBGE como moradores de São Luís e passo do Lumiar. Há cerca de três anos, o IBGE reconheceu a validade das alegações e turbinou a população da Cidade do Padroeiro com os acréscimos reivindicados por Luís Fernando Silva. O bom dessa briga foi que o ganho populacional consolidou a receita municipal com FPM especial.

São Luís, 30 de Agosto de 2020.