Todos os posts de Ribarmar Correa

Braide ignora pressões e tende manter neutralidade na disputa presidencial

Eduardo Braide entre Lula da Silva e Flávio
Bolsonaro: o caminho pode ser a neutralidade

São fortes e intensas as especulações a respeito da posição que o governador eleito Eduardo Braide (PSD) vai tomar no segundo turno da eleição presidencial. Umas preveem que ele declarará apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), abraçando as teses da direita bolsonarista, outras arriscam sugerir que ele se posicionará pela candidatura do presidente Lula da Silva (PT), apostando num convívio com a esquerda moderada, e há uma faixa de observadores que enxerga na neutralidade do governador eleito o caminho dele nessa disputa. Ele próprio nada declarou até o momento, e o seu silêncio tem gerado uma grande expectativa no cenário político estadual.

Aos 50 anos e com um lastro político invejável, construído com uma carreira vitoriosa, de votações crescentes, o governador eleito do Maranhão conquistou todos os seus mandatos por mérito próprio, sem precisar de padrinhos ou esquemas de grupos. Suas eleições foram todas cuidadosamente, planejadas, medidas e pesadas com base numa lógica realista, que considera as possibilidades e as probabilidades de cada disputa – de todas as eleições que disputou, só perdeu uma, para a Prefeitura de São Luís em 2016.

 Sua eleição para governador do Maranhão se deu exatamente como as demais. Ele mostrou ao eleitorado maranhense a gestão inteligente e muito produtiva que realizou ao longo de mais de cinco anos de mandato na Prefeitura de São Luís. Os bons resultados foram obtidos independentemente de quem estava no Palácio dos Leões e no Palácio do Planalto, tendo convivido com governos federais de extremos, um período com o presidente de direita Jair Bolsonaro e outro com a gestão do presidente Lula da Silva. Nenhuma pendência, nenhum problema, nenhum gesto de vassalagem.

Nessa trajetória, Eduardo Braide se firmou como um político independente, que sabe conviver com as diferenças sem perder o eixo, e mais do que isso, sem atrelar os seus projetos de gestão ao “toma lá, dá cá” que costuma balizar as relações institucionais e políticas. Perseguiu objetivos tentando abrir portas, mas cuidando do dever de casa, para não se tornar um dependente da boa vontade dos dirigentes das esferas estadual e federal. O resultado é o que se conhece.

Quando se candidatou a governador pelo PSD, Eduardo Braide deixou claro que o seu foco seria a sua eleição, ainda que o seu partido tivesse lançado o ex-governador goiano Ronaldo Caiado à presidência sem nenhuma chance de chegar as algum lugar, como foi comprovado nos resultados das urnas. E um dos motes do seu discurso de campanha foi que, bem administrado, o Estado tem condições de bancar o seu programa de obras, de modo que o que vier de parceria com o Governo da União será acréscimo bem-vindo, desde que desvinculado do “toma lá, dá cá”.

E foi nessa linha que Eduardo Braide fez a sua vitoriosa campanha para o Governo do Estado, sem atrelar o seu projeto de poder a candidatura presidencial, trafegando com segurança na via da neutralidade. Essa postura e a esmagadora vitória nas urnas em turno único lhe deram autonomia política para, se quiser, manter-se no campo da neutralidade. E com o suporte do seu partido, cujo presidente, Gilberto Kassab, anunciou que o PSD não irá de Lula da Silva nem de Flávio Bolsonaro na rodada decisiva do dia 25 de outubro.

Se o governador eleito do Maranhão vier a adotar a neutralidade no 2º turno da eleição presidencial será uma postura politicamente pragmática, realista. Ele terá naturalmente o seu candidato pessoal, que poderá preservar pelo sagrado direito ao sigilo do voto. E com a tranquilidade de quem não estará exposto a cobranças. Afinal, elegeu-se governador em turno único, peitando candidaturas fortes e sem depender do apoio de candidatos presidenciais. E mais ainda, sem hostilizar nenhum deles, o que lhe dá estatura política para se posicionar como entender melhor, a começar pela neutralidade.

Mas se vier a se posicionar, será um passo pensado, medido e pesado, como têm sido os seus movimentos.

PONTO & CONTRAPONTO

Camarão, Eliziane e Jerry comandam a campanha de Lula no 2º turno no Maranhão

Felipe Camarão, Eliziane Gama e
Márcio Jerry: incansáveis pela
reeleição de Lula da Silva

A campanha do presidente Lula da Silva (PT) no 2º turno em São Luís e em todo o Maranhão tem três baluartes: o vice-governador Felipe Camarão (PT), as senadora Eliziane Gama (PT) e o deputado federal reeleito Márcio Jerry (PCdoB). Os três articulados em sintonia fina e têm atuado de maneira planejada, de modo a não deixar espaços sem movimentos para estimular o eleitor a reeleger o presidente no dia 25.

Terceiro na disputa para o Governo do Estado, o vice-governador Felipe Camarão não se deixou abater pelo insucesso da sua candidatura. Logo n o dia seguinte à eleição do 1º turno, ele iniciou uma intensa e arrojada mobilização do PT e de todos os possíveis apoiadores do presidente.

O vice-governador chegou a convidar o governador Eduardo Braide e o governador Carlos Brandão para se engajarem na campanha do líder petista. Um gesto ousado e politicamente correto, mesmo sabendo que não seria ouvido.

A senadora Eliziane Gama também não perdeu tempo curando as feridas da não reeleição. Com a força política que guarda, a senadora partiu para a luta, primeiro convocando a sua base, e depois tentando atrair indecisos apoiar o líder petista. Tem atuado sem descanso.

O deputado federal Márcio Jerry tentou, primeiro, organizar a base de Lula da Silva escalando o vice-governador Felipe Camarão como líder frente popular progressista no Maranhão. E com o ânimo de quem renovou o mandato, tem estado à frente de todos os atos que os apoiadores do presidente realizaram em São Luís até agora.

Os três apostam que o presidente Lula da Silva vai aumentar a sua votação, que foi de 2.266.30 votos no estado, contra 1.239.04 de Flávio Bolsonaro (PL)   

Brandão afirma que seu Governo é o quinto mais transparente do país

Carlos Brandão: cruzada em
defesa do seu Governo

O governador Carlos Brandão continua empenhado numa cruzada para mostrar as conquistas do seu Governo. Entre uma e outra postagem mostrando obras, ele divulgou a eficácia do Portal da Transparência na sua gestão, que na sua avaliação torna o seu Governo um dos mais transparentes de todo país.

De acordo com os dados levantados pela Secretaria de Transparência e Controle, o Governo do Maranhão na sua gestão é o quinto do Brasil e o segundo do Nordeste em Transparência, só perdendo para o Ceará.

Na avaliação do governador, o Portal da Transparência reflete a realidade do seu Governo em matéria de gastos, uma vez que, segundo afirma, ali estão os registros de todas as despesas e informações sobre contratos feitas pelo Governo.

O governador informa que, por conta das in formações que abriga, pelo segundo ano consecutivo, o Governo do Maranhão recebeu o Selo Diamante em Transparência Pública. E também que a Secretaria de Transparência e Controle conquistou o reconhecimento de altas performance e capacidade de auditoria interna. – Na prática, isso garante ao cidadão mais acesso e mais informação sobre como a sua contribuição está sendo investida – declarou o governador Carlos Brandão.

São Luís, 15 de Outubro de 2026.

MDB maranhense declara apoio a Lula, mas líderes mantêm silêncio e máquina do partido não é acionada

Lula da Silva recebe o apoio de Orleans Brandão
em documento regional, e Carlos Brandão
ainda não se manifestou sobre apoio

O braço maranhense do MDB integra o grupo de 10 diretórios regionais do Norte e Nordeste que formalizaram apoio ao presidente Lula da Silva (PT) no 2º turno da eleição presidencial. Não houve um comunicado formal da direção partidária nem o pronunciamento de líderes emedebistas maranhenses, como o presidente da sigla, Orleans Brandão. A declaração de apoio veio a público no bojo de um documento no qual os líderes do MDB do Pará, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia, decidiram apoiar a reeleição do chefe da Nação, fazendo um contraponto aos 17 diretórios emedebistas do resto do Brasil que optaram por marchar com Flávio Bolsonaro (PL).

Nenhum dirigente emedebista se manifestou para explicar o significa esse apoio à reeleição do presidente Lula da Silva. O partido vai mobilizar as suas bases para sair às ruas pedindo votos para o líder petista? Os deputados federais e estaduais eleitos pela sigla tentarão convencer eleitores indecisos para dar o seu voto ao presidente? Se decidir entrar nas campanha para valer, quem vai coordenar os trabalhos para atrair o eleitorado? Ou o apoio a Lula da Silva se resumirá a esse documento formal, sem mobilização efetiva para a campanha?

Não há registro de alguma declaração do presidente regional do MDB, Orleans Brandão sobre esse posicionamento. Maior expressão atual do MDB, o governador Carlos Brandão mantinha, até fechamento da Coluna, no início da madrugada deste 14 de outubro, se manifestado a respeito do 2º turno da eleição presidencial, e a informação que se tinha era a de que o mandatário maranhense permanecia em silêncio público, mas conversando com seu grupo nos bastidores para definir uma posição, se continuar apoiando Lula da Silva ou mudar em favor do candidato da direita bolsonarista.

Vale registrar que, ainda que o MDB maranhense tenha se posicionado formalmente pela reeleição do presidente Lula da Silva, há uma clara divisão nas entranhas do partido, com uma ala mais aberta, que tem o prefeito de Bacabal, Roberto Costa, como principal referência, mais inclinado a uma posição pró-Lula, e outros segmentos, como a corrente liderada pelo deputado federal Hildo Rocha, que tende a seguir a orientação do presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, que formalizou o apoio do partido ao candidato do PL.

O MDB maranhense e o PT de Lula da Silva têm uma longa história de alianças. Começou em 98, quando a então governadora Roseana Sarney, candidata à reeleição e rompida com o PSDB de FHC, firmou sua primeira parceria com Lula da Silva. Em 2006, o líder petista fez campanha ostensiva por Roseana Sarney, mas Jackson Lago (PDT) venceu a eleição. A aliança foi mantida em 2010, contra Flávio Dino (PCdoB) e Jackson Lago, resultando na reeleição de Roseana Sarney, e em 2014, com a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) apoiando Edinho Lobão (MDB) contra Flávio Dino, que venceu a eleição. A relação foi ampliada com a presença do senador Edison Lobão como ministro das Minas e Energia dos dois Governos Dilma Rousseff (PT), e por aí vai.

Na disputa deste ano, sob o comando indiscutível do governador Carlos Brandão e seu grupo, o MDB lançou Orleans Brandão candidato a governador contra Felipe Camarão (PT) só mudou de posição, em oposição ao chamado grupo dinista, quando o governador Carlos Brandão assumiu o controla do MDB Maranhão, fazendo Orleans Brandão seu presidente e candidato a governador tendo a aliança com Lula da Silva como um dos pontos principais da sua plataforma. O presidente Lula da Silva decidiu apoiar Felipe Camarão, criando mal-estar na relação com Carlos Brandão e Orleans Brandão em segundo plano. O presidente Lula da Silva, porém, tem a seu favor o fato de ter sido um dos esteios do programa de obras do Governo Brandão.

O fato de o MDB haver declarado apoio à reeleição do presidente Lula da Silva apenas no bojo de uma declaração conjunta de 10 diretórios regionais pouco servirá se a máquina se as lideranças e a militância do partido não entrarem na caça ao voto, incentivando o eleitor a repetir o voto e tentando e tirar de casa os indecisos, como a mobilização, tardia mas efetiva, que está sendo feita pelo PT.

PONTO & CONTRAPONTO

Partidários de Lula e de Flávio Bolsonaro se mobilizam para as visitas dos candidatos a São Luís

Felipe Camarão comanda a mobilização por
Lula da Silva; Lahesio Bonfim reúne a
tropa que apoia Flávio Bolsonaro

Iniciada ontem uma intensa movimentação de partidários do presidente Lula da Silva (PT) e de apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL). O líder petista desembarcará em São Luís no dia 20, seguido, horas depois, no dia 21, do senador bolsonarista. Os dois segmentos querem demonstrar força pelo tamanho da mobilização de cada um.

O presidente Lula vai se encontrar com seus apoiadores no centro de São Luís, onde fará um grande comício e, em seguida, uma carreata pela cidade. A mobilização é encabeçada pelo PT, sob o comando ex-candidato do partido ao Governo Felipe Camarão (PT), e pelo deputado federal reeleito Rubens Jr. (PT), e reunirá aliados do presidente, como o senador eleito André Fufuca (PP) e o deputado federal reeleito Juscelino Filho (PSDB), além de representantes do MDB, PSB, PCdoB, PSOL e do PDT.

O senador Flávio Bolsonaro desembarcará no dia seguinte para fazer o de sempre, uma carreata entre o aeroporto do Tirirical e a Avenida Daniel de la Touche, com concentração em frente da loja Havan, que já se tornou referência do bolsonarismo no Maranhão, a começar pelo fato de manter uma versão cabocla da estátua da Liberdade. A mobilização está sendo comandada pelo senador eleito Lahesio Bonfim (Novo), com a presença da tropa comandada pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho.

Vale lembrar que o presidente Lula da Silva recebeu 2.566.301 votos, o equivalente a 63,99% da votação no Maranhão, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 1.239.040 votos, ou seja, 30,90, levando um verdadeiro “capote”, como se diz popularmente em resultados como esse.

Em partidos diferentes, ex-ministros André Fufuca e Juscelino Filho apoiam reeleição de Lula

Ex-ministros, André Fufuca e Juscelino Filho
são apoiadores de Lula da Silva

Em meio à imensa cortina de dúvidas sobre quem apoia quem no 2º turno da eleição presidencial no Maranhão, uma situação está bem definida: o deputado federal e senador eleito André Fufuca (PP), ex-ministro do Esporte, e o deputado federal reeleito Juscelino Filho (PSDB), ex-ministro das Comunicações, estão fechados com o presidente Lula da Silva.

Todas as vezes em que foi provocado sobre o assunto, por causa da posição do seu partido, que caminha para Flávio Bolsonaro (PL), o deputado federal André Fufuca foi enfático no apoio à reeleição do presidente. E tem usado um argumento politicamente honesto: esse apoio vem do fato de o presidente o ter nomeado ministro do Esporte e lhe dado as condições para realizar um trabalho nessa área em todo o país, especialmente no Maranhão. Não há, portanto, como se omitir ou apoiar o outro candidato nessa guerra, mesmo na condição de presidente regional do PP.

Na mesma linha, o deputado federal reeleito Juscelino Filho tem batido na mesma tecla de apoio à reeleição do presidente. “O meu voto e o meu apoio é para o presidente Lula”, tem declarado o agora presidente regional do PSDB, que no plano nacional está em cima do muro. Juscelino Filho consolidou sua aliança com o líder petista como ministro das Comunicações, tendo recebido todo o apoio do presidente para levar à frente os programas do Ministério das Comunicações, e nos momentos difíceis que viveu na investigação que sofreu por conta de emendas parlamentares. O ponto alto da aliança foi filiar sua irmã Luanna Rezende, ex-prefeita de Vitorino Freire ao PT, pelo qual elegeu-se deputada estadual.

Fontes ligadas aos dois ex-ministros informam que eles estão se movimentando para fortalecer e ampliar o desempenho eleitoral do presidente Lula da Silva no Maranhão.

São Luís, 14 de Outubro de 2026.

Mesmo sob forte pressão, Brandão e Braide continuam em silêncio sobre a disputa presidencial

Eduardo Braide e Carlos Brandão:
silêncio sobre a corrida presidencial

Como se posicionarão o governador Carlos Brandão (MDB) e o governador eleito Eduardo Braide (PSD) em relação ao 2º turno da eleição presidencial entre o presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). No 1º turno, o líder petista recebeu 2.566.301 votos (63,99%) contra 1.293.040 (30,90%) do representante do bolsonarismo. Agora, com a mudança radical no cenário político estadual, partidários dos dois candidatos se mobilizam, com os apoiadores de Lula da Silva se movimentando para ele repetir ou, se possível, ampliar a vantagem, enquanto os partidários de Flávio Bolsonaro tentam juntar forças para melhorar o desempenho dele na última volta. Nesse contexto, todas as avaliações concluem que a participação direta do governador e do governador eleito pode fazer a diferença no resultado da votação do dia 25.

O governador Carlos Brandão não fez ainda qualquer sinalização a respeito de como se posicionará, mantendo até aqui silêncio sepulcral em relação à corrida presidencial. A lógica sugere que o seu caminho natural é o presidente Lula da Silva, a quem apoiou no 1º turno, principalmente que ele teve importância decisiva no portfólio de obras do Governo do Estado, a começar pela duplicação da Avenida Litorânea, e muitas outras ações. A derrota de Orleans Brandão (MDB), que fez campanha pregando aliança com Lula da Silva, que apoiou e fez campanha para Felipe Camarão, criou um mal-estar no chamado Grupo Brandão. O PT cobra o apoio do governador ao presidente, e o próprio Felipe Camarão “convocou” o governador para se engajar na campanha de Lula da Silva.

O problema é o fato de Lula da Silva não haver apoiado Orleans Brandão, que foi derrotado na disputa pera o Governo do Estado, criou um fosse de mágoas entre o Palácio dos Leões e o Palácio do Planalto. Além disso, prefeitos e deputados aliados do governador e simpáticos à candidatura de Flávio Bolsonaro estão pressionando fortemente o mandatário maranhense a apoiar o candidato bolsonarista. Nos bastidores, corre que o governador Carlos Brandão estaria conversando com seus aliados para tomar uma decisão ao longo dessa semana. A expectativa é que Orleans Brandão se posicione junto com o tio e padrinho político, seja com Lula da Silva, seja com Flávio Bolsonaro, ou ficar em campo neutro.

Por sua vez, o governador eleito Eduardo Braide, que não apoiou nenhum candidato presidencial no 1º turno, incluindo Ronaldo Caiado, do seu partido, está inclinado a permanecer na seara da neutralidade, seguindo a posição do presidente do seu partido, Gilberto Kassab. Ao longo da campanha do 1º turno, Eduardo Braide foi várias vezes provocado sobre eleição presidencial, e numa delas durante o debate na TV Mirante, ele foi claro: “Tem candidato indo para a direita, tem outro para a esquerda, eu quero é levar o Maranhão para a frente”. E manteve esse mote até agora, em que pesem as pressões para que se posicione.

Eduardo Braide usa um argumento pragmático para justificar a sua neutralidade em relação à corrida presidencial. Lembra que durante o seu primeiro mandato como prefeito de São Luís (2021 a 2024), conviveu dois anos com o presidente |Jair Bolsonaro e outros quatro anos com o presidente Lula da Silva, tendo convivido com os dois sem maiores problemas. E acredita piamente que poderá manter o mês o padrão de convivência com o presidente Lula da Silva, a quem não faz restrições, ou com Flávio Bolsonaro, com que pode estabelecer uma relação produtiva.

 Para Eduardo Braide, mais importante do que apostar todas as suas fichas numa relação com o Governo Federal, é organizar as finanças do Governo e aplicar bem os recursos próprios do Estado.

Em resumo: enquanto para o governador Carlos Brandão é muito difícil permanecer em silêncio, para o governador eleito Eduardo Braide a neutralidade faz todo sentido.

PONTO & CONTRAPONTO

Vice de Braide se mantém discreta, mas terá papel importante no Governo

Elaine Carneiro: aposta na
capacidade de Eduardo
Braide como gestor

A eleição acachapante de Eduardo Braide (PSD) para o comando do Estado não alterou a serenidade da vice-governadora eleita Elaine Carneiro (PSD). Os bons ventos da vitória nas urnas mexeu com a sua condição de empresária bem situada em Imperatriz e na Região Tocantina, onde comanda um próspero negócio de vendas de pneus, mas não a ponto de mudar a sua postura discreta.

Iniciante na vida pública, e já como vice-governadora, o que lhe dá a perspectiva de um dia vir a ser governadora do Maranhão, Elaine Carneiro começa a se envolver com o desafio de governar um Estado. Motivada pela cultura empresarial, que exige a arte do gerenciamento e não tolera erros, ela aposta todas as suas fichas que o Governo do qual participará será bem sucedido pela capacidade do governador eleito Eduardo Braide como gestor.  

– Braide é um gestor. Eu sempre acreditei que um Governo precisa de um gestor. Ele fez uma boa gestão em São Luís e tem toda capacidade de fazer isso no Maranhão – declarou em entrevista recente, na qual acrescentou: “Ele só pôde fazer uma boa gestão em São Luís porque teve uma equipe técnica, comprometida com o propósito de cuidar bem de São Luís”.

Pelos sinais emitidos pelo governador eleito, a vice-governadora assumirá papel relevante no Governo além de atuar como substituta eventual do governador. Ela vai ocupar a versão tocantina do Palácio dos Leões, instalada pelo governador Carlos Brandão em Imperatriz, e de lá coordenar todas as ações do Governo nas regiões Tocantina e Sul.

Não eleição de Roseana marcará saída dos Sarney da cena política maranhense

Roseana Sarney: saindo de cena

A deputada federal Roseana Sarney (MDB) teria tomado uma decisão irrevogável: encerrado o seu mandato atual, no dia 30 de janeiro do ano que vem, ela deixará de vez a vida pública. Sua retirada incluirá também a vida partidária.

O problema é que essa decisão, que teria sido tomada pela deputada Roseana Sarney com o aval do marido Jorge Murad, produz duas consequências.

A primeira será retirada definitiva da família Sarney do cenário político após 65 anos de vida pública desde a eleição de José Sarney para o Governo do Estado em 1965, já que não haverá nenhum Sarney exercendo mandato a partir de 1º de fevereiro de 2027.

O outro desdobramento será o vácuo a ser aberto no braço maranhense do MDB. Isso porque, mesmo havendo outros membros da família Sarney filiados ao partido, a começar pelo ex-presidente José Sarney, eles não terão mais poder para ditar as regras. (Nas condições atuais, o sucessor natural do comando do partido será o prefeito de Bacabal Roberto Costa, que é vice-presidente regional e o chefe emedebista mais próximo de Roseana Sarney e do ex-presidente José Sarney).

Se essa informação vier a ser confirmada, a não eleição de Roseana Sarney para o Senado marcará, de fato, o fim de uma era na política do Maranhão.

São Luís, 13 de Outubro de 2026.

Senadores eleitos divididos no 2º turno: Fufuca apoia Lula e Lahesio vai com Bolsonaro

André Fufuca com Lula da Silva e após confirmar
o voto em Timon, com Rafael Brito, também
lulista; e Lahesio Bonfim com Flávio Bolsonaro
e com prefeitos bolsonaristas do Sul

Uma guerra pelo voto no 2º turno da eleição presidencial foi deflagrada esta semana no Maranhão, estando de um lado o senador eleito André Fufuca (PP), que trabalha pela reeleição do presidente Lula da Silva (PT), e do outro o senador eleito Lahesio Bonfim (Novo), que decidiu apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). André Fufuca e Lahesio Bonfim foram eleitos em aliança com o governador eleito Eduardo Braide (PSD), que tende a ficar neutro nessa disputa. Os dois senadores eleitos são de partidos distintos, mas disputaram votos – havia duas vagas para o Senado -, e pelo que ficou claro, atravessaram a campanha eleitoral em harmonia, e até onde é sabido, se não são próximos, se relacionam civilizadamente no plano pessoal. 

O deputado federal André Fufuca em nenhum momento deixou em dúvida o seu apoio à candidatura do presidente Lula da Silva à reeleição. Mesmo com o seu partido, o PP, formalmente posicionado por Flávio Bolsonaro, o atual deputado federal não abre mão de manifestar sua gratidão ao chefe da Nação pelo fato de tê-lo nomeado ministro do Esporte e ter apoiado a sua gestão, fazendo inclusive reconhecimento público pelo seu desempenho à frente da pasta. A condição de m ministro do Esporte foi decisiva para que capilarizasse a o seu projeto político por meio de um amplo programa de obras em todo o Maranhão, voltado o principalmente para a juventude

Na sexta-feira à noite, André Fufuca expressou sua posição em relação à corrida ao Planalto no 2º turno. E o fez em comício, em Timon – terceiro maior colégio eleitoral do Maranhão, onde obteve mais de 58 mil votos -, diante de uma multidão, tendo ao lado o prefeito Rafael Brito (MDB), que apoiou o seu projeto senatorial. Disse ele, em tom decidido e enfático:

“O homem tem que honrar as calças que veste. Muita gente me pergunta em quem o Fufuca vai votar no segundo turno. Meus amigos, eu peguei um ministério que tinha quinhentas obras paradas. O ministro que veio antes de mim fez 28. Eu entreguei mil e quinhentas obras nesse país, nos 27 estados. Eu fui ministro de uma pessoa, de um presidente nordestino, do interior, trabalhador, lutador, guerreiro. E quando me perguntam: Fufuca, tu votas em quem? Eu voto em quem votei no primeiro turno. Eu voto em quem me colocou para ser ministro. Eu digo que o meu voto no segundo turno é no presidente Lula. Eu tenho gratidão. Eu sou correto, eu sou leal”.

Sem passar a impressão de que se trata de uma guerra entre eles, o senador eleito Lahesio Bonfim tomou à frente da campanha de Flávio Bolsonaro no Maranhão. Primeiro foi a Brasília, onde se encontrou com o candidato bolsonarista, a quem declarou apoio e jurou lealdade. Aproveitou para firmar sua posição no bolsonarismo – que o rejeitou por muito tempo -, fazendo uma mise-en-scène desnecessária e politicamente sem nexo em relação ao ministro Flávio Dino, do STF, para agradar a cúpula do bolsonarismo.

De volta ao Maranhão, na sexta-feira, Lahesio Bonfim almoçou com o governador eleito Eduardo Braide (PSD) e com os 27 prefeitos que o apoiaram, e depois seguiu para Imperatriz, ondem participou de um jantar articulado pela deputado federal eleita Mariana Carvalho (PL) e pelo deputado federal reeleito Josivaldo JP (União) e um grupo de prefeitos da região Tocantina que decidiu apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. “Quero dizer ao meu futuro presidente que ele não está só no Maranhão”, disse Lahesio Bonfim, manifestando disposição de liderar a campanha do candidato bolsonarista no Maranhão, principalmente nas regiões Tocantina e Sul, onde as forças conservadoras são posicionadas à direita, muitas identificada com discurso da extrema-direita radical

O governador eleito Eduardo Braide deixou claro, desde a campanha do 1º turno, que não inclinado a se posicionar nessa disputa. Primeiro pelo fato de seu partido ter adotado neutralidade, e depois porque o seu interesse não é se situar ideologicamente à direita ou à esquerda, mas “levar o Maranhão para a frente”.

 PONTO & CONTRAPONTO

Em “desabafo”, Camarão reafirma apoio a Lula, diz que não teve apoio do PT e critica os que estão no muro

Felipe Camarão: desabafo

Refeito da derrota na disputa para o Governo do Estado, na qual ficou na terceira posição, o vice-governador Felipe Camarão (PT) assumiu, imediatamente posição de liderança da campanha do presidente Lula no Maranhão, antecipando-se aos dirigentes petistas nas redes sociais, como “social-mídia”. Ontem, numa espécie de contra-ataque de bolsonaristas que o vem mantendo sob fogo cerrado, Felipe Camarão divulgou o que definiu como “um desabafo”.

De forma resumida, extraindo apenas o essencial da sua declaração, o “desabafo” do vice-governador do Maranhão foi o seguinte:

“Por que Lula e não Bolsonaro? Eu perdi a eleição para governador, o Lula não veio ao Maranhão me apoiar, muita gente do PT, o meu partido, não me apoiou, dirigentes, candidatos, etc.

O problema, pessoal, é que eu não tenho projeto pessoal, eu não tenho projeto familiar, eu não tenho projeto partidário. O meu projeto é político.

Acabou a eleição, agora no dia 25, acabou meu mandato de vice-governador, eu vou voltar para a minha vida normal. Vou continuar sendo procurador federal e continuar dando minhas aulas (…).

O que eu penso é na população brasileira, especialmente na população maranhense, na população do interior. É por isso que eu falo tanto no Lula, que eu apoio o Lula.

Não me interessa se oi PT não me apoiou, se o Lula não veio no primeiro turno. Eu penso é no Brasil, e por isso vou continuar apoiando Lula.

Tem muita gente me xingando, a galera do bolsonarismo entope as minhas postagens com xingamentos. (…) Depois do dia 25, eu paro de falar de política. Eu vou ser um cidadão crítico aos governos estadual e federal, independentemente de quem vencer.

Mas até lá, eu sou cabo eleitoral, social-mídia do Lula, porque eu acredito que esse seja o caminho para o Brasil. E vocês não podem me acusar de não tem lado, de não ter posição.

Tem gente aí que está em cima do muro, que usou o Lula no primeiro turno, e agora não está apoiando o Lula. Eu não sou desses, não. Eu estou com Lula em qualquer ocasião. Eu luto pelo que eu acredito.

Podem me criticar por qualquer coisa. Só não podem me criticar porque eu não tenha posição. Eu tenho um lado um lado, e tenho posição. Assim sempre fui na minha vida e sempre serei”.

Vale lembrar que na manhã do dia 5 de outubro, ainda sob o impacto da vitória de Eduardo Braide para o Governo do Maranhão e da surpreendente vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula da Silva na corrida presidencial, Felipe Camarão fez convocou o governador eleito Eduardo Braide, o governador Carlos Brandão o (MDB) e o ex-candidato emedebista Orleans Brandão para juntarem forças pela reeleição do presidente da República.

Presidente da nova Assembleia Legislativa deve sair do MDB ou do PL

Neto Evangelista, Francisco Nagib, Antônio
Pereira, Gleuydson Resende, Daniella e
Detinha; cogitados para presidir a nova
Assembleia Legislativa do Maranhão

 Em meio à movimentação intensa para o 2º turno da eleição presidencial, os bastidores na “nova” Assembleia Legislativa estão faiscando por conta da eleição da Mesa Diretora, em especial a presidência da Casa, hoje comandada pela deputada Iracema Vale (MDB), eleita deputada federal.

Uma definição ganha corpo: o futuro presidente da Assembleia sairá da bancada do MDB, que tem 17 dos 42 deputados, ou, numa situação excepcional, da bancada do PL, que tem sete deputados.

No MDB, vários nomes estão sendo cogitados: Neto Evangelista, Francisco Nagib, Antônio Pereira, Daniella Jadão e Gleydson Resende.

Eleito para o quinto mandato, Neto Evangelista tem o cacife de ser um parlamentar politicamente ativo, com experiência como membro da Mesa e como líder de bancada de Governo, além de trazer o Poder Legislativo no DNA, uma vez que seu pai, o deputado João Evangelista, foi líder de bancada e presidente da Casa.

Eleito para o segundo mandato, o deputado Francisco Nagib tem o aval político do pai, o prefeito de Codó, Chiquinho da FC, e interlocução com setores mais inclinados a fazer oposição. Além disso, Francisco Nagib precisa dar um passo à frente, pois tem objetivos mais amplos no horizonte.

Reeleito para o sétimo mandato, e atual 1º vice-presidente da Casa, o deputado Antônio Pereira estaria apostando alto num acordo interno no partido para viabiliza o seu projeto presidencial. Vale lembrar que quando o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, anunciou sua decisão de deixar o cargo para ser candidato a governador, o deputado Antônio Pereira, num gesto espantoso, foi à tribuna para dizer, em alto e bom som: “A montanha pariu um rato”. Errou feio, no gesto e na sentença.

Reeleita para o terceiro mandato, a deputada Daniella Jadão, ou simplesmente Daniella, como gosta de ser chamada, tem chance de ser presidente, com a força da bancada e uma boa articulação, para seguir os passos da presidente Iracema Vale.

Nessa lista de cotados aparece Gleydson Rezende, primeiro pela sua estrondosa votação – mais de 95 mil votos -, e depois pela sua experiências político como prefeito de Barão de Grajaú com três mandatos.

Fora do MDB, a atual deputada federal e agora deputada estadual eleita Detinha (PL) tem o comando da segunda maior bancada. E já manifestou interesse na presidência, e se entrar mesmo para valer, pode costurar um acordo com o MDB.

No mais, os nomes lançados até agora não têm chance alguma de chegar ao comando da Casa. Isso porque, ao que tudo indica, o governador eleito Eduardo Braide não parece interessado em se envolver nos “assuntos internos” da Assembleia Legislativa.

São Luís, 11 de Outubro de 2026.     

Braide elogia coragem dos prefeitos que o apoiaram e diz que Palácio estará aberto para eles

Ao centro, entre Esmênia Miranda e Fernando
Braide, Eduardo Braide registra o primeiro
encontro com os prefeitios que o apoiaram

“Anotem o que seu vou lhes dizer: a relação de vocês comigo é pessoal. Relação pessoal comigo. A porta do Palácio sempre estará aberta para vocês. Independente de horário, de marcar”. Foi o que disse o governador eleito Eduardo Braide (PSD), ontem, a 26 prefeitos que apoiaram sua candidatura. Ele elogiou e agradeceu “a coragem” desses líderes municipais em apoiar a sua candidatura, e garantiu que “esse trabalho não foi em vão”.  O encontrou se deu em um almoço em São Luís, com a presença dos senadores eleitos André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim e a participação da prefeita da Capital, Esmênia Miranda (PSD).

O recado do governador eleito foi claro e sem rodeios. Ele disse ter ciência de que esses prefeitos sofreram pressões para não apoiá-lo. E avaliou que eles optaram pelo caminho certo. Mesmo falando de pressões sobre os prefeitos que lhe declararam apoio, o governador eleito Eduardo Braide evitou fazer ataques diretos aos seus adversários, em especial ao governador Carlos Brandão, com quem trocou farpas pontiagudas durante a campanha eleitoral.

Tanto que sugeriu que esses prefeitos comecem a definir as prioridades dos seus municípios, para que já nos primeiros meses o novo Governo possa dar início ao atendimento das demandas. O futuro chefe do Executivo avisou que não vai perder tempo e que adotará o mesmo ritmo de trabalho que adotou como prefeito de São Luís: “Não sei se vocês conhecem o meu ritmo, mas a Esmênia – a prefeita Esmênia Miranda – conhece, que é de trabalhar sem parar desde o primeiro dias”.

O futuro mandatário do Maranhão sinalizou que pretende montar uma cadeia de apoio com os senadores André Fufuca e Lahesio Bonfim apoiando o Governo do Estado a partir de Brasília, e garantindo que esses benefícios chegarão também aos municípios. Suas declarações em relação aos municípios, afirmando que trabalhará em todos os municípios do estado, sem exceção, passam a impressão de que ele dará um caráter municipalista ao seu Governo, mas sem transformar esse modelo num sistema amarrado.

Entre os prefeitos presentes ao almoço estava Rildo Amaral (PP), de Imperatriz, que sofreu fortes pressões quando optou por apoiar a candidatura do seu ex-colega de São Luís. O governador eleito não fez menções diretas a nenhum dirigente municipal presente, mas a maneira como os tratou foi um forte indicativo de que construirá com eles produtivas parcerias. “Esse almoço esse almoço é para agradecer a cada um de vocês pelo trabalho que nós conseguimos alcançar juntos.  Vou trabalhar em todos os 217 municípios”, enfatizou o governador eleito, sendo aplaudido pelos prefeitos presentes.

Ao reunir esses prefeitos em um almoço, e com eles ter uma conversa franca, quase coloquial, o governador eleito Eduardo Braide sinalizou que pretende construir uma relação institucional e de parceria com os municípios. Ex-prefeito da maior cidade do Maranhão, com 1,2 milhão de habitantes e gigantescos desafios, ele conhece em profundidade as dificuldades que eles enfrentam, e também as suas aspirações. Nesse sentido, se movimenta com cautela, mas ao que tudo indica, determinado a levar as ações do Governo até onde elas precisam chegar.

Essa disposição está explicada em declarações recentes, entre elas a de que a partir da sua posse, ele será o “governador de todos os maranhenses”.

O fasto é que, ao mesmo tempo em que trabalha preparando a transição e se prepara para assumir as rédeas da máquina estadual, organizando-se para “começar a trabalhar no primeiro dia”, o governador eleito abre caminho para uma relação bem mais ampla com os prefeitos, começando, claro, pelos que o apoiaram a sua candidatura e se tornaram parte de um ousado e vitorioso projeto político.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão diz que as eleições passaram, mas o Governo não vai parar

Carlos Brandão: as eleições passaram,
mas o Governo segue em frente

O governador Carlos Brandão (MDB) fez ontem um movimento para mostrar que, passadas as eleições, a derrota do seu candidato, Orleans Brandão (MDB), para o Governo do Estado não alterou o seu ânimo no comando do Governo. Em vídeo divulgado no início da noite nas redes sociais, o mandatário maranhense avisou que seu Governo vai continuar em ritmo acelerado até o final de dezembro.

Sem demonstrar desânimo pelo resultado das urnas, nem se referir a qualquer tema relacionado ao cenário político, como o seu posicionamento em relação ao 2º turno da corrida presidencial, o governador anunciou um pacote de obras que, segundo assegurou, serão entregues até dezembro e “vão melhorar a vida das pessoas”. Sua mensagem é a seguinte:

“Olá pessoa, as eleições passaram, mas o Governo continua no mesmo ritmo, com muitas obras e ações que melhoram a vida das pessoas. Tem muita coisa para entregar até o final do ano.

Vamos começar em Imperatriz, entregando o TEA e a Clínica Sorrir. Vamos continuar entregando os nossos centros de hemodiálise, para a gente bater a nossa meta, que são seiscentas cadeiras – eram 279. Vamos continuar também equipando os hospitais e entregando também hospitais ali que ainda faltam ser concluídos.

Na área da educação, vamos entregar chromebooks para professores, vamos continuar entregando tablets para alunos e concluir as obras que estão em andamento de reforma das escolas.

Na área da segurança alimentar, vamos continuar investindo nos restaurantes populares. (…) Quando a gente assumiu, eram apenas 96, hoje são mais de 230. Nós vamos chegar a todos os municípios, faltam apenas 11, e nós vamos entregar isso até dezembro.

Na área da infraestrutura, vamos entregar obras estruturantes e obras importantes, como a nova Litorânea. Vamos entregar na Baixada a MA-014 totalmente requalificada, e a implantação da Travessia da Baixada, uma nova estrada, que vai de Anajatuba até São João Batista, reduzindo em três horas o acesso à Baixada. Vamos entregar também a requalificação da Avenida Pedro Neiva de Santana, que liga Imperatriz a João Lisboa.

Em São Luís, no Centro Histórico, vamos entregar a requalificação completa do antigo Hotel Vila Rica, onde vamos colocar oito secretarias. Temos também a entrega dos Hotéis Vila Galé, que vai revitalizar o Centro Histórico e dar uma nova opção para o turista.

Além disso, nós temos também a requalificação da Lagoa da Hansen, com várias obras importantes e mais um cartão postal para São Luís.

O governador Carlos Brandão termina sua fala com algumas informações sobre concursos no estado.

Derrotados nas urnas, Eliziane e Weverton têm atitudes diferentes em relação a Lula no 2º turno

Eliziane Gama: garra por Lula da Silva;
Weverton Rocha, ainda fora da guerra

Os senadores Eliziane Gama (PT) e Weverton Rocha (PDT)l que receberam o aval declarado do presidente Lula da Silva (PT) no 1º das eleições, adotaram posições diferentes em relação ao 2º turno da eleição para o Palácio do Planalto.

Sem se deixar abalar pela derrota nas urnas, Eliziane Gama assumiu a sua condição de petista, arregaçou as mangas e, a exemplo do vice-governador Felipe Camarão, saiu a campo e está em campanha aberta pela reeleição dom presidente Lula da Silva. Faz uma campanha de mobilização, estimulando eleitores indecisos ou desanimados a irem às urnas e recomendando o voto no chefe da Nação.

Por sua vez, sentindo o amargor da derrota nas urnas, Weverton Rocha não nega voto ao presidente Lula da Silva, mas não parece disposto a levantar a bandeira presidencial e ir para as ruas. Nos bastidores correm versões diferentes para o desânimo do senador pedetista em relação à candidatura do presidente da república, de quem foi vice-líder no Senado.

Uma delas diz que Weverton Rocha votará em Lula da Silva, mas não “dará o sengue” na caça ao voto. Outra versão sugere que o senador está apenas aguardando o momento certo para entrar na guerra em favor do presidente.

São Luís, 10 de Outubro de 2026.

Forças políticas maranhenses ainda não estão todas posicionadas na disputa presidencial

Eduardo Braide, Felipe Camarão e Carlos Brandão:
posições diferentes na corrida presidencial

Quem vai com quem no 2º turno da eleição presidencial no Maranhão? Neste momento, a resposta para essa indagação é ainda imprecisa, com o PT de um lado tentando mobilizar suas forças e galvanizar o eleitorado tradicional do presidente Lula da Silva, e do outro vozes da direita bolsonarista ou não tentando encontrar uma unidade, e no centro o governador eleito Eduardo Braide (PSD) tendendo a seguir o seu partido para o plano da neutralidade, e o governador Carlos Brandão (MDB) ainda analisando o cenário, para decidir se vai com tudo apoiando pela reeleição do presidente Lula da Silva, se apoiará o líder petista de maneira mais discreta, se preferirá a neutralidade ou virar o jogo e apoiar Flávio Bolsonaro. Vê-se, portanto, um cenário ainda nebuloso em alguns campos, mas que logo ganhará uma forma definitiva.

Distante dessa guerra no 1º turno, quando se dedicou inteiramente à sua campanha pelos Leões, com o argumento de que não seguiria “nem para a direita, nem para a esquerda, mas para a frente”. Eduardo Braide mostrou a eficácia da neutralidade, que embalou a sua candidatura, enquanto seus dois principais oponentes, Orleans Brandão (MDB) e Felipe Camarão (PT), digladiavam pelo apoio do presidente Lula da Silva. Deu no que deu. Agora governador eleito, e diante da decisão do seu partido de adotar a neutralidade, preferindo não seguir a adesão do ex-candidato do PSD, Ronaldo Caiado, a Flávio Bolsonaro (PL), Eduardo Braide encontra-se à vontade e inclinado a permanecer neutro.

Por sua vez, o vice-governador Felipe Camarão faz o que se esperava dele: entra de cabeça em campanha pela reeleição do presidente Lula da Silva, inclusive convidando o governador Carlos Brandão e o governador eleito Eduardo Braide para somar em favor do presidente. O faz tentando ser o polo catalizador do PT nessa guerra. A maneira aguerrida e contundente como Felipe Camarão deflagrou a campanha causou incômodo na cúpula estadual do PT. O vice-governador, porém, segue na cabeça do movimento pró-Lula no Maranhão.

A grande expectativa em relação à disputa presidencial é o governador Carlos Brandão (MDB), que apoiou declaradamente a reeleição o líder petista, posição adotada pelo seu candidato Orleans Brandão. Ele vê agora as forças da aliança governistas se posicionarem, em grande medida, a favor de Flávio Bolsonaro, sabendo que pouco poderá influenciar nesses posicionamentos. Um grande grupo de prefeitos estaria pressionando o governador para que ele rompa o laço político e eleitoral com o presidente da República e declare apoio ao senador do PL. Por conta dessa movimentação, a indagação que está no ar é a seguinte: o governador Carlos Brandão convocará para a guerra pró-Lula as forças que compõem a aliança partidária que comanda, tendo Orleans Brandão na linha de frente? Ou dará um apoio mais discreto? Sua decisão será um gesto muito bem pensado, pois sabe que terá um preço político.

As posições mais claras nesse contexto é a dos senadores em fim de mandato e os senadores eleitos. Derrotada nas urnas, a senadora Eliziane Gama (PT) manteve a coerência e declarou apoio incondicional à reeleição do presidente Lula da Silva, enquanto o senador Weverton Rocha (PDT), também não reeleito, tem dito que apoiará o chefe da Nação. Por sua vez, os dois senadores eleitos estão divididos. André Fufuca (PP) já avisou ao comando nacional do seu partido que, na condição de ex-ministro do Esporte, pedirá votos para o presidente Lula. Já Lahesio Bonfim seguiu para Brasília, onde anunciou, com o estardalhaço que lhe é peculiar, apoio incondicional a Flávio Bolsonaro, fazendo uma verdadeira mise-en-scène de mambembe contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino.

Nove entre dez observadores da cena política maranhense aposta que, independentemente do posicionamento das forças políticas do estado e do desfecho do pleito no plano nacional, o presidente Lula da Silva baterá Flávio Bolsonaro nas urnas do Maranhão.  

PONTO & CONTRAPONTO

Famem: Roberto Costa deflagra processo sucessório e Rildo Amaral aparece como nome forte

Roberto Costa deflagra sucessão;
Rildo Amaral é nome forte

A decisão, politicamente sensata e equilibrada, do prefeito de Bacabal, Roberto Costa (MDB), de não concorrer à reeleição na presidência da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), criou as condições para intensa disputa sucessória na entidade municipalista. Vários pretendentes se manifestaram

De cara, o nome mais forte para a disputa é o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral (PP). Por dois motivos: ele saiu fortalecido da corrida eleitoral, com a eleição de Eduardo Braide para o Governo do Estado e André Fufuca para o Governo do Estado.

A exemplo do presidente Roberto Costa, que tem excelente interlocução com o governador Carlos Brandão e canais abertos em Brasília pela sua relação com o presidente Lula da Silva, Rildo Amaral teria canal aberto com o futuro governador Eduardo Braide, e contaria totalmente com o senador André Fufuca (PP), que é uma espécie de patrono da sua gestão na prefeitura tocantina.

Isso sem contar o peso político de Imperatriz, o segundo maior e mais importante município do Maranhão.

É claro que outros prefeitos estão credenciados para comandar a Famem, e que é importante uma disputa saudável pelo comando da entidade. Até porque sob a presidência do prefeito Roberto Costa a entidade ganhou mais estatura e importância no universo municipalista maranhense.

Escalado por Brandão, Madeira vai coordenar a transição para o Governo Braide

Sebastião Madeira comanda a transição

Renomeado pelo governador Carlos Brandão (MDB) secretário-chefe da Casa Civil, o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, assumiu sua última e importante tarefa no cargo: coordenar a transição para o novo Governo.

Não é uma tarefa simples, pois um processo de transição é complexo e cujo sucesso depende, em larga medida, do bom entendimento entre os representantes do governador eleito Eduardo Braide, e dos porta-vozes do governador Carlos Brandão.

A transição é um processo direto, de fornecimento de informações pelo atual Governo ao futuro comando do Estado. Não existe meio termo, é o famoso “preto no branco” com plena transparência.

Ao mesmo tempo em que o governador eleito Eduardo Braide escalou para a equipe de transição nomes como o secretário municipal de Planejamento Simão Cirineu Dias e o secretário de Fazenda Jesus Azzolini, expressões de competência e experiência no que fazem, o governador Carlos Brandão entregou a Sebastião Madeira o comando do processo.

E a explicação é simples: Sebastião Madeira foi quatro vezes deputado federal e prefeito eleito e reeleito de Imperatriz, ao que se acrescenta quase quatro anos de Casa Civil. Além disso, é um político de visão aberta e que sempre teve boa interlocução com Eduardo Braide como prefeito de São Luís, apesar do abismo político que separou o Palácio de la Ravardière do Palácio dos Leões naquele período.

Não há dúvida de que sob a coordenação de Sebastião Madeira a transição será tranquila.

São Luís, 09 de Outubro de 2026.

Eleição de Braide pôs o “brandonismo” em quarentena, quase desmontou o “dinismo” e colocou o sarneysismo em xeque

Carlos Brandão sairá com governo bem avaliado;
Felipe Camarão tenta manter o “dinismo” de pé
e Roseana Sarney vê o fim do sarneysismo

O desfecho da eleição para governador do Maranhão e senador produziu uma série de mudanças no cenário político estadual. Além de eleger Eduardo Braide (PSD), um político sem grupo – pelo menos até aqui -, as urnas desmontaram todos os segmentos articulados que contra ele se posicionaram, a começar pela aliança articulada pelo governador Carlos Brandão (MDB), colocou o grupo Sarney em xeque, assim como os escassos remanescentes do que foi chamado “dinismo”. Sem nenhum representante parlamentar a partir de 1º de janeiro, depois de 60 anos com influência decisiva na vida política do estado, o sarneysismo desaparecerá de vez, sendo lembrado somente pela presença do ex-presidente José Sarney (MDB) como uma legenda no cenário político estadual.

A derrota de Orleans Brandão (MDB) na corrida ao Governo do Estado foi um desastre político cujo ônus recaiu inteiramente sobre o governador Carlos Brandão, que foi o mentor e o patrono desse projeto sucessório cheio de riscos. Político experiente, com vivência ampla no jogo do poder, que teve participação efetiva na eleição de Jackson Lago (PDT) em 2006, por exemplo, o governador Carlos Brandão desenhou um projeto sucessório arrojado, mas com muitas e fatais falhas de cálculo. O resultado é que o mandatário maranhense irá para casa sem nada, mas pessoalmente reconhecido por muitas realizações do seu Governo, principalmente em São Luís e Imperatriz, o que lhe dará fôlego para projetar o seu futuro para 2030.

O mesmo se aplica ao chamado Grupo Dinista, que foi praticamente dizimado, perdendo feio na corrida aos Leões com o vice-governador Felipe Camarão (PT) e na disputa pelas duas cadeiras no Senado. Será lembrado apenas pela senadora Ana Paula Lobato (PSB), pelos deputados federais Rubens Júnior (PT) e Márcio Jerry (PCdoB) entre os 18 deputados federais, e apenas o deputado estadual Leandro Bello (PSB) como um verdadeiro herói da resistência entre os 42 deputados que comporão a nova Assembleia Legislativa. O vice-governador Felipe Camarão tenta dar sobrevida ao grupo, mas não irá a lugar algum se Flávio Dino permanecer no Supremo Tribunal Federal.

Mas o desdobramento mais efetivo e mais simbólico da corrida eleitoral de 2026 é o fim do sarneysismo. A não eleição da deputada federal Roseana Sarney na corrida ao Senado funcionou como um estridente “basta” na existência do sarneysismo como grupo político ativo no Maranhão e fora dele. Isso porque, a partir do primeiro minuto de 2027, não haverá um só Sarney com mandato, pois nenhum membro da nova geração da família assumiu o legado político criado ao longo de seis décadas pelo ex-governador, ex-senador e ex-presidente da República José Sarney, a exemplo do ex-deputado estadual Adriano Sarney, que não teve garra para dar sobrevida ao sarneysismo.

O que lhe restará de espaço político será o braço estadual do MDB, que provavelmente sairá do controle do governador Carlos Brandão já no ano que vem. Isso porque, como manda a implacável lógica da política, políticos da estatura dos deputados federais eleitos Iracema Vale (MDB) e Hildo Rocha (MDB), por exemplo, dificilmente se submeterão ao comando de Orleans Brandão, atual presidente regional do partido. Ficarão igualmente desconfortáveis se Roseana Sarney, sem mandato, deixando de ser, portanto, a maior referência emedebista, tentar voltar ao comando da legenda no Maranhão. É improvável que o deputado federal reeleito Júnior Lourenço venha a se interessar pelo comando partidário. E a deputada federal eleita Larissa DP, então, nem se fala.

E tudo indica que a tarefa hercúlea de comandar o MDB do Maranhão recairá sobre os ombros do prefeito de Bacabal, Roberto Costa (MDB) que é forte aliado dos Sarney, mas compreende a dimensão da virada causada pela perda de poder que está a caminho, com a eleição de Eduardo Braide.

PONTO & CONTRAPONTO

Camarão e Orleans sinalizam caminhos diferentes na corrida de Lula no 2º turno

Felipe Camarão já faz campanha para Lula;
Orleans Brandão não se posicionou ainda

Derrotados na disputa pelo Palácio dos Leões, o vice-governador Felipe Camarão (PT) e o ex-secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão, anunciaram rumos diferentes de agora por diante.

Em clima de tensão dentro do PT, após críticas que fez à postura do partido no 1º turno das eleições, o vice-governador Felipe Camarão assumiu a posição de coordenador da campanha do presidente Lula da Silva no Maranhão, contrariando alguns cardeais do partido. Disposto a tomar iniciativas para fortalecer a posição do presidente Lula da Silva no Maranhão, o vice-governador chegou a propor a presença do vice-governador Eduardo Braide (PSD), do governador Carlos Brandão (MDB) e de Orleans Brandão no palanque do presidente no Maranhão.

– Não tenho problema nenhum de dividir o palanque do Lula com quem quer que seja – postou Felipe Camarão nas suas redes sociais, visivelmente animado e, ao que parece, disposto a fazer que for possível para devolver a atenção que recebeu do presidente da República na campanha do 1º turno.

Por sua vez, Orleans Brandão, que durante a campanha do 1º turno incluiu o apoio ao presidente Lula da Silva em todas as suas falas, avisou que está saindo da cena política para passar mais tempo com a família e retornar às atividades empresariais. E sem fazer qualquer referência à campanha presidencial no 2º turno, avisou que logo retornará à cena política.

Presidente regional do MDB, Orleans Brandão vem sinalizando interesse em retornar à cena política “em breve”, o que pode ser um recado avisando que disputará uma Prefeitura em 2028 ou um mandato parlamentar ou o próprio Governo do Estado em 2030.

Ex-prefeitos Edivaldo Jr. e Conceição Andrade viram a derrota do seu candidato em São Luís

Edivaldo Jr. e Conceição Andrade viram
seu candidato perder em São Luís

Dois ex-prefeitos de São Luís, Edivaldo Jr. (MDB), diretamente, e Conceição Andrade (MDB), indiretamente, saíram derrotados nas urnas de 2026. Ele foi candidato a vice-governador na chapa de Orleans Brandão, enquanto ela trabalhou duro pela eleição do emedebista e da candidata do MDB ao Senado, Roseana Sarney (MDB).

Edivaldo Jr. apostou alto na candidatura a vice-governador. Mas o resultado foi um fracasso retumbante para ele. Primeiro porque o eleitorado de São Luís não atendeu aos seus apelos, mostrando que a sua liderança é frágil na Capital, que ele comandou por oito anos.

Edivaldo Jr. projetou que, se eleito vice-governador, tentaria voltar à Prefeitura de São Luís em 2028, provavelmente enfrentando a prefeita Esmênia Mirante. A eleição de Eduardo Braide (PSD) foi uma pancada que deixou o ex-prefeito de São Luís abalado.

Há muito distante das urnas, agora dedicada a curtir a sua aposentadoria, ex-prefeita Conceição Andrade abraçou com entusiasmo a candidatura de Roseana Sarney ao Senado e do deputado federal Hildo Rocha (MDB) à reeleição. Só comemorou a vitória de Hildo Rocha.

São Luís, 08 de Outubro de 2026.

A Assembleia Legislativa que saiu das urnas tem o desafio de mostrar visão política e preparo legislativo

Em Tempo: a disposição das imagens corresponde à relação formatada no texto por ordem de votação, abrindo com Maedja Campos e fechando com Leandro Bello

A Assembleia Legislativa foi alvo de uma das mais amplas renovações registradas em eleições recentes. Nada menos que 24 dos 42 deputados encerrarão os seus mandatos no dia 31 de dezembro. Os seus sucessores, que representarão a nova “cara” do Poder Legislativo estadual, formam uma larga colcha de retalhos políticos na qual predominam a relação familiar, o compadrio político e, em poucos casos, o político forjado nas lutas partidárias. O retrato sem retoques dos deputados eleitos e reeleitos em 2026 é o que se segue, por ordem de votação.

Maedja Campos (PDT), jornalista e primeira-dama de Paço do Lumiar, recebeu 102.694 votos sem qualquer histórico de ação política, devendo quase integralmente a sua votação ao marido, o bem avaliado prefeito Fred Campo (PSB).

Gleydson Resende (MDB), com 95.645 votos, é empresário e foi três vezes prefeitos de Barão de Grajaú, município do sul maranhense com 19 mil habitantes.

Paulo Casé Fernandes (União), 95.608 votos, é engenheiro e arquiteto, foi secretário de Desenvolvimento Social do atual Governo, e comandou a ampliação da rede de Restaurantes Populares. É irmão do deputado federal Pedro Lucas Fernandes e filho do prefeito de Arame, Pedro Fernandes (União).

Cricielle Muniz (PT), 85.630 votos, somou a sua longa e intensa militância no PT com o prestígio de haver comandado a rede de escolas Iema, na qual realizou uma boa gestão. Tem substância atuar bem.

Detinha (PL), 83.546 votos, retorna à Assembleia Legislativa, com o objetivo de dar mais suporte ao marido, Josimar de Maranhãozinho como presidente do PL do Maranhão. Tem sólida experiência política e parlamentar.

Josimar Júnior (PL), 83.112 votos, é médico, filho de Detinha e Josimar de Maranhãozinho, inicia trajetória para assumir o comando da banda mais forte do PL do Maranhão.  

Douglas Pinto (PSD), 82.338 votos é jornalista conhecido (TV Mirante), elegeu-se vereador de São Luís em 2024 com votação avassaladora, foi muito ativo na Câmara Municipal, e chega à Assembleia Legislativa como o principal porta-voz do prefeito Eduardo Braide (PSD).

Vanessa Marreca (MDB), 81.322 votos, é fisioterapeuta por formação e chega à Alema como o braço estadual do clã dos Marreca.

Aluízio Santos (PL), 77.591 votos, é engenheiro civil e se reelegeu lastreado pela força política da mulher, a atuante e bem avaliada prefeita de Chapadinha, Dulcilene Belezinha (PL).

Marcos Miranda Jr. (PSB), 76.687 votos, se apresenta como empresário e sócio de uma rede de postos de combustíveis na região polarizada por Bacabal, onde seu pai disputou sem sucesso a Prefeitura em 2024.

Bruna Pessoa (MDB), 73.125 votos, é advogada e empresária, mas o que pesou na sua votação foi o fato de ser irmã do prefeito de Tuntum, Fernando Pessoa, que foi o mentor e o combustível da sua eleição.

João Igor Carvalho (PDT), 69.440 votos, é médico e chega ao parlamento estadual credenciado politicamente como ex-prefeito de São Bernardo, no Vale do Parnaíba.

Tiago Fernandes (MDB), 66.500 votos, advogado que ganhou prestígio e capilaridade política e eleitoral como secretário de Saúde do Governo Carlos Brandão.

Ulisses Gonçalves (PL), 66.214 votos, é um produtor rural com ensino médio que atua na região sul do estado.

Daniella (MDB), reeleita com 66.040 votos, nutricionista, vai para o terceiro mandato pelo bom desempenho parlamentar e pela força política do marido, o ex-prefeito de Caxias, Fábio Gentil.

Abigail Cunha (MDB), reeleita com 65.720 votos, primeira-dama de Barra do Corda, reeleita sem exercer o mandato na Assembleia Legislativa, tendo atuado como secretária da Mulher no Governo, no bojo de um acordo para garantir vaga ao suplente Pará Figueiredo (PL).

Antonio Pereira (MDB), reeleito 64.204 votos, é médico com base na região Tocantina, vai para o sétimo mandato consecutivo, consolidando-se como um político bem articulado, tendo emplacado sua mulher, Carol Pereira como vice-prefeita de Imperatriz.

João Batista Segundo (PL), reeleito com 63.000 votos, é um empresário de Pinheiro, sem formação superior, mas muito atuante na região,

Davi Brandão (MDB), reeleito com 61.692 votos, é engenheiro civil e filho do ex-prefeito de Bacabal, Edvan Brandão e exerceu bem o primeiro mandato.

Ivo Resende (MDB), 59.982 votos, é advogado, com sólido lastro político construído como prefeito de São Mateus e presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem).

Florêncio Neto (MDB), reeleito com 59.353 votos, advogado e com base em Bacabal, onde atua como político e empresário seguindo os passos do pai, o ex-deputado Carlinhos Florêncio.

Solange Almeida (PL), reeleita com 58.649 votos, é advogada e empresária com atuação forte em Santa Inês, cuja Prefeitura disputou em 2024, e na região.

Rui Jorge (MDB), 54.786 votos, é um empresário que atua na região central do estado e em São Luís e que tem como principal cacife a condição de filho da  prefeita de Lago da Pedra, a competente Maura Jorge (MDB).

Paula Prata (PSD), 52.300 votos, é empresária, tem formação superior e o seu principal suporte político é o marido, o prefeito de Santa Inês, Felipe dos Pneus.

Luana Rezende (PT), 51.260 votos, é médica e ex-prefeita de Vitorino Freire, integrando a base do clã Rezende, juntamente com o irmão, o ex-ministro e deputado federal reeleito Juscelino Filho (PSDB).

Túlio Rezende (MDB), 50.716 votos, tem apenas 21 anos e é ainda estudante universitário, e na política representa a outra banda do clã Rezende, agora com a tarefa de substituir a mãe, deputada Andreia Rezende, já que o pai, o ex-deputado Stênio Rezende, não pode ser candidato.

Cláudio Cunha (PL), reeleito com 49.394 votos, empresário e ex-radialista, tem seu cacife montado como ex-prefeito, eleito e reeleito, de Apicum-Açu.

Neto Evangelista (MDB), reeleito com 48.329 votos, vai para o quinto mandato como um dos políticos mais atuantes da sua geração e reconhecido como um dos mais importantes articuladores da política estadual.

Francisco Nagib (MDB), reeleito com 47.348 votos, foi prefeito de Codó e é filho do atual prefeito, Chiquinho da FC (PT). Ao mesmo tempo, é vice-presidente do poderoso grupo empresarial FC Oliveira, o que lhe garante um gás político extra.

Ariston Ribeiro (MDB), reeleito com 46.511 votos, é empresário na área de revenda de motocicletas e ex-vice-prefeito de Santa Rita, aliado do ex-prefeito Hilton Gonçalo.

André Campos (Republicanos), 45.740 votos, vereador de São Luís que agora migra para a Alema respaldo por uma sólida experiência em gestão pública como dirigentes do Detran, da Funasa, a da Agência Metropolitana, do Governo do Estado.

Cláudia Coutinho (MDB), reeleita com 44.914 votos, é enfermeira e representa uma banda dissidente do Grupo Coutinho em Caxias, tendo como mentor e principal apoiador o empresário e ex-prefeito de Matões do Norte Ferdinando Coutinho.  

Júnior Viana (MDB), 44.762 votos, foi um dos principais assessores do governador Carlos Brandão no viés municipalista do seu Governo, função por meio da qual construiu a base da sua candidatura.

Eric Costa (Republicanos), reeleito com 43.502 votos, é advogado e empresário, com lastro político e eleitoral sedimentado em dois mandatos como prefeito de Barra do Corda.

Cid Costa (PDT), 35.469 votos, é advogado e pecuarista e ergueu sua base política como prefeito eleito e reeleito de Buriti Bravo.

Catulé Júnior (Republicanos), reeleito com 34.670 votos, é advogado, ex-vereador em Caxias, atuou como secretário de Turismo do Governo Flávio Dino, e como deputado mostrou-se um parlamentar articulado, de posições firmes e coerentes.

Dino do Aldenora Bello (PSD), 33.664 votos, atua politicamente para preservar o complexo hospitalar Aldenora Bello, dedicado ao tratamento contra o câncer, legado construído pelo seu avô, o médico e ex-governador Antônio Dino.

Natália do Júnior Garimpeiro (União), 32.486 votos, 21 anos, é apenas uma jovem que entrou na política inteiramente bancada pelo marido, o conhecido Júnior Garimpeiro.

Júnior Cascaria (Republicanos), reeleito com 32.338 votos, é um técnico em contabilidade que virou empresário e conseguiu comandar a Prefeitura de Porção de Pedras por dois mandatos.

Leonardo Sá (PRD), 30.876 votos, é um médico que já foi deputado estadual, que tentou, sem sucesso, a prefeitura de Pinheiro, e agora volta a Assembleia Legislativa.

Júnior Vieira (PSD), 28.914 votos, é um político com formação em administração.

Leandro Bello (PSB), reeleito 27.328 votos, é advogado e o único sobrevivente da chamada “bancada dinista” na Assembleia Legislativa, tendo renovado o mandato graças às articulações que fez em Timon e na região Leste.

É como eles que o governador Eduardo Braide vai conviver institucional e politicamente durante o seu Governo.

PONTO & CONTRAPONTO

Se ganhou muito em renovação, o parlamento estadual também perdeu em qualidade legislativa

Arnaldo Melo, Carlos \Lula, Othelino Neto,
Rodrigo Lago, Yglésio Moises, Osmar
Filho, Fernando Braide e Wellington do
Curso farão falta na Assembleia Legislativa

Se por um lado mandou quadros jovens e renovou mandatos de deputados tarimbados, por outro, a Assembleia Legislativa perdeu muito em experiência e em qualidade ao não ter renovados vários mandatos que lhe darão estatura política e institucional até o dia 31 de dezembro.

Por razões diferentes deixarão o Palácio Manoel Beckman os deputados Arnaldo Melo, Othelino Neto (PSB), Carlos Lula (PSB), Rodrigo Lago (PSB), Yglésio Moises (PRD), Osmar Filho (MDB), Fernando Braide (PSD) e Wellington do Curso, todos parlamentares de ponta, em que pensam as diferenças que os separam.

O deputado Arnaldo Melo é uma legenda parlamentar com nada menos que oito mandatos consecutivos, trajetória ao longo da qual líder de bancada, líder de Governo e presidente do parlamento estadual. Médico por formação, sempre teve olhar para os problemas sociais, preocupação que o levou a fundar a Frente Parlamentar contra a Fome, que mobilizou a Assembleia Legislativa em alguns momentos importantes. Fará falta como articulador e conselheiro em momentos de crise.

Os deputados Carlos Lula e Rodrigo Lago encarnaram a visão política e institucional que predominou durante os sete anos do Governo Flávio Dino, do qual foram integrantes de proa. Advogados com elevado nível de preparo técnico, os dois fizeram diferença como oposicionistas numa Casa predominantemente governista.

Mesmo com um caminhão de votos, o deputado Othelino Neto não conseguiu o passaporte para trabalhar em Brasília. E vai deixar na Assembleia Legislativa um espaço expressivo na articulação e na tomada deposições, e com o lastro de cinco anos como presidente da Casa.

Abatido na aventura de tornar-se deputado federal, o deputado Yglésio Moises (PRD) fará falta nos debates, na produção legislativa farta e de alto nível, assim como a sua elevada competência como orador e o seu talento como tribuno, mesmo levando em conta o excesso de agressividade em alguns momentos. Numa outra seara, o parlamento perde Wellington do Curso (PSD), um deputado aguerrido, de espírito insubordinável e posições independentes, que farão falta no plenário a partir de janeiro.

Deixarão também a Assembleia Legislativa os deputados Osmar Filho (MDB), que não conseguiu a reeleição para o quarto, ao que se somam três mandatos de vereador de São Luís, e Fernando Braide, que foi um dos destaque entre os parlamentares de primeiro mandato.

Isso sem contar que a Assembleia Legislativa ficará sem as deputadas Iracema Vale (MDB) presidente da Casa, e Fabiana Vilar (PL), que deram show de competência eleitoral, conseguiram votações consagradoras e vão passar os próximos quatro anos em Brasília.

São Luís, 07 de Outubro de 2026.

Braide manda duros recados a adversários nas suas falas como governador eleito

Eduardo Braide: recados duros
a adversários após eleição

Em diversos pronunciamentos que fez e entrevistas que concedeu após confirmada a sua vitória nas urnas, o governador eleito do Maranhão, Eduardo Braide (PSD), deu algumas declarações fortes, duras, em tom de recado aos seus adversários, a respeito de problemas que enfrentou durante a campanha, e sobre como vai se posicionar em relação, por exemplo, às empresas de transporte coletivo de São Luís, aos ataques ao Hospital da Criança, e sobre a providência que adotará em relação ao empréstimo de R$ 1,2 bilhão contratado pelo governador Carlos Brandão (MDB), liberado no mês passado. Deixou claro que quer tais situações passadas a limpo.

O governador eleito não esqueceu a denúncia contra o Hospital da Criança, uma das joias do seu Governo, no que respeita à morte de dezenas de crianças. Ele defendeu o hospital e a gestão, e acusou adversários políticos de pagarem lideranças e famílias de comunidade periférica para acusar a Prefeitura de má gestão. “Fizeram uma armação política, com lideranças compradas”, disse, para em seguida afirmar que quer tudo esclarecido e envolvidos responsabilizados judicialmente.

Nas avaliações que tem feito desde domingo (04) em conversas com jornalistas, o governador eleito Eduardo Braide tem batido, repetidamente, nos baixos indicadores sociais do Maranhão, os quais, garante, pretende reverter. A declaração mais recente sobre o tema foi a seguinte: “O Maranhão tem os piores indicadores sociais e econômicos. Fizeram muita política e pouca gestão no estado. O que nós vamos fazer é gestão. E a nossa maior missão é fazer com que as riquezas do Maranhão cheguem às mãos doa maranhenses”.

Na noite de domingo, no discurso que fez na Praça Maria Aragão para a multidão ali reunida para comemorar o resultado das urnas, o governador eleito denunciou que teria havia um complô das empresas de transporte coletivo para reduzir o número de ônibus que circulariam na Capital, gratuitamente, no dia da eleição. Chamando a prefeita Esmênia Miranda (PSD) para ficar ao seu lado no palanque, ele acusou os empresários de tramarem a redução e avisou: “Eu os enfrentei como prefeito. E agora, vou enfrenta-los como governador”. Acrescentando que os que não se submeterem às regras serão substituídos.

A declaração mais dura, essa um recado direto ao governador Carlos Brandão (MDB), foi a respeito do empréstimo de R$ 1,3 bilhão, contratado pelo Governo do Estado e liberado em setembro. Sobre o assunto, o governador eleito Eduardo Braide declarou o seguinte nas redes sociais:

“Eu queria que o Brasil soubesse de um caso escandaloso, que teve aqui no Maranhão. No dia 18 de setembro, o Governo Federal liberou 1 bilhão e 300 milhões de reais de um empréstimo para o atual governador do Estado. Imagine você, a menos de 15 dias da eleição, o Governo Federal libera 1 bilhão e 300 milhões de reais. E o detalhe: em menos de 15 dias, esse dinheiro já foi gasto pelo Governo do Estado em obras que a gente não vê, em ações que a gente não vê. Por isso, minha primeira medida como governador será fazer um pente fino, uma auditoria em cada centavo desse dinheiro, e acionar judicialmente quem tiver que devolver, porque o povo do Maranhão não vai pagar essa conta de campanha do atual governador do Estado”.

Numa entrevista à TV Jovem Pan, o governador eleito do Maranhão sinalizou que está determinado a passar a limpo todas as dúvidas que existirem quanto à destinação de recursos do Estado: “Vocês vão ouvir muita coisa a respeito dessa vitória, mas a verdade é que aqui teve um candidato eleito pelo povo do estado, que lutou contra tudo e contra todos”.

PONTO & CONTRAPONTO

Maioria da nova bancada na Câmara Federal caminha para se aliar ao Governo Braide

Iracema Vale, Larissa DP, Hildo Rocha,
Júnior Lourenço, Vinícius Ferro,
Fabiana Vilar, Aldir Júnior, Mariana
Carvalho, Dr. Orlando, Pedro Lucas
Fernandes, Josivaldo JP, Márcio Jerry,
Rubens Júnior, Juscelino Filho, Erlânio
Xavier, Aluísio Mendes, Marreca
Filho e Amanda Gentil formam a
bancada federal com a qual
Eduardo Braide conviverá

A bancada que o Maranhão manda para a Câmara Federal se alinhará ao governador Eduardo Braide? A indagação se deve ao fato de o partido dele, o PSD, não ter feito nenhum deputado federal e é muito diversificada em matéria de partido político, sendo o MDB, com cinco deputados, a mais forte em matéria de representação partidária. Logo atrás está o PL, com quatro deputados, e o União Brasil com dois, seguido de PT, PDT, PSDB, PP e Republicanos, com um deputado cada, que podem se alinhar ao futuro Governo estadual.

O MDB conta com Iracema Vale, Hildo Rocha, Vinícius Ferro, Larissa DP e Júnior Lourenço, que até aqui rezam na cartilha do governador Carlos brandão e não sinalizaram ainda como se comportarão em relação ao governador Eduardo Braide.

Com quatro deputados – Fabiana Vilar, Aldir Júnior, Mariana Carvalho e Dr. Orlando -, mas dividida em duas correntes, uma ligada a Mariana Carvalho e outra comandada por Josimar de Maranhãozinho, a bancada do PL não deve criar dificuldades para o governador Eduardo Braide.

Mesmo estando até aqui alinhada ao governador Carlos Brandão e tendo apoiado a candidatura der Orleans brandão, a bancada do União Brasil, formada pelos deputados reeleitos Pedro Lucas Fernandes e Josivaldo JP, caminha para apoiar o Governo de Eduardo Braide.

Finalmente, por diferentes caminhos e em tons variados, os deputados Rubens Jr. (PT), Márcio Jerry (PCdoB), Erlânio Xavier (PDT), Juscelino Filho (PSDB), Amanda Gentil (PP), Aluísio Mendes (Republicanos) e Marreca Filho (PRD) tendem a apoiar o Governo de Eduardo Braide.

Em Tempo: O governador eleito Eduardo Braide contava com a eleição do seu irmão, o deputado estadual Fernando Braide (PSD), para a Câmara Federal. Ele teve votos suficientes, mas o seu partido não conseguiu alcançar o coeficiente eleitoral, o que impediu a sua eleição.

Imperatriz: Apontado como “traidor” por aliados de Brandão, Rildo se fortalece com a eleição de Braide e Fufuca

Rildo Amaral com Eduardo Braide:
muita pancada e volta por cima

Poucas personalidades políticas comemoraram tanto a eleição de Eduardo Braide para o Governo do Estado quanto o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral (PP). “Tentaram de tudo para me desmotivar, mas eu sabia que esse era o caminho aqui em Imperatriz”, declarou, em tom de comemoração, depois de ter sido acusado de “traição” e de ter sido alvo de sombrias previsões quanto ao seu futuro político.

As dificuldades na relação política do prefeito Rildo Amaral com o governador Carlos Brandão vêm de 2024, quando o mandatário estadual ficou neutro no primeiro turno da disputa pela Prefeitura de Imperatriz, mas com muitos dos seus aliados apoiando a candidatura do deputado federal Josivaldo JP. O grupo governista só se posicionou a favor de Rildo Amaral no segundo turno.

Eleito com o apoio total do deputado federal e ministro do Esporte André Fufuca (PP), Rildo Amaral alinhavou uma relação institucional com o governador Carlos Brandão, mas deixou claro que o caminho político e eleitoral seria outro. Tanto que chegou a admitir alinhamento ao Palácio dos Leões, mas não fez uma declaração formal de apoio à candidatura de Orleans Brandão (MDB), optando por seguir André Fufuca na aliança com Eduardo Braide (PSD).

Dado o volume de obras do Governo do Estado em Imperatriz e o prestígio do governador Carlos Brandão em Imperatriz, muitos acreditaram quer Orleans Brandão seria eleito governador com maioria avassaladora em Imperatriz.

Com a escolha da vice Elaine Carneiro, Eduardo Braide virou o jogo, e o resultado foi que Rildo Amaral saiu das eleições com seu cacife político reforçado com a eleição de Eduardo Braide para o Governo e André Fufuca para o Senado.

O detalhe é que o prefeito de Imperatriz não fez ataques diretos ao governador Carlos Brandão, reconhecendo a obra do seu Governo em Imperatriz.

São Luís, 06 de Outubro de 2026.

Num pleito histórico, Braide chega ao poder com força para fazer as mudanças que anunciou na campanha

Eduardo Braide sorrindo com a eleição,
com a esposa Graziela Braide, com a
multidão na Maria Aragão, com a vice Elaine
Cordeiro, abraçando André Fufuca e
entre Graziela Braide e a Esmênia Miranda

O Maranhão político mudou radicalmente ontem com a eleição de Eduardo Braide (PSD) para o Governo do Estado em turno único. A opção feita por 2,3 milhões de eleitores, o equivalente a 54% dos voto apurados, derrotou nas urnas a candidatura de Orleans Brandão (MDB), que recebeu 1.354.044 votos, mesmo embalada pela determinação do governador Carlos Brandão (MDB) de eleger o seu sucessor, e outra, de Felipe Camarão (PT), que teve as bênção declaradas do presidente Lula da Silva (PT) e obteve apenas 354.039 votos. Eduardo Braide foi eleito tendo como vice a empresária Elaine Cordeiro (PSD), de Imperatriz, que consagrou a escolha dando larga vantagem para o governador eleito. O projeto eleitoral de Eduardo Braide foi arrematado com a eleição dos dois senadores, André Fufuca (PP e Lahesio Bonfim (Novo), num desfecho eleitoral histórico, dadas as condições em que essas eleições ocorreram.

Aos 50 anos, com um histórico de eleições incontestes, e turbinado por uma campanha simples, com mensagens diretas, promessas viáveis e uma clara e dura oposição ao status quo político do Maranhão, Eduardo Braide se elegeu governador enfrentando, com eficácia avassaladora, um projeto de poder bem estruturado, impulsionado pela força da máquina e por uma estratégia de “tudo ou nada” concebida pelo governador Carlos Brandão. Foi visto por muitos como versão de “Davi contra Golias”, por conta da diferença de cacife entre ele e Orleans Brandão, que contou ainda o poder de fogo, que falhou na maioria dos municípios. Habituado ao contato direto as o pessoas, o ex-prefeito de São Luís ajustou e direcionou o seu discurso ao cidadão mais simples, propondo benefícios viáveis.

Pragmático e sempre com os pés no chão, só tomando decisões viáveis, Eduardo Braide pensou muito e fez todos os cálculos possíveis antes de deixar a Prefeitura de São Luís para tentar chegar ao Palácio dos Leões. E a sua vitória, maiúscula nos aspectos político e eleitoral, além de impossibilitar o projeto de poder projetado pelo governador Carlos Brandão, e de mandar para o arquivo da História o que restava do Grupo Sarney, com a não eleição da deputada federal Roseana Sarney (MDB) para o Senado. E consegue um feito político e institucional para muitos improvável: construir um corredor de ligação entre o Palácio dos Leões o Palácio de la Ravardière, sede da Prefeitura de São Luís, ocupado por uma aliada incondicional, a prefeita Esmênia Miranda (PSD).

Eduardo Braide chega ao poder no Maranhão como poucos governadores chegaram: movido pelos seus próprios esforços, sem atrelamento a líder e a grupos, fazendo uma política diferenciada, que não aceita pressões, interferências nem influência ou controle de terceiros. Ele é o comandante, é ele quem decide, é ele quem corre os riscos, é ele quem põe a mão na massa, sendo, portanto, quem recebe os louros dos ganhos e quem encara as pancadas por eventuais atropelos.

Ontem à noite, antes de encarar a multidão que o aguardava na praça Maria Aragão, ao lado da esposa Graziella Braide e da prefeita Esmênia Miranda, Eduardo Braide deu a sua primeira declaração como governador eleito:

“Hoje, o povo Maranhão fez história. Mostrou toda a sua força nas urnas, força da transformação, a força da mudança do nosso estado. Mas, acima de tudo, deu um recado: quem manda no Maranhão não é o dinheiro, não é o Palácio dos Leões, não é o poder. É o povo, que governarei a partir do ano que vem.

Quem ganha a eleição com políticos, governa para os políticos; quem ganha a eleição com o povo, governa para o povo. E é com o povo que vou trabalhar como governador do Estado do Maranhão.

Vou cuidar primeiro da saúde, tirar os políticos de dentro dos hospitais do estado e colocar os hospitais para funcionar do mesmo jeito que fizemos em São Luís. Vou recuperar as nossas estradas, mas, acima de tudo, cuidar de quem mais precisa, fazer com que as riquezas do Maranhão cheguem nas mãos dos maranhenses. O Maranhão não nasceu para ter mais da metade das suas famílias abaixo da linha da pobreza, não nasceu para ter as piores estradas do Brasil, não nasceu para ter a pior educação do Nordeste. E é toda essa realidade que nós vamos começar a mudar a partir de janeiro do ano que vem”.

Eduardo Braide anunciou que vai começar a trabalhar já nesta segunda-feira, começando por nomear uma comissão de transição.

Em Tempo: Roberto Rocha (PRTB) saiu das urnas com 48.924, seguido de André Luís (Missão) com 7.905, Saulo Arcangeli (PSTU) com 4.693, Reginaldo Lima (PCB) com 1.096 e Dimas Cassimiro (PCO) com 257 votos.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão e Orleans reconhecem vitória de Braide e desejam-lhe sucesso

Carlos Brandão e Orleans Brandão divulgaram
mensagens agradecendo votos e
desejando sucesso a Eduardo Braide

Maior responsável pelo projeto de tornar Orleans Brandão seu sucessor no Governo do Maranhão, e personalidade mais atingida com o desfecho, o governador Carlos Brandão (MDB) divulgou ontem à noite, momentos depois do desfecho das eleições, nota em que se posicionou em relação à vitória de Eduardo Braide. O governador disse o seguinte:

“Democracia se faz com respeito. Reconheço a vitória do nosso adversário. Desejo que Eduardo Braide faça um bom trabalho pelo Maranhão. Recebemos a decisão do povo nas urnas com serenidade a gratidão a todos que votaram e contribuíram com a nossa campanha, que foi limpa, propositiva e marcada pelo compromisso com o povo e com a verdade. Fora 45 dias intensos, nos quais percorremos o Maranhão, estivemos perto das pessoas, ouvimos histórias, sonhos e necessidades. Nós cumprimos quatro anos, tiramos mais de 1,3 milhão de pessoas da extrema pobreza, ampliamos escolas de tempo integral, restaurantes populares, hemodiálises e transplantes, investimentos em segurança, estradas e tantas outras políticas que chegaram aos municípios.

Tenho imenso orgulho desses resultados e da trajetória de Orleans, que se entregou a essa missão de corpo e alma. Ele demonstrou preparo, coragem, equilíbrio e compromisso. Saímos desse pleito com o coração tranquilo e a certeza de que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance.

Os mais de 1 milhão e 300 mil votos que recebemos, representam confiança e também o reconhecimento de um legado construído com presença e entrega em cada canto do Maranhão. Esse trabalho não para aqui. Seguiremos governando até o último dia com responsabilidade, diálogo e respeito por todos. Desejo que o próximo ciclo seja de paz, trabalho e prosperidade para o povo maranhense”.

Algum tempo depois, Orleans Brandão, que ficou em segundo lugar com 1,2 milhão de votos divulgou nota reconhecendo a vitória de Eduardo Braide. Ele tornou público o seguinte posicionamento: “Agradeço imensamente ao governador Carlos Brandão, que sempre esteve ao meu lado e é o melhor gestor que esse estado já viu. Ao parceiro de caminhada Edivaldo Holanda Jr., que foi incansável em nossa campanha. Aos Nossos candidatos, que trouxeram apoio e alegria aos nossos eventos.

Agradeço ao povo do Maranhão pelos mais de 1 milhão e 300 mil votos de esperança nesse trabalho sólido e reconhecido por todo o estado.

Parabenizo o governador eleito Eduardo Braide, com votos de que faça um excelente Governo.

Fufuca e Lahesio chegam ao Senado mandando Roseana, Weverton e Eliziane para casa

André Fufuca e Lahesio Bonfim divulgaram
mansagem vibrando com a vitória
e agradecendo ao eleitorado

Estava escrito nas estrelas que pelo menos um dos candidatos ao Senado em aliança com Eduardo Braide seria eleito ontem. As urnas, porém, contrariaram a previsão e mandou André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo) ao Senado, deixando de fora Roseana Sarney (MDB), da aliança de Orleans Brandão. A vitória do ex-ministro do Esporte, que é deputado federal, e a do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes deram ao governador eleito um cacife extraordinário.

Deputado federal no terceiro mandato, o médico André Fufuca chega do Senado da República aos 37 anos, consolidando, em tempo adequado, um projeto político bem estruturado, que já o levou à vice-presidência da Câmara Federal, à liderança de bancada, à presidência nacional do PP e ao Ministério do Esporte, de onde saiu muito bem avaliado. Foi sereno nas situações complicadas e ousou quando deixou o grupo liderado pelo governador Carlos Brandão para se aliar a Eduardo Braide, tendo enfrentado a tentativa de emplaca-lo como “traidor”, que não prosperou. Sua eleição foi esperada por observadores atentos, mesmo em meio à variação de indicadores de pesquisas. Competente e muito bem articulado, saiu das urnas com 1.530,187 votos e tem tudo para fazer um mandato acima da média, como tem sido a sua carreira.

Lahesio Bonfim foi hábil no jogo que o levou ao Senado embalado por 1.471.859 votos. Iniciou essa jornada como candidato a governador pelo Novo, mas logo percebeu o peso do nome de Eduardo Braide na disputa. Diante de uma crise no partidos causada pelo ex-senador Roberto Rocha, desistiu do Palácio dos Leões e se candidatou ao senador, o que agravou ainda mais a crise no partido. Nesse ambiente, ele declarou apoio a Eduardo Braide, abrindo caminho para sua candidatura ao Senado e inviabilizando a candidatura de Roberto Rocha ao Governo pelo Novo. Dono de um lastros construído em 2022, quando foi o segundo mais votado para o Governo do Estado, derrotando o senador Weverton Rocha, Lahesio Bonfim encontrou na chapa do ex-prefeito de São Luís o espaço que precisava para fazer uma campanha sem sobressaltos. Esteve sempre entre os primeiros na corrida e, assim como André Fufuca, derrotou dois senadores e uma ex-governadora.

Na corrida ao Senado, Roseana Sarney recebeu 1.171.634 votos, seguida de Weverton Rocha (PDT), com 1.086.318, Eliziane Gama (PT) com 696.298, Cidônio Gonçalves (PL) 602.997, Hilton Gonçalo (Mobiliza) com 458.681, Enilton Rodrigues (PSOL) (83.949), Simplício Araújo (DC) com 23.995, Wilson Leite (PSTU) com 10.908 e Raimundo Moreira (PCB) com 5.019 votos.

Confira os eleitos para a Câmara Federal e para a Assembleia Legislativa

São Luís, 05 de Outubro de 2026.