
o confronto com Eduardo Braide
e Esmênia Miranda pelos votos da Capital
A disputa pelos votos de São Luís entrou em outro patamar. Escolhido para ser pré-candidato a vice-governador na chapa de Orleans Brandão (MDB), o ex-prefeito da Capital, Edivaldo Holanda Jr. (PRD), recebeu uma missão ácida, mas de grande peso na corrida eleitoral para o Governo do Estado: disparar petardos fortes contra a gestão do ex-prefeito Eduardo Braide, pré-candidato a governador pelo PSD. Ontem, por exemplo, ele disparou chumbo grosso contra a gestão do sistema municipal de transporte coletivo de São Luís, que na sua avaliação “foi desmontado” pela gestão do seu sucessor.
A possibilidade de ser um crítico duro da gestão foi um dos fatores que pesaram na escolha. Com a autoridade de quem foi prefeito de São Luís por oito anos e tendo concluído os dois mandatos bem avaliado e sem manchas ou acusações de desvio, Edivaldo Holanda Jr. cometeu alguns tropeços políticos, como a desastrada e sem sentido candidatura a governador em 2022, mas manteve sua estatura pessoal intacta, o que lhe dá lastro para entrar numa guerra como a que está em curso no Maranhão. E com conhecimento de causa para tocar em problemas sensíveis de São Luís, como as distorções do sistema de transporte, as quais, vale lembrar, ele também não resolveu.
Orleans Brandão precisava de um vice com lastro na Capital, um nome com estatura política, com currículo denso – foi vereador por São Luís e deputado federal antes de ser prefeito -, e, como ele próprio começa a demonstrar, disposto a apostar alto no arrojado projeto político e eleitoral concebido e posto em prática pelo governador Carlos Brandão (MDB), que tem como obstáculo o gigantesco prestígio de Eduardo Braide na Capital e na Ilha de Upaon Açu, segundo mostraram as pesquisas feitas até aqui.
Edivaldo Holanda Jr. chega à condição de vice de Orleans Brandão com dois trunfos muito expressivos. O primeiro é o fato de que ele derrotou Eduardo Braide na disputa pela Prefeitura de São Luís em 2016, uma vantagem expressiva, mesmo levando em conta a vantagem excepcional de ter concorrido no cargo. E o outro é o espaço amplo que tem no eleitorado evangélico da Capital, tanto que na sexta-feira (03) ele representou Orleans Brandão num congresso de jovens evangélicos organizado pela Assembleia de Deus, onde tem muitos aliados.
Sua entrada na arena dos confrontos da pré-campanha em curso deve elevar expressivamente debate político em São Luís, a começar pelo fato de que, justas ou não, movidas por oportunismo ou não, o fato que não pode ser ignorado é as suas críticas ao ex-prefeito Eduardo Braide partem de alguém que conhece profundamente tudo o que diz respeito à gestão do maior, mais importante e decisivo colégio eleitoral do Maranhão.
Para conter as investidas de Edivaldo Holanda Jr., o ex-prefeito Eduardo Braide tem duas opções: escalar a prefeita Esmênia Miranda (PSD) para fazer o embate, até porque as críticas de Edivaldo Holanda Jr. alcançam diretamente a sua administração, ou entrar ele próprio no confronto direto. Eduardo Braide já sinalizou que não vai deixar ataques sem respostas, enquanto a prefeita Esmênia Miranda ainda não mostrou com clareza – até por falta de tempo – como reagirá à pancadaria que está sendo anunciada pelo ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr.
O ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. havia planejado disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Mas o convite para ser pré-candidato a vice-governador na chapa liderada por Orleans Brandão caiu-lhe como uma luva, uma vez que o tirou da planície em busca de um difícil mandato estadual, para catapulta-lo para o epicentro da política maranhense. Isso porque, se o projeto eleitoral for bem sucedido, ele poderá tentar retornar à Prefeitura de São Luís em 2028. Daí não ser nenhum problema para ele atuar como “borduna” na seara ludovicense.
PONTO & CONTRAPONTO
Pré-candidatos aos Leões ainda têm pendências como vice e nomes para o Senado

Felipe Camarão, André Luís, Ednilson Rodrigues e Saulo
Arcangeli ainda têm pendências para montagem das suas chapas
A menos de três semanas do início do período das convenções partidárias que confirmarão e formalizarão as candidaturas majoritárias e proporcionais às eleições de outubro, os pré-candidatos ao Governo do Estado correm para montar as suas chapas nos dois níveis. Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Felipe Camarão (PT), André Luís (Missão), Edilson Rodrigues (PSOL) e Saulo Arcangeli ainda têm pendências a resolver na composição das chapas que liderarão. O período das convenções vai de 20 de julho a 15 de agosto.
Primeiro a definir seu vice – a empresária tocantina Elaine Cortez (PSD) -, Eduardo Braide já definiu um dos candidatos ao Senado, orientando o seu partido a apoiar a pré-candidatura do deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP), abrindo mão de lançar candidato para uma vaga. A outra vaga de candidato a senador continua em aberto, podendo o PSD lançar candidato do partido ou apoiar um nome de outro partido. O PSD pode também abrir mão da outra vaga e correr para as urnas concentrando força na candidatura de André Fufuca. Eduardo Braide tem três semanas para resolver essa pendência.
Orleans Brandão definiu o seu vice na semana que passou, o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Jr. (PRD), depois de meses de muitas e intensas conversas. E como já definiu o senador Weverton Rocha (PDT), candidato à reeleição, para uma das vagas, encontra-se agora em busca do nome para a outra vaga. No meio partidário, muitos observadores apostam que a vaga será da deputada federal Roseana Sarney, que lidera as preferências nas pesquisas, e cuja pré-candidatura é bancada pelo comando nacional do MDB. Existe a possibilidade de Roseana Sarney abrir mão da vaga, que no caso seria ocupada pelo deputado federal Duarte Jr. (Avante), que é alinhado ao governador Carlos Brandão, apoia Orleans Brandão, e vem correndo em faixa própria.
Na sexta-feira, Orleans Brandão, que preside o MDB maranhense, previu que a vaga de senador ainda aberta será preenchida na próxima semana, quando, por coincidência, Roseana Sarney terá retornado de São Paulo, onde trata da saúde. Orleans Brandão quer definir essa situação bem antes da convenção do MDB.
Dos três nomes com chance na corrida aos Leões, o pré-candidato do PT, Felipe Camarão, é o que tem ainda a maior margem de indefinição, uma vez que faltam-lhe o vice e um candidato a senador. Ele só tem a senadora Eliziane Gama (PT) na chapa majoritária. Em ritmo de pré-campanha, o pré-candidato petista ainda não se manifestou sobre a escolha do nome para a vaga aberta de candidato ao Senado, e menos ainda em relação à escolha do vice. Não será surpresas se o PT abrir mão de uma vaga no Senado e investir tudo no projeto de reeleição de Eliziane Gama, apoiando também o senador Weverton Rocha, que não é aceito por Felipe Camarão e boa parte do PT.
Entre dois demais candidatos, a situação é a seguinte: pré-candidato do PSOL, Edilson Rodrigues, já tem os candidatos ao Senado, Franklin Douglas e Antônia Cariongo, mas lhe falta o vice, enquanto os pré-candidatos do Missão, André Luís, e o do PSTU, Saulo Arcangeli, nada decidiram em relação a vice a senador. Já partido Novo só tem até agora pré-candidato a senador, Lahesio Bonfim, que desistiu de disputar o Palácio dos Leões. Roberto Rocha tem dito que continua mirando o Senado, mas que pode vir a disputar os Leões.
Pedro Lucas, Juscelino Filho e Aluízio Mendes buscam a reeleição em situações diferentes

têm situações diferentes na corrida à reeleição
Posicionados entre os deputados federais mais influentes da bancada maranhense, Pedro Lucas Fernandes (União), Juscelino Filho (PSDB) e Aluísio Mendes (Republicados), que presidem os seus partidos no estado, vivem situações diferentes em relação às eleições de outubro.
Político com os pés no chão, que entra em aventuras, Pedro Lucas Fernandes desde cedo se posicionou alinhado ao projeto do governador Carlos Brandão (MDB) de lançar Orleans Brandão (MDB) à sua sucessão. Esteve muito cotado, pelo próprio chefe do Executivo, para disputar uma cadeira no Senado, “namorou” com a ideia, mas preferiu o caminho mais seguro da reeleição, com a possibilidade de eleger o irmão, Paulo Casé (União), para a Assembleia Legislativa. Os irmãos Fernandes têm como conselheiro o pai, o tarimbado ex-deputado federal Pedro Fernandes (União), atual prefeito reeleito e bem conceituado de Arame.
Ex-ministro das Comunicações, o deputado federal Juscelino Filho vem demonstrando muita habilidade nesse xadrez. Ele comanda o PSDB no estado, mas, valendo-se da proximidade com o Governo Lula da Silva, abriu as portas do PT para sua irmã, Luanna Rezende, ex-prefeita de Vitorino Freire, que vai disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. A julgar pelo está sendo desenhado, Juscelino Filho tem reeleição certa, assim como Luanna Rezende é apontada como nome muito forte para o parlamento estadual. O curioso nessa equação é que o neotucano Juscelino Filho ainda não bateu martelo para o Governo do Estado, enquanto a irmã neopetista assumiu a pré-candidatura de Felipe Camarão.
O deputado Aluísio Mendes, presidente estadual do Republicanos, vive uma situação complicada por uma tomada de posição e uma reviravolta, casos que podem complicar a sua reeleição, antes apontada por muitos como líquida e certa. A tomada de posição se deu quando ele disparou chumbo grosso contra a tocantina Mariana Carvalho, candidata do seu partido na disputa para a Prefeitura de Imperatriz. Com o rompante, que contribuiu o para tirá-la da disputa, Aluísio Mendes perdeu muito do seu cacife eleitoral na cidade. E a reviravolta foi a decisão da deputa-presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), de concorrer a uma cadeira na Câmara Federal. Muitos dos mais de 100 mil votos de Aluísio Mendes em 2022 lhe foram dados por Iracema Vale na região onde ele tem atuação mais forte a partir de Urbano Santos. Não há quem afirme que Aluísio Mendes não se reelegerá, mas há muitas avaliações afirmando que ele enfrentará dificuldades em outubro.
São Luís, 05 de Julho de 2026.

























