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“Representação” do Governo Bolsonaro no Maranhão será alvo de disputa entre aliados de primeira hora e amigos recentes

 

Maura Jorge, Chico Carvalho, Aluízio Mendes e Roberto Rocha de olho na “representação” bolsonarista no Maranhão

Dos quatro quadros que se movimentam com o objetivo de representar o futuro Governo no Maranhão, o que mais vem ganhando espaço é o deputado federal reeleito Aluísio Mendes. Policial federal e hoje um político independente dentro do Grupo Sarney, apoiou no 1º turno o candidato presidencial do seu partido, Álvaro Dias, e no 2º turno abraçou a candidatura de Jair Bolsonaro. Integrante da bancada ligada à segurança pública e de grupos formados por deputados oriundos da área policial, como é o caso do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito, o deputado Aluísio Mendes estaria sendo escalado para ser um dos articuladores do novo Governo na Câmara Federal. É verdade que nada existe de concreto ainda, mas a julgar pelo que se ouve nos bastidores, Aluísio Mendes terá espaço amplo no novo Governo, devendo usar esse trunfo para ampliar seu raio de ação política no Maranhão.

A ex-prefeita Maura Jorge já ocupa um espaço no movimento de Jair Bolsonaro, por ter abraçado sua candidatura ainda no início da corrida eleitoral, quando deu um “chega-pra-lá” no coronel Ribamar Nogueira, que se lançara candidato bolsonarista no estado. Sozinha e sem as condições mínimas para atuar em campanha, a ex-prefeita de Lago da Pedra foi a Brasília, declarou apoio ao então pré-candidato e obteve dele o aval para falar em seu nome no Maranhão durante a campanha. O presidenciável Jair Bolsonaro fez escala em São Luís durante a corrida às urnas, declarando, em alto e bom som, que a candidata ao Governo do Estado seria sua representante no Maranhão, declarações que a levaram ao terceiro lugar. Sem um cacife definido, mas com visível disposição para embalar sua carreira no estado, Maura Jorge pode até vir a liderar o “bolsonarismo” no estado e será sempre um quadro importante nessa novidade.

Uma das raposas da política de São Luís, que já presidiu a Câmara Municipal da Capital por três mandatos, Chico Carvalho foi um dos fundadores do PSL no Maranhão, tendo sido apanhado de surpresa pelo furacão do seu partido na corrida presidencial e foi “atropelado” por Maura Jorge no comando das ações para fortalecer a presença de Jair Bolsonaro no estado. Essa medição de forças resultou no rompimento dos dois, com xingamentos de parte a parte. Provavelmente movido pela certeza de que dificilmente continuará a comandar o PFL no Maranhão, Chico Carvalho vem tentando se articular nacionalmente, tendo como “padrinho” o senador capixaba Magno Malta, um dos políticos mais próximos do presidente eleito Jair Bolsonaro. Sua posição ainda está indefinida e ele continua à frente do partido.

Recentemente, a seara bolsonarista ganhou um interessado de peso, o senador Roberto Rocha, que preside o PSDB no Maranhão. Humilhado nas urnas e sem saber exatamente o que acontecerá com o outrora poderoso partido dos tucanos depois que o seu presidente, Geraldo Alckmin, também quase foi reduzido a pó na corrida ao Planalto, Roberto Rocha enxerga no Governo de Jair Bolsonaro uma espécie de luz no fim do túnel em que se encontra. Tanto que furou o cerco e foi recebido pelo presidente eleito a quem apresentou o projeto Zema, estimulando seus críticos a semear o factóide segundo o qual ele estaria de olho num ministério. Há quem diga que num grande lance o senador Roberto Rocha poderá vir a ser o “homem” de Bolsonaro no Maranhão, o que não se pode descartar, já que um senador vale muito para um governo que chega precisando desesperadamente de apoio no Congresso Nacional.

É cedo ainda para se saber quem vai dar as cartas em nome do Governo Jair Bolsonaro no Maranhão. Isso porque será uma guerra dura, já que o troféu é rico, começando pelo poder de influenciar na indicação de centenas de cargos de alto, médio e baixo escalão no braço maranhense da máquina federal.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Flávio Dino prevê um 2019 sombrio

Flávio Dino manifesta preocupação com os problemas do Brasil em 2019

“Tudo indica que 2019 será mais um ano de recessão e conflitos sociais no Brasil. Finanças públicas de muitos estados e municípios entrarão ou continuarão em colapso. Prosseguirei atento para evitar que isso aconteça no Maranhão. Mais um deserto a atravessar. Tenhamos fé”.

Com a declaração, divulgada ontem no twitter, o governador Flávio Dino (PCdoB) prevê um quadro sombrio para o Brasil sob o Governo de Jair Bolsonaro (PSL). Tal expectativa é compartilhada por muitos especialistas, que duvidam que o novo presidente e sua equipe assumam com fórmulas prontas e capazes de assegurar uma gestão sem maiores problemas. Os sintomas de que os brasileiros devem se preparar para o que vem por aí estão nos próprios desencontros de informação que têm marcado as falas dos porta-vozes informais do presidente eleito. Analistas independentes duvidam que o próximo Governo venha a ser um controle forte sobre o Congresso Nacional para dar as cartas. Um dos sinais mais evidentes de que a situação será complicada e exigirá que o Governo baixe a crista e sente à mesa de negociações foi emitido ontem pelo presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Perguntado sobre a possibilidade d a Câmara se reunir para votar a Reforma da Previdência ainda neste ano, ele respondeu: “Pode sim. Mas o Governo terá de negociar”. Para bom entendedor, uma frase basta.

 

César Pires descarta assumir liderança da Oposição na Assembleia Legislativa

César Pires descarta assumir a liderança da Oposição na AL

Cotado para ser o líder da Oposição na nova Assembleia Legislativa, o deputado César Pires (PV), reeleito para o quinto mandato, descarta enfaticamente a possibilidade de assumir tal tarefa. Ele avalia que será mais útil à sua corrente politica e ao Maranhão usar a sua experiência para fazer uma Oposição técnica, pontual, caso a caso, projeto a projeto. Agora um dos “sábios” do Legislativo estadual, devido à experiência acumulada e ao conhecido pendor para estudar à fundo temas polêmicos, o deputado César Pires está convencido de que poderá dar uma contribuição muito maior ao parlamento ficando desobrigado das tarefas que teria de assumir como líder oposicionista. Além do mais, a Oposição na Assembleia Legislativa terá um papel complicado, a começar pelo seu tamanho. A bancada governista contará com pelo menos 35 dos 42 deputados, restando sete parlamentares não alinhados, dos quais três permanecerão no muro e quatro assumirão a condição de oposicionistas para valer: Adriano Sarney (PV), Arnaldo Melo (MDB), César Pires (PV) e Wellington do Curso (PSDB). Na avaliação de Cpesar Pires, a liderança deve ficar com Adriano Sarney.

São Luís, 31 de Outubro de 2018.

Othelino Neto prega respeito à opção da maioria por Jair Bolsonaro, mas defende Oposição firme ao futuro Governo  

 

Othelino Neto defende respeito a resultado  das urnas e oposição firme e responsável ao Governo Jair Bolsonaro

A maioria dos eleitores fez uma escolha, e essa decisão precisa ser respeitada, como manda o princípio fundamental da democracia. Essa posição foi externada e defendida ontem pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), ao avaliar, em discurso na Casa, o desfecho do processo eleitoral que colocou o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, na presidência da República. Juntando serenidade e firmeza, o chefe do Poder Legislativo destacou que o presidente eleito recebeu 55% dos votos válidos, estando, portanto, legitimado para assumir o comando do País. Observou, por outro lado, que seu adversário, Fernando Haddad (PT), recebeu 45% dos votos válidos, uma votação suficiente para lembrar ao presidente eleito que quase metade dos brasileiros não o respaldaram nas urnas. Assinalou que, mesmo assim, o novo presidente terá de governar para todos, como manda a democracia, convivendo inclusive com uma forte Oposição, que deve primar pela preservação do estado democrático de direito.

O presidente da Assembleia Legislativa defendeu que o seu partido, o PCdoB, deve fazer uma Oposição “responsável e democrática”. “Nós, do PCdoB, como respeitamos os nossos eleitores, entendemos o recado das urnas. Ficaremos vigilantes para garantir o estado democrático de direito, preservando os avanços sociais obtidos a duras penas pelo povo brasileiro e para que ninguém seja discriminado por raça, por religião, por orientação sexual, ou por ter posturas e opiniões divergentes das posições majoritárias”, enfatizou.

Othelino Neto destacou a vitória de Fernando Haddad no Maranhão, que lhe deu 73% dos votos, a exemplo do que aconteceu na Região Nordeste, onde o candidato do PT foi amplamente vitorioso. Para ele, o presidente eleito deve cumprir o compromisso de “governar para todos”, dando aos estados do Nordeste o mesmo tratamento que dispensará aos demais estados da Federação. E demonstrou preocupação com algumas promessas do presidente eleito: “É um caso talvez ímpar, em que precisamos torcer para que parte das promessas feitas hoje pelo presidente eleito, não sejam cumpridas, porque só assim o país terá a paz necessária para que possamos viver bem”.

E dentro da concepção política segundo a qual a decisão da maioria é irreversível e deve ser respeitada, o presidente da Assembleia Legislativa disse torcer para que o futuro Governo devolva normalidade política ao País, com gestos de pacificação:  “Que Bolsonaro possa, principalmente, pacificar o Brasil. Todos precisam ser respeitados e bem cuidados, independente de terem lhe conferido o voto ou não. Quando passa a eleição, o governante não é só governante de quem o elegeu, é governante de todos. Foram 47 milhões de votos para Haddad, o que é uma quantidade expressiva e sinaliza que o presidente eleito precisa reconhecer que tem uma banda da população que precisa ser vista e respeitada”.

Nesse contexto, o presidente do Poder Legislativo definiu como um fato positivo o Maranhão ter conferido 73% dos votos ao candidato Fernando Haddad. “Mais de um milhão de votos à frente do segundo colocado no estado. E o Nordeste, que muitas vezes é discriminado e considerado como uma região menos informada foi quem deu um sinal para o Brasil, dando ao Haddad uma diferença de mais de 10 milhões de votos”, analisou.

A manifestação do presidente da Assembleia Legislativa traduz a média do pensamento dos que veem o estado democrático baseado na escolha pelo voto direto e secreto como o único capaz de comportar o pluralismo e assegurar o funcionamento integral das instituições sob o governo de qualquer viés ideológico e dos que compreendem que o choque dos contrários dentro dos limites civilizados tem sido o motor político da civilização. Daí a avaliação de que a escolha do presidente da República pelo voto direto é um fato positivo e saudável, ainda que o escolhido seja embalado por tantas controvérsias como é o caso do presidente eleito Jair Bolsonaro.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Rocha se afasta do PSDB tradicional e se alinha ao “novo” puxado por João Dória

Roberto Rocha: apoio a Jair Bolsonaro na contramão da cúpula do PSDB nacional

Mesmo tendo “liderado” o desastre do PSDB nas urnas maranhenses, o senador Roberto Rocha se movimenta para sobreviver dentro do partido. Beneficiado com a vantagem de ser detentor de um mandato importante, o parlamentar maranhense decidiu andar na contramão dos líderes tradicionais do partido ao declarar apoio total ao presidente eleito Jair Bolsonaro. Em meio aos escombros do PSDB, os tucanos e todo o mundo político nacional pergunta se o partido vai apoiar ou fará Oposição ao Governo de Jair Bolsonaro. Líderes tucanos fundadores do ninho, a começar pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e o ex-governador paulista e atual presidente da agremiação Geraldo Alckmin, não aprovam qualquer aproximação com o futuro Governo, mas são desafiados pelos líderes emergentes da agremiação, liderados pelo governador eleito de São Paulo, João Dória, e pelo governador eleito do Rio grande do Sul, Eduardo Leite, que já declaram expressamente apoio ao presidente eleito Jair Bolsonaro. Roberto Rocha, que voltou ao PSDB pelas mãos de Geraldo Alckmin, está se alinhando à corrente que começa a se formar liderada por João Dória. Nos bastidores, há quem diga que o senador vai tentar de todas as maneiras manter o controle do partido no estado, para tê-lo como instrumento para fazer Oposição cerrada ao governador Flávio Dino, descartando uma aliança com os novos senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS). O problema é que outras forças do PSDB estão se articulando para brecar a “bolsonarização” do partido, o que poderá resultar num racha que pode dar origem a uma nova agremiação, esta alinhada ao futuro Governo, tendo Roberto Rocha como um dos fundadores. Parece ficção, mas é o que está se desenhando nos subterrâneos da vida partidária.

Oligarquia I

Roseana Sarney diz que a “oligarquia” está fora

Roseana Sarney diz que a “oligarquia” está fora

Causou agitação nos bastidores da política estadual um vídeo em que  a  ex-governadora Roseana Sarney (MDB) reage a uma provocação quando saía do Colégio Santa Teresa, no Domingo (28), após cumprir a obrigação cidadã de votar. Descontraída e acompanhada pelo irmão, deputado federal Sarney Filho (PV), Roseana Sarney foi alcançada por um anônimo, que gritou, em tom de deboche:

Fora, oligarquia!

Sem se alterar, a ex-governadora virou-se e respondeu, num tom que pareceu declaração de fato consumado:

Já estamos fora.

E seguiu em frente, deixando no ar a impressão de que, pelo menos ela própria, está mesmo saindo de cena.

 

Oligarquia II

Em 2006, a então candidata ao Governo falou em “perpetuar a oligarquia”

A reação de Roseana Sarney à indagação debochada de Domingo ao sair do Colégio Santa Tereza foi o oposto de uma declaração que ela deu a uma jornalista no mesmo local após votar nas eleições de 2006, quando disputou com Jackson Lago (PDT) e foi derrotada. Naquele 7 de Outubro, a então senadora foi votar levando junto a filha e dois netos, ainda crianças. Nas mesmas circunstâncias, ouviu de uma jornalista visitante como se sentia na condição de membro de uma oligarquia. Bem humorada, Roseana Sarney respondeu:

Muito bem.

E apontando para os netos, completou, em tom de ironia:

Eles estão aqui para aprender como perpetuar a oligarquia.

A jornalista ficou sem graça.

 

São Luís, 30 de Outubro de 2018.

Jair Bolsonaro é derrotado no Maranhão e terá de estabelecer relações institucionais com o governador Flávio Dino

 

Eleito, Jair Bolsonaro terá de estabelecer relações institucionais com Flávio Dino

Jair Bolsonaro (PSL), 63 anos, capitão do Exército aposentado, sete mandatos de deputado federal e nenhuma experiência de gestão pública, foi eleito presidente da República, confirmando uma tendência rascunhada desde o início da corrida eleitoral. Sua eleição se deu com folgada maioria, 11 milhões de votos a mais do que seu adversário, Fernando Haddad (PT), professor universitário, ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo. Ele recebeu 55 milhões de votos contra 45 milhões dados ao seu adversário, votação menor do que esperavam ele e seus aliados, pois pareceu mais um “passo no escuro” dos brasileiros do que um “cheque em branco” ao eleito. Venceu no Sul, Sudeste e Centro Oeste e perdeu no Nordeste e em parte do Norte. No Maranhão, apesar dos esforços da ex-prefeita Maura Jorge (PSL), do senador Roberto Rocha (PSDB), e da ex-governadora Roseana Sarney (MDB), todos candidatos derrotados ao Governo do Estado, quase três quartos do eleitorado se posicionou na linha do governador reeleito Flávio Dino (PCdoB) e impôs ao candidato do PSL uma das mais duras derrotas das que sofreu nos estados: recebeu apenas 886.401 votos (26,75%) dos votos contra 2.426.168 (73,25%) dados a Fernando Haddad. A vitória de Fernando Haddad foi tão expressiva, que ele venceu de novo em 214 dos 217 municípios, com uma margem muito maior do que no 1º turno.

Do ponto de vista político, o resultado da eleição presidencial no Maranhão consolida, de maneira indiscutível, a liderança do governador Flávio Dino, que se reelegeu tendo a oposição ao presidenciável do PSL como uma das suas bandeiras. Ao mesmo tempo, confirma o desprestígio político das outras forças em ação no estado, como a liderada pelo ex-presidente José Sarney e pela ex-governadora Roseana Sarney, que saíram das urnas amargando derrota devastadora, não conseguindo exercer qualquer influência sobre o eleitorado no 2º turno da eleição presidencial no estado. Também o senador Roberto Rocha, que conseguiu furar o cerco e registrou seu encontro informal com Jair Bolsonaro na semana passada, em nada contribuiu para ajudar o candidato. Maura Jorge sai da disputa presidencial no Maranhão como um “fator” eleitoralmente tão inexpressivo, que no seu próprio município, Lago da Pedra, Fernando Haddad venceu com 66,64% contra minguados 33,36% de Jair Bolsonaro.

A vitória de Fernando Haddad no Maranhão foi tão acachapante que Jair Bolsonaro só venceu em três dos 217 municípios: Imperatriz (54,99% a 45,01%), Açailândia (51,52% a 48,48%) e São Pedro dos Crentes (57,49% a 42,51%). Nos 214 municípios, o candidato petista venceu com larga margem, tendo alcançado resultados espetaculares, como em Serrano do Maranhão, onde obteve 93,64% dos votos contra 6,36% de Jair Bolsonaro. Ao contrário do que previam alguns observadores sobre a possibilidade de uma reação na Ilha de Upaon Açu, o petista ampliou sua vantagem sobre o candidato do PSL. Em São Luís, Fernando Haddad obteve 57,78% dos votos contra 42,22% de Jair Bolsonaro, em São José de Ribamar o resultado foi de 65,48% a 34,52%, em Paço do Lumiar foi de 62,45% a 37,55%, e em Raposa o petista venceu com 72,71% contra 27,29% do presidente eleito. Vários fatores concorreram para o desfecho da eleição presidencial no Maranhão, com a predominância de dois: a preocupação de milhares e milhares de eleitores com o futuro dos programas sociais, principalmente o Bolsa Família, e o posicionamento do governador Flávio Dino, que assumiu abertamente a liderança da Oposição a Jair Bolsonaro.

Com posições firmes e muito claras, o governador veio a público logo após o resultado para agradecer a votação dada pelos maranhenses ao candidato Fernando Haddad: “Agradeço à população do Maranhão pela extraordinária votação conferida a Haddad. Longe daqueles discursos preconceituosos que se ocupam de atacar o Nordeste, nosso voto se embasa em uma visão sobre desenvolvimento com justiça social. Essa concepção foi a vencedora aqui. Não se perde quando se combate por boas causas. Defendemos o Brasil e os brasileiros, sobretudo os mais pobres. Parabéns a Haddad e Manuela pela coragem e dedicação. A resistência democrática, nacional e popular segue firme”.

Os números da eleição presidencial no Maranhão respaldam as posições assumidas pelo governador Flávio Dino, e estão no contexto de uma posição regional, que não poderá ser encarada pelo presidente eleito com gestos primários do tipo “Vamos varrer o comunismo do Maranhão”, como está registrada em vídeo que gravou ao lado do deputado federal reeleito Aluízio Mendes (Podemos), na semana passada. Se, de fato, cumprir o compromisso de respeitar a Constituição Cidadã, valorizar a Federação, governar em sintonia com os Estados, respeitar as regras do Estado Democrático de Direito, compreender os “brasis” que existem dentro do Brasil, garantir plenamente as liberdades civis, afastando a tentação autoritária, primar pela segurança pública usando os vieses da inteligência associada à força necessária e dos investimentos em programas sociais, o novo presidente certamente abrirá um canal legítimo, eficiente e produtivo com os integrantes da Federação.

No que diz respeito especificamente ao Maranhão, a eleição de Jair Bolsonaro presidente da República gera forte expectativa. A começar pelo fato de que os prováveis interlocutores a serem por ele escalados não têm lastro político que os credencie. Sua interlocução terá de ser direta com o governador Flávio Dino, que apesar das reservas, mas com a autoridade de democrata, ficha limpa e bom gestor, tem dito que respeitará o resultado das urnas e está pronto para estabelecer um relacionamento institucional produtivo com o Governo Central.

É o que todos querem e esperam.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Grupo de João Alberto ganha sobrevida com a vitória de Edivan Brandão em Bacabal

Edivan Brandão comemora eleição que ganhou com o apoio de João Alberto

O prefeito interino Edivan Brandão (PSC) ganhou ontem a condição de titular ao ser eleito em pleito suplementar para um mandato de 26 meses. O desfecho da corrida eleitoral em Bacabal trouxe de volta ao poder municipal o grupo liderado pelo senador João Alberto (MDB), e com o diferencial de que o candidato derrotado, César Brito (PPS), foi apoiado pelo grupo comandado pelo governador Flávio Dino. Edivan Brandão chegou ao poder municipal quando, na condição de presidente da Câmara Municipal com a cassação, por ser ele ficha suja, do prefeito Zé Vieira (PR), eleito em 2016 derrotando o candidato do grupo do senador João Alberto, o deputado estadual Roberto Costa (MDB). Ressabiado com a derrota, Riberto Costa preferiu cuidar da sua reeleição para a Assembleia Legislativa e apoiar a candidatura de Edivan Brandão para a Prefeitura, liderando a coligação PSC/PSL/MDB/PV/DEM/PT, com o apoio do Grupo Sarney. Concorreram cinco candidatos, sendo o mais forte César Brito (PPS), encabeçando a coligação PPS/PHS/PCdoB/PPL e com o apoio do grupo liderado pelo governador Flávio Dino – que em princípio não pretendia se envolver diretamente, mas foi pressionado por aliados e acabou participando de uma carreata em Bacabal, chamando para si o peso da derrota do candidato do PPS. A vitória de Edivan Brandão reforça o poder de fogo do senador Joao Alberto e seu grupo em Bacabal e no Médio Mearim, é verdade. Nesse contexto, o prefeito encontra-se em situação confortável, sendo apoiado pelo grupo de João Alberto, mas também cortejado pelo grupo ligado a Flávio Dino, para onde poderá migrar. Há quem garanta que Edivan Brandão manterá fidelidade ao grupo Sarney, mas há também quem aposte que ele, para sobreviver, mudará de lado. É aguardar.

 

Vitória de Valdez Góes no Amapá mantém José Sarney na cena política

Waldez Góes comemora a reeleição conseguida com o apoio de José Sarney

rviu para amenizar o gosto amargo das derrotas sofridas recentemente pelo ex-presidente José Sarney (MDB). Além de Bacabal, onde o candidato do seu grupo venceu a eleição, José Sarney saiu vitorioso nas urnas do Amapá, onde seu candidato, Valdez Góes (PDT), foi reeleito governador. Além da vitória em si, o ex-presidente comemorou muito o fato de o derrotado ter sido o seu arqui-inimigo na política amapaense, o senador João Capiberibe (PSB), que andou liderando a corrida nas pesquisas, mas teve sua campanha prejudicada por problemas criados por seu vice, indicado pelo PT. Com o desfecho da corrida no Amapá, o ex-presidente se mantém de pé na política daquele estado, mesmo sem mandato, continuará atuando nos bastidores da política nacional, tendo o seu raio de influência dependente agora da boa vontade do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Na eleição suplementar da cidade de Bacabal, o vencedor foi o candidato Edvan Brandão (PSC), que estava no cargo de prefeito desde que Zé Vieira foi cassado. Edvan era presidente da Câmara de vereadores do município e é aliado do senador João Alberto (MDB) e do deputado estadual Roberto Costa (MDB).

Com 96,73% dos votos apurados, a eleição foi matematicamente resolvida. Edvan ficou com 50,84% dos votos contra 45,98% de Cesar Brito (PPS), que era apoiado pelo governador Flávio Dino.

A eleição foi praticamente plebiscitária. Os demais candidatos tiveram votações inexpressivas. Luis Padeiro com 1.98% e Professor Marinho 1,19%. Gisele Veloso teve sua candidatura indeferida.

Edvan terá dois anos e dois meses de mandato.

São Luís, 29 de Outubro de 2018.

Flávio Dino faz alerta sobre eleição e diz que disputa entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro é confronto entre civilização e barbárie

 

Flávio Dino apoia Fernando Haddad contra Jair Bolsonaro na corrida ao Planalto

Independentemente de quem seja o escolhido na disputa para presidência da República entre o candidato do PT, Fernando Haddad, e o do PSL, Jair Bolsonaro, o governador Flávio Dino (PCdoB) sairá do processo eleitoral como uma das vozes mais ativas e contundentes na defesa da democracia e no alerta aos brasileiros para os riscos que o estado democrático de direito está correndo por conta do viés autoritário expressado pelo candidato Jair Bolsonaro. Depois de reeleito no 1º turno liderando a vitória esmagadora de uma grande aliança que reúne partidos de esquerda, centro e direita, o governador Flávio Dino entregou-se à tarefa de apoiar o candidato do PT, Fernando Haddad, que vencei no estado com 61% dos votos, mas também, e sobretudo, à missão de externar sua preocupação com as declarações e as limitações do candidato do PSL, em quem enxerga um cidadão sem condições de assumir a chefia da Nação.

Além das reuniões e dos atos públicos que organizou ou incentivou em apoio o candidato da aliança PT/PCdoB, Flávio Dino mostrou o seu tamanho político na mensagem que gravou em vídeo e na qual desenha o cenário dessa disputa, apontando as diferenças inconciliáveis que separam Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. Com equilíbrio, serenidade e firmeza, o governador analisa o cenário político nacional com uma visão de contexto só alcançada por quem tem veia de estadista, concluindo que a disputa entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro não é um embate entre esquerda e direita nem entre o PT e o PSL, mas entre “civilização e barbárie”. Na sua avaliação, mesmo carregando o peso dos erros e das contradições que têm afetado duramente o partido, o candidato do PT é o melhor caminho para o País neste momento.  Para ele, Fernando Haddad tem condições de reverter a crise respeitando o estado democrático de direito, o que não é possível dizer de Jair Bolsonaro, que nada mostrou como ideia para resolver os problemas do País, fazendo uma campanha com frases e gestos que só contribuíram para incentivar a violência e para confirmar a sua condição de incógnita com sinais preocupantes.

Na mensagem, Flávio Dino reafirma suas fortes dúvidas sobre se, após dez mandatos parlamentares e zero de produção legislativa, Jair Bolsonaro está preparado para governar um País da dimensão e da complexidade do Brasil, e se tem ele noção clara do tamanho do desafio que é assumir o comando do País nesse momento. O governador do Maranhão critica com ênfase as investidas do presidenciável da direita sobre as liberdades políticas e o estado democrático de direito, lamenta a recusa de Jair Bolsonaro de debater direto com Fernando Haddad, e se estarrece  com questões como uso de arma de fogo, aborto, homofobia, mulheres e sobre manifestações antidemocráticas.

Diferentemente de outras vozes que se manifestaram ao longo da campanha eleitoral, tanto no 1º quanto no 2º turno, Flávio Dino centra seu discurso num realismo cru, mas sem ódio, mostrando quase que didaticamente as diferenças entre candidato do PT e o candidato do PSL quanto a preparo técnico, postura ética e visão democrática. Lembra o desempenho do petista na Prefeitura de São Paulo, o lastro de conquistas que deixou após sete anos como ministro da Educação no Governo do presidente Lula da Silva, e a sua luta em defesa de uma sociedade aberta, politicamente plural e garantida pela plenitude do estado democrático de direito. Ao mesmo tempo, alertou para o discurso agressivo do candidato Jair Bolsonaro que prega o uso da força pelo Estado e das armas pelo cidadão, ameaçando as instituições e a paz social. Critica também a recusa de Jair Bolsonaro ao debate direto, criando no País uma atmosfera que mistura insegurança e incerteza, que muitos, inclusive o governador, veem como uma ameaça facista real.

Nesse contexto de guerra política da qual o Brasil certamente sairá diferente das urnas, o governador do Maranhão tem agido como líder político e chefe de Estado. Como líder político, tem se entregado ao esforço militante no sentido de fortalecer o candidato do seu campo ideológico e programático, propagando com a intensidade e a abrangência possíveis o candidato Fernando Haddad; ao mesmo tempo, critica duramente as posições assumidas pelo candidato Jair Bolsonaro. Como chefe de Estado, Flávio Dino tem se mostrado defensor intransigente das instituições democráticas, afirmando enfaticamente que respeitará integralmente a escolha que a maioria fizer nas urnas neste Domingo. Claro que prefere a eleição do candidato do PT, de quem é aliado de primeira hora, mas afirma estar preparado para conviver institucionalmente com um eventual Governo de direita tendo Jair Bolsonaro à frente. “São as regras do jogo, que têm de ser respeitadas    numa democracia”, diz.

Do alto da sua condição de franco favorito na corrida presidencial, apesar de todas as controvérsias que o envolvem, o candidato Jair Bolsonaro tem aproveitado todas as oportunidades para atacar o político e o governador Flávio Dino, bradando contra o comunismo, numa retórica macarthista que perdeu sentido há décadas. A estocada mais recente aconteceu terça-feira (23), na sua residência, no Rio de Janeiro, ao receber o deputado federal maranhense Aluísio Mendes (Podemos), que integrava uma comissão da  “Bancada da Bala”. Não se sabe se por iniciativa própria ou a pedido do parlamentar, gravou um vídeo em que afirma: “Vamos continuar lutando para em 2022 varrer o comunismo de vez deste estado maravilhoso que é o Maranhão”. Ao mesmo tempo, tem abrandado sua catilinária anticomunista quando fala na relação da União com os estados, vários comandados por governadores de esquerda, como Maranhão, Bahia, Pernambuco e Ceará.

Do alto da sua condição de político militante e governador reeleito, Flávio Dino respondeu: “Não tenho medo de nada. Independentemente de resultado, quem luta pelo bom, pelo belo, pelo justo, jamais perde”.

O tempo dos discursos termina neste sábado, porque na noite deste Domingo, eleito Fernando Haddad ou Jair Bolsonaro, o Brasil sofrerá um choque de realidade, e o governador Flávio Dino mostra que está preparado para o que der e vier.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Forças de apoio a Fernando Haddad e a Jair Bolsonaro atuaram forte durante a campanha

 

Quebrando a impressão inicial – registrada inclusive pela Coluna – de que a reta final do 2º turno da eleição presidencial seria morna, sem mobilização, semana foi de intensa movimentação, tanto por parte dos que apoiam Fernando Haddad quanto dos apoiadores de Jair Bolsonaro. O governador Flávio Dino e seus aliados da esquerda e de parte das outras correntes atuaram para convencer o eleitorado de que o petista é o melhor caminho.  Já os apoiadores de Jair Bolsonaro não há um comando único, com a ex-candidata ao Governo Maura Jorge incentivando grupos de ação; o vereador Chico Carvalho tentando se viabilizar como líder do movimento bolsonarista na Ilha de São Luís, e agora o deputado Federal Aluísio Mendes (Podemos), que já atua no grupo de parlamentares federais que se formou em torno do candidato do (PSL). As forças lideradas pelo governador Flávio Dino são articuladas pelo deputado federal eleito Márcio Jerry, que preside o PCdoB no Maranhão, e pelos chefes do PT no Maranhão, e realizaram inúmeras ações pró-Haddad em todas as regiões do estado, tendo o reforço da atuação pessoal e direta do chefe do Governo. As manifestações pró-Bolsonaro não têm um comando único, devido principalmente a uma luta por espaço entre Maura Jorge e Chico Carvalho, gerando um clima que favorece a Aluísio Mendes, que tem acesso ao chamado “núcleo de ferro” do candidato do PSL. Essa luta será intensificada e ampliada se Jair Bolsonaro for eleito.

 

Sarney manter uma fatia do seu poder político se reeleger hoje o governador do Amapá

José Sarney pode ficar ou sair hoje do Amapá

Depois do desastre que praticamente tirou sua família da vida pública, o ex-presidente José Sarney (MDB) joga hoje, no Amapá, seu último cacife para manter um dedo de influência no cenário politico nacional. Ali, José Sarney apoia o governador Valdez Goez (PDT), candidato à reeleição que corre o risco de perder para o senador João Capiberibe (PSB), seu histórico e figadal adversário naquele estado. Na sexta-feira, pesquisa do Ibope mostrou João Capiberibe à frente de Goez numa situação de empate técnico. Se Valdez Goez conseguir virar o jogo e se reeleger, o ex-presidente continuará dando as cartas no tabuleiro político do estado que ele criou quando presidiu o País. A vitória de João Capiberibe, ao contrário, encerrará de vez a atuação política de José Sarney naquele estado. José Sarney poderá desembarcar na próxima semana em Brasília embalado apenas pelo mandato de deputado estadual do neto Adriano Sarney (PV) e do contraparente Edilázio Jr. (PSD), eleito deputado federal, podendo acrescentar ou não ao pacote o governador do Amapá.

São Luís, 27 de Outubro de 2018.

Weverton Rocha chegará ao Senado cacifado até para disputar a sucessão de Flávio Dino em 2022

 

Weverton Rocha: da militância estudantil ao Senado numa trajetória coerente

O deputado federal Weverton Rocha (PDT) iniciou no dia 11 uma maratona de compromissos que já o levou a dezenas de municípios e a inúmeras reuniões com prefeitos, vereadores e líderes políticos de todos os recantos do Maranhão. Cumpridos com entusiasmo, os eventos da agenda versam sobre um só tema: agradecer aos que o apoiaram na sua eleição para o Senado da República, que muitos identificam como o fato politicamente mais significativo depois da reeleição do governador Flávio Dino (PCdoB), que saiu da corrida eleitoral consolidado como o maior líder político do Maranhão na atualidade. Do alto dos seus quase dois milhões de votos e detentor indiscutível do comando do PDT no Maranhão – que saiu forte das eleições -, Weverton Rocha está deixando a seara política intermediária para entrar – com os dois pés, diga-se de passagem – no círculo fechado das disputas majoritárias, reservado aos políticos de maior cacife, como Edison Lobão (MDB) e Sarney Filho (PV), os quais derrotou na disputa senatorial. E a julgar pelos relatos do que tem acontecido nesses eventos, a impressão geral é a de que Weverton Rocha ocupou um espaço maiúsculo no território político maranhense, credenciando-se para suceder ao prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PDT) em 2020, ou ao governador Flávio Dino em 2022.

Ao contrário de alguns outsiders, Weverton Rocha não é uma invenção nem um furacão que faz e acontece para perder força e desaparecer logo à frente. É resultado do seu próprio esforço. Iniciado na militância política estudantil ainda na pré-adolescência, entrou cedo para a Juventude do PDT, onde caiu nas graças do líder pedetista Jackson Lago. A predileção do líder se deu exatamente pelo fervor com que se entregava às ações do partido, deixando para trás os menos ativos. Nessa pisada, vem montando sua carreira passo a passo, eleição a eleição, galgando também os batentes da hierarquia partidária, num processo que o levou ao comando do PDT no Maranhão e a um espaço expressivo no comando nacional. Ou seja, tudo na carreira do senador eleito foi conquistado no peito e na raça, associados a um faro político apurado e a uma reconhecida capacidade de articulação, e também com erros, que reverte em aprendizado. Tanto que durante a campanha não demonstrou, em nenhum momento, insegurança ou incerteza. Com o aval do governador Flávio Dino, articulou a formação de uma base política para depois mergulhar na caça ao voto. O resultado está aí: o apoio de 194 dos 217 prefeitos e uma votação que beirou os dois milhões de votos.

Weverton Rocha tem duas características que o tornaram um político diferenciado. A primeira delas é a extrema fidelidade que ele dedica ao PDT e à linha ideológica e doutrinária – uma espécie de social-democracia avançada – concebida pelo líder maior, Leonel Brizola, e que ficou conhecida como “socialismo moreno” . Sempre esteve do mesmo lado, e não faz concessões nesse campo. A outra é a sua enorme capacidade de articulação, marca que ficou demonstrada nesta campanha, durante a qual construiu sua base política e depois correu atrás do voto. Sua eleição, portanto, foi a soma da força política e eleitoral do governador Flávio Dino com a articulação política e o “trabalho braçal” do candidato a senador.

Senador eleito, Weverton Rocha não se acomodou, ao contrário, continua fazendo política com a mesma intensidade num momento em que os eleitos curtem o sabor da vitória. Desde a divulgação do resultado das urnas, ele mergulhou em movimentos para mobilizar os eleitos do PDT para a Câmara Federal (Gil Cutrim) e para a Assembleia Legislativa (Cleide Coutinho, Fábio Macedo, Glaubert Cutrim, Yglésio Moises, Márcio Honaiser, Rafael Leitoa e Ricardo Rios), dando uma demonstração de unidade partidária num ambiente em que isso não é exatamente uma regra. Além da movimentação, por exemplo, para a composição da Mesa da Assembleia Legislativa, com declaração de apoio ao presidente Othelino Neto (PCdoB), Weverton Rocha entrou na corrida pela presidência da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) apoiando fortemente o movimento liderado pelo prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT), um dos coordenadores da sua campanha ao Senado, que já contaria com mais de 80 prefeitos.

O deputado federal Weverton Rocha desembarcará no Senado da República politicamente muito maior, dono de um lastro que lhe garante acento destacado na mesa de decisões do grupo liderado pelo governador Flávio Dino, com cacife para pleitear, por exemplo, a vaga de candidato a governador em 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

TJ reage com firmeza às declarações golpistas do filho de Jair Bolsonaro

José Joaquim Figueiredo dos Anjos: reação firme contra as declarações golpistas do deputado federal Eduardo Bolsonaro contra o Supremo

O Tribunal de Justiça do Maranhão reagiu indignado e com  firmeza às declarações do deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que agrediu às instituições judiciárias brasileiros ao declarar que, no caso de uma eventual decisão do Supremo Tribunal Federal contra seu pai, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), a maior Corte de Justiça do País poderia ser fechada, bastando para isso mandar “um cabo e o soldado”. Diante da repercussão do vídeo, ministros do STF reagiram em tom firme, apoiados por outros segmentos da sociedade organizada. As declarações do deputado causaram forte incômodo no pleno do Tribunal de Justiça, que por unanimidade decidiu se posicionar publicamente sobre o episódio com a seguinte nota:

Reiteramos que qualquer tentativa de silenciar ou suspender as atividades do Poder Judiciário constitui ato ditatorial, repelido por cláusulas pétreas da Constituição Federal. A manifestação infeliz do parlamentar revela, de forma explícita, a intenção de enfraquecer uma instituição pública sólida, que tem como principal objetivo a garantia do Estado Democrático de Direito. É inadmissível que a atuação eficaz do Supremo Tribunal Federal seja alvo de ataque por um político descrente do projeto constitucional, cujas declarações afrontam a Justiça e a democracia. Manifestando o irrestrito apoio do Poder Judiciário do Maranhão ao Supremo Tribunal Federal, mantemos nossas posições firmes e corajosas de combate a qualquer tentativa de rompimento da ordem institucional.

O presidente do Poder Judiciário, desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos declarou que o TJ se manterá rigorosamente ao lado do Supremo Tribunal Federal, “com posições firmes e corajosas de combate a qualquer tentativa de rompimento da ordem institucional do país”.

É isso aí.

 

Roberto Rocha visita Jair Bolsonaro pegando carona na Bancada da Bala

De carona com a Bancada da Bala, Roberto Racha ao lado de Jair Bolsonaro exibindo projeto da Zona de Exportação do Maranhão, que não convenceu os maranhenses durante a campanha eleitoral

Não foi atendendo a um convite nem se valendo de artifícios que o senador Roberto Rocha (PSDB) teve acesso, terça-feira, à residência do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), com quem conversou rapidamente e registrou o encontro em fotografia divulgada por sua assessoria nas redes sociais. Roberto Rocha na verdade integrou, por intermédio do deputado federal Aluísio Mendes (Podemos), uma comissão de congressistas da Frente Parlamentar de Segurança Pública, mais conhecida como “Bancada da Bala” e aproveitou a oportunidade de apresentar ao candidato a menina dos seus olhos, o projeto de implantação de uma Zona de Exportação do Maranhão (Zema). A imagem, é claro, repercutiu fortemente no meio político e produziu uma enxurrada de críticas e também manifestações de apoio ao senador.

Antes de fazer a tal visita, Roberto Rocha declarou apoio a Jair Bolsonaro, aproveitando a decisão de neutralidade do PSDB em relação ao segundo turno da eleição presidencial, depois da humilhação que o candidato do partido, Geraldo Alckmin, sofreu nas urnas, exatamente o que aconteceu com ele próprio no Maranhão. Ao mesmo tempo, o senador maranhense entrou em rota de colisão com a maioria da cúpula do partido, a começar pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que declarou ser impossível votar em Jair Bolsonaro.

O problema é que se Jair Bolsonaro vencer a eleição, a bancada do PSDB no Senado terá de se posicionar em relação ao seu Governo. Se decidir apoiar, Roberto Rocha estará em situação confortável. Se decidir neutralidade, o senador maranhense ficará incomodado. Mas se decidir ser Oposição, Roberto Rocha dificilmente permanecerá no ninho dos tucanos.

São Luís, 24 de Outubro de 2018.

Articulações nos bastidores já começam a definir nomes para a Prefeitura de São Luís em 2020

 

Weverton Rocha, Eliziane Gama,, Bira do Pindaré, Duarte Jr., Felipe Camarão e Neto Evangelista são nomes da Situação, e Eduardo Braide e Edilázio Jr. são nomes da Oposição para a disputa para a prefeitura de São Luís

Os eleitos em 2018 ainda não foram sequer diplomados pela Justiça Eleitoral e o Brasil ainda está decidindo entre a volta do PT ao poder, com a candidatura de Fernando Haddad, e dar uma guinada radical para a direita, com a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), mas a ciranda da política, com a sua dinâmica sempre surpreendente, já iniciou os movimentos para as eleições municipais de 2020. E no que diz respeito à sucessão em São Luís, a corrida já está sendo preparada nos bastidores, com vários candidatos a candidato articulando condições para entrar na pista, tendo o governador Flávio Dino, por exemplo, dito a uma emissora de rádio, na semana passada, que o seu campo dispõe de pelo menos uma dezena de nomes com cacife para brigar pela sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT). Já a Oposição conta com o deputado estadual e federal eleito Eduard Braide (PMN), que saiu das urnas da Capital na confortável condição de fenômeno. É verdade que ainda é cedo, como ponderou o governador, mas ele próprio sabe que quem não agir agora pode perder o bonde sucessório.

Quando avaliou que o campo governista dispõe de “pelo menos dez nomes” em condições de entrar na disputa pelo Palácio de la Ravardière, o governador não os relacionou, mas certamente referiu-se aos senadores eleitos Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS), aos deputados federais eleitos Bira do Pindaré (PSB) e Pedro Lucas Fernandes (PTB), aos deputados estaduais eleitos Duarte Jr. (PCdoB) e Neto Evangelista (DEM), ao vereador Ivaldo Rodrigues (PDT), ao advogado Felipe Camarão (atual secretário de Estado da Educação e filiado ao DEM), e numa possibilidade mais remota, ao vice-prefeito Júlio Pinheiro (PCdoB) e, mais remotamente ainda, ao deputado federal eleito Márcio Jerry (PCdoB). São nomes com grande cacife político e forte potencial eleitoral, que contando com o apoio direto do prefeito Edivaldo Holanda Jr. e o aval do governador Flávio Dino terão peso para enfrentar a Oposição, que virá forte.

Mas com a garra que tem demonstrado e com os desafios que a esquerda moderada tem pela frente no Congresso Nacional, seja com Fernando Haddad, seja com Jair Bolsonaro, é improvável que Weverton Rocha – que na verdade começa a sonhar é com 2022 – e Eliziane Gama deixem a bancada senatorial para entrar na briga em São Luís, principalmente se o Brasil entregar o comando a Jair Bolsonaro. Márcio Jerry será provavelmente convocado para voltar ao Governo, enquanto o vice-prefeito Júlio Pinheiro certamente disputará uma cadeira na Câmara Municipal, podendo o mesmo acontecer com Ivaldo Rodrigues, que já é um dos azes do legislativo da capital. Nesse contexto, a menos que o governador Flávio Dino e o prefeito Edivaldo Holanda Jr. tenham uma solução imprevisível no bolso do colete, o candidato a ser ungido na situação sairá do grupo formado por Bira do Pindaré, Pedro Lucas Fernandes, Duarte Jr., Neto Evangelista e Felipe Camarão.

Com força eleitoral já demonstrada na Capital e situação política e partidária resolvida – tendo o comando inconteste do PSB no estado -, que lhe garante estrutura de campanha, Bira do Pindaré é pré-candidato assumido, sinalizando que vai colocar as cartas na mesa em 2020. O vereador e deputado federal eleito Pedro Lucas Fernandes, que comandou a Agência Metropolitana antes das eleições, tem a Prefeitura de São Luís como objetivo e está pronto para ser o candidato. Neto Evangelista já trabalha com nesse projeto há tempos, mas sabe que só terá chance se for convocado, o que é improvável, mas não impossível. Gestor competente e um dos destaques do Governo, o secretário Felipe Camarão tem cotação alta nos bastidores do Palácio dos Leões, e é, sem dúvidas, uma das apostas do governador Flávio Dino. Se ganhou prestígio dentro e fora do Governo no comando do Procon e do Mais Cidadãos, Duarte Jr. saiu das urnas com cacife excepcional em São Luís, onde recebeu quase 50 mil votos  numa campanha solitária, o que o catapultou para a cabeça da lista de governistas fortes para disputar a Prefeitura de São Luís.

A escolha do candidato governista à Prefeitura de São Luís terá de ser cuidadosa, porque o contrapeso será Eduardo Braide, que vem ganhando força de fenômeno a cada eleição, tendo sido eleito deputado federal com mais de 180 mil votos, dos quais mais de 100 mil em São Luís, uma performance excepcional, o que o torna o candidato a ser batido na corrida ao Palácio de la Ravardière. Há outros nomes ensaiando candidatura na seara oposicionista, como o deputado estadual reeleito Wellington do Curso – que nem de longe repetiu o desempenho eleitoral de 2016 ; o ex-vereador Fábio Câmara, que entrou no PSL e aposta ser o candidato de Jair Bolsonaro, caso ele seja eleito presidente, e o deputado federal eleito Edilázio Jr. (PSD), que poderá entrar na disputa com a missão de demonstrar que o Grupo Sarney não está liquidado.

Se esse quadro permanecer, e é quase certo que permanecerá, a sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. será disputada por quadros de alto nível, com vocação de liderança e com vontade de chegar muito mais longe.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Flávio Dino faz aceno para Roberto Rocha integrar bancada

Flávio Dino surpreende ao fazer  aceno para Roberto Rocha por bancada unida pelo Maranhão no Senado

 

Num dos lances políticos mais surpreendentes dos últimos dias: o governador Flávio Dino abriu uma porta do Palácio dos Leões para o senador Roberto Rocha (PSDB), que fora eleito com o seu apoio em 2014,  mas se afastou, rompeu laços políticos e se tornou um dos seus mais agressivos adversários, num processo que até agora não foi explicado de maneira convincente. A abertura se deu na noite de terça-feira em ato no qual o governador agradeceu a prefeitos, vereadores, deputados e lideranças políticas de todo o Maranhão o apoio que recebeu para sua reeleição, tendo o governador dito em seu discurso torcer para que a futura bancada do Maranhão no Senado seja compacta, reunindo os três senadores. Para tanto, espera que o senador Roberto Rocha (PSDB) se some a Weverton (PDT) e Eliziane (PPS).

– Eu espero que com a nova composição o Roberto Rocha passe a ajudar o Maranhão. Se some ao Weverton, se some a Eliziane e trabalhe junto com eles no Senado em favor do nosso Estado. Eu espero isso – declarou o governador, num gesto raro em meio às tensões que vêm conturbando o cenário político nacional, com seus reflexos no Maranhão.

– Esse é o melhor caminho para o maranhão – acrescentou o governador Maranhão.

Diante da surpresa dos presentes, que pelas reações aprovaram o gesto direcionado ao senador Roberto Rocha, que foi duramente castigado nas urnas, Flávio Dino foi mais longe revelando que vai conversar com os senadores Weverton Rocha e Eliziane Gama para que tentem convencer o senador tucano.

– Eu não olho para rancor pessoal, mágoa pessoal. Eu não vou casar com nenhum deles. Então não é a questão pessoal que está em jogo. É o estado – declarou, e em seguida acrescentou: “Quem sabe? Eu, como católico apóstolo romano, acredito que as pessoas podem mudar. E eu espero que nós tenhamos os três senadores ajudando o Maranhão a partir de 2019. Porque essa foi a vontade do povo do Maranhão”.

Há muito o cenário político do Maranhão, fortemente tensionado nos últimos tempos, não registrava um lance como esse do governador Flávio Dino em relação ao senador Roberto Rocha. O diferencial é que não foi uma articulação subterrânea, mas uma manifestação aberta, para o conhecimento de todos. E certamente gerou a expectativa de como o senador Roberto Rocha vai reagir.

 

Othelino Neto articula formação da nova Mesa Diretora com indicação de partidos e blocos

O presidente, deputado Othelino Neto, recebe a deputada eleita Tahíza Hortegal, com o prefeito de Pinheiro, Luciano Genésio, e o deputado eleito Rildo Amaral

Com o apoio fechado de pelo menos três dezenas de deputados, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado reeleito Othelino Neto (PCdoB), intensifica articulações para que as bancadas definam participação na formação da futura Mesa Diretora da Casa, num processo que poderá resultar na eleição do presidente por aclamação. Consolidado como candidato a presidente no primeiro biênio da nova legislatura, que será iniciada em fevereiro, Othelino Neto tem praticamente certa a indicação do deputado reeleito Glaubert Cutrim para a 1ª vice-presidência como representante do PDT. Ontem, o bloco PP/SD, formado pelos deputados eleitos Fernando Pessoa, Rildo Amaral e Helena Duailibe do SD, e Ciro Neto e Thaíza Hortegal do PP, indicou Thaíza Hortegal para a 3ª vice-presidência da futura Mesa. As articulações continuam intensamente, e pelo que se ouve nos bastidores, é provável que o presidente Othelino Neto seja eleito para novo mandato por aclamação na eleição que será realizada na primeira sessão da nova Assembleia Legislativa, marcada para o dia 3 de fevereiro de 2019.

São Luís, 24 de Outubro de 2018.

Disputa pela Prefeitura de Bacabal ganha importância e intensidade com o apoio aberto de Flávio Dino ao candidato da Oposição

 

Com o apoio de Roberto Costa, Edvan Brandão lidera carreata; César Brito (ao fundo com punho erguido),comanda seu ato com apoiado por Flávio Dino, Weverton Rocha, Simplício Araújo, Carlinhos Florêncio, Rubens Jr. e André Fufuca em animada carreata na campanha intensa pela Prefeitura de Bacabal, que ganhou importância nos últimos dias

Antes vista como mais um embate entre as forças lideradas pelo senador João Alberto (MDB) e as mobilizadas pelo ex-prefeito Zé Vieira (PR), a eleição suplementar para prefeito de Bacabal, que ocorrerá no dia 28, mesma data do segundo turno da eleição presidencial, ganhou uma dimensão bem maior nos últimos dias, porque agora entraram de cabeça na disputa bacabalense o governador Flávio Dino e o grupo que ele lidera. Candidato a ser confirmado no cargo para cumprir o mandato tampão, o prefeito Edvan Brandão (PSC) tem o apoio do senador João Alberto e do deputado Roberto Costa (MDB), e do que sobrou do Grupo Sarney, enquanto o candidato da Oposição, César Brito (PPS), já apoiado pelo ex-prefeito Zé Vieira e pelo deputado estadual reeleito Carlinhos Florêncio (PCdoB), teve sua candidatura turbinada pelo apoio do governador Flávio Dino, pelo deputado federal e senador eleito Weverton Rocha (PDT). A entrada do governador e seu grupo poderá ameaçar seriamente o favoritismo do prefeito Edvan Brandão.

Concorrem ainda Giselle Veloso (PR), que vem recebendo estímulos do deputado estadual e deputado federal eleito Josimar Maranhãozinho, que comanda o PR no estado; Luizinho Padeiro (PSB), que estaria recebendo apoio discreto, mas efetivo, do deputado estadual e deputado federal eleito Bira do Pindaré, presidente do partido no estado, e Professor Maninho do PRB,  partido comandado no Maranhão pelo deputado federal reeleito Cléber Verde.

A corrida pela Prefeitura de Bacabal foi iniciada nas eleições municipais de  2016, tendo o ex-prefeito Zé Vieira vencido o pleito com 20.671 votos contra 18.330 do deputado Roberto Costa, que ficou em segundo lugar. Ocorre que Zé Vieira tivera sua candidatura impugnada pelo Ministério Público Eleitoral sob a alegação de que ele é inelegível por integrar o “clube” dos políticos ficha suja do Maranhão. Depois de uma das mais “espetaculares” chicanas judiciais da história recente do Maranhão, o prefeito teve finalmente seus votos anulados e perdeu o cargo, levando a Justiça Eleitoral a marcar a eleição para o segundo turno das eleições gerais, no dia 28 de Outubro. Com a cassação da sua chapa, Bacabal ficou sem prefeito nem vice-prefeito, levando o então presidente da Câmara Municipal, Edvan Brandão, a assumir o cargo até a eleição no novo prefeito, que poderá ser ele próprio, se eleito for. Roberto Costa abriu mão de candidatar-se para correr pela sua reeleição de deputado estadual, o que conseguiu no dia 7 de Outubro, dedicando-se agora a dar total apoio à candidatura do prefeito.

Todas as pesquisas publicadas até agora deram vantagem expressiva ao prefeito Edvan Brandão, que na avaliação do senador João Alberto, vencerá sem maiores problemas. Ocorre que o adversário, César Brito, que antes tinha o apoio do ex-prefeito Zé Vieira e do deputado estadual Carlinhos Florêncio – cujo filho, Florêncio Neto é candidato à vice -, tem agora o suporte político do governador Flávio Dino e do senador eleito Weverton Rocha. Essa mudança poderá alterar a atual situação, levando a disputa para um confronto de equilíbrio e de imprevisibilidade.

Há quem até preveja que no novo cenário o candidato oposicionista César Brito poderá mesmo virar o jogo. E isso tem tornado a campanha mais intensa, o que é explicado com o fato de que Bacabal, com seus 104 mil habitantes – 52 mil eleitores – e 1.600 quilômetros quadrados situados no coração do chamado Médio Mearim, com economia diversificada, na qual se destaca a pecuária, é um pilar político de grande importância. E do ponto de vista político, devido à poderosa influência do senador João Alberto, seja considerado um bastião do Grupo Sarney, o que talvez explique a investida do governador Flávio Dino em favor do oposicionista César Brito.

A medição de forças foi marcada no fim da semana, quando duas caminhadas agitaram intensamente a cidade. A do prefeito Edvan Brandão incentivada pelo deputado estadual Roberto Costa. A de César Brito com a participação ostensiva do governador Flávio Dino e Weverton Rocha, acompanhados dos deputados federais reeleitos André Fufuca (PP) e Rubens Jr. (PCdoB) e do deputado estadual Carlinhos Florêncio. Uma guerra por território político para ninguém botar defeito.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

A ausência de Eliziane Gama no ato pró-Haddad reflete a intolerância que separa o PPS do PT

Eliziane Gama segue a liderança de Flávio Dino, mas não tem e não quer aproximação com o PT

A deputada federal e senadora eleita Eliziane Gama (PPS) foi duramente criticada pelo fato de não ter participado do ato de campanha do candidato do PT a presidente Fernando Haddad em São Luís, no Domingo. Em nota no twitter, ela explicou que estava fora da Capital cuidando da saúde, reafirmando sua integração total à aliança liderada pelo governador Flávio Dino. O texto, porém, não registra declaração de apoio a Fernando Haddad.

A situação parece muito clara. Eliziane Gama é parte de um conflito visível e indiscutível: o PT não tolera o PPS e o PPS não suporta o PT. Os dois partidos não concordam em nada, tanto que nos três Governos do PT o PPS se aliou ao DEM e ao PSDB numa frente de Oposição ativa e implacável. As diferenças chegaram ao ápice no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), no qual o PPS, sempre junto com DEM e PSDB, tomou posição enfática e irreversível a favor da derrubada da presidente petista, tendo a deputada Eliziane Gama votado em alto e bom som a favor do que o PT chama até hoje de golpe. Nas articulações para a definição dos candidatos a senador na chapa do governador Flávio Dino, os petistas tentaram criar todo tipo de embaraço para atropelar a escolha de Elisiane Gama, que, no entanto, soube se articular e ganhar a vaga.

Essas diferenças do PPS com o PT, que envolvem também posições evangélicas, tornam praticamente impossível uma rodada de cachimbo da paz entre Eliziane Gama e líderes locais do PT. A ausência da popular-socialista do ato de apoio ao candidato petista é reflexo direto dessa intolerância que impede qualquer gesto de aproximação entre membros dos dois partidos. O governador Flávio Dino sabe disso, não aprova tal situação, mas também não vê sentido em  colocar a deputada e senadora que elegeu numa situação de desconforto.

 

Pergunta que corre nos bastidores: para onde vai Luis Fernando Silva?

Luis Fernando: atuação discreta e sem definição do futuro político

Uma pergunta começa a circular no meio político: qual será o futuro do prefeito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva. A indagação que muitos fazem se justifica com o fato de ele ser um quadro político importante, com um cacife respeitável, mas que, por razões que ainda não vieram à tona, ou talvez nem existam, ele vem se mantendo como quem parece desinteressado em relação às urnas, o que certamente não é o caso. Pelo que se sabe, sua administração vai bem, apesar dos problemas que aterrissam diariamente no seu birô de trabalho. Na seara política, viu seus candidatos majoritários eleitos no seu município, a exemplo do governador Flávio Dino, que recebeu 57% dos votos dos ribamarenses, mas viu também o ex-prefeito Gil Cutrim (PDT) se eleger deputado federal e o irmão dele, Glaubert Cutrim (PDT), se reeleger deputado estadual, duas vozes que lhe farão oposição dura, segundo fontes ligadas ao conselheiro do Tribunal de Contas, Edimar Cutrim, pai dos dois, que não perdoa a maneira como Gil Cutrim foi tratado após deixar a Prefeitura de São José de Ribamar em 2017. Outra indagação que se faz a respeito de Luis Fernando Silva é sobre o seu rumo partidário e o seu futuro após deixar o cargo. Disputará o Governo? Comporá uma chapa como vice? Tentará vaga na Câmara Federal? Ou irá para casa?

São Luís, 22 de Outubro de 2018.

 

Ato de campanha em São Luís entusiasma Fernando Haddad e reforça o cacife do governador Flávio Dino na esquerda

 

Fernando Haddad e Flávio Dino entre Márcio Jerry (e), Weverton Rocha, Bira do Pindaré diante da multidão no Anil, no ato realizado após a caminhada no bairro

Mais do que um mero ato de campanha do segundo turno da corrida ao Palácio do Planalto, a caminhada que o candidato do PT, Fernando Haddad, acompanhado do governador reeleito Flávio Dino (PCdoB), fez neste domingo em São Luís, mais precisamente no Anil, foi uma reafirmação de posições nesse momento decisivo para o Brasil. Nos discursos que fizeram na concentração, Fernando Haddad e Flávio Dino reafirmaram enfaticamente o posicionamento da esquerda brasileira em favor das instituições democráticas vigentes hoje no País, e repetiram as duras críticas que têm feito às inclinações autoritárias do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, a quem acusaram de “se esconder” na facada de que foi vítima para fugir do debate direto, “olhos nos olhos”. Fernando Haddad desafiou várias vezes Jair Bolsonaro num cara-a-cara em rede nacional, sendo apoiado por Flávio Dino, para quem a eleição sem esse debate será “uma fraude”.

A caminhada reuniu milhares de pessoas, entre militantes do PT, partidários do governador Flávio Dino e pessoas do povo, que fizeram questão de manifestar seu apoio ao candidato da aliança PT/PCdoB. O entusiasmo dos manifestantes foi tamanho que estimulou Fernando Haddad a declarar que o Maranhão terá “um amigo de fé” no Palácio do Planalto a partir de 1º de Janeiro se ele for eleito. O estado de ânimo da multidão fez lembrar que, no Maranhão, Fernando Haddad venceu o primeiro turno com 61% dos votos contra 39% do candidato do PSL. E no seu discurso, Fernando Haddad garantiu que o valor do Bolsa Família será aumentado em 20%. Na sequência, o governador Flávio Dino reafirmou seu apoio ao petista e  declarou: “Aqui no Maranhão nós vamos dar uma surra no soldado covarde, no fascismo, na ditadura e defender a democracia”.

Depois do ato, Fernando Haddad – que estava acompanhado da presidente nacional do PT, senadora Gleise Hoffmman (PR) – e o governador Flávio Dino concederam uma longa entrevista coletiva, na qual o presidenciável falou sobre seu plano de Governo, a campanha, os conflitos, as suspeitas de armação pelas redes sociais, e fez reiteradas declarações de defesa da democracia, que para ele estará em risco se Jair Bolsonaro for eleito. Isso porque, segundo o petista, “ele  (Bolsonaro) não honra a farda que já vestiu, tanto que teve que sair do Exército”. Em tom e ênfase idênticos, o governador Flávio Dino externou a mesma preocupação, deixando claro que o Maranhão será um bastião de resistência a qualquer tentativa de alterar a estrutura institucional num eventual governo de Jair Bolsonaro. Lembrou que no Brasil colonial o Maranhão foi o primeiro reduto a se rebelar contra a Coroa portuguesa na Revolta de Beckman em 1684. “Aqui não tem vez para ele”, assinalou o governador.

A passagem de Fernando Haddad por São Luís, ontem, cumpriu uma etapa da campanha, como fora programado. Mas, diferentemente do que tem acontecido em outros estados, o ato em São Luís confirmou a importância política do governador Flávio Dino no campo da esquerda e no cenário nacional. Em suas manifestações, o governador sempre foi além da disputa presidencial em si, enveredando por temas como a defesa do estado democrático de direito, fazendo alertas sobre os riscos que a  democracia brasileira está correndo. Pregou a união da esquerda com o centro para fazer frente ao fortalecimento do estado democrático de  direito, que vem conseguindo mobilizar todos os  segmentos. Nesse contexto, Flávio Dino tem se firmado como uma das principais vozes do campo democrático, sinalizando que cedo ou tarde testará seu prestígio nas urnas nacionais. A reação dos aliados, como a de Fernando Haddad, por exemplo, só reforçam essa tendência.

Seja eleito ou não, o candidato do PT saiu mais uma vez de São Luís com a certeza de que tem um aliado forte e determinado no comando político do Maranhão e de que não será surpresa se sair das urnas maranhenses com mais uma vitória.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Visita de José Reinaldo para declarar apoio a Bolsonaro reforça cacife de Maura Jorge

Maura Jorge recebe José Reinaldo: encontro pode transformá-la numa ponte se Jair Bolsonaro for eleito presidente

Foi de forte simbolismo político, a visita que o ex-governador José Reinaldo Tavares (PSDB) fez à ex-candidata do PSL ao Governo do Estado, Maura Jorge, para declarar seu apoio à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL). Sexto colocado na corrida para o Senado, e magoado com as trombadas e escorregões que protagonizou no último ano e pelos quais aponta responsáveis, José Reinaldo, além de estar buscando um espaço político nos próximos tempos, fez o que parece ser uma tendência: transformar a ex-prefeita de Lago da Pedra na principal via de acesso ao eventual Governo do candidato do PSL. Apontada por muitos como foco de crise e de não ter tato nem credibilidade para tanto, Maura Jorge, entre um tropeço e outro, vai aos poucos deixando, por exemplo, o presidente estadual do PSL, vereador por São Luís Chico Carvalho, para trás. Na semana passada esteve em Brasília, onde conversou com a cúpula que dá suporte a Jair Bolsonaro, e foi recebida com festas no Aeroporto do Tirirical ao retornar a São Luís – se a manifestação foi armada, não se sabe ainda, mas que funcionou nas redes sociais, funcionou. A visita do ex-governador José Reinaldo pode ter funcionado como uma espécie de senha para que outros políticos, ávidos de uma aproximação com o favorito na corrida presidencial, a procure como o canal por meio do qual os interessados possam chegar aos núcleos bolsonarianos de poder em Brasília. Se, Bolsonaro for eleito, Maura Jorge terá esse poder de fogo possível, sinalizado com a visita de José Reinaldo. Isso só se saberá se a eleição for consumada. Em caso afirmativo, ninguém duvida de que, se tiver habilidade como teve ousadia ao se candidatar ao Governo, Maura Jorge poderá ganhar musculatura como Oposição no Maranhão.

Por força de liminar a habeas corpus, Ricardo Murad deixa a prisão

Ricardo Murad chegando à sede da Polícia Federal no Maranhão para se entregar na manhã de quinta-feira

O ex-deputado estadual Ricardo Murad (PRP) deixou a prisão na noite de sábado, beneficiado por medida liminar concedida pela desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, que acolheu habeas corpus impetrado pela defesa do ex-parlamentar, que é suspeito de comandar um esquema de corrupção na Secretaria de Estado da Saúde. Ricardo Murad fora preso na manhã de quinta-feira, em mais uma fase da Operação Sermão dos Peixes, que investiga o suposto desvio de centenas de milhões de reais de recursos do Sistema Estadual de Saúde no último Governo de Roseana Sarney (2011/2014).

Ricardo Murad, no início deste ano, foi levado coercitivamente para prestar depoimento na Polícia Federal, passando mais de 10 horas sendo ouvido por delegados federais. Na prisão de quinta-feira, que tinha caráter temporário com prazo de cinco dias, o ex-deputado não foi encontrado pelos policiais em casa, mas horas depois se apresentou na sede da PF, sem a presença dos seus advogados, onde foi informado que estava preso. Em seguida, foi submetido a um longo interrogatório. Ainda na quinta-feira, seus advogados impetraram um habeas corpus com o objetivo de libertá-lo. A desembargadora Maria do Carmo Cardoso acatou o pedido da defesa e mandou soltá-lo.

A prisão de Ricardo Murad teve forte impacto no cenário político do Maranhão, principalmente porque agravou ainda mais a situação política dele, que acabou de sair de uma eleição sem conseguir eleger-se deputado federal e vendo a filha, deputada Andrea Murad (PRP), não conseguir se reeleger, consumando um revés que começou com a desistência do genro, deputado Souza Neto (PRP), de tentar mais um mandato na Assembleia Legislativa. Uma situação radicalmente diferente de 2014, quando ele, então deputado estadual licenciado e todo-poderoso secretário de Estado da Saúde, responsável absoluto pela implantação do Saúde é Vida, o mais ambicioso e caro programa do último Governo de Roseana Sarney, que previa a construção de 72 hospitais. A posição lhe deu poder de fogo para eleger a filha e o genro para a Assembleia Legislativa – um caso inédito, que chamou a atenção pelo seu grau de ousadia.

Ainda que de caráter temporário, a prisão complicou muito a sua situação política, que dificilmente será a mesma a partir de agora, ainda que se considere o fato de Ricardo Murad ser um político inteligente, audacioso e hábil, virtudes que certamente o teriam levado muito longe não fosse a sua notória falta de noção de limite.

São Luís, 21 de Outubro de 2018.