Arquivos mensais: dezembro 2017

Polêmico, Ricardo Murad se lança para disputar Governo com Flávio Dino, Roseana Sarney e Roberto Rocha

 

Ricardo Murad anuncia sua candidatura ouvido por severino Sales
Ricardo Murad anuncia sua candidatura ao Governo  ouvido por Severino Sales

O ex-deputado Ricardo Murad anunciou ontem que vai disputar o Governo do Estado como candidato do Partido Republicano Progressista (PRP). Entra numa disputa em que já estão postos como candidatos o governador Flávio Dino (PCdoB), o senador Roberto Rocha (PSDB), a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), a ex-prefeita Maura Jorge (Podemos), com a possibilidade de o deputado estadual Eduardo Braide (PMN) também entrar na disputa. A decisão chega após ter frustrado o projeto de ser candidato pelo PMDB e, surpreendentemente, quando as pesquisas feitas para aferir as preferências do eleitorado indicam que, pelo menos até aqui, é mínima, quase inexistente, a possibilidade de o ex-deputado estadual, ex-presidente da Assembleia Legislativa, ex-deputado federal, ex-prefeito de Coroatá, ex-gerente metropolitano e ex-secretário de Estado da Saúde chegar ao Palácio dos Leões no pleito de 2018.

No ato, realizado no Hotel Luzeiros com a presenta da cúpula estadual do PRP, comandada pelo empresário Severino Sales, Ricardo Murad apresentou como plataforma de campanha uma carta na qual afirma que quer ser governador por sentir que chegou sua vez e porque se sente “preparado”. Na mesma carta, assume, entre outros, o compromisso de construir uma  quilométrica ponte rodoferriviária ligando São Luís à Baixada, e avalia que sua gestão na Secretaria Estadual de Saúde teve qualidade de “primeiro mundo”. E como não poderia deixar de ser, sinalizou com clareza que será uma espécie de borduna verbal contra o governador Flávio Dino, assim como deixou no ar que será dócil com a candidata do PMDB.

Não se duvida de que Ricardo Murad alimente o sonho de governar o Maranhão, e até mesmo que sua candidatura possa vir a ser um projeto verdadeiro. Mas é difícil imaginar que o homem-forte do Governo de Roseana Sarney, responsável absoluto pelo milionário, audacioso e controverso projeto Saúde é Vida entre como seu adversário na corrida ao Palácio dos Leões. Provocado sobre esse detalhe, ele desconversou dizendo não estar preocupado com o assunto, como se isso fosse possível num cenário de beligerância política como o que está sendo desenhado no Maranhão. E foi incisivo na afirmação de que acredita ter chegado a sua hora, como se o Governo do Maranhão fosse um alvo a ser alcançado por esse tipo de critério.

Com as suas declarações, o ex-secretário de Estado da Saúde ofereceu ao mundo político e a observadores razões de sobra para alimentar a impressão de que sua candidatura é parte de uma estratégia urdida com o objetivo de provocar um segundo turno entre Flávio Dino e Roseana Sarney. Claro que na busca de se dar estatura política como candidato a governador, Ricardo Murad não admitirá que o seu projeto eleitoral seja uma carta com aquele objetivo. Ao contrário, com o ato político demonstrou que fará de tudo para convencer a todos de que sua candidatura é para valer e que ele vai para a briga disposto a atropelar quem se postar à sua frente, mesmo que seja a ex-governadora, caso ela venha mesmo a ser candidata.

Não há como desconhecer que ao lançar sua candidatura, mesmo sabendo o quanto são remotas suas chances numa corrida em que são linha de frente o governador Flávio Dino, a ex-governadora Roseana Sarney e o senador Roberto Rocha, o ex-deputado Ricardo Murad protagonizou um fato político importante, marcando o início da sua caminhada até a convenção do PRP, em julho ou agosto do ano que vem, que dirá se ele será mesmo ou não candidato para valer. Com vasta experiência de sucessos e tropeços nas searas políticas e eleitorais, Ricardo Murad sabe que se vier mesmo a confirmar sua candidatura como expressão de um pleito político e eleitoral autêntico, terá condições de sair das urnas ao menos como alvo de respeito. Mas se, por outro lado, estiver dando forma a um factóide, poderá sofrer danos irreversíveis à sua já polêmica imagem política.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Se ficarem onde estão, Andrea Murad pode ter de pedir votos para Roseana, e Souza Neto, para Flávio Dino

Andrea Murad e Souza Neto: situação embaraçosa no PMDB e no PROS
Andrea Murad e Souza Neto: situação embaraçosa se ficarem no PMDB e no PROS

Uma situação chamou atenção na reunião da Executiva do PRP para anunciar o ex-deputado Ricardo Murad como candidato a governador. Foi o anúncio feito pelo presidente do partido, empresário Severino Sales, de que a agremiação, mesmo tendo um candidato majoritário, não lançará candidatos ao Senado, preferindo concentrar esforços na montagem de chapas fortes para deputado federal e deputado estadual. Estranho que um partido que se dispõe a entrar numa guerra eleitoral com um candidato a governador como Ricardo Murad não agregue a essa chapa pelo menos um nome para disputar cadeira de senador. Nesse contexto, a curiosidade mais interessante foi o fato de a deputada Andrea Murad não ter deixado o PMDB e assinado ficha de filiação no PRP para fortalecer a proposta do partido de eleger o máximo possível de deputados estaduais e federais. Igualmente curioso o fato de o deputado Souza Neto não se desfiliar do PROS para reforçar a chapa de candidatos a deputado estadual do PRP. Se essas mudanças não ocorrerem, Andrea Murad terá de fazer campanha para a ex-governadora Roseana Sarney, porque o PMDB não aceitará que ela se engaje na corrida do pai por outro partido. A mesma situação envolve o deputado Souza Neto, que se permanecer no PROS, pode ter de pedir votos para o governador Flávio Dino, já que o partido hoje comandado pelo ex-ministro Gastão Vieira deve integrar a aliança liderada pelo PCdoB. Vale a pena aguardar o desfecho dessa equação.

 

Eliziane Gama reafirma sua candidatura ao Senado e espera contar com o PCdoB

Eliziane Gama: decisão de disputar uma cadeira no Senado
Eliziane Gama: expectativa de disputar uma cadeira no Senado com o apoio do PCdoB

Antes de embarcar para Brasília no início da semana, a deputada federal Eliziane Gama (PPS) reafirmou o que dissera à Coluna há três semanas e aos jornalistas que atenderam ao seu convite para almoçar no sábado (9): aconteça o que vier a acontecer, sua candidatura ao Senado é irreversível. A parlamentar popular-socialista tem motivos de sobra para fazer esse tipo de afirmação, sendo o principal deles as pesquisas que a apontam na liderança das preferências do eleitorado. Mesmo sabendo que os percentuais encontrados com muita antecedência podem emagrecer à medida que a campanha avançar – como aconteceu com ela própria na corrida para a Prefeitura de São Luís -, Eliziane Gama avalia que o cenário é bem diferente: são duas vagas, o que lhe dá uma vantagem expressiva se conseguir manter os percentuais de intenção de voto. A deputada acredita que sua posição será bem melhor for escolhida pelo governador Flávio Dino para ocupar uma das vagas de candidato a senador na chapa que o terá com o candidato à reeleição. É evidente que o Palácio dos Leões tem simpatia pelo projeto senatorial da deputada, mas por conta de outras postulações – os deputados federais Weverton Rocha (PDT), José Reinaldo Tavares (PSB a caminho do DEM), Waldir Maranhão (PTdoB) e, provavelmente, Márcio Jardim (PT) – tem dificuldade de firmar acordo com Eliziane Gama. Mas, independentemente dessas condições, a parlamentar do PPS se mostra determinada a entrar na briga por uma das vagas do Senado, nem que para isso tenha de fazer uma campanha solitária, fora de alianças, como fez em 2014, quando saiu das urnas como campeã de votos – mais de 140 mil – na corrida para a Câmara Federal.

 

São Luís, 12 de Dezembro de 2017.

Estouro de válvula na nova adutora do Italuís é politizado e expõe o jogo pesado da corrida pelo poder

 

Flávio Dino permaneceu mais de 15 horas no canteiro acompanhando os trabalhos de restauração da adutora
Flávio Dino permaneceu mais de 15 horas no canteiro cobrando e ouvindo explicações sobre o acidente e os trabalhos de retirada da válvula defeituosa 

A tensão política que domina o Maranhão com a aproximação da campanha para as eleições do ano que vem é tão forte que contamina até mesmo problemas de natureza estritamente técnica, como o estouro de uma válvula que impediu a entrada em funcionamento da nova adutora do Sistema Italuís, que vai ampliar o abastecimento de água em São Luís, hoje na iminência de entrar em colapso por escassez do chamado líquido precioso. A oposição aproveitou para explicar o defeito em uma das válvulas de pressão da adutora, localizada no trecho que corta o Campo de Perizes, que causou estouro da tubulação e a consequente interrupção da obra, como “incompetência” do governador Flávio Dino (PCdoB), que, por sua vez, chegou a chamar a Polícia Civil para investigar a suspeita de que o acidente poderia ter sido um ato de sabotagem. O fato é que o defeito técnico – que tirou de tempo o Governo e a população de São Luís e deu gás à Oposição e é responsabilidade exclusiva do fabricante da válvula – deflagrou uma batalha com ácidos petardos políticos entre e Governo e seus contrários.

As primeiras avaliações sobre o acontecido – que pode ser tranquilamente definido como um incômodo acidente -, logo mostraram que o Governo do Estado e o governador não têm qualquer responsabilidade direta no estouro da tal válvula, como também não foi encontrado qualquer indício de que o problema tenha sido resultado de um ato criminoso, ação de um sabotador antigovernista. Logo em seguida, técnicos experimentados chegaram à conclusão de que o que causou o estouro foi um defeito de fabricação na válvula da adutora, que funciona um mecanismo controlador da pressão da água, que é muito forte na dentro da tubulação da adutora. E ficou evidenciado que esse é um problema que diz respeito somente à empresa que forneceu o equipamento e à que responde pela sua instalação.

Não há que discutir o fato de que o Governo é o dono da obra, via Caema. Mas é também verdadeiro o fato de que ele não tem qualquer naco de responsabilidade direta no processo de implantação da nova tubulação. Como contratante, cabe ao Governo fiscalizar o trabalho das empresas contratadas via licitação, cobrar-lhes eficiência e o cumprimento do cronograma acertado – o que vinha acontecendo normalmente, diga-se. O acidente foi um imprevisto avassalador, pois não havia como Governo e empresas contratadas preverem-lo. Assim, tentar crucificar o governador por causa de um problema dessa natureza é, no mínimo, injusto e descabido. Afinal, o chefe do Poder Executivo maranhense é um ex-juiz federal e professor de Direito que abdicou da segurança da magistratura para brigar por mandatos e tem se revelado um gestor de ponta, eficiente, com os pés firmados no chão e, mais do que isso, sem qualquer manche ética ou moral no seu currículo. Isso não o isenta de críticas ou cobranças eventuais. Mas aponta-lo como responsável pelo estouro da válvula da nova adutora não faz sentido.

Por conta do adiamento do funcionamento integral da nova estrutura do Sistema Italuís, houve quem criticasse o secretário de Articulação Política e Comunicação pela eufórica campanha publicitária que vinha badalando a antecipação da conclusão da obra. Pode ter havido algum excesso de empolgação no anúncio da sua antecipação, mas ele foi feito com base em informações técnicas que garantiam o encurtamento do cronograma, o que isenta a área de Comunicação da acusação de irresponsabilidade e incompetência. Afinal, a obra vinha andando em ritmo acelerado, mas dentro de uma normalidade que não indicava qualquer indício de que um problema dessa dimensão poderia acontecer. O clima já era de comemoração, no Governo e nas empresas, já que a probabilidade de um defeito na tal válvula era absolutamente imprevisível.

Ao mesmo tempo, a Oposição não deve ser satanizada pela tentativa de tirar uma lasca da credibilidade do Governo do qual é uma adversária que não faz qualquer concessão. Qualquer manifestação de insatisfação, de crítica e de cobrança em relação ao que aconteceu com a nova adutora do Italuís será lícita, pois se enquadra exatamente no direito à liberdade de  expressão e pensamento assegurada pelo estado democrático de direito. Salvo, é claro, quando a metralha verbal descamba para a  irracionalidade, o que não foi o caso, mesmo com as distorções em relação ao governador do Estado.

Finalmente, não fosse o viés político que contamina fortemente as já muito conturbadas relações Oposição X Situação, o estouro da nova adutora repercutiria e provocaria cobranças, mas não na escala que marcou o acidente em Perizes. É a guerra pelo poder que começa a ganhar densidade e intensidade.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Waldir Maranhão não abre mão de ser um dos candidatos a senador na chapa Flávio Dino

Waldir maranhãom entra no PTdoB para ser candidato a senador
Waldir Maranhão cobra uma das vagas de senador na chapa de Flávio Dino

O governador Flávio Dino tem na mesa um problema político que exigirá dele muita habilidade, disposição para conversar e, sobretudo, paciência. É que deputado federal Waldir Maranhão meteu mesmo na cabeça que será um dos candidatos a senador na chapa a ser liderada pelo governador, avisando que disputará o mandato senatorial de qualquer maneira, nem que seja na contramão da posição do chefe do Executivo. Waldir Maranhão tem um pote cheio de argumentos para sustentar o projeto. O principal é o aparente, mas não formalmente sacramentado, aval do ex-presidente Lula da Silva, baseado nas desastrosas decisões tomadas pelo parlamentar para tentar salvar o mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) durante o processo de impeachment, quando esteve temporariamente à frente da Câmara Federal. Waldir Maranhão avalia que pagou preço alto pelo episódio, e acha que a forma de ser compensado é sendo guindado a candidato a senador declaradamente apoiado pelo governador Flávio Dino.

 

Roberto Costa anuncia decisão de Michel Temer de autorizar Curso de Medicina para Bacabal

Roberto Costa: envolvimento politicamente correto com a crise em Bacabal
Roberto Costa: anuncia que Bacabal vai ganhar Curso de Medicina 

Só depende do interesse e a tomada de providências formais do prefeito Zé Vieira (PR) para que o Ministério da Educação inicie o processo de implantação do Curso de Medicina em Bacabal, um benefício que alcançará toda a Região do Médio Mearim. A boa nova foi anunciada ontem pelo deputado Roberto Costa (PMDB), pai do projeto, ao reportar que, atendendo a pedido formulado por ele, pelo senador João Alberto (PMDB) e pelo deputado federal João Marcelo (PMDB), em audiência no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer (PMDB) autorizou ao ministro da Educação, Mendonça Filho,  o desarquivamento do processo. Com a decisão presidencial abre caminho para que o processo volte a tramitar com vistas à sua concretização o mais breve possível. No seu discurso, o deputado Roberto Costa relatou que essa é uma luta que ele e João Alberto travam há quatro anos, ainda no governo da presidente Dilma Rousseff (PT), mas foi arquivado porque a Prefeitura de Bacabal não demonstrou o interesse devido nem tomou as providências necessárias para que o Ministério da Educação desse continuidade ao processo. O deputado Roberto Costa destacou que Bacabal vem aos poucos se transformando num polo regional de ensino de nível superior, abrigando várias instituições públicas e privadas, e que ganhará importância muito maior com o Curso de Medicina. “Agora é necessário que a Prefeitura de Bacabal, que o senhor prefeito, independente das questões políticas que estamos travando, faça a sua parte. O Ministério abriu o prazo e agora a Prefeitura de Bacabal precisa mostrar o seu interesse em fazer o cadastro e preencher todas as informações que o Ministério da Educação solicita. A autorização que era mais difícil, até pela reprovação dos outros processos, nós conseguimos, e agora precisamos que o prefeito de Bacabal faça a sua parte. Como eu tenho dito, as questões políticas se tornam pequenas, neste momento, porque a instalação da Faculdade Medicina, na cidade de Bacabal, será, Senhor Presidente, uma vitória para a cidade e para a região do Médio Mearim”, declarou o deputado Roberto Costa.

São Luís, 11 de Dezembro de 2017.

Candidatos a governador terão de portar as bandeiras dos candidatos presidenciais na corrida eleitoral de 2018

 

Flávio Dino
Flávio Dino portará a bandaira de Lula ou a de Ciro Gomes, Roseana Sarney levará a do candidato do PMDB, que pode ser Michel Temer, e Roberto Rocha portará a de  Geraldo Alckmin ao interior na campanha eleitoral

Todos os sinais observáveis no cenário da política brasileira indicam com clareza que as campanhas dos candidatos a presidente da República serão fortemente associadas às dos candidatos a Governos estaduais, também densamente ligadas às campanhas ao Senado. A crise política, moral e institucional que vem abalando o Brasil nos últimos tempos tem causado um enorme vazio de lideranças confiáveis, de modo que os aspirantes ao Palácio do Planalto terão de contar nos estados com líderes politicamente expressivos e eleitoralmente fortes, que os representem com entusiasmo e os apresentem ao eleitorado como o que há de melhor para o País. No Maranhão, o governador Flávio Dino (PCdoB) irá à guerra pela reeleição levando a bandeira do ex-presidente Lula da Silva (PT) ou de outro candidato de esquerda na hipótese de o líder petista ser impedido de concorrer. Se vier mesmo a ser candidata ao Governo do Estado, a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) portará o estandarte do candidato do PMDB, que pode ser o presidente Michel Temer, ou o de uma aliança apoiada pelo partido. O senador Roberto Roberto vai ornar seu palanque de campanha ao Governo com o pendão do governador Geraldo Alckmin, candidato definido do PSDB a presidente. Fora os três, correm rumores de disputas periféricas pela flâmula do deputado federal Jair Bolsonaro (Patriota), ao mesmo tempo em que não se tem qualquer indicativo sobre quem vibrará as bandeirolas com a Rede de Marina Silva no estado.

O governador Flávio Dino já definiu que fará sua campanha associada ao projeto de levar de novo o ex-presidente Lula ao Palácio do Planalto, tanto que iniciou a maratona quando trouxe, no início de outubro, o líder petista para encerrar em São Luís sua incursão pré-eleitoral no Nordeste com um ato político que levou milhares de militantes e simpatizantes a bradarem seus gritos de guerra em frente ao Palácio dos Leões. Depois daquele evento, Flávio Dino tem reafirmado sua identidade ideológica como um político de esquerda e consolidado sua posição no cenário político nacional como uma voz respeitada e de peso no combate ao projeto liberal apoiando um candidato de esquerda ao Palácio do Planalto. Se Lula não for o candidato, o governador do Maranhão deverá levará aos maranhenses de todos os rincões a bandeira do ex-governador Ciro Gomes (PDT), já definido e consolidado como candidato das esquerdas nessa hipótese.

No seu projeto de candidatura do Governo do Estado, a ex-governadora Roseana Sarney terá como locomotiva nacional a candidatura a ser apoiada pelo PMDB, seja a de um membro do partido, seja a de uma aliança à qual a agremiação pemedebista estiver associada. Não será surpresa, porém, que esse candidato vier a ser o próprio presidente Michel Temer, caso as melhorias na economia e os frutos de política de rigor fiscal recoloquem o Brasil na trilha do crescimento. A tese da candidatura do presidente parece hoje um absurdo diante da sua impopularidade, mas políticos experientes – o ex-presidente José Sarney (PMDB), por exemplo -, cientistas políticos que enxergam longe e marqueteiros tarimbados têm levado ao Palácio do Planalto estudos que apontam a candidatura do presidente à reeleição como uma possibilidade concreta. Independente do quem vier a ser o candidato presidencial do centro apoiado pelo PMDB, Roseana Sarney terá de levá-lo a todo o Maranhão.

O senador Roberto Rocha é, até aqui, o único candidato ao Governo do Estado com uma candidatura presidencial definida, que deve ser a do governador paulista Geraldo Alckmin, entronizado no sábado (9) como chefe maior dos tucanos e praticamente confirmado candidato do PSDB a presidente da República. (O prefeito de Manaus (AM), Arthur Virgílio avisou que disputará a indicação do Alckmin, mas é sabido que não tem a menor chance). Essa definição oficiosa, mas quase 100% certa, pelo governador paulista, dá a Roberto Rocha a chance de sair na frente na corrida para capilarizar o presidenciável tucano Maranhão adentro, à medida que ele próprio já está escolhido para ser o candidato do PSDB a governador. O desafio de Roberto Rocha é encontrar o discurso adequado para essa tarefa, já que mais identificado com Lula por conta das políticas sociais do seu governo, o eleitorado maranhense tem um pé atrás com presidenciáveis tucanos.

Chama atenção no contexto maranhense a falta de porta-bandeiras para a candidatura de Marina Silva, que é presidenciável confirmadíssima de sua Rede, embora haja rumores fortes de que a ex-senadora, que ficou em terceiro lugar no pleito presidencial de 2014, possa vir a liderar uma frente de esquerda e ganhar o apoio do governador Flávio Dino, caso o ex-presidente Lula não possa concorrer e o pedetista Ciro Gomes abra mão da candidatura em nome de uma aliança com a Rede, ou firmar uma aliança com o PSDB na hipótese de Michel Temer vir a ser o candidato do PMDB. Também não há definição ainda sobre quem vai portar bandeirola do candidato Jair Bolsonaro, embora algumas vozes da extrema direita já comecem a se manifestar.

Na opinião de observadores tarimbados, essas composições estarão definidas e sedimentadas até abril do ano que vem.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Carlos Brandão está fora do PSDB, sai de cabeça erguida, mas seu futuro ainda é incerto

Carlos Brandão: deve sair, mas leva respeito da cúpula nacional dos tucanos
Carlos Brandão: sai do PSDB de cabeça erguida, mas seu futuro ainda é incerto 

Como estava previsto – embora algumas vozes tenham tentado desenhar uma “reação” -, o vice-governador Carlos Brandão perdeu definitivamente o controle do PSDB no Maranhão, já tendo o inclusive anunciado a sua saída do ninho dos tucanos. A confirmação da reviravolta se deu, primeiro, quando o senador Aécio Neves, que mantinha Brandão no comando do partido no estado, caiu no limbo moral e perdeu as condições de liderar a agremiação. Com a posse do senador cearense Tasso Jereissati, o braço maranhense do tucanato foi tirado do vice-governador e entregue ao senador Roberto Rocha, que retornou ao partido depois de vários anos, e ao ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, que sempre foi tucano de proa, mas que perdera força no comando partidário depois de se entregar inteiramente à tarefa de governar a Princesa do Tocantins. Assim, de parceiro do governador Flávio Dino em 2014, o PSDB passa a ser um adversário aguerrido cuja campanha visará o Palácio dos Leões com Roberto Rocha e o Palácio do Planalto com Geraldo Alckmin. Carlos Brandão deixa o PSDB no bojo de uma conveniência partidária, na qual não se encaixou dada sua ligação política irreversível – pelo menos até aqui – com o governador Flávio Dino. Sai de cabeça erguida e politicamente bem maior do que quando entrou, com o cacife de sob seu comando o PSDB haver elegido 29 prefeitos em 2016, dos quais pelo menos metade poderá deixar o partido junto com ele. O problema da Carlos Brandão agora é saber se será de novo companheiro de chapa do governador Flávio Dino em 2018. Nos bastidores do próprio Governo muitas vozes garantem que Carlos Brandão não será candidato a vice-governador e que seu destino está ligado ao projeto senatorial do deputado federal José Reinado Tavares (PSB), a quem é ligado. Se José Reinaldo for mesmo candidato ao Senado, Brandão ser candidato a deputado federal. Se não, seu futuro é incerto. Mas há também quem garanta que, independente de conveniência eleitoral, o governador Flávio Dino manterá o vice-governador na sua chapa. Carlos Brandão não terá, portanto, aposentadoria política precoce.

 

Parricídio de Barra do Corda pode interromper ou alimentar trajetória de Rigo Teles

Rigo Teles pode ter carreira interrompida ou embalada com tragédia familiar
Rigo Teles pode ter carreira interrompida ou embalada com tragédia familiar

O assassinato do ex-prefeito de Barra do Corda, Manoel mariano de Souza, o “Nenzim”, por Manoel Mariano Jr., o caçula dos seus três filhos, poderá se transformar no grande obstáculo ou, numa inversão radical, em gás para turbinar a trajetória política do deputado Rigo Teles (PV). Para muitos, o viés criminoso da sua família – evidenciado pelas acusações de acusações diversas que pesaram seu pai como prefeito e empresário, a condição de foragido de um irmão, Pedro Teles, acusado de ser mandante de assassinato e grilo de terra, e agora o chocante parricídio praticado pelo irmão Mariano Jr. – poderá se tornar um obstáculo político difícil de ser superado. Ao mesmo tempo, há quem veja nesse cenário cinzento o gás que poderá turbinar a trajetória de Rigo Teles, que se prepara para disputar o sétimo mandato de deputado estadual, uma sequência ininterrupta só alcançada pelo seu colega Stênio Rezende (DEM). Deputado nada afeito a gestos teatrais nem a discursos explosivos, Rigo teles é daqueles que cumpre à risca as regras da velha escola parlamentar de sentar sempre na bancada governista, de brigar por emendas e garimpar recursos para os municípios onde mantém bases eleitorais. Sarneysista de primeira hora, como foi o pai, atua em aliança permanente com o deputado federal Sarney Filho (PV). Discreto, fala mansa e com elevado índice de presença nas sessões plenárias da Assembleia Legislativa, o deputado Rigo Teles tem diante de si o desafio de sobreviver politicamente à tragédia familiar na qual parece ser o único sobrevivente em condições de seguir em frente.

São Luís, 10 de Dezembro de 2017.

Reforma da Previdência tira sono de congressistas, mas a maioria da bancada maranhense votará a favor

 

As bancadas maranhenses no senado e na Cãmara federal tem o desafio de se posicionar na
Bancadas maranhenses no Senado e na Câmara Federal tem o desafio de votar Reforma da Previdência

A Reformada da Previdência, proposta e defendida pelo presidente Michel Temer (PMDB) e avalizada por economistas renomados, empresários de todos os cacifes e líderes de diferentes áreas, mas também rejeitada por partidos e seguimentos de esquerda, líderes sindicais, economistas não liberais e muitas vozes da sociedade em geral, está tirando o sono da esmagadora maioria dos 593 congressistas – 512 deputados federais e 81 senadores -, entre eles os 18 deputados federais e os três senadores maranhenses. Nesse grupo especial de maranhenses envolvidos na questão, e cuja maioria se baseia nos argumentos do Governo Federal, é quase unânime a opinião de que, se mudanças profundas não forem feitas agora, em poucos anos começará a faltar de dinheiro para pagar aposentadorias, ao mesmo tempo em que o déficit, que já é de centenas de bilhões de reais a cada ano, será tão gigantesco que o Estado brasileiro não terá como administrá-lo, o que poderá levar o País à bancarrota. Ou seja, ou se faz a Reforma agora, mesmo que podando benefícios e direitos adquiridos, ou se fará mais tarde, só que em condições bem mais complicadas e dramáticas.

Os deputados federais e senadores maranhenses vivem o mesmo drama dos seus colegas de todo o país: por mais que se dobrem ao argumento de que a mudança nas regras previdenciárias é necessária, exatamente porque o tema parece antipopular e a insatisfação pode levar a maioria a reagir nas urnas. E como é sabido que o instinto mais aguçado dos políticos é o da sobrevivência, alguns preferem deixar tudo como estar e colocar o Brasil na rota do precipício do que correr o risco de se dar mal nas urnas. Esse clima decorre também do fato de que o Governo está perdendo a batalha da comunicação, à medida que a campanha que deflagrou para convencer os brasileiros não é convincente, e os porta-vozes do palácio do Planalto parecem tímidos e inseguros quando enfrentam as câmeras para falar do assunto.

Até aqui, a posição da bancada maranhense é de maioria favorável às mudanças, mesmo com alguns congressistas discutindo esse ou aquele ponto isolado. Os senadores João Alberto (PMDB) e Edison Lobão (PMDB) seguirão a orientação do seu partido e votarão a favor, devendo acontecer o mesmo com o senador Roberto Rocha (PSDB). Já entre os deputados federais o quadro é o seguinte, segundo levantamentos informais feitos até ontem:

Pedro Fernandes (PTB) vai seguir a orientação do seu partido, que fechou questão a favor da Reforma. Hildo Rocha (PMDB) e João Marcelo (PDB) e Alberto Filho (PMDB) seguirão a orientação do comando pemedebista. Cléber Verde vota a favor por orientação partidária e por convicção. Juscelino Filho (DEM) também seguirá orientação do partido, que é a favor.

Aluísio Mendes (Podemos), Deoclídes Macedo (PDT), Weverton Rocha (PDT), Eliziane Gama (PPS), José Carlos (PT), Luana Costa (PSB), Rubens Jr. (PCdoB) e Waldir Maranhão (PTdoB) são contra e devem manter suas posições.

André Fufuca (PP), José Reinaldo (PSB), Júnior Marreca (PEN) e Victor Mendes (PSD) se mantêm ainda no campo da indefinição, mas a expectativa é a de que votem a favor.

O problema dos senadores e deputados maranhenses é o receio de uma reação negativa do eleitorado que os estigmatizem durante a campanha eleitoral. Esse sentimento é fortalecido com o fato de que alguns membros da bancada andaram amargando protestos e vaias em bases eleitorais por causa do voto que deram a favor da Reforma Trabalhista. Na maioria dos casos os apupos foram armados por adversários, que decidiram tirar proveito da situação. Parte dos deputados e senadores têm posições bem definidas a favor e contra e as manterão nas votações, independente dos desdobramentos que seus votos podem produzir durante a campanha eleitoral do ano que vem.

O fato é que, fruto da obstinação do presidente Michel Temer que, contrariando a lógica, está “aproveitando” sua impopularidade para fazer o que governantes preocupados com a reação nas urnas não fariam, a Reforma da Previdência, se aprovada, poderá até produzir consequências nas urnas, mas ninguém com bom senso duvida que cedo ou tarde ela colocará os que votarem a favor no patamar dos bons.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Conquista da Famem: PEC aumentará repasse do FPM e aliviará sufoco nas Prefeituras

Cleomar Tema e Edison Lobão na reunião da semana passada
Cleomar Tema e Edison Lobão atuação decisiva na aprovação  da Reforma da Previdência no plenário do Senado

O presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), Cleomar Tema Cunha, caminha para fechar um dos anos mais bem sucedidos da entidade municipalista nos últimos tempos. Além de uma série de conquistas nos planos estadual e federal, ele contabilizou a aprovação, pelo Senado, na última quarta-feira (06), da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 29/17, que aumenta em 1º o valor dos recursos repassados às Prefeituras pelo Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A decisão do Senado – que deverá ser acompanhada pela Câmara Federal ainda neste ano – garante que o aumento dos recursos entrará em vigor em outubro do ano que vem.

A PEC nº 29/17 foi uma iniciativa da Federação Nacional dos Municípios (FNM), mas a sua viabilização no Congresso Nacional foi possível, em certa medida, pelas articulações feitas pelo presidente da Famem junto ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, senador Edson Lobão (PMDB), que prometeu colocá-la em pauta, o que aconteceu na semana passada, de modo que sua votação no plenário se desse nesta semana, o que aconteceu. A PEC, de autoria do senador paraibano Raimundo Lira (PMDB), foi aprovada pela unanimidade dos senadores em primeiro e segundo turnos e já seguiu para apreciação da Câmara Federal, que também deverá ocorrer o mesmo.

Para alcançar esse objetivo, que beneficiará os 217 municípios maranhenses, o presidente Tema Cunha integrou uma comissão de prefeitos que peregrinou por Brasília, reuniu-se com bancadas estaduais e conseguiu o aval das autoridades fazendárias para viabilizar o projeto. Nessas incursões, uma das reuniões mais importantes foi com o senador Edison Lobão, presidente da CCJ do Senado. Depois de ouvir os argumentos dos prefeitos, a começar pelos de Tema Cunha, Lobão se comprometeu a colocar o projeto em pauta, o que aconteceu há duas semanas, permitindo a votação pelo plenário da Casa na quarta-feira.

A PEC 29 garante às prefeituras o aumento em 1% do valor do FPM, passando dos atuais 24,5% para 25,5% a partir de setembro do ano que vem. Este reajuste aliviará a dramática situação financeira dos municípios maranhenses, nos quais serão injetados mensalmente recursos de R$ 157 milhões. “Trata-se de uma grande vitória para o movimento municipalista no país, em especial no Maranhão. O aumento destes recursos beneficiará, e muito, as prefeituras de nosso estado, que operam praticamente no vermelho e ainda convivem com o corte permanente de recursos”, avaliou Cleomar Tema.

José Reinaldo deve migrar para o DEM e consolidar sua candidatura ao Senado

José Reinado pode migrar para o DEM ou PMDB
José Reinado pode migrar para o DEM nos próximos dias

O deputado federal José Reinaldo Tavares deve encerrar sua pendência partidária nos próximos dias migrando do PSB para o DEM, pelo qual deve disputar uma cadeira no Senado. Com a migração, que já estaria decidida com apoio entusiasmado da direção nacional do Democratas e o aval discreto do Palácio dos Leões, o ex-governador encerrará um longo período de indefinição, que já vinha ameaçando sua condição de pré-candidato a senador, para colocar-se definitivamente na briga pela Câmara Alta. Mesmo tendo-o como voz dissonante em delicadas decisões no Congresso Nacional, como o seu voto favorável à Reforma Trabalhista, por exemplo, o PSB fez gestões para que o ex-governador permanecesse no partido, chegando mesmo a garantir-lhe a vaga de candidato a senador. José Reinaldo, porém, avaliou cuidadosamente o cenário e chegou à conclusão de que sua permanência no arraial socialista seria politica e eleitoralmente inviável. Ao migrar para o DEM, ele na verdade volta à sua casa partidária de origem, com trânsito na cúpula nacional e sem qualquer dificuldade para levar à frente o seu projeto senatorial. Além disso, leva para o DEM a possibilidade de o partido ter um senador eleito em 2018, já que sua candidatura é bem aceita pelo eleitorado, segundo têm mostrado as diversas o pesquisas que mediram recentemente a corrida eleitoral no Maranhão. Por outro lado, há quem diga nos bastidores que o deputado José Reinaldo pode permanecer no PSB, mas até onde a Coluna apurou seu destino será mesmo o DEM.

São Luís, 08 de Dezembro de 2017.

 

Flávio Dino tem pela frente o desafio de montar a chapa de senador sem abrir uma crise na aliança que lidera

 

Flávio Dino terá de escolher dois entre Weverton Rocha, José Reinaldo, Eliziane Gama, Waldir Maranhão, Márcio Jardim e Hilton Gonçalo
Flávio Dino terá de escolher dois entre Weverton Rocha, José Reinaldo, Eliziane Gama, Waldir Maranhão, Márcio Jardim e Hilton Gonçalo para corrida ao Senado

Se, de fato, fechou questão na escolha do deputado federal Weverton Rocha (PDT) como um dos candidatos ao Senado na chapa que liderará como candidato à reeleição em 2018, o governador Flávio Dino (PCdoB) preencheu uma vaga de candidato, deixando para mais tarde, provavelmente depois do Carnaval do ano que vem, a nada fácil tarefa de escolher o segundo postulante. Ele tem à sua frente nada menos quatro opções, três viáveis, uma com feitio de incógnita e a quarta apenas uma incômoda e remota possibilidade: o ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares (que se encontra migrando do PSB para o DEM), a deputada federal Eliziane Gama (PPS), o deputado federal Waldir Maranhão (PTdoB), o ex-secretário de Estado de Esportes, Márcio Jardim (PT), e o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB), respectivamente. O governador terá de encontrar o ponto de equilíbrio da sua chapa ao escolher um desses nomes, já que no contexto da aliança partidária que lidera não existem outros nomes com peso político suficiente para encarar o desafio de enfrentar nas urnas pesos pesados da política como os já citados e o senador Edison Lobão (PMDB) e o deputado federal Sarney Filho (PV), atual ministro do Meio Ambiente, como seria o presidente da Assembleia Legislativa, Humberto Coutinho (PDT), se a saúde permitisse.

O ex-governador José Reinaldo Tavares tem um amplo e sólido lastro político e, segundo as pesquisas feitas até aqui, está entre os nomes com maior potencial eleitoral. É politicamente leal e correto com o governador, mas tem mostrado uma distância imensurável em relação aos caminhos a seguir no pleno nacional, alimentando assim uma linha de ação absolutamente incompatível da cultivada pelo Palácio dos Leões. Fora as coisas do Maranhão, José Reinaldo e Flávio Dino em nada coincidem em matéria programática e ideológica, pois enquanto o governador rejeita ou questiona as ações e propostas do Governo do presidente Michel Temer (PMDB), José Reinaldo atua na Câmara Federal estreitamente afinado com o Palácio do Planalto, votando sempre de acordo com o PMDB e o PSDB. Há, porém, aliados de ambos – como o prefeito de Tuntum e presidente da Famem, Cleomar Tema Cunha (PSB), por exemplo – trabalhando duro por uma conciliação, que começou a parecer possível nas últimas semanas.

A deputada Eliziane Gama parece a opção que mais agrada ao Palácio dos Leões. Ave solitária, que não faz parte de grupo, mas amealhou prestígio político surpreendente em três mandatos parlamentares, a ponto de ser hoje apontada nas pesquisas como o nome eleitoralmente mais forte no campo liderado pelo governador Flávio Dino, reunindo assim as condições de vir a ser a escolhida. O problema de Eliziane Gama é a inconsistência política, já que no plano nacional o seu partido, o PPS, é adversário do campo ao qual pertence o governador Flávio Dino e deve apoiar um candidato presidencial adversário do chefe do Executivo. Tal situação fragiliza a relação com o governador Flávio Dino, que parece simpatizar com o projeto senatorial da deputada, colocando-a numa posição privilegiada no contexto dos aspirantes que almejam se tornar senador. Eliziane pode se tornar candidata independente.

O deputado federal Waldir Maranhão entrou na corrida senatorial por uma série de acordos que firmou com o governador Flávio Dino, o ex-presidente Lula da Silva (PT) e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) quando esteve no comando da Câmara Federal. Sem espaço no PP, migrou para o PTdoB depois de perceber que, mesmo com o apoio de Lula, não teria espaço no PT. Continua mantendo um bom relacionamento com Flávio Dino, mas diante do fato de que o governador não o indicou para ser o segundo nome para senador na sua chapa, Waldir Maranhão tem dito e repetido a aliados que será candidato de qualquer maneira, com ou sem o aval do chefe do Executivo.

O surgimento do ex-secretário de Esportes, Marcio Jardim (PT) com 7% das intenções de voto entre os nomes citados na corrida senatorial o transformou numa possibilidade, que pode se tornar um projeto petista, ainda que dificilmente venha a ser o segundo nome do governador para completar a chapa majoritária. Por sua vez, o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo, é, ao mesmo tempo, uma possibilidade remota e uma expectativa. Ele pertence ao PCdoB, mas seu discurso confronta fortemente o discurso do Palácio dos Leões, que o vê como um aliado incômodo e prestes a deixar o barco governista e associar-se politicamente ao deputado estadual Eduardo Braide (PMN), a quem apoiou em 2016 na corrida para a Prefeitura de São Luís.

Como se vê, o governador Flpavio Dino tem muito trabalho político pela frente, a começar pelo desafio de escolher dois candidatos a senador ser gerar uma crise que poderá ameaçar a estabilidade da aliança que lidera.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Assembleia Legislativa aprova mudança em regra de substituição e estanca crise

Roberto Costa teve Aval de Othelino Neto e Humberto Coutinho para propor a mudança
Roberto Costa teve Aval de Othelino Neto e Humberto Coutinho para fazer mudança

A aprovação, ontem, em 1º turno, do Projeto de Resolução Legislativa Nº 049/2017 sinalizou com clareza que a Assembleia Legislativa optou por destravar o processo de substituição de membros da Mesa Diretora em caso de vacância do cargo, evitando assim um confronto pelo poder no meio de uma corrida dos deputados pela reeleição. De autoria do deputado Roberto Costa (PMDB), que o apresentou de pleno acordo com o presidente Humberto Coutinho (PDT), afastado para tratamento de saúde, e com o vice-presidente no exercício da presidência, deputado Othelino Neto (PCdoB). Tomada em razão do estado de saúde do presidente Humberto Coutinho, que poderá retornar, mas também poderá se afastar em definitivo, caso suas dificuldades de saúde se prolonguem, a iniciativa de Roberto Costa simplifica a regra de substituição, instituindo que, em caso de vacância do cargo de presidente, em vez da realização de uma eleição para escolher o substituto, o vice-presidente assume a presidência automaticamente, abrindo caminho para que os demais membros da Mesa ascendam, de modo que o único cargo a vagar será o de 4º secretário, que será preenchido por eleição.

A nova regra evita que a Assembleia Legislativa instaure uma guerra pelo poder, como começou a ser desenhado quando a saúde do presidente Humberto Coutinho se agravou, tendo sua esposa, Cleide Coutinho, decidido a levá-lo para Caxias, onde está sendo tratado sem a pressão das visitas e dos acontecimentos políticos. Em meio à possibilidade de vacância do cargo de presidente, uns poucos deputados promoveram uma intensa, legítima, mas pouco ética, movimentação nos bastidores tentando definir uma candidatura para disputar o comando da Casa. A resistência física e moral do presidente Humberto Coutinho, o equilíbrio e a habilidade do presidente em exercício Othelino Neto e o tirocínio político do deputado Roberto Costa estancaram o clima de crise na raiz com a mudança da regra, que acabou aprovada pela maioria. E com isso o presidente Humberto Coutinho continua sua luta titânica contra um cruel processo infeccioso  e o presidente em exercício Othelino Neto segue em frente mantendo a Casa funcionando plenamente.

 

Assassinato de Nenzim causa forte impacto no meio político

Manoel Mariano: liderança política e negócios controiversos
Manoel Mariano: liderança política e negócios controversos

O Maranhão foi impactado ontem com a notícia do assassinato de Manoel Mariano de Souza, o Nenzim, empresário, pecuarista e político que governou Barra do Corda por três mandatos e cuja família se mantém nesse campo por meio do deputado estadual Rigo Teles (PV), que está no seu sétimo mandato. Manoel Mariano foi atingido por um tiro no pescoço quando se deslocava de Barra do Corda para a sua fazenda. Foi levado para o hospital, mas faleceu em seguida. O assassinato comoveu a cidade e a região central do Maranhão, onde o ex-prefeito era conhecido por sua liderança forte e pela fama de ser um homem de negócios que acumulou expressiva fortuna. O fato levou a Barra do Barra do Corda o secretário de Estado da Segurança Pública, Jefferson Portela, e uma equipe especial de delegados e agentes graduados para investigar o caso em busca dos criminosos.

Envolvido em negócios controversos e já tendo sido preso sob a acusação – não comprovada – de improbidade administrativa quando do prefeito de Barra do Corda, tendo inclusive sido preso pela Polícia Federal. Além do mais, um dos seus filhos, Pedro Teles, responde pela suspeita de ser o mandante de um assassinato. Por conta dessas situações, a Polícia trabalha com a certeza de que foi crime de encomenda, que será esclarecido mais cedo ou mais tarde.

O assassinato de Manoel Mariano causou forte impacto na seara política. O Governo do Estado se manifestou por meio da Secretaria de Segurança Pública, que divulgou nota lamentando o ocorrido e prometendo uma investigação ampla para solucionar o ato criminoso o mais rapidamente possível. Na Assembleia Legislativa, o plenário fez um minuto de silêncio em pesar pelo ocorrido, e o presidente em exercício Othelino Neto divulgou nota nesse sentido:

A Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão externa profundo pesar pelo falecimento do ex-prefeito de Barra do Corda e pai do deputado estadual Rigo Teles, Manoel Mariano de Sousa, mais conhecido como Nenzim. Ele foi alvejado por tiros, na manhã desta quarta-feira (6), na cidade de Barra do Corda.

Nenzim era considerado uma grande liderança política na região de Barra do Corda, cidade na qual foi eleito prefeito por três vezes, tendo deixado o último mandato em 2012.

No início da sessão desta quarta-feira, a Assembleia Legislativa solicitou, aos órgãos competentes, a imediata investigação deste bárbaro crime, ao tempo em que se solidariza com familiares, amigos e admiradores de Nenzim, e transmite as mais sinceras condolências por esta inestimável perda.

São Luís, 06 de dezembro de 2017

Deputado Othelino Neto
Presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Maranhão

Na mesma linha, o presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), Cleomar Tema Cunha, também se manifestou com a seguinte nota de pesar:

A Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem) manifesta o mais profundo pesar pelo brutal assassinato de Manoel Mariano de Souza (Nenzim), ex-prefeito da cidade de Barra do Corda, pai do deputado estadual Rigo Teles e uma das mais expressivas lideranças daquela região.

Ao mesmo tempo em que se solidariza com a família do saudoso ex-prefeito, esta Federação  reivindica à Secretaria de Estado da Segurança Pública do Estado do Maranhão total empenho na elucidação do assassinato que deixou toda a sociedade maranhense chocada.

Prefeitos e ex-prefeitos maranhenses estão perplexos com o violento episódio, que deixa uma mancha de sangue na política do Maranhão.

São Luis, 06 de dezembro de 2017

Cleomar Tema Carvalho Cunha – Presidente

Até ontem à noite não havia novas informações sobre o caso e sobre o andamento das investigações.

São Luís, 06 de Dezembro de 2017.

Weverton consolida liderança no PDT, ganha apoio político para disputar o Senado, mas precisa de base eleitoral

 

Weverton Rocha (c), apoiado por Flávio Dino e Ciro Gomes
Weverton Rocha (c), apoiado por Flávio Dino e Ciro Gomes como candidato a senador

A semana que passou foi marcada pela intensa movimentação do deputado federal Weverton Rocha, que fechou o sábado como a maior estrela da nova geração do PDT aqui e alhures, foi aclamado seu chefe maior no Maranhão e lançado – também sem discussão – candidato do partido a senador. O grande momento em que tais situações se confirmaram aconteceu no Batuque Brasil, na presença do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, do candidato do partido a presidente da República, Ciro Gomes, do presidente em exercício da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), do prefeito de São Luis, Edivaldo Jr., e do governador Flávio Dino (PCdoB). Weverton Rocha cumpriu o ousado script por escrito por ele próprio com a determinação dos que sabem onde querem chegar e que fazem o possível, e às vezes o impossível, para alcançar o objetivo almejado. Sabe que o desafio maior está a caminho, que é disputar uma cadeira senatorial com pesos pesados como o senador Edison Lobão (PMDB), José Reinaldo Tavares (PSB), Eliziane Gama (PPS) e Sarney Filho (PV), e outros aspirantes de cacife menor.

Weverton Rocha terminou a semana como um dos dois candidatos ao Senado que farão parte da chapa a ser liderada pelo governador Flávio Dino. Chegou a essa condições depois de uma série de atropelos que ameaçaram colocá-lo em rota de colisão com o Palácio dos Leões, mas diante da possibilidade de sinal vermelho ao seu projeto senatorial, usou suas habilidades de político sobrevivente e reverteu a tendência, desarmou as armadilhas e deu as tacadas certas. Diante de tanta desenvoltura e capacidade de chegar cada vez mais longe demonstrada pelo chefe pedetista, o governador Flávio Dino se rendeu às evidências e deu sinal verde ao projeto. E fez participando da convenção pedetista com o mesmo entusiasmo exibido pela militância do partido que o recebeu em festa.

Não há dúvidas de que, avalizado pelo comando nacional do PDT, embalado pelo candidato presidencial do partido, acatado pelo Palácio dos Leões, Weverton Rocha tem sua candidatura politicamente viabilizada. Agora, seu desafio – gigantesco, é bom frisar – é viabilizar o seu projeto no plano eleitoral, ou seja, convencer pelo menos um 1,5 milhão de eleitores de que ele, entre os demais, é um dos nomes que deve ser mandado para a Câmara Alta. O gigantismo do desafio está no fato de que até aqui o líder pedetista tem aparecido em segundo plano nas pesquisas de opinião realizadas para medir os ânimos do eleitorado em relação aos concorrentes. Os levantamentos feitos até aqui mostram que a disputa pelas duas vagas está entre Edison Lobão, José Reinaldo, Eliziane Gama e Sarney Filho. Em nenhum deles Weverton Rocha aparece em posição de liderança.

A seu favor estão dois fatos: as eleições só ocorrerão daqui a 10 meses e a campanha para valer só será deflagrada depois da Semana Santa do ano que vem, e a campanha oficial, só em agosto. Até lá, todos os candidatos movimentar-se-ão para consolidar seus projetos eleitorais, com a possibilidade de ocorrer mudanças expressivas nas preferências do eleitorado, podendo Weverton Rocha viabilizar sua candidatura política e eleitoralmente. Terá de mergulhar no estado e percorrer todas as regiões em busca de apoio eleitoral, sem o qual suporte político que conseguiu reunir de nada valerá. O chefe pedetista sabe que haverá forças poderosas operando para atropelar sua candidatura, mas conta, além do lastro político, com a aguerrida militância do PDT, que parece renovada em torno do seu projeto.

Será uma caminhada difícil, como será a dos demais aspirantes ao Senado. O diferencial de Weverton Rocha está na sua juventude e no seu destemor político, traço que o ajudou a chegar aonde chegou.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roseana não vê problema em disputar Governo com Sarney Filho na mesma chapa ao Senado

Roseana Sarney e Sarney Filho na mesma chapa
Roseana Sarney e Sarney Filho na mesma chapa: ela ao Governo e ele ao Senado

A ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) garante que não existe qualquer traço de incompatibilidade nas candidaturas dela ao Governo do Estado e a do seu irmão, o deputado federal e atual ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho (PV) ao Senado. Em entrevista a um canal de informação virtual, Roseana Sarney confirmou que é candidata ao Palácio dos Leões e disse acreditar que tem todas as condições para vencer a eleição. Fez críticas leves ao governador Flávio Dino. E ao ser indagada sobre um possível conflito de interesses com o irmão ministro, Roseana Sarney disse que os dois podem perfeitamente ser candidatos na mesma chapa. Seu argumento principal é o de que os dois têm carreiras distintas e que Sarney Filho, depois de uma dezena de mandatos de deputado federal tem todo o direito de pleitear uma vaga no Senado. Independente de qualquer diferença que possa alimentar, ela disse considerar normal que os dois participem de uma chapa para disputar as eleições para dois cargos majoritários. A ex-governadora foi taxativa ao afirmar que não houve estremecimento nas relações dela com o irmão por causa das candidaturas, como foi especulado na blogosfera. Ela justificou sua candidatura assinalando que as pesquisas feitas até agora sobre sucessão estadual a trazem em boa posição”, disse.

 

Movimento das Famílias realiza nesta quinta-feira ação social no Fórum de São Luís

jujuba

Você sabe exatamente o significado de Família dentro do contexto social moderno? Já se deu conta de que aquele conceito básico de Família está mudando e se diversificando velozmente no universo da diversidade social e cultural do País? Pois é, existe uma nova realidade na qual a instituição familiar está inserida e vivenciando padrões diferentes, que trazem no seu bojo novos conflitos, a maioria dos quais envolve questões legais, que podem ser resolvidas por vias corretas se forem mediadas corretamente por profissionais do Direito.

Uma demonstração do que é possível alcançar na solução de conflitos de acordo com as regras ocorrerá em São Luís amanhã, dia 07, véspera da data em que o Brasil comemora o Dia Nacional das Famílias. Nesta quinta-feira, um grupo de advogados, juízes, promotores, defensores, cartorários e estudantes de Direito atuarão em evento cujo objetivo será exatamente demonstrar que, pela via judicial e com o auxílio de profissionais do Direito, é possível resolver conflitos familiares e, por meio dessa solução, harmonizar Famílias ameaçadas por traumas muitas vezes existentes por falta de informação.

O Dia da Família será realizado no dia 07 de Dezembro, no Fórum desembargador Sarney Costa, sob a coordenação geral da juíza Joseane de Jesus Corrêa Bezerra, titular da Vara de Direito da Família, em articulação com o Movimento das Famílias, formado por um grupo de advogados que militam na área de Direito da Família, e coordenado pelo advogado Bruno Alberto Guimarães, que tem o apoio da advogada Juliana Corrêa. O evento será iniciado às 08 horas e encerrado às 12 horas.

O movimento de quinta-feira será uma ação social do grupo com a realização de palestras com psicólogos, exposições, atos simbólicos e atendimento jurídico gratuito na área de Família a pessoas carentes, visando valorizar a categoria e desenvolver a sua qualificação. Será também oferecido um café da manhã aos jurisdicionados, com o objetivo de integralizar as Famílias e lançar a campanha pela Paz nos lares. É de salutar importância que se compreenda a complexidade que representa uma Família para que se possa pensar sobre o significado dela no contexto de uma sociedade desigual e cheia de conflitos.

São Luís, 05 de Dezembro de 2017.

Duas pesquisas e duas fortes suspeitas sobre os números que apresentam como tendências do eleitorado

 

Flávio Dino e Roseana Sarney: posições diferentes em situações parecidas
Flávio Dino e Roseana Sarney: pesquisas diferentes, números diferentes e muita polêmica na corrida ao Palácio dos Leões

A guerra pelo poder no Maranhão começou de vez, e num dos primeiros movimentos, as forças em confronto travam uma batalha que produz munição para os dois lados, mas também surge como um explosivo foco polêmica. De um lado, o Jornal Pequeno publicou na sua edição de domingo (03), com destaque, mas sem estardalhaço, pesquisa do instituto maranhense Exata, informando que, a 10 meses da eleição para o Palácio dos Leões, o governador Flávio Dino (PCdoB) tem 63% das intenções de votos contra 29% da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), seguidos do senador Roberto Rocha (PSDB) e da ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (Podemos), ambos com 4%. Ontem, a agência Jakarta Publicidade, do interior de São Paulo, recebeu a imprensa no Hotel Luzeiros para divulgar os resultados de uma pesquisa feita pelo instituto Vox Populi que mostra Flávio Dino com 37% e Roseana Sarney com 35% das intenções de voto, em surpreendente situação de empate técnico, dentro da margem de erro, que é de três pontos para mais e para menos. Os dois seguidos por Eduardo Braide (PMN) com 7%, Roberto Rocha com 5%, Maura Jorge com 3%, Ricardo Murad com 2% e Eliziane Gama (PPS) com 1%.

Os números das duas pesquisas chamam atenção pela distância abissal que os separa. O Exata encontrou uma diferença de 30 pontos percentuais de Flávio Dino sobre Roseana Sarney, enquanto que no levantamento do Vox Populi essa diferença é de apenas 2%, podendo nem existir, já que está dentro da margem de erro. Alguma coisa está errada nesse confronto, pois independente dos métodos utilizados e dos “territórios” investigados, não há como sequer admitir como razoável uma diferença tão elástica como os resultados mostrados pelos dois institutos.  O eleitor minimamente informado certamente suspeitará dos dois resultados, não havendo como chegar a uma conclusão que o convença.

O instituto Exata tem um histórico respeitável de acertos nos seus levantamentos eleitores, já que nenhum resultado eleitoral recente, principalmente de disputas pelo Palácio dos Leões, contrariou números por ele apoiado e divulgados. A diferença de 30 pontos percentuais a favor de Flávio Dino em relação a Roseana Sarney chama atenção, é verdade, e também não ter incluído o deputado Eduardo Braide no levantamento, isso não é suficiente para classificar o levantamento como tendencioso nem levantar suspeita sobre a honestidade dos seus percentuais. Nesse contexto, a pesquisa informa que o governador tem 62% de aprovação, o que bate com os 63% de intenção de voto. Pelo que foi divulgado, o Exata não informou quem é o contratante, tendo divulgado apenas que a pesquisa ouviu 1.415 pessoas entre 27 de novembro e 1º de dezembro, tem margem de erro de 3,2% e que é fruto de uma parceria com o Jornal Pequeno – que não é de agora, diga-se de passagem.

Realizada no período de 10 a 28 de novembro, tendo ouvido 1007 eleitores, a pesquisa Vox Populi foi apresentada como um grande acontecimento. A imprensa foi informada que o levantamento foi encomendado pela agência Jakarta Publicidade, mas nada foi dito sobre quem, de fato, a contratou e pagou. A apresentação dos números foi feita no Hotel Luzeiros, cinco estrelas conhecido como reduto do ex-deputado Ricardo Murad. Quem fez a apresentação foi o diretor da agência, Janderson Landim, que voou de São Paulo para São Luís e contratou espaço luxuoso no hotel para exibir os igualmente surpreendentes percentuais encontrados pela pesquisa. Como que num esforço para dar credibilidade aos números, além de não informar o contratante, espalhou uma nuvem de suspeita sobre todos os institutos maranhenses, apontando-os como facciosos: “Pensamos em contratar um instituto nacional para dar maior isenção ao levantamento, pois mesmo tendo bons institutos de pesquisas no Maranhão, é sabido que os principais são ligados, de uma forma ou de outra, a grupos políticos locais. Daí que achamos mais interessante contratar o Vox Populi”, disse. Pareceu uma tentativa de minimizar a desconfiança histórica dos maranhenses com o Vox Populi, que nunca acertou uma previsão eleitoral no Maranhão.

Enquanto a pesquisa Exata funciona para turbinar o ânimo dos aliados e simpatizantes do governador Flávio Dino, que mantém a condição de franco favorito, a pesquisa Vox Populi parece destinada a tirar aliados e simpatizantes da ex-governadora Roseana Sarney da letargia em que se encontram até aqui.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lobão “ganha” duas fazendas, que ele nem sabe onde ficam

Edison Lobão avisa que será candidato à reeleição
Edison Lobão agora é apontado como fazendeiro

A revista Isto É anuncia ao mundo que o senador Edison Lobão (PMDB), presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, seria dono de duas “fazendas fantasmas”, ambas na região central do Maranhão. Como as demais acusações que lhe fizeram na Operação Lava-Jato, Isto É publica uma reportagem fazendo afirmações claramente suspeitas, pois inclui ex-ministro de Minas e Energia como “dono” de duas fazendas que, juntas, formam 120 mil hectares. E se desmente logo nos parágrafos seguintes ao informar que as fazendas têm donos e que um deles seria “ligado” ao senador, ou seja, dando a entender que Edison Lobão não cometeu nenhum crime, passando de dono de tudo a alguém apenas “ligado” a um dos fazendeiros, como se isso fosse uma falta grave.

Jornalista e advogado, Edison Lobão sempre foi um homem urbano, o que torna, portanto, espantosa e pouco convincente a informação de que ele estaria envolvido em esquema de fraude fiscal ou usando as tais fazendas como biombo para transações nada republicanas. A denúncia de Isto É pode até ser verídica no que diz respeito aos seus proprietários, mas parece frouxa e suspeita em relação ao senador Edison Lobão.  Ao se ler o texto de Isto É, a impressão que se tem é a de que o senador pemedebista foi colocado ali como uma espécie de bucha de canhão para valorizar o caso. E tal denúncia chega exatamente no momento em que Edison Lobão aparece em pesquisa como um dos favoritos para uma das vagas de senador a serem disputadas em 2018. Até aqui, o senador Edison Lobão não foi sequer acusado formalmente de crimes tipificados. E não o foi porque até agora não se reuniu provas que verdadeiramente o incriminassem. Um exemplo é que a acusação que lhe foi feita por Paulo Roberto Costa, o diretor da Petrobras que comandou o esquema milionário de desvios da petrolífera, citou Edison Lobão afirmando que quando ministro de Minas e Energia ordenou que ele repassasse quantias milionárias a parceiro para a campanha eleitoral. Uma das denúncias de Paulo Roberto Costa foi afirmar que Lobão o mantou R$ 1 milhão para Roseana Sarney, mas não apresentou nenhuma prova e por isso a ex-governadora foi liberada e o imbróglio foi parar n o arquivo morto.

Não é à toa que o advogado do senador, o renomado criminalista de Brasília Antônio Carlos de Almeida Castro, declarou reiteradas vezes que nada há de contrato com o senador, o que significa que nenhuma das investigações tem a ver cm o senador maranhense.

 

 Projeto de Roberto Costa propõe destravar a cadeia sucessório na Assembleia Legislativa

Roberto Costa: projeto para destravar cadeia sucessória na AL
Roberto Costa: projeto para destravar cadeia sucessória na AL

Faz todo sentido o projeto de lei de autoria do deputado Roberto Costa (PMDB) para destravar a cadeia sucessória na Assembleia Legislativa. Na sua iniciativa, Roberto Costa propõe que, em caso de vacância no cargo de presidente da Assembleia Legislativa, o 1º vice-presidente assuma o comando da Casa sem a necessidade de o preenchimento do cargo seja feito por eleição. O projeto reza que com a ascensão do vice-presidente ao cargo de presidente, todos os demais membros da Mesa Diretora ascendem, de modo que o último titular na estrutura de comando da Casa seja eleito pelo voto ou por aclamação do plenário. Se fosse proposto pelo presidente em exercício, deputado Othelino Filho (PCdoB), que é vice-presidente, poderia ser visto como uma jogada de oportunismo, mas a proposta é do deputado pemedebista Roberto Costa, um dos parlamentares mais próximo do presidente licenciado, deputado Humberto Coutinho (PDT). O projeto de Roberto Costa simplifica imensamente o processo sucessório no Poder Legislativo, por evita uma luta fatricida pelo poder em caso de vacância, que só acontece quando o presidente titular renuncia ou perde a vida. Pelo seu histórico de político correto, o deputado Roberto Costa dificilmente tomaria tal iniciativa sem consultar o presidente Humberto Coutinho (PDT), que se encontra em Caxias sob tratamento severo de combate a um processo infeccioso.  Até onde se soube ontem, o projeto já contaria com 26 assinaturas e tudo indica que se colocado em pauta será aprovado por maioria folgada de dois terços dos deputados. Vale aguardar.

São Luís, 04 de Dezembro de 2017.

Presença de João Dória leva a direita liberal a se mostrar e assumir sua distância da esquerda no poder

 

Felipe Mussalém, João Dória e Albertino : a direita liberal e esclarecida em sintonia
Felipe Mussalém, João Dória e Albertino Leal (Fiema) : direita liberal em sintonia

A visita do prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), na quinta-feira, se deu sob um clima de agitação poucas vezes causado com a presença de uma personalidade política em São Luís. Pela Capital do Maranhão têm passado líderes políticos de quilate elevado – como o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidenciável como Ciro Gomes (PDT), ministros de Estado e líderes empresariais de cacifes elevados -, mas nenhum chamou tanta atenção e causou tanto frisson no meio político e fora dele como o prefeito paulistano. A presença de João Dória fez com que segmentos ideologicamente identificados com a centro-direita, defensores, portanto, do liberalismo econômico, tendo aguçado principalmente a banda mais jovem das lideranças empresariais. E, mais do que outra coisa, revelou, com clareza, a inconformação desses extratos com a postura à esquerda do governador Flávio Dino (PCdoB).

A explicação desse tratamento de político “pop star” dado ao prefeito João Dória em São Luís está no fato de que ele, mesmo herdeiro de uma fortuna respeitável, tornou-se um empresário bem sucedido, apresentador de TV de sucesso, com empreendimentos voltados para as elites empresariais de São Paulo, de quem se tornou porta-voz durante os Governos dos presidentes Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), tendo encabeçado vários movimentos contra a esquerda, como o “Basta”, com o qual tentou mobilizar as elites e a classe média brasileira contra a violência no País durante o Governo Lula.

Um dos líderes empresariais com o viés político e ideológico dos que mais exaltaram a figura de João Dória foi o empresário Felipe Mussalém. Expressão maior da novíssima geração de empresários maranhenses, já tendo sobre os ombros o comando da Associação Comercial do Maranhão (ACM), a mais ativa organização corporativa do empresariado maranhense e, ao mesmo tempo, baluarte maior dos segmentos políticos de direita liberal e esclarecida no Maranhão, o militante corporativo aproveitou o momento para expor seu pensamento. Entusiasmado com figura de João Dória, Felipe Mussalém se manifestou nas redes sociais festejando o prefeito, fazendo, ao mesmo tempo, dura crítica ao Governo Flávio Dino ao afirmar que trazer o prefeito de São Paulo para um encontro com empresários de São Luís foi, sobretudo, um “ato de coragem contra toda a política populista que ronda o nosso Brasil”. O que ele escreveu:

“Há quem goste, há quem não. Todos temos opiniões, inclusive eu, como empresário, empreendedor e representante de classe. O que seria do mundo sem a opinião dos fortes? Receber o prefeito João Dória em nossa cidade, para um almoço empresarial é, sobretudo, um ato de coragem, contra toda a política populista que ronda nosso Brasil cheio de potencial. Isso mesmo, potencial apenas. Por um modelo de gestão pública inovador, sem amarras, que favorece a produção e incentiva a economia. Isso sim é liderança. Liderar é fazer o que é preciso e não o que pedem. Acelera de uma vez por todas Brasil!”

E para ilustrar o texto esclarecedor da sua posição política, Mussalém postou uma fotografia na qual ele e o superintendente da Federação das Indústrias do Maranhão, Albertino Leal, outra expressão da nova geração de líderes da classe produtiva maranhenses, também porta-voz da direita liberal identificada com o arcabouço ideológico da corrente que está assumindo o comando do PSDB, ladeiam entusiasticamente o prefeito João Dória. E curiosamente os três fazem o V de vitória inclinado, que significa “seguir e frente”, segundo explicou a assessoria do tucano durante a campanha pela Prefeitura de São Paulo.

A manifestação em torno de João Dória é reveladora que Felipe Mussalém sabe o que faz na seara política, e por isso parece decidido a se colocar como voz ativa dos segmentos políticos e ideológicos que representa. Um exemplo claro dessa postura foi a vinda recente a São Luis outra personalidade do mundo business de viés liberal, para conversar com o empresariado maranhense sobre a situação econômica do Brasil, o economista e palestrante Ricardo Amorim, consultor empresarial, apresentador de TV e debatedor do Programa Manhattan Connection, da Globo News, canal de TV paga que que melhor expressa no País o pensamento na direita liberal.

São eventos e manifestações que aos poucos vão desenhando o que há demais importante numa sociedade verdadeiramente democrática: pessoas e grupos assumindo suas posições políticas e ideológicas de maneira tranquila e civilizada, e dispostas a enfrentar o embate saudável das ideias, criando assim para que a grande maioria faça suas escolhas nas urnas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Incrível: Justiça manda Zé Vieira assumir prefeito de Bacabal pela quarta vez

Zé Vieira volta ao cargo por mais um período de interiniudade
Zé Vieira volta ao cargo de prefeito pela quarta vez

Em mais uma decisão liminar, a Justiça maranhense atropelou ontem, pela quinta vez, a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que determinou o afastamento do empresário Zé Vieira (PR) do cargo de prefeito de Bacabal mediante a confirmação de que ele é ficha suja e está proibido de exercer cargo público ou concorrer a mandato eletivo por três anos. Desta vez, o desembargador Raimundo Melo desfez decisão do decano da Corte, desembargador Bayma Araújo e desmanchou a medida que determinara o afastamento de Zé Vieira do cargo.

A liminar do desembargador Raimundo Melo põe novamente em movimento uma sequência surpreendente e sem precedente de “bota-tira” na Prefeitura de Bacabal, causando nos leigos a impressão de que os integrantes do Tribunal de Justiça do Maranhão não conhecem a regras a serem invocadas para solucionar uma situação como essa. Primeiro, o STJ comunicou ao presidente do TJ, desembargador Cleones Cunha, a situação irregular do prefeito Zé Vieira e mandou afastá-lo do cargo. O presidente do TJ repassou a decisão juiz de base, que cumpriu à risca a decisão da Corte federal e mandou afastar o prefeito. Zé Vieira recorreu então ao TJ, tendo seu recurso caído na mesa do desembargador Ribamar Castro, que confirmou a decisão do juiz. Zé Vieira recorreu novamente, e seu recurso caiu no plantão noturno da desembargadora Cleonice Freire, que cassou a liminar do relator Ribamar Castro e mandou a volta de Zé Vieira. Novo recurso do Ministério Público contra a volta de Zé Vieira caiu na mesa do relator Ribamar Castro, que de novo mandou Zé Vieira para casa. Zé Vieira bateu de novo às portas do TJ contra decisão do relator Ribamar Castro, e seu recurso caiu na mesa da desembargadora Nelma Sarney, que cassou sua liminar mandou Zé Vieira de volta ao cargo. A decisão de Nelma Sarney foi questionada sob a alegação de que ela não poderia desfazer a decisão de Ribamar Castro. Criou-se um impasse, e na ausência do presidente e da vice-presidente do TJ, que poderiam resolvê-lo, o caso foi parar na mesa do decano – desembargador mais antigo – Bayma Araújo, tido por todos como um especialista em processo. Bayma Araújo não vacilou: confirmou a relatoria de Ribamar Castro e afirmou que a decisão de Nelma Sarney não valeu, mantendo assim Zé Vieira fora do cargo. O imbróglio parecia solucionado, mas com especialização em recursos judiciais, Zé Vieira voltou ao TJ, e ontem o desembargador Raimundo Melo entrou no script e surpreendeu meio mundo ao desautorizar o decano Bayma Araújo, colocar o relator Ribamar Castro de escanteio, confirmar a decisão de Nelma Sarney e mandar Zé Vieira de volta ao cargo. É óbvio até para os leigos que a liminar do desembargador Raimundo Melo tem por base um argumento precaríssimo, e por isso ninguém duvida que uma sexta liminar esteja a caminho.

Nada parecido aconteceu no Tribunal de Justiça do Maranhão nos últimos tempos. Vale, portanto, aguardar os desdobramentos.

 

PDT se reúne hoje para mostrar força e consolidar a liderança de Weverton Rocha

Weverton Rocha: construindo base política à sua candidatura
Weverton Rocha: será confirmado hoje líder do PDT e candidato ao Senado

O deputado federal Weverton Rocha sairá da convenção do PDT, que será realizada hoje à tarde, na casa de espetáculos Batuque Brasil, como o grande líder do partido, com duas tarefas só reservadas aos grandes chefes: será aclamado presidente do partido e confirmado como seu candidato ao senado nas eleições do ano que vem. A convenção pedetista de hoje não será um evento qualquer. Para começar, contará com a presença do presidenciável do partido, Ciro Gomes, o presidente nacional, Carlos Lupi, e o principal aliado, o governador Flávio Dino (PCdoB) e todo o seu staf político, além de outra grande estrela do neobrizolismo em plena ascensão, o prefeito de São Luís, Edivaldo Jr..

Além de cumprir a regra regimental de eleger seus dirigentes e traçar metas, a convenção de hoje do PDT tem dois objetivos básicos: mostrar que o partido está forte e unido em torno de um projeto de poder, e confirmar e consolidar o deputado Weverton Rocha como o seu grande líder, demonstrando que ele é capaz de levar o partido a um futuro promissor. Se a convenção chegar ao final com esses objetivos alcançados, ou pelo menos bem encaminhados, poder-se-á dizer que o partido fundado e liderado por Jackson Lago e Neiva Moreira ganha vida nova no Maranhão.

São Luís, 01 de Dezembro de 2017.