Candidatos apoiados por líderes e que comandam coligações têm mais chance de eleição em São Luís

 

Eduardo Braide, Rubens Júnior, Neto Evangelista e Duarte Júnior: fortes bases políticas e partidárias na corrida eleitoral para a Prefeitura de São Luís

A corrida para a Prefeitura de São Luís será uma guerra de forças políticas, a exemplo do que vem acontecendo desde 1985, quando, no retorno saudável das liberdades civis, Gardênia Castelo (PDS), expressão do grupo liderado pelo então senador João Castelo, bateu nas urnas Jaime Santana (PMDB), apoiado pelo grupo do então presidente da República José Sarney. De lá para cá, Jackson Lago (PDT) foi eleito três vezes (1988, 1996 e 2000), elegeu Conceição Andrade (1992) e Tadeu Palácio (2004), enquanto João Castelo (PSDB) levou a melhor em 2008 e Edivaldo Holanda Jr. (PDT) em 2012 e 2016. Todas essas eleições resultaram da atuação de grupos políticos e partidários, sem dar vez para candidaturas isoladas nem para outsiders. Pelo que começa a se desenhar, o sucessor do prefeito Edivaldo Holanda Júnior provavelmente sairá da composição de um grupo político com lastro partidário e lideranças fortes. Nesse time estão Eduardo Braide (Podemos), Rubens Júnior (PCdoB), Neto Evangelista (DEM) e Duarte Júnior (Republicanos). Os demais candidatos – Bira do Pindaré (PSB), Adriano Sarney (PV), Yglésio Moises (PROS), Jeisael Marx (Rede), Carlos Madeira (Solidariedade), Franklin Douglas (PSOL), Hertz Dias (PSTU) e Silvio Antônio (PRTB) são políticos com identidade ideológica, pesos diferenciados, mas sem a força de grupos e alianças.

Apoiado por PSD, PSC e PMN, Eduardo Braide, que lidera a corrida até aqui, mas pelo visto sem chance de liquidar a fatura em turno único, não conta com uma aliança partidária forte, e por isso tem de apostar todas as suas fichas no seu próprio desempenho – o que, aliás, tem sido uma marca da sua carreira. Informalmente, o candidato do Podemos conta com uma ampla e importante rede de apoiadores na área da Saúde, na qual atua fortemente, na expressiva e influente comunidade de origem libanesa, conta também com a fatia do empresariado que se apresenta como a “nova direita”, tem fortes laços com algumas correntes da comunidade religiosa, levando também o apoio da fatia do Grupo Sarney representada pelos deputados federais Edilázio Júnior e Aluísio Mendes, entre outros bastiões politicamente ativos.

No contrapeso, mesmo sem um lastro eleitoral amplo na Capital, Rubens Júnior entra na disputa com uma base política e partidária monumental. É o nome do PCdoB, o partido mais forte do Maranhão atual, tendo como aliados o PT e o Cidadania. Essa aliança se traduz politicamente em nada menos que o apoio do governador Flávio Dino – que não se manifestará agora, mas não há como não o associar ao candidato do seu partido, mas cuja influência dispensa comentários. Conta também com o apoio declarado do ex-presidente Lula, cujo prestígio em São Luís continua estratosférico, e da senadora Eliziane Gama, que conhece o mapa eleitoral de São Luís na palma da mão e lidera um grupo importante de militantes. Somados à atuação de Rubens Júnior na tarefa de seduzir o eleitorado, esses ingredientes podem resultar em base eleitoral.

Neto Evangelista está sendo embalado por uma poderosa aliança partidária, formada por DEM – o seu partido -, PDT, MDB e PSL, o que lhe dá um suporte extremamente valioso em termos políticos e eleitorais. Além disso, tem como principal cabo eleitoral o senador Weverton Rocha, que soma ao seu prestígio político e eleitoral o comando da poderosa e influente militância pedetista na Capital. Não bastasse isso, Neto Evangelista tem o apoio entusiasmado do experiente vereador Chico Carvalho, presidente do PSL, e ainda o empuxo da aguerrida militância do MDB, comandada pelo deputado estadual Roberto Costa e avalizada pela ex-governadora Roseana Sarney, que preferiu apoiar o candidato do DEM. No comando dessa potente aliança, Neto Evangelista está desafiado a justificá-la atraindo o eleitorado.

Depois de idas e vindas de sua candidatura na maré partidária, Duarte Júnior conseguiu montar uma coligação antes improvável. Saiu do PCdoB e desembarcou no Republicano, ganhando, de um lado, o apoio do politicamente ativo e eficiente vice-governador Carlos Brandão, e de outro o suporte partidário do controvertido deputado federal Josimar de Maranhãozinho, chefe maior do PL, que levou a reboque Avante e Patriotas. Mesmo com essa base política e partidária formada por esses dois extremos, Duarte Júnior emite fortes sinais de que a força que move sua candidatura é a que ele próprio produz, ciente, portanto, de que sua eleição depende quase exclusivamente do seu desempenho durante a campanha.

Visto pela lógica pura e simples, esse cenário sugere que os quatro candidatos que lideram coligações têm mais chance de eleição. Mas, mesmo levando em conta o histórico de 1985 para cá, não há demasia em lembrar que as disputas eleitorais majoritárias guardam sempre uma elevada dose de imprevisibilidade.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PT se divide em São Luís e escancara sua condição departido marcado por guerra intestina

PT dividido entre Rubens Júnior e Duarte Júnior

Não surpreendeu o racha que fracionou o PT na corrida para a Prefeitura de São Luís, com um grupo liderado pelo vereador Honorato Fernandes, que tem o aval da direção estadual,  apoiando oficialmente a candidatura de Rubens Júnior (PCdoB), que o tem como companheiro de chapa; outro, liderado pelo deputado federal Zé Carlos, declarando apoio à candidatura de Duarte Júnior (Republicanos); e um terceiro, disperso, sem lideranças à vista, apoiando sem muito alarde a candidatura de Bira do Pindaré (PSB).

Tal situação é a tradução fiel do PT maranhense, um braço partidário formado por correntes que se digladiam sem nunca encontrar um objetivo comum nas eleições estaduais e municipais. O melhor exemplo dessa múltipla dessa feição retalhada do PT foi largamente exposta quando o partido decidiu aliar-se ao Grupo Sarney. O racha foi tão forte e a confrontação foi tão intensa e prolongada que resultaram na saída de dois ícones do partido no Maranhão: Domingos Dutra, que migrou para o PDT e depois para o PCdoB, e Bira do Pindaré, que se asilo no PSB, onde permanece até hoje, recebendo o apoio de petistas em todas as suas eleições.

O PT só decidiu apoiar a Rubens Júnior depois de um longo jogo de cena estimulado pelo comando nacional. Primeiro houve o ensaio da candidatura do deputado Zé Inácio, uma óbvia e manjada jogada de pressão, que não funcionou. Depois o partido ganhou tempo com grupos ameaçando se dividir entre vários candidatos. E finalmente o apoio formal da banda maior do partido ao candidato do PCdoB, ganhando em troca a vaga de candidato vice para o vereador Honorato Fernandes, que preside o partido na Capital.

A declaração de apoio do deputado federal Zé Carlos a Duarte Júnior e a ausência das principais lideranças do PT na convenção que formalizou a chapa Rubens Júnior/Honorato Fernandes sinalizaram claramente que o PT está rachado em São Luís.

 

Jeisael Marx destaca o traço de que não tem origem em família política

Jeisael Marx: quer ser visto fora da política tradicional

O candidato do Rede à Prefeitura de São Luís, Jeisael Marx, que desponta como uma boa promessa, fez uma declaração política que não faz muito sentido político. Disse ele: “Minha origem não é política, minha família não é de políticos, mas eu acredito na política, eu acredito num jeito diferente de caminhar na política”.

Vale lembrar que Duarte Júnior, Bira do Pindaré, Carlos Madeira, Yglésio Moises, Franklin Douglas e Hertz Dias não saíram de famílias políticos, militam em partidos com os      quais se identificam ideologicamente. Assim como eles, os senadores Weverton Rocha e Eliziane Gama, por exemplo, não saíram de famílias de políticos, mas estão construindo suas biografias dentro da política convencional.

Por outro lado, Eduard Braide, Neto Evangelista e Rubens Júnior saíram de famílias de políticos e também estão construindo suas trajetórias sem derrapagens nem arranhões. O governador Flávio Dino saiu de família política, com convicção ideológica e militância partidária dentro dos padrões, e sem uma só rasura.

Em resumo: ter ou não ter origem em família política não faz diferença, pois essa quem faz é o político.

São Luís, 20 de Setembro de 2020.

Candidata do Rede quer espaço de debates para vices em São Luís. Por que não?

 

Janicelma Fernandes, candidata a vice pelo Rede propondo debates entre os vices

Já é tradição que o grande momento das disputas eleitorais no Brasil são os debates entre candidatos a presidente, governador e prefeito. Mesmo limitados pelo tempo e pelo sempre elevado número de candidatos e pela limitação do tempo imposta pela legislação e pelas redes de TV, que os tornam pouco produtivos, esses embates diretos, cara a cara, olho no olho, são reveladores do preparo, do estilo e, às vezes, das intenções de cada candidato. Nas disputas para a Prefeitura de São Luís, os debates têm contribuído expressivamente para a formação do juízo de valor do eleitorado sobre os aspirantes. Esse momento da campanha poderá ganhar uma animação a mais se vingar uma proposta feita por Janicelma Fernandes, companheira de chapa de Jeisael Marx (Rede): a realização de debates entre os candidatos a vice-prefeito. E deu à proposta o tom de movimento, decidida que está a mostrar o seu preparo no confronto direto com Esmênia Miranda (Podemos), Fabiana Vilar (PL), Letícia Cardoso (PSB), Vall Nascimento (PV), Luzimar Lopes (PDT), Ana Célia (PSL), Honorato Fernandes (PT), Jeremias Fernandes (Solidariedade), Mauro César (PROS), Ribamar Arouche (PSOL) e Jayro Mesquita (PSTU).

O argumento para não se dar espaço de debate para candidatos a vice é o de que, aos olhos da legislação, eles não disputam titularidade, mas apenas o que a lei define como “expectativa de direito”. Nessa condição, o vice é o substituto eventual do titular, e pode vir a assumir a titularidade se o prefeito morrer, renunciar ou pisar na bola e ser mandado para casa ou para a cadeia. E dependendo da sua relação com o prefeito, pode assumir cargo no primeiro escalão e atuar como representante do prefeito. Isso exige qualificação. Nas administrações recentes de São Luís os vices têm exercido papel importante. O atual, Júlio Pinheiro (PCdoB), tem sido um vice que soma: faz pontes entre o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) e seu partido, atua como porta-voz do prefeito junto ao funcionalismo e ao magistério municipal e já assumiu o cargo várias vezes na ausência do titular.

A proposta de Janicelma Fernandes é oportuna e politicamente saudável, porque pode responder a muitas indagações que certamente estão sendo formuladas pelo eleitorado em relação a essas 12 figuras que agora despontam no cenário político escaladas por seus partidos para lutarem pela importante vaga de Número 2 da administração de São Luís. E com o diferencial especialíssimo: enquanto os 12 aspirantes a prefeito são homens, sete dos 12 candidatos a vice são mulheres, e como seus “colegas”, todas jovens, politicamente ativas e profissionalmente resolvidas.

O que pensa, por exemplo, a pedagoga Janicelma Fernandes sobre a educação municipal se Jeisael Marx for eleito? Que sugestão a oficial/PM Esmênia Miranda dará para melhorar a segurança pública num governo de Eduardo Braide? Como a advogada Fabiana Vilar pretende atuar como vice de Duarte Júnior? Qual papel a jornalista e professora universitária Letícia Cardoso espera exercer se Bira do Pindaré chegar lá?  Que contribuição concreta a educadora física e lutadora de jiujitsu Vall Nascimento pretende dar à gestão de Adriano Sarney?  A oficial/PM Ana Célia tem propostas para uma gestão de Silvio Antônio? Questionamentos dessa natureza poderiam ser dirigidos ao vereador Honorato Fernandes, vice de Rubens Júnior; ao bombeiro Jeremias Fernandes, parceiro de Carlos Madeira; ao médico Mauro César, vice de Yglésio Moises; ao sindicalista Ribamar Arouche, vice de Franklin Douglas; e ao também sindicalista Jayro Mesquita, companheiro de chapa de Hertz Dias. Com certeza têm muito a dizer e a propor, o que justifica plenamente o aumento do protagonismo dos vices defendido pela candidata do Rede.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Destaque

Assembleia reforça cuidados contra suicídio com a campanha “Setembro Amarelo”

Peça da campanha com a qual a Assembleia incentiva cuidados contra suicídio na pandemia

A Assembleia Legislativa do Maranhão está vivendo um momento especial. Ao contrário da coirmã do Rio de Janeiro, por exemplo, que se encontra mergulhada em tensão por conta do processo de impeachment do governador Wilson Witzel (PSC) e com seu presidente, deputado André Cecilliano (PT), que vive agora com a Polícia no seu encalço, o parlamento maranhense, além de fazer política e legislar, encontra também espaço para atuar fortemente no campo social por meio de campanhas de esclarecimento, orientação e incentivo, principalmente na área de saúde.

No momento, a Assembleia Legislativa realiza a campanha “Setembro Amarelo”, com o tema “Para Florescer, Preciso de Você”, alerta para o risco de suicídio na família por causa de situação de insegurança, angústia e incerteza que tem afetado muitas pessoas em consequência da pandemia do novo coronavírus. Essencial para conter o contágio e evitar a Covid-19, o isolamento social, por outro lado, tem acentuado a fragilidade psicológica de muitas pessoas, levando algumas delas a cometer suicídio, conforme diversos levantamentos. A campanha da Assembleia é feita com banners e mensagens nas redes sociais, jornais e peças de áudio e vídeo para rádio e TV, bem como programas sobre o tema na Rádio Assembleia e na TV Assembleia.

Responsável pela coordenação da campanha, a diretora de Saúde da Assembleia Legislativa, Melina Sá, justifica a iniciativa: “A campanha é um ato de cuidado com as pessoas que precisam de apoio, pois a demanda psicológica cresceu significativamente após o pico da pandemia, quando todo mundo ficou muito preso e limitado, precisando sair de suas atividades. O que nos mantém saudáveis e com a mente equilibrada é o que fazemos em nossa rotina diária, o ciclo social e as atividades que desenvolvemos. Com a necessidade de se abster disso tudo, é preciso estar atento aos sinais”.

Uma iniciativa oportuna, decidida pela Mesa Diretora presidida pelo deputado Othelino Neto (PCdoB), que mostra que numa instituição essencialmente política existe espaço para esse tipo de preocupação em momento socialmente difícil como o que o mundo encara há seis meses por causa do novo coronavírus. Nesse período, o parlamento estadual realizou uma série de ações, entre elas a distribuição de milhares de cestas básicas em regiões carentes de São Luís e do interior.

 

Yglésio aposta nos debates para expor suas ideias

Yglésio Moisés (PROS)

Sem favor, um dos quadros mais preparados entre os candidatos à Prefeitura de São Luís, Yglésio Moises (PROS), aposta suas fichas nos debates que serão travados entre os concorrentes durante a campanha. O problema é que, com o número surpreendente de candidatos – são 12 -, muito   provavelmente as emissoras de TV dividirão os candidatos em blocos, realizando o debate propriamente dito com os mais bem posicionados na pesquisa do Ibope e abrindo espaço para entrevistas. Se de um lado a fórmula tem lógica por ser impossível organizar um debate com 12 candidatos, por outro, ela quebra o princípio da igualdade, à medida que divide os candidatos, que são rigorosamente iguais perante a lei, em duas categorias. Indiferentes a essas situações, Yglésio Moises só quer que lhe abram espaço para que ele possa expor suas ideias, de preferência num confronto verbal direto com concorrentes.

São Luís, 19 de Setembro de 2020.

Witzel e Dino mostram que “DNA” da magistratura só vale para político com base ética

 

Wilson Witzel perdeu a chance de aprender com Flávio Dino como usar o “DNA” da magistratura na política

Comissão Especial da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou ontem, por unanimidade, a admissibilidade do processo de impeachment do governador Wilson Witzel (PSC), um ex-juiz federal de viés militar, que surgiu do nada e se transformou num fio de esperança no charco moral da política fluminense, venceu uma eleição improvável, mas que, um ano e meio após a posse, foi acusado de corrupção e afastado do cargo por 180 dias. O processo irá agora a plenário, e se receber votos favoráveis de 47 deputados, seguirá para o Judiciário, para a formação de uma comissão mista de desembargadores e deputados, que terá a palavra final: se concordar com a decisão do parlamento a favor do impeachment, Wilson Witzel será defenestrado do cargo. O escandaloso caso do Rio de Janeiro demonstra, com clareza solar, que ter origem na magistratura não garante que o político será um exemplo de correção ética. Muitos dos que levam para a seara da política partidária o “DNA” da magistratura como referência costumam se tornar, eles próprios, referências. Outros o negam.

O governador Flávio Dino (PCdoB) é um caso exemplar, sob todos os aspectos: deixou a estabilidade e o prestígio da magistratura federal, que poderia levá-lo a um tribunal superior, para mergulhar sem volta na política partidária e encarar as urnas. Diferentemente de outros que entraram na política por portais pouco recomendáveis – caso de Sérgio Moro, um cidadão sem feição ideológica, que usou a magistratura em favor do projeto Bolsonaro, ganhou o Ministério da Justiça e atuou mirando ser seu sucessor -, Flávio Dino tem origem política clara. Militante de esquerda no movimento estudantil, exerceu a magistratura federal na estrita linha da lei, e quando julgou que havia chegada a hora, pediu demissão, assumiu sua condição ideológica e partidária e encarou as urnas, elegendo-se deputado federal em 2006 e exercendo o mandato com dignidade política e competência técnica exemplares, como ficou demonstrado na relatoria da Lei da Ficha Limpa. Antes de chegar ao Palácio dos Leões, amargou dois tropeços “educativos” nas urnas: não alcançou a Prefeitura de São Luís em 2008 nem o Governo do Estado em 2010.

Os dois infortúnios eleitorais foram usados como ensinamentos. Entre 2011 e 2014, mesmo sem mandato, Flávio Dino fez política integral, macro, intensa, percorrendo o Maranhão, ouvindo o cidadão e expondo suas ideias, preparando-se para o grande voo de 2014, quando chegou ao Palácio dos Leões com votação consagradora. Nos seus quatro primeiros anos, cumpriu, com rigor surpreendente, todos os compromissos administrativos, éticos e políticos que constaram do seu discurso de posse, feito no final da tarde do dia 1º de Janeiro de 2015 da sacada do palácio dos Leões para uma multidão entusiasmada, mas atenta. O resultado se mostrou à medida que o tempo passou: Governo sério, gestão correta, compromissos cumpridos, credibilidade crescente, aprovação em alta e horizonte largo, tudo traduzido numa reeleição retumbante em 2018, levando junto os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (Cidadania).

Político por convicção, fiel à sua base ideológica e à sua linha doutrinária, e absolutamente identificado com o estado democrático de direito, mesmo com seus adversários mais conservadores tentando dar conotação negativa ao adjetivo comunista, Flávio Dino ganha projeção nacional, fala de igual para igual sobre o País e vem dando lições de gestão pública eficiente e sadia. O desempenho do Governo do Maranhão na assoladora invasão do novo coronavírus foi um dos melhores do País, enquanto que o Rio de Janeiro amargou mais um momento de desgoverno, roubalheira, denúncias, prisões, com a população mais pobre pagando preço inaceitável, tudo agravado pela revelação de que o governador Wilson Witzel estava por trás da bandalha.

Se, mesmo com falta de identidade política e mediocridade administrativa, o governador do Rio de Janeiro tivesse se mirado no exemplo do governador do Maranhão e respeitado o “DNA” da magistratura, certamente estaria firme no comando e entrando para a História como o governante que devolveria um padrão ético ao governo fluminense.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Candidatura do “apóstolo” Sílvio Antônio é jogada para manter o PRTB de pé

Sílvio Antônio e Ana Célia, oficial/PM escolhida como candidata a vice, entram na disputa como porta-vozes de Jair Bolsonaro, Hamilton Mourão e Levi Fidelis

Rejeitado pela quase totalidade dos partidos e grupos políticos que atuam no Maranhão, em que pese o fato de alguns lhe darem apoio no Congresso Nacional, o braço político do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desembarcou na corrida sucessória de São Luís na última hora com o “apóstolo” Sílvio Antônio, utilizando o PRTB, comandado nacionalmente pelo indefectível Levi Fidelis, tendo hoje o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, como seu quadro mais importante. Silvio Antônio é um político inexpressivo, que deixou o PSL no rompimento do partido com o presidente Jair Bolsonaro, e trafega no meio evangélico pregando teses da extrema direita.

Seu discurso é idêntico ao de Jair Bolsonaro quando candidato, vociferando contra a corrupção, mas que vem mudando progressivamente, agora que o presidente e seus familiares são investigados por supostos malfeitos com dinheiro público. Ao falar sobre plano de Governo, Sílvio Antônio saiu pelo caminho mais fácil: “Nós vamos, primeiramente, combater a corrupção”. Mas não disse exatamente ao que estava se referindo, não apontou caso concreto nem suspeita, ou seja, não tinha o que dizer. E seguiu a trilha de outros candidatos escolhendo como vice uma oficial da PM Ana Célia, jovem, negra e politicamente atuante.

É uma candidatura que segue a orientação de cima para manter o PRTB ativo, com direito à Fundo Partidário e Fundo Eleitoral.

 

Fome volta a preocupar, mas o Maranhão investe bem em segurança alimentar

Restaurante Popular no Maiobão: refeições a baixíssimo custo para os mais pobres

O levantamento divulgado pelo IBGE deu conta de que a fome voltou a avançar no Brasil em 2018, depois de ter sido expressivamente reduzida nos Governos do PT. E segundo os números divulgados, o Maranhão lidera o ranking da insegurança alimentar em todo o País. Pode ser, mas, por outro lado, nenhum estado do Norte e do Nordeste tem investido tanto em segurança alimentar como o Maranhão nos últimos seis anos. Nesse período, além de alguns programas relacionados com o combate à fome, o Governo do Estado aumentou de seis para 52 o número de restaurantes populares em São Luís e no interior, garantindo à população mais pobre, o fornecimento, a baixíssimo custo, de milhares de refeições por dia. E com um detalhe importante: o padrão de qualidade das refeições é igual na Capital e no interior, um caso raro no País.

São Luís, 18 de Setembro de 2020.

Até aqui candidatos de peso têm evitado disparar críticas à gestão de Edivaldo Holanda Júnior

 

Edivaldo Holanda Júnior pode pode não ser alvo de ataque de Rubens Júnior, Neto Evangelista, Duarte Júnior, Bira do Pindaré e até de Eduardo Braide na campanha

A corrida para a Prefeitura de São Luís pode acontecer sem que os candidatos que exibem musculatura política e partidária e estão entre os melhor posicionados na preferência do eleitorado, segundo as últimas pesquisas, tentem conquistar votos disparando chumbo grosso contra a administração do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). Por motivos diversos, o formato e a base das candidaturas de Eduardo Braide (Podemos), Duarte Júnior (Republicanos), Neto Evangelista (DEM), Rubens Júnior (PCdoB) e Bira do Pindaré (PSB) impedirão que eles façam seus discursos de campanha atacando a atual gestão, tanto no aspecto administrativo, quanto no que diz respeito ao padrão ético que a norteou durante oito anos. Isso não significa dizer que serão indiferentes em relação ao que foi feito e ao que deixou de ser feito nos últimos oito anos, até porque, mesmo tendo melhorado muito nas últimas décadas, tendo o atual prefeito colaborado expressivamente para isso, São Luís ainda é uma cidade com gigantescos desafios estruturais cuja solução depende da eficiência das suas futuras gestões.

O candidato do PCdoB, Rubens Júnior, vai para o embate eleitoral com um discurso afinado com o prefeito Edivaldo Holanda Júnior, de quem espera apoio declarado e esforçado na hipótese de passar para o segundo turno. O prefeito é rigorosamente alinhado ao governador Flávio Dino (PCdoB) e tem comentado nos bastidores que não se envolverá no primeiro turno, mas que seu candidato será o nome a ser apoiado pelo governador no segundo turno. Rubens Júnior aposta alto nesse apoio, tanto que já disse e repetiu inúmeras vezes que Edivaldo Holanda Júnior entregará ao futuro prefeito uma cidade bem melhor do que a que ele recebeu do antecessor João Castelo em 2012. O seu mote será resolver o que está por fazer e cuja solução não pôde ser dada pela atual gestão.

Neto Evangelista encontra-se numa situação delicada em relação à gestão de Edivaldo Holanda Júnior. Os dois não se toleram, guardam potes de mágoas da campanha de 2012, quando Neto Evangelista, então no PSDB, foi candidato a vice-prefeito de João Castelo. Poderia fazer uma campanha atirando na atual gestão, mas não pode fazê-lo porque o prefeito é do PDT, partido comandado pelo senador Weverton Rocha, principal fiador do projeto eleitoral do candidato do DEM, que além disso tem como vice Luzimar Lopes, uma pedetista de proa, que participou da atual gestão. Não se sabe ainda se Neto Evangelista vai elogiar ou ignorar a atual gestão. O que se sabe é que, mesmo não tendo o apoio do prefeito, ele não tem como atacar o prefeito e sua gestão, que significaria atirar no PDT, que além da vice, está lhe dando o apoio da sua poderosa e influente militância, preciosos minutos de rádio e TV, além do apoio incansável do senador Weverton Rocha e dos vereadores do partido fundado por Jackson Lago e Neiva Moreira.

Movido pela garra e pela imprevisibilidade, Duarte Júnior vem se mostrando cauteloso em relação à gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior. Sua declaração mais forte até agora nesse campo delicado foi a de que, se eleito, dará “um choque de gestão” na Prefeitura de São Luís. E como não detalhou o que fará e nem como fará, ficou no ar a dúvida de que não se tratou de uma crítica ao prefeito. É certo que não fará um discurso hostil em relação ao prefeito, a começar pelo fato de que, se for para o segundo turno, espera contar com o apoio dele e do seu partido, o PDT. Bira do Pindaré vive a mesma situação dos demais candidatos do campo governista em relação à gestão do atual prefeito, mas é ousado e preparado o suficiente para eventualmente disparar críticas indiretas à gestão pedetista.

Dos candidatos que de fato estão na disputa, Eduardo Braide é o que tem posição mais independente em relação ao prefeito Edivaldo Júnior, de quem foi adversário duro em 2016, chegando a ameaçar a sua reeleição. Os dois são adversários política e partidariamente. Nos últimos quatro anos, Eduardo Braide acompanhou de longe a gestão do pedetista, fazendo eventuais observações, mas evitando a provocação de um confronto. Mesmo quando saiu das urnas de São Luís com mais de 140 mil votos para deputado federal, o hoje candidato do Podemos se manteve distante do confronto, deixando claro tratar-se de uma estratégia diretamente relacionada com o seu projeto de sucedê-lo no gabinete principal do Palácio de la Ravardière.

Essa é uma fotografia do momento, que pode mudar radicalmente em meio à evolução da campanha.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Nenhuma surpresa na declaração de apoio do ex-presidente Lula a Rubens Júnior

Rubens Júnior entre Lula da Silva e Flávio Dino: confirmado o apoio do petista e do seu partido

Estranhas as manifestações de surpresa por causa da declaração de apoio do ex-presidente Lula da Silva à candidatura de Rubens Júnior. O ex-presidente cumpriu fielmente o seu papel nessa relação entre o PCdoB e o PT, que tem altos e baixos, mas se mantém inalterada desde que a agremiação petista foi abandonada pelo MDB no processo que culminou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Durante meses, PT e PCdoB, jogaram um xadrez complicado envolvendo a troca de apoio em centenas e centenas de municípios nas mais diferentes regiões do País. Nesse jogo, petistas e comunistas se abraçaram e se deram as mãos, fechando coligações, mas também passaram rasteiras um no outro, como fazem partidos de todas as cores e credos em qualquer lugar do planeta. O caso de São Luís, por se tratar de um pedado do País estratégico para os dois partidos, também envolvendo uma forte discussão sobre corrida presidencial em 2022, ganhou importância na discussão, o que tornou o jogo mais complicado, mas com resultado absolutamente previsível. O acordo para a disputa em São Luís foi selado dentro do que já estava desenhado havia tempo, com os dois partidos apenas aguardando a hora mais conveniente para anunciar. E o PT entrou tão forte na aliança com o PCdoB que indicou o seu quadro mais forte em São Luís, vereador Honorato Fernandes, para vice de Rubens Júnior. Nada que justifique a surpresa com a comemoração enfática do ex-presidente Lula da Silva.

 

Timon: Cel. Schnneyder perde força e é ameaçado por Socorro Waquim e Dinair Veloso

Cel. Schnneyder corre sério risco de ser atropelado por Socorro Waquim e Dinair Veloso na disputa em Timon

Começa a acontecer Timon o que observadores políticos experientes previram semanas atrás: surgido na onda bolsonarista como um outsider militar que entrou no cenário com um discurso objetivando minar a política profissional, o coronel/PM Schnneyder (Republicanos), que despontava como imbatível à sucessão do prefeito Luciano Leitoa (PSB), está ameaçado de ser atropelado por duas candidatas, a ex-prefeita Socorro Waquim (MDB) e a professora Dinair Veloso (PSB), ex-secretária de Educação do município.  É o que aponta pesquisa do Instituto Amostragem contratada pelo Grupo Meio Norte de Comunicação. Schnneyder aparece com 26,5%ndas intenções de voto, com Socorro Waquim logo atrás com 25% e Dinair Veloso com 20,5%. Em seguida, aparecem Jaconias Moraes (PSC): Na avaliação de um timonense isento, o coronel está em queda livre, enquanto que a ex-prefeita e a ex-secretária de Educação municipal estão na sua cola, devendo ultrapassá-lo para disputar a Prefeitura dentro dos padrões políticos de Timon. Antes visto por muitos como o fenômeno surgido para mudar a realidade política de Timon, coronel/PM perdeu e continua perdendo gás, num cenário em que o confronto final será o de sempre: o Grupo Leitoa contra o Grupo Waquim.

Em Tempo: Contratada pelo Grupo Meio Norte de Comunicação a pesquisa do Instituto Amostragem em Timon foi realizada de 11 a 13 do corrente, ouviu 400 eleitores timonenses, tem margem de erro de 4,8%, nível de confiança de 95% e foi registrada no TSE sob o protocolo MA-07740/2020.

São Luís, 17 de Setembro de 2020.

Lista negra do TCU revela que o Maranhão tem o maior número de fichas sujas em todo o País

 

A lista de políticos e servidores públicos com fichas sujas por conta de bandalheiras identificadas nas suas prestações de contas, entregue pelo Tribunal de Contas da União (TCU) ontem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para impedir que eles sejam candidatos às eleições de Novembro, trouxe uma informação perturbadora: o Maranhão, com apenas 217 municípios, é o estado com maior número de fichas sujas e de processos que apuram irregularidades e desvios em prestações de contas municipais, batendo de longe, unidades federadas como Minas Gerais, que têm mais de 800 municípios. Os números maranhenses são escandalosos: nada menos que 658 pessoas – entre ex-prefeitos, ex-vereadores e servidores públicos – respondem por nada menos que 1.336 processos por suspeita de desvios criminosos em prestações de conta, o que representa nada menos que 8.9% dos 7. 546 integrantes da lista negra de todo o País, que respondem por inacreditáveis 11.546 processos que os apontam responsáveis pelas deformações em procedimentos administrativos envolvendo dinheiro público.

A “liderança” do Maranhão nesse ranking choca pela diferença desconcertante em relação aos demais estados. São Paulo, por exemplo, tem 645 municípios e aparece na lista negra do TCU 559 fichas sujas, que respondem por 857 processos. O Rio de Janeiro, com 92 municípios, aparece na lista negra com 528 fichas sujas. Minas Gerais, por sua vez, que tem nada menos que 853 municípios, figura em segundo lugar no listão do TCU com 470 fichas sujas, que respondem por 648 processos. E o vizinho estado do Pará, que é dividido em 144 municípios, está presente na lista negra com 420 ficha suja, que respondem a 794 processo por desvio. Boa parte dos estados tem números expressivos de fichas sujas, mas há também aqueles em que essa chaga é bem menos visível e, por via de consequência, bem menos danosa.

Nos próximos dias, é provável que algumas candidaturas – umas já confirmadas em convenções partidárias, e outras que certamente serão sacadas do circuito por serem judicialmente inviáveis. A entrega da lista negra pelo TCU à Justiça Eleitoral às vésperas do início de campanhas eleitorais é um procedimento previsto na legislação eleitoral, exatamente para permitir que integrantes que tentem concorrer tenham suas candidaturas contestadas e sejam impedidos de participar do processo eleitoral. Essa lista chega também ao Ministério Público Eleitoral (PME), que costuma usá-la para contestar candidatura.

Um caso fortemente simbólico foi o do ex-prefeito de Bacabal, Zé Vieira (PP) – já falecido, que tinha problemas nesse campo, teve sua candidatura contestada em 2016 pelo MPE, concorreu garantido por uma liminar, venceu a eleição contra o deputado Roberto Costa (MDB). Zé Vieira assumiu a Prefeitura, mas depois de uma intensa guerra judicial, que durou mais de ano e foi marcada por uma surpreendente batalha recursal no Tribunal de Justiça do Maranhão, perdeu o cargo, juntamente com seu vice, abrindo caminho para o atual prefeito, Edvan Brandão (PSC), que foi confirmado por eleição para um mandato-tampão, garantindo o direito à reeleição neste ano.

Entre os políticos maranhenses que figuram na lista negra está o ex-prefeito de Imperatriz, Ildon Marques, que se apresenta como candidato a voltar ao cargo pelo PP. Até ontem, havia dúvidas em relação à participação do ex-prefeito na corrida à Prefeitura de Imperatriz, na qual aparecia como candidato, mas o debate em torno da sua candidatura ganhou força depois de uma decisão do Supremo Tribunal Federal a ele desfavorável. Ildon Marques, porém, não se deu por vencido, avisando que a guerra judicial ainda está em curso e que, acredita, vai reverter o cenário e será autorizado a concorrer. A lista negra entregue pelo TCU ao TSE, porém, reverte expectativas, indicando fortemente que a candidatura do ex-prefeito está, de fato, sob risco. Se o ex-prefeito – que em pesquisas recentes tem aparecido à frente na preferência do eleitorado – não tiver sua candidatura confirmada, a disputa no segundo e mais importante município maranhense sofrerá uma guinada radical.

Em Tempo: a relação de políticos maranhenses com ficha suja pode ser acessada no seguinte endereço eletrônico: https://contasirregulares.tcu.gov.br/

E para conferir os dados mais detalhados, acesse: https://contasirregulares.tcu.gov.br/ordsext/f?p=105:16

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton Rocha e Eliziane Gama: diferenciais nas campanhas de Neto Evangelista e Rubens Júnior

Weverton Rocha dá apoio forte ao projeto Neto Evangelista e Eliziane Gama está firme no apoio a Rubens Júnior

Além de fortes alianças partidárias e outros instrumentos políticos, dois candidatos à Prefeitura de São Luís estão sendo apoiados entusiasticamente por dois senadores, que conhecem como poucos o caminho das pedras eleitorais da cidade, com sólida experiência em disputas.

Neto Evangelista (DEM), tem o aval entusiasmado do senador Weverton Rocha, presidente do PDT e se movimentando fortemente para mobilizar a ativa e influente militância do partido para levar a candidatura a todas as reentrâncias de São Luís. Principal articulador e avalista da aliança DEM/PDT/MDB/PSL, que garantiu um poderoso lastro a Neto Evangelista, Weverton Rocha é também o cabo eleitoral mais confiante no futuro desse projeto eleitoral. Político forjado na militância liderada por Jackson Lago, conhece cada palmo do mapa eleitoral da Capital. É também o maior beneficiário político a vitória for alcançada pelo candidato do DEM.

Na convenção que confirmou a candidatura de Rubens Júnior, um dos discursos mais fortes, enfáticos e entusiasmados foi o da senadora Eliziane Gama, líder do Cidadania, que juntamente com PCdoB, PT, DC e PMB, integra a aliança que embala a caminhada do candidato do PCdoB. O gesto político da senadora foi um indicativo claro de que ela vai entrar firme na corrida de Rubens Júnior pelo voto. Eliziane Gama é graduada e pós-graduada em eleitorado de São Luís. Sua brilhante e vitoriosa carreira política foi construída tendo o eleitorado da Capital, que conhece bem tanto pelo plano ideológico como pelo viés religioso.

Dois cabos eleitorais que podem, de fato, fazer a diferença nessa corrida.

 

Carlos Madeira supera a Covid-19 e fará convenção por videoconferência

Carlos Madeira

Alcançado pelo novo coronavírus, que o obrigou a internar-se por 11 dias no Hospital São Domingos, de onde deve sair nesta Terça-Feira (15), Carlos Madeira será confirmado candidato do Solidariedade à Prefeitura de São Luís. A Covid-19 o obrigará a participar da convenção por videoconferência, devendo ele completar sua recuperação em isolamento doméstico, como é recomendável para alguém de grupo de risco, como é o seu caso. A infecção pelo novo coronavírus, além de afetar-lhe a saúde, prejudica fortemente o seu projeto político, à medida que o tira do circuito de campanha e o afasta do cenário da disputa. Carlos Madeira, porém, minimiza esses entraves demonstrando uma vontade titânica de chegar ao Palácio de la Ravardière.

São Luís, 15 de Setembro de 2020.

Candidatos definidos e chapas montadas dão a largada na disputa pela Prefeitura de São Luís

As 11 chapas definidas: Letícia Cardoso e Bira do Pindaré, Esmêmia Miranda e Eduardo Braide, Rubens Júnior e Honorato Fernandes, Luzimar Lopes e Neto Evangelista, Duarte Júnior e Fabiana Vilar, Yglésio Moises e Mauro César, Adriano Sarney e Vall Nascimento, Janicelma Fernandes e Jeisael Marx, Carlos Madeira e Jeremias Fernandes, Ribamar Arouche e Franklin Douglas e Hertz Dias e Jayro Mesquita 

 

Os candidatos a prefeito e a vice estão definidos e a corrida para a Prefeitura de São Luís vai, de fato, começar. A campanha de rua poderá ser feita quando as chapas estiverem devidamente registradas, e o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV será aberto dia 27. Na disputa, nada menos que 11 chapas, um recorde na história recente da luta pelo poder na Capital. Todos os candidatos a prefeito são homens, enquanto as mulheres são maioria (seis) entre os aspirantes à cadeira de vice-prefeito. As chapas são as seguintes: Eduardo Braide (Podemos)/Esmênia Miranda (Podemos), Duarte Júnior (Republicanos)/Fabiana Vilar (PL), Rubens Júnior (PCdoB)/Honorato Fernandes (PT), Neto Evangelista (DEM)/Luzimar Lopes (PDT), Bira do Pindaré (PSB)/Letícia Cardoso (PSB), Adriano Sarney (PV)/Vall Nascimento (PV), Jeisael Marx (Rede)/Janicelma Fernandes (Rede), Carlos Madeira (SD)/Jeremias Fernandes (SD), Yglésio Moises (PROS)/Mauro César (PROS), Franklin Douglas (PSOL)/Ribamar Arouche (PSOL) e Hertz Dias (PSTU) e Jayro Mesquita (PSTU).

No complexo, sensível e nem sempre previsível confronto eleitoral, os candidatos embalados por coligações são, em tese, dotados de melhores condições de chegar à grande massa eleitoral. Em São Luís as chapas lideradas por Rubens Júnior (PCdoB/PT/Cidadania/DC/PMB), Neto Evangelista (DEM/PDT/MDB/PSL), Duarte Júnior (Republicanos/PL/Patriotas/Avante/PTC) e Eduardo Braide (Podemos/PSD/Avante/PSC/PMN), lastreadas em coligações, são politicamente mais fortes que as sete “puro sangue”. Isso não quer dizer que os candidatos de chapas “puro sangue” estejam fora do páreo, nada disso. Até porque nessas eleições, por conta das limitações impostas pelo novo coronavírus, a capacidade do candidato de seduzir e convencer o eleitor ludovicense, politizado e independente, na conversa via rádio, TV e, principalmente, redes sociais, será decisiva.

Na seara da força política e partidária, que historicamente tem decidido eleições em São Luís, Rubens Júnior, Neto Evangelista, Eduardo Braide e Duarte Júnior, nessa ordem, reúnem condições para aspirar vitória. Rubens Júnior, além de um currículo vitorioso, leva no seu arsenal de campanha a vinculação política e partidária direta com o governador Flávio Dino e o ex-presidente Lula da Silva, além do apoio da senadora Eliziane Gama (Cidadania) e o suporte do PCdoB, coordenado pelo seu presidente, deputado federal Márcio Jerry, um estrategista que conhece o caminho das pedras. O sucesso de Rubens Júnior vai depender muito do seu próprio desempenho. Neto Evangelista conta com uma máquina partidária invejável, principalmente o PDT, ainda o partido mais enraizado e identificado com o eleitorado de São Luís, comandado pelo ativo e desassombrado senador Weverton Rocha, e com o MDB, que tem forte base na Capital e o cacife indiscutível da ex-governadora Roseana Sarney. Neto Evangelista terá de mostrar-se como a expressão dessa base.

Entre os candidatos embalados por coligações, Eduardo Braide conta com máquinas partidárias de porte médio, sem o peso das grandes agremiações, mas que formam um suporte suficiente para a sua candidatura. Diferentemente de outros candidatos, é ele o eixo central do projeto eleitoral, posição que não divide com ninguém, já que não conta com o apoio de lideranças expressivas. O sucesso da sua corrida está condicionado ao seu desempenho. É também o caso de Duarte Júnior, que conta com o apoio discreto, mas determinado, do vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) e com uma base de partidos inexpressivos, incluindo o PL, do espetaculoso e controvertido deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Duarte Júnior, porém, tem talento e carisma para vender seu próprio peixe.

Na seara das chapas “puro sangue”, o candidato mais forte é Bira do Pindaré, político de esquerda bem-sucedido nas urnas – três mandatos parlamentares com boas votações e uma tentativa de chegar ao Senado em 2006, que lhe deu mais de 200 mil votos em São Luís – por conta da sua militância coerente, além de ser bom comunicador. Adriano Sarney representa o PV e, mesmo não querendo admitir, é visto como a mais nova geração da família Sarney buscando sobreviver na política seguindo os passos do pai, o ex-deputado federal e ex-ministro Sarney Filho, contando com o apoio declarado do avô, o ex-presidente José Sarney.

Na lista dos “puro sangue”, Jeisael Marx não conta com a Rede, um partido tímido, mantido por idealistas, mas com a sua própria ação política, baseada num discurso de outsider e pela habilidade de se comunicar, aprimorada por anos como apresentador de TV, o que o torna um candidato com visibilidade. Mais velho entre os candidatos, o “puro sangue” Carlos Madeira é um quadro experiente, com argumentos sólidos, como sua origem no Bairro de Fátima e trajetória bem-sucedida na magistratura federal e um bom conhecimento dos problemas da cidade, contando também com a ação forte do presidente do Solidariedade, Simplício Araújo. Yglésio Moises é um dos candidatos mais bem preparados, com a experiência de médico e o conhecimento de advogado, o que o torna dono da sua própria campanha, já que seu partido não tem lastro na Capital.

O grupo dos “puro sangue” fecha com os representantes da ultraesquerda, Franklin Douglas, do PSOL, um professor de Comunicação e advogado que mantém um discurso duro contra tudo e contra todos, e Hertz Dias, cujo partido, o PSTU, só existe em período de eleição, e para quem os problemas de São Luís só serão resolvidos quando o capitalismo for varrido da Ilha.

Vale aguardar esse embate.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Maioria nas chapas, mulheres candidatas a vice são fortes, conhecidas e respeitadas

As seis mulheres candidatas à vice-prefeita de São Luís são jovens, respeitadas, profissionais consolidadas, e social e politicamente ativas, portanto perfeitamente encaixadas no tabuleiro da sucessão municipal.

Letícia Cardoso, companheira de chapa de Bira do Pindaré, é professora do Curso de Comunicação da UFMA e pesquisadora na área cultural, com sólido prestígio, e reconhecida também como ativista política com lastro de militância no PSB.

Escolhida por Eduardo Braide, Esmênia Miranda é formada em História com mestrado na área, policial militar concursada e professora de História do Colégio Militar, uma trajetória bem-sucedida considerando sua origem humilde.

Indicada pelo PDT como vice de Neto Evangelista, Luzimar Lopes é assistente social e servidora pública, com forte atuação comunitária, principalmente na região do Coroado-Coroadinho, militando politicamente no partido comandado pelo senador Weverton Rocha.

A candidata a vice de Duarte Júnior indicada pelo PL, Fabiana Vilar, é advogada e foi secretária de Estado de Agricultura e preside o braço do seu partido em São Luís.

Compondo a chapa de Adriano Sarney, Val Nascimento tem formação superior em Educação Física, leciona nessa área e é reconhecida como atleta-lutadora de jiujitsu e judô, sendo politicamente conhecida como militante do PV.

A companheira de chapa de Jeisael Marx, Jacinelma Fernandes, é formada e pós-graduada em Pedagogia, com um trabalho reconhecido de apoio a crianças e adolescentes, que a levou à presidência do Conselho Municipal de Defesa da Criança e do Adolescente, com atuação política na Rede.

 

Entre os vices homens, um político, dois estreantes e dois sindicalistas

Os cinco candidatos masculinos a vice-prefeito de São Luís guardam perfis diferenciados. O mais destacado é o vereador e presidente municipal do PT Honorato Fernandes, que somou com Rubens Júnior, dando peso político à chapa. Já o oficial-bombeiro Jeremias Fernandes, vice de Carlos Madeira, é um jovem com atuação comunitária na região Itaqui-Bacanga e com apelo para atrair aliados na categoria. Yglésio Moises escolheu como vice Mauro César, médico como ele, sem experiência política, mas com poder de fogo para envolver mais médicos na campanha. Ribamar Arouche, vice de Franklin Douglas, é sindicalista de larga militância e um dos fundadores do partido no Maranhão. E Jayro Mesquita, vice de Hertz Dias, é também sindicalista e um dos raros militantes do PSTU.

São Luís, 13 de Setembro de 2020.

Nas chapas já definidas para a disputa em São Luís há vices com diferentes poder de fogo

 

Chapas já definidas: Rubens Júnior/Honorato Fernandes, Neto Evangelista/Luzimar Lopes, Duarte Júnior/Fabiana Vilar, Yglésio Moises/Mauro César, Adriano Sarney/Vall Nascimento. Jeisael Marx/Jacinelma Fernandes, Carlos Madeira/Jaremias Fernandes, Franklin Douglas (d)/Ribamar Arouche e Hertz Dias/Jayron Mesquita

Nem todas as convenções foram ainda realizadas, mas, à exceção dos candidatos Eduardo Braide (Podemos) – que só realizará sua convenção no dia 14 (segunda-feira) – e Bira do Pindaré (PSB) – cuja convenção será realizada neste sábado -, os companheiros de chapa dos outros nove candidatos já estão definidos. São os seguintes: Duarte Júnior (Republicanos) terá como vice a advogada Fabiana Vilar (PL), Rubens Júnior (PCdoB) formará neste domingo chapa com o vereador Honorato Fernandes (PT), Neto Evangelista terá na chapa Luzimar Lopes (PDT), Adriano Sarney (PV) somará com a fisioterapeuta e lutadora de jiujitsu Vall Nascimento, Jeisael Marx (Rede) escolheu a pedagoga Janiselma Fernandes (Rede), Carlos Madeira (Solidariedade) foi buscar o oficial bombeiro Jeremias Fernandes, Yglésio Moises (PROS) terá na chapa o médico Mauro César, Franklin Douglas (PSOL) terá na vaga de vice o sindicalista Ribamar Arouche, e Hertz Dias (PSTU) terá na vice o sindicalista Jairo Mesquita (PSTU). São vices com pesos diferentes, alguns com força eleitoral, outros com estatura profissional, outros com veia de militante e as soluções caseiras por falta de alternativa.

Provavelmente o mais forte entre os candidatos a vice, o vereador Honorato Fernandes dará forte contribuição política, eleitoral e estrutural à viabilização da candidatura de Rubens Júnior, pois entra com mais de cinco minutos de rádio e TV, agrega o nome do ex-presidente Lula à campanha e põe no apoio a aguerrida militância petista, dando ao candidato da aliança PCdoB/PT/Cidadania/DC/PMB um poder de fogo excepcional.  Militante social e comunitária pedetista Luzimar Lopes, também conhecida como Nêga do Coroadinho, não será efetivamente uma canalizadora de votos para o candidato Neto Evangelista, mas tem poder para abrir caminhos em comunidades importantes, como a região Coroado/Coroadinho, onde ela atua, o que a torna peça de grande importância na engrenagem da aliança DEM/PDT/MDB/PSL.

Por seu turno, Fabiana Vilar, indicada pelo PL de Josimar de Maranhãozinho, nada agregará em matéria de voto à candidatura do republicano Duarte Júnior, mas o seu partido terá importância capital na formação do tempo da campanha do candidato do Republicanos no rádio e na TV, além de uma boa estrutura para intensificar a corrida ao voto.

As chapas Adriano Sarney/Val Nascimento, Jeisael Marx/Jacinelma Fernandes, Carlos Madeira/Jeremias Fernandes, Yglésio Moises/Mauro César, Franklin Douglas/Ribamar Arouche e Hertz Dias/Jayro Mesquita são chapas caseiras, montadas pelo fato de que os partidos dos candidatos não conseguiram parceiros na ciranda das alianças eleitorais, como deverá ser o caso da chapa a ser liderada por Bira do Pindaré, que não conseguiu parceiro para coligar e deve apresentar uma solução caseira na convenção que realizará hoje à tarde.  Nessa condição, esses vices não agregam expressivo poder de fogo eleitoral. Eles podem atrair credibilidade aos projetos dos cabeças da chapa e atuar na campanha como bons cabos eleitorais no plano geral ou junto a segmentos, funcionando como aliados produtivos no sentido de apoiar as ações do líder da chapa. No caso das mulheres, elas podem ser um diferencial se conseguirem falar a língua da banda feminina do eleitorado que, aliás, é maior que a masculina.

Inicialmente com favoritismo que lhe permitiria ter um poste como vice, Eduardo Braide se vê agora num cenário em que a escolha do vice pode ser decisiva para o futuro da sua candidatura. Seus aliados – senador Roberto Rocha (PSDB), deputado federal Edilázio Júnior (PSD) e deputado federal Aluísio Mendes (PSC) – estão igualmente interessados na vaga, mas corre nos bastidores que os ventos sopram para o ex-vereador Roberto Rocha Júnior, que preside o PSDB em São Luís. Eduardo Braide terá de conduzir com habilidade uma ampla negociação, que já está em curso, para evitar que a escolha venha a comprometer a aliança partidária e as vantagens que ela proporcionará à sua candidatura, principalmente em matéria de tempo no rádio e na TV.

Vale lembrar que a campanha para valer será iniciada no próximo dia 27, conforme o calendário fixado pela Justiça Eleitoral.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edivaldo Holanda Júnior não apoiará ninguém no primeiro turno

Edivaldo Holanda Júnior: longe da corrida eleitoral e tocando o programa de obras

Andaram especulando que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) anunciaria seu candidato à sua sucessão no início da campanha eleitoral. Bola fora. A pelo menos três interlocutores o prefeito revelou que não se manifestará no primeiro turno, para não ser acusado de usar seu programa de obras com caráter eleitoreiro, o que, garante, não é o caso. Nessas conversas, Edivaldo Holanda Júnior teria dito que apoiará o candidato da aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) que for para o segundo turno, provavelmente contra o candidato do Podemos, Eduardo Braide. Antes disso, se manterá distanciado da cena política e eleitoral, dedicando integralmente seu tempo à execução do alentado programa de obras com o qual fechará seus dois mandatos consecutivos, ou seja, oito anos no comando da Prefeitura de São Luís. Sem um só “porém”.

 

Atuação de Maranhãozinho na corrida eleitoral tem chamado atenção

Continua chamando a atenção a maneira avassaladora com que o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (foto) avança nos municípios, lançando candidatos do seu partido, o PL, com festas imensas, aglomerações perigosas e discursos inacreditáveis, nos quais avisa que dará as cartas nas administrações de prefeitos eleitos com o seu apoio. A espantosa tática do chefe do PL envolve dinheiro gordo, sendo difícil crer que o braço maranhense do PL seja detentor. Motivado pela ideia de que será candidato a governador em 2022, o parlamentar da “BR”, Josimar de Maranhãozinho parece dispostos a financiar candidaturas viáveis, tudo indica que com o propósito de se tornar “parceiro” de prefeitos que vierem a ser eleitos dentro da sua “estratégia”. Vale lembrar que seu modus operandi não funcionou para viabilizar a candidatura da deputada Detinha em São Luís.

São Luís, 12 de Setembro de 2020.

Neto Evangelista reforça candidatura com vice mulher e com forte militância na periferia

 

Entre Weverton Rocha e Juscelino Filho, Neto Evangelista ouve Luzimar Lopes no PDT

O deputado estadual Neto Evangelista (DEM) consolidou de vez sua candidatura à Prefeitura de São Luís ao anunciar, ontem, a militante social Luzimar Lopes, também conhecida como Nêga do Coroadinho, indicada pelo PDT, como sua companheira de chapa. Com a definição, o candidato democrata amarrou todas as pontas da robusta teia partidária que embalará sua caminhada para as urnas, reunindo em coligação DEM, PDT, PSL e MDB, partidos que, juntos, lhe dão lastro político, condições para realizar uma campanha eficiente, além, claro, de um respeitável potencial eleitoral. A indicação de Luzimar Lopes confirmou a posição do PDT como aliado preferencial do DEM nessa jornada eleitoral e confirma a posição do senador Weverton Rocha como principal articulador da aliança. E reforça o cenário que coloca o partido fundado por Jackson Lago e Neiva Moreira na obrigação de mobilizar todas as suas forças ramificadas nas reentrâncias da Capital para turbinar o projeto político e eleitoral de Neto Evangelista agora, e preparar terreno para dar firmeza ao passo que Weverton Rocha pretende dar em 2022.

A escolha de Luzimar Lopes para vice de Neto Evangelista não foi uma decisão apressada, de última hora, tomada no sufoco por falta de opções. Ao contrário, o comando do PDT chegou ao seu nome após optar por oferecer ao eleitorado uma referência popular, que represente as comunidades periféricas e mais pobres na cúpula do poder municipal. A ideia inicial era escolher entre os nomes mais conhecidos e prestigiados do partido no cenário político de São Luís, como o vereador Ivaldo Rodrigues, seu colega Raimundo Penha ou até mesmo o presidente da Câmara Municipal, Osmar Filho. Esse caminho, porém, foi descartado, levando o comando do partido a optar por uma estratégia mais ousada, escolhendo uma militante social e comunitária, com ligação direta com esses segmentos.

Mais do que uma militante partidária e ativista das causas sociais e de defesa da mulher, o PDT preencheu sua vaga na chapa encabeçada por Neto Evangelista com uma candidata decidida a chegar à vitória. Tanto que na sua fala no ato em que foi apresentada, Luzimar Lopes foi enfática: “Vamos andar cada canto dessa cidade. Melhor para a cidade é ter alguém que sabe na pele as necessidades da comunidade”. Uma indicação eloquente de que não vai posar de candidata, mas mergulhar nos bairros de São Luís em busca de votos.

Com a chapa definida, Neto Evangelista está devidamente aparelhado política e partidariamente para mergulhar nas reentrâncias da cidade em busca de votos. Além do PDT, que é o partido mais enraizado e estruturado em São Luís, herança de Jackson Lago, o candidato do DEM conta com o peso do PSL, comandado pelos vereadores Chico Carvalho e Isaías Pereirinha, duas raposas que conhecem o caminho das pedras. Conta também com o MDB, que vem mostrando força com o grupo jovem liderado pelo deputado Roberto Costa, e também com o prestígio da ex-governadora Roseana Sarney, que não quis ser candidata, mas decidiu seguir a escolha do partido, declarando apoio ao candidato do DEM.

O ato de ontem na sede do PDT foi uma demonstração de força de Neto Evangelista, que conta com o apoio incondicional do comando estadual do DEM, que tem à frente o deputado federal Juscelino Filho, e do comando nacional, que vê sua candidatura como uma das prioridades do partido, segundo declarou o presidente da legenda, ACM Neto, atual prefeito reeleito de Salvador. Traquejado em embates políticos e eleitorais, o candidato do DEM conhece os humores do exigente eleitorado ludovicense e, tanto quanto, os adversários que precisa bater para se tornar prefeito, a começar pelo candidato do Podemos, Eduardo Braide, que lidera a corrida, e o candidato do Republicanos, Duarte Júnior, que está em segundo lugar, segundo todas as pesquisas divulgadas até aqui.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

STJ arquiva factoide gerado na PGR contra Flávio Dino

Flávio Dino: factoide arquivado e Governo sem mácula

O arquivamento, pelo Superior Tribunal de Justiça, do inquérito com que a Procuradoria Geral da República tentou jogar uma suspeita de desvio no governador Flávio Dino (PCdoB), mostrou duas verdades. A primeira: o atual Governo do Maranhão tem sido até aqui à prova de corrupção. A segunda: existe viés tendencioso em bolsões do Ministério Público Federal. As duas realidades ficaram farta e definitivamente demonstradas na decisão da ministra Laurinda Vaz de mandar o factoide ministerial para o arquivo morto.

Quando o jornal o Globo trouxe à tona o inquérito aberto pela subprocuradora geral da República, Lindôra Araújo levantando a suspeita de que a Secretaria de Segurança Pública havia comprado combustível em excesso e superfaturado para helicópteros do GTA, e apontando o governador Flávio Dino como responsável direto pelo suposto desvio, ganhou forma outra suspeita, a de que a denúncia era fajuta. Primeiro porque não veio à tona qualquer dado, número ou decisão que fundamentasse a tal suspeita. Além disso, o Governo agiu rápido e mostrou que, ao contrário do que dizia a peça acusatória, nada houve de irregular nas compras de combustíveis para as aeronaves do Estado.

Além de derrubar a suspeita com informações corretas e explicações convincentes, o governador Flávio Dino bateu forte no que apontou como armação política destinada a prejudicá-lo. O governador desafiou a subprocuradora geral da República a confirmar e comprovar a acusação, e bateu às portas do Supremo Tribunal Federal contra o factoide gestado na PGR destinado a atingi-lo moral e politicamente. Foi ouvido pelo STF.

A ministra Laurinda Vaz, relatora do processo, rejeitou a primeira versão da subprocuradora geral da República, exatamente porque nenhuma prova ou argumento fundamentou a denúncia, levando-a a conceder mais três meses para novas investigações. Passado o prazo, a situação foi a mesma: nada de compra excessiva e nenhum indício de superfaturamento. Ou seja, a denúncia ganhou a forma de um tremendo factoide, o que levou a própria subprocuradora geral da República Lindôra Araújo a sugerir ao STJ que arquivasse o inquérito. Determinado pela ministra Laurinda Vaz, o arquivamento se deu ontem, colocando um ponto final no imbróglio gerado pela PGR.

 

Wellington do Curso pede arrego ao comando do PSDB e ganha tempo para definir rumo

Wellington do Curso

O deputado Wellington do Curso está determinado a não sair com as mãos abanando do episódio em que teve sua candidatura à Prefeitura de São Luís rifada pelo comando estadual do PSDB. Inconformado com o fato de não ser o candidato do ninho municipal à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), e por ter sido perdido a legenda em razão de um acordo dos chefes tucanos com o candidato do Podemos, Eduardo Braide, Wellington do Curso decidiu levar a encrenca aos chefes nacionais do ninho, apostando numa ordem que lhe devolva a vaga de candidato.  O parlamentar sabe que dificilmente o comando nacional dos tucanos deixará de dar razão ao senador Roberto Rocha para lhe atender. Mas sabe também que se conformar sem fazer zoada seria uma demonstração de fraqueza, uma atitude por meio da qual admitiria que Roberto Rocha está certo puxar-lhe o tapete para entregar o PSDB de São Luís a Eduardo Braide, o favorito entre os candidatos. Agindo assim, constrói e consolida a condição de vítima de um golpe, e ganha tempo para encontrar um rumo nessa corrida às urnas.

São Luís, 11 de Setembro de 2020.

Corrida às urnas: seis casos de sucesso, sobrevivência e fracasso de prefeitos com direito de pleitear reeleição

 

Fábio Gentil, Luciano Genésio e Hilton Gonçalo vão confiantes tentar a reeleição, enquanto Eudes Sampaio, Assis Ramos e Francisco Nagib vivem situações diferentes

As eleições deste ano mostrarão com nitidez sucesso e fracasso de administrações cujos comandantes estão em busca da reeleição. Seis casos relacionados com grandes municípios são exemplo do que estão sendo gestões bem-sucedidas, administrações colocadas em xeque e projeto político-administrativo que finda como fracasso retumbante. O dado mais curioso é que tais situações mostram que os bons e os maus resultados administrativos e, por desdobramento, os sucessos e os fracassos dos gestores, independem de partido, como também de grupo político. Os exemplos estão em Caxias, governada por Fábio Gentil (Republicanos); Pinheiro, que tem no comando Luciano Genésio (PP); Santa Rita, liderada por Hilton Gonçalo (Podemos), São José de Ribamar, que tem à frente Eudes Sampaio (PTB), Imperatriz, administrada por Assis Ramos (DEM), e Codó, gerida por Francisco Nagib (PDT). Todos surgidos da nova geração de políticos e eleitos em 2016 com expressivas votações e com a certeza dos eleitores de que eles fariam transformações que dariam novos rumos aos seus municípios.

Caxias é um exemplo de uma gestão de bons resultados. Comandada por Fábio Gentil (Republicanos), um político ainda jovem e com um histórico de vários mandatos de vereador, a cidade, que é a quarta maior do Maranhão, mas com um peso político diferenciado, ganhou forte impulso nos últimos 36 meses. É hoje uma cidade limpa, bem organizada, com áreas de lazer atraentes, uma rede escolar que funciona e uma estrutura de saúde adequada. A Prefeitura de Caxias vem cumprindo corretamente seus compromissos, por exemplo, pagando rigorosamente seus servidores em dia. E, pelo menos até aqui, não se tem notícia de atos de corrupção ou desvios administrativos. Sofreu a perda do pai e mentor, o deputado José Gentil (Republicanos), mas não perdeu o eixo. O resultado: todas as pesquisas feitas até aqui indicam que o prefeito Fábio Gentil caminha seguro para a reeleição.

Outro exemplo de gestão eficiente está em Pinheiro. Ali, depois de um período inicial de desconfiança de observadores, que temiam forte interferência do pai, o ex-prefeito José Genésio, o prefeito Luciano Genésio mostrou quem mandaria na sua administração, surpreendendo com um comando forte e livre de influências. Além disso, vem fazendo uma gestão eficiente, com todos os serviços funcionando a contento, e desde fevereiro do ano passado com o apoio da mulher, a deputada estadual Thaíza Hortegal (PP). Mesmo enfrentando adversários fortes, Luciano Genésio caminha com firmeza para a reeleição, segundo pesquisas divulgadas até agora.

Eleito em 2016 com maioria esmagadora de votos, o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Republicano), atendeu nesse mandato às expectativas dos seus eleitores. Fez uma gestão produtiva e eficiente, reafirmando a linha de ação de sua passagem anterior pelo comando da cidade. Todas as informações que circularam nos últimos tempos dão conta de que, apesar de alguns rumores de desvios – que não o envolvem diretamente -, sua popularidade no município é excepcional. Ninguém duvida da sua reeleição, tudo indicando que seu maior desafio será renovar o mandato da sua mulher, Fernanda Gonçalo (PMN), na vizinha Prefeitura de Bacabeira.

São José de Ribamar é palco de uma situação diferenciada. Catapultado para o cargo pela renúncia do então prefeito Luís Fernando Silva, de quem era vice, Eudes Sampaio (PTB) vem realizando uma gestão tida como ativa e correta, chegou a liderar a corrida sucessória, mas apesar dos bons resultados administrativos, corre o risco de ser atropelado. O diferencial da situação de Eudes Sampaio é que ele está atrelado a Luís Fernando Silva e sua reeleição parece depender do prestígio do ex-prefeito. É caso curioso que uma reeleição dependa de um complicado jogo de xadrez que envolve três ex-prefeitos, o próprio Luís Fernando Silva, o hoje deputado federal Gil Cutrim (PDT) e o médico Júlio Matos (PL).

É complicada a situação do prefeito de Imperatriz, Assis Ramos (DEM). Eleito em 2016 como um fenômeno, tendo deixado para trás poderosos como o ex-prefeito Ildon Marques, o delegado de Polícia Assis Ramos, um outsider que só havia gerido delegacias, encalacrou-se no comando da segunda maior cidade do Maranhão. Na avaliação de observadores isentos, sua gestão não é uma tragédia em andamento, mas também não pode ser considerada um exemplo de sucesso. Por conta da situação que ele próprio criou com o seu desempenho, Assis Ramos está no jogo, briga pela reeleição, mas enfrenta adversários muito fortes, como o deputado Marco Aurélio (PCdoB) e os ex-prefeitos Ildon Marques (PP) e Sebastião Madeira PSDB). Poucos apostam alto na sua reeleição.

De todos os prefeitos eleitos em 2016 e agora com direito de buscar a reeleição, o caso mais surpreendente é o do prefeito de Codó, Francisco Nagib (PDT), que simplesmente anunciou que não tentará renovar o mandato. Não se trata de saúde – ele é jovem e saudável -, nem de força maior no âmbito familiar ou coisa parecida. Sua desistência ocorre porque sua gestão, que tinha tudo para dar certo, foi um fracassou, produzindo a pior das consequências políticas, a rejeição. Provavelmente vítima da inexperiência, ficou sem condições de reverter o cenário desfavorável, sendo obrigado a passar o boné para uma raposa aliada, o ex-prefeito e atual deputado estadual Zito Rolim (PDT), que vai para a disputa com o argumento de duas gestões bem-sucedidas.

Vale lembrar que as eleições ocorrerão daqui a pouco mais de dois meses, tempo suficiente para muita coisa mudar. Afinal, nunca é demais lembrar que na política do Maranhão, aqui e ali boi ainda voa, às vezes de asa quebrada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Aumento do números de policiais candidatos preocupa analistas

Cabo Campos, um caso de policial que não deu certo na política no Maranhão

Levantamento divulgado domingo pelo jornal O Globo mostra um expressivo aumento do número de policiais civis e militares que serão candidatos a prefeito e a vereador nas eleições municipais deste ano. No Maranhão, 31 se licenciaram dos quartéis e delegacias para enfrentar as urnas – número nada menos que quase 100% maior do que o do pleito de 2016, quando 16 de candidataram. Tanto quanto pelo crescimento da participação de policiais na política, o levantamento surpreendeu pela reação de líderes de entidades representativas de policiais, que não esconderam o fato de que tais segmentos estão estimulando tal participação com o objetivo de “empoderar” a categoria, reforçando meios de “lutar por seus direitos”.

Diante dos números de todo o País, analistas políticos importantes chamaram a atenção para o risco da politização da polícia, uma instituição de Estado que pode cometer distorções funcionais se motivada por estímulos políticos, partidários e ideológicos. Alguns observam que nenhum País do primeiro mundo, a começar pelos Estados Unidos, é permitida essa participação a policiais.

Por conta do crescente número de policiais envolvido em política já está sendo articulado no Congresso Nacional um movimento no sentido de estender a policiais a regra que hoje obriga juízes, desembargadores, ministros de tribunais superiores e membros do Ministério Público a se demitir para poder se candidatar, sem direito a readmissão sendo ou não eleito. O argumento é simples: se a membros de outras carreiras de Estado, como magistratura e Ministério Público, é imposta a demissão para permitir filiação partidária e candidatura, a regra tem de valer para policiais civis e militares.

No Maranhão, o caso mais recente de eleição de um policial foi o do Cabo Campos. Ele chegou à Assembleia Legislativa na esteira de uma ativa e barulhenta militância corporativa, tendo sido um dos líderes da greve da Polícia Militar que sacudiu o Brasil e agitou o Maranhão em 2013. Mas, como parlamentar, frustrou todas as expectativas e foi duramente reprovado nas urnas em 2018.

Continua a ciranda dos candidatos para definir companheiros de chapa em São Luís

Quase definido o quadro de candidatos a vice-prefeito em São Luís. Hoje, o candidato do DEM, Neto Evangelista, comandará um ato na sede do seu aliado PDT, para anunciar o seu companheiro de chapa, que será apontado pelo chefe pedetista senador Weverton Rocha. Já Rubens Júnior (PCdoB) deve apresentar o vereador Honorato Fernandes como seu vice, o que ocorrerá no dia seguinte à convenção do PT, marcada para o dia 13, Domingo, na qual o partido referendará a aliança e o seu representante na chapa. Restam ainda sem vice Eduardo Braide (Podemos), Bira do Pindaré (PSB), Yglésio Moises (PROS) e Hertz Dias (PSTU).

São Luís, 10 de Setembro de 2020.