Começa hoje a fase mais animada e mais tensa da campanha para prefeito: a propaganda na TV e no rádio

 

 

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Edivaldo Jr., Eliziane Gama, Wellington do Curso, Eduardo Braide, Rose Sales, Fábio Câmara, Valdeny Barros, Zéluiz Lago e Claudia Durans vão para o confronto na TV na briga pela prefeitura de São Luís

26 de Agosto de 2016. Data que marca o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão (Lei nº 9.504/1997, art. 47).

Concluídas as articulações possíveis, definidas as candidaturas e superado o primeiro momento da corrida ao voto, com carro de som, comícios, carreatas e passeatas, os candidatos a prefeito entrar agora na fase mais tensa e decisiva da campanha: o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV. Para muitos, a campanha é decidida na telinha da TV, onde os candidatos, orientados por profissionais do marketing político caros e competentes, que são capazes de transformar antipático em simpático, sisudo em sorridente, tímido em ousado, língua presa em língua solta, e por aí vai. Mas é também o momento em que o eleitor espera dos candidatos informações honestas e bem elaboradas sobre como cada um pretende governar a maior e mais importante cidade do Maranhão, os planos para superar os seus gigantescos problemas e, mais do que isso, prepará-la para o futuro como Capital do estado e líder de uma região metropolitana importante e promissora.

Edivaldo Jr. (PDT), Eliziane Gama (PPS), Wellington do Curso (PP), Rose Sales (PMB), Eduardo Braide (PMN), Fábio Câmara (PMDB), Valdeny Barros (PSOL), Claudia Durans (PSTU) e Zéluiz Lago (PPL) terão tempo proporcional ao poder de fogo político que os embala nessa corrida e do tamanho da coligação que conseguiram armar. E como a campanha eletrônica será de 35 dias e as regras são restritivas, os candidatos terão de encontrar caminhos adequados e estratégias inteligentes para vender os seus “peixes” no esforço para encantar o eleitorado. Não será uma campanha fácil e corre o risco de ser enfadonha se a inteligência política não for acionada e os marqueteiros insistirem na teimosa tentativa de subestimar a sensibilidade e sabedoria do eleitor.

Nesse contexto de possibilidades e dificuldades, a situação mais confortável e, ao mesmo tempo, mais delicada é a do prefeito Edivaldo Jr., cujo tempo é de 3 minutos e 39 segundos, o mais longo de todos, o que lhe dá condições de mostrar o seu governo o que pretende fazer num eventual segundo mandato. O segundo maior tempo é o de Wellington do Curso: 2 minutos e 15 segundos, suficientes para um candidato que diz pretender apresentar um programa de governo e atacar o prefeito. É tempo precioso para um candidato com o perfil de parlamentar do PP, que deve usá-lo com inteligência. Eliziane Gama tem 1 minuto e 55 segundos, tempo que para ela, que gosta de falar, é um desafio dos bons – e não há dúvida de que ela o usará para desbancar os demais concorrentes. Nesse time dos melhores posicionados nas pesquisas, a situação mais embaraçosa é a da candidata do PMB, vereadora Rose Sales, que terá de se virar com 7 segundos diários.

No segundo time, a situação mais confortável em matéria de tempo no rádio e na TV é a do pemedebista Fábio Câmara, que disporá de 1 minuto e 25 segundos e parece ser um tempo inadequado gosta de “dourar a pílula” discursiva com frases famosas de celebridades literárias. Valdeny Barros (12 segundos), Eduardo Braide (10 segundos), Zéluiz Lago e Claudia Durans, ambos com 6 segundos cada um.

Por mais injusto que possa parecer com os candidatos de partidos pequenos, a limitação do tempo tem uma lógica que justifica plenamente o fatiamento do tempo sem obedecer a uma escala de proporção. O tempo maior pertence aos partidos que têm maior representação na Câmara Federal, que expressa a representação popular, levando a fundo o conceito de proporcionalidade. Então não seria justo que o tempo do prefeito Edivaldo Jr., que pertence ao PDT e lidera uma coligação de grandes partidos, fosse igual ao de Cláudia Durans, cujo partido, o PSTU, não tem sequer um deputado federal.

Questões formais à parte, o importante é que os candidatos aproveitem o espaço temporal que lhe é assegurado pela Justiça Eleitoral para que possam dizer aos eleitores o que pretende fazer de bom para uma cidade que tem 1,2 milhão de habitantes e que ainda acumula muitos problemas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Lobão se livra de processo por falta de provas
Brasília - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, participa de reunião conjunta das comissões de Infraestrutura e de Assuntos Econômicos do Senado, sobre a renovação de concessões e royalties do pré-sal
Lobão está livre de uma acusação que ele negou com obstinação e, de fato, não se provou o contrário

O procurador geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), o arquivamento de um dos inquéritos em que o ex-ministro de Minas, senador Energia Edison Lobão (PMDB), era suspeito de ter dado ordem para que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, chefe do esquema de corrupção na petroleira, entregar R$ 1 milhão, em dinheiro obtido com desvios criminosos, à então governadora Roseana Sarney (PMDB), para financiar a campanha dela à reeleição. Paulo Roberto Costa informou à Polícia Federal e à PGR que o repasse do dinheiro foi feito pelo doleiro Alberto Youssef. Quando a bomba explodiu, no início de 2015, após a prisão de Youssef no Hotel Luzeiros, em São Luís, o senador Edison Lobão reagiu com um indignado discurso na tribuna do Senado, no qual contestou a denúncia, que chamou de calúnia, feita com má fé. Na sua fala, Lobão disse que não tinha a menor ideia do que estava sendo acusado, pois não havia tido qualquer contato com o então diretor, seu subordinado no Ministério de Minas e Energia, para tratar de assunto dessa natureza.

Na fase de interrogatórios, Paulo Roberto fez delação premiada, e nela afirmou que mandou o doleiro Alberto Youssef a repassar o valor de R$ 1 milhão para a governadora Roseana Sarney. Só que, no seu depoimento, o doleiro declarou não ter conhecimento do caso, que não se lembrava de qualquer conversa nesse sentido e que não repassou dinheiro para a campanha da governadora à reeleição em2010. Os dois foram confrontados em acareação, com Paulo Roberto insistindo na sua denúncia, mas encontrando o doleiro Alberto Youssef reafirmando enfaticamente que não fez tal operação. Diante da precariedade da denúncia do ex-diretor, que não apresentou qualquer réstia de prova para confirmar o que disse, o chefe do PMF Rodrigo Janot pediu ao STF que autorizasse novas investigações, que foram autorizadas pelo ministro-relator Teori Zavaski. Depois de três meses, investigadores e procuradores entregaram os pontos informando ao chefe que nada encontraram que comprometesse o ex-ministro e Senador. Agora, quem entregou os pontos foi o próprio Rodrigo Janot, que por falta de argumentos que pudessem manter a denúncia de pé, pediu o arquivamento.

A primeira e mais importante de várias conclusões: nesse caso, o ex-ministro de Minas e Energia e a governadora Roseana Sarney não cometeram tal crime e estão livres da acusação. Outra conclusão: as chamadas delações premiadas na Operação Lava Jato podem conter muitas verdades forjadas. E mais uma conclusão: o senador e já então ex-ministro estava coberto de razão quando reagiu com indignação e jurando inocência.

Falta agora o desfecho de mais dois casos supostamente envolvendo o senador.

 

Edivaldo Jr. inaugura comitê e embala campanha
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Acompanhado de centenas de partidários, Edivaldo Jr. percorreu as ruas do Vinhais distribuindo afagos no eleitorado, para em seguida inaugurar comiitê na Curva do 90

O prefeito Edivaldo Jr. (PDT) e seu vice Júlio Pinheiro (PCdoB) inauguraram ontem o seu comitê central de campanha, situado na Curva do 90. O fizeram depois de duas horas de caminhada pelas ruas do Vinhais. O comitê vai centralizar as atividades de campanha da coligação “Pra Seguir em Frente”, formada por PDT, PCdoB, DEM, PROS PTB, PSC, PRB, PTC, PEN, PR, PT e PSL. O clima ali foi de festa. Afinal, depois de um longo período em que patinou em terceiro lugar nas pesquisas, atrás de Eliziane Gama (PPS) e João Castelo (PSDB), que ainda sonhava ser candidato, o candidato do PDT conseguiu sair da inércia e assumir a ponta, agora seguido por Eliziane e Wellington do Curso (PP), já que o ex-prefeito decidiu apoiar popular-socialista. Todas as avaliações feitas até aqui identificam o prefeito como o candidato mais sólido, com mais consistência política e maior densidade eleitoral. Mas isso não significa eleição ganha, porque Eliziane Gama e Wellington do Curso estão circulando na área a cada dia  mais convencidos de que vencer. E o entusiasmo deles está exatamente na crença de que farão a diferença no horário eleitoral gratuito na TV e,  mais tarde, nos debates que estão sendo programados.

 

a agenda do candidato e atenderá quaisquer dúvidas referente as eleições.

Além de funcionar como local oficial de distribuição de material, o espaço contará com uma equipe de adesivação de veículos, que atenderá das 8h às 22h. Todos os adesivos estarão de acordo com o que determina a nova legislação eleitoral.

 

São Luís, 25 de Agosto de 2016.

 

PCdoB engorda, lança 106 candidatos a prefeito em todo o estado para consolidar o seu projeto de poder

 

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Flávio Dino e Marcio Jerry: grandes esforços para fortalecer o PCdoB no Maranhão, coçando por prefeituras

Números divulgados pela Justiça Eleitoral informam que 506 candidatos estão registrados para disputar as 217 Prefeituras do Maranhão e que desses nada menos que 106, o equivalente a 20%, são do PCdoB, o partido do governador Flávio Dino. Essa engorda extraordinária da mais ativa corrente comunista no País ocorre exatamente no Maranhão, não por uma inclinação de boa parte das lideranças municipais para militar na esquerda, mas pela conjugação de dois fatores: o fato de o seu principal líder, Flávio Dino, estar no poder, e a agressiva política de multiplicação de quadros e líderes em todo o estado adota pelo partido sob o comando do secretário de Articulação Política e Comunicação Social, Márcio Jerry. E pelo que se ouve em conversas sobre o cenário da disputa, os chefes do PCdoB estão fazendo contas muito otimistas com relação ao resultado das urnas, certos de que o partido terá uma vitória retumbante nas urnas, como que marcando o sepultamento definitivo de uma velha ordem. Só que na sequência aparecem PSDB (78), PDT (60); PMDB (49), PP (39), PRB (35), PSB (33), PR (30), PSD (27), PV (19), PT (17) e PTB (15), o que nas soma geral do número de candidatos das forças governistas levam a melhor, mas as oposições dão mostras de que estão muito vivas. E poderão fazer um estrago considerável na estrutura política que o governador Flávio Dino está montando no Maranhão.

Há um equívoco recorrente em avaliações que acabam reclamando da atuação mais agressiva desse ou daquele grupo político. Os avaliadores parecem desconhecer, ingenuamente, que o exercício da política é, antes de qualquer outra coisa, a luta pelo poder. E nessa engrenagem partidária o fator imperativo é a conveniência, cuja viabilização só é possível para quem exibe poder eleitoral, que só é expressado pelo desempenho partidário.  E a melhor maneira de multiplicar peso político é vencer uma eleição e assumir o poder. O roteiro é absolutamente simples. A consecução, porém, é tarefa para quem tem a percepção do que é política na sua essência.

A primeira década deste século foi exemplar e emblemática no que diz respeito ao jogo da política. Ao longo de uma década os políticos do Maranhão deu uma demonstração quase didática do que é a gangorra da politica quando o poder muda de mãos. Quando deixou o governo, em abril de 2002, andando sobre as brasas da fogueira acesa pela Operação Lunus, que a tirou da corrida presidencial, a ex-governadora Roseana Sarney ainda liderava um grupo político poderoso, formado por PMDB, DEM, PTB e PV, que juntos detinham a esmagadora maioria dos prefeitos maranhenses. Mas viu esse poder desaparecer por entre os seus dedos num impiedoso processo de desidratação política comandado, primeiro, pelo sucessor José Reinaldo Tavares, que mudaria várias vezes de partido, e depois pelo governador Jackson Lago (PDT), eleito em 2006.

Tendo desembarcado no Palácio dos Leões na esteira de uma eleição histórica e com o propósito varrer o Grupo Sarney do mapa político do Maranhão, Jackson Lago viu em poucos meses o PMDB perder peso, enquanto o seu PDT, então um partido pequeno, ideologicamente definido e rigoroso no acesso aos seus quadros, viveu uma fase incontrolável de engorda sem precedentes sob os fluídos do poder. Mas a reviravolta avassaladora que sofreu em abril de 2009 reverteu o processo em pouco tempo, tendo o PMDB voltado a engordar com a volta ao poder e o PDT emagrecer até quase definhar.

É claro que, embora o processo seja o mesmo, cada caso é um caso e tem suas nuanças. A vez agora é do PCdoB, isso é claro e indiscutível. Sob a liderança do governador Flávio Dino e o comando firme e inconteste do secretário Márcio Jerry, o partido chegou se instalou no Palácio dos Leões com um projeto de poder de médio e longo prazo. O primeiro passo para a viabilização do projeto de poder foi entregar o comando do partido para aliados e simpatizantes em municípios estratégicos com o objetivo de vencer as eleições municipais saindo das urnas como uma grande força partidária. Não pé sem razão que o partido desafiou a lógica e preparou candidatos para disputar metade das Prefeituras – provavelmente um recorde depois da pulverização partidária.

O diferencial na seara governista é o novo PDT, que sob a batuta do deputado federal Weverton Rocha, cresceu na medida certa e deve abocanhar as duas cerejas do bolo: as Prefeituras de São Luís e de Imperatriz, deixando para o aliado mais poderoso Prefeituras como as de Paço do Lumiar, com Domingos Dutra, e de Raposa, com Talita Laci, ambos do PCdoB. Todos com uma verdade latejando: nesse jogo não cabe fracasso.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Senadores maranhenses votarão pelo impedimento de Dilma
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João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha:posições já definidas no processo de impeachment

Muitas especulações foram publicadas nos últimos dias sobre os votos dos senadores maranhenses no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), cujo julgamento começa hoje. Os senadores João Alberto (PMDB), Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSB) estão definidos. Os três devem votar pelo impedimento da presidente. Os dois primeiros por imposição partidária, e o terceiro por uma conjugação de alguns fatores. Pemedebistas de proa, com fortes vínculos com a direção partidária e particularmente com o presidente Michel Temer, João Alberto faz parte da Executiva nacional e preside o PMDB no Maranhão, o que torna inviável qualquer gesto seu na direção de salvar a presidente afastada. Foi até onde sua condição política pôde, tendo, assim, dado sua contribuição para a sobrevivência da presidente, o que não será mais possível de agora por diante. Edison Lobão foi ministro de Minas e Energia  no Governo Dilma, mas avalia que não pode mais contrariar o PMDB, como também não acredita na reversão da situação da presidente petista, não lhe restando outra alternativa que não a de votar pelo impedimento, de acordo com a orientação do PMDB, reforçada pelos acenos do presidente Michel Temer. O senador Roberto Rocha vai se definir seguindo a orientação do PSB, que deverá ser pelo impedimento da presidente. Rocha sabe que a sobrevivência do mandato de Dilma turbinará o poder do governador Flávio Dino nos planos estadual e nacional, o que poderá significar o seu isolamento político. Daí ele estar decidido a votar pelo impedimento. É aguardar os votos e conferir.

 

Wellington bate forte na Segurança
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Wellington do Curso: aliado crítico do governo.

Não se sabe se por explosões de indignação, o fato é que, a seu modo, o deputado Wellington do Curso (PP), candidato a prefeito de São Luís, vem disparando chumbo grosso contra o Governo do Estado. O caso mais recente ocorreu terça-feira, quando ele foi à tribuna para lamentar o assassinato de um blogueiros em Edmilson. O deputado fez um discurso forte cobrando policiamento mais intenso do secretório de Estado de Segurança Pública, Jefferson Portella. Wellington bateu forte no Governo, sugerindo que a política de segurança em curso não está resolvendo o problema, mas sim contribuindo para a bandidagem seja mais audaciosa e, assim, cobrando mais investimento em segurança

 

São Luís, 24de Agosto de 2016.

Tem alguma verdade e muita fantasia na reportagem da Folha sobre alianças no Maranhão envolvendo PMPB/PT/PSB

 

trio setatorial
João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha: uma história sem çontos de amarração envolvendo Dilma

O rumoroso acordo firmado entre o PT, o PMDB e PSB, para que o PT rompesse com coligações lideradas pelo PCdoB e migrasse para alianças lideradas pelo PMDB em cinco municípios maranhenses – São Luís, Imperatriz, Balsas, Timon e Codó – teria aberto um rombo de tamanho ainda não medido nas relações  de comunistas e petistas nos planos estadual e nacional. Inicialmente recebido no meio político como um fuxico, o suposto acordo ganhou dimensão gigantesca quando veio à tona a informação segundo a qual o tal acerto teria sido uma negociação envolvendo os senadores pemedebistas João Aberto e Edison Lobão e o senador socialista Roberto Rocha com a presidente afastada Dilma Rousseff, supostamente em troca de votos contra o impeachment. O desdobramento: a mudança só foi possível em Timon e Codó, não tendo o comando nacional autorizado em São Luís, Imperatriz e Balsas. Consequência: o PT comprou uma briga sem tamanho com o PCdoB, particularmente como governador Flávio Dino, que até aqui tem sido, de longe, o mais ativo e leal aliado da presidente afastada Dilma Rousseff na guerra do impeachment.

O resumo da opereta revela uma série de aspecto de uma situação aparentemente simples, mas que na verdade guarda uma certa complexidade, mesmo não sendo uma novidade nessa complicada e tensa triangulação PT/PMDB/PCdoB no Maranhão. Chama atenção a possibilidade de ter havido um acerto por voto contra impeachment, porque, feitas as contas, mesmo que o acordo tivesse alcançado os cinco municípios propostos, a única vantagem oferecida pelo PT seria tempo de TV na campanha eleitoral, já que a agremiação petista não tem força política nem eleitoral para mudar o curso de uma disputa em nenhuma das cinco unidades em jogo.

Em princípio, não há nada de excepcional ou politicamente incorreto o PMDB propor ao PT uma aliança em cinco grandes municípios maranhenses com o objetivo fortalecer seus candidatos e, por via de desdobramento, fragilizar a campanha do PCdoB. Não se discute que historicamente o PT sempre teve e continua tendo o PCdoB como aliado preferencial, podendo-se afirmar sem erro que a recíproca é verdadeira. Mas não se pode esquecer que, por conveniências que às vezes se colocam acima dos pruridos, aqui e ali o PT e o PCdoB se afastam para se aliar a inimigos figadais em circunstâncias muito especiais. O PCdoB do Maranhão sabe disso melhor que qualquer outro partido. Sabe muito bem que a eleição de prefeitos e vereadores é crucial para que se tenha o desenho aproximado da disputa de 2018. Mais que isso: esse é o momento que em matéria de montagem eleitoral é a famosa hora em que “vaca desconhece bezerro”.

Uma avaliação dos cinco casos supostamente propostos pelo PMDB, a história faz sentido em uns, mas não em outros. Em São Luís, por exemplo, uma aliança PMDB/PT nada acrescentaria à candidatura do vereador Fábio Câmara além de um a dois minutos a mais à sua campanha no rádio e na TV, e no contrapeso a militância petista não iria para as ruas e seria hostilizada pela esquerda em geral. O candidato Edivaldo Jr. não sofreria qualquer abalo. Em Imperatriz, a aliança PMDB/PT teria um pouco mais de sentido, pois tiraria peso político e tempo de TV de Rosângela Curado e certamente daria impulso á candidatura do pemedebista Assis Ramos, que está brigando ombro a ombro com a pedetista e Ildon Marques (PSB). Em Balsas, o PT se aliaria ao PSB, minando o candidato do PDT que tem o apoio do PCdoB. Em Timon, a aliança PT/PMDB faz todo sentido para o comando pemedebista, porque o rompimento desidrata a coligação de Luciano Leitoa e fortalece a de Alexandre Almeida (PSD). E em Codó, o jogo de ganhos e perdas é parecido com o de Timon.

Em resumo, se fez mesmo a proposta, o PMDB jogou com o pragmatismo que sempre o norteou e que graças ao qual se mantém até agora como o maior partido do país. Não se discute que o PCdoB tem motivos de sobra para se irritar, ou até mesmo indignar, mas o governador Flávio Dino, que trabalha com a razão, sabe que o jogo é pesado e que nesse não há lugar para amador nem para bom moço. Por outro lado, espanta a informação segundo a qual tudo teria sido um acerto dos senadores em troca de votos contra o impeachment. Os pemedebistas João Alberto e Edison Lobão dificilmente votarão a favor da presidente afastada. A simpatia dos dois pela volta de Dilma em nada se compara à satisfação que eles vivem hoje com a volta do PMDB ao poder central. O mesmo acontece com o senador Roberto Rocha, que não faria um acordo desse porte, sem ganho real e sem a anuência da cúpula nacional do PSB.

A história contada pela Folha de S. Paulo na sua edição de ontem tem alguns pontos que não “batem” e é pintada com alguma fantasia.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Humberto Coutinho vira setentão no topo
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Humberto e Cleide Coutinho:  afinados em todos os sentidos

Um contingente de pelo menos 500 pessoas, entre elas o governador Flávio Dino (PCdoB) e 22 deputados estaduais das mais diferentes vertentes partidárias, uma dezena de prefeitos – estes também de perfis políticos os mais diversos – e um batalhão de correligionários e amigos, se reuniu sábado (20), em Caxias, numa casa de eventos, para comemorar e celebrar uma data especial: os 70 anos do médico, ex-prefeito, deputado estadual de vários mandatos e atual presidente da Assembleia Legislativa, Humberto Coutinho (PDT). Foi, no olhar de alguns, uma grande celebração por haver ele alcançado a invejável marca de 25.340 dias de uma existência bem sucedida como pessoa, cidadão, profissional, empresário e político. E, apesar da aporrinhação do câncer já mandado para o espaço, venceu a marca e virou setentão em forma e fazendo muitos planos para o futuro, entre eles o de sair eleito senador da República da guerra eleitoral de 2018.

A grande confraternização, regada a boa conversa e aconchego familiar e de amigos, como sempre teve seu momento solene, mas o ambiente estava tão descontraído e confortável, que só houve espaço para três discursos: um do governador Flávio Dino, que falou em nome dos convidados; um da primeira-da-dama do Legislativo Cleide Coutinho, e o do próprio homenageado, que sempre fala pouco, menos ainda quando é o alvo da manifestação. A ex-deputada Cleide Coutinho reafirmou o que sempre diz quando fala do marido: ele é o marido, o amante, o companheiro e o líder a quem segue de olhos fechados em todos os momentos e circunstâncias, sejam eles altos, sejam baixos.

Na sua fala, governador Flávio Dino ratificou a solidez de uma convivência nascida das relações políticas, mas que de tão afinada, tão saudável e tão produtiva virou uma amizade que só se solidifica com o passar do tempo. Dino apontou Coutinho como o seu grande amigo, com quem cultiva uma relação que o obriga estar do seu lado nos melhores e nos piores momentos, afirmando que o deputado nunca lhe faltou nos seus piores e melhores momentos. Emocionado, Coutinho fechou o item formal da festa agradecendo de coração a presença de todos.

Humberto Coutinho chega aos 70 anos como um homem bem sucedido. Essa verdade se evidencia na sua carreira como médico, que soube construir como plantonista e cirurgião, dando também lugar ao viés empresarial que lhe permitiu construir na Princesa do Sertão um complexo hospitalar onde, contrariando todas as expectativas, se chegou a realizar transplante de coração e rim. Sua atividade profissional o tornou líder desses segmentos em Caxias e na região. A medicina e a veia empresarial não sufocaram o líder politico que tinha guardado, esperando a hora certa para entrar em cena e ganhar o mundo. Ela veio no início dos anos 90 do século passado, quando se elegeu deputado estadual pela primeira vez. Depois veio o prefeito, que se reelegeu, voltou o deputado, que agora preside o parlamento estadual. Essa trajetória o consolidou como o mais importante e bem articulado líder político de Caxias e região nas últimas duas décadas, agora ganhando projeção estadual no comando da Assembleia Legislativa e como um dos esteios mais importantes da base política do governador Flávio Dino. Os 70 anos explicam o líder sóbrio e acreditado em que se transformou.

Revisão em São Paulo

E na doce ressaca da festa de sábado, o presidente Humberto Coutinho seguiu segunda-feira em São Paulo, para fechar mais uma etapa da sua intensa, paciente e bem sucedida luta contra um câncer, que já está praticamente curado, mas, com a consciência de médico que é, faz questão de cumprir, com rigor máximo, todos os passos da estrada projetada pelos especialistas que o acompanham. O deputado-presidente viajou acompanhado da esposa, Cleide Coutinho, a ex-deputada e hoje presidente do Gedema, organização que congrega esposas de deputados e que funciona como braço social do Poder Legislativa.

Justiça acata denúncia contra Tadeu Palácio

 

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Tadeu Palácio acusado de improbidade administrativa

A 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) manteve decisão de primeira instância, que recebeu ação civil de improbidade administrativa contra o ex-prefeito de São Luís, Tadeu Palácio. O Ministério Público (MPMA) sustenta que teria havido desvio de finalidade praticado por Palácio, prefeito em 2007, e Paulo Helder Guimarães de Oliveira, então procurador-geral do Município, quando a UTE Porto do Itaqui Geração de Energia teria conseguido obter do Município um decreto que admitisse a instalação de termoelétrica como de uso especial. O entendimento unânime da 5ª Câmara Cível do TJ é o de que há indícios suficientes de autoria e materialidade da prática do ato de improbidade. O ex-prefeito terá direito a ampla defesa.

Em 13 de fevereiro e 30 de março de 2007, a empresa requereu ao Município a expedição de licença para a instalação da termoelétrica a carvão mineral. O pedido foi negado com alegação de que tal atividade não estaria prevista na Lei de Zoneamento Urbano da cidade. Segundo o MPMA, a UTE Porto do Itaqui logrou êxito ao tentar obter a admissão da termoelétrica como de uso especial, porém com a suposta prática de ilegalidades.

O MPMA ajuizou a ação contra o ex-prefeito Tadeu Palácio, uma vez que ele teria desconsiderado pareceres emitidos por assessoria técnica do Município contrários ao empreendimento. Em relação ao então procurador-geral do Município, o MPMA afirma que teria dispensado, sem nenhum fundamento, a oitiva do Instituto da Cidade, cuja previsão consta do Plano Diretor.

O relator, desembargador Raimundo Barros, informou que Palácio recorreu contra a decisão do Juízo da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, nos autos da ação de improbidade. A decisão de primeira instância rejeitou embargos de declaração opostos por Paulo Helder Guimarães de Oliveira, para manter a decisão de recebimento do pedido formulado na ação e considerou o transcurso do prazo sem manifestação do ex-prefeito para apresentar contestação.

O ex-prefeito pediu que a decisão fosse reformada, pois, segundo ele, não existem indícios mínimos do elemento subjetivo dolo para a prática do disposto no artigo 11 da Lei de Improbidade e, que o ato estaria revestido do prévio pronunciamento jurídico da Procuradoria Geral do Município, razão pela qual entendeu que a petição inicial da ação de improbidade deveria ser liminarmente rejeitada.

Raimundo Barros disse não existir razão para modificar o entendimento de 1º Grau. Explicou que a decisão está em conformidade com norma da Constituição Federal e que foram observados os requisitos necessários ao oferecimento e recebimento da peça acusatória. O relator acrescentou que vários documentos embasam a inicial da ação civil ajuizada pelo Ministério Público. Disse que a tese de inexistência de atos de improbidade é matéria a ser debatida no bojo da instrução da ação.

São Luís, 23 de Agosto de 2016.

 

Campanha é marcada por atos de infidelidade partidária, que são tratados como fatos isolados e não como infração grave

 

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Hildo Rocha, Luis Fernando Silva, Bira do Pindaré e Edilázio Jr.: casos de infidelidade partidária na campanha eleitoral

A campanha para as eleições municipais estão evidenciando que por mais que a realidade atual condene os desvios éticos por parte dos políticos, muitos deles parecem ignorar que a reforma partidária do ano passado enfatizou a infidelidade partidária como uma atitude política imperdoável, punível, portanto, com uma série de sanções. Isso porque a infidelidade partidária não se limita a um gesto, mas alcança uma dimensão de extrema gravidade em processo eleitoral, quando um líder, um detentor de mandato dá as costas para o candidato do seu partido e, ostensiva e agressivamente, declara apoio a candidato de outro partido. E quando esse ato não tem consequência, o partido “traído” deixa de ser uma organização com ideologia e uma doutrina nas quais a base são princípios éticos e de fidelidade aos postulados doutrinários. No momento, líderes de vários partidos estão agindo na contramão das suas agremiações, como se fossem movimentos lícitos, e não infrações éticas graves.

Quando, independentemente da crise interna que inviabilizou o seu projeto de candidatura prefeito de São Luís, o deputado Bira do Pindaré externa sua mágoa pessoal e dá as costas ao seu partido, o PSB, que se aliou ao candidato Wellington do Curso (PP) indicando o candidato à vice, vereador Roberto Rocha Jr. (PSB), está cometendo um ato de infidelidade partidária. O mesmo acontece com o suplente de senador Lobão Filho (PMDB), que por não engolir a candidatura do vereador Fábio Câmara a prefeito, declara apoio a Eliziane Gama (PPS). Numa realidade em que partido elevado a sério, Bira do Pindaré e Lobão Filho só teriam dois caminhos: conformar-se com a decisão da maioria do comando do partido ou rasgar sua ficha de filiação e procurar outro pouso partidário.

Ontem, por exemplo, o deputado federal Hildo Rocha (PMDB) foi a São José de Ribamar declarar apoio ao candidato do PSDB a prefeito, Luiz Fernando Silva (PSDB), num gesto político agressivo em relação ao candidato do PMDB naquela disputa, o ex-prefeito Júlio Matos. Outros líderes do PMDB, entre eles a ex-governadora Roseana Sarney, estão cometendo o mesmo desvio político, sem que o comando do partido possa fazer alguma coisa para conter a onda de traição. No outro polo, o próprio candidato tucano Luis Fernando Silva contraria frontalmente o seu partido em São Luís declarando apoio à candidatura do prefeito Edivaldo Jr. (PDT) enquanto o PSDB integra a coligação liderada pela popular-socialista Eliziane Gama.

Dentro do PV a situação é a mesma, refletindo uma medição de força entre o presidente da agremiação, deputado Adriano Sarney, e o deputado Edilázio Jr., que estão em combate aberto dentro do partido por causa dos rumos que o PV tomou no processo eleitoral na Ilha. José Adriano levou o partido formalmente para a coligação da candidata do PPS, Eliziane Gama, mas por divergências internas o deputado Edilázio Jr. (PV) ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa para declarar apoio ao candidato do PP, Wellington do Curso, colocando-se como “um soldado” da sua campanha.

Os exemplos citados são apenas alguns entre muitos que estão acontecendo em todo o estado, principalmente nos municípios maiores, onde as relações políticas não são tão sólidas como pregam as regras que norteiam a vida partidária numa sociedade que se pretende politicamente correta.

Chama atenção nesse processo a tolerância com que os líderes partidários acompanham esses movimentos. Não há registro de que não os estão tornando atos de insubordinação e, por via de consequência, eles se tornam rotinas dentro dos partidos. Ao quebrar a disciplina partidária, transformando as legendas em organizações sem ordem nem respeito às regras, a infidelidade nega o conceito de partido e os converte em meros instrumentos a serviço de uma política que, em vez de princípios, se move pela esperteza, oportunismo barato. E resultado dessa tremenda distorção são acordos venais, subterrâneos, nos quais valem o troca-troca, o toma-lá-dá-cá, enfim, as tenebrosas transações.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Waldir prepara volta à ribalta na Câmara Federal
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Com ar que mistura satisfação e deboche, Waldir Maranhao voltará ao comando da Câmara

É grande no meio político a expectativa em relação ao à viagem do presidente interino Michel Temer (PMDB) para a Rússia no início de setembro. E o motivo desse clima é ninguém me nos que o vice-presidente da Câmara Federal, deputado Waldir Maranhão (PP), que vai assumir de novo o comando da Casa, já que, como o vice-presidente da República o atual presidente, o segundo na linha sucessória é o presidente da Câmara, deputado fluminense Rodrigo Maia (DEM), que assumirá interinamente a Presidência da República. Waldir Maranhão comandará a Câmara Federal indiferente aos berros de alguns colegas dele inconformados. Isso porque no seu pior momento como presidente interino da Casa, ele foi ameaçado de responder a processo no Conselho de Ética, foi agredido verbalmente diversas vezes no plenário da Câmara, perdeu o comando do PP no Maranhão e foi ameaçado de expulsão do partido. Era tudo conversa fiada, discurso para chamar a atenção da imprensa. Maranhão não vive uma situação confortável, continua no purgatório, mas numa região em que também não são ainda as portas do inferno, como muitos alardearam. Isso não quer dizer que sairá ileso de tudo o que lhe aconteceu, mas a política tem portas de entrada e de saída que costumam surpreender.

 

Dino fez a justiça Nuzman não teve a hombridade de fazer
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Dino fez gesto politicamente correto ao resgatar Lula e Dilma como fundamentais para a Olimpíada

Quando homenageou os presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff, “que tiveram grande liderança e coragem para conquistar a Olimpíada do Brasil”, o governador Flávio Dino (PCdoB) fez um gesto de plena decência política. Resgatou uma verdade absoluta, incontestável, daquelas que nem os momentos mais atribulados e sombrios conseguem empanar: a Rio 2016 só aconteceu por que o então presidente Lula usou de todos os recursos ao seu alcance, a começar pelo seu avassalador prestígio internacional no momento em que a decisão foi tomada. Depois, a presidente Dilma não deixou a peteca cair durante o seu governo, pelo que foi muitas vezes agredida por muitos que hoje festejam os jogos maravilhosos que encantaram o mundo, inflou a autoestima nacional e deram uma nova dimensão ao Rio de Janeiro. Pena que o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, que melhor do que ninguém sabe disso, não tenha tido a hombridade de, por medo de uma vaia, nas duas vezes em que discursou para o mundo, registrar a participação decisiva dos dois presidentes no processo.

 

São Luís, 22 de Agosto de 2016.

Candidatos evitam grandes temas sobre São Luís e empurram a campanha para a judicialização da disputa

 

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Edivaldo Jr., Eliziane Gama, Wellington do Curso, Eduardo Braide, Rose Sales, Fábio Câmara, Valdeny Barros, Zéluiz Lago e Cláudia Durans não trataram dos grandes temas de São Luís

A campanha para a Prefeitura de São Luís está nas ruas. Os nove candidatos a prefeito se desdobram, cada um a seu modo, para parecerem salvadores da pátria, apresentando-se como donos de soluções para os problemas de uma cidade com 1,1 milhão de habitantes, que é ao mesmo tempo campeã em áreas invadidas, abrigando ocupações gigantescas, e Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade devido ao seu fantástico e ameaçado acervo de prédios coloniais; uma cidade que tem um dos portos mais importantes do País, mas não conseguiu colocar todas as suas crianças na escola, para citar algumas incômodas contradições .E nesse contexto, duas situações deste início da corrida às urnas preocupam. A primeira é que a campanha, que parecia destinada a ser um grande momento em que os problemas da Capital do Maranhão seriam discutidos pela sua mais nova geração de políticos, corre o risco de se tornar mais um embate à moda antiga, envolvendo temas menores, de pouca importância. A segunda: a corrida eleitoral da Capital está sendo judicializada, como se os candidatos fossem políticos velhos, viciados e ardilosos, numa inversão de objetivo aparentemente sem muito sentido.

No primeiro caso, a sabatina dos candidatos feita pelo jornal O Estado Maranhão foi reveladora. Os nove candidatos sabatinados trataram de alguns problemas – saúde, educação, mobilidade urbana, entre outros de menor importância -, jogando para debaixo do tapete questões essenciais e desafiadoras. A metropolização, por exemplo, foi solenemente ignorada por todos os candidatos. Nenhum deles falou sério e com propriedade sobre saneamento básico, como também ninguém se comprometeu em brigar para levar à frente o programa de revitalização do centro de São Luís. Preferiram perdeu tempo e conversa sobre o VLT, um tipo de transporte público ainda experimental de implantação cara por que exige uma linha férrea.

Nenhum candidato assumiu o compromisso a livrar as duas áreas da Praça Deodoro do feirão a céu aberto onde se vende roupa, calçados, comida quente, frutas, enfim, tudo o que é vendável, e que restringe, de maneira agressiva, a mobilidade na área mais nobre do coração de São Luís. Ninguém externou qualquer preocupação com o ordenamento do espaço público na cidade, que é hoje ocupado vendedores, que simplesmente chegam e instalam seus carrinhos, bancas e outros apetrechos sem dar a menor importância para a ordem pública. Nenhum disse ter nas suas prioridades como prolongamento da Avenida Litorânea e da Via Expressa, fundamentais para melhorar a malha viária da cidade. Nenhum deles sequer mencionou o que pretende fazer com a palafita que a cada dia se amplia às margens da Avenida Ferreira Gullar, nas imediações da Ponte José Sarney e que virou uma imagem grotesca para quem percorre a Beira-Mar ou atravessa a ponte. Ninguém falou, enfim, dos inexistentes limites da cidade, de como urbanizar corretamente bolsões como o eixo Itaqui-Bacanga, a região do Coroadinho.

Edivaldo Jr. (PDT), Eliziane Gama (PPS), Wellington do Curso (PP), Rose Sales (PMB), Fábio Câmara (PMDB), Eduardo Braide (PMN), Valdeny Barros (PSOL), Cláudia Durans (PSTU) e Zéluiz Lago (PPL) se limitaram à pauta genérica da sabatina e se repetiram sobre saúde, educação e mobilidade urbana, como se uma cidade com tantos problemas e tantos desafios. Quando o tema foi educação, os sabatinados via de regra criticaram a situação precária da rede escolar do município e da baixa qualidade do ensino, da falta de iniciativa da atual gestão, mas nenhum candidato revelou com precisão um projeto mínimo para mudar o quadro criticado. O mesmo aconteceu em relação à saúde e à mobilidade urbana. Ninguém se propôs a resolver o problema do transporte paralelo que invaviu a cidade, como  mototáxi, táxi-lotação, vans.  Quem leu o resumo de cada sabatina se surpreendeu com a maneira como a São Luís Capital, Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, epicentro de uma região metropolitana informal foi minimizada, como se suas excelências estivessem falando de uma cidade menor.

O que compromete a qualidade da campanha é a judicialização. O bom senso sugere que nenhum dos candidatos a prefeito de São Luís, a começar pelo próprio prefeito Edivaldo Jr., tem mancha ética na sua trajetória. Mas a Rede, que é ainda um simulacro de partido, sem qualquer expressão ou autoridade política, resolveu protocolar duas ações na Justiça Eleitoral questionando a correção administrativa do prefeito – o grau de maldade foi tamanho que chegou-se a divulgar o absurdo segundo o qual o PDT estaria cogitando substituir a candidatura de Edivaldo Jr. pela de sua esposa, Camila Holanda, que sequer tem filiação partidária.  Veio então o contra-ataque: partidos aliados do prefeito resolveram denunciar um suposto – e improvável – desvio de conduta da deputada Eliziane Gama com verba da Câmara Federal. Todas são ações conteúdo frágil, que parece não resistir a avaliação criteriosa.

Se os candidatos e líderes partidários não caírem na razão imediatamente, a nova geração de políticos causará má impressão na sua primeira grande participação no destino da cidade.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Judicialização também ganha corpo em Imperatriz
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Ildon Marques entrou na disputa certo de que não seria barrado

A judicialização da campanha ganha peso também no interior. Em Imperatriz, o Ministério Público Eleitoral (MPE) impugnou a candidatura do ex-prefeito Ildon Marques (PSB), que segundo as últimas pesquisas lidera a corrida para a Prefeitura. Chama a atenção o fato de o PME ignorar decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) segundo a qual só as Câmaras Municipais podem reprovar prestações de contas e, assim, tornar inelegíveis os prefeitos por elas responsáveis. Ildon Marques tem contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), mas todas as suas prestações de contas foram aprovadas pela Câmara Municipal de Imperatriz, o que, de acordo com a decisão recente do STF, não impede a sua candidatura, já que não transforma num ficha-suja. O MPE abre uma polêmica que certamente vai desembocar no STF. O mesmo está acontecendo com o ex-prefeito Zé Vieira (PP) em Bacabal.

Fábio Câmara promete virar o jogo durante a campanha

O vereador Fábio Câmara tem garantido a líderes do PMDB que vai sair do segundo bloco – dos que têm menos de 10% das intenções de voto – para encostar nos integrantes no primeiro bloco, hoje liderado pelo prefeito Edivaldo Jr.. Câmara avalia que tem a “cara do povo” e está convencido de que tem discurso e propostas para convencer o eleitorado da Capital de que ele é o verdadeiro adversário do prefeito e o postulante mais preparado para administrar São Luís. Tudo indica que o candidato do PMDB vai tentar puxar Wellington do Curso e Eliziane Gama para a briga, por acreditar que nesse embate ele tem condições de mostrar-se mais preparado do que os adversários.

 

São Luís, 20 de Agosto de 2016.

E S P E C I A L Shopping Brazil: disco-manifesto que traduz César Teixeira, o artista engajado que não se dobra

 

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Shopping Brazil: um disco que é um manifesto contra a miséria e as desigualdades
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César Teixeira: o artista que usa beleza contra injustiça

Poucos discos de Música Popular Brasileira (MPB) nas últimas décadas reúnem composições tão especiais como Shopping Brazil, que simboliza a Música Popular Maranhense (MPM). Obra do compositor e militante cultural e político César Teixeira, autor de mais de 100 composições, todas recheadas com melodias de altíssimo nível de elaboração e elevado refinamento poético, o disco é um marco, apesar de ignorado pelos grandes meios de informação e divulgação. Provavelmente por ser uma obra que foge aos padrões do conformismo cultural e político – foram apenas mil cópias feitas no maior sufoco em 2002. Como diz o próprio César num texto de apresentação, Shopping Brazil não é um disco elaborado como tal para satisfazer as exigências do mercado – ele nunca se submeteu a elas -, mas um ajuntamento cuidadoso de “retalhos” que expressam fielmente os diversos momentos da sua trajetória de compositor.

Shopping Brasil, que tem como carro-chefe a canção que lhe dá o nome,  é uma maravilha da MPM, a começar pelo fato de que é o único disco de César Teixeira, dono de dezenas de composições gravadas por diversos intérpretes maranhenses e nacionais. O disco reúne clássicos como os baiões “Bandeira de Aço”, “Xaveco” e “Namorada do Cangaço”, e a canção “Flor do Mal”. Abriga também os sambas “Ray-Ban” e “Vestindo a Zebra” e os blues  “Met(amor)fose” e “As bruxas também amam”, o coco “Parangolé” e toada de zabumba “Mutuca”. E adendos preciosos e agradáveis como a participação de Dona Elza – de Tutóia, de Mestre Felipe e de Dona Teté e Rosa Reis, que trazem à tona maravilhas do cancioneiro popular.

É verdade que o disco não abriga jóias musicais já eternizadas, como a canção de protesto “Oração Latina”, que ainda hoje é usada como estímulo às mobilizações políticas e sociais, nem a toada “Boi da Lua”, também um símbolo das festas juninas, entre outras obras de indiscutível  envergadura, como sambas, sambas-enredo, toadas e canções que trazem a marca do gênio musical de César Teixeira. Mas é um registro grandioso, que ganha dimensão especial por ser eternizado na sua própria voz, interpretado como ele sente cada uma das 11 faixas de sua autoria. Em sua interpretação de Shopping Brazil, César Teixeira dá o tom de indignação na medida que provavelmente outro intérprete não daria, o mesmo acontecendo com todas as faixas. É esse o diferencial do disco que a grande mídia ignorou, mas que permanece vivo nas mãos de poucos e na memória de muitos como uma obra de primeira grandeza.

Para realizá-lo, César se aliou ao icônico Laborarte e ao Instituto maria Aragão, contando com a ajuda produtiva de Tatiana Ramos, do imortal Nelson Brito e Rosa Reis. O fotógrafo Márcio Vasconcelos fez as fotos e concebeu o projeto gráfico junto com José Antonio Serra. E contou com a cumplicidade de Helena Heluy, Joãozinho Ribeiro, Dimas Salustiano, José Carlos Madeira, Haroldo Saboia e Ironildes Vanderlei.

As faixas

“Shopping Brazil” é um manifesto. Embalada com uma espécie de afro-reggae que tem por base forte percussão que tira som de lata, a canção traduz, numa poesia ao mesmo tempo forte e crua, o agressivo quadro das desigualdades no País, e grita contra a globalização da miséria nacional. Lata e lixo simbolizam fortemente essa relação, que é tratada com dureza, mas também com ironia, deboche e ternura, que vão desembocar numa verdade chocante: a fome é autodidata para quem já nasceu sem gravata. Cada verso de Shopping Brazil – ostensivamente escrito com Z – é uma pancada vigorosa na cruel realidade social da maioria dos brasileiros e na distorcida e viciada estrutura política que dá as cartas no País. O arranjo de César Teixeira, auxiliado por Murilo Rego e Luiz Cláudio, tem como eixo central a Banda Projeto Som da Lata, enriquecido pelo afinado coral formado por Cláudio Pinheiro, Mazé Veras e Valdedeth. O próprio César Teixeira não deixa dúvida do viés de protesto da canção: “As latas denunciam com brilho a dor da globalização”. Uma visão na qual se encaixa perfeitamente a realidade social, econômica e política de São Luís.

“Ray-Ban” é um samba cadenciado em que César Teixeira avança na crítica política e nas distorções sociais, agora com uma letra pontilhada de deboche refinado. Tirar os óculos escuros é mais que uma sugestão, é um desafio ao poder distante e insensível à realidade social. Sem os óculos, essa realidade só será compreendida lambendo “o prato vazio sobre a mesa”. E aí a verdade vem à tona, principalmente por meio da vaidade, só podendo enxergar a realidade os que apagam as luzes da sociedade. César Teixeira invoca seu passado moleque e candidato a marginal registrando a existência do Cine Rialto, uma sala de cinema que existiu na Rua do Passeio até o início dos anos 70, lembrando que foi preso por malandragem, foi vendedor na Ponta d`Areia, e deu uma de cego na igreja e vendeu seu Ray-Ban no dia do eclipse. Vale destacar nessa faixa o refinado violão de Joao Pedro Borges (Sinhô), o magistral violão de sete cordas de Gordo Elinaldo e o Cavaquinho de Paulo Trabulsi.

“Met(amor)fose” é um blue que vai fundo na sua ampla base cultural e literária do compositor. Com refinamento excepcional ele tenta explicar a sua transformação trazendo à tona a angustiante metamorfose kafiana. Foi buscar inspiração na controvertida e espetacular trajetória do poeta francês Rimbaud, que influenciou também na música, mas se juntou a traficantes de armas da Europa para a África, especialmente à Abissínia, hoje Etiópia. Afirmando estar “morando na filosofia”, trazendo a célebre relação entre amor e dor na poesia, foi buscar no incêndio de Alexandria, que consumiu sua grandiosa biblioteca, a evolução universal do saber. Revelando estar no “barco ébrio dos aflitos”, vai buscar em Fernando Pessoa a consciência de que não consegue ser um poeta que finge que é dor a dor que deveras sente por esse estranho amor. A metamorfose de César Teixeira ganha uma dimensão ainda maior pelo trompete de Daniel Cavalcante e pela guitarra de Athos Lima, incluindo também o sutil pandeiro de Luiz Cláudio.

“Bandeira de Aço” dispensa apresentação. O baião traduz, sem mais nem menos, o César Teixeira contestador e inconformado dos meados dos anos 70, em plena ditadura. É o artista militante, o poeta que começava a chegar à maturidade e que expressava a sua tumultuada relação com o mundo, com os valores em voga naquele momento cinzento da vida brasileira. Mas a visão do poeta rebelde e inconformado foi tão larga que o baião é hoje tão atual quanto no singular contexto em que foi composto. Não há como não registrar o arranjo adequado e interpretado fielmente pelas cordas de Luiz Júnior, o acordeon de Rui Mário, a percussão de Luiz Cláudio e o vocal de Cláudio Pinheiro, Mazé Veras e Valdedeth. Bandeira de Aço está consagrada como um dos clássicos da obra de César e da música maranhense.

“Flor do Mal” também dispensa apresentação, por estar, como ‘’Bandeira de Aço”, consagrada como um clássico da música maranhense em todos os tempos. Sua relação com a “flor do mal” tem viés político e social muito forte, que ganha expressão máxima quando, depois de sentir o gosto que a morte tem, ele  avisa que quando os espíritos voltarem da guerra, encherá os olhos da mais suja terra, ferrará a mula rumo a Portugal. Ele e sua bananeira assumindo a condição de bandeiras do mal. O que chama a  atenção nessa versão de “Flor do Mal” é o arranjo espetacular feito pelo violonista João Pedro Borges, o Sinhô. Os acordes do violoncelo de Kátia Salomão, reforçados pelas refinadas cordas de Sinhô, dão à canção-mestra um grande peso dramático. Poucas vezes um arranjo ousado se revelou tão adequado e inovador como o que embala esse outro clássico de César Teixeira.

“Vestindo a zebra” é mais um samba cadenciado, que dá vida a uma crônica em que narra um domingo de João, brasileiro como milhões, que veste sua camisa listrada e vai ao futebol. Apaixonado, assiste à derrota do seu time e se desespera, enche a cara, briga. Perde a camisa, perde a dignidade. Tudo por que não tem dinheiro. Essa crônica de uma pequena-grande tragédia brasileira é embalada por arranjo do próprio autor, que inclue refinados acordes do sempre irretocável violão de Pipiu e do solo de clarinete de Celso Bastos.

“As bruxas também amam” traz uma mistura genial de crônica e poema, que torna difícil saber onde começa a primeira e termina o segundo, mas expressa, com rara beleza, a mais intensa mistura de paixão e sexo, na qual, como imã, os amantes se puxam. Nessa relação está o mistério das noites de sexta-feira 13, que se completa com vinho e cama, num clima forjado com imagens fantásticas do tipo “mordo, sob a luz das velas, teu pescoço de ave rara”, para desabafar afirmando que só sabe que está alegre quando chora. A faixa tem arranjo de César Teixeira e Murilo Rêgo, que faz um belo solo de sax.

“Xaveco” é um baião arrastado que vai fundo nas expressões populares como Hem-hem, hum-hum, xaveco, teco, nheco-nheco e tererê, que se acomodam, rimando, numa composição com pouco mais de uma dezena de frases. Nela está a facilidade com que o compositor utiliza as variações da linguagem popular nas formas cultas para mandar seus recados. O arranjo destaca o acordeon de Rui Mário, o violão de Jair Torres e a flauta de Célio Muniz e o coro de Cláudio Pinheiro, Mazé Veras e Valdedeth.

“Parangolé” é um coco em que César Teixeira se supera na pintura verbal dos traços culturais do interior da Ilha de Upaon Açu. É quase um elogio do coco fruta e do coco dança, que se misturam nas suas diversas versões. Em meio à fantasia do coco, um grito de alerta lembrando que de tanto quebrar “o coco, não sobrou machado em pé”. E relata, como um cronista atento, o que acontece quando numa dança de coco alguém passa dos limites. O arranjo destaca o banjo de Gordo Elinaldo, o acordeon de Rui Mário, a percussão de Luiz Cláudio e o coro de Cláudio Pinheiro, Mazé Veras e Vandedeth.

“Mutuca” pode ser definida como uma rara e justa homenagem ao sotaque de zabumba, para muitos o mais contagiante do bumba-meu-boi do Maranhão. César Teixeira resume genialmente o auto do boi trazendo a mutuca – mulher de brincante que acompanha as apresentações -, um elemento periférico, para o epicentro do auto, jogando-lhe nos ombros a responsabilidade de responder sobre o sumiço do boi. César quebra a formalidade do discurso com a corruptela Quedê e o aboio Equiô para dar à toada um clima de terreiro. O arranjo destaca a percussão de Josemar e o vocal de Cláudio Pinheiro, Mazé Veras e Valdedeth.

“Namorada do cangaço” é o ponto de amarração do disco. No baião político, o compositor-poeta trouxe o cangaço para o final do século passado como caminho para enfrentar a ditadura, as amarras políticas e as injustiças sociais. Mas mesmo falando da caçada policial aos que contestam a ordem e afirmando que vai usar metralhadora, o faz com a ternura dos que partem para a guerra deixando um amor. E quebra a dureza do protesto e da indignação prometendo voltar para casa “cantando um bolero de Waldick Soriano”. O cangaceiro aí pode ser o João Brasileiro que enfrenta a barra das desigualdades, podendo ser também o contestador ou, além dele, o revolucionário integral. O arranjo é consagrado no acordeon de Rui Mário, na intensa viola de 10 cordas de Luiz Júnior e na percussão vigorosa de Luiz Cláudio.

Shopping Brazil é genialmente arrematado por três participações especiais, que expressam fielmente a cultura musical popular do Maranhão. A primeira são dois versos do coco “Areia branca”, cantados por Dona Elza – de Tutóia. A segunda são as frases iniciais e o refrão de uma toada de tambor de crioula interpretados por Mestre Felipe. E a terceira é a “Ladainha de Nossa Senhora”, música do compositor erudito  Antonio Rayol e letra de domínio popular, interpretada por Dona Teté e Rosa Reis, ao som da caixa da cantora líder do Laborarte.

É um disco para se ter e ouvir sempre.

São Luís, 19 de Agosto de 2016.

Partidos vivem crise interna, quebram a coerência e se dividem no apoio a candidatos a prefeito de São Luís

 

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Roberto Rocha, João Alberto, Adriano Sarney, Cabo Campos e Carlos brandão: partidos em dificuldades

A corrida eleitoral em São Luís tem sido reveladora de que no Brasil os partidos políticos são muito mais um grupos que abrigam interesses os mais diversos do que organizações movidas pelo tripé clássico que fundamenta a existência de uma agremiação partidária: ideologia, doutrina e programa. Os fatos ocorridos com partidos como PSB, PMDB, PSDB, PV e DEM na ciranda das alianças em torno de candidaturas que agora se batem pela conquista da Prefeitura da Capital são reveladores de, mais do que princípios e coerência, essas agremiações são embaladas pelos mais absurdos rasgos de incoerência, que tornam mais densa a conclusão de que o que está sempre em jogo são interesses que, na maioria dos casos, divergem radicalmente das cartilhas que dão algum sentido ideológico e doutrinário a alguns partidos. Os casos mais evidentes chegam a causar perplexidade de tão anormais que são quando se faz alguma reflexão para compreendê-los. E surpreendem mais ainda pelo fato de seus dirigentes se dobrarem sem qualquer resistência voltada para a preservação da integridade das organizações atingidas.

O caso do PSB é emblemático. E começa com o fato de que o partido, um dos mais tradicionais da esquerda brasileira, está dividido em dois comandos, o estadual, presidido pelo prefeito de Timon, Luciano Leitoa, e o da Capital, este sob o comando do senador Roberto Rocha. O PSB de São Luís não segue a orientação do PSB estadual e tomada decisões que contrariam frontalmente a direção maior. O partido tinha um pré-candidato a prefeito de São Luís com alguma viabilidade, o deputado Bira do Pindaré, mas ele, cheio de autoconfiança, não rezou na cartilha do senador Roberto Rocha e, depois de demorada e desgastante refrega, foi humilhantemente jogado para escanteio. Rocha não tem a mínima para a aliança governista que liderada pelo prefeito Edivaldo Jr. (PDT), de quem foi vice, e firmou uma aliança com Wellington do Curso (PP), emplacando o vereador Roberto Rocha Jr. como candidato a vice. Hoje, o partido está assim dividido em São Luís: o grupo do senador Roberto Rocha vai com Wellington do Curso, o deputado Bira do Pindaré declarou apoio a Edivaldo Jr., sendo seguido pelo deputado e líder do Governo, Rogério Cafeteira. Com a o prestígio de ex-governador, o deputado federal José Reinaldo Tavares até agora não disse com quem vai.

Maior partido do Maranhão e que tem comando firme, também sofre com os embates internos das suas correntes. Em São Luís, depois de pequenas crises internas, o grupo liderado pelo senador João Alberto, que comanda efetivamente a agremiação, preencheu a vaga de candidato a prefeito com o vereador Fábio Câmara. Só que outros cardeais pemedebistas, que aqui e ali falam em coerência política e partidária, resolveram ignorar a candidatura de Câmara, agindo de maneira agressiva, como o não comparecimento à convenção que formalizou a candidatura. Ainda o maior nome do partido, em que pese estar submetida a um duro processo de desgaste, a ex-governadora Roseana Sarney, que chegou a aventar a possibilidade de se candidatar à Prefeitura, agiu fortemente, mas em vão, para levar o PMDB para uma aliança com Wellington do Curso. Outro cardeal pemedebista, o suplente de senador Lobão Filho, tentou levar o PMDB para a coligação de Eliziane Gama (PPS), mas o projeto não deu certo. Hoje, resolvida a candidatura, o único líder pemedebista que apoia o candidato Fábio Câmara é o senador João Alberto.

Mesmo levando em conta a possibilidade de o Grupo Sarney estar se dividindo para cumprir uma estratégia de sobrevivência, principalmente em São Luís, não há como não anotar o fato de o PV estar todo rachado. O presidente do partido, deputado estadual Adriano Sarney, por exemplo, assumiu de vez a candidatura da popular-socialista Eliziane Gama, integrando o time de frente dos líderes que a apoiam. Só que, por diferenças em relação à corrida eleitoral, o deputado estadual Edilázio Jr. deu as costas para a candidata do PPS e decidiu fazer um discurso na Assembleia Legislativa para anunciar o seu apoio ao candidato do PP, Wellington do Curso os demais deputados do PV, Rigo Teles e Hemetério Weba, não declaram apoio a nenhum dos candidatos da Capital. Tentando amenizar críticas previsíveis, Weba definiu o racha como “um exemplo de democracia partidária”.

O DEM, que ganhou novos dirigentes e saiu do limbo político em São Luís. O comando estadual do partido, que tem como titular o deputado federal Juscelino Filho, decidiu seguir o posicionamento do líder do DEM em São Luís, deputado Stênio Rezende, que embarcou o partido oficialmente na coligação do prefeito Edivaldo Jr.. O deputado Cabo Campos, que tem base eleitoral na Capital, não foi ouvido sobre o apoio do DEM ao projeto de reeleição do prefeito Edivaldo Jr. e resolveu declarar apoio à candidatura de Eliziane Gama, de quem se anunciou “soldado”, para ajudá-la a se eleger “de qualquer maneira”.

De todos partidos que tiveram problemas internos por causa da escolha de candidatos à Prefeitura de São Luís, o que menos evidenciou racha e mais evitou problemas e melhor corrigiu seus rumos foi o PSDB. Quando o partido se movimentou para fazer essas correções e anunciar o apoio à candidata do PPS, alguns dos seus pesos pesados reagiram mal, sentindo-se preteridos do processo de escolha. Eles queriam dar outra orientação ao partido, mas o presidente regional, vice-governador Carlos Brandão, selou a aliança parte dos integrantes da cúpula. O deputado João Castelo, que queria ser candidato, ficou indócil, o mesmo acontecendo com o deputado licenciado Neto Evangelista, pelo mesmo motivo. Tanto que a adesão de cada um deles à aliança com Eliziane Gama foi lenta e só chegou ao fim nesta semana, com a adesão de Neto Evangelista.

O mais grave dessa situação é que nenhum partido consegue garantir que seus militantes e apoiadores votem em bloco nos candidatos que firmaram acordo. São todos, portanto, acordos de risco.

PONTO & CONTRAPONTO

Hospital Macrorregional de Imperatriz será inaugurado hoje em clima de festa política e sob uma controvérsia
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Hospital de Imperatriz: festa de inauguração e controvérsia

O governador Flávio Dino inaugura hoje o Hospital Macrorregional de Imperatriz, obra alentada que custou R$ 37,2 milhões e deve alcançar uma população de 1,2 milhão na Região Tocantina. Pela badalação que vem sendo feita na Assembleia Legislativa e nos canais usados intensamente pelo Governo nas redes sociais. A obra foi assunto de vários discursos feitos quarta-feira por governistas e oposicionistas, os primeiros exaltando-a como ação do Governo Flávio Dino (PCdoB), os segundos recorrendo ao argumento de que a construção foi iniciada pelo Governo Roseana Sarney. No primeiro momento, o deputado Marco Aurélio (PCdoB), vice-líder do Governo, fez um alentado relato sobre o Hospital Macrorregional de Imperatriz, exaltando o trabalho do atual Governo, sem fazer qualquer relação da obra com o Governo passado. Em seguida, o deputado Antonio Pereira (DEM), que é médico e tem forte envolvimento com a obra, fez o contraponto, destacando o trabalho do atual Governo, cumprimentando o governador Flávio Dino, mas chamando atenção para o fato de que a obra foi iniciada no Governo Roseana Sarney (PMDB). Antonio Pereira ponderou não ser justo que se inaugure uma obra com a dimensão do hospital tocantino sem registrar o fato de que foi o Governo passado que conseguiu os recursos no BNDES, iniciou a construção e deixou a obra física em estágio bem avançado. Independentemente do bate-boca sobre a paternidade – ou maternidade – da obra, o fato mais relevante é que o Hospital Macrorregional de Imperatriz será inaugurado hoje com uma grande festa, na qual deve estar presente a enfermeira Rosângela Curado (PDT), candidata à Prefeitura de Imperatriz apoiada pelo Palácio dos Leões. Não há dúvida que a inauguração festiva tem muito a ver com a corrida eleitoral na Princesa do Tocantins.

 

Especial: Coluna vai resgatar clássicos da Música Popular Maranhense em série sobre discos clássicos

Na edição de amanhã, a Coluna colocará em prática um projeto especial: resgatar e trazer para o presente alguns dos discos mais importantes da Música Popular do Maranhão (MPM). São obras individuais e coletivas que marcaram a cultura musical maranhense nos últimos 40 anos. Não se trata de um apanhado cronológico nem de um levantamento sistemático da discografia local. A intenção, que está virando objetivo, é lembrar aos maranhenses que a MPM tem alguns tesouros esquecidos, que precisam ser redescobertos. São discos emblemáticos, como “Shopping Brazil”, que reúne clássicos da obra de César Teixeira, um dos mais importantes compositores maranhenses de todos os tempos; e “Lances de Agora”, obra magistral do igualmente genial e importante Chico Maranhão, gravado na nave principal da Igreja do Desterro em meados dos anos de 1970, como parte do revolucionário projeto do produtor Marcus Pereira. As matérias especiais serão publicadas sempre nas edições de sábado, com intervalos de 15 dias. Com o resgate, a Coluna pretende homenagear esses craques da MPM por suas obras e também por suas posturas como artistas.

 

São Luís, 18 de Agosto de 2016.

 

 

Eliziane demonstra que está preparada para o embate e para governar, se chegar ao Palácio de la Ravardière

 

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Eliziane e José Joaquim comemoram o apoio recebido do secretário Neto Evangelista, ontem, em reunião na AL

“Quero deixar bem claro que o que estou dizendo não é demagogia; é sincero e honesto”. A frase, dita em tom firme, foi pronunciada ontem pela candidata do PPS à Prefeitura de São Luís, Eliziane Gama, ao falar em ato no qual recebeu o apoio do deputado licenciado e secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Neto Evangelista, a última liderança do PSDB a embarcar na coligação por ela articulada. A candidata do PPS fez um discurso rápido, mas denso, citou com precisão alguns problemas graves da Capital e, sem recorrer a anotações, relacionou soluções, falou sobre números, citou percentuais e informações estatísticas, e assegurou que o seu grande projeto é construir “uma nova São Luís”. Mesmo constituída de aliados e seguidores de Neto Evangelista, que a partir daquele momento também passaram a ser seus seguidores, a impressão que ficou no ar foi a de que os presentes deram total atenção e crédito ao que foi dito pela candidata. E por conta disso, aplaudiram-na.

A reunião com Neto Evangelista – que atraiu os deputados Adriano Sarney (PV) e Cabo Campos (DEM) e figurões do PSDB, entre eles o candidato vice, vereador José Joaquim e o deputado Sérgio Frota – foi reveladora do potencial político e eleitoral da campeã de votos para a Câmara Federal em 2014 e da possibilidade concreta de que pode chegar à Prefeitura de São Luís. Como pré-candidata, chegou a 56% de intenções de voto. Agora, como candidata, a última pesquisa apurou que ela tem agora 21%, embolada com o prefeito Edivaldo Jr. (PDT), que tem 25%, e com Wellington do Curso (PP), que aparece com 18%. Agora que a campanha começou de fato, a impressão quase unânime é a de que, armada sua coligação e incentivada por partidários e aliados, ela reaja e retome a curva de crescimento.

Eliziane Gama é candidata que reúne todos os ingredientes que formam uma personagem política de horizonte largo. É mulher, jovem (39 anos), inteligente, bem informada e dona de uma vontade invejável. Sua figura simples e aparentemente frágil se transforma quando ela fala. Voz radiofônica – é jornalista com militância no rádio -, ganha densidade com um discurso bem articulado, com início, meio e fim, que mostra um traquejo raro na capacidade de ordenar as frases, que fluem sem dificuldade. E cada uma delas emite uma informação, principalmente números inteiros e percentuais, dados estatísticos, enfim, elementos que dão consistência e veracidade ao discurso e ajudam a compreendê-lo. Essas marcas tornam Eliziane Gama uma candidata diferenciado e difícil de ser enfrentada, principalmente em debates.

Pelo menos até aqui, todos os “sintomas” indicam que a candidata do PPS será o grande adversário do prefeito Edivaldo Jr.. Além das suas qualificações, ela superou o risco do isolamento político-partidário e conseguiu formar uma aliança que poderá lhe dar muita densidade eleitoral. Entre os seus aliados o clima é de entusiasmo, dominados que estão pela crença de que ela irá para o segundo turno, quando então, acreditam, terá as condições para reunir todos os a oportunidade de unir as forças políticas cujos candidatos tenham sido eliminados na primeira volta. Muitos acreditam piamente que seu adversário será o prefeito Edivaldo Jr., embora outros apostem na passagem de Wellington do Curso (PP).

Na reunião de ontem, Eliziane Gama passou a impressão de que carrega esse projeto sem sentir o seu peso, pois demonstra estar convencida de que pode, efetivamente, mudar São Luís para melhor. Os quatro anos de Assembleia Legislativa e os 18 meses de Câmara Federal – período em que exerceu várias funções relevantes, como a produtiva participação na CPI da Petrobras e nas articulações – ajudaram-na a se tornar conhecida como uma parlamentar que honra o mandato garantido por 140 mil votos, a maior votação dada a um candidato a deputado federal no Maranhão até aqui.

Eliziane Gama sabe que a corrida para a Prefeitura de São Luís será muito dura, com obstáculos os mais diversos. O maior deles é exatamente o prefeito Edivaldo Jr., que tem com ele a militância ativa e incansável do PDT, está no comando de um governo – sem muito brilho, mas também sem mácula – em andamento e vem transformando parte da sua rejeição em votos a favor. Outro obstáculo, com menor poder ofensivo, mas com um enorme potencial de crescimento, é o candidato do PP, Wellington do Curso, que vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar que ela vá para o segundo turno. Os outros são mais facilmente superáveis, mas mesmo assim são adversários que não venderão barato o seu espaço.

A candidata do PPS tem um trunfo: uma vontade férrea de chegar lá, que pode fazer a diferença durante a campanha.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edivaldo Jr. falta a debate organizado pela Igreja Católica
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Antes da festa de Pereirinha, Edivaldo Jr. fez caminhada no Monte Castelo

O prefeito Edivaldo Jr. foi o único dos candidatos a prefeito de São Luís que não compareceu ao debate de ontem organizado pela Igreja Católica e realizado no Teatro da Cidade. Seus adversários o atacaram fortemente pela ausência, acusando-o de usar todo tipo de argumento para justificar a ausência, inclusive o de ser ele evangélico. A decisão de não comparecer ao debate na seara católica nada tem a ver com religião. O prefeito de São Luís correu um risco calculado, preferindo o pequeno e efêmero desgaste do não comparecimento do que o ônus de enfrentar todos dos candidatos, que naturalmente marchariam em bloco contra ele. Prefeito em busca da reeleição e líder nas preferências do eleitorado, segundo as pesquisas mais recentes, Edivaldo Jr. avaliou que seria mais produtivo para ele participar da festa de lançamento da candidatura do vereador Isaías Pereirinha (PSL) do que virar caixão de pancadas dos seus adversários, ou enfrentar uma estratégia para isolá-lo durante os questionamentos.

 

Em debate no Supremo, o ministro Gilmar Mendes ataca Lei da Ficha Limpa e atinge Márlon Reis e o governador Flávio Dino
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Gilmar Mendes atingiu Márlon Reis e Flávio Dino ao criticar a Lei da Ficha Limpa em sessão do Supremo

“Sem querer ofender ninguém, já ofendendo, essa lei foi tão mal feita, que parece ter sido feita por bêbados”. A frase foi pronunciada ontem, com toda a ênfase, pelo ministro Gilmar Mendes, no plenário do Supremo Tribunal Federal, num ataque sem precedentes à Lei da Ficha Limpa, causando grande repercussão na Corte, no Congresso Nacional e fora dele. O petardo alcançou o ex-juiz e agora advogado e militante do Rede Sustentabilidade Márlon Reis, que não era congressista, mas é  considerado um dos “pais” daquele diploma legal. Reis foi um dos autores do projeto de iniciativa popular proposto ao Congresso Nacional. Atingiu com igual força o governador Flávio Dino (PCdoB), que quando deputado federal foi um dos parlamentares mais empenhados na elaboração e aprovação da Lei que foi aprovado e permanece em vigor. A pancada foi dada durante a votação de dois recursos contra a decisão da Corte de dar às Câmaras Municipais, e não aos tribunais de contas, o poder de tornar inelegíveis ex-prefeitos com contas rejeitadas pela Câmara Municipal. A declaração do ministro Gilmar Mendes surpreendeu a Corte, mas foi corroborada por todos os seus pares.

 

São Luís, 17 de Agosto de 2016.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Campanha começa com candidatos usando a velha estratégia de centrar fogo contra o prefeito que busca a reeleição

 

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Edivaldo Jr. (de camisa azul e punho cerrado) fala para militância no início da caminhada pela Rua Grande, na sua primeira manifestação da campanha 

 

A corrida para a Prefeitura de São Luís começou oficialmente ontem com uma série de eventos anunciadores de que o embate entre os candidatos será duro, sem tréguas e com a indicação segundo a qual quem não tiver lastro político, potencial eleitoral e lisura pessoal será tragado pelo redemoinho que girará intensamente na Capital nos próximos 43 dias. E como não podia deixar de ser, todos os candidatos que se manifestaram na largada cometeram o que para muitos expert em embates eleitorais é um erro primário: atacaram o prefeito Edivaldo Jr. (PDT), que lidera a preferência do eleitorado, segundo as últimas pesquisas. Indiferente à pancadaria, o prefeito fez o primeiro dever de qualquer candidato ao Palácio de la Ravardière: enfrentou a Rua Grande, o mais heterogêneo e simbólico corredor político da Capital. Houve acusações, suspeitas, reações, deixando no ar a impressão de que nas próximas seis semanas o cenário político da Cidade Patrimônio da Humanidade vai pegar fogo.

Eliziane Gama com seus militantes  antes da caminhada que faria da Rua Grande

A candidata do PPS, Eliziane Gama, que havia marcado sua primeira caminhada na Rua Grande para o meio da tarde, foi surpreendida com a informação de que o prefeito Edivaldo Jr. programara o mesmo e no mesmo horário. Determinada a reverter sua tendência de queda apontada pelas pesquisas,  Eliziane resolveu abrir mão da caminhada alegando estar preocupada com a integridade da sua militância, por avaliar que se os dois grupos se cruzassem na mais importante e movimentada artéria de São Luís  poderia haver confronto de largas proporções, com graves repercussão. O resultado é que no embate direto com a candidata do PPS, o candidato do PDT levou a melhor, pois realizou uma caminhada fortemente animada pela militância pedetista, que tem tradição nesse tipo de ação política.

Outro que virou suas baterias para o prefeito foi o vereador Fábio Câmara, candidato do PMDB. Acusado de ser “laranja” do próprio Edivaldo Jr. – uma maldade que não tem rumo, mas que tira o candidato do eixo -, Câmara reagiu indignado por meio de uma nota em que refuta o ataque fazendo uma afirmação com sentido: é um candidato que sempre esteve na oposição ao prefeito, como provariam os registros do seu dia a dia na Câmara Municipal. O candidato pemedebista poderia ter ignorado a ilação maldosa e cuidado da sua corrida através de votos, mas por razões que não revelou, preferiu logo disparar chumbo grosso contra todos os suspeitos de haver disparado a maldade que lhe tirou do sério. Para ele, a maldade partiu das hostes do prefeito candidato à reeleição.

Outro petardo disparado na direção do candidato do PDT foi disparado ontem da Redação do jornal O Estado do Maranhão pelo candidato do PSOL, Valdeny Barros, que acusou o prefeito de São Luís de não fazer um governo transparente, mesmo que informações de órgãos de controle tenham avaliado exatamente o contrário, afirmando que São Luís tem hoje uma gestão transparente.  “O que Edivaldo vende é uma transparência chamada passiva, fruto de respostas dadas pela própria prefeitura a três perguntas, que já garante 50% da pontuação. mas a transparência ativa, aquela resultante da investigação dos órgãos de controle, não existe em São Luís”, disse Barros, segundo registro feito pelo blog do jornalista Marcos D`Eça, um dos entrevistadores do candidato do PSOL.

O fato é que a maioria dos candidatos resolveu repetir uma estratégia manjada e que nem sempre produziu bons resultados. Parecem não ter percebido que atirar no prefeito em bloco demonstra fragilidade, porque no fim das contas o recado que passam é o de que não estão seguros dos seus projetos de governo e tentam consolidar suas campanhas em eventuais escorregões do prefeito. O que parecem não perceber é que o Edivaldo Jr. de hoje é bem diferente do candidato de 2012, que aparentava inexperiência, mas que mesmo assim engoliu uma raposa traquejada, o então prefeito João Castelo (PSDB). Agora, depois de três anos e meio de depois de desafios e pancadas, o Edivaldo Jr. é um político bem mais experiente, que já conhece o caminho das pedras e conhece os antídotos certos para os mais diversos tipos de veneno usados por adversários na briga pelo voto.

A campanha em São Luís começou animada, com caminhadas e declarações fortes, mas tematicamente distantes do que o eleitor quer saber, que é como serão solucionados os problemas que lhe dizem respeito. O resto será mera perda de tempo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Grupo Sarney se divide mais com apoio de Edilázio Jr. a Wellington
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Wellington do Curso e Edilázio Jr. comemoram depois da declaração de apoio na AL

A pulverização do Grupo Sarney na corrida para as prefeitura de São Luís aumentou ontem, no plenário da Assembleia Legislativa, quando o deputado Edilázio Jr. (PV) usou a tribuna para anunciar o seu apoio ao candidato do PP, Wellington do Curso. “Quero pedir a compreensão do meu partido, mas neste momento declaro meu apoio ao meu colega Wellington do Curso, e passo a ser um soldado a serviço da sua candidatura a prefeito de São Luís”, declarou Edilázio Jr., causando surpresa inclusive nos seus colegas de PV. A guinada de Edilázio Jr. contraria frontalmente a posição do partido, que é parte da aliança liderada pela candidata do PPS, Eliziane Gama. Ele justificou o movimento criticando a posição do governador Flávio Dino (PCdoB) que, segundo sua interpretação, estaria torcendo para uma disputa entre Edivaldo Jr. e Eliziane Gama, dois aliados governistas, no segundo turno. Para o deputado do PP, ao fazer tais escolhas, o governador menospreza a candidatura de Wellington do Curso, que, de maneira independente, também integra a base governista no parlamento. “É assim que esse governador trata seus aliados”, assinalou. Por causa disso, decidiu apoiar o candidato do PP, “que é um deputado correto, um dos que mais trabalham aqui e que ganhou o respeito de todos”. Para Edilázio Jr., Wellington do Curso chegou à Assembleia Legislativa sem muita expressão, mas à medida que o tempo foi passando, “ele revelou seu valor e hoje é respeitado por todos nós pelo seu trabalho e suas posições de coerência”. E acrescentou: “Vou colocar meu nome e minha juventude à serviço dessa candidatura”, anunciou.  Entusiasmado em ouvir a declaração de apoio e elogios pela sua desenvoltura parlamentar e politica, Wellington do Curso declarou: “A palavra aqui é gratidão. A atitude do deputado Edilázio Jr. é um gesto de coerência. Não esquecerei suas declarações, jamais esquecerei essa declaração de apoio. Fique certo, deputado, que serei eternamente grato pelas suas palavras”.

Grupão está espalhado em quatro candidaturas

Com a declaração de Edilázio Jr. a Wellington do Curso, as correntes que fazem o Grupo Sarney estão agora espalhadas em quatro das oito chapas. Para começar, o PMDB, que é a espinha dorsal do grupão, disputa a prefeitura de São Luís com candidato próprio, o vereador Fábio Câmara, que não decolou nas pesquisas. O PV, que hoje é espelho do Grupo Sarney, fechou acordo com o PPS e integra a coligação liderada por Eliziane Gama. O PTB, um dos braços do grupão, apoia a candidatura de Edivaldo Jr..

Conceição Andrade declara apoio a Rose Sales
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Cartaz anunciando o apoio de Conceiçao Andrade à candidata Rose Sales

Ao deixar sua posição discreta e declarar publicamente apoio à candidatura da vereadora Rose Sales (PMB) à Prefeitura de São Luís, as ex-prefeita Conceição Andrade (1992/1996) volta ao cenário político  da Capital manifestando vontade de, se não retomar, pelo menos ocupar um espaço para movimentações futuras. Candidata do PSB apoiada pelo então prefeito Jackson Lago (PDT) em 1992, Conceição foi eleita numa disputa de segundo turno com o então ex-governador João Alberto (PFL). Fez um governo tenso e politicamente tumultuado, principalmente depois de ter rompido com o seu patrono Jackson Lago, que a chamou de “vírus da traição”. Como rompimento, Conceição Andrade apoiou o então deputado federal João Castelo em 1996 com o apoio do senador Epitácio Cafeteira (PTB) contra Jackson Lago, que venceu a eleição. Conceição Andrade terminou seu governo politicamente isolada e hostilizada pela militância do PDT. Mas se manteve de pé, entrou para o PMDB e colaborou com os vários governos de Roseana Sarney como secretária de Estado e gerente regional. Conceição Andrade é um quadro de larga experiência, que tem muito a oferecer na seara política e no serviço público.

 

São Luís, 16 de Agosto de 2016.