Ministério Público acerta em cheio ao cobrar transição transparente em municípios que mudarão prefeito

 

Eduardo Nicolau: orientação republicana 

Os prefeitos em fim de mandato têm de garantir aos seus sucessores acesso prévio à situação administrativa e financeira dos seus municípios por meio de processo de transição. Antes visto quase como uma abstração, principalmente em municípios marcados por disputas políticas e eleitorais renhidas e tensas, o processo de transição ganha agora força de regra no Maranhão. Trata-se de procedimento saudável e republicano, que assegura ao governante que chega a oportunidade de se preparar para assumir o cargo com maior segurança, independentemente da situação em que se encontrar a máquina que vai administrar. Por iniciativa do Ministério Público estadual, a partir da orientação dada pelo procurador geral de Justiça, Eduardo Nicolau, no início de Novembro, às Promotorias maranhenses, no sentido de que assegurassem transição efetiva e transparente nos municípios onde as urnas decidiram por troca de comando em Janeiro.

Esse processo se dará em dezenas de municípios, a começar por São Luís, onde o prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) terá de municiar o prefeito eleito Eduardo Braide (Podemos) com as informações sobre a administração, programas em andamento, situação fiscal – receita e despesa – e as do caixa municipal, para que ele não assuma no escuro e possa definir o seu plano de ação, incluindo aí o pacote de medidas para os primeiros 100 dias de gestão.

A recomendação do procurador geral de Justiça às Promotorias estabeleceu prazo de cinco dias para que prefeitos e sucessores definam comissões, e de 10 dias para que os representantes do prefeito forneçam todas as informações que forem solicitadas pelo prefeito eleito. A recomendação explicita que o processo deve ser transparente, para que não haja dúvidas a respeito do que for informado. Prevê também medidas extrajudiciais e judiciais contra o prefeito que se recusar a fazer a transição, criar dificuldades ou tentar manipular dados. Em caso de recusa, o primeiro procedimento Judicial será a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta, pelo qual o prefeito se compromete a fazer a transição, tornando-se sujeito a medidas judiciais severas caso não realize o processo dentro das regras.

Muitos prefeitos em fim de mandato e que não elegeram seus sucessores ou que concorreram à reeleição e foram derrotados encontram-se em situação complicada. Ontem, por exemplo, o prefeito Eudes Sampaio (PTB), de São José de Ribamar, derrotado nas urnas, foi o epicentro de uma operação da Polícia Federal para prender agiotas que estariam pressionando-o para que usasse dinheiro público para bancar “acertos” a juros escorchantes. Agiotagem envolvendo dinheiro público é crime, isso não se discute. Mas agiota não cobra dívida de quem não lhe deve. Se o prefeito Eudes Sampaio estava sendo chantageado e extorquido, algum compromisso ele assumiu. Assim como o Ministério Público e a Polícia Federal, o prefeito eleito Júlio Matos (PL), que é seu adversário figadal, certamente vai querer colocar essa estranha situação em pratos limpos. De preferência já na transição.

Cumprida por promotores de Justiça em todos os quadrantes do estado, a recomendação do procurador geral de Justiça, Eduardo Nicolau, é uma iniciativa cuja valia é imensurável, por meio da qual o Ministério Público Estadual cumpre corretamente seu papel institucional. Afinal, municípios muito perderam quando prefeitos em fim de mandato ou derrotados cuidavam de criar um ambiente de terra arrasada para esconder rombos ou dificultar a vida do adversário sucessor.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Bastidores da Câmara Municipal vivem clima de euforia dos reeleitos e baixo astral dos reprovados

Chico Carvalho e Isaías Pereirinha: alto astral e baixo astral na Câmara

Os bastidores da Câmara Municipal de São Luís estão vivendo fortemente uma dualidade clássica em parlamentos. De um lado a euforia dos vereadores reeleitos e de outro o baixo astral dos que foram mandados para casa. O presidente e de novo candidato a presidente Osmar Filho (PDT) é a expressão acabada da euforia por ter sido de novo o mais votado, mesmo que sua votação tenha encolhido. A euforia é expressada também por Astro de Ogum (PCdoB), Dr. Gutemberg (PSC), Chico Carvalho (PSL) e Chaguinhas (Podemos), quatro veteranos que se reelegeram e temiam ser mandados para casa vestir o pijama, e por novatos como Marcial Lima (Podemos), que foram à luta na linha central da lei das probabilidades e se deram bem renovando seus mandatos.  O baixo astral alcança “ex-bons de voto” como Isaías Pereirinha (PSL), Afonso Manoel Ferreira (Solidariedade), Pavão Filho (PDT), e figuras emblemáticas como Silvino Abreu e Sebastião Albuquerque (PSL), que após um longo período de reeleições consecutivas foram barrados no baile e mandados para casa. César Bombeiro (PSD), que foi despachado pelo eleitorado na condição de suplente de Karla Sarney (PSD).

 

Erlânio Xavier é forte candidato à reeleição, mas sucessão na Famem pode ser muito disputada

Erlânio Xavier e Fábio Gentil podem disputar a presidência da Famem

Não será fácil a reeleição do atual presidente da Famem e prefeito reeleito de Igarapé Grande Erlânio Xavier (PDT), homem forte do senador Weverton Rocha (PDT) na seara municipalista. Isso porque o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) estão se articulando fortemente para não dar espaço para que o senador pedetista permaneça no controle da entidade.

Erlânio Xavier conta com os votos do PDT e aliados, que somam 74. Por seu turno, se juntar os votos do Republicanos, PCdoB e PSB, o grupo liderado por Carlos Brandão, que pode apoiar a candidatura do prefeito reeleito de Caxias Fábio Gentil (Republicanos) terá um total de 57. E Josimar de Maranhãozinho pode lançar um candidato com 40 votos fechados. Nesse caso, sobrarão 46 votos, incluindo o do prefeito de São Luís, Eduardo Braide, que foi o único prefeito do Podemos eleito no Maranhão, para serem buscados pelos candidatos e seus apoiadores.

Não se duvida que na condição de presidente em busca da reeleição e com o apoio do senador Weverton Rocha, o prefeito Erlânio Xavier é candidato forte, com indiscutíveis condições de vencer na urna. Mas, no cenário do momento, com as forças partidárias divididas como se encontram, sua reeleição está longe de ser fato consumado.

São Luís, 04 de Dezembro de 2020.

Eduardo Braide mantém discurso e sinaliza que plano dos 100 dias é para dar jeito no que está fora do lugar

 

Eduardo Braide: gestão técnica e com controle total sobre a máquina

A gestão da Prefeitura de São Luís a partir do dia 1º de Janeiro terá viés predominantemente técnico, sem maiores interferências de aliados políticos com indicação de colaboradores fora daquele padrão.  Nas várias entrevistas que concedeu desde que as urnas anunciaram sua eleição, o prefeito eleito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), do alto dos seus 270.557 votos, manteve o discurso básico da campanha, no qual usa a habilidade política para deixar claro que só fará parte da sua equipe de ponta – secretários, chefes de autarquias e assessores especiais – quem tiver qualificação para cuidar da área que comandará. Isso vale para escolhidos por ele e para indicados por aliados. Na mesma linha da campanha, Eduardo Braide tem reafirmado que continuará as obras iniciadas pelo prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT). Ao mesmo tempo, tem feito declarações indicativas de que não colocará panos quentes no que encontrar fora da linha. “Tem escola que não tem água”, disse ontem, com o tom enfático da crítica, em entrevista ao programa Ponto e Vírgula, da Difusora FM.

A ênfase que tem dado ao arrojado plano para os primeiros 100 dias de sua gestão é reveladora de que o propósito é colocar em ordem o que está fora do lugar, assumir o controle sobre eventuais itens fora de controle. E se há situações como escola sem água e população mais pobre sofrendo na inaceitável fila para marcação de consultas, isso significa dizer que a gestão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. falhou na educação e na saúde nos seus oito anos de gestão. O que não quer dizer que ele faça como Edivaldo Holanda Jr. fez com o ex-prefeito João Castelo (PSDB) no seu discurso de posse (1º de janeiro de 2013), cujo tom agressivo e virulento surpreendeu até mesmo os seus aliados. Mas suas declarações guardam recados avisando que um novo padrão de gestão, pouco identificado com o atual, está a caminho.

As sinalizações feitas pelo prefeito eleito de São Luís indicam que ele pretende governar com mão firme, tendo total e absoluto controle da máquina, mas ao mesmo tempo com uma janela aberta ao diálogo, sem, no entanto, abrir a guarda para fazer concessões. Esse posicionamento agora tem caráter preventivo, porque se ainda não sabe, o prefeito Eduardo Braide logo após a posse saberá que será confrontado com a política do toma-lá-dá-cá, ainda vigente na Câmara Municipal de São Luís. E será nesse campo que entrará o político frio e centrado que ele é para usar toda a sua habilidade para administrar o assédio de vereadores, que têm bases a alimentar e não brincam em serviço.

Nascido na forja da política tradicional e pautando sua trajetória na linha de centro-direita, posição que lhe valeu o apoio de espectro partidário que uniu direita e esquerda no 2º turno, Eduardo Braide parece determinado a trabalhar sustentado pelas três correntes, tendo o apoio de partidos de direita (PSC e PSD), de centro (Podemos, PSDB e PTB) e esquerda (PDT e PT). Se terá como alinhar boa convivência com esse lastro partidário multifacetado é algo que só se saberá em meados de 2021, quando os partidos iniciarem movimentações visando a grande disputa eleitoral de 2022. Ninguém duvida de que, ao contrário de Edivaldo Holanda Jr., que só cuidou das suas próprias eleições, Eduardo Braide será voz ativa na corrida ao Palácio dos Leões.

Para ganhar cacife e chegar em 2022 em condições de palpitar, o prefeito de São Luís precisará estar bem visto aos olhos da opinião pública. E isso só acontecerá se ele souber vencer os desafios que estão ganhando forma à sua frente, que não são poucos nem de fácil solução.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Duarte Jr. volta à AL, tem projeto aprovado e é alvo de especulação sobre cargo no Governo

Duarte Jr. na volta à Assembleia Legislativa

Em meio ao esfriamento dos ânimos esquentados pela campanha eleitoral, e embalado pelos 216.665 votos que recebeu no 2º turno da corrida à Prefeitura de São Luís, o deputado estadual Duarte Jr. (Republicanos) retornou ontem à Assembleia Legislativa comemorando uma vitória parlamentar e alvo de especulação segundo a qual será convocado pelo governador Flávio Dino para assumir um cargo no Governo do Estado.

A vitória parlamentar se deu com a aprovação pela Assembleia Legislativa, por unanimidade, do Projeto de Lei 113/2019, de sua autoria, que institui a Política Estadual de Formação e Capacitação Continuada de Mulheres para o Mercado de Trabalho. Voltado prioritariamente para mulheres vítimas de violência doméstica e mulheres chefes de família, o projeto prevê a oferta de cursos profissionalizantes em várias áreas. A nova Lei Estadual assegura que o Estado reserve para as mulheres 50% das vagas em programas já existentes, em parceria com as esferas nacional e municipal.

O projeto ganhou força a partir de dados da Delegacia da Mulher em São Luís, segundo os quais somente em 2018, foram registradas 1.870 denúncias de mulheres ameaçadas por companheiros ou conhecidos, o que levou à instauração de 1.625 inquéritos, 3.789 pedidos de medidas de proteção, 433 prisões e 1.120 casos de agressão física. Tais informações colocam a Capital do Maranhão numa situação delicada, exigindo medidas que funcionem como freio a essa escalada de violência.

– Eu agradeço pelo voto favorável, porque, infelizmente, em nossa cidade, 48% das casas são chefiadas por mulheres, mães solteiras e divorciadas. E essas mulheres precisam de mais oportunidade, precisam ter melhores condições para suprir as necessidades das suas famílias. Esse projeto é tão importante que, ao tempo em que ajuda essas mulheres que são chefes de família, também ajuda as mulheres a terem independência – destacou o deputado Duarte Jr. no agradecimento aos deputados.

Quanto à especulação sobre eventual licenciamento para assumir cargo no Governo se daria por conta de suposta indisposição do parlamentar com alguns colegas por conta da disputa em São Luís. O motivo não faz sentido, a começar pelo fato de que diferenças políticas se resolve é conversando. E a prova de que esse clima não existe é que o projeto de sua autoria foi aprovado por unanimidade. E depois, mesmo que haja ressentimentos, o mandato parlamentar está acima de diferenças e a Assembleia Legislativa é uma instituição sem dono.

 

Flávio Dino critica com razão a não preparação do Brasil para a vacina contra o coronavírus

Flávio Dino critica posição de Jair Bolsonaro

O anúncio feito ontem de que o Reino Unido aprovou a vacina da Pfizer-Biontech contra o novo coronavírus desenhou mais uma evidência dos erros de condução e procedimento do Governo Federal no enfrentamento da pandemia. O anúncio mostrou que muitos países, a começar pelo próprio Reino Unido, anteciparam a elaboração de estratégias para vacinação em massa, tendo se preparado para imunização tão logo as primeiras vacinas fossem aprovadas. Os britânicos começarão a ser vacinados já na próxima semana. Enquanto isso, em entrevista concedida ontem sobre o assunto, o general que comanda o Ministério da Saúde assessorado por coronéis e capitães, se enrolou todo, sem saber precisar como o Brasil vai imunizar seus mais de 220 milhões de habitantes.

Crítico severo da maneira desastrada como o Governo Federal vem atuando na pandemia, e da posição ostensiva do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra todas as medidas de isolamento social, o governador Flávio Dino reagiu no twitter às incertezas deixadas no ar pelo ministro da Saúde. “Vários países já começando vacinação contra o coronavírus. Aqui, os delírios de Bolsonaro atrasaram tudo. Além de incompetente, temos um irresponsável e desumano ocupando a presidência do Brasil”.

O tom duro usado pelo governador é o de quem sabe o que está dizendo. E com um dado a mais: sua posição crítica está sustentada no sucesso das medidas de enfrentamento do novo coronavírus que adotou no Maranhão. As ações planejadas de acordo com as orientações da OMS produziram os resultados pretendidos, colocando o estado entre os cinco que melhor combateram a pandemia.

São Luís, 03 de Dezembro de 2020.

Em recado ao PDT, Flávio Dino aponta tensão na aliança governista e avisa que ela será revisada

 

Recado de Flávio Dino sobre a aliança por causa das tensões entre Weverton Rocha e Carlos Brandão

O desacerto em parte das forças governistas causado pelo desfecho da eleição em São Luís, marcado pelo apoio do PDT, liderado pelo senador Weverton Rocha, ao candidato e adversário do Governo Eduardo Braide (Podemos), contra o candidato governista Duarte Jr. (Republicanos), bem como a atitude do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) de ficar neutro na disputa, se negando a fazer o que foi feito a seu favor em 2012 e 2016, produziu a primeira consequência. Ontem, o governador Flávio Dino (PCdoB) avisou, via twitter, que, por ter sido tensionada nas eleições por causa da sua sucessão em 2022, a aliança por ele construída será revista. Não foi uma declaração de ruptura, mas um recado contundente de que, por conta do não cumprimento dos acordos que possibilitaram as várias candidaturas da base governista em São Luís, e segundo os quais todos se uniriam em favor de que fosse para o 2º turno, a aliança foi fortemente afetada e precisa ser rediscutida.

Na sua postagem, Flávio Dino apontou a antecipação da corrida à sua sucessão, que envolve diretamente o senador Weverton Rocha, que levou o PDT a uma aliança com o DEM em torno do deputado Neto Evangelista (DEM), sem o aval do prefeito Edivaldo Holanda Jr., e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), que apoiou naturalmente a candidatura do deputado Duarte Jr., do seu partido. No 2º turno, quando a lógica indicava que o PDT apoiaria o candidato do Republicanos, o partido divulgou uma nota anunciando neutralidade, mas na prática se posicionou a favor do candidato do Podemos. A reação do vice-governador Carlos Brandão acusando o comando pedetista desertar da aliança, corroborando declarações feitas dias antes pelo deputado federal Rubens Jr. (PCdoB), de que quem não estivesse com Duarte Jr. estaria contra Flávio Dino, exaltou os ânimos dentro da base governista.

Vozes governistas criticam duramente o comando do PDT lembrando que as forças lideradas pelo governador Flávio Dino marcharam com o PDT em 2016 e garantiram a reeleição do prefeito Edivaldo Holanda Jr., e fizeram o mesmo em apoio à candidatura do então deputado federal Weverton Rocha para o Senado em 2018. Para essas vozes, não faz nenhum sentido a mobilização do PDT a favor de Eduardo Braide contra Duarte Jr. pelo fato de ele pertencer ao partido do vice-governador, que não esconde projeto de candidatar-se à sucessão do governador Flávio Dino. O sentimento dominante no círculo mais próximo do governador Flávio Dino é o de que, com sua postura em São Luís, o PDT colocou a aliança em xeque. E nesse sentido, aliados do governador argumentam que as bases da aliança, principalmente no que diz respeito ao PDT, foram trincadas e precisam de reparo urgente.

– Nossa aliança estadual está tensionada por conta da disputa pela vaga de governador, já que não posso ser reeleito. Esse processo de revisão das alianças estaduais exige diálogo, serenidade e prudência. Espero que os partidos políticos se dediquem a isso”, afirmou Flávio Dino, qualificando o processo como “normal e democrático”. Mesmo sendo cuidadoso para evitar o agravamento tensão, o governador deixou muito claro que não dá para continuar como está depois de tudo o que aconteceu na corrida para a Prefeitura de São Luís.

Afinal, com o aval do senador Weverton Rocha, o presidente do PDT de São Luís, vereador Osmar Filho, declarou apoio a Eduardo Braide, sendo seguido por seus colegas de partido Raimundo Penha e Nato Jr., uma iniciativa impensável sem o aval da cúpula estadual. Na visão dos governistas, a equação é simples: Eduardo Braide é um adversário do Governo e tem projeto próprio e ganhou do PDT o apoio que precisava para viabilizá-lo. A “DR” para eliminar a tensão e recompor integralmente a estabilidade da base será complicada, pontilhada de nuances e, como tudo em política, com desfecho imprevisível.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edivaldo Holanda Jr. se isolou para não apoiar Neto Evangelista nem Duarte Jr.

Edivaldo Holanda Jr.: só

Ao contrário do que muita gente está imaginando, o prefeito Edivaldo Holanda Jr. não participou do movimento do PDT para apoiar a candidatura de Eduardo Braide no 2º turno da disputa em São Luís. Nem sua neutralidade na disputa se deu em atenção à posição formal adotada pelo PDT por orientação do comando nacional do partido. O prefeito se isolou por vontade própria, não tendo sua atitude qualquer relação com a movimentação da cúpula da agremiação pedetista.

Já era sabido que Edivaldo Holanda Jr. avisara ao senador Weverton Rocha que não apoiaria a aliança do seu partido com o DEM em torno da candidatura do deputado Neto Evangelista (DEM). O recado foi dado em meados de 2019, quando Edivaldo Holanda Jr. não compareceu ao ato em que presidente nacional do DEM, o seu colega prefeito de Salvador ACM Neto, esteve em São Luís declarar apoio à candidatura de Neto Evangelista em aliança com o PDT. A rusga entre os dois surgiu nos idos de 2012, quando o agora candidato do DEM disputou a Prefeitura como vice do prefeito João Castelo (PSDB). Houve troca de acusações, restaram mágoas. Weverton Rocha e Neto Evangelista articularam a aliança sabendo que ela não seria apoiada pelo prefeito. Houve sondagens para reverter a posição no 2º turno em apoio a Eduardo Braide, mas o prefeito se manteve irredutível.

O mesmo movimento foi feito pelo presidente do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry – que coordenou suas duas campanhas vitoriosas para a Prefeitura – em busca do apoio do Palácio de la Ravardière à candidatura de Duarte Jr. (Republicanos) no 2º turno, mas Edivaldo Holanda Jr. se mostrou inflexível. O próprio governador Flávio Dino o sondou sobre o assunto, mas o prefeito prometeu fazer consultas à sua consciência e às suas conveniências, e não retornou. Outros aliados dele tentaram, mas ele não abriu espaço para conversa.

Não há, na base governista e no próprio entorno dele, quem tenha uma explicação lógica e convincente para o isolamento do prefeito Edivaldo Holanda Jr.. Afinal, trata-se de um político jovem, que apoiado por muitos, principalmente pelo governador Flávio Dino, construiu um bom lastro nos oito anos de Prefeitura de São Luís, e tem futuro amplo pela frente. E como em política ninguém vai longe sozinho, a pergunta do momento é: como ele pretende alçar novos voos sem uma base de apoio? Só ele pode responder.

 

Eduardo Braide vai montar equipe técnica, com pouco espaço para indicação política

Eduardo Braide

É grande a expectativa em relação à equipe que o prefeito eleito Eduardo Braide (Podemos) vai montar para assumir o comando da Prefeitura de São Luís a partir de 1º de Janeiro. Uma fonte próxima do prefeito eleito disse à Coluna que ele está determinado a formar um time rigorosamente técnico, no qual não haverá muito espaço para indicações políticas. Revela também que ele é exigente com relação a desempenho e que não admitirá equívocos nem corpo-mole na sua gestão. Os que toparem o desafio terão de estar preparados para trabalhar quase sem folga nos primeiros 100 dias, período  ao qual será imposto ritmo de maratona. O futuro prefeito tem dito que  trabalhará todos os dias, e que dividirá seu tempo entre despachos no Palácio de la Ravardière, inspeções a obras e “incertas” em hospitais, prontos-socorros e escolas. “Quem for convidado para entrar na equipe é bom pensar duas vezes antes de aceitar”, diz a fonte, que preferiu manter o anonimato.

São Luís, 01 de Dezembro de 2020.

Eleito com votação densa, Eduardo Braide ganha musculatura e alguns desafios para comandar São Luís

 

Eduardo Braide e a esposa Graziela mostram confiança na vitória após o voto

Com 270.557 mil votos, o equivalente a 55.53% dos votos válidos, o deputado federal Eduardo Braide (Podemos) saiu das urnas ontem eleito prefeito de São Luís, vencendo a disputa com o deputado estadual Duarte Jr. (Republicanos), que recebeu 216.665, equivalentes a 44,47% dos votos válidos. O eleitorado ludovicense confirmou assim a tendência manifestada em dezenas de pesquisas feitas ao longo da pré-campanha e das campanhas do 1º e 2º turno, nas quais o candidato do Podemos apareceu na frente, com larga vantagem. Foi um resultado maiúsculo, incontestável, contra um adversário que cresceu e legitimou a disputa com uma votação digna. Eduardo Braide alcançou a vitória apoiado por uma frente formada por partidos e grupos de direita, centro – onde ele se situa – e esquerda, tendo os senadores Roberto Rocha (PSDB) e Weverton Rocha (PDT) como principais apoiadores. No contraponto, Duarte Jr. apoiado por partidos e grupos de direita, centro e esquerda da base liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), tendo como apoiadores destacados o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) e a senadora Eliziane Gama (Cidadania).

Mais do que a escolha do sucessor do prefeito Edivaldo Jr. (PDT), o desfecho da corrida ao Palácio de la Ravardière rascunha o cenário político para a grande disputa de 2022, cujo objetivo maior será o Palácio dos Leões.

Com a eleição de Eduardo Braide, o governador Flávio Dino deixa de contar com um aliado forte, para ter como vizinho um adversário que dificilmente fará parte do seu projeto de poder. Primeiro porque não existe afinidades política e ideológica entre os dois, e depois, porque, aos 44 anos, Eduardo Braide pretende chegar bem mais longe, sendo a Prefeitura de São Luís a ponte por meio da qual ele pretende chegar ao Governo do Estado. Nesse sentido, o prefeito eleito também terá de administrar as diferenças que tornam frouxa e inconsistente a base partidária que lastreou a sua eleição.

Centrado e politicamente racional, Eduardo Braide sabe, mesmo ganhando musculatura política, que tem dois enormes desafios pela frente. O primeiro é cumprir, no cenário de crise desenhado para os próximos anos, os compromissos que assumiu de transformar São Luís numa cidade com um sistema de saúde sem filas e com clínicas com médicos e exames, todas as 280 escolas reformadas e com um sistema de transporte de massa eficiente. Ele tem a clareza de que todo discurso de campanha logo se revela incompatível com a realidade. E essa realidade só se mostrará por completo quando ele assumir e tiver acesso ao verdadeiro retrato fiscal do município – receita, despesa e compromissos de curto, médio e longo prazo. Correm versões diferentes sobre a situação da Prefeitura, uma dizendo que está tudo bem, outra afirmando que não é bem assim, e uma terceira prevendo que o novo prefeito receberá uma bomba de efeito retardado.

O segundo desafio será acomodar no seu projeto de gestão as forças que o apoiaram. Elas representam de cara dois projetos que visam chegar ao Palácio dos Leões em 2022, um do senador Roberto Rocha, outro do senador Weverton Rocha. Ficará com quem? Até onde se sabe, o prefeito eleito não assumiu compromisso com nenhum deles. Os dois, porém, são importantes canalizadores de recursos federais, o que torna crucial o cultivo de boas relações. E em política impera a regra da troca, e isso significa dizer que esses aliados – principalmente o PDT, que perderá o comando da Capital a partir de Janeiro -, certamente cobrarão a fatura reivindicando espaços na máquina municipal. Eduardo Braide sabe que é assim que funciona, e que para resistir ao assédio terá de ter muita força política.

A grande expectativa é sobre como será a relação do prefeito Eduardo Braide com o governador Flávio Dino, que tem se relacionado produtiva e republicanamente com o atual prefeito de São Luís. Durante a campanha, ao mesmo tempo em que fez críticas ao Governo do Estado, o candidato do Podemos disse e repetiu que vai procurar o governador em busca de parceria. Por sua vez, o governador Flávio Dino declarou em nota que está aberto “a todos os eleitos” para conversar e que está disposto a apoiar as administrações e ajudar no que estiver ao seu alcance. Flávio Dino tem mantido uma convivência republicana com prefeitos de todas as cores políticas.

Resta esperar o prefeito Eduardo Braide confirmar o que pregou na campanha e tomar a iniciativa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Duarte Jr. surpreendeu, teve votação digna e criou lastro para eleições futuras

Junto com a esposa Karem, Duarte Jr. faz a marca do 10

O deputado estadual Duarte Jr. (Republicanos) foi um candidato à altura da corrida para a Prefeitura de São Luís: foi para a luta, formou um lastro forte e valorizou o desfecho da disputa e a eleição de Eduardo Braide. O pronunciamento das urnas de São Luís revelou ontem que o candidato do Republicanos foi além do que a maioria das pesquisas previu. No 1º turno, ele saiu das urnas com 113.430 votos (22,15%), e praticamente dobrou sua votação no 2º turno, recebendo 216.665 (44,47%) votos, 103.235 a mais, enquanto o candidato do Podemos saiu do 1º turno com 193.378 votos (37,81%) e 270.557 (55.53%) ontem, reforçando seu cacife em 70.979 votos.

O candidato do Republicanos soube capitalizar o seu potencial eleitoral. Fez uma campanha aguerrida, com os traços da sua juventude e da sua ousadia, pelos quais pagou o preço de quem se torna uma ameaça nos espaços de poder. Mesmo sob fogo cerrado de adversário, conseguiu, com seu estilo arrojado de campanha, criar uma marca política que certamente lhe servirá de identidade para eleições futuras. Teve o apoio do governador Flávio Dino e do vice-governador Carlos Brandão, mas em nenhum momento se mostrou um candidato fraco e dependente desse apoio. Ao contrário, ao invés de abusar desse apoio, foi à luta para justificá-lo. Seu adversário foi eleito com base num lastro bem maior, construído a partir da derrota de 2016, mas qualquer avaliação isenta certamente concluirá que o candidato do Republicanos saiu das urnas bem maior do que entrou.

 

Flávio Dino parabeniza os 217 prefeitos eleitos e manda recado sobre 2022

Flávio Dino votou fazendo campanha pela liberdade de do ex-presidente Lula

Apontado por muitos como perdedor nas eleições municipais, principalmente pelo resultado da disputa em São Luís, na qual apoiou o candidato Duarte Jr., o governador Flávio Dino divulgou mensagem aos 217 prefeitos e prefeitas eleitos do Maranhão, sem citar nomes. Com ar de descontração e falando com a segurança de sempre, Flávio Dino mandou três recados muito claros, dois de natureza institucional, e outro de tom político. O primeiro: não diferencia o prefeito de São Luís do de Pedro de Rosário, declarando que todos terão portas abertas no Governo, que está pronto para ouvir e ajudar no que for possível. O segundo: a chave da boa gestão está na honestidade, enfatizando que, com boas ideias, poucos recursos podem render bons resultados. E o terceiro, de teor político, ao declarar, enfaticamente, que ele “e o vice-governador Carlos Brandão, estamos à disposição para ouvir a todos”, um recado direto ao senador Weverton Rocha (PDT) de que o palácio dos Leões já fez sua escolha para 2022. Segue a íntegra da mensagem:

“Dirijo essa mensagem inicialmente a todos e todas que foram candidatos e candidatas nessas eleições. Parabéns. Vocês contribuíram para que tenhamos um país melhor. Ao colocarem seus nomes ao julgamento popular, vocês fortaleceram a base da nossa democracia. Eleições livres e periódicas.

Cumprimento especialmente os que se elegerem nas 217 cidades do Maranhão. Desejo que consigam colocar boas ideias em prática, sempre lutando pelos interesses coletivos. Todos e todas podem contar com o Governo do Maranhão. Nesses seis anos, apesar de tantas crises, já executamos milhares de obras. Ampliamos serviços públicos e marcamos presença em todas as cidades do nosso estado.

Eu, o vice-governador Carlos Brandão, secretários de Estado, presidentes de órgãos públicos, estamos à disposição para ouvir a todos, e atender no que for possível. 2021 será um ano muito difícil para o Brasil. Porém, unidos, trabalhando em convergência, podemos fazer mais. Queremos fazer parcerias, acordos convênios, para somar esforços, notadamente na temática social, que é o principal foco do nosso Governo.

Nesses dois anos que ainda temos muito trabalho à frente do Governo do Estado. Até a próxima eleição estadual, podemos fazer muito. Com honestidade, escolha de prioridades justas, o dinheiro público, mesmo que escasso, gera extraordinários resultados. Desejo sorte e sucesso aos eleitos e às eleitas.

Que tenham muita fé em Deus e vontade de servir à população”.

São Luís, 30 de Novembro de 2020.

Ludovicenses vão decidir o futuro imediato de São Luís entre Eduardo Braide e Duarte Jr. Júnior  

 

Eduardo Braide e Duarte Jr. travaram debate de bom nível, mesmo com ataques

Os 699 mil eleitores de São Luís, que representam mais da metade dos seus 1,1 milhão de habitantes, têm, neste Domingo (29), uma decisão difícil para tomar nas urnas: escolher o novo prefeito da Capital entre o deputado federal Eduardo Braide (Podemos) e o deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos), que foram mandados para o 2º turno como os mais votados entre os 10 candidatos que participaram do 1º turno. São dois políticos jovens, de origens diferentes e com personalidades distintas, distanciados também no que diz respeito aos campos partidários nos quais militam. Eduardo Braide é candidato assumido desde fevereiro de 2019, quando assumiu mandato de deputado federal com uma avalanche de votos na cidade. Duarte Júnior está em campanha desde 2019, quando assumiu seu mandato de deputado estadual, tendo sido o candidato mais votado na Capital. Os dois fizeram campanhas politicamente corretas no campo das propostas, mas também com uma face pouco saudável na troca de acusações. Bons de voto, chegam ao ponto final politicamente legitimados, tecnicamente qualificados e moralmente autorizados.

Eduardo Braide, 44 anos, é advogado e tem como marca a ação calculada, bem pensada. Entrou na vida pública pelas mãos do pai, o ex-deputado Carlos Braide, que presidiu a Assembleia Legislativa na década de 1980. Com pouco mais de 30 anos, Eduardo Braide presidiu a Caema por 14 meses no Governo de José Reinaldo Tavares, e depois foi secretário de Orçamento Participativo da Prefeitura de São Luís na gestão de João Castelo (PSDB), somando dois anos e meio de experiência administrativa plena. No campo parlamentar, se elegeu deputado estadual em 2010 e se reelegeu em 2014, tendo sido líder do Governo Flávio Dino na Assembleia Legislativa. Filiado ao PMN, rompeu com o governador Flávio Dino para ser candidato a prefeito de São Luís em 2016 contra o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), que se reelegeu. Em 2018 Eduardo Braide se elegeu deputado federal com mais de 140 mil votos em São Luís.

No campo político, Eduardo Braide atua de maneira independente e faz oposição ao Governo Flávio Dino. Como candidato a prefeito, conseguiu juntar, no 1º turno, o PSDB, comandado pelo senador Roberto Rocha e as três correntes remanescentes do Grupo Sarney: o MDB, liderado pelo deputado Roberto Costa; o PSD, presidido pelo deputado federal Edilázio Júnior; e o PSC, controlado pelo deputado federal Aluízio Mendes. No 2º turno, além desses, ganhou o apoio do DEM, que teve como candidato o deputado estadual Neto Evangelista, e de parte do PDT, com o incentivo discreto, mas efetivo, do senador Weverton Rocha, que se declarou neutro. Se eleito, Eduardo Braide contará com o suporte do Governo Bolsonaro, e do apoio político desses segmentos, que lhe podem abrir portas em Brasília, mas que representam a base da oposição ao governador Flávio Dino.

Duarte Júnior, 34 anos, é advogado e professor de Direito, tendo como marca a ousadia, a disposição para enfrentar desafios. Entrou na vida pública com menos de 30 anos pelas mãos do atual secretário Felipe Camarão (Educação), ganhando o comando do Procon, onde fez uma revolução, tornando-o um órgão de fiscalização, estadualizado, atuante e eficiente. Diante do seu desempenho surpreendente, o governador Flávio Dino entregou-lhe também o Viva Cidadão. Ali, Duarte Júnior fez outra revolução: modernizou o órgão, melhorou a qualidade dos serviços e os levou a dezenas de municípios. Aplaudida por muitos e criticada por alguns, que o acusam de ser midiático, sua atuação à frente do Procon-Viva Cidadão, levada ao conhecimento de milhares e milhares pelo uso inteligente que ele faz das redes sociais, o cacifou como deputado estadual eleito em 2018 pelo PCdoB com a segunda maior votação, sendo que foi  a maior votação dada a um candidato a deputado estadual em São Luís.

Na seara política, Duarte Júnior é integrante destacado do grupo mais próximo do governador Flávio Dino. Iniciou vida partidária no PCdoB, pelo qual se elegeu deputado estadual. Na Assembleia Legislativa, teve atuação marcada por confrontos, exatamente por haver enfrentado “medalhões” da Casa, como o deputado César Pires (PV), por exemplo, e Neto Evangelista (DEM), que se tornou seu inimigo visceral durante a campanha do 1º turno. Duarte Júnior tentou ser candidato pelo PCdoB, mas o deputado federal Rubens Júnior já estava escalado. Conseguiu autorização para deixar o partido e ingressou no Republicanos com o aval do vice-governador Carlos Brandão e o apoio do governador Flávio Dino, que ficou de fora no 1º, apoiando discretamente o candidato do PCdoB. Agora, conta com o apoio aberto e expresso do ex-candidato do PSB, deputado federal Bira do Pindaré e o do governador Flávio Dino, que assumiu seu voto e fez campanha aberta. Se chegar ao Palácio de la Ravardière, terá portas abertas no Palácio dos Leões.

Com Eduardo Braide, São Luís terá uma gestão ajustada, centralizada, com o prefeito tendo o pleno controle da máquina e com foco na Saúde. Com Duarte Júnior, a Capital viverá um período de intensa movimentação, inovação, com foco na prestação de serviços.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Debate na TV Mirante: Braide e Duarte Jr. travaram o melhor combate de toda a campanha

Depois do confronto, o afago das esposas, sob o olhar do mediador Clóvis Cabalau

Eduardo Braide (Podemos) e Duarte Júnior (Republicanos) travaram ontem, na TV Mirante, horas depois de a emissora haver divulgado pesquisa do Ibope dando 50% de intenções de voto para o primeiro e 42% para o segundo, o melhor embate dos realizados na campanha do 2º turno. Mais descontraídos e mais propositivos do que nos outros encontros, os dois candidatos discutiram propostas e trocaram farpas, mas nada do que não já tivesse sido dito um ao outro. Eduardo Braide manteve a serenidade de sempre. Duarte Júnior exercitou sua ousadia mais uma vez. Ambos reafirmaram suas propostas, e mantiveram a linha mesmo nos momentos de maior tensão. Nenhuma palavra ofensiva além do adjetivo “mentiroso” foi pronunciada. Os dois mostraram que estão preparados para comandar a maior e mais importante cidade do Maranhão.

Sobre as proposições para Saúde, Educação, Transporte Público, Infraestrutura e Cultura, os candidatos repetiram integralmente as propostas apresentadas durante a campanha. Eduardo Braide foi mais conservador e menos impetuoso, cuidando de passar uma imagem de equilíbrio e confiança, reforçando a imagem de benfeitor na área de Saúde, principalmente como parlamentar. Duarte Júnior foi mais impetuoso, fez um discurso mais inovador e não tergiversou, passando mais segurança do que nos debates anteriores, usando muito bem o lastro que construiu no Procon/Viva Cidadão, onde indiscutivelmente deixou uma marca forte como gestor.

Os dois coincidiram num ponto crucial. Eduardo Braide disse que se eleito for procurará o Governo do Estado e o Governo Federal em busca de parcerias. Duarte Júnior disse a mesma coisa, com a diferença de que fez questão de ressaltar a aliança que já mantém com o governador Flávio Dino, e avisou que vai usar todos caminhos, incluindo o canal do seu partido, o Republicanos, para chegar às fontes de recursos do Governo Federal.

Enfim, os dois candidatos deram seus recados da melhor maneira possível, coroando uma das campanhas mais emocionadas à Prefeitura de São Luís nos últimos tempos.

Em Tempo: O debate da TV Mirante foi bem sucedido. Bem planejado, deu espaço para os candidatos se enfrentarem sem restrições. E com o detalhe: o jornalista Clóvis Cabalau fez a mediação com segurança e eficiência, tornando definitivamente desnecessária a presença de medalhões globais para comandar esses eventos.

 

Gestão de Edivaldo Holanda Jr. é criticada por candidatos, mas ele faz de conta que não ouve

Poupada durante a campanha do 1º turno e em parte do 2º turno, a gestão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) foi alvo de pancadaria verbal por parte de Eduardo Braide e Duarte Jr.. Não foram críticas  agressivas. Foram observações duras sobre a situação das quase 270 escolas do município, muitas delas sem água, sem banheiros, com problemas no teto e nas portas. Eduardo Braide disse que vai ter de conseguir dinheiro para reformá-las. Nenhuma reação, o que significa dizer que o prefeito vai continuar calado e entregar o bastão ao seu sucessor, independentemente dos ataques que vem recebendo dos candidatos.

São Luís, 28 de Novembro de 2020.

Debate TV Band: Braide se diz próximo ao Governo Bolsonaro e Duarte Jr. reafirma aliança com Flávio Dino

 

Eduardo Braide e Duarte Jr. reafirmaram suas propostas de campanha e se posicionaram claramente no campo político

Eduardo Braide (Podemos) e Duarte Jr. (Republicanos) concluíram o debate da TV Band, realizado em parceria com a TV UFMA, do jeito que o iniciaram: sem nada acrescentar ao que já disseram sobre projetos em outros debates, sabatinas e programa eleitoral gratuito. Apresentaram as mesmas propostas sobre saúde, educação, mobilidade urbana, zona rural, inclusão social; pronunciaram as mesmas frases e trocaram as mesmas acusações. O diferencial do confronto foi nas suas identificações políticas. Eduardo Braide assumiu ter bom relacionamento com o Governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e deixou no ar a impressão de que, se eleito, não precisará de uma boa relação com o Governo Flávio Dino (PCdoB). Já Duarte Jr. se posicionou em sentido contrário, assumindo sua aliança com o governador do Estado, por considerá-la fundamental para uma boa gestão na Prefeitura de São Luís, mas também afirmando que usará os caminhos possíveis para buscar recursos no Governo Federal.

O confronto político foi provocado pelo candidato Duarte Jr., que tomou a iniciativa questionando atitudes e manifestações de Eduardo Braide e classificando de mentirosos os ataques da campanha do candidato do Podemos à sua candidatura. Eduardo Braide tentou evitar o pugilato verbal, argumentando que estava ali para apresentar e debater proposta, mas Duarte Jr. manteve sua estratégia de provocar o oponente, que em vários momentos teve de abandonar o discurso de campanha para se defender, às vezes com sucesso, às vezes se mostrando muito incomodado. Os dois usaram muitas vezes e com insistência o adjetivo “mentiroso”, num processo desgastante para ambos, que repetiram as mesmas e já surradas acusações.

Politicamente, Eduardo Braide deixou claro que tem afinidades e boas relações com o Governo do presidente Jair Bolsonaro, algo que relutou admitir durante toda a campanha, sem, no entanto, assumir a condição de bolsonarista. O candidato do Podemos fez críticas ao governador Flávio Dino, tentando se colocar como responsável pela fatia de recursos que o Governo do Maranhão recebeu como rateio do Pré-Sal, o que na verdade foi uma decisão do Congresso Nacional como um todo. E ao se colocar como amigo do Governo Federal, disse, enfaticamente, que o prefeito de São Luís tem de ser independente, não explicando exatamente em relação a quê e a quem.

Já o candidato do Republicanos não vacilou em se posicionar como parte da aliança do governador Flávio Dino. Duarte Jr. deixou claro que atua no campo liderado pelo governador e que, se eleito, vai ampliar as parcerias que o Governo do Estado já tem com a Prefeitura de São Luís. Ele disse ter certeza de que vai atuar fortemente para aumentar os investimentos do Governo do Estado em São Luís. Em relação ao Governo Federal, foi igualmente enfático ao afirmar que usará todos os meios para obter recursos federais, por entender que não se trata de problema político, mas um direito dos municípios e que recorrerá ao seu partido para ajudá-lo a chegar às fontes de recursos federais.

Bem planejado e comandado sem falhas pela competente e experiente jornalista Daniella Bandeira, o debate da TV Band/TV UFMA poderia ter sido melhor aproveitado pelos candidatos. O problema é que eles já apresentaram repetidamente as suas propostas e esgotaram os seus repertórios de ideias e projetos para suas eventuais gestões. O confronto político, que foi o destaque do evento, serviu para o eleitor saber, finalmente, e agora de maneira muito clara, com quem está Eduardo Braide e com quem está Duarte Jr. na seara política maior, que no fundo move esse confronto. E visto pelo ângulo da política nesse ponto, o debate valeu a pena.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Bira do Pindaré mostra coerência e consciência de grupo

Bira do Pindaré mostra coerência e noção de grupo

“Numa eleição dessas não há espaço para muro”. De todas as declarações feitas nos últimos dias da segunda e decisiva etapa da corrida para a Prefeitura de São Luís, essa foi, de longe, a que melhor definiu o quadro político em que se dá o confronto entre Eduardo Braide (Podemos) e Duarte Júnior (Republicanos).

Quem a pronunciou foi o deputado federal Bira do Pindaré, que participou da disputa pelo PSB e ficou em 5º lugar. E que, numa demonstração de coerência e consciência de grupo, se posicionou ao lado de Duarte Jr., segundo a linha do governador Flávio Dino (PCdoB) e seus aliados mais fiéis. Bira do Pindaré não só declarou apoio ao candidato do Republicanos, mas também  mobilizou o PSB da Capital, se envolveu na campanha e foi para a rua pedir votos.

Vale registrar que Bira do Pindaré fez uma campanha exemplar. Apresentou propostas – entre elas um ousado projeto para desenvolver a Zona Rural de São Luís, e já incorporada por Duarte Jr. -, debateu o cenário social, econômico e cultural da Capital, defendeu enfaticamente políticas de inclusão, bem dentro da sua linha de ação como parlamentar. Além disso, ficou à margem de ataques e agressões, mantendo inalteradas sua postura e sua conduta até no dia da votação, tendo recebido o resultado das urnas com serenidade.

Seu apoio a Duarte Jr. levou em conta dois fatores. O primeiro foi o próprio candidato, que considera o melhor para comandar São Luís, e o outro, a sua noção de grupo, que o colocou na linha adotada pelo governador Flávio Dino na manutenção da grande frente político-partidária construída em 2014, da qual tem sido um dos membros mais atuantes.

 

Rigo Teles mostra habilidade ao pedir apoio ao Governo para  saúde de Barra do Corda

Carlos Lula disse que o pleito de Rigo Teles será atendido em Barra do Corda, que foi eleito prefeito

O deputado estadual Rigo Teles (PL), prefeito eleito de Barra do Corda, deu ontem uma demonstração de inteligência política. Ele procurou o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, para pedir o apoio do Governo do Estado para solucionar os problemas que afetam o Hospital Materno Infantil do município a partir do dia 1º de Janeiro, quando assumirá o comando do município. Ali ocorreram mortes de crianças que até hoje não foram satisfatoriamente explicadas. Também politicamente inteligente, o secretário Carlos Lula não pensou duas vezes e disse ao prefeito eleito a Secretaria de Saúde está pronta para fazer as parcerias necessárias com a nova gestão da Prefeitura de Barra do Corda.

A solicitação do deputado e a resposta positiva do secretário poderiam passar como um fato comum, corriqueiro, já que o Governo do Estado tem atuado de maneira republicana com os municípios. Mas no Caso de Barra do Corda, há um dado diferencial: Rigo Teles derrotou nas urnas o candidato do PCdoB, apoiado pelo atual prefeito Wellriky da Silva (PCdoB). Experiente, decano da Assembleia Legislativa, e no exercício do oitavo mandato, Rigo Teles, dá uma demonstração de habilidade política e de responsabilidade como gestor, à medida que deixa de lado as diferenças políticas e ideológicas com o Governo do Estado e cria uma ponte importante para conseguir meios para viabilizar suas ações no comando municipal.

São Luís, 26 de Novembro de 2020.

Braide e Duarte Jr.: dois políticos com visão própria de poder e com bases de apoio diferentes

 

Duarte Jr. tem aliados mais bem definido, de grupo, como Bira do Pindaré e Carlos Brandão; por sua vez, Eduardo Braide conta agora Osmar Filho e Neto Evangelista

Eduardo Braide (Podemos) e Duarte Júnior (Republicanos) partem para as últimas 80 horas de campanha com suas bases de apoio definidas. Essa definição se consolidou nas últimas 72 horas, quando o deputado Neto Evangelista (DEM), que ficou em terceiro lugar, assumiu a condição de principal apoiador visível – invisíveis não querem aparecer, mas estão agindo intensamente nos bastidores – do candidato do Podemos, liderando a sua torcida em todos os atos de campanha de rua, ao mesmo tempo em que o governador Flávio Dino (PCdoB) tomou para si a condição de principal referência política do candidato do Republicanos, com o apoio direto e visível de seus aliados e auxiliares.  A campanha está “pegando fogo” e ganhando o status de confronto cujo desfecho terá repercussões importantes no tabuleiro da política estadual nos próximos tempos. Mas com um detalhe importante: Eduardo Braide e Duarte Júnior não aceitarão sombras nas suas gestões. Serão protagonistas.

Erra quem supõe que numa eventual gestão de Eduardo Braide haverá espaço para o senador Roberto Rocha (PSDB), seu aliado de ponta, ou para o deputado Neto Evangelista, sentarem à mesa para dar as cartas. Quem conhece o candidato do Podemos sabe que ele tem personalidade forte e não tem grupo político. As forças que o apoiam agora o fazem num jogo de conveniências. Com a noção própria de poder que tem, ele dificilmente rateará sua gestão. Se vier a eleger-se, assumirá o comando pleno da máquina, não aceitando qualquer tipo de interferência. Eduardo Braide sabe que seus entusiasmados aliados de agora, como o senador Roberto Rocha (PSDB), o deputado Neto Evangelista e a banda do PDT que vai ficar sem poder a partir de 1º de Janeiro querem carona na sua gestão, o que é natural. Mas sabe também que dividir o poder é uma questão delicada e cheia de riscos. Logo, é possível prever que boa parte da turma mobilizada em torno dele dificilmente dará cartas na sua eventual gestão.

O mesmo erro comete quem imagina que eleito prefeito Duarte Júnior baixará a guarda e repartirá o poder com aliados de conveniência. Dono de personalidade forte e de uma surpreendente capacidade de trabalho, algo quase compulsivo, não tendo dia nem hora, e com uma noção de comando muito própria, Duarte Júnior será um prefeito que certamente chamará para si toda a responsabilidade da sua gestão. E como demonstrou no Procon e no Viva Cidadão, é dono de uma espantosa capacidade de ação, e com habilidade de motivar seus liderados. Mas, diferentemente de Eduardo Braide, seu ponto de referência e de aconselhamento será sempre o governador Flávio Dino, a quem deve total lealdade. E tem um grupo, o que tornará sua ação bem mais fácil. Com base no seu trabalho no Procon/Viva Cidadão, o governador Flávio Dino sabe que pode contar com ele.

No campo estritamente político, Eduardo Braide e Duarte Júnior serão diferentes, mas com um ponto comum: os dois planejam fazer boas gestões na Prefeitura de São Luís, para servir de portfólio para um projeto maior que cada um alimenta, que vai além do Palácio de la Ravardière. Ambos sonham com o Palácio dos Leões. E sabem que têm concorrentes fortes pela frente. O projeto de Eduardo Braide, que tem 44 anos, é chegar lá mais rapidamente, mesmo avaliando que tem enormes obstáculos pela frente, a começar pelo senador Weverton Rocha (PDT). O de Duarte Júnior, que tem 34 anos, pode ser mais maturado, um pouco mais na frente, já que tem um aliado importante na fila, o vice-governador Carlos Brandão, que tem tido papel importante na sua caminhada partidária.

A catapulta política que os impulsionará será a votação que cada um receberá na eleição de domingo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Othelino Neto parabeniza deputados vencedores e saúda os que não se elegeram

Othelino Neto parabenizou os deputados eleitos Felipe dos Pneus, Fernando Pessoa e Rigo Teles

Com o entusiasmo de quem saiu das urnas como vencedor, mesmo sem ter sido candidato, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) se congratulou ontem com os deputados que disputaram prefeituras e foram eleitos – Felipe dos Pneus (Republicanos) em Santa Inês, Rigo  Teles (PL) em Barra do Corda e Fernando Pessoa (Solidariedade) em Tuntum – se congratulando também com os que não lograram êxito nas urnas, mas que tiveram o mérito de dar substância ao processo político, “semeando aqui para colher mais na frente”.

– Eleição é assim: alguém ganha e outros têm que perder. Então, aqueles que participaram, todos os colegas que disputaram a eleição, merecem nossos parabéns. Evidentemente, os que venceram e, claro, também aqueles que não obtiveram o resultado almejado, mas cumpriram com seu desejo, com o seu papel – disse o presidente. Para ele, vitoriosos ou não, todos merecem reconhecimento por seus esforços e suas mensagens deixadas aos eleitores.

Se eleições municipais movimentaram intensamente a Assembleia Legislativa. A eleição de três deputados para municípios importantes e estratégicos deu bem a dimensão da ação política dos parlamentares. Rigo Teles, que é o decano da Assembleia Legislativa com oito mandatos, vai para o comando de Barra do Corda depois de ter vencido uma eleição tranquila e sem traumas. Fernando Pessoa, um jovem engenheiro recém-chegado à política, vai comandar Tuntum depois de mais de duas décadas de domínio do prefeito Cleomar Tema, o que significa um grande desafio. E Felipe dos Pneus, um empresário jovem e recém-chegado na política que chega ao comando de Santa Inês, uma das mais importantes cidades aposentando de vez a velha guarda representada pelo engenheiro Valdivino Cabral (PL), que foi novidade nos anos 80 do século passado.

O presidente saudou também os deputados que disputaram prefeituras e não conseguiram se eleger. Foram eles: Neto Evangelista (DEM) e Yglésio Moises (PROS) em São Luís, Marco Aurélio (PCdoB) em Imperatriz, Adelmo Soares (PCdoB) em Caxias, Socorro Waquim (MDB) em Timon.

Othelino Neto fez referência à reeleição do prefeito Luciano Genésio (PP) em Pinheiro, marido da deputada estadual Thaíza Hortegal (PP), que disputou o pleito tendo como companheira de chapa Ana Paula Lobato (PDT), esposa do presidente da Assembleia Legislativa. “Fizeram uma bela campanha e obtiveram a vitória. Parabéns, deputada, pela reeleição de Luciano, pelo trabalho que vem sendo feito à frente da Prefeitura de Pinheiro”, concluiu. (Com informações da Assessoria da Alema).

 

Imbróglio eleitoral de São José de Ribamar continua repercutindo no meio político

Júlio Matos venceu Eudes Sampaio e Luís Fernando 

Continua repercutindo nos bastidores políticos e fora deles o resultado da eleição majoritária em São José de Ribamar. E o ponto dos comentários é o seguinte: mesmo que a Justiça Eleitoral confirme que o ex-prefeito Júlio Matos (PL) – eleito com 36% dos votos – seja ficha suja, anule seus votos e reconheça o prefeito Eudes Sampaio (PTB) – que foi o segundo colocado com 27% da votação – como vencedor do pleito, o que ficou claro mesmo foi a derrota do atual prefeito e, por via de desdobramento, do ex-prefeito Luís Fernando Silva e seu grupo. Antes considerado imbatível, agora vai ficando claro de que essa supremacia só existiu enquanto Júlio Matos foi mantido longe das urnas de São José de Ribamar por uma controvertida condenação por supostos desvios quando ele comandou uma maternidade pública em São Luís ainda nos anos 90 do século passado.  Se por decisão da Justiça o prefeito Eudes Sampaio vier a ser brindado com a reeleição, seu mandato terá legitimidade pífia.

São Luís, 25 de Novembro de 2020.