Eliziane Gama ganha apoio do PSDB e tira João Castelo, Neto Evangelista e Sérgio Frota do seu caminho

 

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Eliziane Gama barrou as pré-candidaturas de João Castelo, Neto Evangelista e Sérgio Frota

Quando, cercada por lideranças comunistas e tucanas, recebeu do PSDB manifestação de apoio à sua candidatura à Prefeitura de São Luís, a deputada federal Eliziane Gama consolidou a sua candidatura, e, ao mesmo tempo, mandou para o espaço, de uma só vez, três projetos de candidatura em gestação no ninho ludovicense. Com surpreendente eficiência política e, agora, como estrela em ascensão no novo Governo da República, a pré-candidata do PPS saiu de uma situação de quase isolamento para voltar ao cenário da corrida sucessória como quem superou obstáculos e está dando a volta por cima e em condições de ampliar a sombra que mantém hoje sobre o candidato a ser batido, o prefeito Edivaldo Jr. (PDT). E como um candidato implacável, colocou pá de cal sobre a ideia do deputado federal João Castelo de tentar voltar a ser prefeito, adiou por pelo menos quatro anos a pretensão do deputado licenciado Neto Evangelista de comandar a administração da Capital, e puxou o freio do deputado estadual Sérgio Frota, que vinha embalado afirmando não abrir mão da candidatura.

Emoldurada pelo vice-governador Carlo Brandão, que dá as cartas no PSDB maranhense, pelo senador Aécio Neves, que comanda o PSDB nacional, pelo deputado Roberto Freire, que manda no PPS nacional, pelo ex-prefeito João Castelo, pelo deputado federal Rubens Bueno, um dos “triúnviros” do PPS, e pelo suplemente de senador Pinto do Itamaraty, que presidente o PSDB em São Luís, Eliziane Gama deu o primeiro e decisivo passo para montar uma coligação de peso. E o faz sem correr o risco de ser hostilizada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), que não parece disposto a tensionar a sua relação com o vice-governador Carlos Brandão. E nem abrir uma linha de confronto com PSDB ou com o PPS, partidos que mantém fortes relações com o seu Governo.

Com o cacife de quem lidera a corrida segundo as pesquisas, Eliziane Gama parece ter ajustado definitivamente o passo depois dos vários e desgastantes tropeços que amargou, entre eles a desastrada saída do PPS para ingressar na Rede Sustentabilidade, um movimento sem qualquer lastro político e que só não enterrou seu projeto eleitoral porque este foi corrigido a tempo com o seu retorno ao PPS. E deve prosseguir fortalecendo sua candidatura com uma provável aliança com o PP, podendo alcançar até uma improvável, mas possível, aliança com o PMDB.

Vinda de uma situação de preferência absoluta do eleitorado nas primeiras aferições, quando foi apontada como virtual vencedora do pleito logo no primeiro turno, Eliziane viu sua preferência despencar até chegar a pouco mais de duas dezenas de pontos percentuais, mesmo assim à frente do prefeito Edivaldo Jr., que as pesquisas insistem em informar que está um pouco abaixo dos 20% das preferências do eleitorado. Com a experiência eleitoral que já acumulou, a pré-candidata do PPS sabe que aliança com o PSDB não significa ganhar muitos votos. Mas nas circunstâncias do momento, ter os tucanos como aliados vale como uma injeção de ânimo político. E com uma vantagem a mais, a de que esta parceria eleitoral reforçar seu discurso de que está com o novo Governo da República, o que poderá significar portas abertas na Esplanada dos Ministérios.

Ao declarar apoio ao projeto eleitoral de Eliziane Gama, o vice-governador Carlos Brandão desatou o nó que vinha inibindo os movimentos do partido e se firmou como chefe incontestável do partido no Estado. Por outro lado, esfriou os ânimos dos pré-candidatos João Castelo, Neto Evangelista e Sérgio Frota. O primeiro nada perde, pois sua candidatura seria mais um projeto que não faria nenhuma diferença na sua longa e bem sucedida carreira política. Neto Evangelista perde porque jogou mal e, talvez por inexperiência, não soube dar o tom adequado ao discurso por meio do qual andou se lançando pré-candidato. A maior perda quem sofre é o deputado Sérgio Frota, que acreditou mesmo no projeto e apostava que o partido lhe daria a vaga de candidato, o que não aconteceu.

Cabe a Eliziane se desdobrar para ganhar o apoio dos três. Pelas seguintes razões: Castelo é dono de um eleitorado cativo em São Luís, que pode seguir sua orientação, se ele indicar o candidato; Evangelista herdou do pai, o ex-deputado João Evangelista, uma expressiva base eleitoral na Capital; e Frota tem forte influência sobre a torcida do Sampaio Corrêa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Todos perguntam: como Sarney, com quase 60 anos de praia, caiu na cilada de um político de segunda como Sérgio Machado?
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Sarney caiu numa armadilha montada por um político mequetrefe e do baixo clero

Não é confortável a situação do ex-presidente José Sarney (PMDB) face à revelação do teor das conversas com o ex-senador e ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Por mais que se use o argumento de que foram conversas “privadas”, que elas não revelam uma ação efetiva, e que no geral foram manifestações de opinião e avaliações sobre o cenário político, não dá para o cidadão comum não se surpreender e não afundar na perplexidade com algumas declarações do ex-chefe da Nação. Mais ainda falando abertamente e trocando impressões sobre temas gravíssimos com um político do baixo clero, que foi um senador apagado e que só ganhou alguma projeção como presidente da Transpetro e, nessa condição, agora de sabe, operou  somas milionárias para as campanhas do PMDB.

Para quem conhece os meandros da política e tem noção clara de quanto é pesada a guerra pelo poder compreende algumas frases que soam muito forte para a maioria. O ex-presidente da República trocava com um amigo (que amigo canalha, heim?!) impressões sobre o rolo-compressor que é a Operação Lava Jato e tentavam alinhavar caminhos para “ajudar” parceiros apanhados pela rede das delações. As sugestões vão de simples manobras até planos mirabolantes de “amolecer” ministro do Supremo Tribunal Federal, especialmente o relator da Operação, Teori Zavaski, um magistrado de reputação irretocável. Outros diálogos revelam um Sarney ora inseguro, ora irritado e ora meio atordoado, insistentemente provocado por Sérgio Machado e respondendo com monossílabos, às vezes parecendo incomodado. O mais chocante, até mesmo para quem o conhece, é ouvi-lo, preocupado, como se estivesse amedrontado.

Mesmo considerando o fato de que foram conversas fechadas, nas quais os interlocutores falam mais abertamente, é absolutamente desapontador ouvir José Sarney se referir de maneira tão inadequada a ministros do Supremo Tribunal Federal, sugerindo que o Brasil caminha para uma ditadura do Judiciário, avaliando que essa será, se vingar, a pior das ditaduras.

A bombástica e surpreendente revelação sugere uma série de indagações. Como pôde José Sarney, aos 86 anos e quase 60 anos de praia, cair numa cilada armada por um político mequetrefe como Sérgio Machado? Onde estava o faro da raposa experiente, que construiu uma carreira que inclui cinco anos de Presidência da República, três anos e meio como governador do Estado e oito anos de presidência do Senado e Congresso Nacional? Como se explica que um az da política que conviveu os mais importantes líderes da segunda metade do século passado para cá, como Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, se bateu com Leonel Brizola e Neiva Moreira, para citar alguns exemplos se encontra agora constrangido por um golpe tão primário? Enfim, como o político consagrado como comandante da transição da ditadura para a democracia, e que tinha até agora a fama de ouvir muito e falar pouco, caiu numa cilada dessas?

São indagações difíceis de responder, porque tudo o que está acontecendo no momento como um dos mais experientes políticos da República parece ser uma recomendação um tento enfática de que está na hora de ele se recolher e mergulhar nas suas memórias e esperar que a História o julgue. Afinal, Os Renans, os Jucás e os Machados da vida podem, e devem, responder pelos seus malfeitos e acertar suas contas com a Justiça.

 

São Luís, 26 de Maio de 2016.

Crise no PSB: Roberto Rocha mostra força e impõe dura derrota a Luciano Leitoa, José Reinaldo e Bira do Pindaré

 

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Roberto Rocha venceu queda de braço com José Reinaldo, Luciano Leitoa e Bira do Pindaré no PSB

O desfecho da crise que resultou no enquadramento do braço do PSB em São Luís com a entronização de uma comissão executiva provisória presidida pelo vereador Roberto Rocha Jr. produziu, de um lado, uma demonstração de que quem manda no pedaço é o senador Roberto Rocha e, de outro, causou um estrago político de largas proporções, se levadas todos os alvos alcançados pelos estilhaços do embate. Foram duramente atingidos o presidente estadual do partido, Luciano Leitoa (prefeito de Timon), o deputado federal e ex-governador José Reinaldo Tavares, e o deputado estadual Bira do Pindaré, talvez o bombardeado que, feitas as contas de ganhos e perdas, mais tem a perder. Poucas vezes crise intestina numa legenda no Maranhão durou tanto, mobilizou tantos caciques e provocou tantas perdas e danos no fechamento do balanço final.

Não há qualquer dúvida de que quem saiu do confronto interno com a voz de comando no PSB de São Luís foi o senador Roberto Rocha. Há meses seguidos, o senador, o deputado federal José Reinaldo, o presidente estadual Luciano leitoa e o deputado Bira do Pindaré, vinham travando no âmbito interno do partido guerra aberta pelo controle do PSB em São Luís. Há tempos que se sabia que esse braço partidário era domínio do senador Roberto Rocha, que fortaleceu seu comando no processo político e eleitoral que resultou na eleição dele vice-prefeito de São Luís na chapa siderada pelo refeito Edivaldo Jr., então do PTC.  Roberto Rocha jogou com habilidade e saltou do cargo de vice-prefeito para a vaga de candidato a senador na chapa de Flávio Dino (PCdoB), saindo das urnas vitorioso em 2014.

Desde que os líderes partidários começaram a conversar sobre as eleições municipais, o senador Roberto Rocha deixou claro que o destino do PSB de São Luís é sua responsabilidade, não aceitando qualquer tipo de interferência. Foi nesse contexto que o deputado estadual Bira do Pindaré decidiu lançar sua candidatura a prefeito, mas cometendo o erro primário de não negociar esse projeto com o senador Roberto Rocha. O resultado da investida embalada por um perigoso excesso de autoconfiança foi que o deputado se deparou com um clima de quase hostilidade à sua candidatura. Em vez de procurar a via da conciliação de interesses com Roberto Rocha, Bira do Pindaré partiu para o enfrentamento, procurando apoio na direção estadual e no comando nacional do PSB, como também articulando uma aliança com o deputado federal José Reinaldo, adversário de Rocha dentro do partido.

O último tropeço foi a tentativa de destituir o grupo de Rocha do comando por meio de uma decisão da executiva de extinguir a comissão executiva municipal e nomear uma nova presidida por José Reinaldo. Como numa ação de amadores, o presidente Luciano Leitoa, o experiente José Reinaldo e pretenso beneficiário Bira do Pindaré esqueceram um detalhe elementar: Roberto Roche é senador da República, ente político com peso monumental, principalmente neste momento de crise. Estava, portanto, óbvio, ululante, que entre os interesses de Roberto Rocha e o projeto eleitoral de Bira do Pindaré, o comando nacional do PSB ficaria com o senador. Não deu outra: menos de 48 horas depois de a direção estadual impor uma comissão comandada pelo deputado José Reinaldo e São Luís, os socialistas de alto coturno desmontaram o efeito e nomearam uma novinha, só que comandada pelo vereador Roberto Rocha Jr., herdeiro do senador Roberto Rocha.

Os contendores do senador dentro do PSB ainda não se deram conta de que estão jogando com um político pragmático, que joga duro quando tem de jogar e que aprendeu com o pai, Luiz Rocha, um político que se transformava em onça feroz ou em raposa manhosa quando a situação exigia. Não fosse um jogador que usa todas as ferramentas da política para chegar onde planeja, Roberto Rocha certamente não teria chegado onde está agora.

Ao mesmo tempo em que obrigou ao senador Roberto Rocha a mostrar os músculos, essa medição de forças causou estragos fortes dentro do partido. Primeiro: amplia ainda mais o fosso que separa os dois grupos dentro do PSB. Segundo: o prefeito Luciano Leitoa, que busca reeleição em Timon, sai do episódio fortemente arranhado. Terceiro: o deputado José Reinaldo entrou numa briga que está muito abaixo de um político da sua estatura e acabou fortemente atingido. Quarto: por fim, o deputado Bira do Pindaré, que assim vê mais distante o seu projeto de disputar a Prefeitura de São Luís.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sarney Filho tem cacife para continuar ministro sem deixar o PV
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Sarney Filho: entre o ministério e o PV

Pode até ser que o deputado federal Sarney Filho se sinta em posição desconfortável como ministro do Meio Ambiente na quota do presidente interino Michel Temer, e que por isso o PV está sugerindo que ele se licencie para permitir que o partido mantenha independência em relação ao governo temporário. O problema é que quem se manifestou pelo PV foi o senador paranaense Álvaro Dias, que chegou ao partido há alguns meses. Dias é um político respeitado, mas tem suas rasuras na trajetória, sendo a principal delas o fato de já ter passado por uma penca de partidos – PMDB, PDT, PSDB, PV, por exemplo -, o que compromete fortemente sua credibilidade partidária para dar pitaco nesse nível. Sarney Filho, por seu lado, tem uma trajetória partidária impecável: começou na Arena, que virou PDS, que virou PFL, de onde saiu para o PV, no qual milita há mais de duas décadas, tendo sido um seus primeiros deputados e um dos fundadores da Frente Parlamentar Ambientalistas da Câmara Federal, e de lá para cá já foi tudo no partido na esfera parlamentar. Se quiser, pode deixar o ministério sem problemas, mas se resolver continuar e incomodar ao partido, poderá deixar o PV sem perder seu prestígio político. Ou seja, se o PV acha que pode abrir mão de Sarney Filho, ele tem cacife para deixar PV e seguir em frente.  No meio político, ninguém duvida de que se ele sair do PV primeiro convite que receberá será o de Marina Silva para que entrar na Rede Sustentabilidade.

Fábio Braga alerta que safra de grãos foi afetada por “El Niño”
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Fábio Braga alerta para safra perdida por causa do “El Niño”

O Maranhão pode amargar uma perda de pelo menos 30% na sua safra de grãos programada para este ano. E o principal responsável por tamanho desastre imposto ao setor agrícola estadual é o fenômeno climático “El Niño” e suas consequências afetam diretamente a milhares de produtores, que assim acumulam prejuízos financeiros, o que comprometem também a cadeia da produção agrícola e afeta gravemente e a receita fiscal do Estado. Tal estado de coisas foi mostrado recentemente à Assembleia Legislativa pelo deputado Fábio Braga (SD), que tem no setor produtivo um dos eixos da sua atuação política e parlamentar. Pelo relato de Fábio Braga, baseada em estudos técnicos, por causa da forte estiagem ocorrida no final de 2015 e no mês de fevereiro de 2016, os produtores rurais estão preocupados com a safra, que corre riscos de não acontecer, pois o “El Niño” teve um efeito devastador nas lavouras, atrasando o plantio em mais de 50 dias nas regiões produtoras do Sul e do Norte.  Fábio Braga calcula que a queda real da safra gira em torno de mais de 30%. E o custo de replantio também pesa na conta dos produtores rurais maranhenses.  “Alguns têm propriedades em regiões com chuvas abundantes, e produzem em média 60 sacas por hectare, o que certamente não será alcançada nessa safra”, previu. As consequências: o Porto do Itaqui terá menos grãos para exportar e os produtos da cesta básica ficaram mais caros, haja vista lavouras de arroz e feijão terem sido afetadas. “Os técnicos da Embrapa dizem que o “El Niño” foi intenso e que o solo arenoso tolera períodos mais curtos de estiagem e, por isso, é importante a cobertura e rotação das culturas”, alertou.

 

São Luís, 24 de Maio de 2016.

Conversa de Jucá com Machado mostra que Flávio Dino estava certo quando manteve o discurso de golpe contra Dilma

 

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Flávio Dino discursa no Palácio do Planalto em defesa da presidente Dilma

A revelação da explosiva e reveladora conversa do senador Romero Jucá (PMDB), até ontem à noite ministro do Planejamento do Governo do presidente interino Michel Temer, e do ex-senador cearense e ex-presidente da Transpetro, a poderosa subsidiária da Petrobras para transporte de petróleo e derivados, Sérgio Machado (PMDB), rejuvenesceu o argumento da presidente Dilma Rousseff (PT) e do seu principal aliado fora da seara petista, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), de que o processo de impeachment é fruto de uma trama para tomar o poder, ou seja, um golpe. As declarações que vieram à tona  nas páginas do jornal Folha de S. Paulo não só reforçam a denúncia, como não deixam dúvida de que o governador Flávio Dino estava certo quando insistiu na tecla, mesmo depois que o Senado da República afastou a presidente e abriu caminho para a posse do vice-presidente Michel Temer (PMDB). Dino foi duramente criticado por alguns que, apressadamente, defenderam que ele deveria saudar Temer como “rei posto” e engolir o discurso em favor do mandato da presidente Dilma para entregar-lhe sua alma política como  “defensor dos interesses do Maranhão”. A Coluna registrou algumas vezes a impressão de que o político Flávio Dino parecia saber o que estava fazendo quando não se dobrou àquelas pressões.

Quando entrou para valer na briga contra o pedido de impeachment, ainda no ano passado, Flávio Dino adotou um discurso claro e direto defendendo a presidente Dilma Rousseff e não o Governo do PT. Nas suas muitas manifestações – discursos, entrevistas, artigos publicados em grandes jornais e mensagens nas suas contas nas redes sociais, especialmente o twitter -, ele vem batendo no bordão segundo o qual a presidente não cometeu nenhum crime que justifique o seu impedimento. Para ele – e para muitos outros intérpretes da situação -, “pedaladas fiscais” e decretos para justificar movimentação orçamentária são “escorregões” de gestor, que podem causar “puxões de orelhas” do Tribunal de Contas da União (TCU), mas não são crimes que condenem à extinção um mandato garantido por 54 milhões de votos.

Ao longo do embate, o governador do Maranhão em nenhum momento levantou a bandeira do PT, não disse uma frase que pudesse ser interpretada como uma manifestação de tolerância com as denúncias de corrupção contra o governo, como também não se posicionou contra a Operação Lava Jato. Nesse último item, criticou algumas decisões do juiz Sérgio Moro, mas sem maiores consequências, já que o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) agiu para fazer as correções necessárias nas decisões polêmicas do magistrado-chefe da Operação. Nenhuma das suas manifestações conteve qualquer sinal ou evidência de que ele defendia uma ilegalidade ou um esquema de corrupção. A tecla em que insistiu bater foi só a de que o pedido de impeachment acatado pelo então presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não tem lastro, afronta princípios da Carta Magna, e, portanto, é um golpe.

A intrepidez com que defendeu suas posições ganhou projeção definitiva quando discursou no Palácio do Planalto em nome de juristas contrários ao impeachment  e defensores da legitimidade e da integralidade do mandato presidencial. Naquele momento até aliados avaliaram que ele deu um passo maior que as pernas, argumentando que extrapolou na exposição. Em vez de refletir sobre o que seus adversários e críticos disseram, ele reforçou suas teses nas redes sociais, tornando sem efeito qualquer observação crítica a respeito dos seus movimentos como aliado incondicional da presidente da República. E vem mantendo essa linha de ação sem dela se afastar um milímetro, correndo todos os riscos de tropeçar ou sofrer retaliações.

Agora, diante da revelação da conversa de Romero Jucá com Sérgio Machado, que contém as mais fortes evidências da trama por ele apontada, o governador Flávio Dino ganha um reforço e tanto à sua posição e ao seu discurso contra o impeachment. A revelação deu dimensão à suspeita de que por trás da fachada de legalidade que cobre o processo em curso no Senado há uma rede sombria de tramas, que, ampliada, compromete gravemente a já duvidosa  operação de derrubada da chefe da Nação.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Conversa gravada e não revelada ainda colocaria o ex-presidente Sarney em situação de extrema dificuldade
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Sarney na conversa gravada por Machado; Lobão seria citado

Não será surpresa se os estragos da revelação da conversa entre o senador Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro e ex-senador Sérgio Machado alcançarem o Maranhão, atingindo fortemente o senador Edison Lobão e, por incrível que possa parecer, o ex-senador José Sarney. O sintoma de que isso pode acontecer está numa nota divulgada pelo colunista de O Globo, Lauro Jardim. No texto, ele afirma que conversou com uma fonte que ouviu duas gravações feitas por Sérgio Machado, sendo uma com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) e outra com o ex-presidente José Sarney (PMDB). Jardim informa que sua fonte afirmou que o conteúdo da conversa divulgada ontem “é fichinha” diante das travadas por Machado com Renan e Sarney. O colunista de O Globo, que publica sua coluna aos domingos em O Estado do Maranhão, prevê que se as duas conversas forem reveladas, os pilares da República serão abalados de vez. Outras fontes avaliaram que se o bate-papo entre Jucá e Machado destronou o primeiro do Ministério do Planejamento, que ganhou como prêmio pelo seu desempenho nas articulações que afastaram a presidente Dilma em meio ao processo de impeachment, as conversas com Sarney e Renan poderão resultar em problemas graves para os dois e até na desmoralização do impeachment e a volta da presidente Dilma ao Palácio do Planalto.

 

Onda de incêndio a ônibus causa debate quente entre situação e oposição na Assembleia Legislativa
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Cabo Campos, Júnior Verde, Wellington do Curso, Bira do Pindaré, Eduardo Braide e Rogério Cafeteira: debate na AL

Os ataques incendiários a ônibus ocorridos em São Luís na última semana esquentaram ontem o embate entre situação e oposição na Assembleia Legislativa. Mesmo sem vítimas, os ataques – 15 ao todo, com oito ônibus veículos incendiados – instalaram um clima de medo na Capital e quebraram a normalidade no sistema de transporte de massa, e na contrapartida, uma reação dura da Polícia, que resultou até ontem à noite na prisão de 35 suspeitos e, finalmente, no desembarque de forças federais, que entrarão hoje em operação na segurança da cidade.

Em tom crítico, Cabo Campos (DEM) declarou: “As facções estão se organizando, mandando mensagem para cá e para lá. Parabenizo a ação forte da Polícia, com mais de 35 presos, mas precisamos melhorar a diária dos nossos policiais”, disse o deputado Cabo Campo (DEM), provocando o debate. Avaliou que os policiais vindos do interior para reforçar o policiamento da Capital estão submetidos a uma escala muito pesada de trabalho e ganhando uma diária de R$ 150, “que ainda não foi paga”. E provocou em tom de reclamação: “Os militares da Guarda Nacional já chegam aqui com a diária no bolso de R$ 272,00 e vão ter um bom alojamento, uma boa alimentação e uma escala digna de trabalho. Por que não darmos essas mesmas condições aos nossos policiais?”.

O deputado Júnior Verde (PRB), que é policial civil e preside a Frente Parlamentar de Segurança Pública e Privada, manifestou-se favorável à vinda da Guarda Nacional, mas advertiu que a medida é paliativa. Verde sugeriu medidas como a continuidade dos concursos públicos;  investimentos em viaturas e em armamento e a implantação de bloqueadores de sinais de celulares em presídios, a imediata transferência de todos os líderes de facções que atuam dentro dos presídios e adotar leis mais duras contra a bandidagem.

O deputado Wellington do Curso (PP) avaliou que Segurança Pública é um problema estrutural e que todos são responsáveis. “Enquanto não chega o braço do Estado, enquanto não chegam as benfeitorias, chega o braço da criminalidade, do crime organizado. No Bairro do Coroadinho, por exemplo, temos 65% dos jovens envolvidos com algum tipo de crime ou consumo de drogas. Pedimos ao governador mais empenho, mais atenção na parte estruturante do governo do Estado, para que possamos conter essa onda de violência”, observou.

O deputado Bira do Pindaré (PSB) saiu em defesa do Governo ao afirmar que a população percebeu uma clara mudança de postura do Estado no enfrentamento da violência. Para ele, o que se viu nesses últimos dias em São Luís é uma clara reação da criminalidade ao avanço da Polícia com as blitzen, com o enfrentamento ao tráfico de drogas, com a presença do policiamento nas ruas. “O governo não ficou omisso, não se escondeu e tomou todas as providências possíveis ao seu alcance para dar respostas imediatas a esses episódios. Eu vi o secretário de Segurança na rua, vi o governador na rua, lá no Coroadinho. Parabenizo o governador Flávio Dino, o secretário de Segurança e a Polícia Militar pela atitude. É isso que se espera de um governo”, ressaltou.

Mas no contrapeso, o oposicionista Edilázio Júnior (PV) destacou a mudança de discurso de alguns deputados da Casa e do governador Flávio Dino diante dos mesmos fatos já ocorridos em São Luís no Governo passado. “À época, Flávio Dino e seus liderados diziam que era falta de pulso, falta de comando. Agora não. Agora é porque o governo está combatendo o crime, está indo pra cima da bandidagem. Isto é querer brincar com a opinião pública, é querer brincar com os maranhenses”, ressaltou. E foi mais longe: questionou por que o governador não convoca os excedentes do último concurso da Polícia Militar e preferir recorrer à ajuda do Governo de Temer, que ele acusa de golpista, para socorrer o Maranhão com o envio da Força Nacional. “Sairia mais barato chamar os excedentes, traria mais emprego e mais estabilidade para o nosso Estado”, argumentou.

Por sua vez, o deputado Eduardo Braide (PMN) disse que é inadmissível que São Luís fique refém de uma situação como essa. “A Força Federal deve ser chamada para dar sua contribuição, principalmente no que diz respeito ao serviço de inteligência. Esta Casa precisa tomar a frente e se alguma medida legislativa estiver ao alcance, temos que colocá-la urgentemente no ordenamento jurídico para dar mais segurança, para dar mais tranquilidade a essa população que tanto sofre”, defendeu.

Finalmente, o líder do Governo, deputado Rogério Cafeteira (PSB), afirmou que o Governo não negociou e nem negocia com facções e destacou o trabalho feito pela Polícia Militar e Civil no enfrentamento da onda de ataques. “Eles merecem nossa referência, nossa admiração e respeito. Eles estão no enfrentamento e a Força Nacional vem para ajudar. Nós vamos enfrentar a crise e vencer. Aqui não cabe a nós fazer comparação e nem politizar um problema deste, que é um problema de toda a sociedade”, observou.

 

São Luís, 23 de Maio de 2016.

 

ESPECIAL: Mudança no comando da República muda o discurso e a posição dos principais pré-candidatos a prefeito de São Luís

A troca de comando no Palácio do Planalto, com o afastamento temporário – que pode se tornar definitivo se o impeachment passar – da presidente Dilma Rousseff (PT), e a posse do presidente interino Michel Temer – que pode se tornar efetivo se a presidente Dilma cair – poderá mudar o cenário de tendências hoje desenhado para a disputa pela Prefeitura de São Luís. Faltando menos de dois meses para o início do período das convenções partidárias que escolherão candidatos a prefeito e a vereador, há sinais de que um novo painel poderá ser riscado, já que o equilíbrio de forças foi alterado com a reviravolta radical na situação política do País. Os desdobramentos dessa mudança brusca e radical influenciarão na corrida pelo comando da Capital? Há quem avalie que sim, mas também há quem pense que a troca de governo não influenciará a guerra pelo voto no âmbito dos municípios. É provável que os fluídos não alcancem municípios menores, onde a briga pelo voto é paroquial, mas é pouco provável que colégios como São Luís e Imperatriz, por exemplo, escapem dessa influência.  Daí ser pertinente a indagação: entre os pré-candidatos a prefeito de São Luís, quem ganha e quem com a troca de guarda no poder central da República?

Quem ganha

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Eliziane Gama, Andrea Murad e Fábio Câmara podem ganhar força com novo discurso para a campanha

O vereador Fábio Câmara e a deputada estadual Andrea Murad, que disputam a vaga de candidato do PMDB, são, aparentemente, os grandes beneficiados com a ascensão do pemedebista Michel Temer à presidência da República. Eles ganharam o discurso de que o seu partido está no poder e que isso facilitará a viabilização dos seus projetos de governo. Há cerca de dois meses, quando o PMDB decidiu romper com o PT e desembarcar do Governo Dilma, Fábio Câmara esteve em Brasília e foi recebido pelo então vice-presidente Temer, a quem expôs o seu projeto de chegar à Prefeitura e ouviu que se ele se tornar o candidato, terá todo o seu apoio – a conversa foi testemunhada pela senadora Marta Suplicy, pré-candidata do PMDB em São Paulo. Semanas depois, quando Michel Temer esteve em São Luís e almoçou na residência do senador João Alberto, Andrea Murad fez um discurso avisando ser pré-candidata e cobrando apoio do então vice-presidente, ouvindo em seguida que apoio não lhe faltará se ela for candidata. Dentro do Grupo Sarney há ânimo novo com a queda de Dilma Rousseff e já se fala em reunir PMDB, PV e outros partidos menores para lançar um candidato, pode o vereador ou a deputada.

Ganha força também a deputada federal Eliziane Gama, cujo partido, o PPS, foi um dos mais ativos no movimento para a derrubada do Governo do PT. Se permanecesse na oposição, correria sérios riscos de ter sua candidatura politicamente esvaziada, mas com aliados no comando do País, ganha novo ânimo. A mudança de comando em Brasília deu a Eliziane Gama mais gás para articular uma aliança partidária forte, que pode reuniu PPS, PSDB e PSB, todos integrantes da grande aliança que assumiu o Governo do País. Ela tem conversado muito com o vice-governador Carlos Brandão, que comanda o PSDB, e com o senador Roberto Rocha, que controla o PSB, o que abre a possibilidade de uma aliança em torno da sua candidatura.

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João Castelo, Neto Evangelista e Sérgio Frota também ganharam novo discurso para suas corridas pelo voto

Juntamente com o PMDB, o PSDB foi um dos partidos que mais ganharam com a derrubada do Governo Dilma, saindo de uma posição de dificuldades políticas para sentar à mesa e voltar a dar as cartas como o mais forte aliado do Governo de Michel Temer.  No novo cenário, o deputado federal João Castelo, o deputado estadual Sérgio Frota e o deputado estadual licenciado Neto Evangelista ganharam ânimo e parecem dispostos a pressionar o partido para ter um candidato. O vice-governador Carlos Brandão, vinha manobrando para levar o PSDB para a aliançado prefeito Edivaldo Jr., começa a rever sua posição, já admitindo até, o lançamento de candidato próprio a participação do partido em outra aliança. Antes, terá de convencer Castelo, Frota e Evangelista.

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Eduardo Braide e Wellington do Curso também podem usar o discurso da mudança nas suas campanhas

Ganham também os pré-candidatos Eduardo Braide (PMN) e Wellington do Curso (PP). Não é possível a avaliar, por exemplo, o peso político do PMN na candidatura do deputado Eduardo Braide, mas o simples fato de acrescentar ao seu discurso o fato de seu partido pertencer à base de sustentação do novo Governo é um dado animador. A situação é praticamente a mesma do deputado Wellington do Curso, que poderá usar o argumento da força do PP na aliança política que está dando as cartas em Brasília.

Quem perde

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Agora na oposição, Edivaldo Jr. e Bira do Pindaré perderam o discurso de aliados do Governo Federal 

O prefeito Edivaldo Jr. (PDT), cujo projeto de reeleição tem como base política o seu partido e o PCdoB, liderado pelo governador Flávio Dino. A aliança que lastreia a pré-candidatura do prefeito conta ainda com vários partidos menores, que não, influenciam no lastro. O PDT e o PCdoB foram os dois partidos, além do PT, que estão votando em bloco contra o impeachment da presidente Dilma, inclusive adotando um discurso duro e agressivo contra o PMDB e seus aliados, assumindo assim, sem nenhuma dúvida, o papel oposição ao Governo Michel Temer. Nesse contexto, o prefeito Edivaldo Jr. vive uma situação tão singular quanto complicada: não pode se apresentar como aliado do Governo Temer, como também terá dificuldade de adotar um discurso como oposição, já que na sua aliança estão vários partidos que apoiam o novo Governo, como o DEM, por exemplo.

O PSB vive uma situação complicada em São Luís no que diz respeito a que discurso adotar na campanha, se de fato vier mesmo a ter um candidato. Se o nome for o deputado estadual Bira do Pindaré, dificilmente ele poderá se colocar como aliado do novo Governo da República, a começar pelo fato de que tem se movimentado como aliado do da presidente afastada Dilma Rousseff, adotando o mesmo discurso “contra o gol” do governador Flávio Dino. Mas sua pré-candidatura está por um fio, já que o senador Roberto Rocha, que de fato é quem dá as cartas no PSB de São Luís, além de simpatizar com o projeto de Pindaré, parece não gostar da ideia de PSB ter em São Luís um candidato hostil ao Palácio do Planalto.

Em relação aos candidatos de partidos menores, a começar pelos de esquerda (PSOL e PSTU), a situação política nacional não tem qualquer influência. Daí tanto fazer se eles sejam a favor ou contra o Governo central.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Ouvindo os ecos do pedido de Sarney e dos protestos, Temer recria o Ministério da Cultura
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Sarney pediu a ressurreição do MinC, Temer fez que não ouviu, mas acabou se dobrando, e a raposa levou a melhor

A decisão do presidente interino Michel Temer de voltar atrás e ressuscitar o Ministério da Cultura, que fora incorporado ao Ministério de Educação com o status de secretaria, foi motivada pela reação da classe artística, que se mobilizou em protesto e com seguiu criar uma grande onda nacional, com manifestações no País inteiro, inclusive no Maranhão. Nessa decisão, pesou o pedido feito pelo ex-presidente José Sarney, que alertou o presidente interino de que a medida foi antipática e que desagradou praticamente todos os segmentos da área cultural em todas as regiões. Sarney apelou para o bom senso de Temer certo de que seria ouvido. Em princípio, a impressão que passou foi a de que o presidente interino esnobou o pedido do ex-presidente, o que, aparentemente, deixou Sarney numa posição desconfortável. Mas a velha raposa sabia o que estava fazendo. Seu faro e seus ouvidos, muito afinados, lhe diziam que os protestos contra a extinção da pasta ganhariam volume a ponto de colocar o presidente interino numa situação delicada. Não comentou o não atendimento do seu pedido, mergulhou no silêncio e esperou, sabendo perfeitamente o que estava fazendo. Não deu outra: os protestos se espraiaram, as manifestações ganharam robustez e as vozes prudentes do Governo certamente sopraram conselhos para que Temer voltar atrás ainda a tempo de não deixar sequelas mais graves com o mundo artístico brasileiro, que está entre os segmentos mais politizados da Nação. Quando registrou o pedido de Sarney não atendido por Temer, a Coluna avaliou que, mesmo não sendo sutilmente esnobado, Sarney sairia do episódio na confortável situação do criador que tentou salvar a sua importante criatura da degola, enquanto Temer entraria para a história como o verdugo que fez a degola contra a vontade da maioria. Michel Temer ouviu Sarney pela voz das ruas, e vai se eternizar como o poderoso que corrigiu a tempo um erro monumental depois de alertado pelo criador. Em resumo: a mais experiente raposa da República acrescentou mais um item à sua vasta coleção de vitórias.

 

São Luís, 21 de Maio de 2016.

 

Perda do poder deixa o PT do Maranhão desorientado e sem saber para onde ir nas eleições municipais.

 

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Monteiro, Zé Inácio e Zé Carlos são hoje a cara do PT sem rumo

Nenhum braço partidário do Maranhão encontra-se em situação tão complicada e está com futuro tão indefinido quanto o PT. Dividido quando exerceu o poder com o PMDB no estado, mas alimentando visível autoconfiança estimulada pelo fato de estar com poder pleno na República, o partido  mergulhou em crise quando o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff começou a ser movimentado no Congresso Nacional. Agora sem poder na União nem no estado, a agremiação petista vive uma situação traumática do partido que nasceu para ser oposição, mas que chegou ao poder, gostou de mandar, e que agora, sem ele, se move sem saber exatamente para onde ir. As duas correntes petistas que se batiam no Maranhão vivem, no momento, a perplexidade da perda do poder e das consequências de o partido ter perdido a credibilidade. Os dois grupos, que se tornaram adversários figadais, tentam hoje se reaproximar, mas se deparam com imensas dificuldades.

Presidida pelo professor Raimundo Monteiro, um militante calejado, a corrente que controla o Diretório estadual se desdobra para manter o partido de pé, juntamente com o braço da CUT no Maranhão. Esse grupo tenta ganhar fôlego flertando, de um lado, com o governador Flávio Dino (PCdoB), numa relação que se estreitou depois que o chefe do Executivo abraçou a causa da presidente Dilma Rousseff, transformando-se no seu mais tenaz defensor contra o pedido de impeachment. Mas do outro lado está a banda do PT que nunca se aliou ao PMDB e faz parte do staf que assessora Dino desde suas primeiras campanhas eleitorais. Esse grupo, que tem como expoentes os secretários de Direitos Humanos e Mobilização Popular, Francisco Gonçalves, e de Esportes, Márcio Jardim, admite a possibilidade de reunificar o partido no Maranhão, embora conviva com a suspeita de que a reunificação seja um objetivo difícil de ser alcançado. No meio dos dois grupos está a CUT, o braço sindical do partido, que diferentemente das outras centrais sindicais, firmou a decisão de não reconhecer o Governo do presidente Michel Temer.

O PT maranhense nunca foi uma sigla de grande expressão eleitoral, e até aqui não teve uma representação de fato expressiva em matéria de mandatos. Mas foi o terror oposicionista dos governos de João Castelo (segunda metade), Luis Rocha (1983/1987), Epitácio Cafeteira (1987/1990), Edison Lobão (1991/1995) e os dois primeiros mandatos de Roseana Sarney (1995/2002), e gerou quadros importantes, como o ex-deputado federal Domingos Dutra, atualmente no PCdoB. Mas hoje, o PT é um partido inexpressivo, sem o charme político dos tempos em que brigava contra tudo e contra todos como a mais autêntica e destacada corrente de oposição de esquerda. Nas eleições de 2014, quando se esperava que ele saísse das urnas fortalecido no embalo da reeleição da presidente Dilma Rousseff, a secção maranhense do partido de Lula quase naufragou de vez. Além de não ter renovado seu condomínio com a Vice-Governadoria, perdeu feio na briga proporcional, ao eleger apenas um deputado federal, José Carlos Araújo, um funcionário graduado da Caixa que em nada lembra um petista. E elegeu apenas dois deputados estaduais, a discreta Francisca Prima, uma professora de Buriticupu que sempre foi vista com reserva por petistas mais afoitos, e por esse e outros motivos desembarcou do PT e entrou para as fileiras do PCdoB; e Zé Inácio, um jovem militante, que se esforça para manter o partido de pé, mas não tem a liderança para levar seu projeto adiante.

É nítida a desorientação do PT maranhense, que tenta se situar numa realidade nova após 13 anos embalado pela força do poder de Brasília e pela entusiasmante sensação de estar no comando do País. A mudança brusca e traumática colocou o partido numa espécie de vazio, sem condições de reagir e obrigado a começar tudo de novo, do zero, e agora com o complicador de ser um partido com a credibilidade em baixa. Isso porque ninguém no PT acredita que a presidente Dilma Rousseff reverta o afastamento e saia inteira do processo de impeachment. Se a presidente conseguir dar a volta por cima, o PT irá às urnas turbinado. Se não – o que é mais provável -, o partido terá enormes dificuldades de ir às ruas pedir votos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Bandidos infernizam sistema de transporte de São Luís
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Ônibus incendiado por bandidos quinta-feira ficou completamente destruído

São Luís vive um momento de recrudescimento da violência que inferniza o sistema municipal de transporte coletivo. Sob ordens de chefes trancafiados no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, bandidos ligados à facção conhecida como “Bonde dos 40” incendeiam ônibus, gerando pânico na população. Nos últimos dois dias, foram sete ataques, com a destruição de seis ônibus – o sétimo escapou da carbonização pela agilidade do motorista, que conseguiu debelar o fogo antes que as labaredas de espalhassem. Ninguém saiu ferido. Nesse período, 33 pessoas foram presas, sendo dois remanescentes da onda de incêndios de janeiro de 2014, quando uma criança foi carbonizada numa ação que chocou o país.  O governo colocou todo o seu efetivo policial disponível nas ruas à caça dos criminosos, diferentemente de dois anos atrás, quando o governo e a polícia foram apanhados de surpresa e não souberam o que fazer, pois não havia um plano.

Situação está bem melhor que em 2014
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Governador Flávio Dino se reúne com a cúpula da Segurança para definir ações

Em 2014, além de não ter um plano para enfrentar a situação, o Governo também enfrentava uma sequência de rebeliões em Pedrinhas, onde uma guerra de facções matou mais de 100 em apenas um ano, em atos de brutalidade inacreditáveis, como degola e outras. Agora, a situação é bem diferente. Pedrinhas está sob controle, os detentos não se rebelam a um ano e o Sistema passa por uma mudança radical, sem um assassinato há meses e meses. Ainda está longe de ser um sistema prisional de primeira, mas certamente está muito melhor que há dois anos.  Não há como negar que a situação ali mudou para melhor e que, de um modo geral, os ludovicenses vinham experimentando uma sensação de que estão mais seguros. Os ataques a ônibus ressuscitaram os temores e as preocupações do cidadão que depende do transporte coletivo. E como não poderia deixar de ser, oposição e situação travam desde quinta-feira uma verdadeira guerra nos blogs e nas redes sociais.

Governador pode pedir apoio federal
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Batida policial é realizada após incêndio de vários ônibus em São Luís

Ontem, em meio à enorme repercussão da ação dos bandidos, o governador Flávio Dino abordou o assunto nas redes sociais: “Uma quadrilha que atua no Maranhão há muitos anos está tentando reagir à moralização do Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Todo o Sistema de Segurança está totalmente mobilizado para garantir a ordem pública. E assim vai continuar. Já temos mais de 20 presos – chegou a 33 – por atos contra ônibus ontem e hoje. Crimes com o intuito de gerar pânico. Policiais e bombeiros do Maranhão fazendo o máximo possível. Têm meu apoio e confiança. Avalio se pediremos ajuda federal. Já fiz contato com o ministro da Justiça. Ainda hoje teremos uma definição sobre o assunto. Além da pronta e decidida ação da nossa Polícia”.

Secretário vê rumo certo
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Suspeitos de incendiar ônibus são apresentados pela Polícia, que está toda nas ruas

O secretário de Articulação Política e Comunicação, jornalista Márcio Jerry, em um disparo na guerra que trava contra blogueiros ditos de oposição, disse o seguinte: “Bandidos de todo tipo, torcedores dos assaltantes, assassinos e traficantes estão zangados com o Governo Flávio Dino. Caminho certo!!”.

 

São Luís, 20 de Maio de 2016.

 

 

André Fufuca corre o risco político de pagar caro por ter transformado Eduardo Cunha numa bandeira

 

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 Fufuca segue Cunha e é ironizado em debate por  Delgado

O deputado federal André Fufuca (PP) experimentou ontem o gosto amargo do embate político travado atualmente nos bastidores da Câmara Federal. Durante a sabatina do presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha (PMDB), no Conselho de Ética, em mais uma etapa da queda de braço que trava com as forças que tentam derrubá-lo e lhe cassar o mandato, o jovem deputado maranhense quase foi às vias de fato com o deputado mineiro Júlio Delgado (PSB), um parlamentar respeitado e escolado, que faz oposição severa a Eduardo Cunha e seu grupo. Em meio a um discurso inteligente destinado a provocar Eduardo Cunha, Júlio Delgado afirmou que André Fufuca é politicamente tão ligado e afeiçoado a Eduardo Cunha que nos corredores o chama de “papi”. A declaração de Júlio Delgado teve claro objetivo de alfinetar André Fufuca num contexto em que a provocação alcançaria também o presidente afastado da Câmara Federal, que naquele momento não escondia o seu desconforto diante do que dizia o deputado socialista a seu respeito.

Feita para dar uma ideia precisa da influência que Eduardo Cunha exerce sobre um número expressivo de deputados, o que o torna poderoso, a declaração de Júlio Delgado, feita em tom irônico, além de funcionar como uma incômoda revelação diante de milhões de brasileiros que acompanhavam o depoimento do presidente afastado da Câmara Federal  pela TV, tirou o jovem deputado maranhense do sério. Numa reação furiosa, mas com postura equilibrada e as faces avermelhadas de indignação, André Fufuca contra-atacou com adjetivos do tipo “mentiroso”, “canalha” e “corrupto”, escrachando o colega, a quem atribuiu crime de corrupção eleitoral, exibindo um documento que seria prova de que o mineiro teria recebido dinheiro sujo de uma empreiteira para sua campanha.

Quanto ao tratamento filial que, segundo o socialista, Fufuca dedicaria ao presidente afastado da Câmara, o deputado maranhense negou peremptoriamente que assim proceda, afirmando que “no Maranhão a gente não usa esse nome, porque isso não é coisa de homem”. Xingado por André Fufuca, o deputado Júlio Delgado não entrou no jogo, declarou-se ofendido com as agressivas palavras do colega e pediu ao Conselho de Ética que tome providências para punir o jovem parlamentar maranhense.

O episódio evidencia o quanto alguns deputados maranhenses – André Fufuca, Waldir Maranhão (PP), Alberto Filho (PMDB) e Cléber Verde (PRB), por exemplo – se vincularam a Eduardo Cunha, certamente não se dando conta de que essa vinculação, que no início lhes abriu portas e lhes deu espaços de poder, era também uma bomba de efeito retardado, que explodiria a qualquer momento, disparando estilhaços para todos os lados. Eles pareceram não compreender que Eduardo Cunha é um jogador sem limites, daqueles que apostam tudo e vão do céu ao inferno sem medir consequência, via de regra arrastando junto quem vive na sua órbita.

No embate de ontem com Júlio Delgado, André Fufuca deixou no ar a nítida impressão de que permanece firme no grupo mais próximo ao presidente afastado, de um lado por conveniência e, de outro, por gratidão ao líder que lhe deu a mão desde que desembarcou em Brasília levando na bagagem o diploma de deputado federal. E os fatos não mentem: poucas semanas depois de ter chegado à Câmara Federal como marinheiro de primeiro mandato, André Fufuca, então representante do PEN, foi, de repente, emplacado na presidência da CPI da Prótese, posto que lhe deu grande visibilidade. Mais recentemente, em meio às tensões elevadas pelo agravamento da crise, André Fufuca desembarcou no PP e ganhou o controle do partido no Maranhão, substituindo a Waldir Maranhão, que foi punido porque contrariou a orientação do chefe maior da Câmara ao votar contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

O andar da carruagem conduzida pelo presidente afastado da Câmara Baixa, que já foi acelerado e firme, começou a diminuir e perder firmeza. É nesse cenário que parlamentares como André Fufuca, que nasceu e foi forjado na política provinciana, provavelmente tem dificuldade de perceber com clareza que um guru como Eduardo Cunha tem verso e reverso, e que seus seguidores  correm sempre o risco de pagar um preço político muito elevado pela ingenuidade de transformá-lo numa bandeira.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Paulo Neto denuncia estragos do agronegócio no Baixo Parnaíba
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Paulo Neto denunciou estragos feito pelo agronegócio

Ao anunciar ontem o projeto “Quintais Produtivos”, que visa incentivar a agricultura de subsistência num grande número de municípios no Nordeste do Maranhão, o deputado Paulo Neto (PSDC) surpreendeu o plenário com uma denúncia grave. Ele afirmou, com muita ênfase, que a expansão do agronegócio, especialmente a produção de soja e milho, não está levando benefícios à Região do Baixo Parnaíba. Ao contrário, além de não gerar impostos nem empregos, o escoamento da grande quantidade de grãos ali produzidos está concorrendo para destruir a já precária infraestrutura rodoviária que interliga os municípios. “Não levaram nada de bom para nós”, disse Paulo Neto. Com sua maneira muito própria de dizer o que pensa com clareza absoluta, o parlamentar denunciou: “Os grandes produtores de soja e de milho na nossa região deixam zero de recursos para os municípios do Maranhão. Lá na região do Baixo Parnaíba eles não deixam nada. Emprego é muito pequeno, pouquíssimos empregos. O Governo tem que olhar para isso. São os municípios pequenos e os pequenos produtores, porque ali o solo é fértil para soja, mas o município fica zerado, fica só com prejuízo”, completou Paulo Neto.

Em tempo: Ao subir a tribuna para fazer seu pronunciamento, o deputado Paulo neto ficou incomodado porque a maioria dos deputados estava conversando. Sem meias palavras, ele se dirigiu ao presidente Humberto Coutinho e reclamou: “Presidente, pelo que sei isso aqui não é mercado”. Os deputados pararam de conversar e ele iniciou sua fala.

Judiciário lança transcrição de testamentos dos séculos XVIII-XI
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Presidente Cleones Cunha presidirá ato no TJ

O Tribunal de Justiça do Maranhão lança hoje, por meio da Coordenadoria da Biblioteca e Arquivo, em ato no Salão Nobre da Corte, os livros transcritos de testamentos dos séculos XVIII-XIX, com histórias e legados da época. Foram transcritos os livros de registros de testamentos de 1751/1756; 1781/1791 e 1790/1795. Os exemplares irão compor o acervo de bibliotecas de tribunais e de órgãos estaduais e federais que trabalham na área de documentação histórica. Na solenidade será lançada também a 7ª edição da Revista do Tribunal de Justiça do Maranhão, periódico anual composto por estudos de renomados doutrinadores. As obras são frutos do ‘Projeto de Transcrição e Divulgação do Acervo de Testamentos’, que tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Desenvolvimento Científico do Maranhão (Fapema). O objetivo é incentivar o estudo da doutrina, legislação e jurisprudência, propiciando o intercâmbio entre o Tribunal de Justiça do Maranhão e profissionais de Direito. O ato de lançamento acontece às 10 horas, no Salão Nobre do Palácio Clóvis Bevilacqua, sob o comando do desembargador-presidente Cleones Cunha.

 

São Luís, 19 de Maio de 2016.

Pedido de Sarney para poupar Ministério da Cultura da degola não foi atendido por Temer

 

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Sarney fez pedido por Minc, mas Temer não atendeu

O pedido feito ao presidente interino da República, Michel Temer (PMDB), para que ele ressuscite o Ministério da Cultura (MINC), recém incorporado ao Ministério da Educação, foi um dos gestos mais importantes do ex-presidente José Sarney (PMDB) nos últimos tempos. Com a autoridade de quem criou a pasta em março de 1985, e um ano depois a entregou a ninguém menos que o célebre economista Celso Furtado, um dos intelectuais mais importantes do século passado, Sarney fez o apelo por ter plena consciência do que representa esse órgão para a vida cultural do País. Mais do que isso, o apelo está em perfeita sintonia com o que pensa a maioria dos militantes da cultura em todos os seus matizes e, também, os expoentes de todas as vertentes da cultura popular. Ou seja, com o seu gesto, o ex-presidente fala por si e por toda a inteligência cultural nacional, aí envolvidos pensadores, escritores, poetas, historiadores, cronistas, intelectuais, atores, teatrólogos, cineastas, compositores, cantores, músicos, pintores, escultures, produtores culturais, líderes de manifestações populares, empresários da cultura, enfim, o que mais pode haver de representativo nesse espetacular e monumental painel da diversidade cultural que é o Brasil.

A decisão de, por “medida de economia”, degolar o MINC e transformá-lo num “puxado” do Ministério da Educação, ressuscitando o famoso MEC, sigla que marcou as duas décadas da ditadura, foi uma das medidas mais surpreendentes e antipáticas do presidente interino Michel Temer. Mais ainda quando entregou a pasta ao deputado federal Mendonça Filho, um político pernambucano que liderou a bancada do DEM na maior parte do  movimento político que resultou no afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT). Até onde se sabe, Mendonça Filho pode ter respaldo político e partidário para garantir a indicação, mas está claro que ele não tem estatura para comandar uma pasta responsável ao mesmo tempo por educação e cultura. Ex-governador de Pernambuco depois de ter sido um  vice apagado por sete anos, derrotado para o Governo do Estado e para a prefeitura do Recife, é um político de direita, conservador, que vem do PDS e do PFL num esquema de família de políticos do interior de estado, que controla prefeituras e alguns negócios, não exibindo no currículo nada relacionado com cultura. Pode transformar o MEC num birô de clientelismo político.

Quando criou o Ministério da Cultura, o então presidente José Sarney levou em conta, além da sua própria visão, uma série de manifestações do mundo cultural, emanadas especialmente do meio literário, ao qual  pertencia como escritor já respeitado. Entregou-o primeiro ao político e intelectual mineiro José Aparecido de Oliveira, que deu forma à pasta, e a passou para o intelectual Aloísio Pimenta, que também não segurou o tranco de lidar com a diversidade cultural brasileira. Sarney, então, nomeou para o comando da pasta ninguém menos que Celso Furtado, o celebrado economista de sólida formação sociológica, criador da Sudene, que havia retornado do exílio depois de mais de uma década peregrinando por universidades e centros culturais da Europa. Foi Furtado quem, sob a orientação de Sarney, montou as bases do que viria a ser um ministério essencial para dar suporte e incentivo a todas as áreas da cultura brasileira. Não foi sem razão que nos seus 30 anos de existência, o Minc foi comandado por personalidades destacadas como o cantor e compositor Gilberto Gil, a hoje senadora Marta Suplicy (PMDB), o renomado sociólogo Francisco Weffort, o respeitado filólogo e dicionarista Antonio Houaiss, o diplomata e escritor Sérgio Rouanet, o animador cultural Juca Ferreira e também o economista e escritor maranhense Joaquim Itapary – que na condição de adjunto assumiu algumas vezes a direção da pasta.

Nenhuma avaliação, por mais que contenha o ingrediente da má vontade, será capaz de minimizar a importância do Ministério da Cultura a ponto de reduzi-lo a um “puxado” do Ministério da Educação. Também o argumento da necessidade de se fazer economia não justifica, porque a pasta nunca nadou em dinheiro. E sua importância para a vida nacional está nas manifestações que estão acontecendo em todo o país contra sua transformação numa secretaria do MEC, e tendo como comandante o ex-líder do DEM, Mendonça Filho.

O ex-presidente José Sarney fez o pedido de reconsideração ao presidente interino Michel Temer numa conversa pessoal, na tarde de terça-feira. De imediato a notícia correu o País e fortaleceu os movimentos que já se organizavam para protestar. Evidente que Sarney não pretendeu colocar Temer contra a parede nem constrangê-lo, agiu como o criador aspirando apenas evitar a morte anunciada da criatura. Mas o presidente interino não lhe deu ouvidos, tanto que ontem Mendonça Filho nomeou o secretário de Cultura do MEC, Marcelo Calero, consumando o fato que Sarney tentou evitar.

O ex-presidente José Sarney certamente sentirá a extinção do Ministério que criou com tanto entusiasmo. Mas as circunstâncias e as conveniências políticas do momento certamente o aconselham a engolir a gia e tocar a vida. E seguirá em frente levando na bagagem o mérito intransferível de criador do Ministério da Cultura, enquanto o presidente interino entrará para a história como o verdugo da pasta. Michel Temer naturalmente não quer passar a imagem de molenga, por isso já deve estar processando que sua medida foi antipatizada até mesmo por aliados seus. Não será surpresa se, após alguns meses, ele voltar atrás.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Difícil acreditar no que está acontecendo no TCE
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Edmar Cutrim colocou o TCE numa situação constrangedora

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) encontra-se numa saia justa, daquelas que qualquer movimento em falso pode levá-lo ao chão. E o responsável direto pelo desconforto da Corte é o conselheiro Edmar Cutrim. Ainda incomoda aos ouvidos mais atentos a declaração dele à TV Mirante sugerindo que a imprensa estava fazendo “tempestade em copo d`água” com a nomeação, para o seu gabinete, com salário de R$ 7,7 mil mensais, do médico Thiago Maranhão, filho do deputado federal e presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, que mora e trabalha em São Paulo. Um caso escandaloso de compadrio, mas minimizado pelo conselheiro Edmar Cutrim como “uma besteira”. Em qualquer instituição de fato comprometida com a verdade e com a ética, especialmente numa corte de contas, Edmar Cutrim teria de ser afastado das suas funções até que tudo estivesse devidamente esclarecido e o erário ressarcido. Quanto ao conselheiro, ele teria de provar o improvável: que é inocente no caso e que foi vítima de má fé ou coisa parecida. A “regra” universal é que as cortes são, de modo geral, corporativas, do tipo “um por todos e todos por um”, mas com alguns limites. O caso do conselheiro Edmar Cutrim foge a qualquer limite de tolerância, porque é uma ilegalidade escancarada, condenável e indiscutível, que não tem apenas um cometedor, no caso o médico Tiago Maranhão, filho do deputado Waldir Maranhão. Quem o nomeou? Por que foi nomeado? Quais seriam suas atribuições na Corte? Quem era seu chefe imediato? Qual a explicação desse chefe para a ausência do assessor? Que orientação o chefe imediato recebeu do chefe superior? Tudo isso teria de ser esclarecido, com a responsabilização em cada degrau da hierarquia, seja por culpa direta ou por conivência. E por aí vai. O que choca é o fato de o conselheiro continuar exercendo normalmente suas funções e os demais integrantes da Corte sendo obrigados fazer de conta que nada está acontecendo.

 

Deputados maranhenses participação de conferência da Unale
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O presidente Humberto Coutinho entre os deputados sergipanos Georgeo Passos e ………, ladeados por Carlinhos Florêncio, Edilázio Jr. Ricardo Rios e Roberto Costa

Representantes do Poder Legislativo do Maranhão participarão, no início de junho, em Aracaju (SE), da Conferência Nacional da Unale, entidade representativa dos deputados estaduais de todo o País, que discutirá o tema “Rediscutindo o Brasil”. A participação foi reforçada ontem pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho (PDT), ao receber a visita dos deputados estaduais sergipanos Georgeo Passos (PTC) e Inaldo Silva (PCdoB), que reforçaram o convite para o evento – o primeiro realizado depois da mudança no comando do País. Ao ocupar a tribuna, a pedido do presidente Humberto Coutinho (PDT), o deputado  Georgeo Passos explicou que veio a São Luís, juntamente com o deputado Padre  Inaldo, para  oficializar o convite para a Conferência, que já conta com a presença confirmada do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, do ex-ministro daquela Corte Joaquim Barbosa, e dos ministros  Augusto Nardes e Ronaldo Nogueira, ambos do Tribunal de Contas da União. A conferência debaterá temas como a Governança Pública, Desenvolvimento e Segurança Jurídica e o Empreendedorismo em Tempos de Manifestações e Crise. O objetivo é formular uma visão atual sobre o país e o cenário mundial no que diz respeito à economia, reforma política, infraestrutura e logística. A expectativa é que o evento reúna 1.500 participantes entre deputados, assessores legislativos, estudantes, governadores, senadores, ministros, prefeitos, vereadores, entre outras autoridades. Ao final do evento, será produzida uma Carta contendo indicadores importantes para o Brasil sair da crise institucional, econômica e política.

 

São Luís, 18 de Maio de 2016.

Porto do Itaqui poderá ser refederalizado para depois ser privatizado pelo novo Governo da República

 

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Porto do Itaqui poderá voltar ao controle da União para depois ser privatizado

Com o título Alvo certo, nota publicada na coluna de Ricardo Boechat na edição especial da revista IstoÉ sobre o novo Governo instalado no País, acende o sinal amarelo para o governador Flávio Dino (PCdoB) sobre o futuro do Complexo Portuário do Itaqui. A nota: Os Sarneys estão amolando a faca. Inimigos de carteirinha do governador maranhense Flávio Dino, uma das primeiras reivindicações ao presidente interino Michel Temer é para federalizar o Porto do Itaqui. Se vão ser atendidos é outra história, mas a intenção é atingir Dino. Desde 2001 a área está sob a administração da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap). O Porto do Itaqui, juntamente com os terminais privados da Vale e da Alumar, integram o segundo maior complexo do gênero do País em movimentação de carga e está entre os 10 maiores do mundo.

A informação de Boechat se insere por inteiro num intenso circular de rumores segundo os quais o Governo do PMDB prepararia os maiores portos do País para a privatização dentro da lógica liberal segundo a qual uma das soluções para o Brasil é diminuir o gigantismo do Estado privatizando segmentos da infraestrutura que podem ser muito mais eficientes comandados pela iniciativa privada. A privatização do Porto do Itaqui se enquadra exatamente nessa visão, e a informação da coluna de IstoÉ confirma o que já vinha sendo sussurrado nos bastidores de Brasília, com alguns ecos em São Luís. E ganhou mais força com a declaração atribuída ao suplente de senador Lobão Filho propondo ao novo Governo da República a refederalização do Porto do Itaqui. Tanto que o secretário de Articulação e Comunicação Social do Governo do Estado, Márcio Jerry, que preside o PCdoB e é tido como o mais influente assessor do governador Flávio Dino, considerou a proposta de Lobão Filho “absurda”  e “um acinte ao Maranhão”.

O jogo “federaliza-estadualiza-refederaliza…” não é de agora. Desde o início efetivo das suas operações em escala comercial para valer, o Porto do Itaqui viveu altos e baixos no que diz respeito ao seu controle gerencial, feito pela estatal federal Companhia de Docas do Maranhão (Codomar). O Governo Federal sempre enxergou no complexo um item importante e estratégico da rede portuária nacional, devido, primeiro à sua localização, que o torna o porto brasileiro mais próximo da Europa, e à profundidade, que faz dele um porto em condições de receber navio de qualquer calado. Depois de anos e anos de negociações, a então governadora Roseana Sarney conseguiu “dobrar” o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) a estadualizar o Porto do Itaqui, que saiu do controle da Codomar em 1998 e passou a ser administrado pela Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap). Já se vão 18 anos sob controle estadual, mas sempre com um rumor aqui e outro ali sobre refederalização, que agora volta a ganhar intensidade.

Durante os mais de 10 anos em que comandou o Porto do Itaqui como uma das joias da sua gestão, Roseana Sarney manteve a Emap como uma estatal à parte, longe de influências políticas, dando frequentes demonstrações de que o porto funcionava melhor estadualizado. Também o governador José Reinaldo Tavares fez o mesmo, controlando de perto todos os movimentos da empresa. Essa rigidez só foi quebrada pelo governador Jackson Lago (PDT), que entregou o seu comando ao ex-governador João Castelo (PSDB), que fugiu à regra e só não foi mais longe na “politização” da Emap porque o Governo Jackson Lago foi derrubado em maio de 2009.

Mais afeito a um Estado forte, que controla o maior número possível de atividades que nas economias de mercado são de responsabilidade da iniciativa privada, o Governo Flávio Dino tem procurado aumentar o controle público sobre a Emap. Recebeu um empório portuário em franca evolução, como espaço de vultosos investimentos e diversificando significativamente sua pauta. Um exemplo do seu fortalecimento: o Terminal de Grãos (Tegram), investimento que foi iniciado no começo deste século e só foi inaugurado no ano passado. Outro exemplo: o Itaqui começou a exportar “carga viva”, ou seja, gado bovino, como aconteceu recentemente, quando 7.700 reses foram transportadas em navios para o Líbano.

Não há dúvidas de que se perder o controle do Porto do Itaqui o Governo Flávio Dino vai diminuir de tamanho, porque a tendência do complexo é crescer, aconteça o que acontecer no cenário econômico nacional e mundial. Agora mesmo, em meio à recessão que abala a economia brasileira, o Porto maranhense praticamente não alterou a sua movimentação. Tanto que seus lucros mensais são sempre crescentes. No ano passado, por exemplo, a Emap fechou o exercício com R$ 301 milhões, contra R$ 61 milhões do ano de 2014. Sem o controle do Itaqui, o Governo do Estado continua ganhando receita, mas será inevitável a perda de poder e, naturalmente, redução de influência no campo econômico. Portanto, se não quiser ver seu poder de fogo reduzido, o governador terá de brigar muito para que o Governo do Estado mantenha o controle do Porto do Itaqui.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Waldir Maranhão em apuros I
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Andrea Murad quer investigar salários pagos ilegalmente  a Waldir Maranhão pela Uema

A Assembleia Legislativa deve votar hoje requerimento proposto pela deputada Andrea Murad (PMDB) pedindo ao reitor da Uema, Gustavo Pereira da Costa, que informe as providências que foram tomadas para esclarecer a denúncia segundo a qual o ex-reitor Waldir Maranhão (PP) e atual presidente interino da Câmara Federal teria recebido salários irregulares e indevidamente. Na justificativa, a deputada pemedebista foi cruel com o presidente interino da Câmara Federal. “Tudo e com todas as comprovações do que, realmente, foi providenciado, se é que tomaram providências ou se Flávio Dino mandou engavetar e ficou por isso mesmo”, disse a líder de oposição. Andrea Murad aproveitou para atacar o governador Flávio Dino e o secretário de Estado de Transparência e Combate à Corrupção, Rodrigo Lago, diante do caso e enfatizou que o órgão só trabalha para perseguir adversários políticos. “Com os seus opositores, o governador é carrasco, inventa, cria, mas com os dele, ele não faz nada. Waldir Maranhão recebeu por quase dois anos o salário indevido e não teve nada. Se não fosse a imprensa brasileira nos dizer, escarafunchar a vida do Waldir Maranhão, se não fosse as trapalhadas dele e do Dino, nós não íamos saber. E aí eu pergunto: cadê a Secretaria de Transparência? Cadê Rodrigo Lago, que não tomou nenhuma providência, para cobrar, para apurar e cobrar a devolução do dinheiro de Waldir Maranhão? O problema é que neste governo, todos são omissos às ilegalidades praticadas por seus aliados, mas muito ferrenhos quanto a seus inimigos, quando inventam e fazem o que for para prejudicar aqueles que estão em seu calcanhar”, disse a deputada pemedebista.

 

Waldir Maranhão em apuros II

Quem assistiu à ida, ontem, do presidente interino da Câmara Federal, deputado Waldir Maranhão, ao plenário da Casa pode ter uma medida aproximada da confusão em que o parlamentar está metido. Tão logo chegou à cadeira de presidente, Waldir ouviu uma série de incomodados questionamentos a respeito da ocupação do cargo por ele. O parlamentar tentou balbuciar uma explicação, mas seus pares, motivados por líderes de bancadas, iniciaram um irado coro em que a frase de ordem foi “fora”. Perplexo, como quem não sabia o que estava acontecendo, o deputado Waldir Maranhão tentou agir com a frieza racional e perigosa do presidente afastado da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas logo ficou claro que não tem a estatura nem a ousadia daquele a quem chamou de “meu querido presidente”. Foi um momento revelador, que mostrou ao mundo que o parlamentar maranhense não tem a menor condição de permanecer no cargo, a não ser pela fórmula segundo a qual ele funcionará como uma espécie de rainha da Inglaterra.

 

São Luís, 17 de Maio de 2016.

 

 

 

 

Flávio Dino rompe barreira política e desembarca em Brasília para cobrar conclusão da BR-135 ao ministro dos Transportes

 

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Dino expõe a Quintella a necessidade de conclusão da duplicação da BR-135

 O governador Flávio Dino (PCdoB) desembarcou ontem em Brasília disposto a mandar para o espaço o mito segundo o qual é impossível estabelecer relações institucionais e produtivas com um governo politicamente adversário. Ele foi do aeroporto direto para o gabinete do novo ministro dos Transportes, Portos e Aviação, Mauricio Quintella e sem perda de tempo expôs a situação da BR-135 no trecho Estreito dos Mosquito-Miranda do Norte, enfatizando a necessidade urgente de retornadas das obras de duplicação da rodovia no trecho que vai de Perizes a Bacabeira. A iniciativa de Flávio Dino surpreendeu a aliados e adversários, vista por uns como um movimento de ousadia política, por outros como uma tentativa de aproximação com o governo interino e, finalmente, avaliado por alguns como um passo sensato de um governante ciente de que o bem público não tem dono e que mesmo entre adversários há espaços para se construir soluções a favor do bem comum. No caso, a duplicação da BR-135 é uma necessidade tão grave e tão urgente que não cabe pudores políticos na busca da sua continuidade.

O governador do Maranhão sempre se movimentou politicamente deixando janelas abertas. O seu discurso em relação a esse tipo de situação é centrado num pragmatismo pé no chão, não deixando que a mediocridade funcione como obstáculo. Sua carreira até aqui tem sido marcada por lances dessa natureza, sem dar margem para que outras interpretações se imponham como verdades.

Quando disputou a Prefeitura de São Luís em 2008, Flávio Dino sofreu dura derrota para João Castelo (PSDB), mas ao invés de colocar o prefeito eleito na sua cota de inimigos, construiu com ele uma relação produtiva, que lhe valeu na disputa de 2010, quando por pouco não levou a disputa com Roseana Sarney (PMDB) para um segundo turno, tendo os tucanos como aliados, chegando ao final com chances concretas de vencer a disputa. Também naquele pleito foi pressionado para abrir mão para o ex-governador Jackson Lago (PDT), mas ciente de que o líder pedetista estava com a saúde comprometida e, apoiado por Castelo, cuja relação não desprezou, foi para a briga.

Em 2014, montado num favoritismo consolidado, segundo as pesquisas, levou a aliança com o PSDB para as ruas e nela incluiu a candidatura do tucano Aécio Neves a presidente da República. Mostrava com aquela aliança que em política não se fecha portas. E mesmo assistindo a Dilma Rousseff (PT) correr atrás do segundo mandato de braços dados com o Grupo Sarney, vendeu a candidatura da presidente como a de uma aliada. Realizou uma campanha inusitada, algo não visto na história política já escrita do Maranhão. Venceu no primeiro turno mantendo o respeito das duas correntes dominantes no país: a grande coalisão PT-PMDB liderada pela presidente Dilma, de quem se tornou o grande parceiro no momento mais crítico do governo dela; e a grande aliança liderada pelo PSDB. E alimentou essa relação sem hostilizar o PSDB, que faz parte do seu governo com o vice-governador Carlos Brandão, o deputado Neto Evangelista e com o apoio do deputado federal João Castelo.

O esforço institucional que fez ontem em Brasília junto ao ministro dos Transportes, Portos e Aviação é plenamente justificado. A BR-135, que representa a única ligação por terra entre a Ilha de São Luís e o resto do mundo, é uma rodovia estrangulada, que há muito não comporta o fluxo de veículos e se transformou numa estrada da morte. E sua duplicação é tão necessária e tão urgente que qualquer iniciativa política no sentido de garantir a sua conclusão é plenamente justificada, independentemente das cores políticas, partidárias e ideológicas que estiverem movimentando o cenário político. Depois das pancadas de decepção que sofreram de 2010 para cá, como o esqueleto da Refinaria Premium projetada para Bacabeira, os maranhenses têm bons motivos para lembrar que nesse caso o Maranhão é credor e não devedor, e isso credencia o governador para sentar até com o presidente Michel Temer e cobrar a complementação da obra.

O que está sendo reivindicado não é um projeto novo, ainda por ser avaliado e para o qual não há recursos definidos, mas uma obra velha, já iniciada, com prazos de conclusão empurrado várias vezes para a frente, num jogo injustificável. Daí ser negociada diretamente, para que sua conclusão seja rápida. E nada mais politicamente correto do que o próprio governador desembarcar em Brasília e reforçar o pleito.

PONTO & CONTRAPONTO

 José Reinaldo usa pragmatismo e causa polêmica I
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José Reinaldo: pragmatismo

O deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB) volta a ser alvo de forte discussão nos bastidores da política por declarações que, para muitos, vão na contramão da sua situação política. E o tema mais uma vez foi o ex-presidente José Sarney. Numa entrevista a um programa na TV Difusora, o ex-governador disse não acreditar que por causa do fosso que o separa do governador Flávio Dino o ex-presidente fizesse alguma coisa para prejudicar o Maranhão. Foi o suficiente para que uma onda de comentários, muitos contendo duras e azedas críticas, circulasse numa ciranda de reações que lembrou o que foi dito a respeito da proposta do “Pacto pelo Maranhão” feita pelo ex-governador.

José Reinaldo usa pragmatismo e causa polêmica II

Tudo indica que há certa incompreensão em relação a algumas posições do ex-governador. Os críticos mais ácidos parecem não perceber que na política há, sim, espaço para todo tipo e grau de relação. Político pragmático, como o é o governador Flávio Dino e o próprio José Sarney, José Reinaldo acha possível reunir as diferentes forças políticas do estado em torno de uma pauta de projetos essenciais, sem que nenhuma das partes abra mão das suas posições. Quando diz que é possível juntar as duas maiores forças políticas em torno de um programa rodoviário para o Maranhão, o ex-governador sabe exatamente o que está propondo. Isso porque quem conhece sabe que o ex-governador não pensa reatar com o ex-presidente, como também não manifesta interesse algum em hostilizá-lo. Daí ser prudente prestar bastante atenção às proposta ao ex-governador.

 

Aos Leitores

A Coluna tem sido postada em horário não habitual, que é o primeiro minuto do dia. Foi uma experiência. A partir de amanhã, o horário de sua entrada no ar será o de sempre: 00:01 minuto.

Ribamar Corrêa

 

 

São 17 de Maio de 2016.

 

 

 

 

Dino e Sarney ganham e perdem nos desdobramentos da guerra do impeachment da presidente Dilma

 

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Dino e Sarney ganham e perdem com impeachment de Dilma

Quem ganhou e quem perdeu no Maranhão com a mudança de comando – por enquanto interina – em Brasília? Ganharam ou perderam o governador Flávio Dino (PCdoB) e seu grupo? Ganharam ou perderam o ex-presidente José Sarney (PMDB) e seu grupo? Ainda é cedo para uma avaliação consistente, que só poderá ser feita depois que o cenário estiver definitivamente desenhado, com a definição do futuro da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), que poderá retornar ao cargo ou ser mandada definitivamente para casa. No momento, todos os envolvidos no jogo bruto pelo poder em curso na seara política brasileira, a primeira impressão é que, com a ascensão do vice Michel Temer (PMDB) ao comando interino da Nação, o ex-presidente José Sarney e seu grupo, que estavam quase mergulhados no ostracismo, retornam ao poder returbinados, e que o governador Flávio Dino, que vinha dando as cartas como o mais ativo e influente parceiro da presidente Dilma nos momentos mais agudos e decisivos da crise, perde força e entra numa espécie de nebulosa de futuro incerto. As aparências, porém, enganam, e só o passar dos dias e os seus desdobramentos dirão como ficará, efetivamente, o peso de cada uma das forças que hoje se batem pelo poder no Maranhão.

Flávio Dino perdeu, mas pode abrir canal com Temer – É absoluta e rigorosamente verdadeira a avaliação segundo a qual o governador Flávio Dino sofreu um duro revés com o tombo inicial da presidente Dilma. De uma hora para outra, a ponte que o levava a qualquer dia e hora ao gabinete presidencial e à Esplanada dos Ministérios, desabou. E com um agravante: Dino formou com o advogado da presidente e chefe da AGU, José Eduardo Cardozo, a dupla que se desdobrou para evitar o desmoronamento dos pilares de sustentação do Governo. Em meio a esse vale tudo, o governador do Maranhão adotou o bordão “É golpe!” com entusiasmo de um líder estudantil, mas com o cuidado sutil de não nominar nem satanizar os cabeças do movimento pela ruptura. Também foi óbvio que em seu discurso o governador não defendeu o PT nem os que em nome do partido formaram quadrilhas e assaltaram nichos de riqueza do país, como a Petrobras, por exemplo. Dino fez algumas críticas pontuais a procedimentos e atitudes da oposição e à Operação Lava Jato, mas deixando sempre muito claro que dá aval integral às suas investigações.

Um exame cuidadoso dos discursos feitos pelo governador verbalmente e nas redes sociais encontrará militante de esquerda Flávio Dino combatendo o processo de impeachment, que para ele é uma ação política sem consistência, sem amparo legal, sem crime que o justifique, portanto um autêntico golpe. Dino foi tão fiel ao seu entendimento que contribuiu de maneira decisiva para a opereta em que o presidente interino da Câmara Federal, deputado Waldir Maranhão (PP), sacudiu o país ao anular a sessão da Casa que autorizara o Senado a dar prosseguimento ao processo de impeachment. Na avaliação de muitos, esse foi seu único erro político. Não pela iniciativa em si, mas por não ter ele previsto as reações e as consequências de um ato tão impactante. Daí não haver dúvidas de que o governador tropeçou feio neste episódio e perdeu um pouco do brilho com que vinha atuando no processo, ainda que aqui e ali criticado por vozes da oposição.

Não há dúvidas de que o fato de permanecer na banda perdedora, de ver desabar a ponte que o ligava ao Palácio do Planalto, colocou o governador Flávio Dino numa situação delicada. Ao mesmo tempo, no entanto, sua atuação firme e coerente como voz quase solitária a defender o seu campo político e ideológico na guerra do impeachment deu-lhe expressiva projeção no tabuleiro político nacional. Tanto que pelo menos três interlocutores estão se movimentando para abrir um canal de comunicação entre o Palácio dos Leões e o Palácio do Planalto. O próprio governador já deixou claro que vai respeitar as diferenças e manter relações institucionais com o presidente em exercício Michel Temer, de quem sem travou boas e produtivas relações para cuidar dos interesses do Maranhão. (Um exemplo: foi o então vice-presidente Temer que bancou a nomeação de Dino para o comando da Embratur, num momento em que  o então deputado federal não tinha boas relações com a presidente Dilma.) O presidente Temer já teria dito ao deputado federal José Reinaldo que está aberto a uma convivência institucional com o governador do Maranhão, que pode ajudar como interlocutor da esquerda para garantir a governabilidade.

Sarney ganhou, mas só tem sua experiência para ajudar o presidente em exercício – O ex-presidente José Sarney está saindo da crise como um dos vencedores. Como o mais importante cacique do PMDB, a quem todos ouvem nos momentos traumáticos, o ex-presidente da República é respeitado, tem trânsito em todas as correntes políticas do campo da direita liberal e do centro, mas deve enfrentar a partir de agora a hostilidade do PT e seus aliados. Sarney tenta administrar essa transição de aliado de primeira hora da presidente Dilma Rousseff, avalista que foi da aliança PMDB/PT, até a banda pemedebista desembarcar da base do Governo e apoiar o impeachment. O ex-presidente se manteve discreto, quase não foi visto fora de casa em Brasília, mas a movimentação intensa da ex-governadora Roseana Sarney em busca de votos a favor do impeachment deixou claro que o velho e tarimbado cacique embarcou no projeto do PMDB de chegar ao poder com o vice-presidente Michel Temer.

Se mostrou influência dentro do PMDB, o ex-presidente José Sarney não exibiu força na montagem do ministério. Se por um lado se aliou ao PV para respaldar a escolha do líder verde na Câmara Federal, deputado Sarney Filho, para o Ministério de Meio Ambiente – que na verdade foi uma indicação do seu partido -, por outro, Sarney perdeu, juntamente com o PMDB, a influência que mantinha no setor elétrico com a entrega do poderoso Ministério de Minas e Energia ao PSB. Durante mais de duas décadas, o ex-presidente deu a última palavra no setor elétrico, tempo em que fez dois ministros – Silas Rondeau e o senador Edison Lobão, ambos escolhido diretamente pelo ex-presidente. O último ministro, senador Eduardo Braga (PMDB), não reza muito na cartilha do ex-presidente, mas manteve como encontrou os espaços controlados por Sarney no setor elétrico.

Ninguém duvida de que o ex-presidente José Sarney terá influência nada desprezível no Governo Michel Temer, prova disso é que horas antes de tomar posse, o então ainda vice suspendeu sua agenda para fazer uma visita ao ex-presidente na residência do experiente conselheiro. Mas nesse momento, o que vale mesmo para o presidente em exercício da República é poder político efetivo, que se traduz em votos no Congresso. Além de alguns deputados federais controlados por Roseana Sarney e dois senadores – que já não seguem integralmente a sua orientação – José Sarney pouco tem a oferecer nessa seara, o que reduz o seu poder de fogo.

Nesse contexto, o peso do ex-presidente poderá aumentar ou diminuir de acordo com as circunstâncias. Daí a conclusão parcial de que neste Governo do PMDB José Sarney deverá influenciar muito, mas não mandará tanto quanto.

PONTO & CONTRAPONTO

Lobão deve abrir caminho para Lobão Filho votar no impeachment
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Lobão vai abrir vaga para Lobão Filho

O senador Edison Lobão (PMDB) baterá martelo sobre a licença de 121 dias, tempo em que sua vaga será ocupada pelo primeiro suplente, Lobão Filho. O pemedebista está muito incomodado na condição de magistrado no processo de impeachment da agora presidente afastada Dilma Rousseff (PT). O xis da questão é a condição de ex-ministro de Minas e Energia do primeiro governo dela, período em que os dois estreitaram laços de amizade. Como demonstrou claramente no discurso de pouco mais de dois minutos com que votou pela admissibilidade do processo de impeachment, deixando claro, porém, que aquele não será o seu voto no julgamento final, do qual ele não quer PMDB, o que significará voto certo pela perda do mandado da presidente. Lobão Filho tem sinalizado que não se sente compromissado com a presidente e que por isso dará um voto independente, que tudo indica que será pelo impeachment.

 

São Luís, 14 de Maio de 2016.