Adiamento das eleições mexe com os projetos de candidaturas à Prefeitura de São Luís  

 

Para chegar ao Palàcio de la Ravardière, imponente sede da prefeitura de São Luís candidatos terão que ajustar seus projetos ao novo calendário das eleições

A Câmara Federal completou ontem a batida de martelo do Senado da República e confirmou o adiamento das eleições municipais para 15 de Novembro, e 29 de Novembro onde houver segundo turno. As datas principais do calendário eleitoral   foram também adiadas: as convenções partidárias para escolha de candidatos serão realizadas no período de 31 de Agosto a 16 de setembro, o registro de candidaturas ocorrerá até 26 de Setembro, e a propaganda eleitoral em rádio, TV e internet será iniciada em 27 de Setembro, um dia após o prazo para registro de candidaturas. Outras datas, digamos, burocráticas, do pleito foram alteradas para que todo o processo transcorra de modo a garantir a posse dos eleitos no dia 1º de Janeiro de 2021. Superado esse gargalo criado pela pandemia do novo coronavírus, os partidos têm agora o tempo necessário para maturar seus projetos, definir suas candidaturas e armar as alianças possíveis para viabilizá-las no eleitorado. Esse novo cenário pode alterar expressivamente a corrida para a Prefeitura de São Luís, em tese reduzindo as chances de alguns candidatos e criando melhores condições para que outras candidaturas ainda em processo de construção se viabilizem.

Qualquer análise fria e isenta certamente concluirá que o adiamento da corrida às urnas não favorece, por exemplo, o candidato do Podemos, Eduardo Braide, que hoje lidera a preferência do eleitorado, segundo todas as pesquisas divulgadas até aqui. Os levantamentos mais recentes indicaram queda nas suas intenções de voto, um processo previsível devido ao grande número de candidatos, alguns com peso e potencial de crescimento. Se a eleição fosse mantida para 4 de Outubro, Eduardo Braide teria condições de segurar parte da sua liderança, o que se tornará bem mais difícil com o adiamento de do pleito em 40 dias. No contrapeso, candidato do PCdoB, Rubens Júnior, que confirmou sua candidatura há pouco tempo e entra na briga com o suporte de vários partidos e com as ondas fortes do Governo do Estado e o prestígio inconteste do governador Flávio Dino (PCdoB), ganhou o tempo que precisava para fortalecer o seu projeto, que já começa a dar sinais de que pode se tornar uma candidatura robusta e decisiva.

A mudança da data das eleições favorece também o candidato do DEM, Neto Evangelista, à medida que o presidente do PDT, senador Weverton Rocha – que foi um dos principais articuladores da decisão no Congresso Nacional -, ganha o tempo que precisava para amarrar a aliança com o Democratas, inclusive acertando os ponteiros com o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), cujo silêncio sobre o assunto é interpretado como um recado claro e direto de que não está de acordo com a aliança. Nesse cenário, o candidato do PSB, Bira do Pindaré, ganha mais tempo para turbinar seu projeto arquitetando alianças à esquerda. Por outro lado, o candidato do Republicanos, Duarte Júnior, nada ganha com a mudança da data da eleição, exatamente por correr o risco de perder parte das suas bases de apoio nas redes sociais, que serão intensamente assediadas de agora por diante. Para ele, a data original seria mais vantajosa.

A mudança de data favorece claramente os Jeisael Marx (Rede), Yglésio Moises (PROS), Carlos Madeira (Solidariedade), Detinha (PL), Adriano Sarney (PV), Franklin Douglas (PSOL), Saulo Arcangeli (PSTU) e Wellington do Curso (PSDB). Sem grandes estruturas, eles ganham tempo para estruturar melhor suas campanhas e tentar convencer o eleitorado sobre a viabilidade dos seus projetos. Se vão conseguir, isso só se saberá quando as urnas se pronunciarem na noite do dia 15 de Novembro.

A alteração no calendário eleitoral poderá também ter reflexos importantes em Imperatriz, por exemplo, onde o prefeito Assis ramos (DEM), que sofre forte pressão de candidatos fortíssimos como deputado estadual Marco Aurélio (PCdoB), que já lidera a corrida, Ildon Marques (PP) e Sebastião Madeira (PSDB), ganha algum tempo para tentar redesenhar o cenário de uma derrota anunciada. Em São José de Ribamar, por seu turno, o adiamento do pleito favorece o prefeito Eudes Sampaio (PTB), que ganha mais tempo para consolidar sua posição numa disputa em que não tem um adversário de peso. Em Paço do Lumiar, comandos partidários terão mais um mês para desenrolar o nó cego que trava o futuro do prefeito afastado Domingos Dutra (PCdoB) e da prefeita em exercício Paula da Pindoba (Solidariedade).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino propõe auxílio emergencial para micro e pequeno empreendedor; Maranhão perde arrecadação

Flávio Dino propõe auxílio emergencial para micro e pequenos empresários afetados pela pandemia

O governador Flávio Dino vem criticando severamente as trapalhadas do Governo Federal em relação aos micro e pequenos empresários, que deveriam estar sendo apoiados, mas, ao contrário, milhares em todo o País encontra-se à mingua, quase falidos, situação que poderia estar menos dramática se os programas de crédito anunciados pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, tivessem sido efetivamente colocados em prática, livres do cipoal burocrático que os impede de atendê-los.

O governador do Maranhão sugere um auxílio emergencial para os micro e pequenos empreendedores, que respondem por quase metade do bolo econômico nacional.

Flávio Dino está convencido de que esse auxílio deve ser liberado pela União sem amarras, e deve ser depositado direto na conta das empresas, permitindo que os empresários empreguem esses valores no pagamento das suas contas mais imediatas, na aquisição de matérias primas e materiais e na manutenção dos empregos.

– A situação das micro e pequenas empresas é dramática. Havia uma ideia de que bastaria abrir o comércio que tudo ia voltar ao normal. Muita gente está descobrindo que não. Em vez de crédito, deveria ser criado um auxílio emergencial agora, já, para as micro e pequenas empresas – propôs Flávio Dino, durante conversa virtual que manteve recentemente com o ex-presidente Lula da Silva (PT), que concordou com a proposta.

O governador do Maranhão conhece os efeitos da paralisação da das atividades econômicas, principalmente dos pequenos empreendimentos, por causa da pandemia do novo coronavírus. O reflexo mais evidente está exatamente na queda de arrecadação de impostos, situação enfrentada pelos estados e municípios. Ontem, levantamento publicado pelo G1, portal do Sistema Globo, mostrou que de Janeiro para cá o Maranhão perdeu R$ 2,2 bilhões em arrecadação de impostos, tendo as perdas mais acentuadas nos meses de Março, Abril, Maio e Junho, um golpe violento na estabilidade fiscal do Governo maranhense.

 

PT pode lançar candidato ou se aliar ao PCdoB na corrida à Prefeitura de São Luís

Zé Inácio e Rubens Júnior

Não existe ainda martelo batido sobre o assunto, mas nos bastidores da corrida sucessória ganha força o rumor segundo o qual o PT tende a participar da disputa em São Luís como parte da aliança que vier a ser construída pelo PCdoB em torno da candidatura do deputado federal Rubens Júnior, podendo até mesmo indicar o vice. Há, de fato, pressão da ala lulista do partido por candidato próprio, já tendo inclusive indicado o deputado Zé Inácio. Mas há também firme posição de outras correntes a favor de que o PT apoie o candidato do PCdoB e invista pesado numa chapa de candidatos a vereador. O adiamento das eleições para Novembro abre um período bem mais largo para que o partido tome posição em São Luís.

São Luís, 02 de Julho de 2020.

Jeisael Marx diz que disputa a Prefeitura para mudar “modelo arcaico” de administração de SL

 

Jeisael Marx vai para a disputa com apoio total de Marina Silva e Fauzi Beydoun

São Luís tem um modelo de administração arcaico, superado, e que não mudará se os prefeitos continuarem sendo representantes das elites políticas. Quem tem essa concepção e está disposto a inverter o processo e mudar as regras do jogo é o jornalista Jeisael Marx, pré-candidato à Prefeitura de São Luís pelo Rede Sustentabilidade, partido de natureza ambientalista liderado nacionalmente pela ex-senadora Marina Silva. Por exigência da legislação eleitoral, Jeisael Marx se afastou ontem das atividades profissionais no braço maranhense da Band, onde apresentava a versão local do programa “Brasil Urgente”, e participação no programa “Ponto Continuando”, da rádio Mais FM. Vai agora se dedicar à gigantesca e desafiadora tarefa de convencer parte graúda dos quase 600 mil eleitores da Capital de que é o nome certo para suceder ao prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) no gabinete principal do Palácio de la Ravardière.

Embalado pela máxima segundo a qual “política não é carreira, é missão”, Jeisael Marx se coloca entre os candidatos enfatizando o diferencial de ser o único aspirante que se move por essa concepção. Coloca-se como uma espécie de outsider, à medida que enxerga nos outros candidatos – Duarte Júnior (Republicanos), Eduardo Braide (Podemos), Rubens Júnior (PCdoB), Neto Evangelista (DEM), Bira do Pindaré (PSB), Yglésio Moises (PROS), Wellington do Curso (PSDB), Detinha (PL), Franklin Douglas (PSOL), Carlos Madeira (Solidariedade), Saulo Arcangeli (PSTU) e Adriano Sarney (PV) – representantes da política convencional, que na sua perspectiva nada muda. “É todo mundo amarrado em partido, em família e em grupo. Eu sou o único candidato com perfil para fazer as mudanças administrativas que São Luís precisa”, sentencia, exibindo surpreendente convicção em relação à base da sua argumentação, que encara a política como missão, não como carreira.

Baixadeiro de origem, ludovicense por adoção, jornalista – milita no radicalismo e mantém um blog, Jeisael Marx entra na corrida sucessória como detentor de um bom lastro de conhecimento da cidade de 1,2 milhão de habitantes e seus e gigantescos problemas, adquirido na sua vivência repórter e apresentador de TV cuja intensa prática sempre teve um viés político. Não esconde que integra politicamente na aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), mas é enfático ao afirmar que seu projeto de candidatura é independente, exatamente por não estar relacionado a nenhum grupo. Ideologicamente, garante que não é de direita nem de esquerda, admitindo cultivar valores dos dois campos, o que o faz situar-se numa espécie de socialdemocracia. Garante que manterá a independência da sua candidatura, para não sucumbir ao lugar comum da política convencional, praticada por grupos e partidos convencionais.

Aos colegas, na sua despedida temporária – ou não? – dos estúdios de rádio e televisão, Jeisael Marx reafirmou seu projeto de candidatura e sua plataforma de campanha, afirmando também seu discurso político, e recorreu à Bíblica para definir o passo que está dando ao se afastar da profissão para tentar um mandato de prefeito da maior e mais importante cidade do Maranhão: “Há tempo para tudo: tempo de plantar, tempo de colher. Estamos plantando uma semente, e esperamos que Deus nos dê a oportunidade de colher ainda este ano”. A atitude e o discurso revelam também um candidato ousado e destemido, a começar pelo fato de que toca sua candidatura apenas com a sua disposição de falar aos eleitores sobre seus planos, entre eles dividir a cidade em cinco subprefeituras, como passo decisivo para a descentralização. “Só eu terei condições de fazer isso”, garante.

Jeisael Marx entra nessa fase intermediária e decisiva da corrida eleitoral como candidato do Rede, chancelado pelas lideranças locais, entre eles o compositor regueiro Fauzi Beydoun, que preside a legenda no estado, e nacionais, como a própria Marina Silva, que tem manifestado apoio total ao projeto de candidatura e dependendo apenas da formalização da escolha em convenção a ser realizada daqui a algumas semanas. A partir de então sairá a campo em busca do apoio do eleitorado.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

César Pires ataca Governo sobre UTIs; Rafael Leitoa rebate desmentindo

César Pires levantou dúvidas sobre UTIs e foi rebatido por Rafael Leitoa

O deputado César Pires (PV) ocupou ontem a tribuna da Assembleia Legislativa para levantar dúvidas a respeito do número de leitos de UTI exclusivos para pacientes cm Covid-19 em hospitais mantidos pelo Governo do Estado. Disse ter recebido “informações de fontes fidedignas” de que o número de leitos instalados pelo Governo do Estado seria menor do que dizem as informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Saúde. Não revelou tais fontes e citou supostos números de hospitais privados, tentando demonstrar que, de acordo com as tais fontes, o número de leitos seria menor. Ato contínuo, o líder do Governo, deputado Rafael Leitoa, rebateu o ataque do oposicionista, afirmando, categoricamente, que o Governo do Estado implantou uma grande e eficiente rede hospitalar contra o novo coronavírus, com a instalação de 220 leitos de UTI. E destacou o número de UTIs seria bem maior se o Governo tivesse recebido 55 respiradores da compra não concluída Consórcio Nordeste. Mas ressaltou que os respiradores não chegaram, mas o dinheiro foi devolvido integralmente, “em dólar”. A impressão geral foi a de que o deputado César Oires usou sua habilidade para tentar criar um clima de dúvida sobre as ações do Governo no combate à pandemia. Só que parece ter agido na hora errada, quando todas as informações, oficiais e oficiosas, mostram que o Governo do Maranhão foi eficiente e bem-sucedido em todas as suas ações para evitar o avanço da virose no Maranhão, a começar por São Luís, onde os números mostram que a rede hospitalar ontem já trabalhava com folga de 40% nos leitos de UTI.

 

Duarte Júnior emplaca projeto de lei para empregar maranhenses na construção civil

Duarte Júnior

O deputado Duarte Júnior (Republicanos) marcou ontem gol de placa ao ter aprovado pela Assembleia Legislativa, por unanimidade, o Projeto de Lei 449/2020, que estabelece prioridade na contratação de trabalhadores maranhenses ou residentes no estado nas obras de construção civil. O texto altera a Lei 10.789/18, ampliando para as empresas do terceiro grupo da indústria (construção e mobiliário, montagem e manutenção industrial) a obrigatoriedade de contratar, prioritariamente, mão de obra maranhense (na proporção de 70% de maranhenses natos ou residentes no Estado, com reserva de 15% dessas vagas para mulheres) no quadro efetivo dessas empresas. “Essa lei é justa e necessária, ainda mais neste momento de crise e recessão econômica, já que a taxa de desocupação no primeiro trimestre de 2020 aumentou em 4% no Maranhão, o que significa dizer que aproximadamente 100 mil cidadãos maranhenses estão sem uma ocupação, sem um emprego, sem uma renda”, declarou Duarte Júnior. O parlamentar informou que a iniciativa contou com o apoio de entidades sindicais e empresariais ligadas à construção civil.

São Luís, 01 de Julho de 2020.

Pesquisa JP mostra Fábio Gentil com liderança consolidada e a caminho da reeleição em Caxias

 

Fábio Gentil lidera corrida sucessória em Caxias

A pesquisa do JPesquisa, divulgada Domingo pelo Jornal Pequeno, dando conta da liderança folgada e inconteste do prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), na corrida em que pleiteia a reeleição, causou certo impacto pela diferença que ele impõe – 60% contra 15% – ao seu principal concorrente, o deputado estadual Adelmo Soares (PCdoB), mas não surpreendeu a nenhum observador da disputa pelo poder na seara política caxiense. Os números, que favorecem largamente o prefeito em cenários diferentes, traduziram a situação decorrente do redesenho do cenário político da Princesa do Sertão, iniciado com a morte do deputado estadual Humberto Coutinho (PDT), no auge do poder, e que abriu um vácuo gigantesco no seu grupo, e pelo visto sem perspectivas de ser preenchido, exatamente por falta de quadros sob a liderança da deputada estadual Cleide Coutinho (PDT).

O prefeito Fábio Gentil, que se impôs como o contrapeso de Humberto Coutinho e tirou o seu grupo do comando caxiense em 2016, ganhou as condições para decidir sobre os destinos de Caxias por muito tempo. Os fatores que explicam os números da pesquisa JP são óbvios. Fábio Gentil não é uma liderança saída do nada nem surgida de passe de mágica. Sua carreira foi uma construção tijolo a tijolo, ganhando consistência em seguidos mandatos de vereador. Amadureceu e se estabeleceu como líder político de uma nova geração, praticando política cuidadosa, sempre sob a orientação do pai, o deputado Zé Gentil, recentemente falecido, uma raposa que muitos subestimaram, mas que soube mostrar suas habilidades e seu senso de oportunidade investindo acertadamente na carreira do filho.

O resultado dessa operação lenta e gradual veio em 2016, com a aliança que ele firmou com o ex-prefeito Paulo Marinho, a terceira força política do município, cedendo a vaga de vice a Paulo Marinho Júnior – que renunciou para assumir mandato na Câmara Federal por suplência obtida em 2018 – foi uma vitória surpreendente de Fábio Gentil, para muitos impensável, sobre o então prefeito Leo Coutinho, escolhido para ser o herdeiro político de Humberto Coutinho. Ao tirar o Grupo Coutinho do poder, Fábio Gentil se credenciou para assumir o posto de maior líder de Caxias neste momento. Isso porque Humberto Coutinho, um político maiúsculo e respeitado até por adversários, cometeu o erro de não preparar um sucessor.

No comando da máquina municipal, Fábio Gentil não decepcionou a quem nele apostou. Faz uma gestão com os pés no chão, investindo no potencial do município. A cidade está limpa, bem cuidada, com sua infraestrutura melhorada, servidores e demais obrigações rigorosamente em dia. O prefeito demonstra ter nítida consciência de que, mais do que um município que abriga 165 mil habitantes, o que fez dela o quinto maior colégio eleitoral do Maranhão, Caxias tem importância política destacada no contexto maranhense, que começa pela sua reconhecida independência. Caxias é polo principal do Leste maranhense, o que lhe dá uma posição estratégica e privilegiada em qualquer equação política estadual. Fábio Gentil vem sabendo alimentar essa tradição com habilidade, removendo, um a um, os obstáculos que lhe aparecem.

Sua posição de líder na corrida às urnas, apurada pela JPesquisa, é fruto desse contexto, sendo também uma fotografia nítida do momento, como são os levantamentos pré-eleitorais. Seu principal adversário, o deputado Adelmo Soares, além do apoio do Grupo Coutinho, que já lhe indicou a vereadora Thaís Coutinho como vice, é um político hábil, com desenvoltura discursiva e avalizado pelo comando estadual do PCdoB – um trunfo poderoso e nada desprezível. Os demais pré-candidatos – o emedebista César Sabá (4%), o “candidato do PT” (4%) e Luís Carlos Moura (2%), parecem sem chance de reagir.

E mesmo levando em conta o fato de 10% que responderam não querer nenhum dos candidatos, e a ponderação segundo a qual ainda é cedo para consumar previsão, é fato que essa parece não se aplicar a Caxias, onde está desenhada uma tendência muito clara, indicando forte possibilidade de o prefeito Fábio Gentil renovar o mandato.

Em Tempo: A pesquisa divulgada pelo Jornal Pequeno foi realizada pelo JPesquisa, empresa ligada ao diário, foi realizada no período de 19 a 22 de Junho, ouviu 600 eleitores, tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, intervalo de confiança de 90% grupo e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número MA-02708/2020.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sem Lula, Dilma sugere aliança PT-PCdoB com Haddad ou Dino liderando a chapa

Dilma Rousseff admite aliança liderada por Fernando Haddad ou por Flávio Dino

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) faz uma análise simples e certeira: a virtual desistência do ex-presidente Lula da Silva (PT) de entrar na briga pelo Planalto em 2022 abre naturalmente o caminho para lideranças novas no âmbito da chamada esquerda democrática. Nesse universo, a ex-presidente enxerga de cara dois nomes, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o nome mais forte do PT, na avaliação dela, e o governador Flávio Dino (PCdoB). Na condição de petista, a preferência da ex-presidente é, em princípio, Fernando Haddad. Mas numa avaliação mais abrangente, Dilma Rousseff vê o governador do Maranhão como um nome em condições de liderar a chapa de uma aliança de esquerda. Ela quer o PT como o protagonista maior desse processo, mas ao contrário de outros petistas de proa, a começar pelo próprio Lula da Silva, a ex-presidente admite a participação do PT numa aliança liderada por candidato de outro partido, como seria o caso de Flávio Dino, do PCdoB. Dilma Rousseff tem atenção especial em relação a Flávio Dino. Ela não esquece de quanto o governador se empenhou contra o processo de impeachment, tendo sido, nos momentos decisivos, o líder político mais exposto na linha de frente contra o que eles interpretaram como “golpe”. Além disso, pesa também o fato de Flávio Dino ser reconhecido dentro e fora do Maranhão como um gestor de excelência, com qualificação para comandar o País. Essa ainda improvável parceria poderá vir a ser confirmada.

 

Edivaldo Júnior intensifica maratona de visita a obras sem falar em sucessão

Edivaldo Jr. em clima de campanha, mas sem candidato

O prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) intensifica sua maratona de acompanhamento de obras de pavimentação nas diversos regiões de São Luís. Faz essa movimentação sozinho, sem dar a ela caráter eleitoreiro, embora seja fácil perceber o tom político que vem dando às incursões diárias às frentes de obras. Ao mesmo tempo, mantém obstinado silêncio sobre sua sucessão, dando a impressão de que são verdadeiros os rumores segundo os quais não aprova a aliança PDT-DEM com chapa liderada pelo deputado estadual Neto Evangelista, contrariando a orientação do comandante da agremiação brizolista, senador Weverton Rocha. A expectativa cresce dentro e fora do arraial pedetista, de vez que começa a contagem regressiva para as convenções partidárias, quando o prefeito de São Luís finalmente revelará sua posição em relação à sua própria sucessão.

São Luís, 30 de Junho de 2020.

 

Pré-candidatos a prefeito de São Luís saem da inércia e iniciam movimentos na direção das urnas

 

Rubens Júnior, Bira do Pindaré, Jaisael Marx, Carlos madeira, Franklin Douglas, Saulo Arcangeli, Eduardo Braide, Wellingtin do Curso, Adriano Sarney, Neto Evangelista, Duarte Júnior , Yglésio Moises e Detinha já em movimento depois da inércia causada pelo novo coronavírus

Abruptamente interrompida pelo desembarque avassalador do novo coronavírus na Ilha de Upaon Açu, em meados de março, a pré-campanha para a Prefeitura de São Luís está sendo retomada com toda força em meio ao quase oficialmente confirmado adiamento das eleições de 4 de Outubro para 15 de Novembro. Cada um a seu modo e com os instrumentos que dispõe, os pré-candidatos já cumprem agendas intensas, seja no campo das articulações políticas e partidárias, seja em encontros líderes políticos e comunitários, ou seja ainda no política e eleitoralmente fértil campo virtual, com a veiculação de clips e mensagens e realização de lives. Todos os 12 aspirantes à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) já têm suas posições partidárias consolidadas, dependendo apenas das convenções, previstas para Julho, para confirmar suas candidaturas. Não há, em princípio, sinais de alguma desistência; ao contrário, a impressão geral é a de que os pré-candidatos estão obstinadamente decididos a seguir firmes para as urnas.

Consolidado na vaga de candidato do Podemos, o deputado federal Eduard Braide, que até aqui lidera as preferências do eleitorado, mas já sem indicação de que liquidará a fatura em turno único, se movimenta em todas as frentes, se articulando com líderes partidários em busca de uma coligação que lhe dê, pelo menos, algum tempo de TV. Nome incontestável do PCdoB, o deputado federal Rubens Júnior trabalha em busca de aliados, principalmente o PT, ao mesmo tempo em que busca atrair eleitores por meio de conversas virtuais, nas quais vem se propondo a discutir os problemas da cidade, principalmente os que afetam as populações periféricas.

Sem concorrente dentro do Republicanos, o deputado estadual Duarte Júnior segue entre os preferidos do eleitorado nesta fase da corrida, e alimentando seus robustos nichos de apoio nas redes sociais, onde se movimenta com invejável desenvoltura, ao que parece indiferente à intensa pancadaria disparada por concorrentes, ao que responde dando seguidas demonstrações de que manterá seu projeto de candidatura até o fim, sem qualquer chance de recuo. Detentor do apoio expresso e incondicional do comando nacional do PSB, que tem na sua candidatura um projeto prioritário, o deputado federal Bira do Pindaré vem intensificando sua pré-campanha no meio sindical e junto a entidades civis, num esforço para tentar resgatar pelo menos parte da força eleitoral que mobilizou na eleição de senador em 2006, quando venceu a Epitácio Cafeteira e Manoel Ribeiro em São Luís.

Mesmo confirmado como o nome do DEM para a corrida à prefeitura de São Luís, o deputado estadual Neto Evangelista está dividindo seu tempo entre incursões por bairros e associações em busca de suporte eleitoral e as frenéticas articulações para confirmar a aliança com o PDT, conforme acerto alinhavado no ano passado com o senador Weverton Rocha, que comanda o PDT no Maranhão, e o prefeito de Salvador, ACM Neto, chefe maior do Democratas no País – isso ainda sem saber se terá o apoio do prefeito Edivaldo Holanda Júnior. Numa outra vertente, o deputado estadual Yglésio Moises, praticamente confirmado candidato do PROS, faz uma pré-campanha agressiva visando ocupar espaço e se afirmar como candidato: distribui pancadas em alguns concorrentes, bate forte no favorito Eduardo Braide e estoca com força Duarte Júnior, ao mesmo tempo em que garimpa defeitos na atual gestão.

Com candidatura a ser confirmada pelo chefe dos tucanos maranhenses, senador Roberto Rocha, o deputado estadual Wellington do Curso (PSDB) se movimenta embalado por razoável margem de intenção de votos, investe todo o seu cacife numa oposição agressiva e, pelo visto até aqui, inócua ao governador Flávio Dino, mesmo ciente que o Governo do PCdoB é aprovado pela maioria dos ludovicenses. Embalado pelo apoio declarado e entusiasmado da ex-senadora Marina Silva, o jornalista Jeisael Marx já se movimenta como o nome do Rede na corrida eleitoral da Capital, realizando atos de pré-campanha, promovendo reuniões em bairros, e com a vantagem de ainda se encontrar em ação profissional em programa de rádio.

Depois de passar por período dominado pela incerteza em relação ao futuro do seu projeto eleitoral, o ex-juiz federal Carlos Madeira vem tendo sua pré-candidatura confirmada pelo Solidariedade, situação que o tem incentivado a sair do escritório para participa de eventos, como batizado de bumba-boi, por exemplo, e receber declarações de apoio, como como as feitas pela deputada estadual Helena Duailibe e do vereador Afonso Manoel Ferreira, ambos do SD e conhecedores dos caminhos do voto em São Luís. Pré-candidata inconteste do PL, partido controlado com mão de ferro pelo seu marido, o deputado federal e aspirante a candidato a governador Josimar de Maranhãozinho, a deputada estadual Detinha alimenta sua pré-campanha incursionando em bairros com promoções polêmicas e já denunciadas à Justiça Eleitoral, mas com a desenvoltura de quem tem candidatura garantida.

Noutro campo, e com candidatura praticamente confirmada pelo PV, onde não tem adversário, o deputado estadual Adriano Sarney tem confirmado seu projeto, fazendo uma pré-campanha de oposição ao Governo do Estado e trabalhando com a possibilidade, ainda remota, de vir a se tornar candidato de uma aliança do seu partido com o MDB, contando com o peso político e eleitoral da tia, a ex-governadora emedebista Roseana Sarney. O professor Franklin Douglas, do PSOL, está em pré-campanha aberta, trabalhando no front interno para consolidar sua candidatura, já que o partido vem sendo sondado para fazer alianças, e no front externo, promovendo eventos e debates sobre a situação da Capital no que respeita a infraestrutura, transporte, educação e outras áreas. Candidato já definido nas fileiras do PSTU, Saulo Arcangeli está em plena pré-campanha, na qual alimenta o discurso da ultraesquerda contra tudo e contra todos, aguardando apenas a convenção partidária para consolidar formalmente um projeto que já existe de fato.

São esses os movimentos que já dão alguma dinâmica a corrida para a Prefeitura de São Luís.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Coroatá deve ter uma das disputas mais agitadas da corrida às prefeituras

Luis da Amovelar Filho vai enfrentar  Ricardo Murad

Cresce no maio político e partidário a impressão de que Coroatá será palco de uma das disputas mais renhidas e movimentadas pelo comando da Prefeitura, envolvendo, de um lado, o prefeito Luís da Amovelar Filho, que pleiteará a reeleição, tendo como adversário o ex-prefeito Ricardo Murad, que depois de sofrer ali dura derrota em 2016 e perder todos os espaços políticos em 2018, tentará voltar ao comando político e administrativo daquele município. O prefeito é jovem e aguerrido, tem o apoio do pai, que foi prefeito duas vezes, e conta com o apoio do PCdoB e de alguns aliados do governador Flávio Dino, com chances, portanto, de renovar o mandato. Já Ricardo Murad é hoje uma incógnita no plano eleitoral, se levados em contas todos os reveses políticos que sofreu nos últimos pleitos – a derrota da esposa prefeita ao tentar a reeleição em 2016 e a não reeleição da filha Andreia Murad para a Assembleia Legislativa. Partidários do prefeito Luís Filho apostam na sua reeleição, enquanto apoiadores do ex-deputado Ricardo Murad, entre eles o senador Roberto Rocha, chefe estadual dos tucanos, torcem pela sua eleição.

 

Datafolha: 75% dos brasileiros preferem a atual democracia e rejeitam a ideia de ditadura

Maioria dos brasileiros quer os poderes garantindo a democracia plena no País

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado trouxe o seguinte recado direto e em tom elevado aos terraplanistas que apoiam o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e pregam intervenção militar: 75% dos brasileiros preferem a atual democracia, contra 10% que consideram a ditadura “aceitável”, e os outros 15% que não quiseram ou não souberam responder. Isso significa dizer que as marcas deixadas na vida do País pela ditadura que o infernizou entre 1964 e 1984 estão vivas e quem cometer a insanidade de tentar restaurá-la vai pagar preço muito elevado. A pesquisa apurou também que 78% dos brasileiros são contra o fechamento do Congresso Nacional, por entenderem que não há democracia sem representação política. E ainda que 56% dos entrevistados disseram ser totalmente contra o fechamento do Supremo Tribunal Federal, enquanto 18% discordam “em parte”, 12% disserem ser favoráveis, 7% responderem ser favoráveis “em parte” e 5% não souberam ou não quiseram responder. Em resumo: a esmagadora maioria dos brasileiros quer as suas   instituições de pé, funcionando a todo vapor e garantindo o estado democrático de direito.

São Luís, 28 de Junho de 2020.

Em meio à guerra contra o coronavírus, Assembleia alimenta espírito junino com “Arraiá do Povo em Casa”  

 

Os apresentadores Elda Borges e Joelson Braga no cenário do Arraiá do Povo em Casa”,, com a apresentação de imagens dos grandes grupos juninos de São Luís

Nenhum maranhense, especialmente os ludovicenses e seus vizinhos na Ilha de Upaon Açu, está feliz em viver o período junino sem festas – bumba-boi, cacuriá, dança do coco, quadrilha -, sem dar de cara com o batalhão da Maioba ou o de Maracanã e sentir a pancada dos seus pandeirões, sem vibrar com o batuque frenético e intenso do zabumba que embala o novilho de Guimarães, sem admirar as esculturais e sensuais índias dançarinas do orquestrado Boi de Morros, ou ainda sem se inebriar com o maravilhoso contágio rítmico e musical do Boizinho Barrica. Nesse tempo estranho, com seus dias e noites dominados pelo medo do novo coronavírus, um inimigo microscópico e letal, que obriga a todos a substituir o sorriso largo por máscaras ao mesmo tempo incômodas e úteis, o maranhense se reinventa e se vale da tecnologia da comunicação para manter viva a saudável tradição. O melhor exemplo desse esforço para manter a tradição e espantar a depressão do isolamento social foi o “Arraiá do Povo em Casa”, promovido virtualmente pela Assembleia Legislativa nos dias 24, 25 e 26 (ontem), realização do Centro de Comunicação com sinal verde do presidente Othelino Neto (PCdoB) e aval dos seus pares.

A programação, rica em música e apresentações de artistas e grupos folclóricos e rica em informações sobre o sentido das festas juninas, como também sobre a gastronomia do período, foi produzida em estúdio e levada ao ar pelo Canal 51.2 da TV aberta e pelo Canal 17 da TVN. Apresentados pelos jornalistas Elda Borges e Joelson Braga, com a participação de repórteres e figurantes, os roteiros foram concebidos de modo a envolver o telespectador, incentivando-o a transformar a sala da sua residência num animado arraial. Pelo “Arraiá do Povo em Casa” passaram Boizinho Barrica, Cacuriá de Dona Teté, Boi de Axixá, Boi de Maracanã, Boi de Itapera no dia 24; Boi de Santa Fé, Boi de Nina Rodrigues, Quadrilharte de Alcântara e Boi dos Sonhos no dia 25, e Boi Pirilampo, Boi Mocidade de Pinheiro, Boi de Morros e Boi da Maioba. Além dos vídeos produzidos pelos grupos para este ano, o “Arraiá do Povo em Casa” exibiu registros da festança do “Arraiá do Povo” no ano passado.

Foram três noitadas, cada uma com duração superior a três horas, no melhor estilo junino de São Luís. Do estúdio, decorado com que há de mais alegre e original nas festas juninas ludovicenses, os apresentadores deram shows de animação, enquanto os grupos convidados se esmeraram para tornar as três lives festivas em autênticos arraiais. E a julgar pelas manifestações em redes sociais, os servidores da Assembleia Legislativa e seus familiares, bem como muitos deputados, abraçaram versão virtual do tradicional “Arraial do Povo”, fazendo do “Arraial do Povo em Casa”, uma grande festa, numa surpreendente interação. Os registros mostraram que muitas famílias sem relação com o Poder Legislativo participaram das noitadas juninas virtuais, enxergando no “Arraiá do Povo em Casa” uma iniciativa inteligente e oportuna para quebrar a monotonia imposta pela pandemia e alimentar a rica e contagiante cultura popular do Maranhão.

Na noite de abertura, quarta-feira (24), o presidente Othelino Neto convidou a população maranhense para participar do “Arraiá do Povo em Casa”: “O Arraiá do Povo, que vem sendo realizado há três anos, é uma festa já consolidada e muito bem prestigiada no período junino em São Luís. Este ano, teve de ser diferente, pois tivemos que suspender o arraial, por medida de segurança, em razão da Covid-19. Mas durante esses três dias, estaremos exibindo na TV Assembleia o ‘Arraiá do Povo em Casa’, para que você se divirta com sua família com segurança, podendo ainda contribuir com as atrações de sua preferência que irão se apresentar neste grande palco virtual e, assim, ajudar a manter viva a chama do nosso São João”. Por sua vez, o diretor de Comunicação, jornalista Edwin Jinking, assinalou que a o arraial virtual foi uma maneira de “saciar a saudade do São João e do Arraial do Povo, que acontece todos os anos no estacionamento da Assembleia Legislativa”.

Assim, depois de ter tido participação decisiva no esforço do Governo do Estado no enfrentamento da pandemia do coronavírus, aprovando também medidas importantes para aliviar a carga de problemas por ela gerados, a Assembleia Legislativa do Maranhão encontrou no “Arraiá do Povo em Casa” uma maneira saudável de alimentar nos maranhenses o espírito junino, que é base maior da sua cultura popular.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PSB promete jogar pesado para fortalecer a candidatura de Bira do Pindaré em São Luís

Bira do Pindaré tem o apoio total do presidente Carlos Cerqueira – na foto com o sociólogo Rossini Correia, um dos fundadores do PSB no Maranhão.

Se alguém pensou que a candidatura do deputado federal Bira do Pindaré (PSB) à Prefeitura de São Luís vinha perdendo fôlego, errou feio. O desmentido a essa impressão se manifestou numa esclarecedora entrevista concedida pelo presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, no início da noite de quinta-feira, ao programa “Ponto e Vírgula”, da Difusora FM, comandado pelo jornalista Leandro Miranda. Indagado sobre o futuro da candidatura de Bira do Pindaré, Carlos Siqueira foi enfático: o projeto eleitoral do pré-candidato socialista em São Luís é uma das prioridades do partido nessa corrida eleitoral em todo o País. Ele deixou claro que a candidatura é fato consumado e irreversível, e que o partido já está se movimentando para obter uma aliança com o PT e, se possível, com o PSOL. Mas, independentemente dessas possíveis alianças, o PSB nacional vai dar total apoio à candidatura de Bira do Pindaré à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT).

Mesmo considerando que Bira do Pindaré tem ainda fortes relações políticas e eleitorais com o arraial petista, a pretendida aliança do PSB com o PT poderá acontecer, mas só depois que a agremiação petista decidir entre lançar candidato próprio – no caso o deputado estadual Zé Inácio, já lançado por um braço da corrente lulista do partido – e firmar aliança com o PCdoB em torno da candidatura do deputado federal Rubens Júnior, avalizada pelo Palácio dos Leões. Qualquer análise feita neste momento certamente concluirá que entre Bira do Pindaré e Rubens Júnior, o PT tende a ficar com o candidato do PCdoB. Já em relação ao PSOL, o otimismo do presidente nacional do PSB esbarra no fato de que Bira do Pindaré já tentou conquistar o apoio do PSOL, mas as conversas não evoluíram, tanto que o partido já decidiu lançar a candidatura do professor Franklin Douglas.

Em se tratando de política, porém, mesmo diante dos fatos em evolução, qualquer conclusão neste momento é precipitada. Nascido politicamente no PT, onde ocupou grande espaço de liderança numa das correntes mais à esquerda, o deputado federal Bira do Pindaré tem peso dentro do partido. As declarações do presidente nacional do PSB sugerem que, pelo menos para o partido, o jogo está apenas começando.

 

Duas novas linhas de ação no plenário da Assembleia Legislativa

Edivaldo Holanda e Valéria Macedo: ambos têm motivos para bons desempenhos na AL

O deputado Edivaldo Holanda (PST) assumiu mandato pleno ao ser efetivado na vaga aberta com a morte, há três semanas, do deputado Zé Gentil (Republicanos). E com a efetivação de Edivaldo Holanda e a permanência da deputada Ana do Gás (PCdoB) no comando da Secretaria de Estado da Mulher, a suplente Valéria Macedo (PDT) assumiu a vaga.

Edivaldo Holanda deverá concentrar suas forças no apoio aos meses que restam do mandato de Edivaldo Holanda Júnior no comando da Prefeitura de São Luís. O experiente e competente parlamentar deve retomar os relatos das realizações do prefeito, como também tem trabuco verbal engatilhado para usar em qualquer tentativa de ataque dos seis pré-candidatos à Prefeitura da Capital.

Enfermeira por formação, Valéria Macedo, por outro lado, deverá pautar sua presença na Assembleia Legislativa por iniciativas relacionadas com a guerra contra a pandemia do novo coronavírus, assim como questões relacionadas à defesa da mulher, aproveitando a experiência de quem foi a primeira procuradora da Mulher no Legislativo estadual, no mandato passado.

São Luís, 27 de Junho de 2020.

Posições em rankings mostram eficiência de Flávio Dino e turbinam sua estatura política

 

Flávio Dino : eficiência da gestão no comando do Governo lhe dá visibilidade e estatura política dentro e fora do Maranhão

Em meio a uma onda de informações sobre posições do Maranhão em diversos rankings sociais e econômicos, como, por exemplo, o dado divulgado ontem e segundo o qual mais de 61% da população maranhense recebe bolsa família, o Governo do Estado vem acumulando indicadores positivos e reveladores de que os maranhenses estão avançando em diversas áreas. Levantamento saído do forno do Ministério da Saúde apontou o Maranhão como um dos cinco estados que mais realizaram testes para identificar infectados pelo coronavírus, segundo matéria divulgada nesta semana pelo insuspeito jornal Folha de S. Paulo. Outro levantamento identificou o Maranhão com o quinto maior número de cidades onde o coronavírus está perdendo terreno. Outra fonte de dados indicou que o Maranhão é o estado da Amazônia Legal que alcançou o melhor desempenho na educação de base. Além disso, registros do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o Maranhão tem hoje 32% dos seus presidiários trabalhando, a segunda posição nesse ranking no País inteiro.

Esses indicadores resultam de uma guinada radical iniciada em 2015, e que se manteve nos 66 meses da gestão do governador Flávio Dino (PCdoB). Nesse período, inúmeros problemas sociais e econômicos foram encarados, no todo ou em parte, mas com decisão política, tendo o Governo do Estado investido pesado nos segmentos decisivos para enfrentar a pandemia do coronavírus, como a estruturação da rede hospitalar estadual, que hoje começa a ganhar status de referência. A política radical para a área de Saúde aproveitou as bases de uma rede hospitalar feita pelo Governo anterior, que foi decisiva para o enfrentamento bem-sucedido do novo coronavírus, e que, vencida a pandemia, deixará o estado com a maior e mais bem estruturada rede de saúde pública entre as unidades da Federação. Depois, radicalizou na guerra contra os baixos indicadores educacionais ao implantar o arrojado programa “Escola Digna”, com mais de 800, e reformar e ampliar a estrutura do ensino médio em todas as regiões, inclusive com as primeiras inovadoras escolas de tempo integral, implantando também uma rede de escolas técnicas, os Iemas.

Em Janeiro de 2013, o Maranhão e o Brasil foram assombrados por agressiva e audaciosa ação da criminalidade urbana, os incêndios a ônibus urbanos, entre eles o que matou uma criança e a mãe e deixou marcas e traumas indeléveis no corpo e na mente de um verdureiro que tentou salvá-la. O caso repercutiu mundialmente e chamou a atenção do Brasil inteiro para a fragilidade do Sistema Estadual de Segurança Pública, e também da situação infernal dentro dos presídios maranhenses, de onde saíram as ordens para a afrontosa queima de coletivos. Eleito em Outubro 2014 e empossado em Janeiro de 2015, Flávio Dino deflagrou o maior e mais ousado pacote de ações na área de Segurança Pública e contra a crua realidade do sistema prisional do estado. Hoje, o antes explosivo e caótico Complexo Penitenciário de Pedrinhas é considerado uma referência, onde um em cada três detentos trabalha.

A guerra ao novo coronavírus é exemplar, apesar de todos os problemas que ameaçaram, e continuam a ameaçar, as medidas de enfrentamento, como a resistência de muitos, inspirados nas atitudes irracionais do presidente da República, ao distanciamento social, ao uso de máscara e a outras recomendações de prevenção. O governador Flávio Dino e seu staf de frente – formado pelos secretários Carlos Lula (Saúde), Marcos Pacheco (Políticas Públicas), Marcelo Tavares (Casa Civil), Rodrigo Lago (Comunicação e Articulação Política) e Simplício Araújo (Indústria e Comércio) -, agiram nas horas certas e tomando as medidas adequadas, inclusive atropelando obstáculos – caso da cinematográfica compra e transporte de respiradores da China para o Maranhão. O resultado é que, de maneira clara e transparente, o Governo turbinou a máquina estatal e sairá da pandemia com uma rede hospitalar estruturada para atender aos casos de Covid-19 e todos os demais problemas de saúde que demandam atendimento médico-hospitalar.

Não surpreende, portanto, que o governador Flávio Dino e seu desempenho como gestor sejam reconhecidos, sem favor, como um caso de Governo bem-sucedido, dando a Flávio Dino as condições para consolidar sua liderança no Maranhão, e estatura política para se colocar na corrida presidencial de 2022. Isso porque não há mágica publicitária nessa construção, mas muito esforço e trabalho dobrado. E fácil conferir.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PDT manda recados fortes, mas Edivaldo Júnior mantém silêncio sobre candidatura

Edivaldo Júnior, sempre acompanhado da primeira-dama Camila Holanda, turbina seu programa de obras, mas não fala de sucessão

Todos os movimentos feitos pelo comando do PDT até agora com o objetivo consolidar a aliança do partido com DEM em torno da candidatura do deputado estadual democrata Neto Evangelista visaram mandar um recado com altura de muitos decibéis ao prefeito Edivaldo Holanda Júnior: com ou sem o seu apoio, o PDT vai com o DEM, indicando o vice da chapa liderada por Neto Evangelista. Edivaldo Holanda Júnior tem respondido ao recado com dois movimentos: o silêncio obstinado sobre o assunto, indicativo de que não fecha com a candidatura de Neto Evangelista, e a intensificação do seu programa de obras, que o tem levado, em clima quase festivo, aos mais diferentes bairros de São Luís. Ou seja, enquanto a cúpula do PDT segue em frente na articulação da aliança com o DEM, o prefeito, que é hoje o segundo quadro mais destacado do arraial brizolista, segue com sua estratégia de aliar-se ao projeto do governador Flávio Dino, que é o de eleger o deputado federal Rubens Júnior (PCdoB) à prefeito de São Luís, ou qualquer nome da aliança que comanda – Neto Evangelista, Duarte Júnior (Republicanos), Bira do Pindaré (PSB), Yglésio Moises (PROS), Carlos Madeira (Solidariedade). Uma fonte com trânsito no círculo mais próximo do prefeito diz que ele pretende se manifestar em breve.

 

Roberto Saldanha assume o comando do MDB em São Luís

Roberto Costa fez mudanças na cúpula do MDB de São Luís

Coordenador da participação do MDB na corrida às Prefeituras e Câmaras Municipais, o deputado estadual Roberto Costa operou uma ampla mudança no comando do partido em São Luís. O primeiro passou foi afastar André Campos da presidência do partido na Capital, eliminando, com a medida, um foco de crise na chapa de candidatos a vereador. Explica-se: André Campos não tem inimigos nem é criador de caso, mas é candidato a uma cadeira da Câmara Municipal, podendo ensejar insatisfação nos demais candidatos sob a alegação de que seria beneficiado se permanecesse no comando partidário. Roberto Costa eliminou a possibilidade de crise alçando à presidência do partido o vice-presidente Roberto Saldanha, o principal assessor de Roberto Costa e militante do partido. Roberto Saldanha é da ala jovem, sério, eficiente como operador político, integralmente dedicado às suas tarefas no partido e reconhecido como um emedebista militante. Terá posição-chave na campanha do partido na Capital, tendo como foco a eleição de vereadores.

São Luís, 26 de Junho de 2020.

Articulista de O Globo destaca a visão e a estatura de Flávio Dino no conturbado cenário político nacional

 

Flávio Dino elogiado pela postura de respeito a José Sarney e pela coerência com que critica Jair Bolsonaro

Depois de ter sido escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como “o pior” entre os governadores nordestinos que lhe fazem Oposição, e que como vice de Rui Costa, governador petista da Bahia, formaria uma chapa “imbatível” na corrida ao Palácio do Planalto, segundo a expectativa do líder petista José Dirceu, o governador Flávio Dino (PCdoB) começa, de fato, a ganhar estatura política sólida no plano nacional, com cacife para se mover com segurança e autoridade no ultra fechado círculo nomes de fato considerados para disputar a Presidência da República em 2022. Esse status, só concedido a quem tem envergadura política sólida e bem fundamentada, foi alcançada por Flávio Dino, que agora é presença obrigatória na lista dos políticos mais expressivos do País na atualidade, com direito a ser levado em conta em qualquer discussão envolvendo a sucessão presidencial de 2022.

Uma das evidências mais contundentes do tamanho político do governador do Maranhão está nas linhas do artigo do jornalista Merval Pereira, de O Globo, publicado na edição virtual de ontem do jornal carioca. Dono de larga experiência na seara política nacional conhecedor de todas as peças do mosaico partidário e ideológico que a movimentam, Merval Pereira aponta Flávio Dino como uma boa nova nesse universo. E o faz sem elogios gratuitos, mas analisando fria e isentamente as posições por ele expostas numa live promovida pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

O artigo chama a atenção para a previsão de Flávio Dino de que a eleição dos novos prefeitos e vereadores pode-se transformar em plebiscito sobre o Governo Bolsonaro, mesmo que as esquerdas não saiam vitoriosas. Para o articulista, essa visão é surpreendente, pois mostra a abertura política do governador. Essa imagem é reforçada pela maneira correta e respeitosa com que Flávio Dino se referiu ao ex-presidente José Sarney (MDB), seu adversário no Maranhão. “O governador Flávio Dino colocou Sarney como presença certa na mesa de negociações, juntamente com outros ex-presidentes da República, dando a seu adversário político regional a dimensão nacional que tem e a que ele, Dino, pode ser alçado como expoente da nova esquerda nacional, que se desvincula da relação carnal com o PT que marcou a trajetória do PC do B até a eleição de 2018, quando apoiou Fernando Haddad”, assinala Merval Pereira no seu artigo.

Ao avaliar a relação de Flávio Dino com o PT, o artigo acentua que o governador não renega o PT, deixando claro, porém, que a coligação automática com o PT não são favas contadas no pleito de 2022. Observa que nesse contexto o governador maranhense mostra bom senso e ganha espaço ao defender uma ampla aliança que reúna a esquerda e forças democráticas de centro, contrariando o discurso de Lula da Silva, que repudia qualquer Movimento nesse sentido. Merval Pereira observa ainda em Flávio Dino senso de equilíbrio quando não despreza a base política do presidente Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, assinala a preocupação do governador com o atual cenário político do País, principalmente no que respeita ao radicalismo de direita, que na sua avaliação tem raízes fortes no Brasil.

O artigo destaca a dimensão da visão política de Flávio Dino quando se diz preocupado com a desastrosa diplomacia do Governo Bolsonaro e com a submissão do Governo aos Estados Unidos, com a situação ambiental e da sua visão de que os militares estão cometendo um grave erro ao se vincularem ao atual Governo, quando as Forças Armadas devem se manter como instituições do Estado, longe das disputas políticas. O artigo destaca a posição do governador sobre uma série de questões, que vão desde equívocos administrativos do Governo Central até os estragos da Covid-19.

O destaque dado pelo comentarista à visão, à postura e à atuação de Flávio Dino reforça a impressão, admitida inclusive por adversários, de que o governador está, de fato, credenciado para entrar com legitimidade na corrida ao Palácio do Planalto em 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Deputados voltam ao plenário e aprovam pauta de combate ao novo coronavírus

Entre as deputadas Dainella Tema (e) e Cleide Coutinho (d), Othelino Neto comanda sessão em que deputados, de máscara como ele, homenagearam Zé Gentil

Foi produtiva no aspecto legislativo a primeira sessão presencial da Assembleia Legislativa em meio à pandemia do coronavírus. Com a maioria dos deputados no plenário e outros participando por videoconferência, o parlamento manteve a linha de legislar criando instrumentos de combate à pandemia, com a aprovação de vários projetos nessa direção. No comando dos trabalhos, o presidente Othelino Neto (PCdoB) destacou a retomada, relacionando as medidas destinadas a preservar a saúde dos deputados e dos servidores, e enfatizando o compromisso de priorizar decisões legislativas que dê suporte ao Governo do Estado e à sociedade civil para enfrentar os efeitos danosos da crise sanitária que vem abalando o planeta.

Os deputados aprovaram, por maioria folgada, dois projetos do deputado Yglésio Moises (PROS), o primeiro dispondo sobre a obrigatoriedade de testagem periódica para detecção do vírus da Covid-19 em empresas com mais de 20 trabalhadores, e o outro obriga as escolas da rede privada a promover atividade de acolhimento sócio emocional no retorno do isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus.

O plenário aprovou também, por larga maioria, Projeto de Lei do deputado Duarte Jr. (Republicanos), com anexação do projeto com o mesmo objetivo apresentado pelo deputado Adriano (PV), estabelecendo procedimento virtual de informações e acolhimento dos familiares de pessoas internadas com doenças infectocontagiosas, durante endemias, epidemias ou pandemias, em hospitais públicos, privados ou de campanha sediados no estado. Projeto do deputado Rigo Teles (PV) no mesmo sentido foi aprovado, bem como o que dispõe sobre a visita virtual através de videochamadas de familiares a pacientes internados em isolamento, decorrente da contaminação pelo coronavírus.

O deputado Adriano Sarney (PV) emplacou a lei que obriga farmácias a disponibilizar oxímetro aos clientes., e o projeto suspende o cumprimento de obrigações financeiras referentes a empréstimos consignados contraídos por servidores públicos estaduais e municipais e empregados da iniciativa privada, no âmbito do estado do Maranhão.

Antes de iniciar os trabalhos, os parlamentares fizeram um minuto de silêncio em homenagem ao deputado estadual Zé Gentil (Republicanos), que faleceu no início da semana passada. “Nós queríamos muito que o nosso Plenário estivesse completo, mas, infelizmente, o nosso colega Zé Gentil não resistiu às complicações da Covid-19. Em homenagem a ele e a todas as famílias que perderam entes queridos em razão da Covid-19”, declarou o chefe do Legislativo Estadual.

 

Adiamento das eleições facilita vida de muitos candidatos e impõe risco de perda para outros

O adiamento das eleições facilita a vida de uns e complica a de outros

O adiamento das eleições municipais do dia 4 de Outubro para 15 de Novembro, e o segundo turno, onde houver, no dia 29 de Novembro, aprovado ontem no Senado e devendo receber o mesmo tratamento na Câmara Municipal, alterou as estratégias dos candidatos. Não foi uma boa notícia para o deputado federal Eduardo Braide (Podemos), que terá mais 40 dias para manter sua liderança na preferência do eleitorado, ao mesmo tempo em que dá mais tempo e fôlego a pré-candidatos como Rubens Júnior (PCdoB), que terá mais tempo para turbinar seu projeto de candidatura, por exemplo. Em Imperatriz, prefeito Assis Ramos (DEM) ganha tempo para fortalecer mandar para o espaço o seu projeto de reeleição, enquanto seus adversários – Marco Aurélio (PCdoB), Ildon Marques (PP) e Sebastião Madeira (PSDB) ganham, ao contrário de São Jose de Ribamar, onde o prefeito Eudes Sampaio, que se reelegeria facilmente em 4 de Outubro, terá de alimentar sua liderança por mais 40 dias. São muitos casos e ganhos e perdas entre candidatos em todo o Maranhão.

São Luís, 24 de Junho de 2020.

 

Assembleia retoma sessões presenciais com boa produção remota, uma perda e muitos desafios pela frente

 

Othelino Neto, no registro com Andreia Resende (DEM) e Glaubert Cutrim (PDT) e Ricardo Rios (PDT), retoma hoje as sessões plenárias da Assembleia Legislativa 

Três meses depois de ter fechado as portas e mantido as obrigações institucionais inaugurando a era das sessões remotas por videoconferência, por meio das quais participou direta e efetivamente da luta contra os estragos causados pela pandemia do coronavírus, mesmo tendo vários deputados afetados, com uma vítima fatal – Zé Gentil (Republicanos) -, a Assembleia Legislativa retoma hoje as sessões presenciais. Sob a orientação do presidente Othelino Neto (PCdoB), os 42 integrantes do Poder Legislativo retornam ao plenário vivendo uma situação confortável, apesar de tudo. Eles iniciam o “novo normal” com o senso do dever cumprido, devido ao fato de que não cruzaram os braços nos momentos mais críticos da pandemia no Maranhão, tendo aprovado medidas que deram suporte ao Poder Executivo e à sociedade civil para enfrentar a avassaladora invasão do novo coronavírus no território estadual. O retorno marca também o enfrentamento de uma nova realidade, que surge com os imensos desafios sociais, econômicos e políticos a serem encarados no pós-pandemia.

No campo das responsabilidades institucionais, a Assembleia Legislativa surpreendeu os maranhenses com a resposta rápida e eficiente com que reagiu ao impacto inicial da pandemia. Num rigoroso alinhamento com o Poder Executivo, suspendeu as atividades presenciais, reduziu drasticamente o quadro de servidores, adotou todas as medidas preventivas e, num passo histórico de inovação, usou a tecnologia de comunicação disponível e inaugurou a era das sessões remotas por videoconferência – antecipando-se inclusive ao Senado da República. Foram nove reuniões remotas, com quóruns surpreendentemente elevado e participação efetiva dos parlamentares, que se adaptaram rapidamente ao sistema. E se, por um lado, houve uma redução drástica no espaço para debate, houve, por outro, mais eficiência e determinação nas votações.

Com pautas objetivas, o parlamento estadual aprovou todas os projetos de lei e medidas provisórias propostas pelo governador Flávio Dino (PCdoB) para dotar o Governo do Estado de instrumentos legais para enfrentar o novo coronavírus. Ao mesmo tempo, aprovou pauta própria de grande impacto, como a adoção do bloqueio total na Ilha São Luís (lock down), a confirmação do estado de calamidade em dezenas de municípios. Sua pauta incluiu medidas destacadas como a proposta do deputado Rildo Amaral (SD) de reduzir de 10% a 30% as mensalidades escolares enquanto durar a pandemia, assim como a do presidente Othelino Neto de proibir, em território maranhense, a suspensão de planos de saúde por falta de pagamento. Os deputados também aprovaram a suspensão temporária da cobrança de empréstimos consignados, da deputada Helena Duailibe (SD) em parceria com o deputado Adriano Sarney (PV), entre outras medidas social e economicamente importantes. E a Assembleia Legislativa, como instituição, com o aval dos seus membros, distribuiu nada menos que 100 mil cestas básicas para famílias afetadas pela pandemia, entre outras ações.

Nesse período, o Poder Legislativo viveu fortes tensões com o drama de deputados que foram infectados pela Covid-19, com casos graves, como o da deputada Thaíza Hortegal (PP), uma jovem médica que viveu momentos dramáticos em leito de UTI, mas felizmente venceu a infecção, e trágicos, como a morte do deputado Zé Gentil, que aos 80 anos, saudável, e vivendo o seu melhor momento político, não resistiu ao coronavírus e faleceu. Com a morte de Zé Gentil, o suplente Edivaldo Holanda (PST), político da mesma geração, ganhou a condição de titular do mandato. Os outros parlamentares alcançados pelo coronavírus se recuperaram sem maiores problemas.

A Assembleia Legislativa retoma suas atividades com a consciência de que, vitorioso na guerra contra o novo coronavírus, mas que, como todos os demais estados, o Maranhão deverá enfrentar, nos próximos tempos, graves problemas de natureza fiscal, com forte repercussão financeira. Os deputados sabem que o horizonte econômico, social e político está coberto por uma densa nuvem de incertezas, e que cabe à classe política, a começar pelas casas legislativas, exercer papel preponderante no enfrentamento do que está a caminho.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino alerta que coronavírus está longe de ser vencido e defende Estado fortalecido

Flávio Dino defende o fortalecimento do Estado brasileiro e do SUS

O governador Flávio Dino defende que agora a sociedade brasileira deve se mobilizar em defesa da vida, da saúde e do SUS. Isso porque, na sua avaliação do cenário, mostra convicção de que o coronavírus “está longe de ser vencido”. Nesse contexto, o fortalecimento do SUS é fundamental, não apenas para combater a pandemia, mas principalmente, tendo o SUS como base, o Brasil venha ter um sistema público de saúde que atenda de fato as necessidades da sociedade brasileira, principalmente nos seus extratos mais necessitados. Na mesma linha de entendimento, o governador defende mudanças fortes na política econômica, com medidas e estratégias que mudem o eixo, deixando de beneficiar apenas os ricos, para também, e principalmente, alcançar camadas populares com investimentos maciços em obras e crédito “para as pessoas que mais precisam”.

Essas posições, já largamente pregadas em outros fóruns, foram parte da fala do governador maranhense, ontem, em participação no 20º Congresso da União da Juventude Socialista (UJS), durante o qual desenvolveu o tema “Os poderes do Estado e seus limites”.

Sobre o tema em si, Flávio Dino, o Estado tem muitas vezes papel contraditório, o que em algumas delas resulta em duas tentações: uma é a de que os aparatos estatais muitas vezes desprezam o bem e desejam inclusive o mal. O outro extremo, é o de achar que ele não serve para nada e querer jogá-lo fora. Flávio Dino que o caminho é transformar o Estado, e não simplesmente achar que ele pode ser eliminado.

Para o governador do Maranhão, “o poder do Estado não é monolítico, uma coisa só, não é um bloco de pedra. Ele se compõe em andares, segmentos e que estão muitas vezes em conflitos. Nós temos que saber distinguir, saber em cada momento da história, qual segmento do Estado, da política está defendendo o que é melhor”. E exemplificou com a situação atual do Brasil, governadores e prefeitos atuam no combate ao coronavírus e, ao mesmo tempo, o negacionismo e as sabotagens do presidente da República.

 

MDB muda cúpula em São Luís e afasta Andreia Murad da Executiva ludovicense

Andreia Murad deixou a cúpula do MDB de São Luís

Cúpula do MDB toma decisões duras na preparação do partido para as eleições municiais em São Luís. Ontem, o comando partidário afastou André Campos da presidência municipal do partido e a ex-deputada estadual Andreia Murad da Executiva municipal. André Campos, um dos mais fiéis integrantes do grupo liderado pelo vice-presidente e coordenador do partido para as eleições municipais, deputado Robert Costa, foi afastado porque é pré-candidato a vereador, e sua permanência na direção partidária poderia criar um clima de insatisfação nos demais candidatos emedebistas à Câmara Municipal. Já no que diz respeito ao afastamento da ex-deputada Andreia Murad da Executiva ludovicense, a decisão foi tomada porque a ex-parlamentar, filha do ex-deputado Ricardo Murad, está integralmente fora da linha de ação do partido e deve seguir o pai, que se filiou ao PSDB para disputar a Prefeitura de Coroatá. Andreia Murad exerceu seu mandato de deputada estadual (2015/2018) com postura e discurso dissociados do partido, tornando-se foco de crise às vésperas das eleições municiais de 2016, quando pretendeu disputar a Prefeitura de São Luís. A sua não reeleição para a Assembleia Legislativa em 2018 e a migração do pai e mentor político para o ninho dos tucanos a deixaram isolada dentro do MDB. Com essas mudanças, a cúpula partidária espera injetar ânimo no MDB em São Luís, onde tenta montar uma chapa forte de candidatos a vereador, sem descartar ainda a possibilidade de lançar candidato próprio à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT).

São Luís, 23 de Junho de 2020.

 

Edivaldo Júnior mantém silêncio sobre candidatura, mas sabe que terá grande peso na eleição do sucessor

 

Edivaldo Júnior e Camila Holanda: troca de cumprimento efusivo no Geniparana

Quem estiver apostando que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) terá papel secundário na corrida à sua sucessão, está redondamente enganado. Seu silêncio sobre candidaturas, seu aparente distanciamento da agitação pré-eleitoral, sua intensa movimentação administrativa e seu visível alinhamento com o governador Flávio Dino (PCdoB) são indicadores cristalinos de que o prefeito está se posicionando, sem pressa e cuidadosamente, para no momento adequado, sentar na cabeceira da mesa para dizer a quem apoiará na corrida para ocupar o gabinete que hoje ocupa no Palácio de la Ravardière. Esse posicionamento deverá ocorrer antes das convenções partidárias previstas para Julho/Agosto, período que poderá ser mudado se a Justiça Eleitoral vier a adiar as eleições para Novembro, como está se desenhando. Por enquanto, Edivaldo Holanda Júnior vai mantendo sua rotina de trabalho, e até onde é possível perceber, bem avaliado na Opinião Pública.

Todos os sinais, a começar pelo silêncio, sugerem que o prefeito não simpatiza com a aliança do seu partido, o PDT, com o DEM em torno do projeto de candidatura do deputado estadual Neto Evangelista (DEM). Ele não participou da festa que o PDT fez no final do ano passado para o presidente do DEM, o baiano ACM Neto, seu colega prefeito de Salvador, e não esboçou qualquer reação na semana passada, quando o senador Weverton Rocha, presidente regional do PDT e líder do partido no Senado, e o vereador Osmar Filho (PDT), presidente da Câmara de São Luís, reafirmaram o projeto da cúpula pedetista de apoiar o projeto de Neto Evangelista. Não esboçou, é verdade, qualquer gesto de hostilidade, mas também não fez qualquer aceno que pudesse ser interpretado como boa vontade em relação ao pré-candidato democrata.

Ao mesmo tempo em que não solta pistas sobre como se movimentará na disputa eleitoral, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior cumpre diariamente uma maratona de compromissos fora do gabinete, dedicando boa parte do seu tempo ao acompanhamento do programa de pavimentação asfáltica em diferentes bairros de São Luís. Nessas incursões de trabalho, está sempre acompanhado da primeira-dama Camila Holanda, e quando a situação permite, se comporta em clima de confraternização com populares. Não há registro de que Edivaldo Holanda Júnior tenha sido hostilizado ou ostensivamente ignorado na rotina de acompanhar o andamento das obras. Ao contrário, o que se vê até agora são manifestações de simpatia e de aprovação.

A previsão – feita inclusive por esta Coluna -, de que a suspeita de superfaturamento em 200% na compra de máscaras e EPIs pela Secretaria Municipal de Saúde, que levou a Polícia Federal a desencadear a Operação “Cobiça Fatal” para investigar o secretário Lula Fylho e empresas envolvidas na transação, poderia arranhar a imagem do prefeito para não ter se confirmado. Edivaldo Holanda Júnior não alterou sua rotina por causa do imbróglio; ao contrário, intensificou-a visitando bairros praticamente todos os dias. Despacha com secretários e comanda reuniões em que são tomadas decisões na guerra contra o coronavírus, agora numa situação ainda grave, preocupante, mas agora um pouco menos tensa.

A movimentação e a postura política do prefeito Edivaldo Holanda Júnior no jogo pré-eleitoral é a de quem tem objetivo traçado e sabe o que vai fazer. Isso porque, como todo mandatário da atualidade, o prefeito de São Luís monitora o cenário político por meio de pesquisas, que lhe dão ideia do seu peso no cenário político e indicam os rumos que deve seguir. E tudo sugere que os levantamentos estão lhe dizendo para não embarcar na canoa do deputado Neto Evangelista, mesmo que isso possa resultar em estremecimentos com a cúpula do PDT. E mais: conversas nos bastidores começam a supor que o prefeito de São Luís está inclinado a apoiar a candidatura do deputado federal Rubens Júnior (PCdoB), reforçando seu alinhamento com o Palácio dos Leões.

Nesse cenário de indefinição, o que fica claro mesmo é que Edivaldo Holanda Júnior conseguiu fazer a parte que lhe coube nos dois mandatos, tem um horizonte político enorme pela frente, sabe o peso que terá nessa disputa e se prepara para usar essa influência a favor do projeto do governador Flávio Dino para sua sucessão em São Luís.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Despreparado e com equipe medíocre, presidente está, de fato, perdido em todos os temas

Jair Bolsonaro: desastre

O governador Flávio Dino acerta quando avalia que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está perdido em todos os temas. Qualquer avaliação honesta chegará à mesma conclusão, uma vez que é nítida a impossibilidade de o presidente e seus ministros apresentarem à Nação um balanço positivo nesses 18 meses no comando da máquina federal.

A Educação está mergulhada na inanição, depois do fracasso inicial de um professor colombiano que nem português direito falava e que não conseguiu sequer se situar no cargo, e do desastre administrativo e político do segundo ministro, um fascista agressivo e semianalfabeto. Depois de demitir por ciumeira política um ministro médico competente e habilidoso e de assustar o segundo ministro, também dono de currículo rico na área médica, o presidente entregou o Ministério da Saúde a um general, que trocou técnicos especializados da pasta por tenentes, capitães, majores e coronéis, causando perplexidade no mundo inteiro. Entregou três ministérios essencialmente políticos – Casa Civil, Secretaria de Governo e Segurança Institucional – a generais que, pelo visto até aqui, não se encaixam nos cargos nesse momento – o curioso dessa história é que praticamente não há brigadeiros e almirantes metidos nessa confusão. Prometeu enxugar a máquina condensando equivocadamente o Governo em 15 ministério, mas recriou nada menos que oito. Nada consegue explicar a redução do Ministério da Cultura – criado no Governo Sarney e que teve como primeiro titular ninguém menos que Celso Furtado, e Gilberto Gil como um dos sucessores, como puxadinho do Ministério do Turismo, comandado por um sujeito atolado até o pescoço no charco da corrupção partidária. A pasta do Meio Ambiente, comandada por um mafioso acusado de corrupção, se tornou se tornou preocupação planetária quando ficou claro que a ideia central é extinguir reservas e incendiar florestas e abrir para garimpeiros e grileiros. Cargo via de regra ocupado por personalidades destacadas e respeitadas das áreas jurídica e política, o Ministério da Justiça, depois do jogo furta-cor de Sérgio Moro, está entregue agora a um sujeito cujo maior mérito é ser “terrivelmente evangélico”, e que por isso deverá ser mandado para o Supremo Tribunal Federal. E finalmente o superministro da Economia, apresentado como “Posto Ipiranga” e salvador da Pátria, não conseguiu destravar a economia quando foi possível e agora não sabe o que fazer no atoleiro da pandemia.

De um modo geral, considerando algumas exceções, o Governo é medíocre e claramente mal-intencionado em algumas áreas, o que somado ao visível primarismo técnico e político do presidente da República, nos remete à assombrosa conclusão de que caminhamos para um desastre social e econômico, que só será revertido no voto, em 2022.

 

Eduardo Braide pode ter vice indicado por Aluísio Mendes

Eduardo Braide pode ter vice indicado por Aluísio Mendes

O deputado federal Eduardo Braide (Podemos) começa a articular a escolha do seu companheiro de chapa na disputa para a Prefeitura de São Luís. Nos bastidores corre que Eduardo Braide teria um acordo tácito com o deputado federal Aluísio Mendes (PSC) nesse sentido. Pelo suposto acordo – firmado na negociação que levou Eduardo Braide a deixar o PMN e se filiar ao Podemos, que era controlado no Maranhão por Aluísio Mendes – o PSC indicará o vice do candidato do Podemos. Há quem diga que o acordo existe e será confirmado, mas há também quem garanta que tudo não assa de especulação. E na seara das especulações corre também que Eduardo Braide estaria estudando a possibilidade de compor com o MDB, o que não é admitido por emedebistas.

São Luís, 21 de Junho de 2020.

Em “Sal e Sol”, Arlete Nogueira Cruz faz um registro denso e rico da saga cultural no Maranhão em seis décadas  

Arlete Nogueira da Cruz: resgate necessário da cultura nas páginas de “Sal e Sol”

Ouve-se, com frequência, que o Maranhão, especialmente São Luís, não registra nem preserva sua rica e universalmente reconhecida memória cultural como deveria. Pode-se dizer que se trata de meia verdade. Os registros estão soltos por aí, nas páginas de jornais, em galerias, em pesquisas pouco conhecidas, em acervos particulares, em referências eventuais feitas por estudiosos e curiosos. O que é raro, isto sim, é obra dedicada a montar, com cuidado e fidelidade, roteiro que, se não sistematizado, pelo menos documente eventos, acervos, situações e evidências, sem exigência cronológica, mas corretamente contextualizada e que passe a ideia de uma sequência lógica e coerente, de modo a que o leitor seja brindado com uma ideia panorâmica do que aconteceu num determinado período no universo cultural de um centro efervescente como a Capital do Maranhão.

Os maranhenses mais jovens sabem, por exemplo, que nos anos 50 e 60 do século passado São Luís viu nascer e inspirou uma plêiade de escritores e poetas que tiveram seus talentos reconhecidos e consagrados no Prêmio Literário Cidade de São Luís? Que uma livraria, a Galeria do Livro, e uma loja de vender móveis, a Movelaria Guanabara, foram espaços de reunião, debates e difusão do que havia de melhor e mais atual nas artes naquele período? E que na década de 70 do século passado, mesmo sob o tacão repressor da ditadura militar, São Luís viveu uma efervescência cultural ímpar, com verdadeiras revoluções na literatura, especialmente na poesia, no teatro e nas artes plásticas? E ainda que naquele período foram dados passos ousados e definitivos para a estruturação orgânica, pelo Estado, da remota manifestação cultural popular até as artes mais sofisticadas, como as galerias e exposições de artes plásticas?

Essas gerações estão devidamente informadas de que – além dos monstros sagrados Josué Montello, Ferreira Gullar, Nauro Machado, Bandeira Tribuzi, José Sarney e João Mohana – também marcaram época na literatura Bernardo Almeida, Lago Burnett, Erasmo Dias, Odilo Costa, filho, Edson Vidigal, Nascimento Morais, Sérgio Brito e Valdelino Cécio? Têm informação e clareza sobre artistas plásticos como Antônio Almeida, Ambrósio Amorim, Marçal Ataíde e Nagy Lajos? Estão informadas, pelo menos razoavelmente, sobre as ousadas incursões teatrais de Ubiratan Teixeira, Reynaldo Faray, Cosme Júnior e Tácito Borralho? Conhecem os primeiros passos de compositores geniais como Chico Maranhão e João do Vale, a reaproximação do consagrado violonista Turíbio Santos com o Maranhão, o trabalho do violonista João Pedro Borges, o Sinhô, e de como surgiu a primeira escola de música do Maranhão, que trouxe para cá um alemão meio anarquista que deu as primeiras e preciosas noções de flauta para Sérgio Habib? Como foi a fulgurante Galeria Eney Santana?

Respostas a essas indagações estão armazenadas, com riqueza de dados e fatos, detalhados com traços fortes de jornalismo e de resgate, riqueza e seriedade memorialística, pitadas de interpretação acadêmica, densidade crítica e, principalmente, preciosismo literário em “Sal e Sol”, livro da lavra genial da escritora, poetisa, ensaísta, memorialista e militante da linha de frente, ativa e entusiasmada da causa cultural maranhense Arlete Nogueira da Cruz. O livro, editado há pouco mais de uma década, reúne artigos, crônicas, resenhas, abas, prefácios, um discurso histórico e uma conferência magistral da escritora, bem como depoimentos definitivos sobre ela e sua militância cultural, como um do insuspeito Erasmo Dias, e do marido, o consagrado poeta Nauro Machado, por exemplo.

Nos seus registros, especialmente nas crônicas e nos delicados e honestos memoriais, Arlete Nogueira da Cruz expõe, com fundamentos acadêmicos e filosóficos sólidos e indiscutível brilhantismo literário, sua visão, sua versão e sua própria história, mostrando, com honestidade intelectual, o seu protagonismo nos grandes movimentos e decisões, ao mesmo tempo em que situa e eterniza personagens decisivas da aventura cultural maranhense, na segunda metade do século passado. “Sal e Sol” começa com uma oportuna e justa crônica sobre o respeitável Fernando Moreira, professor de Literatura e escritor e teatrólogo, um dos ganhadores do Prêmio Literário Cidade de São Luís de 1957, juntamente com Domingos Vieira Filho, Cadmo Silva, Lago Burnett, Bernardo Tajra, Nauro Machado e Raimundo Lopes, laureados por um júri composto por ninguém menos que Bandeira Tribuzi, Vera-Cruz Santana, Emmanoel Silva, Clodoaldo Cardoso, José Burnett, Mata Roma e Casemiro Carvalho.

Nas três centenas de páginas de “Sal e Sol”, Arlete Nogueira Cruz enriquece a memória cultural do Maranhão registrando, em 56 textos primorosos, homens, obras, espaços e eventos. Registra, por exemplo, a famosa “Exposição Eleutério Varela”, organizada pelo visionário, polêmico e genial poeta Carlos Cunha, que marcou o ano cultural de 1967. Resenha, em seguida, o consagrado “Os Bichos do Céu”, livro de poesia de Odylo Costa, filho; desenha, com as cores das palavras, um perfil definitivo do genial pintor e escultor Antônio Almeida; resgata a emblemática figura do artista plástico Nagy Lajos, um húngaro que desembarcou em São Luís no final dos anos 60, depois de duas décadas fugindo do fantasma do nazismo e que encontrou na Ilha do Amor o refúgio que precisava para dar vazão à sua genialidade artística. “Sal e Sol” fala de Josué Montello e do esforço para criar a Casa de Cultura que preserva seu acervo e sua memória; registra também, e com carinho destacado, a militância cultural de Bernardo Almeida, por cujas mãos a autora iniciou na militância cultural como redatora da lendária revista “Legenda”, ícone da cultura ludovicense os anos 50.

Os registros de “Sal e Sol” eternizam a aventura cultural de São Luís nos anos 70 do século passado, dos desafios de fazer teatro politicamente ousado, nas barbas da ditadura, como foram as inúmeras produções, como a peça “Tempo de espera”, que espantou o mundo com a sua estética revolucionária, com destaque para o ator Cosme Júnior. O surgimento do Laborarte pelas mãos do inovador e incansável Tácito Borralho, com a produção intensa do Teatro Experimental do Maranhão (Tema), da surpreendente e definitiva obra fotográfica de Edgar Rocha, de eventos e homenagens a artistas de todas as áreas que marcaram aqueles anos, como o que trouxe João do Vale ao Maranhão, com toda sua grandeza, no Teatro Arthur Azevedo, no final dos anos 70 – o celebre compositor João do Vale ocupa espaço no livro, equivalente ao seu tamanho. Entre os registros, o lançamento da Antologia Poética do movimento Antroponáutica, e a resenha crítica sobre “Titanic-Boulogne – A Canção de Ana e Antônio”, de Luís Augusto Cassas.

Arlete Nogueira da Cruz documenta passos decisivos da trajetória do genial poeta e cronista José Chagas, a sua relação de amizade familiar com Bandeira Tribuzi – atribulada por intrigas que, vira e mexe, agitam o meio cultural -, dedica páginas coloridas para destacar o gênio de Péricles Rocha e acentua o decisivo trabalho do jornalista Ubiratan Teixeira como estudioso, autor e diretor de teatro, imortalizado com um alentado dicionário sobre o tema. Em “Sal e Sol”, a autora abriga ainda uma crônica na qual apresenta e traduz Chico Maranhão e sua música com oportuna riqueza crítica e com a intimidade de quem o tem como amigo e militante cultural – no seu disco de estreia, “Lances de Agora”, Chico Maranhão dedicou o poema-crônica musicado “Velho amigo poeta” a Nauro Machado. No livro está também um registro correto, oportuno e justo ao poeta Valdelino Cécio, um dos mais importantes nomes do ativismo cultural maranhense nas três últimas décadas do século passado.

“Sal e Sol” é muito mais que uma coletânea de bons textos que resgatam a trilha cultural ludovicense ao longo de seis décadas. Sua densidade e sua importância estão no fato de Arlete Nogueira da Cruz ter sido protagonista, com participação ampla e decisiva em muitos momentos de grandeza daquele período, e com a autoridade de quem esteve no comando de órgãos centrais da política cultural – Teatro Arthur Azevedo, Departamento de Assuntos Culturais da Secretaria de Educação, Fundação Cultural do Maranhão, e com privilégio de entrar definitivamente para a História da Cultura por ter criado e sido o primeiro titular da Secretaria da Cultura do Maranhão. O livro mostra que na história das últimas seis décadas, poucos tiveram envolvimento tão efetivo e decisivo com a cultura do Maranhão como Arlete Nogueira da Cruz. Isso sem contar a sua genial obra literária, exaltada por críticos renomados, com destaque para o mundialmente conhecido poema “Litania da Velha” – que ganhou vida no primeiro filme do cineasta Frederico Machado, seu filho, obra que resultou de uma saga familiar honestamente relatada pela autora.

São produtos literários de Arlete Nogueira da Cruz “A Parede”, “Compasso Binário”, “Cartas da Paixão”, “Canção das Horas Úmidas”, “Trabalho Manual”, João Mohana – 70 Anos”, “Contos Inocentes”, “Nomes e Nuvens”, “O quintal” e “O Rio”.

Avalizado por um denso ensaio do crítico Ricardo Leão e ricamente ilustrado por um acervo fotográfico que registra eventos culturais do período, “Sal e Sol” é leitura obrigatória e necessária para quem pretende conhecer e compreender uma visão da movimentação cultural do Maranhão nas últimas seis décadas.

São Luís, 19 de Junho de 2020.