Declaração de Flávio Dino reforça confirmação de Othelino Neto no comando do Poder Legislativo

 

Othelino Neto tem o apoio declarado de Flávio Dino para novo mandado de presidente da Assembleia Legislativa, mas sem interferir na escolha da Mesa

“Espero que o presidente Othelino tenha êxito”. Com a declaração, feita ontem durante entrevista ao programa Ponto e Vírgula, da Rádio Difusora FM, o governador Flávio Dino (PCdoB) contribuiu decisivamente para a consolidação da eleição do deputado Othelino Neto (PCdoB) para presidir a Assembleia Legislativa no primeiro biênio (2019/2020) da nova legislatura, que será iniciada em fevereiro. Mesmo fazendo questão de enfatizar que a escolha do presidente do Poder Legislativo é decisão exclusiva dos deputados estaduais, não cabendo interferência direta ou indireta de outro Poder, o governador deixou clara sua simpatia pela virtual eleição do atual presidente. Mais ainda pelo fato de que todas as costuras estão sendo feitas pelo próprio presidente, apoiado pelo PCdoB e os partidos que formam a base governista na Casa. A movimentação do presidente vem resultando numa articulação que levou as principais vozes da Oposição a declararem apoio a Othelino Neto, como os deputados Adriano Sarney (PV) e Wellington do Curso (PSDB), por exemplo.

O resultado das eleições por si só garantiria a nova eleição – que não é uma reeleição, por ser decisão de uma nova Assembleia Legislativa para uma nova legislatura – do presidente Othelino Neto. Os partidos governistas saíram das urnas com mais de dois terços dos novos deputados estaduais, o que seria suficiente para eleger o presidente num processo de “ordem unida”.  Ocorre que a Assembleia Legislativa é uma Casa essencialmente política, onde presidente imposto “goela abaixo” não funciona. A “maciça” elege um presidente sem precisar da Oposição, mas não assegura que o ungido lidere a Casa. Daí ser necessário que a eleição da Mesa, que é composta pelas representações partidárias, seja o resultado de negociações bem amarradas.

Um presidente de Assembleia imposto corre o risco de atuar como um cumpridor de tarefas, sem autoridade para fazer as articulações que levam à solução de impasses, de crises localizadas, de insatisfações e tremores institucionais, que as investidas dos articuladores palacianos não conseguem resolver. O presidente da Casa legislativa tem de ser, portanto, um articulador, com capacidade de mediar conflitos internos e de ser uma ponte confiável entre o parlamento, o Governo e o Judiciário. Um presidente que não tenha autoridade nem habilidade para fazer  costuras políticas estará fadado a cumprir um mandato pífio, mergulhado  no descrédito.

Nas últimas décadas, a Assembleia Legislativa foi comandada por políticos com diferentes perfis, mas todos dotados de muita habilidade. Alguns exemplos: Nagib Haickel, Manoel Ribeiro, João Evangelista, Carlos Alberto Milhomem, Marcelo Tavares, Arnaldo Melo e Humberto Coutinho. O presidente Othelino Neto, que assumiu o comando com a morte de Humberto Coutinho, num momento fortemente tensionado pela aproximação das eleições, tem sido uma revelação pela habilidade com que tem conduzido a Casa, fazendo as articulações internas e operando de maneira eficiente. Os que imaginaram que ele fracassaria se surpreenderam com o desempenho do jovem sucessor. E quando o próprio governador Flávio Dino, que é um político hábil, traquejado e exigente, se manifesta com uma declaração de apoio, é uma evidência de que as coisas estão indo bem nas relações Executivo-Legislativo. E quem conhece o governador sabe que ele não daria esse aval sem ter a certeza de que esse é o caminho.

Todos os sinais saídos até agora dos bastidores do Palácio Manoel Beckman indicam que o presidente Othelino Neto caminha para presidir a Casa renovada, a partir de fevereiro do ano que vem. Com a vantagem de quem, mesmo integrante da poderosa e majoritária base de apoio governista, não está ganhando um presente. Ao contrário, sua eleição será principalmente fruto de ampla e bem conduzida costura em várias frentes. Tanto que em nenhum momento foi ensaiado qualquer movimento no sentido de abrir uma disputa pelo comando do Poder Legislativo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Márcio Jerry ainda não sabe se irá para Brasília ou voltará a cargo no Governo

Márcio Jerry tem dito que seguira a orientação do governador Flávio Dino

São intensas as especulações sobre o futuro imediato do deputado federal eleito Márcio Jerry (PCdoB). Uns dizem que irá mesmo para Brasília exercer o mandato que lhe foi outorgado pelas urnas, outros afirmam que será convocado pelo governador Flávio Dino para continuar no comando das pastas da Comunicação e da Articulação Política. Ele próprio não bate martelo, afirmando ser “um soldado”, que fará o que o comandante  determinar. Márcio Jerry, sem nenhum favor, teve papel decisivo no sucesso do Governo. Primeiro como formulador e executor da eficiente política de comunicação com a qual divulgou com competência as ações da gestão pública e fez frente às intensas e implacáveis investidas da máquina midiática do Grupo Sarney para desestabilizar o Governo Flávio Dino. Depois, foi peça fundamental nas frenéticas articulações que resultaram na formação da gigantesca coligação – 16 partidos – liderada pelo governador Flávio Dino e vitoriosa de cabo a rabo nas urnas. Se for para a Câmara Federal poderá fazer um trabalho parlamentar importante na bancada do PCdoB, usando sua vasta experiência nos embates verbais que vivencia desde o movimento estudantil. De todos os políticos da sua geração, Márcio Jerry é de longe o de militância mais longa e intensa, experiência que o credencia para assumir qualquer posto, sendo que, no caso, o mais adequado e mais justo será assumir o seu mandato de deputado federal, para o qual foi eleito com expressiva votação. Com a palavra, o governador Flávio Dino.

 

Declaração de apoio de Roseana a Bolsonaro é vista como retaliação a Haddad e oportunismo

Roseana Sarney apoia Jair Bolsonaro: retaliação a Fernando Haddad ou lance de oportunismo?

Continua repercutindo dentro e fora do Maranhão a manifestação de apoio da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). E a repercussão se dá em dois sentidos. O primeiro do fato em si, que é a declaração de apoio, vista por muitos como uma jogada de oportunismo, mas que é explicada por aliados do Grupo Sarney como uma resposta ao fato do candidato presidencial do PT, Fernando Haddad, ter vindo ao Maranhão e declarado apoio ao governador Flávio Dino. O segundo é que Jair Bolsonaro não teria dado a mínima para essa manifestação, ao que parece determinado a manter distância de políticos tradicionais, entre eles o ex-presidente José Sarney e seus aliados. De fato, até onde se sabe, Jair Bolsonaro nunca demonstrou qualquer simpatia pelo ex-presidente José Sarney, já tendo inclusive feito comentários dizendo não querer aproximação. Para alguns observadores, Roseana Sarney cometeu um erro político ao fazer a declaração de apoio como um gesto de retaliação a Fernando Haddad. Para outros, a manifestação teria sido orientada pelo ex-presidente, que com fama de ter o melhor faro político entre as raposas felpudas brasileiras, prepara terreno, avaliando que, se eleito, Jair Bolsonaro poderá tropeçar e, cedo ou tarde, pedirá conselhos aos que de fato entendem do riscado político. A conferir.

São Luís, 17 de Outubro de 2018.

 

Sem mobilização de ambos os lados, a corrida de Haddad e Bolsonaro no Maranhão está morna e resultado é até aqui imprevisível

 

Sem mobilização, Fernando Haddad e Jair Bolsonaro poderão ter campanhas mornas no Maranhão

Se depender da mobilização da classe política, como aconteceu nas eleições gerais do dia 7, o segundo turno da eleição presidencial no Maranhão será morno, sem movimentação e com a grande massa do eleitorado livre para votar sem pressão de grupos interessados no desfecho. É verdade que o governador Flávio Dino (PCdoB) e seus aliados mais próximos e o PT estão se movimentando em favor do candidato Fernando Haddad, e que a ex-candidata do PSL ao Governo, Maura Jorge, e o presidente do partido, vereador Chico Carvalho, estão se esforçando para formar algum movimento em favor do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, mas o fato visível é que não existe campanha de mobilização por nenhuma das duas candidaturas. O que tem sido visto até agora são atos isolados, uma carreata aqui, outra ali, eventos inexpressivos organizados por grupos não associados a partidos ou a lideranças partidárias. No mais, Fernando Haddad e Jair Bolsonaro estão recebendo manifestações de apoio de líderes dos seus campos políticos e ideológicos, como as declarações de apoio da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) e do senador Roberto Rocha (PSDB) ao candidato do PSL. Quase nada além disso. Para lembrar, no primeiro turno, Fernando Haddad venceu a eleição no Maranhão com 59% contra 41% de Jair Bolsonaro, com maioria em 214 dos municípios, só perdendo em três, Imperatriz, Açailândia e São Pedro dos Crentes.

O governador Flávio Dino é, de longe, o líder político maranhense mais engajado no segundo turno da eleição presidencial. Ele tem aproveitado todos os espaços disponíveis, principalmente entrevistas a emissoras de rádio e de TV e canais da internet para manifestar suas convicções em favor da candidatura de Fernando Haddad. Nessas manifestações, além de destacar a importância da candidatura do petista para o Brasil atual, o governador tem também alertado para as limitações visíveis do candidato Jair Bolsonaro, observando que o discurso dele é inconsistente, superficial e perigoso, lembrando que ele nada fez de expressivo como parlamentar nos dez mandatos que exerceu na Câmara Federal. O governador acha temerário que um político com as limitações e as convicções de Jair Bolsonaro se torne presidente da República. Por outro lado, não discute a legitimidade da candidatura do capitão reformado do Exército, enfatizando que respeitará a vontade popular.

Os apoiadores de Jair Bolsonaro são basicamente os que saíram derrotados das urnas, como é o caso da ex-candidata do PSL ao Governo, Maura Jorge, que foi inflada no dia da eleição por eleitores do presidenciável; do senador tucano Roberto Rocha, que foi humilhado nas urnas como candidato a governador, tendo recebido apenas 2% dos votos, que provavelmente já são de eleitores de Jair Bolsonaro sem fazer qualquer relação entre os dois; e a ex-governadora Roseana Sarney, que amargou o pior desempenho numa empreitada eleitoral desde que iniciou a sua carreira em 1990, quando foi eleita deputada federal.  Somadas suas votações, eles perdem para Jair Bolsonaro, o que significa dizer que eles nada representam em matéria de poder de fogo eleitoral e por isso nada têm a oferecer ao presidenciável do PSL, o que torna seus apoios inócuos em matéria eleitoral.

As campanhas de Fernando Haddad e Jair Bolsonaro no Maranhão estão se dando mais pelas redes sociais – que estão incendiadas com o que há de  mais saudável e também com o que existe de mais nojento e nocivo em matéria de propaganda política – e pelo horário eleitoral gratuito no radio e na TV. No mais, as posições dos dois candidatos evoluem pela ação de eleitores anônimos, que se mobilizam em grupos e se esforçam para divulgar seu candidato à sua maneira. E por isso as opiniões estão divididas entre os que acham que o resultado do primeiro turno se repetirá no Maranhão e os que apostam numa virada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

José Reinaldo aponta Roberto Rocha como responsável direto pelo desastre do PSDB nas eleições

José Reinaldo avalia causas e culpas do desastre do PSDB nas eleições

Não bastasse a traumática pancada que o PSDB recebeu nas urnas no Maranhão, que praticamente fulminou as lideranças do partido, o artigo publicado ontem no JP pelo deputado federal e ex-candidato a senador José Reinaldo Tavares funcionou precisamente como uma espécie de pá de cal sobre o ninho maranhense dos tucanos. Com a franqueza de sempre, o ex-governador fez uma análise curta e precisa do destino do seu partido nestas eleições no Maranhão, apontando o senador Roberto Rocha, presidente da agremiação, como o principal responsável pelo desastre, por causa da obstinação com que manteve sua candidatura a governador, a qual, já era visível, não iria a lugar algum. José Reinaldo relata que tentou demover Roberto Rocha da candidatura e abraçar uma aliança em torno do deputado estadual  Eduardo Braide (PMN) – que se elegeu deputado federal com o equivalente a 10% da votação do governador Flávio Dino e seis vezes maior do que  a votação de Roberto Rocha-, cuja candidatura poderia se tornar competitiva, de modo a “equilibrar” a disputa com o governador Flávio Dino e a ex-governadora Roseana Sarney. Roberto Rocha não lhe deu ouvidos e manteve sua barca furada em oceano revolto. Deu no que deu: de partido forte, que saíra das eleições municipais de 2016 com 28 prefeitos, o PSDB foi dizimado e saiu das urnas sem nada em 2018, liquidando com lideranças importantes, como o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira Segue, na íntegra, o artigo de José Reinaldo Tavares:

CORAGEM, DETERMINAÇÃO E AMIGOS

José Reinaldo Tavares

O jornalista Benedito Buzar colocou em sua coluna que muita gente não entendeu a minha baixa votação nas últimas eleições. Mas, não é difícil de entender. Vamos aos fatos: a minha eleição para o Senado foi montada em outras premissas. Primeiramente, estava combinada há alguns anos que eu seria candidato em uma chapa junto com o governador Flávio Dino. Acabou não dando certo. Eu não era o candidato dele, como ficou evidente.

Depois, eu e amigos discutimos a possibilidade de uma chapa com Eduardo Braide, com base em pesquisas qualitativas. Quase deu certo, despertou enorme curiosidade e simpatia, levando receio do “novo” a outras candidaturas ditas mais fortes. Isso pesou tanto que fez com que Braide não conseguisse um grande partido, com tempo de televisão, levando-o a não querer se arriscar e acabou que ele, no final, preferiu concorrer a deputado federal. Essa foi a decisão dele.

Depois conversei longamente com Roberto Rocha, sugerindo a ele abraçar a candidatura de Braide no PSDB para depois construir a dele a governador, já que pelo meu modo de entender o momento não era o ideal para sua candidatura ao governo do Estado. Ele não aceitou minhas ponderações e manteve a candidatura. Ali se acabou a chance de termos no Maranhão uma eleição equilibrada ao Governo e ao Senado. Flávio tem sorte, além de ter tido competência para manobrar bem a estrutura disponível e não teve problemas para ganhar e eleger seus candidatos a senador.

Voltando à minha candidatura ao Senado, eu tinha uma chapa montada, politicamente forte, o que me dava uma chance mínima de ganhar. Mas eis que na véspera da convenção, Roberto Rocha, com apoio do partido no estado, resolveu se intrometer em minha chapa, exigindo a retirada do meu primeiro suplente de Caxias, o jovem, muito capaz, Catulé Junior. Como consequência inevitável, perdi Caxias, um dos maiores colégios eleitorais do estado que, com razão, abandonou minha candidatura causando imenso prejuízo político e eleitoral, influenciando negativamente líderes de outros municípios, tirando parte da consistência eleitoral da minha candidatura.

Ao final, as candidaturas do PSDB – tanto a de governador, quanto a de presidente do país – que, naturalmente, seriam puxadoras de voto, caso tivessem expectativa de vitória, não vingaram, o que jogou por terra as minhas chances, já que no estado o PSDB ficou isolado, com uma chapa muito fraca, elegendo apenas um deputado estadual do partido. Madeira, grande líder do nosso partido, sofreu na carne o isolamento a que foi submetido. Com poucos recursos, com apenas trinta segundos de televisão não pude mostrar o muito que fiz pelo Maranhão durante minha vida profissional e política.

Por fim, quero agradecer aos amigos que me ajudaram a buscar votos. Esses são verdadeiros amigos, pois mesmo pressionados decidiram ficar comigo, mesmo conscientes das escassas condições de vitória. São amigos de verdade, em que posso confiar. Muitos, porém, que sempre estiveram comigo me viraram as costas. Coisas da vida.

Uma coisa a meu ver marcou esse pleito. Ninguém discutiu os graves problemas do Maranhão e de sua população. Será que não os conhecem? Nada têm a propor? A eleição foi feita em cima de slogans, promessas e nada mais. Passaram por cima dos graves problemas que impedem o nosso desenvolvimento.

Agora, sem Sarney para culpar, terão que trabalhar duro, com competência, para tirar o Maranhão dos últimos lugares. Caso contrário, como explicar a nossa situação?
Eu fui uma exceção, neste deserto de ideias. Discuti muito as soluções para a pobreza, para a educação, para atração de empresas, para o emprego e o desenvolvimento do estado.

O que se pode esperar? Não sei, sinceramente, me resta torcer para dar certo. Boa sorte aos eleitos e reeleitos, sinceramente.

Obrigado, meus amigos.

 

Bancada federal pulverizada vai dificultar articulação para ações conjuntas

Josemar Maranhçaozinhi, Eduardo Braide, Mparcio Jerry, Rubens Jr., Pedro Laucar |fernandes, Edilázio Jr., Aluísio Mendes, Bira do Pindaré, Cléber Verde, Juscelinio Filho, Hildo Rocha, Zé Carlos, Gil Cutrim w João Marcelo formam a nova bancada federal.

Poucas vezes as urnas maranhenses produziram uma bancada federal tão heterogênea em termos partidários como a que ganhou forma no dia 7. Os 18 deputados federais eleitos representam nada menos que 15 partidos, numa pulverização sem paralelo nas últimas eleições. O PCdoB fez dois deputados: Márcio Jerry e Rubens Jr.; o MDB fez dois: Hildo Rocha e João Marcelo; e o PR também fez dois: Josimar Maranhãozinho e Júnior Lourenço. Os outros 12 partidos elegeram apenas um deputado cada: PMN: Eduardo Braide, Podemos: Aluísio Mendes, PP: André Fufuca: PSB: Bira do Pindaré, SD: Cléber Verde, PSD: Edilázio Jr., PDT: Gil Cutrim, Patriotas: Júnior Marreca Filho, DEM: Juscelino Filho, PMN: Pastor Glidenemyr, PDT: Pedro Lucas Fernandes e PT: Zé Carlos. Os próximos deputados federais maranhenses vão se “espalhar” nas suas bancadas, tornando difícil reuni-los para uma ação na qual necessitem funcionar como uma bancada. Uma das primeiras dificuldades será a eleição do coordenador, que via de regra deve ter boa relação com o Palácio do Planalto. Se der Fernando Haddad, haverá solução sem problemas, mas se der Jair Bolsonaro, a escolha será complicada. Vale aguardar.

São Luís, 16 de Outubro de 2018.

Flávio Dino anuncia que irá a Brasília cobrar do novo presidente o compromisso de reativar obras federais paradas

 

Flávio Dino: decidido a cobrar do novo presidente, seja ele quem for, a promessa de reativar as muitas obras federais paralisadas no Maranhão

O governador Flávio Dino (PCdoB) anunciou ontem que, independentemente de quem for eleito presidente da República, se Fernando Haddad (PT) ou Jair Bolsonaro (PSL), ele desembarcará em Brasília, logo em janeiro, para fazer a primeira reivindicação: a conclusão das obras federais inconclusas no Maranhão. O anúncio foi feito ontem durante entrevista que concedeu a um pool de emissoras de rádio maranhenses, ao longo da qual reafirmou seu apoio à candidatura de Fernando Haddad, mas deixou claro que, como chefe de Estado, manterá relações institucionais normais com o futuro ocupante do Palácio do Planalto, seja ele o petista ou Jair Bolsonaro. O governador estima que, se reativadas imediatamente, as dezenas de obras federais paralisadas – rodovias, habitações, escolas, esgotamento sanitário, entre outras – gerarão milhares de empregos, dando impulso forte à economia estadual, o que torna a iniciativa uma prioridade em todo o País.

A reativação de obras federais paradas foi inicialmente proposta na campanha do primeiro turno pelo candidato do PDT, Ciro Gomes, que com esta medida previu a imediata criação de pelo menos dois milhões de empregos; logo em seguida, foi abraçada por Geraldo Alckmin (PSDB), que batizou a iniciativa de “emprego na veia”, tornando, finalmente, promessa de campanha de todos os candidatos. No segundo turno, Fernando Haddad e Jair Bolsonaro já colocaram a reativação das obras paradas como motes destacados dos seus programas de ação, ambos assumindo o compromisso de mobilizar imediatamente milhares de trabalhadores e ligar os motores de tratores, escavadeiras e betoneiras em todos os recantos do País tão logo comecem a governar.

Com a autoridade de quem saiu das urnas reeleito com 59,33% dos votos válidos, ou seja, com o aval formal de 1.837.283 maranhenses, o governador Flávio Dino tem se movido com uma postura coerente como líder político, com posicionamento partidário e ideológico claro, e chefe de Estado federado, que atua rigorosamente dentro das regras institucionais. Como militante político, tem lado claro como um dos líderes da esquerda democrática brasileira e apoia o candidato da esquerda. Como chefe de Estado, é um dos mais conceituados do País, principalmente pela sua obra administrativa efetiva e sem mácula. Está, portando, credenciado e munido de plena autoridade para sentar com o novo presidente da República e cobrar dele o cumprimento de um compromisso tão enfatizado na campanha, seja ele Fernando Haddad ou Jair Bolsonaro.

Se o novo presidente for o petista Fernando Haddad, o governador Flávio Dino não terá qualquer dificuldade para estabelecer com ele um relacionamento intenso e produtivo, a começar pelo fato de que são aliados com partidos coligados, estando o PCdoB, partido do governador, fazendo parte do Governo com a eventual vice-presidente, Manuela D`Ávila, o que proporcionará uma convivência sem entraves. Na hipótese de o novo presidente ser Jair Bolsonaro, a relação poderá ser dificultada por causa das tensas e aparentemente insuperáveis diferenças políticas, embora tanto o governador quanto o candidato do PSL já tenham dito que respeitarão a vontade do eleitorado. Formado na escola das regras do direito, o governador Flávio Dino já sinalizou que não vê problemas numa eventual convivência institucional com o presidente da República, seja ele quem for, o que inclui Jair Bolsonaro, que também já sinalizou que distância política e ideológica não o impedirá de se relacionar com contrários.

Ao anunciar o propósito de bater às portas do Palácio do Planalto logo em janeiro para reivindicar do novo presidente o cumprimento de um compromisso de campanha, o governador Flávio Dino reforça a postura de quem sabe diferenciar com exatidão o que são distâncias políticas e obrigações institucionais. E a anunciada ida a Brasília com tal propósito servirá para marcar sua posição como chefe de um Estado federado cacifado pelo voto popular, mas que se mantém fiel às suas convicções políticas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

A 12 dias da eleição, pesquisas dão larga vantagem a Jair Bolsonaro na disputa com Fernando Haddad

Duas pesquisas apontam Fernando Haddad em larga desvantagem em relação a Jair Bolsonaro

Pesquisa do Ibope apontou ontem o cenário do momento da corrida presidencial: Jair Bolsonaro (PSL) lidera com 59% dos votos válidos contra 41% de Fernando Haddad (PT). Estava prevista vantagem larga de Jair Bolsonaro, a exemplo do que aconteceu no primeiro turno, mas não com uma avassaladora margem de 18 pontos percentuais. No levantamento normal, com todas as informações, o candidato do PSL tem 52% das intenções de voto contra 37% do candidato do PT, enquanto 9% disseram que votarão em branco ou nulo, e 2% não souberam responder. Se esses dois grupos decidissem votar integralmente em Fernando Haddad, a soma não seria suficiente para reverter a situação e colocá-lo na dianteira. Todos os dados encontrados pelo Ibope são francamente desfavoráveis ao candidato do PT, e entre eles um é particularmente desanimador, a rejeição: Fernando Haddad é rejeitado por 47%, enquanto Jair Bolsonaro o é por 35%. As informações colhidas pelo Ibope desenham um cenário que o candidato do PSL é apontado como virtual presidente eleito, considerando que a distância que está do candidato do PT. E não cabe questionar a pesquisa do Ibope, porque, ontem mesmo, mais cedo, outra pesquisa, essa do instituto FSB, contratada pelo banco BTG Pactual, encontrou praticamente os mesmos percentuais: Jair Bolsonaro com 59% e Fernando Haddad com 41% dos votos válidos. Em resumo: a menos de duas semanas da eleição, o candidato da direita lidera a corrida com larga vantagem sobre o candidato da esquerda, um quadro muito difícil de ser revertido, mas que poderá ainda, segundo alguns analistas, sofrer alterações. E isso pode significar um acirramento maior da disputa.

Em Tempo: Contratada pela Rede Globo e o jornal “O Estado de S. Paulo”, a pesquisa do Ibope ouviu 2.506 pessoas nos dias 13 e 14, tem intervalo de confiança de 95% e margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos e está registrada no TSE. A pesquisa FSB, encomendada pelo banco BTG Pactual foi realizada por telefone nos dias 13 e 14, ouviu 2.000 eleitores em 27 estados, tem margem de erro é de dois pontos e está registrada no TSE.

 

Chico Carvalho movimenta-se para manter o controle do PSL no Maranhão

Chico Carvalho se movimenta para manter o controle do PSL no Maranhão

É intensa a movimentação do vereador Chico Carvalho, presidente estadual do PSL, para se tornar o porta-voz de um eventual Governo de Jair Bolsonaro no Maranhão. Certo de que seu colega de partido será eleito, Chico Carvalho tem circulado com desenvoltura no meio político, inclusive com visitas à Assembleia Legislativa, ocupando um espaço que em princípio parecia destinado à ex-prefeita Maura Jorge, que disputou o Governo do Estado pelo partido e foi a anfitriã do então candidato presidencial no estado. Há 12 anos no comando do PSL maranhense, Chico Carvalho tem mantido controle firme no comando da agremiação, resistindo com sucesso a algumas investidas para tirá-lo do comando partidário. Agora, que o PFL está saindo da condição de nanico e poderá ter o presidente da República, Chico Carvalho vem redobrando os cuidados e reforçando o seu controle no comando da agremiação. Mas sabe que, ara evitar uma crise que coloque em risco sua presença no comando do partido, terá de sentar à mesa para conversar com Maura Jorge e com um novo personagem na vida do PSL, o deputado estadual eleito Pará Figueiredo, uma liderança jovem, que chega com todas as condições políticas de pleitear o comando do partido no Maranhão.

São Luís, 15 de Outubro de 2018.

Haddad X Bolsonaro: vencedor terá de concertar o Brasil enquadrado nos limites das regras democráticas

 

Fernando Haddad e Jair Bolsonaro representam os extremos ideológicos que estão em voga no Brasil e vão testar a estabilidade da democracia brasileira

No dia 27 de Outubro, daqui a exatamente duas semanas, 147,3 milhões de cidadãos brasileiros, entre eles 4,5 milhões de maranhenses, voltarão às urnas para eleger, em segundo turno, pelo voto direto, secreto e universal, o futuro presidente do Brasil. A partir de agora, os eleitores devem refletir, medir, pesar, avaliar e, por fim, escolher entre Fernando Haddad, candidato do PT e que agora representa uma frente democrática de esquerda, e Jair Bolsonaro, candidato do PSL, que encarna politicamente todos os vieses da direita. Pela primeira vez, desde a redemocratização, os brasileiros estão se posicionando com cores ideológicas, ainda que de maneira enviesada, meio furta-cor, pagando preço alto por não terem produzido ainda uma cultura partidária na qual os segmentos sociais se agrupem em partidos identificados por ideologia, doutrina e programa.

Fernando Haddad e Jair Bolsonaro representam, ainda que toscamente, os dois espectros ideológicos. A candidatura do petista tem cara, nome, grupo, partido, fortes contradições e um programa voltado para o social. A candidatura do pslista é, até aqui, produto de um discurso de direita, que promete impor valores conservadores, armar a população contra bandidos, provocando a suspeita de que pretende mexer nas instituições e chacoalhar a estabilidade democrática em construção no País.

Não é de admirar que duas visões políticas tão antagônicas em choque num País mergulhado numa cruel crise econômica, que agrava problemas desafiadores como a segurança pública, por exemplo, e em busca de uma saída, desenhem um confronto que, a julgar pelos discursos, gerem um cenário de apocalipse. Afinal, mesmo com todos e indiscutíveis avanços recentes, a realidade a ser mudada envolve 13 milhões de desempregados e um estado de quase guerra civil no Rio de Janeiro, para citar apenas dois exemplos.

De um lado, uma corrente de esquerda moderada que tem um líder forte, o ex-presidente Lula da Silva, capaz de mobilizar milhões por conta dos anos de governo arrojado e renovador que comandou (2003/2010), mas que está condenado e preso sob acusações suspeitas e por causa das contradições que vieram depois com seu aval. Do outro, um militar que encarna o que há de mais conservador na direita e que, com um discurso em que mistura valores morais, matizes religiosos, patriotismo tosco,  enverga a fantasia de bom moço, honesto, dedicado à família, mas que ao mesmo tempo professa ódio visceral a comunista, usando argumentos que foram banidos das sociedades democráticas há décadas.

Fernando Haddad é advogado e professor universitário, com forte formação humanista e militante de uma esquerda moderada, que deu mostra de comprometimento com a democracia e com as causas sociais quando foi ministro da Educação nos dois Governos de Lula da Silva, e depois como prefeito de São Paulo, uma megalópole que encontrou em crise aguda e que transformou num laboratório de bons projetos urbanos. Limpo, honesto e movido por princípios, Fernando Haddad tornou-se uma das melhores – se não a melhor – referências do petismo, exatamente por andar na contramão dos outros líderes do partido, que atropelaram regras, caíram em desgraça e estão no limbo. Seu desafio é exatamente mostrar-se como expressão de outro PT, que cultiva valores e encara suas contradições. Fernando Haddad está politica e partidariamente  credenciado como candidato a presidir o Brasil.

Capitão reformado do Exército, Jair Bolsonaro entrou na política como deputado federal ainda nos anos 80 do século passado como braço político de oficiais e que, por intermédio deles, atraiu eleitores do Rio de Janeiro saudosos da ditadura militar. Ao longo de uma dezena de mandatos construiu uma imagem de durão, afeito a frases de efeito, causando controvérsias ao defender a tortura como método de arrancar confissão de preso político e o “fuzilamento de petralhas” num palanque no Acre. Todas as suas posições na Câmara Federal expressaram intenções polêmicas, de sentido antidemocrático, inclinação golpista, entre outros fatores de risco à democracia. Essa postura, associada a um antipetismo visceral, seduziu muitos brasileiros que, inconformados com os rumos que o País tomou,  passaram a vê-lo como o “salvador da Pátria”. Ao longo dos seus mandatos, teve atuação discreta, sempre trafegando no baixo clero e sem se destacar com ações legislativas concretas, como Projetos de Lei, por exemplo. Esse conjunto de traços rascunha o retrato do candidato a presidente que promete mudar o Brasil. Mas pelas regras, Jair Bolsonaro está formal e politicamente credenciado a disputar a presidência do Brasil.

Fernando Haddad e Jair Bolsonaro são produtos do Brasil. Foram eles que os brasileiros filtraram para fazer a escolha final. São resultado de ações políticas que, corretas ou questionáveis, se enquadraram nas regras democráticas que norteiam o País. O embate entre essas correntes, por mais duro e tenso que venha a ser nos próximos dias, dar-se-á sob a garantia do direito de expressão, não cabendo manifestações que levem a conflitos. Esse é um momento de teste para a democracia brasileira, de saber se ela garante a plenitude dos direitos que prevê. É hora de saber, enfim, se a democracia brasileira está consolidada, se as suas instituições são capazes de suportar um governo de qualquer matiz ideológico, com força para mandar para o quinto dos infernos o eleito que, pela direita ou pela esquerda, tentar agir como bandido político e aventurar-se em “autogolpe”, quartelada, ou impor qualquer rasura aos princípios democráticos elencados em cláusulas pétreas da Constituição Cidadã.

Os brasileiros têm pouco mais de 300 horas para escolher o caminho a seguir.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Flávio Dino mobiliza aliados para a campanha de Haddad no segundo turno no Maranhão

Flávio Dino mantém coerência ao mobilizar forças para apoiar Fernando Haddad, que venceu no primeiro turno

As forças lideradas pelo governador Flávio Dino, representadas principalmente por PCdoB, PDT, PPS e PSB, e mais o PT, apoiado pelo PSOL, estão se mobilizando para movimentar o eleitorado maranhense com o objetivo de, pelo menos, repetir o resultado da disputa presidencial no primeiro turno, quando o candidato do PT, Fernando Haddad, quase um desconhecido da grande maioria, venceu no estado com 61.26% dos votos contra 24,28% do  candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Numa surpreendente demonstração de força do ex-presidente Lula da Silva, associada ao poder de fogo do governador Flávio Dino, Fernando Haddad venceu em 214 dos 217 municípios maranhenses, só perdendo em Imperatriz, Açailândia e São Pedro dos Crentes. O governador Flávio Dino escalou os senadores eleitos Weverton Rocha, que comanda o PDT no estado, e Eliziane Gama, a principal voz do PPS no Maranhão, e os deputados federais eleitos Bira do Pindaré, líder estadual do PSB, e Márcio Jerry, que comanda o braço maranhense do PCdoB, para, juntamente com alguns aliados, levar a campanha de Fernando Haddad a todos os recantos do território maranhense. O Palácio dos Leões avalia que, mesmo se tratando de uma nova eleição, o presidenciável do PT poderá repetir a performance alcançada no primeiro turno, agora reforçado pela possibilidade de herdar os votos dados a Ciro Gomes (PDT), já que a previsão é de que os 4,77% dados aos outros candidatos migrarão para o candidato do PSL. O governador sabe que será uma tarefa difícil, uma vez que o resultado do primeiro turno no País poderá causar mudanças no posicionamento do eleitorado estadual, mas acredita que o candidato do PT vencerá no Maranhão com expressiva maioria.

 

Roberto Rocha declarou apoio a Jair Bolsonaro, na contramão do PSDB

Roberto Rocha declara apoio a Jair Bolsonaro, na contramão da posição adotada pelo PSDB

Além da bolsonarista Maura Jorge (PSL), que terminou a corrida para o Governo do Estado com pouco mais de 7% dos votos, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) contará na disputa do segundo turno no Maranhão com o senador Roberto Rocha (PSDB), que teve sua candidatura a governador sufragada por somente raquíticos 2%. Numa atitude surpreendente, e com um discurso em que fala de “novo” e “velho”, “presente” e “futuro” num intrigante jogo de palavras, Roberto Rocha entrou na contramão do seu partido, que decidiu manter-se neutro, e declarou apoio a Jair Bolsonaro, jurando que nada quer em troca. Para começar, a disputa Fernando Haddad e Jair Bolsonaro não é uma guerra entre velho e novo, mas um confronto de visões diferentes sobre o agora e o futuro imediato do Brasil. Depois, nenhum político, principalmente um senador da República de um partido de centro-direita, dá uma declaração de voto a um candidato a presidente “sem querer nada em troca”, apenas movido pelo desejo de se associar à “vontade do povo”. Política é a arte da troca, de conciliar interesses, e por mais que o senador Roberto Rocha negue, sua declaração sugere uma troca. A questão é saber se Jair Bolsonaro, que esnobou na sexta-feira o candidato tucano ao Governo de São Paulo, João Dória, tem interesse no apoio do senador Roberto Rocha.

São Luís, 14 de Outubro de 2018.

Eduardo Braide saiu das urnas com enorme cacife, mas terá de medir com cuidado seu próximo passo para não cair em armadilhas

 

Eduardo Braide tem de pensar bem para usar o cacife que ganhou nas urnas

Vice-campeão de votos para a Câmara Federal e visto pela esmagadora maioria dos observadores como candidato irreversível à Prefeitura de São Luís, o deputado estadual Eduardo Braide (PMN) vem sendo curiosamente cauteloso ao responder à pergunta que lhe tem sido feita desde que foi anunciado o resultado das urnas na noite de Domingo (7): se ele é candidato a prefeito de São Luís em 2020. Mesmo posicionado sobre uma montanha de votos na Capital, o parlamentar é cuidadoso com as palavras, sinalizando com a possibilidade de ser candidato, mas sempre ponderando que um voo dessa envergadura não pode ser um projeto solitário. Nas entrelinhas das suas respostas bem pensadas ele deixa claro que será candidato, mas dá a entender que não quer jogar uma candidatura nas ruas agora, a exatos dois anos das eleições municipais. Pretende, ao que parece, dedicar o ano de 2019 a uma intensa atividade parlamentar na Câmara Federal, para em seguida sair a campo na corrida ao Palácio de La Ravardière.

Consolidando a cada passo uma carreira que tem tudo para dar certo, Eduardo Braide é suficientemente antenado para perceber que não está só nesse jogo. Ele sabe que só dependerá dele mesmo disputar mandatos legislativos e proporcionais. E que o cenário muda inteiramente de figura quando o que está em disputa são mandatos majoritários, como senador, prefeito e governador. Nesses casos, um candidato precisa construir uma base política, formada com o suporte de grupos articulados, que no mínimo o ajudem a capilarizar o seu nome e sua plataforma. Mesmo tendo a seu favor a eficiente via das redes sociais, que têm o poder de montar e desmontar personagens no cenário político, Eduardo Braide sabe que num embate pelo comando de São Luís vai precisar construir alianças e formar uma frente que lhe dê suporte político  para a corrida às urnas.

Não há dúvida de que a eleição de 2016, na qual foi ao segundo turno com o prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), ensinou-lhe o caminho das pedras eleitorais da Capital, e que o pleito deste ano ampliou esse conhecimento. Mas isso, mesmo associado ao seu carisma e à facilidade que ele tem de se comunicar como o eleitorado, não será suficiente para assegurar-lhe uma vitória sem riscos.

O primeiro ponto é que a Prefeitura de São Luís é um bastião político de importância estratégica no mapa da aliança comandada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), o que significa dizer que não será entregue de graça a um candidato não alinhado ao Palácio dos Leões. Depois, o prefeito Edivaldo Holanda Jr., que se reelegeu em 2016 derrotando Eduardo Braide, vai certamente brigar para eleger o seu sucessor, contando para isso com o apoio total do senador eleito Weverton Rocha (PDT) e o aval do governador Flávio Dino. Para tanto, mobilizará todas as forças ao seu alcance para manter a Prefeitura da Capital sob o comando da aliança dinista. E a julgar pelos resultados das urnas de Domingo, terá condições de lançar um candidato – que pode ser Felipe Camarão, atual secretário de Estado da Educação, ou o advogado e deputado estadual eleito Duarte Jr. (PCdoB), um fenômeno nascido nas urnas de São Luís, ambos estrelas em ascensão entre os quadros liderados pelo governador Flávio Dino.

Eduard Braide ganhou musculatura política excepcional com os mais de 180 mil votos que recebeu – a maioria deles em São Luís – para deputado federal. Ao mesmo tempo teve colocado sobre os ombros o enorme desafio de usar esse cacife com inteligência e pés no chão. Se arriscá-lo na corrida ao Palácio de la Ravardière em 2020 e vencer o embate contra as poderosíssimas forças que serão mobilizadas pela aliança dinista, poderá dar o passou ousado de entrar na briga  pelo Palácio dos Leões em 2022, deixando um vice de confiança em São Luís. Mas se não mensurar corretamente o seu poder de fogo e sofrer uma derrota na Capital, dificilmente entrará na briga pelo Palácio dos Leões em 2022, sendo obrigado a buscar a renovação do mandato de deputado federal e esperar, provavelmente com certo desgaste, a disputa de 2024 em São Luís.

São os cenários possíveis para Eduardo Bride, um político vitorioso até aqui com largas perspectivas, mas pontilhados de armadilhas e riscos se os passos não forem cuidadosamente medidos. E nesse contexto, fica no ar a questão principal: com que forças se unirá Eduard Braide para encarar a aliança PCdoB-PDT em São Luís? Terá condições de arrebanhar o que sobrou dos tucanos? Ou juntará o que restou do Grupo Sarney? Vale aguardar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PT não consegue protagonizar a campanha de Fernando Haddad contra Jair Bolsonaro no Maranhão

Zé Carlos e Zé Inácio, as únicas vozes parlamentares do PT no Maranhão

O braço maranhense do PT continua intrigando os observadores da cena política. Todos se perguntam como o partido liderado pelo ex-presidente Lula da Silva, que esteve agregado ao poder no Maranhão como aliado ao então poderoso e influente PMDB, que contribuiu para a distribuição de Bolsa Família a mais de um milhão de maranhenses no Governo Roseana Sarney, não consiga um desempenho pelo menos razoável nas urnas? A reeleição do deputado federal Zé Carlos e do deputado estadual Zé Inácio, que se viraram nos trinta no espinhoso campo das alianças regionais, mostra que o partido de Lula vem emagrecendo a cada ano, num processo acelerado depois que perdeu quadros como Domingos Dutra – hoje no PCdoB – e Bira do Pindaré – agora no PSB, com a evidência de que deram-se bem depois que saíram do partido. A impressão geral é a de que o PT maranhense seguirá irremediavelmente dividido e emagrecendo, tendo de um lado o grupo que detém o controle sob o comando de Augusto Lobato, e formado por saudosos da aliança com o MDB, e o que participa do Governo Flávio Dino representado por Francisco Gonçalves, secretário de Direitos Humanos e Participação Popular. Nem agora, com a batalha de vida ou morte entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) pela presidência da República, PT maranhense é o protagonista das ações de campanha pró-Haddad, tarefa assumida integralmente pelo governador Flávio Dino e seus aliados mais próximos, como o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto, e do deputado federal eleito Márcio Jerry, ambos do PCdoB.

 

Com as empresas nos eixos, Edivaldo Jr. amplia para 30% o percentual de ônibus refrigerados na frota de São Luís

Edivaldo Jr. entre a primeira-dama Camila Holanda, o vice prefeito  Júlio Pinheiro, o vereador Raimundo Penha, o secretário Ivaldo Rodrigues, o presidente eleito da Câmara Osmar Filho e o adjunto, Israel Pethros de Transportes na entrega dos ônibus de ar condicionado, que representam hoje 30%  da frota renovada na Capital

Durante a campanha para o primeiro mandato de prefeito, em 2012, o então deputado federal Edivaldo Holanda Jr., candidato do PTC, anunciou uma meta arrojada, mas que soou fantasiosa e foi criticada em tom de deboche por adversários: dotar São Luís de uma frota de coletivos renovada e com parte dos ônibus com ar condicionado. Eleito, o jovem prefeito encontrou o sistema de transporte de massa da Capital mergulhado no caos, apesar dos esforços feitos pelo seu antecessor, João Castelo (PSDB). A maior parte da frota era formada por ônibus velhos, sem condições de prestar um serviço digno à população. Edivaldo Holanda Jr, deu início então a um processo histórico e decisivo de mudanças no sistema, que começou por enquadrar o esquemão formado pelas empresas, que davam as cartas de acordo com as suas conveniências, tirando da gaveta o processo de licitação para a renovação da concessão de linhas. Enfrentando todo tipo de boicote por parte de empresas viciadas, a licitação foi realizada, permitindo a implantação de uma nova realidade nos transportes coletivos de São Luís. A partir daí, investiu na renovação de pelo menos parte da frota e colocou em prática sua meta de dotar pelo menos metade com veículos refrigerados. Foram pelo menos dois anos de jogo duro, que finalmente começou a dar frutos. Já no final de 2015, a frota já dava sinais de renovação. Os ônibus com ar condicionado, dotados também de estrutura de acessibilidade e equipamentos de segurança, aumentaram expressivamente, representam hoje cerca de 30% da frota de cerca de 1,2 mil veículos. Na quinta-feira, o prefeito Edivaldo Holanda Jr. entregou mais 17 unidades de um lote de 40 veículos refrigerados a ser entregue até o final do ano, num total superior a 400 veículos entre os mais de 700 substituídos até aqui. Com a inclusão dos novos ônibus, a renovação dos veículos do sistema público de transporte da capital alcança 75% da frota operante, com veículos com média de 4,5 anos de idade. Entusiasmado, o prefeito comemorou no ato de entrega:

Hoje podemos dizer, seguramente, que São Luís tem um sistema de transporte público muito melhor, atendendo ao usuário com mais qualidade, respeito à população que faz uso do serviço. Modernizamos todo o sistema a partir da realização da licitação pública, um dos grandes atos de nossa gestão para corrigir décadas de atraso no sistema e que nos permitiu reestruturar o setor não apenas renovando a frota, mas executando diversas outras medidas para modernização do sistema de transporte como um todo, utilizando novas ferramentas de gestão e controle operacional, sempre visando ao bem-estar da população que passou a contar com um transporte renovado, muito mais ágil e moderno”.

São Luís, 12 de Outubro de 2018.

Assembleia Legislativa: bom desempenho político e forte articulação devem dar novo mandato de presidente a Othelino Neto

Othelino Neto: todos os sinais apontam para novo mandato de presidente da Assembleia Legislativa

“Nós defendemos a permanência de Othelino Neto na presidência da Assembleia”. Pronunciada com todas as letras e em alto e bom som pelo deputado reeleito Zé Inácio (PT), a declaração colocou a eleição da Mesa Diretora da nova Assembleia Legislativa na cabeça da pauta das frenéticas conversas que desde a noite de Domingo (7) estão sacudindo os bastidores do Poder Legislativo devido à movimentação dos eleitos e reeleitos. A iniciativa de Zé Inácio, que usou o pronome “Nós”, é um indicador claro de que essa posição é compartilhada pela maioria da bancada governista, que deixará o grande embate pelo comando da Casa para fevereiro de 2021, de olho na corrida sucessória de 2022, quando o governador Flávio Dino deve deixar o cargo para concorrer ao Senado. Quando então, ele deverá passar o comando do Estado ao vice-governador Carlos Brandão, o que turbinará o cargo de presidente do Poder Legislativo, já que ele terá também a prerrogativa de ser vice-governador. Nesse contexto, o deputado Othelino Neto,  o quinto mais votação, vem exercendo o comando da Casa com habilidade política e eficiência gerencial, motivando assim manifestações como a do deputado reeleito Zé Inácio.

A tendência evidente no sentido de que o deputado Othelino Neto seja eleito para comandar a Casa no primeiro biênio da próxima legislatura é perfeitamente explicada pelo cenário produzido pelas urnas. Ele saiu da corrida eleitoral como um dos grandes vencedores, com papel relevante na formação da bancada governista, que será composta por mais de 30 dos 42 deputados. O presidente substituiu a um líder forte, o deputado  Humberto  Coutinho (PDT), gerando a expectativa de que seria abafado por comparações. Só que em pouco tempo o substituto se impôs de tal maneira que ganhou personalidade e ocupou plenamente o espaço presidencial, atuando como um político maduro, com os pés no chão, equilibrado e sem se deixar seduzir pela tentação dos excessos.

O “exército” governista que movimentará a Assembleia Legislativa tem nomes credenciados para presidir a Casa, como o ex-presidente Marcelo Tavares (PSB), que está de volta; o deputado Marco Aurélio (PCdoB), com forte liderança no Sul; o oposicionista Arnaldo Melo (MDB), ex-presidente que retorna à Casa, bem como Cleide Coutinho (PDT), líder entre os mais votados. Nenhum deles reúne as condições do presidente Othelino Neto, cujo cacife começa pelo aval já sinalizado pelo governador Flávio Dino.

Todos os sinais emitidos pelo Palácio dos Leões indicam que a bancada governista receberá orientação para garantir novo mandato ao presidente. Antes disso, com habilidade no jogo dos bastidores, onde já revelou boa capacidade de articulação, o presidente conversa com apoiadores e se movimenta para atrair apoio, inclusive no grupo que deverá ser definido como a bancada da Oposição. Difícil, portanto, mudar a tendência que o tem como referência.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edison Lobão reconhece o resultado das urnas e agradece ao povo pela trajetória

Edison Lobão divulga nota agradecendo o povo pelos mandatos que lhe deu

O senador Edison Lobão (MDB) divulgou ontem nota endereçada ao povo maranhense para agradecer-lhe pelos 40 anos de vida pública durante os quais atuou como detentor de mandato popular – dois de deputado  federal, quatro de senador e um de governador, em meio aos quais comandou o Ministério de Minas e Energia e presidiu o Senado. Eis a nota do senador:

Povo querido do Maranhão,

Encerrada a campanha eleitoral, venho agradecer a cada maranhense, aos brasileiros do Maranhão, os votos de confiança e esperança que recebi de cada um de vocês.

Como tenho feito repetidas vezes ao longo de minha vida pública, visitei todos os municípios e neles recebi o carinho do povo, vi de perto suas necessidades e compartilhei suas esperanças. E tínhamos plena confiança na vitória.

Lamentavelmente, não logramos a vitória esperada.

No entanto, respeito o resultado das urnas e desejo êxito aos que se elegeram.

Sairei do mandato parlamentar sem qualquer ressentimento e com a segurança de que servi ao povo do Maranhão que sempre foi a minha causa.

Agradeço por cada voto recebido, e quero dizer que continuarei na luta, como uma sentinela incansável em defesa do Maranhão e do povo maranhense.

Serei sempre fiel e grato à confiança dos que, ao longo de minha vida pública,  me fizeram duas vezes deputado, governador, quatro vezes senador da República e Ministro de Estado.

 Que Deus nos abençoe.

Muito obrigado.

A nota faz justiça ao povo maranhense, com quem manteve uma parceria produtiva ao longo dessas quatro décadas. Nesse período, Edison Lobão notabilizou-se pelo talento político, que usou para refinar sua habilidade e sua postura, marcada pela afabilidade, pela gentileza e pela civilidade e, principalmente, pela eficiência das suas ações políticas. Lobão sai da vida pública como entrou, sem trombetear vitórias nem choramingar derrota, respeitando o pronunciamento das urnas como faz um democrata, posicionado à direita liberal, mas fiel respeitador das instituições. Fez a sua parte, à sua maneira.

 

Efeito Bolsonaro: Chico Carvalho tenta brecar Maura Jorge, mas pode ser brecado por Pará Figueiredo

Maura Jorge, Chico Carvalho e Pará Figueiredo medem força em torno de Jair Bolsonaro

A ex-prefeita Maura Jorge se movimenta no segundo turno da eleição presidencial como quem está cumprindo uma delegação do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que caminha para ser o próximo presidente da República, segundo apontam as pesquisas. Mas seus movimentos estão sendo desautorizados pelo comando do PSL no Maranhão, que não está disposto a permitir que ela capitalize os 245.876 votos que recebeu nas urnas. À frente do partido está o vereador Chico Carvalho, um político que sabe jogar o xadrez do poder e não está nem um pouco inclinado a dividir o comando da legenda bolsonarista  com a ex-prefeita de Lago da Pedra, caso o candidato do seu partido seja vitorioso no dia 27. Se consegue inibir os gestos de Maura Jorge, Chico Carvalho dificilmente terá força suficiente para brecar os movimentos do deputado estadual eleito Pará Figueiredo (PSL), um jovem  que certamente ocupará espaço de peso no cenário de um eventual Governo de Jair Bolsonaro.

São Luís, 10 de Outubro de 2018.

Vitória nas urnas “escala” Weverton Rocha, Josimar Maranhãozinho, Rubens Jr., Edivaldo Jr. e Eduardo Braide na corrida aos Leões em 2022

 

Weverton Rocha, Josimar Maranhãozinho, Rubens Jr., Edivaldo Jr. e Eduardo Braide no páreo para o Governo do Estado no pleito de 2022

A presença informal do deputado federal e senador eleito Weverton Rocha (PDT) e do deputado estadual e deputado federal eleito Josimar Maranhãozinho (PR) no plenário da Assembleia Legislativa, logo após o encerramento da sessão de ontem pelo presidente e deputado reeleito Othelino Neto (PCdoB), motivou rodas de conversa a especularem sobre a corrida ao Palácio dos Leões em 2022. Além dos dois, no campo liderado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) são apontados como nomes certos na briga pelo Governo do Estado o deputado estadual e deputado federal eleito Eduardo Braide (PMN), o deputado federal reeleito Rubens Jr. (PCdoB), e o prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), que vem dando bons passos no comando da Prefeitura de São Luís.

O senador eleito Weverton Rocha é discreto quanto ao seu projeto de suceder o governador Flávio Dino, evitando falar no assunto sob a alegação de que não é momento, mas nos bastidores da aliança governista, pelo menos oito entre dez figuras influentes o apontam como um nome forte para a sucessão estadual. Jovem e arrojado, Weverton Rocha vem dando seguidas demonstrações de habilidade, poder de articulação, determinação e faro político apurado, além de ter sido forjado nos embates do movimento estudantil. Um exemplo: manteve o PDT vivo no Maranhão após a morte do governador Jackson Lago, destacou-se na Câmara Federal, exercendo a liderança da bancada do PDT e, mais recentemente, a bancada da Minoria, posicionando-se sempre em sintonia com o governador Flávio Dino. Observadores atentos acreditam que, caso ele resolva mesmo entrar na disputa, será páreo duro na escolha do candidato e, se escolhido, na corrida eleitoral.

Nas conversas de ontem, o deputado Josimar Maranhãozinho, embalado pelo recorde de votos que o tornou campeão na corrida pelas cadeiras da Câmara Federal, repetindo o campeonato na eleição para a Assembleia Legislativa em 2014, não escondeu que projeta candidatar-se ao Governo do Estado no próximo pleito. Dono de um controvertido estilo de fazer política, que tem na ponta da língua o argumento de que montou estrutura de campanha em mais de 100 municípios e foi votado em 216 – uma média de 920 votos por município -, elegendo a mulher, Detinha (PR), deputada estadual com a maior votação – mais de 90 mil votos -, Josimar Maranhãozinho é uma figura ímpar no tabuleiro político maranhense. E se  mantiver a “fórmula” que lhe dá campeonatos de votação, deve ser levada em conta em qualquer articulação visando o Palácio dos Leões.

Todas as especulações sobre a sucessão estadual apontam também o deputado federal reeleito Rubens Jr. como uma das cartas fortes no baralho do governador Flávio Dino, de quem é aliado de primeira hora.  É jovem, dinâmico, competente como parlamentar, foi autor de projetos de lei importantes e voz respeitada na bancada do PCdoB e ouvida com atenção por todos os segmentos da Câmara Federal. Hoje peça importante na cúpula do movimento dinista, Rubens Jr. trabalha duro no projeto de tornar possível a sua candidatura. Sabe que a concorrência é forte e que qualquer derrapada poderá ser politicamente fatal. Daí sua postura ainda discreta em relação ao tema.

Ainda no campo governista, o prefeito eleito e reeleito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. é carta importante nos planos do governador  Flávio Dino. Político hábil, determinado e com boa formação – é advogado – o prefeito Edivaldo Jr. tem cacife para pleitear a vaga de candidato ao Governo do Estado. Leal aos compromissos que firmou com o governador, o prefeito sabe que não é carta fora do baralho; ao contrário, é um dos aspirantes cujo projeto de chegar ao comando do Governo estadual deve ser levado a sério pelos demais candidatos a candidato.

No campo oposicionista, o deputado federal eleito Eduardo Braide é, até aqui, a única voz em movimento na direção do Palácio dos Leões. É verdade que ele próprio admite que o seu próximo passo será disputar a Prefeitura de São Luís na sucessão do prefeito Edivaldo Jr., mas todas as especulações o apontam também como potencial candidato a governador, sob o argumento de que ele é o único do campo contrário ao campo dinista. Dono de uma trajetória que não tem cacique por trás, o deputado Eduardo Braide vem dando seguidas demonstrações de que é, de fato, um dos mais destacados membros da geração que está chegando ao poder, como demonstraram os pleitos mais recentes, como a disputa para Prefeitura de São Luís, cujo desempenho o arremeteu para lista de possibilidades para o para o Governo do Estado, no caso de o projeto municipal não sair do papel. Outro nome do campo oposicionista cotado para disputar o Palácio dos Leões é o deputado estadual e deputado federal eleito Edilázio Jr. (PSD), um político jovem e ousado, que é hoje o nome mais destacado do Grupo Sarney, que quase foi dizimado nas eleições de Domingo.

É esse o rascunho do momento da corrida ao Palácio dos Leões em 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

João Alberto saiu ileso e com ganhos políticos reais da guerra eleitoral em que o sarneysismo foi fulminado

João Alberto sobreviveu ileso e com ganhos reais em meio à catástrofe que atingiu o Grupo Sarney

De todos os líderes do Grupo Sarney, o senador João Alberto (MDB) foi o único que sobreviveu ao tsumani que praticamente dizimou o Grupo Sarney nas eleições de Domingo. O ex-presidente José Sarney (MDB) viu os dois filhos, Roseana Sarney (MDB) e Sarney Filho (PV), implacavelmente derrotados nas urnas, e o senador Edison Lobão (MDB) não conseguiu renovar o mandato nem viu aliados próximos – como Márcio Coutinho, candidato a deputado federal – conseguirem mandatos proporcionais. O senador João Alberto, ao contrário, sobreviveu à catástrofe eleitoral intacto e com alguns ganhos, pois terá sua aposentadoria política carimbada no dia 31 de Dezembro sem o trauma violento de uma derrota acachapante, já que não disputou votos e seu mandato expirará exatamente naquela data, garantindo que ele vá para casa com a sensação de que sairá da vida pública sem ser despachado. Além disso, João Alberto caminha para a sua aposentadoria com sabor de vitória, com seu filho e herdeiro político, deputado federal João Marcelo (MDB), reeleito, e seu aliado de primeira hora, deputado estadual Roberto Costa (MDB), também. E pelo andar da carruagem, poderá, ainda, comemorar a reeleição do prefeito Edivan Brandão para a Prefeitura de Bacabal, cujo pleito suplementar será realizado no dia 27, juntamente com o segundo turno da eleição presidencial. Um desfecho justo para um político vitorioso, que em cinquenta anos de vida pública foi deputado estadual, deputado federal, prefeito (Bacabal), vice-governador, governador e senador, e que em mais de uma dezena de eleições, só não foi vitorioso duas vezes, uma para deputado federal nos anos 70, e uma para prefeito de São Luís em 1992. Portanto, se dedicará nos próximos dois meses a limpar as gavetas, certamente embalado por uma sensação de dever cumprido, já que não há mancha nem rasura ética na sua biografia.

 

Weverton Rocha e Othelino Neto vão à Famem agradecer apoio de prefeitos e reafirmar compromissos

Glaubert Cutrim, Zé Inácio, Djalma Melo, Weverton Rocha, Cleomar Tema, Othelino Neto, Rubens Pereira e Ivaldo Rodrigues na visita à Famem, onde agradeceram apoio

Ainda curtindo a “ressaca” das comemorações da sua eleição para uma das cadeiras maranhenses no Senado na chapa comandada pelo governador Flávio Dino, o deputado federal chefe maior do PDT no Maranhão, e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado reeleito Othelino Neto (PCdoB), cumpriram ontem o primeiro compromisso de campanha ao visitar a Federação dos Municípios do Maranhão (Famem). Foram recebidos com entusiasmo pelo presidente em exercício, Djalma Melo, prefeito de Arari, e pelo prefeito de Tuntum, Cleomar Tema (PSB), presidente titular da entidade, que está licenciado. A visita aconteceu no final da manhã.

“Conforme havia prometido,  de que viria a essa entidade, na terça-feira após a eleição, aqui estou, agradecendo o apoio da maioria dos prefeitos que me garantiram a vitória e dizer que serei um senador municipalista. Conheço o drama enfrentado pelos prefeitos, que ao longo do tempo lutam por um pacto federativo que nunca se concretiza”, declarou Weverton Rocha.

Weverton Rocha e o deputado-presidente Othelino Neto (PCdoB) estavam acompanhados dos deputados reeleitos Zé Inácio (PT), Glalbert Cutrim (PDT) e Carlinho Florêncio (PCdoB), e do vereador e atual secretário de Articulação Política da Prefeitura de São Luís, Ivaldo Rodrigues (PDT), que representou  o prefeito Edivaldo Jr. (PDT).

Cleomar Tema e Djalma Melo, que apoiaram a candidatura do senador eleito, reafirmaram seus compromissos com Weverton Rocha, que retribuiu acrescentando que todos os prefeitos maranhenses continuarão tendo um gabinete em Brasília.

“Sempre estive na luta ao lado dos prefeitos. As Marchas a Brasília continuarão com meu total apoio. Vocês podem contar comigo”, afirmou Weverton Rocha, que destacou a vitória do governador Flávio Dino, a sua vitória, a de Eliziane Gama e dos que formarão a maioria na bancada federal e na Assembleia Legislativa. Para ele, a vitória representa uma expressiva e decisiva mudança no cenário político do Maranhão.

“O Maranhão agora terá dois senadores. Dois parlamentares que estarão lutando pelo estado e pelo seu povo. Agora se encerra aquele ciclo de se montar chapa com parentes e com financiadores de campanha. Eu e a Eliziane temos um compromisso, de, ao lado do governador Flávio Dino, estabelecermos uma pauta desenvolvimentista  para o Maranhão”, destacou.

Os líderes da entidade municipalista demonstraram forte otimismo com a visita e com  o que foi dito pelos líderes parlamentares.

São Luís, 08 de Setembro de 2018.