Presidência: pesquisas mostram que Fernando Haddad e Jair Bolsonaro já polarizam a corrida pelos votos dos maranhenses

 

Fernando Haddad lidera no maranhão com o apoio de Flávio Dino, Bolsonaro é segundo com o apoio de Maura Jorge e Geraldo Alckmin é quarto com o apoio de Roberto Rocha

Faltando 16 dias, ou seja, 380 horas, para a corrida às urnas, o eleitorado do Maranhão começa, de fato, a se posicionar em relação aos candidatos a presidente da República. E a exemplo do que acontece em todo o País, os fatos vão desenhando uma clara polarização entre os candidatos da esquerda, Fernando Haddad (PT), e da direita, Jair Bolsonaro (PSL), que aos poucos vão desidratando os concorrentes do centro-esquerda, Ciro Gomes (PDT), do centro, Marina Silva (Rede), e do centro-direita, Geraldo Alckmin (PSDB), levando a escolha do próximo presidente da República a uma decisão quase plebiscitária entre os dois campos. Esse desenho se repete em parte no Maranhão, com o governador Flávio Dino (PCdoB) representando a esquerda, e a ex-governadora Roseana Sarney como expressão da direita, embora se esforce para dar uma aparência de centro-esquerda. A última pesquisa do Ibope, divulgada quarta-feira (19) rascunhou com clareza esse espectro ideológico na corrida presidencial no Maranhão, mostrando o embate direto entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, com a diferença que a candidata do MDB não abraça o candidato do PSL, que no estado é política e ideologicamente  representado pela ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge, candidata do PSL ao Governo do Estado.

De acordo com o Ibope, o petista Fernando Haddad, “o candidato do Lula”, deu um salto espetacular, saindo de inexpressivos 4% das intenções de voto para impressionantes 36%, assumindo folgada liderança em relação ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que saiu de expressivos 14% e agora aparece com 18%, mas com clara tendência de crescimento. Entre os demais presidenciáveis, o melhor posicionado é o pedetista Ciro Gomes, que “segurou a pressão” e perdeu apenas um ponto, caindo de 14% para 13%, fruto principalmente da atuação do seu partido, o PDT, que conserva parte de uma militância aguerrida, liderada pelo deputado federal e atual candidato a senador Weverton Rocha. Marina Silva (Rede), que tinha estimulantes 17% na primeira pesquisa Ibope, agora apareceu com 6%, vítima do mais cruel processo de desidratação eleitoral registrado nessa corrida, o que pode ser em parte explicado pelo fato de que a Rede foi praticamente varrida do tabuleiro partidário do Maranhão.

Nesse contexto, a emedebista Roseana Sarney tem a situação mais complicada na relação com a corrida presidencial. Ela simplesmente não tomou – pelo menos até aqui – conhecimento da existência do candidato do seu partido, Henrique Meirelles, e usa o ex-presidente Lula da Silva como um dos motes da sua campanha, mesmo tendo ele mandado Fernando Haddad trombetear para todo o Maranhão que o seu candidato é o governador Flávio Dino. E tudo indica que não haverá mudança nessa situação esdrúxula.

O candidato presidencial do PSDB, Geraldo Alckmin, oscilou de 6% para 5% nas preferências do eleitorado maranhense, um desempenho bem melhor do que o do candidato tucano ao Governo do Estado, senador Roberto Rocha, que na primeira pesquisa apareceu com 3% e na última oscilou para 2%. Geraldo Alckmin e Roberto Rocha protagonizam, até aqui, uma situações vista como vexatória por observadores e políticos experientes, principalmente quando são levadas em conta as condições excepcionais que os dois dispõem na campanha – partido estruturado, largo tempo de TV, recursos financeiros, etc.. A situação de Roberto Rocha em relação a Geraldo Alckmin fica mais dramática quando a pesquisa mostra que Maura Jorge, sem carro de campanha, sem estrutura, dinheiro nem aliados dispostos a segui-la, aparece com 5% na pesquisa Ibope, o equivalente a mais de o dobro do percentual do tucano. O cenário indica que eleitoralmente Maura Jorge não irá a lugar algum, mas ninguém duvida de que, eleito Jair Bolsonaro, ela ganhará muitas arroubas de peso político no estado, o que, associado a 5% de intenções de votos majoritários que vier a ter, poderá abrir-lhe caminhos para outras eleições, a começar por voltar à Prefeitura de Lago da Pedra em 2020.

O dado mais curioso da pesquisa do Ibope é a forte alteração registrada no campo dos indecisos – nulos/brancos/não sabe/não respondeu. Na primeira pesquisa, os que disseram que votariam nulo ou em branco eram 28%, enquanto que os que não sabem ou não responderam eram 10%. Na nova pesquisa, nulos e brancos somam apenas 8%, o que representa uma queda surpreendente de 19 pontos percentuais, enquanto os que não sabem ou não responderam  se mantiveram em 10%. Ou seja, a massa de indecisos caminha para se decidir, o que pode ser explicado pela tendência à polarização Fernando Haddad/Jair Bolsonaro.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Campanha perigosa: atacada com dossiê sobre seu marido, Eliziane Gama vai à PF e chama adversários para a briga

Eliziane Gama vai à Polícia Federal e desafia adversários a debater “em qualquer lugar”

A circulação de um dossiê sem autoria tendo como alvo Inácio Cavalcanti Melo, marido da deputada federal Eliziane Gama (PPS),          candidata ao Senado, ameaça tirar a disputa senatorial da planície em que vem acontecendo para remetê-la para o terreno pantanoso da política de baixo nível. Em circulação nas redes sociais, que aqui e ali se transformam numa espécie de submundo no qual a verdade e a ética perdem sentido, o tal dossiê tem o claro objetivo de tirar do eixo a parlamentar, que lidera a corrida ao Senado juntamente com o senador Edison Lobão (MDB). Mas, ao contrário de mergulhar na intimidação, Eliziane Gama reagiu forte, com dignidade e disposta a colocar a situação em pratos limpos. Primeiro foi à Polícia Federal registrar queixa contra a divulgação do tal dossiê, pedindo investigação completa sobre o caso. E certa de que o míssil foi disparado das baterias do Grupo Sarney, partiu para o contra-ataque com um vídeo no qual, de cara limpa e tom desafiador, disparou: “Parem de atacar a minha família. Larguem de ser covardes. Venham debater comigo, olhar nos meus olhos. Frente a frente. Eu vou aonde vocês quiserem, no horário e no local que vocês definirem. Eu não tenho medo de vocês porque eu estou do lado da verdade. Eu tenho certeza que a verdade vai vencer. Que o povo do Maranhão vai vencer!”

 

Quantidade de números da votação torna votação complexa e preocupa candidatos e dirigentes partidários

Uma preocupação está tomando conta de candidatos e dirigentes partidários em relação à votação no dia 7 de Outubro: as dificuldades que envolvem o processo de votação em si, visto como uma operação complexa, que pode encalacrar milhares e milhares de eleitores. O problema é que, ao votar, o eleitor terá de digitar 25 vezes, sendo dois números para Presidente, dois para Governador, três para Senador, mais três para Senador, quatro para Deputado Federal e cinco para Deputado Estadual, num total de 19 algarismos digitados. Além disso, após cada número de candidato, o eleitor deve acionar a tecla de “confirmar”, o que totalizará seis digitações. O fato é que, no total, serão 25 toques, numa operação considerada complexa, por mais objetiva que seja dada a quantidade de números. Técnicos da área sugerem que o eleitor leve sua “cola” para a cabine de votação, pois só assim ele terá garantia de que votará certo nos candidatos da sua preferência. Especialistas estão recomendando também que antes de votar o eleitor realize simulações, de modo a assimilar bem o processo de votação.

São Luís, 20 de Setembro de 2018.

 

Ibope e DataIlha confirmam liderança de Flávio Dino, sugerem teto para Roseana Sarney e preveem turno único

 

Flávio Dino lidera com grande folga, Roseana Sarney estaciona, Maura Jorge está em terceiro, Roberto Rocha não reage e é o quarto e Odívio Neto e Ramon Zapata mais uma vez não pontuaram

As pesquisas do Ibope e do DataIlha sobre as tendências do eleitorado na corrida para o Governo do Maranhão divulgadas ontem funcionaram, juntas, como uma poderosa injeção de ânimo na candidatura do governador Flávio Dino (PCdoB) à reeleição, e como uma forte ducha de água fria na candidatura da ex-governadora Roseana Sarney (MDB). Primeiro porque confirmou, com toda ênfase, o favoritismo do governador, reforçando a possibilidade de a eleição ser resolvida em turno único, e depois porque reduziu drasticamente as chances de a candidata emedebista alimentar o projeto de chegar a um segundo turno e, com ele, disputar “uma nova eleição”. As duas pesquisas depositaram ainda mais algumas pás de barro no projeto do senador Roberto Rocha (PSDB) de pelo menos se consolidar como uma “terceira via”, agora que parece ter sido definitivamente atropelado pela ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (PSL). Odívio Neto (PSOL) e Ramon Zapata (PSTU) não pontuaram, mas eles são na verdade anticandidatos, estando mais preocupados em aproveitar as brechas da propaganda para disseminar suas ideias contra a “democracia burguesa”.

Os 49% apurados pelo Ibope e os 52% do DataIIha para o governador Flávio Dino refletem com precisão a soma de uma série de fatores que o favorecem claramente: Governo sério e transparente, bons programas sociais, avaliação altamente positiva, posicionamento político ao mesmo tempo coerente e pragmático – sem qualquer escorregão até aqui -, e uma campanha bem armada, que o mostra como o líder de um processo, e não como um “salvador da pátria”. Os percentuais informam também a aprovação da mudança proposta em 2014 e que foi confirmada nos últimos anos pelo cumprimento da quase totalidade dos compromissos de campanha, segundo informações levantadas por organizações insuspeitas como o portal G1, do Sistema Globo. Mais do que isso, revelam que para a maioria, o governador Flávio Dino tem cacife para não precisar lançar mão de recursos como o uso excessivo da sua relação com o ex-presidente Lula da Silva (PT).

Os 32% da pesquisa do Ibope e os 27% do levantamento do DataIlha representam, antes de qualquer coisa, o tamanho atual do poder de fogo político e eleitoral da ex-governadora Roseana Sarney e, ao mesmo tempo, o provável teto a que pode chegar o Grupo Sarney nessa disputa. E a explicação é uma só: o Grupo concebeu e jogou uma grande e decisiva cartada confiando exclusivamente no cacife da sua única estrela, sem se dar conta de que esse tipo de astro, depois de 24 anos eclipsando todos ao seu redor, 14 deles governando com super poderes, acaba fadigando e perdendo o brilho e poder de atração. Além disso, o comando do Grupo Sarney vem cometendo um erro primário: tentar atirar o governador Flávio Dino na vala comum dos maus políticos, não se dando conta de que atacá-lo por má gestão e por desvios não cola. Difícil, quase impossível, portanto, reverter essa tendência nas próximas duas semanas, mesmo levando em conta a máxima segundo a qual no Maranhão político até boi voa.

Os 5% do Ibope e os 3% do DataIlha encontrados em favor da candidata Maura Jorge têm tudo a ver com a sua aliança com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), que lidera a corrida pelo voto também no Maranhão. Mas o que está deixando observadores boquiabertos é a vantagem da ex-prefeita de Lago da Pedra sobre o candidato do PSDB a governador, Roberto Rocha, que tem 2% das intenções de voto, segundo o Ibope, e 1,41%, conforme o DataIlha. Maura Jorge, que não tem partido, estrutura, militantes, dinheiro nem tempo de Rádio e TV, bate um candidato que é senador da República, comanda um partido forte, tem recursos para a campanha e dispõe de quase 1 minuto e meio no Rádio e na TV, desperdiçados com uma campanha esteticamente inovadora mas nem um pouco inteligente. Em resumo: os dois parecem irremediavelmente fora da disputa, limitando-se a fazer figuração.

O dado final das duas pesquisas amarra a vantagem incontestável do governador Flávio Dino: transformados em votos válidos – sem brancos e nulos (5% do Ibope e 5,76% do DataIlha) e não sabe nem respondeu (7% do Ibope e 9,88% do DataIlha) – ele alcança o patamar dos 60% de votos válidos, o que, se confirmado, tudo acabará no dia 7 de Outubro. Por outro lado, vale registrar que a prudência política sempre lembra que eleições só se ganha com o anúncio do resultado.

Em Tempo: A pesquisa do Ibope ouviu 1.008 pessoas entre os dias 16 e 18 de Setembro, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrada no TSE sob o protocolo 07474/2018. A pesquisa DataIlha ouviu 2.412 eleitores entre os dias 15 e 18 de Setembro, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrada no TSE sob o protocolo MA-07779/2018.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Alexandre Almeida mantém intrigante ataque a Edison Lobão, que segue nos trilhos do equilíbrio

Edison Lobão recebe apoio do prefeito Fábio Gentil (d) e grande manifestação; apesar dos ataques do adversário Alexandre Almeida

Por mais que o deputado Alexandre Almeida (PDSB) afirme que o seu virulento ataque ao senador Edison Lobão (MDB) seja apenas um ato de campanha para expor sua visão política e, claro, tentar reverter a sua colocação em último lugar no pelotão dos seis candidatos que de fato disputam as duas vagas no Senado, a impressão dominante é a de que a estratégia do parlamentar é fruto de uma “parceria” com algum outro interessado na vaga. De cara, as primeiras suspeitas recaíram sobre o comitê central da campanha do deputado federal Sarney Filho (PV). Aliados do ex-ministro do Meio Ambiente, porém, apressaram-se para desmanchar tal suspeita, afirmando que Sarney Filho faz uma campanha correta e limpa, sem atacar nenhum dos concorrentes. Tudo bem. Mas o fato de o senador Edison Lobão liderar a corrida por várias semanas, fazer uma campanha com base na sua longa e vitoriosa trajetória, enquanto Sarney Filho apresenta desempenho menor expressivo e de a candidata ao Governo Roseana Sarney (MDB) investir forte e isoladamente na candidatura do irmão no horário eleitoral gratuito, sem dizer uma palavra de incentivo à campanha do senador tem deixado muitos observadores intrigados, estimulando também o surgimento de rumores de uma “guerra” entre a família Lobão e a família Sarney. A Coluna ouviu fontes confiáveis com trânsito no Grupo Sarney e ouviu delas que existe, de fato, um clima de tensão entre as duas correntes, mas nada que possa ter levado algum sarneysista desastrado a tramar, sem o aval da cúpula, e bancar o ataque virulento do deputado Alexandre Almeida ao senador Edison Lobão. O fato é que a pancadaria de Alexandre Almeida contra Edison Lobão continua na TV e no Rádio, enquanto o senador, do alto da sua experiência e usando suas reconhecidas sobriedade pessoal e sabedoria política, mantém sua campanha nos trilhos do equilíbrio.

 

Edivaldo Jr. barra na Justiça tentativa de empresários de usar reajuste de salários para aumentar tarifas

Edivaldo Jr. faz previsão sombria das consequências da greve dos caminhoneiros para as finanças municipais

O prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) desativou na Justiça uma bomba contra a população: conseguiu barrar a tentativa das empresas de transportes coletivos de São Luís de garantir que as tarifas pagas pela população fossem aumentadas todas as vezes em que elas aumentassem os salário dos seus motoristas, cobradores, fiscais e funcionários em geral. A vitória do prefeito de São Luís foi consolidada ontem, quando a 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) aplicou entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para confirmar decisão de primeira instância, que não concordou com a vinculação do aumento salarial de funcionários de empresas de ônibus à obrigação de reajuste da tarifa cobrada dos passageiros do transporte coletivo de São Luís. A ação foi ajuizada pela Prefeitura de São Luís para impedir o aumento abusivo para usuário, sob o argumento óbvio: se os salários são reajustados todos os anos, o impacto na passagem seria drástico para o usuário.

A vitória do prefeito Edivaldo Holanda Jr. foi desenhada no voto do desembargador-relator Jaime Ferreira de Araújo (relator), que concordou com o entendimento do Juízo de origem, de acordo com o STJ, de que a ocorrência de movimento grevista de empregados das empresas concedentes do serviço público, do qual possa eventualmente resultar aumento/reajuste salarial, não configura situação imprevisível capaz de vulnerar a cláusula que prevê um período mínimo de 12 meses para reajuste do contrato. Traduzindo: o preço das tarifas nos coletivos não pode estar vinculado aumento salarial dos funcionários das empresas. Os desembargadores Marcelino Everton e Luiz Gonzaga acompanharam o voto do relator.

São Luís, 19 de Setembro de 2018.

Pesquisa Exata/JP reforça a previsão de que a disputa pelas vagas do Senado pode encerrar o sarneysismo ou dar-lhe sobrevida

 

Edison Lobão, Eliziane Gama, Sarney Filho, Weverton Rocha e José Reinaldo travam uma disputa com muitos vieses e que, dependendo do resultado, poderá decretar o fim da Era Sarney ou dar-lhe sobrevida

Das últimas pesquisas para apurar as preferências do eleitorado na corrida às urnas em curso no Maranhão, a que impactou mais fortemente as duas maiores coligações – “Maranhão para todos”, liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), e “Maranhão quer mais”, comandada pela ex-governadora Roseana Sarney (MDB) – foi a  Exata/JP sobre a disputa pelas duas cadeiras no Senado. Seus números confirmaram que as duas vagas estão sendo intensamente disputadas por Eliziane Gama (PPS), Edison Lobão (MDB), Weverton Rocha (PDT) e Sarney Filho (PV), sinalizando uma reviravolta favorável aos dois candidatos da aliança dinista e colocando em risco dois projetos essenciais para a sobrevivência do Grupo Sarney, que são as candidaturas do senador Edison Lobão à reeleição e a do deputado federal Sarney Filho. E com o ex-governdor José Reinaldo (PSDB) avisando que está na briga, enquanto Alexandre Almeida se mantém dignamente na disputa.

Desde o primeiro momento da corrida às urnas esta Coluna assinalou que a disputa pelas duas vagas senatoriais seria a mais renhida de todo o processo eleitoral. Primeiro porque no plano geral o confronto direto se dá entre os dois grupos que efetivamente disputam o poder, tendo de um lado Weverton Rocha e Eliziane Gama pela aliança dinista e Edison Lobão e Sarney Filho pela coligação sarneysista. O pedetista e a popular socialista representam a nova geração, ousada e voluntariosa, que tenta se firmar no poder, enquanto o emedebista e o verde encarnam a política tradicional, manhosa e tarimbada, que vem perdendo terreno. Os dois primeiros são liderados por um candidato forte ao Governo; os outros dois enfrentam dificuldades por causa da posição da sua candidata.

O fato é que, da mesma maneira com que estão encarando a disputa pelo Governo do Estado, as duas correntes vão jogar pesado pelas duas vagas no Senado. Tanto que o governador Flávio Dino já incorporou Weverton Rocha e Eliziane Gama ao seu discurso e às suas peças de campanha, numa clara demonstração de que aposta alto na vitória da sua chapa majoritária. Ao mesmo tempo, Roseana Sarney “adotou” a candidatura de Sarney Filho, demonstrando que a eleição dele é tão importante quanto a dela própria para o projeto de poder da família, enquanto Edison Lobão faz carreira solo com o seu próprio poder de fogo.

Mais do que qualquer outra mais recente, essa corrida senatorial é marcada por uma série de vieses e nuanças que tornam os resultados possíveis decisivos para o futuro político imediato do Maranhão. Nessa perspectiva, a reeleição de Flávio Dino e a eleição de Weverton Rocha e Eliziane Gama decretarão o fim da Era Sarney. Se, ao contrário, Roseana Sarney, Sarney Filho e Edison Lobão elegerem-se, o Grupo Sarney ganhará uma longa sobrevida, podendo até mesmo encontrar vias de renovação. Se, no entanto, Flávio Dino reeleger-se com Weverton ou Eliziane e Lobão renovar o mandato, a Era Sarney será igualmente encerrada, pois o senador emedebista não terá como dar-lhe sobrevida. Mas, se acontecer a reeleição de Flávio Dino com a eleição de Weverton ou Eliziane e a eleição de Sarney Filho, é lógico prevê que o ex-ministro tentará resgatar o sarneysismo como candidato a governador em 2022, podendo tornar-se um problema para a manutenção do projeto de poder do atual governador, que terá de encontrar uma solução consistente para a sua sucessão.

A entrada do governador Flávio Dino na corrida senatorial turbinando as candidaturas de Weverton Rocha e Eliziane Gama, assim como a de Roseana Sarney em favor de Sarney Filho, acontece num momento em que a campanha entra na sua fase decisiva. O objetivo maior é convencer os 32% de eleitores que, segundo o Exata, disseram que votarão nulo ou em branco, e os 34% que se mostraram indecisos, não sabendo ou não querendo responder. É esse contingente aparentemente desinteressado que vai definir essa parada com tantos desdobramentos possíveis.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pesquisa I

Nova pesquisa Interpreta aponta reeleição de Flávio Dino em turno único

 

Mais uma pesquisa para identificar as intenções de voto do eleitorado maranhense apurou que se a eleição para o Governo do Estado fosse hoje, o governador Flávio Dino (PCdoB) seria reeleito no 1º turno. Os números foram levantados em nova pesquisa do Instituto Interpreta, feita em parceria com o jornal Correio Popular, de Imperatriz, e informam que Flávio Dino tem 61,81% das intenções de voto, contra 29,57% de Roseana Sarney (MDB), 4,18% de Maura Jorge (PSL), 4,01% de Roberto Rocha (PSDB), 025% de Ramon Zapata (PSTU) e 0,17% de Odívio Neto (PSOL).

No seu relatório, o Interpreta lembra que na pesquisa anterior, divulgada há duas semanas, o governador Flávio Dino apareceu com 60.01% das intenções de voto, subindo quase dois pontos percentuais, enquanto Roseana Sarney tinha 33%, tendo perdido três pontos percentuais.

Em Tempo: O Interpreta ouviu 1.524 pessoas em 53 municípios do Maranhão entre os dias 8 e 10 de setembro, tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e está registrada no TSE sob o nº MA-01920/2018.

 

Pesquisa II

Levantamento da CNT/MDA aponta polarização entre Bolsonaro e Haddad

Pesquisa CNT/MDA: Fernando Haddad dispara, já é o segundo e polariza com Jair Bolsonaro

Divulgada ontem, a mais nova pesquisa para medir a corrida presidencial, feita pela respeitada empresa MDA, contratada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), rascunhou um cenário que sugere uma polarização entre o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que aparece na liderança com 28,2% das intenções de voto, e o candidato do PT, Fernando Haddad, com 17,6%.

Na sequência aparecem os candidatos Ciro Gomes (PDT) com 10,8%, Geraldo Alckmin (PSDB) com 6,1%, e Marina Silva (Rede) com 4,1%. João Amoêdo (Novo) tem 2,8%, Álvaro Dias (Podemos) tem 1,9%, e Henrique Meirelles (MDB) tem 1,7%.

Em Tempo: O levantamento da MDA foi realizado entre os dias 12 e 15 de setembro, ouviu 2.002 pessoas, em 137 municípios de 25 estados, e tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

 

Famem: preocupado com perdas no FPM, Djalma Melo recomenda a  prefeitos que controlem gastos

Presidente em exercício da Famem, o prefeito de Ararti, Djalma Melo, oriente,colegas a controlar gastos

Uma informação e uma recomendação colocaram os prefeitos maranhenses, principalmente os de municípios mais pobres, em estado de alerta máximo em relação a gastos. Trata-se do seguinte: o valor do repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FMP) em Setembro será encolhido em R$ 12 milhões, por isso, os prefeitos devem apertar o controle no campo das despesas, para suportar o agravamento da penúria financeira que vem sufocando as prefeituras por conta da crise que afeta o País. O alerta foi dado na semana passada pelo prefeito de Arari, Djalma Melo (PTB), presidente em exercício da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), após a revelação de que o valor da primeira cota do mês, depositada no dia 10, foi reduzido em relação ao mês anterior.

Avaliado pela divisão entre 217 municípios, o valor parece não ter muita importância. Mas o alerta do presidente em exercício da Famem faz todo sentido, a começar pelo fato de que a crise econômica e fiscal que assolou o Brasil nos últimos tempos tem repercussão mais forte nos municípios, principalmente naqueles mais pobres, que têm no FPM a sua receita básica, às vezes a única. Qualquer redução no valor dessas transferências tem impacto forte, e muitas vezes devastador, nas administrações municipais. Situação que se torna mais grave à medida que a redução na primeira cota sinaliza que os outros dois repasses do mês seguirão a tendência de queda.Ao mesmo tempo, a queda da receita mergulha os prefeitos numa situação de incerteza, o que os obriga a  administrar  “no escuro”, sem ter a menor ideia do que vem pela frente.

Daí a preocupação da Famem, expressada pelo presidente em exercício Djalma Melo, um prefeito experiente e bem avaliado: “Registraremos, este mês, as maiores quedas de recursos provenientes do FPM. E não temos como prever como irão se comportar estas transferências até o fim do ano. Portanto, a orientação que estamos dando é para que os gestores se comportem utilizando da prudência visando manter os serviços essenciais e honrar o pagamento do funcionalismo público”.

Prudência, no caso, é controlar os parcos recursos disponíveis, evitar gastos não planejados, suspender temporariamente investimentos que podem aguardar e priorizar a folha de pagamento que, como é sabido, funciona como o oxigênio indispensável à vida econômica municipal.

São Luís, 17 de Setembro de 2018.

 

Campanha: Dino reforça favoritismo com apoio de Haddad e Ciro; Roseana intensifica campanha explorando imagens com Lula  

Cenário de agora da campanha para o Governo do Estado no maranhão: Flávio Dino lidera com folga, Roseana Sarney intensifica sua campanha, Maura Jorge está à frente de Roberto Rocha e Odívio Neto e Ramon Zapata sem pontos

O início da campanha no Rádio e na TV, a intensificação do corpo-a-corpo, a definição do candidato presidencial do PT e a entrada no circuito de todos os institutos que normalmente fazem pesquisa eleitoral no estado – Exata/JP, DataIlha, Econométrica/Difusora, Ibope/TV Mirante e Escutec/O Estado -, fizeram com que a corrida ao voto no Maranhão entrasse, nos últimos dias, na sua fase decisiva, especialmente a disputa para o Palácio dos Leões, com uma nítida polarização entre o governador Flávio Dino e a ex-governadora Roseana Sarney (MDB). Os fatos recentes, em especial a confirmação de Fernando Haddad como substituto do ex-presidente Lula da Silva como candidato do PT, deram o ajuste final num quadro que estava impreciso, dando aos candidatos as condições políticas e estruturais possíveis para tentarem viabilizar seus pleitos. Nesse ambiente de disputa sem fortes tensões, nitidamente marcado pela previsibilidade, o governador Flávio Dino (PCdoB) lidera a corrida com folga, segundo todas as pesquisas feitas até aqui, tendo como principal adversária a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), e com possibilidade real de encerrar corrida já no primeiro turno. E como não poderia deixar de ser, enfrenta bombardeio pesado dos adversários, aos quais responde com sobriedade, mas também com mão pesada. Roberto Rocha (PSDB) e Maura Jorge (PSL) permanecem enroscados no segundo e distante pelotão, alternando-se na terceira e na quarta posição dependendo da pesquisa, sem exibir qualquer sinal de reação. Os dois representantes da ultraesquerda, Odívio Neto (PSOL) e Ramon Zapata (PSTU), só constam como candidatos.

O governador Flávio Dino faz uma campanha densa, exibindo segurança em cada afirmação com que “vende” as conquistas do seu Governo e se credencia a novo mandato. Vez por outra sai dessa zona de conforto para rebater pancadaria que recebe do Grupo Sarney, que joga pesado, na campanha e no ataque paralelo, para desacreditá-lo. A pesquisa Exata/JP, divulgada na quinta-feira (13), informou que a estratégia do bombardeio intenso e implacável contra o candidato do PCdoB não está funcionando. A ineficácia da pancadaria tem estimulado o governador a intensificar sua campanha de rua, cumprindo uma agenda em grandes e pequenos municípios nas mais diversas regiões do estado, sempre recepcionado e acompanhado por verdadeiras multidões. Agora, Flávio Dino deve intensificar sua corrida acrescentando o ingrediente que faltava: o apoio  incontestável do ex-presidente Lula, expressado pelo candidato a presidente do PT, Fernando Haddad. O governador não transformará o ex-presidente Lula em “cavalo de batalha”, devendo apresentar o candidato petista como um aliado forte, principalmente pelo fato de que pode ser eleito presidente da República, como é o caso de Ciro Gomes (PDT), cujo partido, como o PT, integra a coligação “Maranhão de todos nós”. Essa coincidência deixa Flávio Dino na cômoda posição de ter dois candidatos fortes a presidente, sem conflitos.

Até agora, todos os sinais emitidos na campanha indicam que a vantagem do governador Flávio Dino (54% das intenções se voto, segundo pesquisa Exata/JP de quatro dias atrás) não sofre ameaça que lhe tire o sono, podendo até crescer na reta final da campanha.

Depois de um período de indefinição, em que deu a impressão de desânimo, a ex-governadora Roseana Sarney saiu do sofá e entrou em ritmo de campanha, que não refletiu até aqui a força de outros tempos, mas denota outro ânimo, principalmente com o início da campanha no Rádio e na TV. Na telinha, a candidata do MDB primeiro deu um tom personalista, fazendo questão de ser agora apenas “Roseana”, sem o Sarney junto, para em seguida assumir compromissos, numa estratégia reforçada fortemente com o apoio do seu grupo de comunicação. Ao mesmo tempo, retomou, sem a intensidade de outros tempos, o corpo-a-corpo, como fez nesta sexta-feira em Imperatriz, ao lado do prefeito Assis Ramos (MDB). Roseana Sarney tem investido muitas das suas fichas na sua relação com o ex-presidente Lula, com quem tenta mostrar identidade, mesmo diante da declaração de Fernando Haddad de que o candidato de Lula no Maranhão é Flávio Dino. Uma situação que se torna mais estranha com o fato de que o seu partido, o MDB, tem candidato a presidente, Henrique Meireles, solene e ostensivamente ignorado na sua campanha. Entre aliados da ex-governadora – políticos, empresários e profissionais liberais –, o clima não é exatamente de desânimo, mas também não mostra qualquer sinal de euforia, prevalecendo entre eles certa expectativa, esperando não sabem exatamente o quê.

O que ficou claro até agora é que Roseana Sarney é uma política de grande peso eleitoral (com 25% das intenções de voto segundo a pesquisa Exata/JP), com muitos seguidores fiéis, mas que parece ter chegado a um teto – algo em torno de 30% – que não consegue ultrapassar, parecendo  ter esgotada sua capacidade de crescimento.

As próximas 480 horas determinarão o desfecho dessa disputa, com forte possibilidade de confirmar a tendência até aqui rascunhada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pesquisa Exata/JP: vantagem de Eliziane e Weverton  acende sinal de alerta para Lobão e Sarney Filho

Virada de Eliziane Gama e Weverton Rocha acende alerta vermelho para Edison Lobão e Sarney Filho

Os números encontrados pela pesquisa Exata/JP, divulgada na sexta-feira, sobre a corrida para o Senado da República acendeu luz de alerta vermelho nos comandos de campanha do senador Edison Lobão (MDB) e do deputado federal Sarney Filho (PV), candidatos da coligação comandada pela ex-governadora Roseana Sarney, e acendeu sinal verde nos comitês centrais dos deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS), candidatos da aliança liderada pelo governador Flávio Dino. O levantamento afirma que Eliziane Gama tem 27% das intenções de voto e que Weverton Rocha 25%. Os dois lideram a corrida pelas duas vagas de senador, agora seguidos de Edison Lobão com 24% e Sarney Filho com 22%, Zé Reinaldo (PSDB) com 18% e Alexandre Almeida (PSDB) com 10%. Preta Lu (PSTU) foi de 4% para 3%. Samuel Campelo (PSL) tinha 3% e agora tem 2%. Saulo Pinto (PSOL) passou de 2% para 1%. Saulo Arcangeli (PSTU) e Iêgo Bruno (PCB) mantiveram 1% cada.

Chama atenção o fato de, mesmo se considerando o fato de os quatros estarem situados dentro da margem de erro, que é de 3%, Eliziane Gama dispara em relação a Edison Lobão e Weverton Rocha se distancia de Sarney Filho. Com um detalhe: em tidas as simulações sobre votação em dois nomes, com dois votos separados, os candidatos da coligação dinista vencem a disputa.

Nesse momento, a leitura mais lógica desse cenário é que ele já é resultado da entrada firme e decidida do governador Flávio Dino em apoio aos seus candidatos, alimentando a tradição de que candidato a governador forte embala candidato a senador. No caso, essa regra se torna mais visível quando se observa que a juventude e o arrojo de Eliziane Gama e Weverton Rocha somados ao poder de fogo do governador e candidato à reeleição produzem um viés de favoritismo. Bem diferente das outras candidaturas, que apesar de muito fortes, como a do senador Edison Lobão, por exemplo, seguem distanciadas do candidato a governador – na semana que passou, Roseana Sarney gravou peça de campanha apoiando o irmão Sarney Filho. Diante dos números e a essas alturas do campeonato é provável que Edison Lobão siga a trilha independente que vem percorrendo desde o início da campanha.

Independente de qualquer “porém” ou “senão”, o fato é que a pesquisa Exata/JP disparou um míssil na base da corrida ao Senado, causando um tremor que mudou as posições e inverteu as tendências rascunhadas até quinta-feira.

Em Tempo: Registrada no TSE sob o nº MA-09907/2018, a pesquisa Exata/JP realizou 1.400 questionários na Grande São Luís e nas regiões Norte, Sul, Leste, Oeste e Central do Maranhão, entre os dias 10 e 13 de setembro. Sua margem de erro é de 3,3 pontos percentuais para mais ou para menos e o intervalo de confiabilidade é de 95%.

 

Roberto Rocha se perde na campanha e corre o risco de perder para Maura Jorge

A imagem reflete o clima da campanha de Roberto Rocha ao Governo do Estado

Tudo indica que o senador Roberto Rocha (PSDB) caminha para amargar o que poderá representar o maior fracasso da sua trajetória política. Inicialmente entusiasmado com o comando de um partido forte e com um plano de governo bem armado no que chamou de “Caderno de Boas Ideias”, e ainda nas lufadas de um candidato presidencial, Geraldo Alckmin, que a princípio dava sinais de robustez como uma via segura e confiável entre a esquerda e a direita, o candidato tucano ao Palácio dos Leões perdeu-se em todos os movimentos de campanha que fez até agora. Além de sequer enxergar a poeira dos primeiros colocados, vê frustrado e sem futuro o seu projeto de ser o principal adversário do governador Flávio Dino, chegando ao ponto de enrolar-se com a ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (PSL), uma candidata sem lastro, sem recursos e também sem futuro neste processo eleitoral. É possível que a esta altura da maratona nem uma guinada radical no cenário da campanha, o que é absolutamente improvável, mudará a situação do tucano. Depois das eleições, ainda que venha s ter um desempenho melhor do que o que está se anunciando, Roberto Rocha terá de repensar profundamente sua posição no cenário político estadual. Maura Jorge não tem esse compromisso.

São Luís, 16 de Setembro de 2018.

 

Márcio Jerry e Othelino Neto impulsionam candidaturas com fortes atos de campanha em São Luís

 

Othelino Neto (C), a esposa Ana Paula Lobato, Márcio Jerry e o vice-prefeito Júlio Pinheiro, com aliadas  durante caminhada, quinta-feira,  no João de Deus.

Sem dúvida os nomes mais destacados na corrida do PCdoB às eleições para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa, o jornalista Márcio Jerry, presidente do PCdoB e mais influente assessor do governador Flávio Dino (PCdoB) ao longo de três anos e meio, e o deputado Othelino Neto (PCdoB), que hoje preside o parlamento estadual, encontram-se, desde o início da semana, concentrando esforços em São Luís, onde pretendem ser bem votados e, assim, fincar estacas para delimitar espaços de ação política visando também eleições futuras. Os dois realizaram, na noite de quarta-feira (13), uma animada passeata pelos bairros João de Deus, Vila Conceição e Pirapora, encerrando uma etapa que os levou antes à Vila Palmeira, Anil, Aurora, entre outros bairros importantes do entorno urbano da Capital. Com seus movimentos, além de pedir votos, estão contribuindo para reacender nessas áreas a tradição da política do chamado corpo-a-corpo, que deu lastro a grandes líderes políticos da Ilha de Upaon Açu, como o ex-governador Epitácio Cafeteira, o ex-governador Jackson Lago e o ex-deputado federal Haroldo Sabóia, por exemplo, que, cada um a seu tempo e a seu modo, dominaram a política de São Luís.

Assunto “obrigatório” de todas as conversas sobre a corrida à Câmara Federal, nas quais é alvo de duras críticas e rasgados elogios, o jornalista Márcio Jerry, que preside o PCdoB no Maranhão, vive o seu grande momento político, na iminência de colher os frutos de um plantio que começou ainda nos anos de 1980 no movimento estudantil secundarista, do qual evoluiu para a militância política universitária, de onde saiu para se tornar um dos mais destacados dirigentes partidários do estado, agora  atuando como um político integral. Firmou-se com sólido cabedal político e com atuação marcada pela coerência ideológica, já que em nenhum momento deixou a seara esquerdista e de oposição ao Grupo Sarney para aventurar-se, por exemplo, em alianças circunstanciais com o centro ou com a direita. A flexibilização da sua posição ideológica só veio quando assumiu a responsabilidade de ser o articulador político do governo Flávio Dino, que adotou uma linha pragmática para garantir apoio no parlamento estadual e para construir a grande aliança liderada pelo governador na busca da reeleição. Nesse contexto, para surpresa de alguns dos seus aliados e irritação de alguns graúdos, Márcio Jerry tornou-se um nome estadual, ganhou estatura pública e autoridade política para pleitear uma cadeira na Câmara Federal. E como sempre militou em São Luís, nada mais lógico do que pedir votos a ludovicenses.

Também nascido na Ilha, o deputado Othelino Neto segue a mesma trilha da militância em São Luís, onde deu seus primeiros passos na política como militante estudantil e na Juventude do PDT, motivado pelo pai, o jornalista e militante político Othelino Filho, um dos mais próximos colaboradores e conselheiros de Jackson Lago, a quem auxiliou na espetacular vitória do líder pedetista sobre Carlos Guterres (PMDB), candidato do então governador Epitácio Cafeteira em 1988. Jornalista e economista por formação e servidor concursado do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Othelino Neto fez incursões partidárias no PV, na fase embrionária do partido, chegando finalmente ao PCdoB, onde se consolidou. No segundo mandato de deputado estadual, revelou-se um hábil e eficiente articulador, talento que o levou à eleição para 1ª vice-presidência da Assembleia Legislativa em 2015, e à reeleição em 2017, tendo assumido a presidência do Poder em janeiro deste ano com a morte do presidente Humberto Coutinho (PDT). A eficiência administrativa e a  equilibrada desenvoltura política com que vem conduzindo a instituição aumentaram sua estatura, colocando-o no epicentro das decisões no Maranhão. Fez por onde chegar aonde está, e toda a sua trajetória tem sido em São Luís. Tem lastro político para fazer dobradinha eleitoral com Márcio Jerry na Capital.

Militantes de longo curso, com várias experiências diretas e indiretas, vitoriosas e nem tanto, Márcio Jerry e Othelino Filho conhecem bem os caminhos políticos e o perfil do eleitor de São Luís. Sabem onde estão caminhando e com quem podem contar, conhecedores que são das filigranas que movem o eleitorado do maior, mais importante e mais independente colégio eleitoral do Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edison Lobão usa Lula na sua propaganda com a autoridade de quem um ministro leal e elogiado pelo ex-presidente

Edison Lobão e Lula da Silva: depois de reservas, admiração e uma amizade sólida

O senador Edison Lobão (MDB) marcou ontem um gol de placa ao exibir no horário eleitoral gratuito imagens em que o então presidente Lula da Silva (PT) joga-lhe um caminhão de confetes. No discurso, feito em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Lula revela que ficou cismado quando Edison Lobão foi indicado pelo PMDB para o Ministério de Minas e Energia, mas que em pouco tempo foi surpreendido pela competência e pelo empenho do ministro. “Você, Lobão, foi uma grata surpresa”, destacou o presidente Lula, afirmando que fazia questão de assinalar a capacidade de trabalho e a dedicação do ministro. O presidente Lula deu esse atestado público de competência ao ministro de Minas e Energia em várias ocasiões, estreitando uma relação que se transformou em amizade. Tanto que, de volta ao Senado, e apesar da crise que resultou na deposição da presidente Dilma Rousseff (PT), Edison Lobão não perdeu uma só oportunidade de elogiar o ex-presidente, indo mais longe quando fez inúmeras críticas ao processo que resultou na condenação do líder petista, tornando-o inelegível. Num discurso duro no Senado, Edison Lobão defendeu enfaticamente o ex-presidente, afirmando que “Lula foi condenado e preso para não votar a ser presidente do Brasil”. Dias depois desse pronunciamento, o senador Edison Lobão foi a Curitiba, liderando um grupo de senadores da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, da qual é presidente, numa visita para inspecionar as condições em que o ex-presidente é mantido encarcerado.

 

Bolsonaro cresce pouco e Haddad já está empatado com Ciro

Fernando Haddad e Ciro Gomes estão empatados e ameaçam Jair Bolsonaro:  que deve perder para um deles  no 2º turno

A facada que chocou o Brasil e estremeceu a rota da corrida às urnas deu ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) um leve impulso na sua corrida ao Palácio do Planalto. Isso foi sinalizado pelo Ibope, na semana passada, e confirmado ontem pelo Datafolha, que em nova pesquisa revelou a subida dele de 24 para 26% , quase nada alterando sua posição no cenário da disputa. Mas o diferencial desse novo levantamento foi o candidato do PT, Fernando Haddad, que já chegou a 13% das intenções de voto, empatando com o candidato do PDT, Ciro Gomes, com o mesmo percentual. O petista deixou Geraldo Alckmin (PSDB) com 9%, e Marina Silva (Rede), com 8%, para trás.

Na pesquisa, Álvaro Dias (Podemos), João Amoêdo (Novo) e Henrique Meirelles (MDB) aparecem com 3% cada; Vera Lúcia (PSTU), Cabo Daciolo (Patriota), Guilherme Boulos (PSOL) têm 1% cada; João Goulart Filho (PPL) e José Maria Eymael (DC) não pontuaram. Eleitores que responderam que pretendem votar em branco ou nulo são 13%, enquanto eleitores que não sabem ou não responderam somam 6%.

Em Tempo: A pesquisa Datafolha ouviu 2.820 eleitores nos 26 estados e no Distrito Federal, tem margem de erro de 2%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número de identificação BR-05596/2018.

São Luís, 14 de Setembro de 2018.

Disputa pelas vagas no Senado deve mesmo ser decidida entre Edison Lobão, Eliziane Gama, Sarney Filho e Weverton Rocha

Edison Lobão, Eliziane Gama, Sarney Filho, Weverton Rocha e José Reinaldo: time de nomes fortes e do qual sairão os dois próximos senadores do maranhão,

Todos os sinais produzidos pela campanha eleitoral até aqui indicam que a disputa pelas duas vagas no Senado da República será mesmo travada pelo senador Edison Lobão (MDB) e o deputado federal Sarney Filho (PV), candidatos da coligação “Maranhão quer mais”, comandada pela ex-governadora Roseana Sarney (MDB), e os deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS), da coligação “Todos pelo Maranhão”, liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB). A esse grupo poderá se juntar o deputado federal José Reinaldo Tavares (PSDB), candidato da coligação (Vamos sem medo mudar o Maranhão), liderada pelo senador Roberto Rocha (PSDB), já que o outro candidato tucano, Alexandre Almeida, é o mais distanciado desse pelotão, e aparentemente sem gás para reverter o quadro de posições. As pesquisas mais recentes desenharam essa tendência, à medida que umas apontaram que se as eleições fossem agora, Eliziane Gama e Edison Lobão seriam os senadores eleitos, enquanto outras sinalizaram que os eleitos seriam Edison Lobão e Sarney Filho. Nos bastidores da corrida eleitoral há uma clara movimentação nas duas maiores coligações objetivando turbinar os seus candidatos ao Senado.

Com a sua candidatura à reeleição consolidada e mantendo-se firme na condição de favorito, o governador Flávio Dino iniciou a segunda fase da sua campanha que é impulsionar a corrida de Weverton Rocha e Eliziane Gama na direção das urnas, colocando em prática o projeto de eleger os dois para o Senado. No círculo mais próximo do chefe do Governo é dominante a convicção de que é possível concretizar o projeto de eleger os dois senadores, mesmo considerando o peso dos adversários. Tanto que o governador gravou com os dois, individualmente, peças de campanha para a TV apontando-os como candidatos fortes e preparados para exercer o mandato senatorial, usando também o argumento de que os dois terão papel fundamental no apoio ao Governo do Maranhão caso  sejam eleitos, e ele reeleito. Além disso, o governador tem cumprido uma intensa agenda de campanha para atender aos dois em todas as regiões do estado. Flávio Dino vem dando o sentido de chapa, evitando ao máximo a ideia de que na sua coligação é cada um por si e Deus por todos. Além disso, Weverton Rocha e Eliziane Gama estão fazendo a parte deles com campanhas fortes, nas quais se mostram preparados para serem senadores.

Na coligação “O Maranhão quer mais”, a candidata ao Governo Roseana Sarney é quase sempre acompanhada de Edison Lobão e Sarney Filho nas incursões pelo interior e em atos como comícios e caminhadas. Mesmo assim, a impressão que passa é que nesse grupo os candidatos ao Senado não fazem uma dobradinha e se movimentam cada um para seu próprio rumo. É verdade que o formato da disputa induz o observador, e até mesmo o eleitor, a achar que os candidatos de cada coligação estão em guerra entre si, o que acaba com eles se dividindo pela ação de grupos de apoio que se batem e fazem questão de demonstrar essa rivalidade. Nos bastidores do Grupo Sarney corre o rumor de que apoiadores de Edison Lobão e de Sarney Filho estão em choque, quando a lógica recomenda que os dois deveriam somar esforços na guerra pelas duas vagas. E é fato que até aqui Edison Lobão não recomendou o segundo voto para Sarney Filho nem este indicou aquele como nome ideal para o segundo voto. Até ontem a líder da coligação não divulgou peça de TV, de rádio, comunicado ou coisa parecida convocando seus eleitores votar nos dois candidatos da sua coligação ao Senado. Mesmo sem essa vitamina, Edison Lobão e Sarney Filho vêm fazendo campanhas de peso, jogando nas peças todo o peso dos seus lastros políticos e das suas biografias como homens públicos.

O clima de disputa aumenta com o ex-governador José Reinaldo  “arranhando calcanhares” dos quatro, podendo em algum momento da campanha dar um salto e entrar efetivamente nesse time de favoritos, até porque iniciou na TV uma campanha de forte apelo emotivo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Cobrança de candidatos do PSDB causa constrangimento a Roberto Rocha

Roberto Rocha:no centro de uma situação constrangedora, criada por candidatos dentro do próprio partido

Surpreendente e desconcertante a “carta aberta” de candidatos proporcionais do PSDB cobrando do presidente e candidato a governador do partido, senador Roberto Rocha, uma revisão da partilha dos recursos recebidos para bancar a campanha dos candidatos da agremiação. Com expressões duras, como se estivessem exigindo uma reparação por supostos perdas e danos, os candidatos se mostram dispostos a manter um clima de forte tensão dentro do partido, que já vive uma situação de apatia com que se arrasta a candidatura do senador tucano ao Governo do Estado e a do ex-governdor de São Paulo, Geraldo Alckmin, à presidência da República. Ao tornarem público um assunto doméstico de tal gravidade, os candidatos tucanos rebelados parecem não perceber que causaram uma situação constrangedora para o partido e para todos os candidatos, a começar por eles próprios, que se revelam aspirantes a cargo eletivo que não vão a lugar algum sem os tostões reivindicados. O documento que assinaram e tornaram público revela que a situação do PSDB é bem mais complicada do que mostram o desempenho dos seus candidatos majoritários nas pesquisas. Com a agravante de que, mesmo que solucione a suposta pendência financeira e apazigue a turma insatisfeita, o senador Roberto Rocha sairá desse episódio constrangedor com alguns arranhões.

 

Henrique Meirelles vai cobrar comitê de sua candidatura em São Luís

Roseana Sarney continua usando  Lula da Silva  e ignorando Henrique Meirelles

Correu o rumor de que emissários de Henrique Meirelles, o candidato presidencial do MDB, se reunirão com o comando regional do partido, para resolver como será a participação dos emedebistas maranhenses na campanha. A Coluna registrou   que há cerca de um mês assessores de Henrique Meirelles procuraram o presidente estadual do MDB, senador João Alberto, para passar-lhe a recomendação sobre a instalação de um comitê do candidato emedebista em São Luís. A conversa não havia prosperado até a semana passada. Se emissários do candidato do MDB à presidência da República estiverem de fato a caminho de São Luís para tratar do assunto, é sinal de que um acordo foi fechado pelo presidenciável com a cúpula nacional e os candidatos nos estados. Vale anotar que até ontem a propaganda de Roseana Sarney na TV estampou imagens dela ao lado do ex-presidente Lula da Silva (PT), que por sua vez mandou um recado aos maranhenses, através do agora candidato do PT a presidente, Fernando Haddad, de que o candidato dele no Maranhão é o governador Flávio Dino (PCdoB).

São Luís, 12 de Setembro de 2018.

Candidatura de Haddad fortalece aliança PT/PCdoB, dá mais força a Dino e recrudesce ataques do Grupo Sarney

 

Fernando Haddad (tendo ao lado a mulher Ana Estala Haddad), Flávio Dino e a vice Manuela D`Ávila: unirão forças para atrair o eleitor de Lula para o petista

Martelo batido: com o aval do ex-presidente Lula da Silva, que assim sai da caça ao voto, o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad é o candidato do PT à presidência da República, tendo a deputada gaúcha Manuela D`Ávila (PCdoB) como vice. A decisão, tomada ontem em Curitiba, deve provocar alterações fortes nessa corrida após o choque causado pelo esfaqueamento do líder nas pesquisas Jair Bolsonaro (PSL). O novo cenário, referendado pela cúpula do PT com o aval do comando do PCdoB, envolve diretamente o governador Flávio Dino (PCdoB), que foi um dos principais articuladores da aliança PT/PCdoB. Ele vai intensificar sua campanha em todo o estado, agora levando junto Fernando Haddad, de modo a torná-lo o mais conhecido possível como “o candidato do Lula”, tarefa gigantesca para a qual deve contar com o apoio do braço maranhense do PT, que agora ganha um norte.

Por conta da sua relação pessoal e politicamente afinada com o ex-presidente Lula, Flávio Dino fez o que esteve ao seu alcance, no campo político, para viabilizar a candidatura do líder petista, mesmo sabendo, como ex-juiz federal, que ele estava irremediavelmente privado dos seus direitos políticos, portanto inelegível. O governador se expôs, colocou-se contra a condenação, defendeu os recursos, mesmo sendo eles protelatórios, articulou movimento de governadores em defesa do ex-presidente e visitou-o na prisão em Curitiba, tornando-se reconhecido como uma das vozes mais elevadas em favor do direito de o líder petista ser candidato a presidente. Ao mesmo tempo, Flávio Dino teve participação decisiva na decisão do PCdoB de manter a aliança com o PT e na indicação da deputada Manuela D`Ávila, que era a candidata comunista a presidente, a tornar-se a representante do seu partido na chapa liderada por Fernando Haddad.

Agora, superadas as dificuldades formais e tomadas as decisões políticas, Flávio Dino vai encarar o desafio de levar o nome de Fernando Haddad a todos os rincões do Maranhão onde estão os milhares e milhares de eleitores de Lula da Silva ainda não familiarizados com a situação e a substituição. O ex-prefeito de São Paulo, que já viveu a delícia de vencer e o amargor de perder uma eleição, tem plena consciência do desafio gigantesco que é transformar-se num candidato viável, e por isso deve entrar de cabeça na campanha, recebendo o apoio do governador e seu grupo e dando a contrapartida, que é o apoio integral do PT ao aliado. Os dois líderes sabem que as dificuldades são enormes – como a “onda” Jair Bolsonaro, por exemplo. Mas avaliam também que é perfeitamente possível vencê-las e transferir para o presidenciável petista pelo menos a grande maioria dos mais de 70% das intenções de voto em Lula no Maranhão, o que pode representar, grosso modo, algo em torno de 1,5 milhão de sufrágios.

Todas as avaliações descompromissadas e isentas que chegaram até agora o conhecimento da Coluna apontam para uma aliança destinada a ser bem sucedida nas urnas. Mas anotam, em tom de alerta, que não será um “passeio” sem percalços. A começar pelo fato de que, com a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) enfrentando dificuldades para repetir as performances de outros tempos e sem contar com uma referência incentivadora na corrida presidencial, o Grupo Sarney tende a recrudescer seus ataques ao governador Flávio Dino, como deixou bem claro na entrevista de ontem na TV Mirante, com o evidente objetivo de fragilizá-lo diante do candidato petista. Muito provavelmente concebida pela astúcia tarimbada do ex-presidente José Sarney, que não engole perder o controle do filé eleitoral lulista no estado, a estratégia de tentar desconstruir Flávio Dino é meta. O problema é que o governador fincou bases sólidas na política maranhense, é um combatente inteligente, acreditado e tenaz, difícil, portanto, de ser abatido.

O fato é que a definição da candidatura de Fernando Haddad a presidente da República e sua aliança entusiasmada com o governador Flávio Dino terá forte repercussão na corrida eleitoral no Maranhão. Reforçará, sem dúvida, o poder de fogo do governador na busca da reeleição, mas aumentará consideravelmente a determinação dos adversários de minar sua caminhada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Desempenho de Ciro Gomes entusiasma pedetista e pode reagrupar a aguerrida militância brizolista

Ciro Gomes. com Weverton Rocha,pode restaurar a força da militância pedetista

A pesquisa do Ibope divulgada ontem pela Rede Globo alimentou o entusiasmo do comando estadual do PDT com a candidatura presidencial do ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes. Mesmo embolado com Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes tem demonstrado fôlego e disposição para enfrentar Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno, que parece ser até aqui a única certeza dessa corrida ao Palácio do Planalto. Pedetistas que a princípio não demonstravam muito entusiasmo com a candidatura do ex-governador do Ceará, principalmente por conta da sua proverbial incapacidade de controlar a língua e seu gênio explosivo, agora se mostram animados com a possibilidade concreta de o candidato do PDT chegar ao Palácio do Planalto dando uma surra de votos em Jair Bolsonaro na “segunda volta” como dizem os portugueses, conforme apontam todas as pesquisas feitas recentemente. Há até quem aposte numa remota, mas possível, mobilização de pedetistas maranhenses da velha guarda, que se afastaram do partido após a morte do líder Jackson Lago em 2012, em torno do presidenciável. A evolução da campanha e os percentuais das pesquisas poderão mesmo reagrupar a grande e aguerrida militância da versão maranhense do brizolismo, que tem feito muita falta na política do Maranhão, especialmente em São Luís.

 

Listas já indicam favoritos para a reeleição na Assembleia Legislativa

Othelino Neto lidera o time dos favoritos, que incui Roberto Costa, Adriano Sarney e Marco Aurélio

Já são várias as listas de favoritos para a Assembleia Legislativa, e em todas elas alguns nomes aparecem como certos. Entre os que estão em busca de reeleição, o presidente Othelino Neto (PCdoB) é até aqui o mais destacado, seguido de Roberto Costa (MDB), Fábio Macedo (PDT), Marco Aurélio (PCdoB), Ana do Gás (PCdoB), Wellington do Curso (PSB), Adriano Sarney (PV), Rogério Cafeteira (DEM), Rigo Teles (PV), César Pires (PV), Edivaldo Holanda (PTC), Glaubert Cutrim (PDT) e Leo Cunha (PSC) são tidos como nomes certos. É claro que há nomes de peso, como Antonio Pereira (DEM), Neto Evangelista (DEM), Valéria Macedo (PDT), Levi Pontes (PCdoB), Rafael Leitoa (PDT) e Fábio Braga (SD), que podem figurar em qualquer lista, mas os do primeiro time de nomes têm frequência maior nas tais listas, o que para observadores são indicativos de que eles estão politica e eleitoralmente mais bem calçados.

São Luís, 11 de Setembro de 2018.

Presidência: Ciro e Haddad fortalecem posição de Dino; Roseana fica sem elo na corrida ao Palácio do Planalto

 

Flávio Dino conta com Fernando Haddad e Ciro Gomes, Roberto Rocha está fechado com Geraldo Alckmin, Maura Jorge vive os altos e baixos de Jair Bolsonaro, e Roseana Sarney está isolada da corrida presidencial

A pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial divulgada ontem pela Rede Globo injetou mais ânimo no comando da campanha do governador  Flávio Dino (PCdoB) à reeleição, manteve estável o QG do candidato do PSDB, senador  Roberto Rocha; aumentou as preocupações da candidata do PSL, Maura Jorge, e em nada alterou a posição da candidata do MDB, Roseana Sarney, em relação à corrida pelo Palácio do Planalto. O governador Flávio Dino viu dois aliados, Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT), melhorarem sensivelmente suas posições no ranking dos presidenciáveis, um vencendo e o outro empatando com Jair Bolsonaro (PSL) num eventual segundo turno. Roberto Rocha anotou a oscilação para cima de Geraldo Alckmin e a provável vitória dele no segundo turno contra qualquer um. Maura Jorge festejou a leve subida de Jair Bolsonaro, mas logo desacelerou diante da informação contundente de que ele dificilmente será presidente, porque perde para todos no segundo turno. E a ex-governadora Roseana Sarney se manteve absolutamente fora de contexto na disputa pelo Palácio do Planalto com a virtual saída do ex-presidente Lula da Silva (PT) do quadro de candidatos e a inexpressividade eleitoral do candidato do seu partido, Henrique Meirelles (MDB), nas preferências do eleitorado.

O governador Flávio Dino não tem do que se queixar no grande cenário da corrida eleitoral. Primeiro porque lidera com folga a corrida no Maranhão, e depois, se reeleito, poderá ter um aliado forte na presidência da República, o petista Fernando Haddad, seu parceiro formal, que agora está entrando para valer na corrida presidencial, saltando de 4% para 9%, segundo o Datafolha, isso ainda na condição de vice do ex-presidente Lula, ou Ciro Gomes, que subiu para 13%, passando a ser o segundo na preferência do eleitorado e tornando-se o virtual adversário de Jair Bolsonaro no 2º turno. Fernando Haddad aposta alto numa parceria com Flávio Dino e vice-versa, enquanto Ciro Gomes não esconde sua admiração pelo governador maranhense, a ponto de ter declarado, meses atrás, que ele “foi a melhor coisa que já aconteceu na política brasileira nos últimos tempos”, mantendo essa posição mesmo diante da aliança dele com o ex-presidente Lula e, por via de desdobramento, com Fernando Haddad. Reeleito, Flávio Dino poderá ainda construir uma relação sólida e produtiva com Marina Silva (Rede), caso ela chegue ao Palácio do Planalto. O comunista encontra-se, pois, numa situação confortável em relação à corrida presidencial, o que lhe dá uma grande margem de movimentação política, podendo até mesmo reforçar sua vantagem eleitoral.

O cenário produzido pela pesquisa Datafolha não alterou substancialmente o ânimo do candidato tucano Roberto Rocha, uma vez que Geraldo Alckmin permanece embolado com Ciro Gomes, Marina Silva e agora também com Fernando Haddad. Roberto Rocha tem exibido confiança no cacife do presidenciável tucano, acreditando piamente que Geraldo Alckmin irá para o segundo turno com Jair Bolsonaro, e ele, Roberto Rocha, será o adversário do governador Flávio Dino num até aqui improvável 2º turno no Maranhão.

A candidata do PSL, Maura Jorge, vive uma situação em que alterna ânimo de paraíso e de purgatório, à medida que, ao mesmo tempo em que a pesquisa mostra seu candidato Jair Bolsonaro na cabeça da corrida presidencial com 24% das preferências do eleitorado, o vê também perdendo para todos os principais adversários num eventual 2º turno. Mais do que isso, a pesquisa encontrou Jair Bolsonaro como estratosféricos 43% de rejeição, uma indicação segura de que ele dificilmente ultrapassará o patamar dos 25% de preferência. Até agora, a posição de Jair Bolsonaro não injetou gás na candidatura da ex-prefeita de Lago da Pedra, que mesmo assim continua tentando decolar, sem sucesso até agora.

A pesquisa Datafolha complicou mais ainda a posição da ex-governadora Roseana Sarney em relação à corrida presidencial, à medida que o ex-presidente Lula da Silva foi substituído por Fernando Haddad como o nome do PT e, pior, o candidato do MDB, Henrique Meirelles, simplesmente não deu sinais de que irá a algum lugar nessa disputa. Roseana Sarney sabe que, por mais forte que seja o seu cacife político/eleitoral – que já foi muito maior, não há lugar para omissões nesse tabuleiro. Excluir-se da campanha presidencial é como impor-se uma espécie de flagelo que pode produzir duras consequências políticas. E chama a atenção o fato de que a candidata do MDB não dá sinais de que esteja se articulando nessa seara.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ricardo Murad avisa que se Roseana for eleita ele vai dar as cartas na Saúde

Ricardo Murad avisa que comandará a Saúde se Roseana Sarney for eleita

Se a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) voltar ao poder, o ex-deputado estadual Ricardo Murad (PRP), agora candidato a deputado federal, deverá ser de novo o todo-poderoso secretário de Estado da Saúde. Essa possibilidade foi levantada por ele próprio em vídeo que está sendo veiculado no horário eleitoral gratuito na TV, no qual fala maravilhas da sua gestão da área de Saúde do último Governo de Roseana Sarney, diz que “aí veio o Flávio Dino e acabou com tudo”, para concluir, taxativo: “Eu e a Roseana vamos reconstruir e fazer muito mais pelo Maranhão”. Chama a atenção na última frase de Ricardo Murad o fato de ele ser categórico e colocar-se no primeiro plano da ação de um Governo que é até aqui uma possibilidade remota, dando a impressão de que, se esse projeto eleitoral vingar, ele será o grande protagonista da área de Saúde, ficando a eventual governadora em segundo plano. Pode ser que Ricardo Murad não tenha se dado conta de que se colocou à frente da eventual chefe de Governo na sua propaganda, o que é improvável por se tratar de um político experiente e dono de um discurso inteligente e bem articulado, que dificilmente cometeria uma gafe dessas numa peça de uma campanha em que um segundo de TV tem peso, principalmente quando o candidato é um Ricardo Murad.

 

Edison Lobão mostra feitos e destaca a Avenida Litorânea como uma grande marca

Edison Lobão e sua maior obra na Ilha de Upaon Açu:, a Avenida Litorânea

O senador Edison Lobão (MDB) vem dando mostras de que sabe o que fazer numa corrida eleitoral. Depois de mostrar seu posicionamento atual, com a condição de ex-ministro de Minas e Energia dos Governos Lula e Dilma Rousseff (PT), assim como o de atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado da República, Lobão vem agora mostrando obras fundamentais que realizou quando governou o Maranhão. O item mais forte recordado até aqui é a Avenida Litorânea, que foi oficialmente batizada de Avenida Governador Edison Lobão. Quando assumiu o Palácio dos Leões em abril de 1991, encontrou a base – quilômetros de blocos de granito trazidos de Rosário – pronta, deixada pelo governador Luis Rocha e solenemente ignorada pelo seu sucessor, governador Epitácio Cafeteira, que preferiu investir na construção da Avenida dos Holandeses, deixando prontos os acessos à futura avenida. Lobão não perdeu tempo, correu atrás e conseguiu os recursos para implantar o complexo, abrindo caminho para que São Luís fosse dotada de uma artéria margeando hoje mais de 10 quilômetros de praias, transformando esse corredor numa das orlas mais belas e bem equipadas do País. Difícil medir forças com Edison Lobão quando o tema do debate são realizações.

São Luís, 10 de Setembro de 2018.

 

Campanha na TV: Flávio Dino promete fazer mais escolas e hospitais; Roseana Sarney quer bancar leite, luz e gás para pobres

 

Flávio Dino defende a continuidade do seu Governo, Roseana promete programas sociais assistencialistas na campanha na TV

É verdade que a corrida ao voto pelos canais agitados e perigosos das redes sociais já influencia expressiva fatia do eleitorado maranhense, como também é verdadeira a avaliação de que comícios, carreatas e caminhadas, no chamado corpo-a-corpo, têm parcela forte de poder para atrair o eleitorado, mas ninguém duvida que a campanha pelas vias do Rádio e da TV no horário eleitoral gratuito é ainda o meio mais eficiente para alcançar o coração e a mente do eleitor. Nesse contexto, passada a primeira semana do uso dos meios eletrônicos pelos candidatos às eleições de outubro, é possível definir suas linhas de ação ao Governo do Estado, especialmente do governador Flávio Dino (PCdoB), que busca a reeleição, e da ex-governadora Roseana Sarney (MDB), que tenta voltar ao poder após 14 anos como detentora dele no Maranhão. São campanhas distintas, com enfoques absolutamente diferentes, que rascunham claramente as linhas de ação de cada um dos candidatos, caso cheguem ao comando do Estado.

Líder das pesquisas – umas preveem vitória no 1º turno, outras apontam para dois turnos -, o governador Flávio Dino tem o seu Governo e a virada política em curso no Maranhão, por ele comandada, como os principais motes do seu discurso de campanha. O candidato do PCdoB mostra os avanços em áreas básicas como educação, enfatizando programas avançados como a escola de tempo integral, a Escola Digna e dos Iemas, que de fato estão fazendo diferença; a saúde, destacando a implantação de seis hospitais regionais já em funcionamento; e a segurança, com a incorporação, por concurso público, de mais 3.500 novos policiais militares, bem como o aparelhamento do efetivo policial, e por aí vai. O governador argumenta que o Maranhão deixou de receber R$1,5 bilhão do Governo Federal por conta da crise, mas que, mesmo assim, cumpriu mais de 90% dos compromissos de campanha, feito ironicamente reconhecido pelo portal de notícias G1, do Sistema Globo, normalmente cheio de má vontade explícita para com o governador do PCdoB.

No campo político, Flávio Dino avança embalado por uma aliança com 16 partidos, num arco que abarca partidos como o DEM e o PT, e com o apoio integral do ex-presidente Lula da Silva, consolidado pelo “recado aos maranhenses” dado pelo vice e virtual substituto do líder petista, Fernando Haddad, duas semanas atrás em São Luís. No seu discurso, o governador enfatiza que há uma grande mudança em curso no estado, fustiga a “oligarquia” e dispara afirmando que “o Maranhão não será mais governado por uma, duas ou três famílias”, referindo-se aos Sarney, aos Lobão e aos Murad. O candidato simboliza essa virada ao exibir a Casa de São Marcos, antiga residência de veraneio dos governantes maranhenses, agora transformada na Casa Ninar, uma clínica para tratamento de crianças com síndromes especiais. Numa metáfora provocativa, tem dito que os leões palacianos, que antes rugiam para o povo, hoje rugem a  favor dos “invisíveis”, dos “excluídos”. E mesmo sendo o epicentro do movimento, o candidato Flávio Dino raramente fala na primeira pessoa – “eu isso, eu aquilo” -, preferindo usar o “nós isso, nós aquilo”, dando a impressão de que o seu Governo é uma obra coletiva.

Por sua vez, a candidata Roseana Sarney faz uma campanha fortemente personalista, explorando sua imagem como pessoa, como gestora e como líder política, apostando todas as suas fichas no seu carisma e na ideia de que se identifica plenamente com as massas, dando enfoque à linha de ação voltada para “dar aos pobres”. Até agora, a candidata vem mantendo na TV um cara a cara com o telespectador-eleitor no qual garante que, se eleita for, ressuscitará programas como o de distribuição de leite e de quitação da conta de luz, acrescentando a promessa de bancar o gás de cozinha dos pobres, numa visão de assistencialismo extremo, que reforça com vídeos nos quais pessoas carentes falam desses programas como a redenção das suas vidas. A esse mote a emedebista acrescenta a promessa de “trazer grandes indústrias, para gerar emprego”. Roseana Sarney tem anunciado enfaticamente que vai reduzir impostos, “principalmente o ICMS”, isso num contexto em que os estados se debatem contra a perda de receita.

Na seara política, Roseana Sarney enfrenta, como em 2006, a erosão da sua força político-partidária, que vem resumindo a aliança que lidera com seis partidos. E está mergulhada numa gigantesca contradição com o fato de que seu partido tem um candidato a presidente da República, Henrique Meirelles, mas ela tenta a todo custo alimentar a ideia de que mantém laços com o ex-presidente Lula, situação que tem sido constrangedora para ela e seus aliados. Avalia que deu um tiro certeiro ao chamar para vice o empresário tocantino Ribinha Cunha (PSC), mas as pesquisas feitas até aqui não indicaram se a escolha foi  eleitoralmente produtiva. É fato que a candidata emedebista tem cacife próprio, traduzidos em nada desprezíveis 30% de intenções de votos, o que a torna uma candidata competitiva, mas não o suficiente – pelo menos até aqui -, para virar o jogo em relação ao favorito Flávio Dino. Conta para isso, segunda prega, com o apoio das mulheres, “que devem estar na linha de frente”.

As duas campanhas vêm traduzindo com fidelidade as personalidades e as intenções dos dois candidatos mais bem posicionados nas preferências do eleitorado. Com o diferencial de que governador Flávio Dino se move sobre a plataforma bem estruturada de um Governo em curso, enquanto que a ex-governadora Roseana Sarney, com o recall de 14 anos de poder, se apresenta, ela própria, como a garantia que resolverá “os maiores problemas do Maranhão”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Rocha brecado por Maura Jorge e vice-versa

Roberto Rocha empatado com Maura Jorge e Odívio Neto com Ramon Zapata

Nas suas primeiras semanas de campanha, o candidato Roberto Rocha (PSDB) e a candidata Maura Jorge (PSL) rivalizaram na ocupação da terceira posição, curiosamente sem travar um embate isolado, tendo ambos apontados seus canhões verbais para os líderes da corrida até aqui.

Roberto Rocha fez até agora uma campanha dosada com estocadas no favorito Flávio Dino e ensaios de disparos não concretizados contra Roseana Sarney. Ao mesmo tempo, o candidato tucano tem sido também propositivo, apresentado a base de um programa de Governo que chama de “Caderno de Boas Ideias”, sem detalhar tais ideias até agora. O tucano também se movimenta lastreado pela candidatura presidencial do seu partido, encarnada por Geraldo Alckmin, que não dá sinais de que vai deslanchar no Maranhão. Até agora, Roberto Rocha não encontrou o discurso e a rota que podem levá-lo a, pelo menos, sair da posição vexatória e incompatível com um candidato da sua estatura.

No plano inverso, a candidata Maura Jorge (PSL), que não dispõe de tempo nem de recursos, valendo-se quase que exclusivamente da sua aliança com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), faz uma campanha com alguma inteligência, puxando pelo campo do humor escrachado. E assim se mantém como um obstáculo difícil de ser removido por Roberto Rocha. Maura Jorge não apresentou até agora nenhuma ideia de programa de Governo, repetindo um apanhado de frases de feito sobre saúde, educação segurança e outros temas, sem, no entanto, mostrar um projeto concreto para o seu eventual Governo. Sua grande façanha até agora foi fazer sombra para o tucano Roberto Rocha.

Ramon Zapata (PSTU) e Odívio Neto (PSOL) não fugiram da linha radical de esquerda: querem re-estatizar todas as empresas privatizadas, a começar pelo Banco do Estado do Maranhão. Pregam uma revolução que levará a “classe trabalhadora” ao poder, com base nos postulados de Lênin na Revolução Russa de 1917, entre eles a extinção da propriedade privada.

 

São Luís ganha de volta a Pedro II nova em folha e com a musa Mãe D`Água da Amazônia

Dois ângulos da Praça Pedro II restaurada com a imagem da Mãe D`Água Amazônica

Depois de pelo menos duas décadas abandonada à própria sorte, quando amargou longas temporadas sem ser alcançada por uma gota de água, valendo-se somente dos pingos de chuva, a Mãe D`Água Amazônica, a linda deusa indígena com delicados pés de rã esculpida por Newton Sá, voltou a sorrir no centro da piscina onde mora desde os anos 50, no meio da Praça Pedro II, no centro velho de São Luís. A magia do renascimento aconteceu na noite de sexta-feira, num ato em que o prefeito Edivaldo Jr. (PDT), o grande responsável pelo feito, e a presidente nacional do Iphan, Kátia Bogéa, descerraram a placa inaugurando a reforma de um dos mais belos e especiais logradouros localizados no coração da Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. A restauração da Praça e a devolução do sorriso da Mãe D`Água Amazônica, transformando-a novamente numa das muitas e sedutoras musas que povoam as entranhas de pedra, barro e cal da mais bela joia urbana da Ilha de Upaon Açu, é o resultado de uma bendita parceria da Prefeitura de São Luís com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que em breve também vai reabrir ao público a emblemática Praça Deodoro, completamente restaurada e modernizada.

São Luís, 09 de Setembro de 2018.

 

Othelino Neto avança em busca da reeleição e prevê que Flávio Dino e a aliança que lidera vencerão as eleições

 

Othelino Neto se desdobra para conciliar as agendas de presidente do Poder Legislativo com a de candidato à reeleição

Em meio a uma guerra sem trégua pelo voto num cenário em que serão eleitos o presidente da República, o governador do Estado, dois senadores, 18 deputados federais e 42 deputados estaduais, e cujo desfecho ocorrerá em um mês, o presidente do Poder Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB) se desdobra para conciliar o comando da Casa e a corrida em busca de votos e avalia que seu grupo, que é, liderado pelo governador Flávio Dino (PCdoB), sairá das urnas vitorioso. Bem situado entre os que formam o primeiro time dos que devem ser bem votados, o chefe do parlamento estadual mostra equilíbrio nas suas avaliações e segurança nas suas conclusões, preferindo atuar com a lógica do que com o “chute” aleatório, e por isso prevê que a renovação da Assembleia Legislativa será de 30% a 40%. Foi o que deixou claro numa conversa com a Coluna, na manhã de Quinta-Feira, ao avaliar que o governador Flávio Dino (PCdoB) tem cacife político e preferência eleitoral suficientes para se reeleger no 1º turno, numa vitória que deve  refletir-se  na grande coligação que lidera.

Sereno na postura e cuidadoso com as palavras, como quem sabe que não pode cometer equívocos, o jovem presidente da Assembleia Legislativa fez o seguinte desenho verbal da guerra política e eleitoral em curso no âmbito do grupo a que pertence, respeitando os candidatos adversários:

“As pesquisas têm mostrado que se desenha uma liderança com uma relativa margem de segurança para o governador Flávio Dino, que hoje pontua com cerca de 60% dos votos válidos, ou seja, venceria a eleição no primeiro turno. Esse foi o quadro do início da campanha com a propaganda eleitoral gratuita. Eu acredito que, por termos o maior grupo político e também por termos o maior tempo de televisão, além do fato de que o governador Flávio Dino tem o trunfo de um Governo bem sucedido, com uma longa lista de obras, de realizações nas áreas de infraestrutura, saúde, educação, segurança e transparência. E agora com a oportunidade que ele tem de mostrar, no horário eleitoral e nas caminhadas pelo estado, aquilo que fez pelo Maranhão, eu creio que a tendência natural é que se consolide a eleição do governador no primeiro turno”.

Com a mesma sensatez que vem moldando sua conduta política e de chefe de Poder, sendo visto até por adversários como “uma boa surpresa”, exatamente por se mostrar conhecedor das filigranas que movem o parlamento estadual, o presidente Othelino Neto faz um prognóstico firme do que deve acontecer na composição da Assembleia Legislativa:

“Toda previsão em período eleitoral é um pouco de exercício de adivinhação. Mas, olhando a movimentação de cada deputado, é possível prevê que a renovação na Assembleia Legislativa será pequena, entre 30% e 40%, considerando que tem colega que não disputará a reeleição, mas que deixaram candidatos da família, o que não se pode considerar exatamente uma renovação. Por exemplo, o deputado Josimar  Maranhãozinho (PR) é candidato a deputado federal e a esposa dele, Detinha (PR), é candidata a deputada estadual, e creio que os dois se elegerão. Nessa circunstância, o deputado Stênio Resende (DEM) não será mais candidato, mas lançou sua esposa, Andrea Resende (DEM); a deputada Graça Paz (PSDB) saiu, para ser candidata a vice-governadora,  mas lançou o filho, Leonardo Paz (PSDB); e o (ex-)presidente Arnaldo Melo (MDB) será candidato no lugar da filha, deputada Nina Melo (MDB), também com boas condições de conquistar o mandato. Então, acho que  a renovação vai ser entre 30% e 40%.

Antes visto como um nome de futuro, o deputado Othelino Neto ganhou outra dimensão no cenário político estadual desde que assumiu o comando do Poder Legislativo, em Janeiro, com a morte do presidente Humberto Coutinho (PDT ), tornando-se o grande articulador da Casa e surpreendendo pela habilidade com que vem cuidando das relações no parlamento. Provocado, ele se situa no cenário da guerra eleitoral:

“Eu sou, acima de tudo, um militante político, entusiasmado com o grupo do qual faço parte, sob a liderança do governador Flávio Dino. Acredito que estamos transformando o Maranhão para melhor, pois foi a isso que nos propusemos, e é essa a nossa missão. Acredito que os maranhenses  reconhecem isso, pelo que eu tenho visto em pesquisa e nas ruas a aprovação do governador. Acredito também que apresentamos para o Maranhão os dois melhores nomes para o Senado, o deputado federal Weverton Rocha, que se destaca hoje nacionalmente como líder da Oposição ao Governo Temer, que assumiu posições muito fortes na Câmara dos Deputados contra a reforma trabalhista e contra a cassação da presidente Dilma Rousseff, por exemplo, e a deputada federal Eliziane Gama, que foi uma excelente deputada estadual e tem também um mandato vibrante na Camara Federal. Nós apresentamos para o Maranhão um jovem político e uma jovem política comprometidos com o futuro do Maranhão”.

Ciente de que prestígio eleitoral se conquista no contato direto com o eleitorado, o deputado Othelino Neto tem cumprido uma surpreendente agenda de campanha, que começou no dia 16/08 em São Félix de Balsas e passou por Monção (18/08), Vargem Grande (21/08), Santa Helena (24/08), Grajaú (25/08), Barreirinhas (28/08), São Vicente Ferrer (30/08), Peri-Mirim (31/08), Presidente Sarney (1º/09), Anajatuba (04/09) e Conceição do Lago Açu (06/09). E deu a largada na campanha em São Luís na quinta-feira à frente de uma grande caminhada na Vila Palmeira, avançando numa maratona que alcançará ainda vários municípios nas próximas semanas e que fará com que saia das urnas como um dos mais bem votados, segundo prognósticos que correm nos bastidores da peleja eleitoral.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Líderes maranhenses se solidarizaram com Jair Bolsonaro

 

Todos os líderes da política maranhense, a começar pelo governador Flávio Dino, manifestaram solidariedade a Jair Bolsonaro, candidato do PSL a presidente da República, por verem no episódio do esfaqueamento que quase lhe tirou a vida durante ato de campanha eleitoral em Juiz de Fora (Minas Gerais). De um modo geral, esses líderes se preocuparam com o risco de morte a que o presidenciável foi submetido, como também se manifestaram no sentido de que se tratou de um ato isolado, radicado por um sujeito desequilibrado, o que afastou a impressão de que poderia ter sido um atentado contra o estado democrático de direito que garante a democracia plena no Brasil de hoje.

 

A Coluna errou

Na edição de ontem (07/09), a Coluna foi induzida a um erro ao afirmar que o governador Flávio Dino licenciou-se por 30 dias para se dedicar integralmente à campanha eleitoral. Na verdade, o chefe do Poder Executivo cumpriu uma formalidade e comunicou formalmente à Assembleia Legislativa que se licenciará do cargo apenas no dia 6 de Outubro, véspera das eleições. O erro decorreu do fato de que a informação fora obtida de maneira indireta, sem acesso ao documento, o que gerou o equívoco de interpretação. A Coluna pede desculpas aos seus leitores, a começar pelo governador Flávio Dino, que, ao contrário do que foi divulgado, permanecerá no cargo durante toda a campanha eleitoral, fazendo seguidos ajustes logísticos para conciliar os compromissos de candidato à reeleição com os de chefe de Estado e de Governo. A Coluna mantém integralmente todos os comentários e observações contidas no post na edição de ontem.

São Luís, 08 de Setembro de 2018.