Com vitória magra, Erlânio mantém Weverton na Famem, num pleito em que Gentil e Brandão mostraram força

 

Erlânio Xavier, ao lado do vice Luciano Genésio, comemora a vitória que fortalece Weverton Rocha

Deu a lógica do favoritismo pré-eleitoral, mas não ocorreu o “massacre” anunciado: com 112 votos (53,8%) contra 96 (46,2%) do prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), o prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT), foi reeleito presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem). Foi, de longe, a eleição mais movimentada e politicamente legítima e intensa realizada na entidade nos últimos tempos, tendo lhe devolvido a marca de organização municipalista corporativa, mas de grande peso no tabuleiro da política estadual. Em meio a bandeiraços e torcidas organizadas e a um frenético jogo de conchavos, nada menos que 213 dos 217 prefeitos participaram, dos quais cinco invalidaram seus votos, resultando na apuração de 208 votos válidos. Tal movimentação pode ser explicada pelo grande pano de fundo que motivou a disputa: a guerra evidente entre o senador Weverton Rocha (PDT), apoiador do presidente Erlânio Xavier, e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), incentivador de Fábio Gentil. E nesse ponto o líder pedetista levou a melhor.

Foi uma vitória indiscutível, mas bem menor do que os 150 votos previstos por seus partidários. Atuando com um braço forte no viés municipalista da entidade e com outro na estruturação municipal do projeto de poder do senador Weverton Rocha, o presidente Erlânio Xavier fez um bom trabalho no primeiro mandato e vinha em campanha aberta pela reeleição. Incentivado pelo vice-governador Carlos Brandão, o prefeito caxiense Fábio Gentil, ao contrário, só entrou na disputa recentemente – após inclusive ter enfrentado a Covid-19 -, o que tornou sua votação surpreendente. Sua entrada interrompeu uma articulação que pretendia minar outras candidaturas, criando uma situação que pudesse levar à reeleição por consenso, como aconteceu em 2016.

Político experiente, o presidente Erlânio Xavier conhece bem o terreno onde vem pisando. Sabe que sua votação não foi consagradora, mas a renovação do mandato lhe garantiu a oportunidade de fortalecer o projeto de poder do senador Weverton Rocha, que é o seu objetivo maior. Sim, porque quase ninguém o conhece como o bom prefeito da pequena Igarapé Grande (12 mil habitantes), reeleito com 90% dos votos. Sua estatura política está direta e indelevelmente ligada ao senador Weverton Rocha, que o fez vice-presidente do PDT e coordenador de todas as suas ações políticas e eleitorais. A presidência da Famem o tirou da sombra do senador, deu-lhe a oportunidade de se mostrar um bom articulador – que ele aproveitou bem, diga-se -, mas não lhe deu espaço para exercer ainda a sua própria liderança. Daí ser geral a certeza de que no comando da Famem ele segue a orientação política do senador Weverton Rocha. A ameaça que fez de retaliação ao vice-governador Carlos Brandão – “Lá na frente ele vai ver!”-, na véspera do pleito, dá bem a medida dessa relação.

O pleito municipalista produziu outro fato político importante: o crescimento do prefeito Fábio Gentil no cenário estadual. Eleito prefeito de Caxias (166 mil habitantes) em 2016 contra o poder avassalador do Grupo Coutinho, ele fez um mandato diferenciado, independente, com resultados excepcionais, foi reeleito com 75% dos votos, consolidando sua liderança política no município e na região Leste. A candidatura à presidência da Famem, definida quando o concorrente já vinha em campanha aberta pela reeleição, lhe deu a oportunidade de exercer o seu poder de articulação e, ao mesmo tempo, atuar no âmbito estadual. Portanto, qualquer avaliação politicamente isenta concluirá que Fábio Gentil, mesmo não tendo vencido a eleição, saiu-se bem politicamente. Os 96 votos que recebeu, quando aliados do presidente apostavam que ele seria massacrado, ainda que significando uma derrota pontual, deram-lhe estatura política para ter assento na mesa de decisões da própria Famem e fora dela. Saiu do pleito, portanto, como uma nova liderança no Maranhão.

Nesse contexto, a posição do vice-governador Carlos Brandão é parecida. Seu candidato não ganhou a eleição, mas também não perdeu o que não tinha. Se de um lado viu o seu adversário na corrida sucessória ser mantido no comando político da Famem, o que configura, indiscutivelmente, uma clara desvantagem política, de outro obteve a preciosa informação de que os prefeitos maranhenses estão divididos em duas grandes correntes. Um jogo que pode ser zerado em abril do ano que vem, quando ele assumir o comando do Estado e confirmar sua candidatura à reeleição.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Festa, envolvimento surpreendente e quebra de tabu na republicana eleição na Famem

Alguns fatos relevantes foram registrados na importante eleição para o comando da Famem. Eles a tornaram um pleito diferente, republicano e sem amarras, mesmo tendo como pano de fundo a guerra pelo Palácio dos Leões.

Festa – Não há como não registrar que a eleição transcorreu dentro do “normal político”, com bandeiraços, charangas, cabos eleitorais e todos os ingredientes de uma eleição. Os candidatos e os eleitores se movimentaram e se expressaram naturalmente, sem a preocupação. Tudo aconteceu dentro do jogo democrático.

Cabo eleitoral – Chamou a atenção a participação ostensiva do deputado federal Juscelino Filho, presidente estadual do DEM, como cabo eleitoral do presidente Erlânio Xavier. A surpreendente postura do parlamentar de Vitorino Freire é explicada pela aliança nacional do PDT com o DEM, que no Maranhão resultou no desastre eleitoral que foi o projeto de eleger o deputado Neto Evangelista (DEM) prefeito de São Luís, perda em parte compensada pelo acordo subterrâneo que facilitou a anêmica reeleição do prefeito de Imperatriz, Assis Ramos (DEM). A forte participação de Juscelino Filho visou o fortalecimento do senador Weverton Rocha.

Tabu quebrado – Uma das presenças mais notadas na sede da Famem foi a do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), que foi efusivamente cumprimentado por colegas, abraçou os dois candidatos a presidente e votou sem dizer em quem. Com o movimento, que atraiu as atenções e foi muito comentado, o prefeito de São Luís sinalizou que, ao contrário da maioria dos seus antecessores, vai participar das ações municipalistas, podendo ser uma voz de muito peso dentro da entidade. Vale aguardar.

 

Dino confirma que Maranhão ajudará o Amazonas e diz que responsáveis pagarão pelo caos país

Flávio Dino: apoio ao Amazonas

O Maranhão vai receber alguns amazonenses com Covid-19 e poderá enviar ao Amazonas alguns insumos para ajudar no esforço que está sendo feito para debelar a situação de caos causada pelo aumento assombroso dos casos da doença e do colapso que atingiu a rede hospitalar de Manaus, onde está faltando oxigênio. O anúncio foi feito pelo governador Flávio Dino (PCdoB), cujas ações planejadas e eficientes do seu Governo colocou o Maranhão entre os estados que melhor enfrentaram a pandemia do novo coronavírus.

– Impossível não se indignar e não se emocionar. O Maranhão está pronto para ajudar no que for necessário, como já informei ao governador Wilson (Lima) –  declarou o governador maranhense em entrevista ao portal Radar, ontem à noite, em meio a repercussão da caótica situação amazonense.

Flávio Dino manifestou mais uma vez sua indignação e chamou de “irresponsáveis” os que tratam a Covid-19 como uma “gripezinha”. Para o governador do Maranhão, os negacionistas que contribuíram para que a situação chegasse onde chegou no País devem pagar “pelo caos perante os tribunais, perante a história e perante Deus”.

São Luís, 15 de Janeiro de 2021.

 

Força do viés político faz da eleição da Famem um duro embate entre Weverton Rocha e Carlos Brandão

 

Erlânio Xavier tem o apoio de Weverton Rocha e Fábio Gentil de Carlos Brandão

Independentemente de quem sairá eleito presidente, a eleição para o comando da Federação dos Municípios, disputada entre o atual presidente, o prefeito reeleito de Igarapé Grande Erlânio Xavier (PDT), que tenta a reeleição, e o prefeito reeleito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), será marcada definitivamente pelo seu largo, vistoso e inequívoco pano de fundo: o confronto entre o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) visando a sucessão do governador Flávio Dino em 2022. Por mais que os dois candidatos a presidente tenham insistido no discurso de que o pleito é de interesse exclusivo de prefeitos e que não guarda qualquer relação com a corrida ao Palácio dos Leões, é fato indiscutível que, além das ações municipalistas, a Famem será também um braço forte, para muitos fundamental, na guerra eleitoral que se aproxima. E exatamente por conta desse viés é que o que poderia ser resolvido por consenso ganhou o fogo da disputa e se realiza hoje em clima de indefinição, com os dois candidatos cantando vitória.

Numa entrevista ontem à noite ao programa Ponto & Vírgula, comandado pelo blogueiro Leandro Miranda, o presidente Erlânio Xavier, que é ostensivamente apoiado pelo senador Weverton Rocha, de quem é o principal operador político, que vinha sendo cuidadoso nas declarações, escancarou o tom de beligerância política ao atacar duramente o vice-governador Carlos Brandão, que está no exercício temporário do cargo, acusando-o de interferir no pleito em favor do candidato do seu partido. Na sua fala contundente, Erlânio Xavier prometeu retaliação pesada a Carlos Brandão na disputa para o Governo do Estado, sinalizando que, se reeleito, poderá usar o poder de fogo da entidade contra o vice, alvejando também o secretário-chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares. Jurou que o senador Weverton Rocha “não está interferindo” por que “está de férias”, quando até os azulejos dos casarões de São Luís sabem que o líder pedetista é o principal mentor e apoiador do presidente Erlânio Xavier, o que é politicamente legítimo.

(Vale lembrar que na eleição de 2019, o então prefeito de Tuntum e presidente da Famem e candidato à reeleição Cleomar Tema (PSB) denunciou publicamente a ostensiva intromissão do senador eleito Weverton Rocha em favor de Erlânio Xavier, que viu a participação como algo normal).

Fábio Gentil, por sua vez, não escondeu o apoio político do vice-governador Carlos Brandão, mas sustentou um discurso inteligente segundo o qual não houve nada de errado na sua participação, uma vez que o governador em exercício não usou a máquina estatal, como afirmou o presidente Erlânio Xavier. Credenciado pela sua indiscutível condição de bom gestor e com larga experiência política, o que lhe confere uma liderança bem mais ampla do que a do atual presidente da Famem, Fábio Gentil fez uma campanha dentro das regras da articulação política, na base da conversa. Nesse contexto, o vice-governador atuou legitimamente como apoiador assumido do candidato do seu partido, evidentemente apostando estabelecer relacionamento com os prefeitos quando se tornar o titular do Governo em abril do ano que vem.

Está mais do que claro que a eleição de hoje ganhou esse caráter de confronto sucessório prévio por causa da participação intensa, direta ou por tabela, dos dois pré-aspirantes a candidatos a governador. Vale relembrar que em 1989, após assumir a Prefeitura de São Luís, o grande líder pedetista Jackson Lago recusou convite para participar da Famem dizendo que não reforçaria o poder do sarneysismo, no que tinha total razão. Agora, nas conversas reservadas, prefeitos de oposição dizem que Erlânio Xavier significa Weverton Rocha no comando político da Famem, enquanto prefeitos da situação fazem a mesma ressalva, afirmando que Fábio Gentil representa Carlos Brandão na entidade.

Todos esses ingredientes, que agitam e tornam mais disputado o pleito para o comando da Famem, para muitos tornam o seu resultado o desfecho do primeiro grande embate entre o senador pedetista e o vice e futuro governador republicano.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Interlocutores políticos do Governo atuaram para evitar o acirramento dos ânimos na Famem

Rubens Jr. e Márcio Jerry: atuação discreta para evitar confronto aberto na Famem

Por orientação expressa do governador Flávio Dino, agentes do Governo não se intrometeram na disputa pelo comando da Famem. Isso não significou que seus porta-vozes políticos, a começar pelo secretário de Articulação Política, Rubens Jr., e o secretário das Cidades, Márcio Jerry, que é também presidente do PCdoB, ficassem indiferentes à movimentação dos prefeitos. Tanto Rubens Jr. quanto Márcio Jerry atuaram discretamente junto aos dois lados contra o acirramento da disputa, para evitar a transformação do pleito num confronto aberto. Visto como o mais próximo interlocutor do governador Flávio Dino, Márcio Jerry, que já foi secretário de Articulação Política e conhece o jogo em curso, conversou com Erlânio Xavier e Fábio Gentil no início da semana, fazendo aos dois um apelo para evitar o clima de confronto, ouvindo deles a promessa – cumprida em grande medida – de que não ultrapassariam os limites da civilidade política. Mais discreto, Rubens Jr. também intercedeu na mesma direção, obtendo a mesma garantia. A iniciativa ligth dos secretários, feita de maneira cuidadosa para não ser interpretada como uma intromissão, rendeu frutos. Não fosse por elas, a beligerância teria tomado conta do cenário, o que poderia desembocar numa crise política grave, obrigando o governador Flavio Dino a entrar em campo para acalmar os ânimos.

 

DESTAQUE

Com estoque de seringas e agulhas, Maranhão reúne as condições para a vacinação em massa

Flávio Dino revela estoque de seringas e Carlos Brandão, entre Rubens Jr. e Carlos Lula, anuncia Plano Estadual de Vacinação, que est´pronto

O governador Flávio Dino (PCdoB) publicou ontem nas suas redes sociais imagens de um estoque de quatro milhões de seringas e agulhas descartáveis para serem usadas na vacinação contra a Covid-19 no Maranhão. O material encontra-se estocado na Central de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos do Maranhão, podendo ser utilizado a qualquer momento. Com a informação, o governador, que está em férias e reassumirá o cargo na próxima segunda-feira (18), consolida a certeza de que o Governo está preparado para iniciar a campanha de imunização tão logo a Anvisa libere as vacinas (CoronaVac e Astrazenica) e os estoques já disponíveis sejam encaminhados aos estados.

Na mensagem, Flávio Dino informa também que o Governo do Maranhão já providenciou a compra de mais seis milhões seringas e agulhas e outros insumos necessários, de modo a assegurar que a imunização da população maranhense ocorra sem falha dentro do planejado e sem falhas.

O Maranhão é um dos poucos estados que já tem pronto um plano completo para o programa de imunização, o Plano Estadual de Vacinação. Ele foi anunciado no início da semana pelo governador em exercício Carlos Brandão e apresentado pelo secretário de Saúde, Carlos Lula, durante entrevista coletiva no Palácio dos Leões. Trata-se de um completo conjunto de regras e estratégias para dar funcionalidade operacional ao processo de imunização. Nele estão previstas a capacitação de profissionais da saúde, a logística de distribuição e armazenamento, as estratégias para a imunização, os grupos prioritários para a primeira fase da campanha e a estimativa de vacinas necessárias.

Segundo o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, o Maranhão iniciará a vacinação tão logo receba as primeiras doses de vacina.  Após o recebimento das doses que virão de Fortaleza para São Luís, a SES fará a distribuição, em até três dias, para as Regionais de Saúde por transporte aéreo. A previsão feita pelo secretário Carlos Lula é de que 1,7 milhão de pessoas sejam vacinadas na primeira etapa da campanha, que deve ser concluída em sete semanas.

Todos os indicativos sugerem que o Pano Estadual de Vacinação é consistente e que, baseando-se no fato de que o Maranhão está entre os estados que melhor enfrentou a pandemia, reúne todas as condições para ser bem sucedido.

São Luís, 14 de Janeiro de 2021.

Sem envolvimento do Governo, eleição para o comando da Famem agita meio político e ganha cores de indefinição

 

Erlânio Xavier e Fábio Gentil: estaturas diferentes na disputa

Os prefeitos maranhenses decidirão amanhã quem comandará a Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem). E o farão cientes de que esse será um pleito que, dependendo do resultado, levará a entidade à condição braço atuante de projetos de poder ou, mesmo levando em conta seu potencial político, terá fortalecida a sua razão de ser, que é a prática e a defesa do municipalismo. O projeto de poder está na candidatura do atual presidente, Erlânio Xavier (PDT), prefeito reeleito de Igarapé Grande, e o projeto municipalista – que também guarda um projeto de poder, mas menos ostensivo – está representado na candidatura do prefeito reeleito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos). Ontem, no final da tarde, o clima nos bastidores políticos sinalizava ainda favoritismo do atual presidente, mas ninguém mais apostava na previsão de que sairá das urnas com 150 votos. Por sua vez, os apoiadores do prefeito caxiense, mesmo admitindo o grande poder de fogo do adversário, estavam tomados por uma perspectiva otimista, trabalhando com a possibilidade de reverter a tendência, virar o jogo e vencer a eleição. Isso em meio de informações dando conta de prefeito do Republicanos virando a casaca, o mesmo acontecendo com prefeita do PDT.

O presidente Erlânio Xavier faz campanha pressionado pelo jogo do “vencer ou vencer”. Isso porque, além de comandar as ações municipalistas, num processo articulado com a Confederação Brasileira de Municípios (CBM), seu projeto para os próximos dois anos inclui também movimentar as engrenagens da entidade para criar e consolidar uma ampla rede municipal de apoio à candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), de quem é o principal operador político.  Erlânio Xavier encarna uma campanha ostensiva, usando no limite o peso da máquina municipalista e a força do seu partido, que lhe dará 40 votos de saída. Sua candidatura tem o suporte de uma gestão por muitos considerada positiva, mas alguns políticos fazem a ressalva de que sob seu comando a entidade está sendo vista como uma engrenagem dividida entre o seu mister, que é dar suporte aos municípios, e o projeto do senador Weverton Rocha de chegar ao Palácio dos Leões em 2022.

A candidatura do prefeito Fábio Gentil faz contraponto ao projeto situacionista. Prefeito reeleito da quarta maior e mais importante cidade do Maranhão e atualmente o maior nome do Republicanos na seara municipal, o candidato de oposição tem o apoio do seu partido, que tem o vice-governador Carlos Brandão como pré-candidato ao Governo do Estado em 2022. Mas, diferentemente do seu adversário, o líder caxiense faz uma campanha sem máquina, sem a estrutura da entidade, falando em nome de prefeitos que querem uma Famem mais envolvida com as causas municipalistas e menos atrelada a projetos políticos alheios aos seus interesses. Fábio Gentil sai com o apoio de 32 dos 35 prefeitos do Republicanos e com, pelo menos, 35 dos 40 eleitos pelo PL. E mesmo sabendo do tamanho do desafio, joga com habilidade e segurança, brigando pela vitória, mas sem a pressão sufocante do “tudo ou tudo” que move o candidato da situação. “Temos votos para vencer a eleição”, declarou Fábio Gentil.

O dado mais importante e republicano dessa disputa é o não envolvimento do governador Flávio Dino e da máquina governista, conforme ele próprio comunicou nas suas redes sociais, decisão confirmada ontem pelo agora secretário das Cidades, Márcio Jerry, que preside o PCdoB e tem o controle sobre 22 prefeitos.  Aliados do presidente Erlânio Xavier poderão argumentar que o governador em exercício Carlos Brandão está apoiando a candidatura de Fábio Gentil. O diferencial, no caso, é que esse apoio é de incentivo político e partidário, sem o uso da máquina do Estado. O governador em exercício Carlos Brandão é conhecido como um vice ético e afinado com o titular, o que descarta qualquer possibilidade de ele usar a estrutura, os recursos ou os instrumentos do Governo. Pela campanha que está empreendendo, Fábio Gentil receberá votos politicamente autênticos, resultantes de articulação.

As próximas horas serão decisivas para os dois candidatos, para as duas correntes e para os dois projetos de poder.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Visita de Arthur Lira a Carlos Brandão e a Eduardo Braide gerou fatos políticos importantes

Arthur Lira com Carlos Brandão no Palácio dos Leões e com Eduardo Braide no Palácio de la Ravardière durante passagem em campanha pelo Maranhão

A passagem do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), candidato à presidência da Câmara Federal apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, por São Luís em campanha, produziu dois fatos que chamaram a atenção.

O primeiro foi a boa articulação do governador em exercício Carlos Brandão, que atuou de maneira correta recebendo com a devida atenção o candidato apoiado pelo seu partido, o Republicanos, sem preocupação com o fato de o partido do governador Flávio Dino, o PCdoB, estar fechado com o deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), mas não lhe dará nenhum dos votos maranhenses, já que os dois deputados federais do partido Márcio Jerry e Rubens Jr. estão licenciados. A desenvoltura do vice recebendo o candidato a presidente da Câmara Federal, e que é linha de frente da tropa bolsonarista no Congresso Nacional, foi uma demonstração clara de que o governador Flávio Dino pratica uma política republicana dentro da aliança partidária que lidera no estado.

O outro fato foi a de que, confirmando o que a Coluna previu logo após o resultado final da eleição em São Luís, sob o comando do prefeito Eduardo Braide (Podemos), o Palácio de la Ravardière voltaria a ser um centro efervescente de atividade política, o que efetivamente não aconteceu ao longo dos oito anos de Edivaldo Holanda Jr. (PDT) A visita do deputado Arthur Lira ao prefeito de São Luís, surpreendeu. Primeiro porque Eduardo Braide não tem mais qualquer vínculo com a Câmara Federal nem lidera um partido que tenha deputado federal pelo Maranhão, não havendo, portanto, motivo para uma visita de campanha de Arthur Lira à Prefeitura de São Luís. Mesmo assim, a ida de Arthur Lira ao gabinete do prefeito da Capital foi um acontecimento, tendo o visitante sido acompanhado por pelo menos seis deputados federais, incluindo os que o apoiaram no segundo turno da disputa na Capital, mas não votarão no candidato do PP, como é o caso do deputado Juscelino Filho, que integrou o grupo que o acompanhou na visita. E a julgar pela desenvoltura do prefeito, é quase certo que ele voltará ao tabuleiro da política estadual mais cedo que muitos possam estar imaginando.

 

Operação Vernissage gera complicações para o ex-senador Edison Lobão

Helicóptero encontrado pela Polícia Federal na residência de Lobão Filho na ação de ontem

A ação da Polícia Federal nas dependências da TV Difusora, na residência do empresário e ex-suplente de senador Lobão Filho (MDB) e no apartamento do empresário Márcio Lobão, em Brasília, na chamada Operação Vernissage, um desdobramento da 79ª ação dentro da Operação Lava Jato, neste caso relacionada com o inquérito que investiga supostos desvios, em forma de propina, da Braspetro, o braço da Petrobras na área de transporte marítimo, foi uma pancada na família do ex-senador Edison Lobão.  De acordo com o Ministério Público Federal, Lobão Filho e Márcio Lobão estariam envolvidos num esquema que supostamente R$ 12 milhões no período de 2008 a 2014, no período em que o então senador Edison Lobão (MDB) foi ministro de Mingas e Energia, por muitos considerado um dos mais competentes dirigentes daquela pasta.  Além de documentos, a Polícia Federal apreendeu cerca de 100 obras de arte, que teriam sido comoradas num jogo de preços para a lavagem do suposto dinheiro da suposta propina. Nas residências, PF encontrou carros de luxo e cerca de uma centena de obras de arte, além de um helicóptero numa dependência da residência do empresário Lobão Filho. Em Brasília, o ex-deputado federal, ex-senador, ex-governador e ex-ministro Edison Lobão se manteve informado sobre a operação acompanhou todos os movimentos da Operação Vernissage, que emplaca mais uma mancha na sua vitoriosa carreira como político que venceu nove das dez eleições que disputou.

São Luís, 13 de Janeiro de 2021.

Braide propõe e vereadores aprovam subprefeitura para a Zona Rural e secretaria para apoiar deficientes

 

Eduardo Braide durante entrevista que anunciou o “pacote” aprovado ontem pelos vereadores

A Prefeitura de São Luís ganhou ontem dois braços inovadores em matéria de atendimento a demandas da sociedade. O primeiro foi a Secretaria Municipal Extraordinária da Pessoa com Deficiência (Semeped), e o segundo, a Subprefeitura da Zona Rural. Compromissos de campanha do prefeito Eduardo Braide (Podemos), as duas novas estruturas da máquina administrativa ludovicense foram aprovadas pela Câmara Municipal, que em sessão extraordinária híbrida – parte dos vereadores em plenário e parte participando remotamente por videoconferência -, se reuniu pela primeira vez com a nova composição, inaugurando também o primeiro e único período presidencial do vereador Osmar Filho (PDT) nessa legislatura. Os vereadores aprovaram também outras duas propostas do prefeito Eduardo Braide: o reordenamento dos cargos em comissão da grade funcional da Prefeitura e a isenção do pagamento de alvará para empresas com faturamento anual bruto de até R$ 250 mil.

A criação da Semeped foi prometida pelo então candidato Eduardo Braide durante a campanha, notadamente nos debates, quando ele discutiu o tema da mobilidade, e dentro dele, a absurda e humilhante situação de deficientes, especialmente cadeirantes, em São Luís, onde não existem calçadas adequadas, áreas de acesso a logradouros e prédios públicos, rampas adequadas nos pontos de ônibus para acesso de deficientes ao transporte coletivo. São frequentes os problemas enfrentados por esses cidadãos, que via de regra são tratados como “problema”. Vale lembrar também que São Luís não é uma cidade planejada, exigindo por isso investimentos em adequação. Eduardo Braide, em vários momentos da campanha, prometeu criar a pasta e, em um deles, disse que a entregaria à vice-prefeita Esmênia Miranda, que acabou assumindo a pasta da Educação.

Usada por quase todos os grandes municípios, especialmente capitais, como instrumento de descentralização administrativa, a primeira Subprefeitura do Município de São Luís chega como uma importante inovação para cuidar da Zona Rural. Tudo indica que, ao criá-la, o prefeito Eduardo Braide tem dois propósitos: ter um órgão de interlocução com a Zona Rural, de modo a dimensionar e viabilizar soluções para seus problemas, e tê-la como experiência que poderá resultar na criação de outras subprefeituras. Eduardo Braide sempre fez política na Zona Rural de São Luís, conhece seus problemas e sabe o que pode ser feito para resolvê-los. Vale destacar que nas maiores cidades brasileiras as subprefeituras têm importância tal, que no Rio de Janeiro, por exemplo, a escolha dos subprefeitos pelo prefeito Eduardo Paes (DEM) ganhou mais repercussão do que de muitos secretários. O prefeito Eduardo Braide deve nomear para o cargo um operador da sua estrita confiança.

O reordenamento dos cargos em comissão da Prefeitura de São Luís já era previsto. São centenas espalhados por toda a grade administrativa, muitos deles partes da cadeia hierárquica – adjuntos, chefes, subchefes, etc…. – e outros para abrigar assessores. A julgar pela importância dada à matéria por alguns vereadores, o prefeito Eduardo Braide quer ter o controle total desses cargos, que têm importância capital no funcionamento da máquina, como também no atendimento a demandas técnicas e políticas. E a gratuidade do alvará para micro e pequenas empresas foi justificada pelo prefeito como uma medida destinada a ajudar empreendedores ativos nesse momento de crise econômica. É o programa “Alvará Zero”, também anunciado durante a campanha eleitoral.

O “pacote” encaminhado ao Palácio Pedro Neiva de Santana pelo novo ocupante do Palácio de la Ravardière foi aprovado sem maiores discussões. Os vereadores compreenderam a relevância das matérias, discutiram pequenos ajustes, mas sem colocar nenhum dos projetos de lei na berlinda. Estreando como líder do Governo, o vereador Marcial Lima (Podemos) se esforçou para   mostrar serviço defendendo as propostas e encaminhando as votações num plenário sem oposição. O esforço do líder governista foi turbinado com o suporte do presidente Osmar Filho, que iniciou seu novo mandato decidido a dar uma mostra eloquente de como pretende comandar a Casa nos próximos dois anos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino descarta envolvimento na disputa pelo comando da Famem

Flávio Dino: longe da eleição na Famem

O governador Flávio Dino (PCdoB) reafirmou ontem, nas suas redes sociais, que não há qualquer possibilidade de ele e seus auxiliares na área política se envolverem na eleição da nova diretoria da Famem. E matou na raiz a especulação segundo a qual seu Governo “perseguiria” prefeitos por conta dos seus posicionamentos na disputa, que tem de um lado o atual presidente, Erlânio Xavier (PDT), prefeito reeleito de Igarapé Grande, ostensivamente apoiado pelo senador Weverton Rocha (PDT), e o prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), enfaticamente apoiado pelo vice-governador Carlos Brandão (Republicanos). A posição do governador foi repicada pelo novo secretário das Cidades, Márcio Jerry, que descarto, com ênfase, e envolvimento do Governo numa disputa que só diz respeito aos prefeitos.

Não surpreende a posição do governador, que desde o primeiro mandato tem se mantido numa posição republicana, não interferindo nesse tipo de disputa. Em 2019, a disputa pelo comando da Famem entre Erlânio Xavier e o presidente de então, Cleomar Tema (PSB), prefeito de Tuntum, ficou tensa – exatamente por causa da interferência ostensiva do senador Weverton Rocha, denunciada por Tema. Para evitar um clima de crise no seio da aliança partidária por ele articulada, Flávio Dino mediou um entendimento que resultou na desistência de Tema Cunha de concorrer à reeleição e, sem se posicionar de qualquer lado, contribuiu decisivamente para uma eleição sem traumas.

Não poderia ser diferente agora, como quis a bolsa de especulações. Até porque não faz sentido imaginar o governador maranhense retaliando prefeitos por votarem em Erlânio Xavier – que aparece como favorito – ou em Fábio Gentil. Em situações políticas e partidárias diferentes, ambos integram a base de apoio do seu Governo.

 

Prefeito contraria regras sanitárias e reúne milhares em show para comemorar aniversário

Fernando Teixeira e Tarciso do Acordeon: responsáveis diretos pelo mega-show de riscos em Cidelândia

Inacreditáveis e chocantes as imagens do mega show que o prefeito reeleito de Cidelândia, Fernando Teixeira (PP), promoveu, muito provavelmente com dinheiro público, para comemorar a sua posse e o seu aniversário de 31 anos, Contrariando todas as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão em relação aos cuidados para evitar contágio por coronavírus, o gestor cidelandense contratou a banda de forró comandada por Tarciso do Acordeon para atrair milhares de pessoas à sua festa, exatamente num momento em que o Brasil enfrenta alta expressivo nos números de contágio e de mortes – ontem já eram 213 mil.

Nada justifica a atitude do prefeito reeleito de Cidelândia, um município pobre, de 13,5 mil habitantes e sem qualquer estrutura hospitalar para enfrentar uma onda de infecção. Nos momentos críticos da pandemia no Maranhão, Fernando Teixeira teve de recorrer a Imperatriz para garantir sobrevida a cidadãos cidelandeses. Agora, ou movido por uma súbita amnésia ou por irresponsabilidade pura e simples, o jovem prefeito mobilizou seus concidadãos para uma farra com ingredientes potencialmente letais: aglomeração, não uso de máscaras e, muito provavelmente, sem álcool em gel para uso público.

A pequena Cidelândia foi palco de desrespeito às regras sanitárias em vigor no País, de incitação criminosa à mobilização de pessoas numa grande aglomeração, de provável uso de dinheiro público para bancar a festança, atos pelos quais o prefeito Fernando Teixeira poderá responder criminalmente. E, junto com ele, o forrozeiro Tarciso do Acordeon, que agredindo a ética que move as atividades artísticas, concordou em comandar o show criminoso, provavelmente bancado com dinheiro público.

Com a palavra o Ministério Público.

Em Tempo: as imagens inacreditáveis e as informações chocantes foram trazidas a público pelo blog de Werbeth Saraiva.

São Luís, 12 de Janeiro de 2021.

 

Rubens Jr. e Márcio Jerry voltam ao núcleo palaciano para turbinar a área política do Governo

 

Rubens Júnior, Márcio Jerry e Rodrigo Lago: mudanças no núcleo duro do Governo com foco na corrida de 2022

O governador em exercício Carlos Brandão (Republicanos) concretiza, nesta segunda-feira (11), a mexida dada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) no núcleo palaciano da sua equipe, ao empossar o deputado federal Rubens Júnior (PCdoB) como secretário de Assuntos Políticos – que será separada da Comunicação Social -, o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) no comando da Secretaria das Cidades e Desenvolvimento Urbano (Secid), e o advogado Rodrigo Lago, que deixa a pasta de Comunicação e Articulação Política, como titular da Secretaria de Desenvolvimento Agrário. É o que nos bastidores está sendo chamado de “renuclearização” da equipe, o que na prática significa que a partir de agora o Palácio dos Leões vai aumentar muitas vezes a rotação da turbina política do Governo, num processo que envolverá o estreitamento da relação com os municípios e a ampliação do diálogo com os partidos aliados, para fortalecer a gigantesca aliança articulada pelo governador Flávio Dino. A mudança tem dois focos: manter o ritmo e a performance do Governo e chegar bem lastreado na grande disputa eleitoral de 2022.

A perspectiva do governador Flávio Dino ficou bem clara quando ele resolveu trazer de volta para o “núcleo duro” da equipe os deputados federais Rubens Júnior e Márcio Jerry, considerados, dentro e fora do Governo, como os dois quadros mais próximos e mais identificados com o seu pensamento político e a sua linha de ação. O primeiro poderia retornar à Secid, que dirigiu por mais de um ano e só deixou para ser candidato à Prefeitura de São Luís, e o segundo à seara da comunicação e articulação política, que comandou até medos de 2018. O chefe do Executivo, porém, decidiu que os dois não voltariam aos cargos, mas assumiriam outras funções dentro desse contexto.

Ainda jovem Rubens Jr. já é um político tarimbado, com dois mandatos de deputado estadual e no exercício do segundo de deputado federal, tendo ainda passado pela experiência executiva como titular da Secid. A partir desta segunda-feira, ao ser nomeado, ele será o principal interlocutor político, encarregado de construir a relação com novos prefeitos e estreitá-la com os reeleitos, intensificar o diálogo com deputados estaduais e com a bancada federal. Uma tarefa gigantesca e delicada, que exigirá dele muita habilidade, poder do articulação e paciência. No que diz respeito aos prefeitos, a ordem é manter a relação republicana, devendo, por exemplo, conveniar com prefeitos de todas as cores políticas e partidárias, a começar pelo de São Luís, Eduard Braide (Podemos).

Visto por todos como o aliado mais próximo do governador Flávio Dino, o deputado federal Márcio Jerry, que também é o presidente estadual do PCdoB, vai comandar a Secid com o objetivo de turbinar a relação do Governo com municípios. Sua tarefa será levar ações urbanas – praças, ruas, parques, etc. – às cidades, sem que esses projetos se conflitem com a Secretaria de Infraestrutura, que continuará cuidando da infraestrutura macro, como pontes, estradas, prédios, etc.. E com a experiência de articulador que carrega na bagagem, deve atuar em alinhamento com o secretário de Articulação Política.

Depois de criar, instalar e pôr em funcionamento a Secretaria de Transparência e comandar por mais dois anos as áreas de comunicação e articulação política, o discreto mas eficiente Rodrigo Lago, que também faz parte do núcleo de auxiliares mais próximos do governador, viverá agora a experiência de comandar a pasta de Desenvolvimento Agrário, uma área de pouca badalação, mas de grande relevância na grade de prioridades do Governo, principalmente no que respeita à reforma agrária e o apoio ao pequeno produtor rural. A julgar pelo seu desempenho nas áreas de comunicação e articulação política, ninguém duvida de que ele fará um trabalho de excelência na pasta do Desenvolvimento Agrário.

Nesse contexto, a política ganha corpo com a permanência do deputado estadual licenciado Marcelo Tavares (PSB) no comando da Casa Civil, onde realiza um trabalho de articulação discreto bem sucedido.

Em Tempo: Com a volta dos deputados federais Rubens Júnior e Márcio Jerry, suas vagas na Câmara Federal serão ocupadas pelos suplentes Gastão Vieira (PROS), que atua como aliado do governador Flávio Dino, e Elizabeth Gonçalo (Avante), que segue a orientação política do prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PMN).

 

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

 

Auxiliares de Flávio Dino o querem numa cadeira no Senado

Flávio Dino: aliados o querem  no Senado

Dentro do Governo é dominante a avaliação de que o melhor caminho político e eleitoral para o governador Flávio Dino é disputar a vaga do Maranhão que se abrirá no Senado com o fim do mandato do senador Roberto Rocha (PSDB). Todos os membros da sua equipe, sem exceção, avaliam que ele não deve entrar na corrida presidencial, nem como candidato a presidente da República nem a vice-presidente, e menos ainda entrar na briga por uma cadeira na Câmara Federal para tentar salvar o PCdoB, que poderá ser vítima da cláusula de barreira, caso não saia das urnas atendendo às exigências nela previstas, como um número de votos mínimo para impedir a degola da agremiação. Para os membros graúdos do Governo, o governador Flávio Dino tem de representar o Maranhão na Câmara Alta, onde poderá desenvolver uma ação parlamentar, legislativa e política que o mantenha como nome de proa no cenário nacional, como já acontece na condição de governador. Algumas vozes avaliam que Flávio Dino tem autoridade como gestor e como político para ser uma voz influente na República.

 

Erlânio Xavier e Fábio Gentil intensificam campanha pelo comando da Famem

Erlânio Xavier e Fábio Gentil

O fim de semana foi de frenesi nos bastidores da disputa pelo comando da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem). A exemplo do que já vem fazendo há semanas, o presidente da entidade e prefeito reeleito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT), se movimenta intensamente para confirmar o favoritismo, tendo o apoio ostensivo do senador Weverton Rocha (PDT). Na mesma seara, o prefeito reeleito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), disputa a entidade pela primeira vez e tem o apoio do governador em exercício, Carlos Brandão. A eleição está confirmada para o dia 14, na sede da entidade, na Avenida dos Holandeses, com cerca de 190 prefeitos aptos a votar.

São Luís, 10 de Janeiro de 2021.

Primeiros dias do ano são marcados por forte movimentação política visando a grande disputa de 2022

 

Flávio Dino e Carlos Brandão e Weverton Rocha, seus aliados, se movimentam, enquanto Roberto Rocha e Roseana Sarney silenciam e Assis Ramos se lança candidato a governador, mas não é levado a sério

Ainda faltam mais de 650 dias, mas as eleições de 2022 já estão mexendo intensamente com a classe política do Maranhão. A mudança que o governador Flávio Dino (PCdoB) está fazendo na banda política da sua equipe e os sinais sobre o seu rumo eleitoral, as articulações para a eleição na Famem, as conversas do vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), os movimentos do senador Weverton Rocha (PDT), entre outros eventos, evidenciam que por trás de cada iniciativa está um objetivo ligado à próxima corrida às urnas. Chama a atenção que no que diz respeito à sucessão do governador Flávio Dino, até agora os movimentos estejam restritos às lutas travadas dentro do seu campo político – o embate entre o vice-governador Carlos Brandão e o senador Weverton Rocha (PDT) -, não tendo sido registrada até aqui qualquer manifestação de peso no campo oposicionista.

Ao mudar as posições de três dos integrantes do chamado “núcleo duro” do Governo – os deputados federais Márcio Jerry (PCdoB) e Rubens Jr. (PCdoB) e o advogado Rodrigo Lago, atual secretário de Comunicação e Articulação Política -, o governador Flávio Dino sinalizou que dará uma orientação política mais forte ao seu Governo nos próximos tempos. Essa tendência é reforçada com as suas declarações mais recentes sobre o seu próprio futuro, admitindo que poderá disputar a Presidência da República, se for convocado por uma grande frente partidária; o Senado, que é o seu projeto preferido, ou a Câmara Federal, se houver uma decisão do PCdoB nesse sentido. Os gestos do governador estimulam segmentos dentro e fora da aliança partidária que comanda.

Na condição de governador em exercício, Carlos Brandão tem dividido seu tempo entre despachos com secretários e conversas políticas importantes. Uma delas, que teve como interlocutor o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), os dois reafirmaram a boa relação Executivo/Legislativo, e ajustaram a sintonia das suas relações no campo político, desfazendo a impressão de que estariam estremecidos por conta das eleições municipais. Ontem, ele recebeu a visita do prefeito reeleito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PMN), um líder regional importante, com quem mantém fortes laços de amizade e afinidades políticas, o que permitiu que na conversa os dois trocassem impressões sobre o quadro para a grande disputa de 2022. Nos bastidores, Carlos Brandão está atuando no apoio à candidatura do prefeito reeleito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos) à presidência da Famem. Político vitorioso, o prefeito caxiense se movimenta com o objetivo também de ocupar espaço no cenário político estadual.

No contraponto, dentro da aliança dinista, o senador Weverton Rocha (PDT), está participando intensamente da corrida para a eleição na Famem, jogando todas as suas fichas na candidatura do atual presidente, Erlânio Xavier (PDT), prefeito reeleito de Igarapé Grande. A reeleição de Erlânio Xavier para a presidência da entidade municipalista é fundamental para a articulação da candidatura do senador ao Governo do Estado em 2022. Congressista ativo, o senador Weverton Rocha tem dedicado parte do seu tempo às articulações para a eleição da Mesa do Senado, no cenário causado pela reviravolta que proibiu a reeleição do atual presidente, senador Davi Alcolumbre (DEM), com quem estava “fechado”. Um bom posicionamento no Senado é importante para o seu projeto governamental.

Por outro lado, numa curiosa contradição, não há movimentos visíveis no campo da Oposição relacionados com as eleições de 2022. Um dos nomes mais expressivos dessa seara, visto por aliados como o mais provável candidato ao Governo do Estado, o senador Roberto Rocha (PSDB), que terminou 2020 afirmando que politicamente dedicará os próximos dois anos ao Maranhão, mas sem dizer exatamente o que isso significa, se mantém distante. O prefeito reeleito de Imperatriz, Assis Ramos (DEM), declarou que poderá ser candidato a governador, mas sua pouca expressão política – foi reeleito com apenas 26% dos votos – faz com que ele não seja levado a sério. No arraial oposicionista ainda se fala na possibilidade remota de a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) tentar voltar ao Governo, mas ela própria nada disse até aqui. Alguns políticos tarimbados apostam que em algum momento dos próximos 22 meses o novo prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), dirá o que pensa sobre a próxima e decisiva corrida eleitoral.

A julgar pelos movimentos registrados na primeira década de Janeiro, o tabuleiro político do Maranhão viverá tempos agitados.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Eduardo Braide se integrará à Famem, tradicionalmente esnobada pelos prefeitos de São Luís?

Eduardo Braide: abraçará a Famem ou manterá a tradição?

Pelo menos oficialmente, não se sabe ainda como o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), se posicionará na eleição da Famem. Dois observadores atentos ouvidos pela Coluna apostaram que ele votará no presidente Erlânio Xavier, num gesto de reconhecimento ao apoio que recebeu do PDT no segundo turno da eleição. Observam também que o provável voto no pedetista seja um posicionamento contra o candidato do Republicanos, que é entusiasticamente apoiado pelo seu maior adversário, o deputado estadual Duarte Jr. (Republicanos).

A posição de Eduardo Braide pode mudar a “tradição” mantida pelos prefeitos de São Luís em relação à Famem. Todos os ocupantes do palácio de la Ravardière esnobaram a entidade municipalista em maior ou menor grau. O mais ostensivo foi o líder pedetista Jackson Lago, que no primeiro mandato, ao ser procurado por prefeitos para participar da Famem, que lhe ofereceram a “presidência de honra”, foi taxativo, respondendo negativamente por entender que a organização era usada para manter o poder do Grupo Sarney. O gesto mais simpático de um prefeito ludovicense para com a Famem partiu de Edivaldo Holanda Júnior (PDT), que no primeiro mandato não quis saber da entidade, mas no segundo apoiou a candidatura de Cleomar Tema, prefeito de Tuntum, tendo ido à sede cumprimentá-lo pela eleição.

Resta saber se Eduardo Braide vai se integrar à entidade municipalista ou manterá a “tradição”.

 

Avaliações apontam favoritismo de Erlânio Xavier na Famem, mas Fábio Gentil pode surpreender

Erlânio Xavier é favorito, mas Fábio Gentil pode surpreender na disputa na Famem

Os bastidores da política estão agitados por conta da eleição para o comando da Famem. Ali, candidatos e articuladores fazem conta atrás de conta para tentar encontrar o poder de fogo de cada candidato. Favorito na disputa – até alguns contrários admitem -, o presidente Erlânio Xavier trabalha intensamente para ter uma vitória “larga”, que lhe dê maior estatura política. Sua preocupação é seu adversário, o prefeito de Caxias Fábio Gentil (Republicanos), que tem também o apoio do PL, que lhe deu como vice o bem articulado prefeito de Barra do Corda, Rigo Teles, ganhe musculatura e ganhe mais adeptos por meio de articulações feitas pelos deputados federais Josimar de Maranhãozinho (PL) e Cléber Verde (Republicanos) e André Fufuca (PP). Além disso, o líder caxiense faz campanha sem o peso de quem tem de defender o mandato. Quem conhece a seara política municipal calcula que, se a eleição fosse hoje, o presidente se reelegeria, mas com uma margem bem menor do que a esperada. Resta saber se ele mantém ou reforça o cacife até no dia 14.

São Luís, 08 de Janeiro de 2021.

 

Erlânio Xavier e Fábio Gentil abrem disputa pela Famem tendo a sucessão estadual como pano de fundo

 

Eleição na Famem: Erlânio Xavier tenta a reeleição apoiado por Weverton Rocha, e Fábio Gentil tem o apoio de Carlos Brandão no jogo para a sucessão estadual em 22

A disputa pelo comando da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), cujo desfecho terá forte repercussão nas montagens para a guerra eleitoral de 2022, ganhou forma ontem, com o registro de duas candidaturas, a do atual presidente, o prefeito reeleito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT), que busca a reeleição, e a do prefeito reeleito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos). Duas forças políticas distintas, com perfis totalmente diferentes e com bases de apoio que estão medindo forças na direção do Palácio dos Leões. O governador Flávio Dino (PCdoB) saiu de férias deixando bem claro que não se envolverá no processo, o que deixa o embate mais solto e num cenário em que “batem chapa” o senador Weverton Rocha (PDT), apoiador e mentor político de Erlânio Xavier, e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), que avaliza a candidatura de Fábio Gentil. Os atos de registro e lançamento das candidaturas mostraram uma enorme e curiosa diferença entre os candidatos.

O presidente e candidato à reeleição Erlânio Xavier fez um lançamento estridente, exibindo musculatura e anunciando ter o apoio de pelo menos 150 dos 217 prefeitos, deixando no ar a impressão de estar convencido de que sairá da urna com uma vitória avassaladora. Ele conta com os 45 votos de prefeitos do PDT, incluindo o dele próprio, e abriu sua campanha com dois trunfos importantes. O primeiro foi ter batizado sua chapa de “Sálvio Dino”, político destacado, pai do governador Flávio Dino, que defendeu o municipalismo como deputado estadual e como prefeito de Montes Altos, quando presidiu a Associação dos Municípios da Região Tocantina; o segundo é ter o prefeito reeleito de Pinheiro, Luciano Genésio (PP), como seu companheiro de chapa.

O prefeito Fábio Gentil, ao contrário, compareceu à sede da Famem para registrar sua candidatura sem nenhuma pompa e sem demonstrar qualquer interesse de mobilizar uma fanfarra para fazer uma participação estridente. Acompanhando-o, alguns políticos, como o deputado estadual Duarte Jr., que é do seu partido, e o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), entre outros. Fábio Gentil entra na disputa com o provável apoio dos 35 prefeitos eleitos pelo Republicanos e grande parte dos 40 eleitos pelo PL. É um político centrado, com larga experiência na seara política municipal que tem clareza quanto ao poder de fogo do oponente. Tem, porém, estatura política e autoridade pessoal para dar esse passo importante no projeto de ocupar um espaço no cenário político estadual. Para ele, é importante participar do processo, de preferência com a possibilidade de surpreender em número de votos.

As disputas pela presidência da Famem vêm se dando sob a influência das guerras políticas maiores no estado. A de agora escancarou de vez essa relação, tendo como pano de fundo a disputa pelo Governo do Estado. De um lado o senador Weverton Rocha (PDT), que é o patrono da candidatura do presidente Erlânio Xavier, que coordenou sua campanha senatorial e que no comando da entidade terá um enorme poder de articulação. Do outro lado, o vice-governador Carlos Brandão, aspirante assumido à sucessão do governador Flávio Dino, apoia o prefeito Fábio Gentil num processo que visa fortalecer o seu projeto de chegar ao Governo. Em disputa aberta, Weverton Rocha e Carlos Brandão tentam se manter discretos, mas seus apoiadores travam uma guerra ácida nos bastidores e na blogosfera.

A eleição acontecerá no dia 14, e a semana de campanha será intensa, com o presidente agindo para consolidar o seu cacife e líder caxiense em busca de um lastro para reverter a tendência favorável ao adversário. De acordo com a avaliação de um prefeito experiente, o presidente Erlânio Xavier tem tudo para renovar o mandato, mas dificilmente terá os 150 votos que calcula. Isso porque pelo menos duas dezenas de prefeitos não estão aptos a votar. São dirigentes de municípios pequenos e muito pobres, que se recusam a autorizar o uso da fatia de ICMS que recebem para bancar a mensalidade da entidade, argumentando principalmente que não vale a pena porque as ações da Famem não os alcançam.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Visita de Othelino Neto e Carlos Brandão reforça boa relação Legislativo/Executivo

Othelino Neto e Carlos Brandão entre Rubens Jr. e Marcelo Tavares nos Leões, ontem

O governador em exercício Carlos Brandão (Republicanos) recebeu ontem o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), numa visita de cortesia. Os dois trocaram impressões sobre o momento vivido pelo Maranhão e reforçaram o bom entendimento entre os Poderes Executivo e Legislativo, que têm sido harmônicos e parceiros, mas sem comprometer a independência institucional. Com a presença do chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares, que é deputado estadual (PSB) licenciado, e do deputado federal Rubens Jr. (PCdoB), o governador em exercício e o presidente da Assembleia Legislativa conversaram sobre vários temas, com enfoque mais demorado sobre a pandemia do novo coronavírus e a expectativa em relação à vacinação.

Com o encontro de ontem, Carlos Brandão e Othelino Neto desfizeram rumores segundo os quais estariam com as relações estremecidas por causa das eleições municipais. No caso de São Luís, os dois estiveram em campos diferentes, mas nada aconteceu no plano pessoal que os afastasse. Além do mais, o vice-governador e o presidente do Legislativo têm clareza suficiente para separar as coisas, não misturando assuntos de natureza político-partidária com as relações institucionais entre Poderes do Estado.

A descontração que dominou o encontro no Palácio dos Leões foi uma demonstração clara de que, independentemente da posição política de cada um, ambos sabem da importância do diálogo, da independência e da boa relação institucional entre o Palácio dos Leões e o Palácio Manoel Beckman. Tanto que o presidente Othelino Neto disse que o Maranhão tem dado um bom exemplo para o Brasil, no que diz respeito ao equilíbrio das relações entre todos os Poderes.

– É um prazer visitar o governador em exercício, Carlos Brandão, para que nós possamos conversar sobre temas importantes para o estado. Estamos sempre exercitando essa capacidade de diálogo, que é uma marca da relação harmônica e independente que mantemos entre os Poderes constituídos no Maranhão – assinalou o presidente da Alema.

Carlos Brandão comentou o encontro avaliando que a visita do presidente Othelino Neto reforça boa relação entre o Legislativo e o Executivo, que vem se mantendo durante todos os seis anos do atual Governo, com o aval da Assembleia Legislativa projetos propostos pelo Poder Executivo com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da população.

 

João Marcelo na linha de frente da campanha de Baleia Rossi na Câmara Federal

João Marcelo (d) no ato de lançamento de Baleia Rossi (falando) na Câmara Federal

A candidatura do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Câmara Federal, apoiada pelo presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), conta com um apoiador entusiasmado, o deputado emedebista maranhense João Marcelo, que está na linha de frente da campanha. João Marcelo participou ontem do grande ato que marcou o lançamento oficial da candidatura de Baleia Rossi, que já conta com 11 bancadas, que representam 261 parlamentares, seis a mais do que os 257 necessários para eleger o presidente.

Embalado pelo slogan “Câmara Livre e Democracia Viva”, o deputado João Marcelo, que foi um dos apoiadores do emedebista desde o início das articulações, reforçou sua posição reafirmando seu apoio. Ele também está se movimentando para ampliar e consolidar o apoio dos partidos à candidatura de Baleia Rossi, lançada ontem às 15 horas, no Salão Negro da Câmara Federal, na presença dos líderes dos 11 partidos (PT, PSL, MDB, PSB, PSDB, DEM, PDT, Cidadania, PV, PCdoB e Rede) que lhe declararam apoio.

O deputado João Marcelo tem se destacado como apoiador de Baleia Rossi e articulador da candidatura na bancada maranhense. O ato de lançamento, ele declarou que o MDB tem no seu DNA a luta em defesa da democracia, e completou: “A defesa da liberdade das pessoas, a luta por igualdade e o respeito às instituições e à harmonia entre os Poderes sempre foram as bandeiras do MDB. Esta aliança com diversos partidos de polos opostos no espectro político só reafirma essas bandeiras de luta”.

O parlamentar maranhense avalia que o candidato do MDB reúne as condições para vencer a disputa contra o deputado Arthur Lira (PP-AL), apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas reconhece que se trata de uma disputa em que a campanha tem de ser intensa e mantida sem descanso. Afinal, é complicado jogar contra o poder de fogo do Palácio do Planalto. “Mas estamos na luta e vamos vencer”, diz João Marcelo, vivamente entusiasmado.

São Luís, 07 de Janeiro de 2021.

Flávio Dino admite se candidatar a deputado federal e agita potenciais candidatos à vaga de senador

 

Flávio Dino pode ser candidato a deputado federal

O governador Flávio Dino revelou que poderá disputar uma cadeira na Câmara Federal em 2022 se vier a ser convocado pelo PCdoB para contribuir no esforço destinado a evitar que o partido seja tragado pela cláusula de barreira. A possibilidade foi declarada por ele próprio em entrevista ao jornal O Globo, e como era de se esperar, repercutiu fortemente na seara política estadual, onde alguns políticos de peso aguardam sua decisão para definirem seus rumos na corrida às urnas.

O governador não esconde sua preferência pela candidatura ao Senado, mas tem dito que, dependendo das circunstâncias e do cenário de 2022, poderá ser candidato a presidente da República por uma grande frente que reúna o centro e a esquerda, a vice-presidente, a Senador ou, agora, à Câmara Federal. Cada uma dessas opções, é factível, em maior ou menor grau, mas qualquer avaliação cuidadosa e isenta, que leve em conta a situação do governador e as sutilezas da política, conduz naturalmente à conclusão de que o mandato eletivo mais adequado a Flávio Dino é, de longe, o de senador. E ele próprio admite isso ao declarar, na entrevista, que “o plano mais forte hoje é a candidatura ao Senado, porque depende só de mim”.

Se, por conveniência partidária, Flávio Dino decidir abrir mão de ser um dos 81 senadores para se tornar um dos 513 deputados federais, o PCdoB poderá sair do Maranhão com uma minibancada federal. Nessa hipótese, como candidato a deputado federal, Flávio Dino fará uma campanha focando na necessidade de fortalecer o PCdoB, dando contribuição decisiva para evitar que o partido saia das urnas condenado a desaparecer do mapa partidário ou, num desfecho mais cruel, venha a se tornar um pária partidário. O governador tem força eleitoral suficiente para sair das urnas com duas ou três centenas de milhares de votos, e assim puxar pelo menos mais dois candidatos além dos atuais deputados federais Márcio Jerry e Rubens Júnior, que concorrerão à reeleição.

Com a eventual candidatura a deputado federal, Flávio Dino liberará assim a vaga de candidato a senador, fazendo com que algumas posições no tabuleiro da política maranhense sofram alterações expressivas. Nos bastidores, correm rumores segundo os quais o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), pode se habilitar à vaga de candidato do partido. Também se comenta que, sem Flávio Dino candidato, a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) poderá entrar na disputa pelo mandato senatorial, bem como o ex-governador José Reinaldo Tavares (PSDB). Isso sem contar outros nomes, entre os quais Hilton Gonçalo (PMN), prefeito reeleito de Santa Rita,  o empresário e ex-suplente de senador Lobão Filho, que estaria migrando do MDB para o PSL, e o atual dono da vaga, senador Roberto Rocha (PSDB), que pode optar pela tentativa de renovar o mandato. Se pelo menos parte dessas especulações fosse confirmada, a disputa pela vaga senatorial seria uma das mais agitadas dos últimos tempos.

Ao admitir concorrer à Câmara Federal para ajudar a salvar o PCdoB, o governador sabe que dará um passo muito perigoso, já que como candidato proporcional enfrentará dificuldades para liderar a grande aliança por ele montada na corrida às urnas. Nesse contexto, quem for o candidato do seu grupo à sua sucessão no Palácio dos Leões poderá também enfrentar dificuldades, à medida que o principal líder da aliança não integrará a chapa majoritária. Isso não significa dizer que, concorrendo a deputado federal, o governador terá comprometido o seu tamanho político. Os passos que deu até aqui na sua trajetória são indicadores precisos de que o atual governador do Maranhão já é um nome de abrangência nacional, com personalidade muito bem definida, o que lhe dá grande estatura política.

Se olhado pela posição que alcançou como chefe de um Governo bem-sucedido, como líder de uma grande aliança partidária no estado, como articulador de uma frente partidária reunindo o centro e a esquerda para enfrentar o bolsonarismo, e como uma das firmes e equilibradas vozes da Oposição ao Governo de extrema direita do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Flávio Dino tem condições de realizar um mandato destacado tanto na Câmara Federal quanto o Senado da República.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Interinidade de 10 dias Carlos Brandão amplia sua experiência no comando da máquina estadual

 

Carlos Brandão, usando máscara, orienta equipe do Governo sobre sua interinidade

O vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) assumiu ontem o Governo do Estado para uma interinidade de 10 dias, período em que o governador Flávio Dino (PCdoB) estará de férias, como ocorre todos os anos. Ontem, ele reuniu o secretariado e deu as coordenadas da sua gestão nesse período. Avisou que manterá o Governo funcionando no mesmo ritmo e apontou algumas prioridades para esse período.

O governador interino destacou que o combate ao novo coronavírus é a maior das prioridades, principalmente por conta do risco de que o número de infectados aumente em razão do relaxamento. Ao mesmo tempo, assinalou que vai intensificar os preparativos para o processo de vacinação no Maranhão, já planejado pelo governador Flávio Dino.

Carlos Brandão não terá qualquer dificuldade para comandar o estado nesse período. Primeiro porque em seis anos como vice assumiu várias vezes o comando do Governo sem cometer um deslize ou um equívoco. Depois, porque conhece bem a máquina estadual e acompanha todos os programas e projetos em curso no estado.

A interinidade iniciada ontem é mais um estágio importante para o desafio de assumir o Governo definitivamente com a desincompatibilização do governador Flávio Dino em abril do ano que vem.

 

Marcial Lima deixa o discurso crítico e de cobrança para ser líder do Governo municipal

Marcial Lima: o desafio de deixar o discurso crítico para ser defensor

O vereador Marcial Lima (Podemos) será o líder do Governo na Câmara Municipal de São Luís. O anúncio foi feito ontem, via Twitter, pelo prefeito Eduardo Braide (Podemos). A escolha se explica pelo fato de que o parlamentar é do partido do prefeito e foi um dos aliados mais ativos durante os dois turnos da campanha.

Ao aceitar a tarefa de ser o porta-voz do Governo na Câmara Municipal, o vereador Marcial Lima dá uma guinada forte na sua carreira parlamentar. Explica-se: jornalista, repórter da TV Mirante e da Rádio Mirante FM, Marcial Lima entrou na política embalado pelo trabalho jornalístico voltado para os problemas da cidade, sobretudo os que afetam os bairros e as comunidades periféricas, com incursões também na seara policial. Eleito em 2016, fez um mandato baseado no lastro jornalístico, o que lhe deu base para a reeleição em 2020.

Como líder, seu discurso vai mudar radicalmente, pois sairá da condição de crítico dos problemas para se tornar o principal defensor do Governo municipal, ou seja, deixa a condição de “pedra” para se tornar defensor da “vidraça”. Deve ter medido e pesado com precisão os prós e contras da condição de líder. Se o fez, chegou, claro, à conclusão de que é um bom caminho parlamentar. Mas se aceitou seduzido pelo prestígio, ainda tem tempo de medir e pesar, para não correr riscos.

São Luís, 06 de Janeiro de 2021.

Neto Evangelista dispara contra Edivaldo Jr. afirmando existir R$ 650 milhões de restos a pagar

 

Neto Evangelista diz que Edivaldo Holanda Jr. deixou bolada de restos a pagar e São Luís “a pior” em dois itens, segundo índices de avaliação

Antes de completar um dia na condição de ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PDT) foi alvejado pelo primeiro disparo destinado a colocar em dúvida a imagem de excelência na gestão financeira com que deixou o cargo que exerceu por oito anos. O petardo, que o alcançou às 20 horas e 48 minutos do primeiro dia do ano, foi disparado no Twitter pelo deputado estadual Neto Evangelista (DEM), ex-candidato apoiado pelo PDT à sua sucessão, mas que não contou com seu apoio. Na postagem, Neto Evangelista, a pretexto de enumerar dificuldades que o prefeito Eduardo Braide (Podemos) enfrentará, afirma, sem citá-lo, que Edivaldo Holanda Jr. deixou a Prefeitura com “restos a pagar” no valor nada menos que R$ 650 milhões, e dizendo acreditar que o volume de papagaios pendurados seja bem maior. Ele afirma que, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), São Luís tem Capacidade de Pagamento “C”, “o que, segundo também o STN, só ganhamos do falido Rio de Janeiro nesse quesito”.

Neto Evangelista escreveu também que o novo prefeito recebeu São Luís como “a pior capital do Nordeste”, segundo o Índice de Governança Municipal (IGM), utilizado pela Sudene e outras instituições como instrumento de avaliação nesse campo. E mais: o respeitado Índice Firjan de Gestão Fiscal “aponta nossa Capital como a pior do Brasil nesse quesito”. Na sua avaliação, o parlamentar democrata afirma que, “sem recursos específicos para a Covid, sem compensação sobre a queda de arrecadação e com o fim do auxílio emergencial, o desafio será grande”. E conclui: “Eduardo terá de arrumar literalmente a casa”, o que, numa interpretação lógica e cartesiana, leva à conclusão de que, para o parlamentar, ao contrário do que afirmou na mensagem de despedida, o ex-prefeito deixou a casa desarrumada.

A manifestação de Neto Evangelista, feita no calor da troca do comando municipal, pode ser vista por vários vieses. Pode ter sido, como sugere no final, um gesto de preocupação com a nova gestão, um sinal de alerta, ou também uma denúncia velada, que ficou engasgada durante a campanha eleitoral. Na corrida às urnas, Neto Evangelista definiu e usou um discurso ignorando os resultados da gestão de Edivaldo Holanda Jr., que por sua vez ignorou a existência dele como candidato à sua sucessão.

Até as pedras de cantaria de São Luís sabem que Neto Evangelista e Edivaldo Holanda Jr. não se toleram. O pote de mágoas que cada um carrega em relação ao outro foi enchido na campanha para a Prefeitura em 2012, quando Edivaldo Holanda Jr. (PTC) disputou com João Castelo (PSDB), que tinha Neto Evangelista, então tucano, como vice. No decorrer daquela campanha, Neto Evangelista bateu forte no adversário, transformando diferenças políticas em inimizade ácida. Tanto que quando o senador Weverton Rocha decidiu que o PDT apoiaria a candidatura do democrata Neto Evangelista à sua sucessão, Edivaldo Holanda Jr. reagiu afirmando que não o apoiaria “de jeito nenhum”, e manteve a decisão, aumentando a distância que já os separava. A “neutralidade” do prefeito foi decisiva para o insucesso do candidato da aliança PDT-DEM, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno.

Sem se comprometer com nenhum candidato – contrariando, portanto, a equação básica da política, na qual todo político tem de ter um lado, e que neutralidade pode levar ao isolamento -, Edivaldo Holanda Jr. optou por não se posicionar na disputa por sua sucessão. Preferiu investir as 24 horas de cada dia da contagem regressiva na imagem de bom gestor e esnobando a política, mesmo sabendo que, se pretende voar mais alto, não irá muito longe sem a força dos que o apoiaram nas duas eleições, mas que não tiveram seu apoio agora. O petardo disparado pelo deputado Neto Evangelista é um sintoma forte de que muitos outros virão nos tempos de disputa que se aproximam.

Com experiência suficiente para saber como funciona a ciranda da guerra pelo poder, o ex-prefeito já deve ter definidas estratégias para o confronto com adversários.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Assembleia Legislativa entra na linha de frente dos parlamentos com maior presença feminina

Othelino Neto entre Socorro Waquim, Betel Gomes e Fábio Braga: composição da Assembleia Legislativa mudada com a eleição de deputados para prefeituras

A Assembleia Legislativa recebeu ontem três novos deputados: Socorro Waquim (MDB), que assumiu na vaga de Rigo teles (PL), novo prefeito de Barra do Corda; Betel Gomes (PRTB), que sucedeu a Felipe dos Pneus (Republicanos), agora prefeito de Santa Inês, e Fábio Braga (Solidariedade) na vaga de Fernando Pessoa (Solidariedade), que se elegeu prefeito de Tuntum.

Com a chegada de Socorro Waquim e Betel Gomes, a Assembleia Legislativa do Maranhão entra na linha de frente dos parlamentos estaduais onde é expressiva a participação de mulheres. Elas se somam a Ana do Gás (PCdoB), Andreia Rezende (DEM), Cleide Coutinho (PDT), Daniella Tema (DEM), Detinha (PL), Thaíza Hortegal (PP), Helena Duailibe (Solidariedade) e Mical Damasceno (PTB), totalizando 10 parlamentares femininas, representando quase 25% da composição do plenário de 42 cadeiras.

Com o novo quadro, o parlamento maranhense reforça o pluralismo partidário e avança para o equilíbrio de gênero. Mais ainda, quando é visível que as deputadas são parlamentares atuantes, propositivas, afeitas ao debate e preocupadas com os problemas mais diversos enfrentados pela população do Maranhão.

Socorro Waquim é professora e política experimentada e bem-sucedida, tendo sido deputada estadual, vereadora e prefeita de Timon, tendo também atuado como integrante do secretariado do último Governo de Roseana Sarney (MDB). Além da vivência política, Socorro Waquim leva para o parlamento estadual a experiência de ter comandado Timon, hoje o terceiro maior município do Maranhão em população, e politicamente consciente em relação ao papel da mulher na política. “Nossa presença aqui é a presença do empoderamento das mulheres”, disse.

Filha de lavradores, Betel Gomes, que é professora primária, chega à Assembleia Legislativa para exercer o seu primeiro mandato estadual com a experiência de militante política na região de Buriticupu, onde atuou como secretária de Cultura, Educação e Assistência Social. Já empossada, declarou que se sente motivada para fortalecer a posição das mulheres na Casa e dar “o melhor de mim” pelo povo do Maranhão.

Ao comentar a posse dos três novos deputados, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) destacou que a presença de 10 mulheres entre os 42 deputados torna a Assembleia Legislativa do Maranhão um parlamento diferenciado e caminhando para o equilíbrio nesse sentido. “Me sinto honrado de presidir a Casa com esse perfil”, disse.

Dino fica neutro na disputa da Famem, deixando campo aberto para Weverton e Brandão

Flávio Dino: neutralidade na disputa pelo comando da Famem

O governador Flávio Dino (PCdoB) não se envolverá na disputa para o comando da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), na qual o atual presidente Erlânio Xavier (PDT), prefeito reeleito de Igarapé Grande, tem como adversário o prefeito reeleito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos).

A explicação para a neutralidade anunciada pelo governador é simples. A eleição na Famem foi transformada numa medição de força entre o senador Weverton Rocha (PDT), que apoia o atual presidente, e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), que abraçou a candidatura do prefeito de Caxias, que é do seu partido. Ambos vêm travando um embate direto e aberto para consolidar seus projetos de disputar o Governo do Estado. O governador não quer se envolver numa disputa que não lhe diz respeito diretamente.

O presidente Erlânio Xavier é o homem de frente de Weverton Rocha, tendo coordenado sua campanha em 2018. O comando da Famem faz dele um importante porta-voz do senador junto aos prefeitos, o que torna a entidade um braço fundamental na estrutura de apoio dele. O comando de um pequeno município não lhe dá peso político, mas a presidência da Famem faz dele um interlocutor privilegiado e valioso para o projeto de poder do líder pedetista.

O prefeito Fábio Gentil, ao contrário, comanda o quarto maior e politicamente mais importante município do Maranhão, e com a autoridade de quem foi reeleito com mais de 75% dos votos, praticamente desmontando a máquina poderosa montada ex-deputado Humberto Coutinho. Candidato irreversível à presidência da Famem, conforme anunciou, Fábio Gentil conta com o apoio do vice-governador Carlos Brandão, que tem como aliado.

A neutralidade do governador Flávio Dino tornará a disputa mais dura entre Erlânio Xavier e Fábio Gentil pelo comando da Famem, acirrando o embate entre Weverton Rocha e Carlos Brandão pelo Palácio dos Leões.

São Luís, 05 de Janeiro de 2021.