Corrida à Prefeitura de São Luís começa ressuscitando o que há de mais saudável na política: a conversa

 

Acima: Rubens Júnior conversa com Honorato Fernandes; no meio: Simplício Araújo conversa com Duarte Júnior e Carlos Madeira, e embaixo: Franklin Douglas conversa com Bira do Pindaré

O eleitor ludovicense mais atento está assistindo a um processo político saudável: pré-candidatos à Prefeitura de São Luís mergulhados em articulações que se dão por meio de conversas entre representantes partidários em busca de alianças que lhes garantam lastro político e eleitoral para a corrida às urnas daqui a pouco mais de nove meses. Nas últimas duas semanas foram registrados encontros diversos nesse sentido, entre eles o da cúpula do Solidariedade com os aspirantes a candidato Duarte Jr. (PCdoB) e Carlos Madeira (que deve se filiar ao SD), o de Bira do Pindaré (PSB) com Franklin Douglas (PSOL), o que reuniu Rubens Júnior (PCdoB) e Honorato Fernandes (PT), e a rumorosa conversa de Eduardo Braide (Podemos) com Josimar de Maranhãozinho (PL), além vários outros a respeito dos quais só se soube por meio de rumores de bastidor. Uma das conversas mais importantes se deu entre o governador Flávio Dino (PCdoB) e o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), tendo o primeiro entregue a coordenação do processo político-eleitoral ao segundo, que deve deflagrar a operação no final de fevereiro ou no início de março.

É universal a tradição segundo a qual política é a arte de alcançar o impossível por meio da boa conversa. Mas no Maranhão, durante muitos anos, as decisões foram tomadas na mansão do Calhau, o QG do Grupo Sarney, onde todos dependiam da palavra final de José Sarney e, mais recentemente, de Roseana Sarney. No campo oposicionista, as decisões eram tomadas no apartamento de Jackson Lago, que tinha a palavra final sobre qualquer decisão do PDT, e na residência de João Castelo, que também costumava bater martelo sem levar muito em conta a opinião de aliados.

O que está acontecendo agora na Capital, por conta da sucessão no Palácio de la Ravardière, é a reinvenção da política por excelência, na qual propor alianças e até mesmo dialogar com adversários deixou de ser heresia, valendo o que for acertado na mesa de negociação, na qual se faz propostas e concessões para se obter bons acordos, como recomenda a boa prática política. Um exemplo dessa boa prática são as investidas do chefe do Solidariedade, Simplício Araújo, em busca de um candidato para seu partido, abrindo caminho para entendimentos em diversas direções. Também a conversa de Rubens Júnior com o chefe petista Honorato Fernandes demonstra ser possível a construção de uma aliança PCdoB/PT visando a Prefeitura de São Luís.

Quando Bira do Pindaré e Franklin Douglas conversam sobre a conveniência política de PSB e PSOL marcharem alinhados, se possível levando junto PCB e PT. Com a iniciativa, demonstram que o isolamento de alguns segmentos da esquerda mais radical pode ser quebrado, de modo a que eles possam formar o lastro de uma chapa potencialmente forte, se encabeçada pelo parlamentar do PSB, já testado nas urnas da Capital. O mesmo ocorre quando o senador Weverton Rocha comanda entendimentos do PDT com Neto Evangelista, do DEM, e Roberto Costa propõe a candidatura da ex-governadora Roseana Sarney, ao mesmo tempo em que tenta abrir o MDB em todas as direções. Diferentemente de outros tempos, as conversas se dão sem a preocupação de os articuladores estarem contrariando chefes maiores dos seus grupos.

Esse novo movimento no tabuleiro político de São Luís é em grande medida resultado da visão política do governador Flávio Dino, que é o comandante inconteste de uma ampla aliança, mas não reprime a ação política dos líderes que dela fazem parte. No caso da sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior, vários nomes se movimentam em busca de apoio para lançar candidaturas. Ninguém foi atropelado. Isso significa dizer que a aliança comandada pelo governador pode formar fileira em torno de um candidato, podendo também pode se dividir para embalar várias candidaturas, que terminarão por de mobilizar no apoio à mais viável.

É a boa prática política em andamento.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Se Luciano Huck for candidato pelo Cidadania, Eliziane Gama pode ficar em situação delicada

Eliziane Gama: corrida presidencial poderá colocá-la numa saia muito justa

A senadora Eliziane Gama acompanha atentamente a movimentação do chefe maior do seu partido, o Cidadania, Roberto Freire, no sentido de emplacar o apresentador Luciano Huck como candidato da agremiação a presidente da República em 2022. Eleita para o Senado com o apoio decisivo do governador Flávio Dino, Eliziane Gama ficará numa tremenda saia justa se o projeto de Roberto Freire ganhar força e o governador Flávio Dino também entre na corrida presidencial pelo PCdoB. Nos últimos dias, Roberto Freire tem se movimentado intensamente para atrair Luciano Huck para o Cidadania, uma vez que, mesmo com o apoio aberto e assumido do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a filiação ao apresentador ao PSDB foi mortalmente bombardeada pelo governador de São Paulo, João Dória, que dá hoje as cartas no partido e é candidatíssimo à sucessão do presidente Jair Bolsonaro. Hoje um dos nomes mais destacados do Cidadania no Congresso Nacional, a senadora Eliziane Gama terá de tomar uma decisão dificílima se Luciano Huck sair candidato pelo seu partido e o governador Flávio Dino entrar na corrida presidencial pelo PCdoB.

 

Presença da primeira-dama na comitiva do prefeito de São Luís tem chamado a atenção

A primeira-dama Camila Holanda tem acompanhado o prefeito Edivaldo Holanda Júnior em todas incursões dele para inspecionar obras em andamento nos bairros

Aumenta a cada dia a curiosidade geral a respeito do que está realmente motivando a participação da primeira-dama de São Luís, Camila Holanda, nas incursões diárias do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) pelos bairros de São Luís onde estão sendo realizadas obras da Prefeitura. No primeiro mandato do marido, de quem é o maior esteio, Camila Holanda teve participação discreta, distante da rotina de trabalho do prefeito. Desde o ano passado, porém, ela se tornou parte ativa e permanente dessa rotina, usando capacete de proteção, calças jeans surradas e calçando botas para pisar na lama, se for o caso. Fala pouco, evita palpite técnicos, mas os auxiliares mais próximos do prefeito já teriam aprendido a identificar no seu olhar as expressões de aprovação e desaprovação em relação às obras vistoriadas. Há quem diga que Camila Holanda estaria se preparando para uma tarefa política de grande envergadura, mas ninguém arrisca um palpite a respeito. O fato é que sua juventude, beleza e simpatia têm dado um armais leve à comitiva do prefeito Edivaldo Holanda Júnior.

São Luís, 10 de Janeiro de 2020.

Eficiência do Governo Dino mostrada pelo G1 é fruto de gestão feita com princípios e decisão política

 

Flávio Dino: trabalho duro e controle férreo têm produzido gestão eficiente no Estado

Se seus adversários apostaram que no segundo mandato o governador Flávio Dino (PCdoB) seria intimidado e mergulharia no desânimo diante do cenário em que a política nacional deu uma guinada radical à extrema direita com a eleição de Jair Bolsonaro presidente da República, perderam a aposta. Mais animado politicamente, tendo assumido a linha de frente da Oposição ao novo poder central, o governador do Maranhão pisou no acelerador administrativo e fechou o primeiro ano do segundo mandato apontado como comandante do segundo Governo mais eficiente do País, tendo realizado nada menos que 70% das metas traçadas no programa de ação, de acordo com levantamento feito pelo G1, o portal de notícias do sistema Globo. O Governo do Maranhão ficou atrás apenas do Governo do Ceará, que conseguiu cumprir 74% das metas anunciadas. Com essa informação, Flávio Dino ganhou gás suficiente para turbinar sua gestão, dando continuidade aos programas de Governo, e intensificar sua ação política, que tem no plano maior uma eventual candidatura ao Palácio do Planalto.

Realizado desde o final de 2015, o levantamento do G1 avalia o cumprimento dos compromissos de campanha e das promessas feitas por cada governante antes de assumir o cargo. Os números anunciados nesta semana dizem respeito ao primeiro ano de mandato dos governadores eleitos ou reeleitos em 2018 e empossados em janeiro de 2019. O resultado obtido pelo Governo do Maranhão é melhor do que o alcançado no primeiro ano do primeiro mandato, em 2015, quando a eficiência fez com que o Governo realizasse 59% dos seus compromissos de campanha, tendo colocado o Maranhão na segunda posição.

A eficiência da atual gestão estadual não é uma ocorrência surpreendente e imprevista, mas o resultado de um conjunto de ações motivadas por decisões políticas cuidadosamente concebidas. No discurso de posse que fez na Assembleia Legislativa no dia 1º de janeiro de 2015, o governador Flávio Dino (PCdoB) assumiu, perante deputados, autoridades e convidados um compromisso muito claro e enfático: governar usando correta e honestamente os recursos públicos, de modo a realizar uma gestão que investisse em programas voltados para enfrentar e reduzir as desigualdades que maculam fortemente a estrutura social do Maranhão. Daí nasceram programas como Escola Digna, Iemas, Mais IDH, Mais Saúde, Mais Segurança, outros que encontrou já em andamento e que ampliou fortemente, como o Restaurante Popular, além de investimentos em infraestrutura e na cultura, entre outros de igual peso nas diversas áreas de alcance dos serviços públicos.

Os bons resultados alcançados pelo Governo do Maranhão são frutos do que pode ser definido como um princípio em forma de procedimento: a boa aplicação do dinheiro público. Nos seus cinco anos não veio à tona, nem como especulação, qualquer suspeita de desvio, desperdício ou outra distorção no uso dos recursos do contribuinte. Nos bastidores do Governo todos os ordenadores de despesas sabem que o governador é intolerante e implacável nesse campo, exercendo um controle férreo sobre compras, contratos e pagamentos. Parte das 12, 14 horas de trabalho diário é dedicada ao acompanhamento da situação financeira do Governo, informando-se permanentemente sobre o que tinha, o que entrou e o que saiu do caixa. Esse cuidado   permanente lhe permitiu garantir o pagamento da folha de pessoal sem uma semana de atraso nos seus 60 meses de Governo, o que o tornou uma referência entre os governadores.

O levantamento feito pelo G1 chega num momento importante tanto no aspecto administrativo quanto no campo da política. Administrativamente, reforça a imagem de gestor eficiente que o governador Flávio Dino vem consolidando desde o primeiro levantamento, revelado no início de 2016.  Já no campo político, reforça sua posição e sua influência no tabuleiro no tabuleiro onde se movem as pedras da política maranhense, situação que se reflete no cenário nacional, no qual muitos gestores são vistos como exemplos de fracasso.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Edivaldo Holanda Júnior só vai tratar de sucessão depois do Carnaval

Edivaldo Holanda Júnior, acompanhado da primeira-dama Camila Holanda: sucessão só depois do Carnaval

Uma decisão teria sido tomada no gabinete principal do Palácio de la Ravardière: o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) vai mesmo coordenar as articulações para a participação dos partidos aliados na corrida para a sua sucessão. Mas estaria decidido também a só entrar no cenário sucessório para valer depois do Carnaval, que terá seu ápice no dia 25 de fevereiro. Isso significa dizer que as definições só ocorrerão com a chegada das águas de março. O prefeito está no momento focado no programa de obras que pretende inaugurar até o final do ano, sendo que muitas delas – como a reforma da Praça da Bíblia, por exemplo – deverão ser entregues antes da folia momesca. Isso não significa dizer que Edivaldo Holanda Júnior esteja à margem da movimentação dentro e fora do seu partido na busca de candidatos. Há relatos de que ele tem conversado com o senador Weverton Rocha sobre a posição do PDT, mas nada que tenha resultado em definição. Portanto, mesmo considerando a imprevisibilidade da política, é quase certo que o prefeito só vai mesmo se manifestar sobre o assunto quando Momo partir.

 

Distância entre partidos da base mostra o tamanho da divisão do sarneysismo

Roberto Costa, Adriano Sarney, Edilázio Júnior e Aluísio Mendes: sarneysismo dividido e sem chance de união

A corrida à Prefeitura de São Luís vem mostrando o tamanho da divisão que torna quase impossível ao que restou do Grupo Sarney se juntar em torno de um projeto de candidatura. O MDB, sob o comando político do deputado Roberto Costa, caminha com os seus próprios pés e emite todos os sinais de que não quer conversa com a pré-candidatura do deputado estadual Adriano Sarney (PV), que também tem feito o mesmo em relação ao MDB. O deputado federal Edilázio Júnior, que controla o PSD no Maranhão, tem se mantido distante dos movimentos do MDB e da pré-candidatura de Adriano Sarney, dando a impressão de que só conversará com o PV depois de esgotar outras possibilidades. E, finalmente, o deputado Aluísio Mendes, agora no comando do PSC, nada disse ainda a respeito de como seu partido caminhará rumo ao Palácio de la Ravardière. E o que chama mais atenção é que a ex-governadora Roseana Sarney, que poderia articular uma frente com esses partidos, parece não ter qualquer interesse em assumir o desafio.

São Luís, 09 de Janeiro de 2020.

Decisão da cúpula do DEM leva Neto Evangelista a ser candidato com ou sem aliança com o PDT

 

Neto Evangelista (d) tem o apoio de ACM Neto (c) e Juscelino Filho (e)

Uma decisão recente do comando nacional do DEM atiçou os ânimos nas entranhas da aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), onde estão sendo travadas disputas que resultarão na definição do candidato – ou   candidatos – do grupo a prefeito de São Luís. O partido comandado nacionalmente por ACM Neto, prefeito de Salvador (BA), confirmou a candidatura do deputado estadual Neto Evangelista à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), e com a recomendação expressa de que esse projeto deve ser concretizado com ou sem aliança. Pelo que ficou claro, Neto Evangelista é uma das apostas do DEM na corrida por prefeituras de capitais, e a julgar pelo empenho de torná-lo candidato em São Luís, a cúpula democrata acredita que ele tem cacife para disputar e vencer o pleito. Até aqui, o parlamentar já trabalha com duas possibilidades: sair candidato em aliança com o PDT, que indicaria o vice, ou lançar-se sozinho.

Se por um lado a manifestação da cúpula do DEM reforça a posição de Neto Evangelista – que tem dito que será candidato de qualquer maneira -, injetando-lhe ânimo para seguir em frente, por outro o coloca numa situação incômoda dentro da aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino. A comodidade está no fato de que sua candidatura não encontra qualquer traço de resistência ou concorrência dentro do braço ludovicense do DEM, do qual é presidente, permitindo que ele se movimente como bem entender em busca de apoio político e eleitoral. E o incômodo se dá porque a irreversibilidade da sua candidatura determinada pela cúpula partidária pode colocá-lo em rota de confronto com algum aliado da base governista.

Vista por outro ângulo, a determinação da cúpula democrata de ter Neto Evangelista candidato lhe dá vantagem numa eventual negociação com o PDT. Isso porque dentro do arraial brizolista   todos – inclusive o vereador-presidente Osmar Filho – sabem que uma aliança DEM-PDT, tendo Neto Evangelista como candidato a prefeito e um representante do PDT como vice é o Plano A do presidente regional do partido, senador Weverton Rocha, diante das dificuldades que tem de encontrar um pedetista com cacife eleitoral para brigar pela sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior. O senador e o atual prefeito vivem o drama de ter de passar o Palácio de la Ravardière a um representante de outro partido, ainda que aliado, como Rubens Júnior (PCdoB), Duarte Júnior (PCdoB) e Bira do Pindaré (PSB), ou, pior ainda, a um adversário, como Eduardo Braide (Podemos). A solução menos traumática para o partido será o projeto de aliança DEM/PDT. Não há outra saída para o partido fundado no Maranhão por Jackson Lago e que mandou na Prefeitura de São Luís por mais de 20 anos nas últimas três décadas.

Político jovem, mas com experiência e faro de raposa tarimbada, Neto Evangelista sabe onde está pisando quando o campo de batalha eleitoral é São Luís, onde perdeu a eleição em 2012 como vice do então prefeito João Castelo, candidato à reeleição e derrotado por Edivaldo Holanda Júnior. Quando entrou para o DEM, em 2017, sabia que tinha dois objetivos desafiadores: reeleger-se deputado estadual em 2018 e disputar a Prefeitura de São Luís em 2020. Venceu o primeiro com tranquilidade e está determinado a vencer também o segundo, mesmo sabendo dos enormes obstáculos que terá de superar, mesmo como cabeça de uma chapa tendo o PDT como aliado. As pesquisas têm informado que ele tem cacife para uma boa largada.

Nesse contexto em que a indefinição domina o cenário pré-eleitoral, a manifestação do comando nacional do DEM refirmando apoio incondicional à sua candidatura a prefeito de São Luís, Neto Evangelista dá mais um passo para consolidar em definitivo sua candidatura, mesmo num cenário em que há nomes de peso na disputa. Agora com a certeza de que, além do senador Weverton Rocha, a decisão de como o PDT participará da disputa passará também pelo prefeito Edivaldo Holanda Júnior.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Solidariedade joga bem ao abrir caminho para candidatos a candidato

Simplício Araújo (ao fundo) em conversa com Duarte Júnior e Carlos Madeira

O aparente desnorteio do Solidariedade na busca de um candidato a prefeito de São Luís tem sido, na verdade, um surpreendente exercício de política, que poderá, ou não, resultar na montagem de uma chapa competitiva. O partido comandado por Simplício Araújo, suplente de deputado federal e secretário de Indústria e Comércio, já contabiliza nos seus quadros o ex-juiz Carlos Madeira, que se aposentou focado no projeto de ser candidato a prefeito. E tem ao alcance da mão os deputados Duarte Júnior (PCdoB) e Yglésio Moyses (sem partido). Político antenado, Simplício Araújo sabe que a candidatura de Carlos Madeira é uma aposta sem maior perspectiva de retorno político e eleitoral, pois servirá mais para introduzir o ex-magistrado   federal na movediça seara política do que para participar da disputa com possibilidade real de vencê-la. No caso de Yglésio Moyses, que o PDT deixou escapar, a aposta seria um pouco mais consistente, por se tratar de um político jovem, extremamente ativo como parlamentar e que está determinado a ocupar espaço no cenário estadual, enxergando essa oportunidade na corrida eleitoral na capital. O deputado Duarte Júnior, um fenômeno eleitoral em busca de densidade política, queiram ou não seus adversários, poderá ser uma das estrelas dessa corrida, seja ou não escolhido candidato do PCdoB. As articulações em curso podem até não produzir um resultado política e eleitoralmente graúdo, mas não há dúvida de que o chefe do Solidariedade no Maranhão está jogando bem nesse tabuleiro movediço, onde há muito não se via tanta movimentação e ousadia.

 

PSB dá quinada à esquerda e pode fazer aliança com PSOL, PCB e PT

Flranklin Douglas e Bira do Pindaré entre Carlos Noleto e Nelson Brito: conversa

Poderão PSB, PSOL, PCB e PT juntarem forças numa aliança para disputar a Prefeitura de São Luís? Qualquer análise descompromissada feita até 48 horas atrás diria que não, mas o surpreendente encontro do professor e militante político   Franklin Douglas, pré-candidato do PSOL, e o deputado federal Bira do Pindaré, candidato escolhido do PSB, sinalizou essa possibilidade, por mais remota que ela seja. Três pontos podem ser anotados sobre essa reunião. O primeiro é o gesto de flexibilidade do pré-candidato do PSOL, que abre o partido para a possibilidade de uma composição visando a Prefeitura de São Luís. O outro é a guinada do pré-candidato do PSB para a esquerda. E o terceiro ponto é que nas suas declarações nenhum deles sequer levantou a hipótese, por mais remota que ela seja, de uma aliança incluindo o PCdoB. A conversa de entre Franklin Douglas e Bira do Pindaré não produziu um resultado concreto, mas emitiu um sinal forte de que a fase preparatória da corrida à Prefeitura de São Luís ainda reserva muitas surpresas.

São Luís, 08 de Janeiro de 2020.

Dino diz que vai focar nas eleições municipais e avisa apoiará candidatos da aliança governista

 

Flávio Dino avisa: vai se dedicar às eleições municipais

Em meio ao turbilhão especulativo que o envolveu desde que veio à tona a informação de que se encontrara com apresentador Luciano Huck – um dos mais destacados integrantes ainda sem partido do time de candidatos a candidatos a presidente da República -, o governador Flávio Dino (PCdoB), em entrevista ao Jornal Pequeno, disparou um aviso direto: sua agenda política em 2020 será focada nas eleições municipais. E dentro do aviso, o governador mandou uma série de recados: vai participar do processo de disputa por prefeituras incentivando candidatos a prefeito do seu grupo e da aliança partidária que lidera, assinalando ainda que onde houver dois aliados disputando, não tomará posição no embate. No caso de São Luís, onde enxerga um cenário político-eleitoral mais complexo, o governador revelou que entregou a coordenação ao prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), que terá o desafio de harmonizar o máximo possível as forças aliadas que estarão no confronto pelo comando político e administrativo da Capital. Em resumo, 2020 será um ano essencialmente político, voltado para a eleição de 217 prefeitos e de 2.320 vereadores no Maranhão.

Depois de ter vivido intensamente 2019 como um ano político que refletiu o resultado das eleições de 2018, de cujas urnas saíram vários projetos mirando o Palácio do Planalto em 2022, o governador do Maranhão, reeleito em turno único, foca agora sua agenda na base que lhe dá sustentação. A começar pelo fato de que os prefeitos que serão eleitos em Outubro estarão no auge dos seus mandatos na corrida eleitoral de 2022, com poder de fogo político que os tornarão peças-chaves nos projetos eleitorais visando Assembleia Legislativa, Governo do Estado, Câmara Federal, Senado e Presidência da República. E como líder de uma grande aliança, sua tarefa – gigantesca e desafiadora, diga-se -, será turbinar os partidos aliados, começando pelo PCdoB, para manter ou até mesmo ampliar, seus espaços políticos na seara municipal. Daí o recado direto de que vai participar apoiando aliados, mas tendo o cuidado de não se envolver onde dois estiverem disputando.

Hoje um político que usa conhecimento, inteligência e experiência em todos os seus movimentos, o governador do Maranhão já conhece a fundo as sutilezas, os humores e os interesses que movem a política na base. Nesse sentido, sinaliza com esforços para ajudar seus aliados a alcançar um bom desempenho nas urnas, cada vez mais ciente de que o resultado das eleições municipais terá reflexo direto nas eleições gerais de 2022, que por sua vez serão decisivas para o futuro do estado. E nesse contexto, o seu partido, o PCdoB, que comanda atualmente mais de 40 prefeituras, tem papel fundamental, não apenas elegendo o maior número de prefeitos, como também dando exemplos de boa gestão. PDT, PSB, PT e Cidadania, seus principais aliados à esquerda, são também partes importantes desse projeto.

O trecho da entrevista dedicado a São Luís reforça a ideia de fortalecimento da aliança. Isso porque, ao entregar a Edivaldo Holanda Júnior a coordenação do processo que resultará na escolha do candidato – ou candidatos – do grupo e na campanha governista, Flávio Dino dá ao prefeito uma responsabilidade excepcional. O governador sabe que agora, mais do que nunca, a eleição do prefeito de São Luís é um desafio para o grupo que lidera. Primeiro porque a aliança tem o que ele definiu como “vários ótimos pré-candidatos” – Duarte Júnior (PCdoB), Rubens Júnior (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB), Neto Evangelista (DEM) e Yglésio Moises (sem partido). E depois, porque a Oposição também está entrando no confronto com candidatos fortes, entre eles Eduardo Braide (Podemos), apontado pelas pesquisas como favorito. Nesse contexto, com duas eleições de vereador e duas de prefeito, Edivaldo Holanda Júnior conhece bem o caminho das pedras, estando, portanto, em condições de obter bom resultado.

O projeto presidencial permanecerá de pé, mas em “banho maria”, para ser retomado com toda força em 2021.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Tadeu Palácio estaria satisfeito com os 6% na pesquisa

Tadeu Palácio com Chico Carvalho no ato de filiação ao PSL

O ex-prefeito Tadeu Palácio (PSL) teria comemorado efusivamente os 6% de intenções de voto que recebeu na pesquisa Econométrica feita no apagar das luzes de 2019. Não é para menos. Afinal, ele recebeu percentual na faixa recebida pelo deputado federal Bira do Pindaré (PSB) e dos deputados estaduais Neto Evangelista (DEM) e Wellington do Curso (PSDB). Para ele, que estava afastado do cenário político depois de ter governado São Luís por seis anos e com a experiência de uma reeleição vencida no primeiro turno, retornar à cena com 6% das intenções de votos num time de pré-candidatos que estão no jogo e em grande evidência. Parece também não ter sido atingido fortemente pelo destino comum a vários ex-prefeitos de São Luís, como as ex-prefeitas Gardênia Gonçalves e Conceição Andrade, por exemplo, que romperam com as urnas depois das suas conturbadas passagens pelo Palácio de la Ravardière. Para o ex-prefeito Tadeu Palácio, o simples fato de ter sido lembrado e escolhido por uma fatia expressiva dos entrevistados pelo Econométrica é alvissareiro, pois permitiu que ele retornasse ao cenário da política municipal, se não para voltar à Prefeitura, pelo menos para se divertir tentando.

 

Roseana não será candidata e tentará levar o MDB a apoiar Adriano Sarney

Roseana Sarney: de fora para apoiar Adriano Sarney

Corre nos bastidores que a ex-governadora Roseana Sarney já teria batido martelo e decidido não ser candidata à Prefeitura de São Luís pelo MDB. Sem ela na disputa, o deputado Adriano Sarney (PV) deverá consolidar o seu projeto de candidatura, e apostando que terá o apoio da tia. No MDB, há ainda que acredite que a ex-governadora repense sua decisão e seja candidata, mas ela dificilmente deixará de apoiar o sobrinho, se ele de fato mantiver o projeto. E pelo que imaginam alguns sarneysistas mais experientes, a estratégia será levar o MDB para uma aliança com o PV, tendo Adriano Sarney como candidato a prefeito com um vice emedebista. Há quem diga que até o ex-presidente José Sarney estaria inclinado a apoiar essa equação, que encontra forte resistência na ala jovem do partido. Essa aliança pode até não sair, mas certamente será proposta.

São Luís, 07 de Janeiro de 2020.

São Luís: Pesquisas apontaram favoritismo de Braide, mas o cenário está longe da forma definitiva

 

Eduardo Braide lidera a corrida em São Luís seguido de Roseana Sarney e Duarte Júnior , mas terá favoritismo testado

Duas pesquisas (Econométrica e DataM), realizadas no apagar das luzes de 2019, para medir os humores do eleitorado em relação a pré-candidaturas à Prefeitura de São Luís, indicaram, com forte nitidez, que nessa fase ainda primária e imprecisa da corrida às urnas, Eduardo Braide (Podemos) se mantém como favorito inconteste à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), surfando em ondas de 44,9% a 41,6% de intenções de voto. Os dois levantamentos mostram que o segundo time de pré-candidatos é liderado por Roseana Sarney (MDB) com 11,4% e 9,9%, seguida de Duarte Jr. (PCdoB), com 9,9% nos dois levantamentos, Wellington do Curso (PSDB) com 7,9% e 4,8%, Neto Evangelista (DEM) com 7,2% e 3,8%, Bira do Pindaré (PSB) com 4,4% e 3,5%, Jeisael Marx (Rede) com 2,9% e 2%, Osmar Filho (PDT) com 2,5% nos dois, Yglésio Moises (sem partido) com 1,3% e 1,4%, Carlos Madeira (SD) com 0,1% e 0,8% e Rubens Júnior (PCdoB) com 0,7% e 0,6%. O ex-prefeito Tadeu Palácio aparece na pesquisa Econométrica com 6,1%, mas não foi incluído na do DataM, e Adriano Sarney (PV) só aparece na pesquisa Econométrica, com 3,0%, num cenário sem Roseana Sarney.

São cenários que, com exceção de Eduardo Braide, vêm de repetindo, com algumas alterações tímidas e pontuais, principalmente devido ao fato de que nem os candidatos, nem os partidos e nem os líderes maiores bateram martelo sobre quem será, de fato, candidato. Janeiro será uma espécie de contagem regressiva para que os grupos políticos e partidários começam, efetivamente, a dizer quem será quem nesse jogo.

Três situações poderão definir os rumos da corrida eleitoral na capital. A primeira delas será o posicionamento do governador Flávio Dino sobre quem será o candidato do PCdoB, se Duarte Júnior ou Rubens Júnior. A segunda é sobre quem o Edivaldo Holanda Júnior abraçará como candidato do PDT: Osmar Filho, Neto Evangelista numa eventual aliança DEM/PDT, ou sugerirá um vice numa aliança com o PCdoB? E a terceira: Roseana Sarney será mesmo candidata do MDB para disputar com Adriano Sarney ou ficará de fora da disputa. As respostas para essas indagações darão composição definitiva ao cenário da disputa, pois a sucessão no Palácio de la Ravardière dificilmente se dará fora dessas situações e do projeto de Eduardo Braide. Isso porque o favoritismo do candidato do Podemos até aqui parece consistente, a indefinição no PCdoB e no PDT e o “fator” Roseana Sarney mostrados pelas pesquisas indicaram que essas definições terão elevado poder de fogo político e eleitoral ao longo da corrida.

A consistência do cacife de Eduardo Braide mostrada nas pesquisas sugere que o governador Flávio Dino e o prefeito Edivaldo Holanda Júnior caminhem para uma aliança do PCdoB com o PDT, restando saber em torno de que nome. Duarte Júnior tem se mostrado bom de voto, mas ainda é muito verde em política, enquanto Rubens Júnior tem sólida tarimba política, é bom de voto, mas ainda não deslanchou em São Luís. O nome a ser escolhido tem de ter a cara da aliança PCdoB/PDT, de modo a incorporar um discurso ao mesmo tempo alinhado à Prefeitura e ao Governo do Estado e que traduza o ânimo da aliança político-partidária que comanda o Maranhão, incluindo São Luís. Além disso, se, contrariando as expectativas, Roseana Sarney resolver ser mesmo candidata, ninguém duvida de que o cenário sofrerá alteração expressiva, podendo até minar o favoritismo de Eduardo Braide e mandá-lo enfraquecido para um segundo turno.

Nesse contexto, Wellington do Curso, Neto Evangelista, Tadeu Palácio, Bira do Pindaré, Jeisael Marx, Osmar Filho, Yglésio Moises e Carlos Madeira, se confirmarem suas candidaturas, terão de fazer esforços gigantescos para reverter o favoritismo de Eduardo Braide e reduzir o poder de fogo do candidato a ser lançado numa aliança PCdoB/PDT, para que tenham alguma chance na disputa. Isso significa dizer que apostar agora na vitória de Eduardo Braide é precipitação pura, porque a corrida para valer só será iniciada quando o martelo for batido no Palácio dos Leões, no Palácio de la Ravardière e na mansão do Calhau. Esse desenho deve ser rascunhado durante a calmaria de janeiro e a festança de Momo, para ganhar forma definitiva com a chegada das águas de março. É quando se saberá se o favoritismo do candidato do Podemos é sólido quanto parece.

Em Tempo: O instituto DataM ouviu 800 eleitores de São Luís, nos dias 28 e 29 de dezembro, tendo sua pesquisa margem de erro de 3,1% para mais ou para menos sobre os percentuais encontrados. O instituto Econométrica ouviu 938 eleitores nos dias 17 e 18 de dezembro, tendo sua pesquisa margem de erro de 3,4% e com um intervalo de confiança de 95%.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PDT não vai conseguir lançar candidatos na maioria dos grandes municípios

Weverton Rocha 

A menos que esteja em curso uma estratégia para surpreender meio mundo nos próximos meses, o cenário do momento para as eleições municipais indica que o PDT, comandado pelo senador Weverton Rocha, será coadjuvante em parte expressiva dos    maiores municípios do Maranhão. Até aqui, não há indicativo seguro de que o PDT tenha um nome forte para brigar pela sucessão em São Luís, hoje governada pelo partido. Em Imperatriz, o PDT já anunciou que apoiará a candidatura do deputado Marco Aurélio (PCdoB). Em Caxias, o partido só entrará na disputa se o candidato for a deputada Cleide Coutinho, que não demonstra interesses em entrar na disputa. Em Pinheiro, tudo indica que o PDT apoiará a candidatura do prefeito Luciano Genésio (PP), candidato à reeleição. Em Timon, ainda há dívidas sobre quem será o candidato do prefeito Luciano Leitoa (PSB), havendo, porém, quem garanta que o deputado pedetista Rafael Leitoa será lançado em breve, o que muitos duvidam. Em São José de Ribamar, não há ainda certeza se o PDT lançará um candidato para enfrentar o prefeito Eudes Sampaio (PTB), o ex-deputado Jota Pinto (Patriotas). E provável que o senador Weverton Rocha dê uma guinada radical nessa tendência que se constrói e amplie o arco de alianças do partido, pois se não o fizer, terá comprometido seu projeto de fazer uma megabase política para as eleições de 2022.

 

João Alberto confirma candidatura a vereador em Bacabal

João Alberto: projeto mantido

“O projeto está mantido. Sou candidato a vereador de Bacabal”. A declaração, feita em tom enfático, é do ex-deputado estadual, ex-deputado federal, ex-senador da República e ex-governador do Maranhão João Alberto Souza, atual presidente do MDB maranhense. Inicialmente recebida por uns como um mero rompante, por outros como um rasgo de bom humor, a revelação do líder emedebista ganhou essência de verdade e está, de fato, transformada num projeto eleitoral definido e, segundo o próprio, irreversível. Contrariando a avaliação segundo a qual tentar uma cadeira na Câmara Municipal de Bacabal seria desprestígio para um político da estatura do ex-governador, hoje com 84 anos, João Alberto argumenta que, primeiro, encontra-se com saúde plena e o ânimo político de sempre, considerando que poderá, com sua experiência, contribuir para elevar o nível político e legislativo do parlamento bacabalense, bem como contribuir com a vida política da cidade da qual já foi prefeito e que continua sendo sua principal base política e eleitoral. João Alberto andou incentivando outros contemporâneos seus a abandonar a aposentadoria política e se candidatar a vereador nas suas cidades de origem, mas parece que a ideia não vingou. Tudo indica que ele será o único a experimentar a tentar a proeza de fechar sua trajetória onde tudo começou.

São Luís, 05 de Janeiro de 2020.

Flávio Dino dominou a década de 2010 e entra na de 2020 com força para continuar dando as cartas no Maranhão

 

Flávio Dino vira a década com liderança consolidada e cacife para seguir em frente

O governador Flávio Dino (PCdoB) fecha a década de 2019   vivendo o melhor da sua trajetória política até aqui. Movimenta-se com a desenvoltura de quem lidera uma longa e bem-sucedida transição no estado, atua com a segurança do gestor que vem realizando um Governo eficiente e transformador, decide com a coragem dos grandes oposicionistas, e amplia o seu raio de ação política com a visão aquilina do estadista que se coloca com precisão no cenário político nacional impreciso e conturbado, pronto para encarar debate de qualquer natureza sobre o Brasil, seus problemas e seu potencial. Não houve, nesta década, político com essa estatura no Maranhão, e dificilmente surgirá alguém com esse perfil e com os desafios que ele encontrou e venceu. Hoje, além de governar o Maranhão apoiado numa aliança partidária que vai da esquerda à direita e de atuar com destaque no plano político regional, como um dos líderes de um eficiente movimento de governadores, Flávio Dino está posicionado no cenário nacional com potencial para ser candidato a presidente da República em 2022, caso decida abrir mão de uma cadeira no Senado. Nenhum político maranhense com as suas condições chegou tão longe no cenário político deste século, especialmente no último decênio.

No plano estadual, Flávio Dino governa desde 2015 com inteligência administrativa, focado nos extratos mais carentes dos mais de sete milhões de maranhenses. Ao contrário do que ocorre em outros estados, onde se aplicam recursos limitados em obras faraônicas, ele optou por investir os parcos recursos do Estado num programa de Governo focado em Educação, Saúde, Segurança Pública e Infraestrutura. Dentro desses quatro pilares vem realizando programas audaciosos, inimagináveis até então. Só quem já visitou uma Escola Digna tem a real dimensão do isso significa. Ninguém pode formar juízo de valor sobre um Iema se não o conhecer por dentro, podendo-se dizer o mesmo de uma Escola de Tempo Integral. Seria interessante um contribuinte abastado passar por pobre e almoçar num restaurante popular da periferia de São Luís, ou então conhecer o Hospital de Traumatologia de São Luís. Observada com atenção, tais dão dimensão apropriada do que é o Governo em curso no Maranhão e dizem porque Flávio Dino é um governante diferenciado. E com um dado fundamental para os dias atuais: não há registro de corrupção na sua gestão.

Ao longo da década, o político Flávio Dino deu inúmeras demonstrações de habilidade e pragmatismo, sem abrir mão de um eixo ideológico sólido. Surpreendendo pela ousadia dos movimentos e pela precisão dos lances. Muitos viram sua derrocada quando ele assumiu a defesa da então presidente Dilma Rousseff (PT) no processo de impeachment em 2016, e houve também quem enxergasse erro grave o apoio que deu à campanha presidencial de Fernando Haddad (PT) em 2018, posicionando-se como adversário da candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), a quem impôs uma derrota humilhante no Maranhão. Provou que estava certo quando se reelegeu em turno único, com 20 pontos percentuais sobre a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), seu concorrente mais próximo. Coerente, posicionou-se na linha oposicionista ao novo Governo, alimentando tal posição com duras e frequentes, mas procedentes e equilibradas críticas às decisões do novo Governo central e às posições e postura do presidente da República. Ao mesmo tempo, vem conseguindo manter um relacionamento institucional com a Esplanada dos Ministérios.

Flávio Dino fecha a década com estatura política bem maior do que, provavelmente, ele próprio esperava. No Maranhão, ocupou espaço só ocupado por José Sarney durante mais de meio século, liderando uma transição equivalente ao movimento sarneysistas sobre o vitorinismo, nos anos 60 do século passado. Hoje, sua liderança é incontestável, não havendo na aliança nem fora dela alguém com cacife para lhe fazer sombra. No plano nacional, Flávio Dino é hoje um político respeitado na seara oposicionista, na elite acadêmica, nos meios intelectuais, na esquerda, no empresado progressista, nos segmentos artísticos, etc. Suas palestras são concorridas, suas entrevistas repercutem bem, e mesmo ainda sendo assunto sobre o qual costuma desconversar, a candidatura presidencial é, para muitos, um projeto levado a sério e viável. O PCdoB o quer candidato, o PSB, também, havendo até quem aposte que ele migre para o PT. Tem ainda dois anos pela frente para decidir o seu futuro, podendo permanecer no Governo até o fim e retornar a dar aulas de Direito na UFMA e militar na advocacia. Diz topar qualquer parada, desde que deixe o Maranhão em boas mãos.

O fato é que Flávio Dino começou a década sofrendo uma derrota para Roseana Sarney em 2010, mas virou o jogo e se tornou a liderança dominante nos anos que se seguiram, com duas eleições acachapantes, e virando o decênio com cacife para continuar dando as cartas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edivaldo Holanda Júnior vira década com cacife para eleições futuras

Edivaldo Holanda Júnior, acompanhado da primeira-dama Camila Holanda: mão na massa e cacife gordo para eleições futuras no município ou no estado

Há muito São Luís não vivia uma gestão tão regular como a do prefeito Edivaldo Holanda Júnior. (PDT). Os conturbados e traumáticos primeiros 90 dias da sua gestão – janeiro, fevereiro e março de 2013 -, reflexo do grave desarranjo administrativo e financeiro deixado pelo ex-prefeito João Castelo (PSDB), não foram suficientes para tirar o foco do novo prefeito na ideia de fazer uma administração correta e eficiente. Tudo funcionou como planejado: apesar de todas as dificuldades, os salários foram regularizados e mantidos em dia. A gestão começou a ganhar ritmo na segunda metade de 2014, depois dos problemas equacionados, e engrenou de vez em 2015, com a posse do governador Flávio Dino, que lhe abriu as portas do Governo do Estado. O prefeito Edivaldo Holanda Júnior mergulhou no trabalho e chegou a 2016 com autoridade para pedir a renovação do mandato. Mesmo pressionado pelo “fator” Eduardo Braide (PMN), que chegou a ameaçar seu projeto de reeleição, Edivaldo Holanda Júnior foi reeleito com margem segura. O segundo mandato tem sido se dado com vento em popa, com a execução de vários programas importantes, a do asfaltamento da cidade – fruto de um empréstimo de R$ 250 milhões contratado com a Caixa – e a revitalização do centro de São Luís, com a reforma da Praça Deodoro e da Rua Grande. Edivaldo Holanda Júnior regularizou e melhorou sensivelmente a rede escolar municipal, inclusive contratando professores, e injetou os recursos possíveis na melhoria do sistema municipal de Saúde. No último ano da sua gestão, que começa neste 1º de Janeiro, entra na ciranda política com força suficiente para influir decisivamente na escolha do candidato e na linha da campanha. Foi o mais importante líder político de São Luís na década que termina hoje. E começa a nova década com um horizonte largo.

RepórterTempo deseja a todos um próspero e venturoso 2020

A Coluna deseja aos seus leitores, maranhenses e brasileiros, os votos de um Ano Novo próspero e venturoso, e durante o qual continuará o esforço jornalístico para oferecer-lhes interpretações que ajudem a compreender a ciranda da política estadual e seus reflexos. Com gratidão.

São Luís, 31 de Dezembro de 2019.

Carlos Brandão, Weverton Rocha e Josimar de Maranhãozinho fecham 2019 de olho no Palácio dos Leões em 2022

 

Carlos Brandão, Weverton Rocha e Josimar de Maranhãozinho: movimentos em direção aos Leões em 2022

Por mais que uma ou outra voz de peso lembre que ainda é muito cedo para tocar no assunto, a verdade indiscutível e dominante no meio político é a de que a corrida sucessória de 2022 já começou, tanto no plano federal, quanto na seara estadual. O Maranhão político encerra 2019 observando atentamente a três movimentos que visam o Palácio dos Leões. Um deles é protagonizado pelo vice-governador Carlos Brandão (PRB), que busca reunir cacife para tornar-se o sucessor natural do governador Flávio Dino (PCdoB); o outro é liderado pelo senador Weverton Rocha (PDT), que saiu das urnas de 2018 cacifado para se lançar como cabeça de chapa da aliança comandada pelo governador Flávio Dino; e o terceiro é chefiado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), que corre por fora com parecendo decidido a ser candidato a governador de qualquer maneira. Nesse tabuleiro ainda impreciso, além de impulsos cada vez menos frequentes do senador Roberto Rocha (PSDB) e de uma perspectiva ainda nebulosa do deputado federal Eduardo Braide (Podemos), a Oposição politicamente mais forte e concentrada no que restou do Grupo Sarney não dá sinais de projetos no campo sucessório estadual, mantendo a ex-governadora Roseana Sarney como possibilidade. Assumidos ou ainda não, os aspirantes à sucessão de Flávio Dino entrarão 2020 focados nas eleições municipais, cujos resultados serão decisivos para 2022.

O vice-governador Carlos Brandão há tempos assumiu a condição de candidato a candidato a governador. O fez autorizado pela excelente relação pessoal, institucional e política com o governador Flávio Dino, que o tem na conta de um vice correto, útil e confiável. Ao contrário de vices que vivem a eterna “expectativa de direito” e se dedicam à conspiração para minar o titular, Carlos Brandão firmou-se como um membro destacado da equipe de Governo, assumindo tarefas de grande importância, como as de correr o mundo em busca de investimentos para o Maranhão, atuando também como representante do chefe e de governador temporário em várias ocasiões, sem o registro de qualquer deslize ou excesso que arranhasse a confiança. Ao mesmo tempo, Carlos Brandão alinhavou uma agenda de conversas políticas com interlocutores importantes, como deputados federais, deputados estaduais, prefeitos e vereadores de todas as cores partidárias, bem como líderes da sociedade civil organizada, empresários, líderes comunitários e sindicais, artistas, intelectuais e jornalistas. Com esses movimentos fecha 2019 embalado para intensificar sua agenda em 2020, pretendendo ampliar seu cacife nas eleições municipais. Movimenta-se com o aval discreto, mas descompromissado, do Palácio dos Leões

Conhecido como “uma máquina de fazer política”, como definem   aliados e adversários, o senador Weverton Rocha ampliou muitas vezes os seus movimentos de candidato a candidato a governador, trabalhando em três frentes para fortalecer seu projeto de candidatura. Primeiro tenta ampliar o raio de ação do PDT, que comanda com mão de ferro. Segundo, intensifica sua aproximação com prefeitos por meio da Famem, presidida por seu coordenador, Erlânio Xavier, prefeito de Igarapé Grande. E, terceiro, exerce um mandato senatorial de maneira integral, propositiva e com posições políticas firmes no campo oposicionista, atuando ainda como articulador eficiente. Com essas credenciais, Weverton Rocha opera sem descanso para viabilizar seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões em 2022, mas sempre ressalvando que a empreitada está diretamente relacionada com o caminho que o governador Flávio Dino vier a tomar visando sua própria sucessão. O senador sabe que as eleições municipais, especialmente a de São Luís, terão peso decisivo na corrida sucessória estadual, e já investe forte para que o resultado das urnas reforce o lastro político e eleitoral que está construindo para chegar em 2022 devidamente cacifado. Seus movimentos são também discretamente avalizados, mas também sem compromisso, pelo Palácio dos Leões.

O terceiro movimento aberto e assumido para a sucessão estadual é feito pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, chefe do PL no Maranhão. Político controvertido, dono de surpreendente poder de persuasão e movido por um arrojo incomum, Josimar de Maranhãozinho se move na corrida sucessória respaldado por uma bancada com três deputados federais e outra com quatro deputados estaduais, além de um batalhão de prefeitos e vereadores espalhados nas mais diversas regiões do estado. Esse cacife o fez campeão de votos para a Câmara Federal (191 mil), e sua mulher, Detinha (88 mil), campeã na corrida à Assembleia Legislativa. Aliado do governador Flávio Dino, com momentos furta-cor, Josimar de Maranhãozinho faz uma política agressiva, do tipo preto no branco, com resultado, e em vários aspectos polêmica. Ele não mede esforços nem meios para alcançar seus objetivos e já deixou claro, em várias entrevistas, que o projeto de disputar o Governo do Estado é para valer, independentemente do desenho que venha a ser dado pelo governador Flávio Dino. Sabe que dificilmente será o candidato do Palácio dos Leões, mas está determinado a seguir em frente, apostando que sairá fortalecido das eleições municipais.

Os três, cada um a seu modo, vão jogar duro na corrida eleitoral de 2020, certo de que o resultado que sair das urnas será decisivo para seus projetos de poder.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roseana Sarney saiu do casulo e voltou à ribalta como estrela do MDB

Roseana Sarney: parece longe da aposentadoria política

Em uma das suas edições do início do ano, a Coluna previu que, ao contrário do que muitos apostavam, a derrota eleitoral de 2018 e a posição do MDB contrária à sua ascensão à presidência do partido no estado poderiam até fazer a ex-governadora Roseana Sarney se recolher por uns tempos, mas que ninguém se enganasse: ela não estava aposentada e, cedo ou tarde, sairia do casulo para, de alguma maneira, retomar seu posto de estrela maior do partido. Não deu outra. Logo em março, a ex-governadora desembarcou em Brasília e foi eleita por aclamação membro da Executiva nacional do partido. Depois, viu seu nome ser colocado na teia de especulações sobre candidaturas à Prefeitura de São Luís. Ele desconversou, pronunciou uma frase politicamente intraduzível: “Nem, nem, nem”, mas que alguns leram como “nem sim, nem não”.

Roseana Sarney voltou à tona no final de novembro, quando o deputado Roberto Costa, vice-presidente do MDB, num discurso imprevisto numa tarde de terça-feira na Assembleia Legislativa, surpreendeu o meio político ao lançá-la, sem consulta prévia, candidata do MDB à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). Foi um rebuliço dentro e fora do partido. O gesto de Roberto Costa era, na verdade, uma prévia para um movimento bem mais amplo: uma reunião de líderes municipais, que traria a São Luís o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, e que acabou se transformando numa grande festa lançar a candidatura ex-governadora. O encontro foi bem sucedido, ainda que ela tenha deixado a resposta no ar e indicado que dificilmente aceitará o desafio. Mas ficou claro que qualquer definição do MDB passará pelo seu crivo.

Para ser ou não candidata a prefeita de São Luís, o fato é que Roseana Sarney deu mostras claras de que gostou de voltar à ribalta da política ouvindo apelos do seu partido para entrar na briga. Há quem diga que ele prefere manter seu cacife para 2022. Sua nada modesta mensagem natalina exibida em horário nobre da TV Mirante pode ser um indicador do que vem por aí.

 

PCdoB está próximo de decidir entre Rubens Júnior e Duarte Júnior

Rubens Júnior e Duarte Júnior: o escolhido pelo PCdoB deve ter o apoio do não escolhido

No dia 1º de janeiro começará uma espécie de contagem regressiva para o PCdoB decidir entre o deputado federal   Rubens Júnior e o deputado estadual Duarte Júnior quem será o seu candidato a prefeito de São Luís. O martelo será batido em janeiro ou ao longo de fevereiro, de modo que quando as águas de março chegarem, o partido já terá superado a faze da escolha e o candidato já deverá estar se movimentando em pré-campanha. Há quem diga que se não for escolhido, Rubens das Cidades e Desenvolvimento urbano, deixará a equipe governamental e retornará a Brasília, sem deixar uma crise no seio do partido. Já muitos acreditam que se não for escolhido, o deputado Duarte Júnior poderá deixar o PCdoB e procurar uma legenda para ser candidato por conta própria, sem o aval do Palácio dos Leões. Mas a verdade é que o governador Flávio Dino e o presidente do partido, deputado federal Márcio Jerry, vão trabalhar o sentido de que a escolha seja feita sem traumas, com o escolhido contando com o apoio do não escolhido. É o que deve acabar acontecendo.

São Luís 29 de Dezembro de 2019.