Eleições: Partidos vivem altos e baixos na fase prévia da corrida às urnas


A pouco mais de 11 meses das eleições, os partidos, de um modo geral, estão mergulhados em articulações, seja para definir candidaturas e alianças, seja para afastar o risco de definhar e ser mandado para o espaço. No Maranhão, quase todos partidos estão se movimentando com intensidade, o que indica o enfrentamento, por eles, de problemas que vão desde a busca do fortalecimento, passando pela indefinição quanto a candidatos, e também por luta pelo poder nos quatro cantos da legenda. Comandado pelo governador Flávio Dino, o PSB pode ser considerado uma exceção, à medida que sua tendência mais visível é “engordar” expressivamente. No outro extremo, o Solidariedade vive o que se pode chamar de desagregação, correndo o risco de ser varrido do mapa político maranhense. Nas demais agremiações, o ânimo é o de brigar pela sobrevivência, de preferência superando gigantescas dificuldades internas e saindo das urnas com o cacife reforçado.

No campo governista, o PSB é, de longe, a agremiação partidária com melhor situação, à medida que muitos políticos, entre eles vários candidatáveis de peso a mandatos proporcionais, especialmente para a Câmara Federal. O PCdoB dá sinais de que vem conseguindo, se não debelar de vez, pelo menos, colocar a debandada em ritmo mais lento, embora seja corrente no meio político a avaliação de que ele não corre esse risco. E o PSDB, agora na condição de partido com pré-candidato e virtual candidato a governador, tende a ganhar peso com a possível adesão de prefeitos, vereadores e deputados estaduais.

Controlador absoluto do PL, do Avante e do Patriota, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho corre o risco de ter abalado o seu poder sobre essas legendas, principalmente o PL. Essa possibilidade passou a ser considerada no momento em que o presidente Jair Bolsonaro começou a andar na direção do PL. A primeira especulação dava conta de que, uma vez filiado ao partido, seguindo o presidente da República, o senador Roberto Rocha estaria interessado em assumir o comando do PL e, para isso, teria cobrado o controle do partido no Maranhão. A informação era falsa, levando o senador Roberto Rocha dizer que pode entrar no PL, mas não tem interesse em assumir o seu comando, “porque não tenho tempo de me envolver com burocracia partidária”. Ontem, aliados de Josimar de Maranhãozinho espalharam nas redes sociais que quem na verdade tentou tomar-lhe o comando do PL teria sido o vice-líder do Governo na Câmara Federal, deputado federal Aluísio Mendes (PSC), arqui-inimigo do chefe do PL no estado.

A situação do PT nada tem a ver com força política, mas com uma profunda divisão interna. Nesse momento, o partido do ex-presidente Lula da Silva é sacudido por três correntes, que se digladiam nas suas entranhas. Uma quer ir para as urnas com chapa completa, incluindo candidatura ao Governo do Estado, apostando suas fichas no secretário estadual de Educação, Felipe Camarão. A segunda propõe que o PT se alie ao vice-governador Carlos Brandão, podendo inclusive indicar o candidato a vice. E a terceira quer o partido aliado ao PDT em torno da candidatura do senador Weverton Rocha. As três correntes continuam medindo forças, situação que deve mudar a partir de uma definição sobre candidatura dentro da aliança governista.

Comandados, respectivamente, pelos deputados federais Juscelino Filho e Pedro Lucas Fernandes, DEM e PSL vivem uma situação de absoluta incerteza no Maranhão. Ninguém até agora se a fusão vai ser mesmo concretizada, e em se concretizando, resta o problema maior, que é com quem ficará o comando do novo partido, o Força Brasil, no Maranhão. O mais grave é que DEM e PSL enfrentam a crise e perdem força, com a saída de quadros importantes. No mesmo campo, o PTB, que fora comandado até meses atrás pelo deputado federal Pedro Lucas Fernandes, está agora definhando sob o comando da deputada estadual Mical Damasceno, já que parte dos filiados não quer apoiar o presidente Jair Bolsonaro.

Dentre todos os partidos, a situação mais dramática é a do Solidariedade, capitaneado no Maranhão pelo suplente de deputado. O partido poder os seus três deputados estaduais e os quatro prefeitos que elegeu em 2020, e simplesmente desaparecer do mapa político do Maranhão. Em sentido contrário, o Podemos, liderado pelo prefeito Eduardo Braide, pode se cacifar como a voz da direita civilizada no Maranhão.

Isso é só o começo, porque a definição do tamanho de cada partido virá mesmo com a janela de março do ano que vem.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Quase metade do eleitorado ainda está indecisa

Se de um lado as informações da pesquisa DataIlha/Band, divulgada terça-feira (16) embalou os partidários do vice-governador Carlos Brandão (PSDB), por outro, seus percentuais acenderam luz amarela para os aliados do senador Weverton Rocha (PDT) e chamaram a atenção dos apoiadores do pré-candidato do PT, Felipe Camarão. Segundo a pesquisa, a pouco mais de uma semana da reunião que poderá definir o candidato da aliança governista, cenário prévio é o de absoluta indefinição. E com um detalhe que é fundamental para qualquer avaliação: 19,9% disseram que votarão nulo ou em branco e 23,6% responderam que não têm nem pretendem ter candidatos. Tudo isso somado, nada menos que 43,5%, ou seja, quase metade do eleitorado, ainda não se posicionou para valer da corrida eleitoral.

 

Weverton aposta que etapa do “Maranhão mais feliz” de Timon influencie reunião do dia 29

Weverton Rocha com a bandeira do PDT em evento de pré-campanha recentemente

O senador Weverton Rocha está convidando para a edição do “Maranhão mais feliz” em Timon, neste sábado (20). Será a última antes da reunião do dia 29, na qual o governador Flávio Dino e as lideranças da base partidária governista podem bater martelo e definir o candidato do grupo ao Palácio dos Leões. Será o sexto evento de pré-campanha no qual o líder pedetista e pré-candidato assumido pretende reunir prefeitos, deputados federais, deputados estaduais e vereadores de cidades-polo. A expectativa de aliados de Weverton Rocha é que a edição de Timon seja a maior de todas, por várias razões, sendo a principal delas o fato de ser politicamente controlada pelo Grupo Leitoa, comandado pelo ex-prefeito e ex-deputado Chico Leitoa, um dos fundadores do PDT no Maranhão, e por seu filho, Luciano Leitoa, que lidera hoje uma pequena fatia do PSB não alinhada ao governador Flávio Dino. Esses mesmos aliados apostam que a edição de timonense do “Maranhão mais feliz” poderá impactar a reunião do dia 29.

São Luís, 18 de Novembro de 2021.

A dias da escolha do candidato governista, pesquisa mostra cenário embolado na corrida aos Leões

 

Impassível, o leão palaciano aguarda a definição do candidato a comandá-lo

Quando, no início ano, o governador Flávio Dino (PSB) reuniu as lideranças da aliança partidária que comanda, incluindo os pré-candidatos, para definir critérios que embasariam a escolha do candidato do grupo à sua sucessão, alguns propuseram resultado de pesquisa como item. Ouviram o seguinte: o candidato será escolhido com pelo menos um ano de antecedência, e isso torna pesquisa um critério inválido. E mais o seguinte: se pesquisa valesse com tanta antecedência, Weverton Rocha e Eliziane Gama não teriam sido eleitos senadores. A pesquisa DataIlha/Band divulgada ontem, duas semanas antes da reunião na qual o governador Flávio Dino e as lideranças do seu grupo, incluindo os pré-candidatos, deverão escolher o candidato da aliança ao Palácio dos Leões, mostrou a assertiva da decisão iniciar. Os percentuais de intenção de voto e de rejeição que encontrou indicaram, com clareza solar, que se a eleição fosse daqui a um mês, por exemplo, o resultado seria absolutamente imprevisível, à medida que nenhum dos candidatos teria garantia de que ultrapassaria a barreira do primeiro para o segundo turno. Ou seja, não há um caso de favoritismo irreversível.

Os números da pesquisa DataIlha/Band surpreendem. Com a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), o resultado é o seguinte: Roseana Sarney com 20,5%, Weverton Rocha (PDT) com 10,3%, Carlos Brandão (PSDB) com 8,7%, Edivaldo Holanda Jr. (PSD) com 8,6%), Lahesio Bonfim (PTB) com 7,5%, Roberto Rocha (sem partido) com 6,7%, Josimar de Maranhãozinho (PL) com 6,4%, Felipe Camarão (PT) com 3,6% e Simplício Araújo (SD) com 0,9%), Brancos e Nulos (11, %) e Não Sabe/Não Respondeu (15,4%).

No cenário sem Roseana Sarney e levando em conta os quatro mais votados, é esse o resultado: Weverton Rocha aparece com 18,5%, seguido de Carlos Brandão com 15,1%, de Edivaldo Holanda Jr. com 13,4% e de Lahesio Bonfim com 9,5%. Nesse cenário, Brancos e Nulos chegariam a 19,9% e Não Sabe/Não respondeu alcançariam nada menos que 23,6%. Somados os dois itens, chega-se à esclarecedora conclusão de que 43,5% estão “soltos” e podem decidir a eleição durante a campanha.

A realidade nua e crua é que, de acordo com a pesquisa DataIlha/Band – que ouviu 1.931 eleitores entre 12 e 15 deste mês e tem intervalo de confiança de 95% -, a eleição do futuro governador do Maranhão está rigorosamente em aberto. E com chances, se não exatamente iguais no momento, muito próximas disso, entre os candidatos, principalmente levando em conta a margem de erro, que é de 2,23%, para mais ou para menos.

Nesse painel de percentuais, rico em informações, está escrito que, mesmo que conseguisse manter essa liderança, a ex-governadora Roseana Sarney não entrará na disputa ao Governo. Com trajetória consolidada, com riqueza de experiências doces e amargas, a ex-governadora não pensa sair da sua atual zona de conforto para além de um mandato quase certo de deputada federal. Mesmo que estivesse com percentuais mais elevados de intenções de voto, o estratosférico percentual de rejeição determina sua permanência fora do campo majoritário. Encerrar a carreira com o bem respaldado mandato na Câmara Federal é honroso para qualquer político, independentemente do que tenha sido pelo voto.

Nesse caso, a disputa ganha possibilidades, com Weverton Rocha e Carlos Brandão em destaque no cenário, o primeiro turbinado por um ativo mandato de senador, e o segundo em contagem regressiva para se tornar nada menos que o governador do Estado, cargo que lhe dará uma massa de poder extraordinária. É essa a avaliação que será feita na reunião do dia 29. Até lá, os pré-candidatos da base governista terão tempo suficiente para conversar e encontrar argumentos que fortaleçam seus cacifes. Dificilmente alguém reunirá peso político e prestígio eleitoral para medir forças com Weverton Rocha e Carlos Brandão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Rocha vai aguardar filiação de Bolsonaro para ingressar no PL

Roberto Rocha deve ir para o PL tão logo Jair Bolsonaro ingresse no partido

O senador Roberto Rocha encontra-se em contagem regressiva para resolver sua situação partidária e na corda bamba entre o PL, controlado no Maranhão pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, e o PP, partido que no estado tem o comando absoluto do deputado federal André Fufuca, atual presidente nacional do partido em exercício. A interlocutores, o senador tem dito que sua inclinação é seguir o presidente filiando-se ao partido no qual ele vier a desembarcar, indicando que está a caminho do PL. Não está descartado, porém, o seu ingresso no PP, embora não haja qualquer sinal de que o presidente da República desembarque no partido que tem comando compartilhado pelo seu atual chefe da Casa Civil, senador Ciro Nogueira (PI), e pelo atual presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (AL).

Nas conversas que vem travando com aliados, Roberto Rocha tem se mostrado seguro de que sua estratégia de aguardar para definir sua situação partidária junto com o presidente vai produzir bons resultados políticos e eleitorais. Só que ele não decidiu ainda a que mandato concorrerá, podendo vir a ser candidato a governador, a senador ou até mesmo a deputado federal, que é a hipótese mais remota, já que, pelo que corre nos bastidores, está trabalhando duro pela eleição do seu filho, ex-vereador de São Luís Roberto Rocha Filho, para a Câmara Federal.

 

Reportagem da Globo mostra mazelas educacionais em municípios com prefeitos do PL

Uma reportagem da TV Globo veiculada na edição de ontem do Jornal Hoje chocou o Brasil com mais uma denúncia de mazelas educacionais que ocorrem em municípios. O repórter Alex Barbosa mostrou a situação degradante em escolas municipais de Igarapé do Meio, Monção e Bom Jardim. Em Igarapé do Meio crianças “estudam” em taperas sem qualquer condição de serem chamadas de escolas, começando pelo fato de que não têm banheiro nem merenda escolar, tendo o secretário de Educação afirmado que a educação é prioridade e que isso lhe dá orgulho. Em Monção, a situação é igual, ou pior, porque ali há fortes indícios de dinheiro público, que deveria ser aplicado em reformas que não foram feitas, tendo a secretária de Educação dito que não falaria sobre o assunto. E em Bom Jardim, além dos problemas da educação de crianças, adultos que estudavam à noite abandonaram a escola opor falta de energia elétrica, já que se tornou impraticável estudar com lanterna.

Além das mazelas educacionais, esses três municípios têm um ponto importante em comum: os prefeitos de Igarapé do Meio, José Almeida de Sousa, de Monção, Klautenis Deline Oliveira Nussrala, e de Bom Jardim, Cristiane Varão, pertencem ao PL, eleitos pela rica máquina partidária comandada pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, presidente do partido no Maranhão, e pelo qual ensaia candidatura do Governo do Estado.

São Luís, 17 de Novembro de 2021.

Pré-candidatos terão duas semanas agitadas antes da escolha do candidato da base governista

 

Carlos Brandão, Weverton Rocha, Felipe Camarão e Simplício Araújo: clima de contagem regressiva para a escolha do nome

A informação dada pelo governador Flávio Dino (PSB) de que a reunião dele com pré-candidatos e líderes partidários da aliança governista para escolher o candidato do grupo será realizada no dia 29 deste mês, como havia sido acertado, agitou os bastidores da corrida sucessória. A data decisiva da agenda sucessória veio à tona logo depois que líderes da aliança, como o pré-candidato do PT, secretário Felipe Camarão, e o presidente da Assembleia Legislativa e maior apoiador da pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), deputado Othelino Neto (PCdoB), agitou fortemente o tabuleiro da sucessão, especialmente os QGs dos pré-candidatos da base governista, incluindo o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e o secretário Simplício Araújo (SD). O recado do governador aos envolvidos na disputa foi claro e direto: a escolha deve ser mesmo agora; nas duas semanas que faltam para a reunião, os interessados terão tempo de sobra para conversar, articular e ajustar seus argumentos, e que conduzirá o processo com serenidade e diálogo.

Até este momento, todas as evidências sugerem que, mesmo considerando os projetos de candidatura de Felipe Camarão e Simplício Araújo, a disputa para valer se dá mesmo é entre o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), uma vez que ambos já estão chancelados pelos seus partidos. Se conseguir o aval do PT à sua pré-candidatura, Felipe Camarão saltará para outro patamar, podendo entrar para valer na disputa. Por isso, não será surpresa se, diante do quadro que está sendo desenhado, um acordo seja celebrado em torno de um nome, com extensão para definir também o candidato a vice nessa chapa.

No comando de uma baita estrutura, que lhe permite realizar eventos de grande porte, como as edições do “Maranhão mais feliz”, Weverton Rocha está a mil por hora, deixando por onde passa o recado segundo o qual é o nome mais viável. E tem ido além, afirmando. Declarou, no final da semana passada, que a data da reunião não tem importância, pois o que vale mesmo são critérios para a escolha do candidato. Os critérios estão elencados na carta que ele, os demais pré-candidatos e os líderes partidários da aliança governista assinaram, entregando ao governador Flávio Dino a coordenação do processo. Melhor situado nas pesquisas, parece disposto a seguir em frente, independentemente do que for decido no encontro.

Também com o pé firme no acelerador e também liderando grandes eventos políticos, além de uma agenda apertada de reuniões com líderes do interior, a começar por prefeitos, vereadores e deputados estaduais, o vice-governador Carlos Brandão tem demonstrado confiança e fôlego na consolidação do seu projeto de candidatura. Ao contrário de outros pré-candidatos, diz estar de acordo com a realização da reunião na data em que o governador definiu, e acredita que tem chances de ser escolhido para liderar a chapa do grupo. É visível que seu ânimo é também levar seu projeto em frente. O seu argumento mais forte é que será o governador a partir de abril, com direito a buscar a reeleição.

Recém-chegado no tabuleiro sucessório, sem contar, ainda, com o aval partidário, Felipe Camarão se movimenta como uma força promissora, apoiada por uma expressiva corrente do PT e, pelo visto, já com as bênçãos de cardeais partidários do porte de Márcio Macêdo, vice-presidente nacional do partido, que esteve em São Luís “para consultas” e teria retornado a Brasília otimista em relação ao pré-candidato do partido. Sem suporte político para entrar de vez na disputa para o Governo, Simplício Araújo mantém sua bem armada candidatura a deputado federal.

Até a data da reunião serão duas semanas de intensas articulações, marchas e contramarchas, avanços e recuos. Afinal com clareza que a batida de martelo, cada um sabe que a conversa daquela data será decisiva.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Freada de Bolsonaro sobre filiação no PL colocou Maranhãozinho em banho maria

As declarações do presidente Jair Bolsonaro em Dubai derramando um barril de dúvidas sobre sua filiação ao PL fizeram com que o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (foto), que já estava se movimentando para ganhar o mote de “nome do Bolsonaro” no Maranhão, a tirar o pé do acelerador da sua corrida para se viabilizar como candidato ao Governo do Estado. O chefe absoluto do PL no Maranhão vinha apressando o passo desde que o presidente das República dissera que se filiaria ao PL, abrindo também caminho para uma aliança desse partido com o PP, que poderia indicar o candidato a vice-presidente. Josimar de Maranhãozinho vislumbrou uma dobradinha estadual com o PP, comandado pelo atual presidente nacional em exercício do partido, deputado federal André Fufuca. Seria a união do poder de fogo do Centrão no Maranhão. A recuada de Jair Bolsonaro, causada pela aliança do PL com o PSDB no tabuleiro sucessório de São Paulo, colocou em risco máximo a precipitadamente anunciada filiação do presidente ao partido de Waldemar Costa Neto, condenado e preso por corrupção, desativou momentaneamente as engrenagens partidárias de Josimar de Maranhãozinho, que manda e desmanda também no Patriota e no Avante. Com um detalhe, segundo um aliado seu: vai continuar sua campanha de pré-candidato, mesmo perdendo até para Lahesio Bonfim nas pesquisas mais recentes, além de carregar gigantesca rejeição.

 

DESTAQUE

Não Aceito Corrupção

Roberto Livianu

O STF, por 8×2 tomou uma das decisões mais importantes de sua história, em defesa da separação dos poderes e da transparência. Sem regras claras, sem accountability sobre o destino de um montante de verbas bilionário (as emendas do relator), permitia-se tudo gira em torno dos interesses de ocasião e esta ação clandestina feria de morte o princípio da publicidade constitucional, tendo-se determinado liminarmente a suspensão de quaisquer pagamentos relacionados a emendas parlamentares oriundas deste esquema ilícito apropriadamente chamado de orçamento secreto, também se determinando que se jogue luz sobre os nomes dos parlamentares que pediram repasses embasados no orçamento secreto.

Ao mesmo tempo e sem cerimônia, a Câmara, no entanto, aprovou na mesma data a chamada “PEC do calote”, valendo-se para isso de mudança do regimento a toque de caixa, admitindo-se convenientemente o voto de deputados em outros continentes. Em primeiro turno, em votação já questionada no STF, a proposição foi admitida por 4 votos acima do mínimo e o tema também será analisado e decidido pela suprema corte, pois existe grave risco de quebra da ordem jurídica.

A Câmara, desta forma, acabou chancelando a irresponsabilidade fiscal, transferindo para o novo governo, a ser eleito em 2022, a responsabilidade por saldar dívida de 50 bilhões de reais referentes a precatórios que deveriam ser pagos em 2022, para poder viabilizar pagamento do Auxílio-Brasil em ano eleitoral, preocupação esta não contínua em período anterior às eleições, o que evidencia os reais propósitos que a ensejam, que extrapolaria o teto de gastos sem a PEC, tendo a medida causado grande impacto no mercado e na nossa combalida economia.

Por mais que seja criticado, vivemos momento crucial em que a sociedade precisa do Supremo Tribunal Federal como instrumento de reafirmação dos valores maiores da república e da imprescindível prevalência do interesse público, princípio fundamental de nossa Constituição Federal.

Drago Kos, em evento realizado pela Transparência Internacional em parceria com o Instituto Fernando Henrique Cardoso, líder do grupo antissuborno da OCDE, reiterou sua visão de extrema preocupação em relação ao andamento da política pública anticorrupção no país, especialmente agravada pela piora da economia, sendo categórico ao afirmar estar fora de cogitação o ingresso no Brasil no organismo multilateral como se pretendia, especialmente neste momento diante do recente esmagamento da lei de improbidade e lei da ficha limpa. Hoje, da América Latina, apenas Chile, Colômbia e México fazem parte do organismo.

Diante deste quadro de claro desmonte do instrumental jurídico-anticorrupção, visando coletar subsídios no sentido de romper estes ciclos viciosos, o Instituto Não Aceito Corrupção acaba de lançar a terceira edição do Prêmio Não Aceito Corrupção. As inscrições devem ser feitas por meio digital e acontecerão até 10 de dezembro. Diferentemente das duas edições anteriores, restritas ao mundo acadêmico (categorias academia e tecnologia foram mantidas), criamos duas novas categorias de participação, voltadas para o mundo empresarial e jornalístico.

Vivendo hoje sob o signo ESG, premiaremos as melhores práticas de governança sob o ponto de vista corporativo, os melhores cases. E atentos à importância do jornalismo livre e independente para a saúde democrática e para o enfrentamento da corrupção, selecionaremos as melhores reportagens investigativas, que tenham desvendado esquemas espúrios, criteriosamente selecionadas.

O prêmio vem se consolidando como ferramenta para selecionar ideias inovadoras, criativas, disruptivas, no combate à corrupção, que possam ser posteriormente incorporadas pelo setor público, privado ou pelo terceiro setor em sua operação. Como um dos dois trabalhos premiados na primeira edição do prêmio, que se transformou na medida 36 do pacote das novas medidas contra a corrupção, elaborado em parceria pela Transparência Internacional e FGV – o maior plano anticorrupção já elaborado no mundo.

Entendemos fundamental também premiar os professores inspiradores, que também serão premiados, e assim convidados a todas e todos a trazer sua contribuição neste que certamente será a maior e mais importante de todas as edições. Esperamos por você. Participe, compartilhe, divulgue.

Em Tempo: Roberto Livianu é procurador de Justiça em São Paulo, doutor em Direito Penal pela USP, idealizador e presidente do Instituto Não Aceito Corrupção.

São Luís, 16 de Novembro de 2021.

Dino mantém agenda sucessória e marca para 29 deste mês reunião que pode definir candidato do grupo

 

Flávio Dino marca data da reunião que pode escolher entre Carlos Brandão, Weverton Rocha, Felipe Camarão e Simplício Araújo o candidato a governador

“A reunião será no dia 29. Até lá vamos conversar bastante para ver o pensamento da maioria. Agirei como sempre: serenidade e diálogo”.

A declaração é do governador Flávio Dino (PSB), dada no final da tarde de sábado (13) em resposta a indagação feita pela Coluna a respeito dos pedidos para que a escolha do candidato da aliança governista ao Governo do Estado fosse adiada. Com a manifestação, o governador descartou a possibilidade de adiar a reunião com pré-candidatos e líderes dos partidos da aliança governista, deixando claro que não vai alterar a agenda sucessória definida com as mesmas lideranças no início do ano, como prevê a carta por elas assinada. Os pedidos para que a escolha do candidato seja adiada partiram de Felipe Camarão, pré-candidato do PT ao Palácio dos Leões, e pelo deputado Othelino Neto (PCdoB), presidente da Assembleia Legislativa, principal apoiador e avalista da pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT). O vice-governador e pré-candidato a governador Carlos Brandão (PSDB) defendeu o cumprimento da agenda, com a definição do candidato governista neste mês.

A lógica do governador Flávio Dino é simples e objetiva: a reunião do dia 29 deverá definir o candidato. Os pré-candidatos já tiveram tempo necessário para se viabilizar, o que justifica plenamente a manutenção da agenda e a realização do encontro. No seu entendimento, os pré-candidatos têm ainda duas semanas para conversar, atrair apoiamento e firmar posição em relação ao futuro. O governador acredita que na reunião a maioria estará formada e em condições de apontar o nome que, na avaliação dela, deve ser o candidato da base governista à sucessão estadual.

Na sua declaração, o governador Flávio Dino afirma que está, como sempre esteve, pronto para o diálogo e que agirá com serenidade, como, aliás, tem sido sua postura ao longo desse processo que o tem como coordenador. Diálogo não faltou, pelo menos até agora. O senador Weverton Rocha, o vice-governador Carlos Brandão e os secretários de Estado Simplício Araújo e Felipe Camarão se lançaram na disputa por sua conta e risco, cientes, portanto, das regras definidas em Janeiro e firmadas em carta por todos assinada. Seus projetos de candidatura foram definidos e “ganharam a estrada” sem que nenhuma força em contrário minasse sua caminhada. De lá para cá, todos puderam realizar suas pré-campanhas sem restrições, inclusive dando-lhes ares de campanha propriamente dita, como os movimentos liderados pelo pedetista Weverton Rocha e pelo tucano Carlos Brandão.

Nesse processo, o governador Flávio Dino manteve as portas abertas ao diálogo franco, sem nhenhenhém, colocando as coisas sempre nos seus devidos lugares, e sempre sinalizando que o candidato que será escolhido, se não exata e rigorosamente por consenso, pelo menos pela voz da maioria das lideranças partidárias da base governista. Nesse processo, pelo menos até aqui Flávio Dino atuou serenamente, apesar das pressões, provocações e até de ataques de que tem sido alvo. Mesmo nos momentos mais tensos da pré-campanha, o governador manteve a serenidade, alimentando canal com os pré-candidatos, inclusive mantendo integralmente a participação deles e seus partidos no Governo. Nesse contexto, Weverton Rocha manteve o PDT no comando da abrangente Secretaria de Desenvolvimento Social e do Detran; Simplício Araújo não teve perdido um só naco de poder como titular da Secretaria de Indústria, Comércio e Energia; Felipe Camarão se lançou pré-candidato mantendo o mesmo espaço como secretário de Educação poderoso e influente, e Carlos Brandão vem atuando como vice-governador prestigiado e atuante.

Não está categoricamente decidido que o candidato da aliança governista será inadiavelmente escolhido na reunião do dia 29. Mas não há dúvida de que ela será realizada com esse objetivo e, a julgar pelo ânimo do governador, será um marco decisivo na corrida sucessória dentro da base aliada, com fortes e decisivas repercussões fora dela.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Felipe Camarão impressiona vice nacional do PT e pode sair candidato do partido

Márcio Macêdo teria ficado impressionado com a performance do neopetista Felipe Camarão

O secretário Felipe Camarão caminha para ser o candidato do PT ao Governo do Estado. As dificuldades ele enfrentava dentro do partido, como cristão novo na seara petista, foram mandadas para o espaço com a passagem do vice-presidente nacional do PT, Márcio Macêdo, pelo Maranhão.

O N° 2 do comando nacional do partido, que é homem de confiança do ex-presidente Lula da Silva, ficou impressionado com o perfil administrativo e político do secretário de Educação e, em vez de mergulhar em infindáveis e explosivas reuniões com as forças que formam o PT maranhense, surpreendeu ao sinalizar que Felipe Camará pode, sim, ser o candidato do PT à sucessão do governador Flávio Dino.

Márcio Macêdo cumpriu integralmente sua agenda no Maranhão: conversou com as correntes que formam o partido, esteve com o governador Flávio Dino e manteve contato com os pré-candidatos da base governista. Tudo com o objetivo de municiar a direção nacional do PT com informações que lhe permita ajustar a bússola do PT maranhense para as eleições de 2022.

De tudo o que viu e ouviu no multifacetado PT maranhense, a melhor impressão que colheu foi exatamente a pré-candidatura de Felipe Gamarão a governador. E de acordo com uma fonte do partido, Márcio Macêdo retornou a Brasília motivado a sugerir que o PT banque a candidatura de Felipe Camarão ao Governo em faixa própria.

 

Filiação de Moro ao Podemos empurra Braide para o tabuleiro sucessório estadual

Líder maior do Podemos no Maranhão, Eduardo Braide deve liderar a provável campanha de Sérgio Moro no Maranhão

A filiação do ex-juiz-chefe da Lava Jato Sérgio Moro ao Podemos levou o debate político para dentro do Palácio de la Ravardière e tirou o prefeito Eduardo Braide da chamada “zona de conforto”. Antes da filiação do ex-ministro da Justiça ex-bolsonarista linha de frente, o prefeito de São Luís vinha se movimentando à margem da corrida presidencial, passando a impressão de que não estava interessado na guerra pela sucessão do presidente Jair Bolsonaro (a caminho do PL) nem na corrida ao Palácio dos Leões. O desembarque de Sérgio Moro pode dar um giro de 360 graus na situação do prefeito, que além dos problemas que enfrenta, terá agora de, como maior liderança do Podemos no Maranhão, preparar terreno para o provável candidato presidencial do partido no estado, implicando isso a definição de como o Podemos vai participar da política estadual. Lançará candidato a governador. Mas vai errar feio quem esperar que Eduardo Braide vá queimar cartuchos à toa. Político racional e estrategista eficiente, que pode incluir o lançamento de um candidato ao Governo do Maranhão ou uma aliança com um candidato já posto, ou ainda resumir a participação do partido criando palanque para o eventual presidenciável. Especulações à parte, o fato é incontestável: o prefeito de São Luís terá de assumir também a condição de líder partidário, e isso implica abraçar a eventual candidatura do ex-chefe da Operação Lava-Jato.

São Luís, 14 de Novembro de 2021.

Doze dos 18 deputados federais maranhense aprovaram a PEC que permite calote bilionário nos precatórios

 

Acima: Aluísio Mendes, André Fufuca, Cléber Verde, Edilázio Jr. Josimar de Maranhãozinho, Júnior Lourenço, Marreca Filho, Pastor Gildenemyr, Juscelino Filho, Pedro Lucas Fernandes, Gil Cutrim e Josivaldo JP votaram a favor da PEC dos Precatórios. Embaixo: Márcio Jerry, Bira do Pindaré, Hildo Rocha e Zé Carlos votaram contra.

A guerra político-partidária que resultou na aprovação da chamada PEC dos Precatórios na Câmara Federal mostrou, mais uma vez – e agora com cores muito nítidas -, o perfil politicamente impressionante da mais importante Casa do Congresso Nacional. Ali, embarcando no discurso do Palácio do Planalto de que mais da metade dos R$ 92,6 bilhões a serem economizados com o monumental calote nos credores da União com dívidas legalmente reconhecidas pela Justiça (precatórios) serão usados para bancar o “Auxílio Brasil”, mais de dois terços dos deputados federais consumaram a polêmica mudança na Constituição Cidadã, certamente fazendo os ossos de Ulysses Guimarães revirarem no seu túmulo. Nesse contexto, a bancada do Maranhão se mostrou por inteiro, uma vez que nada menos que 12 dos 18 deputados maranhenses – Aluísio Mendes (PSC), André Fufuca (PP), Cleber Verde (Republicanos), Edilázio Júnior (PSD), Gil Cutrim (Republicanos), Josimar Maranhãozinho (PL), Josivaldo JP (Podemos), Junior Lourenço (PL), Juscelino Filho (DEM), Marreca Filho (Patriota), Pastor Gildenemyr (PL) e Pedro Lucas Fernandes (PTB) – aprovaram a proposta do Governo, quatroBira do Pindaré (PSB), Hildo Rocha (MDB), Márcio Jerry (PCdoB) e Zé Carlos (PT) – votaram contra, e dois – Rubens Jr. (PC do B) e João Marcelo (MDB) – não participaram da sessão.

Os motivos dos posicionamentos são diversos, mas o que de fato pesou em cada posição foi a corrida às urnas, que naturalmente não é mencionada nas argumentações.

Aluísio Mendes votou por ser política e ideologicamente identificado com o presidente Jair Bolsonaro (a caminho do PL) e rigorosamente alinhado ao seu Governo, o que faz dele um dos vice-líderes da bancada governista na Câmara Baixa.

André Fufuca (PP), presidente nacional interino do PP, o parlamentar maranhense integra hoje a cúpula do Centrão, e juntamente com o presidente da Câmara, o alagoano Arthur Lira, e com o presidente licenciado do partido, senador piauiense Ciro Nogueira, atual chefe da Casa Civil, trabalhou duro para formar a maioria que aprovou a PEC dos Precatórios.

Cléber Verde, que preside o Republicanos no Maranhão, é um dos operadores da base governista na Câmara Federal e foi um dos articuladores da maioria favorável a PEC.

Edilázio Júnior, presidente do PSD no Maranhão, é bolsonarista assumido e seu voto via de regra segue a orientação do Palácio do Planalto, em que pese o fato de o presidente nacional do seu partido, Gilberto Kassab, encontrar-se em processo de afastamento do Palácio do Planalto.

Gil Cutrim manteve sua linha de atuação votando de acordo com o Governo, situação que criava mal-estar quando ele estava filiado ao PDT, mas que foi definitivamente resolvida com a sua migração para o Republicanos, onde se sente “mais em casa”.

Juscelino Filho seguiu a orientação do Palácio do Planalto votando de acordo com a cúpula do seu partido, o DEM, que ainda mantém a identidade em que pese a fusão com o PSL, para formar o “União Brasil”, que está ganhando forma.

Pedro Lucas Fernandes tem atuado com relativa independência, mas votando com o Governo nas questões mais substanciais, como a PEC dos Precatórios.

Josimar Maranhãozinho (PL) sempre foi governista assumido e se tornou bolsonarista roxo depois que o presidente decidiu assinar ficha de filiação no seu partido, o que tornou irreversível o seu voto favorável à PEC que caloteará bilhões de reais em precatórios.

Júnior Lourenço seguiu integralmente a orientação do seu chefe Josimar de Maranhãozinho, ratificando o alinhamento agora total do seu partido ao Governo Bolsonaro.

Marreca Filho Seguiu a mesma linha de ação, atuando sob a orientação de Josimar de Maranhãozinho, mesmo que seja filiado ao Patriota e presida formalmente o partido no Maranhão.

Pastor Gildenemyr é o quarto nome da minibancada comandada com mão de ferro por Josimar de Maranhãozinho, tendo votado a favor da PEC dos Precatórios, até mesmo pelo fato de ser bolsonarista roxo.

Josivaldo JP (Podemos) votou com a orientação do Governo, confirmando sua posição de bolsonarista assumido, situação que deve mudar com a entrada de Sérgio Moro partido com discurso forte contra o presidente Jair Bolsonaro e seu Governo.

Os quatro deputados maranhenses que votaram contra  PEC dos Precatórios dificilmente teriam outro caminho.

Márcio Jerry (PCdoB) deixou a Secretaria de Cidades e reassumiu o mandato, ajudou a coordenar a bancada do PCdoB a se manter fiel à orientação do partido, tendo também agido para ampliar a margem de oposição ao projeto.

Bira do Pindaré trabalhou duro para conter a insubordinação dentro do seu partido, o PSB, onde 10 dos 29 deputados seguiram a orientação do Palácio do Planalto, causando um enorme desgaste nas entranhas do partido.

Hildo Rocha (MDB) votou contra a PEC dos Precatórios por avaliar que ela é ruim para o País, tendo seu voto coincidido com a posição do MDB.

Zé Carlos (PT) votou contra a PEC seguindo, como sempre, a orientação do seu partido. Vale registrar que, na seara oposicionista, a bancada o PT foi a única cuja bancada votou integralmente de acordo com o partido.

Rubens Jr. e João Marcelo

Os deputados Rubens Jr. (PC do B) e João Marcelo (MDB) não participaram da sessão, o que torna inviável qualquer avaliação sobre eles nesse caso.

PONTO & CONTRAPONTO

 

Maranhãozinho reafirma pré-candidatura ao Governo, mas não correrá o risco de ficar sem mandato

Josimar de Maranhãozinho

O ânimo deputado federal Josimar de Maranhãozinho entrou em ebulição depois do anúncio de que o presidente Jair Bolsonaro assinará ficha de filiação no PL, comandado nacionalmente pelo notório ex-deputado paulista Waldemar Costa Neto. Tanto que passou a reafirmar seu projeto de candidatura, que acredita será referendado no dia 22 pela cúpula nacional do partido, em reunião em que tratará dos rumos que o partido tomará nos estados, incluindo o Maranhão.

Mas há quem diga que o chefe maior do PL no Maranhão, que também tem as chaves das portas e dos cofres das sedes do Avante e do Patriota no estado, não está tão convencido de que será candidato a governador, está blefando quando diz que sua pré-candidatura ao Governo do Estado não tem volta”, afirmou.

Pode até ser que sua “pré-candidatura” não tenha volta, mas muitos avaliam que ela dificilmente será transformada em candidatura propriamente dita. A Coluna já registrou e repete que Josimar de Maranhãozinho nada tem de bobo. Ele sabe que com os baixos percentuais de intenção de voto – foi atropelado até pelo seu arquirrival bolsonarista Lahesio Bonfim (PTB) – e uma gigantesca rejeição, conforme registraram todas as pesquisas até aqui, se passar de “pré”, sua candidatura tem tudo para nascer condenada ao fracasso.

Antes da chegada de Jair Bolsonaro ao seu partido, Josimar de Maranhãozinho jogava para fazer uma composição politicamente proveitosa, como emplacar a deputada estadual Detinha (PL), sua mulher, como candidata a vice numa chapa de peso. Agora, com a bolsonarização do PL, suas chances de composição no estado foram drasticamente reduzidas, obrigando-o a assumir de vez a fantasia de pré-candidato ao Governo.

Um político tarimbado, que o conhece bem, disse à Coluna que Josimar de Maranhãozinho sabe que as chances do bolsonarismo no Maranhão nas eleições de 22 são quase zero, e que ele, sabedor das vantagens de ter um mandato federal, dificilmente se arriscará a viver como um cidadão comum a partir de 1º de Janeiro de 2023.

Como dizia Lister Caldas, raposa felpuda da política maranhense nas décadas de 50 e 60 do século passado: “Quem viver, verá”.

 

Edivaldo Jr. avança no interior como pré-candidato do PSD

Edivaldo Jr. com lideranças durante visita a Monção

Primeiro ele fez uma discreta incursão na Região Tocantina, a partir de Imperatriz, onde visitou a Câmara Municipal. Depois, incursionou pelo Baixo Parnaíba, passando por Anapurus, Chapadinha, Brejo e Araioses, onde a recepção, se não foi de festa e multidões, foi bem mais calorosa, mas com densidade política. Ontem, ele iniciou uma incursão no Vale do Pindaré, visitando Monção, onde foi recebido por políticos locais e um expressivo grupo de eleitores interessados em conhecê-lo. Tem sido assim os passos iniciais da pré-campanha do ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PSD) ao Governo do Estado. Na pesquisa mais recente, feita pelo Econométrica, ele apareceu embolado com o senador Roberto Rocha (sem partido) e o prefeito Lahesio Bonfim (PTB) disputando a terceira a quarta colocação no ranking das intenções de voto, indicando que seu projeto de candidatura tem rumo, podendo ganhar mais consistência se o seu partido vier a lançar o senador mineiro e presidente do Senado e do Congresso Nacional Rodrigo Pacheco a presidente da República ou a vice numa chapa forte, que no campo das especulações poderá até mesmo ser a encabeçada pelo ex-presidente Lula da Silva (PT).

São Luís, 13 de Novembro de 2021.

Othelino Neto mantém apoio a Weverton, mas pede mais tempo para a escolha do candidato governista

 

Othelino Neto pede adiamento da escolha do candidato da base governista por Flávio Dino

Mais tempo, pelo menos mais dois meses, o que equivale dizer meados de Janeiro, para que o cenário prévio da corrida sucessória ao Governo do Estado no âmbito da aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PSB) ganhe mais maturação, de modo que as forças em disputa possam encontrar o caminho do consenso em torno de um nome. Foi essa, em linhas gerais, a proposta formulada ontem pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), em entrevista à TV  Mirante, como o melhor caminho para que as forças do campo governista, que têm quatro pré-candidatos – Weverton Rocha (PDT), Carlos Brandão (PSDB), Felipe Camarão (PT) e Simplício Araújo (SD) – encontrem a unidade. A proposta foi claramente endereçada ao governador Flávio Dino, coordenador do processo de escolha e que, com base no acordo que firmou com os comandos partidários da aliança no início deste ano, se prepara para reunir as mesmas lideranças até o final desse mês, para escolher o candidato.

Ao defender o adiamento da batida de martelo, o chefe do parlamento, que atua como o principal apoiador e avalista da pré-candidatura do senador Weverton Rocha, admitiu que vinha defendendo o cumprimento do acordo para que a escolha seja feita agora. No entanto, depois de avaliar bem as condições do momento, antevê dificuldades para que as lideranças cheguem a um consenso. Ele avalia que o cenário ainda não está devidamente desenhado, e que as lideranças que as forças que formam a aliança precisam de mais tempo para maturar os projetos de candidatura em curso. Acredita que pelo menos 60 dias serão suficientes para que essas forças estejam plenamente preparadas para escolher o candidato que as representará na corrida às urnas.

A manifestação do presidente Othelino Neto se dá no momento em que as forças partidárias da aliança governista e todas as demais forças políticas do estado vivem clima de contagem regressiva para a agenda sucessória anunciada pelo governador Flávio Dino. Depois de uma série de ajustes, feitos inclusive por fortes pressões para que ele antecipasse a escolha, agitando o tabuleiro sucessório, o governador afirmou a esta Coluna, em primeira mão (edição de 1º de Outubro), que reunirá as lideranças até o final deste mês, para que elas se posicionem de acordo com a carta que assinaram se comprometendo fazer a escolha com base em alguns critérios. Ao longo de Outubro, nova onda de especulação se formou, e mais uma vez, com igual ênfase, o governador Flávio Dino reafirmou à Coluna, de novo em primeira mão (edição de 30 de Outubro), que a reunião será em neste mês.

Um dos líderes mais envolvidos na movimentação pré-eleitoral, principalmente como apoiador e avalista apoiador do projeto de candidatura do senador Weverton Rocha, que na sua avaliação reúne as condições para continuar a obra do Governo Flávio Dino, o deputado Othelino Neto tem, no entanto, primado pelo equilíbrio. Ele trabalha para evitar que a disputa dentro da aliança governista se transforme numa guerra que inviabilize a unidade e a escolha de um candidato de consenso. “Eu acho que se nós tivermos mais 60 dias ou algo em torno disso, teremos condições de discutir mais e tentar buscar esse entendimento, que é muito importante para o Maranhão. Nunca é demais esgotarmos as tentativas de estabelecermos um consenso”, declarou o presidente da Assembleia Legislativa pelo viés da ponderação.

Nessa linha, justificou a proposta de endereçada ao governador Flávio Dino: “É claro que torço e trabalho politicamente para que o pré-candidato do nosso grupo seja o senador Weverton. Mas, independentemente da minha preferência, nós buscamos a unidade, que é fundamental para que tenhamos mais chances, não só de ganhar a eleição, mas de dar segmento a esse programa que vem sendo liderado pelo governador Flávio Dino e que está dando certo no Maranhão”, enfatizou Othelino.

Já formulado também pelos pré-candidatos do PT, Felipe Camarão, e do SD, Simplício Araújo, que pediram mais tempo, o adiamento da reunião para a escolha do candidato da situação ao Palácio dos Leões será decisão do governador Flávio Dino que, certamente, consultará os líderes partidários para tomar posição.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Costa pede reabertura integral dos espaços culturais

Roberto Costa (d) quer de volta o Arthur Azevedo com sua plateia completa

Fechados durante a fase crítica da pandemia e atualmente funcionando de maneira precária e limitada, os espaços culturais do Maranhão devem ser reabertos imediatamente, para serem utilizados integralmente, a começar pelo maior símbolo da cultura estadual, o Teatro Arthur Azevedo. A proposta foi feita, na sessão de quarta-feira (10) pelo deputado estadual Roberto Costa (MDB), que, em discurso bem fundamentado, argumentou que os bons resultados da guerra travada pelo Governo do Maranhão contra o coronavírus justificam a retomada integral das atividades culturais do estado, assinalou o deputado, que na sua fala informou tratado do assunto com o secretário de Cultura, Anderson Lindoso.

O parlamentar disse que tratou desse assunto com o secretário de Estado da Cultura, Anderson Lindoso, uma vez que a problemática afeta o setor cultural, sobretudo, as pessoas envolvidas com espetáculos teatrais.

– Fiz um apelo ao secretário e ao governador Flávio Dino para que possamos pensar nessa possibilidade. É muito difícil para os produtores organizarem um espetáculo dispondo de apenas 30% dos espaços reservados, como é o caso do Teatro Arthur Azevedo, o que é economicamente inviável –  assinalou Roberto Costa, que tem conhecimento amplo da importância da cultura como manifestação em si e a influência que tem como fator de emprego e renda.

A sua fala, Roberto Costa chamou atenção para o fato de que, com a redução da capacidade de público, os custos das produções aumentaram e precisaram ser embutidos nos valores dos ingressos.  “Por essa razão, fazemos este apelo para que o setor volte a funcionar normalmente e a nossa cultura seja fortalecida”, disse, abrindo caminho para que centenas e centenas de artistas tragam de volta a alegria e o entretenimento a um número cada vez maior de maranhenses e visitantes nas suas apresentações. (Com informações da Assessoria de Imprensa da Alema)

 

Destaque

Deputados manifestam entusiasmo com a expansão da cobertura da TV Assembleia

Yglésio Moyses elogiou a expansão da TV Assembleia para 39 municípios e foi acompanhado por Roberto Costa, Marco Aurélio, Socorro Waquim e Hélio Soares 

A ampliação do alcance do sinal da TV Assembleia para 39 municípios, cobrindo áreas que, somadas, abrigam mais de três milhões de maranhenses vem repercutindo fortemente entre os deputados. Isso porque eles avaliam que, com essa estrutura e abrangência, a emissora dará um grande salto como canal de comunicação do Legislativo estadual com a população. O ponto central do entusiasmo dos parlamentares é exatamente o fato de a TV Assembleia transmitir ao vivo as sessões plenárias, o que dará aos maranhenses a oportunidade de acompanhar e avaliar o desempenho dos seus representes no parlamento estadual.

Na sessão de quarta-feira (10), por exemplo, os deputados Yglésio Moyses (PROS), Roberto Costa (MDB), Marco Aurélio (PSB), Socorro Waquim (MDB) e Hélio Soares (PL) repercutiram a interiorização da TV Assembleia. As manifestações ocorreram na esteira de um pronunciamento do deputado Yglésio Moyses, que exaltou o investimento e destacou a iniciativa do presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), de garantir expansão da emissora. “A transmissão ampliou muito o alcance desta Casa à população, bem como a visibilidade das nossas ações legislativas e o intercâmbio de informações do Parlamento com o povo do Maranhão”, disse.

Além dos municípios da Região Metropolitana e redondezas (São Luís, São José de Ribamar, Raposa, Paço do Lumiar, Alcântara, Bacabeira, Rosário, Morros, Axixá, Presidente Juscelino, Cachoeira Grande e Bacurituba), o sinal da TV Assembleia chega também às cidades de Imperatriz, Timon, Caxias, Codó, Açailândia, Bacabal, Balsas, Santa Inês, Barra do Corda, Pinheiro, Chapadinha, Buriticupu,  Grajaú, Itapecuru-Mirim, Coroatá, Barreirinhas, Tutóia, Vargem Grande, Viana, Zé Doca, Lago da Pedra, Coelho Neto, Presidente Dutra, São Bento,  Bom Jardim, São Mateus do Maranhão e Colinas.  

Em apartes, os deputados Roberto Costa, Professor Marco Aurélio e Socorro Waquim também destacaram a iniciativa.

Para Roberto Costa, a interiorização da Tv Assembleia dá condições necessárias para o que for discutido dentro da Casa chegue aos municípios maranhenses e, consequentemente, à população. “Informar o trabalho da Assembleia é, acima de tudo, garantir também o direito à população do estado de fiscalizar esta Casa, os deputados e os seus representantes. Então, quero parabenizar essa iniciativa, em nome de toda a Mesa, porque são ações como essa que vão fortalecer ainda mais o Poder Legislativo e o povo do Maranhão”, ressaltou.

No mesmo sentido, o líder do bloco governista, deputado Marco Aurélio elogiou a postura do presidente Othelino Neto, que, segundo ele, acerta em aproximar a população, cada vez mais, daquilo que é produzido na Casa do Povo. “O mandato do deputado tem alcançado várias marcas importantes no sentido de aproximar a sociedade do Parlamento, seja com o ‘Assembleia em Ação’, seja com a boa relação com os outros órgãos e poderes e na utilização do espaço na TV Assembleia”, destacou.

A deputada Socorro Waquim também reforçou a importância da expansão da TV Assembleia. “As pessoas só vão ter a oportunidade de dar valor aos Parlamentos ouvindo o que nós tratamos diariamente aqui, nossas defesas e reivindicações. Parabéns pelo fortalecimento da Casa por meio desta ação”, pontuou.

Da tribuna, o deputado Hélio Soares repercutiu o tema. “Parabenizo pela intensidade da nossa comunicação em vários municípios do estado. Que alcancemos, daqui até o ano que vem, todos as cidades”, disse.

Othelino Neto agradeceu aos parlamentares e ressaltou a importância da ampliação do alcance da TV Assembleia. “Agradeço as palavras dos colegas em relação a essa conquista, que é a transmissão, ao vivo, em canal aberto das nossas sessões plenárias. É um passo importante para que milhares de maranhenses tenham acesso aos trabalhos dos deputados e às discussões da Casa”. (Com informações da Assessoria de Imprensa da Alema).

São Luís, 12 de Novembro de 2021.

Sucessão: Econométrica mostrou cenário estável, mas com tendência a mudanças em breve

 

Roseana Sarney lidera seguida de Weverton Rocha e Carlos Brandão, segundo pesquisa Econométrica

Se a eleição para governador fosse agora e a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) fosse candidata, ela iria para o segundo turno com 25,1% dos votos, tendo como adversário o senador Weverton Rocha (PDT), com 22%. Em terceiro, com 10,5% da votação, estaria o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), à frente um trio surpreendentemente nivelado: o senador Roberto Rocha (sem partido) com 8,3%, o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD) com 8,2% e o prefeito Lahesio Bonfim (PTB) com 8,1% dos votos. A corrida do primeiro turno seria fechada com Josimar de Maranhãozinho (PL) com 5,9%, Felipe Camarão (PT) com 2,5% e Simplício Araújo (SD) com 0,9%. Brancos, nulos e outros somariam 8,4%. A Econométrica entrevistou 1.659 pessoas, no período de 3 a 6 deste mês, dando à pesquisa um intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 2,4%, para mais ou para menos.

A 11 meses das eleições, o levantamento do Econométrica encontrou um quadro parecido com os das pesquisas mais recentes, com Roseana Sarney, Weverton Rocha e Carlos Brandão repetindo suas performances em relação às preferências do eleitorado. E os demais pré-candidatos se batendo na seara de um só dígito, com a surpreendente proximidade entre Roberto Rocha, Edivaldo Jr. e Lahesio Bonfim, embolados com oito pontos cada um. Josimar de Maranhãozinho com a sua poderosa máquina partidária repete o desempenho pífio de outras pesquisas só à frente de Felipe Camarão, que ainda não tem respaldo do PT para levar à frente o seu projeto de candidatura, e Simplício Araújo, que dificilmente manterá sua proposta de candidatura.

A leitura desses percentuais deve levar em conta, primeiro, o fato de que Roseana Sarney não é, e é quase certo que não será, candidata ao Palácio dos Leões, onde já residiu por 14 anos, devendo encarar as urnas em busca de uma cadeira na Câmara Federal. Weverton Rocha e Carlos Brandão são pré-candidatos assumidos, com a diferença de que o pedetista se encontra no exercício pleno do seu mandato de senador, enquanto o vice-governador só assumirá o comando pleno do Governo em abril vindouro, quando o governador Flávio Dino (PSB) renunciará para candidatar-se ao Senado. Nenhum observador de que sem Roseana Sarney no páreo e com Carlos Brandão no Governo esse cenário pode ser diferente.

No bloco intermediário há também situações a serem levadas em conta, entre elas o fato de que, enquanto Edivaldo Jr. já está definido como candidato do PSD, o que lhe permite correr o estado se apresentando como tal, o senador Roberto Rocha ainda não tem partido nem disse com clareza se será mesmo candidato a governador, e o prefeito Lahesio Bonfim, que estava sem partido e filiou-se ao PTB sem a certeza se o comando petebista lhe dará a vaga de candidato. A situação de Felipe Camarão, que está na luta sem o aval do PT, poderá mudar radicalmente se for confirmado candidato do partido em dobradinha com o ex-presidente Lula da Silva.

Além desses fatores que podem mudar a situação de pré-candidatos, há sinais de que a corrida ao Palácio do Planalto poderá ter influência na briga pelo Palácio dos Leões. Difícil, por exemplo, duvidar do peso de declarações de Lula da Silva apoiando Felipe Camarão, ou eventualmente a Weverton Rocha, ou ainda a Carlos Brandão? Não se pode desconsiderar a influência da eventual dobradinha Weverton Rocha/Ciro Gomes, o mesmo em relação a Carlos Brandão com um eventual candidato tucano a presidente. Como também pode ser um erro menosprezar o eventual apoio do presidente Jair Bolsonaro a Josimar de Maranhãozinho, Roberto Rocha ou Lahesio Bonfim.

Em resumo: as pesquisas de agora são importantes e bem-vindas, registram a fotografia do momento, apontam tendências, indicam caminhos. Mas a política é dinâmica, e o que parece obvio agora pode sofrer mudanças radicais. Só para lembrar um dado: em 2002, José Reinaldo Tavares, que era vice-governador, assumiu o Governo e se lançou candidato à reeleição com apenas 2% das intenções de voto, segundo pesquisa Econométrica. Foi reeleito em turno único.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pré-candidatos têm rejeição elevada

No mesmo cenário das preferências, no qual aparece à frente com 25,1% das intenções de voto para o Governo do Estado, a ex-governadora Roseana Sarney lidera também o duro e implacável item em que é medida a rejeição, quando o entrevistado diz em quem não votaria de nenhum. Roseana Sarney desponta como campeã com nada menos que 43,6%. O segundo mais rejeitado pelo eleitor é o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, com nada menos que 33,6%, seguido por Carlos Brandão (22%), Roberto Rocha (18,8%), Simplício Araújo (18,4%), Weverton Rocha (17%), Edivaldo Holanda Jr. (16,8%), Felipe Camarão (16,1%) e Lahesio Bonfim (11.6%).

Esses percentuais tiram qualquer aspirante do eixo, porque, ao contrário dos de preferência, que indicam aprovação, a rejeição reúne toda a carga negativa de um meio onde o que prevalece mesmo é a disputa.

 

Votos “rebeldes” na PEC dos Precatórios mostrou a inconsistência de partidos no Brasil

Bira do Pindaré tentou, em vão, reverter votos do PSB à PEC dos Precatórios

A votação, ontem, da PEC dos Precatórios, aprovada por 323 votos contra 172, serviu para mostrar aos brasileiros a inconsistência dos partidos políticos, evidenciada na distância entre o discurso e a prática e entre os comandos partidários seus detentores de mandato. Isso ficou muito claro no PSB e no PDT. Na legenda socialista nada menos que nove deputados “peitaram” o comando partidário e votaram de acordo com a orientação do Palácio do Planalto. No PDT, o comando partidário conseguiu reverter sete dos 12 que votaram no primeiro turno, amargando o alinhamento de cinco pedetistas à orientação governista. Vice–líder da bancada do PSB, o deputado Bira do Pindaré entrou de cabeça na sua bancada tentando reverter a “rebeldia”, mas seu trabalho foi em vão. Já o presidente do PDT, Lupi, fez um discurso colocando os deputados pedetistas contra a parede, conseguiu mudar alguns votos, mas teve de engolir cinco votos à PEC dos Precatórios, que deu ao Palácio do Planalto os bilhões de reais que precisava para bancar o polêmico e eleitoreiro Auxílio-Brasil.

São Luís, 10 de Novembro de 2021.

Candidatura de Bolsonaro pelo PL aliado ao PP pode levar Maranhãozinho a disputar os Leões

 

Jair Bolsonaro pode estimular Josimar de Maranhãozinho a disputar o Governo com o apoio de André Fufuca; Roberto Rocha pode seguir outra via na corrida aos Leões

A revelação de que o presidente Jair Bolsonaro se filiará ao Partido Liberal (PL) para concorrer à reeleição, e que a agremiação se juntará ao Partido Progressista (PP), dando-lhe a vaga de vice, movimentou ontem o cenário político nacional, como era esperado. E como não poderia deixar de ser, essa equação partidária em torno do presidente, cuja montagem deve ser concluída e consumada nos próximos dias, terá desdobramentos no Maranhão. Para começar, a candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição abre caminho para uma dobradinha com a provável candidatura do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, chefe maior do braço maranhense do PL, ao Governo do Estado. E se a aliança com PL/PP for confirmada, o PP, que tem como presidente nacional interino o deputado federal maranhense André Fufuca, provavelmente seguirá os passos do PL no rompimento com a base partidária liderada pelo governador Flávio Dino (PSB). O movimento partidário em curso, se consumado, pode resolver a pendência partidária do senador Roberto Rocha, que se manteve até agora sem partido aguardando a definição do presidente.

Não há dúvidas de que a eventual candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição pelo PL, que muitos definem como a verdadeira “alma” do Centrão, colocará o deputado federal Josimar de Maranhãozinho numa situação próxima ao “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”. Isso porque, se até aqui sua pré-candidatura foi um blefe, como muitos acreditam, a partir da filiação do presidente ao PL, ele não mais poderá “brincar” de pré-candidato. Josimar de Maranhãozinho será obrigado, pelas circunstâncias políticas que envolvem o projeto de reeleição do presidente, a decidir, de maneira irreversível, se será mesmo, ou não, candidato a governador. Josimar de Maranhãozinho, que de bobo nada tem, dificilmente correrá o risco de entrar numa fria e ficar sem mandato por causa do projeto de sobrevivência política do presidente da República, cuja reeleição é hoje tida rigorosamente como incerta.

Nesse cenário, é quase certo que, em se confirmando a filiação do presidente Jair Bolsonaro ao PL e, por conta disso, o partido some forças com o PP, todos os sinais indicam que o presidente do Progressistas, deputado federal André Fufuca, tirará o partido da aliança governista no Maranhão. O parlamentar, que está no exercício da presidência do partido pelo fato de o titular, senador Ciro Nogueira (PI), ter se afastado para comandar a Casa Civil no Governo Bolsonaro, dificilmente manterá o partido na aliança comandada pelo governador Flávio Dino. Como acontece com Josimar de Maranhãozinho, André Fufuca poderá enfrentar problemas para manter a unidade do seu partido no estado, correndo o risco de comprometer o seu projeto maior para o futuro, que é se reeleger deputado e se tornar candidato a governador, provavelmente em 2030. Sabe que apoiar a candidatura do presidente à reeleição pode conduzir a um gigantesco fiasco. Sua carreira até agora tem sido muito bem-sucedida para ser colocada em risco por conta da aventura bolsonarista.

O senador Roberto Rocha tem uma situação bem mais complexa. Não há dúvida de que, em princípio, desembarque de Jair Bolsonaro no PL beneficiará diretamente Josimar de Maranhãozinho, que certamente continuará no controle do partido. Resta saber se, no caso, Roberto Rocha se filiará ao PL para ser liderado por Maranhãozinho, mas com possibilidade de ser candidato a governador, ou se preferirá ser candidato a governador ou a senador pelo PP, onde será comandado pelo deputado André Fufuca. Com uma trajetória política sempre atuando como dirigente partidário, tendo presidido vários partidos no estado – os mais recentes foram o PSB e o PSDB -, Roberto Rocha tem experiência suficiente para saber que no seu caso o melhor mesmo será buscar uma terceira via partidária, que lhe dê o comando.

O que parece certo é que a filiação do presidente Jair Bolsonaro ao PL, sob a liderança férrea do notório ex-deputado federal Waldemar Costa Neto, e a aliança com o PP certamente produzirão um projeto de candidatura ao Governo do Maranhão. Sem muita chance de sucesso, mas com o poder de fazer zoada durante a campanha.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Missão (quase) impossível: vice nacional do PT vai tentar unificar o partido para 22

Lula da Silva apoia a missão de Márcio Macedo de tentar unir o PT do Maranhão

É de expectativa o clima dentro do PT com o desembarque, nesta quarta-feira, em São Luís, de uma comissão de dirigentes nacionais do partido, comandada pelo vice-presidente Márcio Macedo, para avaliar as tendências que movimentam o partido em relação às eleições do ano que vem. O foco principal, claro, é o projeto de candidatura de Felipe Camarão, que está em discussão dentro do partido.

Márcio Macedo encontrará no Maranhão um PT fortemente dividido em três correntes. Uma mobilizada em torno do projeto de candidatura de Felipe Camarão, formada por nomes fortes e prestigiados do partido, com atuação mais independente, como o professor Francisco Gonçalves. Outra, representada pelo comando estadual do partido, liderado pelo presidente Augusto Lobato, que propõe aliança com o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), considerando a possibilidade de indicar o candidato a vice, repetindo a fórmula de 2010, quando o PT compôs com o PMDB e chegou ao poder com Washington Oliveira como vice de Roseana Sarney.  E uma terceira corrente, liderada pelo ex-vereador Honorato Fernandes, que comanda o partido em São Luís, e que já declarou apoio, para ele “irreversível”, à pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT). Além disso, há vozes isoladas pregando candidatura própria do partido.

Esse painel de tendências dá uma ideia do tamanho do abacaxi que Márcio Macedo e demais integrantes da missão terão de descascar se de fato pretendem unificar o partido em torno de um projeto comum. Mas é uma situação bem mais amena do que a encontrada pelo então presidente nacional Zé Dirceu, quando veio a São Luís, no início deste século, tentar, pela primeira vez, convencer o braço maranhense do PT a se aliar ao Grupo Sarney.

Depois de horas de conversa dura, com socos e caneladas verbais, e que não produziu o resultado esperado, Zé Dirceu desabafou com um jornalista: “O PT do Maranhão é o mais complicado do Brasil”. Outras ações, algumas envolvendo o próprio Lula da Silva, dobraram finalmente o PT, mas com o preço de o partido perder quadros importantes, como Domingos Dutra, que migrou para o PCdoB, e Bira do Pindaré, que se converteu ao PSB.

O detalhe a observar é que o grupo que apoia Felipe Camarão é praticamente o mesmo que se rebelou em 2010 contra a aliança PMDB/PT, tendo Washington Oliveira como vice de Roseana Sarney, e apoiou, aberta e ostensivamente, a candidatura do então deputado federal Flávio Dino (PCdoB).

 

Claudia Coutinho credenciada para o desafio de comandar o Grupo Coutinho

Claudia Coutinho deve suceder a Cleide Coutinho na AL e no comando do Grupo Coutinho com o aval do marido, Ferdinando Coutinho

Depois de causar a impressão de que estava desmoronando, ressentindo-se da falta de um líder capaz de preencher pelo menos parte da enorme lacuna aberta com a partida do deputado Humberto Coutinho, em janeiro de 2018, o Grupo Coutinho, que Caxias como base, dá sinais de estar se reinventando. E, ao contrário do que se poderia prever, esse movimento não tem origem exatamente em Caxias, mas na vizinha Matões, onde pontifica o prefeito reeleito Ferdinando Coutinho, cujo bom desempenho administrativo e político é fortalecido pela ação da primeira-dama Claudia Coutinho. A movimentação da consorte é tão forte, que ela ganhou o desafio de suceder a deputada Cleide Coutinho na Assembleia Legislativa e, por um processo natural, no comando do Grupo Coutinho, uma força política hoje com várias ramificações, sob risco de se desfazer, carecendo de uma nova liderança para unificá-lo. Outros nomes foram avaliados, mas ninguém se mostrou politicamente mais credenciado do que a primeira-dama de Matões. Ela se viabilizou no grupo com o aval do marido Ferdinando Coutinho, que depois de Cleide Coutinho, foi o verdadeiro braço direito de Humberto Coutinho. A ascensão de Claudia Coutinho à cúpula do Grupo Coutinho se deve, portanto, à sua veia política natural e ao apoio incondicional de Ferdinando Coutinho, que avalizou seu projeto de se candidatar a deputada estadual, com o objetivo de manter o espaço do Grupo Coutinho na Assembleia Legislativa e na política maranhense. A julgar pela trajetória eleitoral dos Coutinho, Claudia Coutinho entra na briga por cadeira na Assembleia Legislativa com cacife para sair das urnas com votação acima da média.

São Luís, 09 de Novembro de 2021.

Nomes fortes reforçam a previsão de que a eleição da bancada federal será o diferencial nas urnas

 

Josimar de Maranhãozinho, Márcio Jerry, Júnior Lourenço e Rubens Jr., por exemplo, devem se reeleger, mas terão suas posições ameaçadas por Roseana Sarney, Lobão Filho, Carlos Lula e Clayton Noleto na corrida à Câmara Federal no ano que vem

Em meio à forte expectativa que vem marcando a contagem regressiva para a reunião, prevista para acontecer até o final deste mês, na qual o governador Flávio Dino (PSB) e aliados definirão, ou não, o candidato da aliança partidária governista à sua sucessão, uma forte movimentação ganha volume no cenário político estadual: a disputa pelas 18 cadeiras da bancada maranhense na Câmara Federal. Confirmando previsão feita acerca de um ano pela Coluna, a julgar pelo cacife da grande parte dos atuais deputados federais e pela força política e eleitoral de alguns nomes que estão se apresentando como pré-candidatos, a eleição da nova bancada federal deverá fugir a todos os padrões vistos até agora nessa disputa. Os “bons de voto” que lideraram a corrida em 2018 agora enfrentarão concorrentes com poder de fogo difícil de medir, mas que certamente sairão das urnas com expressivas votações, provavelmente brigando por posições entre os mais votados.

Eleitos em 2018 com votações acima dos 100 mil votos, Josimar de Maranhãozinho (PL), Márcio Jerry (PCdoB), Rubens Jr. (PCdoB), André Fufuca (PP), Aluísio Mendes (PSC), Edilázio Jr. (PSD), Júnior Lourenço (PL), Pedro Lucas Fernandes (Aliança Brasil) e Cléber Verde (Republicanos) terão seus cacifes eleitorais testados com a entrada na disputa de nomes como a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), o ex-suplente de senador Lobão Filho (MDB), o secretário de Saúde, Carlos Lula (PSB), o secretário de Infraestrutura, Clayton Noleto (PCdoB), que já estão no jogo em movimentação aberta e intensa, e outros nomes que se preparam para entrar, como o ex-prefeito de Timon, Chico Leitoa (PDT) e, provavelmente, o ex-vereador de São Luís Roberto Rocha Filho (sem partido), visto por muitos como nome certo na futura bancada.

A grande expectativa dessa eleição está no desempenho da ex-governadora Roseana Sarney nas urnas. Isso porque uma das motivações da sua candidatura é receber um a grande quantidade de votos – há quem calcule entre 250 e 300 mil – e, assim, turbinar a representação do MDB na bancada, inclusive facilitando a reeleição dos deputados Hildo Rocha e João Marcelo. Não se sabe são certo qual será, por exemplo, o destino do deputado Josimar de Maranhãozinho, que está se apresentando como candidato “irreversível” a governador, mas avisando que pelo menos parte da sua montanha de votos será destinada à sua mulher, a deputada estadual Detinha (PL), que deverá ser candidata a deputada federal. Nesse contexto, ninguém duvida de que, se for mesmo candidato, o empresário Lobão Filho será beneficiado pelo prestígio político da sua família, com forte possibilidade de sair das urnas muito bem votado.

Nos bastidores são altas as apostas nos projetos de candidatura dos secretários Carlos Lula e Clayton Noleto. Reconhecido como o grande responsável pelo bom desempenho do Maranhão contra o coronavírus e pela montagem do sistema que vem tornando o Maranhão diferenciado na área de saúde pública, Carlos Lula caminha para as urnas com chances reais de eleição. O mesmo acontece com Clayton Noleto, que pelo desempenho no comando da Sinfra está credenciado a pleitear um mandato federal, que muitos enxergam como favas contadas. Na mesma direção está o secretário de Indústria, Comércio e Energia, Simplício Araújo (Solidariedade), que atua como pré-candidato a governador com o objetivo de conquistar uma cadeira na Câmara federal, dando um passo além da sua atual condição de primeiro suplente.

Nesse cenário de possibilidades, os ventos podem soprar favoravelmente a deputados de eleitorado forte como Bira do Pindaré, agora mais embalado pelo fortalecimento do seu partido, o PSB. Esses fluídos eleitorais bafejam também Juscelino Filho (Aliança Brasil), Marreca Filho (Patriotas), Zé Carlos (PT), Gil Cutrim (Republicanos) e Pastor Gildenemyr (PMN). Membro desse grupo desde Janeiro, quando herdou a vaga aberta na Câmara Federal com a eleição de Eduardo Braide para a Prefeitura de São Luís, Josivaldo JP é, por enquanto o principal nome do Podemos, o que lhe dá chances na disputa.

A verdade é que o quadro que ganha forma nessa seara reforça a certeza de que a corrida à Câmara Federal será o grande diferencial das eleições de 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino reforça estrutura da UemaSul com implantação do Centro de Ciências Agrárias

Flávio Dino e Carlos Brandão comemoram inaugurações e decisões na UemaSul

Na semana que passou, o governador Flávio Dino deu mais uma demonstração de que transita na contramão da visão sombria do atual Governo Federal no que diz respeito à pesquisa e à educação. Na visita que fez a Imperatriz, quarta-feira (3), para marcar o quinto aniversário da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UemaSul), inaugurar o Centro de Ciências Agrárias da instituição, obra que custou R$ 20 milhões e que vai abrir um novo horizonte nas atividades agrárias da Região Tocantina. No mesmo evento, Flávio Dino também assinou edital da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) de apoio ao curso de Medicina da UemaSul, tendo ainda autorizado abertura de concurso público para o Centro de Ciências da Saúde (CCS).

Vista inicialmente com reservas e tendo até sido objeto de críticas, a criação da UemaSul, resultante da divisão da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), é hoje um projeto vitorioso e bem-sucedido, com campus próprios, instalações adequadas e estrutura que ganha espaço e equipamentos a cada semestre. O Centro de Ciências Agrárias inaugurado na semana passada é um bom exemplo de que os investimentos feitos ali produzem resultados. A UemaSul é parte de um programa de Educação que inclui o reforço da Uema-mãe, a adoção progressiva do ensino básico e médio em tempo integral, da implantação da rede de Iemas e das mais de mil unidades de Escola Digna. Trata-se de um programa sem similar neste momento em todo o País.

 

Othelino Neto é apontado como “republicano e democrático” no comando da Assembleia

Othelino Neto apontado como “republicano e democrático” no comando da Assembleia Legislativa

O deputado Othelino Neto (PCdoB) teve reforçada sua postura democrática e republicana como presidente da Assembleia Legislativa. Esses traços da sua atuação institucional com o chefe de Poder foram destacados pelo deputado Wellington do Curso (PSDB), que em discurso revelou que boa parte da sua atuação como parlamentar de oposição se deve às condições proporcionadas pelo presidente da Casa, que, segundo afirmou, dispensa tratamento igualitário e democrático a todos os deputados, sejam situacionistas ou oposicionistas. “O meu mandato, que é de oposição, de fiscalização e de denúncia, deve muito ao deputado Othelino Neto. E eu tenho respeito e gratidão, pois consigo realizar as minhas atividades parlamentares de forma democrática e republicana, porque temos um presidente que nos respeita”, frisou o deputado tucano.

De fato, é difícil encontrar entre os deputados estaduais e até mesmo no meio político em geral vozes que se manifestem em sentido contrário. Mesmo entre adversários, o presidente da Assembleia Legislativa é visto como um político com os pés no chão, que sabe administrar crises e que consegue manter a Casa como um parlamento normal, apesar das fortes tensões entre deputados causadas por pelas guerras pelo poder nas regiões. Não é sem razão que alguns chegam a cogitar noiva eleição para presidente em 23, caso renove o mandato parlamentar no ano que vem.

São Luís, 07 de Novembro de 2021.

 

Ao lançar sua pré-candidatura, Felipe Camarão torna a corrida sucessória mais intensa e imprevisível

 

Felipe Camarão fala no lançamento da sua pré-candidatura dentro do PT

Em meio a uma visível mal-estar nas fileiras de apoiadores do senador Weverton Rocha (PDT), que segundo as pesquisas feitas até agora lidera a corrida ao Palácio dos Leões, e a um silêncio cauteloso das forças alinhadas ao vice-governador Carlos Brandão (PSDB), e também a um clima de expectativa entre os aliados do ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD), o secretário de Estado da Educação Felipe Camarão (PT) lançou ontem sua pré-candidatura à sucessão no Governo do Maranhão. Com o ato, que repercutiu fortemente no meio político estadual, Felipe Camarão desembarcou de vez no cenário prévio da corrida ao Governo do Estado, contribuindo fortemente para aumentar as expectativas em relação à reunião, a ser realizada neste mês e na qual o governador Flávio Dino (PSB), juntamente com os líderes partidários da base governista, deve escolher o candidato do grupo à sua sucessão.

Um dos “ases de espada” da equipe do Governo Flávio Dino, responsável pelo gigantesco e bem-sucedido programa educacional em curso, o advogado Felipe Camarão entra na corrida sucessória com dois desafios pela frente: convencer o seu próprio partido, o PT, que está dividido entre o pedetista Weverton Rocha e o tucano Carlos Brandão, com vozes também defendendo candidatura própria, e mostrar viabilidade numa disputa em que os concorrentes já estão há tempos na estrada. A superação do primeiro desafio está bem encaminhada devido ao peso das forças que o apoiam dentro do partido. O segundo é que depende de uma pesquisa em que ele seja apontado como pré-candidato, o que deve acontecer nos próximos dias.

Desde que se consolidou como nome de proa do Governo Flávio Dino, Felipe Camarão passou a ser apontado como um nome com potencial para entrar na guerra pelo voto. Filiou-se ao DEM, foi sondado para disputar a Prefeitura de São Luís, e depois migrou para o PT, agora com um propósito claro: disputar mandato de deputado federal. A ciranda da corrida sucessória, porém, o empurrou para a restrita e desafiadora seara na qual se concentram os candidatos ao Governo do Estado. Incentivado dentro e fora do partido, ele deu uma guinada radical e decidiu entrar na briga pelo gabinete principal do Palácio dos Leões, tendo confirmado ontem esse propósito ao lançar sua pré-candidatura dentro do PT.

Ao contrário dos demais pré-candidatos da base governista, Felipe Camarão exibiu confiança no seu projeto de ser candidato e de chegar ao Governo do Estado. Durante o lançamento, ele mostrou que acredita que será o escolhido para suceder a Flávio Dino no comando do Governo do Maranhão. Mas, também ao contrário dos demais pré-candidatos, o secretário de Educação sugeriu que o governador adie a escolha para o ano que vem, mostrando-se confiante de que, se tiver mais tempo para consolidar seu projeto, será o escolhido:  “Creio que ano que vem, mais próximo de ele se desincompatibilizar e eu também, ele deverá escolher o seu sucessor e acredito plenamente que será o candidato do PT”. Na sua concepção, “agora é o momento do diálogo, do debate e do trabalho”.

Mesmo pressionado pelo complicado desafio de primeiro conquistar o apoio do PT para se tornar seu candidato, Felipe Camarão causa forte impacto no cenário da sucessão estadual. Isso porque, se vier a ser referendado pelo partido, ele ganhará, de cara, o suporte de uma poderosa estrutura partidária, o alinhamento de uma ativa militância e o direito de pedir votos em dobradinha com ex-presidente Lula da Silva, que tem forte influência eleitoral no Maranhão, liderando a corrida presidencial, e com o governador Flávio Dino, que comanda a aliança partidária e o favorito disparado à vaga no Senado.

O fato incontestável é que, com o lançamento da sua pré-candidatura, Felipe Camarão sacudiu de vez o cenário sucessório maranhense, levando todos os demais pré-candidatos a ajustarem suas estratégias, tornando a corrida ao Palácio dos Leões bem mais intensa e imprevisível.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ao se filiar ao PSB, Marco Aurélio diz que Carlos Lula será “puxador” de votos

Apoiado por Flávio Dino e Carlos Lula, Marco Aurélio exibe sua ficha de filiação ao PSB, em ato realizado em Imperatriz

O secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, foi a grande estrela do ato de filiação do deputado Marco Aurélio ao PSB, ontem, em Imperatriz. Também filiado ao partido, ele teve sua pré-candidatura à Câmara Federal como fato consumado, o que ratifica a convicção da Coluna de que a corrida pelas 18 cadeiras da bancada maranhense será, de longe, a mais renhida dos últimos tempos. Ao assinar sua ficha de filiação ao PSB, na presença do governador Flávio Dino, o deputado Marco Aurélio, que é candidato à reeleição, turbinou potencial eleitoral do secretário de Saúde, fazendo a seguinte previsão: “Carlos Lula vai ser o grande puxador de voto do PSB. Vai trazer 100 mil votos e vai me puxar também”.

A declaração do deputado Masco Aurélio foi reforçada pelo governador Flávio Dino, que elogiou o desempenho de Carlos Lula no comando da párea de Saúde: “Tenho muito orgulho de termos conseguindo enfrentar a maior crise de saúde pública da humanidade e de hoje o Maranhão ser referência para o país inteiro. O secretário Carlos Lula foi reeleito presidente do Conass por reconhecimento a esse trabalho de combate a pandemia. Ele tem autoridade política para representar todos os secretários do país”.

O governador justificou o elogio ao secretário de Saúde lembrando que no início da gestão o Estado dispunha de apenas 25 cadeiras de hemodiálise e atualmente são mais de 400 cadeiras disponíveis em todas as regiões do Maranhão, bem como a para ele histórica expansão dos leitos executa desde de 2015:  “Tínhamos leitos de UTI em apenas três cidades maranhense, hoje temos 7 vezes mais que esse número e foi por isso que salvamos vidas”, finalizou.

Realizado no Palácio do Comércio de Imperatriz, o ato filiação do deputado estadual Marco Aurélio ao PSB serviu para dar uma ideia de como será dura a disputa pelas cadeiras do Maranhão na Câmara Federal.

 

Weverton Rocha propõe regras para normatizar o mercado de crédito de carbono no Brasil

Weverton Rocha propõe regras para normatizar o mercado de crédito de carbono no Brasil, de acordo com a COP 26

Mesmo mergulhado na pré-campanha para consolidar o seu projeto de candidatura ao Governo do Estado, o senador Weverton Rocha (PDT) não descuida das suas obrigações parlamentares e mantém sua posição de legislador produtivo. Sua iniciativa mais recente foi a apresentação de Projeto de Lei que regulamenta o mercado de negociação de créditos de carbono. Na linha da Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP 26), realizada há duas semanas na Itália, a proposta cria normas que viabilizam a venda e ganho de capital pelas empresas que entrarem no Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE) com a intenção de diminuírem os gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera.

“O texto estabelece um novo modo de funcionamento desse mercado, que foi criado em 2009 e até hoje não se consegue operacionalizar”, justificou o senador, destacando que a viabilidade do mercado de carbono só se dará com as regras contidas no seu projeto. Weverton Rocha propõe que a preservação da vegetação nativa, o fomento às ações de mitigação da mudança do clima por meio da negociação de títulos representativos de emissões de gases de efeito estufa (GEE) evitadas certificadas e a adoção de tecnologias menos intensivas em carbono sejam condições indispensáveis.

Para o senador, o mercado de créditos de carbono é uma alternativa econômica viável para incentivar empresas a reduzirem a emissão de GEE na atmosfera. “O objetivo central deste projeto é regulamentar um mercado que ninguém sabe exatamente como funciona. As transações em créditos de carbono podem incentivar empresas e governos a reduzir as emissões de poluentes, mas precisam de regulamentação”, explicou Weverton Rocha.

Em Tempo: como estado em parte amazônico, o Maranhão tem muito a ver com o mercado de crédito de carbono.

São Luís, 05 de Novembro de 2021.