Flávio Dino trabalha para fortalecer sua base partidária para ter lastro político nas eleições gerais do ano que vem

 

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Flávio Dino – na mensagem de dicada às mulheres – está fortalecendo sua base partidária para as eleições do ano que vem, quando será candidato à reeleição

Os movimentos recentes do governador Flávio Dino (PCdoB) estão colocando a oposição, notadamente o Grupo Sarney, em estado de alerta vermelho. A pouco mais de 550 dias das eleições gerais de 2018, nas quais será candidato à reeleição, o governador do Maranhão vem intensificando ações políticas de envergadura, entre elas a articulação abrangente que resultou na nomeação do vereador Pedro Lucas Fernand presidente da Agência Metropolitana, e a consequente inclusão do PTB na sua base de apoio, desatando um laço antigo que vinha mantendo desde os anos 80, quando José Sarney foi presidente da República. Dino parece decidido a ampliar e consolidar o lastro partidário que comanda, de modo a chegar na corrida às urnas com o suporte político necessário a conquistar mais um mandato e fazer maioria nos parlamentos federal e estadual. Atualmente, o governador com mais de uma dezena de partidos, tendo como suporte fiéis PCdoB, PDT, PSB, e PT, que lhe dão lo respaldo que precisa para ir em frente.

Se de um lado está atraindo o PTB para a sua órbita de influência, de outro  Flávio Dino encara o contraponto de ver o PSDB caminhando para sair da sua base, convivendo também com a possibilidade de não poder contar com agremiações como o DEM e o SD, que caminham no sentido de acompanhar a tendência nacional, que é a de embarcar na grande aliança que deve reunir PMDB e PSDB na corrida eleitoral do ano que vem. Nesse contexto, o governador também se vê obrigado a administrar tensões e disputa entre legendas aliadas, com o é o caso do PDT e do PT, que estão disputando cada nesga do espaço à sua volta. Liderado pelo atuante deputado federal Weverton Rocha, que é candidato assumido ao Senado, o PDT tem presença certa na base, o mesmo acontecendo com o PT, que no momento está sendo sacudido pelos ecos de uma disputa interna cujo desfecho será a eleição da nova direção estadual.

Político esclarecido, antenado e com apurado senso de oportunidade, o governador Flávio Dino já aprendeu o suficiente para saber que no jogo político o que prevalece mesmo é a mão dupla, pois nenhum partido entra numa aliança sem saber o que pode ter em recompensa. Sabe, por exemplo, que não poderá contar como PRB, um partido de direita que deve embarcar na aliança PMDB/PSDB no plano nacional e manter a mesma linha no plano regional. Será o mesmo caso do DEM, que dificilmente manterá seu apoio ao governador e a seu projeto de poder, quando é parte consolidada da trinca que forma com PSDB e o PPS, que também não se manterá no seu arco de aliança. Por enquanto, é importante para ele e seu Governo manter esses partidos como aliados precários, mas com o compromisso de lhe dar sustentação na Assembleia Legislativa, tendo como compensação alguns mimos, como a liberação de emendas parlamentares sem fazer o jogo feio do “toma lá, da cá”.

Nos bastidores políticos maranhenses, especulações sobre a formação de alianças para o ano que vem indicam que seguramente o governador  só conta mesmo para valer com PCdoB, PDT, PSB e PT, que formam o eixo central da esquerda moderada no país e que integrarão com certeza a frente partidária a ser liderada pelo PT em torno da provável candidatura do ex-presidente Lula da Silva na corrida presidencial. Essa aliança partidária será embalada pelo prestígio político e pessoal do governador, que aparece em todas as pesquisas como favorito na corrida às urnas. Além dos quatro partidos que formam o núcleo rígido da sua base, Flávio Dino deve contar com partidos menores.

É claro que esse é um desenho previsível se levado em conta apenas a disputa nacional com Lula da Silva de um lado e o candidato da aliança que hoje dá sustentação ao presidente Michel Temer. Ele pode mudar, dependendo das surpresas possam surgir.

 

PONTO & CONTRAPONTO

PT vai brigar pela vaga de vice
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Zé Inácio e Weverton Rocha: sinais de disputa entre PT e PDT pela vaga de vice 

Em declaração dada ao bem informado blog do jornalista Marcos D`Eça, o deputado Zé Inácio, que é candidato à presidência do PT maranhense, sinalizou com clareza que o partido tem um projeto audacioso no Maranhão: indicar o candidato a vice na chapa do governador Flávio Dino. Ao mesmo tempo, a sinalização feita por Zé Inácio revelou também que a vaga de candidato à vice de Flávio Dino é objeto de outra disputa, já que o PDT também vem manifestando interesse nessa vaga para vice. “É claro que o PT quer protagonizar as eleições de 2018 e tem cacife para brigar por espaços na chapa majoritária”, declarou Zé Inácio, indicando que já existe uma determinação do PT em relação a essa vaga na chapa majoritária. O problema é que o PDT, mesmo já tendo como certa uma das vagas de candidato ao Senado para o deputado federal e presidente do partido Weverton Rocha, um líder partidário que não costuma se contentar com pouca coisa e parece determinado a fortalecer cada vez mais o PDT e o seu próprio projeto de poder. Do lado do PT, porém, tem o deputado Zé Inácio, que também joga duro.

Homenagens à Mulher
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Valéria Macedo, Francisca Primo e Othelino Neto na inauguração da Procuradoria da Mulher, órgão criado pela Assembleia Legislativa para atuar em defesa da Mulher

Boa parte dos trabalhos da Assembleia Legislativa ontem foi dedicada a homenagens às mulheres pela passagem do Dia Internacional da Mulher. O presidente Humberto Coutinho (PDT) liderou a programação, que incluiu manifestações diversas no plenário e culminou com a inauguração da Procuradoria da Mulher, um órgão recém-criado e que será comandado pela deputada Valéria Macedo (PDT), tendo o ato sido comandado pelo vice-presidente da Casa, deputado Othelino neto (PCdoB). Exaltaram o papel da mulher na sociedade contemporânea os deputados Othelino Neto, César Pires (PEN), Bira do Pindaré (PSB), Cabo Campos (DEM), Eduardo Braide (PMN),  Zé Inácio (PT), Vinícius Louro (PR) e Wellington (PSB). As homenagens foram dedicadas principalmente às mulheres parlamentares: Andrea Murad (PMDB), Francisca Primo (PCdoB), Nina Melo (PMDB), raça Paz (PSL) e Ana do Gás (PCdoB).

 

São Luís, 08 de Março de 2017.

 

Agência criada por Dino tem o desafio de dar sentido formal e prático à Região Metropolitana com 13 municípios

 

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Pedro Lucas Fernandes, Luis Fernando Silva, Domingos Dutra, Flávio Dino, Edivaldo Jr. e Talita Laci: deles depende o futuro da Região Metropolitana da Grande São Luís

 

O agora vereador licenciado Pedro Lucas Fernandes (PTB) tem desde segunda-feira sobre os ombros a desafiadora tarefa de presidir, com status de secretário de Estado, a Agência Metropolitana, órgão criado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) para articular e coordenar ações que interliguem os municípios da Região Metropolitana da grande São Luís: Alcântara, Axixá, Bacabeira, Cachoeira Grande, Icatu, Morros, Presidente Juscelino, Paço do Lumiar, Raposa, Rosário, Santa Rita, São José de Ribamar e São Luís. A Agência Metropolitana tem o objetivo maior de dar sentido formal e operacional à Região Metropolitana criada nas Disposições Transitórias da Constituição de do Maranhão de 1989 e cuja regulamentação foi proposta pelo então deputado estadual Francisco Martins (PDS), um médico que representava a Região de Balsas. Respeitado como um político sério e bem intencionado, Francisco Martins não imaginou que o seu gesto legislativo deflagraria uma novela política que durou 26 anos e que foi marcada por divergências, desconfiança, boicotes, arremedos de solução e rasgos de oportunismo. A iniciativa do governador Flávio Dino parece ser o ponto final, tardio, mas bem vindo, no longo jogo rasteiro, dando à Região Metropolitana o destino pensado pelos constituintes maranhenses de 1989.

No ato em que nomeou o vereador Pedro Lucas seu presidente, o próprio governador destacou a razão de ser do órgão: “A Agência Metropolitana tem a missão de resolver os problemas da Ilha e dos municípios do entorno”. Ou seja, o presidente Pedro Lucas terá a função de ser o grande articulador com o desafio de mobilizar os prefeitos da região em torno de projetos comuns voltados para facilitar a vida dos mais de 1,7 milhão de pessoas que vivem e se movimentam nos 13 municípios que, juntos, representam uma região de cerca de 7,9 mil quilômetros quadrados. E nesse contexto, encontrar os argumentos técnicos e políticos capazes de conciliar interesses da poderosa Prefeitura de São Luís, por exemplo, com os da pequena Raposa, por exemplo, ou encontrar meios para, por exemplo, apoiar a Prefeitura de São José de Ribamar na instrumentalização e consolidação da vocação do município para o turismo.

A Agência Metropolitana tem elenco de prioridades que interessam a todos os municípios envolvidos: transportes de massa, malha viária, saneamento básico, energia, limpeza pública, descarte do lixo, ações de saúde, links educacionais. A ideia central é imaginar a grande região como uma megametrópole na qual os serviços sejam eficientes e de qualidade. Nesse processo, os municípios maiores podem contribuir com os menores sem que haja, por exemplo, posições hegemônicas, de modo a que todos os integrantes da região sejam beneficiados com as ações articuladas sem correr qualquer risco de perder autonomia administrativa ou política. O papel do presidente da Agência Metropolitana passa também por uma ação, digamos, diplomática, que deve ser incentivada pelo Palácio dos Leões e estimulada pelos grandes municípios. A lei que regulamenta a Agência Metropolitana prevê antídotos eficazes contra eventuais atropelos políticos.

Essa preocupação foi evidenciada no discurso de Pedro Lucas ao assumir o cargo: “Agradeço a confiança do governador Flávio Dino reafirmando o meu compromisso de sempre: trabalhar pelo bem da nossa população para que o crescimento do Maranhão seja constante. Nosso trabalho não será executado de forma isolada. A participação dos gestores da região metropolitana será fundamental”. E acrescentou: “Para isso, a gente tem que enfrentar alguns temas, como a mobilidade, a gestão dos resíduos sólidos, e criar o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado. Nunca tivemos um órgão como esse, os desafios são muito grandes, mas a gente vai superar com muito trabalho”. Pelo que disse, Pedro Lucas parece ter assimilado com precisão o espírito da coisa.

Não há o que discutir quanto à importância da Agência Metropolitana. Ela nasce bem diferente da primeira tentativa de dar forma à Região Metropolitana, feita ainda na década de 90 do século passado pela então governadora Roseana Sarney (PMDB), quando empreendeu a mais radical reforma administrativa da História do Maranhão, desmontando a velha estrutura de secretarias e criando as Gerências Centrais e as Gerências Regionais. Incluiu no pacote radical a Gerência Metropolitana, que funcionou mais como um braço executivo do Governo do que um órgão de planejamento e articulação, enfrentando obstinada resistência do então prefeito de São Luís, Jackson Lago (PDT). Com o argumento segundo o qual com a Gerência Metropolitana, Roseana Sarney e seu grupo pretendiam interferir nas administrações municipais e, com isso, assumir o controle político da região. Com esse argumento – que a governadora não se esforçou para contestar. O próprio Jackson lago quando governador (2007/2009) tentou viabilizar a metropolização, mas encontrou resistência inspirada na posição que ele mesmo construíra quando prefeito de São Luís.

A nova tentativa de implantar a Região Metropolitana da Grande São Luís começou bem e contando com o aval de três esteios importantes, os prefeitos de São Luís, Edivaldo Jr. (PDT), de Paço do Lumiar, Domingos Dutra (PCdoB) e de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva (PSDB). Se conseguir ganhar a confiança e a boa vontade dos três, o presidente Pedro Lucas Fernandes conseguirá viabilizar a Agência Metropolitana.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão sinaliza que não sairá do PSDB sem atirar

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Brandão dá sinais de que está pronto para o confronto pelo controle do PSDB

O vice-governador Carlos Brandão já sente a pressão contra a sua permanência no comando do PSDB, fruto da movimentação que o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, faz em Brasília para assumir o comando do partido no Maranhão. Diante das evidências de que está perdendo terreno e que, segundo alguns tucanos de proa, seus dias no comando do partido estariam contados, Brandão começa a esboçar reações que parecem tardias. A mais recente foram declarações dadas a O Imparcial ao comentar a articulação do senador Roberto Rocha (PSB) de migrar para o PSDB com o aval de Sebastião Madeira, por muitos apontado como futuro presidente do partido no Maranhão. Numa demonstração de que não cairá fácil e, se cair, cairá disparando chumbo grosso, ele declarou que não vê razão para o PSDB aceitar Roberto Rocha de volta nem admite a possibilidade de sob seu comando a agremiação se juntar ao PMDB: “Quanto a Roberto Rocha, todos sabem que ele não consegue agregar e tem uma base política restrita. Quanto ao grupo Sarney, a situação não é muito diferente. São poucos os prefeitos. A estrutura que tinham não têm mais, assim como não têm resposta para os problemas do Maranhão”.

Dia da Mulher

Hoje é o Dia Internacional da Mulher, uma data marcante, principalmente quando se avalia a importância que o sexo feminino vem assumindo na sociedade, mesmo ainda enfrentando preconceitos, restrições e discussões sobre gênero, que já deveria ter sido ultrapassada. Mas por mais que as o preconceito ainda esteja presente, a mulher tem atuado bem para reverter essa realidade, dando passos significativos na busca da igualdade de gêneros que sociedades como a brasileira ainda teima em não reconhecer, principalmente em relação a direitos universais ainda não praticados integralmente. O importante, porém, é que a mulher está avançando, e o faz como cidadã e com os encantos que a liberdade e a igualdade evidenciam e que só os homens que compreendem essa realidade são capazes de perceber.  Repórter Tempo se curva em saudação.

São Luís, 07 de Março de 2017.

Alianças e movimentos entre partidos para 2018 no Maranhão dependerão das candidaturas à Presidência da República

 

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Flávio Dino, Roseana Sarney e Roberto Rocha dependerão da definição de candidatos presidenciais para traçar estratégias visando a corrida às urnas

É verdade que faltam ainda 19 meses para as eleições gerais de 2018 e que daqui até lá muita água vai rolar. Mas é também verdade que, mesmo que não estando ainda definidos os candidatos à Presidência da República, os grupos partidários maranhenses que entrarão na disputa terão forte dependência dessas candidaturas. Qualquer avaliação prévia do contexto em que se dará a guerra eleitoral indicará o posicionamento desses grupos em relação à sucessão presidencial. Não se pode afirmar as candidaturas presidenciais terão o papel de definir o resultado da briga pelo Governo do Estado, mas não há como menosprezar a influência que os presidenciáveis na agregação dos grupos partidários em formação tendo comandantes o governador Flávio Dino (PCdoB), a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) e o senador Roberto Rocha (PSB), por exemplo.

A linha de ação do governador Flávio Dino para conquistar a reeleição depende, em certa medida, do candidato presidencial que conseguir reunir as tendências correntes da esquerda moderada. O nome preferencial para liderar essa corrente é o ex-presidente Lula da Silva, que se não for condenado pela Operação Lava Jato e, assim, não vier a ser tornado inelegível, como está se desenhando, Lula da Silva não apenas será o candidato, como entrará na corrida ao palácio do Planalto como favorito. No Maranhão, o líder petista fatalmente se aliará ao governador e fará campanha contra o Grupo Sarney, de quem foi aliado até no ano passado, quando o ex-presidente José Sarney e a ex-governadora Roseana Sarney, ambos do PMDB, romperam com o PT e deram as costas para Lula da Silva. A julgar pelo contexto político em andamento no país, nada indica que será diferente.

Se Lula da Silva for inviabilizado, essa corrente certamente se mobilizará em torno do ex-governador cearense Ciro Gomes, cuja candidatura já foi sinalizada pelo PDT, podendo atrair também o PTB e outros partidos menores. Além disso, o quadro indica que a presidenciável Marina Silva (Rede) só contará mesmo o seu partido e, numa hipótese pouco considerada, com o PV, caso o deputado federal e ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, vier a deixar o partido e ingressar no PMDB, como foi ventilado há duas semanas na imprensa nacional.

Se vier a ser candidata ao Governo do Estado, Roseana Sarney terá sua candidatura atrelada ao projeto eleitoral que resultar da aliança entre PMDB e o PSDB. Essa composição ainda não definiu o nome que vai liderá-la na direção das urnas no ano que vem, mas trabalha com o senador mineiro Aécio Neves, o governador paulista Geraldo Alckmin ou quem sabe? – o prefeito paulistano João Dória Jr., todos do PSDB. A lista potencial dos candidatos dessa aliança inclui ainda nomes como o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paz (PMDB), e o próprio presidente Michel Temer, se conseguir retomar o crescimento econômico do país e não for degolado pela Justiça Eleitoral por causa de fraude e corrupção nas eleições de 2014, quando se reelegeu na chapa liderada pela agora ex-presidente Dilma Rousseff (PT).  Nesse caso, Roseana Sarney não só terá Lula da Silva como adversário, como também estará aliada aos tucanos, a quem sempre acusou de terem armado a Operação Lunus, que a tirou da corrida presidencial em 2002 e quase a mandou para a cadeia, acusada de se beneficiar de corrupção na Sudam. À dobradinha PMDB/PSDB se juntarão PV, PPS, DEM, PP e PRB, entre outros.

A situação do projeto que move o senador Roberto Rocha na direção do Palácio dos Leões é a mais indefinida desse quadro pré-eleitoral no Maranhão. Para começar, não é ainda rigorosamente certo que o senador permanecerá no PSB. E mesmo que ele permaneça no partido controlado pela família do ex-governador pernambucano Eduardo Campos, não é 100% garantido que terá o controle da legenda a ponto de viabilizar sua candidatura ao Governo. Isso porque na outra ponta da linha no PSB estará o deputado federal José Reinaldo Tavares, que é forte candidato ao Senado e, até onde se sabe, se movimenta com a garantia, dada pela direção partidária, de que terá o controle do partido no Maranhão.

Esse é, claro, um esboço impreciso, mas realista, do quadro que está em formação e levando em conta que a dinâmica da política pode impor alterações radicais nesse painel à medida que os fatos forem evoluindo e sofrendo desdobramentos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Andrea Murad ataca governador e Rogério Cafeteira rebate
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Andrea Murad e Rogério Cafeteira tendem a azedar mais ainda a relação Oposição/Situação no Poder Legislativo

O plenário da Assembleia Legislativa foi mais uma vez palco de um duro embate da líder do Bloco de Oposição, deputada Andrea Murad (PMDB), e o líder do Governo, deputado Rogerio Cafeteira (PSB), confirmando o prognóstico segundo o qual o clima pré-eleitoral tornará as relações mais tensas entre Situação e Oposição. Andrea Murad denunciou o que seria uma compra superfaturada de colchões hospitalares pela Secretaria de Estado de Saúde, e no embalo do ataque, alvejou mais uma vez o governador Flávio Dino, acusando-o de praticar corrupção. Jogando com preços praticados em outros estados, a deputada relacionou alguns valores que para elas são “absurdos”, o que, na sua avaliação, leva à conclusão de que o Governo praticou superfaturamento e, por dedução, corrupção.

O líder do Governo rebateu as afirmações da líder oposicionista, afirmando que suas conclusões eram equivocadas e que todas as compras feitas pelo Governo do Estado são limpas, descartando a possibilidade de ter havido desvio moral ou ético nas ações da Secretaria de Saúde.

No contraponto, Andrea Murad não avançou na denúncia, mas jogou duro contra o governador: “Eu tenho uma penca de denúncias como essas, então o rombo é grande, as denúncias são muitas e o governador da mudança, o governador da moralidade e da honestidade, o governador de todos nós que prega muito a honestidade não passa de um corrupto que fraudou as eleições do ano passado em vários municípios maranhenses”.

O líder governista rebateu dizendo que a deputada Andrea Murad teria esquecido o que aconteceu na Secretaria de Saúde quando seu pai, o então deputado Ricardo Murad, comandou a pasta. “Na tentativa de desmoralizar um governo sério, Andrea Murad extrapola os limites da razoabilidade. Eu a desafiei a provar alguma ilicitude do governador ou do secretário de Saúde. Acho que a deputada tem uma memória muito curta em relação a um passado recente da Secretaria de Saúde”.

E foi mais longe ao exigir respeito à pessoa do governador Flávio Dino, cuja honestidade é incontestável. “Gostaria que a senhora respeitasse o Governador Flávio Dino, cuja posição moral e ética está acima de qualquer suspeita”. E acrescentou pedindo respeito também ao secretário de Saúde Carlos Lula. “Eu ponho a mão no fogo pelo secretário Carlos Lula e pelo governador Flávio Dino”.

O embate travado ontem entre o líder do Governo e a líder da Oposição foi mais um indicador de que daqui para frente o enfrentamento será cada vez mais duro.

Luís Fernando resgata brilho do Lava Pratos em Ribamar
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A multidão de foliões que invadiu São José de Ribamar e o prefeito Luis Fernando Silva dando-lhes boas vindas à festa tradicional no resgate da tradição momesca

Mais de 100 mil foliões animadas por uma dezena de grupos – entre eles o Bicho Terra e Pepê Jr. -, escolas de samba e blocos tradicionais, com a segurança de 800 policiais e uma infraestrutura cuidadosamente montada para evitar problemas garantiram a 71ª edição do Carnaval do Lava Pratos na cidade balneária de São José de Ribamar, ocorrida sábado e domingo. A avaliação geral foi a de que a organização foi decisiva para que o evento carnavalesco, que encerra o período momesco no Maranhão, tenha sido um sucesso retumbante. Foi, na verdade, um resgate, depois de alguns anos em clima de decadência, como o de 2016, por exemplo. E para tanto a Prefeitura contou com o apoio do Governo do Estado.

Principal responsável pela retomada do espírito carnavalesco da Cidade do Padroeiro, tendo acompanhado de perto todos os detalhes da organização o prefeito Luis Fernando Silva (PSDB), comentou, em tom de comemoração: “Quando trabalhamos com responsabilidade pensando no melhor para a população e visitantes não tem como ser diferente. Todo o efetivo colocado no circuito da folia além das ruas garantiu aos brincantes uma brincadeira tranquila e segura”. O prefeito fez questão de parabenizar as equipes de organização e apoio, especialmente a de Saúde, que contou com profissionais e ambulâncias do Samu, a de segurança e a responsável pelas campanhas educativas.

São Luís, 06 de Março de 2017.

Ações políticas apontam líderes que vão decidir os rumos dos grupos que se baterão nas eleições de 2018 no Maranhão

 

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Flávio Dino, Roseana Sarney, Roberto Rocha, Humberto Coutinho, Tema Cunha, Márcio Jerry, Weverton Rocha, Edivaldo Jr., Sebastião Madeira, Luis Fernando Silva, João Alberto e José Reinaldo desenharão o cenário para as eleições de 2018

A 19 meses das eleições gerais, são ainda muito imprecisas as peças da grande equação partidária que cada uma das correntes em movimento montará para definir seus candidatos a governador, senador, deputado federal e deputado estadual, a partir, é claro, da escolha dos candidatos a presidente da República. No Maranhão, essas equações, que resultarão na montagem das chapas majoritárias (um candidato a governador e dois candidatos ao Senado) e proporcionais (deputado federal e estadual), dependerão da ação política de um grupo de líderes de grupos e chefes partidários, os quais, independentemente dos seus cacifes eleitorais, comandam estruturas cujos posicionamentos poderão ser decisivos para o futuro das candidaturas que serão lançadas em julho do ano que vem. Esse reduzido grupo – não harmônico, é bom lembrar – é formado pelo governador Flávio Dino (PCdoB), a ex-governadora Roseana Sarney (PMBD), o senador Roberto Rocha (PSB), o presidente da Famem Tema Cunha (PSB), o deputado Humberto Coutinho (PDT), o deputado federal Weverton Rocha (PDT), o prefeito Edivaldo Jr. (PDT), o secretário Márcio Jerry (PCdoB), ex-prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira (PSDB), o prefeito de Luis Fernando Silva (São José de Ribamar), o senador João Alberto  (PMDB). Há outro grupo de menor peso e com alguma influência partidária, política e eleitoral, mas seus movimentos serão desdobramentos ou consequência das decisões dos chefes maiores.

Flávio Dino (PCdoB) – O governador é hoje, de longe, o político com o maior poder de fogo no estado. Comanda a máquina estatal com surpreendente desempenho, com posição confortável e estável na avaliação da opinião pública. Tem ao seu lado um amplo leque de partidos, os quais, junto com o PCdoB, formam a sua base de sustentação e a aliança que liderará na corrida às urnas no ano que vem. Tem o apoio de pelo menos 150 dos 217 prefeitos, entre eles o de São Luis, Edivaldo Jr. (PDT). É hoje um nome de alcance nacional, apontado como um dos mais importantes líderes da esquerda moderada brasileira na atualidade. É candidato à reeleição, mas independentemente do seu projeto pessoal, seus movimentos têm o poder influenciar as decisões de aliados e adversários.

Roseana Sarney (PMDB) – Mesmo que no geral seus movimentos sejam fruto da orientação do pai, o ex-presidente José Sarney (PMDB), e sua ação política dependa em grande parte do uso da máquina pública, a ex-governadora tem expressiva influência no cenário político do estado. Dentro do seu grupo, que reúne o PMDB, o PV e outros partidos menores, sua palavra costuma ser lei. Roseana Sarney está dividida entre enfrentar o governador Flávio Dino na corrida ao Governo, correr por uma cadeira no Senado, disputar uma cadeira na Câmara Federal ou simplesmente continuar em casa cuidando dos netos. Mas ninguém duvida de que sua posição influenciará o desenho do cenário para 2018.

Roberto Rocha (PSB) – Não há qualquer indicativo de que se lançando candidato a Governador ele possa desequilibrar a disputa a ponto de ter alguma chance de vitória. Mas o senador é hoje o construtor de uma saudável terceira via política no cenário do Maranhão, quebrando décadas de monopólio de dois grupos, um sarneysista e outro anti-sarneysista. Poderá, portanto, ocupar um lugar expressivo no desenho do cenário político e eleitoral do ano que vem.

Humberto Coutinho (PDT) – O deputado-presidente da Assembleia Legislativa é hoje apontado como um dos pilares do grupo que dá sustentação ao governador Flávio Dino. Político hábil e respeitado até mesmo em amplos segmentos da oposição sarneysista, Humberto Coutinho é considerado um dos mais hábeis articuladores do campo liderado por Flávio Dino. Seus movimentos junto a deputados e prefeitos podem contribuir de maneira efetiva para consolidar e fortalecer o projeto de reeleição do governador Flávio Dino.

Tema Cunha (PSB) – Eleito prefeito de Tuntum pela quinta vez e iniciando o terceiro mandato na presidência da Federação dos Municípios (Famem), que conquistou por aclamação, Cleomar Tema Cunha vem mostrando uma liderança política de expressão no estado. Com sólida experiência no jogo político e conhecedor como poucos das duas correntes que se batem no Maranhão, o presidente da Famem é dos esteios do grupo que dá sustentação ao atual Governo, em condições, portanto, de influenciar nos rumos da corrente governista.

Márcio Jerry (PCdoB) – O secretário de Estado de Comunicação e Articulação Política e presidente estadual do PCdoB é, de longe, o mais próximo e o mais influente membro da equipe do governador Flávio Dino, Márcio Jerry é principal articulador político da situação do grupo do governador no campo da organização partidária e na manutenção da aliança situacionista. Ninguém duvida de que o presidente do PCdoB terá forte influência nos rumos a serem definidos pelo governador Flávio Dino.

Weverton Rocha (PDT) – É o mais arrojado e ousado membro da nova geração de políticos no Maranhão. Com o aval do ex-governador Jackson Lago, seu chefe e líder, escalou a estrutura do PDT maranhense e nacional e se tornou chefe incontestável do partido no estado. Aliado do governador Flávio Dino, mas com rasgos de independência, impôs sua candidatura ao Senado antes da hora e a tornou incontestável. Para onde ele pender o PDT penderá.

Edivaldo Jr. (PDT)  – A reeleição para a Prefeitura de São Luís lhe deu poder de fogo para se tornar um político com forte poder de influência no grupo do governador Flávio Dino. Tanto que já está em campanha aberta pela reeleição do governador e pela candidatura de Weverton Rocha ao Senado. Nas avaliações, a opinião geral é a de que a sua contribuição mais importante para o grupo governista é sacudir a Capital com uma gestão acima da média.

Sebastião Madeira (PSDB) – Dono de forte liderança na Região Tocantina e na Região Sul, o ex-prefeito de Imperatriz poderá influenciar expressivamente o cenário para as eleições do ano que vem se assumir, como está previsto, o comando do PSDB no Maranhão. No caso, Madeira poderá tirar o ninho dos tucanos da aliança governista e levá-lo para a oposição, seguindo orientação do comando nacional.

Luis Fernando Silva (PSDB) – Hoje um nome estadual e um dos políticos mais acreditados do Maranhão, por sua coerência política e sua eficiência como gestor público, traços que lhe mais de 90% dos votos na corrida de volta à Prefeitura de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva não emitiu nenhum sinal de que pretenda enfrentar as urnas em 2018, mas em todos grupos e rodas políticas ele é citado como potencial candidato a governador ou a senador. Quaisquer que sejam seus movimentos relacionados com as urnas, eles terão influência importante no cenário da corrida do ano que vem.

João Alberto (PMDB) – Presidente do PMDB no Maranhão e integrante da cúpula nacional do partido e do Senado, o senador João Alberto comanda uma agremiação dividida e indefinida em relação às eleições do ano que vem. Fiel ao Grupo Sarney e seguidor, à sua maneira, das orientações do ex-presidente, o senador, cujo mandato termina no próximo ano, ainda não decidiu se será candidato à reeleição. Não tem poder de fogo para decidir sozinho sobre o rumo do PMDB, mas tem força para influenciar no rumo do Grupo.

José Reinaldo (PSB) – Candidato assumido ao Senado, o ex-governador e atual deputado estadual enfrenta focos armados de resistências dentro do seu próprio grupo, mas ao mesmo tempo sua movimentação política tem fortalecido visivelmente o seu projeto, o que torna sua candidatura só reversível por força de um golpe. Se ganhar, como está previsto, o comando do PSB no Maranhão, José Reinaldo Tavares fortalecerá expressivamente sua posição política, o que lhe dará poder de fogo para influenciar no desenho do cenário.

Todas as evidências até aqui têm sinalizado que dificilmente o desenho do cenário para as eleições de 2018. Mas como a política tem o traço da imprevisibilidade, não se descarta mudanças.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Lobão tem dito que contas de filhos são legais e declaradas ao Leão
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Edison Lobão diz que não há crime nas contas dos seus filhos na Suíça

O senador Edison Lobão (PMDB) tem dito a amigos que não teme a investigação sobre as contas dos filhos Lobão Filho e Márcio Lobão na Suíça, identificadas por investigação da Operação Lava Jato. E a explicação para esse estado de ânimo do senador é o fato de que as contas são legais e o dinheiro encontrado nelas está declarado à Receita Federal, o que isenta o empresário e suplente de senador Lobão Filho e o empresário Márcio Lobão de qualquer acusação. Além disso, as contas nada teriam a ver com o senador. Essa posição foi tornada pública pelo advogado de Edison Lobão, o conhecido e respeitado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que garantiu serem as contas normais e o que estava guardado nelas é limpo. O senador Edison Lobão garante aos interlocutores que quando ministro de Minas e Energia nunca participou de negócio sujo na Petrobras nem autorizou desvios em Belo Monte, afirmando que a citação do seu nome por delatores é jogo sujo. “Eles precisam provar isso, mas não vão, porque isso não existiu”, disse o senador a um interlocutor.

Luis Fernando prepara o Lava Pratos de olho no futuro de São José
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Luis Fernando posa com foliões durante o carnaval em São José de Ribamar em clima de total animação

O prefeito Luis Fernando Silva passou as sexta-feira e sábado focado nos últimos detalhes dos preparativos do Lava Pratos, o carnaval que fecha a programação momesca no Maranhão e leva milhares e milhares de foliões a São José de Ribamar. Com base na avaliação de que o Lava Pratos é um evento que abre a programação turística anual de São José de Ribamar, que é mesclada com eventos profanos, culturais e religiosos, o gestor ribamarense não regateia esforços para oferecer à comunidade e aos visitantes o melhor em matéria de segurança, conforto e atenção, de  modo a que cada um dos presentes seja um agente propagador dos encantos da Cidade do Padroeiro, que é também o quinto maior e mais importante município do Maranhão e fortíssimo candidato a ser em pouco tempo um polo educacional. Isso explica em parte a dedicação de tempo integral do prefeito melhor avaliado do estado até aqui.

 

São Luís, 04 de Março de 2017.

Mesmo sem grande força eleitoral, PSDB vai resolver suas pendências e pautar os grupos para as eleições do ano que vem

 

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Carlos Brandão, Sebastião Madeira e Roberto Rocha: um deles será escolhido para comandar o PSDB do Maranhão

Nas especulações e avaliações que procuram antecipar como será montado o tabuleiro das alianças para as eleições do ano que vem no Maranhão, o PSDB vai se impondo como o partido que poderá ditar o rumo dos acordos que serão articulados pelo governador Flávio Dino (PCdoB), pelo candidato que sairá do Grupo Sarney e até mesmo por outros candidatos ao Governo do Estado. Não porque seja um partido com muito poder de fogo no concerto partidário maranhense – só conta com o vice-governador, um deputado estadual, 29 prefeitos, alguns vices e uma penca não muito expressiva de vereadores -, mas como a agremiação que, dependendo de quem a comandará no estado a partir de março, ditará o rumo das alianças que se formarão em torno do governador Flávio Dino (PCdoB), provavelmente da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), e, numa hipótese ainda remota, do senador Roberto Rocha (PSB). No momento, o comando do ninho dos tucanos no estado está sendo disputado pelo atual presidente, o vice-governador Carlos Brandão, pelo ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, e – especula-se – pelo senador Roberto Rocha. A escolha a ser feita pela cúpula nacional do tucanato pode desenhar três cenários, todos relacionados com a disputa pela Presidência da República.

Cenário 1 – Se ficar com o vice-governador Carlos Brandão, o que nesse momento é rigorosamente improvável, o PSDB será mantido na área de influência do Palácio dos Leões e declarará apoio à candidatura do governador Flávio Dino à reeleição, ainda que a princípio isso contrarie a posição do partido no âmbito nacional, que é radicalmente contra qualquer projeto eleitoral da esquerda. Esse apoio, é claro, estará condicionado à confirmação de Brandão como candidato a vice em 2018. De acordo com um tucano experiente, se o PSDB tiver candidato a presidente da República com alguma viabilidade, pelo menos 90% dos atuais prefeitos tucanos remarão contra a direção estadual. Ou seja, mesmo com a eventual permanência do vice-governador Carlos Brandão na direção, o PSDB dificilmente seguirá o governador Flávio Dino na corrida às urnas.

Cenário 2 – Na hipótese de a chefia nacional do partido optar por entregá-lo ao ex-prefeito Sebastião Madeira (Imperatriz), a orientação será radicalmente oposta. Na presidência, Madeira em pouco tempo colocará o partido em rota de colisão com o Palácio dos Leões, primeiro lançando-se como candidato ao Senado ou a deputado federal, mas erguendo a bandeira de Luis Fernando Silva, atual prefeito de São José de Ribamar, como candidato a governador, “mesmo à revelia dele”. Madeira não cultiva um discurso hostil em relação ao governador Flávio Dino, mas não vê como o PSDB possa se aliar ao PCdoB no Maranhão quando o projeto nacional do partido é se aliar ao PMDB contra o PT e todos os partidos de esquerda, com exceção do PPS, de quem é aliado. O projeto de Madeira é lançar chapa própria ao Governo e às vagas de senador, também com o objetivo de “levar o nosso candidato a presidente a todos os municípios maranhenses”.

Cenário 3 – Nesse cenário, que todos veem com o mais improvável, o PSDB será entregue ao senador Roberto Rocha, que já o presidiu no Maranhão. Não há qualquer dúvida de que colocará o ninho dos tucanos na linha de ação do partido na guerra pelo comando do país. Tendo o controle, Roberto Rocha terá dois caminhos no Maranhão: se lançar candidato a governador, tendo Sebastião Madeira como candidato a senador, levantando a bandeira do candidato presidencial se ele for do PSDB; ou levará o partido a uma aliança com o PMDB maranhense, provavelmente tendo a pemedebista Roseana Sarney como candidata ao Palácio dos Leões. No comando do PSDB, Roberto Rocha terá mais condições de se credenciar para disputar a Prefeitura de São Luís em 2020 ou o Governo do Estado em 2022, projetos que se consolidarão se os tucanos chegarem ao poder em 2018, seja elegendo o sucessor do presidente Michel Temer.

Não existem outros caminhos para o PSDB do Maranhão na montagem do cenário das alianças partidárias para as eleições do ano que vem. E a importância da agremiação tucana nessa grande equação decorre exatamente de dois fatos: é força de proa no cenário nacional, e será a primeira a se posicionar com clareza a partir da definição do seu comando.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Humberto Coutinho: candidaturas ao Senado e a vice-governador à revelia, derrota ao câncer e liderança política intacta
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Humberto Coutinho: candidaturas à revelia ao Senado e a vice, guerra ao câncer e liderança intacta

Muito se tem especulado sobre o futuro político do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho (PDT). Primeiro ele foi lançado candidato a senador, projeto que não confirmou nem negou, mas que circulou com clara boa vontade do Palácio dos Leões. O projeto, no entanto, rascunhado à sua revelia, foi travado por causa da sua luta contra um câncer no intestino. Passadas as festas de final de ano, o recesso de janeiro e o carnaval, Humberto Coutinho foi colocado, também à sua revelia, no topo de uma lista de nomes com cacife para ser o companheiro de chapa do governador Flávio Dino na sua corrida à reeleição – a lista inclui também o prefeito de Tuntum e presidente da Famem, Cleomar Tema Cunha (PSB), maior aliado político do presidente do Poder Legislativo.

Nesse contexto, o presidente da Assembleia Legislativa retornará à animada rotina de sessões, articulações e conversas carregando  algumas verdades que devem ser registradas:

A primeira: é verdade que depois de muita luta e desgaste físico, o câncer que minava a vida de Humberto Coutinho foi dominado e mandado para o espaço. Mas o tratamento, feito à base de medicamentos pesados e que maltratam, imponha ao paciente efeitos colaterais cruéis. Além disso, o presidente sofreu forte abalo emocional causado pela morte do irmão mais velho, Antonio Augusto Coutinho, vitimado pela mesma doença. A Coluna ouviu de um especialista que de câncer Humberto Coutinho não morre, e como ele não tem outra ameaça desse naipe à saúde, sua recuperação plena é só uma questão de tempo.

A segunda: o desfecho desfavorável da disputa pela Prefeitura de Caxias, com a derrota do prefeito Leonardo Coutinho, causou danos consideráveis na sua base de apoio na Princesa do Sertão. Mas, passados cinco meses da eleição e dois da troca de comando no município, todas as avaliações têm concluído que a imagem pessoal e o cacife político de Humberto Coutinho permanecem praticamente intacta, respeitado como um cidadão e como um líder político forte na sua base.

A terceira: as limitações de saúde não impediram Humberto Coutinho de continuar como um dos políticos mais influentes do Maranhão atual, começando por ser o mais próximo e confiável interlocutor do governador Flávio Dino. Mantém sem rasuras sua liderança e influência na Assembleia Legislativa, onde atua como presidente, líder, conselheiro e ponte entre o parlamento e o Executivo, dispensando tratamento isonômico a todos os deputados, independente da cor política de cada um.

A quarta: político que tem os pés fincados no chão e se move pelo bom senso e pela lógica e sem malabarismo, Humberto Coutinho se move com a cautela e a segurança, avaliando com cuidado cada um dos seus passos. Se resolvesse, seria candidato ao Senado, mas o faria seguindo as regras da política. Se decidisse ser o companheiro de chapa de Flávio Dino, dificilmente teria adversário, mas sabe que vice é espaço de negociação e certamente não criará limitações ao governador.

A quinta: seja qual for o mandato que pleitear, Humberto Coutinho dificilmente sairá das urnas sem os votos necessários para exercê-lo.

Mesmo sendo vistas com restrições por alguns – e são poucos, diga-se -, essas verdades podem até ser discutidas na superfície, mas são absolutas em sua essência.

 

São Luís, 02 de Março de 2017.

 

Senado: três nomes definidos, cinco aguardam definições nos seus partidos, e um só depende da própria vontade

 

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Weverton Rocha, José Reinaldo e Sarney Filho estão definidos; Edison Lobão e João Alberto, Luis Fernando. Eliziane Gama, Sebastião Madeira e Clay Lago ainda indefinidos, podendo ou não ser candidatos em 2018.

É verdade que ainda é cedo – mas não muito – para que se tenha definido o quadro de candidatos às duas cadeiras de senador para as eleições de 2018, mas parece não haver mais dúvidas de que os nomes que serão embalados pelo Palácio dos Leões serão mesmo os deputados federais Weverton Rocha (PDT) e José Reinaldo Tavares (PSB), o primeiro já consolidado e o segundo em franco processo de consolidação. Nos demais campos, a indefinição é total, a começar pelo Grupo Sarney, que até agora só tem de consistente a candidatura do deputado federal e atual ministro do Meio Ambiente Sarney Filho – que continua no PV, mas poderá migrar para o PMDB -, e a do ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira (PSDB), que é um projeto assumido, além de movimentos não muito precisos envolvendo a deputada federal Eliziane Gama (PPS), o ex-juiz Márlon Reis (Rede), os prefeitos de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva (PSDB), e de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB), como também um projeto embrionário que pretende lançar a ex-primeira-dama Clay Lago – hoje no PPS. E, é claro, os candidatos da esquerda “mais à esquerda”, entre eles o ex-deputado federal Haroldo Sabóia (PSOL).

Weverton Rocha é, até aqui, protagonista do mais bem definido projeto de candidatura ao Senado. Jovem, experiente, ousado e com as credenciais de comandante do PDT no Maranhão e líder da sua bancada na Câmara Federal, o deputado antecipou o seu projeto de candidatura em mais de três anos, e o fez com um arrojo surpreendente, atropelando todos os pequenos obstáculos que se ergueram à sua frente, dentro e fora do campo político em que atua e que é liderado pelo governador Flávio Dino (PCdoB). Seu objetivo ficou mais evidente durante a campanha para as eleições municipais do ano passado, quando bancou projetos que o Palácio dos Leões abraçou de má vontade, como a infeliz candidatura de Rosângela Curado (PDT) em Imperatriz, e outros em que o casamento dos interesses foi perfeito, como a reeleição do prefeito Edivaldo Jr. (PDT) em São Luís. Mesmo com um tropeço aqui e outro ali, Weverton Rocha saiu da corrida eleitoral fortalecido, e de lá para cá não perdeu um minuto de tempo na maratona para consolidar o seu projeto senatorial, tornando-o robusto e irreversível.

Com um lastro cujo item mais importante é o de ter sido a mola-mestra do movimento que rachou o Grupo Sarney em 2004 e fortaleceu e levou a oposição ao poder no Maranhão com a histórica eleição de Jackson Lago (PDT) para o Governo do Estado em 2006, além de um histórico excepcional como homem público – secretário de Estado, presidente da Novacap (Brasília), diretor geral do DNOS, superintendente da Sudene, ministro dos Transportes (que deu o pontapé inicial na Norte-Sul), deputado federal, vice-governador e governador por cinco anos (2002/2006) – José Reinaldo Tavares tem trabalhado intensamente para consolidar seu projeto senatorial. Ele vem recebendo manifestações apoio dos mais diferentes segmentos aliados ao governador Flávio Dino e de vários aliados do Grupo Sarney. Até aqui não tem concorrentes na base governista, o que consolida a tendência de que nessa seara forma, junto com o deputado federal Weverton Rocha, a dupla que formará chapa com o governador Flávio Dino na corrida às urnas.

No campo sarneysista, a única candidatura delineada e assumida até aqui é a de Sarney Filho (PV), atual ministro do Meio Ambiente, que depois de nove mandatos deputado federal, acha que chegou a hora de pleitear um mandato majoritário. O ministro, porém, tem de resolver algumas questões essenciais e complicadas dentro do seu grupo. A primeira delas é saber se a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) será mesmo candidata ao Governo do Estado e, em caso afirmativo, se o eleitorado aceitará dois Sarney numa mesma chapa majoritária. Outra questão é quem será o outro candidato a senador na chapa sarneysista. João Alberto (PMDB)? Edison Lobão (PMDB)? Lobão Filho (PMDB)? E, finalmente, Sarney Filho está se distanciando do PV e, segundo rumores em Brasília, pode deixar o partido para ingressar no PMDB. Questões à parte, o parlamentar tem lastro político e as credenciais necessárias para garantir sua candidatura.

Os senadores João Alberto e Edison Lobão não disseram até agora se serão candidatos à reeleição. Presidente do PMDB no Maranhão e atual 2º vice-presidente do Senado, João Alberto anunciou que se aposentaria, num gesto de solidariedade ao ex-presidente José Sarney, mas de uns tempos para cá tem se movimentado como quem é candidatíssimo à reeleição ou a vice-governador numa eventual chapa liderada por Roseana Sarney. Edison Lobão mantém silêncio absoluto sobre o assunto, mas sua movimentação recente, que o tirou do silêncio e levou à presidência da Comissão e Constituição e Justiça do Senado, foi interpretada como uma clara reação ao cerco da Operação Lava Jato e como um recado de que não pretende se aposentar, e se o fizer, que deixar o já suplente Lobão Filho no seu lugar. Lobão Filho, por sua vez, tem sinalizado que será candidato a senador, projeto reforçado pela declaração de Sarney Filho que o quer como companheiro de chapa. Não há outros movimentos no Grupo Sarney na direção do Senado.

Dos demais nomes citados nas especulações, o único que tem cacife para entrar nessa briga com chance é o prefeito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva (PSDB), que conseguiu se tornar um nome estadual respeitado. A deputada federal Eliziane Gama (PPS) poderia ser um nome viável, mas depois do desastre da sua candidatura à Prefeitura de São Luís ela dificilmente terá fôlego para um projeto dessa envergadura. Sebastião Madeira (PSDB) tem um bom suporte político e eleitoral nas regiões Sul e Tocantina, mas sua candidatura depende do futuro do PSDB no estado. Márlon Reis é a única opção da rede para o Senado ou Governo do Estado. Hilton Gonçalo é uma possibilidade remota, pois para isso teria de deixar o PCdoB, o que não lhe convém no momento. E a ex-primeira-dama Clay Lago, mesmo reunindo credenciais políticas e pessoais para entrar na disputa, parece não estar interessada em dividir com uma campanha a tarefa de preservar a memória do marido Jackson Lago, com quem viveu uma rica trajetória política e, dizem os mais próximos, uma bela História de amor.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Jornal avalia mal a ação de Hildo Rocha na Câmara Federal
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Hildo Rocha: deputado atuante comparado a anônimos do Baixo Clero na Câmara Federal

Há poucos dias, o jornal Folha de S. Paulo publicou extensa reportagem sobre deputados federais de pouca projeção, que não foram muito levados a sério no Governo Dilma Rousseff (PT), mas que estão sendo tratados com mimos pelo Governo Michel Temer (PMDB), e aos quais o deputado federal pernambucano Sílvio Costa (PTdoB), um falastrão a quem ninguém dá bola, apelidou-os de “papudinhos”. De acordo com a Folha, os deputados agora mimados estão conseguindo liberar suas emendas, são recebidos com boa vontade pelos ministros, têm acesso fácil ao Palácio do Planalto, estão conseguindo nomear gente da sua confiança para cargos federais e – suprema glória! – muitos já atenderam telefonemas do próprio presidente da República. O jornal paulista não relacionou os felizardos, mas citou alguns nomes, e entre eles o representante maranhense Hildo Rocha (PMDB), nivelando-o por baixo, como um inexpressivo membro do Baixo Clero da Câmara Federal.

É verdade que o deputado Hildo Rocha não tem projeção nacional, até porque está no primeiro mandato e tem a maior parte das suas ações focadas nos interesses do Maranhão, e nesse campo pode ser considerado um dos mais atuantes membros da bancada maranhense, sendo rara a semana em que não protagonize uma ação parlamentar e política, ora garimpando recursos em ministérios, ora participando de algum momento na Casa, ora se pronunciando sobre tremas complexos e polêmicos, ou ainda disparando duras críticas ao governador Flávio Dino, a cujo Governo faz oposição cerrada e dura. Pela veemência com que costuma se pronunciar, Hildo Rocha costuma ser elogiado e criticado, e por isso é visto com muito boa vontade pelos aliados de Roseana Sarney, de quem é liderado, e com extrema má vontade pelos aliados do Governo do PCdoB.

Membro ativo do PMDB, Hildo Rocha foi aliado de primeira hora do deputado fluminense Eduardo Cunha (PMDB), o então todo-poderoso  presidente da Câmara Federal. Trabalhou intensamente pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff , seguindo a orientação do PMDB e da sua líder Roseana Sarney, e se tornou um dos mais ativos defensores do presidente Michel Temer na Casa. E por isso tem mesmo conseguido liberar emendas, ser recebido por ministros e indicado gente da sua confiança para cargos públicos. Nesse contexto, gostando ou não da sua ação parlamentar e política, não dá para não reconhecer que se trata de um deputado operante, que vem fazendo jus ao mandato. Nada a ver com “papudinhos”.

 

São Luís,  de Fevereiro de 2017.

Flávio Dino e Roseana Sarney começam a definir suas plataformas para a campanha do ano que vem pelo Palácio dos Leões

 

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Flávio Dino e Roseana Sarney: candidatos cacifes diferentes na disputa pelo Governo do Estado nas eleições gerais do ano que vem

Todos os sinais emitidos até aqui indicam que o Palácio dos Leões deve ser mesmo disputado no ano que vem pelo governador Flávio Dino (PCdoB) – que deve ganhar o direito a tentar a reeleição – e a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB). Cada um a seu modo, os dois estão em campanha aberta, ele com um projeto assumido, consistente e arrojado; ela por vias mais discretas, não muito explícitas, bem ao seu estilo quando opera para criar expectativa. Os dois, porém – ela muito mais do que ele – dependem da evolução do cenário nacional para tomar as decisões essenciais cruciais, como alianças, composição de chapa, etc., que via de regra são condicionadas aos quadros que se montam a partir dos acordos que são tramados e selados em Brasília. Nesse contexto, Flávio Dino tem uma margem de ação mais reduzida, que está diretamente relacionada com a movimentação do PT e a candidatura do ex-presidente Lula da Silva, que mobilizará a esquerda; Roseana Sarney vai se movimentar de acordo com os passos do PMDB, que poderá tentar a reeleição do presidente Michel Temer ou amarrar um acordão com uma chapa liderada por um tucano. Dificilmente as definições para a disputa do Governo do Estado se darão fora dessas duas equações, embora haja uma terceira via sendo desenhada pelo senador Roberto Rocha (PSB), mas ela ainda não ganhou nem cara de embrião.

Político que mescla sua atuação com sólidos fundamentos ideológicos à esquerda e uma forte e indispensável dose de pragmatismo, o governador Flávio Dino depende da movimentação das esquerdas, estas ainda capitaneadas pelo PT, e da definição do ex-presidente Lula para poder traçar sua rota de ação em busca da reeleição em 2018. Politicamente bem articulado, Flávio Dino já deixou bem claro que não se deixou nem se deixará seduzir por uma aventura nacional neste momento, como candidato a vice ou mesmo a presidente, como querem alguns. Já tem consolidada a avaliação de que seu caminho é renovar o mandato e dar continuidade ao seu projeto de governo, de modo a chegar a 2022 com um programa de campanha melhor definido.

Se as coisas continuarem evoluindo como estão no Maranhão, o governador chegará à corrida do ano que vem embalado por três motores que ganharam forma e visibilidade nos dois primeiros anos de governo. O primeiro é uma gestão eficiente, com programas de ação voltados em grande parte para o cidadão, substituindo parcialmente a velha cultura do obrismo faraônico; uma situação fiscal, invejável se comparada com a de outros estados, que garante honrar as contas mensais e ainda fazer investimentos. O segundo é que, a menos que mude radicalmente, Flávio Dino comanda um Governo correto do ponto de vista ético, não eclodindo até aqui qualquer evidência de malfeito criminoso com dinheiro público. E o terceiro é que o governador do Maranhão continua tão bem avaliado quanto nos primeiros momentos, tanto que a pesquisa mais recente lhe deu mais de 60% de aprovação.

No campo político, Flávio Dino não fugiu à regra. Sem alterar o seu plano de ação nem fazer grandes concessões, vem ampliando a base de sustentação do seu Governo. Conta mais de 30 dos 42 deputados estaduais e com mais de 160 dos 217 prefeitos, entre eles os da maioria dos grandes municípios: São Luís, Timon, São José de Ribamar, Paço do Lumiar, entre outros, o que lhe dá posição confortável, apesar de não contar com a maioria dos deputados federais nem com nenhum dos três senadores. É hoje um dos mais respeitados líderes da esquerda brasileira, visto com respeito também pelos setores do centro e até por alguns segmentos da direta moderada.

Com essas credenciais, o governador não enfrenta qualquer dificuldade para viabilizar seu projeto de reeleição, devendo entrar na corrida como favorito, e com chances reais de renovar o mandato. E com um detalhe mais: não depende do desempenho do Governo federal para se fortalecer.

Roseana Sarney não é um adversário qualquer, embora esteja entrando na disputa sem o seu clássico instrumento de poder: o comando do Governo do Estado. Com um histórico de mais de 13 anos no comando, a ex-governadora criou laços fortes com alguns segmentos, o que lhe dá lastro para entrar na corrida bem situada. Suas gestões são hoje cantadas e decantadas por grandes obras estruturantes – estradas, avenidas e viadutos em São Luís, e programas sociais importantes – o Primeiro Emprego, por exemplo -, e uma inegável evolução no Turismo – principalmente nos primeiros mandatos  – e numa valorização forte da cultura popular. Ao mesmo tempo, é reconhecida a sua preocupação fiscal, com o equilíbrio das contas e com seguidas negociações para diminuir o peso da dívida na receita do Estado, tendo obtido bons resultados. Entregou para o atual governador um Estado com um quadro fiscal equilibrado, uma situação financeira equilibrada e um crédito de quase R$ bilhões no BNDES. Por outro lado, pesam graves questionamentos sobre os custos e os resultados do mais arrojado, polêmico e nebulosos programa do seu Governo, o bilionário Saúde é Vida, o maio programa de saúde que se tem notícia na região, mas que se revelou inócuo na rede hospitalar básica, salvando-se os hospitais macrorregionais que estão sendo implantados pelo atual Governo.

Politicamente, Roseana Sarney domina completamente o seu grupo partidário, cujo núcleo básico é formado por PMDB e PV – acaba de perder o PTB, que está migrando para a base de Flávio Dino -, mas pode ganhar o PDSB, que deve romper com o governador e firmar aliança com o PMDB – e vai para onde ela decidir. A ex-governadora, porém, sabe que sua candidatura só decolará com chances se o PMDB estiver bem no plano nacional e com possibilidade de se manter no poder. Sabe também que enfrentará Lula como adversário e aliado de Flávio Dino, reforçando o discurso que apontará como quem traiu a aliança com o PT, o que será muito difícil de rebater.

O fato é que os dois estão se preparando, cada um com os seus trunfos, com a sua dinâmica e as suas credenciais.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Roberto Rocha se movimenta para construir uma terceira via
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Roberto Rocha: tentando construir a terceira via

A corrida ao Governo do Maranhão no ano que vem pode ter uma terceira via, esta encarnada pelo senador Roberto Rocha, hoje no PSB. Rocha tem clara pretensão governamental e se movimenta emitindo todos os sinais de que é pré-candidato. Movimentos recentes nos bastidores partidários, no entanto, jogaram dúvidas sobre esse projeto. Roberto Rocha parece não se sentir confortável no PSB, onde controla o Diretório de São Luís e mede força com o ex-governador e atualmente deputado federal José Reinaldo Tavares, candidato a senador, e que comanda o Diretório estadual socialista. Os dois pensarem deixar o PSB, mas coincidiu que o destino migratório seria o PSDB, que também passa por um momento de indefinição. José Reinaldo decidiu permanecer no partido, com a garantir de que terá o controle total do partido. Roberto Rocha, por seu turno, tenta ganhar o comando do PSDB no Maranhão, mas enfrenta a resistência, de um lado, do atual presidente, o vice-governador Carlos Brandão, que por sua vez tenta resistir às investidas do ex-prefeito de Imperatriz e tucano de proa Sebastião Madeira, que pretende disputar o Senado e alinhava a candidatura do prefeito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva PSDB, ao Governo do Estado, inicialmente à sua revelia. Tal emaranhado partidário dificulta o projeto de Roberto Rocha, que não pretende ficar à margem da briga pelo voto em 2018 de preferência como candidato a governador. Usado e disposto a chegar onde programou, Roberto Rocha terá de resolver o seu futuro partidário o quanto antes, para que possa armar a estratégia de entrar na briga pelo Palácio dos Leões.

Esquerda radical deve lançar seus candidatos

A corrida para o Palácio dos leões no ano que vem deverá contar, mais uma vez, com representantes da chamada esquerda radical. Se não der uma guinada na direção da esquerda moderada, aliando-se ao PT em torno da candidatura do ex-presidente Lula, o PSOL deverá lançar candidato próprio ao Governo do Estado, que pode ser o advogado Raimundo Prazeres, que saiu-se bem em 2014. O PSTU – que só existe no Maranhão devido à obstinação ideológica do eletricista Marcos Silva e os membros da família Durans – deve lançá-lo outra vez ou a professora  Cláudia Durans. E o PCB é uma incógnita que só se revela às vésperas das convenções, o que só ocorrerá em junho do ano que vem.

 

São Luís, 6 de Fevereiro de 2017.