
Chiquinho da FC entre Juscelino Filho (PSDB), Weverton
Rocha (PDT), Orleans Brandão (MDB), Lula da Silva (PT),
André Fufuca (PP) e Francisco Nagib (MDB)
As eleições deste ano no Maranhão serão, certamente, as mais atípicas da História recente do estado no que diz respeito à relação dos candidatos, majoritários e proporcionais, com seus apoiadores, notadamente os prefeitos. O melhor e mais acabado exemplo dessa geleia geral político-partidária veio à tona ontem, por iniciativa do prefeito de Codó, Chiquinho da FC (PT), que divulgou os nomes que apoiará para a presidência da República, as duas cadeiras no Senado, governador, deputado federal e deputado estadual. A “chapa” definida por Chiquinho da FC é o que pode ser chamado de eclética, ao mesmo tempo em que se trata de um caso clássico de desprezo pela noção de partidarismo, à medida que a sua composição ignora solenemente que o PT tem candidato a governador (Felipe Camarão), a senador (Eliziane Gama) e a deputado federal e deputado estadual.
Eleito pelo PT – um caso curioso de incoerência ideológica, já que o seu perfil é nitidamente de direita -, Chiquinho da FC apresentou, claro, o presidente Lula da Silva (PT) como o seu candidato ao Palácio do Planalto, sendo esse o único caso da sua relação com o seu partido nessas eleições. Para o Senado, o prefeito de Codó declarou apoio ao projeto de reeleição do senador Weverton Rocha (PDT) e à pré-candidatura do deputado federal André Fufuca (PP). E para governador, Chiquinho da FC vai apoiar incondicional o pré-candidato do MDB, Orleans Brandão, confirmando acordo firmado com o governador Carlos Brandão (MDB). Em relação à Câmara Federal, o prefeito petista apoia a pré-candidatura do deputado federal Juscelino Filho (PSDB) à reeleição e a renovação do mandato do deputado estadual Francisco Nagib (MDB).
Não há que se discutir as preferências do prefeito de Codó, aqui observado apenas como um exemplo do que está acontecendo em todo o estado, ou melhor, em todo o País. A atual legislação partidárias e o poder de fogo das emendas parlamentares no Congresso Nacional liquidaram impiedosamente a noção de partidarismo, que cedeu lugar à pura e simples conveniência, destruindo o conceito de partido. Hoje, o conceito de ideologia está reduzido a dois polos – direita e esquerda –, e o conceito de partido – com ideologia, doutrina e programa – foi para os espaço, levando junto a noção de fidelidade partidária. O caso de Codó aqui destacado, é o retrato de que o ideal partidário perdeu sentido no universo político brasileiro.
E nesse contexto ocorrem as espantosas contradições. Durante esta semana, tentaram “fuzilar” o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral (PP), por ele declarar apoio ao pré-candidato do seu partido ao Senado, André Fufuca, pelo fato de o parlamentar, que preside o PP no Maranhão, haver firmado uma aliança com o pré-candidato do PSD a governador, Eduardo Braide, após afastar-se do grupo liderado por Orleans Brandão. Mas o fato de o prefeito de Codó ignorar solenemente candidato a governador e a senador do seu partido pareceu algo absolutamente normal.
O que chama a atenção é o fato de que, por maior que seja a incoerência partidária da “chapa” que ele montou, o prefeito de Codó nada fez de errado. Isso porque não há na legislação partidária nem no conjuntou de normas que regem as eleições nenhuma regra que o impeça ignorar pré-candidatos do seu partido e apoiar concorrentes de outras agremiações partidárias. Permitir ou não a infidelidade partidária passou a ser um tema de “foro íntimo” dos partidos, situação que virou tabu e que ninguém ousa sequer colocar em discussão.
Não há, portanto, como prever outro cenário para a política. Isso porque, no fim das contas, o que importa mesmo é que somos uma democracia sólida que escolhe os seus representantes pelo voto secreto e universal.
PONTO & CONTRAPONTO
Se for confirmado vice de Orleans, Edivaldo Jr. pode ajudar na campanha em São Luís
Não surpreende a provável escolha do ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PRB) para vice na chapa liderada por Orleans brandão (MDB) ao Governo do Estado. Ele vinha se movimentando para retomar a sua bem sucedida carreira política como pré-candidato à Assembleia Legislativa, e, segundo fontes não oficiais, deve ser confirmado como o companheiro de chapa do pré-candidato emedebista.
Se vier, de fato, a ser confirmado, Orleans Brandão terá dado um tiro certeiro. Para começar, Edivaldo Holanda Jr. é um político jovem, com uma densa experiência, tendo sido vereador de São Luís, deputado federal e prefeito da Capital por dois mandatos. Conhece todas as reentrâncias da política ludovicense, o que lhe dá poder de fogo para reforçar a guerra contra o largo favoritismo do ex-prefeito Eduardo Braide na Capital, que é a sua base.
No plano político, Edivaldo Holanda Jr. é bem sucedido, apesar dos tropeços que o colocarem em situação complicada. O primeiro foi ter ignorado a candidatura do seu partido – naquele momento o PDT – na luta pela sua própria sucessão, e depois, por não ter apoiado o candidato pedetista ao Governo do Estado, Weverton Rocha, em 2022, preferindo se lançar candidato sem qualquer possibilidade de conquistar algum espaço.
A vantagem é que, além de um político ludovicense, Eduardo Holanda Jr. é limpo, sem mácula, o que lhe dá autoridade para pedir votos na Capital. E é exatamente isso que Orleans Brandão espera do seu vice.
PT pode formar chapa pura com dois nomes para o Senado
O PT maranhense está tentando resolver um problemão: quem será o nome para a vaga de senador ainda aberta na chapa a ser encabeçada pelo vice-governador Felipe Camarão (PT) e que já a senadora Eliziane Gama (PT) como candidata à reeleição.
O senador Weverton Rocha (PDT) foi indicado pelo comando nacional do partido, com o aval do presidente Lula da Silva (PT). Ocorre que Weverton Rocha apoia declarada e intensamente a pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo, o que cria um enorme embaraço dentro das fileiras petistas, onde tem apoiadores e adversários zangados.
Dentro da agremiação há vozes defendendo uma outra pré-candidatura cujo nome seja do próprio partido, o que daria a Felipe Camarão uma chapa pura. E para essa vaga, seus defensores sugerem a indicação do professor Paulo Romão (PT), que já vinha se colocando nessa direção.
Nada há de definido, uma vez que qualquer decisão relacionada com candidaturas majoritárias tem de passar pelo crivo da direção nacional do partido e, claro, o aval do presidente Lula da Silva.
São Luís, 27 de Junho de 2026.



























