Duelo verbal entre Roberto Rocha e Márcio Jerry confirma rompimento do senador com o governador Flávio Dino

 

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Márcio Jerry defende o Governo Flávio Dino em duelo verbal com Roberto Rocha

Roberto Rocha: “O Maranhão é o único lugar do mundo onde o comunismo defende a propriedade privada, só que dos próprios comunistas”.

Márcio Jerry: “Houve um tempo no Maranhão, de triste memória, em que até área da Polícia Militar foi ocupada para se transformar em negócio privado”.

Roberto Rocha: “Rapaz, você que exerce na prática o cargo de governador, está desafiado a colocar os órgãos do Estado, para apurar sua declaração”.

Gilberto Leda: “O Estado bem que poderia rever isso, não?”

Roberto Rocha: “Sob pena de reforçar a sua fama de comunista patife”.

O diálogo nitroglicerinado travado entre secretário de Articulação Política e Comunicação e presidente do PCdoB Márcio Jerry e o senador Roberto Rocha (PSB) é a demonstração definitiva de que, se ainda não está declarado, o rompimento do parlamentar com o governador Flávio Dino (PCdoB) e seu grupo já ganhou peso de fato consumado. Roberto Rocha entrou no circuito criticando, em rede social, o aluguel, por R$ 12 mil mensais, de um prédio pertencente a Jean Carlos Oliveira, um comunista convertido e filiado ao PCdoB 2013, para abrigar menores infratores sob a responsabilidade da Funac, gerando com isso uma onda de ataques oposicionistas ao Palácio dos Leões. As críticas visaram o contrato, e a repercussão fez com que moradores da Aurora, onde ficam as instalações, se mobilizassem contra a mudança, alegando que uma unidade da Funac ali porá todo o bairro sob risco. O Governo tentava desfazer o clima de forte mal-estar, mas a entrada do senador Roberto Rocha no debate  colocou mais lenha na fogueira, resultando no pugilato escrito com o secretário de Articulação Política e Comunicação, que, para muitos, em casos assim diz o que o governador pensa.

Não é novidade o clima de animosidade entre o senador Roberto Rocha e o secretário Márcio Jerry, e a troca de petardos escritos ocorrida ontem entre os dois acentuou as diferenças e extrapolou a fronteira da antipatia que eles alimenta um pelo outro. O        que aconteceu ontem foi uma declaração de guerra. Em meio à celeuma que se instalou nas redes sociais por causa do tal contrato de locação, Roberto Rocha estocou o Governo com força. Sempre antenado no mundo virtual, Márcio Jerry reagiu à crítica de Roberto Rocha tirando do arquivo morto uma suspeita de grilo em terras do Estado que agitara o meio político em meados dos anos de 1980, já no final do Governo Luiz Rocha, sugerindo que o caso poderia ser reaberto. Atento, o jornalista Gilberto Leda jogou querosene na fogueira cobrando uma reação de Roberto Rocha, que caiu na provocação e acabou xingando o secretário. Se havia ainda uma réstia, tênue que fosse, de tolerância ligando o secretário e o senador, esta desapareceu ontem, transformando a relação entre os dois numa guerra declarada.

A intervenção do senador Roberto Rocha e a reação do secretário Márcio Jerry na controvérsia envolvendo o aluguel de instalações para abrigar menores infratores vão muito além das diferenças entre os dois. Na verdade, já são parte de um roteiro que começa a ser materializado e cujo desfecho será o resultado das urnas em 2018. Diante do quadro de incertezas que move as forças políticas do País e da certeza de que as eleições marcadas para daqui a 21 meses são parte da solução, o senador – que parece inclinado a disputar o Governo do Estado – e o governador – que é candidato assumido à reeleição – operam para destacar os seus acertos, mas também de olho nos erros dos adversários. De agora em diante, qualquer acerto será supervalorizado pelo dono e minimizado ao máximo pelo adversário. O objetivo é enfraquecer o oponente, para que ele chegue às urnas o mais fragilizado possível.

No caso, Roberto Rocha aproveitou a controvérsia do contrato para atirar dúvidas da integridade do Governo, enquanto Márcio Jerry rebateu também visando também minar a credibilidade do senador. Poderiam ter ficado aí, mas a ferina provocação feita pelo jornalista Gilberto Leda indagando se não seria a hora de acabar com as dúvidas sobre o suposto grilo tirando tudo a limpo por meio de uma investigação mudou o curso do embate. Roberto Rocha reagiu acatando e dizendo que, se não provar o que disse, Márcio Jerry reforçará “sua fama de comunista patife”. Esse começo dá para se ter uma do que vem na agitação crescente dos próximos 630 dias.

PONTO & CONTRAPONTO

Duplicação da BR-135: parece que agora é para valer
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O governador em exercício Carlos Brandão e o ministro Maurício Quintella assinam ordem de serviço para conclusão da duplicação da BR-135

O ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil Maurício Quintella desembarcou ontem em São Luís para anunciar a providência definitiva em relação à injustificadamente complicada duplicação da BR-135, no trecho que liga o Estreito dos Mosquitos a Bacabeira. Mais do que isso: trouxe também um contrato para a duplicação do trecho entre Bacabeira e Miranda do Norte, atendendo assim à reivindicação protocolada há anos no DNIT e que já foi motivo de incontáveis audiências e promessas. Maurício Quintella, que foi recebido e ciceroneado pelo governador em exercício Carlos Brandão, foi o quarto ministro dessa pasta que veio ao Maranhão e seguiu de carro para Estiva e ali prometeu resolver o gargalo rodoviário que mais incomoda o Maranhão, exatamente por ser a BR-135 a única ligação rodoviária entre a Ilha de Upaon Açu e o resto do mundo. Trouxe a garantia de que tem R$ 180 milhões para as obras.

O ato de ontem pareceu bem mais denso e a conversa ministerial bem mais confiável do que as demais. O ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil não pareceu preocupado em agradar, mas sim dar uma solução definitiva para a obra, que se arrasta há anos, infernizando a vida dos maranhenses.  A conversa trazida pelo ministro Quintella pareceu bem confiável dos que a dos seus antecessores, que falaram de mais e realizaram de menos, a começar pelo fato de ele ter trazido contratos e ordem de serviço para serem assinados in loco, entre eles o de restauração de 100 quilômetros da BR-226. Em todas as suas falas, o ministro garantiu que a duplicação da BR-135 entre o Estreito dos Mosquitos e Bacabeira não será mais interrompida, prevendo sua conclusão para junho, daqui a seis meses, portanto.

A importância da visita do ministro Maurício Quintella foi medida pelo grupo que o recepcionou e acompanhou liderado pelo governador em exercício Carlos Brandão: os deputados federais José Reinaldo Tavares (PSB), Waldir Maranhão (PP), Weverton Rocha (PDT), André Fufuca (PP), João Marcelo de Souza (PMDB), Juscelino Filho (DEM), Eliziane Gama (PPS), Júnior Marreca (PEN), a prefeita Rosário, Irlahi Moraes (PMDB), a prefeita de Bacabeira, Fernanda Gonçalo (PMN), o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo, o prefeito de Paço do Lumiar, Domingos Dutra (PCdoB), os deputados estaduais Eduardo Braide (PMN) e Cabo Campos (DEM) e senador em exercício Pinto Itamaraty (PSDB).

 

Ministro faz visita a Sarney e Roseana
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José Sarney recebe  ministro |Maurício Quintella no apartamento de Roseana Sarney

Depois de cumprir a programação oficial ao lado do governador em exercício Carlos Brandão, o ministro Maurício Quintella, que é deputado federal do PMDB por Alagoas, reservou um tempo para visitar o ex-presidente José Sarney (PMDB). O encontro se deu no apartamento da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), na Península, e contou com a presença do senador João Alberto (PMDB). De maneira informal, Maurício Quintella relatou os motivos da sua visita ao Maranhão, informando que cumpria também uma orientação expressa do presidente Michel Temer (PMDB) de solucionar, de uma vez por todas, a duplicação da BR-135. Assinalou também que esse desfecho se deve também à mobilização da bancada federal para garantir o andamento do projeto.

A visita do ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil ao ex-presidente José Sarney repete uma situação curiosa, que enche o ex-presidente e a ex-governadora de satisfação, mas às vezes cria embaraços para os ministros visitantes. Durante o Governo de José Reinaldo, os ministros que vinham ao Maranhão visitavam a então senadora; o mesmo acontecendo no Governo de Jackson Lago (PDT), criando à vezes situações constrangedoras para os visitantes. Nem todos que vieram no Governo Flávio Dino cumpriram o roteiro. No caso de Maurício Quintella, a visita se justifica pela filiação partidária.

 

São Luís, 05 de Janeiro de 2017.

Líder do PDT antecipa a corrida ao Senado, que poderá ter pelo menos uma dezena de candidatos

 

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Nomes para o Senado: Weverton Rocha, Humberto Coutinho, Roseana Sarney, João Alberto, José Reinaldo, Sebastião Madeira, Gastão Vieira, Sarney Filho e Márlon Reis

A corrida eleitoral para 2018 já começou. E como já havia sido previsto, a largada se dá pela disputa para as duas vagas que serão abertas no Senado com o final dos mandatos dos senadores João Alberto e Edison Lobão, ambos do PMDB. O primeiro passo efetiva está sendo dado pelo deputado federal Weverton Rocha (PDT), que antecipa em 21 meses, com movimentos claros, sua caminhada naquela direção, causando forte impressão de que o seu projeto é para valer, podendo formar dobradinha com o deputado Humberto Coutinho (PDT), presidente da Assembleia Legislativa e que ainda não se declarou pré-candidato, mas aparece como nome forte em todas as rodas em que ao assunto é comentado. Nos bastidores, as conversas começam a ganhar contornos de definição nos mais diversos grupos partidários, como é o caso do Grupo Sarney, onde o senador João Alberto sinaliza que caminha para rever sua decisão de se aposentar, e a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), agora livre do cutelo da Operação Lava Jato, emite sinais fortes de que pretende enfrentar as urnas, podendo disputar vaga no Senado ou brigar pela cadeira Principal do Palácio dos Leões. Outras vias estão ainda se desenhando, como a do PSB, que tem o ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares, a do PSDB, onde o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, já admitiu ser candidato, a do PROS, com o projeto do ex-deputado Gastão Vieira, e a da Rede, que poderá lançar a candidatura do ex-juiz Márlon Reis.

A julgar pelo peso dos prováveis candidatos, a disputa para as duas vagas maranhenses no Senado será acirrada. A começar pelo fato de que todos os nomes ventilados até agora têm peso político e prestígio pessoal suficientes para se apresentar como pleiteantes. Além disso, os grupos em confronto no estado farão de tudo para ganhar as duas cadeiras. É esse o projeto que está sendo maturado no Palácio dos Leões, onde o governador Flávio Dino (PCdoB), que já assumiu a condição de pré-candidato à reeleição, pretende ter dois aliados na Câmara Alta. Na mesma linha, o Grupo Sarney pretende investir forte em duas candidaturas. As vias alternativas não chegam a tanto, mas vão jogar para quebrar a regra e eleger um candidato fora dos grupos mais fortes.

A candidatura do deputado federal Weverton Rocha não estava nos planos do grupo governista, mas os movimentos do líder do PDT têm sido tão fortes nessa direção que o próprio governador já admite o projeto, e por isso volta suas atenções agora para a definição do segundo candidato, que deve ser o deputado Humberto Coutinho, uma voz respeitada dentro e fora do Governo. Nesse grupo há outros nomes sendo sussurrados nos bastidores, como o prefeito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva (PSDB), e o de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB), mas, a menos que haja mudança no roteiro original, a chapa deve ser Rocha/Coutinho. O ex-governador José Reinaldo Tavares corre em faixa própria, precisando resolver sua situação partidária, já que sua relação com o senador Roberto Rocha, que já representa o PSB, não é dar melhores e isso poderá criar-lhe embaraços caso não haja entendimento.

No Grupo Sarney, a situação é a seguinte: a ex-governadora Roseana Sarney poderá ser candidata ao Governo, e nesse caso, o PMDB poderá lançar o senador João Alberto à reeleição, e junto com o suplente de senador Lobão Filho (PMDB), já que é corrente que dificilmente o senador Edison Lobão tentará renovar o mandato. Sendo Roseana candidata ao Palácio dos Leões, o grupo pode lançar a dobradinha João Alberto e o deputado federal e atual ministro do Meio Ambiente Sarney Filho (PV) – várias fontes disseram à Coluna que ele tem dito que é candidato e não abre mão desse projeto, que incluiu a candidatura do atual deputado estadual Adriano Sarney (PV) à Câmara Federal. Há também a possibilidade de a ex-governadora candidatar-se ao Senado. Nesse caso, é possível que o outro nome seja Lobão Filho, já que João Alberto pode vir a ser o candidato do Grupo ao Governo.

A candidatura do ex-prefeito Sebastião Madeira ao Senado é um projeto já comunicado ao partido e avalizado pela cúpula nacional do PSDB, restando saber se os tucanos se contentarão com apenas um candidato ou lançarão chapa completa. A pré-candidatura do ex-deputado federal Gastão Vieira é um caso isolado, que está sendo alimentado com declarações soltas, mas que poderá ganhar corpo se a cúpula do partido lhe der carta branca. E o projeto da Rede Sustentabilidade de chegar ao Senado pelo Maranhão com a candidatura do ex-juiz Márlon Reis é ainda apenas um rumor sem lastro, que vai depender mais do pré-candidato do que propriamente do partido.

É esse um cenário de 18 meses antes das convenções partidárias que definirão as candidaturas em julho de 2017. Até lá muita água vai rolar por baixo da ponte política.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PP vai decidir o futuro de Waldir Maranhão
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Waldir Maranhão pode permanecer ou sair do PP

Tão logo termine o mandato da atual Mesa Diretora da Câmara Federal, no dia 2 de fevereiro, a cúpula nacional do PP deverá decidir se o deputado Waldir Maranhão permanecerá ou não nos quadros da agremiação. Em meio à sua conturbada atuação quando presidiu a Casa no período em que o então deputado Eduardo Cunha foi afastado e em seguida renunciou ao cargo, Waldir Maranhão foi fortemente pressionado pela cúpula do PP, num processo que culminou com a sua destituição do comando do partido no Maranhão, durante o qual ouviu que seria expulso quando seu mandato de 1º vice-presidente se expirasse. Houve até quem defendesse que a expulsão deveria se dar já naquele momento, mas os dirigentes pepistas não concordaram. Waldir Maranhão continuou no PP, mas perdeu todos os poderes que acumulara durante anos, a começar pela presidência do partido no Maranhão, que manteve com mão de ferro durante mais de uma década, mas que foi obrigado a entregar ao deputado André Fufuca, hoje o manda-chuva pepista no estado. Pelo que já se ouve nos bastidores, é quase certo que Waldir Maranhão continuará no PP, mas como soldado raso, sem nenhuma lasca de poder.

 

Tempos indigestos para os Cutrim
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Gil Cutrim e Edimar Cutrim: momento desfavorável

Não têm sido bons os tempos recentes para o braço político da família Cutrim. Edimar Cutrim foi duramente atingido por fatos que o colocaram em situação delicada como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Depois da refrega com a então governadora Roseana Sarney em 2014, Cutrim viu-se acusado de usar o cargo para favorecer seu filho, Glauber Cutrim, eleito deputado estadual com uma votação no epicentro de um terremoto causado pela revelação de que o filho do deputado federal Waldir Maranhão, um médico que mora em São Paulo, era seu assessor e recebia R$ 7 mil por mês sem “dar um prego numa barra de sabão”, como dizem os sertanejos. E fechou o ano amargando um revés: tentou se eleger corregedor do TCE, mas os demais conselheiros não acharam uma boa ideia. Já o advogado Gil Cutrim terminou seu período de seis anos à frente da Prefeitura de São José de Ribamar sob a acusação de ter recebido uma máquina azeitada e bem organizada e devolvida ao prefeito Luis Fernando Silva em delicado de conservação. A ponto de Luis Fernando Silva ter pedido para a Justiça bloquear cerca de R$ 5 milhões – R$ 4 milhões da repatriação -, que seriam gastos no apagar das luzes da gestão de Cutrim. O ex-prefeito protestou, mas o bloqueio foi mantido. Assim, Cutrim entraram 2017 bem menores do que o foram no início de 2016.

 

São Luís, 04 de Janeiro de 2017.

Imperatriz deu exemplo de civilidade política, enquanto Bacabal mostrou a face feia de uma posse conturbada

 

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Exemplo dado por Imperatriz: o prefeito Assis Ramos empossado e aplaudido pelo ex-prefeito Sebastião Medeira

Aconteceu de tudo em posses de prefeitos nos 217 municípios maranhenses. Houve posse sem prefeito, muitos prefeitos que saiam e não entregaram a faixa aos sucessores, houve guerra pelo controle de Câmaras Municipais, enfim, muitas posses aconteceram normalmente, outras foram marcadas por problemas causadas pelo ranço políticos e outras simplesmente refletiram o samba do crioulo doido tocado por decisões absolutamente inacreditáveis tomadas por integrantes do Poder Judiciário. Nesse universo conturbado de posse de novos prefeitos, dois casos são exemplares: Imperatriz deu um exemplo expressivo de civilidade política, com o prefeito que saía, Sebastião Madeira (PSDB), passando a faixa para o prefeito que entrava, Assis Ramos (PMDB), num clima de cordialidade surpreendente para dois adversários; Bacabal, ao contrário, foi palco de uma opereta absolutamente inacreditável, com a posse conturbada de Zé Vieira (PR), ex-prefeito seriamente enrolado com a Lei da Ficha Limpa e que, por conta disso, só fora diplomado na véspera.

Imperatriz – No segundo maior colégio eleitoral do Maranhão, apesar de estar em campo político diferente, o prefeito Sebastião Madeira recolheu as armas no dia seguinte à eleição, reconhecendo a derrota do seu candidato, Ribinha Cunha, e respeitando a vitória do adversário, colocou-se à sua disposição. E nesse cenário de normalidade política, o prefeito em fim de mandato e o prefeito eleito estabeleceram uma ponte, realizando uma transição raramente vista, com a formação de grupos de trabalho que dissecaram a situação de cada um dos segmentos da administração municipal. O tucano Sebastião Madeira e o pemedebista Assis Ramos tiveram longas conversas, nas quais o primeiro mostrou a situação da Prefeitura e o segundo ouviu com atenção, fez perguntas e pediu algumas providências antes da posse.

Tudo transcorreu sem qualquer incidente em Imperatriz. A nova Câmara Municipal foi instalada e os vereadores resolveram rapidamente a eleição da Mesa Diretora, que não perdeu tempo e empossou o prefeito Assis Ramos. Em seguida, por volta das 2 horas da madrugada e já na condição de ex-prefeito, Sebastião Madeira passou a faixa ao sucessor, fazendo antes um relato dos seus oito anos de gestão e assegurando que entregava a Assis Ramos uma cidade bem melhor e mais organizada do que recebera em 2008. E aproveitou para aconselhar o sucessor a usar “mão de ferro” no controle das finanças, alertando-o de que administrar Imperatriz “é uma tarefa gigantesca”, e o prefeito de São Luís “tem o governador como super prefeito”, mas o prefeito de Imperatriz “fica na solidão, e não tem com quem contar”, segundo relato colhido pelo bem informado Blog da Kelly.  Depois de fazer a parte que lhe coube, Sebastião Madeira foi para casa e Assis Ramos deu início ao maior desafio da sua vida, auxiliado por uma equipe bem escolhida, que conta, entre outros, com o experiente jornalista Sergio Macedo na área de comunicação.

Vale lembrar que essa transição civilizada, sem traumas nem fuxicos, se deu após uma disputa acirrada, com quatro candidatos em condições de ganhar a eleição: Assis Ramos (PMDB), Rosângela Curado (PDT), Ildo Marques (PSB) e Ribinha Cunha (PSD). Era de se esperar que houvesse tremores, pugilato verbal e refregas apimentadas, mas o que aconteceu foi que os candidatos derrotados recolheram suas armas e respeitaram o resultado, contribuindo assim para que a transição na Princesa do Tocantins fosse exemplar.

Bacabal – O que aconteceu no maior município do Médio Mearim foi exatamente o contrário. O ex-prefeito Zé Vieira foi o mais votado, ficando o deputado estadual Roberto Costa (PMDB) em segundo. Ocorre que em meio à corrida pelo voto, o Ministério Público Eleitoral (MPE) entrou em cena e pediu a cassação do registro da candidatura de Zé Vieira, alegando ser ele ficha suja, condenado que foi pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por improbidade administrativa. O juiz eleitoral de Bacabal acatou o pedido do MPE e cassou o registro; Zé Vieira recorreu para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e perdeu por larga maioria de votos; recorreu finalmente ao Tribunal Superior Eleitoral, cujo presidente, o controvertido e polêmico ministro Gilmar Mendes, concedeu liminar autorizando sua posse até que o plenário da mais alta Corte eleitoral julgue o recurso.

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Zé Vieira e seu vice tomam posse garantidos por uma liminar do presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes

O desfecho provisório do imbróglio foi a diplomação de Zé Vieira no dia 30 de dezembro, causando indignação nos eleitores de Roberto Costa e até certa reserva nos seus próprios apoiadores, que já não têm tanta segurança quanto ao seu futuro pá frente do município. O clima ficou tenso na Câmara Municipal, onde vereadores travaram uma guerra nada convencional pelo comando da Casa. Tanto que foram eleitas duas Mesas diretora, a última afinada com o prefeito que assumia. Nos bastidores corria que os dois candidatos a presidente jogavam na possibilidade Zé Vieira perder o cargo, e com isso de assumir a Prefeitura por 40 dias, tempo em que será realizada nova eleição para prefeito, sem a participação do prefeito cassado.

O que se seguiu foi uma posse fria, sem empolgação e marcada por aplausos dos aliados e vaias estridentes dos adversários. Em baixa no conceito da opinião pública, o prefeito que saiu, José Alberto, aliado de proa e com participação importante na campanha de Zé Vieira, preferiu ficar em casa e mandou o filho, Alberto Filho, que perdera recentemente o mandato de deputado federal, representá-lo no ato, completando o cenário quase irreal em se tratando de um processo eleitoral, no qual a exigência básica é a legalidade plena.

Os dois casos são emblemáticos, mostram, de um lado, o vigor da democracia e o desfecho de um processo eleitoral sem mácula, como em Imperatriz; e, por outro lado, expõe  a fragilidade das regras, e a instabilidade que a própria instituição judiciária impõe à sociedade com decisões que, antes de consertar, causam danos graves ao processo eleitoral contaminado por ilegalidades, como ocorre em Bacabal.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Prefeitos ausentes
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Luis Fernando Silva foi empossado sem a presença do agora ex-prefeito Gil Cutrim, que deixou o cargo magoado

Uma das marcas mais fortes do desajuste exposto na troca de comando nas Prefeituras é a ausência do prefeito que sai. Em primeiro lugar, o não comparecimento revela que se o eleito não for aliado, o prefeito não se sente na obrigação de transmitir o cargo. Ao mesmo tempo, gera a suspeita: os dois são inimigos figadais, ou o que sai teme ser hostilizado. O fato é que, com exceção de São Luís, Timon e Codó, onde os prefeitos foram reeleitos, e em Imperatriz, onde a normalidade prevaleceu, em, outros grandes municípios o ranço político afastou do ato de posse os prefeitos que saíram. Em São José de Ribamar, agastado por denúncias e suspeitas que o atingiram nos últimos tempos, o prefeito Gil Cutrim (PDT) não compareceu ao ato de posse do sucessor Luis Fernando Silva (PSDB). Em Caxias, o clima de tensão política fez com que o prefeito Leo Coutinho (PSB) nação comparecesse à posse do sucessor Fábio Gentil (PRB). A prefeita Tereza Murad (PMDB) ignorou o ato de posse de Luiz da Amovelar Filho (PT), o mesmo acontecendo em Santa Inês, onde o prefeito Ribamar Alves (PSB) foi considerado persona non grata e por isso não compareceu à posse da prefeita Vianey Bringel (PSDB). Situações como essas se repetiram em muitos municípios, mostrando que há muito a aprender em matéria de civilidade política.

Tropeço na largada?
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Domingos Dutra recebe os cumprimentos do antecessor Josemar Sobreiro

No seu discurso de posse, o prefeito Domingos Dutra propôs uma relação de unidade com a Câmara Municipal de Paço do Lumiar, deixando claro que prefere um relacionamento harmônico do que uma convivência de confronto. A iniciativa de Dutra tem uma explicação óbvia: o grupo de vereadores que o apoia foi derrotado na eleição da Mesa Diretora do legislativo municipal. O novo prefeito apoiou a candidatura do vereador Jorge Brito à presidência da Câmara Municipal, mas um grupo chamado “G9”, que não é alinhado a Dutra, se mobilizou e elegeu o vereador Marinho do Paço. O desfecho da eleição na Câmara de Paço do Lumiar foi visto como uma derrota do prefeito. Seus aliados dizem que foi só um “tropeço”, nada demais.

 

São Luis, 02 de Janeiro de 2017.

Coluna registra 16 políticos que se movimentaram intensamente no conturbado cenário de 2016

 

2016 não foi um ano que os políticos de um modo geral queiram guardar com destaque nos seus cadernos de memória; ao contrário, a maioria dos que militam na atividade política gostaria mesmo era de esquecê-lo. Atenta aos movimentos, a Coluna Repórter Tempo fez um apanhado aleatório e sem qualquer rigor metodológico, usando tão somente a ótica jornalística para destacar 16 nomes que chamaram a atenção ao longo de 2016. Não se trata de uma relação do tipo “os melhores do ano” ou coisa parecida. A ideia foi registrar os que de alguma maneira se destacaram, mas sem lhes atribuir méritos nem apontá-los como os tais da cena política. Os nomes relacionados tiveram, de fato, ações diferenciadas no cenário político e institucional do Maranhão. O governador Flávio Dino foi, de longe, o personagem de maior destaque durante o ano, principalmente por sua ação política; assim como vereador Astro de Ogum, presidente da Câmara Municipal de São Luís, passando pela ex-governadora Roseana Sarney e o secretário Márcio Jerry. Confira a relação:

Flávio Dino (PCdoB)

dino-12O governador do Maranhão foi, de longe, a maior e mais ativa personalidade política do Maranhão 2016, por haver conseguido o que no Brasil de hoje pode-se definir como uma proeza: manteve seu governo de pé diante da crise econômica que assola o País, pagou os servidores rigorosamente em dia, realizou investimentos e não foi atingido pela crise ética; ao mesmo tempo, atuou muito fortemente na seara política, tendo sido a principal voz na defesa do mandado da presidente contra o impeachment. Com a derrocada do Governo do PT e a prisão dos seus principais líderes, entre eles José Dirceu, Dino começou a ser visto como o nome de maior expressão e credibilidade para assumir a liderança de uma eventual frente de esquerda com investimentos e programas sociais ano inteiro no cenário político do Maranhão e cresceu no plano nacional. Foi o principal suporte político da presidente Dilma Rousseff (PT) e saiu da guerra pelo voto como o maior vitorioso nas eleições municipais, tendo seu partido, o PCdoB, conquistado 46 Prefeituras no estado. E fecha o ano “pressionado” pelo PCdoB e outros setores da esquerda para ser o candidato de uma grande frente de esquerda à presidência da República, caso o ex-presidente Lula seja expurgado do processo político, como está se desenhando no contexto da Operação Lava Jato.

Roberto Rocha (PSB)

roberto-rocha-7A ousadia dos seus movimentos, quase sempre na contramão do Palácio dos Leões, o transformou num político com muita visibilidade, mas também embalado pela controvérsia. Decidido a construir o seu próprio caminho, Roberto Rocha ultrapassou a fronteira do grupo liderado pelo governador Flávio Dino e abriu canais de conversação com os mais diversos segmentos, a começar pelo Grupo Sarney, o que deixou aliados o governador Flávio Dino e o seus aliados ao mesmo tempo perplexos e incomodados. Nas eleições municipais “peitou” o Palácio dos Leões ao apoiar a candidatura do deputado Wellington do Curso (PP) à Prefeitura de São Luís, indicando-lhe o vice, o vereador Roberto Rocha Jr. (PSB), e em Imperatriz, onde apoiou o empresário e ex-prefeito Ildon Marques (PSB). Fecha o ano mostrando ao mundo sua independência ao receber festivamente a deputada estadual Andrea Murad (PMDB) a mais estridente voz da Oposição ao Governo Flávio Dino, ao questionar a pesquisa em que o governador aparece com 61% de aprovação e deixando por onde passa a impressão de que será candidato a governador em 2018.

Roseana Sarney (PMDB)

roseana-18Tendo iniciado ano fortemente pressionada pelo envolvimento do seu nome no esquema de corrupção da Petrobras, Roseana Sarney preferiu “mergulhar”, tendo tido inclusive participação discreta na campanha para as eleições municipais, incluindo a disputa em São Luís, onde não apoiou a candidatura o pemedebista do vereador Fábio Câmara à Prefeitura. As poucas vezes que a ex-governadora foi para responder a alguma estocada de adversários e para rebater acusações de desvio de dinheiro público na sua gestão e fazer algumas declarações política. Apontada por muitos como pré-candidata ao Senado, para não encarar uma disputa ao Governo tendo o governador Flávio Dino como adversário, Roseana, porém, vem mudando o discurso desde que o inquérito envolvendo seu nome na Lava Jato foi arquivado o falta de provas. Começa a dar sinais de que poderá, sim, ser candidata ao Governo contra o governador, que é candidato à reeleição.

Edivaldo Jr. (PDT)

edivaldo-jr-3O prefeito de São Luís superou todas as expectativas e saiu das urnas reeleito com margem segura, ganhando assim respaldo popular para continuar no comando político e administrativo da Capital. Com a vitória, Edivaldo Jr. abriu espaço para se movimentar no sentido de pensar um projeto estadual, de acordo, é claro, com o governador Flávio Dino, de quem é seguidor fiel. Há quem o veja como candidato a vice de Dino em 2018, de modo a sucedê-lo em 2022, quando, se reeleito, Dino deverá disputar uma vaga no Senado ou encarar o desafio de lançar sua candidatura à presidente da República, como querem os seus aliados no PCdoB. O fato é que, ao reeleger-se, o prefeito de São Luís se firmou como uma liderança de peso e souber administrar esse cacife, terá as condições que precisa para embarcar de vez na política estadual.

Humberto Coutinho (PDT)

humberto-9Fecha 2016 demonstrando que, mesmo travando uma luta titânica contra um câncer no abdome e tendo visto o seu grupo perder a Prefeitura de Caxias, o deputado estadual Humberto Coutinho fecha como um dos políticos mais importantes e influentes do Maranhão neste momento. Tanto que já está reeleito para mais um mandato de presidente da Assembleia Legislativa, que será iniciado em fevereiro próximo. Sua reeleição foi fruto exatamente do papel que exerce atualmente no cenário politico maranhense. Coutinho manteve o compromisso assumido na eleição de tratar igualmente todos os deputados, independentemente da sua cor partidária, atraindo   Discreto e apaixonado pela política, o presidente da Assembleia Legislativa trabalha com a possibilidade de vir a se candidatar a uma vaga no Senado em 2018.

João Alberto (PMDB)

joao-alberto13Sem fazer alarde, o senador João Alberto encerra 2016 como o líder que evitou o naufrágio completo do PMDB no Maranhão, tornando-o uma agremiação que sobreviveu ao duro e implacável ataque do PCdoB e do PDT, que em meio a ganhos e perdas, ganhou, de surpresa a Prefeitura de Imperatriz. Em Brasília, o senador se tornou uma das referências do PMDB, primeiro como presidente do Conselho de Ética pela quinta-vez consecutiva, e depois como um dos mais ativos articuladores do PMDB, dando importante suporte ao presidente Renan Calheiros quando ele mais precisou. Considerado uma das reservas éticas do Congresso Nacional, fecha o ano pensando em rever a decisão de se aposentar, para novamente enfrentar as urnas em 2018.

Eduardo Braide (PMN)

braidenaalO deputado Eduardo Braide já vinha ocupando espaço político como um dos articuladores da bancada governista na Assembleia Legislativa, ao mesmo tempo em que se consolidava no plenário legislativo como um dos deputados tecnicamente mais preparados da Casa. Seu prestígio foi largamente ampliado quando se candidatou a prefeito de São Luis e superou sete candidatos para se tornar o principal adversário do prefeito Edivaldo Jr, numa movimentação de competência como há muito não se via no Maranhão. Saído de raquíticos 2% de intenções de voto evoluiu paras se tornar o principal oponente do prefeito Edivaldo Jr., com quem disputou o 2º turno e transformou a derrota num cacife político e eleitoral quer o arremessaram pela o centro do tabuleiro político do Maranhão. Tornou-se uma das vozes mais fortes da Oposição no parlamento.

Márcio Jerry (PCdoB)

marciojerry-1Presidente estadual do PCdoB e secretário de Estado de Articulação Política e Comunicação, o jornalista Márcio Jerry não apenas se manteve como o mais influente membro do Governo, como ampliou expressivamente o seu cacife com as eleições municipais, das quais o seu partido saiu e os da aliança que ajuda a administrar saíram amplamente vitoriosos. Fecha o ano como um dos responsáveis pela estratégia que garantiu a reeleição do prefeito Edivaldo Jr. e a eleição dos 46 prefeitos do PCdoB, quando também viu crescer a grita dos incomodados com a sua influência nos movimentos do xadrez político estadual.

Sarney Filho (PV)

sarney-filho-7No comando do Ministério do Meio Ambiente, o deputado federal Sarney Filho fecha o ano contabilizando pequenas mas importantes vitórias, entre elas o não aumento do desmatamento no País. Seu gabinete tem sido visitado pela maioria dos políticos maranhenses que desembarcam em Brasília, como prefeito eleito de Paço do Lumiar, Domingos Dutra (PCdoB), por exemplo, que o visitou, em busca de apoio, dias após confirmada a sua eleição. No meio político corre que seu projeto é ser candidato a senador.

Weverton Rocha (PDT)

weverton-rocha-1Poucos políticos, principalmente da nova geração, ocuparam espaço tão grande no cenário estadual e nacional como o deputado federal Weverton Rocha. Ousado, corajoso e controvertido, o hoje maior líder do PDT no Maranhão ganhou ampliou seus espaços no estado ao conduzir o seu partido na campanha eleitoral da qual saiu com 28 prefeitos, entre eles Edivaldo Jr.. No plano nacional, esteve sempre no centro do debate e do confronto na Câmara Federal como líder da bancada do PDT: defendeu com intransigência o mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) denunciando a tese do golpe; se movimentou para cassar o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e demonstrou coragem políticas quando apresentou, em nome do seu partido, a emenda constitucional propondo punições severas para juízes e procuradores cometerem erros ou abusarem das suas prerrogativas, deixando em polvorosa os envolvidos com a Operação Lava Jato. Já trabalha abertamente como pré-candidato a senador.

Domingos Dutra (PCdoB)

dutra-1Um dos políticos mais emblemáticos do Maranhão, com trajetória marcada pela atuação implacável como voz de oposição, principalmente ao Grupo Sarney, Domingos Dutra deu uma guinada radical ao se eleger prefeito de Paço do Lumiar, sétimo maior município do Maranhão, deixando a condição de “pedra” para assumir a de “vidraça”. Dono de uma carreira vitoriosa como fundador do PT, vereador de São Luís, deputado estadual, vice-prefeito de São Luís e deputado federal, Dutra fecha o ano com a bandeira da vitória nas urnas, mas também com o imenso desafio de mostrar ao mundo que pode ser um bom gestor.

Luiz Fernando Silva (PSDB)

luis-fernando-1De longe o maior fenômeno saído das urnas no dia 3 de outubro, quando foi eleito prefeito de São José de Ribamar, o quarto maior município do Maranhão, quase por aclamação, já que ninguém se dispôs a enfrentá-lo nas urnas, o ex-prefeito Luiz Fernando Silva retorna consagrado ao comando da segunda maior Prefeitura da Ilha de Upaon Açu. Homem público respeitado, Luiz Fernando Silva fecha o ano renascendo com força no cenário político estadual, depois de um período de recolhimento a que se submeteu após desistir da disputa pelo Governo do Estado em 2014. Visto por muitos como nome forte no cenário estadual, assumirá a Prefeitura de São José de Ribamar sem saber ao certo se cumprirá todo o mandato, já que são muitos os rumores de que pode vir a mudar de curso em 2018.

Hilton Gonçalo (PCdoB)

16/05/2014.Crédito:Karlos Geromy/OIMP/D.A.Press.Brasil.São Luís-MA. Dr. Hilton Gonçalo do PDT-MA, reivindica candidatura para Governador do Maranhão.

Poucos integrantes da classe política do Maranhão se mostraram tão arrojados e articulados como o médico Hilton Gonçalo, que voltou à Prefeitura de Santa Rita com uma vitória retumbante. Além da própria eleição, na verdade uma consagração eleitoral, Hilton Gonçalo administrou a eleição da sua mulher, Fernanda Gonçalo (PMN), para a Prefeitura de Bacabeira, vizinho de Santa Rita, e da irmã, Irene Gonçalo (SD), para comandar o município de Pastos Bons, no distante sertão, tendo o seu prestígio sido decisivo para os dois resultados positivos. Destacou-se ainda ao entrar em rota de colisão com o Palácio dos Leões ao declarar seu apoio e assumir a coordenação política da campanha de Eduardo Braide em São Luís. Fecha o ano como um nome a ser levado em conta nas articulações para 2018.

Roberto Costa (PMDB)

roberto-3O deputado estadual Roberto Costa (PMDB) dividiu o seu tempo entre as atividades parlamentares e partidárias como uma campanha de extrema dificuldade pela Prefeitura de Bacabal, enfrentando o pecuarista e ex-prefeito Zé Vieira (PR), que teve o apoio de um poderoso grupo político e empresarial, a começar pelo prefeito Zé Alberto, que rompera com o grupo do senador João Alberto (PMDB). Ao longo da campanha, o deputado pemedebista “sentou praça” em Bacabal, pois sabia que qualquer descuído seria fatal. Foi uma luta desigual dadas as condições do adversário, que dispunha de muitos recursos. e com a desvantagem de que o adversário não poderia ter participado da eleição por ter sido condenado como gestos público, situação que corre na Justiça. Zé Vieira será empossado por uma liminar. Roberto Costa aguarda, pacientemente, o pronunciamento final da Justiça Eleitoral, acreditando que os votos do oponente serão anulados.

 

Fábio Braga (SD)

fabio-bragaO deputado Fábio Braga faz um mandato correto, ocupa sempre a tribuna e participa das articulações de plenário e de bastidores. Um pouco mais de atenção mostra ao observador um deputado se tornou uma referência para o setor produtivo. Ao longo do ano, Fábio Braga fez pronunciamentos densos e muito bem embasados a respeito agricultura, agroindústria, pecuária, o grande e o pequeno produtor, a agricultura familiar e todas as áreas afins, batendo forte em defesa da classe produtora, criticando omissões do Governo e aplaudindo as intervenções que considera corretas.

Astro de Ogum (PR)

astroOs registros ensinam que não é fácil chegar ao comando da Câmara Municipal de São Luís. O vereador Astro de Ogum (PR) vem mostrando que o segredo é conhecer as filigranas do ambiente e jogar com as pedras certas. Demonstrou essa habilidade quando se elegera vice-presidente em 2013 e se tornou presidente interino devido a um problema de saúde do titular Isaías Pereirinha (PSL). De lá para cá, Astro de Ogum dominou completamente o ambiente político no Palácio Pedro Neiva de Santana, construindo uma base de apoio sólida. Foi para a reeleição com a certeza de que se fosse reeleito, seria de novo presidente da Casa. Não deu outra: num trabalho intenso de articulação, Astro de Ogum foi derrubando um a um os obstáculos e consolidou de tal maneira sua posição que deve ser reeleito neste dia 1º de janeiro com pelo menos 27 dos 31 votos, isso se não conseguir o novo mandato de presidente por aclamação.

 

São Luís, 30 de Dezembro de 2016.

Liminar de Gilmar Mendes manda empossar Zé Vieira em Bacabal, mas só até o TSE dizer se ele é ou não ficha suja

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Gilmar Mendes mandou Z´-e Vieira tomar posse, mas Roberto Costa vai aguardar decisão final do TSE

 

Qualquer análise sobre a decisão liminar do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, autorizando a posse do pecuarista José Vieira Lins, o Zé Vieira, na Prefeitura de Bacabal – apesar de ser o ex-prefeito condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), com trânsito e julgado, e responder a mais nove ações por improbidade administrativa – certamente concluirá que esse caso está longe, muito longe, de ser resolvido. A começar pelo fato de que a decisão do presidente do TSE não passa sequer próximo ao mérito, limitando-se ao fato de que, na sua interpretação, a posição definitiva sobre se Zé Vieira é ou não é o prefeito de Bacabal só será tomada pela oportunamente pela Corte Eleitoral, que poderá confirmá-lo, ou empossar o segundo colocado, o deputado estadual Roberto Costa (PMDB) ou, finalmente, realizar nova eleição em 30 dias.

A pergunta que está posta é a seguinte:  pode a Justiça Eleitoral aceitar o registro de candidatura a prefeito de um ex-prefeito condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), com processo transitado em julgado, e que responde a 11 outras ações em que é acusado de improbidade administrativa? E a decisão de ontem não foi uma resposta a essa indagação, mas uma providência no sentido de e que a Prefeitura de Bacabal seja comandada interinamente pelo presidente da Câmara Municipal, que será ainda eleito no dia 1º de janeiro.  Na conclusão, o presidente do TSE é claro: “Ante o exposto, defiro o pedido de medida liminar para atribuir efeito suspensivo ativo ao REspe nº 18725/ MA, até o julgamento pelo Plenário do TSE”. Ou seja, nada a favor de Zé Vieira.  Na sua justificativa, o ministro-presidente do TSE não emite qualquer juízo sobre a situação de Zé Vieira, deixando claro que caberá ao plenário do TSE decidir se o registro da sua candidatura é legal ou não sendo ele condenado por improbidade por uma Corte de contas.

Vale anotar que não existe uma só ação do candidato Roberto Costa contra o registro de candidatura de Zé Vieira. Essa briga foi comprada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), para quem o ex-prefeito estão na condição indiscutível de ficha suja, o que torna inviável o registro da sua candidatura, argumento que vem reafirmando em todas as instâncias. Para o MPE, Zé Vieira não pode ser candidato, e ponto final. Nesse caso, seus votos devem ser anulados. Se ele tivesse obtido mais de 50% da votação, haveria nova eleição, sem a sua participação; mas se os seus votos representarem menos de 50% dos chamados votos válidos, a regra manda empossar o segundo colocado, no caso, o deputado Roberto Costa, que passa a ser o mais votado diante da invalidação dos votos do primeiro colocado.

O próprio presidente do TSE, no seu despacho, não chega a ser explícito, mas dá a entender que a Justiça Eleitoral deve se manifestar rapidamente sobre esse caso, de modo a não permitir que essa indefinição perdure. Isso porque, se a decisão for por nova eleição, atropelando a regra, a corrida ao voto se dará sem Zé Vieira na Prefeitura, que no vaso será dirigida pelo presidente da Câmara Municipal. Essa possibilidade também é fonte de preocupação, porque dois candidatos a presidente do Legislativo municipal, os vereadores Manoel da Concórdia (PTN), atual presidente, e César Britto (PPS), que estariam dispostos a pagar pelo menos 200 mil por cada voto.

Em resumo, mesmo que o ex-prefeito Zé Vieira tenha sido autorizado a tomar posse, a situação em Bacabal será se indefinição absoluta até que o pleno do TSE diga, em caráter definitivo, se, mesmo enquadrado na Lei da Ficha Suja o ex-prefeito de ou não ser candidato. Cabe ao deputado Roberto Costa aguardar, com os pés no chão e a cabeça fria.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Última Hora

Bolada da repatriação: prefeitos que saem ganham, mas não levam
Foto: Jane de Araújo  sexta-feira, 26 de maio de 2006 Raimundo Carreiro - Secretário Geral da mesa concede entrevista. Local: Secretaria Geral da Mesa OBS: Solicitamos sua atenção para o cumprimento da Lei do Direito Autoral n.º 5988, de 14 de dezembro de 1973, Cap. IV, Parágrafo 1º do artigo 82º, que determina: "A fotografia quando divulgada, indicará de forma legível, o nome de seu autor". O crédito deverá ser dirigido à  Jane de Araújo  / Agência Senado.
Raimundo Carreiro voltou atrás e liberou R$ 5 bilhões

Folha de São Paulo – O Tesouro Nacional anunciou que foi emitida nesta quinta-feira (29) uma ordem bancária em favor dos municípios para o pagamento de cerca de R$ 5 bilhões provenientes do programa de regularização de ativos de brasileiros no exterior, após o TCU (Tribunal de Contas da União) ter liberado a operação na noite desta quinta. Segundo o Tesouro, os recursos vão entrar na conta dos municípios na sexta-feira (30).

Sob pressão das unidades da Federação, o governo federal editou na semana passada iniciativa para liberar o montante nesta sexta, o que permitiria às unidades da federação contabilizá-los no caixa deste ano. O TCU (Tribunal de Contas da União), contudo, bloqueou na quarta-feira (28) o repasse do montante na sexta, uma vez que é feriado bancário, e resistia em permitir a sua liberação nesta quinta, já que a medida provisória estabelecia a sexta-feira. O tribunal vetou o repasse por entender que as transferências de recursos feriam o princípio da legalidade, e que o montante repassado beneficiaria os atuais prefeitos e não os novos prefeitos, que tomam posse no domingo (1º).

Inicialmente, o ministro do TCU Raimundo Carreiro determinou que os valores só poderiam ser transferidos em 2 de janeiro. A Advocacia Geral da União recorreu da decisão nesta quinta. Mais cedo, prefeitos pediram ao presidente Michel Temer que publicasse uma nova medida provisória para antecipar para esta quinta o repasse da multa da repatriação.

Apesar de o Tesouro afirmar que os recursos vão entrar na conta dos municípios nesta sexta, o ministro do TCU, ao liberar as transferências na noite desta quinta, entendeu que os recursos só chegarão de fato aos cofres do municípios em 2 de janeiro —por causa do feriado bancário de sexta. A liberação do dinheiro aos Estados foi acertada após negociação com os governadores. A princípio, eles teriam de cumprir uma série de contrapartidas para ter acesso aos recursos.

Com as queixas de administrações estaduais, contudo, a União aceitou repassar o montante mediante a assinatura de uma espécie de carta de compromissos.

 

Bons pagam por pecadores

No frigir dos ovos, os prefeitos que entram é que vão mesmo colocar a mão nessa bolada que desembarcará hoje nas cintas das mais de cinco mil prefeituras de todo o país, 217 das quais no Maranhão, que devem dividir R$ 178 milhões. Os prefeitos que saem lideraram o movimento pela liberação certos de que a grana sairia a tempo de ser usada nas suas gestões. A julgar pelas observações de técnicos do TCU, é improvável que algum prefeito que sai consiga movimentar esses recursos, que devido às regras de trâmite, o depósito pode até ser feito nesta sexta, mas os valores só estarão mesmo disponíveis no segundo dia do ano que vem. É, ao mesmo tempo, um bom e um mau desfecho. Isso porque prefeitos corretos e honestos não poder usar os recursos como pretendiam; ao mesmo tempo, prefeitos corruptos que estão saindo não terão tempo de colocara mão num só centavo desses recursos.  Cai exatamente no ditado segundo o qual os bons pagam pelos pecadores.

 

São Luís, 29 de Dezembro de 2016.

PSDB termina 2016 fragilizado, mas ganha força logo no 1º dia de 2017; Brandão pode enfrentar disputa por comando

 

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Carlos brandão, Sebastião Madeira, Luis Fernando Silva e a sombra de Roberto Rocha poderão animar o PSDB

O PSDB termina 2016 como um partido que perdeu peso com a morte do ex-governador e deputado federal João Castelo, mas recuperará parte da sua força já no primeiro dia do ano, quando assumirão os 29 prefeitos, vices e vereadores que elegeu em outubro, entre ele Luis Fernando Silva, que volta ao comando da Prefeitura de São José de Ribamar. Além da perda irreparável da liderança e do entusiasmo e da importância política de João Castelo, o partido perderá também o controle administrativo e político de Imperatriz, com o fim o mandato do prefeito Sebastião Madeira, que, mesmo assim, mantém intacta o seu prestígio político na Região Tocantina e deve voltar a participar mais ativamente da vida partidária, de modo a viabilizar seu projeto de chegar ao Senado da República. O partido foi fortemente atingido pelo equívoco de repetir em São Luís a desastrosa aliança com o PPS em torno da candidatura da deputada federal Eliziane Gama à Prefeitura de São Luís, mas na soma dos resultados eleitorais, saiu-se bem melhor do que no último pleito municipal.

Comandado pelo vice-governador Carlos Brandão, que teve seu mandato indireto renovado pelo presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG), o partido só tem agora dois deputados estaduais, Sérgio Frota e Neto Evangelista – que está licenciado e exerce o cargo de secretário de Estado de Desenvolvimento Social – e ganhará peso político com novos prefeitos, entre os quais os que assumirão o comando de municípios importantes como Lago da Pedra, Santo Antonio dos Lopes, Miranda do Norte, Viana. Tutóia e Gonçalves Dias, por exemplo, alguns vice-prefeitos e algumas dezenas de vereadores – entre eles dois dos 31 de São Luís – espalhados por todo o estado. Eles assumirão no dia 1º de janeiro, dando mais musculatura ao partido.

São fortes os sinais de que o ninho dos tucanos maranhenses será sacudido por disputas internas em 2017. Isso porque não são poucas as vozes que estão querendo se levantar contra a permanência do vice-governador Carlos Brandão no comando do partido. Vários tucanos de peso querem turbinar a agremiação com novas e importantes filiações. Há quem defenda inclusive a volta do senador Roberto Rocha ao partido, inclusive com poder de fogo para assumir o comando partidário. Há também os que defendem o ingresso do deputado federal José Reinaldo Tavares, que com seu prestígio e poder de fogo chancelaria a permanência de Carlos Brandão à frente do ninho maranhense. Movimentam-se ainda em torno do PSDB aliados do ex-governador João Castelo, que pretendem ocupar espaço importante dentro do ninho. Não há uma crise dentro do PSDB, é bom que se diga. Mas a julgar pelos cenários que estão sendo desenhados no estado, com as forças que parecem ter interesse no partido, poucos duvidam de que haverá agitação no ninho.

A grande pergunta que se faz no meio político é se o vice-governador Carlos Brandão tem cacife para se garantir no comando do PSDB e comandar o partido nos desafios que estão sendo desenhados para os próximos tempos. Político sem lastro eleitoral sólido, mas que antes de ser vice-governador foi deputado federal em dois mandatos consecutivos, tem mostrado habilidade e senso de oportunidade, conseguindo levar o partido para onde julgou adequado, cometendo aí acertos e erros. O seu erro mais comentado foi evitar que o PSDB lançasse candidato próprio em São Luís e apostasse na candidatura de Eliziane Gama pelo PPS, que resultou no maior e mais surpreendente fracasso eleitoral da História política recente da Capital.

O tropeço monumental de São Luís não tirou o entusiasmo dos tucanos, que se deram bem nas urnas, a começar pela eleição espetacular de Luis Fernando Silva em São José de Ribamar. E mesmo com João Castelo fragilizado, com Sebastião Madeira lutando contra tudo e contra todos para manter a linha do seu governo em Imperatriz, com Luis Fernando se preparando para arrumar a casa, e com a sombra de Roberto Rocha rondando o comando partidário, Carlos Brandão encontrou espaço e articulou com o tucano-chefe Aécio Neves a chancela para se manter no controle do partido.

Carlos Brandão sabe que o PSDB ganha força ao se consolidar como o principal avalista do Governo do presidente Michel Temer, trabalhando, ao mesmo tempo, para miná-lo, já que ele poderá perder o cargo por decisão da Justiça Eleitoral. Os tucanos apostam que com a eventual queda de Temer o PSDB elegerá o sucessor em pleito indireto. E se esse roteiro acontecer, quem tiver o controle do partido no Maranhão estará no topo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Boa marca: Governo do Maranhão mantém pagamento de servidores estaduais em dia há mais de quatro décadas

Qualquer análise sobre a avassaladora crise fiscal – desequilíbrio entre receita e despesa – vivida pelo Brasil – aí incluídos a União, os Estados e os Municípios – concluirá que  a consequência mais danosa é a instabilidade no pagamento dos salários dos servidores públicos. Neste final de ano, pelo menos um terço dos estados e municípios brasileiros estão em falta com seus servidores, com seus prefeitos em final de mandato saindo com a pecha de incompetentes e irresponsáveis e deixando a bomba para os que assumirão cheios e planos e imaginando que farão bonito logo no primeiro mês. Mas, embora cerca de 10% das Prefeituras fechem o ano em débito com os servidores, a regra no Maranhão tem sido outra. Não há registro de qualquer atraso de salário por parte do Governo do Estado desde o Governo de Newton Bello (1962-1966), no início dos anos 60. O Governo de José Sarney (1966-1970) manteve, pagando em dia a folha dos servidores, o mesmo acontecendo com seu sucessor Antonio Dino(1970-1971) e o sucessor deste, Pedro Neiva de Santana (1971-1975), na primeira metade dos anos 70. A regra foi mantida pelo governador Nunes Freire (1975-1979), que fez o maior ajuste fiscal que se tem notícia naquele tempo, pagando dívidas, de modo que terminou seu mandato com uma máquina saneada e o Governo com quase 100% da sua capacidade de endividamento. No embalo da saúde financeira deixada por seu antecessor, João Castelo (1979-1982) também pagou os servidores rigorosamente em dia, mas praticamente dobrou o número de servidores e, consequentemente, uma folha duas vezes mais cara do que a que recebeu, deixando dificuldades para o governador Ivar Saldanha (1982-1983). O governador Luiz Rocha (1983-1987) recebeu o Estado com sério desequilíbrio fiscal, tendo encontrado muitas dificuldades para pagar a folha nos dois primeiros anos, com períodos de incertezas quanto à data do pagamento, mas sem atrasar um só mês, tendo melhorado radicalmente depois que José Sarney assumiu a presidência da República. Epitácio Cafeteira (1987-1990) foi o mais sortudo dos governadores no que respeita a pagamento de servidores. Ele aplicava os recursos que recebia da União no over night e conseguia pagar a folha com juros das aplicações diárias, tendo instituído o calendário de pagamento para o ano inteiro. No seu Governo de um 11 meses e 12 dias, o governador João Alberto (1990-1991) cumpriu rigorosamente a meta de não atrasar salários, apesar da bomba de efeito retardado que recebeu. Nos Governos de Edison Lobão (1991-1994), Ribamar Fiquene (1994-1995), Roseana Sarney (1995-1999, 1999-2002, 2009-2011 e 2011-2014), José Reinaldo Tavares (2002-2007), Jackson Lago (2007-2009) e Flávio Dino (2015…) não há registro de que os salários dos servidores do Estado tenham atrasado em um só mês. Ao contrário, há pelo menos 20 anos a prática tem sido a de os servidores iniciarem o ano sabem quando poderá com os seus vencimentos nos próximos 12 meses.

Duas crises por causa da folha de pagamento do Estado

O folha de pagamento dos servidores do Estado do Maranhão foi motivo de duas crises entre governadores que saiam e os que entravam. Não propriamente em relação a regularidade no pagamento, mas por causa de aumentos, verdadeiras  “bombas de efeito retardado” deixadas engatilhadas para os que entravem.

Luiz Rocha para Cafeteira
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Luiz Rocha para Epitácio Cafeteira: aumento de salário para servidores aprovado e desaprovado pela Assembleia

Inconformado com o fato de ter de passar o Governo para quem considerava seu maior inimigo político, apesar das gestões do então presidente José Sarney para criar, pelo menos, um espaço de tolerância entre os dois, o governador Luís Rocha (PDS) resolveu deixar uma bomba engatilhada sobre a mesa do sucessor Epitácio Cafeteira (PMDB). Mobilizou suas forças na Assembleia Legislativa e fez aprovar um projeto de lei concedendo aumento salarial entre 50% e 73% para os servidores do Estado, para entrar em vigor em março de 1987, quando o novo Governo assumiria. Cafeteira protestou, acionou aliados para tentar demover Rocha de conceder o tal aumento, alegando que ele seria impagável. Rocha não atendeu, e em meio aos apelos e às pressões dos aliados de Cafeteira, o líder do Governo, deputado Edivaldo Holanda (PDS) comandou a “maciça” e aprovou o projeto, em meados de dezembro, tendo os deputados entrado em recesso logo em seguida. Cafeteira reuniu os deputados aliados e pediu que a Assembleia Legislativas se autoconvocasse em janeiro e a maioria – que havia aprovado – derrubasse o aumento. A operação foi comandada pelo deputado Ricardo Murad, que assumiria a presidência da Assembleia Legislativa em fevereiro. Numa das sessões mais tensas realizadas em toda a História do Legislativo, a maioria “desaprovou” o aumento, sem que o governador Luiz Rocha nada pudesse fazer, até porque a ação contou com o aval do Palácio do Planalto. E meses depois de assumir, Cafeteira concedeu aumento aos servidores.

Cafeteira para João Alberto
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Epitácio Cafeteira armou bomba para João Alberto, que manteve e garantiu o pagamento da folha sem atraso

Antes de deixar o Governo, em abril de 1990, o governador Epitácio Cafeteira fez aprovar um expressivo aumento para os servidores do Estado, usando com o sucessor João Alberto o mesmo expediente que Luiz Rocha usara antes de lhe passar o bastão governamental. Depois de se convencer de que as armadilhas jurídico-legislativas que montara com João Castelo para impedir a posse de João Alberto e, se não isso, inviabilizar o seu governo, Cafeteira resolveu evitar uma crise maior e decidiu passar a faixa governamental para o vice. Numa amistosa conversa que tiveram pouco antes da transmissão do cargo, Cafeteira tentou uma ultima cartada para demover João Alberto de assumir: disse-lhe que as finanças do Estado não estavam bem e que os recursos não seriam suficientes para bancar a folha que ele estava deixando com aumentos elevados. João Alberto não se intimidou e manteve a decisão de assumir o Governo. Ao tomar pé da situação financeira, João Alberto se deparou com um quadro crítico, e fez um ajuste fiscal traumático, reduzindo o custeio da máquina pela metade. Todo final de tarde, recebia o secretário de Fazenda, Oswaldo Jacintho, que lhe entregava uma planilha informando o saldo do dia anterior, o que entrou durante o dia, o que foi pago durante o dia e o saldo daquele dia, documento que foi publicado diariamente nos jornais durante todo o período de Governo. Sem apoio federal – Fernando Collor tinha assumido e “nomeado” João Castelo seu representante no Maranhão -, João Alberto começou a respirar três meses depois, realizando uma gestão da qual muitos ainda se lembram com admiração. E os salários dos servidores foram pagos rigorosamente em dia.

São Luís, 28 de Dezembro de 2016.

Jornal espanhol manifesta otimismo como eventual candidatura de Flávio Dino a presidente da República.

 

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Flávio Dino de novo no centro da sucessão presidencial, agora co,locado por El País

 

Uma reportagem do diário espanhol El País, um dos mais respeitados do mundo pela correção jornalística, voltou a colocar o governador Flávio Dino no centro do debate sobre sucessão presidencial, ao relatar que o partido dele, o PCdoB, aposta que será ele o seu candidato ao Palácio do Planalto em 2018, conforme declarações da presidente da agremiação, a deputada federal pernambucana Luciana Santos. O jornal reporta que, como em todas as vezes que foi provocado sobre assunto – as provocações começaram logo após a derrubada da presidente Dilma Rousseff (PT) -, Flávio Dino desconversou e sacou a resposta “oficial” já padronizada “Sou candidato à reeleição se Deus me der vida e saúde”, mas deixando no ar uma leve impressão de que o projeto não lhe é antipático e, por isso, não está inteiramente descartado. Mas à medida que o quadro político nacional vai mergulhando na incerteza, diante da possibilidade concreta da queda do presidente Michel Temer (PMDB) por crime eleitoral, no primeiro semestre do ano que vem, o que resultará na escolha indireta – via Congresso Nacional – de um novo presidente- tampão, a sucessão presidencial para valer, marcada para 2018, ganha corpo, e é nesse contexto que o governador do Maranhão é lembrado.

A Coluna tem definido o governador Flávio Dino como um político com os pés bem fincados no chão, com uma carreira vitoriosa até aqui e um caminho promissor pela frente, como o da reeleição, por exemplo. Por isso, supõe que ele tenha plena consciência de que não pode cometer erros primários, como dar passo maior que a perna e ser mandado descer no Trem da História, mesmo com o direito de tentar voltar ao vagão principal na próxima estação eleitoral. Pela projeção que alcançou no Maranhão e alhures, primeiro como o líder que derrubou o Grupo Sarney do poder, e depois como governante eficiente e bem avaliado, Flávio Dino tomou ciência de que só deve entrar numa disputa quando tiver plena convicção de que conquistará o mandato pretendido. Daí não fazer sentido para muitos a ideia de ele fazer figuração numa corrida eleitoral decisiva, pois será desastroso entrar numa disputa apenas para marcar presença.

O PCdoB anuncia que vai definir e anunciar em março do ano que vem o seu candidato a presidente da República nas eleições de 2018. Ou seja, vai antecipar o processo em mais de um ano. Tem à disposição o ex-deputado federal e ex-ministro dos Esportes e da Defesa, Aldo Rabelo, responsável pela organização e preparação da realização da Copa do Mundo no País; e a senadora amazonense Vanessa Grazziotin, que o partido prefere ver lutando pela reeleição, e a deputada federal fluminense Jandira Feghali, que recebeu uma votação pífia na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro. São figura de estatura política respeitáveis, mas sem cacife nem o peso político do governador do Maranhão para entrar numa corrida para a Presidência da República, principalmente a de 2018, que está sendo esperada como um marco na vida política e institucional do País.

Uma situação que, entre várias, desanima o projeto presidencial que querem entregar ao governador maranhense, chama atenção e pode explicar a extrema cautela do governador em relação à corrida presidencial. Flávio Dino tem clara consciência de que se vier a sair candidato a presidente, perderá o controle da sua base política, pois sem ele na corrida para o Governo do Estado, a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) passa a ser o nome mais forte para ser uma figuração na eleição para sucedê-lo. Correr esse risco é tudo o que o governador não o quer nem precisa a essa altura dos acontecimentos. Poderá perder também o controle sobre a corrida para as duas vagas de senador, que será disputadíssima, dada a relação dos nomes que pretendem substituir os senadores Edison Lobão (PMDB) e João Alberto (PMDB).

Não há dúvidas de que no cenário que se desenha para corrida ao Palácio do Planalto há espaço para uma eventual candidatura de Flávio Dino. Mas ele sabe que espaço maior e mais seguro terá no cenário da sucessão estadual, no qual o seu potencial eleitoral para renovar o mandato de governador é ilimitado. O otimismo quase entusiástico do jornal espanhol com uma improvável candidatura do governador se desfaz exatamente onde Flávio Dino tem manter os pés fincados no chão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Se Temer cair, deputado federal valerá ouro
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Waldir Maranhão: terá peso de ouro se Michel temer cair

As diligências realizadas ontem pela Polícia Federal, por ordem da Justiça Eleitoral, nas gráficas suspeitas deterem sido usadas como “lavanderia” de dinheiro sujo na eleição presidencial em favor da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer vão exatamente na direção do que pemedebistas de proa já vinham temendo: a cassação da chapa PT/PMDB. Faz sentido, portanto, a movimentação intensa de deputados federais, que com a possível derrubada do presidente Michel Temer, serão os eleitores privilegiados para a escolha de novo presidente da República. Não é sem razão que figuras como o deputado federal Waldir Maranhão, 1º vice-presidente da Câmara Federal e do Congresso Nacional, continua sendo paparicado depois de tudo o que protagonizaram ao longo do ano. Se a eleição indireta vier a ser confirmada, cada voto terá peso decisivo, como aconteceu no impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Zé Carlos se movimenta para tomar o comando do PT
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Zé Carlos quer comandar o PT do Maranhão

O deputado federal José Carlos Araújo, mais conhecido como Zé Carlos do PT, está decidido mesmo a derrubar o grupo que hoje domina o PT maranhense. Candidato a presidente do partido, ele vem trabalhando intensamente agregar os segmentos do partido que hoje estão soltos, sem direção, para formar uma grande frente com o objetivo de minar as bases do grupo comandado pelo professor Raimundo Monteiro, militante de primeira hora e representante da corrente de Lula, que se mantém presidente há vários mandatos. Ele acha que o PT do Maranhão está sob um comando que perdeu o rumo, a ética e a própria essência do partido, e deve por isso passar por um processo de depuração e limpeza, de modo a que possa voltar a ser o partido que foi um dia.

São Luís, 28 de Dezembro de 2016.

 

Oposição e Governo perdem tempo batendo boca sobre quem gastou mais com aluguel de avião

 

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Uso de jatinho alimenta polêmica antiquada e sem sentido entre aliados  de Flávio Dino e de  Roseana Sarney

Oposição e Governo voltam a se digladiar, por meio de porta-vozes os mais diversos, a respeito de frete de aviões para o deslocamento do governador Flávio Dino (PCdoB) e secretários, tendo como foco principal os voos de jatinho transportando o chefe do Poder Executivo para diferentes partes do País, na esmagadora maioria das vezes para Brasília. Um bate-boca descabido, fora de contexto, trazendo a público números até modestos, se comparados aos que foram encontrados em outros estados. A Oposição revela, em tom de denúncia, que de janeiro até aqui o Governo do PCdoB gastou R$ 6,8 milhões com aluguel de aviões, vendo nisso um escândalo. Provocado, o Governo reage mostrando que, nos seus dois anos de existência (2015/16), gastou R$ 9,4 milhões com esse serviço, o que gerou uma média de R$ 391,6 mil ao mês, enquanto que somente em 2014, seu último ano, o Governo Roseana Sarney (PMDB) gastou R$ 15 milhões com o mesmíssimo serviço, o equivalente a R$ 1,2 milhão/mês.

A primeira pergunta que deve ser feita para dar sentido a esse embate é a seguinte: qual dos dois governadores está certo? A resposta sensata é: nenhum está errado, salvo se alguma dessas contas estiver contaminada pelo vírus purulento do superfaturamento, da fatura paga sem serviço efetivamente prestado e de outros malefícios resultantes da contaminação, como, por exemplo, uso de aviões pagos pelo Estado para fins particulares, que não guardem qualquer relação com a atividade pública. Sem inchaço de corrupção na fatura, o aluguel de aviões é um recurso essencial para o governo de um estado como o Maranhão, com 331 mil quilômetros quadrados – formado por regiões que vão do litoral à selva pré-amazônica, passando, sertão, alagados, cerrado, chapadões e selva amazônica – e cuja Capital dista três mil quilômetros do centro das decisões do País. E sem dispor ainda de uma infraestrutura rodoviária adequada, que faça um veículo terrestre vencer em pouco tempo distâncias que alcançam mil quilômetros.

Até 1994, o Governo do Estado dispunha de uma frota aérea de quatro aeronaves – um turboélice “King Air” de oito lugares, dois bimotores Sêneca de quatro lugares cada e dois monomotores Piper. Levando em conta pilotos – que eram servidores com salários diferenciados -, mecânicos – também mão de obra especializada e cara -, revisões periódicas feitas por empresas especializadas fora do estado, combustíveis, licenças, alvarás e muitos outros custos tornavam a frota um item de custo excessivamente elevado para o Estado, mas do qual nenhum governo podia abrir mão. Nas suas viagens para fora do estado, principalmente para Brasília, governador, secretários e assessores se deslocavam em aviões de carreira, que faziam rotas consolidadas e em horários adequados. O custo total desse serviço era tão elevado que, ao assumir o Governo em janeiros de 1995, uma das primeiras medidas de Roseana Sarney foi exatamente vender a frota de aviões do Estado e, a partir de então, contratar os serviços de empresas aéreas para atender às necessidades do Governo. Na época, falou-se de uma economia superior a 50%, e de lá para cá ninguém se interessou em reverter a situação.

Com exceção dos grandes estados – a começar por São Paulo, que tem uma frota que inclui dois jatinhos -, todos os estados menores entraram nessa linha, com os governadores aos poucos substituindo aviões de carreira por jatinho, tendo Roseana Sarney sido uma das pioneiras no uso desse recurso. A mudança foi se justificando com a dinâmica que tomou conta da vida do país com seus oito milhões de quilômetros quadrados, exigindo de governantes estaduais meios de deslocamentos muito mais eficientes, o que se encaixou com o uso do jatinho. Um serviço caro, é verdade, mas se levadas em conta as vantagens, os contrato firmados no Governo anterior e mantidos em novas bases no Governo de agora se justificam plenamente. Permite, por exemplo, que o governador participe de uma audiência em Brasília no final da manhã e esteja em São Luís antes das 15 horas para compromissos agendados no expediente da tarde. Do contrário, teria de aguardar 10 horas, para chegar em São Luís no início da madrugada.

Portanto, discutir isso hoje já parece fora de tempo, antiquado mesmo. E justificar ataques ao Governo evocando uma frase precipitada de um governante empolgado em início de mandato só leva à conclusão de que se trata de mera provocação política. Faz parte do jogo, mas poderia ser feita com temas bem mais interessantes.

PONTO & CONTRAPONTO

 

Caprichos do sonho americano
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Atropelando a regra e a tradição, Donald Trump prefere voar no seu “Trump Force One” do que no Boeing a ele destinado pelo Governo dos EUA

Até Donald Trump, o bilionário sem medidas que assumirá em breve a presidência dos Estados Unidos, considerou “absurda” a decisão do presidente que sai, Barack Obama, de deixar autorizada a compra de um novo Air Force One, o ultrassofisticado avião presidencial norte-americano. Num gesto que soou arrogante e precipitado, visto por muitos apenas como uma oportunidade de estocar Obama, Trump mandou “cancelar” a compra. Presidente eleito, o republicano deveria respeitar a tradição e se deslocar agora num dos oito Boeing 727-200 da frota do governo, ultra-equipados, usados para as viagens do vice-presidente e dos secretários (ministros) norte-americano. Trump atropelou a regra, esnobou a tradição e continua se deslocando à bordo da sua própria aeronave: também um Boeing 727-200, tecnicamente igual ao que foi colocado à sua disposição, com a diferença de que o “Trump Force One”, como foi apelidado durante a campanha eleitoral, é uma maravilha transformada em um sofisticado apartamento de luxo, com salas para jantar, reuniões e lazer, com uma suíte cujas torneiras do banheiro são de ouro 24 quilates, e que custou a bagatela de US$ 100 milhões, o equivalente a R$ 327 milhões.

Contas da realidade maranhense

Deixando o sonho americano e voltando à polêmica aérea que se dá no Maranhão, a Coluna fez as contas e concluiu que para gastar o valor do avião do presidente eleito Donald Trump, com base nos R$ 6 milhões que pagou neste ano, o governador Flávio Dino e seu governo precisariam voar a mesma quantidade de horas durante 54 anos. Já a ex-governadora Roseana Sarney, levando em conta o custo da movimentação aérea do seu governo em 2014, R$ 15 milhões, precisaria de 21 um anos.

São Luís, 27 de Dezembro de 2016.

Flávio Dino caminha para a virada do ano ganhando todas, mesmo sendo alvo de duras e intensas investidas da Oposição

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Flávio Dino: não deu qualquer chance para a Oposição arranhar sua imagem e deu as cartas no parlamento

A Oposição fez um grande esforço para fechar o ano impondo arranhões danosos à imagem do governador Flávio Dino (PCdoB). Usou como tanque de guerra os projetos de lei que aumentaram seletivamente alíquotas do ICMS, transformando o plenário da Assembleia Legislativa num campo onde foram travadas batalhas animadas, com ataques duros ao Governo e ao governador, mas encontrando pela frente uma bem organizada muralha governista, que não fez nenhuma concessão e derrubou todas as tentativas oposicionistas de, pelo menos, modificar aspectos isolados dos projetos originais. A Oposição tentou convencer empresários e contribuintes a formar um grande movimento contrário às mudanças no ICMS em particular e ao Governo em geral, mas seus apelos não ecoaram e tiveram como resposta notas de protesto sem maior repercussão. No contrapeso, o governador Flávio Dino comemorou a garantia de reforço na receita de ICMS em 2017, e rebateu os ataques à sua imagem divulgando uma pesquisa do instituto Exata informando que sua popularidade é de 61%, percentual que nenhum integrante da atual safra de governadores da Federação alcançou até aqui.

No xadrez da política, Oposição e Governo fizeram suas partes. Ao longo do ano, oposicionistas que representam o Grupo Sarney – não existe na Assembleia Legislativa outro segmento de oposição – fizeram de tudo para, pelo menos, criar algum constrangimentos à situação. O núcleo básico contrário ao Governo, formado pelos deputados Adriano Sarney (PV), Edilázio Jr. (PV), Andrea Murad (PMDB), Souza Neto (PROS), Max Barros (PRB), César Pires (PEN) – os deputados Hemetério Weba (PV), Rigo Teles (PV), Nina Melo (PMDB), Antonio Pereira (DEM) e Roberto Costa (PMDB) são de oposição, mas numa linha pragmática – jogou todas as suas fichas na tentativa de criar embaraços à versão maranhense do comunismo. Perdeu todas diante dos contra-ataques governistas. Comandada pelos deputados Levi Pontes (PCdoB), líder do majoritário bloco governista, e Rogério Cafeteira (PSB), líder do Governo, a “maciça” governista impôs todas as orientações do Palácio dos Leões, deixando à minoria oposicionista apenas o direito de espernear.

Na política do Maranhão, ocorreu em 2016 o domínio implacável da maioria governista, como ocorre em qualquer estado ou País sob o império da democracia. O grupo agora na Oposição amarga o reverso de um longo período de hegemonia em que prevaleceu a vontade e a orientação dos seus líderes, notadamente Roseana Sarney, sem fazer qualquer tipo de concessão à Oposição. No jogo, o grupo hoje no poder vive as delicias de comandar, decidir e impor suas orientações, mas com o desafio permanente de convencer a opinião pública de que está fazendo o que julga certo e que o beneficiário dessas ações é o cidadão comum. Nada há de anormal nesse tabuleiro, mesmo ficando no ar a impressão de que não existe o necessário contrapeso – ele só não aparece mais porque sua força é mínima e não abala os pilares do grupo no poder.

O governador Flávio Dino tem todas as razões do mundo para dizer que o Governo está certo e que a Oposição está errada. Numa Federação em que a maioria dos 27 governadores encontra-se situada em seus palácios, imobilizada por falta de recursos, vários com servidores nas ruas cobrando salários atrasados, o mandatário maranhense caminha para fechar o ano com as contas em dia e com um programa de obras em andamento e uma situação fiscal invejável. Fruto de um processo que começou no Governo passado e que foi fortemente aprimorado pelo atual, o equilíbrio fiscal do Maranhão é, se não o melhor, um das cinco melhores do País, principalmente se comparado a gigantes como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, onde o quadro é de crise aguda, dramático.

Não surpreende que no plano doméstico o Governo tenha imposto sua hegemonia e esteja dando as cartas como lhe convém. A chiadeira da Oposição é justa e lícita, embora aqui e ali o grupo oposicionista cometa equívocos numa guerra em que todos os ventos lhe são desfavoráveis. Um exemplo foi a iniciativa de satanizar deputados que votaram a favor do ajuste do ICMS, como se eles estivessem cometendo um crime. No Rio de Janeiro, numa situação infinitamente pior, nenhum jornal estampou nas suas páginas a relação dos deputados que votaram a favor de medidas duras, cruéis mesmo, como se fossem criminosos. E o que é politicamente perigoso: rotular de heróis os que votaram contra. Os sinais do equívoco, nesse caso, não tardaram, e o primeiro deles foi que, passada uma semana da votação, o governador Flávio Dino continua com sua popularidade nas alturas – 61%, segundo o instituto Exata -, os deputados governistas não foram transformados em vilões nem molestados em público e os oposicionistas não foram festejados pelo voto contrário. E a opereta terminou quarta-feira, na Avenida Litorânea, com a realização de um ato contra o aumento seletivo de alíquotas do ICMS: reuniu exatas 14 pessoas.

Por mais que seus adversários queiram mostrar o contrário, dando à sua versão de comunismo uma pintura meio satânica, de viés quase macarthista, o governador Flávio Dino tem, mesmo sujeito a equívocos e derrapagens, tem se mostrado um governante lúcido, honesto, engajado, operante. E o que é mais importante: com os pés bem fincados no chão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Andrea Murad na festa de Roberto Rocha: deu o que falar
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Roberto Rocha e Andrea Murad: reunião festiva que gerou um fato político no estado

Governistas em geral torceram o nariz e alguns falaram muito mal. Oposicionistas, ao contrário, trataram de jogar querosene na fogueira, dando ao instante uma conotação de virada político. O episódio que causou tantas reações foi a presença da deputada estadual Andrea Murad (PMDB) na festa com que o senador Roberto Rocha (PSB) reuniu aliados, não aliados, amigos e jornalistas para a confraternização natalina. A descontração com que o senador socialista recebeu a deputada pemedebista chamou atenção dos observadores políticos, que lhe deram as mais diferentes interpretações. Uns se limitaram a reforçar o afastamento de Roberto Rocha do governador Flávio Dino (PCdoB), o que já é fato notório. Outros turbinaram a tese segundo a qual Roberto Rocha caminha para uma grande aliança com Grupo Sarney nas eleições de 2018.

Pode ter sido apenas um movimento da deputada Andrea Murad em atendimento a convite de um senador da República que já pertenceu ao Grupo Sarney e hoje tenta criar trilha própria. Pode ser também um passo isolado do ex-deputado Ricardo Murad que, derrotado nas suas bases, começa a se mexer em busca de um rumo. E, finalmente, pode ser a tendência no sentido de uma aliança do senador Roberto Rocha com o Grupo Sarney. Logo, logo se saberá o que significou, de fato, a presença da deputada Andrea Murad na festa de confraternização do senador Roberto Rocha.

Difícil de entender a crise em Viana

Incrível o que acontece em Viana, onde a Justiça, a pedido do Ministério Público, decidiu bloquear 60% de tudo o que cair nas contas da Prefeitura para garantir o pagamento dos servidores vianenses, em atraso há meses, além de outros problemas administrativos que serão deixados de herança para o prefeito que assumirá no dia 1º de janeiro de 2017. Impressiona o fato de que o responsável por tal situação seja o prefeito Chico Gomes (DEM), um político apontado como sério e que não teve sua conduta ética questionada em nenhum momento. Chico Gomes é um servidor público de larga experiência, acumulada sobretudo nos anos e anos que assessorou diretamente Roseana Sarney nos períodos em que ela foi a poderosa assessora especial da Presidência da República no governo do pai, e quando exerceu mandatos de deputada federal, governadora e senadora. Chico Gomes sempre foi uma referência para prefeitos, deputados, líderes diversos. Como deputado estadual, foi reconhecido como um político correto, meio turrão, mas dono de uma conduta respeitável. Não se sabe o que aconteceu com esse homem público no comando da Prefeitura de Viana, uma das cidades mais antigas e veneradas do Maranhão e cujo comando assumiu em 2013 como uma chama de esperança. Sua gestão foi fraca, segundo vianenses decepcionados, tanto que a população lhe negou a renovação do mandato em outubro. A chama se apagou, e o que se vê hoje, às véspera de passar o bastão, é um prefeito em fim de mandato às voltas com sérios problemas de gestão. Difícil de entender.

São Luís, 25 de Janeiro de 2016.