Imperatriz tem quadro de candidatos quase definido, mas pode haver polarização entre Assis Ramos e Marco Aurélio

 

Assis Ramos, Marco Aurélio, Ildon Marques, Sebastião Madeira, Mariana Carvalho e Daniel Fiim devem disputar em Imperatriz

A confirmação oficial da pré-candidatura do empresário e ex-prefeito Ildon Marques (Progressistas) praticamente fechou o quadro de pré-candidatos à Prefeitura de Imperatriz. São eles: o prefeito Assis Ramos (DEM), o deputado estadual Marco Aurélio (PCdoB), o próprio Ildon Marques (Progressistas), o ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB), a empresária Mariana Carvalho (PSC) e, provavelmente, o médico Daniel Fiim (MDB). Esse leque de pré-candidato sugere que a Princesa do Tocantins, hoje com seus mais de 235 mil habitantes, o que faz dela o segundo maior colégio eleitoral do estado, bem como o maior, mais rico e mais importante município do interior do Maranhão. Sua importância política e econômica, aliada à sua localização geográfica estratégica lhe dá grande dimensão geopolítica, e explica, em grande medida, a atenção que os principais partidos políticos estão dedicando aos preparativos para a corrida sucessória.

Todos esses ingredientes políticos, geopolíticos e econômicos indicam que a metrópole tocantina será palco de uma disputa dura, difícil, situação que revela alguns aspectos decisivos para esse clima. O primeiro é que todos os envolvidos na disputa sucessória enxergam na Prefeitura de Imperatriz um trampolim para saltos bem mais altos. Alguns acreditam que respaldado por uma boa gestão e com uma articulação política eficiente, o prefeito de Imperatriz pode chegar facilmente à Câmara Federal, ao senado da República e ao Governo do Estado. A história recente mostrou, no entanto, que, à exceção de Ribamar Fiquene, que foi senador temporário e governador por um ano, todos os demais prefeitos de Imperatriz foram severamente punidos nas urnas em eleições seguintes. Provavelmente porque não fizeram a lição de casa como deviam.

A julgar pelo que corre nos bastidores da política municipal, o prefeito Assis Ramos está jogando todo o seu poder de fogo para pleitear a reeleição, tendo como propósito dá passos políticos mais largos depois de 2024. Mas as evidências chagas a públicos até aqui sugerem, algumas de maneira enfática, que a situação do prefeito não é nada confortável, no que diz respeito aos prognósticos eleitorais. O seu contrapeso político mais ameaçador é o deputado Marco Aurélio, tanto pelo seu prestígio de ex-vereador e deputado estadual influente – é o líder do Bloco governista na Assembleia Legislativa -, quanto em matéria de suporte político, uma vez que o seu partido, o PCdoB, que terá o PDT e o PT como aliados, faz jogo duro para viabilizar a sua eleição, sob o forte argumento segundo o qual Imperatriz ganhará muito com u prefeito inteiramente alinhado ao Palácio dos Leões. E tudo indica que a disputa será polarizada entre o prefeito e o deputado.

Isso não significa menosprezar concorrentes como Ildon Marques e Sebastião Madeira, dois ex-prefeitos – cada um governou a cidade duas vezes – e políticos experientes, ambos detentores de grande prestígio no município. Mas é evidente que estão no jogo para testar os seus cacifes políticos e eleitorais, já que sofreram derrotas fragorosas em eleições recentes – nenhum dos dois conseguiu eleger-se deputado federal, por exemplo, recebendo votações raquíticas em Imperatriz. A disputa para a Prefeitura, porém, é diferenciada, mais passional, que envolve a todos diretamente. Nesse aspecto, Ildon Marques e Sebastião Madeira cão candidatos que não podem ser deixados de levar em conta.

Mariana Carvalho, que já tem a vaga de candidata garantida pelo presidente estadual do PSC, deputado federal Aluísio Mendes, e Daniel Fiim, que tem o aval da cúpula do MDB, são apostas para o futuro. Isso não quer dizer que eles estejam antecipadamente fora do páreo. Vale lembrar que ela foi muito bem votada na corrida à Assembleia Legislativa, enquanto ele teve desempenho razoável na sua tentativa de construir bases uma cadeira na Câmara Federal. São, portanto, nomes cuja movimentação merece atenção, pois afinal, são dois quadros jovens, com largas redes de relacionamento na cidade e podem transformar essa corrida numa fase de preparação para embates futuros.

Outros nomes poderão aparecer, mas dificilmente surgirá algum candidato com força política e cacife eleitoral suficiente para entrar de igual com os demais candidatos, notadamente o prefeito Assis Ramos e o deputado Marco Aurélio.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PT mantém dirigentes e Zé Inácio tem chance de ser candidato em São Luís

Zé Inácio fala na reunião da cúpula nacional do PT

O PT superou a crise interna que vinha se arrastando desde que não conseguiu concluir o processo de escolha dos novos dirigentes, iniciados em marco do ano passado e concluído em novembro. O impasse foi gerado, primeiro, porque o partido não teve condições de mobilizar filiados para votar nas chapas que concorriam às direções municipais e estadual, o que acabou gerando conflitos e denúncias de manipulação e até de fraude. Menos de 10% dos filiados do partido nos 217 municípios, inclusive em São Luís, foi às urnas com a confusão. Com a suspensão do processo de escolha, Lobato permaneceu temporariamente à frente do partido no estado, enquanto o vereador Honorato Fernandes se manteve à frente do diretório petista em São Luís.

O impasse, que se arrastava desde agosto do ano passado, com a crise alimentada pelo intenso confronto entre as correntes que formam o partido, foi resolvido na quinta-feira (12), durante reunião da Executiva Nacional. Ali, o representante maranhense na cúpula petista, deputado Zé Inácio, integrante da corrente “Unidade Petista por Lula Livre”, fez uma veemente defesa da permanência dos atuais dirigentes do partido no Maranhão, todos do mesmo grupo, obtendo da cúpula partidária sinal verde para Augusto Lobato permanecer à frente do PT no estado e Honorato Fernandes no comando da agremiação em São Luís.

Com a solução da crise de comando, o PT agora se volta para definir seu rumo nos 217 municípios, especialmente em São Luís e Imperatriz. Na Capital, o partido do ex-presidente Lula da Silva está entre participar da coligação em torno do candidato do PCdoB, deputado federal Rubens Júnior, juntamente com o Progressista, ou lançar candidato próprio à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). Na última hipótese, o nome mais forte é o do deputado Zé Inácio – o deputado federal Zé Carlos Araújo está fora do jogo -, que teve sua vantagem ampliada com a sua intervenção em Brasília em favor da cúpula partidária no estado. Os demais pré-candidatos, a professora Criscielle Muniz e o delegado Lawrence Melo, tudo indica, não terão qualquer chance se de a opção for pelo lançamento de candidato próprio. O deputado Zé Inácio é, de longe, o grande favorito na disputa interna.

 

Provável aliança DEM/PDT/MDB pode livrar Hildo Rocha de denúncia ao Conselho de Ética

Weverton Rocha pode denunciar Hildo Rocha por tentativa de agressão durante reunião da bancada

Tudo indica que o senador Weverton Rocha (PDT) levará o deputado federal Hildo Rocha (MDB) ao Conselho de Ética da Câmara Federal por conta do comportamento dele durante reunião da bancada federal, na semana passada, para tratar do destino dos recursos de R$ 30 milhões da Emenda. Em reunião tensa, realizada no gabinete do deputado federal André Fufuca (Progressistas), o deputado Hildo Rocha, mesmo sabendo que o assunto estava liquidado pela assinatura de 14 dos 18 deputados e dois dos três senadores, insistiu em não apoiar o acordo e a exigir sua fatia no bolo milionário. Diante do lembrete de que isso não seria possível, Hildo Rocha iniciou um bate-boca, que terminou com ele atirando um copo de vidro na direção do senador Weverton Rocha, que reagiu e os dois só não foram às vias de fato se os outros integrantes da bancada não o impedissem.

Weverton Rocha estaria determinado a denunciar Hildo Rocha, mas haveria em torno deles vozes lembrando que uma denúncia poderia prejudicar as articulações objetivando atrair o MDB para a candidatura do deputado estadual Neto Evangelista, a fim de participar de uma aliança com o DEM e o PDT. Se Hildo Rocha escapar da denúncia será por esse motivo, será um indicativo forte de que o MDB se unirá ao PDT na corrida em São Luís.

São Luís, 15 de Março de 2020.

ESPECIAL: Com sua voz forte e apurada, Rosa Reis fez de “Pajelança” um marco da música e da cultura popular do Maranhão

 

Capa de Pajelança, o disco de Rosa Reis que se transformou num clássico da MPM
Rosa Reis: artista de muito talento e sólida consciência cultural

Quando brindou o precioso acervo musical maranhense com o seu Pajelança, 23 anos atrás, Rosa Reis certamente sabia o que estava fazendo como cantora e militante cultural, mas provavelmente não tinha noção de que o seu canto e o seu disco extrapolariam as fronteiras do bom trabalho artístico para alcançar a condição de um dos marcos da Música Popular Maranhense (MPM). O disco a consolidou definitivamente como interprete, com sua voz forte, que mistura suavidade com firmeza, adaptando-se correta e perfeitamente ao reggae, ao afro-reggae, à canção pura e simples, ao samba chapado, à toada de diferentes sotaques, ao tambor de crioula e ao Cacuriá.

Rosa Reis vai dos graves aos agudos com facilidade, com potência e elasticidade vocais, para se aventurar em qualquer gênero e estilo, interpretando com a mesma facilidade tanto uma canção singela como uma toada forte. Mas o seu diferencial é o canto centrado, incisivo, suave ou agressivo quando o gênero, o ritmo e o poema exigem. Com esse arsenal de recursos, consegue dar a uma música personalidade própria, com a sua marca sonora, que é inconfundível, pois quem a ouve dificilmente esquece o que ouviu e facilmente a reconhece em outra audição. Na interpretação que dá a “Senzalas”, de Niceas Drumond e Cecílio Nena, por exemplo, Rosa Reis passa todo o sentimento contido em cada frase, dando ao belo reggae um tom de denúncia sem ranço. Em “Flor da pele”, de Zeca Baleiro, interpreta o sentido exato de cada frase, no tom melódico apropriado, sem mais nem menos. Com o mesmo talento, dá suavidade ao poema que César Teixeira musicou como um belo xote e batizou de “Estrela matutina”. Todas as faixas de Pajelança têm uma marca reconhecida e indelével da voz e da interpretação de Rosa Reis.

Com talento excepcional, alcançado pela educação vocálica recebida no Coral de São João e pela força expressiva lapidada no aprendizado da dramaturgia dos bailados da cultura popular resgatada pelo Laborarte, especialmente no viés da tradição afro, Rosa Reis dá sentido pleno às 14 faixas de Pajelança, dedicando a cada uma a medida melódica adequada, a dose rítmica certa e, principalmente, a força dramática de cada um desses poemas genialmente musicados por seus autores.

Dando expressão plena a preciosidades de César Teixeira, Josias Sobrinho, Joãozinho Ribeiro, Zeca Baleiro, Fauzi Baydoun, Escrete, Tião Carvalho, Tadeu de Obatalá, Niceas Drumond e Cecílio Nena e Dona Teté, Rosa Reis mostra toda a potência musical e discursiva do seu canto. Isso porque, demonstrando uma consciência cultural rara e absolutamente honesta, montou um disco que sintetiza sua visão e sua postura de afirmação superior diante de um mundo fortemente influenciado por uma modernidade confusa, que coloca em risco os nossos mais puros valores culturais, principalmente as manifestações de vertente popular. O disco é, portanto, resultado emblemático de um esforço nobre no sentido de valorizar o que o Maranhão tem de melhor em termos de música e expressão cultural.

Lançado a mais de duas décadas (1977), Pajelança é um desses vinhos musicais que parecem ganhar mais beleza quanto mais são ouvidos. Primeiro pela interpretação magistral e irretocável de Rosa Reis e segundo pela felicidade das faixas escolhidas, inteiramente identificadas com o cancioneiro maranhense. Tudo isso embalado por belos, perfeitos, coerentes e adequados arranjos elaborados por Jayr Torres e corretamente interpretados por uma banda competente formada basicamente pelo próprio Jayr Torres (guitarras, teclados, violão), Jonas Torres (contrabaixo), Arlindo Carvalho (percussão) e Moisés (bateria). E com algumas faixas enriquecidas coma participação especial de César Peixinho e Negreiros Xavier (pandeirões, pandeirinhos, tambor onça, matracas, etc.), Ed Santana, Jânio Padilha e Célio Muniz (metais), Mazé Veras, Salomão de Pádua e Regina (vocais), Francisco Pinheiro (clarinete) e de ninguém menos que o lendário mestre capoeirista Patinho, com o seu berimbau. A própria Rosa Reis dirigiu a execução da obra.

Pajelança é um clássico da MPM, extremamente atual e com vocação para se manter assim pelo resto dos tempos.

As faixas

1 – Jogando Caxangá é um afro-reggae de raiz de autoria de Tadeu de Obatalá, Bola de Brilhante e Carlos Gomes, que exalta a cultura afro a partir da tragédia iniciada nos navios negreiros vindos de Uganda. Rosa Reis interpreta essa faixa exibindo o peso da sua voz nas variações da melodia, alcançando ponto alto no refrão expressivo. Essa música exprime o viés afro da base cultural que embala a arte da cantora. Vale registrar o berimbau contagiante do saudoso Mestre Patinho.

2 – Carinho é fruto do que há de melhor no reggae cultivado por Fauzi Baydoun, de longe a maior expressão regueira do Maranhão. Na sua irretocável interpretação, Rosa Reis dá força à letra de Fauzi Baydoun indo dos graves aos agudos sem maior dificuldade, solfejando sem exageros, alimentando com esse cuidado o jogo de equilíbrio típico das suas interpretações. Faz de Carinho uma pedra para ouvir e, se for o caso, dançar agarradinho como manda o gênero.

3 – Flor da pele, pérola cultivada de Zeca Baleiro, ganha na interpretação de Rosa Reis uma carga dramática ímpar, que só a sua voz e o seu estilo são capazes de explorar. A cantora mostra essa força expressando sentimentos remexidos nas três partes do poema, no qual Zeca Baleiro consegue de fato provocar a sensibilidade dos inconformados e dominados pela paixão. É um dos pontos fortes do disco.

4 – Pajelança, que dá nome ao disco, é outra joia, esta em ritmo de soul, de Zeca Baleiro em parceria com Chico César e Tata Fernandes, na qual saem em busca de respostas e de identidades culturais. Rosa Reis dá a interpretação certa a cada verso, externando com clareza as inquietações contidas no poema. E o faz com voz centrada, firme, sem vacilação, tanto nas frases curtas, interrogativas, quanto nas extensões vocais. Dá um show.

5 – Cajapió é uma espécie de carimbó que lembra um baião estilizado, de autoria de Erivaldo Gomes. À essa faixa de oito versos, Rosa Reis dá uma interpretação simples e eficiente, abrindo a voz numa cadência irrepreensível.

6 – Estrela matutina é um singelo xote de autoria do mestre César Teixeira, na verdade um poema musicado, que guarda o refinamento das letras do autor, onde se encontram imagens do tipo “tu (estrela matutina) tens o doce brilho de um punhal na escuridão”. Rosa Reis alcança com exatidão e sem maiores esforços a paixão contida nos versos refinados de César Teixeira. Interpreta cada frase com o tom correto e a ênfase apropriada, dando ao xote a roupagem de uma canção de amor.

7 – Dançou é um reggae de Zeca Baleiro e Erivaldo Gomes, relatando encontros e desencontros passionais ao som do reggae. Rosa Reis mais uma vez mostra afinidade com o ritmo jamaicano, confirmando-se uma intérprete completa nessa seara. Encanta logo na abertura com um solfejo atraente, mantendo na sequência uma evolução contagiante, principalmente porque se mantém no agudo com firmeza. Uma bela exibição de potencial vocálico.

8 – Senzalas, o belo e contagiante reggae de Niceas Drumond e Cecílio Nena, pode ser encarado como o ponto alto do disco. Primeiro porque é uma pedra musical preciosa e bem lapidada, com discurso forte e variações sonoras contagiantes. Rosa Reis usa todos os seus recursos de voz para dar a dimensão exata a essa “pedra de responsa”, que reúne com perfeição um discurso forte e uma boa estrutura melódica. Chega ao ponto máximo quando diz, em primeira e segunda voz, que “o preto e o branco aflito e o bagaço de cana no litro faz a farra…” e logo em seguida dispara, com forte carga dramática, que “tem chicote na feira, chibata, e nem bom capoeira escapará traz amarras…” Uma interpretação magistral.

9 – Nós, o belo e forte samba chapado de Tião Carvalho, sucesso nacional na voz de Cássia Eller, ganha de Rosa Reis uma roupagem própria, perfeita, corretamente ritmada, com a ginga na medida certa.

10 – Boi do Anil e Cadê o Boi, duas toadas de peso saídas do rico balaio do genial Josias Sobrinho, às quais Rosa Reis dá interpretação especial. Na primeira, com sotaque de matraca, Rosa Reis canta como se estivesse declamando um poema-protesto escrito nos dias atuais. Na segunda, uma severa crítica política também muito atual em sotaque de zabumba, a cantora corresponde integralmente ao sentido da dura crítica política expressada na letra de Josias Sobrinho.

11 – Sentimento de tocador, uma bela toada de tambor de crioula de Escrete e José Raimundo Gonçalves, é interpretada por Rosa Reis sem maiores dificuldades. Ela consegue dar vazão aos bem construídos versos como se estivesse numa roda.

12 – Meu Baralho, um baralho de autoria do genial Joãozinho Ribeira, resgata um dos folguedos maranhenses. Rosa Reis interpreta a faixa com a cadência e alegria de uma manifestação de rua, dando a cada verso a graça que só uma intérprete com a seu talento e a sua consciência cultural pode dar.

13 – Cacuriá, cantiga de roda de domínio popular resgatada pela saudosa agitadora cultural Dona Teté. Rosa Reis brinca e dá vida a cada verso, num envolvimento de voz e alma, fazendo com que quem a ouve sinta a saudável pureza dessas cantigas.

14 – Rosa Reis fecha esse diamante da discografia maranhense com Boi de Piranha, uma toada-manifesto atualíssima em sotaque de matraca do mestre César Teixeira. Com a força da sua voz, com entonação perfeitamente encaixada em cada verso, ela convoca a todos para guarnicê lembrando que “pra vencer um batalhão tem de fincar o pé na terra com ferramenta na mão”, porque “aqui na terra quem não berra nada ganha”.

São Luís, 14 de Março de 2020.

Em Tempo: O registro sobre Pajelança, de Rosa Reis, é parte da pretensão do autor e editor da Coluna RepórterTempo de documentar impressões sobre discos fundamentais da Música Popular Maranhense. Já foram o publicados registros sobre Shopping Brazil, de César Teixeira (edição de 20/08/2026); Milhões de uns, de Joãozinho Ribeiro (edição 06/05/2017); Voos, de Fátima Passarinho (edição de 05/11/2017), e Apanhados geral, um, de Josias Sobrinho (edição de 20/04/2019). A partir de agora, esses registros serão publicados sempre no primeiro sábado de cada mês, ficando o próximo agendado para o dia 04/04/2020.

Brandão dá a volta por cima, turbina o Republicanos e estrutura base partidária para 2022

 

Carlos Brandão entre Ariston Ribeiro, Elizabeth Gonçalo, Cléber Verde e Daniella Tema à direita, e Duarte Júnior, Felipe dos Pneus e Fábio Macedo, em Brasília

O que até pouco tempo eram investidas tímidas, cautelosas, mas já com objetivos bem resolvidos, os movimentos partidários do vice-governador Carlos Brandão começam a ganhar ares bem mais fortes, tendo como evidência maior o súbito robustecimento do Republicanos (ex-PRB), capitaneado no Maranhão pelo ativo deputado federal Cléber Verde. Em menos de um mês, Carlos Brandão consumou articulações iniciadas no final do ano passado, turbinou a bancada do Republicanos na Assembleia Legislativa, formada até então pela presença solitária do deputado Zé Gentil, com nada menos que cinco deputados estaduais – Duarte Júnior. (ex-PCdoB), Daniella Tema (ex-DEM), Fábio Macedo (ex-PDT), Ariston Ribeiro (ex-Avante) e Felipe dos Pneus (ex-PRTB) –, com a possibilidade concreta da filiação, nos próximos dias, dos deputados Paulo Neto e Antônio Pereira, ambos do DEM. Não é pouca coisa, a julgar pela intensa movimentação dos partidos em busca de fortalecer suas fileiras às vésperas das eleições municipais e a dois anos da grande e decisiva peleja eleitoral de 2022, ambos chaves para o projeto, cada dia mais consistente, do vice-governador de chegar ao Palácio dos Leões.

O fortalecimento do Republicanos se deve a uma série de fatores, sendo o principal deles o projeto de poder do vice-governador Carlos Brandão, que ganha força com a habilidade com que vem se movimentando no movediço tabuleiro da sucessão estadual, e também pela sua reconhecida capacidade como organizador de partidos políticos. Esse talento veio à tona nas eleições municipais de 2016, quando, na condição de presidente do PSDB no estado, levou a sigla tucana ao segundo lugar em número de prefeitos eleitos, ganhando o comando de 29 municípios, à frente do PDT, que fez 28, só perdendo para o PCdoB, que sob o comando do hoje deputado federal Márcio Jerry e o aval do governador Flavio Dino, saiu das urnas com 46 prefeitos. Todo seu esforço para dar ao PSDB na segunda potência partidária do Maranhão, porém, foi por água abaixo com a investida do senador Roberto Rocha, que sem espaço no PSB, pelo qual fora eleito, articulou e retomou o comando do ninho dos tucanos no Maranhão.

Carlos Brandão sofreu um duro golpe ao perder o PSDB para Roberto Rocha, passando, de uma hora para outra, de chefe tucano influente à condição de “sem-legenda”. Foi sondado por várias agremiações, mas decidiu se filiar ao PRB, formando parceria forte e azeitada com o deputado federal Cléber Verde, considerado um dos mais competentes chefes partidários do Maranhão, tendo conseguido eleger 14 prefeitos em 2016, alcançando a quinta colocação naquele ranking, à frente, por exemplo, do PSB (13) e do PTB (7), partidos mais consolidados. Juntos, Carlos Brandão e Cléber Verde têm realizado um trabalho forte e bem-sucedido de articulação, o primeiro usando o prestígio que tem na classe política, com o reforço do projeto sucessório, e o segundo utilizando sua competência e larga experiência de articulador eficiente nessa complicada seara da política maranhense.

O vice-governador Carlos Brandão joga nesse campo com um objetivo claro: fazer com que o Republicanos saia das urnas de outubro com o maior número possível de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Sua ação é um contrapeso à intensa movimentação do senador Weverton Rocha, que tenta fortalecer o PDT para turbinar o seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões, e ao jogo pesado do deputado federal Josimar de Maranhãozinho para ingressar na seleta lista de pré-candidatos a governador. Ao contrário de Weverton Rocha e de Josimar de Maranhãozinho, que atuam de maneira exposta, Carlos Brandão articula discretamente, conversando muito, mas sem criar qualquer embaraço à sua condição de número 2 do Governo, a quem o governador Flávio Dino tem escalado para inúmeras missões mundo a fora em busca de recursos para o Maranhão.

Nos bastidores, já são muitos os políticos bem situados e os   jornalistas bem informados que já se movem pela certeza de que até aqui o vice-governador Carlos Brandão é a aposta do governador Flávio Dino para substituí-lo. E a construção de uma base com o fortalecimento do Republicanos é parte fundamental do processo de viabilização.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

DEM será o partido mais prejudicado com o fortalecimento do Republicanos

Neto Evangelistas e Andrea Rezende poderão ficar como únicos representantes do DEM na parlamento estadual

Além de fortalecer a posição do vice-governador Carlos Brandão, o crescimento do Republicanos vai resultar no drástico emagrecimento do DEM na Assembleia Legislativa. Com a saída da deputada Daniella Tema, e a se confirmar a desfiliação dos deputados Antônio Pereira e Paulo Neto, a bancada do DEM no parlamento estadual, que começou essa legislatura com cinco deputados e ficará reduzida a dois, a deputada Andrea Rezende e o deputado Neto Evangelista, este passando a correr o risco de perder força como pré-candidato a prefeito de São Luís. Com a investida forte do Republicanos, Avante e PRTB serão banidos da Assembleia Legislativa, por não terem mais representação, enquanto que PDT e PCdoB contabilizarão uma perda cada um, podendo a agremiação brizolista perder o deputado Glaubert Cutrim caso o seu irmão, deputado federal Gil Cutrim, também   deixar o partido, com a agravante de que os pedetistas deixarão de ter a maior bancada no Legislativo estadual.

 

Legislativo cria canal para cidadão participar do programa “Assembleia em Ação”

Qualquer cidadão poderá, a partir de agora, interagir com a Assembleia Legislativa por via virtual. É que o programa Assembleia em Ação criou um canal direto para permitir que a população se comunique com o parlamento estadual, com espaço para dar sugestões sobre temas a serem abordados medidas que dependem de decisão legislativa, fazer comentários sobre as edições do programa e tirar dúvidas sobre os objetivos do Assembleia em Ação. Para isso, basta acessar a plataforma  http://assembleiaemacao.al.ma.leg, no portal. Para acessar, basta clicar no banner localizado na parte superior da página oficial da Assembleia Legislativa e fazer um rápido cadastro, preenchendo todas as informações solicitadas. Após concluído o formulário, o canal de comunicação estará aberto à interação dos cidadãos com o Legislativo, conforme o projeto definido pela Diretoria de Comunicação da Assembleia Legislativa.

Para lembrar: o Programa Assembleia em Ação foi criado com o objetivo maior de aproximar a Assembleia Legislativa promovendo a troca de conhecimentos e experiências entre o Legislativo estadual e as Câmaras Municipais, e uma convivência maior e mais produtiva dos 42 deputados estaduais com os 2.320 vereadores que representam os 217 municípios maranhenses, da classe política em geral e da sociedade.

O projeto prevê a realização desses encontros em todas as regiões do estado, levando conhecimento, discutindo assuntos de interesse dos municípios e do Maranhão e dialogar com a população, sempre sob o comando do presidente da Assembleia, deputado Othelino Neto (PCdoB). O programa já passou pelos municípios de Balsas, Timon, Trizidela do Vale e Imperatriz, com participação significativa de parlamentares e lideranças políticas das regiões envolvidas. A quinta edição do evento será realizada em Itapecuru Mirim, no dia 20 deste mês, congregando representantes de 23 municípios das regiões do Baixo Itapecuru, do Munim e do Eixo Rodoferroviário. Assim como em todas as edições, os trabalhos contarão com palestras ministradas por especialistas da Casa sobre processo legislativo e eleições municipais de 2020. (Com informações da Assessoria da Assembleia Legislativa)

São Luís, 13 de Março de 2020.

 

Dino acerta ao criticar Bolsonaro por tentar colocar eleições de 2018 sob suspeita e de tratar do assunto nos EUA

Flávio Dino avalia que Jair Bolsonaro cometeu falta gravíssima ao levantar suspeita sobre eleição de 2018

De todas as críticas à acusação de fraude na eleição presidencial de 2018, colocando em xeque o sistema eletrônico de votação brasileiro, hoje referência para todo o mundo, feita terça-feira pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), durante visita aos EUA, uma das mais consistentes partiu do governador Flávio Dino (PCdoB), em entrevista, ontem, à Rádio FM A Tarde, de Salvador (BA). Com o lastro de ex-juiz federal e de político militante com várias eleições – vencidas e não vencidas – no currículo, o líder maranhense chamou a atenção para dois aspectos fundamentais da declaração presidencial. O primeiro é a acusação em si, feita sem qualquer fato suspeito ou qualquer evidência, portanto sem base mínima sequer para se considerar a possibilidade de uma denúncia formal à Justiça Eleitoral. E o segundo, o fato de a acusação – na verdade uma declaração requentada, que estava esquecida havia mais de um ano – ter sido feita em outro País, colocando em dúvida a seriedade institucional do Brasil, a começar pelo próprio mandato que ele exerce. Ao observar esses dois aspectos, Flávio Dino dimensiona com precisão o tamanho da irresponsabilidade institucional do presidente da República, uma vez que, somados, os esses dados tornam a declaração presidencial política e institucionalmente perigosa.

Sobre a acusação de fraude feita pelo presidente Jair Bolsonaro, que ganhou o mandato legitimado por nada menos que 55 milhões de votos, numa eleição de dois turnos, o governador Flávio Dino disse o seguinte: “É uma grave acusação, que deve vir seguida de provas e deve ser apurado pela Polícia Federal, porque, de duas uma: ou estamos diante de um fato gravíssimo, uma fraude eleitoral abrangendo a eleição presidencial, ou estamos diante de um outro fato gravíssimo, que é o presidente da República fazendo uma acusação falsa, destituída de elementos de prova”.

Traduzindo em miúdos, a fala do governador leva o cidadão a lembrar que num País democrático e institucionalmente sólido, o procurador geral da República não deve pensar duas vezes para interpelar imediatamente o presidente da República, para que ele apresente provas e formalize a denúncia, para que ela seja investigada pela Polícia Federal, sob pena de estar cometendo o gravíssimo crime de fazer uma acusação sem prova. A Constituição é clara: agente público, a começar pelo mais importante deles, o presidente da República, não pode mentir. No caso, o presidente Jair Bolsonaro, se corretamente interpelado pelo procurador da República, terá de apresentar provas concretas que embasaram sua acusação; do contrário, poderá de responder pelo crime de mentir.

Em relação ao local e às circunstâncias em que o presidente repetiu a acusação sem prova, o governador disse: “É um gravíssimo ataque (às instituições brasileiras). Na medida em que o chefe de Estado, visitando outro país, dirige essa crítica ao processo eleitoral e à Justiça Eleitoral, isso pode atingir o passado e o futuro. Isso é algo nunca visto, é inusitado. Ameaça a imagem brasileira na seara internacional, além de ter essa repercussão dramática sobre a essência do regime democrático, que é a certeza de que os votos são conferidos e apurados com legitimidade”.

De fato, ao dar sua declaração, mesmo falando a jornalistas brasileiros e, pelo que pôde ser facilmente observado, para seus seguidores nas redes sociais, o presidente do Brasil encontrava-se em visita aos EUA. A tradição, observada ao longo da História, determina que um chefe de Estado, quando no exterior, em visita formal, deve ater-se a uma pauta de assuntos de interesse nacional. Mesmo provocado para falar de assuntos em viagem, o chefe de Estado deve usar inteligência política e habilidade diplomática para conduzir situações assim sem cair nas ciladas de um temperamento imprevisível ou no terreno traiçoeiro da astúcia de jogar errado para uma rede de seguidores ignorando o que pensam uma maioria de milhões e milhões de cidadãos.

As declarações do governador Flávio Dino, além de críticas contundentes ao presidente Jair Bolsonaro, são manifestações forradas de consciência institucional e sensatez política, ferramentas que o chefe da Nação parece desconhecer.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PT depende do comando nacional para definir posição em São Luís

Honorato Fernandes, Zé Inácio, Criscielle Muniz e Lawrence Melo no ato de lançamento das três pré-candidaturas em São Luís

Não está descartada a possibilidade de o PT participar da corrida para a Prefeitura de São Luís com candidato próprio. Mas já está evidenciado que o movimento que lançou três pré-candidatos – o deputado estadual Zé Inácio, o delegado Lawrence Melo e a professora Criscielle Muniz -, feito em reunião do comando municipal do partido, não funcionou e já perdeu consistência. Das três pré-candidaturas, a única que continua fazendo sentido é a do deputado Zé Inácio, que tem os pés no chão e sabe que, mesmo tendo condições e estrutura para ter candidato próprio, o PT dificilmente entrará na briga sem o pleno aval da direção nacional, especialmente do ex-presidente Lula, que por sua vez é pouco provável que venha a se posicionar sem um entendimento com o Palácio dos Leões. As duas candidaturas sem lastro e já praticamente arquivadas surgiram como marcação de posição de grupos que medem força dentro do partido. Lawrence Melo é integrante do grupo liderado pelo atual presidente municipal do PT, vereador Honorato Fernandes, e Criscielle Muniz milita no grupo comandado pelo ex-vice-governador e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Washington Oliveira, que disputou o cargo em 2012. Sem uma orientação expressa do comando nacional, esses grupos dificilmente se entenderão.

O deputado Zé Inácio desembarca hoje em Brasília, onde conversará com o comando nacional em busca de um posicionamento em relação a São Luís, que pode ser o da candidatura própria, podendo ser ele o candidato de consenso, ou o de uma aliança com o PCdoB em torno da candidatura do deputado federal Rubens Júnior, que é, para muitos observadores, o caminho mais provável.

 

João Alberto vai a Imperatriz apaziguar o MDB e decidir sobre candidatura de Fiim

João Alberto vai acalmar ânimos no MDB de Imperatriz e tentar viabilizar a candidatura de Daniel Fiim (centro) a prefeito da Princesa do Tocantins 

O presidente do MDB, ex-senador João Alberto, desembarca em Imperatriz nas próximas horas. Vai comandar ali uma reunião da direção local do partido para apagar um incêndio e, recomposta a normalidade, definir como o MDB participará da eleição para a Prefeitura da Princesa do Tocantins. O que acirrou os ânimos foi a iniciativa do deputado federal Hildo Rocha de levar o médico Daniel Fiim para se filiar ao partido no gabinete do presidente Baleia Rossi, em Brasília. Só que nada combinou com o comando municipal, que tem à frente o respeitado ex-senador Antônio Leite. Os emedebistas graduados dizem nada ter contra a filiação e a eventual candidatura de Daniel Fiim, mas não admitem que sejam decididas por um deputado federal que não é da região e sem passar pelo crivo da Executiva municipal. E avisaram que sem um entendimento claro o projeto de candidatura poderá ser barrado pelo Diretório Municipal. João Alberto desembarcará em empunhando um extintor para apagar o incêndio e pacificar o MDB da antiga Vila do Frei. E dependendo da conversa, confirmar a candidatura de Daniel Fiim.

São Luís, 12 de Março de 2020.

Eliziane Gama se consolida como voz que rebate o discurso agressivo de Bolsonaro

 

Eliziane Gama: voz firme e considerada no rebate às agressões verbais do presidente Jair Bolsonaro

A maioria da bancada feminina no Senado da República faz Oposição ao Governo Central e suas integrantes disparam com frequência duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), não só por desacertos da sua gestão, mas também, e principalmente, por sua postura e declarações que comprometem seriamente a dignidade do cargo. Uma das vozes mais firmes desse grupo multipartidário é a senadora maranhense Eliziane Gama, líder da bancada do Cidadania, que atua fortemente como contrapeso à base governista na Câmara Alta. Política de visão jornalística, apurada no exercício da profissão de radialista, a senadora maranhense vem se destacando pela sua competência como parlamentar, com farta produção legislativa, aprimorada por dois bem exercidos mandatos de deputada estadual e um de deputada federal; pela sua coerência partidária como militante da esquerda moderada, e, finalmente, pela posição firme no rebate às declarações indecentes feitas pelo presidente em situações que exigem deles a postura de magistrado maior da República. Para ela, Jair Bolsonaro recorre a um “discurso abjeto” quando se dá conta da sua ignorância ou quando não encontra resposta para situações que o incomodam.

Ontem, por exemplo, diante da inexplicável declaração do presidente Jair Bolsonaro, numa entrevista nos EUA, repetindo a “suspeita” de que teria havido fraude na eleição presidencial de 2018, para prejudicá-lo. A declaração, feita sem qualquer motivo plausível, e num contexto de preocupação com o avanço do corona vírus e a crise econômica global que se desenha, além, é claro, da crise política que dificulta as reformas no Congresso nacional, causou perplexidade. Como sempre tem feito em situações como essa, Eliziane Gama reagiu com dureza: “Deslegitimar as eleições presidenciais de 2018, fazendo uma acusação grave, sem apresentar provas e sem levar os ‘fraudadores’ à justiça em meio a uma crise econômica, fiscal e política global é de uma irresponsabilidade sem tamanho. Essa verborragia é um grave problema”.

Essa postura da senadora maranhense foi adotada tão logo ela assumiu o mandato e recebeu a tarefa de liderar a bandada do seu partido. Durante os primeiros meses, ela comentou, criticou e rebateu todas as declarações controvertidas do presidente da República. Jogou pesado em julho passado, quando numa reunião ministerial foi flagrado atacando o governador Flávio Dino (PCdoB) e dando uma ordem ao então o ministro da Casa Civil, Onix Lorenzzoni – “Desses governadores de Paraíba, o pior é o do Maranhão. Tem que dar nada para esse cara”. Sua reação:  “Xenofobia. Absurdo, a ainda mais vindo do presidente da República. Como maranhense, como mãe nascida e criada no MA e como parlamentar eleita pelo meu Estado, não aceitarei de forma alguma que nosso Estado seja prejudicado por ´estultice ideológica`. É hora de o presidente descer do palanque, parar de gerar crises em série e governar o país”.

A senadora Eliziane Gama bateu forte ao criticar o destempero verbal com o presidente Jair Bolsonaro atacou a ex-presidente do Chile e atual Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michele Bachelet, que se posicionou sobre a situação dos direitos humanos no Brasil. Sem meios para atingi-la diretamente, Jair Bolsonaro defendeu e elogiou a sanguinária ditadura militar comandada pelo general Augusto Pinochet no Chile, durante a qual o pai de Michele Bachelet, militante de esquerda, foi assassinado e ela, presa e torturada. Eliziane Gama rebateu o presidente avaliando que ele não tem preparo para comandar o País: “Além de criar mais uma crise diplomática desnecessária, as declarações desumanas do presidente em relação ao pai da ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, são agressões a uma família. Atitude intolerável”.

Em meados de fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro, pressionado pela evolução da CPI das Fake News, onde foi revelado que a campanha dele pagou empresa para espalhar notícias falsas contra adversários nas redes sociais, aproveitou a declaração de um dos suspeitos de atuar nessa operação e atacou sem medida a jornalista Patrícia Campos Mello, do jornal Folha de S. Paulo, afirmando, de maneira tosca e desmedida: “Ela queria um furo. Ela queria dar um furo [pausa, pessoas riem] a qualquer preço contra mim”. Eliziane Gama reagiu indignada: “Agrediu de forma frontal todas as mulheres brasileiras e demonstrou falta de compostura”.

Incapaz de pronunciar um palavrão, a senadora Eliziane Gama rebate o inacreditável discurso do presidente Jair Bolsonaro com um arsenal verbal duro, mas civilizado, e com a segurança de quem sabe o que está falando, reafirmando uma dignidade pessoal e uma coerência política incomuns num cenário onde na maioria das situações os interesses e as conveniências falam mais alto.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Neto Evangelista se movimenta para atrair o apoio do MDB

Neto Evangelista mira o MDB

O deputado Neto Evangelista encontra-se em pleno movimento em busca de aliados para fortalecer a aliança que seu partido, o DEM, deve firmar com o PDT para embalar sua candidatura à prefeitura de São Luís. Num cenário em que os partidos de expressão estão praticamente todos posicionados, ele tem acenado fortemente na direção do MDB, que não tem candidato definido, já que a ex-governadora Roseana Sarney vem emitindo sinais luminosos de que não tem interesse nessa disputa. Nos bastidores, corre que já teria havido conversas preliminares com o deputado Roberto Costa, mas este, pelo menos publicamente, vem mantendo o discurso de aposta na candidatura da ex-governadora, já que ela ainda não declarou formalmente se será ou não candidata. Político inteligente e hábil, Neto Evangelista certamente já se movimenta com a certeza de que Roseana Sarney não será candidata e que o MDB não tem outro nome de expressão para fazer frente a pré-candidatos de peso como Eduardo Braide (Podemos), Rubens Júnior (PCdoB) e ele próprio. Há quem diga que existe, de fato, a possibilidade de o MDB formar um tripé com o PDT e o DEM em torno de Neto Evangelista, apontado como dono de forte potencial de crescimento. A migração do prefeito de Bacabal, Edvan Brandão, aliado de Roberto Costa, para o PDT, sugere que a aliança em São Luís é possível.

 

Wellington do Curso virou o jogo e ganhou a vaga de candidato do PSDB

Wellington do Curso

Os movimentos recentes do deputado Wellington do Curso indicam que ele finalmente conseguiu mesmo o indispensável aval do senador Roberto Rocha para levar em frente sua pré-candidatura pelo PSDB à Prefeitura de São Luís. Roberto Rocha tinha, de fato, outro plano para o PSDB na corrida sucessória na Capital: uma aliança com o Podemos em torno da candidatura do deputado federal Eduardo Braide. O plano condicionava a aliança à indicação do vice pelo PSDB, o que não foi possível. Outro fator levado em conta foi mesmo a boa posição de Wellington do Curso nas pesquisas feitas até aqui nas quais ele apareceu sempre como um dos cinco melhores colocados na preferência do eleitorado. Agora, o desafio do pré-candidato tucano é mostrar que tem gás para crescer contando com a megaestrutura partidária dos tucanos.

São Luís, 11 de Março de 2020.

Dino diz que em vez estimular ato contra Congresso e Supremo, Bolsonaro deve agir contra crise global

 

Flávio Dino defende “ações urgentes” do Governo Central para minimizar os efeitos da crise global 

Em meio ao impacto da crise econômica mundial causada pelo novo corona vírus e agravada ontem por medidas drásticas adotadas na Itália e por uma guerra entre Arábia Saudita e Rússia pelo mercado de petróleo, transformando a Segunda-Feira, 9 de Março, num dia de pânico no mercado financeiro internacional, com a queda drástica e dramática de bolsas de valores no mundo inteiro, o governador Flávio Dino (PCdoB), antevendo problemas fiscais e financeiro graves para a União, estados e municípios, propôs a adoção de “ações urgentes” por parte do Governo Federal. Para ele, tais ações devem ser adotadas imediatamente, contrariando o argumento do ministro da Economia, Paulo Guedes, avalizado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo o qual a resposta para a crise é a aprovação das reformas. E para demonstrar que tem consciência da situação e a convicção de que sabe o que está dizendo, anunciou: “Em face da gravidade do quadro econômico nacional, com consequências ainda imprevisíveis, determinei à equipe de Governo revisão de todo o planejamento de 2020. Precisamos de prudência em um momento de grandes incertezas”, anunciou.

Em face da inércia e da visão dominante no Governo Central,   Flávio Dino criticou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que em vez de procurar entender essa crise e adotar as medidas necessárias para proteger a já combalida economia do País, utiliza seu tempo e sua condição presidencial para estimular o ato dos seus partidários contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, previsto para o próximo domingo. “Por que, em um quadro de crise gravíssima, há quem aposte em mais confusão institucional? É golpismo ou é manobra para esconder incompetência? Ou as duas coisas? O Brasil precisa de paz, respeito à Constituição e ações governamentais efetivas”, assinalou o governador.

Flávio Dino concorda com a importância das reformas tributária e administrativa e com o Pacto Federativo, mas argumenta que há uma situação de urgência causada pela crise de saúde pública e econômica global. No seu entendimento, para evitar que o Brasil seja mais prejudicado do que certamente será, o Governo Central deve adotar medidas fortes, como aplicar recursos públicos em obras fundamentais, estimulando assim a circulação de capital e a geração de empregos.

O governador maranhense discorda frontalmente da postura do Governo Central de manter inflexível a linha liberal de cortar gastos. Ele defende o controle de gastos e o equilíbrio das contas públicas, mas advoga também por investimentos públicos, principalmente em momentos como esse, quando o investimento privado, que tem sempre o caráter especulativo, se recolhe por conta das incertezas que afetam o mundo inteiro, com prováveis consequências mais fortes em países em desenvolvimento, com economias fortes, mas muito dependente dos investimentos estrangeiros, como é o caso do Brasil, cujo crescimento é acanhado – produziu apenas um “pibinho” de 1% no ano passado, quando gigantes como a China crescem a taxas elevadas.

Na linha de economistas que não aprovam a política econômica liberal extremada, focada principalmente no corte de gastos e nas reformas, sem levar em contas a necessidade de investimentos sociais, o governador Flávio Dino avalia que o Brasil corre sério risco de agravar ainda mais a crise econômica interna se não agir urgentemente com ações que estimulem a economia nacional e amenizem os impactos da crise global que só tende a se agravar. Isso porque o agravamento tornará governos e mercados incapazes de prever o que está a caminho. Para o governador, diante da gravidade do quadro em evolução, não basta esperar a aprovação de reformas pelo Congresso Nacional. “Não há dúvida de que a reforma tributária e outras reformas são necessárias. Mas o dólar está chegando a R$ 5, a economia não cresce e o desemprego é gigante. Ações são urgentes. Não basta ficar esperando reformas”, alertou ontem, no twitter.

O governador Flávio Dino não é voz solitária na defesa de que nesse momento o Governo deve agir. Economistas importantes da nova geração, como a brasileira Mônica Debolle, respeitada principalmente nos EUA, onde é voz ativa no meio financeiro, têm o mesmo entendimento, enfatizando que manter a política de não investir e aguardar as reformar é um erro que pode custar muito caro ao País.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Frente parlamentar proposta por Daniella Tema é criada para combater feminicídio

Em cima: Daniella Tema homenageia Silvia Leite ao lado de Suzan Lucena, Ama Mendonça, Helena Duailibe e Viviane Fontenele. Embaixo: Líderes de movimentos de mulheres festejam a criação da Frente contra o feminicídio

A Assembleia Legislativa instalou ontem a Frente Parlamentar de Combate e Erradicação do Feminicídio. A Frente nasceu de proposição formulada pela deputada Daniella Tema (DEM), aprovada ainda no ano passado, que fechou com 57 casos de feminicídio no Maranhão, número considerado alarmante – neste ano já são 10 casos registrados até aqui. A instalação se deu em sessão solene presidida pela deputada Daniella Tema, com a presença da deputada Helena Duailibe (Solidariedade), procuradora da Mulher da Assembleia Legislativa, da deputada Mical Damasceno (PTB), e da deputada licenciada Ana Mendonça (PCdoB), atual secretária de Estado da Mulher, e de representantes de várias organizações de defesa e apoio à mulher, entre elas a ativista Silvia Leite, homenageada com a Medalha Manoel Beckman, a maior honraria do Legislativo maranhense.

Desde que chegou à Assembleia Legislativa, em fevereiro do ano passado, a deputada Daniella Tema tem se destacado por um discurso de forte viés social, com ênfase para a área de saúde, que conhece bem a partir da sua formação de nutricionista e sua experiência exitosa de diretora-geral do Hospital Regional de Presidente Dutra, que comandou por mais de três anos. Na mesma linha, tem tratado de temas delicados, entre eles os problemas ainda enfrentados pela mulher na sociedade atual, e nesse contexto, o feminicídio. No ano passado, diante do número crescente de assassinato de mulheres no Maranhão, tratou do assunto várias vezes na tribuna, criticou a presença forte do machismo na sociedade maranhense e defendeu a adoção de políticas de apoio à mulher, estimulando no sentido de que ela alcance a necessária igualdade de direitos.

A Frente Parlamentar de Combate e Erradicação do Feminicídio começou a ganhar forma no dia 11 de novembro de 2019, quando a deputada Daniella Tema encaminhou à Mesa Diretora da Assembleia projeto de resolução legislativa criando a organização parlamentar, que foi acatado pelo presidente Othelino Neto (PCdoB) e referendado unanimemente pelo plenário. E a julgar pela disposição de Daniella Tema, que vai presidi-la, a Frente Parlamentar de Combate e Erradicação do Feminicídio poderá se transformar de fato num instrumento efetivo de ação contra essa inaceitável chaga social.

 

Disputa em Matões será guerra política pesada entre os Coutinho e os Pereira

Gabriel Tenório e a festa da sua filiação ao PP com o apoio dos Pereira em Matões

Chamou a atenção o tamanho da festa que marcou a filiação de Gabriel Tenório ao Progressista para disputar a Prefeitura de Matões enfrentando o prefeito Ferdinando Coutinho (PSB). Ali desembarcaram ninguém menos que o presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PI), o presidente estadual da legenda, deputado federal André Fufuca, e o deputado federal licenciado Rubens Júnior, pré-candidato a prefeito de São Luís pelo PCdoB, e o prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicano), além de Rubens Pereira e Suely Pereira, ex-prefeitos do município. Os Pereira foram aliados do prefeito Ferdinando Coutinho enquanto o deputado Humberto Coutinho viveu. Com a sua morte, o Grupo Coutinho perdeu sua referência e começou a sofrer um processo de enfraquecimento, perdendo aliados em vários municípios. Após romperem com Ferdinando Coutinho, Rubens Pereira e Rubens Júnior lançaram a pré-candidatura de Suely Pereira, mas logo a retiraram diante das pesquisas que indicaram uma forte polarização entre Fernando Coutinho e Gabriel Tenório. Há quem diga que o desfecho daquela disputa é imprevisível.

Chama atenção também o fato de que a eleição em Matões – um pequeno município com pouco mais de 30 mil habitantes e situado o Leste maranhense, a quase 500 quilômetros de São Luís – será uma guerra que terá reflexos muito além das suas fronteiras. Por trás do prefeito Fernando Coutinho está o Grupo Coutinho, comandado pela deputada Cleide Coutinho (PDT), aliada de primeira hora do Palácio dos Leões. Embalando Gabriel Tenório está a família Pereira, também fortemente ligada aos Leões. Antes aliados incondicionais, os Coutinho e os Pereira viraram adversários figadais. Tanto que na cúpula do Grupo Coutinho há vozes convocando aliados a fazerem campanha contra Rubens Júnior em São Luís.

São Luís, 10 de Março de 2020.

Esquerda e direita devem travar embate duro na disputa pela Prefeitura de São Luís

 

A esquerda, representada por Rubens Júnior, Bira do Pindaré, Jeisael Marx, Carlos Madeira, Franklin Douglas e Saulo Arcangeli; a direita expressada por Eduardo Braide, Wellington do Curso, Adriano Sarney, Neto Evangelista e Detinha (abaixo); e o centro com Duarte Júnior e Yglésio Moisés vão se digladiar durante a campanha para a Prefeitura

Mesmo faltando ainda os nomes do PT – que pode ser e do deputado estadual Zé Inácio ou o delegado Lawrence Melo (?!) – e do MDB – que ainda aposta na ex-governadora Roseana Sarney -, o quadro de pré-candidatos a prefeito de São Luís está praticamente fechado, com um número de pretendentes de esquerda maior do que os da seara da direita. Pela esquerda estão definidos o deputado federal Rubens Júnior (PCdoB), o deputado federal Bira do Pindaré (PSB), o radialista Jeisael Marx (Rede), o ex-juiz federal Carlos Madeira (Solidariedade), o jornalista Franklin Douglas (PSOL) e o servidor público Saulo Arcangeli (PSTU), podendo esse campo abrigar ainda o pré-candidato do PT. Já o campo da direita conta com o deputado federal Eduardo Braide (Podemos), o deputado estadual Adriano Sarney (PV), o deputado estadual Wellington do Curso (PSDB) e o deputado estadual Neto Evangelista (DEM) e Detinha (PL), devendo o grupo ser incrementado com o candidato do MDB, especialmente se Roseana Sarney topar entrar na briga. Um território do centro abriga as pré-candidaturas dos deputados Duarte Júnior (Republicanos) e Yglésio Moisés (PROS).

Por mais claras que sejam as posições ideológicas dos pré-candidatos, a disputa pela Prefeitura de São Luís não deve destacar esse aspecto. Haverá, sim, pancadaria contra a gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) por parte dos candidatos da direita e do centro, e também da esquerda mais zangada, enquanto os esquerdistas mais afinados com a linha de ação do governador Flávio Dino (PCdoB) deverão confrontar as propostas da direita e, em alguns casos, defender o atual governo municipal. Os candidatos da direita, notadamente Eduardo Braide e Wellington do Curso, farão carga pesada contra o prefeito Edivaldo Holanda Júnior e o governador Flávio Dino, com o objetivo de estadualizar a disputa visando o confronto de 2022. Eduardo Braide quer ser prefeito e sonha ser governador, enquanto Wellington do Curso sonha ser prefeito, mas batalha mesmo é sua reeleição de deputado estadual. No campo da direita, a posição mais delicada será a do deputado Neto Evangelista (DEM), caso seja confirmada a aliança do seu partido com o PDT, porque ele terá de defender o prefeito Edivaldo Holanda Júnior de ataques de candidatos tanto da direita quanto da esquerda.

Se todos os atuais pré-candidatos forem confirmados, é provável que haja confrontação dentro dos dois campos. No campo da esquerda, alguns pré-candidatos poderão tentar crescer atirando em Rubens Júnior, a exemplo do que já fez Franklin Douglas, do PSOL, que usou rede social para disparar chumbo grosso contra o representante do PCdoB. E a julgar por campanhas anteriores, ninguém duvida de que Saulo Arcangeli, do PSTU, vai metralhar em todas as direções, alimentando a prática e o discurso do seu partido. Dificilmente Rubens Júnior partirá para o confronto com esses pré-candidatos, sendo quase certo que o eixo da sua campanha será propositivo, valorizando o embate direto com Eduardo Braide. O que não se sabe é até quando que ele ficará indiferente à pancadaria. Bira do Pindaré faz pré-campanha com o projeto “Pensar São Luís”, mas deve partir para o confronto direto com Eduardo Braide, podendo também confrontar Neto Evangelista e até mesmo candidatos da esquerda. E a julgar pela pré-campanha que vem fazendo, Jeisael Marx será crítico alvejando os dois campos.

 

Os dois pré-candidatos do centro, Duarte Júnior e Yglésio Moisés, dois políticos jovens, ousados e com grande potencial de crescimento, poderão confrontar os dois campos. Isso porque os dois – que já andam se engalfinhando nos bastidores – sabem que só terão chance de crescer se se destacarem no embate com os demais postulantes. Cada um a seu modo, os dois têm mostrado inclinação pelo confronto nos seus movimentos na Assembleia Legislativa, o que significa dizer que como candidatos a prefeito de São Luís vão jogar pesado contra os concorrentes, sejam da direita, principalmente Eduardo Braide, ou da esquerda, notadamente Rubens Júnior. Única mulher na disputa e situada à direita, Detinha ainda nada sinalizou sobre seu discurso de campanha.

O fato é que os pretendentes, tanto os de esquerda quanto os de direita, e junto com eles o prefeito Edivaldo Holanda Júnior, devem se preparar para o confronto, que será duro. Afinal, o que está em jogo não é somente um mandato de prefeito de São Luís, mas projetos de poder que vão muito além das fronteiras da Ilha de Upaon Açu.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Visita do vice Hamilton Mourão ao governador Flávio Dino foi bom exemplo de democracia

Hamilton Mourão mostrou-se muito satisfeito com a acolhida que teve por parte de Flávio Dino

A visita de trabalho que o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), fez ao Maranhão, quinta-feira (5), para apresentar ao governador Flávio Dino (PCdoB) as linhas gerais do plano de defesa e proteção da Amazônia, foi um exemplo cristalino de que dentro da seara institucional contrários podem conviver harmônica e civilizadamente, principalmente se a convivência for motivada por uma pauta de interesse comum, como foi o caso. O vice-presidente foi recebido pelo governador no Palácio dos Leões. Ali, apresentou o projeto que será submetido no próximo dia 25 ao Conselho da Amazônia, do qual o Hamilton Mourão é presidente.

Por conta da decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de não incluir os governadores da região na nova composição do Conselho da Amazônia, ato que gerou mal-estar, o governador Flávio Dino poderia perfeitamente politizar a situação e se recusar a receber o vice-presidente. Nada o impediria de fazê-lo. Poderia argumentar que nada teria a acrescentar ao plano definido pelo Governo da União, ao qual é politicamente opositor.

Sua maturidade política e visão institucional o aconselharam no sentido inverso: recebeu o vice-presidente com respeito institucional e cordialidade pessoal, com ele se reuniu no Palácio dos Leões, ouviu as informações sobre o plano, discutiu alguns pontos, ofereceu sugestões. A reunião de trabalho aconteceu em clima de completa descontração e com a seriedade devida. No final – as imagens mostram isso – o que se viu foi um vice-presidente satisfeito com a acolhida abraçar cordialmente o governador, numa demonstração cabal de que ambos fizeram sua parte dentro das regras.

E o que é mais importante: nem o vice-presidente Hamilton Mourão – um militar de direita com discurso liberal que é vice de um presidente de direita radical – nem o governador Flávio Dino – um político da esquerda democrática –  que faz oposição ao governo central – precisou abrir mão dos seus credos políticos e doutrinários para tratar do interesse público. Isso é democracia.

 

Eduardo Braide deve sair das fileiras do PSC ou do PSD

Aluísio Mendes ou Edilázio Júnior indicará vice de Eduardo Braide

A aliança do Podemos com o PSC em torno da candidatura de Eduardo Braide à Prefeitura de São Luís não surgiu às vésperas de ser consumada, há duas semanas. Nasceu quando, ainda no ano passado, Eduardo Braide deixou o PMN para ingressar no Podemos. Esse partido era controlado no Maranhão pelo deputado federal Aluísio Mendes. Na articulação, Aluísio Mendes decidiu repassar o Podemos a Eduardo Braide depois de ter negociado com o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, o seu ingresso nas fileiras do PSC, assumindo o seu controle no Maranhão. O parlamentar maranhense e o governador fluminense se deram tão bem que Wilson Witzel abalou-se do Rio de Janeiro para São Luís para prestigiar a filiação de Aluísio Mendes no partido. Quando definiram a mudança partidária, Eduardo Braide e Aluízio Mendes acertaram que o PSC indicaria o candidato a vice. Duas semanas atrás, quando o PSD, controlado no Maranhão pelo deputado federal Edilázio Júnior, declarou apoio a Eduardo Braide, especulou-se na blogosfera que o acordo garantiria a vice ao PSD, o que não é verdade. O vice de Eduardo Braide só não será indicado pelo PSC se Aluísio Mendes não quiser. Político pragmático e inteligente, Aluísio Mendes tem deixado claro que isso não será empecilho ao fortalecimento da candidatura de Eduardo Braide.

Mulheres

A Coluna rende suas homenagens a todas as Mulheres do mundo, especialmente Naná Corrêa, Maria da Graça Corrêa, Silvana Corrêa Mendes, Cibele Corrêa de Araújo Lima, Rebeca Corrêa Mendes, Micaela Corrêa Mendes, Alice Corrêa de Araújo Lima, Aurora de Souza Corrêa e Juliana Leite de Souza Corrêa.

São Luís, 08 de Março de 2020.

Othelino Neto destaca o papel crítico e fiscalizador do vereador e defende a pluralidade na política

 

Entre a deputada estadual Helena Duailibe, o vereador Saif Sobrinho e o prefeito de Edivan Brandão, Othelino Neto fala no encontro de vereadores em Bacabal,

“Precisamos ter consciência do nosso potencial para legislar, fiscalizar e discutir política, apesar das diferenças de pensamentos e opiniões. Essa pluralidade nos torna fundamentais para o funcionamento do Estado Democrático de Direito. Temos que entender que não precisamos pensar igual para conviver de forma harmônica dentro da política, respeitando uns aos outros”. Foram palavras pronunciadas pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), ontem, em Bacabal, durante, na abertura de um encontro de vereadores promovido pela União de Vereadores e Câmaras do Maranhão (UVCM) e que teve como pauta central o papel do Poder Legislativo na esfera municipal. Na sua fala, o presidente do Poder Legislativo foi além, exemplificando o poder de fogo do parlamento: “Quando o presidente da República exorbita dos seus poderes, o Congresso, por decreto, revoga decisões que considera abusivas. E essa repartição de poderes é fundamental para o equilíbrio do Brasil”.

O recado do chefe do Poder Legislativo aos vereadores foi direto, objetiva e, principalmente, oportuna. Primeiro porque foi dado num encontro de vereadores de todo o Maranhão num evento que objetiva prepará-los para as eleições de outubro, quando as Câmaras Municipal serão renovadas. Segundo porque os atuais vereadores tentarão renovar seus mandatos numa guerra eleitoral com regras novas e mais rígidas – os partidos não poderão coligar na disputa proporcional, por exemplo. E, finalmente, porque politicamente o País está vivendo uma situação de tensão, causada por uma divisão causada por uma postura de intolerância por parte dos que estão no poder central, que têm demonstrado incapacidade de conviver com contrários, e os vereadores precisam estar bem situados nesse cenário de embate.

Base do atual corpo institucional brasileiro, com a responsabilidade debater os problemas dos municípios, que afetam diretamente a vida da população, as Câmaras Municipais são também – ou pelo menos deveriam ser – o fórum básico do debate político nacional. Isso porque os vereadores são o principal elo da população com o Poder Público. Quando comprometidos com seu papel institucional e suas orientações partidárias, reúnem grande poder de fogo. Principalmente se atuarem em grupo, com sentido de bancada e articulados com deputados estaduais, deputados federais e senadores, formando a saudável cadeia que dá, de fato, sentido aos partidos políticos, como acontece nas democracias mais ajustadas. Do ponto de vista estritamente político, invocando aí o viés eleitoral, são também a base da cadeia, com importância vital para candidatos proporcionais e majoritários. Infelizmente, a grande maioria dos vereadores, mesmo politicamente ativos e envolvidos, ainda não exercem esse papel como deveriam.

A fala do presidente da Assembleia Legislativa valorizou sobremaneira o evento de Bacabal, que reuniu vereadores das mais diferentes regiões do Maranhão. O deputado Othelino Neto falou com a autoridade de quem conhece profundamente essa relação e com a experiência de quem comanda uma instituição que está no epicentro da grade institucional do País, o que lhe permite conviver permanentemente com as duas pontas: prefeitos e governador e vereadores e deputados federais e senadores. Isso e mais a atuação recente como presidente do ParlaNordeste, uma entidade que reúne presidentes de Assembleias Legislativas da região, experiência que consolidou mais ainda a sua visão política. Isso significa dizer que ele sabe exatamente o que diz quando defende o embate político civilizado, com alternância e sem ruptura, dentro, portanto, das regras.

O Encontro de Vereadores e Vereadoras do Maranhão aconteceu num momento político importante e foi valorizado pelo discurso do presidente da Assembleia Legislativa sobre o papel político e institucional da vereança e pela palestra do presidente da UVCM, vereador Saif Sobrinho (PSD), de São Pedro dos Crentes, que apresentou aos colegas as regras que nortearão as eleições de outubro, às quais os atuais vereadores tentarão renovar seus mandatos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Rocha mantém Wellington do Curso na corrida à Prefeitura de São Luís

Wellington do Curso ganha força de Roberto Rocha para continuar pré-candidato a prefeito

Não houve, por parte do senador Roberto Rocha, presidente do partido, uma declaração explícita, taxativa, indiscutível confirmando a irreversibilidade da pré-candidatura do deputado Wellington do Curso à Prefeitura de São Luís pelo PSDB. Mas a imagem dos dois em Brasília e a mensagem em rede social foram fortes indicativos de que, depois de um longo período de incerteza, Wellington do Curso finalmente venceu as lareiras do ninho e conseguiu se consolidar como pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Luís. Na mensagem, Roberto Rocha refere-se a Wellington como “meu companheiro e amigo, nosso pré-candidato a prefeito de São Luís”, ratificando uma situação que já existe e que foi criada por Wellington do Curso, por sua conta e risco, sem o aval formal do comando partidário. Político que sempre articula em várias frentes, o senador Roberto Rocha não desautorizou a pré-candidatura de Wellington do Curso, mas também não lhe deu aval explícito. A manifestação de ontem foi uma indicação de que o partido vai apoiá-lo aliviou as tensões e confirmou a participação do deputado Wellington dos Curso na corrida à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT).

 

Secretários deixarão cargos para disputar vagas na Câmara

Ivaldo Rodrigues, Canindé Barros, Nonato Chocolate, Marlon Botão e Rommeo Amin deixarão secretarias

Os secretários municipais Ivaldo Rodrigues (Agricultura, Pesca e Abastecimento), que já é vereador pelo PDT; Rommeo Amin (Esporte), também pertencente ao PDT; Marlon Botão (Cultura), do PT; Nonato Chocolate (Relações Institucionais), também do PT, e Canindé Barros (Trânsito e Transporte), todos quadros importantes da equipe do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), deixarão os cargos para concorrer a vagas na Câmara Municipal de São Luís. A informação partiu do próprio prefeito, ontem.

Um dos nomes mais destacados do PDT em São Luís, por ser dono de uma rica trajetória de militância iniciada no movimento estudantil na histórica Greve de 79, e como quadro forjado sob a orientação de Jackson Lago, Ivaldo Rodrigues buscará a reeleição; Rommeo Amin (que tem DNA político forte), Nonato Chocolate e Marlon Botão, ambos criados na ativa militância do PT, e Canindé Barros, muito conhecido pela competência de especialista em engenharia da mobilidade urbana, terão participação importante na dura disputa pela edilidade da Capital.

São Luís, 07 de Março de 2020.

Janela e migração são a confirmação de que, salvo exceções, partidos nacionais não têm consistência

 

Gil Cutrim, Duarte Júnior e Yglésio Moisés: guinadas partidárias sem preocupação com ideologia

A abertura da janela partidária, que permite que deputados estaduais e federais e vereadores troquem de partido sem correr risco de perder o mandato, é mais uma manifestação cabal de que o Brasil, mesmo estando sob uma democracia formal, está longe ser uma democracia política plena, na qual partidos movem a sociedade com o embate de ideias. A iminente migração do deputado federal Gil Cutrim do PDT, um partido de centro-esquerda, para o PSL, agremiação de direita integral, é um exemplo demonstrativo de que, salvo poucos casos, partido político no Brasil continua sendo apenas e tão somente legenda destinada a abrigar políticos de acordo com as suas conveniências. As agremiações não levadas em conta por suas ideologias – concepções que norteiam ações políticas -, doutrinas – métodos que movimentam essas ações – e programas – conjunto de metas e objetivos a serem alcançados. Correm rumores de que pelo menos meia dúzia de parlamentares podem migrar partidariamente.

O tabuleiro político-partidário do Maranhão é fértil nessa contradição. O caso do deputado federal Gil Cutrim ilustra bem essa realidade. Ele era do MDB, um partido de centro, com ramificações à direita e à esquerda, migrou para o PDT, que tem base ideológica de centro-esquerda, e agora caminha para abrigar-se no PSL, exemplo acabado da direita liberal. Um caso revelador de que o deputado federal, um jovem advogado que já foi prefeito de São José de Ribamar, não tem consistência ideológica, o que tornou sempre complicada sua permanência no PDT.

Outros exemplos recentes de migração surpreenderam. O deputado estadual Duarte Júnior, advogado esclarecido, deu uma guinada para a direita: deixou PCdoB, um partido de esquerda, ramificações à esquerda radical e ao centro-esquerda, para se filiar ao Republicanos, uma agremiação de direita liberal, que teve como ícone o mega-industrial mineiro José Alencar, vice-presidente no Governo de Lula da Silva (PT), e que no Maranhão é comandado pelo deputado federal Cléber Verde, tendo como referência o vice-governador Carlos Brandão. Nesta semana, o deputado Fábio Macedo deixou o PDT, pelo qual se elegeu em 2014 e se reelegeu em 2018, devendo, segundo rumores, bandear-se para a direita também ingressando no Republicanos. Esses casos dão-nos a impressão de que esses parlamentares estavam nos partidos errados e encontraram seus ambientes partidários.

Essa contradição tem longa história no Maranhão. Nos anos 90 do século passado, o mundo político foi surpreendido pela filiação do então ex-deputado Ricardo Murad, um político nitidamente de direita liberal, ao PSB. Também no PSB maranhense desembarcou, já neste século, o então deputado federal Roberto Rocha, que na pele de socialista militante, elegeu-se vice-prefeito de São Luís em 2012 e senador da República em 2014, tendo deixado o partido para retornar ao PSDB. Atualmente, rumores especulam que ele poderá ingressar no Aliança Brasil, agremiação bolsonarista em construção. Nenhum observador da política maranhense entendeu até hoje a filiação do delegado da Polícia Federal Raimundo Cutrim ao PCdoB por mais de seis anos – se elegeu em 2006 pelo PFL, se reelegeu em 2010 pelo DEM, passou uma chuva no PSD e finalmente desembarcou no PCdoB em 2013, após romper com o Grupo Sarney. Também surpreendente a migração do deputado Carlinhos Florêncio, um empresário e fazendeiro que se elegeu duas vezes deputado estadual pelo PHS e mudou para o PCdoB, com o qual não tem identidade ideológica.

Outros migrantes partidários estão saindo da direita para abrigar-se na esquerda. É o caso, por exemplo, do deputado Ricardo Rios, que se elegeu em 2014 pelo PEN, migrou depois para o Solidariedade e finalmente desembarcou no PDT, pelo qual se reelegeu em 2018. Ao mesmo tempo, alguns trocam de partido, mas se mantêm no mesmo campo ideológico. Dois exemplos: o radical de esquerda Marcos, que disputou o Governo do Estado várias vezes pelo PSTU, mudou para o PCdoB, enquanto o deputado federal Carlos Braide trocou o PMN pelo Podemos, permanecendo exatamente no mesmo campo, já que as duas siglas são quase que irmãs-siamesas no campo da direita liberal.

Ao confirmar que está deixando o PDT para ingressar no PSL – partido de direita que abrigou o presidente Jair Bolsonaro e agora está rompido com a ala bolsonarista -, o deputado federal Gil Cutrim diz que vai para “somar”. Talvez encontre lá a identidade partidária que não encontrou no PDT.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton Rocha e Neto Evangelista se movem para viabilizar aliança PDT/DEM

Weverton Rocha e Neto Evangelista: cuidando para viabilizar a aliança PDT/DEM

O senador Weverton Rocha e o deputado estadual Neto Evangelista estariam iniciando articulações efetivas e decisivas para amarrar a aliança do PDT com o DEM para disputar a Prefeitura de São Luís. O presidente do PDT enfrenta no momento uma forte turbulência interna por conta da saída de vários deputados do partido, que será fortemente esvaziado no período da janela partidária. Enquanto isso, o deputado Neto Evangelista cuida de viabilizar o seu projeto, enfrentando também o mal-estar de ver seu partido ameaçado de encolher com as migrações previstas para o período da janela partidária. Ninguém duvida de que, mesmo que os dois partidos sejam esvaziados pela janela partidários, como indicam os rumores, uma aliança PDT/DEM em São Luís, tendo o deputado Neto Evangelista como candidato a prefeito com um vice pedetista, é um projeto, que tem condições de nortear a corrida ao Palácio de la Ravardière.

 

Lançado com festa pelo Solidariedade, Carlos Madeira se mantém em estado inercial

Carlos Madeira: pré-campanha ainda em estado inercial

Inicialmente visto como um projeto promissor, a pré-candidatura do ex-juiz federal Carlos Madeira a prefeito de São Luís pelo Solidariedade estaria presa num perigoso estado inercial. O partido abriu mão de nomes potencialmente fortes como Duarte Júnior, que bateu às suas portas, mas foi descartado, o mesmo acontecendo com Yglésio Moisés, que tentou ingressar na agremiação, mas também foi gentilmente despachado. O comando do Solidariedade apostou todas as suas fichas na candidatura do ex-magistrado, mas começa a se dar conta de que ambos podem ter cometido um monumental erro de avaliação. O sintoma mais claro de que as coisas não andam bem na pré-campanha de Carlos Madeiras foi a entusiasmada presença da deputada estadual Helena Duailibe no ato em que o PP anunciou apoio à pré-candidatura do deputado federal Rubens Júnior (PCdoB), evidenciando defecção na base do SD na Capital. Dentro e fora do partido correm avaliações segundo as quais Carlos Madeira dificilmente terá condições de enfrentar, de igual para igual, Eduard Braide (Podemos), Rubens Júnior (PCdoB), Duarte Júnior (Republicanos) e Neto Evangelista (DEM).

São Luís, 06 de Março de 2020.

Crise em Paço do Lumiar tem de ser resolvida com respeito às regras e boa negociação política

 

Junto com Núbia Dutra, Domingos Dutra chega à Prefeitura de Paço do Lumiar

Inacreditável, sob todos os aspectos, a grave e danosa situação político-administrativa por que passa o município de Paço do Lumiar, um dos dez mais importantes do Maranhão e parte essencial da Ilha de Upaon Açu e da Região Metropolitana de São Luís. Ali, como numa opereta surreal, o prefeito Domingos Dutra (PCdoB), um dos gigantes da política maranhense, afastado no ano passado após ser gravemente afetado por um AVC, tenta reassumir incentivado por sua mulher, a ativa e controvertida advogada Núbia Dutra, sob o protesto zoadento e inadequado de dois filhos e a discutível resistência da prefeita interina Paula da Pindoba, insuflada por partidários que sentiram o gosto do poder e se mostram dispostos a tudo para não perdê-lo. A medição de forças paralisou a máquina administrativa municipal, que atende a mais de 120 mil habitantes e já começa a afetar os serviços essenciais, como saúde, educação e limpeza pública, por exemplo, exatamente porque os seus operadores não sabem quem está de fato à frente da administração municipal. Para voltar ao comando pleno da Prefeitura de Paço do Lumiar, o prefeito Domingos Dutra precisa do aval da Câmara Municipal.

No lastro de uma vida dedicada às lutas populares, Domingos Dutra voltou à Prefeitura na segunda-feira, após vários meses lutando pela vida em hospitais de São Luís de São Paulo. Retornou a Paço do Lumiar a no início do ano, mas com evidências de que ainda não está plenamente recuperado. Na ida à Prefeitura para reassumir neste dia 02, Domingos Dutra se movimentou normalmente, aparentando bom estado de saúde física, mas estranhamente foi totalmente contido na sua principal característica: a fala. Acompanhado pela primeira-dama Núbia Dutra, o prefeito de Paço do Lumiar distribuiu sorrisos e fez alguns acenos. Ao chegar ao gabinete, teria assinado uma série de atos previamente preparados demitindo todos os secretários e assessores nomeados pela prefeita temporária Paula da Pindoba. Ela, por sua vez, reagiu mandando ao Banco do Brasil ofício proibindo o acesso do prefeito titular Domingos Dutra às contas da Prefeitura até que ele seja devidamente reinvestido no cargo pela Câmara Municipal, que por seu turno teria solicitado à Justiça que Domingos Dutra seja submetido a uma perícia médica que identifique o real estado da sua saúde física e mental. Os movimentos remetem para uma situação de impasse.

Em meio a esse estado de crise envolvendo a Prefeitura de Paço do Lumiar, a população, grande parte dela insuflada por interessados políticos, se inflama, agudizando uma situação de tensão cujo desfecho é imprevisível se uma ampla negociação política para evitar o pior não for feita rapidamente. Domingos Dutra é o prefeito titular e estaria em condições de reassumir, apesar de exibir alguns traços de não estar plenamente recuperado. Paula da Pindoba é a vice que assumiu na interinidade com a obrigação de devolver o cargo tão logo o prefeito manifestasse a intenção de reassumir, independentemente de estar plenamente saudável ou não, pois, ao que parece, não cabe à prefeita interina fazer esse juízo e decidir se devolve ou não o cargo ao titular. Ela não foi eleita com essa prerrogativa, e nesse jogo as regras são claras, e os limites, também. Cabe à Câmara Municipal procurar os mecanismos constitucionais e colocar as coisas em ordem.

Mais que um imbróglio causado pela saúde precária do prefeito Domingos Dutra, a crise político-administrativa que ameaça infernizar Paço do Lumiar tem forte vertente de uma luta pelo poder, que nesse município ocorre, via de regra, fora das regras. E antes que sua gravidade aumente, é necessário que a boa negociação política ocorra no município.  Alguém com credibilidade pessoal e autoridade política – o governador Flávio Dino (PCdoB), o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) ou o presidente estadual do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, por exemplo – precisa entrar no circuito, e pela via de uma articulação coerente, madura e equilibrada, consiga evitar o agravamento do imbróglio.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Entregues mais 18 ambulâncias compradas com economia da Assembleia Legislativa

Em ima: o governador Flávio Dino, deputados. prefeitos e ambulância em frente ao Palpacio dos Leões. Embaixo: Flávio Dino e Othelino neto entregam ambulância ao prefeito de Vargem Grande, José Carlos Barros (chapéu)

Entregues ontem as 18 ambulâncias restantes das 42 compradas com recursos economizados pela Assembleia Legislativa, no valor de R$ 6,6 milhões. O ato de entrega ocorreu no Palácio dos Leões, comandado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) e pelo presidente do Poder Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB). As 42 ambulâncias – equipadas com maca, prancha, umidificador, cadeira de rodas, cilindro, balão de transporte para oxigênio, entre outros suportes para atendimento de emergência – foram adquiridas ao custo de R$ 157 mil cada uma e distribuídas para 42 municípios indicados pelos deputados.

Entre as de ontem, foram entregues a de Vargem Grande, destinada pelo presidente Othelino Neto, que no ato declarou: “A entrega dessas ambulâncias é um momento marcante e histórico para o Maranhão. É uma forma pragmática e objetiva de nós, deputados estaduais, além do que fazemos no nosso dia a dia, cumprindo com o nosso dever constitucional, colaborarmos com a saúde pública do estado”.

Participaram o vice-governador Carlos Brandão e os deputados Glaubert Cutrim (PDT), Mical Damasceno (PTB), Zito Rolim (PDT), Cleide Coutinho (PDT), Roberto Costa (MDB), Rafael Leitoa (PDT), Leonardo Sá (PL), Vinícius Louro (PL), Zé Gentil (Republicanos) e Hélio Soares (PL).

Inovador, o projeto idealizado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto, alcança dois objetivos. O primeiro é a racionalização dos gastos, que resulta em economia expressiva de recursos, e o segundo a aquisição de ambulâncias, um equipamento da maior importância no serviço de saúde dos municípios.

 

Eduardo Braide já conta com quatro partidos

Eduardo Braide recebe o apoio do PSC, liderado no MA por Aluísio Mendes

Na edição de terça-feira (03), a Coluna cometeu um erro de informação em relação à base partidária que dá sustentação à pré-candidatura do deputado federal Eduardo Braide à Prefeitura de São Luís. Informou que, além do seu partido, o Podemos, o parlamentar contaria apenas com o PSC, comandado no Maranhão pelo deputado federal Aluísio Mendes. Na verdade, Eduardo Braide já conta também com mais dois partidos, o PSD, que tem o deputado Edilázio Júnior como chefe maior no estado, e com o PMN, que já foi comandado pelo próprio pré-candidato e hoje é presidido pelo irmão dele, Fernando Braide.

Assim, ao contrário do que foi divulgado pela Coluna, Eduardo Braide já conta com uma aliança formada por quatro partidos. Sua pré-candidatura está, portanto, lastreada por partidos de centro-direita, que formam a base do Centrão na Câmara Federal. Podemos, PSC e PSD são agremiações de peso no Centrão. O Podemos tem como figura central o senador paranaense Álvaro Dias, enquanto o PSC é atualmente controlado pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzer – que tem projeto de candidatura a presidente da República –, e o PSD é nacionalmente controlado pelo ex-prefeito de São Paulo. Gilberto Kassab. O PMN é um zero à esquerda no contexto partidário: seu púnico deputado federal era o próprio Eduardo Braide, que ao trocá-lo pelo Podemos o empurrou de vez para o limbo partidário brasileiro.

São Luís, 04 de Março de 2020.