Arquivos mensais: agosto 2016

João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha decidem mandar Dilma para casa e legitimar Temer na Presidência da República

 

trio setatorial
João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha votam contra Dilma Rousseff por motivos diferentes

 

A menos que haja uma reviravolta espetacular, que não está prevista no roteiro da mais controvertida processo político deste século até aqui, os senadores João Alberto (PMDB), Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSB) votarão pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), na histórica sessão do Senado da República marcada para o final da manhã desta quarta-feira. São votos com motivações rigorosamente diferentes, mas que na perspectiva das relações políticas, têm lastro para serem justificados, por mais polêmicos que possam ser os argumentos. Na frase de um senador que migrou do campo da presidente afastada Dilma Rousseff para a seara do presidente interino Michel Temer (PMDB), “a hora é a de aguçar o instinto de sobrevivência e não de posar de herói de causa perdida”. João Alberto e Edison Lobão são políticos de larga experiência, passados “na casca do alho”, não estão dispostos a “morrer na praia” nem dar tiro no pé se posicionando do lado derrotado. Roberto Rocha, por sua vez, é um dos políticos mais atuantes e bem sucedidos da sua geração, por isso não está disposto em dar passos que não se traduzam em aumento de poder político.

O senador João Alberto não simpatiza com o impeachment. Ele deixou isso claro nas primeiras decisões do Senado em relação ao processo. Preferia um grande acordo nacional que abrisse caminho para a realização de eleições para presidente da República. Arquitetou um espaço no qual pudesse permanecer no PMDB mantendo sua posição. Só que o processo avançou, ganhou corpo, tendo o PMDB assumido o poder via Michel Temer, levando todo o partido – com raríssimas exceções, entre elas o senador paranaense Roberto Requião – a firmar posição pela destituição da presidente. Presidente do PMDB no Maranhão, membro da Executiva Nacional do partido e figura destacada de um grupo – liderado pelo ex-presidente José Sarney -, que rompeu com o PT e trabalha ferozmente para consumar o impeachment e legitimar Michel Temer no comando do País. Diante desses fatores de pressão, somados aos apelos do próprio presidente interino Michel Temer, o senador João Alberto foi colocado diante de dois caminhos: votar contra o impeachment e enfrentar retaliações do seu partido, ou votar a favor do impeachment e seguir a vida em paz com seu partido e com o novo governo. Preferiu a segunda opção.

O senador Edison Lobão, em princípio, estaria moralmente obrigado a votar a contra o impeachment, pois foi ministro de Minas e Energia no primeiro e em parte do segundo mandato da presidente. Mas Lobão não foi uma escolha arbitrária de Lula ou de Dilma para aquele Ministério, um dos mais importantes e influentes da esplanada. O senador foi indicado pelo PMDB para ser um dos seus representantes na equipe de governo, de acordo com as linhas mestras da aliança partidária que saíra vitoriosa das urnas. Lobão já estava distanciado da presidente Dilma desde a campanha eleitoral de 2014, quando avaliou que ela própria e os líderes do PT não deram a importância que ele esperava à candidatura do suplente de senador Lobão Filho ao Governo do Estado, emitindo muitos sinais de que o Palácio do Planalto tinha preferência pela eleição de Flávio Dino (PCdoB). Quando a presidente foi afastada, Lobão passou a ser um dos interlocutor frequentes do presidente interino Michel Temer, tendo, porém, o cuidado de se movimentar discretamente. Em todas as votações sobre o impeachment no Senado, o ex-ministro votou favorável ao andamento do processo. A menos que tenha havido uma reviravolta espetacular durante a noite, Lobão vota pelo impeachment.

Até ontem, pairava uma tênue nuvem de dúvidas sobre o voto do senador Roberto Rocha. As especulações em torno da sua posição no processo de impeachment foram as mais diversas, incluindo a mais recente, trombeteada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo: Rocha teria negociado uma diretoria do Banco do Nordeste para ajudar a legitimar o presidente interino Michel Temer. Roberto Rocha está muito à vontade para votar nesse processo. A bancada do seu partido está dividida, podendo ele optar pelo rumo que bem entender. Ao contrário dos dois pemedebistas, o socialista tem juízo formado sobre o processo de impeachment, uma visão política, o que lhe permite adotar um posicionamento pragmático, comum à política de resultados. Rocha é um político em ascensão, que se movimenta ocupar um espaço, principalmente no Maranhão, onde está o grande objetivo da sua vida, o Palácio dos Leões. Legitimando Michel Temer, ele abre uma picada larga naquela direção, inclusive fazendo um contraponto ao governador Flávio Dino (PCdoB), que ficará sem lastro político em Brasília.

O principal desdobramento da escolha dos três senadores será o político, pois implicará na injeção de novo gás no Grupo Sarney, dará mais musculatura ao senador Roberto Rocha e fragilização política do governador Flávio Dino.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Ibope ajusta posições da corrida em São Luís

nova ordem
Edivaldo Jr. agora ´=e seguido por Wellington do Curso, Eliziane Gama, Eduardo Braide, Fábio Câmara, Rose Sales, Cláudia Durans, Zéluiz Lago e Valdeny Barros

A Pesquisa Ibope sobre a corrida para a Prefeitura de São Luís, divulgada ontem pela TV Mirante, confirma os cenários que outros levantamentos feitos por institutos locais vinham rascunhando o crescimento seguro do prefeito Edivaldo Jr. (PDT), com 29%; o potencial de crescimento de Wellington do Curso (PP), com 20%, e a tendência de queda de Eliziane Gama (PPS), mostrada com apenas 16% das intenções de voto. Mais do que isso, abre uma avenida para o time intermediário: Eduardo Braide (PMN), com 5%; Fábio Câmara (PMDB), com 5%, e Rose Sales, também com 5%. E confirma a situação sem futuro do terceiro time: Cláudia Durans (PSTU) com 2%; Zéluiz Lago (PPL), com 1%, e Valdeny Barros com traço. Registrando ainda 12% de eleitores revoltados querendo votar nulo ou em branco, e os indecisos, que somam 5%.

O crescimento do prefeito já não surpreende, pois está se consolidando a cada levantamento, sustentado pela força indiscutível visível e inconteste da sua campanha.

Eliziane desidrata

Impressiona a perda de substância de Eliziane Gama, que começou sua caminhada como um furacão, preferida por 57% do eleitorado consultado. Ela vem sendo vitimada por um fenômeno absolutamente surpreendente, já que ela perdeu pontos em todas as pesquisas feitas de maio para cá, num processo de desidratação que se acentuou depois das convenções, quando vieram à tona as coligações. Sua aliança com o PSDB e o PV, que ela combatia, com certeza está contribuindo para esse debacle, pois não é novidade para ninguém o risco eleitoral e político que corre um candidato que se alia ao Grupo Sarney (PV) e ao PSDB (João Castelo – que para ela já foi “Caostelo”) numa corrida às urnas em São Luis. O mais grave é que Eliziane Gama não parece ter condições políticas de reverter esse processo de queda livre, o que será uma tragédia. O maior risco agora é esses números do Ibope, que vão balizar a campanha daqui por diante, causarem uma debandada. Será o fim do seu projeto de se tornar prefeita nesta eleição.

Wellington vira o jogo

No contrapeso, Wellington do Curso ganha substância. Enquanto fica demonstrado que Eliziane Gama tinha um teto, o candidato do PP dá um grande passo além e alcança a condição de adversário de fato do prefeito Edivaldo Jr.. Inicialmente sem nenhuma chance de chegar no time da frente, Wellington galgou cada degrau também com consistência, dando a entender, a cada rodada, que trabalhava para ser o adversário do prefeito num eventual segundo turno. Os nove pontos que separam o líder do agora vice-líder é uma distância confortável, mas não insuperável, exatamente porque não se sabe qual o limite do potencial eleitoral do candidato do PP, estando clara apenas a evidência indiscutível de que  ele é um aspirante cuja ascensão parece irreversível.

 

São Luís, 30 se Agosto de 2016.

Pesquisas divergem nos percentuais, mas apontam que Edivaldo Jr. avança e Eliziane e Wellington estancam crescimento

 

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Pesquisas Data M e Impar apontam Edivaldo Jr. na frente, seguido de Eliziane Gama e Wellington do Curso

 

As duas pesquisas que mediram a posição dos candidatos na corrida para a Prefeitura de São Luís, em que pese a surpreendente diferença de uma e outra no percentual dado ao prefeito Edivaldo Jr. (PDT), revelaram, com pequenas variações nos menos votados, uma mesma ordem na posição de cada um. No domingo, o Jornal Pequeno publicou os seguintes números do instituto Data M: Edivaldo Jr. (35,5%), Eliziane Gama (20,9%), Wellington do Curso (15,2%), Rose Sales (4,7%), Fábio Câmara (4,1%), Eduardo Braide (2,6%), Claudia Durans (0,3%), Zéluiz Lago (0,2%), Valdeny Barros (0%) e Nenhum deles (9,8%) e Não sabe/Não respondeu (6.7%). Por sua vez, o jornal O Imparcial publicou ontem os números encontrados na pesquisa realizada pelo Instituto Impar: Edivaldo Jr. (23,65%), Eliziane Gama (18,50%), Wellington do Curso (16,58%), Rose Sales (4.36%), Eduardo Braide (3,32%), Fábio Câmara (3,05%), Zéluiz Lago (2,01%), Claudia Durans (0,44%), Valdeny Barros (0,25%) e Não sabe (9,51%), Branco/nulo (18,32%).

Independentemente da diferença dos percentuais do prefeito Edivaldo Jr. nas duas pesquisas, que chega a escandalosos 13%, sem que se possa afirmar, com segurança, quem tem a verdade, o fato é que a ordem é, com pequenas diferenças entre os menos posicionados na preferência do eleitorado, a ordem é a mesma das mais diferentes pesquisas recentes. E nessa ordem, o prefeito Edivaldo Jr. lidera a corrida já fora da margem de erro, tendo Eliziane Gama como segunda colocada e Wellington do Curso na terceira colocação. Entre os integrantes do segundo time, as pesquisas mostram uma grande variação nas posições, só que dentro das margens de erro, o que não altera em nada o rumo da corrida.

No primeiro time, a menos que todas as últimas pesquisas estejam erradas – o que um dos maiores escândalos da história política recente do Maranhão -, não há dúvida de que o prefeito Edivaldo Jr. reverteu sua posição inicial de terceiro colocado (16%), com rejeição alta (45%), para se tornar o líder, e com rejeição em queda. No contraponto, Eliziane Gama viveu até aqui o processo inverso, de líder destacada no primeiro momento, com mais de 57% na preferência do eleitorado, rejeição menor que 10%, para agora estacionar no patamar de mais ou menos 20%, num incômodo, mas não desastroso, segundo lutar. Wellington do Curso, que saiu de um dígito, desacelerou na zona que vai dos 15% aos 20%, dando a impressão de que está patinando, sem forças para retomar a aceleração. Em resumo, fora os inacreditáveis 35% que lhe foram atribuídos pela pesquisa Data M, o prefeito Edivaldo Jr. parece justificar a avaliação de que é o candidato com mais força política e política para chegar em primeiro, seja para enfrentar um eventual segundo turno, ou, numa perspectiva bem mais remota, para liquidar a fatura já no primeiro turno.

O cenário mostrado pelas duas pesquisas em relação às posições do primeiro time pode não ser definitivo, já que a campanha para valer está apenas começando. Mas como se trata de uma campanha de curta duração, com apenas quatro semanas, situações que possam reverter tendências desenhadas agora são bem mais difíceis de acontecer. Os motivos são vários, a começar pela diferença do tempo que cada um dispõe na propaganda no rádio e na TV. Edivaldo Jr. tem mais de três minutos, tempo que vem usando com um discurso político forte e ilustrado com imagens de ações do seu governo, o que lhe dá muito peso e densidade. Eliziane Gama até ontem pareceu mais interessada em exibir o seu sorriso contagiante, sugerindo que os marqueteiros que a atendem parecem não saber exatamente que linha de campanha adotar. A mesma situação vive Wellington, que parece não ter se dado conta de que uma eleição como essa não se ganha com algumas frases de efeito, principalmente quando o adversário a ser batido é um prefeito em busca da reeleição.

As pesquisas também indicam que dificilmente o resultado disputa fugirá de um dos três do primeiro time. Por mais distorcidas que possam ser, as pesquisas, principalmente as mais recentes, guardam certa semelhança no que respeita às posições dos candidatos Rose Sales, Eduardo Braide, Fábio Câmara, Cláudia Durans, Zéluiz Lago e Valdeny Barros. E os indicadores são claros: eles não têm a menor chance de avançar na disputa, restando-lhes o papel – muito importante, diga-se – de alimentar o debate, que é fundamental para a democracia.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dilma foi ao Senado e saiu maior do que entrou

dilma na tribuna
Dilma mostra dados do seu governo no debate que manteve  com os senadores 

O que a população brasileira assistiu ontem no Senado da República não tem precedente na História do Brasil nem paralelo na História contemporânea do mundo. Numa sessão histórica, a presidente da República, Dilma Rousseff, que ali se apresentou na condição de ré em processo de impeachment, enfrentou, de maneira serena e sem delongas, o questionamento de 51 senadores, afirmando e enfatizando que não cometeu os crimes de responsabilidade que lhe foram imputados, deixando desorientados os seus adversários mais agressivos visivelmente desanimados.

O discurso de defesa da presidente afastada foi contundente, bem alinhavado e construído para criar o clima político que lhe permitisse defender, com firmeza, a tese do golpe. A segurança que Dilma Rousseff demonstrou no pronunciamento inicial e nas respostas que deu a 51 senadores, ao longo de quase 13 horas, fez com que seus algozes fossem diminuindo o tom a cada resposta, de modo que os últimos passaram a, quando não se repetir, recorrer à uma afirmação que os desmentia, a de que ela não estava esclarecendo nada. O fato, porém, é que a presidente, mesmo com as suas proverbiais dificuldades de retórica, soube controlar seus impulsos e martelar como água mole em pedra dura para consolidar a tese do golpe.

Dilma Rousseff foi Dilma Rousseff em todos os momentos da sessão. Pregou sua inocência e insistiu na tese de que está sendo vítima de uma trama política. Não uma vitima do tipo “coitadinha”, mas uma vítima de cabeça erguida, que declarou estar mais preocupada com a integridade da democracia do que com o seu futuro político. E ao invés de tentar ser simpática, a presidente partiu para o ataque. Não para agredir a quem quer que fosse, mas para desmontar, com argumentos convincentes e diretos, o libelo formulado por seus acusadores. E se não conseguiu mudar votos, ficou claro que alcançou pelo menos um resultado visível: deixou em total desconforto os dois responsáveis para acusação: o jurista Miguel Reale Jr. – que foi ministro da Justiça dos anos finais do Governo de FHC – e a advogada Janaína Pascoal – que terminou a sessão transfigurada, como quem não gostou nem um pouco do que ouviu durante 13 horas.

Na avaliação de vozes que conhecem os humores de Brasília e sabem ou supõem saber o que está por trás do processo de impeachment, a presidente Dilma Rousseff não deixou pedra sobre pedra. Desmontou a acusação de haver cometido crime de responsabilidade ao assinar três decretos – inicialmente eram seis, mas três não se sustentaram – de aumento de despesa sem a autorização do Congresso Nacional demonstrando podia fazê-lo porque não se tratou de aumento de gastos, mas de remanejamento de receita, sem alterar o valor do bolo orçamentário. E quanto às tais pedaladas, demonstrou fartamente que não participou diretamente das operações do Plano Safra e que não houve nenhuma ilegalidade nas operações do Governo com o Banco do Brasil nesse processo. Por fim, refutou, cabalmente, a acusação segundo a qual o impeachment em andamento é legal afirmando que, mesmo previsto na Constituição Federal, só pode ter sentido de se o acusado cometeu crime de responsabilidade, o que não ocorreu no seu caso, desafiando os acusadores a provar em contrário.

Quem assistiu à sessão por inteiro, não tem dúvida de que a presidente Dilma Rousseff saiu do Senado ontem bem maior do que entrou.

 

João Alberto só chegou ao Senado no início da noite
Em discurso na tribuna do Senado, senador João Alberto Souza (PMDB-MA).
João Alberto estava no interior do estado e só chegou ao Senado no início da noite

Quando a sessão em que a presidente Dilma Rousseff fez a sua defesa no Senado da República começou, o senador João Alberto (PMDB), encontrava-se no interior do Maranhão. Ele passou todo o fim de semana percorrendo a Região Tocantina dando assistência aos candidatos do seu partido, a começar por Imperatriz, onde o candidato pemedebista, Assis Ramos, tenta avançar na disputa de espaço com a candidata do PDT e apoiada pelo governador Flávio Dino, Rosângela Curado e pelo empresário e deputado federal Ildon Marques (PSB). A maratona de visitas a municípios em pleno calor da disputa eleitoral fez com que o senador João Alberto (PMDB) só seguisse para Brasília ontem, no meio da tarde, desembarcando na Capital da República no início da noite.  Do aeroporto mesmo João Alberto seguiu para o Congresso Nacional, de modo que quando a sessão foi retomada por volta das 19 horas, depois de intervalo de 1 hora. Pr5ocurado pela imprensa, o senador pemedebista reafirmou que só manifestará seu voto, quando for a sua vez de votar. Corre, no entanto, nos bastidores políticos que o senador votará seguindo a orientação do PMDB.

 

São Luís, 29 de Agosto de 2016.

 

 

Campanha começa com propaganda e discurso fortes, histórias de superação e suspeita de pancadaria no ar

 

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Edivaldo Jr., Eliziane Gama, Wellington do Curso, Rose Sales, Fábio Câmara, Eduardo Braide, Cláudia Durans e Valdeny Barros: expectativa de confronto aberto logo, logo

O começo da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, no ar desde sexta-feira (26), revelou uma situação que poderá definir o resultado da disputa para a Prefeitura de São Luís bem antes do que alguns imaginam. Os eleitores da Capital estão sendo bombardeados por uma avassaladora demonstração de força do prefeito e candidato à reeleição Edivaldo Holanda Jr. (PDT) em relação aos seus concorrentes. Primeiro por causa do tempo que dispõe – tem 3 minutos e 50 segundos, mais que o dobro do segundo maior tempo.  Depois pelo discurso – está aproveitando inteligentemente o espaço para mostrar suas obras, cuidando de desmentir os que o acusam de inércia administrativa. Os outros  candidatos, todos sem lastro administrativo para exibir, estão utilizado o espaço para se apresentar, sem o que lhes será difícil mostrar mazelas que infernizam a população em algumas áreas da cidade e de atacar o prefeito.

No primeiro dia de campanha na TV, o prefeito dedicou mais da metade do seu tempo a mostrar imagens de obras da sua gestão, numa indicação clara de que não pretende entrar no embate direto e potencialmente destrutível com Eliziane Gama (PPS), Wellington do Curso (PP), Rose Sales (PMB), Eduardo Braide (PMN), Fábio Câmara (PMDB), Valdeny Barros (PSOL), Zéluiz Lago (PPL) e Cláudia Durans (PSTU). Dá a entender que prefere ignorar a pancadaria, avaliando que tem mais a ganhar do que a perder seguindo esse caminho sem dar espaço para adversários.

Por seu turno, enquanto o prefeito começa com um discurso objetivo, tratando logo de mostrar que tem serviços prestados, dando seu recado com firmeza e segurança, os candidatos que usaram o tempo na TV nos dois primeiros dias aproveitaram para cativar o eleitor com mensagens de apresentação, identificando-se, contando suas histórias e se definindo como gente boa. Eliziane Gama usou belas imagens rascunhadas em grafite para contar a história de superação da menina que saiu do interior com a família, enfrentou muitas dificuldades, estudou e deu a volta por cima, tornando-se uma personalidade política de peso no estado; e nessa condição, pretende governar São Luís. Wellington do Curso – que agora quer ser chamado apenas de Wellington – também vendeu uma trajetória de menino pobre que, que passou por muitas situações complicadas, mas atropelou as adversidades, venceu na vida  construiu um empreendimento de expressão, o que, no seu entendimento, o credencia para governar São Luís.

O pemedebista Fábio Câmara foi mais longe ainda, fazendo uma crônica, em tom quase dramático, da sua migração dos cafundós de Cajari para São Luís em busca da sobrevivência mesmo, sugerindo que essa história e os espaços que conquistou até tornar-se vereador e suplente de deputado estadual o autorizam a tornar-se prefeito da Capital. Ludovicense da gema e filha de vereador Rose Sales, sem ter, portanto, uma história de superação para contar, aproveitou seu tempo para dar um recado objetivo: quer uma campanha limpa e espaço para que São Luís seja debatida. Com tempo tão exíguo quanto o de Rose Sales, Eduardo Braide se apresentou como tal e deu um aviso que muitos querem passar a limpo: anunciou que tem um “programa de governo”.

14/05/2014. Crédito: Honório Moreira/OIMP/D.A Press. Brasil. São Luis - MA. José Luís Lago,  pré-candidato ao governo do Estado do Maranhão pelo PPL.
Zéluiz Lago não deu as caras nos primeiros dias da propaganda na TV

Valdeny Barros e Cláudia Durans se apresentaram simpaticamente, sem maiores delongas, aparentemente sem dar a menor importância à estratégia dos seus “colegas” candidatos de falar mais deles próprios. Valdeny Barros avisou que vai brigar por transparência, servidores, referências do programa do seu partido. Cláudia Durans não negou a linha mestra do PSTU e deixou bem claro que vai governar com e para os trabalhadores, deixando implícito e sonho do PSTU de instalar no Maranhão uma república popular em que operários e camponeses darão as cartas. Zéluiz Lago não deu as caras.

Os dois primeiros dias de campanha no rádio e na TV sugerem que, favorecido por um tempo bem maior e por um governo em andamento o prefeito Edivaldo Jr. não terá qualquer dificuldade para expor seus argumentos e seduzir o eleitor e, se for o caso, confrontar seus adversários. No contraponto, os marqueteiros de Eliziane Gama e Wellington do Curso e Fábio Câmara sinalizam que adotarão estratégias agressivas destinadas a minar o poder de fogo do prefeito. Certamente animarão a campanha sem nenhum interesse de atuar como meros coadjuvantes. Eles entraram na briga com a convicção de que serão eleitos, e para isso jogarão pesado contra o prefeito, que é o adversário a ser batido. Quanto a outros desdobramentos, só o tempo dirá.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Wellington quer “pacto de união” entre prefeitos da Ilha

Numa entrevista à Rádio Universitária, que foi ao ar na manhã de sexta-feira, o candidato do PP à Prefeitura de São Luís, Wellington do Curso, dedicou expressiva parte do seu tempo a defender uma articulação entre os prefeitos dos quatro municípios da Ilha – Capital, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa – para atuação conjunta para a solução de problemas específicos. O candidato informou que, se eleito, uma das suas primeiras iniciativas será propor aos demais prefeitos da Ilha um “pacto de união”, que permita a realização de ações conjuntas, principalmente em áreas limítrofes. Terceiro colocado na preferência do eleitorado, conforme as últimas pesquisas que mediram a corrida ao Palácio de la Ravardière, Wellington do Curso colocou na agenda dos candidatos, de maneira indireta, mas efetiva, um dos temas mais  importantes relacionados com regiões como a Ilha de Upaon Açu: a metropolização. “Não existe um muro separando as cidades. Por conta disso, é inadmissível que, até o momento, as Prefeituras ainda não tenham executado ações conjuntas e efetivas. Somente unindo forças, trabalhando de forma parceira também com o Governo do Estado, será possível avançar”, comentou. De acordo com ele, é mais do que viável as prefeituras trabalharem juntas nos setores da limpeza pública, iluminação pública, transporte escolar, saúde e infraestrutura, por exemplo. “Existem vias que cortam três municípios. Muitas delas estão em estado deplorável de abandono. Se as prefeituras agissem em parceria, poderiam gastar muito menos e recuperá-las de forma mais rápida e eficiente. É isso que farei como prefeito de São Luís: conclamar a união de todos, prefeitos e governo do estado, para que, juntos, possamos trabalhar em favor de todos que moram na Ilha”, completou.

 

Metropolização sempre sofreu restrições políticas
jackson e rose
Jackson Lago resistiu ao cerco alertando que Roseana queria controlar a região metropolitana de Upaon Açu

Para quem ainda não deu a devida importância a esse tema, certamente por considerá-lo genérico e sem futuro, a metropolização da Ilha de Upaon Açu foi decidida pela Assembleia Estadual Constituinte realizada no Maranhão em 1989, que adaptou para o âmbito estadual a Constituição Cidadã de 1989. A nova Carta Magna do Maranhão instituiu, no Ato das Disposições Provisórias, a implantação, por lei complementar, a Metropolização da Ilha de Upaon Açu, envolvendo os quatro municípios da Ilha mais Rosário e Alcântara. A lei complementar foi proposta no início dos anos 90 por iniciativa do então deputado estadual Francisco Martins (PFL), um médico com raízes políticas em Balsas, e foi abraçada em seguida pelo deputado Manoel Ribeiro (PTB), que deu andamento ao processo. A metropolização, no entanto, foi objeto de restrições políticas, que começaram com o então prefeito Jackson Lago (PDT), em 1997. A reação começou quando a então governadora Roseana Sarney, na mais ousada e abrangente reforma administrativa que se tem notícia em toda a região, criou a Gerência Metropolitana, órgão recebido como uma tentativa do governo de controlar a região metropolitana. Jackson conseguiu convencer os prefeitos de que o melhor era seguir cada um o seu próprio rumo, para não ficar refém do Palácio dos Leões. E desde então o grande projeto nunca ganhou a forma que deveria.

 

São Luís, 27 de Agosto de 2016.

 

 

Começa hoje a fase mais animada e mais tensa da campanha para prefeito: a propaganda na TV e no rádio

 

 

os nove de sl
Edivaldo Jr., Eliziane Gama, Wellington do Curso, Eduardo Braide, Rose Sales, Fábio Câmara, Valdeny Barros, Zéluiz Lago e Claudia Durans vão para o confronto na TV na briga pela prefeitura de São Luís

26 de Agosto de 2016. Data que marca o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão (Lei nº 9.504/1997, art. 47).

Concluídas as articulações possíveis, definidas as candidaturas e superado o primeiro momento da corrida ao voto, com carro de som, comícios, carreatas e passeatas, os candidatos a prefeito entrar agora na fase mais tensa e decisiva da campanha: o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV. Para muitos, a campanha é decidida na telinha da TV, onde os candidatos, orientados por profissionais do marketing político caros e competentes, que são capazes de transformar antipático em simpático, sisudo em sorridente, tímido em ousado, língua presa em língua solta, e por aí vai. Mas é também o momento em que o eleitor espera dos candidatos informações honestas e bem elaboradas sobre como cada um pretende governar a maior e mais importante cidade do Maranhão, os planos para superar os seus gigantescos problemas e, mais do que isso, prepará-la para o futuro como Capital do estado e líder de uma região metropolitana importante e promissora.

Edivaldo Jr. (PDT), Eliziane Gama (PPS), Wellington do Curso (PP), Rose Sales (PMB), Eduardo Braide (PMN), Fábio Câmara (PMDB), Valdeny Barros (PSOL), Claudia Durans (PSTU) e Zéluiz Lago (PPL) terão tempo proporcional ao poder de fogo político que os embala nessa corrida e do tamanho da coligação que conseguiram armar. E como a campanha eletrônica será de 35 dias e as regras são restritivas, os candidatos terão de encontrar caminhos adequados e estratégias inteligentes para vender os seus “peixes” no esforço para encantar o eleitorado. Não será uma campanha fácil e corre o risco de ser enfadonha se a inteligência política não for acionada e os marqueteiros insistirem na teimosa tentativa de subestimar a sensibilidade e sabedoria do eleitor.

Nesse contexto de possibilidades e dificuldades, a situação mais confortável e, ao mesmo tempo, mais delicada é a do prefeito Edivaldo Jr., cujo tempo é de 3 minutos e 39 segundos, o mais longo de todos, o que lhe dá condições de mostrar o seu governo o que pretende fazer num eventual segundo mandato. O segundo maior tempo é o de Wellington do Curso: 2 minutos e 15 segundos, suficientes para um candidato que diz pretender apresentar um programa de governo e atacar o prefeito. É tempo precioso para um candidato com o perfil de parlamentar do PP, que deve usá-lo com inteligência. Eliziane Gama tem 1 minuto e 55 segundos, tempo que para ela, que gosta de falar, é um desafio dos bons – e não há dúvida de que ela o usará para desbancar os demais concorrentes. Nesse time dos melhores posicionados nas pesquisas, a situação mais embaraçosa é a da candidata do PMB, vereadora Rose Sales, que terá de se virar com 7 segundos diários.

No segundo time, a situação mais confortável em matéria de tempo no rádio e na TV é a do pemedebista Fábio Câmara, que disporá de 1 minuto e 25 segundos e parece ser um tempo inadequado gosta de “dourar a pílula” discursiva com frases famosas de celebridades literárias. Valdeny Barros (12 segundos), Eduardo Braide (10 segundos), Zéluiz Lago e Claudia Durans, ambos com 6 segundos cada um.

Por mais injusto que possa parecer com os candidatos de partidos pequenos, a limitação do tempo tem uma lógica que justifica plenamente o fatiamento do tempo sem obedecer a uma escala de proporção. O tempo maior pertence aos partidos que têm maior representação na Câmara Federal, que expressa a representação popular, levando a fundo o conceito de proporcionalidade. Então não seria justo que o tempo do prefeito Edivaldo Jr., que pertence ao PDT e lidera uma coligação de grandes partidos, fosse igual ao de Cláudia Durans, cujo partido, o PSTU, não tem sequer um deputado federal.

Questões formais à parte, o importante é que os candidatos aproveitem o espaço temporal que lhe é assegurado pela Justiça Eleitoral para que possam dizer aos eleitores o que pretende fazer de bom para uma cidade que tem 1,2 milhão de habitantes e que ainda acumula muitos problemas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Lobão se livra de processo por falta de provas
Brasília - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, participa de reunião conjunta das comissões de Infraestrutura e de Assuntos Econômicos do Senado, sobre a renovação de concessões e royalties do pré-sal
Lobão está livre de uma acusação que ele negou com obstinação e, de fato, não se provou o contrário

O procurador geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), o arquivamento de um dos inquéritos em que o ex-ministro de Minas, senador Energia Edison Lobão (PMDB), era suspeito de ter dado ordem para que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, chefe do esquema de corrupção na petroleira, entregar R$ 1 milhão, em dinheiro obtido com desvios criminosos, à então governadora Roseana Sarney (PMDB), para financiar a campanha dela à reeleição. Paulo Roberto Costa informou à Polícia Federal e à PGR que o repasse do dinheiro foi feito pelo doleiro Alberto Youssef. Quando a bomba explodiu, no início de 2015, após a prisão de Youssef no Hotel Luzeiros, em São Luís, o senador Edison Lobão reagiu com um indignado discurso na tribuna do Senado, no qual contestou a denúncia, que chamou de calúnia, feita com má fé. Na sua fala, Lobão disse que não tinha a menor ideia do que estava sendo acusado, pois não havia tido qualquer contato com o então diretor, seu subordinado no Ministério de Minas e Energia, para tratar de assunto dessa natureza.

Na fase de interrogatórios, Paulo Roberto fez delação premiada, e nela afirmou que mandou o doleiro Alberto Youssef a repassar o valor de R$ 1 milhão para a governadora Roseana Sarney. Só que, no seu depoimento, o doleiro declarou não ter conhecimento do caso, que não se lembrava de qualquer conversa nesse sentido e que não repassou dinheiro para a campanha da governadora à reeleição em2010. Os dois foram confrontados em acareação, com Paulo Roberto insistindo na sua denúncia, mas encontrando o doleiro Alberto Youssef reafirmando enfaticamente que não fez tal operação. Diante da precariedade da denúncia do ex-diretor, que não apresentou qualquer réstia de prova para confirmar o que disse, o chefe do PMF Rodrigo Janot pediu ao STF que autorizasse novas investigações, que foram autorizadas pelo ministro-relator Teori Zavaski. Depois de três meses, investigadores e procuradores entregaram os pontos informando ao chefe que nada encontraram que comprometesse o ex-ministro e Senador. Agora, quem entregou os pontos foi o próprio Rodrigo Janot, que por falta de argumentos que pudessem manter a denúncia de pé, pediu o arquivamento.

A primeira e mais importante de várias conclusões: nesse caso, o ex-ministro de Minas e Energia e a governadora Roseana Sarney não cometeram tal crime e estão livres da acusação. Outra conclusão: as chamadas delações premiadas na Operação Lava Jato podem conter muitas verdades forjadas. E mais uma conclusão: o senador e já então ex-ministro estava coberto de razão quando reagiu com indignação e jurando inocência.

Falta agora o desfecho de mais dois casos supostamente envolvendo o senador.

 

Edivaldo Jr. inaugura comitê e embala campanha
edivaldo no vinhais
Acompanhado de centenas de partidários, Edivaldo Jr. percorreu as ruas do Vinhais distribuindo afagos no eleitorado, para em seguida inaugurar comiitê na Curva do 90

O prefeito Edivaldo Jr. (PDT) e seu vice Júlio Pinheiro (PCdoB) inauguraram ontem o seu comitê central de campanha, situado na Curva do 90. O fizeram depois de duas horas de caminhada pelas ruas do Vinhais. O comitê vai centralizar as atividades de campanha da coligação “Pra Seguir em Frente”, formada por PDT, PCdoB, DEM, PROS PTB, PSC, PRB, PTC, PEN, PR, PT e PSL. O clima ali foi de festa. Afinal, depois de um longo período em que patinou em terceiro lugar nas pesquisas, atrás de Eliziane Gama (PPS) e João Castelo (PSDB), que ainda sonhava ser candidato, o candidato do PDT conseguiu sair da inércia e assumir a ponta, agora seguido por Eliziane e Wellington do Curso (PP), já que o ex-prefeito decidiu apoiar popular-socialista. Todas as avaliações feitas até aqui identificam o prefeito como o candidato mais sólido, com mais consistência política e maior densidade eleitoral. Mas isso não significa eleição ganha, porque Eliziane Gama e Wellington do Curso estão circulando na área a cada dia  mais convencidos de que vencer. E o entusiasmo deles está exatamente na crença de que farão a diferença no horário eleitoral gratuito na TV e,  mais tarde, nos debates que estão sendo programados.

 

a agenda do candidato e atenderá quaisquer dúvidas referente as eleições.

Além de funcionar como local oficial de distribuição de material, o espaço contará com uma equipe de adesivação de veículos, que atenderá das 8h às 22h. Todos os adesivos estarão de acordo com o que determina a nova legislação eleitoral.

 

São Luís, 25 de Agosto de 2016.

 

PCdoB engorda, lança 106 candidatos a prefeito em todo o estado para consolidar o seu projeto de poder

 

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Flávio Dino e Marcio Jerry: grandes esforços para fortalecer o PCdoB no Maranhão, coçando por prefeituras

Números divulgados pela Justiça Eleitoral informam que 506 candidatos estão registrados para disputar as 217 Prefeituras do Maranhão e que desses nada menos que 106, o equivalente a 20%, são do PCdoB, o partido do governador Flávio Dino. Essa engorda extraordinária da mais ativa corrente comunista no País ocorre exatamente no Maranhão, não por uma inclinação de boa parte das lideranças municipais para militar na esquerda, mas pela conjugação de dois fatores: o fato de o seu principal líder, Flávio Dino, estar no poder, e a agressiva política de multiplicação de quadros e líderes em todo o estado adota pelo partido sob o comando do secretário de Articulação Política e Comunicação Social, Márcio Jerry. E pelo que se ouve em conversas sobre o cenário da disputa, os chefes do PCdoB estão fazendo contas muito otimistas com relação ao resultado das urnas, certos de que o partido terá uma vitória retumbante nas urnas, como que marcando o sepultamento definitivo de uma velha ordem. Só que na sequência aparecem PSDB (78), PDT (60); PMDB (49), PP (39), PRB (35), PSB (33), PR (30), PSD (27), PV (19), PT (17) e PTB (15), o que nas soma geral do número de candidatos das forças governistas levam a melhor, mas as oposições dão mostras de que estão muito vivas. E poderão fazer um estrago considerável na estrutura política que o governador Flávio Dino está montando no Maranhão.

Há um equívoco recorrente em avaliações que acabam reclamando da atuação mais agressiva desse ou daquele grupo político. Os avaliadores parecem desconhecer, ingenuamente, que o exercício da política é, antes de qualquer outra coisa, a luta pelo poder. E nessa engrenagem partidária o fator imperativo é a conveniência, cuja viabilização só é possível para quem exibe poder eleitoral, que só é expressado pelo desempenho partidário.  E a melhor maneira de multiplicar peso político é vencer uma eleição e assumir o poder. O roteiro é absolutamente simples. A consecução, porém, é tarefa para quem tem a percepção do que é política na sua essência.

A primeira década deste século foi exemplar e emblemática no que diz respeito ao jogo da política. Ao longo de uma década os políticos do Maranhão deu uma demonstração quase didática do que é a gangorra da politica quando o poder muda de mãos. Quando deixou o governo, em abril de 2002, andando sobre as brasas da fogueira acesa pela Operação Lunus, que a tirou da corrida presidencial, a ex-governadora Roseana Sarney ainda liderava um grupo político poderoso, formado por PMDB, DEM, PTB e PV, que juntos detinham a esmagadora maioria dos prefeitos maranhenses. Mas viu esse poder desaparecer por entre os seus dedos num impiedoso processo de desidratação política comandado, primeiro, pelo sucessor José Reinaldo Tavares, que mudaria várias vezes de partido, e depois pelo governador Jackson Lago (PDT), eleito em 2006.

Tendo desembarcado no Palácio dos Leões na esteira de uma eleição histórica e com o propósito varrer o Grupo Sarney do mapa político do Maranhão, Jackson Lago viu em poucos meses o PMDB perder peso, enquanto o seu PDT, então um partido pequeno, ideologicamente definido e rigoroso no acesso aos seus quadros, viveu uma fase incontrolável de engorda sem precedentes sob os fluídos do poder. Mas a reviravolta avassaladora que sofreu em abril de 2009 reverteu o processo em pouco tempo, tendo o PMDB voltado a engordar com a volta ao poder e o PDT emagrecer até quase definhar.

É claro que, embora o processo seja o mesmo, cada caso é um caso e tem suas nuanças. A vez agora é do PCdoB, isso é claro e indiscutível. Sob a liderança do governador Flávio Dino e o comando firme e inconteste do secretário Márcio Jerry, o partido chegou se instalou no Palácio dos Leões com um projeto de poder de médio e longo prazo. O primeiro passo para a viabilização do projeto de poder foi entregar o comando do partido para aliados e simpatizantes em municípios estratégicos com o objetivo de vencer as eleições municipais saindo das urnas como uma grande força partidária. Não pé sem razão que o partido desafiou a lógica e preparou candidatos para disputar metade das Prefeituras – provavelmente um recorde depois da pulverização partidária.

O diferencial na seara governista é o novo PDT, que sob a batuta do deputado federal Weverton Rocha, cresceu na medida certa e deve abocanhar as duas cerejas do bolo: as Prefeituras de São Luís e de Imperatriz, deixando para o aliado mais poderoso Prefeituras como as de Paço do Lumiar, com Domingos Dutra, e de Raposa, com Talita Laci, ambos do PCdoB. Todos com uma verdade latejando: nesse jogo não cabe fracasso.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Senadores maranhenses votarão pelo impedimento de Dilma
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João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha:posições já definidas no processo de impeachment

Muitas especulações foram publicadas nos últimos dias sobre os votos dos senadores maranhenses no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), cujo julgamento começa hoje. Os senadores João Alberto (PMDB), Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSB) estão definidos. Os três devem votar pelo impedimento da presidente. Os dois primeiros por imposição partidária, e o terceiro por uma conjugação de alguns fatores. Pemedebistas de proa, com fortes vínculos com a direção partidária e particularmente com o presidente Michel Temer, João Alberto faz parte da Executiva nacional e preside o PMDB no Maranhão, o que torna inviável qualquer gesto seu na direção de salvar a presidente afastada. Foi até onde sua condição política pôde, tendo, assim, dado sua contribuição para a sobrevivência da presidente, o que não será mais possível de agora por diante. Edison Lobão foi ministro de Minas e Energia  no Governo Dilma, mas avalia que não pode mais contrariar o PMDB, como também não acredita na reversão da situação da presidente petista, não lhe restando outra alternativa que não a de votar pelo impedimento, de acordo com a orientação do PMDB, reforçada pelos acenos do presidente Michel Temer. O senador Roberto Rocha vai se definir seguindo a orientação do PSB, que deverá ser pelo impedimento da presidente. Rocha sabe que a sobrevivência do mandato de Dilma turbinará o poder do governador Flávio Dino nos planos estadual e nacional, o que poderá significar o seu isolamento político. Daí ele estar decidido a votar pelo impedimento. É aguardar os votos e conferir.

 

Wellington bate forte na Segurança
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Wellington do Curso: aliado crítico do governo.

Não se sabe se por explosões de indignação, o fato é que, a seu modo, o deputado Wellington do Curso (PP), candidato a prefeito de São Luís, vem disparando chumbo grosso contra o Governo do Estado. O caso mais recente ocorreu terça-feira, quando ele foi à tribuna para lamentar o assassinato de um blogueiros em Edmilson. O deputado fez um discurso forte cobrando policiamento mais intenso do secretório de Estado de Segurança Pública, Jefferson Portella. Wellington bateu forte no Governo, sugerindo que a política de segurança em curso não está resolvendo o problema, mas sim contribuindo para a bandidagem seja mais audaciosa e, assim, cobrando mais investimento em segurança

 

São Luís, 24de Agosto de 2016.

Tem alguma verdade e muita fantasia na reportagem da Folha sobre alianças no Maranhão envolvendo PMPB/PT/PSB

 

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João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha: uma história sem çontos de amarração envolvendo Dilma

O rumoroso acordo firmado entre o PT, o PMDB e PSB, para que o PT rompesse com coligações lideradas pelo PCdoB e migrasse para alianças lideradas pelo PMDB em cinco municípios maranhenses – São Luís, Imperatriz, Balsas, Timon e Codó – teria aberto um rombo de tamanho ainda não medido nas relações  de comunistas e petistas nos planos estadual e nacional. Inicialmente recebido no meio político como um fuxico, o suposto acordo ganhou dimensão gigantesca quando veio à tona a informação segundo a qual o tal acerto teria sido uma negociação envolvendo os senadores pemedebistas João Aberto e Edison Lobão e o senador socialista Roberto Rocha com a presidente afastada Dilma Rousseff, supostamente em troca de votos contra o impeachment. O desdobramento: a mudança só foi possível em Timon e Codó, não tendo o comando nacional autorizado em São Luís, Imperatriz e Balsas. Consequência: o PT comprou uma briga sem tamanho com o PCdoB, particularmente como governador Flávio Dino, que até aqui tem sido, de longe, o mais ativo e leal aliado da presidente afastada Dilma Rousseff na guerra do impeachment.

O resumo da opereta revela uma série de aspecto de uma situação aparentemente simples, mas que na verdade guarda uma certa complexidade, mesmo não sendo uma novidade nessa complicada e tensa triangulação PT/PMDB/PCdoB no Maranhão. Chama atenção a possibilidade de ter havido um acerto por voto contra impeachment, porque, feitas as contas, mesmo que o acordo tivesse alcançado os cinco municípios propostos, a única vantagem oferecida pelo PT seria tempo de TV na campanha eleitoral, já que a agremiação petista não tem força política nem eleitoral para mudar o curso de uma disputa em nenhuma das cinco unidades em jogo.

Em princípio, não há nada de excepcional ou politicamente incorreto o PMDB propor ao PT uma aliança em cinco grandes municípios maranhenses com o objetivo fortalecer seus candidatos e, por via de desdobramento, fragilizar a campanha do PCdoB. Não se discute que historicamente o PT sempre teve e continua tendo o PCdoB como aliado preferencial, podendo-se afirmar sem erro que a recíproca é verdadeira. Mas não se pode esquecer que, por conveniências que às vezes se colocam acima dos pruridos, aqui e ali o PT e o PCdoB se afastam para se aliar a inimigos figadais em circunstâncias muito especiais. O PCdoB do Maranhão sabe disso melhor que qualquer outro partido. Sabe muito bem que a eleição de prefeitos e vereadores é crucial para que se tenha o desenho aproximado da disputa de 2018. Mais que isso: esse é o momento que em matéria de montagem eleitoral é a famosa hora em que “vaca desconhece bezerro”.

Uma avaliação dos cinco casos supostamente propostos pelo PMDB, a história faz sentido em uns, mas não em outros. Em São Luís, por exemplo, uma aliança PMDB/PT nada acrescentaria à candidatura do vereador Fábio Câmara além de um a dois minutos a mais à sua campanha no rádio e na TV, e no contrapeso a militância petista não iria para as ruas e seria hostilizada pela esquerda em geral. O candidato Edivaldo Jr. não sofreria qualquer abalo. Em Imperatriz, a aliança PMDB/PT teria um pouco mais de sentido, pois tiraria peso político e tempo de TV de Rosângela Curado e certamente daria impulso á candidatura do pemedebista Assis Ramos, que está brigando ombro a ombro com a pedetista e Ildon Marques (PSB). Em Balsas, o PT se aliaria ao PSB, minando o candidato do PDT que tem o apoio do PCdoB. Em Timon, a aliança PT/PMDB faz todo sentido para o comando pemedebista, porque o rompimento desidrata a coligação de Luciano Leitoa e fortalece a de Alexandre Almeida (PSD). E em Codó, o jogo de ganhos e perdas é parecido com o de Timon.

Em resumo, se fez mesmo a proposta, o PMDB jogou com o pragmatismo que sempre o norteou e que graças ao qual se mantém até agora como o maior partido do país. Não se discute que o PCdoB tem motivos de sobra para se irritar, ou até mesmo indignar, mas o governador Flávio Dino, que trabalha com a razão, sabe que o jogo é pesado e que nesse não há lugar para amador nem para bom moço. Por outro lado, espanta a informação segundo a qual tudo teria sido um acerto dos senadores em troca de votos contra o impeachment. Os pemedebistas João Alberto e Edison Lobão dificilmente votarão a favor da presidente afastada. A simpatia dos dois pela volta de Dilma em nada se compara à satisfação que eles vivem hoje com a volta do PMDB ao poder central. O mesmo acontece com o senador Roberto Rocha, que não faria um acordo desse porte, sem ganho real e sem a anuência da cúpula nacional do PSB.

A história contada pela Folha de S. Paulo na sua edição de ontem tem alguns pontos que não “batem” e é pintada com alguma fantasia.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Humberto Coutinho vira setentão no topo
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Humberto e Cleide Coutinho:  afinados em todos os sentidos

Um contingente de pelo menos 500 pessoas, entre elas o governador Flávio Dino (PCdoB) e 22 deputados estaduais das mais diferentes vertentes partidárias, uma dezena de prefeitos – estes também de perfis políticos os mais diversos – e um batalhão de correligionários e amigos, se reuniu sábado (20), em Caxias, numa casa de eventos, para comemorar e celebrar uma data especial: os 70 anos do médico, ex-prefeito, deputado estadual de vários mandatos e atual presidente da Assembleia Legislativa, Humberto Coutinho (PDT). Foi, no olhar de alguns, uma grande celebração por haver ele alcançado a invejável marca de 25.340 dias de uma existência bem sucedida como pessoa, cidadão, profissional, empresário e político. E, apesar da aporrinhação do câncer já mandado para o espaço, venceu a marca e virou setentão em forma e fazendo muitos planos para o futuro, entre eles o de sair eleito senador da República da guerra eleitoral de 2018.

A grande confraternização, regada a boa conversa e aconchego familiar e de amigos, como sempre teve seu momento solene, mas o ambiente estava tão descontraído e confortável, que só houve espaço para três discursos: um do governador Flávio Dino, que falou em nome dos convidados; um da primeira-da-dama do Legislativo Cleide Coutinho, e o do próprio homenageado, que sempre fala pouco, menos ainda quando é o alvo da manifestação. A ex-deputada Cleide Coutinho reafirmou o que sempre diz quando fala do marido: ele é o marido, o amante, o companheiro e o líder a quem segue de olhos fechados em todos os momentos e circunstâncias, sejam eles altos, sejam baixos.

Na sua fala, governador Flávio Dino ratificou a solidez de uma convivência nascida das relações políticas, mas que de tão afinada, tão saudável e tão produtiva virou uma amizade que só se solidifica com o passar do tempo. Dino apontou Coutinho como o seu grande amigo, com quem cultiva uma relação que o obriga estar do seu lado nos melhores e nos piores momentos, afirmando que o deputado nunca lhe faltou nos seus piores e melhores momentos. Emocionado, Coutinho fechou o item formal da festa agradecendo de coração a presença de todos.

Humberto Coutinho chega aos 70 anos como um homem bem sucedido. Essa verdade se evidencia na sua carreira como médico, que soube construir como plantonista e cirurgião, dando também lugar ao viés empresarial que lhe permitiu construir na Princesa do Sertão um complexo hospitalar onde, contrariando todas as expectativas, se chegou a realizar transplante de coração e rim. Sua atividade profissional o tornou líder desses segmentos em Caxias e na região. A medicina e a veia empresarial não sufocaram o líder politico que tinha guardado, esperando a hora certa para entrar em cena e ganhar o mundo. Ela veio no início dos anos 90 do século passado, quando se elegeu deputado estadual pela primeira vez. Depois veio o prefeito, que se reelegeu, voltou o deputado, que agora preside o parlamento estadual. Essa trajetória o consolidou como o mais importante e bem articulado líder político de Caxias e região nas últimas duas décadas, agora ganhando projeção estadual no comando da Assembleia Legislativa e como um dos esteios mais importantes da base política do governador Flávio Dino. Os 70 anos explicam o líder sóbrio e acreditado em que se transformou.

Revisão em São Paulo

E na doce ressaca da festa de sábado, o presidente Humberto Coutinho seguiu segunda-feira em São Paulo, para fechar mais uma etapa da sua intensa, paciente e bem sucedida luta contra um câncer, que já está praticamente curado, mas, com a consciência de médico que é, faz questão de cumprir, com rigor máximo, todos os passos da estrada projetada pelos especialistas que o acompanham. O deputado-presidente viajou acompanhado da esposa, Cleide Coutinho, a ex-deputada e hoje presidente do Gedema, organização que congrega esposas de deputados e que funciona como braço social do Poder Legislativa.

Justiça acata denúncia contra Tadeu Palácio

 

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Tadeu Palácio acusado de improbidade administrativa

A 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) manteve decisão de primeira instância, que recebeu ação civil de improbidade administrativa contra o ex-prefeito de São Luís, Tadeu Palácio. O Ministério Público (MPMA) sustenta que teria havido desvio de finalidade praticado por Palácio, prefeito em 2007, e Paulo Helder Guimarães de Oliveira, então procurador-geral do Município, quando a UTE Porto do Itaqui Geração de Energia teria conseguido obter do Município um decreto que admitisse a instalação de termoelétrica como de uso especial. O entendimento unânime da 5ª Câmara Cível do TJ é o de que há indícios suficientes de autoria e materialidade da prática do ato de improbidade. O ex-prefeito terá direito a ampla defesa.

Em 13 de fevereiro e 30 de março de 2007, a empresa requereu ao Município a expedição de licença para a instalação da termoelétrica a carvão mineral. O pedido foi negado com alegação de que tal atividade não estaria prevista na Lei de Zoneamento Urbano da cidade. Segundo o MPMA, a UTE Porto do Itaqui logrou êxito ao tentar obter a admissão da termoelétrica como de uso especial, porém com a suposta prática de ilegalidades.

O MPMA ajuizou a ação contra o ex-prefeito Tadeu Palácio, uma vez que ele teria desconsiderado pareceres emitidos por assessoria técnica do Município contrários ao empreendimento. Em relação ao então procurador-geral do Município, o MPMA afirma que teria dispensado, sem nenhum fundamento, a oitiva do Instituto da Cidade, cuja previsão consta do Plano Diretor.

O relator, desembargador Raimundo Barros, informou que Palácio recorreu contra a decisão do Juízo da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, nos autos da ação de improbidade. A decisão de primeira instância rejeitou embargos de declaração opostos por Paulo Helder Guimarães de Oliveira, para manter a decisão de recebimento do pedido formulado na ação e considerou o transcurso do prazo sem manifestação do ex-prefeito para apresentar contestação.

O ex-prefeito pediu que a decisão fosse reformada, pois, segundo ele, não existem indícios mínimos do elemento subjetivo dolo para a prática do disposto no artigo 11 da Lei de Improbidade e, que o ato estaria revestido do prévio pronunciamento jurídico da Procuradoria Geral do Município, razão pela qual entendeu que a petição inicial da ação de improbidade deveria ser liminarmente rejeitada.

Raimundo Barros disse não existir razão para modificar o entendimento de 1º Grau. Explicou que a decisão está em conformidade com norma da Constituição Federal e que foram observados os requisitos necessários ao oferecimento e recebimento da peça acusatória. O relator acrescentou que vários documentos embasam a inicial da ação civil ajuizada pelo Ministério Público. Disse que a tese de inexistência de atos de improbidade é matéria a ser debatida no bojo da instrução da ação.

São Luís, 23 de Agosto de 2016.

 

Campanha é marcada por atos de infidelidade partidária, que são tratados como fatos isolados e não como infração grave

 

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Hildo Rocha, Luis Fernando Silva, Bira do Pindaré e Edilázio Jr.: casos de infidelidade partidária na campanha eleitoral

A campanha para as eleições municipais estão evidenciando que por mais que a realidade atual condene os desvios éticos por parte dos políticos, muitos deles parecem ignorar que a reforma partidária do ano passado enfatizou a infidelidade partidária como uma atitude política imperdoável, punível, portanto, com uma série de sanções. Isso porque a infidelidade partidária não se limita a um gesto, mas alcança uma dimensão de extrema gravidade em processo eleitoral, quando um líder, um detentor de mandato dá as costas para o candidato do seu partido e, ostensiva e agressivamente, declara apoio a candidato de outro partido. E quando esse ato não tem consequência, o partido “traído” deixa de ser uma organização com ideologia e uma doutrina nas quais a base são princípios éticos e de fidelidade aos postulados doutrinários. No momento, líderes de vários partidos estão agindo na contramão das suas agremiações, como se fossem movimentos lícitos, e não infrações éticas graves.

Quando, independentemente da crise interna que inviabilizou o seu projeto de candidatura prefeito de São Luís, o deputado Bira do Pindaré externa sua mágoa pessoal e dá as costas ao seu partido, o PSB, que se aliou ao candidato Wellington do Curso (PP) indicando o candidato à vice, vereador Roberto Rocha Jr. (PSB), está cometendo um ato de infidelidade partidária. O mesmo acontece com o suplente de senador Lobão Filho (PMDB), que por não engolir a candidatura do vereador Fábio Câmara a prefeito, declara apoio a Eliziane Gama (PPS). Numa realidade em que partido elevado a sério, Bira do Pindaré e Lobão Filho só teriam dois caminhos: conformar-se com a decisão da maioria do comando do partido ou rasgar sua ficha de filiação e procurar outro pouso partidário.

Ontem, por exemplo, o deputado federal Hildo Rocha (PMDB) foi a São José de Ribamar declarar apoio ao candidato do PSDB a prefeito, Luiz Fernando Silva (PSDB), num gesto político agressivo em relação ao candidato do PMDB naquela disputa, o ex-prefeito Júlio Matos. Outros líderes do PMDB, entre eles a ex-governadora Roseana Sarney, estão cometendo o mesmo desvio político, sem que o comando do partido possa fazer alguma coisa para conter a onda de traição. No outro polo, o próprio candidato tucano Luis Fernando Silva contraria frontalmente o seu partido em São Luís declarando apoio à candidatura do prefeito Edivaldo Jr. (PDT) enquanto o PSDB integra a coligação liderada pela popular-socialista Eliziane Gama.

Dentro do PV a situação é a mesma, refletindo uma medição de força entre o presidente da agremiação, deputado Adriano Sarney, e o deputado Edilázio Jr., que estão em combate aberto dentro do partido por causa dos rumos que o PV tomou no processo eleitoral na Ilha. José Adriano levou o partido formalmente para a coligação da candidata do PPS, Eliziane Gama, mas por divergências internas o deputado Edilázio Jr. (PV) ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa para declarar apoio ao candidato do PP, Wellington do Curso, colocando-se como “um soldado” da sua campanha.

Os exemplos citados são apenas alguns entre muitos que estão acontecendo em todo o estado, principalmente nos municípios maiores, onde as relações políticas não são tão sólidas como pregam as regras que norteiam a vida partidária numa sociedade que se pretende politicamente correta.

Chama atenção nesse processo a tolerância com que os líderes partidários acompanham esses movimentos. Não há registro de que não os estão tornando atos de insubordinação e, por via de consequência, eles se tornam rotinas dentro dos partidos. Ao quebrar a disciplina partidária, transformando as legendas em organizações sem ordem nem respeito às regras, a infidelidade nega o conceito de partido e os converte em meros instrumentos a serviço de uma política que, em vez de princípios, se move pela esperteza, oportunismo barato. E resultado dessa tremenda distorção são acordos venais, subterrâneos, nos quais valem o troca-troca, o toma-lá-dá-cá, enfim, as tenebrosas transações.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Waldir prepara volta à ribalta na Câmara Federal
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Com ar que mistura satisfação e deboche, Waldir Maranhao voltará ao comando da Câmara

É grande no meio político a expectativa em relação ao à viagem do presidente interino Michel Temer (PMDB) para a Rússia no início de setembro. E o motivo desse clima é ninguém me nos que o vice-presidente da Câmara Federal, deputado Waldir Maranhão (PP), que vai assumir de novo o comando da Casa, já que, como o vice-presidente da República o atual presidente, o segundo na linha sucessória é o presidente da Câmara, deputado fluminense Rodrigo Maia (DEM), que assumirá interinamente a Presidência da República. Waldir Maranhão comandará a Câmara Federal indiferente aos berros de alguns colegas dele inconformados. Isso porque no seu pior momento como presidente interino da Casa, ele foi ameaçado de responder a processo no Conselho de Ética, foi agredido verbalmente diversas vezes no plenário da Câmara, perdeu o comando do PP no Maranhão e foi ameaçado de expulsão do partido. Era tudo conversa fiada, discurso para chamar a atenção da imprensa. Maranhão não vive uma situação confortável, continua no purgatório, mas numa região em que também não são ainda as portas do inferno, como muitos alardearam. Isso não quer dizer que sairá ileso de tudo o que lhe aconteceu, mas a política tem portas de entrada e de saída que costumam surpreender.

 

Dino fez a justiça Nuzman não teve a hombridade de fazer
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Dino fez gesto politicamente correto ao resgatar Lula e Dilma como fundamentais para a Olimpíada

Quando homenageou os presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff, “que tiveram grande liderança e coragem para conquistar a Olimpíada do Brasil”, o governador Flávio Dino (PCdoB) fez um gesto de plena decência política. Resgatou uma verdade absoluta, incontestável, daquelas que nem os momentos mais atribulados e sombrios conseguem empanar: a Rio 2016 só aconteceu por que o então presidente Lula usou de todos os recursos ao seu alcance, a começar pelo seu avassalador prestígio internacional no momento em que a decisão foi tomada. Depois, a presidente Dilma não deixou a peteca cair durante o seu governo, pelo que foi muitas vezes agredida por muitos que hoje festejam os jogos maravilhosos que encantaram o mundo, inflou a autoestima nacional e deram uma nova dimensão ao Rio de Janeiro. Pena que o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, que melhor do que ninguém sabe disso, não tenha tido a hombridade de, por medo de uma vaia, nas duas vezes em que discursou para o mundo, registrar a participação decisiva dos dois presidentes no processo.

 

São Luís, 22 de Agosto de 2016.

Candidatos evitam grandes temas sobre São Luís e empurram a campanha para a judicialização da disputa

 

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Edivaldo Jr., Eliziane Gama, Wellington do Curso, Eduardo Braide, Rose Sales, Fábio Câmara, Valdeny Barros, Zéluiz Lago e Cláudia Durans não trataram dos grandes temas de São Luís

A campanha para a Prefeitura de São Luís está nas ruas. Os nove candidatos a prefeito se desdobram, cada um a seu modo, para parecerem salvadores da pátria, apresentando-se como donos de soluções para os problemas de uma cidade com 1,1 milhão de habitantes, que é ao mesmo tempo campeã em áreas invadidas, abrigando ocupações gigantescas, e Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade devido ao seu fantástico e ameaçado acervo de prédios coloniais; uma cidade que tem um dos portos mais importantes do País, mas não conseguiu colocar todas as suas crianças na escola, para citar algumas incômodas contradições .E nesse contexto, duas situações deste início da corrida às urnas preocupam. A primeira é que a campanha, que parecia destinada a ser um grande momento em que os problemas da Capital do Maranhão seriam discutidos pela sua mais nova geração de políticos, corre o risco de se tornar mais um embate à moda antiga, envolvendo temas menores, de pouca importância. A segunda: a corrida eleitoral da Capital está sendo judicializada, como se os candidatos fossem políticos velhos, viciados e ardilosos, numa inversão de objetivo aparentemente sem muito sentido.

No primeiro caso, a sabatina dos candidatos feita pelo jornal O Estado Maranhão foi reveladora. Os nove candidatos sabatinados trataram de alguns problemas – saúde, educação, mobilidade urbana, entre outros de menor importância -, jogando para debaixo do tapete questões essenciais e desafiadoras. A metropolização, por exemplo, foi solenemente ignorada por todos os candidatos. Nenhum deles falou sério e com propriedade sobre saneamento básico, como também ninguém se comprometeu em brigar para levar à frente o programa de revitalização do centro de São Luís. Preferiram perdeu tempo e conversa sobre o VLT, um tipo de transporte público ainda experimental de implantação cara por que exige uma linha férrea.

Nenhum candidato assumiu o compromisso a livrar as duas áreas da Praça Deodoro do feirão a céu aberto onde se vende roupa, calçados, comida quente, frutas, enfim, tudo o que é vendável, e que restringe, de maneira agressiva, a mobilidade na área mais nobre do coração de São Luís. Ninguém externou qualquer preocupação com o ordenamento do espaço público na cidade, que é hoje ocupado vendedores, que simplesmente chegam e instalam seus carrinhos, bancas e outros apetrechos sem dar a menor importância para a ordem pública. Nenhum disse ter nas suas prioridades como prolongamento da Avenida Litorânea e da Via Expressa, fundamentais para melhorar a malha viária da cidade. Nenhum deles sequer mencionou o que pretende fazer com a palafita que a cada dia se amplia às margens da Avenida Ferreira Gullar, nas imediações da Ponte José Sarney e que virou uma imagem grotesca para quem percorre a Beira-Mar ou atravessa a ponte. Ninguém falou, enfim, dos inexistentes limites da cidade, de como urbanizar corretamente bolsões como o eixo Itaqui-Bacanga, a região do Coroadinho.

Edivaldo Jr. (PDT), Eliziane Gama (PPS), Wellington do Curso (PP), Rose Sales (PMB), Fábio Câmara (PMDB), Eduardo Braide (PMN), Valdeny Barros (PSOL), Cláudia Durans (PSTU) e Zéluiz Lago (PPL) se limitaram à pauta genérica da sabatina e se repetiram sobre saúde, educação e mobilidade urbana, como se uma cidade com tantos problemas e tantos desafios. Quando o tema foi educação, os sabatinados via de regra criticaram a situação precária da rede escolar do município e da baixa qualidade do ensino, da falta de iniciativa da atual gestão, mas nenhum candidato revelou com precisão um projeto mínimo para mudar o quadro criticado. O mesmo aconteceu em relação à saúde e à mobilidade urbana. Ninguém se propôs a resolver o problema do transporte paralelo que invaviu a cidade, como  mototáxi, táxi-lotação, vans.  Quem leu o resumo de cada sabatina se surpreendeu com a maneira como a São Luís Capital, Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, epicentro de uma região metropolitana informal foi minimizada, como se suas excelências estivessem falando de uma cidade menor.

O que compromete a qualidade da campanha é a judicialização. O bom senso sugere que nenhum dos candidatos a prefeito de São Luís, a começar pelo próprio prefeito Edivaldo Jr., tem mancha ética na sua trajetória. Mas a Rede, que é ainda um simulacro de partido, sem qualquer expressão ou autoridade política, resolveu protocolar duas ações na Justiça Eleitoral questionando a correção administrativa do prefeito – o grau de maldade foi tamanho que chegou-se a divulgar o absurdo segundo o qual o PDT estaria cogitando substituir a candidatura de Edivaldo Jr. pela de sua esposa, Camila Holanda, que sequer tem filiação partidária.  Veio então o contra-ataque: partidos aliados do prefeito resolveram denunciar um suposto – e improvável – desvio de conduta da deputada Eliziane Gama com verba da Câmara Federal. Todas são ações conteúdo frágil, que parece não resistir a avaliação criteriosa.

Se os candidatos e líderes partidários não caírem na razão imediatamente, a nova geração de políticos causará má impressão na sua primeira grande participação no destino da cidade.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Judicialização também ganha corpo em Imperatriz
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Ildon Marques entrou na disputa certo de que não seria barrado

A judicialização da campanha ganha peso também no interior. Em Imperatriz, o Ministério Público Eleitoral (MPE) impugnou a candidatura do ex-prefeito Ildon Marques (PSB), que segundo as últimas pesquisas lidera a corrida para a Prefeitura. Chama a atenção o fato de o PME ignorar decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) segundo a qual só as Câmaras Municipais podem reprovar prestações de contas e, assim, tornar inelegíveis os prefeitos por elas responsáveis. Ildon Marques tem contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), mas todas as suas prestações de contas foram aprovadas pela Câmara Municipal de Imperatriz, o que, de acordo com a decisão recente do STF, não impede a sua candidatura, já que não transforma num ficha-suja. O MPE abre uma polêmica que certamente vai desembocar no STF. O mesmo está acontecendo com o ex-prefeito Zé Vieira (PP) em Bacabal.

Fábio Câmara promete virar o jogo durante a campanha

O vereador Fábio Câmara tem garantido a líderes do PMDB que vai sair do segundo bloco – dos que têm menos de 10% das intenções de voto – para encostar nos integrantes no primeiro bloco, hoje liderado pelo prefeito Edivaldo Jr.. Câmara avalia que tem a “cara do povo” e está convencido de que tem discurso e propostas para convencer o eleitorado da Capital de que ele é o verdadeiro adversário do prefeito e o postulante mais preparado para administrar São Luís. Tudo indica que o candidato do PMDB vai tentar puxar Wellington do Curso e Eliziane Gama para a briga, por acreditar que nesse embate ele tem condições de mostrar-se mais preparado do que os adversários.

 

São Luís, 20 de Agosto de 2016.

E S P E C I A L Shopping Brazil: disco-manifesto que traduz César Teixeira, o artista engajado que não se dobra

 

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Shopping Brazil: um disco que é um manifesto contra a miséria e as desigualdades
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César Teixeira: o artista que usa beleza contra injustiça

Poucos discos de Música Popular Brasileira (MPB) nas últimas décadas reúnem composições tão especiais como Shopping Brazil, que simboliza a Música Popular Maranhense (MPM). Obra do compositor e militante cultural e político César Teixeira, autor de mais de 100 composições, todas recheadas com melodias de altíssimo nível de elaboração e elevado refinamento poético, o disco é um marco, apesar de ignorado pelos grandes meios de informação e divulgação. Provavelmente por ser uma obra que foge aos padrões do conformismo cultural e político – foram apenas mil cópias feitas no maior sufoco em 2002. Como diz o próprio César num texto de apresentação, Shopping Brazil não é um disco elaborado como tal para satisfazer as exigências do mercado – ele nunca se submeteu a elas -, mas um ajuntamento cuidadoso de “retalhos” que expressam fielmente os diversos momentos da sua trajetória de compositor.

Shopping Brasil, que tem como carro-chefe a canção que lhe dá o nome,  é uma maravilha da MPM, a começar pelo fato de que é o único disco de César Teixeira, dono de dezenas de composições gravadas por diversos intérpretes maranhenses e nacionais. O disco reúne clássicos como os baiões “Bandeira de Aço”, “Xaveco” e “Namorada do Cangaço”, e a canção “Flor do Mal”. Abriga também os sambas “Ray-Ban” e “Vestindo a Zebra” e os blues  “Met(amor)fose” e “As bruxas também amam”, o coco “Parangolé” e toada de zabumba “Mutuca”. E adendos preciosos e agradáveis como a participação de Dona Elza – de Tutóia, de Mestre Felipe e de Dona Teté e Rosa Reis, que trazem à tona maravilhas do cancioneiro popular.

É verdade que o disco não abriga jóias musicais já eternizadas, como a canção de protesto “Oração Latina”, que ainda hoje é usada como estímulo às mobilizações políticas e sociais, nem a toada “Boi da Lua”, também um símbolo das festas juninas, entre outras obras de indiscutível  envergadura, como sambas, sambas-enredo, toadas e canções que trazem a marca do gênio musical de César Teixeira. Mas é um registro grandioso, que ganha dimensão especial por ser eternizado na sua própria voz, interpretado como ele sente cada uma das 11 faixas de sua autoria. Em sua interpretação de Shopping Brazil, César Teixeira dá o tom de indignação na medida que provavelmente outro intérprete não daria, o mesmo acontecendo com todas as faixas. É esse o diferencial do disco que a grande mídia ignorou, mas que permanece vivo nas mãos de poucos e na memória de muitos como uma obra de primeira grandeza.

Para realizá-lo, César se aliou ao icônico Laborarte e ao Instituto maria Aragão, contando com a ajuda produtiva de Tatiana Ramos, do imortal Nelson Brito e Rosa Reis. O fotógrafo Márcio Vasconcelos fez as fotos e concebeu o projeto gráfico junto com José Antonio Serra. E contou com a cumplicidade de Helena Heluy, Joãozinho Ribeiro, Dimas Salustiano, José Carlos Madeira, Haroldo Saboia e Ironildes Vanderlei.

As faixas

“Shopping Brazil” é um manifesto. Embalada com uma espécie de afro-reggae que tem por base forte percussão que tira som de lata, a canção traduz, numa poesia ao mesmo tempo forte e crua, o agressivo quadro das desigualdades no País, e grita contra a globalização da miséria nacional. Lata e lixo simbolizam fortemente essa relação, que é tratada com dureza, mas também com ironia, deboche e ternura, que vão desembocar numa verdade chocante: a fome é autodidata para quem já nasceu sem gravata. Cada verso de Shopping Brazil – ostensivamente escrito com Z – é uma pancada vigorosa na cruel realidade social da maioria dos brasileiros e na distorcida e viciada estrutura política que dá as cartas no País. O arranjo de César Teixeira, auxiliado por Murilo Rego e Luiz Cláudio, tem como eixo central a Banda Projeto Som da Lata, enriquecido pelo afinado coral formado por Cláudio Pinheiro, Mazé Veras e Valdedeth. O próprio César Teixeira não deixa dúvida do viés de protesto da canção: “As latas denunciam com brilho a dor da globalização”. Uma visão na qual se encaixa perfeitamente a realidade social, econômica e política de São Luís.

“Ray-Ban” é um samba cadenciado em que César Teixeira avança na crítica política e nas distorções sociais, agora com uma letra pontilhada de deboche refinado. Tirar os óculos escuros é mais que uma sugestão, é um desafio ao poder distante e insensível à realidade social. Sem os óculos, essa realidade só será compreendida lambendo “o prato vazio sobre a mesa”. E aí a verdade vem à tona, principalmente por meio da vaidade, só podendo enxergar a realidade os que apagam as luzes da sociedade. César Teixeira invoca seu passado moleque e candidato a marginal registrando a existência do Cine Rialto, uma sala de cinema que existiu na Rua do Passeio até o início dos anos 70, lembrando que foi preso por malandragem, foi vendedor na Ponta d`Areia, e deu uma de cego na igreja e vendeu seu Ray-Ban no dia do eclipse. Vale destacar nessa faixa o refinado violão de Joao Pedro Borges (Sinhô), o magistral violão de sete cordas de Gordo Elinaldo e o Cavaquinho de Paulo Trabulsi.

“Met(amor)fose” é um blue que vai fundo na sua ampla base cultural e literária do compositor. Com refinamento excepcional ele tenta explicar a sua transformação trazendo à tona a angustiante metamorfose kafiana. Foi buscar inspiração na controvertida e espetacular trajetória do poeta francês Rimbaud, que influenciou também na música, mas se juntou a traficantes de armas da Europa para a África, especialmente à Abissínia, hoje Etiópia. Afirmando estar “morando na filosofia”, trazendo a célebre relação entre amor e dor na poesia, foi buscar no incêndio de Alexandria, que consumiu sua grandiosa biblioteca, a evolução universal do saber. Revelando estar no “barco ébrio dos aflitos”, vai buscar em Fernando Pessoa a consciência de que não consegue ser um poeta que finge que é dor a dor que deveras sente por esse estranho amor. A metamorfose de César Teixeira ganha uma dimensão ainda maior pelo trompete de Daniel Cavalcante e pela guitarra de Athos Lima, incluindo também o sutil pandeiro de Luiz Cláudio.

“Bandeira de Aço” dispensa apresentação. O baião traduz, sem mais nem menos, o César Teixeira contestador e inconformado dos meados dos anos 70, em plena ditadura. É o artista militante, o poeta que começava a chegar à maturidade e que expressava a sua tumultuada relação com o mundo, com os valores em voga naquele momento cinzento da vida brasileira. Mas a visão do poeta rebelde e inconformado foi tão larga que o baião é hoje tão atual quanto no singular contexto em que foi composto. Não há como não registrar o arranjo adequado e interpretado fielmente pelas cordas de Luiz Júnior, o acordeon de Rui Mário, a percussão de Luiz Cláudio e o vocal de Cláudio Pinheiro, Mazé Veras e Valdedeth. Bandeira de Aço está consagrada como um dos clássicos da obra de César e da música maranhense.

“Flor do Mal” também dispensa apresentação, por estar, como ‘’Bandeira de Aço”, consagrada como um clássico da música maranhense em todos os tempos. Sua relação com a “flor do mal” tem viés político e social muito forte, que ganha expressão máxima quando, depois de sentir o gosto que a morte tem, ele  avisa que quando os espíritos voltarem da guerra, encherá os olhos da mais suja terra, ferrará a mula rumo a Portugal. Ele e sua bananeira assumindo a condição de bandeiras do mal. O que chama a  atenção nessa versão de “Flor do Mal” é o arranjo espetacular feito pelo violonista João Pedro Borges, o Sinhô. Os acordes do violoncelo de Kátia Salomão, reforçados pelas refinadas cordas de Sinhô, dão à canção-mestra um grande peso dramático. Poucas vezes um arranjo ousado se revelou tão adequado e inovador como o que embala esse outro clássico de César Teixeira.

“Vestindo a zebra” é mais um samba cadenciado, que dá vida a uma crônica em que narra um domingo de João, brasileiro como milhões, que veste sua camisa listrada e vai ao futebol. Apaixonado, assiste à derrota do seu time e se desespera, enche a cara, briga. Perde a camisa, perde a dignidade. Tudo por que não tem dinheiro. Essa crônica de uma pequena-grande tragédia brasileira é embalada por arranjo do próprio autor, que inclue refinados acordes do sempre irretocável violão de Pipiu e do solo de clarinete de Celso Bastos.

“As bruxas também amam” traz uma mistura genial de crônica e poema, que torna difícil saber onde começa a primeira e termina o segundo, mas expressa, com rara beleza, a mais intensa mistura de paixão e sexo, na qual, como imã, os amantes se puxam. Nessa relação está o mistério das noites de sexta-feira 13, que se completa com vinho e cama, num clima forjado com imagens fantásticas do tipo “mordo, sob a luz das velas, teu pescoço de ave rara”, para desabafar afirmando que só sabe que está alegre quando chora. A faixa tem arranjo de César Teixeira e Murilo Rêgo, que faz um belo solo de sax.

“Xaveco” é um baião arrastado que vai fundo nas expressões populares como Hem-hem, hum-hum, xaveco, teco, nheco-nheco e tererê, que se acomodam, rimando, numa composição com pouco mais de uma dezena de frases. Nela está a facilidade com que o compositor utiliza as variações da linguagem popular nas formas cultas para mandar seus recados. O arranjo destaca o acordeon de Rui Mário, o violão de Jair Torres e a flauta de Célio Muniz e o coro de Cláudio Pinheiro, Mazé Veras e Valdedeth.

“Parangolé” é um coco em que César Teixeira se supera na pintura verbal dos traços culturais do interior da Ilha de Upaon Açu. É quase um elogio do coco fruta e do coco dança, que se misturam nas suas diversas versões. Em meio à fantasia do coco, um grito de alerta lembrando que de tanto quebrar “o coco, não sobrou machado em pé”. E relata, como um cronista atento, o que acontece quando numa dança de coco alguém passa dos limites. O arranjo destaca o banjo de Gordo Elinaldo, o acordeon de Rui Mário, a percussão de Luiz Cláudio e o coro de Cláudio Pinheiro, Mazé Veras e Vandedeth.

“Mutuca” pode ser definida como uma rara e justa homenagem ao sotaque de zabumba, para muitos o mais contagiante do bumba-meu-boi do Maranhão. César Teixeira resume genialmente o auto do boi trazendo a mutuca – mulher de brincante que acompanha as apresentações -, um elemento periférico, para o epicentro do auto, jogando-lhe nos ombros a responsabilidade de responder sobre o sumiço do boi. César quebra a formalidade do discurso com a corruptela Quedê e o aboio Equiô para dar à toada um clima de terreiro. O arranjo destaca a percussão de Josemar e o vocal de Cláudio Pinheiro, Mazé Veras e Valdedeth.

“Namorada do cangaço” é o ponto de amarração do disco. No baião político, o compositor-poeta trouxe o cangaço para o final do século passado como caminho para enfrentar a ditadura, as amarras políticas e as injustiças sociais. Mas mesmo falando da caçada policial aos que contestam a ordem e afirmando que vai usar metralhadora, o faz com a ternura dos que partem para a guerra deixando um amor. E quebra a dureza do protesto e da indignação prometendo voltar para casa “cantando um bolero de Waldick Soriano”. O cangaceiro aí pode ser o João Brasileiro que enfrenta a barra das desigualdades, podendo ser também o contestador ou, além dele, o revolucionário integral. O arranjo é consagrado no acordeon de Rui Mário, na intensa viola de 10 cordas de Luiz Júnior e na percussão vigorosa de Luiz Cláudio.

Shopping Brazil é genialmente arrematado por três participações especiais, que expressam fielmente a cultura musical popular do Maranhão. A primeira são dois versos do coco “Areia branca”, cantados por Dona Elza – de Tutóia. A segunda são as frases iniciais e o refrão de uma toada de tambor de crioula interpretados por Mestre Felipe. E a terceira é a “Ladainha de Nossa Senhora”, música do compositor erudito  Antonio Rayol e letra de domínio popular, interpretada por Dona Teté e Rosa Reis, ao som da caixa da cantora líder do Laborarte.

É um disco para se ter e ouvir sempre.

São Luís, 19 de Agosto de 2016.