Arquivos mensais: junho 2019

Governador estimula concorrência pela vaga de candidato do seu grupo à sua sucessão em 2022

 

Carlos Brandão, Weverton Rocha, Eliziane Gama, Edivaldo Holanda Jr. e Rubens Jr.: desse grupo pode sair o candidato dinista ao Governo do Estado

“Espero que o próximo governador ou governadora, que pode estar aqui entre nós, cumpra esse objetivo”, declarou o governador Flávio Dino (PCdoB), segunda-feira, no ato em que lançou o programa Nossa Centro, que prevê investimentos de R$ 150 milhões em obras para revitalizar a região central de São Luís. Dita em tom bem humorado e na presença do vice-governador Carlos Brandão (PRB), dos senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (Cidadania), do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) e do deputado federal Rubens Pereira Jr. (PCdoB), atual das Cidades e Desenvolvimento Urbano, frase foi interpretada por muitos como um indicador de que o governador começa, de fato, a desenhar o cenário político em que se dará a sua sucessão em 2022. E que, seja como senador, como vice-presidente ou como presidente da República, pretende deixar no Palácio dos Leões um aliado confiável, podendo ser qualquer um dos integrantes do “núcleo duro” com o qual comanda o Governo e a aliança de 16 partidos que lhe dá suporte político. Com o movimento, Flávio Dino estimula a “concorrência” pela vaga de candidato.

Todas as avaliações feitas nos últimos tempos, tanto na Situação quanto na Oposição, remetem para a conclusão de que o governador Flávio Dino pretende mesmo escolher um dos seus aliados mais próximos para lançar como candidato à sua sucessão. Até agora, os mais badalados são o vice-governador Carlos Brandão e o senador Weverton Rocha. Fala-se muito também na senadora Eliziane Gama e no prefeito Edivaldo Holanda Jr., e do deputado federal Rubens Pereira Jr. Todos são potencialmente candidatos, uns com cacife político gordo e outros nem tanto, mas é dominante a impressão de que, embalado pela força política do governador Flávio Dino e o suporte da aliança partidária, qualquer um deles tem chances   reais de sair das urnas eleito em 2022.

O vice-governador Carlos Brandão não esconde a sua pré-candidatura e dedica todo o seu tempo livre às articulações que aos poucos vão lhe dando gás para seguir em frente. Cumpre uma agenda intensa de representar o governador em atos e reuniões no estado e em Brasília, comanda missões ao exterior, recebe visitantes quase toda semana é escalado para comandar eventos e inaugurações em nome do titular. Tem o apoio do seu partido, o PRB, presidido pelo deputado federal Cléber Verde, que projeta sair das urnas do ano que vem com uma base formada por pelo menos 30 prefeitos. O vice pode ser, de fato, o candidato dos Leões.

Nessa caminhada, o grande contrapeso de qualquer concorrente é o senador Weverton Rocha, que também não esconde o seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões em 2022 e tem atuado intensamente na formação de uma base forte com líderes municipais, tendo como meio a Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), agora presidida pelo prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT), que coordenou sua campanha ao Senado. Com atuação forte no Senado e uma movimentação agressiva, o senador, mesmo dizendo que não é hora de falar em candidatura ao Governo, age abertamente como pré-candidato disposto a chegar lá. Reúne as condições para ser o candidato dinista.

A senadora Eliziane Gama entra nesse time por conta do seu cacife político e eleitoral lastreado pelo eleitorado evangélico, pela firme atuação no Senado e pelo alinhamento que tem demonstrado ao governador Flávio Dino. A senadora tem assumido posições desassombradas em relação ao Governo Bolsonaro, fazendo uma Oposição competente e equilibrada Palácio do Planalto, votando contra o decreto das armas, e fazendo duras críticas a outras iniciativas do Governo. Como Weverton Rocha, nada tem a perder disputando o Governo do Estado em 2022.

Nesse contexto, começa a surgir o prefeito Edivaldo Holanda Jr., que deixará o cargo em dezembro de 2020 e terá dois anos para decidir qual o passo político que dará a partir de então. Agora com o lastro de dois mandatos de vereador, meio mandato de deputado federal e dois mandatos de prefeito da Capital, Edivaldo Holanda Jr. entra no roteiro da sucessão estadual como um quadro experimentado nos movimentos do xadrez político e testado como gestor público. Poucos o incluem ainda na relação dos prováveis sucessórios do governador Flávio Dino, mas há quem diga que ele jogará pesado para ser o indicado.

Quando se licenciou da Câmara Federal para assumir a Secretaria das Cidades e Desenvolvimento Urbano, o deputado Rubens Jr. desembarcou na equipe do governador Flávio Dino o nome que o Palácio dos Leões lançaria para a Prefeitura de São Luís. Essa “suspeita” ainda permanece, mas indícios fortes parecem indicar que Rubens Jr. está sendo trabalhado para ser candidato à sucessão do governador.

Com muita habilidade, o governador Flávio Dino está montando um time de boas opções, o que lhe dá a grande vantagem de que, qualquer que venha ser a sua escolha, deixará o Governo em boas mãos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edivaldo Holanda Jr. mantém silêncio sobre sua sucessão, mas seu voto será decisivo para a escolha do candidato

Edivaldo Holanda Jr.

Uma situação vem chamando a atenção de observadores da cena política: o total e obstinado silêncio do prefeito Edivaldo Holanda Jr. sobre a escolha de candidato à sua sucessão. Ninguém duvida que a escolha do candidato da aliança dinista à Prefeitura de São Luís passará pelo seu crivo. É unânime a certeza de que o nome será escolhido a partir de um entendimento entre o governador Flávio Dino, o prefeito Edivaldo Holanda Jr., o senador Weverton Rocha, que comanda o PDT, e o deputado federal Márcio Jerry, que comanda o PCdoB. Ninguém aventa a possibilidade de o candidato da aliança saia de outra fonte. E nesse contexto, o voto do prefeito de São Luís, que conhece como poucos o caminho das pedras eleitorais em São Luís, será decisivo. O prefeito Edivaldo Holanda Jr. faz o jogo clássico das raposas felpudas, deixando para o “momento certo” a revelação do seu posicionamento no cenário da sua própria sucessão.

 

Aloísio Mendes corre riscos políticos ao levar delegados para depor na Câmara Federal

Aloísio Mendes: risco político com ida de delegados para depor na Câmara Federal

Conclusão unânime de uma roda de conversa entre quatro políticos tarimbados e dois jornalistas: o deputado federal Aloísio Mendes (Podemos) corre um risco político ao levar os delegados Tiago Bardal e Anderson Ney para depois em comissão da Câmara Federal sobre um suposto esquema de escuta telefônica ilegal contra políticos e magistrados na Secretaria de Estado da Segurança Pública na atual gestão. Para começar, dadas as circunstâncias, os dois delegados são apontados como cidadãos e servidores público com quase nenhuma credibilidade. Tiago Bardal, que já foi titular da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) e hoje está preso acusado de ser um dos chefões de uma quadrilha internacional de contrabando de cigarros e bebidas; Anderson Ney, que também é suspeito de envolvimento com a quadrilha, seria vítima de transtornos mentais. O objetivo é criar embaraços para o secretário de Estado de Segurança Pública, Jefferson Portela, e para o Governo Flávio Dino. Na avaliação desse grupo, Aloísio Mendes, que exerce um mandato politicamente ativo e de bons resultados, poderá ser tragado por desdobramentos.

São Luís, 26 de Junho de 2019.

Nosso Centro: pacote lançado por Flávio Dino investirá R$ 170 milhões na revitalização da região central de São Luís

 

Entre Weverton Rocha, Edivaldo Holanda Jr., Eliziane Gama e Rubens Jr.. Flávio Dino assina o projeto Nosso Centro, que ampliará expressivamente a revitalização que já repaginou, por exemplo, a Praça Deodoro e a Rua Grande

A região central de São Luís vai ganhar o mais arrojado pacote de investimentos desde a realização do Projeto Reviver, na segunda metade dos anos 80 do século passado, pelo Governo de Epitácio Cafeteira (PTB), e completado nos anos 90 em Governos de Roseana Sarney (PMDB). Ontem, o governador Flávio Dino (PCdoB) lançou, em ato formal no Palácio dos Leões, o programa Nosso Centro, por meio do qual o Governo do Estado, tendo como parceiros a Prefeitura de São Luís, o Iphan e a iniciativa privada, promete dar uma repaginada no coração da Capital. O pacote custará cerca de R$ 150 milhões, com investimentos em obras de infraestrutura, restauração predial, construção de acessos, novas áreas de estacionamento, melhoramento de ruas,  calçadas, com padronização de meio fio, e outros elementos do perfil urbano da região tombada da Capital do Maranhão. Os investimentos serão feitos em polos prioritários, agregando cultura, lazer e gastronomia, para alcançar dois objetivos básicos: revitalizar a região central da cidade e, assim, fortalecer   a sua tradição histórica, a sua natureza comercial e o seu potencial turístico.

Lançado no embalo dos festejos juninos, o programa Nosso Centro chega num momento em que São Luís vem recebendo oportunos e necessários investimentos na revitalização da sua região central, como reforma das Praças Deodoro e Pedro II modernização da Rua Grande, frutos de uma parceria Prefeitura de São Luís/Iphan, como também obras realizadas na Beira-Mar e na Avenida Pedro II. “O resultado tem sido maior movimento no Centro Histórico da Capital e abrindo caminho para a ampla revitalização, renascimento e fortalecimento desta área. Vamos prosseguir neste caminho elevando a nossa cidade. Apesar da crise brasileira, vivemos um bom momento e o programa vem reforçar esse cenário”, declarou o governador no ato em que lançou o projeto, no Palácio dos Leões, ao lado do prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PDT), dos senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (Cidadania), dos deputados federais Márcio Jerry (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB) e Gastão Vieira (PROS), além de deputados estaduais e membros do Governo.

O ambicioso projeto de rejuvenescimento da região central de São Luís, cuja decadência começou a ser contida com o Projeto Reviver e em seguida com o PAC das Cidades Históricas e por uma série de obras isoladas e que aos poucos vão revitalizando a feição da velha e magnífica Cidade de São Luís. E o que é melhor e mais importante: sem macular as suas características essenciais, como a preservação possível do casario que a tornaram uma das mais importantes joias da arquitetura colonial portuguesa em todo o planeta. Não sem razão o prefeito Edivaldo Holanda Jr. comemorou: “Agora, com essa iniciativa do Governo do Estado, este trabalho será reforçado. É uma ação significativa para a preservação e recuperação do Centro Histórico e vai impulsionar as diversas atividades desenvolvidas aqui, refletindo positivamente na economia e no turismo da cidade”.
A desafiadora tarefa de colocar o Nosso Centro em marcha e produzir os resultados projetados foi entregue pelo governador Flávio Dino ao secretário das Cidades e Desenvolvimento Urbano, Rubens Pereira Jr., deputado federal licenciado e visto por muitos como um dos quadros que o PCdoB está preparando para disputar a sucessão estadual em 2022. Para ele, a viabilidade dos investimentos no Centro de São Luís, que vem sendo marcante pelas intervenções das gestões estadual e municipal, “tornará a área referência em renovação e desenvolvimento sustentável, preservando seu valor histórico e cultural”.

Chama a atenção o fato de esses investimentos para revitalizar o coração de São Luís serem programados pelo governador Flávio Dino num cenário de crise em que a maioria dos estados não consegue sequer pagar os servidores em dia. Esses investimentos têm sido possíveis devido a uma política fiscal draconiana, que não permite desvios nem gastos malfeitos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Bom senso: Maura Jorge descarta São Luís e avisa que disputará Prefeitura de Lago da Pedra

Maura Jorge descarta São Luís e anuncia que será candidata  em Lago da Pedra

Maura Jorge (PSL) deu uma demonstração de que tinha armazenada uma réstia de bom senso político ao descartar o projeto de se candidatar à Prefeitura de São Luís e se colocar mais uma vez como candidata à Prefeitura de Lago da Pedra, seu berço familiar e político. Quando se lançou no cenário estadual como candidata a governadora nas eleições de 2018, Maura Jorge tinha noção clara de que dificilmente alcançaria 5% dos votos – terminou com 4,5%. O que lhe moveu, na verdade, foi a bandeira da candidatura de Jair Bolsonaro no Maranhão, que estava jogada às traças, com quase ninguém interessado em fazer as vezes de porta-estandarte do bolsonarismo no estado. Não deu certo. Há duas semanas, ela foi nomeada superintendente da Funasa no Maranhão. Isso, porém, não a afastou da política. A pré-candidatura Prefeitura de São Luís foi uma brincadeira de amigos ou foi uma jogada de má fé de algum adversário enrustido seu, sem o menor sentido. Agora, Maura Jorge retoma seu caminho natural, que é se candidatar de novo à Prefeitura de Lago da Pedra, onde já foi prefeita por dois mandatos e tem isto para se reeleger, mesmo contra um candidato apoiado pelo Palácio dos Leões.

 

MDB define pré-candidatura a prefeito em São José de Ribamar

João Alberto com emedebistas de São José de Ribamar: apoiando pré-candidatura

O presidente do MDB, ex-senador João Alberto, confirmou, domingo, em São José de Ribamar, o que dissera à Coluna na semana passada: o seu partido terá candidato a prefeito nos grandes e médios municípios. A largada desse processo foi dada na Cidade do Padroeiro, onde almoçou as lideranças locais do MDB e deu sinal verde para a pré-candidatura do emedebista Edison Júnior a prefeito, que, se confirmado, disputará votos com o atual-prefeito Eudes Sampaio (PTB) e Edmar Cutrim, que se aposentará do Tribunal de Contas do Estado no início do ano que vem disposto a viabilizar sua candidatura. Na Ilha, Edison Júnior é o segundo nome do partido definido, já que o primeiro foi Gilberto Aroso, que vai tentar retomar a Prefeitura de Paço do Lumiar numa renhida disputa com o prefeito lumiense Domingos Dutra (PCdoB), que já está em andamento. Resta escolher os nomes que o MDB vai lançar para as prefeituras de Raposa e São Luís. Em Raposa, o nome será definido no segundo semestre, quanto em São Luís MDB trabalha com o projeto de candidatura do ex-deputado federal Victor Mendes e outras propostas de candidatura, dentro e fora do partido, como a do deputado Adriano Sarney (PV).

São Luís, 25 de Junho de 2019.

Flávio Dino amplia espaço político nacional e já aparece, de fato, como opção da esquerda para o Planalto em 2022

 

Flávio Dino em palestra sobre o Maranhão e o Brasil atuais para jornalistas e intelectuais do Rio de Janeiro

As últimas semanas têm confirmado um cenário político nacional em que um dos protagonistas é o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que se manifesta em Oposição ao Governo e as atitudes políticas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seus principais agentes, a começar pelo ex-juiz federal Sérgio Moro, ex-chefe da Operação Lava Jato e atua ministro da Justiça e Segurança Pública.  Alçado, por via natural, à condição de voz ativa e acreditada de um espectro político que vai do centro à chamada esquerda democrática, tendo também simpatizantes na esquerda radical e até na direita liberal, o governador do Maranhão tem chamado a atenção para os seus pronunciamentos, que confrontam diretamente e duramente as decisões do Governo Bolsonaro, como, por exemplo, o decreto que flexibilizou o uso e o porte de armas, que afrouxou perigosamente as regras de trânsito e propôs na Reforma da Previdência mudanças que sacrificariam a aposentadoria dos trabalhadores rurais e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que garante a sobrevivência de milhares de desvalidos. Sua ação política ganha espaço cada vez maior no País, e vai aos poucos atraindo apoiadores em todos os segmentos da sociedade civil organizada.

Além dos ataques firmes e frequentes aos passos maldados e em falso do novo presidente do Brasil e seu Governo, o governador Flávio Dino tem impressionado pelo tom e pelo conteúdo do seu discurso quando se manifesta como opositor. Faz uma Oposição dura, implacável, focada, mas calcada em argumentos sólidos, a maioria irrefutável, lastreados que são por exemplos, informações confiáveis e números que inibem contra-argumentos. Mais do que isso, suas declarações são sensatas, temáticas e nunca descamba para o campo pessoal, para a adjetivação grosseiras, agressões verbais rasteiras ou xingamentos baratos. Os alvos das suas estocadas, a começar pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, encontram sérias dificuldades em rebatê-las.

Em recente declaração dada à revista Veja, o governador explica com precisão o seu papel político de oposicionista no contexto atual, que tem dois nortes:  “O primeiro é o de propor e apresentar ideias. Temos de manter essa atitude de apresentar opções. E, claro, o segundo papel é o de criticar o que consideramos errado”. O registro das suas ações políticas mostra que o governador tem apresentado e defendido ideias. E mostram também que ele tem sido um crítico ácido do liberalismo ostensivo do atual Governo e seus desdobramentos nas mais diferentes áreas. No campo econômico, Flávio Dino tem criticado fortemente a não definição de uma política econômica clara, que proporcione a reativação plena da economia e a geração de empregos. “A economia brasileira está travada e isso não pode continuar”, tem dito o governador, certo de que suas declarações repercutem nas entranhas do Governo Bolsonaro e no Congresso Nacional, onde muitos o veem como uma voz que deve ser ouvida com atenção.

Nesse contexto, Flávio Dino desfaz a suposição de que está atuando mais no campo político nacional do que no Maranhão. “Seria um imenso equívoco perder o foco no Governo do Maranhão”, declarou à Veja, dando uma demonstração de que se dedica com afinco ao comando do Estado, atuando como um gestor presente, focado e rigoroso, e que tem o domínio completo das ações administrativas da sua equipe. O governador sabe exatamente como andam as ações na educação, na saúde, na infraestrutura, no meio ambiente, na segurança, na fazenda, na administração, enfim, em todas as áreas, mantendo um rígido e implacável equilíbrio fiscal, não permitindo que se gaste mais do que se arrecada. Todos os secretários conhecem de cor a ladainha e, até onde se sabe, ninguém extrapola os limites definidos no gabinete principal do Palácio dos Leões.

O desempenho administrativo, que lhe valeu a reeleição em turno único e colocou o Maranhão entre os estados em melhor situação fiscal, e a ação política que há muito ultrapassou as fronteiras do Maranhão tornaram Flávio Dino um quadro diferenciado no contexto político nacional. E cada vez mais com cacife e desenvoltura para entrar efetivamente na corrida para o Palácio do Planalto em 2022, que pode ter o ministro Sérgio Moro como candidato governista.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sem líderes expressivos que o adotem, bolsonarismo continua sem porta-voz no Maranhão

Chico Carvalho, Maura Jorge, Alan Garcez e Pará Figueiredo continuam formando um PSL sem rumo

Uma pergunta, já feita várias vezes por esta Coluna, continua sem resposta: quem fala pelo Governo Bolsonaro no Maranhão? Até agora, ninguém se habilitou a assumir o papel de porta-voz autorizado e com fiável do presidente da República no estado. A candidata natural ao posto, Maura Jorge, já tentou de tudo, mas foi nomeada para a Funasa com o aval do senador Roberto Rocha (PSDB). O presidente do PSL, vereador Chico Carvalho, vive sob a ameaça de perder o controle do PSL e, até onde é sabido, não tem qualquer link os gabinetes de comando de Brasília, o que lhe impede de assumir a condição de porta-voz bolsonarismo no Maranhão. A mesma situação envolve o médico Alan Garcez, que militou na campanha e foi premiado com um cargo de terceiro escalão no Ministério da Saúde, ensaiou lançar-se candidato a prefeito de São Luís, andou medindo forças com Chico Carvalho pelo controle do PSL, mas de uns tempos para cá optou por sumir do mapa. A posição mais estranha e inexplicável é a do deputado estadual Pará Figueiredo. Único eleito pelo PSL, e que, por conta da eleição e da condição de jovem, criou a expectativa de que se tornaria a grande referência do bolsonarismo no Maranhão, o parlamentar tem dados seguidas mostras de que não tem o menor interesse no posto, tanto que até hoje não ocupou a tribuna para elogiar, defender ou criticar o Governo Bolsonaro. O resultado dessa absoluta falta de liderança é que o bolsonarismo está sendo aos poucos abraçado pelo senador Roberto Rocha, que tem se comportado mais como líder agregado do Governo do que como líder da bancada tucana no Senado.

 

Hildo Rocha deve manter intacto o Acordo de Salvaguarda Tecnológica sobre uso de Alcântara

Hildo Rocha: responsabilidade de relatar o Acordo de Salvaguarda sobre Alcântara

Escalado pelo MDB para ser o relator do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), que será a base de futuros contratos entre o Brasil e os Estados Unidos para o uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), o deputado federal Hildo Rocha revelou que vai dar parecer inteiramente favorável ao documento. E não poderia ser de outra maneira. Primeiro porque o AST é um elenco regras técnicas que resguarda o contratante, no caso os EUA, não permitindo que o contratado, no caso o Brasil, tenha acesso a tecnologias que no momento os norte-americanos guardam como segredo inviolável de estado. E depois, pelo fato indiscutível de que nenhuma linha do documento sequer insinua a possibilidade de alguma rasura na soberania brasileira. A expressão “salvaguarda tecnológica” traduz fielmente o conteúdo do AST, exatamente por tratar exclusivamente de regras que resguardam tanto o Brasil quanto os EUA de qualquer intromissão não consentida, de um ou de outro, no processo de lançamento de um foguete norte-americano na Base de Alcântara. Como relator, o deputado Hildo Rocha poderá até sugerir uma ou outra alteração, mas preparado como é, ciente da importância capital desse documento, sua tendência é mesmo avalizar o texto do jeito que ele foi proposto. E deixar a palavra final para o plenário da Câmara Federal.

São Luís, 23 de Junho de 2019.

Othelino Neto cria grupo para implantar a cultura do planejamento estratégico para os movimentos da Assembleia Legislativa

Othelino Neto comanda reunião, realizada na terça-feira, 18, do grupo que implantará a cultura do planejamento estratégico na Assembleia Legislativa

 

“Precisamos produzir melhor e alcançar nossos objetivos com mais eficiência. Para atingir as metas e prestarmos um bom serviço, precisamos ser eficientes, para fazer com que a sociedade reconheça que está bem representada pelo Poder Legislativo”. Com essas palavras, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) abriu a primeira reunião de um grupo de trabalho ao qual entregou uma tarefa desafiadora: elaborar um Plano de Planejamento Estratégico para melhorar e turbinar a máquina administrativa da Assembleia Legislativa em todos os seus aspectos e funções. Para tanto, criou a Assessoria de Planejamento e Assuntos Estratégicos na estrutura operacional do Poder Legislativo, entregou a desafiadora tarefa de comandá-la à gestora Rafaela Lago, e convidou para ministrar uma espécie de “aula inaugural” sobre o assunto um craque na área: o professor Anderson Myranda, professor da UFMA. O ato inaugural do novo setor, realizado na terça-feira (18), reuniu diretores e coordenadores da máquina administrativa do Poder Legislativo.

Encarnando integralmente o espírito ativo da nova geração que assumiu recentemente o comando do Estado e com experiência de quem já foi secretário de Estado, o presidente Othelino Neto tem dado seguidas demonstrações de que não pretende ser apenas o presidente de um Poder que legisla e faz política. Suas orientações e atitudes demonstram que ele está determinado a transformar a Assembleia Legislativa numa instituição moderna, dinâmica, com funcionamento adequado aos tempos atuais. Isso vale para a dinâmica das sessões, dos processos e procedimentos que dão sentido e repercussão às iniciativas dos deputados – discursos, debates, projetos, requerimentos, solicitações, oitivas, seminários, audiências públicas -, como das comissões por meio das quais os deputados estaduais debatem previamente proposições cujos destinos são decididos no plenário, que é a instância soberana do parlamento.

O desafio da nova Assessoria é tornar o Plano de Planejamento Estratégico um instrumento eficaz de articulação entre as mais diversas áreas, facilitando a comunicação entre elas, de modo que as tarefas institucionais da Casa sejam cumpridas rigorosamente dentro dos padrões por meio de medias operacionais bem planejadas. Isso significa que a partir de agora nada será feito na Assembleia Legislativa sem um planejamento prévio. O processo envolverá todas as diretorias e coordenações da instituição, que deverão atuar em sintonia, de modo que as engrenagens do Poder Legislativo funcionem bem articuladas. “Quando a gente fala em planejamento estratégico, é importante dizer que ele funciona como um GPS, que nos dar um norte”, orientou o professor Anderson Myranda, explicando ainda que afirmou planejar melhora o processo gerencial, agiliza as ações e otimiza a comunicação e o relacionamento entre setores e pessoas.

Um dos pontos chaves do processo de introdução do planejamento estratégico na Assembleia Legislativa será a cultura da cooperação. Para assegurar a implantação da nova cultura, e junto com ela o embalo das inovações, a Assembleia Legislativa deverá firmar parcerias com a Universidade Federal do Maranhão e com a Fundação Sousândrade. “Em princípio, achei que era um abacaxi azedo, mas depois, vi que é um abacaxi doce, de Turiaçu”, declarou Rafaela Lago, revelando que tomou um choque quando recebeu o convite do presidente Othelino Neto. Mas quando se informou mais detalhadamente sobre a iniciativa e compreendeu sua complexidade e seus objetivos, chegou à conclusão de que o desafio que lhe foi entregue é viável e pode revolucionar o funcionamento e as iniciativas do Poder Legislativo.

Com mandato de presidente assegurado até 2022, o deputado Othelino Neto já emitiu sinais de que pretende transformar a Assembleia Legislativa numa instituição embalada pela inovação sem alterar sua natureza política e parlamentar. O Planejamento e Assuntos Estratégicos é parte desse processo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

MDB vai lançar candidatos prefeito na maioria dos grandes municípios, a começar por São Luís

João Alberto prevê que o MDB lançará candidatos a prefeito em grandes municípios, inclusive em SL

O MDB deve lançar candidatos para disputar as eleições nos grandes, médios e pequenos municípios. Quem desenha tal perspectiva é o presidente estadual, ex-governador João Alberto, com a ressalva de que ainda não há pré-candidatos definidos, mas que os nomes aparecerão “no momento certo”. No caso de São Luís, João Alberto confirma a existência de um projeto para dar a vaga de candidato a prefeito ao ex-deputado federal Victor Mendes, que já declarou interesse disputar o cargo. “É um projeto que ainda está sendo examinado”, diz o presidente emedebista, admitindo a possibilidade de que ele venha a ser concretizado, alertando, porém, que outras possibilidades estão em discussão. É o que acontece em São José de Ribamar, Caxias, Codó, Balsas e Imperatriz, por exemplo, onde o partido está conversando para definir caminhos. “Muita gente tem nos procurado e nós estamos ouvindo a todos e vamos tomar as decisões no momento adequado”. Nos grandes municípios, o único nome definido é o do ex-prefeito Gilberto Aroso, que será lançado como candidato do MDB para disputar a Prefeitura de Paço do Lumiar, enfrentando o prefeito Domingos Dutra (PCdoB), que deve anunciar, já o segundo semestre, o seu projeto de reeleição. Em Imperatriz, onde sofreu um duro golpe com a desfiliação do prefeito Assis Ramos do MDB, para ingressar no DEM, a cúpula emedebista está fazendo sondagens para identificar o melhor nome para ser o candidato do partido oposicionista. E em Bacabal, o partido apoiará a candidatura do prefeito Edvan Brandão (PSC) à reeleição. “Estamos conversando com muita gente. Nosso partido está sendo sondado por muita gente e nós vamos ter candidatos na maioria dos municípios, principalmente nos grandes”, disse o ex-governador, que descarta a possibilidade de a ex-governadora Roseana Sarney vir a disputar a Prefeitura de São Luís.

 

Roberto Rocha vem sendo duramente criticado por ter feito o papel de defensor intransigente de Sérgio Moro

Roberto Rocha: posição controvertida de defesa enfática de Sérgio Moro

Continua repercutindo forte e negativamente a posição do senador Roberto Rocha, líder da bancada do PSDB, na audiência em que o ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) foi ouvido no Senado sobre os diálogos escandalosos entre ele,  então juiz da Operação Lava Jato, e os procuradores da força-tarefa revelados pelo Intercept Brasil. Nenhum problema senador se posicionasse não dando respaldo aos diálogos, o que seria normal, já que muita gente tem dúvidas sinceras sobre o assunto. O problema é que Roberto Rocha vestiu a capa de paladino da moral bolsonariana e fez uma defesa enfática do ministro, como se os diálogos não tivessem qualquer importância. Roberto Rocha abraçou a linha tática adotada por Sérgio Moro, os procuradores e o Palácio do Planalto segundo a qual a gravidade está no vazamento e não no conteúdo do que foi vazado, o que é no mínimo uma tentativa pouco hábil de querer subestimar a inteligência dos brasileiros. O senador Roberto Rocha preferiu se portar como o aliado do Palácio do Planalto, que se auto escalou para atuar como aliado do ministro da Justiça, mesmo tendo ele caído em contradições de ter sido evasivo no que de fato interesse: se ele reconhece que atuou como o grande chefe da Operação Lava Jato.

São Luís, 22 de Junho de 2019.

Recado de Jefferson Portela e ameaça de Aloísio Mendes formam barril de pólvora que pode explodir na Câmara Federal

 

Jefferson Portela e Aloísio Mendes: guerra de palavras que poderá causar incêndio em oitiva na Câmara Federal

Ganhou formato de barril de pólvora com rastilho aceso o depoimento que o secretário de Estado de Segurança Pública, Jefferson Portela, e os delegados Tiago Bardal e Ney Anderson Gaspar prestarão na Câmara Federal sobre a denúncia, feita por deputados ligados ao Grupo Sarney – entre eles o autor da convocação, Aloísio Mendes (Podemos), que foi secretário no último Governo de Roseana Sarney (MDB) -, de que o atual comando do Sistema Estadual de Segurança Pública teria interceptado ilegalmente ligações telefônicas de magistrados e políticos maranhenses. O tal grampo ilegal, que até agora não foi comprovado, teria sido denunciado por Tiago Bardal, ex-titular da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) e preso sob a acusação de chefiar no Maranhão o braço de uma quadrilha internacional de contrabando, e Ney Anderson, também envolvido no caso e apontado como tendo comportamento instável devido a problemas de natureza emocional, ambos acusando o secretário de Segurança Pública   de realizar a tal escuta. Jefferson Portela reagiu duro, afirmando que se trata de um esquema tramado pelos três para tentar atingir o Governo Flávio Dino. O secretário classificou os três como “bandidos”, “covardes” e “mentirosos”.

Quando requereu o depoimento na Câmara Federal, o deputado Aloísio Mendes listou apenas os delegados Tiago Bardal e Ney Anderson, o que, se confirmado, seria apenas uma sessão de acusação. Diante da estratégia, deputados da base do governador Flávio Dino (PCdoB) exigiram a inclusão do secretário Jefferson Portela na relação dos convocados, o que alterou radicalmente a estratégia de Aloísio Mendes, pois significará que os dois serão rebatidos no ato. Tiago Bardal e Ney Anderson dizem ter elementos que provariam as tais escutas clandestinas feitas pela Polícia por ordem de Jefferson Portela, que nega peremptoriamente e os acusa de se articularem com Aloísio Mendes para tentarem se safar do processo envolvendo o escândalo do contrabando.

O caso envolve um confronto particular entre o secretário Jefferson Portela e o ex-secretário e atual deputado federal Aloísio Mendes, que chegaram ao cargo por caminhos muito diferentes.

Jefferson Portela é advogado e delegado de carreira, com militância política na esquerda desde o movimento estudantil, integrando a corrente a que pertenceram Flávio Dino e Márcio Jerry. É reconhecido como um policial sério, correto e eficiente, mas de temperamento explosivo, que teve a primeira experiência no comando da pasta no Governo Jackson Lago (PDT), entre 2007 e 2009, voltando ao cargo em 2015 por convocação do governador Flávio Dino. É conhecido por não ter “papa” na língua e pelo desassombro e firmeza com que vem comandando a pasta.

Aloísio Mendes é agente da Polícia Federal, fez parte da equipe de assessores do ex-presidente José Sarney (MDB), tendo, na função, criado laços fortes com a família Sarney, tendo sido escalado para assessorar o então secretário de Segurança Pública Raimundo Cutrim, de quem recebeu a tarefa de montar o Grupo de Operações Especiais e o Grupo Tático Aéreo. Assumiu a Secretaria de Segurança Pública em 2010 em substituição a Raimundo Cutrim, de quem se tornou desafeto por ter sido incluído na lista de suspeitos de mandar assassinar o jornalista Décio Sá. Deixou o cargo em 2014 para se candidatar a deputado federal, tendo sido eleito como uma das grandes surpresas do pleito.

Em entrevista recente à rádio Mais FM, ao ser indagado sobre os tais grampos e sobre a ida à Câmara Federal, Jefferson Portela disse que a acusação é uma trama armada por Tiago Bardal e Ney Anderson, avisando que “entraram errado”, porque “bandido não me intimida”. E referindo-se a Aloísio Mendes, disparou: “Ele   aparece abraçando criminosos e dando total crédito a esta história de interceptações. Será que ele é um analfabeto na condição de policial? Ele sabe que a interceptação só é implantada com a ordem de um juiz. A operadora não implanta com ofício de oficial. Se ele fala de interceptação ilegal ele deve saber algo sobre isso. Na nossa gestão, somente dentro da lei”. E lembrou que Aloísio Mendes “fugiu covardemente” de um debate que marcou com ele na rádio Mirante AM. “Eu espero que ele tenha coragem de homem de escutar tudo que eu tenho para dizer, olho no olho, para ele”, completou.

Aloísio Mendes reagiu com um a ameaça explícita: chamou   Jefferson Portela de “bufão desequilibrado” e disse que se   desrespeitá-lo durante o depoimento na Câmara Federal, pedirá sua prisão. Quem conhece Jefferson Portela tem certeza de que ele não deixará pedra sobre pedra se vier a depor em Brasília. Quem conhece Aloísio Mendes suspeita que ele tentará cumprir   a ameaça de prisão. Vale aguardar principalmente pelo que será dito na oitiva, que ainda não tem data marcada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

A Oftalmologia afastou de vez Tadeu Palácio da via tortuosa da política

O oftalmologista Tadeu Palácio  voltou a se impor sobre o político Tadeu Palácio

Há algumas semanas, foi ventilada a possibilidade de o ex-prefeito Tadeu Palácio suspender a sua aposentadoria política para candidatar-se à Prefeitura de São Luís. Mas tudo indica que o oftalmologista reassumiu de vez, e definitivamente, o rumo do cidadão Tadeu Palácio, colocando o político na gaveta do consultório do Hospital de Referência Oftalmológica, que integra o gigantesco complexo hospitalar São Domingos, onde atua consultando e operando. Tadeu Palácio construiu uma bem-sucedida carreira política, tendo sido três vezes vereador bem votado de São Luís pelo PDT, antes de aproveitar a chance de se tornar candidato a vice-prefeito na chapa de Jackson Lago (PDT) em 2000. Eleito, ganhou o presente dos céus: tornou-se prefeito da Capital com a renúncia de Jackson Lago, em 2002, para disputar o Governo do Estado. O ex-prefeito perdeu a disputa com José Reinaldo Tavares (PFL) para o Palácio dos Leões, enquanto Tadeu Palácio, tendo aproveitado bem a chance que lhe foi dada, e contando ainda com o avassalador poder de Jackson Lago sobre o eleitorado de São Luís, se reelegeu em 2004 em turno único, comandando a Capital até 2008. Fez durante seis anos uma administração aceitável, mas por uma série de erros políticos, ficou isolado e terminou seu mandato quando sofrendo uma derrota fragorosa ao tentar eleger o ex-deputado Clodomir Paz seu sucessor. É improvável que Tadeu Palácio volte à corrida ao voto. O mais provável é que continue fazendo o que mais sabe fazer, cuidar dos olhos alheios.

 

Glaubert Cutrim manifesta interesse pela Prefeitura de São Luís e expõe a indefinição no PDT

Glaubert Cutrim 

As declarações do deputado estadual Glaubert Cutrim ao jornal O Imparcial, publicadas na edição de ontem, sobre o seu interesse de que poderá vir a disputar a Prefeitura de São Luís, confirmam a impressão de que dentro do PDT, seu partido, é ainda dominante a indefinição no que diz respeito à escolha do candidato à sucessão do pedetista Edivaldo Holanda Jr.. Mesmo ressalvando que não trabalha com o projeto de concorrer comando da Capital na eleição do ano que vem, Glaubert Cutrim sinalizou que poderá entrar no páreo para disputar a vaga de candidato com os pré-candidatos já assumidos – o vereador-presidente Osmar Filho, o deputado estadual Dr. Yglésio e o vereador Ivaldo Rodrigues. Chama atenção o fato de Glaubert Cutrim não fazer qualquer referência ao projeto de aliança entre o PDT e o DEM em torno do deputado estadual Neto Evangelista, num claro indicativo de que tal costura não conta até aqui com o aval de parte expressiva dos líderes mais ativos do PDT. O próprio prefeito Edivaldo Holanda Jr., que será voz decisiva na corrida sucessória, ainda não emitiu qualquer sinal de simpatia por uma eventual aliança PDT/DEM.

São Luís, 21 de Junho de 2019.

Wellington do Curso “invade” Imperatriz, bate forte no prefeito Assis Ramos e é atacado por Rildo Amaral

 

Wellington do Curso “invade” a seara política de Imperatriz, ataca Assis Ramos e recebe o troco de Rildo Amaral

As duras críticas feitas pelo deputado estadual Wellington do Curso (PSDB) ao prefeito de Imperatriz, Assis Ramos (DEM), e a rebordosa que recebeu do deputado estadual Rildo Amaral (Solidariedade), é o resultado de duas incongruências. A primeira é a audaciosa movimentação de Wellington do Curso, que tem base firme em São Luís, mas vira e mexe “invade” “territórios” que estão fora do seu raio de ação política, causando estragos de um lado e levando pancadas de outro. E a segunda é a confirmação, cada vez mais gritante, de que não é mais possível imaginar o Brasil parlamentar sem o voto distrital, que deve ser item prioritário na primeira reforma política que vier a ser realizada pelo Congresso Nacional. Com esse sistema – que pode ser integral ou misto -, essas refregas, que são marcas da política estadual e acontecem com muita frequência, gerando às vezes desdobramentos nada republicanos, dificilmente acontecerão.

Pelo sistema atual, um deputado estadual pode ser eleito com os votos de uma microrregião, mas ganha o direito de falar em nome de todas as regiões, como se tivesse sido votado expressivamente em todas elas. Isso dá ao deputado Wellington do Curso, e a qualquer um dos seus colegas de parlamento, o direito de desembarcar em qualquer município maranhense, fiscalizar as condições de funcionamento de escolas e casas de saúde, por exemplo, e, de acordo com as suas conclusões, elogiar ou criticar duramente o prefeito. Pode fazer isso em São Luís, Pedro do Rosário, Parnarama, Carutapera, Imperatriz, com total garantia institucional. Ao disparar sua metralhadora verbal contra o prefeito de Imperatriz, acusando-o de incompetência na gestão do Hospital Municipal, Wellington do Curso usou plenamente o direito que lhe é garantido pelo mandato parlamentar, que lhe assegura também total liberdade de expressão e manifestação do pensamento, desde que não extrapole os limites da ética e do decoro.

O problema é que, na maioria dos casos, os ataques do deputado tucano encontram pela frente o contra-ataque de deputados que representam aquelas regiões “invadidas”. No caso de Imperatriz, a reação partiu do deputado Rildo Amaral, que reagiu respaldado pelo fato de ter sido vereador de peso na Princesa do Tocantins, de ter sido eleito deputado estadual com milhares de votos da cidade, e ainda ter relação de colaboração com o prefeito Assis Ramos. E foi com esse cacife que Rildo Amaral espinafrou Wellington do Curso: “A cidade de Imperatriz não aceita aproveitador chegar lá falando o que não conhece”.  E avisou que Imperatriz costuma ser “impiedosa” com “aproveitadores”. Pelo tom que deu à reação, Rildo Amaral sinalizou com clareza que vai jogar muito mais pesado se Wellington do Curso resolver treplicar, o que é muito o provável, uma vez que o parlamentar tucano já tem o “couro grosso” por conta das pancadas que tem recebido nas suas incursões institucionalmente corretas, mas politicamente perigosas, que já fez em “territórios alheios”.

No que diz respeito ao caso em si, soa no mínimo estranho que Wellington do Curso tenha se abalado de São Luís para Imperatriz com o objetivo de estocar a gestão do prefeito Assis Ramos. Para começar, sua base principal é São Luís, onde faz Oposição zoadenta, mas já sem muito eco, ao prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) e ao Governo Flávio Dino (PCdoB). Além do mais, vem se colocando clara e enfaticamente como pré-candidato a prefeito da Capital, aproveitando o cacife de mais de 100 mil votos que recebeu no pleito de 2016 e que embalou sua reeleição para a Assembleia Legislativa. Sua incursão crítica por Imperatriz não faz qualquer sentido, a não ser pelo fato de que tem o direito institucional de fazê-la, mesmo que o resultado tenha sido a rebordosa desgastante disparada pelo deputado tocantino Rildo Amaral em defesa do prefeito Assis Ramos.

No sistema distrital ou distrital misto, situações como essas dificilmente aconteceriam. O confronto entre representantes regionais se daria num outro nível.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Com os votos de Eliziane e Weverton, Senado derruba Decreto das Armas e impõe dura derrota a Bolsonaro

Eliziane Gama e Weverton Rocha ajudaram a derrubar o decreto armamentista que Roberto Rocha tentou salvar

Estava escrito nas estrelas que o nocivo Decreto das Armas por meio do qual o presidente Jair Bolsonaro (PSL) atropelou o Estatuto do Desarmamento e tentou transformar o Brasil num País armado, receberia um “chega-prá-lá” no Congresso Nacional. A tendência foi confirmada ontem, quando o Senado, pelos votos favoráveis de 47 senadores e contrários de 28, derrubou o Decreto presidencial. Os senadores que votaram pela derrubada do famigerado decreto, entre eles os maranhenses Eliziane Gama (Cidadania) e Weverton Rocha (PDT), impuseram uma dura derrota ao presidente belicista, numa indicação da clara de que o Decreto armamentista sofrerá o mesmo destino na Câmara Federal. Eliziane Gama e Weverton Rocha confirmaram, com os seus votos, sua rejeição anunciada ao Decreto desde que ele foi editado pelo presidente Jair Bolsonaro, reafirmando o argumento segundo o qual mais armas significaria mais violência e mais mortes no Brasil, que já figura como um País violento mesmo com as fortes restrições à posse e porte de armas de fogo. Na contramão do que pensa a maioria dos brasileiros, que se manifestou contra o Decreto presidencial, o senador Roberto Rocha (PSDB) votou a favor, demonstrando, de maneira enfática, as suas afinidades políticas e ideológicas com o presidente Jair Bolsonaro, de quem é um entusiástico apoiador. A derrubada do Decreto das Armas no Senado mostrou que os senadores Eliziane Gama e Weverton Rocha estão sintonizados com a banda majoritária da sociedade, enquanto o senador Roberto Rocha preferiu se confirmar como integrante da marcha bolsonariana da insensatez.

 

Roberto Costa ajuda os “Os Caras de Onça” a conseguir sede em prédio do Governo

Roberto Costa (centro) entre Diego Galdino (de preto) e André Campos: diálogo e acordo sobre sede para grupo de arte que atua na comunidade do Desterro

O deputado estadual Roberto Costa (MDB) está cada vez mais experiente no que no jargão parlamentar é conhecido como “política de resultado”, o que o torna um dos membros mais ativos da Assembleia Legislativa. Essa postura mais uma vez praticada ontem, quando o parlamentar emedebista intermediou, em nome do presidente da casa, Othelino Neto (PCdoB), uma negociação entre o secretário de Cultura, Diego Galdino, e os integrantes da Fábrica de Arte “Os Cara de Onça”, que atua no bairro do Desterro, em São Luís. A negociação produziu dois resultados altamente positivos. A primeira: o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, vai restaurar o prédio onde a Fábrica de Arte funciona. A segunda: “Os Caras de Onça” terão espaço garantido no prédio reformado, e receberão aluguel social para bancar estadia prédio alugado no qual permanecerão trabalhando durante a reforma do prédio para onde se mudarão quando a reforma for concluída, conforme garantia dada pelo secretário Diégo Galdino. “Os Cara de Onça” é um grupo formado por jovens da comunidade do Desterro e outras áreas do Centro Histórico, que desenvolvem atividades culturais e sociais voltadas para jovens da comunidade formada pelo Desterro e adjacências. Roberto Costa abraçou a bandeira do grupo e se colocou como intermediário para negociar um acordo com o secretário Diego Galdino e os líderes da Fábrica de Arte, que foi intermediado pelo presidente Othelino Filho. O secretário de Cultura reagiu positivamente à proposta dos integrantes de “Os Caras de Onça” e lhes assegurou que a reforma do prédio será feita e que eles vão continuar a usá-lo nas atividades da Fábrica de Arte.

São Luís, 19 de Junho de 2019.

Neto Evangelista, Rubens Jr. e Duarte Jr. tentam se consolidar para ganhar o apoio político e eleitoral de Flávio Dino

 

Ted Lago, Neto Evangelista, Rubens Jr. e Duarte Jr. cercam Flávio Dino na entrega do Cheque Minha Casa: medição de força e prestígio na busca da vaga de candidato 

O ato em que o governador Flávio Dino (PCdoB) entregou, no sábado (15), na sede da Unidade Plena do Iema em São Luís (Centro), cheques no valor de R$ 2.500,00 do Programa Cheque Minha Casa a 1.300 famílias da Região Metropolitana de São Luís, foi marcado pela presença de três pré-candidatos à Prefeitura de São Luís com chances ser o escolhido pelo Palácio do Leões para liderar uma grande coligação à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT). Ao lado do governador estavam o deputado estadual Neto Evangelista (DEM), o deputado federal licenciado e secretário das Cidades Rubens Pereira Jr. (PCdoB) e o deputado estadual Duarte Jr. (PCdoB), todos visivelmente afinados com as linhas administrativas e políticas do governador Flávio Dino e visivelmente engajados na tarefa politicamente vital de consolidar as suas pré-candidaturas. Também no ato a presença curiosa do engenheiro Ted Lago, o anglo-brasileiro que realiza uma festejada gestão na Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap).

Com a clara anuência da cúpula da aliança dinista, que reúne 16 partidos, Neto Evangelista, Rubens Pereira Jr. e Duarte Jr. vêm travando uma intensa queda de braço para se viabilizarem para disputar o Palácio de la Ravardière em nome da poderosa coligação. Neto Evangelista trabalha para ser o candidato de uma parceria entre o DEM e o PDT, articulada pelo senador Weverton Rocha, presidente da agremiação brizolista, com o deputado federal Juscelino Filho, chefe estadual do DEM, contando com o apoio do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) e anuência do governador Flávio Dino. Rubens Jr. e Duarte Jr. medem forças, ainda sem confronto aberto, dentro do PCdoB, ambos com carta branca do presidente da agremiação, deputado federal Márcio Jerry, e o aval do governador Flávio Dino. Um deles será o candidato das forças governistas, que, pelo menos até aqui, terá como adversário o deputado federal Eduardo Braide (PMN), que liderando a preferência nas pesquisas.

Os movimentos por eles realizados, como a participação em eventos como o de sábado, ao qual compareceram milhares de pessoas, e a capacidade que cada um terá de atrair apoio partidário para bancar politicamente as suas candidaturas, serão fundamentais nessa fase prévia em que os projetos eleitorais começam a ganhar força. Neto Evangelista, Rubens Pereira Jr. e Duarte Jr. sabem que precisam de mostrar cacife eleitoral, mas sabem também que uma candidatura majoritária em São Luís, o maior e mais importante colégio eleitoral, onde estão quase 20% dos eleitores do Maranhão, não se consolida sem uma forte base de apoio político. As eleições mais recentes têm mostrado que candidatos “bons de voto”, mas sem estrutura política e partidária, têm ficado para trás. Ou seja, chegar ao Palácio de la Ravardière não é tarefa para um candidato solitário, mas de um candidato apoiado por uma base partidária organizada e ativa.

Ao marcarem presença na nova etapa do Programa Cheque Minha Casa, com a doação de recursos destinados à realização de melhorias em residências de famílias com pessoas idosas ou deficientes, os pré-candidatos à Prefeitura de São Luís querem, claro, demonstrar sintonia fina com o Palácio dos Leões em busca do apoio político e eleitoral decisivo do governador Flávio Dino, de longe o eleitor mais importante da corrida em andamento. Neto Evangelista, Rubens Pereira Jr. e Duarte Jr. têm plena consciência de que seus projetos eleitorais só terão chance de sucesso com as bênçãos do governador, que vem estimulando os movimentos de cada um, para no momento certo se posicionar por um deles, ou pelos três numa estratégia de levar a eleição para um segundo turno.

O evento do Programa Cheque Minha Casa – que já beneficiou mais de 10 mil famílias maranhenses e investiu quase R$ 50 milhões desde que foi implantado no ano passado -, foi marcado também por uma presença curiosa: a do engenheiro Ted Lago, presidente da Emap, que comanda o Complexo Portuário do Itaqui. Ao lado do governador Flávio Dino e dos três pré-candidatos governistas, ele agiu com vivo entusiasmo num ato que nada tem a ver com a área em que atua, causando em alguns a impressão de que pode ter interesse na movimentação política em curso para a Prefeitura da Capital. Será?!

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino reage a ataque de Doria, que engole seco e evita insistir na crítica a governadores nordestinos

Flávio Dino deu o troco a João Doria, que preferiu não treplicar e evitar um confronto

Repercutiu fortemente no meio político nacional a dura, mas civilizada, reação do governador Flávio Dino à crítica feita pelo governador de São Paulo, João Dória (PSDB), aos governadores do Nordeste, afirmando ter faltado “atitude” e “voz de comando” na decisão deles de não apoiar a carta por ele articulada afirmando que os estados e municípios seriam incluídos no projeto do Governo Federal sem discutir aposentadoria rural, BPC, institucionalização e capitalização. Ciente de que o governador paulista, que é aliado assumido do presidente Jair Bolsonaro (PSL), além de fazer o jogo do Palácio do Planalto, pretendeu aparecer no cenário político nacional como o “pai” da adesão dos governadores ao projeto governista, Flávio Dino reagiu:

“Claro que respeitamos as ‘atitudes’ do governador de São Paulo. São escolhas ideológicas e ele que responda por elas. Mas certamente ele não tem o direito de reclamar idênticas ‘atitudes’ de quem deseja preservar direitos sociais dos mais pobres. De minha parte, mantenho a mesma conduta desde sempre: diálogo com todos, mas sem abrir mão de princípios. Princípios estes que são diferentes dos adotados pelo governador Doria. Diferenças normais em um regime democrático, e por isso têm todo meu respeito”.

João Doria foi aconselhado a engolir seco o pito que recebeu de Flávio Dino e evitou treplicar, evitando o risco de encarar um embate com alguém com um nível de preparo provavelmente bem superior ao dele. Sucumbiu ao argumento segundo o qual, além de muito preparado, o governador do Maranhão é, como ele, uma estrela em ascensão no cenário nacional, ganhando estatura para ser o seu adversário na corrida ao Palácio do Planalto.

 

PT não ficará de fora da disputa em São Luís: pode ter candidato a prefeito ou a vice

Zé Carlos e Zé Inácio são opções do PT para disputar em São Luís

O PT não vai ficar de fora da corrida para a Prefeitura de São Luís, mas só vai iniciar o processo de decisão em outubro, quando a direção nacional abrir o calendário de eventos internos por meio dos quais o partido definirá a linha de ação que o norteará nas eleições municipais em todo o País. Antes da das definições, os líderes petistas maranhenses trabalham com duas possibilidades. A primeira é o lançamento de candidato próprio à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr., que pode ser o deputado federal Zé Carlos ou o deputado estadual Zé Inácio. A segunda é participar de uma aliança indicando o candidato a vice-prefeito. Em princípio, o PT não admite a possibilidade de ficar de fora da disputa majoritária em São Luís, sem lançar um candidato a prefeito ou a vice-prefeito. No cenário em formação, o PT pode aliar-se ao PCdoB numa chapa em que indicará o candidato a vice ou pode fazer uma dobradinha com o PSB e indicar o vice da chapa que será liderada pelo deputado federal Bira do Pindaré. Não há ainda qualquer definição, mas petistas de proa indicam que esses são os possíveis caminhos do PT na corrida para a Prefeitura de São Luís.

São Luís, 18 de Junho de 2019.

Dino X Moro: revelações do Intercept indicam que governador acertou quando criticou excessos do juiz contra Lula

 

Flávio Dino está em ascensão e Sérgio Moro em franca derrocada na cena nacional

Quando, ainda em 2016, o governador Flávio Dino (PCdoB), respaldado pela condição de ex-juiz federal e ex-presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), começou a apontar excessos cometidos pelo então juiz Sérgio Moro, titular da 13ª Vara Federal de Curitiba e comandante da Operação Lava Jato, especialmente em relação ao ex-presidente Lula da Silva (PT), vendo neles um ostensivo viés político, muitas vozes criticaram duramente o líder maranhense. Nos últimos três anos, Flávio Dino manteve inalterada sua postura crítica em relação a atitudes e decisões de Sérgio Moro no caso envolvendo Lula da Silva, atacando com clareza e firmeza cada ato e gesto controverso do magistrado e insistindo na suspeita de que por trás de tais procedimentos nada republicanos estava em curso um ousado e bem armado projeto de poder. A controvertida condenação de Lula da Silva, impedindo-o de ser candidato a presidente, a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) e a decisão de Sérgio Moro de deixar a magistratura para se tornar ministro da Justiça de novo Governo, confirmaram em parte as suspeitas de Flávio Dino.

As bombásticas ver revelações do sítio de notícias Intercept Brasil, que deixaram os brasileiros perplexos por mostrarem as linhas gerais de um conluio criminoso do juiz Sérgio Moro com os procuradores federais responsáveis pelas investigações com o objetivo explícito de condenar o ex-presidente de qualquer maneira, atestam que o governador Flávio Dino sabia exatamente onde estava pisando e o que estava fazendo. Na sua mais recente manifestação sobre o caso nas redes sociais, Flávio Dino escreveu, em tom didático, mas com efeito devastador sobre a defesa até aqui muito frágil do ministro Sérgio Moro: “Fui juiz federal durante 12 anos e nunca: mandei no Ministério Público, determinei que procuradora fosse fazer “treinamento”, orientei procurador sobre produzir provas, mandei descumprir decisão de desembargador”. Os defensores contumazes de Sérgio Moro desta vez se calaram, evidenciando terem também sido abatidos com as revelações do conluio feito pelo Intercept Brasil.

A monumental confusão institucional que vem colocando os brasileiros em estado de alerta vem também rascunhando um desenho primário do cenário político para a sucessão presidencial de 2022. Até duas semanas atrás, Sérgio Moro se mantinha como a primeira opção da direita bolsonariana para ser o candidato à sucessão do atual presidente. Nesse ambiente, o governador Flávio Dino vem sendo cotado para ser o candidato de uma grande aliança de centro-esquerda. Agora, a ser confirmada a grande armação evidenciada pelas conversas entre o então juiz-chefe da Operação Lava Jato e membros do Ministério Público Federal com o objetivo de liquidar o ex-presidente Lula da Silva com a marca de corrupto, Sérgio Moro tende a embicar rumo ao limbo moral, ético e político. Para muitos observadores, o ministro já perdeu, de cara, a possibilidade de ser indicado para o Supremo Tribunal federal (STF), e na esteira do desprestígio que começa a atingi-lo, poderá também ver sua pretensão presidencial arquivada pelas circunstâncias. Os próximos dias serão decisivos para o ministro da Justiça, que deve ter amargado o revelador recado do chefe maior Jair Bolsonaro avisando que só confia 100% em pai e mãe.

Nesse contexto, o governador Flávio Dino constrói uma trajetória inversa, e até aqui bem-sucedida. Deixou a magistratura para encarar as urnas, elegendo-se deputado federal e duas vezes governador, acumulando respeito e credibilidade à frente de um governo eficiente, produtivo e limpo, fazendo do Maranhão uma espécie de “ilha” num mapa em que a esmagadora maioria dos estados, principalmente os mais ricos, enfrenta problemas gigantescos, causados por má gestão e corrupção. Ao contrário de Sérgio Moro, Flávio Dino segue em frente ampliando seu espaço político sem perder um só naco da sua credibilidade, e agora transitando com desenvoltura e boa perspectiva na esfera dos que podem vir a disputar vaga no Senado ou mesmo a Presidência da República. Seus alertas sobre os desvios de conduta do então juiz-chefe da Operação Lava Jato indicaram sua preocupação com a plenitude do estado democrático de direito, ameaçada por Sérgio Moro e sua turma.

Muitos enxergam uma disputa entre Flávio Dino e Sérgio Moro. Se ela existe, o governador do Maranhão, mesmo sem os gigantescos holofotes da Operação Lava Jato, está levando a melhor até aqui, de vez que seu prestígio só aumenta, enquanto o do ainda ministro da Justiça entrou de vez na rota de ladeira abaixo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Maura Jorge ganha a Funasa tendo como “patrono” o senador tucano Roberto Rocha e o aval do MDB

Maura Jorge foi nomeada para a Funasa no MA por Jair Bolsonaro com o aval de Roberto Rocha

Nada surpreendente a nomeação de Maura Jorge comandar o braço maranhense da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Depois de se tornar aliada primeira do candidato Jair Bolsonaro no Maranhão, de ter alcançados surpreendentes 4,5% dos votos para o Governo do Estado, batendo o senador Roberto Rocha (PSDB), e de ter peregrinado semanas a fio por Brasília no período de montagem do novo Governo, sem nada conseguir, era natural que Maura Jorge, a ex-deputada estadual, ex-secretária em um dos governos de Roseana Sarney (PSDB) e ex-prefeita de Lago da Pedra fosse premiada com um filão político como a Funasa. Chama a atenção, porém, o fato de que, para ganhar o cargo, ela, agora militante do PSL, precisado do aval pelo senador Roberto Rocha, atual líder do PSDB no Senado, e também por lideranças do MDB, como a prefeita de Rosário, Irlaih Moraes, que compareceu à posse, em Brasília.

Convém registrar que a Funasa, que atua principalmente na área de saneamento com o objetivo de melhorar a saúde pública, opera quase sempre com orçamento robusto e projetos diversos, o que a torna suas superintendências regionais poderosos instrumentos de ação política muito disputadas por aliados do Palácio do Planalto. Isso explica, por exemplo, que no auge do poder do Grupo Sarney, a Superintendência da Funasa no Maranhão tenha funcionado por mais de uma década como uma espécie de feudo do então deputado federal Sarney Filho (PV). Mais recentemente, o órgão foi controlado pelo MDB, com dirigentes indicados pela cúpula do partido. Agora, o seu comando será de Maura Jorge, mas ninguém duvida que no plano majoritário o grande beneficiário dos dividendos políticos das suas ações será o senador Roberto Rocha, que já controla também a regional da Codevasf. Maura Jorge, claro, vai tirar o proveito político possível, cacifando-se para disputar a Prefeitura de Lago da Pedra em 2020 ou ambicionar um mandato vistoso em 2022, como deputada federal, por exemplo.

 

DESTAQUE

“Arraiá do Povo”: Assembleia Legislativa traduz o espírito social e popular dos festejos juninos do Maranhão

Ana Paula Lobato e Othelino Neto: anfitriões corretos de uma festa popular que traduziu o espírito político e cultural da Assembleia Legislativa

Vários outros arraiais animaram o fim de semana em Ilha de Upaon Açu, mas nenhum exprimiu o espírito das festas juninas de São Luís como o “Arraiá do Povo”, realizado pela Assembleia Legislativa, nas imediações do Palácio Manoel Beckman. Ali, nos dois primeiros dias – sexta-feira e sábado – deputados, assessores, servidores, convidados e o povo em geral reencontraram as expressões mais fortes e poderosas da cultura popular do Maranhão, a exemplos dos irresistíveis batalhões pesados da Maioba e do Maracanã e o Boizinho Barrica, além de quadrilhas, grupos de cacuriá e dança portuguesa, numa fantástica diversidade de ritmos, cores e movimentos e uma culinária só encontrados no mesmo espaço em São Luís do Maranhão. O presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), e a presidente do Grupo de Esposas de Deputados (Gedema), Ana Paula Lobato, foram anfitriões irrepreensíveis da grande festa, dedicando atenção aos presentes e aos brincantes, numa tradução correta do espírito democrático e sem barreira social que move a natureza colegiada da Poder Legislativa. Pelo “Arraiá do Povo” passaram parlamentares estaduais e federais, prefeitos, vereadores, cidadãos comuns com suas famílias, festejando sem barreiras políticas ou sociais. Nesse sentido, o “Arraiá do Povo” –cuja programação terá ponto final neste domingo – foi bem mais que uma simples festa popular em homenagem aos santos da época. Foi uma demonstração de que, além das responsabilidades institucionais de legislar, fiscalizar e dar vazão às demandas da sociedade maranhense, mantém laços fortes com a cultura maranhense, principalmente o seu viés popular. Nesse sentido, o presidente Othelino Neto e a presidente do Gedema, Ana Paula Lobato têm enfatizado a natureza popular das iniciativas sociais e culturais da Assembleia Legislativa. E nesse contexto não há dúvida de que o “Arraiá do Povo” cumpriu plenamente o seu papel no calendário cultural do Poder Legislativo. Para tanto, vale ressaltar o empenho das Diretoria da Casa, em especial a de Comunicação, comandada pelo jornalista Edwin Jinkins, cuja equipe espalhou para o mundo, em ondas de rádio e TV, as imagens da grande festa.

São Luís, 16 de Junho de 2019.