Flávio Dino amplia espaço político nacional e já aparece, de fato, como opção da esquerda para o Planalto em 2022

 

Flávio Dino em palestra sobre o Maranhão e o Brasil atuais para jornalistas e intelectuais do Rio de Janeiro

As últimas semanas têm confirmado um cenário político nacional em que um dos protagonistas é o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que se manifesta em Oposição ao Governo e as atitudes políticas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seus principais agentes, a começar pelo ex-juiz federal Sérgio Moro, ex-chefe da Operação Lava Jato e atua ministro da Justiça e Segurança Pública.  Alçado, por via natural, à condição de voz ativa e acreditada de um espectro político que vai do centro à chamada esquerda democrática, tendo também simpatizantes na esquerda radical e até na direita liberal, o governador do Maranhão tem chamado a atenção para os seus pronunciamentos, que confrontam diretamente e duramente as decisões do Governo Bolsonaro, como, por exemplo, o decreto que flexibilizou o uso e o porte de armas, que afrouxou perigosamente as regras de trânsito e propôs na Reforma da Previdência mudanças que sacrificariam a aposentadoria dos trabalhadores rurais e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que garante a sobrevivência de milhares de desvalidos. Sua ação política ganha espaço cada vez maior no País, e vai aos poucos atraindo apoiadores em todos os segmentos da sociedade civil organizada.

Além dos ataques firmes e frequentes aos passos maldados e em falso do novo presidente do Brasil e seu Governo, o governador Flávio Dino tem impressionado pelo tom e pelo conteúdo do seu discurso quando se manifesta como opositor. Faz uma Oposição dura, implacável, focada, mas calcada em argumentos sólidos, a maioria irrefutável, lastreados que são por exemplos, informações confiáveis e números que inibem contra-argumentos. Mais do que isso, suas declarações são sensatas, temáticas e nunca descamba para o campo pessoal, para a adjetivação grosseiras, agressões verbais rasteiras ou xingamentos baratos. Os alvos das suas estocadas, a começar pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, encontram sérias dificuldades em rebatê-las.

Em recente declaração dada à revista Veja, o governador explica com precisão o seu papel político de oposicionista no contexto atual, que tem dois nortes:  “O primeiro é o de propor e apresentar ideias. Temos de manter essa atitude de apresentar opções. E, claro, o segundo papel é o de criticar o que consideramos errado”. O registro das suas ações políticas mostra que o governador tem apresentado e defendido ideias. E mostram também que ele tem sido um crítico ácido do liberalismo ostensivo do atual Governo e seus desdobramentos nas mais diferentes áreas. No campo econômico, Flávio Dino tem criticado fortemente a não definição de uma política econômica clara, que proporcione a reativação plena da economia e a geração de empregos. “A economia brasileira está travada e isso não pode continuar”, tem dito o governador, certo de que suas declarações repercutem nas entranhas do Governo Bolsonaro e no Congresso Nacional, onde muitos o veem como uma voz que deve ser ouvida com atenção.

Nesse contexto, Flávio Dino desfaz a suposição de que está atuando mais no campo político nacional do que no Maranhão. “Seria um imenso equívoco perder o foco no Governo do Maranhão”, declarou à Veja, dando uma demonstração de que se dedica com afinco ao comando do Estado, atuando como um gestor presente, focado e rigoroso, e que tem o domínio completo das ações administrativas da sua equipe. O governador sabe exatamente como andam as ações na educação, na saúde, na infraestrutura, no meio ambiente, na segurança, na fazenda, na administração, enfim, em todas as áreas, mantendo um rígido e implacável equilíbrio fiscal, não permitindo que se gaste mais do que se arrecada. Todos os secretários conhecem de cor a ladainha e, até onde se sabe, ninguém extrapola os limites definidos no gabinete principal do Palácio dos Leões.

O desempenho administrativo, que lhe valeu a reeleição em turno único e colocou o Maranhão entre os estados em melhor situação fiscal, e a ação política que há muito ultrapassou as fronteiras do Maranhão tornaram Flávio Dino um quadro diferenciado no contexto político nacional. E cada vez mais com cacife e desenvoltura para entrar efetivamente na corrida para o Palácio do Planalto em 2022, que pode ter o ministro Sérgio Moro como candidato governista.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sem líderes expressivos que o adotem, bolsonarismo continua sem porta-voz no Maranhão

Chico Carvalho, Maura Jorge, Alan Garcez e Pará Figueiredo continuam formando um PSL sem rumo

Uma pergunta, já feita várias vezes por esta Coluna, continua sem resposta: quem fala pelo Governo Bolsonaro no Maranhão? Até agora, ninguém se habilitou a assumir o papel de porta-voz autorizado e com fiável do presidente da República no estado. A candidata natural ao posto, Maura Jorge, já tentou de tudo, mas foi nomeada para a Funasa com o aval do senador Roberto Rocha (PSDB). O presidente do PSL, vereador Chico Carvalho, vive sob a ameaça de perder o controle do PSL e, até onde é sabido, não tem qualquer link os gabinetes de comando de Brasília, o que lhe impede de assumir a condição de porta-voz bolsonarismo no Maranhão. A mesma situação envolve o médico Alan Garcez, que militou na campanha e foi premiado com um cargo de terceiro escalão no Ministério da Saúde, ensaiou lançar-se candidato a prefeito de São Luís, andou medindo forças com Chico Carvalho pelo controle do PSL, mas de uns tempos para cá optou por sumir do mapa. A posição mais estranha e inexplicável é a do deputado estadual Pará Figueiredo. Único eleito pelo PSL, e que, por conta da eleição e da condição de jovem, criou a expectativa de que se tornaria a grande referência do bolsonarismo no Maranhão, o parlamentar tem dados seguidas mostras de que não tem o menor interesse no posto, tanto que até hoje não ocupou a tribuna para elogiar, defender ou criticar o Governo Bolsonaro. O resultado dessa absoluta falta de liderança é que o bolsonarismo está sendo aos poucos abraçado pelo senador Roberto Rocha, que tem se comportado mais como líder agregado do Governo do que como líder da bancada tucana no Senado.

 

Hildo Rocha deve manter intacto o Acordo de Salvaguarda Tecnológica sobre uso de Alcântara

Hildo Rocha: responsabilidade de relatar o Acordo de Salvaguarda sobre Alcântara

Escalado pelo MDB para ser o relator do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), que será a base de futuros contratos entre o Brasil e os Estados Unidos para o uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), o deputado federal Hildo Rocha revelou que vai dar parecer inteiramente favorável ao documento. E não poderia ser de outra maneira. Primeiro porque o AST é um elenco regras técnicas que resguarda o contratante, no caso os EUA, não permitindo que o contratado, no caso o Brasil, tenha acesso a tecnologias que no momento os norte-americanos guardam como segredo inviolável de estado. E depois, pelo fato indiscutível de que nenhuma linha do documento sequer insinua a possibilidade de alguma rasura na soberania brasileira. A expressão “salvaguarda tecnológica” traduz fielmente o conteúdo do AST, exatamente por tratar exclusivamente de regras que resguardam tanto o Brasil quanto os EUA de qualquer intromissão não consentida, de um ou de outro, no processo de lançamento de um foguete norte-americano na Base de Alcântara. Como relator, o deputado Hildo Rocha poderá até sugerir uma ou outra alteração, mas preparado como é, ciente da importância capital desse documento, sua tendência é mesmo avalizar o texto do jeito que ele foi proposto. E deixar a palavra final para o plenário da Câmara Federal.

São Luís, 23 de Junho de 2019.

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