Arquivos mensais: setembro 2026

Inop mostra Braide e Orleans empatados, depois de duas pesquisas em que eles alternam a liderança na corrida aos Leões

Inop: Eduardo Braide e Orleans Brandão em
empate técnico, seguidos por Felipe
Camarão, Roberto Rocha, André Luís,
Reginaldo Lima e Dimas Cassimiro

Em uma semana, nada menos que três pesquisas sobre a corrida ao Palácio dos Leões apresentaram resultados rigorosamente diferentes, dando a impressão de que algo está errado no reino das investigações estatísticas para medir as intenções do eleitorado em relação aos candidatos à sucessão do governador Carlos Brandão (MDB). No dia 24/08, o instituto Quaest, considerado hoje o mais importante do País, mostrou Eduardo Braide (PSD) com 44% das intenções de voto, e Orleans Brandão (MDB) com 25%. Três dias depois, no dia 27/08, o instituto Qualitativa – sobre o qual pouco se sabe – agitou o cenário com levantamento no qual Orleans Brandão aparece na liderança com 41%, e Eduardo Braide em segundo com 36% das intenções de voto.

Ontem, o Instituto Nacional de Opinião Pública (Inop) sacudiu o meio político e surpreendeu meio mundo ao informar que sua pesquisa encontrou um cenário no qual os dois aparecem quase que rigorosamente empatados: Eduardo Braide está numericamente à frente com 42,54%, enquanto que Orleans Brandão desponta ao seu lado com 42,08% das intenções de voto, uma diferença de 0,46% a favor do candidato do PSD.

No rastro dos dois, a pesquisa Inop mostra Felipe Camarão (PT) com 5,42% das intenções se voto, seguido de Roberto Rocha (PRTB) com 3,88, André Luís (Missão) com 0,15%, Reginaldo Lima (PCB) com 0,08% e Dimas Cassimiro (PCO) com 0,04%, enquanto Saulo Arcangeli (PSTU) não pontuou. Um microgrupo de 0,50% disse que não votará em nenhum dos nomes ou anulará o voto, e outro grupo, um pouco mais robusto, com 5,31%, não soube ou preferiu não responder.

Não se trata aqui de comparar as pesquisas, elegendo uma ou outra como a correta ou a incorreta, a começar pelo fato de que é praxe no universo estatístico não se comparar pesquisas, por diversos fatores, entre eles a diferença de método, o universo pesquisado, a quantidade de entrevistas, e outros dados que diferenciam os levantamentos.

Por outro lado, não há como não mergulhar na perplexidade diante de resultados tão díspares quando se trata de três pesquisas sobre o mesmo tema, envolvendo os mesmos candidatos no mesmo estado, e realizadas praticamente no mesmo período. Parece ilógico que em um deles imponha uma vantagem de 19 pontos percentuais de Eduardo Braide sobre Orleans Brandão, e que, quatro dias depois, outro instituto mostre uma inversão radical, com Orleans Brandão aparecendo com 5,1 pontos de vantagem sobre Eduardo Braide.

A pesquisa Inop chega como que um fator de ajuste das posições, eliminando as vantagem de lado a lado, para desenhar um equilíbrio. E, sem a tentação da comparação, pode-se perguntar: qual dessas pesquisas desenham um quadro verdadeiro da disputa? A pesquisa da Quaest, com a credibilidade que construiu no âmbito nacional? A pesquisa Qualitativa, cujos números inverteram as posições no quadro da polarização? Ou a pesquisa Inop, que se difere das demais pelo maior número de entrevistados, mesmo se sabendo que, nesse caso, quantidade de entrevistas não traduzem necessariamente a realidade?

Há, pelo menos, um ponto comum nas três pesquisas: Eduardo Braide e Orleans Brandão protagonizam o cenário com uma forte polarização, que, se mantida, levará a guerra pelo Palácio dos Leões para um segundo turno, com desfecho absolutamente imprevisível. Os dois candidatos estão animados, manifestando entusiasmo com as informações correntes e com seus porta-vozes prevendo vitórias acachapantes, de preferência se ela vier no 1º turno.

Vale lembrar que mais três pesquisas estão registradas no TRE e podem ser divulgadas até sexta-feira. Elas poderão jogar mais luzes sobre esse cenário confuso desenhado pelos três levantamentos mais recentes.

Em Tempo: Contratada pelo Jornal Pequeno, a pesquisa Inop entrevistou 2.600 eleitores no período de 19 a 26 de agosto, tem margem de erro de 3,02 pontos percentuais, para mais ou para menos, intervalo de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-07572/2026.

PONTO & CONTRAPONTO

Algumas alianças “estranhas” chamam a atenção, enquanto outras, ostensivas, são ignoradas

Rubens Jr., Roseana Sarney,
Eliziane Gama e André Fufuca:
alianças fora da curva

Muita gente “estranhou” que o deputado federal Rubens Júnior (PT) tenha aparecido ao lado de Eduardo Braide (PSD) numa manifestação de campanha em Matões do Norte, no Leste do Maranhão, onde o pai do parlamentar, que já foi prefeito do município, tenha declarado apoio ao ex-prefeito de São Luís.

Mais do que outra corrida eleitoral, a que está em curso no Maranhão tem mostrado situações até pouco tempo consideradas impossíveis, como a presença da deputada Roseana Sarney (MDB) e o senador Weverton Rocha (PDT) como aliados no mesmo palanque. Da mesma maneira que ninguém esperava que o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral (PP), que é apoiador declarado do deputado federal André Fufuca (PP) para o Senado, declarasse apoio à reeleição de Eliziane Gama (PT) à reeleição.

No final da semana, o grupo Gentil, que é linha de frente na base de apoio de Orleans Brandão (MDB), realizou uma grande festa política para lançar as candidaturas da deputada federal Amanda Gentil (PP) e Daniella Jadão (MDB) à reeleição, com a presença de ninguém menos que André Fufuca (PP), apoiado pelo grupo para o Senado mesmo sendo linha de frente na candidatura de Eduardo Braide ao Palácio dos Leões.

Alguns tentaram emplacar marca de “traidor” em Bira do Pindaré (PT), por ele ter sido secretário no Governo Brandão e declarar apoio ao candidato do seu partido, Felipe Camarão, ao Governo do Estado, e não a Orleans Brandão. No contrapeso, quase ninguém se surpreendeu com o apoio ostensivo Orleans Brandão, e não a Felipe Camarão, candidato do PT ao Governo do Estado.

Dezenas de alianças aparentemente “estranhas” dessa natureza estão em curso no Maranhão, e são produto de situações políticas paroquiais e de conveniências que ignoram diferenças aparentemente “irresolvíveis”.   

Subida de Augusto Cury e dificuldades de Renan Santos podem mexer com Duarte Jr. e André Luís

Duarte Jr. e André Luís podem
ser alcançados pelos movimentos
dos seus candidatos a presidente

O movimento na corrida presidencial com a subida de Augusto Cury (Avante) para o terceiro lugar, segundo duas pesquisas recentes, e a pancada da Justiça Eleitoral – decisão do ministro Dias Toffoli – na candidatura de Renan Santos (Missão), podendo tirá-lo da disputa, pode ter reflexos no tabuleiro eleitoral do Maranhão.

Se vier a ganhar consistência, a subida de Augusto Cury pode mexer com a candidatura do deputado federal Duarte Jr. (Avante) à reeleição, podendo beneficiá-lo ou criar-lhe uma situação embaraçosa, já que o parlamentar maranhense tem manifestado apoio à reeleição do presidente Lula da Silva (PT).

Num outro quadrado, as dificuldades que ameaçam a candidatura de Renan Santos a presidente pode reduzir o poder de fogo de André Luís, candidato do Missão a governador do Maranhão. Isso porque, sem a referência de Renan Santos, a candidatura de André Luís perde consistência, podendo mantê-lo estacionado.

São Luís, 01 de Setembro de 2026.