Arquivos mensais: julho 2020

Adiamento das eleições mexe com os projetos de candidaturas à Prefeitura de São Luís  

 

Para chegar ao Palàcio de la Ravardière, imponente sede da prefeitura de São Luís candidatos terão que ajustar seus projetos ao novo calendário das eleições

A Câmara Federal completou ontem a batida de martelo do Senado da República e confirmou o adiamento das eleições municipais para 15 de Novembro, e 29 de Novembro onde houver segundo turno. As datas principais do calendário eleitoral   foram também adiadas: as convenções partidárias para escolha de candidatos serão realizadas no período de 31 de Agosto a 16 de setembro, o registro de candidaturas ocorrerá até 26 de Setembro, e a propaganda eleitoral em rádio, TV e internet será iniciada em 27 de Setembro, um dia após o prazo para registro de candidaturas. Outras datas, digamos, burocráticas, do pleito foram alteradas para que todo o processo transcorra de modo a garantir a posse dos eleitos no dia 1º de Janeiro de 2021. Superado esse gargalo criado pela pandemia do novo coronavírus, os partidos têm agora o tempo necessário para maturar seus projetos, definir suas candidaturas e armar as alianças possíveis para viabilizá-las no eleitorado. Esse novo cenário pode alterar expressivamente a corrida para a Prefeitura de São Luís, em tese reduzindo as chances de alguns candidatos e criando melhores condições para que outras candidaturas ainda em processo de construção se viabilizem.

Qualquer análise fria e isenta certamente concluirá que o adiamento da corrida às urnas não favorece, por exemplo, o candidato do Podemos, Eduardo Braide, que hoje lidera a preferência do eleitorado, segundo todas as pesquisas divulgadas até aqui. Os levantamentos mais recentes indicaram queda nas suas intenções de voto, um processo previsível devido ao grande número de candidatos, alguns com peso e potencial de crescimento. Se a eleição fosse mantida para 4 de Outubro, Eduardo Braide teria condições de segurar parte da sua liderança, o que se tornará bem mais difícil com o adiamento de do pleito em 40 dias. No contrapeso, candidato do PCdoB, Rubens Júnior, que confirmou sua candidatura há pouco tempo e entra na briga com o suporte de vários partidos e com as ondas fortes do Governo do Estado e o prestígio inconteste do governador Flávio Dino (PCdoB), ganhou o tempo que precisava para fortalecer o seu projeto, que já começa a dar sinais de que pode se tornar uma candidatura robusta e decisiva.

A mudança da data das eleições favorece também o candidato do DEM, Neto Evangelista, à medida que o presidente do PDT, senador Weverton Rocha – que foi um dos principais articuladores da decisão no Congresso Nacional -, ganha o tempo que precisava para amarrar a aliança com o Democratas, inclusive acertando os ponteiros com o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), cujo silêncio sobre o assunto é interpretado como um recado claro e direto de que não está de acordo com a aliança. Nesse cenário, o candidato do PSB, Bira do Pindaré, ganha mais tempo para turbinar seu projeto arquitetando alianças à esquerda. Por outro lado, o candidato do Republicanos, Duarte Júnior, nada ganha com a mudança da data da eleição, exatamente por correr o risco de perder parte das suas bases de apoio nas redes sociais, que serão intensamente assediadas de agora por diante. Para ele, a data original seria mais vantajosa.

A mudança de data favorece claramente os Jeisael Marx (Rede), Yglésio Moises (PROS), Carlos Madeira (Solidariedade), Detinha (PL), Adriano Sarney (PV), Franklin Douglas (PSOL), Saulo Arcangeli (PSTU) e Wellington do Curso (PSDB). Sem grandes estruturas, eles ganham tempo para estruturar melhor suas campanhas e tentar convencer o eleitorado sobre a viabilidade dos seus projetos. Se vão conseguir, isso só se saberá quando as urnas se pronunciarem na noite do dia 15 de Novembro.

A alteração no calendário eleitoral poderá também ter reflexos importantes em Imperatriz, por exemplo, onde o prefeito Assis ramos (DEM), que sofre forte pressão de candidatos fortíssimos como deputado estadual Marco Aurélio (PCdoB), que já lidera a corrida, Ildon Marques (PP) e Sebastião Madeira (PSDB), ganha algum tempo para tentar redesenhar o cenário de uma derrota anunciada. Em São José de Ribamar, por seu turno, o adiamento do pleito favorece o prefeito Eudes Sampaio (PTB), que ganha mais tempo para consolidar sua posição numa disputa em que não tem um adversário de peso. Em Paço do Lumiar, comandos partidários terão mais um mês para desenrolar o nó cego que trava o futuro do prefeito afastado Domingos Dutra (PCdoB) e da prefeita em exercício Paula da Pindoba (Solidariedade).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino propõe auxílio emergencial para micro e pequeno empreendedor; Maranhão perde arrecadação

Flávio Dino propõe auxílio emergencial para micro e pequenos empresários afetados pela pandemia

O governador Flávio Dino vem criticando severamente as trapalhadas do Governo Federal em relação aos micro e pequenos empresários, que deveriam estar sendo apoiados, mas, ao contrário, milhares em todo o País encontra-se à mingua, quase falidos, situação que poderia estar menos dramática se os programas de crédito anunciados pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, tivessem sido efetivamente colocados em prática, livres do cipoal burocrático que os impede de atendê-los.

O governador do Maranhão sugere um auxílio emergencial para os micro e pequenos empreendedores, que respondem por quase metade do bolo econômico nacional.

Flávio Dino está convencido de que esse auxílio deve ser liberado pela União sem amarras, e deve ser depositado direto na conta das empresas, permitindo que os empresários empreguem esses valores no pagamento das suas contas mais imediatas, na aquisição de matérias primas e materiais e na manutenção dos empregos.

– A situação das micro e pequenas empresas é dramática. Havia uma ideia de que bastaria abrir o comércio que tudo ia voltar ao normal. Muita gente está descobrindo que não. Em vez de crédito, deveria ser criado um auxílio emergencial agora, já, para as micro e pequenas empresas – propôs Flávio Dino, durante conversa virtual que manteve recentemente com o ex-presidente Lula da Silva (PT), que concordou com a proposta.

O governador do Maranhão conhece os efeitos da paralisação da das atividades econômicas, principalmente dos pequenos empreendimentos, por causa da pandemia do novo coronavírus. O reflexo mais evidente está exatamente na queda de arrecadação de impostos, situação enfrentada pelos estados e municípios. Ontem, levantamento publicado pelo G1, portal do Sistema Globo, mostrou que de Janeiro para cá o Maranhão perdeu R$ 2,2 bilhões em arrecadação de impostos, tendo as perdas mais acentuadas nos meses de Março, Abril, Maio e Junho, um golpe violento na estabilidade fiscal do Governo maranhense.

 

PT pode lançar candidato ou se aliar ao PCdoB na corrida à Prefeitura de São Luís

Zé Inácio e Rubens Júnior

Não existe ainda martelo batido sobre o assunto, mas nos bastidores da corrida sucessória ganha força o rumor segundo o qual o PT tende a participar da disputa em São Luís como parte da aliança que vier a ser construída pelo PCdoB em torno da candidatura do deputado federal Rubens Júnior, podendo até mesmo indicar o vice. Há, de fato, pressão da ala lulista do partido por candidato próprio, já tendo inclusive indicado o deputado Zé Inácio. Mas há também firme posição de outras correntes a favor de que o PT apoie o candidato do PCdoB e invista pesado numa chapa de candidatos a vereador. O adiamento das eleições para Novembro abre um período bem mais largo para que o partido tome posição em São Luís.

São Luís, 02 de Julho de 2020.

Jeisael Marx diz que disputa a Prefeitura para mudar “modelo arcaico” de administração de SL

 

Jeisael Marx vai para a disputa com apoio total de Marina Silva e Fauzi Beydoun

São Luís tem um modelo de administração arcaico, superado, e que não mudará se os prefeitos continuarem sendo representantes das elites políticas. Quem tem essa concepção e está disposto a inverter o processo e mudar as regras do jogo é o jornalista Jeisael Marx, pré-candidato à Prefeitura de São Luís pelo Rede Sustentabilidade, partido de natureza ambientalista liderado nacionalmente pela ex-senadora Marina Silva. Por exigência da legislação eleitoral, Jeisael Marx se afastou ontem das atividades profissionais no braço maranhense da Band, onde apresentava a versão local do programa “Brasil Urgente”, e participação no programa “Ponto Continuando”, da rádio Mais FM. Vai agora se dedicar à gigantesca e desafiadora tarefa de convencer parte graúda dos quase 600 mil eleitores da Capital de que é o nome certo para suceder ao prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) no gabinete principal do Palácio de la Ravardière.

Embalado pela máxima segundo a qual “política não é carreira, é missão”, Jeisael Marx se coloca entre os candidatos enfatizando o diferencial de ser o único aspirante que se move por essa concepção. Coloca-se como uma espécie de outsider, à medida que enxerga nos outros candidatos – Duarte Júnior (Republicanos), Eduardo Braide (Podemos), Rubens Júnior (PCdoB), Neto Evangelista (DEM), Bira do Pindaré (PSB), Yglésio Moises (PROS), Wellington do Curso (PSDB), Detinha (PL), Franklin Douglas (PSOL), Carlos Madeira (Solidariedade), Saulo Arcangeli (PSTU) e Adriano Sarney (PV) – representantes da política convencional, que na sua perspectiva nada muda. “É todo mundo amarrado em partido, em família e em grupo. Eu sou o único candidato com perfil para fazer as mudanças administrativas que São Luís precisa”, sentencia, exibindo surpreendente convicção em relação à base da sua argumentação, que encara a política como missão, não como carreira.

Baixadeiro de origem, ludovicense por adoção, jornalista – milita no radicalismo e mantém um blog, Jeisael Marx entra na corrida sucessória como detentor de um bom lastro de conhecimento da cidade de 1,2 milhão de habitantes e seus e gigantescos problemas, adquirido na sua vivência repórter e apresentador de TV cuja intensa prática sempre teve um viés político. Não esconde que integra politicamente na aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), mas é enfático ao afirmar que seu projeto de candidatura é independente, exatamente por não estar relacionado a nenhum grupo. Ideologicamente, garante que não é de direita nem de esquerda, admitindo cultivar valores dos dois campos, o que o faz situar-se numa espécie de socialdemocracia. Garante que manterá a independência da sua candidatura, para não sucumbir ao lugar comum da política convencional, praticada por grupos e partidos convencionais.

Aos colegas, na sua despedida temporária – ou não? – dos estúdios de rádio e televisão, Jeisael Marx reafirmou seu projeto de candidatura e sua plataforma de campanha, afirmando também seu discurso político, e recorreu à Bíblica para definir o passo que está dando ao se afastar da profissão para tentar um mandato de prefeito da maior e mais importante cidade do Maranhão: “Há tempo para tudo: tempo de plantar, tempo de colher. Estamos plantando uma semente, e esperamos que Deus nos dê a oportunidade de colher ainda este ano”. A atitude e o discurso revelam também um candidato ousado e destemido, a começar pelo fato de que toca sua candidatura apenas com a sua disposição de falar aos eleitores sobre seus planos, entre eles dividir a cidade em cinco subprefeituras, como passo decisivo para a descentralização. “Só eu terei condições de fazer isso”, garante.

Jeisael Marx entra nessa fase intermediária e decisiva da corrida eleitoral como candidato do Rede, chancelado pelas lideranças locais, entre eles o compositor regueiro Fauzi Beydoun, que preside a legenda no estado, e nacionais, como a própria Marina Silva, que tem manifestado apoio total ao projeto de candidatura e dependendo apenas da formalização da escolha em convenção a ser realizada daqui a algumas semanas. A partir de então sairá a campo em busca do apoio do eleitorado.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

César Pires ataca Governo sobre UTIs; Rafael Leitoa rebate desmentindo

César Pires levantou dúvidas sobre UTIs e foi rebatido por Rafael Leitoa

O deputado César Pires (PV) ocupou ontem a tribuna da Assembleia Legislativa para levantar dúvidas a respeito do número de leitos de UTI exclusivos para pacientes cm Covid-19 em hospitais mantidos pelo Governo do Estado. Disse ter recebido “informações de fontes fidedignas” de que o número de leitos instalados pelo Governo do Estado seria menor do que dizem as informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Saúde. Não revelou tais fontes e citou supostos números de hospitais privados, tentando demonstrar que, de acordo com as tais fontes, o número de leitos seria menor. Ato contínuo, o líder do Governo, deputado Rafael Leitoa, rebateu o ataque do oposicionista, afirmando, categoricamente, que o Governo do Estado implantou uma grande e eficiente rede hospitalar contra o novo coronavírus, com a instalação de 220 leitos de UTI. E destacou o número de UTIs seria bem maior se o Governo tivesse recebido 55 respiradores da compra não concluída Consórcio Nordeste. Mas ressaltou que os respiradores não chegaram, mas o dinheiro foi devolvido integralmente, “em dólar”. A impressão geral foi a de que o deputado César Oires usou sua habilidade para tentar criar um clima de dúvida sobre as ações do Governo no combate à pandemia. Só que parece ter agido na hora errada, quando todas as informações, oficiais e oficiosas, mostram que o Governo do Maranhão foi eficiente e bem-sucedido em todas as suas ações para evitar o avanço da virose no Maranhão, a começar por São Luís, onde os números mostram que a rede hospitalar ontem já trabalhava com folga de 40% nos leitos de UTI.

 

Duarte Júnior emplaca projeto de lei para empregar maranhenses na construção civil

Duarte Júnior

O deputado Duarte Júnior (Republicanos) marcou ontem gol de placa ao ter aprovado pela Assembleia Legislativa, por unanimidade, o Projeto de Lei 449/2020, que estabelece prioridade na contratação de trabalhadores maranhenses ou residentes no estado nas obras de construção civil. O texto altera a Lei 10.789/18, ampliando para as empresas do terceiro grupo da indústria (construção e mobiliário, montagem e manutenção industrial) a obrigatoriedade de contratar, prioritariamente, mão de obra maranhense (na proporção de 70% de maranhenses natos ou residentes no Estado, com reserva de 15% dessas vagas para mulheres) no quadro efetivo dessas empresas. “Essa lei é justa e necessária, ainda mais neste momento de crise e recessão econômica, já que a taxa de desocupação no primeiro trimestre de 2020 aumentou em 4% no Maranhão, o que significa dizer que aproximadamente 100 mil cidadãos maranhenses estão sem uma ocupação, sem um emprego, sem uma renda”, declarou Duarte Júnior. O parlamentar informou que a iniciativa contou com o apoio de entidades sindicais e empresariais ligadas à construção civil.

São Luís, 01 de Julho de 2020.