Arquivos mensais: janeiro 2019

Eleição na Famem: Erlânio Xavier lança chapa de Oposição e Cleomar Tema intensifica campanha pela reeleição

 

Em cima: Ao lado do prefeito Edivaldo Jr., e certado de aliados, Erlânio Xavier lança sua candidatura em ato concorrido no Hotel Rio Poty, no final da tarde de ontem. Embaixo: Cleomar Tema em campanha incentivado pela deputada eleita Daniella Tema e apoiado pelos prefeitos Roni Pereira (Mirador) , Djalma Melo Arari), Plácido Holanda (Santa Luzia do Paruá e Raimundo Silveira (Parnarama)

A surpreendente concentração de reluzentes Toyta Hilux, portentosas Chevrolet S10, atraentes Nissan Frontier,  poderosas Ford Ranger, charmosas Mitsubishi Triton – e outras maravilhas automobilísticas que  simbolizam o poder municipal no Maranhão – estacionadas em frente e nas imediações do Hotel Rio Poty, na tarde/noite de ontem, já seria suficiente para levar à conclusão de que o ato de lançamento da chapa “Humberto Coutinho”, liderada pelo prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT), de Oposição na eleição para o comando da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), que tem o presidente Cleomar Tema (PSB) como candidato à reeleição, foi bem sucedido. Nas contas de quem acompanhou tudo de perto, compareceram mais de uma centena de prefeitos, entre eles o prefeito de São Luís, Edivaldo Jr. (PDT), que é o presidente de Honra da entidade, e o seu colega de Caxias, Fábio Gentil (PRB). O encontro aconteceu no final de um dia em que o presidente Cleomar Tema dedicou-se intensamente à sua campanha à reeleição, conversando com aliados e operando para atrair e segurar eleitores.

Na entrevista que concedeu após o lançamento, Erlânio Xavier usou um tom conciliador, propondo que o presidente Cleomar Tema desista da candidatura à reeleição e participe de um consenso em torno da candidatura dele, Erlânio, “para manter a entidade unida”. O dia terminou com os apoiadores da chapa “Humberto Coutinho” prevendo euforicamente “uma grande vitória” do prefeito de Igarapé Grande, enquanto os partidários de Cleomar Tema continuaram afirmando convictos que o prefeito de Tuntum tem experiência e alguns trunfos para renovar o mandato à frente da entidade. A eleição será realizada no dia 30 de Janeiro, com a participação de 207 prefeitos credenciados, já que 10 municípios não são filiados à entidade municipalista. E com o diferencial de que nesse pleito o governador Flávio Dino (PCdoB), e com ele o Governo como um todo, não se envolverá no processo, já que o embate está sendo travado entre dois aliados.

A diretoria eleita neste pleito terá mandato até 2020, quando haverá eleição para prefeito. O presidente Cleomar Tema justifica sua candidatura à reeleição com o argumento de que está com uma série de negociações engatilhadas com o Governo Federal, que poderão resultar em ganhos reais para os municípios, que poderão ser prejudicadas por outros negociadores. Além disso, avalia que fez uma boa gestão e isso lhe dá autoridade política para pleitear a reeleição. Seu opositor, Erlânio Xavier, que lidera o movimento “A Famem é nossa”, apresenta argumentos no sentido inverso, acusando Cleomar Tema de não ter feito uma gestão de bons resultados para os municípios. O candidato a presidente pela chapa “Humberto Coutinho” argumenta ainda que na última eleição foi formado um consenso em torno de Cleomar Tema, com o compromisso de seria presidente por um biênio e que o consenso seria formado em torno de outro nome. “Eu não sou candidato de mim, eu fui convidado pelo grupo e aceitei o desafio”, declarou, depois de que afirmado que “a chapa não está fechada. Deixamos espaço e nossos companheiros aqui querem a unidade”.

A movimentação de Erlânio Xavier não impressionou Cleomar Tema, que passou o dia no seu QG na Famem recebendo prefeitos e conversando com outros por telefone. Com ele estiveram Djalma Melo (PTB), de Arari, Plácido Holanda (PSB), de Santa Luzia do Paruá, Roni Pereira (PCdoB), de Mirador e Raimundo Silveira (PROS), de Parnarama. Todos declararam apoio ao seu projeto de reeleição. “Voto no presidente Tema pelas conquistas que a entidade viabilizou para o municipalismo sob o comando dele. É um dirigente bastante empenhado no seu trabalho, um homem do diálogo e que agora acaba de abrir um importante canal de diálogo junto ao Governo Federal”, declarou Plácido Holanda, de Santa Luzia do Paruá. Djalma Melo (Arari) também foi enfático ao opinar que “Cleomar Tema é o melhor para a Federação, uma vez que já mostrou serviço, cujos resultados estão transparentes, como a nova sede, a Escola de Gestão Municipal e outros avanços”.

O fato é que ontem foi um dia decisivo, com indicativos claros de que, pelo menos até aqui, não há clima para um acordão que leve ao consenso, e que por isso haverá disputa eleição para o comando da Famem. Mas como em política situações aparentemente irreversíveis podem mudar de uma hora para outra, é lógico afirmar que faltando 13 dias (e 13 noites) para a eleição, é precipitado cantar o desfecho.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Flávio Dino “lava as mãos” para a disputa pelo comando da Famem

Flávio Dino não se envolverá na disputa pelo comando da Famem

O governador Flávio Dino lavou as mãos em relação para a disputa pelo comando da Famem. E a explicação é simples e cristalina: o presidente Cleomar Tema, que pleiteia a reeleição, e o atual 2º secretário da entidade, Erlânio Xavier, são aliados seus, de modo que, qualquer que seja o resultado da disputa, o futuro presidente da entidade será alinhado ao Governo, o que significa problemas a menos para o Palácio dos Leões.

Na verdade, o governador tentou evitar esse confronto entre forças da sua base. Depois das eleições de Outubro do ano passado, Flávio Dino tentou convencer a Cleomar Tema e a Erlânio Xavier a sentarem à mesa de negociações em busca de uma candidatura consensual. Logo percebeu que Cleomar Tema não estava disposto a abrir mão do projeto de reeleição nem Erlânio Xavier emitiu qualquer sinal de que abriria mão de ser candidato. Já depois de assumir o novo mandato, o governador sondou os dois lados e se deparou com a mesma situação, ou seja, Cleomar Tema se mostrou irredutível e Erlânio Xavier também. Teria havido até uma tentativa de convencer o governador a se posicionar a favor de um dos dois, mas Flávio Dino teria fulminado a proposta argumentando que esta seria uma interferência descabida na Famem. Diante da impossibilidade de um acordo, decidiu não participar do processo, como fazem os líderes com os pés no chão.

Mas os movimentos que disputam o comando da Famem não estão limitados aos prefeitos. O presidente Cleomar Tema joga em causa própria, tendo o apoio discreto do vice-governador Carlos Brandão, que não faz campanha aberta, mas estaria recomendando a prefeitos que seguem sua orientação a votarem no presidente da Famem. Por sua vez, Erlânio Xavier conta com o apoio bem mais exposto do senador eleito Weverton Rocha (PDT) e com o aval declarado do prefeito de São Luís, Edvaldo Jr.. Por isso, tudo indica que o clima pode esquentar.

 

Eleitoral e politicamente fraco, Pastor Gildenemyr vai tentar sobreviver nas fileiras do bolsonarismo

Pastor Gildenemyr em selfie com o presidente Jair Bolsonaro a quem apoiará na Câmara Federal a partir de 1º de Fevereiro

O deputado federal eleito Pastor Gildenemyr bateu martelo e trocou o PMN pelo PSL, assumindo a condição de único membro da bancada maranhense filiado ao partido do presidente Jair Bolsonaro. Recebeu pouco mais de 47 mil votos, só conseguindo entrar na poeira da espetacular votação do deputado Eduardo Braide, que lhe deu legendas de sobra para ganhar o direito de morar em Brasília pelos próximos quatro anos.

Natural de Monção, 47 anos e batizado Gildenemir de Lima Souza, Pastor Gildenemyr – trocou, não se sabe o porquê, o i por um y na última sílaba do nome, como fazem alguns aspirantes a pops stars para esconder a humildade das suas raízes –, sendo também conhecido como Pastor Gil, fez carreira na Assembleia de Deus, tendo alcançado a cúpula da denominação unindo o fervor religioso a um ambicioso projeto de chegar no topo. Tornou-se o “nome forte” da congregação evangélica ao receber 95% dos votos da Convenção do Conselho Político da Assembleia de Deus no Maranhão. Foi eleito, é verdade, mas revelou-se um fracasso eleitoral, à medida que recebeu apenas 47,7 mil votos, votação com a qual não chegaria a suplente em outros partidos e coligações. Sua eleição se deve exclusivamente ao deputado Eduardo Braide, que o puxou do limbo das urnas. Para se ter uma ideia da fragilidade eleitoral de Pastor Gildenemyr, seguem alguns exemplos de suplentes que o venceram largamente em matéria de votos: Simplício Araújo (SD) recebeu 74 mil votos, Wolmer Araújo (??) 64,7 mil, Victor Mendes (MDB) 61,1 mil, Gastão Vieira (PROS) 57,8 mil, Elizabeth Gonçalo (Avente) 56,1 mil e Paulo Marinho Jr. (PP) 55,7 mil.

Isso não coloca em dúvida a legalidade da sua eleição, mas demonstra com clareza a sua baixa representatividade política. E lhe impõe a desafiadora tarefa de fazer um mandato correto e produtivo. Ao ingressar nas fileiras do PSL, que encabeça a base do Governo de Jair Bolsonaro, Pastor Gildenemyr assume claramente a condição de parlamentar de direita, posição ideológica que se consolida mais ainda dada a sua posição de representante da Assembleia de Deus, indicando que jogará no time que fará Oposição cerrada ao governador Flávio Dino.

São Luís, 16 de Janeiro de 2019.

 

Acordão no MDB: João Marcelo deve assumir a presidência tendo Hildo Rocha como vice-presidente

João Marcelo assumirá presidência do MDB tendo Hildo Rocha como vice; André Campos continua no comando do partido em São Luis e Roberto Rocha em Bacabal

Tudo indica que o braço maranhense do MDB encontrou o caminho para superar a crise interna e fazer uma transição sem traumas no comando do partido. Depois de uma série de articulações intestinas, as lideranças emedebistas costuraram um acordo pelo qual o deputado federal João Marcelo será o presidente regional do partido, substituindo ao senador João Alberto, e tendo como vice o deputado federal Hildo Rocha. O martelo ainda não foi batido, mas todos os sinais emitidos informalmente por fontes do partido indicam que os principais caciques emedebistas – incluindo o ex-presidente José Sarney e a ex-governadora Roseana Sarney -,  estão de acordo com a fórmula, que apagará o incêndio que vinha devastando as relações internas no MDB. A entrega da presidência do MDB ao deputado João Marcelo contempla a ala jovem do partido, que se rebelou contra a substituição do senador João Alberto por uma liderança da “velha guarda”, prestigiando também essa corrente com a entrega da vice-presidência ao deputado federal Hildo Rocha. Com a costura desse acordo, os caciques do MDB acreditam que que a crise partidária, provocada por um “choque de gerações”, estará superada.

O entendimento dentro do MDB resolve uma série de problemas que o partido vinha enfrentando desde a dura derrota que sofreu nas urnas em 2018. Liderada pelo deputado estadual reeleito Roberto Costa, a nova geração do partido exigiu que o comando lhe fosse entregue, para permitir uma mudança radical na atuação da agremiação. Ocorreu que a ex-governadora Roseana Sarney também pretendia assumir a presidência do MDB maranhense e não convenceu os jovens de que esse seria o caminho mais adequado para tirar o partido da areia movediça em que foi atirado ao ser trucidado nas urnas. A situação ganhou peso e gravidade de impasse, levando as lideranças a realizar uma longa e cuidadosa negociação para resolvê-lo.

Líder do movimento dos jovens, o deputado Roberto Costa propôs um acordo para entregar o comando do partido a Assis Filho, que é o presidente nacional do MDB Jovem e até o dia 31 de dezembro foi secretário Nacional da Juventude, cargo que lhe deu status de liderança dentro do partido. Só que os chefões do MDB maranhense, e até mesmo alguns jovens ponderaram que, mesmo sendo um quadro importante do partido, Assis Filho não exerce um mandato eletivo e isso reduz drasticamente suas chances de vir a dirigir o partido. Diante desse cenário, Roberto Costa e Hildo Rocha firmaram posições e se posicionaram para disputar o comando partidário em Fevereiro. Seria uma guerra, que poderia de, em vez de unir o partido, sacudi-lo de tal maneira que o MDB poderia sair desse confronto irremediavelmente dividido, podendo até mesmo se transformar num partido nanico. Houve até emedebista de peso falando em deixar o partido.

O acordão que está na fase final de costura muda completamente o cenário de conflito doméstico do MDB, dando ao partido a possibilidade de se recauchutar e se preparar para os embates que se avizinham: as eleições municipais de 2020 e as eleições gerais de 2022. Sociólogo por formação, que nasceu e cresceu respirando política, o deputado federal João Marcelo é um político sério, que defende intransigentemente o grupo a que pertence. Para comandar o MDB, contará com os conselhos do pai, senador João Alberto, uma das mais importantes e bem-sucedidas raposas políticas do Maranhão, que dirige o MDB desde o início da década de 1990 do século o passado. Tem noção clara de que os conflitos internos e as derrotas eleitorais recentes são fruto de um desgaste natural de um grupo que está há muito tempo no poder e cujas lideranças mais experientes esgotaram seus repertórios para atrair o eleitorado.

Se o acordão for mesmo consumado com João Marcelo na presidência estatual, o deputado estadual Roberto Costa será confirmado na presidência do MDB de Bacabal, enquanto André Campos permanecerá à frente do Diretório de São Luís.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sérgio Moro aprenderá muito se se desarmar e conhecer o que está sendo feito em Pedrinhas

Sérgio Moro, agora ministro da Justiça e Segurança Pública ,  deveria conhecer o que está sendo feito por Flávio Dino  no complexo penitenciário de Pedrihas

Não há milagre nem rios de dinheiro gastos à toa resolverão a crise carcerária no Brasil. O caminho é um só: gestão. E o socorro aos estados no combate ao crime organizado, que vem sendo feito com o uso da Força Nacional, um instrumento militar limitado, só será resolvido com total integração entre União, Estados e Municípios e com a criação da Guarda nacional, com 10 mil homens permanentemente prontos para entrar em ação.

São sugestões que o governador Flávio Dino deixou no ar com a autoridade de quem comanda um processo que vem dando certo. Para começar, o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, que já foi considerado o pior dos infernos prisionais brasileiros, é hoje uma prisão que caminha para tornar-se uma referência. Cinco anos depois da última rebelião ali ocorrida com derramamento de sangue e atos assombrosos de brutalidade, Pedrinhas é hoje uma penitenciária que, apesar dos problemas que ainda enfrenta, já funciona com ordem e disciplina, e caminha para se tornar uma referência. E tudo isso foi conseguido com uma gestão eficiente, que limita concessões.

Flávio Dino tem alertado o Governo Federal para a necessidade urgente de substituir a Força Nacional, que não tem corpo permanente e é formada com a convocação de quadros qualificados das Polícias Militares, desfalcando os aparelhos estaduais de segurança, por uma Guarda Nacional, com efetivo permanente de 10 mil homens prontos para entrar em ação a qualquer momento, deixando as forças policiais livres para cumprir suas tarefas. O melhor exemplo é a Guarda Nacional norte-americana, que faz a segurança interna dos Estados Unidos, atuando contra o crime, terrorismo, desastres naturais, etc.. Na avaliação do governador maranhense, a criação da Guarda Nacional é crucial para o Brasil de agora.

Queira ou não, o ministro Sérgio Moro ganharia muito se examinasse com cuidado p que está sendo feito nesta área no Maranhão.

 

Braide quer um partido que lhe garanta liberdade para atuar e disputar eleições

Eduardo Braide estuda  convite feito pelo PSL e  outros partidos

O deputado federal eleito Eduardo Braide vai mesmo deixar o PMN, para ingressar numa nova agremiação partidária até o final deste mês. Ele disse à Coluna que trabalha com cinco opções, mas que só tomará essa decisão próximo do final do prazo. Ele declarou que gosta do PMN e poderia continuar como um dos seus quadros, mas o partido não alcançou votos suficientes para continuar existindo com os benefícios na legislação partidária nem aceitou se fundiu com outras agremiações e, assim, ganhar status de partido com direito a fundo partidário e tudo o mais. Braide procura um partido que lhe dê uma margem de atuação, como o direito de votar contra a Reforma da Previdência, por exemplo. Ele acha que pode encontrar uma agremiação com essa flexibilidade, permitindo-lhe cumprir seu mandato com liberdade e ocupar o espaço que lhe for possível na Câmara Federal. E lhe dê as condições formais para disputar a Prefeitura de São Luís com segurança.

São Luís, 15 de Janeiro de 2019.

 

Movimentos deflagram a corrida sucessória na Famem e indicam disputa entre o presidente Cleomar Tema e o 2º secretário Erlânio Xavier

 

Cleomar Tema apontado como favorito numa disputa direta com Erlânio Xavier

Até então objeto de conversas nos bastidores e de alguns movimentos imprecisos, com ditos e desmentidos, avanços e recuos, a sucessão na Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) foi deflagrada de vez na última quinta-feira (10), com a sinalização de que deve haver mesmo disputa entre o presidente Cleomar Tema (PSB) e o prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT). Os dois pertencem à base de apoio do governador Flávio Dino (PCdoB), que não parece aceitar de bom grado uma medição de força acirrada entre dois aliados, dando margem para que adversários joguem lenha na fogueira, dando a uma peleja eleitoral saudável a conotação de um racha na aliança governista. Esse cenário de confronto está sendo desenhado pelo fato de o presidente Cleomar Tema, que é prefeito de Tuntum, pertencer ao PSB e ter o apoio do Palácio dos Leões, enquanto seu concorrente, Erlânio Xavier, é um dos aliados de primeira hora do senador eleito Weverton Rocha (PDT), que seria principal apoiador do movimento contrário a um grande acordo para a reeleição de Cleomar Tema.

O mais importante instrumento corporativo dos prefeitos maranhenses, a Famem, quando bem articulada, tem grande peso no contexto político estadual. Primeiro porque tem instrumentos para mobilizar a grande maioria dos prefeitos em torno de questões municipalista de interesse público, como também pode funcionar como canal de articulação política com grande poder mobilização. Daí porque a tradição tem sido os governadores se movimentarem para terem aliados na presidência da entidade municipalista. O presidente Cleomar Tema, por exemplo, foi eleito em 2017 numa equação que uniu o seu largo prestígio entre seus colegas e o apoio declarado do governador Flávio Dino, que, também agora, deve ter palavra decisiva para resolver o confronto em clara gestação.

Na última quinta-feira, Cleomar Tema convocou a imprensa para fazer um balanço da sua última incursão em Brasília, onde, com o apoio do deputado federal Aluísio Mendes (Podemos), reuniu-se com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, com quem tratou de assuntos de interesse dos municípios, como o pagamento de precatórios – que nos cálculos da Famem totalizam R$ 1,4 bilhão – devidos pela União a Prefeituras por conta do Fundeb, e a viabilização do aumento para 1% no aprovação de PEC elevando para 1%da receita líquida da União o valor da transferência de Fundo de Participação dos Municípios (FPM), entre outros assuntos importantes da pauta municipalista. Quase no mesmo momento, prefeitos que articulam a chapa “Humberto Coutinho” e que se apresentaram como “liderados por Erlânio Xavier”, divulgaram nota convocando colegas para uma reunião no dia 16 de Janeiro, no Rio Poty Hotel, “com o objetivo de discutir a nossa entidade maior de representação, a Famem”.

Com a experiência e a segurança de quem exerce o quinto mandato de prefeito de Tuntum e o terceiro como presidente da Famem, Cleomar Tema fez, na quinta-feira, aos jornalistas um balanço otimista da audiência com ministro as Secretaria de Governo, responsável pela articulação com os líderes da Federação – prefeitos e governadores. O líder da Famem relatou que pediu ao ministro que o ajude a regularizar a situação da Saúde, mostrando que o Maranhão recebe R$ 155/ano por habitante, o Piauí recebe R$ 240 e o Tocantins, R$ 248. E reforçou o pleito dos municípios pelo recebimento dos precatórios devidos ela União, propondo que os municípios abrirão de 40% do valor se forem pagos agora. “Nossos pleitos tiveram boa receptividade por parte do ministro Santos Cruz. Ele disse que vai encaminhar tais reivindicações ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e já agendou um novo encontro conosco para daqui a 30 dias, quando nos dará uma resposta sobre os pedidos”, disse.

Tarimbado e conhecedor do caminho das pedras na seara municipalista, Cleomar Tema ainda não se declarou formalmente candidato à reeleição, mas os seus movimentos revelam que ele está em para alcançar e consolidar a maioria no pleito do dia 30. Nos cálculos de aliados seus, ele teria hoje o apoio consolidado de 90 dos 194 prefeitos com direito a voto,

Já seu principal concorrente, Erlânio Xavier, um político arrojado, segue embalado pelo aval do comando do PDT, é candidato assumido faz tempo, dedicando boa parte do seu tempo a ações destinadas a aumentar o número de prefeitos que o apoiam. Na avaliação de um prefeito experiente, se a eleição fosse neste final de semana, Cleomar Tema venceria, mas como a votação será no último dia do mês, pode haver uma disputa mais acirrada, sendo que o atual presidente continua como favorito. Homem de proa de um grupo que segue a linha de ação do deputado federal e senador eleito Weverton Rocha (PDT), Erlânio Xavier concorre à presidência da Famem com a estratégia de quem é parte importante de um projeto bem maior para 2020, tendo o líder pedetista na cabeça.

Com o retorno do governador Flávio Dino, o assunto Famem certamente aterrissará na mesa de trabalho do governador Flávio Dino, que muito provavelmente tentará uma solução que una as duas correntes, podendo também liberar seus aliados para uma disputa sem traumas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino e Brandão têm relação exemplar num contexto de tensões entre titulares e vices

Flávio Dino e Carlos Brandão: sintonia fina entre governador e vice-governador

Num tempo em que muitos vices têm se dedicado a dar dores de cabeça para os titulares, conspirando para derrubá-los dos cargos, por armações que ganham tintura de legalidade, como fez o vice Michel Temer (MDB) com a presidente Dilma Rousseff (PT), ou apelando para a bala, como foi o caso do assassinato do prefeito de Davinópolis a mando do vice-prefeito, é confortável viver num estado onde esse problema simplesmente não existe. E o dado que confirma essa normalidade no Maranhão está numa mensagem do governador Flávio Dino no Twitter:

“Agradeço ao vice-governador Carlos Brandão a colaboração cotidiana para me auxiliar e substituir na função de governar o Maranhão. Entre várias qualidades, Brandao demonstra duas que destaco: disposição para trabalhar e lealdade”.

A mensagem de agradecimento do governador ao vice-governador foi divulgada após o primeiro retornar de 10 dias de férias, período em que o vice-governador assumiu o comando do Governo como chefe do Poder Executivo em exercício com plenos poderes. Carlos Brandão cumpriu fielmente suas funções, atuando rigorosamente no limite das suas prerrogativas. Com o retorno do governador, devolveu-lhe a bola sem um só arranhão.

Só para se ter uma ideia do quanto esse quadro mudou, vale lembrar como foram as relações dos governadores com seus vices nos últimos 40 anos: João Castelo (PDS) terminou seu Governo sem vice, uma vez que seu companheiro de chapa, Arthur Carvalho (PDS), morreu no segundo ano de mandato. Luís Rocha (PDS) rompeu com seu vice, João Rodolfo (PDS), que por ser cunhado e homem de confiança de João Castelo, foi confinado numa pequena sala de um prédio no centro de São Luís, sem ter sequer visitado o Palácio dos leões durante esse período. Epitácio Cafeteira (PMDB), manteve relações tensas com seu vice, Joao Alberto (PDS): numa viagem que fez a Taiwan, em 1988, chefiando uma missão comercial com os poderes de “embaixador plenipotenciário”, dados por decreto pelo então presidente José Sarney (PMDB), Cafeteira passou o Governo para João Alberto, que no cargo tomou ima série de medidas que desagradaram ao titular, que ao retornar desfez o que pode desfazer. Roseana Sarney (PMDB) deu algum espaço para José Reinaldo (PFL), mas acabou isolando-o. Quanto teve João Alberto como vice, Roseana Sarney manteve bom relacionamento, o mesmo acontecendo com Washington Oliveira (PT), a ponto de dar-lhe uma cadeira vitalícia no Tribunal de Contas do Estado.

O relacionamento do governador Flávio Dino com o vice- Carlos Brandão é, portanto, exemplar.

 

PSB e PCdoB ainda não definiram apoio a Rodrigo Maia

Bira do Pindaré, Márcio Jerry e Rubens Jr. ainda não definiram apoio a Rodrigo Maia

Não está inteiramente fechada a posição do PSB em relação em apoiar ou não a candidatura do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) a novo mandato de presidente da Câmara Federal. É verdade que na sexta-feira (11) o partido soltou nota anunciando que não apoiará a candidatura de Rodrigo Maia. Mas neste sábado, o PDT, seu parceiro de bloco, decidiu por maior da bancada, declarar apoio à candidatura de Rodrigo Maia. A decisão dos pedetistas colocou os socialistas numa saia justa, levando-os a desconsiderar a nota de “não apoio” a Rodrigo Maia e anunciando que fará consultas ao PCdoB sobre o assunto. Como os socialistas, os comunistas estão ainda com um pé atrás pelo fato de Rodrigo Maia está sendo apoiado pelos partidos já fechados com a base do Governo de Jair Bolsonaro, a começar pelo PSL. Socialistas e comunistas mais flexíveis não enxergam problema no fato de Rodrigo Maia ser apoiado pela base de Jair Bolsonaro. Diante das dúvidas e das restrições, o PCdoB, cuja bancada contará com os deputados Márcio Jerry e Rubens Jr. – deve se posicionar durante esta semana – o partido está dividido entre apoiar e não apoiar Rodrigo Maia -, e muito provavelmente será seguido pelo PSB, cujo representante maranhense será o deputado Bira do Pindaré.

São Luís 12 de Janeiro de 2019.

Bastidores da política começam a se agitar para a corrida pelo controle dos órgãos federais no Maranhão

 

Allan Garcez de une a Chico Carvalho para isolar |Maura Jorge, que montou barraca em Brasília na busca de um prometido lugar ao sol no Governo de Jair Bolsonaro,

Enquanto figuras como a ex-prefeita Maura Jorge (Lago da Pedra), o vereador Chico Carvalho (presidente do partido) e o médico Allan Garcez   travam uma zoadenta guerra de acusações e até xingamentos pelo controle do PSL no Maranhão, uma intensa agitação ocorre nos bastidores da política, envolvendo diversos partidos, pelo controle das representações dos organismos federais no Maranhão. São pelo menos duas dezenas de delegacias, superintendências, diretorias e departamentos formados por centenas de cargos de diferentes qualificações espalhados pelas engrenagens da máquina federal. São órgãos com orçamentos atraentes e com forte poder de penetração nas comunidades, e que ao longo do tempo se tornarem objeto de duras disputas na classe política. Algumas siglas que mexem com os políticos: DNIT, Codevasf, Funasa, Incra, Ibama, Funai e Iphan – outras menos visíveis, mas com forte poder de fogo, como o braço relacionado com a pesca, também são cobiçadas.

O novo Governo Federal ainda não sinalizou a respeito de como procederá para colocar agentes da sua confiança nos cargos de comando. Mas deputados federais, senadores e governistas da linha de frente já se movimentam na busca de canais que lhes permitam fazer indicações e, dessa maneira, influenciar nas suas ações. Nesse contexto, três braços da máquina federal são objetos de desejo dos políticos: o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

O DNIT movimenta milhões anualmente na construção e conservação de rodovias – é o responsável direto por obras como a de duplicação da BR-135, por exemplo, tem o controle da infraestrutura de ferrovias e influencia decisivamente na estrutura portuária, e foi no Maranhão controlado durante anos pelo hoje senador Roberto Rocha, quando deputado federal pelo PSDB. Criado por pressão de deputados federais a partir de projeto de lei proposto pelo então deputado federal tucano Carlos Brandão, o braço maranhense da Codevasf é hoje controlado pelo MDB e investe milhões por ano financiando pequenos sistemas de abastecimento de água, sistemas de irrigação, produção comunitária, como casas de farinha, colônias de pesca, entre várias outras atividades. Já a Funasa atua com programas de assistência a comunidades as mais diversas, inclusive indígenas, o que a torna um poderoso instrumento de ação política, estando hoje controlada pelo MDB.

Tudo indica que, por falta de um braço partidário forte no Maranhão e pela absoluta inexpressividade dos representantes do bolsonarismo no estado, os braços da máquina federal que atuam em território maranhense serão divididos entre aliados do Palácio do Planalto no Congresso Nacional. Nesse jogo, estão em vantagem o senador Roberto Rocha, que e já estaria afinado com o Palácio do Planalto de olho na Codevasf; o deputado federal Aluísio Mendes (Podemos), que poderá emplacar o comando estadual do DNIT, e o deputado federal Eduardo Braide, que poderá mudar de partido, integrar a base de apoio do Governo de Jair Bolsonaro e por essa via ganhar o controle da Funasa. São possibilidades viáveis ventiladas nos bastidores, que poderão se concretizar ou não. E nesse contexto, não será surpresa se, com a permanência de Kátia Bogea na presidência nacional do Iphan, o atual superintendente do órgão no Maranhão, Maurício Itapary, permaneça no cargo com o aval do MDB.

Não se elimina a possibilidade de, por alinhamento e fidelidade ao bolsonarismo, Maura Jorge, Chico Carvalho, Allan Garcez, por tabela o deputado estadual eleito Pará Figueiredo (PSL), venham a receber pedaços dessa máquina. Mas a fria logica da política sugere que essa divisão seja feita com quem tem votos no Congresso Nacional, dos quais o presidente Jair Bolsonaro Bolsonaro dependerá crucialmente para aprovar suas propostas e dar rumo ao seu Governo. E essa moeda os três expoentes bolsonaristas não dispõem. Com o acompanhamento atento do Palácio dos Leões, a ciranda do toma-lá-dá-cá será dançada quando o novo Congresso Nacional for empossado no início de Fevereiro.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Adriano Sarney ataca dinistas e recebe contra-ataque de Márcio Jerry

Adriano Sarney criticou a visita de dinistas liderados pelo governador em exercício Carlos Brandão ao ministro de Infraestrutura e foi rebatido por Márcio Jerry

Único Sarney autorizado pelo eleitorado a participar do jogo político, o deputado estadual reeleito Adriano Sarney (PV) dá mostras de que está disposto a gastar todos os seus cartuchos disparando contra o governador Flávio Dino (PCdoB), ainda que seus disparos não produzam sequer ranhuras no comando governista. Uma prova disso foram as críticas que disparou na direção dos deputados federais dinistas eleitos e reeleitos, entre eles Márcio Jerry (PCdoB), Rubens Jr. (PCdoB) e Bira do Pindaré (PSB), que participaram, juntamente com outros atuais e futuros deputados, de uma audiência com novo ministro de Infraestrutura,  Tarcísio Freitas. Ao tomar conhecimento da presença dos dinistas na audiência, Adriano Sarney acusou-os de “tentar enganar” o ministro e o presidente Jair Bolsonaro, pelo simples fato de serem Oposição ao Governo Central. O ataque de Adriano Sarney pareceu politicamente inadequado, pois contraria as regras segundo as quais em Brasília contrários convivem sem maiores problemas, sendo comum deputados oposicionistas serem recebidos por ministros em audiências. A investida foi respondida por Márcio Jerry, que chamou parlamentar do PV de preconceituoso e que tem cabeça de coronel. Além da reação de Márcio Jerry, Adriano Sarney amargou declarações do ministro de Infraestrutura elogiando a gestão do Porto do Itaqui no Governo Flávio Dino.

 

Imperatriz: Assis Ramos quer a reeleição, mas sabe que a disputa será dura

Assis Ramos deve disputar com Marco Aurélio ou Clayton Noleto e provavelmente Sebastião Madeira

O prefeito de Imperatriz, Assis Ramos (MDB), já avisou à cúpula do partido que será candidato à reeleição. Ele está animado com números de pesquisa recente que o apontariam como bem avaliado pela população. O prefeito já sabe que enfrentará um candidato forte apoiado pelo governador Flávio Dino, que pode ser o deputado estadual Marco Aurélio ou o atual secretário de Infraestrutura Clayton Noleto, ambos do PCdoB, indicando que poderá ser uma disputa fortemente polarizada. Esse quadro poderá ser alterado radicalmente se o ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB) entrar na briga, o que é provável que aconteça, uma vez que o tucano não se despediu das urnas. A possível entrada de Sebastião Madeira no jogo sucessório na Vila do Frei poderá alterar muito o quadro da disputa, e dependerá dos rumos que o PSDB vier a tomar depois de ter sido trucidado nas urnas em 2018. De acordo com um político que conhece bem os humores do eleitorado de Imperatriz, a briga pela Prefeitura será dura e o desfecho vai depender de como estarão o Governo Flávio Dino e o Governo Jair Bolsonaro em 2020.

São Luís, 10 de Janeiro de 2019.

Blog afirma que Kátia Bogea continuará no comando do Iphan; São Luís perde um bom nome para a Prefeitura

 

Kátia Bogea: se for confirmada na presidência do Iphan será confirmada será uma boa medida do novo Governo

A se confirmar a informação divulgada pelo blog O Antagonista, segundo a qual o ministro da Cidadania, Osmar Terra, decidiu manter a arquiteta maranhense Kátia Bogea na presidência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ganhará corpo a tendência que começou a ser rascunhada quando o então presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) deu início à montagem da estrutura ministerial do seu Governo. Se a permanência for formalizada, será uma das decisões inteligentes do ministro e do presidente, à medida que assim asseguram a continuidade de uma gestão de excelência numa área que, devido a sua complexidade, exige profundo conhecimento técnico associado a uma visão cultural larga. Kátia Bogea não apenas reúne as condições técnicas e culturais, como construiu e consolidou uma imagem gestora eficiente, correta e extremamente exigente no plano ético. Quem acompanhou o seu desempenho de quase uma década à frente do braço do Iphan no Maranhão, e depois no comando nacional do órgão, sabe que ela é hoje o dirigente ideal para o Iphan.

A permanência de Kátia Bogea, se vier a ser confirmada, não terá sido uma escolha do presidente da República, mas do ministro da Cidadania, Osmar Terra, que é do MDB, partido no qual a presidente do Iphan tem sua base de sustentação, sendo o ex-presidente José Sarney o seu principal avalista. Sua chegada ao comando do Instituto no Governo do presidente Michel Temer (MDB), se deveu a dois fatores: a indicação do ex-presidente e o seu lastro de gestora competente e bem-sucedida. Ou seja, Kátia Bogea não chegou onde chegou empurrada pelo apadrinhamento, mas pelo reconhecimento da sua qualificação para o cargo. Para o MDB, contar com uma profissional do quilate da arquiteta maranhense, num contexto em que muitos dos seus tombaram por problemas éticos, é uma vitória.

Do ponto de vista técnico, Kátia Bogea acumulou uma invejável massa de conhecimentos, tornando-se uma especialista tanto na preservação de acervo arquitetônico quanto na importância de manifestações raras, como, por exemplo, o Tambor de Crioula do Maranhão, um folguedo ímpar, que ajudou a transformar em patrimônio imaterial do Brasil. No seu currículo consta participação direta e eficiente na restauração de boa parte do acervo arquitetônico de São Luís e Alcântara. Na direção nacional do Iphan, Kátia Bogea comanda uma ampla malha de projetos de restauração – como a recém-inaugurada transformação da Praça Deodoro e parte da Rua Grande –, sem falar nos inúmeros projetos em andamento em todos os recantos do Brasil histórico e cultural.

Kátia Bogea é também conhecida pela firmeza com que defende seus pontos de vista e pela dureza implacável como encara questões éticas. Sempre foi dura nas negociações com governadores, em especial Roseana Sarney (MDB), com quem algumas vezes “bateu chapa” por divergências quanto ao rumo desse ou daquele projeto, mas sempre encontrando uma solução negociada e sem rusgas. Nesse campo, Kátia Bogea teve participação decisiva na derrocada do então poderoso ministro Geddel Vieira Lima. Ela acatou o parecer técnico do Iphan na Bahia contrário à construção de um prédio de luxo numa área tombada de Salvador e no qual Vieira Lima comprara um apartamento. Por meio de recados ameaçadores, o então poderoso ministro tentou obrigar o Iphan a mudar o parecer, mas Kátia Bogea se manteve firme, levando Geddel Vieira Lima a pressionar diretamente o então recém empossado ministro da Cultura, Marcelo Calero, que por sua vez não só apoiou o parecer do Iphan, mas também denunciou o esquema de Geddel Vieira Lima. Por conta da determinação de Kátia Bogea de manter o parecer técnico, Geddel Vieira foi denunciado acabou preso, após a PF haver encontrado malas com R$ 50 milhões em espécie num apartamento “emprestado” ao ministro.

Há cerca de duas semanas, diante da incerteza que rondava o futuro de Kátia Bogea no Iphan, vozes do Grupo Sarney levantaram a possibilidade de, deixando o cargo, ela mergulhasse na política partidária e entrasse na corrida para a Prefeitura de São Luís. Seria um fato novo importante no cenário político da Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, a começar pelo fato de que elevaria muito o nível do embate. Mas se ela permanecer na presidência nacional do Iphan, como anuncia O Antagonista, São Luís perde a possível candidata, mas o Brasil só tem a ganhar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Governador e prefeito mantêm sobre a corrida sucessória em São Luís

Flávio Dino e Edivaldo Holanda Jr .mantêm silêncio sobre sucessão em São Luís

Não se trata de um acerto formal, com obrigações de parte a parte, mas a verdade é que parece existir um pacto entre o governador Flávio Dino (PCdoB) e o prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) para manter silêncio sobre a sucessão na Prefeitura de São Luís, pelo menos até o final deste ano. Os dois parecem ter avaliado que é precipitação desnecessária acender luz verde para permitir que candidatos a candidato iniciem uma medição de força com muita antecedência, o que pode criar problemas no momento da definição. Nas vezes em que foi provocado sobre o tema, o governador Flávio Dino limitou-se a avaliar que a aliança reúne bons nomes, e não foi além disso. Por sua vez, o prefeito Edivaldo Holanda Jr. não pronuncia uma frase sobre o assunto, evitando com determinação qualquer provocação de jornalista a respeito de como se dará a sua sucessão. Na linha do governador e do prefeito, os senadores eleitos, que são fortemente ligados ao campo político de São Luís, incorporaram a postura dos dois líderes e vêm mantendo silêncio sobre o assunto. Weverton Rocha só bate na tecla de que o grupo vai escolher o melhor candidato e Eliziane Gama tem recorrido ao velho e eficiente argumento de que “ainda é muito cedo para de falar sobre isso”. O curioso é que essa decisão de deixar o debate sucessório em São Luís para depois está deixando alguns aspirantes a candidato à flor da pele.

 Hildo Rocha confirma mal-estar na posse presidencial e culpa Itamaraty

Hildo Rocha confirma mal-estar na posse e culpa Cerimonial do Itamaraty

Alvo de nota da coluna Semana da revista IstoÉ, que registrou que ele foi impedido a ocupar seu assento no plenário da Câmara Federal, porque o espaço estava reservado a convidados estrangeiros no ato de posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o deputado Hildo Rocha (MDB) deu sua versão do episódio. Ele confirmou o impedimento e reclamou incomodado, atribuindo o mal-estar ao cerimonial do Itamaraty, que reservou a primeira filha, onde fica o assenti do parlamentar, aos chefes de Estado convidados para a cerimônia. O deputado Hildo Rocha criticou o Cerimonial do Itamaraty afirmando que o Ministério das Relações Exteriores desrespeitou o regimento Interno do Congresso Nacional, argumentando que os chefes de Estado não deveriam ser convidados para o ato de posse na Câmara =, mas apenas para os cumprimentos no Itamaraty. Hildo Rocha informou que vai oficiar à presidência do Congresso Nacional formalizando sua reclamação, à medida que na sua avaliação houve a interferência do Poder Executivo no Poder Legislativo. “O Congresso Nacional tem suas regras, que devem ser respeitadas”, declarou, que espera que a revista coloque os pingos nos is. É aguardar.

São Luís, 09 de Janeiro de 2018.

Em cruzada pela presidência da Câmara Federal, Rodrigo Maia faz escala no Maranhão e confirma apoio da maioria da bancada

 

Em cima: Rodrigo Maia (o quinto da direita para a esquerda), na conversa com deputados federais maranhense. Embaixo: o presidente da Câmara Federal  na visita que fez ao ex-presidente José Sarney, a quem pediu o apoio do MDB

Na escala que fez ontem em São Luís em busca de votos para conquistar novo mandato de presidente da Câmara Federal, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) fez o que tinha de ser feito no complicado tabuleiro do xadrez político maranhense: reuniu governistas, independentes e oposicionistas em um almoço no Biana Bistrô, na Avenida Litorânea, e mais tarde desembarcou na Península da Ponta D`Areia para uma visita ao ex-presidente José Sarney (MDB), de quem é uma espécie de parente na política. Agora embalado pelo apoio já declarado da bancada do PSL e reforçado com o aval da esquerda pé no chão (PCdoB, PDT, PSB), Rodrigo Maia caminha para consolidar seu favoritismo e se eleger para mais um mandado à frente da Câmara Baixa, num momento crucial para o maior e mais importante caldeirão político do Congresso Nacional, onde as grandes decisões nacionais são efetivamente discutidas e tomadas.

Eleitoralmente forte, mas politicamente fraco, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) precisa de um líder com o cacife e o perfil de Rodrigo Maia para ter vida menos dura no Congresso Nacional. Na escala maranhense, Rodrigo Maia consolidou o apoio de pelo menos 14 dos 18 deputados federais maranhenses.

No seu primeiro compromisso, Rodrigo Maia – que estava acompanhado de vários aliados – entre eles a deputada fluminense Laura Carneiro (DEM), que fez história na célebre CPI do Crime Organizado na Assembleia Legislativa – conseguiu reunir nove parlamentares eleitos e reeleito das mais diferentes cores partidárias: Márcio Jerry (PCdoB), Rubens Jr. (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB), Edilázio Júnior (PSD), Cléber Verde (PRB), Eduardo Braide (PMN), Pedro Lucas (PTB), Júnior Marreca Filho (PEN) e Juscelino Filho (DEM). Representando, com algumas ausências, o espectro político do Maranhão atual, todos lhe declararam apoio, por avaliar que, sob sua presidência, a Câmara Federal será um poder mais aberto, onde as opiniões partidárias. Não se trata de uma posição da bancada, mas das representações partidárias. O grupo almoçou no Biana Bistrô, na Avelina Litorânea, e o único não-eleitor que participou foi o deputado federal e senador eleito Weverton Rocha (PDT), que levou o apoio do deputado federal eleito Gil Cutrim (PDT).

Após o almoço, do qual saiu com o aval dos nove deputados presentes, Rodrigo Maia seguiu para uma visita ao ex-presidente Jose Sarney, no seu apartamento, na Península da Ponta D`Areia, acompanhado dos deputados Edilázio Jr. (PSD), Aluísio Mendes (Podemos), Cléber Verde (PRB) e Juscelino Filho (DEM). Além de pedir o apoio de José Sarney para demover a candidatura do emedebista mineiro Fábio Ramalho, de modo que os dois emedebistas maranhenses, Hildo Rocha e João Marcelo, que estão engajados na campanha do candidato do MDB. Além do mais, Rodrigo Maia tem uma forte relação familiar com o ex-presidente, que é muito amigo do pai dele, o ex-prefeito e atual vereador do Rio de Janeiro, César Maia (DEM). Rodrigo Maia costuma trocar figurinhas com José Sarney sobre o cenário político nacional, obtendo bons conselhos da velha e tarimbada raposa maranhense.

Dos outros oito deputados-eleitores – Josimar de Maranhãozinho (PR), Júnior Lourenço (PR) Pastor Gildenemyr (PMN) e Gil Cutrim (PDT) deverão apoiá-lo, enquanto os emedebistas João Marcelo e Hildo Rocha ainda apoio Fábio Ramalho, André Fufuca deve seguir o seu partido, o PP, e Zé Carlos (PT) vai cumprir a orientação do partido, que poderá apoiar a candidatura do deputado fluminense Marcelo Freixo (PSOL), apoiar Rodrigo Maia ou lançar candidato próprio. Não há até aqui indicativos de que essa composição de maioria a favor de Rodrigo Maia não seja efetivada.

O fato é que Rodrigo Maia aterrissou em São Luís sabendo que terá a maioria dos votos maranhenses, mas depois do almoço com atuais e futuros colegas, e da visita ao ex-presidente José Sarney, Rodrigo Maia seguiu na sua cruzada por votos, certo de que terá pelo menos 14 dos 18 sufrágios do Maranhão. A conferir.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Destaque

Festa de inaugurações em Tuntum teve conotações políticas em quatro frentes

Daniella Tema, Cleomar Tema, Carlos Brandão e Aluísio Mendes juntos em Tuntum. O ginásio reinaugurado. A entrega de um sistema de abastecimento de água. Entre  Daniella, Tema e Mendes, Brandão fala à multidão na Praça de Eventos

A festa de inaugurações que movimentou Tuntum no último sábado (5) revelou que, mesmo na ausência do governador Flávio Dino (PCdoB) – que está curtindo alguns dias de férias para repor as energias consumidas durante o agitado, estafante, mas vitorioso 2018 –, a veia política da aliança por ele liderada continua pulsando forte. Ali, o prefeito Cleomar Tema (PSB), que é também presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), mostrou que continua merecendo a fama de gestor competente, o deputado federal Aluísio Mendes (Podemos), hoje um ativo militante sarno-bolsonarista, deu um banho de talento na convivência com contrários, e o governador em exercício Carlos Brandão (PRB) deu uma demonstração de que permanece leal ao governador Flávio Dino, e que nessa condição vislumbra dar o grande passo da sua carreira em 2022. E em meio à tríade masculina, a deputada estadual eleita Daniella Tema (DEM) avisou que está no epicentro do jogo político e que pretende exercer um mandato como protagonista.

Em pleno movimento na direção de um novo mandato na presidência da Famem, Cleomar Tema deu mais uma mostra indiscutível da sua capacidade de comandar a máquina administrativa tuntuense pela quinta vez, entregando à população uma série de obras importantes para o município. A série de inaugurações, feitas numa programação que ocorreu na tarde e noite de sábado, incluiu uma escola com seis salas e 2,5 km de asfalto na sede, 7,5 km de asfalto ligando a cidade ao povoado Tabocal, onde foi entregue um sistema simplificado de abastecimento de água; em seguida, a comitiva inaugurou a eletrificação e um sistema de abastecimento de água no assentamento Tabocal, e no assentamento Cigana entregou um sistema de abastecimento de água. De volta à sede, já a noite, o casal anfitrião Cleomar e Daniella Tema, o governador em exercício Carlos Brandão e o deputado federal Aluísio Mendes reinauguraram o Ginásio Orfileno Leda e o Espaço Cultural (Praça de Eventos), finalizando a programação com a entrega, em praça pública, de uma ambulância oriunda de uma emenda paramentar do deputado Aluísio Mendes. Não foi pouca coisa em tempos de penúria financeira nas prefeituras.

O ponto alto da festa foi um encontro dos líderes com uma multidão na Praça de Eventos. Ali, na presença de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e ex-prefeitos da região, e depois de uma tarde inteira de abraços e apertos de mão com eleitores, o governador em exercício Carlos Brandão exaltou a obra do governador Flávio Dino, e deu os recados que achou que devia dar: “Para mim é um orgulho ser amigo e aliado de longa data do Tema, um prefeito diferente, um grande líder político, que à frente da Famem tem colaborado para o bom relacionamento entre municípios e estado”. Na frase, Brandão fez os elogios de praxe, e deixou claro que ele e os mais de 30 prefeitos do seu partido poderão apoiar o projeto de reeleição do presidente da Famem. Assim, além de representar o governador Flávio Dino, Carlos Brandão usou as sutilezas da política para avisar que está em franca movimentação com o objetivo maior de ter uma participação decisiva na corrida sucessória estadual em 2022. E que pretende fazer isso sem alterar um milímetro da sua saudável relação com o governador Flávio Dino.

Por sua vez, o deputado federal reeleito Aluísio Mendes mostrou toda sua habilidade na arte da sobrevivência política ao contrariar a linha de ação do Grupo Sarney, do qual é linha de frente, e manter uma aliança firme e produtiva com o prefeito Cleomar Tema. Em várias falas e entrevistas, Aluísio Mendes fez rasgados elogios ao governador Flávio Dino, reconhecendo a eficácia da saudável e produtiva relação que o Palácio dos Leões mantém com os municípios, a ponto de declarar: “Quero parabenizar o governador Flávio Dino por essas obras e pelo bom relacionamento que seu Governo mantém com os municípios”.

No final, a festa de inaugurações em Tuntum deixou no ar a impressão de que funcionou como uma grande largada em várias frentes: Cleomar Tema arrancou na corrida para conquistar um novo mandato na Famem, Aluísio Mendes largou para consolidar a aliança com o prefeito, o governador em exercício Carlos Brandão deu o passo inicial para ser protagonista em 2022, e a deputada Daniella Tema deu o iniciou a caminhada de uma carreira política que promete. Vale a pena anotar para conferir depois.

 

IstoÉ registra pisada de Hildo Rocha na bola no dia da posse.  Será mesmo?

Hildo Rocha: segundo IstoÉ, ele pisou na bola no dia da posse.de Jair Bolsonaro

A revista IstoÉ que reporta a posse do presidente Jair Bolsonaro registra, na coluna Semana, assinada pelos jornalistas Mário Dimas Filho e Rudolfo Lago, a seguinte nota:

Mais de uma hora antes da cerimônia de posse (de Jair Bolsonaro na presidência da República), o deputado Hildo Rocha (MDB-MA) chegou ao plenário da Câmara e sentou-se na cadeira que usa normalmente, na primeira fila. Acabou retirado de lá por segurança. Hildo foi informado que aqueles lugares estavam reservados aos chefes de Estado estrangeiros. E bufou: “Essa casa é nossa”. Por ele, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Natanyahu, tinha de ir lá para o fundão.

A Coluna não tem e não quer procuração para defender o parlamentar maranhense do escorregão que protagonizou. Mas registra que como ex-prefeito, ex-assessor da então senadora Roseana Sarney e ex-secretários poderoso e influente de várias pastas no Governo Roseana Sarney, Hildo Rocha tem plena e clara noção do que são as convenções na seara política. Daí suspeitar de que houve algum mal-entendido nesse episódio. Do contrário, terá mesmo pisado feio na bola, algo inacreditável para um parlamentar do seu cacife.

São Luís, 08 de Janeiro de 2019.

Dino deve se preparar para enfrentar o chumbo grosso de uma provável aliança de Sarney com Bolsonaro

 

Flávio Dino deve enfrentar a artilharia conjunta de José Sarney e Jair Bolsonaro

Quando retornar das suas rápidas férias, na próxima semana, o governador Flávio Dino (PCdoB) terá de se preparar para um duro e longo período de lutas políticas, no qual terá de enfrentar dois adversários poderosos e implacáveis, que poderão juntar forças para minar o seu Governo e o projeto de poder. No front interno, o governador terá pela frente o ex-presidente José Sarney (MDB) e seu grupo, e no plano externo, seu embate se dará com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), diretamente ou através dos seus tentáculos em Brasília e no Maranhão. O governador tem plena ciência de que o quanto José Sarney e Jair Bolsonaro querem atropelá-lo, o primeiro porque não engole o fato de visto o seu grupo e seus dois filhos açoitados nas urnas e quer de volta o comando político do estado, e o segundo porque não digeriu a humilhante sova eleitoral que recebeu no Maranhão no primeiro e no segundo turno da corrida presidencial.

Flávio Dino sabe que José Sarney e Jair Bolsonaro poderão costurar uma aliança por debaixo do pano e juntar forças para tentar infernizar o seu governo e desmantelar sua base político-partidária. O grande confronto poderá se dar nas eleições municipais de 2020.

No discurso dele próprio, dos seus comandados e principalmente do Sistema Mirante no pós-eleitoral, José Sarney deixa muito claro que está determinado a manter o bombardeio da campanha, alimentando artilharia pesada na direção do Palácio dos Leões, inflando a importância de qualquer fato ou situação que possa arranhar a imagem do governador ou do Governo. Para manter a linha de confronto, José Sarney estaria no momento empenhado em estancar a crise que abala o braço do MDB no Maranhão, onde duas correntes medem forças para assumir comando do partido. Ele tenta segurar o grupo, argumentando que o que interessa agora é manter fogo cerrado contra o governador e sua aliança partidária. Esse ânimo foi reforçado na semana passada, quando em dois atos de posse, o dele próprio, no dia 1º, e o do ministro da Defesa, no dia seguinte, Jair Bolsonaro rasgou elogios ao ex-presidente José Sarney, para muitos sinalizando que está aberto a uma relação, que pode prosperar, apesar das brutais diferenças que os separam.

Na outra ponta, além de alimentar uma cruzada quase paranoica contra o marxismo e a esquerda – a ponto de decretar o fim de um socialismo que nunca existiu -, Jair Bolsonaro não digeriu o sapo eleitoral que as urnas do Maranhão o obrigaram a engolir. E já sinalizou, em vídeo que gravou ao lado do deputado federal reeleito Aluísio Mendes (Avante), e em outras ocasiões, que pretende “varrer o comunismo do Maranhão”, outra pretensão absolutamente sem sentido. Não se sabe ainda quem será o chefe da sua desordenada e furta-cor infantaria no Maranhão – o posto está sendo disputado diretamente pela ex-prefeita Maura Jorge e pelo médico Alan Garcez, enquanto Aluízio Mendes corre por fora. Quem vier a receber a tarefa de representar o bolsonarismo no Maranhão terá de assumir a delicada – e para muitos inglória – posição de ponta de lança contra o governador e seu Governo.

O problema, tanto para José Sarney quanto para Jair Bolsonaro, é que, mesmo com um arsenal muito menor, Flávio Dino é um combatente diferenciado, politicamente lapidado e intelectualmente consistente. Mais do que isso, o governador maranhense é um líder politicamente correto na melhor acepção da expressão tão destetada pelo novo presidente: é ético, honesto, comprometido com as causas sociais e revelou-se um gestor de mão cheia, que administra as finanças com mão de ferro e tem sido bem-sucedido na execução de programas arrojados em áreas essenciais com o saúde e educação, apesar da crise que sufoca a maioria dos estados. Ao mesmo tempo, é um político de visão larga e de posições firmes, e que vem a cada dia ganhando força como um dos mais importantes líderes da esquerda democrática no País, fazendo um duro e destemido contraponto a Jair Bolsonaro, suas ideias de extrema direita e seu projeto de poder. E o faz de maneira aberta, com declarações públicas, sem qualquer falsete.

Tanto José Sarney quanto Jair Bolsonaro sabem que Flávio Dino é um adversário difícil de atropelar, e que ações nesse sentido poderá fortalecê-lo. O ex-presidente já experimentou duas vezes o poder de fogo do governador, tendo seu grupo se dado muito mal em ambas (2014 e 2018). O presidente também sentiu nas urnas a competência política do líder maranhense, e não gostou nem um pouco. Os dois sabem que governador não vai baixar a guarda.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino fará minirreforma e não deve mexer com a composição da bancada federal

Márcio Jerry, Rubens Jr. e Bira do Pindaré querem fazer o grande combate político no plenário da Câmara Federal

Há muita zoada e poucas informações confiáveis relacionadas à futura composição do Governo do Estado e sobre eventuais mudanças na banda dinista da bancada federal. Na entrevista coletiva que concedeu no dia 1º, minutos antes de tomar posse na Assembleia Legislativa, o governador Flávio Dino avisou que não pretende mexer muito na sua equipe, principalmente nas pastas consideradas essenciais, nem pareceu disposto a alterar a composição da bancada federal para fazer essa ou aquela acomodação de suplente.

Parece claro que os deputados federais eleitos Márcio Jerry (PCdoB) e Bira do Pindaré (PSB) e reeleito Rubens Jr. (PCdoB) não demonstram qualquer interesse em deixar a Câmara Federal neste momento, quando grandes debates estão previstos no confronto Situação/Oposição, para se exilarem no secretariado, dando a suplentes o privilégio de viver essa virada histórica no parlamento brasileiro. Márcio Jerry, Bira do Pindaré e Rubens Jr. não pretendem abrir mão dos seus mandatos federais para assumir secretarias. Os três somados representam quase 350 mil votos, que lhe foram dados para que eles representem esses eleitores na Câmara Federal.

Além disso, os três são quadros diferenciados, que poderão prestar bons serviços ao Governo estadual em Brasília. Márcio Jerry e Rubens Jr. são fundamentais para a bancada federal do PCdoB, enquanto Bira do Pindaré deve ter papel importante na representação do PSB.

Quanto à troca de secretários, a equipe está pronta, azeitada, com a experiência acumulada de um mandato, e por isso dificilmente o governador abrirá mão dessa vantagem por conta de acertos políticos. Uma ou outra troca de comandam em uma ou outra pasta de periferia do Governo, e nada mais. Essa será a reforma tão especulada nos bastidores do Governo. Nada além disso.

 

Braide busca partido, mas não quer controle de  caciques

Eduardo Braide convite do PSL e de vários partidos

O deputado federal eleito Eduardo Braide está vivendo uma situação complicada em relação ao seu futuro partidário. O seu partido, o PMN, não atendeu às exigências da Cláusula de Barreira nas eleições de 2018 e encontra-se na iminência de tornar-se uma agremiação fantasma. De um lado, o parlamentar, que foi o segundo mais votado, com 189 mil votos, vive uma situação aparentemente confortável à medida que praticamente todos os partidos, do centro à direita, estão tentando atraí-lo, oferecendo-lhe mundos e fundos, certos de que ele não tem páreo para a Prefeitura de São Luís em 2020. Braide, porém, resiste aos acenos sedutores, avaliando que só lhe interessa um partido do qual ele seja o comandante absoluto no Maranhão, como tem sido o PMN. Aí as ofertas se reduzem drasticamente, porque os caciques atuais não querem abrir mão do comando dos seus latifúndios partidários. Nesse contexto, o caminho mais provável será o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, que está sem pé nem cabeça no Maranhão, sendo disputado por vários grupos, tendo o vereador Chico Carvalho, que o comanda há duas décadas, admitido que não tem força para segurar as pressões que vem recebendo. Eduardo Braide deve assumir seu mandato federal no dia 1º de Fevereiro no comando de nova agremiação.

São Luís, 06 de Janeiro de 2019.

 

Osmar Filho chega à presidência da Câmara de São Luís com o desafio de completar a grande transição na política ludovicense

 

Osmar Filho: discurso de posse revela político com visão larga

A julgar pelo tom e pelo tema central do seu discurso de posse, ocorrida no 1º dia do ano, o novo presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Osmar Filho (PDT), poderá entrar para a crônica ludovicense como uma boa nova no cenário político da Capital do Maranhão. Enquanto a gestão passada, de responsabilidade do vereador Astro de Ogum (PR), apresentou como balanço conquistas do tipo “reforma do plenário”, Osmar Filho aproveitou o ato para defender mudanças imediatas no Pacto Federativo, numa demonstração inequívoca de que sua visão política vai muito além das janelas do Palácio Pedro Neiva de Santana. Com esse nível de abordagem, o novo presidente da Câmara Municipal de São Luís – que neste ano completará quatro séculos de existência, consolidada como uma das mais antigas do Brasil – dá a verdadeira dimensão que deve ter um vereador de uma cidade como São Luís, principalmente um representante da nova geração de políticos maranhenses.

– Como presidente do Legislativo de São Luís, não medirei esforços, juntamente com os demais vereadores e a classe política de nosso estado, para modificarmos este Pacto Federativo injusto que beneficia, tão somente, a União, deixando os municípios praticamente sem nenhum recurso – declarou, mostrando que sabe o que diz.

Pelo nível das suas declarações, o novo presidente da Câmara Municipal deixa no ar a boa impressão de que tem plena consciência do que São Luís representa. Parece ter plena compreensão de que, além de ser uma joia da arquitetura colonial portuguesa, que lhe valeu o título de Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, que é base para sua vocação turística, de dispor de um complexo portuário de ponta, de já abrigar mais de um milhão de habitantes e de ter alcançado a condição de metrópole, São Luís poderá vir a receber uma gigantesca base naval – que sediará a Terceira Frota –  e funcionar como suporte para a movimentação que cedo ou tarde acontecerá na Base Especial de Alcântara.

Ao cobrar a revisão do Pacto Federativo, o novo presidente da Câmara Municipal de São Luís se mostra um político centrado. A começar pelo fato de que, depois de décadas em que os recursos tributários ficam concentrados na União, que só transfere para estados e municípios o que a Constituição obriga – no caso FPE e FPM -, parece ter chegado a hora de uma ampla redefinição do Pacto Federativo, que deve resultar numa distribuição mais equilibrada dos recursos arrecadados no País. No momento, a rediscussão do Pacto é apenas uma reivindicação, mas ninguém duvida que uma mudança nesse cenário está a caminho, embalada por manifestações como a do novo presidente da Câmara Municipal de São Luís, a exemplo do que acontece com líderes municipalistas de diversas regiões do País.

Aos 32 anos, com uma sólida base de quem estudou Direito e já está no exercício do terceiro mandato, tendo sido o mais votado no último pleito, o vereador Osmar Filho chega à presidência do Legislativo de São Luís com o um sopro de renovação numa Casa parlamentar marcada por um incômodo conservadorismo nos últimos tempos, quando esteve sob o controle dos vereadores Chico Carvalho (PSL), Isaías Pereirinha (PSL) e Astro de Ogum (PR). Seu maior mérito será colocar um ponto final, definitivo mesmo, nesse ciclo de gestões concentradoras, sem qualquer movimento de grandeza, portanto inteiramente incompatíveis com o tamanho histórico e político da Capital do Maranhão. Apesar da pouca idade, o vereador Osmar Filho já tem acumulado um cacife de experiências, entre elas uma passagem proveitosa pela Secretaria de Governo da Prefeitura de São Luís, atendendo a convocação do prefeito Edivaldo Jr., de quem é aliado partidário e parceiro na articulação política e parlamentar.

Ao chegar no topo da vereança na Capital, Osmar Filho ocupa um lugar de destaque na geração de políticos que estão fazendo a grande transição no Maranhão, sob a liderança do governador Flávio Dino (PCdoB), como o prefeito Edivaldo Jr., Weverton Rocha (PDT),  Eliziane Gama (PPS), Márcio Jerry (PCdoB), Rubens Jr. (PCdoB), Duarte Jr. (PCdoB), e também de quadros que representam outras correntes políticas, como Eduardo Braide (PMN), Roberto Costa (MDB), Adriano Sarney (PV), entre tantos outros que estão desembarcando na vida política com pé direito. Osmar Filho começa seu mandato presidencial também apontado como opção do PDT para disputar a Prefeitura de São Luís.

Sua postura e seu discurso de posse indicam que o novo presidente da Câmara Municipal de São Luís reúne todas as condições para levar a instituição a um patamar superior ao que ela se encontra. E, ao contrário do que sugeriu o ex-presidente e agora 1º vice-presidente Astro de Ogum, que quer a Câmara “pacificada, em paz”, Osmar Filho tem o dever de estimular a Casa a debater em profundidade os problemas de São Luís, promovendo o saudável choque de contrários para assim produzir o novo. Daí porque não  há redundância em afirmar que ele  começa seu mandato presidencial apontado como opção do PDT para concorrer à Prefeitura de São Luís.

Em Tempo: Além do presidente Osmar Filho, integram a nova mesa Diretora da Câmara de São Luís os seguintes vereadores: Astro de Ogum (1º vice-presidente), Nato Júnior (2º vice-presidente), Josué Pinheiro (3º vice-presidente), Chico Carvalho (1º secretário), Francisco Chaguinhas (2º secretário), Beto Castro (3º secretário), Concita Pinta (4º secretário) e Afonso Manoel (5º secretário).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Bolsonaro rasga elogios a Sarney pela atenção que ele deu aos militares quando presidente

Jair Bolsonaro abraça Jose Sarney, a quem elogiou em discurso a militares

Se ouviu com alivio e satisfação a referência que recebeu do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no seu discurso de posse na Câmara Federal, o ex-presidente José Sarney (MDB) ficou em estado de graça com os afagos que lhe foram dedicados pelo novo presidente ontem, na posse do ministro da Defesa. Quebrando a tradição segundo a qual presidente não participa de ato de transmissão de cargo em ministério, Jair Bolsonaro se fez presente nas posses de quatro generais. E surpreendendo ainda mais, discursou na posse do novo ministro da Defesa. E no pronunciamento, ele rasgou elogios ao ex-presidente José Sarney, lembrando o apoio que este deu às Forças Armadas no seu Governo. Segundo o novo presidente, José Sarney fez todos os esforços possíveis para garantir a estabilidade financeira dos ministérios do Exército, Marinha e Aeronáutica. Revelou que sempre ao final de cada ano, quando os caixas dos ministérios militares estavam em baixa, o então presidente José Sarney “dava um jeito” de conseguir aportes às três forças. Jair Bolsonaro revelou que obteve essas informações em longas conversas com o general Leônidas Pires, que foi ministro do Exército e chefe da Casa Militar do Governo da Nova República, escolhido pelo presidente eleito Tancredo Neves e mantido pelo presidente José Sarney.

 

Wellington do Curso ainda não decidiu se disputará a Prefeitura de São Luís nem o rumo que tomará

Wellington do Curso deve redefinir sua linha de ação parlamentar

Reeleito com uma votação muito menor do que esperava, o deputado estadual Wellington do Curso (PSDB) tem ouvido sugestões para avaliar sua trajetória no próximo mandato. Para começar, Wellington do Curso estaria inclinado a disputar novamente a Prefeitura de São Luís, mas foi recentemente avisado pelo senador Roberto Rocha, seu chefe partidário, que a vaga de candidato do PSDB à Prefeitura em 2020 será ocupada por ele próprio. No exercício do mandato parlamentar, Wellington do Curso já se posicionou informando que continuará se opondo ao Governo Flávio Dino, mesmo que para isso pague o preço de ser rotulado de sarneysista – como, aliás, já vem sendo. Tudo indica que Wellington do Curso já começa a compreender que ave solitária não tem muito futuro em política, o que significa dizer que ele poderá tomar uma posição definitiva com relação a essa situação, que já parece incomodá-lo. Porém o parlamentar neotucano é fortemente marcado pela imprevisibilidade, o que impossibilita qualquer previsão sobre seus passos futuros.

São Luís, 03 de Janeiro de 2019.