Arquivos mensais: junho 2018

Lobão critica uso de delações como prova e afirma que Lula foi preso “para não ser presidente do Brasil outra vez”

 

Edison Lobão: aparte contundente contra prisão de Lula e uso de delação como orova
Edison Lobão: aparte contundente contra prisão do ex-presidente Lula da Silva e uso de delação como prova

“Lula foi preso para não ser presidente da República outra vez”. A afirmação, em tom contundente, foi feita pelo senador Edison Lobão (MDB), no plenário do Senado, em aparte a um igualmente forte discurso em que o senador catarinense Roberto Requião (MDB), criticou duramente a prisão do ex-presidente Lua da Silva (PT), sob a acusação, sem nenhuma prova documental e baseada em declarações premiadas de delatores, de que ele teria recebido um triplex no Guarujá (SP) como propina da construtora OAS. O aparte de Lobão corroborando com as duras críticas de Requião ao uso, para ele distorcido e ilegal, de delações premiadas como provas, ecoou fortemente dentro do seu partido, foi festejado pelo PT, reacendeu o debate sobre aspectos da Operação Lava Jato e, mais do que isso, intensificou a movimentação na corrida pelo Palácio do Planalto.

Ex-ministro de ministro de Minas e Energia no Governo Lula e, nessa condição, investigado a partir das delações do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, o senador Edison Lobão interpretou a prisão do ex-presidente petista como uma ação política destinada a sua volta ao comando do País, comparando-o aos ex-presidentes Getúlio Vargas, que se suicidou para não acabar presido, e Juscelino Kubistchek, que foi cassado pelos militares por conta da sua liderança.

No aparte surpreendente pela contundência crítica, que foi interpretado como por uns como um gesto de lealdade ao ex-presidente Lula, de quem foi ministro e com quem construiu uma sólida relação pessoal, e por outros como uma manifestação também ao seu próprio favor como investigado até agora sem prova, Edison Lobão indagou, enfático: “Como se pode impedir que o maior líder nacional – não pelo que foi ontem, mas pelo que é hoje – de se exibir, de corpo inteiro, aos perigos da noite de uma eleição nova?”. E atacou, com igual contundência, o uso, para ele abusivo, das delações premiadas como base de acusação:

– Delação sem provas. Este é o crime. Relembre-se que o ministro (do Supremo) Teori Zavaski, sempre que despachava um papel autorizando uma investigação, dizia às autoridades da investigação: Atente-se para o fato de que delação não é prova, é apenas um caminho para a investigação. Mas o que se tem visto é que a delação aos poucos vai se transformando em prova.

E cm uma argumentação forte, situou o caso do ex-presidente Lula nesse contexto: “Vossa Excelência dizia há pouco que não há prova contra o Lula no que diz respeito ao triplex. Não há prova de que é dele, na medida em que se demonstrou que o imóvel pertence a uma construtora. Portanto, a prova que existe é a favor do Lula, e não contra ele. Mas insiste-se em dizer (que o triplex) pertence a ele. E em nome desta falácia, dessa falsidade, ele foi preso. E lá se encontra numa enxovia (cela de prisão escura e suja) por conta dessa falsidade”.

O senador emedebista avaliou que “os delatores têm feito um grande mal ao País, à medida que não provam nada do que afirmam”. Citou o exemplo do corrupto assumido Pedro Barusco, “um simples ex-coordenador de área da Petrobras”, que desviou milhões no esquema, fez uma ampla delação, devolveu parte do dinheiro e hoje está vivendo nas aprazíveis praias do Guarujá, no litoral de São Paulo. E concluiu avaliando que a Lava Jato “é um bem e não um mal”, e que a “maior parte” do Poder Judiciário é justa, citando o caso da senadora petista Gleisi Hoffmann, que foi denunciada por delatores, mas foi absolvida pelo Supremo por falta de provas. “O Caso Gleisi é prova de que o Supremo não perdeu o rumo”, assinalou.

No aparte ao colega emedebista Roberto Requião, o senador Edison Lobão instalou a sucessão presidencial no centro do debate, alertando para a interpretação segundo a qual decisões judiciais polêmicas e marcadas pela controvérsia estão interferindo fortemente no curso político do País, sendo a prisão do ex-presidente Lula uma intervenção que ameaça gravemente a estabilidade institucional do Brasil. Por essa visão, tal distorção só será corrigida com a revisão do Caso Lula, sua libertação e participação no processo que levou o ex-presidente Lula à prisão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Operação tenta acalmar os ânimos no PSDB, mas candidatura de José Reinado ao Senado corre risco

José Reinaldo, Roberto Rocha e Sebastião Madeira: clima continua pesado continua no PSDB
José Reinaldo, Roberto Rocha e Sebastião Madeira: clima continua pesado continua

Está em curso no PSDB uma operação para evitar que as diferenças entre o presidente do partido e candidato a governador, senador Roberto Rocha, e o ex-governador José Reinaldo Tavares, candidato ao Senado, desaguem numa crise insolúvel, que resulte num desfecho traumático para o partido, que pode ser a mudança no quadro de candidatos a senador. Depois de um largo período de ação paralela, distanciada da direção partidária e às vezes até de confronto, José Reinaldo se deu conta de que a ameaça de tirar-lhe a vaga de candidato será consumada por Roberto Rocha, que começou a propagar o deputado federal Waldir Maranhão como novo nome para compor a chapa com o deputado estadual Alexandre Almeida. Numa estratégia de recuo, o ex-governador andou dândi declarações a favor de Roberto Rocha, elogiando seu trabalho no Senado e declarando-se favorável à sua candidatura ao Governo do Estado. Ao mesmo tempo, José Reinaldo procurou a direção nacional do partido em busca de apoio. Até ontem, segundo fonte acreditada do partido, o clima tenso havia  “estabilizado”, sem novos problemas, mas também sem uma sinalização clara de que a direção tenha recuado no propósito de mudar o candidato. O ex-governador José Reinado sabe que sua candidatura a senador depende mais da boa vontade de Roberto Rocha, que preside o PSDB no Maranhão, e do ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, que é o secretário geral. Os dois controlam o Diretório estadual, e qualquer decisão tomada pelo colegiado dificilmente será desmanchada pelo Diretório nacional, que tem muito mais com o que se preocupar do que as encrencas do Maranhão. A operação em curso poderá até acalmar os ânimos, mas dificilmente mudará o estado de ânimo de Rocha e Madeira em relação a José Reinaldo.

 

“Arraiá do Povo”, da Assembleia Legislativa, tem gran finale neste sábado

Arraial da Assembleia Legislativa tem mais uma noite neste sábado
Arraial da Assembleia Legislativa tem final neste sábado, véspera de São João

Poucas vezes uma festa junina organizada por um Poder teve repercussão tão ampla e, por conta disso, seus organizadores resolveram ampliar a programação, acrescentando mais uma noite de alegria, exatamente na animada véspera de São João. Foi o que aconteceu com o “Arraiá do Povo”, da Assembleia Legislativa, organizado pelo seu braço social, o Grupo de Esposas de Deputados do Maranhão (Gedema), agora comandado por Ana Paula Lobato, esposa do presidente do Poder Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB).  A festa foi programada para ser uma grande prévia junina nos dias 14, 15 e 16, mas o sucesso foi tão grande que o presidente Othelino Neto foi alcançado por inúmeros pedidos para que a programação fosse estendida. Também motivado pelo que viveu nas três noites, o presidente, de acordo com o Gedema, decidiu realizar mais uma noite, a véspera de São João, neste sábado (23). Para tanto, a estrutura foi mantida intacta, com todos os equipamentos necessários: “Vamos contar, novamente, com estrutura incluindo banheiros químicos, tenda para atendimento médico preventivo, playground para crianças, barracas para comercialização de comida típica, um grande palco, mesas e cadeiras espalhadas pelo espaço, rampa de acessibilidade para pessoas com deficiência, entre outros detalhes, ou seja, toda a infraestrutura utilizada nas primeiras três noites” informou Geraldo Oliveira, subdiretor de Manutenção de Serviços da Assembleia Legislativa. A decisão de realizar o “Arraiá do Povo” mais uma noite foi explicada pelo presidente Othelino Neto: “Foram muitos pedidos e muitos elogios”. E justificada pela presidente do Gedema, Ana Paula Lobato: “Não poderíamos deixar de atender a esse pedido especial do grande público. É uma forma de agradecimento e de homenagem”. E quem for hoje à festa do Legislativo curtirá: Boi de Presidente Juscelino (19h), Quadrilharte de Alcântara (20h), Show de Gargamel (21), Boi Upaon-Açu (22h), Boi Pirilampo (23h), Boi da Maioba (24h), Show de Josy Porto (1h).

São Luís, 22 de Junho de 2018.

Liderados pelo MP, órgãos de fiscalização e controle dão exemplo e orientam Prefeituras na aplicação de recursos na Educação

 

Luiz Gonzaga Martins Coelho, José de Ribamar Caldas Furtado, Sandra Pontes e Eudina ????: aççao republicana
Luiz Gonzaga Martins Coelho, José de Ribamar Caldas Furtado, Sandra Pontes e Eudina Pinheiro: ação  modernizadora e republicana sobre gastos públicos

Uma reunião realizada ontem (21) na sede da Procuradoria Geral de Justiça com a participação de representantes dos órgãos que formam a Rede de Controle da Gestão Pública – MP, TCE e TCU, entre outros – e representantes das prefeituras de Bom Lugar, Bernardo do Mearim, Serrano do Maranhão, Belágua, Nina Rodrigues, São Bernardo, Mirinzal e Capinzal do Norte constituiu um exemplo saudável de que o papel desses braços do Estado pode – e deve – ir bem mais longe do que a essencial ação fiscalizadora e, quando é o caso, punitiva. A pauta da reunião: esses municípios receberão da União uma expressiva bolada de recursos extras referentes a uma diferença de cálculo do Fundef no período de 1997 e 2006, para serem aplicados na área de educação, e ciente desse benefício, a Rede de Controle decidiu reuni-los para orientá-los no sentido de que o dinheiro seja aplicado corretamente, assinalando os bons resultados que eles podem produzir, mas também alertando-os no sentido de que a fiscalização será implacável e não terá nem dó nem piedade com eventuais desvios.

A necessidade e a importância de que esses recursos extras sejam bem aplicados foram destacadas pelo procurador-chefe do Ministério Público de Contas, Jairo Cavalcanti Vieira, que afirmou que a ideia da Rede de Controle é a construção de uma parceria para que os recursos recebidos sejam aplicados de forma eficiente no desenvolvimento da educação dos municípios. O procurador ressaltou, também, a importância da transparência na aplicação dos recursos, que está sendo acompanhada pelos órgãos fiscalizadores.

A superintendente da Controladoria Geral da União no Maranhão, Leilane Maria Silva, destacou a importância do trabalho em parceria buscando melhor aplicação para recursos. Ela lembrou que o fato desses recursos não terem sido repassados no período correto prejudicou uma geração anteriormente. “Esse recurso extra pode fazer a diferença na educação de muitas pessoas agora”.

Na abertura da reunião, o procurador-geral de Justiça, Luiz Gonzaga Martins Coelho, com a autoridade de quem teve o mandato renovado por mérito, foi direto ao ponto e, numa clareza pouco comum em eventos dessa natureza, dirigiu-se aos representantes dos municípios: “Tenham certeza de que o Ministério Público e seus parceiros terão o maior prazer em orientá-los para a correta aplicação desses recursos, mas não hesitaremos em tomar as medidas necessárias para garantir o direito a uma educação com uma qualidade muito melhor para nossos meninos e meninas”. Na mesma linha, o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), José de Ribamar Caldas Furtado, enfatizou a importância da aplicação integral dos recursos na educação, conforme as regras, e avisou que o tribunal que comanda atuará rigorosamente na letra da lei.

Na sequência, o procurador-chefe do Ministério Público de Contas, Jairo Cavalcanti Vieira, destacou a importância da transparência na aplicação dos recursos. A superintendente da Controladoria Geral da União no Maranhão, Leilane Maria Silva, lembrou que o fato de esses recursos não terem sido repassados no período devido prejudicou uma geração anteriormente, reforçando  a tese de que agora sua boa aplicação poderá fazer a diferença. E, numa manifestação decisiva, o chefe da União no Maranhão, Fabrício Santos Dias, definiu a reunião como um movimento “muito mais efetivo, muito mais eficaz, do que trabalharmos de modo repressivo”.

A reunião foi mais enriquecida pela coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Educação (CAOp Educação), Sandra Soares de Pontes, e pela promotora de Justiça Érica Ellen Beckman da Silva, que fizeram uma apresentação do programa “O dinheiro do Fundef é da educação”, desenvolvida pela Rede de Controle da Gestão Pública. Sandra Pontes falou sobre os índices educacionais dos oito municípios representados na reunião, comparando-os com a realidade estadual e nacional, mostrando a distorção idade x série, a taxa de abandono e a infraestrutura das redes de educação, e enfatizou: “Esse é um recurso extraordinário que vem em boa hora. Ele precisa ser aplicado corretamente, com um plano estratégico”. Já Érica Beckman fez um histórico das ações do programa, fazendo recomendações práticas e fundamentais, como, por exemplo, que os recursos em tela sejam colocados em conta bancária específica, para facilitar o controle da aplicação.

A resposta à iniciativa partiu da prefeita Eudina Costa Pinheiro, de Bernardo do Mearim, que integra a lista dos mais pobres do Maranhão,  num rasgo de correção política e humildade administrativa, agradeceu os esclarecimentos e parabenizou o MP, revelando que já estava preocupada em relação a como poderia aplicar os recursos recebidos, já tendo procurado a Promotoria de Justiça da Comarca de Igarapé Grande, da qual, em busca de orientação. Para Eudina Pinheiro, o encontro abriu a mente dos gestores para que invistam na melhoria da educação nas escolas municipais.

São iniciativas como essa que mostram que, independentemente da sua natureza, guardam traços que, se bem utilizados, podem torná-las mais republicanas e eficientes. No Maranhão de agora, onde o Poder Público passa por um denso processo de mudanças, o Ministério Público, sob o comando de Luiz Gonzaga Martins Coelho, vem se ajustando à modernidade, tornando-se uma instituição mais aberta e mais útil.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Aliança articulada por Ciro Gomes terá aval do governador Flávio Dino

Ciro Gomes: alianças à vista
Ciro Gomes: alianças à vista à direita

A aproximação de Ciro Gomes (PDT) do DEM, PP, PRB, PSC e Solidariedade, temida pelos líderes pelos emedebistas e tucanos, está em pleno curso, o que poderá torná-lo o mais forte presidenciável no campo político. Para começar, essa aliança, se vier a ser consumada como está se desenhando, dividirá fortemente a direita. Depois, dará a Ciro Gomes uma ampla capilaridade no País, além de assegurar-lhe um bom tempo de rádio e TV, considerado o mais importante item de uma campanha para a presidente da República no País. Mais ainda: uma aliança de Ciro Gomes com esses partidos reforçará muito a tese do governador Flávio Dino (PCdoB) de, caso o ex-presidente Lula não seja mesmo candidato, as esquerdas somem esforços em torno do candidato do PDT, formando uma ampla e heterogênea frente. E por uma razão simples: DEM, PP, PRB, PSC e Solidariedade fazem parte da aliança partidária liderada pelo governador no Maranhão.

 

Alexandre Almeida demonstra maturidade na guerra que corrói o PSDB

Alexandre Almeida: maturidade e distanciamento da crise no PSDB
Alexandre Almeida: maturidade e longe de crise no PSDB

O deputado Alexandre Almeida está dando uma demonstração de maturidade política. Candidato a senador pelo PSDB, o jovem parlamentar de Timon não se envolve a crise causa pelo confronto aberto entre o comando do partido, presidido pelo senador Roberto Rocha, candidato a governador, e o ex-governador José Reinaldo Tavares, candidato a senador. Alexandre Almeida se manteve distante da refrega, cuidando da sai pré-campanha e recusando-se a emitir opinião sobre as diferenças que têm alimentado o embate no ninho maranhense, o parlamentar começa a ocupar espaço na corrida senatorial. Poderia ter reagido quando seu colega de chapa recebeu o apoio dos Leitoa, seus arqui-inimigos na seara política timonense, mas se manteve discreto, sendo elogiado por políticos experientes.

São Luís, 22 de Junho de 2018.

Nova eleição para prefeito de Bacabal será acirrada e poderá produzir desdobramentos políticos importantes no estado

 

Roberto Costa, João Alberto, Zé Vieira e Carlinhos Florêncio: muito em jogo na eleição em Bacabal
Roberto Costa, João Alberto, Zé Vieira e Carlinhos Florêncio: muito em jogo na eleição em Bacabal

Poderá ser realizada em setembro, segundo a previsão de fonte graúda da Justiça Eleitoral, será, mais uma vez, um duro embate entre as forças comandadas pelo senador João Alberto (MDB), tendo como representante o deputado Roberto Costa (MDB), e os grupos hoje liderados pelo agora ex-prefeito Zé Vieira (PR), que inclui o deputado estadual Carlinhos Florêncio (PCdoB), que participa com o agora ex-vice-prefeito Florêncio Neto, também recém-chegado à seara comunista, e o ex-prefeito José Alberto, junto com o filho, suplente de deputado federal Alberto Filho (PP), entre outras, lideranças de menor peso. O grupo que perdeu o poder terá certa dificuldade para encontrar um nome que seja eleitoralmente forte e que tenha o aval dessas correntes políticas, correndo nos bastidores que o candidato poderá ser Florêncio Neto, Alberto Filho ou até mesmo Carlinhos Florêncio.

Se for mesmo confirmada para setembro – há quem diga que só acontecerá depois das eleições gerais de outubro -, a eleição em Bacabal se dará em meio à agitação das eleições gerais, o que tornará o pleito bem mais animado e tenso. A começar pelo fato de que o senador João Alberto jogará uma cartada de altíssimo risco em relação ao deputado Roberto Costa, que poderá sair das urnas no comando de um dos maiores  municípios maranhenses, com influência direta sobre mais de uma dezena de municípios no Médio Mearim, região central do Maranhão, ou poderá amargar um retrocesso numa carreira que até aqui tem sido bem sucedida  e com indiscutível potencial para o futuro.

O problema da candidatura do deputado Roberto Costa é a data da eleição. Depois de se dedicar intensamente à guerra judicial que teve desfecho terça-feira, no TSE, mas diante das circunstâncias, o parlamentar ajustou seus planos e sua agenda para dedicar-se ao seu projeto de reeleição para a Assembleia Legislativa, que parece certa, segundo muitos observadores da cena parlamentar. Com o desfecho da guerra judicial pela Prefeitura de Bacabal, que poderá implicar na realização de uma eleição em pouco tempo, exatamente no período intenso da campanha para as eleições gerais, Roberto Costa poderá se ver numa situação em que poderá ter de fazer uma opção entre brigar pela Prefeitura de Bacabal ou seguir na vida parlamentar. Além disso, a disputa poderá ser fortemente influenciada pela corrida sucessória estadual, o que exigirá do virtual candidato do PMDB um posicionamento nesse campo, podendo ser esse dado u fator complicador da sua estratégia de campanha. Ativo e muito bem articulado no campo político, o deputado deve fazer uma reflexão ampla e profunda sobre o que fazer.

Por outro lado, o grupo liderado pelo agora ex-prefeito Zé Vieira também se encontra num emaranhado de dificuldades para poder se posicionar. Para começar, a escolha do candidato não será fácil se o ex-prefeito, mesmo fragilizado pela derrota e pela idade avançada, resolver bancar um nome do seu grupo. Mas se ela recair sobre Florêncio Neto ou sobre Carlinho Florêncio, a situação mudará radicalmente. Isso porque, pelo fato de que, numa cartada esperta, o deputado Carlinhos Florêncio deixou o inexpressivo PHS e se filiou ao PCdoB. Assim, se for o escolhido, poderá contar com o poderoso apoio do Palácio dos Leões, que dificilmente ficará de fora de uma briga cujo desfecho poderá ser o controle de um dos mais importantes municípios do estado.

Assim, além de resolver de vez uma situação que só agrava os problemas do município, a disputa pela Prefeitura de Bacabal produzir cenários importantes no contexto político do Maranhão. Um deles é a sobrevivência do grupo liderado pelo senador João Alberto e do seu virtual candidato, deputado Roberto Costa. O outro é o destino do ex-prefeito Zé Vieira e seus comandados. E, finalmente, o rumo que poderá tomar a corrente liderada pelo deputado Carlinhos Florêncio.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pesquisas fazem Sarney Filho intensificar sai pré-campanha para o Senado

Sarney Filho: pré-campanha intensificada l
Sarney Filho: pré-campanha intensificada l

Diante dos números mostrados por pesquisas recentes em relação à corrida senatorial, que mostraram que ele está em terceiro lugar na preferência do eleitorado entre os candidatos que brigam pelas duas vagas de senador, o deputado federal Sarney Filho (PV) decidiu incrementar sua pré-campanha. Nas duas ultimas semanas, ele concedeu várias entrevistas no estado e em Brasília, participou de eventos relacionados com questões ambientais, acompanhou a ex-governadora  Roseana Sarney (MDB) em incursões na Baixada e na nesta semana esteve em Barreirinhas participando do anúncio de novas regras para promover o turismo na região, mas com regras duras destinadas à preservação do Parque Nacional dos Lençóis, fazendo valer no caso sua influência de ex-ministro do Meio Ambiente. No exercício do décimo mandato de deputado federal, Sarney Filho decidiu jogar uma cartada decisiva ao se candidatar ao Senado. Ele é a aposta principal da família do ex-presidente José Sarney, com o peso de que, se não for eleito, iniciará o primeiro período sem um Sarney exercendo mandato em Brasília.

 

Luis Fernando Silva vira alvo de ataques de aliados de Roseana Sarney

Luis Fernando Silva: apoio a Flávio Dino e pencada do Grupo Sarney
Luis Fernando Silva: apoio ao governador   Flávio Dino e pencada do Grupo Sarney

Antes cantado em verso e prosa como político de futuro de futuro e gestor de excelência, o prefeito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva virou, nas últimas semanas, alvo dos canhões midiáticos do Grupo Sarney. Silva vem sendo apontado como um político em declínio e um gestor marcado por desgastes. Nos bastidores partidários correu o rumor segundo o qual Luis Fernando teria sido sondado por emissários da ex-governadora Roseana Sarney sobre a possibilidade de se afastar do governador Flávio Dino e alinhar-se ao projeto da sua ex-chefe e líder de retornar ao comando do Estado. Com as cautelas de sempre, marca registrada da sua movimentação política, o prefeito de São José de Ribamar respondeu às sondagens de maneira cuidadosa, mas deixando bem claro que vai seguir comprometido com o projeto de reeleição do governador Flávio Dino. A julgar pelo bombardeio, a posição de Luis Fernando não foi bem recebida por quem teria autorizado a tal sondagem.

São Luís, 21 de Junho de 2018.

Max Barros anuncia que não mais será candidato e parlamento perderá um dos seus melhores quadros

 

Max Barros: um quadro parlamentar de excelência que vai deixar a Assembleia Legislativa
Max Barros: um quadro parlamentar de excelência que vai deixar o Legislativo

O deputado Max Barros (PMB) surpreendeu ontem seus pares ao anunciar que não será candidato ao quinto mandato, decisão por meio da qual se afastará da política partidária. O anúncio foi feito de maneira sóbria, em forma de balanço, na tribuna, e causou forte impacto no plenário da Assembleia Legislativa. Ao comunicar sua aposentadoria parlamentar, o engenheiro civil, professor e gestor público abre um amplo vazio no universo da política estadual, que perde um quadro com sólida formação democrática, com identidade ideológica como um militante de centro, longe, portanto, dos extremismos. A Assembleia Legislativa não mais contará com um dos melhores quadros que abrigou neste início de século. Tanto que o seu anúncio foi lamentado por grande número de deputados, todos destacando exatamente o parlamentar consistente, bem informado, aguerrido, honesto e movido por um claro senso de equilíbrio. Não foi sem razão que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), declarou que, apesar de ser adversário, é seu admirador.

O deputado respeitado que se despediu ontem das guerras eleitorais, depois de quatro mandatos consecutivos, não nasceu político por estalo ou por surto de vaidade de um profissional liberal engajado. Concorreu para o ingresso a vivência numa família de políticos, entre eles ninguém menos que o célebre senador Alexandre Costa. Foi também estimulado ao exercício da política ao entrar na vida pública, engenheiro recém-formado, por convite feito pelo também engenheiro Anibal Pinheiro, para assumir a direção do DER-MA no Governo de Epitácio Cafeteira (1987-1990). Seu desempenho como gestor público o tornaria um dos quadros mais ativos e influentes dos quatro Governos de Roseana Sarney, que teria influência decisiva na sua entrada na política partidária e na complexa e envolvente ciranda da luta pelo voto popular.

Diferentemente da maioria dos técnicos que entraram na política, Max Barros conseguiu alimentar essa dualidade, tornando-se deputado brilhante e, ao mesmo tempo, gestor público que se notabilizou pelos longos períodos em que atuou no comando da Secretaria de Estado de Infraestrutura e na Gerência Metropolitana, deixando sua marca numa extensa relação de obras importantes, como os quatro viadutos que compõem o complexo viário de São Luís, a Via Expressa, dezenas de ligações rodoviárias, a revitalização da São Luís histórica e inúmeras outras obras civis importantes para a infraestrutura do Maranhão em diversos campos. O parlamentar, por sua vez, deixará um legado que justificará plenamente os quatro mandatos, como a regularização fundiária, assegurando propriedade da terra aos cidadãos maranhenses; preservação do patrimônio histórico, alocando recursos permanentes para conservação do nosso acervo urbanístico e arquitetônico; garantiu verbas constitucionais para abastecimento de água e tratamento de esgoto para população maranhense; taxação de grandes empresas multinacionais que causam impactos no Maranhão, de maneira a viabilizar recursos significativos para melhoria da população maranhense. Criou normas de proteção ao consumidor em atividades de lazer, cultura e entretenimento.

Nos períodos em que passou na Assembleia Legislativa nesses 16 anos de vida parlamentar, Max Barros construiu uma personalidade rica em diversos aspectos: tem sido um orador contundente, cujas falas são sempre ouvidas com atenção por adversários e aliados, exatamente por pronunciar discursos ricos de informação e senso crítico. É deputado que enfrenta seus adversários de peito aberto, com a dureza adequada a cada situação, com a diferença que jamais saiu do confronto das ideias, do choque das diferenças, para embrenhar-se no charco dos ataques pessoais. Neste mandato, tem sido um adversário duro e tenaz do Governo Flávio Dino, do qual diverge no campo das ações e também no campo ideológico. Mas em nenhum momento ultrapassou a fronteira da civilidade, preferindo respeitar seus adversários mostrando, com argumentos sólidos, seus erros e equívocos, Tanto que no seu discurso reafirmou a postura republicana segundo a qual adversário não é inimigo.

Max Barros se mostra um ente político diferenciado quando diz no seu discurso entender que chegou “o momento de buscar novos caminhos, novos desafios, que me instiguem e estimulem e também, de atender ao desejo daqueles que sempre me deram o suporte necessário, minha família”. Revela, finalmente, que o sonho do estudante por uma sociedade mais justa permanece vivo e que só pode ser alcançado pela via da política: “Pode parecer uma contradição. Mas, neste momento em que anuncio não mais participar, como candidato, nas próximas eleições, afirmo que a política é a forma mais eficiente e democrática de mudarmos uma realidade social”.

Irá para casa com a consciência tranquila de quem está fazendo a sua parte como um político ético, engajado e consciente do seu papel.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Reviravolta: TSE cassa mandato de Zé Vieira e determina nova eleição para prefeito de Bacabal

Zé Vieira perde de vez o cargo de prefeito de Bacabal
Zé Vieira perde de vez o cargo de prefeito de Bacabal, por decisão do TSE

Com um ano e seis meses de atraso, que foi mantido por um impressionante festival de liminares, que animou inclusive o Tribunal de Justiça do Maranhão, o Superior Tribunal Eleitoral (TSE), numa decisão unânime, cassou o mandato do prefeito Zé Vieira (PR) e determinou a realização de um novo processo eleitoral para escolher o prefeito de Bacabal.

Numa manifestação prevista por experientes advogados especialistas em Direito Eleitoral, os membros da Corte acompanharam a decisão do ministro-relator Luiz Fux e derrubaram a liminar que mantinha Zé Vieira no comando da Prefeitura de Bacabal. O resultado do julgamento livra a cidade de uma situação de total instabilidade, a que foi submetida por causa do imbróglio que ganhou forma com o anúncio do resultado das urnas. Zé Vieira venceu a eleição, mas sua candidatura foi impugnada por ele ter condenações em órgãos colegiados e considerado ficha suja. Tal situação deu origem à guerra judicial que só terminou ontem.

Ex-prefeito e no comando de uma frente que reuniu ex-prefeitos e o deputado Carlinhos Florêncio (PCdoB), Zé Vieira saiu das urnas com mais de 50% dos votos válidos, o que anula o resultado da eleição. Assim, o eleitorado bacabalense voltará às urnas para escolher o novo prefeito.

 

Absolvição de Gleisi Hoffmann pode “animar” o braço do PT no Maranhão

Gleisi Hoffmann absolvida da acusação de corrupção
Gleisi Hoffmann absolvida da acusação de corrupção por unanimidade no STF

A absolvição da senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente do PT, da acusação de corrupção e desvio de dinheiro público, funcionou como uma poderosa injeção de ânimo no partido e, principalmente, nos partidários do ex-presidente Lula da Silva. Se a senadora e seu marido, o ex-ministro e ex-deputado federal Paulo Bernardo, que chegou a ser preso, fossem condenados, a crise que desgasta o PT desde o início da Lava Jato, certamente seria agravada, levando o partido ao risco de um colapso. A absolvição, além de afastar o risco de ficar sem comando, reforça dentro da agremiação a corrente que defende a candidatura de Lula a presidente, mesmo estando ele na cadeia. Aparentemente distante do cenário político do Maranhão, a decisão da 2ª Turma do STF dá gás ao braço maranhense do PT, que poderá insistir na pressão por uma vaga para o partido na chapa majoritária da aliança liderada pelo governador Flávio Dino. Só que, segundo fonte ligada ao governador, essa questão está fechada, só restando quatro vagas de candidato a suplente de senador. E ponto final.

São Luís, 19 de Junho de 2018.

Projeto da ZPE lembra grandes projetos eleitoreiros que frustraram o Maranhão nas últimas décadas

 

Um imenso "deserto" foi o que restou do projeto da refinaria que judaria o Maranhão
Um imenso “deserto” foi o que restou do projeto da refinaria que judaria o Maranhão

 

Na semana passada, o mundo o Maranhão foi alcançado pela notícia de que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, presidida pelo senador Edison Lobão (MDB), aprovara projeto de lei de autoria do senador Roberto Rocha (PSDB) criando uma Zona de Processamento e Exportação (ZPE) para ser instalada na região metropolitana de São Luís. Uma notícia excelente e alvissareira, principalmente se levado em conta o fato de que o Brasil enfrenta uma crise econômica sufocante, que resultou na eliminação de 13 milhões de postos de trabalho, penalizando todas as regiões, todos os estados, entre eles, claro, o Maranhão. A passagem do projeto pela CCJ foi meio caminho andado, faltando agora o aval Comissão de Assuntos Econômicos, para que desembarque no plenário da Câmara Alta para ser finalmente submetido ao crivo da totalidade dos senadores. Se o projeto for bem negociado e acabar caindo na simpatia dos líderes da Casa, pode ser que sua aprovação se dê no segundo semestre, podendo até mesmo ser sancionado pelo presidente Michel Temer (MDB).

O projeto inicial de Roberto Rocha era para criar uma Zona Franca, mas o relator Edison Lobão o convenceu de uma ZPE é menos complexa e se adequaria mais ao Maranhão. Assim, a já batizada “Zema” se vingar será uma área industrial isolada, na qual as indústrias receberão isenção fiscal e o que vierem a produzir será destinado exclusivamente ao mercado internacional, não podendo ser colocado no mercado brasileiro. O básico do projeto é a geração de emprego, sendo que as indústrias que se instalarem utilizarão mão-de-obra qualificada, o que exigirá do Poder Público investimentos expressivos na formação adequada de trabalhadores. Além disso, algumas questões, como a ambiental, por exemplo, deverão pesar nas discussões, de modo que um projeto dessa envergadura, se nada vier a travá-lo, levará pelo menos meia década para sair do papel. E o bom senso recomenda, claro, que se dê ao autor da proposição um necessário crédito de confiança.

O grande risco é um projeto dessa natureza vir a se transformar num engodo pré-eleitoreiro. Não que se duvide do propósito do senador Roberto Rocha, mas a julgar pelas experiências amargas vividas pelos maranhenses nas últimas décadas, por conta de duas promessas dessa envergadura, o mesmo bom senso que lhe der o crédito, seja também usado para ligar o desconfiômetro. Afinal, desde 1994, candidatos e governos recentes prometeram, primeiro, que o Maranhão seria transformado num polo produtor de tudo o que se pode produzir a partir do ferro bruto que sai de Carajás, corte o estado, usa o seu porto e segue para todos os continentes. O grande projeto siderúrgico nunca foi sequer colocado no papel, e o que aconteceu foi que algumas usinas de produção de ferro gusa surgiram ao longo da ferrovia, tendo a maioria delas quebrado, e a instalação de uma fábrica de pelotas de ferro em São Luís que funcionada de acordo com os humores do mercado internacional, que a obriga a permanecer mais tendo fechada do que funcionando – foi reaberta recentemente depois de quase quatro anos com as portas fechadas.

Nada, porém, superou o blefe eleitoreiro mais espetacular da história do Brasil republicano, a Refinaria Premium I, prometido em ato solene, em Bacabeira, em janeiro de 2010, com a presença do presidente Lula da Silva (PT), da futura presidente Dilma Rousseff (PT), do ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB), da então governadora e candidata à reeleição Roseana Sarney (PMDB), e do ex-presidente José Sarney (PMDB), além de diretores da Petrobras – entre eles o diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, que viria a entrar para a história como o chefe do maior esquema de corrupção, tornando-se uma das maiores “estrelas” da Operação Lava Jato. Pelo projeto, que resultara de um processo de negociação que durou meses entre a petroleira e o Governo do Estado, a pequena Bacabeira seria premiada com um investimento básico de R$ 40 bilhões numa gigantesca estrutura projetada para produzir óleos finos, destinados ao consumo de indústrias de ponta no mundo inteiro. Vieram as eleições, todos os envolvidos na promessa se elegeram, foram enterrados mais de R$ 1 bilhão em desmatamento da área, que recebeu as primeiras estruturas de cimento. Ao mesmo tempo, Bacabeira de transformou num frenético Eldorado, onde muitos enterraram suas economias. Resultado: de uma hora para outra o vento virou e tudo foi por água abaixo, configurando o maior fracasso da história do Maranhão até aqui.

Os megaprojetos que seriam a redenção do Maranhão têm em comum o fato de terem sido anunciados como coisa certa em ano de eleições, sendo seus patrocinadores candidatos a caminho das urnas. E o fato de receber um empurrão expressivo na sua tramitação exatamente no ano eleitoral e de que o senador-autor e o senador-relator sejam candidatos acende um sinal de alerta quanto ao futuro da Zema em tramitação no Senado. Cabe agora ao senador Roberto Rocha mostrar que a Zema é para valer.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Central-Bequimão: Depois de passar por incômodo, Governo cala Oposição com chegada da ponte em carretas

Carreta com peças da ponte Central-Bequimão
Carreta com peças da ponte Central-Bequimão chegam à região da Baixada

Há cerca de duas semanas, um interessante debate foi travado no plenário da Assembleia Legislativa. Deputados situacionistas e oposicionistas se enfrentaram num verdadeiro duelo verbal, civilizado e de alto nível, com os primeiros exaltando os feitos do governador Flávio Dino (PCdoB) e os segundos tentando minimizá-los. No bate-rebate, oposicionistas acusaram o Governo dinista de não realizar “obras estruturantes”, tais como complexos rodoviários, viadutos, pontes, etc.. Nos seus discursos, oposicionistas tomaram o projeto da ponte que ligará Central a Bequimão, ampliando fortemente a ligação rodoviária na Baixada Ocidental, como um exemplo de que o Governo “prometeu, mas não cumpriu”, relatando que a obra teria sido abandonada depois que as “cabeceiras” ficaram prontas. Os oposicionistas apanharam os governistas no contrapé, conseguindo passar a incômoda impressão de que a ponte Central-Bequimão seria mesmo uma promessa não cumprida. A bancada situacionista reagiu enfatizando a obra social do atual Governo, mas estranhamente não soube explicar o caso da ponte de maneira convincente. Há três dias, porém, o vento virou a favor do Palácio dos Leões: nada menos que uma dezena de carretas “invadiram” a Baixada transportando a ponte na forma de imensas peças de aço que serão usadas para ligar as cabeceiras já prontas. Os deputados oposicionistas sabiam, claro, que a obra da ponte não fora abandonada, enquanto os governistas não souberam mostrar que a ponte estava a caminho da Baixada nas carrocerias das imensas carretas. É verdade que naquele debate, os oposicionistas tiraram os governistas do eixo. Mas a chegada das carretas com a ponte pronta para ser montada foi um “cala-boca” amargo e desanimador para a Oposição.

 

Arraial do Gedema deu tão certo que será reaberto no sábado na véspera de São João

Othelino Neto e Ana Paula Lobato: sucesso com o "Arraiá do Povo"
Othelino Neto e Ana Paula Lobato: sucesso com o “Arraiá do Povo”

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Filho (PCdoB) acertou em cheio no projeto junino do Gedema, braço social do Poder Legislativo, comandado por sua esposa, Ana Paula Lobato. Organizado para ser uma grande prévia das festas juninas de São Luís, o “Arraiá do Povo”, realizado quinta-feira (14), sexta-feira (15) e sábado (16) no pátio de estacionamento do Palácio Manoel Beckman, tornou-se uma festa bem maior do que muitos esperavam. Os três dias de festança reuniu milhares de servidores da instituição e visitantes. Bem organizado, com os portões abertos e com uma programação recheada do que há de melhor de todos os sotaques de bumba-boi e outros folguedos juninos, o “Arraiá do Povo” foi tão bem sucedido que o presidente do Poder Legislativo e a presidente do Gedema decidiram “esticar” a programação com a reabertura do arraial no próximo sábado (23), véspera de São João.

São Luís, 18 de Junho de 2018.

Corrida ao Senado é fator de tensão na aliança dinista, no ninho dos tucanos e no Grupo Sarney

 

Eliziane Gama enfrenta pressão, Jozé Reinaldo se choca com tucanos e Sarney Filho e Edison Lobão quase no cada um por si
Eliziane Gama enfrenta pressão, Jozé Reinaldo se choca com tucanos e Sarney Filho e Edison Lobão quase no cada um por si na corrida ao Senado

Apontada desde o início das articulações como a disputa mais intensa e complicada da campanha eleitoral que desaguará nas urnas em Outubro, a corrida às duas vagas no Senado está sendo alvo de embates e pressões em todos os campos da polpitica maranhense. São problemas visíveis, causados por divergências diversas, na aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), onde são candidatos os  deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS), no Grupo Sarney, pelo qual são candidatos o senador Edison Lobão (MDB) e o deputado federal Sarney Filho (PV), e também na chapa majoritária do PSDB, que tem como candidatos ao Senado o ex-governador José Reinaldo Tavares e o deputado estadual Alexandre Almeida. São situações diferentes, mas que, caso não sejam resolvidas por bem amarrados acordos internos, poderão resultar em fortes traumas partidários e até mesmo em acachapantes desastres nas urnas.

Na aliança liderada pelo governador Flávio Dino, enquanto Weverton Rocha tem o seu projeto senatorial politicamente garantido, de modo a que seus esforços agora sejam concentrados na viabilidade eleitoral, a situação da candidatura de Eliziane Gama vive uma situação inversa, com indiscutível potencial eleitoral, mas sem a consistência política que precisa para deslanchar de vez. A fonte da pressão política contra Eliziane Gama é o PT, que não sua candidatura pela aliança e reivindica sua vaga para ser ocupada por um candidato petista. A não aceitação da candidatura pelo PT vem do fato de Eliziane, seguindo a orientação do seu partido, o PPS, foi voz estridente a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O alvo da pressão petista é o governador Flávio Dino, que trabalha para acomodar a situação sem prejuízo para a candidatura de Eliziane Gama, mas o PT vem avisando que não pretende se conformar com a chapa incluindo a parlamentar. O deputado petista Zé Inácio avisa que a questão permanece em aberto.

No ninho dos tucanos, a corrida ao Senado está sendo complicada por uma situação de crise aguda, causada por atitudes e posições do ex-governador José Reinaldo Tavares, que além de não assumir a candidatura do senador Roberto Rocha ao Governo do Estado, incentiva, aberta e ostensivamente, a candidatura do deputado Eduardo Braide (PMN). Além disso, vem atuando à revelia do comando partidário, como fez na escolha do jovem político tucano caxiense Catulé Jr. para ser candidato a suplente. Diante da movimentação do ex-governador, o presidente do PSDB, Roberto Rocha, e o secretário geral, Sebastião Madeira, avisaram publicamente que se José Reinaldo não se enquadrar, perderá a vaga de candidato a senador, que, no caso, será dada ao deputado federal Waldir Maranhão. A situação no PSDB tende a ficar mais confusa com a fragilização da candidatura presidencial do ex-governador paulista Geraldo Alckmin, com reflexos fortes no projeto eleitoral do senador Roberto Rocha. O fato é que, com o aval da cúpula tucana, Waldir Maranhão já se apresenta nos eventos pré-eleitorais como pré-candidato a senador, num claro indicativo de que a guerra no ninho dos tucanos caminha para um desfecho traumático.

No campo sarneysista não existe uma crise propriamente dita. Mas já são fortes nos bastidores os sintomas de uma “guerra eleitoral” entre a corrente ligada ao senador Edison Lobão e a que embala o deputado Sarney Filho. Diante da leitura segundo a qual há uma tendência no sentido de que partidários de Lobão não aceitam que ele seja menos votado e perca a suposta vaga da coligação para o ex-ministro do Meio Ambiente. Há quem veja sinais de que o grupo da ex-governadora Roseana Sarney está se movimentando mais por Sarney Filho, ao mesmo tempo em que roseanistas de carteirinha estão enxergando movimento mais intenso de partidários de Lobão estariam puxando brasa apenas para o ex-ministro de Minas e Energia. É fato que Edison Lobão e Sarney Filho não estão exatamente atuando como uma dupla, ajudando-se mutuamente, como aconteceu, por exemplo, com Lobão e João Alberto em 2010. Não se duvida que o ex-presidente José Sarney entre nesse circuito de tensões e coloque as coisas nos seus devidos lugares, pois sabe que um for eleito e o outro sair derrotado o mal-estar será grande.

É verdade que esses problemas costumam acontecer na fase de pré-campanha e que após as convenções e na campanha propriamente dita eles tendem a passar por um grande processo de acomodação, levando as disputas internas a um grau de intolerância aceitável.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Eliziane Gama mostra força política com a declaração de apoio do governador Flávio Dino

Eliziane apoiada por Flávio Dino: demonstração de força política
Eliziane apoiada por Flávio Dino demonstra de força política

A deputada Eliziane Gama mostrou força eleitoral e gás político no grande ato em que lançou da sua pré-candidatura ao Senado, sábado, no Rio Poty Hotel. Para começar, foi prestigiada pelo governador Flávio Dino, pelo prefeito de São Luís Edivaldo Jr. (PDT) e seu parceiro de coligação na corrida senatorial, deputado federal Weverton Rocha, além de deputados federais, deputados estaduais, secretários de Estado, prefeitos e vereadores, liderando um ato de forte densidade política. Ao mesmo tempo, reuniu lideranças políticas de base, a começar por chefes evangélicos. Representantes da juventude, de negros, indígenas, mulheres, conselheiros tutelares engrandeceram o evento mostrando a força de Eliziane junto os movimentos sociais de base.  Roberto Freire, presidente nacional do PPS, mandou uma mensagem em apoio à pré-candidatura de Eliziane ao Senado.

O ato serviu para extirpar todas as dúvidas que vinham povoando os bastidores sobre o apoio do governador Flávio Dino à candidatura da parlamentar do PPS. Além da presença, o governador fez um discurso de firme apoio à candidatura de Eliziane gama, destacando principalmente as sua qualificação como política e as bandeiras que ela vem defendendo com muito empenho. Flávio Dino assinalou que numa sociedade marcada por desigualdades como é a brasileira, e particularmente a maranhense, é alentador o surgimento de políticos como Eliziane Gama. E foi mais longe ao destacar as bandeiras que a deputada vem defendendo com afinco na sua trajetória parlamentar – defesa da criança, dos desvalidos, dos trabalhadores do campo e da cidade, etc. – numa demonstra de que está qualificada para pleitear uma vaga no Senado. “Eliziane não é apenas uma mulher, ela é uma mulher que, reconhecidamente, luta pelos direitos das mulheres”, destacou o governador.

Seu parceiro de chapa na disputa pelas vagas do senado, Weverton Rocha declarou apoio total ao projeto de Eliziane Gama e mostrou a base da afinidade política que os liga: “Eliziane é filha de Araguanã e eu sou de uma família de Porto Franco, nós conhecemos a realidade do Maranhão. Tivemos que lutar para conseguir chegar onde estamos, diferente de outros que já nasceram com tudo na mão”.

Numa resposta direta ao apoio que recebia naquele momento, Eliziane Gama demonstrou quase euforia com o tamanho e a importância polpitica do ato de lançamento de sua pré-candidatura. Ela disse que o seu projeto de ser senadora é para trabalhar em conjunto com o governador Flávio Dino no processo revolucionário que está em andamento no Maranhão e que está mudando para melhor a vida das pessoas.

– Me sinto lisonjeada e com muita responsabilidade, pois Flávio Dino é o governador mais bem avaliado do Brasil. Ele escolher uma mulher, da sociedade, evangélica, que não tem um histórico em uma retaguarda política familiar é dar oportunidade àqueles que não têm, as mulheres e as minorias do Maranhão”.

 

Se a visita a Mirinzal foi ato planejado de pré-campanha, Roseana e Sarney Filho precisam rever sua estratégia

Roseana Sarney e Sarney Filho em Mirinzal: grupo pequeno para ouvi-los
Roseana Sarney e Sarney Filho em Mirinzal: grupo pequeno para ouvi-los falar

Salvo seus aliados e assessores mais próximos, quase ninguém entendeu direito o que a ex-governadora Roseana Sarney e o deputado federal Sarney Filho, pré-candidato ao Senado, foram fazer em Mirinzal, na quinta-feira. Para começar, a visita não foi divulgada previamente, e não pareceu ser um ato de pré-campanha, já que não contou também com a participação do senador Edison Lobão, o outro candidato do grupo ao Senado, nem teve o acompanhamento de deputados federais e deputados estaduais do campo sarneysista. Mais estranho ainda foi o fato de a pré-candidata do MDB ao Governo falar a um grupo reduzido de pessoas no que pareceu ser o coreto de uma praça, quando seria previsível que, pelo seu cacife político e o seu poder de fogo pessoal, a ex-governadora reunisse uma multidão, ainda que reunisse partidários e curiosos. Afinal, uma cidade como Mirinzal não costuma receber com frequência um líder político do porte da ex-governadora. A julgar pela imagem divulgada, se a visita a Mirinzal foi um ato de pré-campanha devidamente programado, Roseana Sarney e Sarney Filho precisam rever urgentemente suas estratégias de campanha, pois do contrário não chegaram muito longe.

São Luís, 17 de Junho de 2018.

Bolsonaro é festejado por partidários, fala para um grande número de empresários de peso e prestigia Maura Jorge

 

Aplaudido por Maura Jorge, Jair Bolsonaro sacode a bandeira do Maranhão
Aplaudido por Maura Jorge e anunciado pelo  vereador Chico Carvalho, presidente do PSL Jair Bolsonaro sacode a bandeira do Maranhão em evento com empresários

A escala que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) fez quinta-feira em São Luís foi marcada por uma série de constatações, revelações e esclarecimentos. Ele confirmou pertencer mesmo à direita conservadora, que tem como objetivo principal “varrer o comunismo”, não admitindo qualquer relação com a esquerda, independentemente do viés democrático que essa corrente ideológica defenda. No campo das revelações, consolidou sua veia conservadora ao avisar que, caso seja eleito presidente, nomeará militares para boa parte dos ministérios, assim como entregará aos economistas a tarefa de consertar o país que eles colocaram no buraco. E no campo dos esclarecimentos, o presidenciável do PSL deixou claro, em vários momentos, que a ex-deputada e ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (PSL), é a responsável pela sua campanha no Maranhão.

Jair Bolsonaro teve recepção compatível com a sua posição de liderança na corrida presidencial – quando Lula da Silva (PT) não é levado em conta -, com uma grande e zoadenta clack que o acolheu no Aeroporto do Tirirical, como também na palestra que proferiu no Villa Reale Buffet, no Calhau, para cerca de duas centenas de empresários – segundo estimativa do Portal do Maranhão, comandado pelo competente e experiente jornalista Aquiles Emir -,  entre eles alguns dos mais destacados do estado, totalizando uma fatia expressiva do PIB maranhense, em evento organizado pela Associação Comercial do Maranhão (ACM), Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), a  Federação do Comércio (Fecomércio) e Federação  das Indústrias (Fiema). Foi ouvido com atenção redobrada, principalmente porque falou o que esse segmento queria ouvir: se eleito, investirá numa política econômica associada a uma dura política de segurança pública, além de uma política  que reduza a carga tributária sobre a atividade produtiva. Enfim, deixou o empresariado local vivamente animado.

O capitão reformado do Exército e atual deputado federal pelo Rio de Janeiro, notabilizado por uma retórica agressiva, que inclui xingamentos a adversários, e uma visão simplificada da realidade, que parece ver de maneira rigorosamente cartesiana, e que dispara como uma metralhadora giratória, principalmente na direção da esquerda, para ele se resume ao PCdoB, PT, PSOL e PDT, partidos com os quais não tem a menor possibilidade de dialogar. Alguns entrevistadores tentaram fazê-lo disparar contra o governador Flávio Dino, mas o pré-candidato do PSL a presidente preferiu não abrir fogo, explicando que os dois nunca dialogaram no Congresso Nacional exatamente pela diferença ideológica que os mantêm distantes. Mas não resistiu atacar o governador quando declarou que Maura Jorge o ajudará “a varrer” o comunismo do Maranhão. De acordo com o portal Maranhão Hoje, ao ser indagado sobre que projetos tem para o Maranhão, Bolsonaro disse que sua visão tem de ser macro, a nível nacional, e que questões pontuais devem ser levadas pelos companheiros de partido nos estados, “e a companheira Maura deve dizer o que é prioritário para o Maranhão”.

O presidenciável do PSL contrariou todos os boatos segundo os quais não prestigiaria a ex-prefeita de Lago da Pedra e pré-candidata assumida ao Governo do Estado como sua representante no Maranhão. Jair Bolsonaro não apenas confirmou seu apoio ao projeto político e eleitoral de Maura Jorge. Ele foi mais longe ao insinuar, em alguns momentos da sua escala em São Luís, que ele poderia vir a ser a sua companheira de chapa. E ara não deixar dúvidas sobre isso, a manteve ao seu lado o tempo todo, numa demonstração clara de que a ex-prefeita de Lago da Pedra está, de fato, integrada ao seu projeto de chegar à presidência da República.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sob bombardeio do PT, Eliziane Gama formaliza hoje sua pré-candidatura ao Senado

Eliziane Gama vai para a disputa de vaga no  Senado com o apoio de Flávio Dino
Eliziane Gama vai para a disputa de vaga no Senado com o apoio de Flávio Dino

A deputada federal Eliziane Gama (PPS) lança hoje, em ato em que pretende mostrar sua força política e eleitoral, sua pré-candidatura ao Senado, integrado a chapa majoritária da aliança partidária que tem o governador Flávio Dino (PCdoB) como candidato à reeleição. Líder nas pesquisas que mediram até aqui as preferências do eleitorado para as cadeiras no Senado, Eliziane Gama lança sua pré-candidatura num momento em que esse projeto está sendo duramente bombardeado pelo PT, que não apenas não aceita apoiá-la, como também pretende que a sua vaga seja cedida ao partido, para ser ocupada pelo ex-secretário de Esportes, Márcio Jardim. Além de avaliar que tem o direito de ocupar uma das vagas de candidato a senador na chapa liderada pelo governador Flávio Dino – a outra já está com o deputado federal Weverton Rocha (PDT) -, o PT não perdoa Eliziane Gama por haver ela e o PPS terem feito campanha a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Será um embate duro e de desfecho imprevisível, pois se de um lado o PT ecoa o poder de fogo da candidatura de Lula da Silva a presidente, por outro, Eliziane Gama tem forte poder de fogo eleitoral e está politicamente respaldada pela grande maioria dos pastores evangélicos do Maranhão, que teriam fechado um acordo para apoiá-la. O ato de hoje, no Rio Poty Hotel, e que deve ser prestigiado pelo governador Flávio Dino e pelo deputado federal Weverton Rocha, deve colocar as coisas nos seus devidos lugares.

Oito presidenciáveis já visitaram o Maranhão em pré-campanha

Lula da Silva, Guilherme Boulos, Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Álvaro Dias, Aldo Rabelo e ,Rodrigo Maia já visitaram o Maranhão em clima de pré-camoanha
Lula da Silva, Guilherme Boulos, Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Álvaro Dias, Aldo Rabelo e ,Rodrigo Maia visitaram o Maranhão em clima de pré-campanha

Jair Bolsonaro foi o oitavo presidenciável a visitar o Maranhão em campanha desde o final do ano passado. O primeiro foi o próprio Lula da Silva do (PT), que encerrou em São Luís, com um grande ato em frente ao Palácio dos Leões, a incursão política que fez pelo Nordeste. Depois veio o senador Álvaro Dias (Podemos), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL), o presidente da Câmara Federal Rodrigo Maia (DEM), o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e o ex-ministro Aldo Rebelo (Solidariedade). De todas, a visita mais zoadenta foi a de Jair Bolsonaro.

São Luís, 15 de Junho de 2018.

Othelino Neto acredita na reeleição de Flávio Fino e prevê, “com muita humildade”, que a aliança dinista fará “barba, cabelo e bigode”

 

Othelino Neto prevê reeleição de Flávio Dino e vitória da aliança dinista em todos os noiveis
Othelino Neto prevê reeleição de Flávio Dino e vitória da aliança nas eleições de outubro em todos os níveis

O cenário da corrida sucessória no Maranhão ainda está marcado por uma série de indefinições, mas a julgar pelo que já está definido, a aliança governista, que reúne 14 partidos, sairá das urnas de Outubro com o governador Flávio Dino (PCdoB) reeleito, os dois candidatos às vagas no Senado eleitos e entre e até 30 deputados estaduais eleitos, sendo a maioria reeleita. Quem faz essa avaliação é o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), que prevê, “com toda humildade”, que a coligação dinista fará “barba, cabelo e bigode”. Uma das lideranças jovens mais bem situadas no cenário político estadual, o chefe do Poder Legislativo se revela bem in formado e muito articulado e observa que até aqui a aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino é a única que está praticamente consolidada e que já conta com a chapa majoritária definida, tendo o vice Carlos Brandão (PRB) como candidato à reeleição, e os deputados federais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PPS) para o Senado.

Atento a todos os movimentos relacionados com o processo político-eleitoral em curso, o deputado Othelino Neto avalia como “tímida” a movimentação da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) em relação a sua condição de candidata ao Governo, observando que ele terá dificuldades para montar uma aliança forte e que lhe dê muito tempo de TV para a campanha. Enxerga definição na candidatura do senador Roberto Rocha (PSDB), mas vê muita indefinição em pré-candidaturas como Ricardo Murad (PRP) e Maura Jorge (PSL), observando ainda que o deputado Eduardo Braide (PMN) depende de uma aliança partidária para viabilizar sua candidatura, já que seu partido é pequeno e praticamente não tem tempo de TV para viabilizar um palanque eletrônico. O presidente da Alema observa que essas pendências em relação às demais candidaturas serão resolvidas até meados de Julho, quando começará o período de convenções partidárias. “Acredito que de agora até meados de julho teremos bem definidas as coligações e as definições de quem será candidato ou não”, prevê o presidente do parlamento estadual, com a segurança de quem sabia o que estava dizendo. A candidatura do governador Flávio Dino se destaca das demais exatamente por estar sustentada pelo maior grupo partidário.

O presidente Othelino Neto não esconde sua confiança no poder de fogo da aliança dinista ao crer que ela elegerá a esmagadora maioria da futura Assembleia Legislativa, que na sua previsão só será renovada em cerca de 30%: “Não será uma renovação alta, pois muitos deputados têm condições de se reeleger. Creio que deverão permanecer aqui algo em torno de 26 a 30 deputados”. E indagado se não está fazendo uma previsão muito otimista, Othelino Neto respondeu: “É uma previsão otimista, sim. Claro que a gente só vai saber quando tivermos a verdade das urnas. É um exercício de adivinhação, observando o potencial de cada um, as suas bases eleitorais. Fazendo essas avaliações e esse exercício de adivinhação, creio que a reeleição vai variar em torno disso, entre 26 e 30 deputados”. E vai mais longe ao prever que na Assembleia que sairá das urnas a aliança dinista fará entre 28 a 30 deputados.

O presidente da Assembleia Legislativa diz não ter dúvidas de que a corrida ao Palácio do Planalto terá repercussão na corrida eleitoral no Maranhão: “Acho que temos um cenário nacional estranho, complicado, com intervenções fortes quando se tira o primeiro colocado nas pesquisas, que é o presidente Lula, que ganharia a eleição em todos os cenários. O campo do presidente Lula aqui no Maranhão é o nosso campo, liderado pelo governador Flávio Dino, que inclusive foi a voz eu mais falou nacionalmente contra a cassação, do impeachment da presidente Dilma, que consideramos um ato absurdo, e contra a condenação e prisão do presidente Lula. O outro campo político, o do presidente Michel Temer, é associado à ex-governadora Roseana Sarney. Então, aqui no Maranhão está muito claro quem é Lula e quem é Temer”.

Em resumo: sem qualquer arroubo estridente ou ataque a adversários, o presidente Othelino Neto está seguro de que, independente de quem sejam seus concorrentes e da influência da campanha presidencial, a aliança dinista está firme e vencerá as eleições em todos os níveis.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Jair Bolsonaro mostra em São Luís que não é um apenas um “balão de ensaio”

Bolsonaro, tendo Maura Jorge ao lado, fala a partidários em apanque improvisado no Tirirical
Bolsonaro, tendo Maura Jorge ao lado, fala a partidários em apanque no Tirirical

O desembarque do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) ontem em São Luís foi revelador de que ele pode até não vencer a disputa pelo Palácio do Planalto no pleito de Outubro, mas definitivamente não é um balão de ensaio que murchará facilmente durante a campanha eleitoral. Mesmo que a multidão que o recebeu no Aeroporto do Tirirical tenha sido formada em sua maioria por recrutas das três forças, que gritaram palavras de ordem num coro visivelmente ensaiado, com a predominância absoluta de homens jovens, a recepção impressionou muita gente. Lá estavam também pessoas do povo, mas curiosamente quase nenhuma mulher se misturou à multidão, nem para saudar a ex-prefeita Maura Jorge (PSL), que certamente se sentiu só em meio dos entusiasmados partidários do presidenciável da direita conservadora, que promete “consertar” o Brasil. Jair Bolsonaro tem partidários no Maranhão, e não são poucos.

Quanto à ex-prefeita Maura Jorge, vários são os enfoques em relação ao seu papel nesse projeto. A interpretação mais comum é a de que ela nada representa e que os apoiadores de Bolsonaro no Maranhão não a querem como candidata do Governo do Estado. Não é bem assim. Para começar, no vídeo em que anunciou a sua vinda ao Maranhão, Bolsonaro a tinha ao lado e fez o convite também em nome dela, numa clara demonstração de que ela é o seu braço no estado. Não fosse assim, não a teria colocado ao seu lado, ontem, no palanque improvisado em frente ao aeroporto.

É cedo ainda para medir o tamanho político e eleitoral de Jair Bolsonaro no Maranhão, mas não há como duvidar de que Maura Jorge está nesse bolo e será de alguma maneira beneficiada por ele. Porque sua candidatura ao Governo do Estado não convence, o que leva à especulação de que ela tem um “plano b”.

 

Clima pesado continua dentro do PSDB e crise pode se agravar

José Reinaldo, Roberto Rocha e Sebastião Madeira: clima pesado continua no PSDB
José Reinaldo, Roberto Rocha e Sebastião Madeira: clima pesado continua no PSDB

Pode perder feio quem aposta que o clima de divisão e tensão dentro do PSDB está foi superado depois do bate-boca público entre o secretário geral do partido, Sebastião Madeira, e o ex-governador José Reinaldo Tavares, pré-candidato ao Senado. O ex-governador vem trabalhando sozinho, colocando em prática uma estratégia que não inclui trocar impressões com o presidente e candidato a governador, senador Roberto Rocha, e o secretário geral do partido nem consultá-los a respeito dessa ou daquela situação. E tudo leva a crer que essa situação estranha dentro de um partido que se prepara para tentar eleger presidente da República, governador do Estado, senadores, e por aí vai, terá um desfecho bombástico. É só aguardar.

São Luís, 14 de Junho de 2018.

Imperatriz: Flávio Dino lidera com folga e Weverton Rocha e Edison Lobão estão na frente para o Senado

Flávio Dino lidera com folga, seguido de Roseana Sarney, Roberto Rocha. Maura Jorge, Eduardo Braide e Ricardo Murad em Imperatriz
Flávio Dino lidera com folga, seguido de Roseana Sarney, Roberto Rocha. Maura Jorge, Eduardo Braide e Ricardo Murad em Imperatriz, segundo pesquisa do Data 3

 

A se confirmarem os percentuais de intenções de voto encontrados por pesquisa realizada em Imperatriz pelo Instituto Data 3, o governador Flávio Dino (PCdoB) sairá das urnas de lá com nada menos que  57,4% dos votos, seguido da candidata do MDB, ex-governadora Roseana Sarney  com 17,1%, do senador Roberto Rocha (PSDB) com 7,3%, e da ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (PSL), com 3%, num cenário em que o deputado estadual Eduardo Braide (PMN) aparece com 1% e o ex-deputado Ricardo Murad, com 0,8%. No levantamento espontâneo – aquele em que se pergunta ao entrevistado em quem ele vai votar sem mostrar-lhe a relação de candidato -, o governador Flávio Dino aparece com 45,6% das intenções de voto, contra 9,6% de Roseana Sarney e 3% de Roberto Rocha. Nessa amostra, Eduardo Braide, Maura Jorge e Ricardo Murad não chegaram a 1%.  E a posição do governador Flávio Dino é reforçada por 67,8% de aprovação em Imperatriz.

No levantamento para identificar as tendências do eleitorado imperatrizense na corrida para as duas vagas do Senado, os números encontrados pelo Data 3 surpreendem com a liderança do deputado federal Weverton Rocha (PDT), que aparece destacado na liderança com 24,7% das intenções de voto, seguido do senador Edison Lobão (MDB) com 18,4%, do deputado federal Sarney Filho (PV), que aparece em terceiro lugar com 9,8%, do ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares com 9,1%, da deputada federal Eliziane Gama (PPS) com 4,3% e do deputado estadual Alexandre Almeida (PSDB) com 4,0%.

Os números de Imperatriz, que é o segundo maior colégio eleitoral do Maranhão, com mais de 160 mil votos, costumam ser decisivos nas eleições majoritárias do Maranhão, principalmente se o líder das intenções de voto tiver bom desempenho em São Luís e em Caxias, por exemplo. Na corrida ao Palácio dos Leões, o Data 3 confirma os números encontrados por outros institutos, apontando o governador Flávio Dino cacifado para liquidar a fatura já no primeiro turno. Tendo a pesquisa como base, o eleitorado da Princesa do Tocantins parece disposto a repetir o posicionamento de 2014, quando sufragou a candidatura de Flávio Dino com mais de 60% dos votos sobre o pemedebista Lobão Filho, candidato apoiado pela então governadora Roseana Sarney. Naquela eleição, o candidato a senador apoiado por Flávio Dino, Roberto Rocha, então no PSB, deixou o então pemedebista Gastão Vieira para atrás.

O cenário da disputa pelas duas vagas do Senado em Imperatriz exibe situações surpreendentes, a começar pelo desempenho do deputado federal Weverton Rocha como detentor da maior fatia de intenções de voto, deixando para trás, por exemplo, o ex-governador José Reinaldo e o deputado federal e ex-ministro Sarney Filho. A posição do senador Edison Lobão reflete o peso do seu nome na região onde começou, no final dos anos 70 do século passado. Chama a atenção o fraco desempenho da deputada federal Eliziane Gama em Imperatriz, uma vez nos levantamentos feitos em todo o estado ela aparece como líder das intenções de voto.

O levantamento do Data 3 em Imperatriz chega num momento em que, na falta de números, as especulações ganham os bastidores e começam a rascunhar cenários absolutamente fora da realidade. Serve, portanto, de um lado, para o governador Flávio Dino manter a segurança e a confiança de que será bem votado na maior cidade do interior do Maranhão. Serve também como alerta vermelho para a ex-governadora Roseana Sarney, cujas relações com Imperatriz sempre foram de altos e baixos. Em relação ao Senado, os recados mais fortes da pesquisa vão para o ex-ministro Sarney Filho, que até agora não liderou nenhum levantamento, aparecendo sempre em terceiro lugar, e para a deputada federal Eliziane Gama, que precisa investir ali para sair do quinto lugar.

Em Tempo: A pesquisa Data 3 foi contratada pela TV Difusora, entrevistou 397 eleitores entre os dias 4 e 6 desta mês e foi está registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o protocolo Nº 09455/2018.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Com CFEM e ZPE, Roberto Rocha domina a cena parlamentar na semana

Roberto Rocha:no centro de duas decisões de interesse do Maranhão
Roberto Rocha:no centro de duas decisões de interesse do Maranhão

O senador Roberto Rocha, candidato ao Governo do Estado, dominou a semana no cenário parlamentar. Primeiro pela assinatura, pelo presidente Michel Temer (MDB), do decreto que regulamenta as novas regras para a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). A partir de agora, os municípios não produtores de minerais, mas que são impactados pelo transporte, operações de embarque e desembarque, ou ainda, para localidades com pilhas de estéril, barragem de rejeitos e instalações serão beneficiados com 13% dos royalties da CFEM. Dentro desse percentual, 50% serão destinados exclusivamente para municípios não produtores, mas que são cortados por ferrovias. Essa alíquota foi fixada a partir de uma intensa e ampla articulação feita pelo senador Roberto Rocha. O decreto presidencial contempla 23 municípios maranhenses cortados pela Estrada de Ferro Carajás, coroando uma reivindicação que durou quase três décadas. São eles: Açailândia, Alto Alegre do Pindaré, Anajatuba, Arari, Bom Jardim, Bacabeira, Bom Jesus das Selvas, Buriticupu, Cidelândia, Igarapé do Meio, Itapecuru Mirim, Itinga do Maranhão, Miranda do Norte, Monção, Pindaré-Mirim, Santa Inês, Santa Rita, São Francisco do Brejão, São Pedro da Água Branca, São Luís, Tufilândia, Vila Nova do Martírios, Vitória do Mearim.

Roberto Rocha também assistiu a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovar Projeto de Lei de sua autoria que propõe a implantação de uma Zona de Processamento de Exportações (ZPE) no Maranhão, mais especificamente na Ilha de Upaon Açu. O projeto inicial previa a instalação de uma Zona Franca, mas o relator da matéria, senador Edison Lobão modificou-a, propondo a instalação de uma ZPE. Pelo projeto de o senador Roberto Rocha, as empresas que se instalarem na Zona de Exportação do Maranhão (Zema) terão isenção de impostos e contribuições incidentes sobre a importação ou sobre aquisições no mercado interno de insumos, para que possam produzir mercadorias ou prestar serviços destinados à exportação. Roberto Rocha observou que a Ilha de Upaon-Açu apresenta características geográficas que a habilitam a constituir uma área de livre comércio, especialmente pelas condições logísticas que favorecem a entrada de insumos e o escoamento da produção para o exterior.

 

Movimentos de Maura Jorge estariam incomodando a cúpula do sarneysismo

Maura Jorge entre Márcio Coutinho e Pastor Bel: desenvoltura que está incomodando a cúpula do sarneysismo
Maura Jorge entre Márcio Coutinho e Pastor Bel: desenvoltura que está incomodando a cúpula do sarneysismo

Candidata ao Governo do Estado, a ex-prefeita Maura Jorge vive duas situações curiosas. A primeira é que vem se apresentando como braço do presidenciável Jair Bolsonaro – que faz escala hoje em São Luís -, mas os grupos de bolsonarista organizados no estado não a reconhecem como porta-voz nem como líder do movimento que dá suporte à candidatura do militar ao Palácio do Planalto. A outra situação é que Maura Jorge, cujo projeto de candidatura foi estimulado inicialmente pelo deputado federal Aluízio Mendes (Podemos), estaria causando mal-estar no comando do Grupo Sarney. Há rumores – não confirmados – segundo os quais a própria ex-governadora Roseana Sarney estaria incomodada com a desenvoltura da ex-prefeita de Lago da Pedra no cenário da corrida ao Palácio dos Leões. Os próximos dias revelarão o tamanho desse abacaxi.

São Luís, 14 de Junho de 2018.