Arquivos mensais: março 2024

Camarão assume coordenação política e dá um reforço especial na campanha de Duarte Jr.

Felipe Camarão vai coordenar
politicamente a campanha de Duarte Jr.

O projeto do deputado federal Duarte Jr. (PSB) de chegar à Prefeitura de São Luís ganhou, na noite de quarta-feira, um reforço importante e que pode ser decisivo: o vice-governador Felipe Camarão (PT) assumiu a coordenação política da pré-candidatura do parlamentar socialista. O vice-governador vai atuar como o articulador político, enquanto o governador Carlos Brandão (PSB) permanecerá na coordenação geral da campanha. Essa decisão foi tomada numa reunião de avaliação do projeto de candidatura até aqui. A escolha do vice-governador Felipe Camarão se deu por unanimidade, principalmente com base no fato de que ele vem tendo um desempenho surpreendente na área política, principalmente no que diz respeito aos posicionamentos do PT, onde já ocupa o espaço de liderança respeitável. Além disso, deixa o governador Carlos Brandão com mais tempo para articulações de candidaturas aliadas em todos os 217 municípios, uma tarefa gigantesca e desafiadora.

Como coordenador político da campanha do governista Duarte Jr., o vice-governador Felipe Camarão deverá cumprir uma longa e recheada agenda de contatos com lideranças partidárias, vereadores e deputados estaduais e federais, líderes comunitários e sindicais, líderes empresariais e dos segmentos que reúnem profissionais liberais de modo a reforçar a base do projeto eleitoral. Com esse apoio, Duarte Jr. vai se dedicar com mais afinco ao trabalho nas redes sociais, onde trafega com facilidade e eficiência. Como vice-governador há um ano e três meses e como secretário de Estado de Educação há mais de oito anos, Felipe Camarão conhece todos os caminhos que levam aos nichos políticos do Maranhão, em especial em São Luís.

Com o apoio do governador Carlos Brandão na coordenação geral e o suporte do vice-governador Felipe Camarão na coordenação política, a candidatura de Duarte Jr. ganha um lastro invejável, podendo dar à campanha uma dinâmica que pode levar o candidato a uma relação mais direta com o eleitorado. A partir de agora, o que deverá acontecer é a guerra pelo voto propriamente dito, o mano-a-mano e o olho-no-olho com os eleitores. E a explicação óbvia para isso é que o prefeito Eduardo Braide, que lidera as pesquisas, há muito deixou o gabinete e tem cumprido uma agenda diária de visita a frentes de trabalho e de inauguração de obras, mantendo contato direto com eleitores e seus líderes. Vem construindo uma base política sólida, inclusive com um olho mirando um objetivo político-eleitoral bem maior nos próximos anos.

Nos bastidores da campanha de Duarte Jr. corre informações sobre uma pesquisa qualitativa que avaliaria a posição do candidato socialista como positiva e com tendência ao crescimento. Da sua parte, o prefeito Eduardo Braide monitora o cenário da chamada “pré-campanha” e, pelo que se houve de aliados seus, ele tem tido motivos para manter o astral em estado elevado, principalmente por causa da consistência com que se mantém na liderança. Daí a necessidade que o candidato opositor, que aparece em segundo em todas as pesquisas, tem de incrementar as suas articulações com o objetivo de reverter esse cenário a seu favor. O prefeito de São Luís sabe ler percentuais e já conhece como poucos os caminhos do voto na Capital, onde está a sua base eleitoral.

Vale anotar que, além do objetivo de colocar o candidato governista no segundo turno e em seguida no Palácio de la Ravardière, o vice-governador Felipe Camarão alimenta também o propósito de ocupar todos os espaços políticos possíveis visando pavimentar a estrada que o levará às urnas em 2026, quando deverá disputar o Governo do Estado como candidato à reeleição, numa aliança na qual o governador Carlos Brandão pretende desembarcar no Senado da República. O vice-governador certamente receberá um reforço importante se o aliado socialista Duarte Jr. estiver na Prefeitura de São Luís.

PONTO & CONTRAPONTO

Possibilidade real de perder mandato revolta deputados estaduais eleitos pelo PSC

Fernando Braide e Wellington do Curso:
revolta por mandatos ameaçados

O deputado estadual Fernando Braide (PSD) está inconformado com a ameaça iminente de perder o seu mandato por causa das traquinagens que os dirigentes do PSC, partido pelo qual se elegeu, fizeram com a quota de gênero, colocando na chapa algumas mulheres que não eram de fato candidatas. A Justiça Eleitoral já formou maioria pela condenação, dependendo agora da retomada do julgamento – suspenso por um pedido de vistas – para que os votos do PSC para deputado estadual sejam anulados e, por via de consequência, os deitados Fernando Braide e Wellington do Curso percam seus mandatos.

É justa a indignação do deputado Eduardo Braide. Ele pode perder um mandato suado, batalhado e conquistado numa campanha de muito trabalho. A trama armada pelos dirigentes do PSC para enxertar “candidatas faz de conta” na chapa foi feita à revelia dos demais candidatos, que agora estão “pagando o pato” pela bandalheira.

Se a degola for consumada, Fernando Braide perderá o, mandato e terá de aguardar as eleições de 2026 para tentar mais uma vez conquistar um mandado íntegro. A mesma situação está vivendo o deputado Wellington do Curso, que está no mesmo barco.

Como Eduardo Braide, que migrou para o PSD, mesmo que isso em nada mude a situação do parlamentar. O deputado Wellington do Curso, já prevendo a perda do mandato, ele se filiou ao Novo, pelo qual pretende disputar a Prefeitura de São Luís com o aval das lideranças do partido.

Os próximos dias serão dramáticos para os dois deputados.

Josimar volta de licença insinuando candidatura ao Senado

Josimar de
Maranhãozinho

Depois de uma folga de 121 dias, tempo em que sua vaga foi ocupada pelo suplente de Paulo Marinho Jr. (PL), o todo-poderoso deputado federal Josimar de Maranhãozinho, presidente do PL do Maranhão e influente numa penca de prefeituras, está de volta ao cenário político. Ele retomou a vida parlamentar espalhando o que pode ser um projeto para valer ou um factoide: será candidatura ao Senado.

No meio político poucos são os que acreditam nesse projeto. Muitos ainda apostam alto no potencial eleitoral do chefe do PL – ele e a sua mulher, a deputada Detinha somaram quase 400 mil votos para deputada federal -, mas alguns já enxergam sinais de decadência na sua trajetória e não acreditam que ele venha, de fato, a entrar na briga por uma das vagas de senador em 2026.

Vale lembrar que as vagas de senador serão disputadas pelo governador Carlos Brandão, pelo ministro André Fufuca (PP) e, claro, pela senadora Eliziane Gama (PSD) e pelo senador Weverton Rocha (PDT), havendo quem diga que novos candidatos estão se preparando para entrar na ciranda eleitoral majoritária.

O que é verdade é que no seu período de licença, Josimar de Maranhãozinho correu para preparar suas bases para as eleições municipais. E nessa maratona, ele distribuiu tapinhas nas costas, dançou em templo evangélico e amargou uma experiência perversa, sinal dos novos tempos: foi vaiado várias vezes.

São Luís, 29 de Março de 2024.

Se Neto Evangelista consultar Brandão sobre Prefeitura, ouvirá que não deve ser candidato

Neto Evangelista quer ouvir Carlos Brandão,
que já apoia Duarte Jr à Prefeitura

Por mais que os passos do deputado estadual e líder do Governo na Assembleia Legislativa Neto Evangelista (União Brasil) e dos líderes do seu partido no Maranhão – o deputado federal Pedro Lucas Fernandes e o ministro Juscelino Filho (Comunicações) – mexam com o cenário da corrida à Prefeitura de São Luís, não há nenhuma dúvida de que, no que diz respeito ao governador Carlos Brandão (PSB), a situação está resolvida no campo governista, e a essas alturas sem qualquer possibilidade de retrocesso. Ou seja, se a candidatura do deputado Neto Evangelista depender do aval do chefe do Poder Executivo estadual, ele não será candidato, devendo, se preferir, continuar na liderança do Governo, um cargo importante e politicamente influente.

E a explicação para isso é simples, sem qualquer complicação: o governador Carlos Brandão tem um candidato, o deputado federal Duarte Jr. (PSB) e de cuja campanha é o coordenador. Isso significa dizer que ele vai jogar todo o peso do grupo político que lidera para turbinar o candidato governista na disputa pelo Palácio de la Ravardière. Para isso, tem trabalhado intensamente para reunir as forças governistas em torno do candidato socialista, cumprindo cada um dos compromissos que assumiu com a direção nacional do PSB, que transformou a candidatura de Duarte Jr. numa das suas prioridades em todo o País.

Pelo que se ouve nos bastidores partidários, o governador Carlos Brandão nada tem contra a aspiração do deputado Neto Evangelista de ser prefeito de São Luís. Reconhece nele uma liderança forte na Capital, com bom nível de articulação, lembrando que o parlamentar foi o terceiro colocado em 2020. Mas ser ou não ser candidato a prefeito será uma decisão pessoal e ratificada pelo partido dele. Se houver a conversa prevista por Neto Evangelista com o governador Carlos Brandão, é muito provável que ele se prepare para o próximo pleito, permaneça na liderança do Governo no parlamento estadual e, se possível for, apoie o candidato do PSB. Será um roteiro mais seguro e tranquilo para o parlamentar.

No campo eleitoral propriamente dito, todas as análises ouvidas pela Coluna sugerem que Neto Evangelista dificilmente reuniria cacife eleitoral para quebrar a polarização já desenhada entre o prefeito Eduardo Braide (PSD), que aparece na liderança em todas as pesquisas, e o deputado federal Duarte Jr., colocado em segundo, mas numa distância continental dos demais candidatos. Ou seja, se vier a ser candidato, Neto Evangelista poderá até mesmo liderar o pelotão da retaguarda, mas dificilmente ameaçará a disputa renhida entre o prefeito e o parlamentar federal. Mesmo levando em conta as voltas que a ciranda da política costuma dar.

Ao contrário de 2020, quando a base governista se dividiu na disputa em São Luís, o que acabou facilitando a já prevista eleição do então deputado federal Eduardo Braide (PMN), a candidatura do deputado federal Duarte Jr. está bem mais consistente, sustentada por uma sólida base partidária e tratada pela direção nacional do PSB como uma prioridade, ao que se soma o apoio importante do PT, avalizado até pelo Palácio do Planalto. Ou seja, trata-se de uma candidatura que em certa medida vai além do projeto pessoal de Duarte Jr.. Daí a solicitação da direção nacional do PSB para que o governador Carlos Brandão assumisse a coordenação da campanha, o que foi aceito prontamente e colocado em prática o processo de mobilização.

No contraponto, o prefeito Eduardo Braide avança com visível desenvoltura, atuando como quem está movido pela convicção de que tem a reeleição ao seu alcance. Com um caixa robusto e um programa de obras com os pés no chão, o prefeito tem a clara noção de que enfrentará um candidato bem mais forte do que o de 2020.

PONTO & CONTRAPONTO

Assembleia autoriza Brandão contratar empréstimo de R$ 1,9 bi com o Banco do Brasil

Iracema Vale anuncia aprovação de empréstimo

O Governo do Estado está autorizado a contrair empréstimo no valor de R$ 1,9 bilhão junto ao Banco do Brasil para bancar a manutenção do equilíbrio fiscal, assegurar transparência e controle social, bem como reforçar o equilíbrio das contas públicas. A autorização se deu com a aprovação, pela Assembleia Legislativa, do Projeto de Lei nº 152/2024, proposto pelo Poder Executivo. A operação terá o aval da União.

O projeto motivou um debate provocado pelo deputado Othelino Neto (PCdoB), que votou contra. Na sua fala, o parlamentar fez questão de dizer que não votava contra o projeto em si, mas contra a forma como ele tramitou na Casa. O deputado Roberto Costa (MDB) contestou a posição de Othelino Neto fazendo um retrospecto de 2010 para cá. “Estou aqui desde 2010. Já votei inúmeros projetos de autorização de empréstimo e todos eles tramitaram exatamente como esse está tramitando”, disse o parlamentar emedebista, lembrando que isso aconteceu no período em que o deputado Othelino Neto foi presidente.

O líder do Governo, deputado Neto Evangelista (UB) criticou o que ele chamou de tentativa de “demonizar” o projeto de empréstimo e lembrou que outros projetos com essa finalidade não foram discutidos

Colocado em votação pela presidente Iracema Vale (PSB), o PL foi aprovado por 34 votos. Três deputados votaram contra: Othelino Neto é o principal nome da dissidência aberta na base do Governo; Fernando Braide é irmão do prefeito Eduardo Braide e faz oposição aberta ao Governo Brandão, e Wellington do Curso, que manteve a tradição de não aprovar autorização para empréstimo. A única abstenção foi do deputado Yglésio Moyses (PSB)

Aprovado, o PL foi encaminhado ontem m esmo para a sanção do governador Carlos Brandão.

MP manda lista sêxtupla para o Tribunal de Justiça

Palácio Clóvis Bevilacqua, sede do
Tribunal de Justiça do Maranhão

Ao contrário da OAB, o Ministério Público Estadual encaminhou ao Tribunal de Justiça do Maranhão ofício no qual o procurador-geral de Justiça, Eduardo Nicolau, formaliza a lista sêxtupla do MPMA para o preenchimento da vaga do Quinto Constitucional no colégio de desembargadores do TJMA.

A vaga foi aberta pelo Órgão Especial do Tribunal em dezembro de 2023, criada pela Lei Complementar nº 242/2022 e regulamentada pela Resolução-GP 8/2023.

O documento informa que a lista foi aprovada pelo Conselho Superior do MPMA, em sessão extraordinária realizada em 25 de março de 2024, com a observância dos requisitos legais.

Integram a lista sêxtupla encaminhada pelo Ministério Público: a procuradora de justiça Maria Luiza Ribeiro Martins, a promotora de justiça Maria da Graça Peres Soares Amorim, o promotor de Justiça Ednarg Fernandes Marques, a procuradora de justiça Mariléa Campos dos Santos Costa, o promotor de justiça Pablo Bogéa Pereira Santos e o procurador de justiça Marco Antônio Anchieta Guerreiro.

Diante da lista do Ministério Público, o Tribunal de Justiça cobrou da OAB providência para a lista com os seis advogados indicados para a vaga de desembargador. Isso porque a lista enviada em dezembro passado incluiu um advogado que não poderia ser candidato Pá vaga de desembargador.

São Luís, 28 de Março de 2024.

Neto Evangelista diz que está na disputa em São Luís, mas decisão será tomada com Brandão

Neto Evangelista diz que está na disputa,
mas que palavra final será de Carlos Brandão

“Continuo na disputa”. A declaração, curta e direta, do deputado estadual e líder do Governo na Assembleia Legislativa Neto Evangelista (União Brasil), dada ontem ao bem informado jornalista Marco D`Eça, não apenas confirmou o racha no partido, com seus dois caciques – os deputados federais Pedro Lucas Fernandes, que o preside no estado, e Juscelino Filho, ministro das Comunicações – se posicionando em campos adversários, mas também abre a possibilidade de a polarização da disputa entre o prefeito Eduardo Braide (PSD) e o deputado federal Duarte Jr. (PSB) sofrer um forte abalo. Mais tarde, Neto Evangelista disse ao jornalista John Cutrim que sua posição será definida em conversa com o governador Carlos Brandão (PSB). A primeira declaração do deputado Neto Evangelista gerou certo impacto nas fileiras governistas, por causa da sua condição de líder do Governo na Assembleia Legislativa. Mas a segunda recolocou os pingos nos is.

Quando o deputado Neto Evangelista aceitou assumir a liderança do Governo na Assembleia Legislativa, um cargo politicamente importante e influente, a conclusão óbvia foi a de que se havia chegado a um acordo dentro do partido do União Brasil. A surpreendente intensidade com que Neto Evangelista estreou na função, tentando enquadrar deputados do PSB e do PCdoB, sugeriu que ele, de fato, havia arquivado o projeto de se candidatar novamente à Prefeitura de São Luís. A repetição do confronto de 2020 entre o agora prefeito Eduardo Braide e o agora deputado federal Duarte Jr. poderia ter sido um dos motivos da eventual desistência.

Tudo mudou com dois eventos ocorridos na segunda-feira. Entrevistado no telejornal matinal da TV Mirante, o ministro Juscelino Filho (Comunicações), que comanda uma banda do União Brasil no Maranhão, defendeu a candidatura do deputado Neto Evangelista à Prefeitura de São Luís, causando um forte zumzum nos bastidores da política municipal. Num total contraponto, à noite, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, chefe da outra banda do UB maranhense e formalmente presidente do partido no estado, participou de uma reunião no Palácio dos Leões, com vários dirigentes partidários, na qual foram definidas estratégias para fortalecer a candidatura do socialista Duarte Jr..

Em meio a esse sinal forte se racha no partido, o deputado Neto Evangelista, que até então vinha mantendo posição discreta em relação à corrida ao Palácio de la Ravardière, deu o sopro definitivo para a formação de uma tempestade perfeita dentro do União Brasil, ao declarar para o jornalista Marco D`Eça o bombástico “Estou na disputa”, mais tarde amenizado pela disposição de conversar com o governador Carlos Brandão. Se ele está mesmo para valer na corrida, ou não, o fato é que sua declaração deu força ao ministro Juscelino Filho no jogo interno do partido, colocando, ao mesmo tempo, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes numa posição incômoda perante os seus aliados na frente governista, a começar pelo próprio governador Carlos Brandão (PSB), que é o coordenador do candidato socialista.

Governistas graúdos não descartam, mas avaliam como improvável a eventual candidatura de Neto Evangelista. Primeiro porque não acreditam que ele, mesmo sendo um político jovem, experiente e com forte militância em São Luís, tenha condições de virar uma disputa já marcada por  uma polarização que virou uma espécie de “tira-teima”, tendo de um lado o prefeito Eduardo Braide, que é bem avaliado e tem o comando absoluto da máquina municipal, e de outro o deputado federal Duarte Jr., com forte penetração nas redes sociais e com o apoio do Palácio dos Leões e da aliança partidária governista. E depois porque seria uma posição equivocada largar a prestigiada liderança do Governo na Assembleia Legislativa para entrar num embate em que suas chances são bem modestas, dado o rumo que a disputa vem tomando.

Nesse contexto de falas e reações, o que está consolidado é o seguinte: na conversa que terá com o governador Carlos Brandão, Neto Evangelista deve expressar sua vontade de ser candidato, mas certamente ouvirá do chefe do Executivo que permaneça líder do Governo na Assembleia Legislativa.

PONTO & CONTRAPONTO

PCdoB comemora 122 anos bem vividos

PCdoB atual é fruto do trabalho de Márcio Jerry,
Othelino Neto, Rodrigo Lago e Júlio Mendonça, seus representantes na Câmara Federal e Alema

Uma sessão solene realizada ontem na Assembleia Legislativa comemorou os 122 anos do Partido Comunista do Brasil, o PCdoB, “velho de guerra”.

Uma homenagem justa, principalmente se levado em conta o fato de que ao longo desse período o Brasil, primeiro como parte do e depois como uma dissidência do PCB criado pelo revolucionário general Luiz Carlos Prestes, viveu o fim da Velha República, encarou os quase dez anos do Estado Novo de Getúlio Vargas, reestabeleceu a democracia, tendo nesse período vivenciado um Getúlio Vargas democrata, a locomotiva progressista de Juscelino Kubitschek, a expectativa frustrada de Jânio Quadros, a inclinação esquerdizante de João Goulart, o golpe de 64 e 20 anos de ditadura militar, a eleição de Tancredo Neves, a redemocratização de 86 com José Sarney e a Constituinte, o furacão sem norte de Collor de Mello, o equilíbrio de FHC, os anos do PT com Lula da Silva e Dilma Rousseff, o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, o conturbado interregno Michel Temer, o desembarque da extrema direita comandada por Jair Bolsonaro, a volta de Lula da Silva e do PT ao poder pelo voto direto e a tentativa frustrada de golpe de Jair Bolsonaro, após derrota nas urnas.

Em todos esses altos e baixos da história política do Brasil neste último século o PCdoB esteve ativo, mostrando a cara nos períodos democráticos e atuando clandestinamente quando ditaduras e governos conservadores o tornaram inexistente. Nada, porém desfez o PCdoB, uma dissidência do PCB criado pelo lendário Luiz Carlos Prestes.

Na redemocratização de 1986, o primeiro ato político partidário do presidente José Sarney foi tirar o PCdoB da clandestinidade, legalizando-o como partido político. Uma decisão que prestigiou o velho e ativo partido, mas que também que mostrou ao mundo que o Brasil estava, de fato, iniciando num longo, agitado, mas firme, processo de redemocratização, que continua até os dias de hoje.

No Maranhão, o PCdoB sempre teve atuação forte na cena política. E nos tempos mais recentes, o estado se tornou, sob a liderança de Flávio Dino, o mais importante braço do partido na Federação. O PCdoB chegou ao Governo do Estado, foi e continua representado na Câmara Federal, foi maioria e ainda tem uma das maiores bancadas na Assembleia Legislativa, diferentemente do que acontece nos demais estados. Perdeu força com a circunstancial migração de Flávio Dino para o PSB, mas permanece uma legenda atuante.

Grande parte dessa atuação diferenciada no Maranhão se deve ao trabalho incansável e politicamente correto do hoje deputado federal Márcio Jerry, avalizado pelo líder Flávio Dino e apoiado por quadros importantes, como os deputados estaduais Rodrigo Lago, Othelino Neto – que levou o PCdoB ao comando da Assembleia Legislativa, caso único em todo o País -, e Júlio Mendonça.

Uma homenagem mais que justa a um partido que há mais de um século vem mostrando que é a ideologia a base existencial de uma agremiação partidária.

Câmara concede cidadania ludovicense a Andreia Noleto

Andreia Noleto entre Marcus Brandão, Iracema Vale,
Francisco Carvalho, Paulo Victor, Karla Sarney
e Heloísa Brandão na entrega do título de cidadania

A família Brandão foi referência, ontem, na Câmara Municipal de São Luís, com a entrega do título de Cidadã Ludovicense à enfermeira, empresária e ativista política colinense Andréia Noleto, esposa do empresário Marcus Brandão, presidente regional do MDB e irmão e principal conselheiro do governador Carlos Brandão. O título foi concedido pelo parlamento a partir de proposta formulada pelo vereador Francisco Carvalho (Solidariedade).

Comandada pelo presidente Paulo Victor (PSB), a sessão foi marcada pela presença de familiares e amigos da homenageada, como a matriarca da família, Heloísa Brandão, mãe do governador Carlos Brandão, e a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (PSB).

O vereador Francisco Carvalho justificou a concessão argumentando que Andreia Noleto é reconhecida por seu trabalho voltado para comunidades precisam de ajuda, tendo também méritos na sua ação política, ao lado do marido Marcus Brandão (MDB), o atual presidente do MDB no Maranhão.

Na fala em que justificou a homenagem, Francisco Carvalho se referiu a Andreia Noleto como o exemplo de cidadania e declarou, visivelmente emocionado: “Deus quis que fosse eu o autor da concessão dessa comenda para a homenageada desta tarde”.

Emocionada, a homenageada agradeceu ao vereador Francisco Carvalho e ao presidente Paulo Victor.  “Considero este um dos mais importantes, marcantes e inesquecíveis da minha vida familiar. Afinal, não é todo dia que se recebe um título de cidadão que equipara a pessoa agraciada a uma adoção oficial”, declarou a homenageada.

São Luís, 27 de Março de 2024.

Declaração de Juscelino Filho pode recolocar Neto Evangelista na disputa em São Luís

Juscelino Filho quer Neto Evangelista candidato

Uma declaração do ministro das Comunicações Juscelino Filho, ontem, ao telejornal matutino da TV Mirante, pode dar uma mexida expressiva nas peças que se movem no tabuleiro da disputa para a Prefeitura de São Luís. Disse o ministro, que é deputado federal e um dos graúdos do União Brasil (UB) no plano nacional e no Maranhão: “Aqui em São Luís nós temos um grande quadro, que é o deputado estadual Neto Evangelista. Eu tenho defendido internamente no União Brasil que a gente coloque o nome do deputado Neto Evangelista à disposição da população com uma candidatura própria”. A declaração do ministro Juscelino Filho veio acompanhada de um reforço: ele previu que dentro de alguns dias a decisão de lançar ou não lançar candidato à Prefeitura de São Luís será tomada em conjunto pelas cúpulas estadual e nacional do UB. E deixou claro que se a opção for por lançar candidato próprio, esse será o deputado Neto Evangelista.

O deputado Neto Evangelista esperou muito tempo por essa posição do partido. Até três semanas atrás, quando lhe perguntavam sobre ser candidato ou não, ele sempre deixava no ar que estava aguardando uma decisão do partido. E a possibilidade do partido para lhe dar a vaga de candidato chegou duas semanas após o deputado Neto Evangelista ter aparentemente desistido de ser candidato a prefeito ao aceitar o convite do governador Carlos Brandão para ser o líder do Governo na Assembleia Legislativa, cargo que aceitou e no qual já estreou dando forte impressão de que nele pretende continuar. A política, porém, é dinâmica e pode mudar cenários a qualquer momento.

Nesse momento, o futuro da Prefeitura de São Luís encontra-se no resultado da disputa entre o prefeito Eduardo Braide (PSB), que lidera a corrida em busca da reeleição, e o deputado federal Duarte Jr. (PSB), que está em segundo, mas aposta alto numa reviravolta que o leve ao Palácio de la Ravardière. Se Neto Evangelista fosse candidato, todos os indicativos sugerem que ele estaria na terceira colocação, próximo ou distante do segundo colocado. É improvável que agora, se vier a se tornar candidato, ele promova uma mudança no quadro da polarização, uma vez que o eleitorado parece haver entendido que o ideal será repetir a peleja de 2020, na qual o então deputado federal Eduardo Braide levou a melhor na disputa em segundo turno.

O ministro Juscelino Filho não falou no assunto por acaso. Mesmo não tendo atualmente cargo na Executiva estadual do União Brasil, da qual já foi presidente, uma declaração dessa envergadura não seria dada sem motivação. O presidente estadual do partido, deputado federal Pedro Lucas Fernandes, não se manifestou sobre o assunto,   mesmo sabendo que o deputado Neto Evangelista estava trabalhando para se tornar o candidato do partido. Não tivesse ele assumido a liderança do Governo, cargo com enorme poder de fogo no cenário político maranhense, o caminho natural dele seria correr atrás da candidatura à Prefeitura de São Luís.

Agora, a situação é bem diferente. O deputado Neto Evangelista é o todo-poderoso líder do Governo na Assembleia Legislativa, função que o torna a ponte entre o governador e o parlamento estadual, orientando a gigantesca e heterogênea bancada governista, que chega a quase 40 dos 42 deputados. É improvável que, na posição em que se encontra, o deputado Neto Evangelista protagonize uma reviravolta radical, deixe o influente cargo de líder e entre numa disputa já desenhada entre dois candidatos fortes e na qual a polarização parece não deixar margem para um terceiro pretendente. Ele viveu essa situação em 2020 e tem a noção exata do que  pode ganhar e o que pode perder.

Não é demais lembrar que a ciranda da política às vezes é envolvente o suficiente para gerar situações imprevistas. Daí ser prudente aguardar um pouco mais os ecos das declarações do ministro Juscelino Filho.

PONTO & CONTRAPONTO

Líderes do UB estão divididos em relação à disputa em São Luís

Pedro Lucas Fernandes quer Duarte Jr. candidato

O União Brasil está dividido em relação à disputa para a Prefeitura de São Luís. Dois fatos políticos mostraram isso ontem, a entrevista do ministro das Comunicações Juscelino Filho (UB) ao telejornal matutino da TV Mirante e a presença do deputado federal Pedro Lucas Fernandes (UB) numa reunião, à noite, no Palácio dos Leões.

Na entrevista à TV Mirante, o ministro Juscelino Filho defendeu a candidatura do líder do Governo, deputado Neto Evangelista (UB) à Prefeitura de São Luís, acrescentando que essa decisão será tomada em breve e em conjunto pelas cúpulas estadual e nacional do partido.

Só que na reunião da noite, comandada pelo governador Carlos Brandão, o assunto principal foi a mobilização política e partidária em torno da candidatura do deputado federal Duarte Jr. (PSB) ao Palácio Henrique de la Rocque. A presença do deputado federal Pedro Luca Fernandes, que preside o União Brasil no Maranhão, significa, claro, o apoio do partido ao candidato do PSB.

Se o ministro Juscelino Filho defendeu a improvável candidatura do líder do Governo Neto Evangelista, é porque não apoia a candidatura do deputado socialista Duarte Jr., que, aliás, é avalizada por ninguém menos que o presidente Lula da Silva (PT), seu chefe. O mesmo se pode dizer do deputado federal Pedro Lucas Fernandes em relação ao deputado Neto Evangelista.

Em algum momento os chefes maranhenses do União Brasil vão bater martelo em torno de um nome.

Prefeita do Paço tenta se passar por vítima, mas errou feio com o grupo que a apoiou

Paula Azevedo:
reclamando de aliados

A prefeita de Paço do Lumiar, Paula Azevedo (PCdoB), também conhecida como Paula da Pindoba, divulgou carta aberta reclamando do apoio do governador Carlos Brandão à candidatura do empresário Fred Campos (PSB) à sua sucessão. Ela quer simplesmente filiar o vereador Jorge Maru ao PT, de modo a que ele seja candidato à sua sucessão pela Federação Brasil Esperança, da qual ela faz parte como filiada ao (PCdoB), mas cujos líderes já declararam apoio a Fred Campos.

Uma reclamação que não faz sentido, primeiro por que Fred Campos é filiado ao PSB, partido do governador, e segundo, porque ela foi reiteradas vezes convidada a participar dessa aliança. Paula Azevedo entendeu que no comando da Prefeitura tem força para eleger o prefeito de Paço do Lumiar, independente de quem seja o adversário.

Num dos trechos da carta, a prefeita lembra que teve “participação decisiva” na eleição de Flávio Dino para o Senado, de Carlos Brandão para o Governo e de Felipe Camarão para vice-governador. Errado. Se alguém deve alguma coisa a alguém nessa história, é exatamente Paula Azevedo. Ela foi colocada por Flávio Dino como vice de Domingos Dutra em 2016, ainda se chamando Paula da Pindoba. Em meados de 2018, Domingos Dutra adoeceu e teve de renunciar. Paula da Pindoba assumiu o cargo e graças ao enorme esforço de Flávio Dino, do PCdoB – ao qual ela se filiou – e de aliados, ela foi se consolidou no cargo e foi reeleita em 2020. E, logo nos primeiros meses do novo mandato começou a dar sinais de que contrariaria o grupo, o que aconteceu. Faz agora o papel pouco inadequado de “líder traída”.

A prefeita tem todo o direito de reclamar, mas jogou mal, decidiu que tinha cacife para enfrentar seus aliados e agora está sentindo o peso da sua escolha. Os próximos meses dirão se ela estava certa ou errou feio.

São Luís, 26 de Março de 2024.

Alianças surpreendentes, rachas inexplicáveis e filiações inesperadas marcam cenário para as eleições

Na foto superior a surpreendente aliança
Ricardo Murad (e) e Luizinho Amovelar (d)
para enfrentar Edimar Franco (PSB),
apoiado por Lurdinha Pereira (PCdoB),
Carlos Lula e Orleans Brandão (MDB)

Os primeiros movimentos “para valer” no tabuleiro político-partidário do Maranhão visando as eleições municipais têm surpreendido por algumas montagens que estão juntando no mesmo balaio o que até pouco tempo era inadmissível. Mas num contexto em que os políticos se sobrepõem aos partidos, os primeiros acordos estão trazendo à tona alianças espantosas, como a dos Amovelar (PT) e os Murad em Coroatá, para enfrentar o candidato apoiado pela agora 1ª suplente de senador Lurdinha Pereira (PCdoB), apoiada pelo PSB e pelo MDB. São situações estranhas, mas que em política ganham explicações fáceis em pouco tempo, independente de que deem certo ou não. Existem também rachas inexplicáveis, como o de Imperatriz.

Difícil compreender, à primeira vista, uma aliança reunindo o ex-prefeito Ricardo Murad e o prefeito Luizinho da Amovelar (PT) em Coroatá, adversários com tom de inimizade. A explicação pode estar na força do adversário, Edimar Franco (PSB), apoiado pela vereadora e presidente da Câmara Municipal, Lurdinha Pereira (PCdoB), que dobrou seu cacife ao ascender à 1ª suplência da senadora Ana Paula Lobato (PSB). No poder há quase 16 anos, tendo o pai, Luiz, passado o poder para o filho Luizinho da Amovelar (PT), a família tenta sobreviver lançando uma sobrinha, Aryanna Amovelar, que se junta com Ricardo Murad, que pretende voltar ao poder emplacando a filha como vice. É quase impossível prever o desfecho desse emaranhado, que tem partidos da base governista nos dois lados.

A primeira surpresa foi a equação que juntou e vem mantendo alinhados os grupos Gentil, liderado pelo prefeito Fábio Gentil (Republicanos) e Coutinho, hoje representado pela ex-deputada Cleide Coutinho (PDT). Adversários históricos, que jamais fizeram concessões um ao outro, agora se juntam lançando Gentil Neto, indicado pelo prefeito Fábio Gentil, devendo o grupo Coutinho indicar o vice. No campo adversário vários grupos se juntam em torno do ex-vice-prefeito e suplente de deputado federal Paulo Marinho Jr. (PL), que aos poucos vai juntando ex-governistas, como o ex-deputado Adelmo Soares (PCdoB) e o suplente de deputado estadual e ex-secretário de Estado de Turismo Catulé Jr.. Há quem diga que a aliança Gentil/Coutinho é sólida, mas há também quem pense que ela poderá ser desmanchada. A conferir.

Ao mesmo tempo em que adversários se juntam em alianças surpreendentes, como em Caxias e Coroatá, ninguém consegue uma explicação lógica para o racha monumental que ganha corpo em Imperatriz, o segundo mais importante colégio eleitoral do Maranhão. Ali, o PP, controlado pelo ministro André Fufuca, banca o deputado estadual Rildo Amaral, que disputa a liderança com o deputado federal Josivaldo JP (PSD), apoiado por grupos de direita radical identificados com o bolsonarismo, e que tem fôlego para crescer e até vencer a eleição. Esse quadro poderia mudar se o ex-deputado Marco Aurélio, que deixou o PSB e retornou ao PCdoB, negociasse um acordo com Rildo Amaral, somando os seus potenciais eleitorais. Ocorre que Marco Aurélio, agora com o apoio da senadora Ana Paula Lobato e de parte do PSB, bateu pé e reafirmou sua candidatura, posição que pode fortalecer Josivaldo JP, que já estaria na cabeça da disputa.

Nesse quebra-cabeça monumental, chamam a atenção também algumas filiações ao PT, que podem mudar o curso da corrida eleitoral em alguns municípios importantes. Numa guinada espetacular, o partido recebeu nos seus quadros ninguém menos que Chiquinho da FC, um dos maiores empresários do Maranhão, responsável por 1.700 empregos diretos no seu grupo de empresas. Agora no PT, fazendo o L com a maior facilidade, Chiquinho da FC pode virar a mesa em Codó, onde o prefeito Zé Francisco (PSD) lidera a corrida, seguindo as pesquisas feitas até aqui. Nada menos que dois ex-prefeitos – Zito Rolim e Biné Figueiredo – declararam-lhe apoio após a guinada partidária. Também chama a atenção a migração para o PT da ex-prefeita de Rosário, Irlair Moraes, que nasceu, cresceu e até semana passada militava no MDB.

E como se não bastasse, até os pequenos partidos, sem qualquer chance de chegar ao poder estão se estranhando.  Em São Luís, onde o cenário é de polarização entre prefeito Eduardo Braide (PSD), que lidera, segundo as pesquisas, e o deputado federal Duarte Jr. (PSB), apoiado pelos Governo do Estado e da União, o PSOL e Rede, que formam uma federação nanica, resolveram medir força. A faísca na pólvora se deu depois que a Rede, sem consultar o parceiro, lançou a professora Janiselma Fernandes à Prefeitura. Insatisfeito por não ter sido consultado, o PSOL colocou o servidor público Odívio Neto, que já figurou como candidato a governador. O trabalho agora está com os bombeiros dos dois partidos.

Vale lembrar que esses são apenas alguns os primeiros movimentos da corrida às prefeituras.

PONTO & CONTRAPONTO

Polarização Braide/Duarte Jr. vai dominar mesmo a disputa em São Luís

Eduardo Braide e Duarte Jr.: sem espaço para terceiros

Com a saída do deputado estadual Neto Evangelista, que não conseguiu o aval do União Brasil para ser candidato e assumiu a liderança do Governo na Assembleia Legislativa, a corrida para a Prefeitura de São Luís vai se dar efetivamente entre o prefeito Eduardo Braide (PSD), que busca a reeleição, e o deputado federal Duarte Jr. (PSB), repetindo 2020.

A bolsa de candidatos na Capital está esvaziando rápido. O ex-prefeito Edivaldo Jr. (sem partido) continua sumido e distante, sem sinalizar se será ou não candidato. O deputado estadual Yglésio Moisés não conseguiu ainda resolver o seu problema partidário: permanece amarrado ao PSB, que não o libera nem lhe dará a vaga de candidato. O TRE lhe deu ganho de causa, mas ele corre o risco de sair do partido e perder no TSE e perder o mandato.

O deputado estadual Wellington do Curso vive uma situação curiosa: deixou o PSC e embarcou no Novo para ser candidato a prefeito. Só que o PSC fez lambança com a quota de gênero em 2022 e o parlamentar por ter seus votos anulados e perder o mandato – o TSE já formou maioria pela anulação, mas o julgamento foi suspenso. Mesmo que que venha a perder o mandato, Wellington do Curso poderá ser candidato elo Novo, já que não se tornará inelegível.

Assim, além de Wellington do Curso, Eduardo Braide e Duarte Jr. disputarão votos com o o candidato do PDT, Fábio Câmara, que parece não ter chance de chegar a lugar algum, e os candidatos dos nanicos de extrema esquerda: PSOL, PSTU, PCB, etc…

Maura mata dois coelhos com uma só cajadada ao se filiar ao PP

Maura Jorge e André Fufuca:
interesses casados com perfeição

Dois coelhos com uma só cajadada. Foi assim o resultado da migração da prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge, do PSDB para o PP, pelo qual será candidata à reeleição com largas chances de vitória nas urnas. Por sua vez, o ministro André Fufuca (Esporte) patrocinador da mudança partidária da prefeita, faz as contas e demonstra a convicção de que pode auferir bons resultados políticos e eleitorais.

A presença de Maura Jorge no PSDB não fazia sentido, à medida que, comandado no Maranhão pelo secretário-chefe da Casa Civil Sebastião Madeira, o ninho dos tucanos maranhenses está alinhado ao Palácio dos Leões e ao Governo do presidente Lula da Silva.

Ao se filiar ao PP, Maura Jorge se sente “em casa”. Isso porque, por ser ela bolsonarista assumida, ela se sente à vontade no partido cujo presidente no Maranhão é deputado federal e ministro do Governo do PT. Além disso, o PP tem uma banda bolsonarista ativa, como é o caso do presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PI), que não esconde que é alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e não poupa críticas ao Governo de Lula da Silva.

É uma situação aparentemente esdruxula, mas que se encaixa no cenário político estadual, principalmente no projeto senatorial do ministro do Esporte em 2026.

São Luís, 24 de Março de 2024.

Ministro e governador lançam o Pé-de-Meia, programa que pode mudar a educação no País

Três momentos do animado lançamento do
Pé de Meia no Maranhão por Carlos Brandão,
Camilo Santana, Felipe Camarão,
André Fufuca e Juscelino Filho

Lançado ontem no Maranhão o programa Pé-de-Meia, por meio do qual o Governo Federal vai pagar R$ 200,00 mensais para estudantes que estejam cursando o ensino médio. E aquele que concluir cada ano dessa etapa pré-universitária receberá uma poupança de R$ 1.000,00. O programa vai beneficiar 2,5 milhões de estudantes em todo o País, sendo 160 mil (cerca de 8%) no Maranhão. O programa foi lançado no Ginásio Castelinho pelo ministro da Educação, Camilo Santana, pelo governador Carlos Brandão (PSB), e pelo vice-governador e secretário de Educação Felipe Camarão (PT), além dos ministros do Esporte, André Fufuca (PP), e das Comunicações, Juscelino Filho (UB), na presença de milhares de estudantes e centenas de professores da rede pública estadual.

Nas contas de uma fonte governista, das 46 visitas de trabalho de ministros feitas ao Maranhão desde a posse do Governo Lula da Silva (PT), a de ontem foi uma das mais – se não a mais – importantes e produtivas. Todas as visitas anteriores deixaram ganhos para o Maranhão, mas a de ontem, pelo alcance do Programa Pé-de-Meia, é de resultado palpável e imediato. As visitas anteriores deixaram muitas ações engatilhadas em áreas diversas, como infraestrutura, saneamento básico, investimentos em saúde, segurança pública, entre várias outras áreas. A visita de ontem, além de trazer um inovador programa de incentivo na área educacional, reforçou expressivamente a relação do governador Carlos Brandão com o Palácio do Planalto, mais ainda pela presença do secretário de Estado de Educação e vice-governador Felipe Camarão (PT), que tem sintonia fina com o ministro da área.

O governador Carlos Brandão atuou fortemente para que o Pé-de-Meia fosse lançado o mais rapidamente possível no Maranhão. Tanto que, ao ter confirmada a data do lançamento, deslocou-se para Brasília para acertar todos os detalhes com o ministro Camilo Santana e com o corpo técnico do Ministério da Educação, a começar pelo número de beneficiados. Isso explica pelo menos parte do entusiasmo com que o Pé-de-Meia foi lançado no estado.

Como comandante nacional do programa e visitante portador da boa nova, o ministro Camilo Santana declarou: “Somente no ano passado, meio milhão de estudantes deixaram a sala de aula. Portanto, este programa é mais uma ação do governo federal para garantir que os estudantes permaneçam em sala de aula. Somente aqui no Maranhão temos 160 mil alunos aptos ao programa e que poderão construir um futuro diferente para si e para a sua família”.

Como anfitrião e responsável pela agilização da chegada do Pé-de-Meia ao Maranhão, o governador Carlos Brandão completou: “O programa Pé-de-Meia vai revolucionar o ensino médio, pois o aluno vai receber um incentivo financeiro de R$ 200,00 por mês e mais R$ 1.000,00 ao fim de cada ano, recebendo, além disso, mais R$ 200,00 por participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Se o aluno cursar os três anos do ensino médio sem mexer na bolsa, ao final do terceiro ano ele terá R$ 9.200,00 para usar a seu critério. O Governo do Maranhão fez uma grande mobilização para matricular o maior número possível de alunos, para que a gente pudesse beneficiar um grande número de estudantes. Tenho certeza que com esse programa a gente vai conseguir diminuir a evasão escolar”.

E como operador do programa, que vai impactar diretamente no dia a dia da rede escolar, o vice-governador e secretário de Educação Felipe Camarão fechou o ciclo de impressões sobre a iniciativa do Governo: “Essa poupança vai evitar que muitos alunos deixem de estudar porque precisam trabalhar para ajudar a família. Além disso, ele vai garantir que o aluno tenha um melhor desenvolvimento, pois mais tempo em sala de aula significa mais aprendizado. Não posso deixar de destacar a esperança que o Pé-de-Meia também vai representar para estes alunos, pois, ao fim do ensino médio, de posse desse recurso, eles vão poder ajudar suas famílias e dar continuidade aos seus estudos”.

Não só o entusiasmo do ministro, do governador e do secretário identificou o programa Pé-de-Meia como uma das soluções para o problema da evasão escolar, como também para melhorar a qualidade do ensino médio. Professores e estudantes presentes ao ato também manifestaram a expectativa de que a qualidade do ensino vai melhorar. E é quase certo que isso acontecerá.

PONTO & CONTRAPONTO

MDB avança em filiações para conquistar prefeituras

Vinícius Vale assina
ficha no MDB

Ao filiar nos seus quadros o engenheiro Vinícius Vale, pré-candidato a prefeito de Barreirinhas, o MDB dá uma demonstração de que vai entrar firme na corrida eleitoral desse ano, disposto a sair das urnas no comando de um bom número de Prefeituras e com muitas cadeiras em Câmaras Municipais. No chamado “Portal dos Lençóis”, o agora emedebista Vinícius Vale vai enfrentar nas urnas o prefeito Amílcar Rocha (PCdoB) e o ex-prefeito Léo Costa (PDT). Será uma parada dura, mas que agora vai enfrentar com o respaldo de apoiadores como a ex-governadora e atualmente deputada federal Roseana Sarney (MDB), que tem muita influência em Barreirinhas.

O MDB se prepara para disputar Prefeituras em várias regiões e em municípios importantes, com o é o caso de Bacabal, onde o deputado estadual Roberto Costa, vice-presidente do partido no plano estadual, que entre na disputa pela prefeitura de Bacabal com 50 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado na corrida. A importância de Bacabal recoloca o MDB maranhense no epicentro da política estadual, exatamente por se tratar do polo econômico e político do Médio Mearim.

A disputa pela Prefeitura de Barreirinhas ganha importância na medida em que ali será travada uma guerra entre as forças tradicionais, que já mandaram e desmandaram no município. E a importância maior dessa disputa está no fato de que Barreirinhas cresceu em importância muito mais do que era esperado. Precisa, portanto, de uma gestão mais moderna, que faça jus ao município que funciona como a entrada para os Lençóis Maranhense, que ainda neste ano deverão ser elevados à categoria de Patrimônio Natural da Humanidade.

Novo não vê inelegibilidade se Wellington do Curso for cassado

Wellington do Curso
ingressa no Novo

O comando municipal do Novo bateu martelo e decidiu que, mesmo que venha a ter seu mandato cassado por conta da lambança que o PSC fez com a quota de gênero nas eleições de 2022, o deputado Wellington do Curso será o candidato do partido à Prefeitura de São Luís.

De acordo com uma fonte ligada ao parlamentar, os dirigentes do Novo acreditam que a perda de mandato nesse caso não o torna inelegível, uma vez que eles não são os responsáveis diretos pela manobra partidária. Como é sabido, os votos da chapa serão anulados e a Justiça Eleitoral realizará novo cociente para deputado estadual.

Daí a confiança com que o deputado Wellington do Curso negociou seu ingresso no Novo com o chefe estadual do partido, o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahésio Bonfim, principal avalista da migração partidária do parlamentar.

A mesma situação atinge o deputado estadual Fernando Braide, que já migrou do PSC para o PSD, mas continua vinculado ao PSC, correndo, portanto, o risco da perda do mandato.

São Luís, 23 de Março de 2024.

Volta de Marco Aurélio ao PCdoB define quem é quem na disputa em Imperatriz

Josivaldo JP e Rildo Amaral disputam a
liderança; Mariana Carvalho e Marco Aurélio
brigam pelo terceiro lugar.

O retorno do ex-deputado Marco Aurélio ao PCdoB, seu partido de origem, deixando o PSB, definiu, agora com toda clareza, quem é quem na corrida à Prefeitura de Imperatriz, o segundo maior e mais importante município do Maranhão. Com a reviravolta, ele descarta – pelo menos por enquanto – a retirada da sua candidatura para apoiar a do deputado Rildo Amaral (PP), que é prioridade do ministro do Esporte André Fufuca e tem o aval pelo Palácio dos Leões, uma vez que, se vitoriosa, fortalecerá a aliança governista na região. Com a permanência do ex-deputado na corrida, as forças alinhadas ao Governo do Estado se dividirão, podendo criar uma situação em que o candidato de oposição, o deputado federal Josivaldo JP (PSD), que tem o apoio dos atuantes grupos bolsonaristas tocantinos, seja beneficiado. Pesquisas qualitativas recentes dariam conta de que Marco Aurélio, que já foi segundo colocado, só perdendo para Rildo Amaral, agora estaria brigando com Mariana Carvalho (Republicanos) pelo terceiro lugar. Na frente, lutando pela cabeça, estão Josivaldo JP e Rildo Amaral, segundo números levantados pela empresa Econométrica de três semanas atrás.

O que poderia ser um ganho político robusto para a aliança governista, se Marco Aurélio e Rildo Amaral chegassem a um acordo, é agora foco de incertezas, que exigirá uma intervenção mais forte do governador Carlos Brandão (PSB), auxiliado pelo ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB) e pelo ministro André Fufuca. Os primeiros levantamentos apontaram uma larga vantagem de Rildo Amaral, fazendo com que o PP, com o aval discreto do Palácio dos Leões, definisse sua candidatura como uma prioridade. O ex-deputado Marco Aurélio foi sondado para apoiar o pré-candidato do PP, mas decidiu seguir seu próprio rumo, convencido de que pode ganhar o mandato. Filiado ao PSB, ele teria sido avisado de que, em nome da aliança governista, o partido provavelmente não lhe daria legenda. Diante do quadro, Marco Aurélio decidiu deixar o PSB, abrindo primeiro uma negociação com o PDT, que não prosperou. Em seguida, bateu martelo e optou por retornar para os quadros do PCdoB, o que aconteceu depois de algumas conversas com o presidente do partido, Márcio Jerry.

O que os líderes da base governista não queriam, aconteceu ontem: o ex-deputado Marco Aurélio deixou o PSB e se re-filiou ao PCdoB, para em seguida anunciar, com vivo entusiasmo, a sua candidatura à Prefeitura de Imperatriz. Sua volta ao PCdoB foi comemorada com festa pelo comando do partido, que acredita que ele conseguirá virar a mesa e deixar os candidatos hoje à frente dos demais candidatos. Ele próprio se movimenta para passar a impressão de que agora tem cacife para se eleger prefeito do município mais rico e politicamente importante do Maranhão, polo de quase duas dezenas de municípios.

Fontes políticas tocantinas dizem que o cenário provável da corrida à Prefeitura de Imperatriz está dividido em duas disputas acirradas. Rildo Amaral e Josivaldo JP brigam pela liderança, numa guerra com desfecho imprevisível. Rildo Amaral, que foi vereador de Imperatriz por anos, conhece a cidade como poucos, o que lhe deu base para estar no segundo mandato de deputado estadual, sempre com foco na cidade e na região. Josivaldo JP, um comerciante de feira, soube transformar a habilidade em cacife eleitoral, tornando-se suplente de deputado federal em 2018, tendo dois anos de mandato lhe caído no colo em 2020, com a eleição do titular Eduardo Braide, para a Prefeitura de São Luís. Embalado por emendas do orçamento secreto, reelegeu-se em 2022 e agora tenta dar um salto maior brigando pela prefeitura de Imperatriz.  

Na outra disputa, Marco Aurélio, agora apoiado pelo PCdoB, tendo como suporte o deputado federal Márcio Jerry e o deputado estadual Othelino Filho – é provável que tenha também o apoio da senadora Ana Paula Lobato (PSB) – mede forças agora com Mariana Carvalho, apoiada pelo deputado federal Aluísio Mendes e por parte da direita bolsonarista que atua na região. Marco Aurélio vem de duas derrotas – prefeito em 2020 e deputado estadual em 2022, Mariana Carvalho disputou várias eleições sem sucesso, mas vem crescendo a cada uma delas.

O fato é que a volta do ex-deputado Marco Aurélio ao PCdoB desenha com precisão o cenário da corrida à Prefeitura da “Segunda Capital” do Maranhão.

PONTO & CONTRAPONTO

Após deixar o TCE, Washington Oliveira assume hoje a Representação em Brasília

Washington Oliveira vai assumir
a Representação em Brasília

O ex-sindicalista, ex-vice-governador e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), muito conhecido como um dos mais atuantes dirigentes do PT no Maranhão, Washington Oliveira será empossado hoje como secretário-chefe da Representação do Governo do Maranhão em Brasília. Ele chega ao cargo após antecipar para fevereiro sua aposentadoria como conselheiro do TCE, beneficiado pelo seu tempo de serviço como servidor federal. O governador Carlos Brandão deve presidir o ato de posse.

No comando da Representação do Governo do Maranhão em Brasília, cargo até semanas atrás ocupado pelo deputado estadual Othelino Neto (PCdoB), Washington Oliveira será o responsável pela relação operacional do Governo do Estado com a Espanada dos Ministérios e toda a estrutura do Governo federal. Isso quer dizer que ele acompanhará os pleitos do Maranhão nos ministérios, cobrará a liberação de recursos negociados pelo Governo estadual com a União. A Representação também dá suporte ao governador do Estado em Brasília. Suas relações com o presidente Lula da Silva e com a cúpula do PT certamente facilitará a sua atuação no cargo.

Um dos mais ativos militantes do PT, tendo presidido o partido no Maranhão por vários anos, Washington Oliveira teve papel decisivo na relação do PT com o Grupo Sarney, tendo sido indicado vice na chapa de Roseana Sarney em 2010. Em 2014, ele renunciou ao cargo e foi nomeado conselheiro do TCE, agindo sempre de acordo com a cúpula petista. Mesmo no TCE, manteve linha direta com o PT, permanecendo como referência do partido, liderando a ala mais raiz do partido.

Há quem diga que Washington Oliveira só ficará no cargo até abril de 2026, quando deverá se desincompatibilizar para disputar uma cadeira na Câmara Federal, onde já esteve como suplente.

Filiação de Chiquinho da FC ao PT muda o cenário da disputa em Codó

Chiquinho da FC (camisa azul) entre
Zito Rolim (e) e Biné Figueiredo (d)

A surpreendente filiação do empresário Chiquinho da FC ao PT deu uma guinada de muitos graus na corrida pela prefeitura de Codó. Para começar, ele atraiu para a sua base de apoio o ex-prefeito e ex-deputado estadual Zito Rolim, que havia sido lançado candidato pelo PDT, e também o ex-prefeito Biné Figueiredo, que ainda tem algum prestígio na vida política codoense.

Com esses movimentos e com o apoio da cúpula estadual do PT, a disputa será polarizada entre o empresário petista e o prefeito Zé Francisco (PSD), que busca a reeleição, é bem avaliado e lidera as pesquisas divulgadas até aqui. O jogo, porém, começa para valer agora, com a, para muitos inacreditável, conversão de Chiquinho da FC ao petismo, em grande parte articulada pelo seu filho, o deputado estadual Francisco Nagib, que já foi prefeito pelo PDT e hoje está filiado ao PSB. Com esse lastro, Chiquinho da FC poderá reunir condições para disputar com o prefeito Zé Francisco de igual para igual.

Nesse contexto, a candidatura de Chiquinho das FC passa a ser uma prioridade para o PT, que quer ampliar seu poder de fogo no estado, assim como a reeleição do prefeito Zé Francisco é considerada uma prioridade do PSD, assim como também são a reeleição do prefeito Eduardo Braide em São Luís e a eleição do deputado federal Josivaldo JP em Imperatriz.

São Luís, 22 de Março de 2024.

Neto Evangelista estreia como líder rebatendo Rodrigo Lago e elogiando Mical Damasceno

Neto Evangelista estreou rebatendo Rodrigo
Lago, Othelino Neto e Carlos Lula

Os embates de ontem no plenário da Assembleia Legislativa confirmaram fissuras na base parlamentar governista. Foi inesperada e surpreendente a reação do novo líder do Governo, deputado Neto Evangelista (UB), ao discurso do deputado Rodrigo Lago (PCdoB), que na terça-feira reclamara de mudanças no hospital regional de Lago da Pedra, com a demissão de aliados e a nomeação de “bolsonaristas” supostamente indicados pela deputada evangélica Mical Damasceno (PSD) e pela prefeita Maura Jorge (sem partido), ambas de direita. Na sua estreia como líder do Governo, Neto Evangelista poderia feito um discurso conciliador, mas ele preferiu partir para o enfrentamento criticando a reclamação de Rodrigo Lago e afagando a deputada Mical Damasceno, que no estado é alinhada ao governador Carlos Brandão (PSB), mas no plano nacional é bolsonarista e faz oposição agressiva ao presidente Lula da Silva (PT) e seu Governo.

O líder do Governo iniciou seu discurso em tom ameno, chamando a atenção para o fato de que uma base tão ampla e heterogênea está sujeita a esse tipo de problema. Mas lembrou de presidentes e governadores que para garantir a governabilidade tiveram que fazer concessões a segmentos oposicionistas. Evocou, por exemplo, o governador Flávio Dino (PSB), que governou com um amplo mosaico partidário, acomodando na administração representes da esquerda e da direita. E assim justificou relação do governador Carlos Brandão com representantes das mais diversas correntes políticas e vieses ideológicos.

Na sequência, criticou a fala do deputado Rodrigo Lago, destacando algumas declarações e afirmando que algumas delas não se sustentavam. Defendeu enfaticamente a deputada Mical Damasceno, congratulando-se com ela pelas posições políticas e ideológicas, como se ela tivesse sido vítima de uma agressão. Em relação às mudanças de comando no hospital regional de Lago da Pedra, exibiu uma série de fotos da nova diretora com Flávio Dino, Lula da Silva e Carlos Brandão, alegando que a acusação de bolsonarismo não faz sentido. Além disso, afirmou que com a mudança o hospital melhorou a qualidade dos serviços que presta. O líder rebateu também declaração do deputado Othelino Neto sobre suposto fechamento de restaurantes populares, afirmando não ser verdade, ao contrário, já são mais de 160 funcionando e estando programada a inauguração de mais quatro unidades ainda neste mês.  

Os deputados Rodrigo Lago, Othelino Neto (PCdoB) e Carlos Lula (PSB), que formam o núcleo da corrente dinista na base do Governo Brandão, reagiram ao discurso do novo líder governista. Em apartes, os três rebateram a fala, deixando claro que apoiam o Governo, mas que vão se manifestar criticamente sempre que julgarem necessário. Por seu turno, o líder não tentou contemporizar, passando a impressão de que vai se posicionar sempre que houver “críticas injustas” ao Governo. Neto Evangelista fez alguns afagos nos deputados dinistas, mas deixou claro que vai defender o Governo como líder, respondendo à altura, independentemente de quem for o autor do ataque.

O embate de ontem no plenário do parlamento mostrou que, por ser gigantesca a base governista, com pelo menos 90% dos 42 deputados alinhados ao Governo, a tarefa do líder é extremamente complexa e sensível, mostrando que muitas vezes as trocas de farpas evoluem para embates duros e tensos. A expectativa inicial era a de que os confrontos se dariam por contas das eleições municipais, mas o que está acontecendo, pelo menos até aqui, é que estão vindo à tona as diferenças profundas quanto à linha de ação do Governo. E pelo que está previsto, esses grupos, que começam a ganhar rosto, vão continuar se estranhando, alimentando um clima de tensão já instalado no plenário da Assembleia Legislativa.

Conhecedor de todas as tendências agrupadas na sua base de sustentação, o governador Carlos Brandão, político experiente, se movimenta buscando fortalecer a governabilidade, sabendo que pode enfrentar dissonâncias em vozes aliadas. Com o seu discurso de estreia como líder do Governo no parlamento estadual, o deputado Neto Evangelista, que foi preparado para a tribuna, passou um recado direto e sem meias palavras: o Governo vai rebater todas as investidas contra ele que considerar injustas. Fora e dentro da base.  

PONTO & CONTRAPONTO

Yglésio permanece amarrado ao PSB e não deve disputar a Prefeitura de São Luís

Yglésio Moisés vive um
imbróglio partidário

É complexa e curiosa a situação político-partidária do deputado estadual Yglésio Moisés. Ele pertence ao PSB, mas durante a campanha de 2022 migrou da esquerda para a direita, deixando de pertencer à base de apoiadores do ex-presidente Lula da Silva (PT), então candidato a presidente, para se declarar apoiador do presidente Jair Bolsonaro, então candidato à reeleição. E o fez durante a campanha, apesar dos protestos dos socialistas.

Terminado o processo eleitoral, no qual se reelegeu, mas que deu Lula da Silva na disputa presidencial, o deputado Yglésio Moisés decidiu deixar o PSB, propondo à cúpula do partido para que o liberasse, para evitar o risco de perder o mandato. A direção partidária negou o pedido. Assim, o parlamentar foi colocado na seguinte situação: continua no PSB, mas age como adversário do partido, atacando seus líderes e o presidente Lula da Silva, incorporando o discurso bolsonarista, que passa por duras críticas ao STF, por exemplo.

Mas não resolve seu problema partidário. Entrou na Justiça Eleitoral pedindo aval para deixar o PSB sem perder o mandato, tendo obtivo maioria favorável. Só que o PSB vai recorrer ao TSE, o que deixa a questão em aberto e impede que ele deixe o partido sem correr o risco de perder o mandato. Diante disso, Yglésio Moisés não poderá, pelo menos por enquanto, disputar a Prefeitura de São Luís, exatamente por não ter um partido para chamar de seu.

Ontem, por exemplo, o parlamentar esteve em Brasília, onde conversou com seu novo líder, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sobre o assunto. Mas a situação é a seguinte: se o PSB recorrer e o TSE acatar o pedido, Yglésio Moisés terá de permanecer na legenda socialista até março de 2026, quando se abrirá a janela partidária para as eleições gerais.

Câmara e Equatorial vão atrás de consumidores que têm direito à Tarifa Social de Energia

Paulo Victor e José Jorge Leite (terceiro e quarto à direita) com vereadores após
a reunião sobre a Tarifa Social de Energia

Numa iniciativa inédita, a Câmara Municipal de São Luís e a Equatorial vão somar esforços para identificar famílias de baixa renda que ainda não são beneficiadas pela Tarifa Social de Energia. A ação foi definida ontem numa reunião de trabalho entre o presidente da Casa, vereador Paulo Victor (PSB) e o diretor de Serviços da distribuidora de energia José Jorge Leite. Doze vereadores participaram da reunião.

Ao longo da conversa, José Jorge Leite apresentou números que mostram a importância da tarifa Social de Energia no Maranhão: são 2,8 milhões de consumidores atendidos pela empresa, sendo 2 milhões são de baixa renda. Destes, cerca de 1,1 milhão de famílias atendem aos critérios para usufruir a Tarifa Social, sendo 60 mil apenas em São Luís. Com a parceria, a Câmara vai auxiliar na busca de beneficiários deste programa nas comunidades e encaminhar as informações à empresa, que procederá o cadastramento dos beneficiários.

O presidente Paulo Victor destacou a importância da parceria Câmara/Equatorial, assinalando que esses esforços vão tornar mais facilitado o acesso de quem precisa à Tarifa Social de Energia. A partir de hoje, nós estaremos à disposição da Equatorial para que, juntos, possamos fazer uma parceria institucional de grande utilidade, contribuindo para identificar nos bairros aqueles que têm direito a este benefício importante que é a Tarifa Social”.

José Jorge Leite respondeu reafirmando a parceria e destacando que a empresa está disposta a avançar da cobrança da Tarifa Social e assim contribuir com famílias de baixa renda, principalmente em tempos de dificuldades econômicas”.

São Luís, 21 de Março de 2024.

Pinheiro: outsider avança e ameaça atropelar caciques na corrida pela Prefeitura

André Ralpnet lidera seguido de Batista
Segundo, Thayza Hortegal e Filuca Mendes

Nova pesquisa de intenção de voto, realizada pela empresa Exata, mostra que a corrida para a Prefeitura de Pinheiro reúne os ingredientes mais instigantes de uma disputa eleitoral que pode ter muitos desdobramentos políticos. O cenário desenhado pela Exata é o seguinte: André Ralpnet (Podemos) com 42,38% das intenções de voto, seguido de João Batista Segundo (PRD) com 18,33%, Thayza Hortegal (PDT) com 16,43%, Filuca Mendes (MDB) com 10,48% e Geraldo Júnior (União Brasil) com 1,67%. O levantamento encontrou 6,67% de eleitores que não votará em nenhum deles, preferindo anular o voto ou votar em branco, e 4,04% que não souberam ou não quiseram responder. Contratada pelo Blog do Gilberto Léda, a pesquisa ouviu 420 entrevistados nos dias 14 e 15, tem margem de erro de 4,33% para mais ou para menos e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-09730/2024.

Para começar, André Ralpnet, que lidera a corrida, é um outsider, sem qualquer histórico político. Como um furacão, ele vem atropelando pré-candidatos que representam os grupos tradicionais da mais importante cidade da Baixada Ocidental Maranhense, com 84 mil habitantes e conhecida por ser a cidade natal do ex-presidente José Sarney. É cedo ainda para assegurar que ele manterá essa performance, mas o percentual de intenções de voto indica que será muito difícil uma virada por parte de outros candidatos. Ele tem mais que o dobro de vantagem sobre o segundo colocado, que indica alguma consistência na sua posição de largada.

Outro dado que chama a atenção é o fato de que, ao contrário do que está acontecendo em vários municípios de grande e médio porte, o prefeito Luciano Genésio (PP) não está em condições de fazer o seu sucessor, o que é um forte indicativo de fracasso político, depois dos altos e baixos nos seus oito anos de mandato, que inclui um afastamento temporário sob acusação de corrupção, situação ainda não resolvida no plano judicial. A candidata por ele apoiada, a ex-deputada Thayza Hortegal, amarga até aqui um distante terceiro lugar, com todo jeito de quem não irá muito além disso.

No mesmo patamar de desprestígio está o ex-prefeito Filuca Mendes, que já mandou e desmandou no município nos áureos tempos em que o sarneysismo, do qual é parte, deu as cartas no estado. Sem o amparo do grupo Sarney, que está fora do poder, Filuca Mendes não conseguiu renovar o seu grupo em Pinheiro e se encontra em franco processo de decadência política. A pesquisa o mostra num pífio quarto lugar, aparentemente sem chance de reação.

O outro dado que chama a atenção em Pinheiro é que a disputa tem por trás nomes fortes da política maranhense na atualidade. Por trás do favorito André Ralpnet está o deputado federal Fábio Macedo, que controla o Podemos no Maranhão. O senador Weverton Rocha (PDT) estaria apoiando a ex-deputada Thayza Hortegal, que é embalada pelo prefeito Luciano Genésio. Filuca Mendes teria a deputada federal Roseana Sarney como principal apoiadora, mas, se a informação for verdadeira, não está funcionando. E, finalmente, o grande mistério da corrida eleitoral em Pinheiro: com quem irá a recém empoderada senadora Ana Paula Lobato (PSB), que é filha da terra? Ela chegou inclusive a ensaiar uma pré-candidatura, mas arquivou o projeto tão logo ficou claro que seria contemplada com um mandato inteiro no Senado com a aposentadoria política do senador Flávio Dino.

Outras pesquisas já rascunharam o mesmo cenário, e, a julgar pela performance dos demais aspirantes, é muito provável que André Ralpnet mantenha a liderança e acabe vencendo a eleição, o que, se ocorrer, será uma pancada em todas as lideranças que têm um pé na |Princesa da Baixada. Por outro lado, é imperativo lembrar que estamos a pouco mais de seis meses das eleições, tempo suficiente para uma redefinição de rumo e até mesmo a revisão de candidaturas. E é óbvio que os chefes políticos não querem ser desmoralizados, devendo jogar pesado para reverter o favoritismo do pré-candidato do Podemos.

E um último detalhe: o PSB não tem candidato em Pinheiro e o Palácio dos Leões ainda não disse quem vai apoiar.

PONTO & CONTRAPONTO

Neto Evangelista é confirmado como líder do Governo

Neto Evangelista é o novo
líder do Governo na Alema

O deputado Neto Evangelista (União Brasil), é o novo líder do Governo na Assembleia Legislativa. Ele foi oficialmente indicado ontem pelo governador Carlos Brandão (PSB) em ofício encaminhado à presidente do Poder Legislativo, Iracema Vale (PSB). Ele vai ocupar o posto que vinha sendo ocupado desde o Governo Flávio Dino pelo deputado Rafael Brito (PSB), que renunciou para se candidatar à Prefeitura de Timon.

Aos 34 anos e no exercício do terceiro mandato, Neto Evangelista é um dos mais ativos e bem articulados integrantes da atual Assembleia Legislativa. Seu projeto inicial era disputar a Prefeitura de São Luís, mas o seu partido não decidiu sobre sua candidatura, levando-o a repensar esse projeto. Ainda achava que poderia ser candidato quando o governador Carlos Brandão o convidou para assumir a liderança do Governo no parlamento estadual. Ele aceitou.

Sua saída da disputa municipal fortalece a candidatura governista do deputado federal Duarte Jr. (PSB).

Neto Evangelista carrega na bagagem política o DNA que faz dele um articulador nato e competente. Advogado por formação, o parlamentar é um legislador preparado, tanto que antes de ser convidado para a liderança, presidia a Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Casa, pela terceira vez. Como legislador propriamente dito, tem no currículo vários projetos já transformados em lei, o que lhe dá autoridade legislativa e política.

Além do mais, conversa com todas as correntes que formam o parlamento estadual, não sendo demais repetir que é considerado um dos bem articulados políticos da sua geração.

“Fico feliz com a indicação do governador Carlos Brandão para que eu represente sua gestão na Assembleia, o que passa a ser uma grande responsabilidade e será mais um desafio do meu mandato. O governador tem realizado um excelente trabalho no Poder Executivo, sempre disponível para o diálogo aberto e empenhado em fazer o melhor para a população. Auxiliá-lo na interlocução com o Parlamento será uma honra”, disse Neto Evangelista.

A indicação confirma a “pedra cantada” pela Coluna na sua edição de 07 de março, que o apontou como provável sucessor do deputado Rafael Brito na liderança do Governo.

Gleisi confirma apoio do PT à candidatura de Duarte Jr.

Duarte Jr. vai ter o apoio do PT na
corrida à prefeitura de São Luís

“Nosso companheiro, próximo prefeito de São Luís, Duarte Jr.. Ele não estão aqui, mas sabe que nós estamos com ele, juntos, na caminhada para elegê-lo prefeito de São Luís”. A declaração, feita com a ênfase devida, partiu da presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann, ao discursar no encontro estadual do partido, realizado ontem no Hotel Luzeiros.

Mais do que uma simples manifestação de apoio, a declaração da comandante nacional do PT é a confirmação de que o partido vai mesmo jogar todo o peso das suas lideranças e da sua militância para respaldar política e eleitoralmente, o projeto do parlamentar socialista de chegar ao Palácio de la Ravardière.

A manifestação confirmou também que a candidatura de Duarte Jr. está praticamente consolidada, com o aval da direção nacional do PSB e do próprio PT, com o aval do vice-presidente Geraldo Alckmin e do próprio presidente Lula da Silva.

Duarte Jr. é o segundo colocado na corrida, segundo todas as pesquisas feitas até aqui, só perdendo para o prefeito Eduardo Braide (PSD), ambos bem à frente dos demais aspirantes.

São Luís, 20 de Março de 2024.

PT abre encontro estadual anunciando filiação de Ana do Gás e de Chiquinho da FC

Foto maior: Francimar, Gleisi Hoffmann, Carlos Brandão
e Felipe Camarão na abertura do encontro; embaixo:
Ana do Gás e Chiquinho da FC convertidos ao petismo

A abertura do encontro estadual do PT, realizada ontem à noite na Assembleia Legislativa, reafirmou a linha de ação do partido para se consolidar no poder, usando para tanto uma estratégia em que o pragmatismo está sendo levado a uma amplitude surpreendente. Na presença da presidente nacional Gleisi Hoffmann e do governador Carlos Brandão (PSB), que reafirmou a aliança da agremiação com seu Governo, foram anunciadas várias filiações ao partido, duas delas surpreendentes: a deputada estadual Ana do Gás, atualmente no PCdoB, vai migrar para o PT, pelo qual disputará a Prefeitura de Santo Antônio dos Lopes, um dos municípios mais promissores do estado no campo econômico, e o empresário Chiquinho da FC, dono do Grupo FC Oliveira, também vai se converter ao petismo para, nessa condição, disputar a Prefeitura de Codó, um dos dez mais importantes municípios do Maranhão.

Nada mais inusitado poderia acontecer num encontro estadual do PT, mesmo levando em conta o fato de que esses eventos são agitados pelos debates, que uma saudável tradição no partido. As duas filiações fogem completamente à linha e ao padrão de ação política do PT. A começar pelo fato de que nem a deputada estadual Ana do Gás nem o empresário Chiquinho da FC tem qualquer afinidade com o viés de esquerda da agremiação liderada pelo o presidente Lula da Silva.

Ana do Gás nasceu na direita, militando como primeira-dama de Santo Antônio dos Lopes, município da região central, onde foi descoberta uma reserva gigantesca de gás natural. E foi exatamente por conta do seu discurso entusiasmado, pautado na riqueza que chegaria com a exploração do gás que ela se elegeu para a Assembleia Legislativa em 2014 com a terceira maior votação e com o nome político Ana do Gás pelo PRB. Na eleição de 2018, percebendo que teria dificuldades estando em um partido pequeno, Ana do Gás migrou para o PCdoB, então a maior e mais forte agremiação do Maranhão, liderada pelo governador Flávio Dino. Se reelegeu com a metade da votação e em 2022 com votação bem menor ainda. Agora que o PCdoB é um partido fragilizado e que só se sustenta em Federação com o PT e o PV, Ana do Gás faz um movimento radical migrando para o PT, que está em ascensão no estado, principalmente com a perspectiva de que chegará ao poder com o vice-governador Felipe Camarão (PT). Pode dar uma guinada radical na sua trajetória se vencer a eleição para a Prefeitura em Santo Antônio dos Lopes.

Mais surpreendente ainda foi a anunciada conversão do empresário Chiquinho da FC ao petismo. Filiando-se ao PT, pretende disputar a Prefeitura de Codó, um dos dez mais importantes municípios do Maranhão. Afora a filiação do seu filho, Francisco Nagib, que foi prefeito de Codó pelo PDT e hoje é deputado estadual pelo PSB, não há registro de que o empresário FC tenha alguma afinidade com a centro-esquerda. O empresário comanda o Grupo FC Oliveira, com sede em Codó, onde fabrica produtos de limpeza da marca Econômico e mantém 1.700 empregos diretos. No plano político, é conhecido é sua convivência com os governadores de direita e centro-direita que comandaram o Maranhão desde João Castelo, e também com os de esquerda, como Jackson Lago (PDT) e Flávio Dino, cultivando agora relação próxima com Carlos Brandão. Mas como está posto que o PT precisa se reciclar, se quiser permanecer no poder, a filiação do empresário codoense é um sinal de que essa reciclagem está em curso. É possível que a guinada tenha sido articulada pelo deputado Francisco Nagib, que vem trabalhando duro pela eleição do pai, exatamente por saber que ele enfrentará dois páreos duros: o prefeito José Francisco (PSD), que busca a reeleição e aparece nas pesquisas como favorito, e o ex-deputado e ex-prefeito Zito Rolim (PDT), que é o segundo.

Além disso, a abertura do encontro estadual do PT foi marcada pelo forte discurso da presidente Gleisi Hoffmann, que convocou os líderes e a militância para se mobilizar em apoio ao Governo e presidente Lula da Silva, assim como entrar firme nas eleições municipais, para ampliar os espaços do partido nos municípios, visando as eleições de 2026. Por sua vez, o governador Carlos Brandão reafirmou o seu alinhamento do seu Governo com o Governo do presidente Lula da Silva, informando que ajudará na eleição de candidatos do PT a prefeito – onde não houver confronto com o PSB, claro. E fez elogios ao vice-governador Felipe Camarão, que tem sido um auxiliar competente e um aliado importante.

O encontro do PT continua hoje, no Hotel Luzeiros, com pauta voltada para as questões internas do partido.

PONTO & CONTRAPONTO

Disputa em Paço do Lumiar tem definição na oposição e incertezas na esfera governista

Fred Campos deve disputar a prefeitura com Jorge Maru, apoiado por Paula da Pindoba

Sexto maior município do Maranhão, com 125 mil habitantes, Paço do Lumiar parece caminhar para uma guinada radical na sua vida administrativa e política com as próximas eleições municipais. Ali está sendo travada uma guerra que concentra de um lado as forças hoje reunidas em torno da prefeita Paula da Pindoba, ainda filiada ao PCdoB e que decidiu apoiar a candidatura de Jorge Maru (Republicanos), e de outro lado, a política local, representada pelo empresário e ex-vereador Fred Campos (PSB), que tem o aval do Palácio dos Leões.

Saída da Câmara Municipal para ser candidata a vice de Domingos Dutra (PCdoB) em 2016, assumiu a Prefeitura com o afastamento do prefeito por problemas de saúde, que o tornaram incapaz de permanecer no cargo. Amparada pelo PCdoB e pelo governador Flávio Dino, Paula da Pindoba se reelegeu em 2020, e desde então se distanciou do grupo que a apoiou. Agora, sabe que dificilmente elegerá seu sucessor, uma vez que o cenário indica que Fred Campos está reunindo forças políticas e eleitorais para tornar a disputa mais acirrada.

Fred Campos abriu a sua base política, se filiou ao PSB, conversou com outros partidos da base governista e conseguiu o apoio do PSDB e do MDB, representado no município pelo grupo liderado pelo ex-prefeito Gilberto Aroso.

O candidato do PSB tem dado demonstrações de que tem um plano de ação e um projeto de governo e de poder. Já o seu provável adversário, Jorge Maru, só tem o aval da prefeita Paula da Pindoba e ainda navega num cenário de incertezas.

PSOL definirá candidatura quando firmar Federação com a Rede, que já lançou Janiselma

Janiselma Fernandes, lançada pela Rede,
ainda não tem o aval do PSOL

O PSOL ainda não foi comunicado oficialmente de que a Rede lançou a professora Janiselma Fernandes como pré-candidata à Prefeitura de São Luís pela Federação que une os dois partidos.

Uma fonte credenciada do PSOL foi categórica: o partido só vai tratar desse assunto no início de abril, e tem uma programação definida. Primeiro vai formalizar a Federação PSOL/Rede. Depois é que tratará sobre candidatura a prefeito de São Luís e da montagem de uma chapa para disputar cadeiras na Câmara Municipal.

Segundo a fonte, o PSOL ainda não foi comunicado da decisão da Rede de propor a professora Janiselma Fernandes, que disputou a eleição de 2020 como vice na chapa encabeçada pelo jornalista Jeisael Marx.

O PSOL não descarta aceitar a proposta da Rede de lançar Janiselma Fernandes, não descartando também propor um nome para ser o candidato, que pode ser o professor e advogado Franklin Douglas, que foi candidato a prefeito em 2020.

Em resumo: nada será decidido antes da formalização da Federação PSOL/Rede, não estando descartada qualquer proposta de nome para disputar a Prefeitura de São Luís.

– Muita água ainda vai rolar por debaixo dessa ponte – diz a fonte.

São Luís, 19 de Março de 2024.