Arquivos mensais: janeiro 2017

Tema Cunha quer a Famem para os prefeitos e sem partidarismo, mas sua eleição foi mais um teste de força para 2018

 

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Tema Cunha homenageou Humberto Coutinho, seu maior aliado, foi apoiado por José Reinaldo durante a campanha e teve eleição comemorada por Flávio Dino

Nenhuma das eleições para o comando da Federação das Associações de Municípios do Estado do Maranhão (Famem) teve um viés político e partidário tão forte como a realizada segunda-feira e que elegeu a chapa comandada pelo prefeito de Tuntum, Cleomar Tema Cunha (PSB), com quase 100% dos votos apurados, resultado por muitos definido como aclamação. Tema Cunha fez e sustentou um discurso politicamente correto afirmando que a Famem é uma entidade corporativa voltada unicamente para o municipalismo e cujos prefeitos associados não são identificados por grupos partidários. No entanto, a movimentação política que se deu nos dias que antecederam ao pleito foi reveladora de que, além do objetivo básico do processo, houve, sim, uma ação política de larga escala confrontando as forças que hoje dão as cartas no estado, comandadas pelo governador Flávio Dino (PCdoB), e seus adversários, por meio da candidatura da prefeita de Rosário, Irlahi Moraes, representando o Grupo Sarney e tendo o PMDB como linha de frente.

O resultado da disputa foi uma vitória acachapante do candidato alinhado ao Palácio dos Leões, numa demonstração de que o Grupo Sarney está muito longe de se recuperar do desastre eleitoral de 2014. Preto no branco, os movimentos que embalaram o processo eleitoral na Famem significaram mais uma prévia do grande embate agendado para 2018, quando estarão em disputa o Governo do Estado, duas vagas para o Senado, as 18 cadeiras de deputado federal e as 42 cadeiras de deputado estadual.

Nesse contexto, alguns fatos ilustraram com clareza o sentido paralelo da disputa. Em primeiro lugar, Tema Cunha é um dos quadros mais experientes do atual cenário político do Maranhão, carregando no seu currículo nada menos que cinco mandatos (1993/1997, 2001/2004, 2005/ 2008, 2013/2016 e 2017/2020) de prefeito de Tuntum – um bem cuidado município de pouco mais de 40 mil habitantes situado no coração do Sertão -, e que será presidente da Famem pela terceira vez. Tema Cunha conhece como poucos os dois lados da moeda política do Maranhão atual, tendo entrado na política pelo Grupo Sarney, mas do qual se afastou para formar, junto com José Reinaldo Tavares e Humberto Coutinho, a corrente que deu suporte decisivo ao até aqui bem sucedido projeto político do governador Flávio Dino. Articulador hábil e avesso a confrontos, soube construir sua candidatura na base da conversa direta com seus colegas prefeitos. Ganhou o apoio do braço político do Governo e dos líderes dos mais diversos partidos, mas não abriu mão, em nenhum momento, de ele próprio costurar as alianças que lhe deram a vitória.

Fiel à suas alianças, Tema Cunha deu peso político à sucessão na Famem com uma homenagem ao seu mais fiel aliado, o ex-prefeito de Caxias e atual deputado estadual Humberto Coutinho (PDT), presidente da Assembleia Legislativa com mandato renovado, ao batizar a sua chapa de “Prefeito Humberto Coutinho”, gesto que também demonstrou o prestígio pessoal e o peso politico do líder caxiense, candidato potencial ao Senado, e que foi apoiada por todos os prefeitos que lhe deram o voto. “O Doutor Humberto foi um grande prefeito e merece a homenagem”, justificou. No mesmo cenário, o ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB) saiu da sua habitual discrição para entrar de peito aberto na disputa em favor de Tema Cunha, seu colega de partido, aproveitando o momento para fortalecer seu projeto de tornar-se senador disputar uma das cadeiras no Senado. O terceiro ponto a ser observado foi a satisfação do governador Flávio Dino com a eleição de Tema Cunha, sob o argumento oficioso segundo o qual por meio do prefeito de Tuntum, o Governo poderá ter na Famem um canal eficiente e confiável de diálogo com os prefeitos, instrumento de extrema necessidade nestes tempos de crise.

O fato é que a eleição da Famem entrou na crônica política como mais um rascunho do que está sendo desenhado para 2018, exatamente por envolver prefeitos, que na tradição politica são peças-chave do processo que resulta na eleição de governador, senador deputado federal e deputado estadual.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Famem é casa de todos
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Tema Cunha quer Irlahi Moraes na Famem

“Se Irlahi não vem à Famem, a Famem vai a Irlahi”. Com essa declaração, dirigida à Irlahi Moraes (PMDB), prefeita de Rosário e que seria sua adversária na disputa pelo comando da entidade, o prefeito Tema Cunha deu por encerrado o processo eleitoral e começou a colocar em prática o compromisso de fazer uma gestão agregadora, mobilizando todos os prefeitos em torno das bandeiras municipalistas. Ontem, Tema Cunha confirmou à Coluna que na sua gestão não haverá espaço para diferenças políticas, pois o foco da entidade será a longa pauta de interesse dos municípios junto ao Governo do Estado e ao Governo Federal. O prefeito de Tuntum reconhece na sua colega prefeita de Rosário um quadro político importante e que dirige um município estratégico e que na sua opinião não pode ficar afastada da entidade. E manifesta disposição de levar essa política a termo em relação a todos os prefeitos, independente de cor partidária: “Não são os prefeitos que irão à Famem, a entidade é que buscará os prefeitos”, completou.

Visões diferentes no PT
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Zé Carlos e Zé Inácio disputam o PT

Desenhado – e parece que em caráter definitivo – o cenário da disputa pelo comando do PT no Maranhão. De um lado está o deputado federal José Carlos Nunes, que se elegeu como Zé Carlos do PT, e do outro o deputado estadual José Inácio. Os dois querem assumir a tarefa nada simples de substituir o professor Raimundo Monteiro, que está há mais de uma década no comando do partido no Maranhão. Zé Carlos defende que o PT retome sua trajetória de luta por uma sociedade mais justa e solidária, agregando a experiência acumulada nos anos de poder, para voltar a ser um partido moderno e acreditado. José Inácio é um militante mais agressivo no sentido de que prega os ganhos dos Governos Lula e Dilma Rousseff, alimenta a teoria do golpe e defende a candidatura do ex-presidente em 2018. São duas visões diferente, sendo uma identificada com mudanças profundas dentro do partido e outra que acha que o PT deve continuar como é. Será um embate difícil e cujo desfecho ocorrerá no dia 26 de março, daqui a dois meses, portanto.

São Luís, 19 de Janeiro de 2017.

Eleição na Famem: Tema caminha para ser eleito em chapa única; Irlahi vai à Justiça pedindo a suspensão da eleição

 

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Tema Cunha praticamente eleito em chapa única; Irlahi Moraes vai pelo caminho da Justiça contra indeferimento de sua chapa

As atenções da classe política maranhense se voltam para a eleição da nova direção da Federação das Associações de Municípios do Estado do Maranhão (Famem), para o biênio 2017/2018. E a menos que haja uma reviravolta no campo político ou no tapetão judicial, o pleito se dará com chapa única, batizada “Prefeito Humberto Coutinho” e liderada pelo prefeito de Tuntum, Cleomar Tema Cunha (PSB), o que praticamente lhe assegurará uma eleição sem confrontos, já que, de acordo com a avaliação de seus aliados, Tema Cunha conseguirá mais de 50% dos votos. A possibilidade remota de reviravolta vem do fato de que a prefeita de Rosário, Irlahi Moraes (PMDB), que tentou viabilizar sua candidatura a presidente, decidiu pedir à Justiça a suspenção do pleito, alegando irregularidade no indeferimento da sua chapa pela Comissão Eleitoral, e outros argumentos que ela usará na ação judicial. Tema Cunha, que inicia o sexto mandato como prefeito de Tuntum, já é apontado por aliados como futuro presidente da entidade, e se essa expectativa for confirmada, ele comandará a Famem pela terceira vez.

No sábado, o comando da candidatura indeferida de Irlahi Moraes se mantinha em pleno movimento, apostando que a ação a ser protocolada no Plantão Judiciário suspenderá a realização do pleito. Por seu turno, Tema Cunha e seus aliados demonstravam tranquilidade, certos de que não há nada de errado e que a eleição será realizada nesta segunda-feira sem maiores problemas. No meio político, quase nenhuma liderança acredita que a prefeitas de Rosário, que vinha liderando a chapa “Famem de Todos”, fazendo sua campanha se apresentando como a primeira mulher a presidir a entidade. Hoje será um dia de expectativa, principalmente em relação à ação judicial por meio da qual a prefeita de Rosário pretende reverter o indeferimento da sua candidatura. E se a ação judicial não produzir consequência, na noite de segunda-feira a Famem terá nova direção eleita, sob o comando do prefeito de Tuntum.

Por mais que os candidatos se esforcem e insistam na afirmação segundo a qual a disputa para o comando da Famem não é influenciada pela divisão que move a política do Maranhão, é cristalino que o que está em curso nesta eleição é uma medição de força entre Governo e Oposição. O prefeito Tema Cunha tem prestígio pessoal e lastro político suficientes para disputar a presidência da Famem com total independência, mas não há como esconder que ele informalmente representa as forças políticas lideradas pelo governador Flávio Dino (PCdoB), o que reforça muito o seu poder de fogo. Tema Cunha, porém, fez uma campanha convocando os prefeitos para integrar um movimento destinado a fortalecer a entidade e ampliar a cultura do municipalismo no Maranhão. “Quero agregar, unir os prefeitos e fortalecer a nossa entidade. Não adianta querer pensar em municipalismo se os prefeitos não tiverem uma entidade representativa forte”, diz o prefeito de Tuntum, que sabe o que diz nesse assunto. Ele revelou que diante do indeferimento da chapa “Famem de Todos”, tentou atrair Irlahi Moraes para sua chapa, de modo a produzir uma eleição de consenso, mas ela não aceitou. “É uma pena”, disse.

Irlahi Moraes entrou tardiamente na corrida para a Famem, entrando no vácuo de vários prefeitos que desistiram de se candidatar e formou uma chapa com a participação de prefeitos do PDT, PSDB e PCdoB. Menos de 24 horas depois de protocolar a chapa, cinco prefeitos pediram para retirar seus nomes, o que inviabilizou de vez o projeto da prefeita de Rosário de comandar a entidade representativa dos prefeitos  maranhenses. Diante desse cenário, Irlahi Moraes tentará reverter a situação recorrendo à Justiça, alegando supostas irregularidades no processo eleitoral. Ela passou a manhã de sábado com seus advogados, que protocolariam a ação no final da tarde no Plantão Judiciário. “Não vai haver eleição. Está tudo irregular. A Justiça vai suspender o processo, tudo será colocado em ordem e, aí sim, iremos para a eleição”, declarou o ex-deputado Pedro Vasconcelos, principal articulador do movimento.

No meio político são poucos os que acreditam que haverá essa virada pretendida pela prefeita Irlahi Moraes no processo eleitoral da Famem. A expectativa dominante é a de que nesta segunda-feira haverá eleição e que o prefeito Tema Cunha terminará o dia como presidente da entidade para o biênio 2017/2018, consumando a homenagem ao ex-prefeito de Caxias e atual deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Humberto Coutinho (PDT).

 

PONTO & CONTRAPONTO

Tema tem apoio dos quatro da Ilha
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Tema Cunha recebe o apoio do prefeito Edivaldo Jr., e da cúpula do PDT, comandado pelo deputado federal Weverton Rocha, pré-candidato ao Senado

O prefeito de Tuntum, Tema Cunha, tem o seu projeto de presidir mais uma vez a Famem reforçado pelo apoio dos quatro prefeitos da Ilha de Upaon Açu: Edivaldo Jr. (PDT), de São Luís; Luis Fernando Silva (PSDB), de São José de Ribamar; Domingos Dutra (PCdoB), de Paço do Lumiar; e Talita Laci (PCdoB), de Raposa. Todos eles declararam expressamente alinhamento com o projeto de Tema Cunha, sendo que o último a fazê-lo foi Edivaldo Jr., mas o fez de corpo presente, fazendo questão de se mostrar seu aval ao aliado, como ele reeleito em 2016. Luis Fernando foi um dos que se posicionaram ao lado de Tema Cunha tão logo ele anunciou sua candidatura, em meados de outubro do ano passado. Domingos Dutra e Talita Laci se posicionaram tão logo o comando do PCdoB avalizou e declarou apoio à candidatura do prefeito de Tuntum. Tema também terá o apoio de prefeitos de outros municípios importantes, como Luciano Leitoa (PSB), de Timon; Vianey Bringel (PSB), de Santa Inês; Hilton Gonçalo (PCdoB), de Santa Rita, entre outros.

Irlahi tem o apoio de Assis Ramos (Imperatriz) e da cúpula do PMDB
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Assis Filho, prefeito de Imperatriz, seria um dos suportes da candidatura de Irlahi Moraes

Se a sua candidatura vingasse, Irlahi Moraes teria o reforço do prefeito de Imperatriz, Assis Ramos (PMDB), que seria candidato à vice-presidente na sua chapa. Teria também o apoio declarado do prefeito de Caxias, Fábio Gentil (PRB), que é adversário do deputado Humberto Coutinho e também de Tema Cunha na região; Albérico Ferreira (PMDB), Barreirinhas; Mercial Arruda (PMDB), Grajaú; e Miguel Lauande (PRB), Itapecuru Mirim, entre outros. A chapa de Irlahi reuniria adversários do Governo Flávio Dino ou prefeitos que estão ainda em processo de definição. Reuniu também um prefeito do PCdoB, Maurício Fernandes (São Benedito do Rio Preto), três do PSDB, Vanderly Monteles (Anapurus), Cláudia Silva (Monção) e Gilberto Braga (Luis Domingues) e um do PT, Osmar Fonseca (Lago do Junco), os quais, convocados por seus chefes partidários – Márcio Jerry, Carlos Brandão e Raimundo Monteiro, respectivamente – os convocaram para conversar e, claro, voltar para seus campos partidários na aliança que dá sustentação ao Governo.

São Luís, 14 de Janeiro de 2017.

 

Com um prefeito instável e sem poder e dois presidentes na Câmara Municipal, Bacabal sofre como vexame nacional

 

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Zé Vieira e seu vice Florêncio Neto: uma posse questionada na Justiça

Naturalque num processo eleitoral envolvendo 5.570 municípios, alguns deles tenham sido marcados por problemas diversos e ainda estejam amargando incertezas. Há município sem prefeito, com prefeito indefinido, com prefeito preso, preparando-se para nova eleição, enfim, situações diversas, que vêm causando transtornos para as suas populações. Difícil, porém, um caso que se assemelhe ao de Bacabal, onde está em movimento um prefeito ficha-suja, que teve maioria de votos, mas não poderia ter sido candidato, acabou diplomado por força de uma liminar esdrúxula, sem qualquer base de sustentação, concedida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o polêmico e controverso ministro Gilmar Mendes, e, não bastasse isso, dois vereadores se proclamaram presidente da Câmara Municipal, um lhe deu posse o outro contesta o ato.

O resultado desse enredo inacreditável é o seguinte: um dos dez mais importantes municípios do Maranhão, com mais de 100 mil habitantes, encontra-se há duas semanas sem gestor, já que o prefeito Zé Vieira (PR) foi empossado, mas está proibido, também por decisão judicial proposta pela Caixa Econômica Federal, de acessar as contas da Prefeitura até que a Justiça diga, primeiro, quem é o legítimo presidente da Câmara’’ e, depois, o TSE diga se ele, mesmo condenado por uma Corte de Contas, é o prefeito legalmente eleito.

A eleição para a Prefeitura de Bacabal foi o desfecho de uma campanha marcada pela dúvida quanto ao direito de o ex-prefeito Zé Vieira ser candidato. Ele fora condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por improbidade administrativa, com sentença transitada e julgada, e responde a mais nove processos na mesma linha, todos baseados em denúncias feitas pelo Ministério Público. Sua candidatura foi de pronto questionada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), tendo a Justiça acatado a alegação e indeferido o registro. Zé Vieira recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas perdeu por unanimidade, levando seus advogados a “armar o bote”, recorrendo primeiro ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a condenação que o tornou ficha-suja, obtendo uma liminar – o juiz que concedeu no dia seguinte viajou de férias para o exterior -, e em seguida bateu às portas do TSE, de onde arrancou a impressionante liminar do ministro-presidente mantendo-o candidato e autorizando sua posse, “até que a Corte se pronuncie sobre o assunto”, ou seja, em fevereiro. Tendo vencido nas urnas, Zé Vieira foi diplomado.

Em meio à indefinição em relação ao prefeito eleito, a Câmara Municipal de Bacabal se dividiu e dois grupos de vereadores formaram chapas e elegeram presidentes. A primeira eleição foi a do vereador Edvan Brandão (PSC), de oposição e que se negou a dar posse a Zé Vieira. Horas depois, outro grupo, esse alinhado à situação, elegeu outro presidente, César Brito, que deu posse a Zé Vieira, mas sob questionamento do outro grupo, que não reconhece tal Mesa nem a posse. Ou seja: no dia 1º de janeiro Bacabal elegeu dois presidentes da Câmara e um deles deu posse a um prefeito eleito que pode ser apeado do poder tão logo o TSE volte do recesso e retome os julgamentos.

Se Zé Vieira for confirmado prefeito, a Lei da Ficha Limpa perderá sentido e o Maranhão será tema de mais uma crônica inacreditável, ainda que no caso o “benefício” tenha sido concedido pelas instâncias superiores da Justiça, ou seja, STJ e TSE. Se for derrubado, a próprio Justiça terá de indicar o caminho para devolver a normalidade a Bacabal: dar posse ao segundo colocado, deputado estadual Roberto Costa (PMDB), contra quem não há qualquer questionamento judicial, ou determinar a realização de uma nova eleição, esta sem a participação de Zé Vieira. Ontem, o blog do jornalista Glauco Ericeira publicou em primeira mão o seguinte: O presidente em exercício do TSE, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, manteve Zé Vieira no cargo ao negar, quinta-feira, pedido da coligação Bacabal no Rumo Certo para desmanchar sua diplomação e posse. Ou seja, Maia Filho não quis desfazer a decisão de Gilmar Mendes de deixar que o gigantesco abacaxi seja descascado pelo plenário da Corte.

Nas próximas semanas, a Justiça, que puxou as pontas do cordel fazendo concessões estranhas para os leigos, terá de desfazer dois nós cegos: dizer de Zé Vieira pode ou não ser prefeito , e solucionar o segundo imbróglio dizendo quem é o presidente da Câmara Municipal.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PMDB do Maranhão reforça espaço no Governo Temer
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Com punho cerrado, Assis Filho é empossado pelo presidente Michel Temer na Secretaria da Juventude

A banda do PMDB do Maranhão comandada pelo senador João Alberto deu mais um passo largo para se consolidar sua influência na estrutura nacional do partido e, ao mesmo tempo, ampliar seu espaço no Governo do presidente Michel Temer. O grupo, que é comandado diretamente pelo deputado Roberto Costa, emplacou o advogado e ex-vereador de Pio XII e militante pemedebista Assis Filho no comando da Secretaria Nacional de Juventude. Ele substitui ao desastrado Bruno Júlio, a quem combatia e que ao comentar as chacinas nos presídios do Amazonas e do Acre sugeriu  que outras chacinas deveriam ocorrer, de preferência uma por semana, e por isso teve de pedir demissão. Assis Filho ocupava a Superintendência Regional da Empresa Brasileira de Comunicação, que de quebra foi entregue à advogada Ana Grazziella Neiva, que chefiou a Casa Civil nos meses finais do último Governo de Roseana Sarney (PMDB). Assis Filho saiu das fileiras do Movimento Estudantil em São Luís, no qual militou defendendo as bandeiras do PMDB, integrando uma geração de líderes que enveredaram pela política, como o seu opositor Raimundo Penha, que liderou por anos a Juventude do PDT e que se elegeu vereador da Capital em 2016. E como não poderia deixar de ser, carrega na trajetória um processo por improbidade, acusado que foi de receber salário gordo da Prefeitura de Pio XII sem trabalhar, o que é parte desmentido com o feto de que ele era procurador geral do Município. Essa suposta nódoa no seu currículo foi exposta ontem em plano nacional pela Rede Globo com matéria produzida pela TV Mirante. Mas o Palácio do Planalto mandou avisar que o caso está sepultado e que o indicado pelo PMDB do Maranhão está firme no cargo de secretario nacional de Juventude, reforçando o poder de fogo do senador João Aberto e do deputado Roberto Costa.

Assessorias a Prefeituras estão na mira da CGU

Um recado direto e oportuno para os novos prefeitos maranhenses: a Controladoria Geral da União (CGU) e outros órgãos fiscalizadores e controladores de recursos federais e estaduais estão de olho na relação entre Prefeituras e empresas de assessoria técnica. O objetivo é identificar organizações que aparentemente prestam serviços a Prefeituras, mas que na verdade são usadas para desviar dinheiro público, recebendo valores incompatíveis com os serviços prestados. A grande maioria dessas empresas de assessoramento não possui estrutura física, jurídica, fiscal e de pessoal capaz de atender aos objetivos da contratação, ficando impossibilitadas de responder às notificações de órgãos fiscalizadores, causando, em muitos casos, graves prejuízos a municípios, tornando-os inadimplentes e impossibilitados de viabilizar projetos futuros. Algumas dessas empresas de assessoramento são, enfim, organizações tecnicamente fantasmas, que servem apenas para justificar pagamentos indevidos e cujos valores reforçam o caixa pessoal de prefeitos e secretários. A CGU e demais órgãos fiscalizadores e controladores não têm poder institucional para impedir a contratação de assessorias, mas podem orientam os prefeitos para terem cuidado e prudência na hora de contratar esses serviços. Recado dado.

São Luís, 13 de janeiro de 2017.

 

Caso do aluguel “camarada” vai dar em nada e só indica que a guerra eleitoral para as eleições de 2017 já começou

 

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Caso do aluguel deflagra a guerra eleitoral entre Flávio Dino e o Grupo Sarney, representado por Roseana Sarney

Mais do que resultante de uma postura fiscalizadora da Oposição, o “escândalo” em torno de um aluguel, pela Funac, por R$ 9 mil mensais, de uma espécie de sítio na Aurora, paras abrigar menores infratores, sendo a causa maior do imbróglio o fato de o proprietário – um engenheiro civil que trabalha da Emap – ser filiado ao PCdoB, é um indicador de que a corrida para as urnas de 2017 está de fato começando, e que pelo tom da largada, o embate terá o tom de guerra pelo tudo ou nada. Inconformado com a perda do poder e por ter vivido os últimos dois anos na defensiva, o Grupo Sarney, agora liderado diretamente pelo ex-presidente José Sarney e pelos planos de volta ao Olimpo político maranhense. E pelo que é fácil perceber, o único meio de viabilizar esse projeto é mobilizar suas forças e meios para atacar o governador Flávio Dino, seu Governo e seu grupo sem do nem piedade, com o objetivo de minar seu prestígio e formar a maior nuvem possível de suspeita sobre a integridade da sua gestão. Dado o pontapé inicial, portanto, num jogo que vai durar pouco mais de 21 meses e cujo troféu ao vencedor será o Palácio dos Leões.

Na batalha midiática e política em andamento, os adversários do Governo demonstraram competência ao inflar e dar ampla repercussão a um caso menor e sem um só traço que justifique a sua transformação em escândalo. Não há qualquer traço de irregularidade no contrato de aluguel e o prédio foi alugado porque reúne as condições para o uso pretendido. A grita da vizinhança é justa – ninguém quer uma unidade que abriga menores infratores a 300 metros da sua residência -, mas não impeditiva, à medida que o Governo se compromete a garantir a segurança comunitária. A mobilização dos vizinhos foi feita pela competente e atuante vereadora Rose Sales, ex-PCdoB, que dias depois ganhou o reforço pessoal da deputada Andrea Murad (PMDB), que dedica integralmente sua atividade política a garimpar irregularidades no Governo do PCdoB. Tanto barulho transformou o caso numa guerra midiática em que os dois lados ultrapassaram os limites da realidade.

É fato que os canais da Oposição jogaram o assunto no ar sem maiores pretensões, mas a reação das vozes governistas, lideradas pelo secretário de Articulação Politica e Comunicação, Márcio Jerry, foi tão dura, que deu aos atacantes viram nela o mote que eles precisavam para alimentar as estocadas. Sim, porque a reação não foi informativa nem explicativa, mas um rebate zangado, que surtiu efeito contrário. Isso estimulou os canais oposicionistas a seguirem em frente, engrossando o caldo, numa espécie de bateu-levou eletrizante no qual as vozes governistas não conseguiram impor uma versão com todas as informações sobre o contrato e as condições do imóvel alugado. A banda governista preferiu contrapor invocando possíveis malfeitos de governos passados, levando até o governador Flávio Dino a interromper o sossego suas curtas férias para entrar no embate como um reforço salvador, o que também não funcionou. Em determinados momentos, o enfrentamento nas redes sociais e blogs governistas e oposicionistas chegou a ficar meio sem sentido, exatamente por falta de elementos que justificassem o prolongamento do bate-boca virtual. O ataque oposicionista ganhou força quando a “denúncia” ecoou nos telejornais da Globo, com referências que desgastaram a versão governista.

O imbróglio só começou a ser desfeito quando entraram na cena dois personagens que deveriam ter sido acionados no primeiro momento: o secretário de Direitos Humanos e Mobilização Popular, Francisco Gonçalves, a quem a Funac é subordinada, e o juiz José Costa. Tardiamente, mas ainda a tempo, Francisco Gonçalves – um jornalista, professor universitário e militante político íntegro – assumiu a defesa do contrato e do uso do imóvel e chamou a vizinhança para conversar, se dispondo a atender pleitos compensatórios, mas deixando claro que o Governo vai manter a Unidade da Funac ali, o que foi confirmado com operários trabalhando até à madrugada nas melhorias. Já o juiz José Costa – conhecido pela sua correção e serenidade – visitou as instalações e declarou à imprensa que elas estão adequadas, bem melhores do que o inferno em que viviam na Maiobinha. A deputada Andrea Murad teve acesso às instalações e saiu dizendo que questionará o contrato, mas sem reclamar tanto das instalações, onde já estão abrigados sete internos. A partir dessas intervenções, o que foi publicado foi mera repetição desbotada do que fora dito.

Se o “Caso Aurora”, também chamado “Caso do Aluguel Camarada” – no qual não foi encontrado desvio, malversação, irregularidade, ou seja, que não há crime nem criminoso – produziu tanto barulho e nenhuma consequência, dá para imaginar o que vem por aí, quando a briga pela Presidência da República, Governo do Estado, duas vagas no Senado, 18 cadeiras de deputado federal e 42 de deputado estadual ganhar corpo para valer.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Eliziane Gama mira o Senado
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Eliziane Gama avisa a amigos que vai entrar na guerra pelo Senado em 2018

O que eram apenas rumores inconsistentes até duas semanas atrás dando conta de que a deputada federal Eliziane Gama (PPS) está colocando em prática um projeto de se candidatar ao Senado passou a ganhar conotações verdadeiras desde a semana passada. Ao que parece refeita da desastrosa participação na corrida para a Prefeitura de São Luís, depois de ter sido apontada como favorita, Eliziane Gama está saindo do plano das incertezas e entrando no mundo real, só que disposta a dar um passo bem maior do que suas pernas podem alcançar. Dias depois de amargar o desastre eleitoral na Capital, ele disse a pelo menos três interlocutores que estava pensando seriamente em abandonar o plano federal e tentar uma volta à Assembleia Legislativa. Agora, passados mais de três meses, ela volta ao cenário político e informa aos mesmos interlocutores para está inclinada a disputar uma das cadeiras de senador, sem dar maiores explicações para a falta de interesse em renovar o seu até agora bem exercido mandato na Câmara Federal.

Deputada vai enfrentar disputa pesada

Eliziane Gama parece não ter percebido ainda a guerra que está sendo desenhada em torno das duas cadeiras de senador. Elas estão sendo pretendidas por pesos pesados como os deputados federais Weverton Rocha (PDT) e José Reinaldo Tavares (PSB), o deputado estadual Humberto Coutinho (PDT), o ex-prefeito de Imperatriz Sebastião Madeira (PSDB), e provavelmente o senador João Alberto (PMDB), o ministro do Meio Ambiente Sarney Filho (PV) ou a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), para citar apenas alguns nomes. Eles entrarão na briga por meio de fortes esquemas de dobradinha, o que criará enormes dificuldades a uma candidatura solitária como poderá ser a da deputada do PPS.

São Luís, 12 de Janeiro de 2017.

Eleição na Famem será um confronto entre forças da situação e da oposição no atual cenário político do Maranhão

 

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Cleomar tema e Irlahi Moraes lideram chapas que disputarão o comando da Famem no pleito do dia 16

Prevista inicialmente para ser um processo sucessório sem maior repercussão, a eleição para o comando da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem) ganhou a conotação de uma disputa entre aliados do Governo Flávio Dino e integrantes da oposição capitaneados pelo comando estadual do PMDB. A disputa se dará entre duas chapas, a “Prefeito Humberto Coutinho”, liderada pelo prefeito reeleito de Tuntum, Cleomar Tema Cunha (PSB), e a “Famem para todos”, que tem na cabeça a prefeita reeleita de Rosário, Irlahi Moraes (PMDB). A primeira reúne líderes municipais alinhados ao Palácio dos Leões, embora abrigue na sua formação prefeitos pemedebistas; a segunda expressa forças de oposição, mesclada também com prefeitos de partidos governistas, como o PCdoB e PSDB. A vitória da chapa comandada por Cleomar Tema garantirá uma convivência normal, que muitos preveem como produtiva, da entidade com o Palácio dos Leões, enquanto a vitória da chapa presidida por Irlahi Moraes prenuncia uma convivência, se não de confronto, de reivindicações e cobranças. Os dois grupos têm um ponto comum: querem tirar a Famem da inexpressividade em que ela foi mergulhada nos últimos anos e devolver-lhe o importante papel corporativo e político sempre teve na vida estadual.

Criada nos anos 80 do século passado por um grupo de jovens prefeitos liderados pelo então prefeito de Lago da Pedra, Waldir Jorge – irmão da ex-prefeita Maura Jorge -, a Famem se tornou a voz do municipalismo, tendo também sido um espaço importante de articulações políticas. À sua frente estiveram nomes importantes, como, por exemplo, o ex-governador Luiz Rocha, então prefeito de Balsas. Nas suas três décadas de existência, a entidade viveu altos e baixos, mas sempre exercendo um papel importante na vida dos municípios maranhenses.

Todas as avaliações indicam que a chapa “Prefeito Humberto Coutinho” – uma homenagem ao ex-prefeito de Caxias e hoje presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho (PDT) – é favorita. Cleomar Tema começou a trabalhar no dia seguinte ao resultado das eleições municipais, abrindo diálogo com prefeitos eleitos e reeleitos das mais diversas regiões do estado. Seu discurso é simples e direto, baseado principalmente na sua experiência de prefeito que inicia nada menos que o seu quinto mandato, o que lhe confere o status de especialista em assuntos municipais, incluídos aí problemas e soluções. Político experiente e traquejado na seara municipalista, Tema conhece o “caminho das pedras”, sabe por onde transitar, e mostrou isso ao reunir até agora uma ampla rede de apoio, a começar por vários prefeitos que haviam manifestado interesse em se candidatar à presidências da entidade. Em todas as avaliações ele é apontado como futuro presidente.

A chapa “Prefeito Humberto Coutinho” tem a seguinte composição:

Presidente: Cleomar Tema (PSB – Tuntum), 1º Vice: Djalma Melo (PTB – Arari), 2º Vice: Miltinho Aragão (PSB – São Mateus), Secretário Geral: Juran Carvalho (PP – Presidente Dutra), 1º Secretário: Emanuel Aroso Neto (Alto Alegre do Maranhão), 2º Secretário: Gerânio  Xavier (PDT – Igarapé Grande), Tesoureiro Geral: Henrique Salgado (PCdoB – Pindaré-Mirim), 1º Tesoureiro: Eric Costa (PCdoB – Barra do Corda), 2º Tesoureiro: Luciano Genésio (PP – Pinheiro), Diretor de Educação: Valmir Miranda (PDT – Colinas), Diretor de Saúde: Romildo Damasceno (PSDB – Tutóia), Diretor de Assistência Social: Valéria Castro (PSDB – Presidente Sarney), Diretor de Meio Ambiente: Carlinhos Barros (PCdoB – Vargem Grande), Diretor de Cultura: Conceição Castro (PP – São Vicente Ferrer), Diretor de Orçamento e Finanças: Gleydson Resende: (PCdoB – Barão de Grajaú), Diretor de Segurança: Fufuca Dantas (PMDB – Alto Alegre do Pindaré), Diretor Jurídico: Tiago Ribeiro (PCdoB – Feira Nova do Maranhão), Diretor de Infraestrutura: Arquimedes Bacelar (PTB – Afonso Cunha), Representação em Brasília: Padre Domingos (PSB – Matões do Norte). Conselho Fiscal: Efetivos: Rodrigues da Iara (PDT – Nina Rodrigues), José Martins (PMDB – Bequimão), Luis Filho (PT – Coroatá), Conselho Fiscal: Suplentes:  Lahésio Bonfim ( PSDB – São Pedro dos Crentes), Adelbarto Santos (PCdoB – São Francisco do Maranhão) e Laércio Arruda (PSDB – Lago da Pedra).

A prefeita e candidata a presidente Irlahi Moraes é também uma política experiente, pois vem de uma militância forte no PMDB, onde conviveu com raposas como Epitácio Cafeteira, Mauro Bezerra, Cid Carvalho e Renato Archer, estando hoje articulada com o senador João Alberto, o deputado federal João Marcelo e com o deputado estadual Roberto Costa. Ao se reeleger prefeita de Rosário, um município importante, mas que vinha sendo vitimado por gestões desastrosas e corruptas, a pemedebista se impôs como líder “em casa” e em toda a região do Munim. E foi com base nesse cacife e na experiência que acumulou como vereadora e prefeita, que ela decidiu tentar a presidência da Famem, incentivada também pela cúpula do PMDB, que é a base do Grupo Sarney. Nas conversas sobre o futuro da Famem, a chapa liderada por Irlahi Moraes não é apontada como favorita, mas vem gerando forte expectativa.

É a seguinte a composição da chapa “Famem para Todos”:

Presidente: Irlahi Moraes (PMDB – Rosário), 1º Vice: Assis Ramos (PMDB – Imperatriz), 2º Vice: Maurício Fernandes (PCdoB – São Benedito do Rio Preto), Secretário Geral: João Piquiá (PRB – Sítio Novo), 1º Secretário: Albérico Ferreira (PMDB – Barreirinhas), 2º Secretário: Antonio Ataíde (PMDB – Cachoeira Grande), Tesoureiro Geral: Miguel Lauande (PRB- Itapecuru Mirim), 1º Tesoureiro: Vanderly Monteles (PSDB – Anapurus),  2º Tesoureiro: Thalita Dias (PMDB – Água Doce do Maranhão), Diretor de Educação: Luciene Duarte (PV – Bom Lugar), Diretor de Saúde: Magno Teixeira (PP – Presidente Juscelino), Diretor de Assistência Social: Dídima Coêlho (PMDB – Vitória do Mearim), Diretor de Meio Ambiente: Mercial Arruda (PMDB – Grajaú), Diretor de Cultura: Geraldo Amorim (PMDB – Peri Mirim), Diretor de Orçamento e Finanças: José Farias (PMDB – Brejo), Diretor de Segurança: Fred Maia (PMDB – Trizidela do Vale), Diretor Jurídico: Sidrack Feitosa (PMDB – Morros), Diretor de Infraestrutura: Roberto Maues (PP – Paulino Neves), Representação em Brasília: Osmar Fonseca (PT – Lago do Junco), Conselho Fiscal – efetivos: Fernando Teixeira (PMDB – Cidelândia), João Igor (PMDB – São Bernardo), Gilberto Braga (PSDB – Luis Domingues), Conselho Fiscal – suplentes: Lindomar Araújo (PROS – Marajá do Sena), Zé da Folha (PMDB – São Domingos do Maranhão) e Cláudia Silva (PSDB – Monção).

Em Tempo: A eleição para o comando da Famem está marcada para o dia 16.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Temer prestigia Sarney ao levá-lo aos funerais de Mário Soares
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O ex-presidente José Sarney e os presidentes Michel temer e Marcelo Rabelo de Sousa conversam no Palácio de Queluz, antes de seguirem para os funerais de Mário Soares

O presidente Michel Temer fez a gentileza de convidar o ex-presidente José Sarney para acompanhá-lo na viagem a Portugal, para os funerais do ex-presidente português Mário Soares, o mais importante líder do processo com a Revolução dos Cravos (1974), que livrou os portugueses de uma ditadura de quase meio século para abrir-lhes o caminho da democracia plena. O gesto de Michel Temer foi primeiro motivado pelo fato de que José Sarney e Mário Soares eram amigos e governaram no mesmo período (década de 1980). Por coincidência, o Brasil vivia os “anos de chumbo” da ditadura militar (década de 70) iniciada em 1964, Portugal naquele momento caminhava para se livrar da ditadura que sufocou os portugueses por décadas. Uma década (1985) depois, o Brasil se livraria da ditadura militar. Mário Soares liderou a democratização do seu país; José Sarney comandou a transição da ditadura para a democracia. Mário Soares fora primeiro-ministro duas vezes, mas sua relação com Sarney se consolidou quando foi presidente da República no mesmo período que o líder maranhense.

Um dos temas que os aproximou foi o projeto de criação de uma entidade que reunisse todos os países de língua portuguesa, que já vinha sendo discutido em encontros de representantes de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Cabo Verde. As negociações tiveram seu ponto alto em novembro de 1989 em São Luís, onde os chefes de Estado desses países se reuniram para a criação do Instituto Internacional de Língua Portuguesa e para lançar as bases do acordo ortográfico, que só seria consumado no primeiro dia de 2015.

José Sarney e Mário Soares mediram forças disputando a liderança do movimento, tendo o brasileiro levado a melhor quando conseguiu trazer o encontro de 1989 para o Maranhão contra a vontade do português, que o queria em Lisboa. Mário Soares chegou a São Luís insatisfeito, mas horas depois mudou seu humor e participou ativamente do encontro. Naquele momento, a amizade entre José Sarney e Mário Soares se consolidou. Os dois se encontraram inúmeras vezes, e em cada encontro travavam longa conversa sobre Brasil, Portugal, as relações entre os dois países, o cenário mundial outros temas, tendo o brasileiro lamentado muito a morte do português.

Viagem pode resolver diferenças entre Sarney e Temer

O convite de Michel Temer a José Sarney para acompanhá-lo nos funerais de Mário Soares tem também uma forte dose de pragmatismo do presidente da República. Corria nos bastidores que Sarney vinha alimentando insatisfação em relação ao Governo, pois algumas das suas sugestões teriam sido ignoradas. Na viagem a Portugal, o presidente aproveitou para colocar a com versa em dia com o ex-presidente, devendo os dois superar as diferenças. Michel Temer sabe agora que a experiência e a sabedoria política de José Sarney são importantes. E sabe também que abrir mão desse cacife seria um erro político injustificável.

São Luís, 10 de Janeiro de 2017.

Quadros da novíssima geração se preparam para chegar aos Leões e dar as cartas nas próximas décadas

 

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Rubens Jr., André Fufuca, Bira do Pindaré, Roberto Costa, Neto Evangelista, Adriano Sarney, Edilázio Jr. e Andrea Murad podem mirar o Palácio dos Leões a partir de 2022

 

A relação de nomes que, em tese, estão cacifados, em maior ou menor grau, para entrar na briga pelo Governo do Estado a partir de 2018, causou uma série de comentários de observadores. A Coluna recebeu telefonemas de quatro personalidades bem situadas no contexto político maranhense, todos concordando com a lista, mas também observando que ela está incompleta, por não incluir quadros da novíssima geração, os quais ainda não atingiram à maioridade política, mas caminham com determinação para ocupar um grande espaço no cenário político estadual, podendo assim chegar ao topo. Entre esses militantes estão os deputados federais Rubens Jr. (PCdoB) e André Fufuca (PP); os deputados estaduais Bira do Pindaré (PSB), Adriano Sarney (PV), Neto Evangelista (PSDB), Edilázio Jr. (PV), Roberto Costa (PMDB) e Andrea Murad (PMDB). Não há, até agora, nenhum indicativo de que eles já trabalham com essa perspectiva, mas no cenário político estadual são eles quadros em ascensão, que certamente darão as cartas a partir das eleições de 2022.

Com dois mandatos de deputado estadual e um – em andamento – de deputado federal, Rubens Jr. tem atuado como um político focado e contextualizado, com ações efetivas como legislador e como membro de bancada que busca recursos para investimentos no estado. O parlamentar é um dos quadros de proa no projeto político do governador Flávio Dino, sendo visto por muitos como uma das apostas do PCdoB para continuar o projeto de poder iniciado com as eleições de 2014. Na mesma linha atua o deputado federal André Fufuca (PP), que surpreendeu com os movimentos que fez em Brasília, onde embarcou no falso transatlântico capitaneado pelo deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), mas do qual pulou fora no momento certo. Revelou ter senso de oportunidade quando assumiu o comando do PP no estado, e vem dando mostras seguidas de que tem faro político apurado e consegue equilibrar-se entre situação e oposição no Maranhão.

No plano estadual, o deputado Bira do Pindaré já foi um nome mais expressivo quando era um dos líderes do PT e disputou o Senado em 2006 com João Castelo (PSDB) e Epitácio Cafeteira (PTB), aplicando uma surpreendente surra de votos nos dois em São Luís. Está no segundo mandato e tem sido apontado com o um dos “homens de ouro” do governador Flávio Dino, condição que, se bem usada, poderá reorientar sua carreira para um mandato majoritário. O deputado Roberto Costa é, sem dúvida, um dos quadros mais promissores do PMDB maranhense, sendo um político articulado, que ocupa os espaços possíveis. Tem talento político, circula com desenvoltura, e se o PMDB quiser, pode ser trabalhado para liderar uma campanha em nome do partido. O deputado licenciado Neto Evangelista, por sua vez, é um dos quadros mais expressivos da novíssima geração, tendo herdado do país, o ex-deputado João Evangelista, um lastro que vem mantendo-o no alto clero da política estadual, tendo, portando, as condições básicas para, com inteligência política, brigar pelo topo a partir de 22.

Desde que estreou na política, alcançando um mandato de deputado estadual, Adriano Sarney é apontado no meio político como o agente por meio do qual o Grupo Sarney vai sobreviver e ganhar novo alento. Com boa formação técnica e um discurso político consistente, o herdeiro do deputado Sarney Filho tem lastro para seguir em frente, logo alcançar a maturidade política, e com ela brigar por mandatos majoritários. Já no segundo mandato, o deputado Edilázio Jr. se move com desenvoltura e tem revelado uma coragem política pouco comum. Seu discurso é duro com adversários, que são frequentemente desafiados para o debate. É fácil perceber que ele sabe o que dia e aonde quer chegar. Pelas posições que assumiu até aqui, mesmo com as contradições e controvércias, a deputada Andrea Murad tornou-se um dos mais conhecidos e discutidos políticos da novíssima geração tem, e se deixar de ser a voz do pai, o ex-deputado Ricardo Murad e ajustar o seu discurso, poderá chegar mais longe.

A Coluna não garante – nem poderia fazê-lo – que algum ou alguns dos listados chegará ao Palácio dos Leões, mas avalia, sem a pretensão dos iluminados, que os membros desse grupo são potencialmente os líderes do Maranhão nas próximas décadas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Uma visão saudável no comando do TCE
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Caldas Furtado, novo presidente do TCE, quer mudar cultura

O Tribunal de Contas do Estado encontra-se, finalmente, sob o comando de um conselheiro saído dos quadros da Casa, em tese, portanto, livre do partidarismo e resistente às pressões políticas. Caldas Furtado chegou ao TCE ainda jovem, depois de uma intensa movimentação das forças políticas para impedir a sua ascensão, garantida por lei. É o único que não tem vinculação e que não deve o seu cargo a ninguém – a menos que se tenha vinculado, o que parece não ter acontecido. Institucionalmente um órgão auxiliar do Poder Legislativo, mas com autonomia de administrativa e orçamentária, o TCE tem como função é essencial, e por isso fundamental, fiscalizar e controlar o ordenamento financeira do Estado – aí entendidos os seus três Poderes – e dos Municípios. A julgar pelo seu discurso, om novo presidente enxerga o órgão por uma ótica diferença dos conselheiros de viés político. A começar pela afirmação de que sua gestão será focada na valorização dos quadros da instituição, dos quais é oriundo. E a partir daí, seu projeto é trabalhar para instalar na Corte a cultura da prevenção, que é bem mais útil e mais produtiva do que a simples ação fiscalizadora e punitiva. Atualmente, o TCE é medido pela sua capacidade de fiscalizar, identificar irregularidades e punir o agente responsável.  Na visão do novo presidente, antes de fiscalizar e punir governador, prefeito, e demais agentes públicos das esferas estadual e municipal, importa educar, orientar, alertar, enfim, prevenir, de modo a sufocar a improbidade e a corrupção na sua raiz. Se mantiver a sua formação técnica de servidor e associá-la às mudanças que pretende fazer tendo por base a prevenção – sem descuidar da mão de ferro, claro -, Caldas Furtado prestará um bom serviço ao TCE e ao Maranhão.

Maioria da Corte de Contas vem de escolhas pessoais e políticas

A composição atual do TCE ainda é ainda fruto do poder político. O conselheiro Raimundo Filho, por exemplo, é cunhado do ex-governador Luiz Rocha e foi por ele nomeado em 1985; o conselheiro Nonato Lago, que é médico e foi deputado estadual (PMDB), foi escolha pessoal do governador Epitácio Cafeteira; o conselheiro Álvaro César foi nomeado pelo governador Epitácio Cafeteira a partir de uma escolha feita pelo então presidente José Sarney, seu primo; o conselheiro Jorge Pavão (PFL) saiu dos quadros da Assembleia Legislativa como escolha sacramentada pelo Grupo Sarney, ao qual pertence até hoje; o conselheiro Edimar Cutrim (PFL) também ganhou o mandato saído dos quadros da Assembleia Legislativa e com o aval do Grupo Sarney, com o qual rompeu recentemente; e Washington Oliveira foi uma escolha política da então governadora Roseana Sarney para atender a um acordo com o partido dele, o PT. Caldas Furtado é, portanto, o único conselheiro que não saiu de um partido político nem de um parentesco com o chefe do Poder Executivo.

São Luís, 09 de Janeiro de 2017.

Em meio à escassez de líderes fortes, nomes que podem chegar, cedo ou tarde, ao Palácio dos Leões

 

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Flávio Dino, Roseana Sarney e Roberto Rocha estão na disputa, enquanto João Alberto, Sarney Filho, Lobão Filho, Luis Fernando Silva, Edivaldo Jr., Weverton Rocha, Eduardo Braide e Hilton Gonçalo podem brigar pelo Palácio dos Leões com chance de chegar ao topo

Em meio à escassez de líderes que torna imprevisível o futuro político do Brasil, uma pergunta se torna frequente e prioritária nas rodas de conversa sobre política no Maranhão: além do governador Flávio Dino (PCdoB), da governadora Roseana Sarney (PMDB) e do senador Roberto Rocha (PSB), quais políticos teriam cacife para entrar na briga pelo gabinete principal do Palácio dos Leões? Ouvindo aqui e ali em conversas com observadores dos mais diferentes campos, a Coluna chegou a mais nove nomes: João Alberto (PMDB), Luis Fernando Silva (PSDB), Sarney Filho (PV), Weverton Rocha (PDT), Lobão Filho (PMDB), Eduardo Braide (PMN), Edivaldo Jr. (PDT), Hilton Gonçalo (PCdoB) e Carlos Brandão (PSDB). Flávio Dino, Roseana Sarney e Roberto Rocha têm pesos diferentes, mas são hoje os políticos com maior possibilidade de vencer uma disputa para o Governo do Estado, e a menos que acontece uma mudança radical no cenário em construção, um deles será governador a partir do dia 1º de janeiro de 2019. Os demais são possibilidades que poderiam se encaixar na eventual mudança no cenário. E o cacife de cada será maior ou menor dependendo da disputa para a Presidência da República.

Oito entre 10 observadores cena política maranhense – aí incluídos políticos tarimbados – preveem que, mantida regra da reeleição, o governador Flávio Dino reúne todas as condições para renovar o seu mandato em 2018, independentemente de quais sejam seus adversários. Dino vem construindo cuidadosamente um lastro político de muita densidade, que inclui a via de fazer uma carreira no plano nacional, como quer o seu partido. O seu maior contrapeso é a ex-governadora Roseana Sarney, que livre do cutelo da Operação Lava Jato, começou a se movimentar com desenvoltura no cenário político. Não fez ainda uma declaração cabal sobre o assunto, mas todos os seus movimentos são indicativos de que ela está se preparando para enfrentar as urnas em 2018. Na sequência está o senador Roberto Rocha, político jovem, ousado e em franca ascensão e que decidiu abrir o seu próprio caminho em vez de permanecer como liderado do governador Flávio Dino. Como Roseana, Rocha não se declarou ainda candidato ao Governo, mas vem se comportando como tal, a começar pelo discurso crítico em relação ao ex-aliado Flávio Dino.

O senador João Alberto, que chegou a anunciar sua aposentadoria, vem desmontando esse projeto e admiti do entrar na corrida para renovar o mandato no Senado. Há, porém, nas entranhas do Grupo Sarney, um movimento que o vê como nome para encarar Flávio Dino na disputa pelo Governo do Estado, caso Roseana mude de plano e resolva disputar a senatória. Por seu turno, o deputado federal Sarney Filho, hoje ministro do Meio Ambiente, tem como projeto maior disputar uma cadeira no Senado, puxando o filho, deputado estadual Adriano Sarney (PV), para a Câmara Federal, mas admite, numa circunstância especial, entrar na briga pelo Palácio dos Leões contra Flávio Dino, caso a irmã Roseana não seja candidata nem ao Governo nem ao Senado. Nesse grupo, a quarta alternativa seria o suplente de senador Lobão Filho, que estaria trabalhando para disputar a vaga do pai, senador Edison Lobão (PMDB), que caminha para a aposentadoria. Ressabiado com a experiência de 2014, Lobão Filho não simpatizaria com o projeto, mas se for “pressionado”, topa.

No leque das possibilidades, o prefeito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva, aparece como um nome cacifado para liderar uma aliança partidária forte ao Governo, se conseguir, claro, restabelecer as relações que construiu quando foi candidato a candidato em 2014. O prefeito de São Luís, Edivaldo Jr., é nome de peso no projeto do governador Flávio Dino, já tendo sido inclusive citado como virtual candidato a vice em 2018, podendo também vir a ser candidato a governador se o chefe não puder sê-lo – vitoriosa até aqui, sua trajetória sugere que cedo ou tarde ele disputará o Palácio dos Leões. Na mesma posição está o deputado federal Weverton Rocha, um dos nomes que mais se destacam na política estadual, que já decidiu disputar o Senado, mas é arrojado o suficiente para encarar uma briga pelo Palácio dos Leões se as circunstâncias o convocarem.

O deputado Eduardo Braide é um que investe com seriedade na sua carreira, dando todas as indicações de que pretende chegar no topo. Sua desempenho na corrida para a Prefeitura de São Luís revelou que o investimento faz todo sentido, pois mostrou que ele reúne todas as condições para elaborar e maturar o projeto de chegar ao Palácio dos Leões. Num outro campo, o prefeito de Santa Rita, Hilton  Gonçalo, se movimenta sempre trabalhando a possibilidade de chegar mais longe, tendo nos seus planos o projeto de ser governador do Estado, restando saber por qual via ele pretende chegar lá. É o caso também dom vice-governador Carlos Brandão, que sabe ser essa possibilidade muito remota, mas trabalha para ocupar espaço.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Mário Soares: presidente português veio a São Luís para encontro líderes  de países de língua portuguesa e chegou incomodado
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Mário Soares liderou Portugal após a queda do salazarismo

Morreu ontem Mário Soares, o líder socialista que foi ex-presidente e ex-primeiro-ministro de Portugal após a queda da ditadura salazarista, derrubada pela histórica Revolução dos Cravos, que eclodiu no dia 25 de abril de 1974 e da qual foi uma das lideranças civis. Fundadores do Partido Socialista (PS) português, Mário Soares é apontado como uma das mais complexas personalidades políticas europeias, e um dos mais notáveis protagonistas da História da política portuguesa da segunda metade do século XX.

Quando presidente da República de Portugal, Mário Soares esteve no Maranhão, trazido pelo então presidente brasileiro José Sarney (PMDB). Os dois foram bons amigos, se encontraram inúmeras vezes e mantinham contato sempre que possível. Sempre que foi a Portugal, Sarney visitou Mário Soares, e vice versa.

A visita de Mário Soares por São Luís se deu no dia 1 e 2 de novembro de 1989, quando na Capital maranhense se reuniram os presidentes de países de língua portuguesa num evento que deu origem ao acordo ortográfico que entraria em vigor duas décadas e meia depois, no dia 31 de dezembro de 2015.

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Mário Soares, ao lado de José Sarney, com os lideres de países africanos de língua portuguesa reunidos em São Luís, onde iniciaram as bases do acordo ortográfico

Presidente de Portugal, Mário Soares tentou levar o encontro dos líderes lusófonos para Lisboa. Sarney, que queria o encontro no Brasil, mais especificamente em São Luís, articulou com seus colegas , “Nino” Vieira (Guiné-Bissau),  Aristides Pereira (Cabo Verde), Joaquim Chissano (Moçambique), Manoel Costa Pinto (São Tomé e Príncipe) e Lopo Nascimento (representante de Angola) conseguiu o aval deles. Mário Soares não gostou nem um pouco da articulação de Sarney, que mandou um Boeing 707, conhecido com o “Sucatão”, buscar os cinco presidentes africanos. O líder português chegou ao Brasil no dia 1º de novembro por Recife, pernoitando na Capital pernambucana para só no dia 2, data do encontro, desembarcar em São Luís.

Durante a reunião, que se deu no Palácio dos Leões, Mário Soares parecia mal-humorado, mas quando percebeu que nada poderia fazer para reverter a criação da entidade que cuidaria do acordo, relaxou e entrou no clima. Na reunião, os chefes de Estado criaram o Instituto Internacional de Língua Portuguesa, entidade que cuidaria do acordo ortográfico que só nasceriam na segunda década do século XXI.

O mal-estar inicial foi logo superado e o fato histórico terminou em festa, e nada abalou a amizade entre Mário Soares e José Sarney.

Em Tempo: informações mais detalhadas sobre o histórico encontro lusófono de São Luís foi publicada na edição da Coluna publicada no dia 17 de janeiro de 2016.

 

São Luís, 07 de Janeiro de 2017.