Luis Fernando corre para “reconstruir” São José de Ribamar, enfrentando até bloqueio de cota do FPM

 

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Luis Fernando Silva: comanda os esforços para reconstruir São José de Ribamar

Eleito com 96% dos votos válidos, interpretado por muitos como uma aclamação via urnas eletrônicas, um caso raro nas eleições municipais em todo o país, o prefeito de São José de Ribamar, Luis Fernando Silva (PSDB), já sabia que receberia uma cidade e seus arredores em situação de terra arrasada e mergulhado em dificuldades, bem diferente da que ele entregou seu vice, Gil Cutrim (PDT), em 2010, quando, já exercendo o segundo mandato e comandando uma verdadeira revolução na Terra do Padroeiro, renunciou ao cargo para integrar a linha de frente do último Governo de Roseana Sarney (PMDB).  “Estamos reconstruindo São José de Ribamar”, disse Luis Fernando Silva à Coluna, num intervalo da sua atribulada agenda, que “não tem dia nem hora” para trabalhar. Reconstrução é a palavra exata para definir os esforços do prefeito para por ordem na casa num processo iniciado na madrugada do dia 1º, quando tomou posse, nomeou sua equipe e colocou a mão na massa.

Administrador de ponta e experiente, Luis Fernando Silva tinha uma noção aproximada do que encontraria na Prefeitura de São José de Ribamar. Já estava informado que muito do que deixara funcionando ou em pé estava agora claudicando ou no chão. Fora informado de que a máquina administrativa, que deixara azeitada e funcionado a pleno vapor, perdera o ritmo e vinha operando com certa dificuldade. Suspeitava de que as finanças, que repassara em perfeito equilíbrio, encontravam-se em descompasso, com despesas de mais e receita de menos. Só que, ao assumir o controle, se deu conta de que as suspeitas se confirmaram, com a diferença de que os problemas são bem maiores e mais graves. Enfim, um dos cinco mais importantes municípios do Maranhão, abrigo aprazível de cerca de 160 mil habitantes, sofrera danos estruturais e administrativos graves, carecendo urgentemente de um processo de reconstrução.

A cidade que até o final do século passado fora vítima de gestões despreparadas e perdulárias e que entrou no novo século embalada por uma verdadeira revolução, a ponto de se tornar um dos cartões postais do Maranhão, perdeu o rumo nos últimos seis anos e agora está sendo novamente colocada nos eixos, de modo a que volte a ser o balneário acolhedor e, ao mesmo tempo, o santuário onde se homenageia e se recebe as bênçãos de São José de Ribamar. O novo Governo municipal corre para devolver aos ribamarenses a cidade que se tornou símbolo depois de viver décadas sufocada por grupos políticos que só se dedicavam a dilapidar os cofres públicos, mas que ganhou vida nova a partir de 2005, quando o atual prefeito a comandou pela primeira vez.

Os últimos 25 dias têm sido de trabalho intenso, tapando buracos deixados nas ruas e, ao mesmo tempo, desarmando bombas administrativas e financeiras de efeito retardado. “A cada hora uma dessas bombas explode sobre a minha mesa”, diz, misturando perplexidade com preocupação. E para complicar mais ainda o quadro de dificuldades, duas parcelas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), principal fonte de receita da Prefeitura, foram bloqueadas, por conta de milhões de reais não repassados à Previdência Social pela gestão anterior. Esse e outros petardos têm exigido do prefeito e sua equipe foco na gestão financeira, de modo a manter a máquina pública nos trilhos.

Em que pesem todos os problemas que herdou, o prefeito Luis Fernando Silva não esconde seu otimismo em relação ao futuro de São José de Ribamar. Para ele, o município tem lastro para se desenvolver, tanto no turismo cultural e religioso, que é sua grande marca, quando na área da pesca, que é sua vocação natural, e na produção de frutas e hortaliças nas matas que formam a sua rica área rural. Ao mesmo tempo, aposta alto na transformação da cidade em polo cultural, que tem como lastro um sistema de educação cujo símbolo maior é o Liceu Ribamarense, uma escola de tempo integral, construída e implantada na sua primeira gestão e que virou referência na região.

– Essa eleição aumentou muito a minha responsabilidade. Vamos reconstruir o que foi destruído e vamos construir o que tiver de ser construído – afirma Luiz Fernando Silva, avisando também que o ritmo acelerado vai continuar até que a cidade retome o brilho de antes. Hoje um dos políticos de maior densidade no Maranhão, principalmente pela credibilidade como gestor, Luis Fernando Silva adota o tom da cautela quando o assunto é o seu futuro político. “Só devo pensar nisso se conseguir fazer o que tem de ser feito em São José”, diz.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Roseana avalia entrar na briga pelo Governo
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Roseana Sarney pode entrar na briga pelo Governo do Estado em 2018

São fortes no meio político os rumores de que a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) estaria avaliando seriamente a possibilidade de entrar para valer na disputa com o governador Flavio Dino (PCdoB) pelo comando do Estado em 2018. Fontes acreditadas repassam que uma das fontes de incentivo para que a ex-governadora resolva entrar na corrida ao Palácio dos Leões seria o ex-presidente José Sarney (PMDB), que se mostra convencido de que a primogênita reúne as condições políticas e eleitorais para encarar o governador nessa disputa, principalmente se o PMDB entrar na corrida presidencial com um candidato forte. Mas há também problemas sérios a serem superados no plano doméstico. Se Roseana se candidatar, ele inviabilizará o projeto do irmão, deputado federal Sarney Filho (PV), atual ministro do Meio Ambiente, de chegar ao Senado. Há quem afirme que a prioridade é a candidatura de Roseana ao Palácio dos Leões. Até pouco tempo, esse era um projeto remoto, aparentemente sem qualquer chance de sair da gaveta, mas foi colocado na mesa de decisões e teria mexido com os brios da ex-governadora, principalmente porque agrada ao ex-presidente José Sarney. É aguardar.

Recuo quer pode custar novos incômodos
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O juiz Douglas Martins (centro) fala na audiência que gerou o acordo sobre a Funac

Numa mediação do juiz da Vara de Assuntos Difusos, Douglas Martins, Governo do Estado e comunidade da Aurora chegaram a um acordo em relação à instalação de uma unidade da Funac no bairro, mais precisamente no prédio cuja locação deu origem a um dos mais ruidosos factóide que se teve notícia nos últimos tempos. Pelo acordo, a unidade continuará funcionando até dezembro, tempo que o Governo terá para encontrar outra solução. Nesse período, a Polícia vai intensificar sua presença na Aurora. O acordo foi comemorado pelos moradores da Aurora e pelos políticos que lhe deram suporte, como a ex-vereadora Rose Sales e a deputada Andrea Murad (PMDB). Já o Governo nada teve para festejar, pois além de abrir mão de uma iniciativa, deixou no ar a impressão de que, ao admitir o acordo, concordou com os argumentos dos incentivadores do movimento comunitário. Com isso, abre caminho para enfrentar outras manifestações contra iniciativas nas quais políticos de oposição enxerguem boas oportunidades para mobilizar moradores.

 

São Luís, 25 de janeiro de 2008.

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