Arquivos mensais: agosto 2022

Nova pesquisa sobre corrida aos Leões coloca em dúvida resultados da própria Exata e da Econométrica

Um dia depois de ter sido informado pelo o instituto Econométrica que o governador Carlos Brandão (PSB) teria avançado a ponto de colocar quase duas dezenas de pontos percentuais de intenções de voto sobre o senador Weverton Rocha (PDT), que teria perdido pontos em relação ao levantamento anterior e que estaria tecnicamente empatado com Lahesio Bonfim (PSC), o eleitorado maranhense foi surpreendido ontem por outra pesquisa, do instituto Exata, mostrando um cenário radicalmente diferente.

Os números do Exata são os seguintes: Carlos Brandão aparece com 30% das intenções de voto, seguido de Weverton Rocha com 29%, tendo ainda Lahesio Bonfim com 16%, e na sequência Edivaldo Holanda Jr. (PSD) com 10%, Simplício Araújo (SD), Joás Moraes (DC) e Enilton Rodrigues (PSOL), cada um com 1% – Hertz Dias (PSTU) e Frankle Costa (PCB) não pontuaram. Além disso, 4% disseram que não votariam em nenhum, votariam em branco ou anulariam o voto e 8% não quiseram ou não souberam responder. E na hipótese de um segundo turno, Weverton Rocha venceria Carlos Brandão com 42% dos votos contra 41% e Lahesio Bonfim por 55% a 26%. A pesquisa ouviu 1.469 eleitores entre 07 a 12 de agosto, tem margem de erro de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos, e foi registrada no TSE com o número MA-02051/2022.

Esse é, até aqui, o fato mais fora da curva relacionado com pesquisas nessa corrida eleitoral. Por mais que as duas empresas de estatística difiram em método de coleta de dados e em tratamento das informações coletadas, e ainda quanto o universo geopolítico pesquisado, é absolutamente surpreendente que dois levantamentos feitos no mesmo período sobre a mesma temática e os mesmos nomes tenham encontrado resultados tão diferentes. Afinal, não se está falando de uma diferença de três, cinco, seis pontos, levando-se em conta as margens de erro, o que é possível. O que está sendo avaliado é que um levantamento mostrou o governador com 40 pontos percentuais de intenção de voto, contra 21 do senador e do 20 do ex-prefeito, enquanto o outro mostrou o governador e o senador tecnicamente empatados, o primeiro com 30 pontos percentuais e o segundo com 29 pontos, estando o ex-prefeito muito atrás com 16 pontos.

A boa técnica e a boa ética recomendam que não se deve comparar pesquisas de institutos diferentes. Não se trata aqui de uma comparação, a começar pelo fato de que a Coluna não pretende se posicionar contra um e a favor de outro em relação aos dois levantamentos. Menos ainda fazer uma intromissão indevida nessa confusão emitindo juízo desonesto a respeito dos institutos Econométrica, que tem três décadas de vida e um sólido lastro de bons serviços prestados, e Exata, de existência mais curta, mas já com um bom saldo de acertos. O registro e as observações são apenas a forma mais franca de expressar a sua sincera estupefação, uma vez que a diferença que separa os dois conjuntos estatísticos contraria a lógica matemática mais elementar e mergulha o eleitor num pântano de dúvida e de incertezas.

Nesse cipoal de porcentagens que não se ajustam, pelo menos um dado faz sentido: a divisão dos nove candidatos a governador em dois blocos nítidos, incontestáveis. O primeiro reunindo o governador Carlos Brandão, que aparece na liderança, o senador Weverton Rocha, que se movimentas em segundo, e o ex-prefeito Lahesio Bonfim, sempre na terceira posição. E o segundo bloco formado pelos candidatos Edivaldo Holanda Jr., Simplício Araújo, Enilton Rodrigues, Hertz Dias, e mais recentemente Joás Moraes e Frankle Costa.

Fica a torcida para que novos levantamentos tragam pelo menos a impressão de que estão investigando o mesmo assunto.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sem Brandão, debate na Difusora foi fraco de propostas e de embates

Lahesio Bonfim, Simplício Araújo, Weverton Rocha, Edivaldo Holanda Jr., Enilton Rodrigues e Frankle Costa momentos antes de iniciarem o debate na TV Difusora

Nada aconteceu de diferente ou foi dito de especial no primeiro debate entre os candidatos a governador realizado ontem pela PT Difusora, braço maranhense do SBT. Bem formatado e com duração de duas horas, o tate-a-tate entre os postulantes ao comando do Governo do Maranhão, que serviria para mostrar o conteúdo de cada um, não produziu um resultado animador. Provavelmente por conta da ausência do governador Carlos Brandão (PSB), que a justificou acusando a TV Difusora de imparcialidade, por fazer sistemática oposição ao seu governo, os participantes não mostraram uma compreensão abrangente a respeito do que é o Maranhão, os seus problemas e o seu potencial.

O senador Weverton Rocha (PDT) nada disse que justificasse a importância que ele se esforça para dar à sua candidatura, tratando assuntos fundamentais com frases genéricas, como a promessa de ressuscitar o Primeiro Emprego, programa do Governo Roseana Sarney (MDB). Edivaldo Holanda Jr. (PSD) repetiu o discurso focado nos oito anos governando São Luís como um tocador de obras embalado por Jesus Cristo. Lahesio Bonfim repetiu o mesmo discurso de entrevistas, gerando a impressão de que não vai passar do “eu vou fazer” tudo, mas sem dizer como. Simplício Araújo foi o candidato mais propositivo, com desempenho diferenciado pela eficiência como comunicador. Os demais – Enilton Rodrigues (PSOL), Hertz Dias (PSTU) e Frankle Costa (PCB) – se limitaram a insistir nos jargões da esquerda radical, sendo Hertz Dias o mais agressivo na troca de farpas. Joás Moraes (DC), que mostrou preparo em entrevistas, não conseguiu chegar a tempo à TV Difusora.

Vale anotar a eficiente condução do experiente jornalista Adalberto Melo.

 

Braide entra de cabeça na campanha por Weverton e Roberto Rocha

Eduardo Braide com Weverton Rocha na abertura da campanha de Roberto Rocha, ontem, em Imperatriz

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (sem partido), que só há pouco tempo se posicionou na corrida eleitoral, decidiu entrar de cabeça na guerra pelo voto apoiando o senador Weverton Rocha (PDT) para o Governo do Estado e o senador Roberto Rocha (PTB) à reeleição. Primeiro, ele participou efetivamente da oficialização das duas candidaturas nas convenções, e ontem, o ontem esteve na linha de frente de uma caminhada em Imperatriz, com a qual o senador Roberto Rocha deflagrou sua campanha em busca da renovação do mandato. Antes baseada em frases soltas, a posição de Eduardo Braide evoluiu para um envolvimento ostensivo, como que motivado pela certeza de que esse grupo, que mistura parte da centro-esquerda com a direita bolsonarista em todos os seus graus, chegará ao poder. Político conservador, com rígida formação católica, mas com essência democrática, Eduardo Braide faz política com inteligência e pragmatismo, o que significa dizer que sua movimentação tem as devidas explicações gerais e pontuais. Uma delas, claro, é a eleição do irmão, Fernando Braide, para a Assembleia Legislativa, onde começou sua trajetória. Outra é criar e manter elos que lhe abra as portas e os cofres em Brasília.

São Luís, 19 de Agosto de 2022.

Econométrica: Brandão dispara, Weverton regride e Lahesio e Edivaldo Jr. estacionam

 

Econométrica: Carlos Brandão dispara, Weverton Rocha cai, Lahesio Bonfim e Edivaldo Jr. estacionam; Joás Moraes entra, e Enilton Rodrigues se mantém e Simplício Araújo e Hertz Dias não decolam e Frankle Costa não pontuou

O governador Carlos Brandão (PSB) disparou na corrida para o Palácio dos Leões. E, se mantiver o ritmo de crescimento da sua candidatura e não for atingido por um grave imprevisto durante a campanha, já pode trabalhar com a possibilidade – ainda remota, mas plausível – de liquidar a fatura no primeiro turno. O senador Weverton Rocha (PDT), que estava há meses estacionado, se movimentou, mas em sentido contrário, encolhendo seu cacife, enquanto ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (PSC) encostou de vez no pedetista, mesmo sem nada ter avançado, caso do ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (PSD).

É esse o cenário trazido pela pesquisa Econométrica/O Imparcial, divulgada ontem, na qual Carlos Brandão tem 40,7% das intenções de voto, contra 21,4% de Weverton Rocha, 20,5% de Lahesio Bonfim, 7,5% de Edivaldo Holanda Jr., 1,1% de Joás Moraes (DC), 1,0% de Enilton Rodrigues (PSOL), 0,3% de Simplício Araújo (SD), e 0,1% de Hertz Dias (PSTU) – Frankle Costa (PCB) não pontuou. A pesquisa encontrou 8.4% de insatisfeitos e indecisos. E quando os exclui, tornando os votos válidos, a situação é a seguinte: Carlos Brandão tem 44,4%, Weverton Rocha 23,4%, Lahesio Bonfim 22,4%, Edivaldo Holanda Júnior 8,1%, Joás Moraes 1,2%, Simplício Araújo 0,3%, e Enilton Rodrigues e Hertz Dias 0,1% cada. Em caso de segundo turno, Caros Brandão vence todos eles, com vantagem folgada. E quando o assunto é rejeição, os quatro principais candidatos estão no mesmo patamar acima dos 20 pontos percentuais.

Os números tornam essa pesquisa Econométrica a mais impactante e reveladora de todos os levantamentos divulgados até agora sobre a corrida ao Governo do Estado. Primeiro por causa da disparada do governador Carlos Brandão em busca da reeleição, lembrando que ele saiu de quatro pontos percentuais, crescendo dez vezes de janeiro para cá, abrindo agora a possibilidade de vencer a eleição em turno único. E, segundo, pelo desapontador desempenho do senador Weverton Rocha, que amargou um pequeno, mas grave, retrocesso, o que torna sua candidatura um projeto político solto e sem a consistência que se supunha.

O desempenho, na forma de crescimento acelerado, do governador Carlos Brandão é facilmente explicável: ele é ficha limpa, tem lastro político, fez uma trajetória com dois mandatos federais, foi vice por sete anos e três meses de um bom Governo, e desde abril é o governador em busca da reeleição. E com um dado que faz a diferença no atual momento político do Maranhão: tem como aliado e companheiro de chapa o ex-governador Flávio Dino (PSB), que lidera a corrida ao Senado. O candidato do PSB tem sabido usar com cuidado e eficiência os trunfos que dispõe, a começar pelo mais importante deles: estar despachando no gabinete principal do Palácio dos Leões.

O senador Weverton Rocha vem cometendo erro atrás de erro, sendo o maior deles ter desafiado o grupo ao qual pertenceu ao tentar impor aos aliados um projeto pessoal, por mais que ele diga que não é. O outro erro grave foi sair da aliança dinista, aliar-se às forças bolsonaristas e se juntar com o senador Roberto Rocha (PTB), bolsonarista de ponta e candidato à reeleição, para derrotar o ex-governador Flávio Dino. O líder pedetista errou nos cálculos e agora vê o fruto amargo do seu erro. E o estrago será bem maior se Lahesio Bonfim deixa-lo para trás, como está sendo rascunhado.

É oportuno e honesto lembrar que a campanha de 45 dias está apenas começando, e que muita água ainda vai rolar por baixo da ponte. Vale também o registro de que o candidato do PDT dificilmente encontrará argumentos com força suficiente para reverter a situação criada com a nova pesquisa.

Em Tempo: A Econométrica entrevistou 1.503 eleitores em 59 municípios, incluindo São Luís, no período de 11 a 15 de agosto de 2022, tem margem de erro de 2,5% para mais ou para menos, confiabilidade de 95% e está registrada no TSE com o número MA-0102022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Senado: Dino tem quase o dobro das intenções de voto de Rocha

Flávio Dino tem o dobro de Roberto Rocha na disputa pela vaga no Senado

Se a eleição fosse agora, o ex-governador Flávio Dino (PSB) daria uma surra de votos monumental no senador Roberto Rocha (PTB). Ele iria para as urnas com nada menos que 52,4% das intenções de voto contra 28,3% do senador petebista. Antônia Cariongo (PSOL) teria 0,9%, Ivo Nogueira (PSTU) 0,8% e Saulo Arcangeli (PSTU) passou de 1,1% para 0,3%. Os insatisfeitos e indecisos somaram 16,5%.

Não é possível afirmar com certeza absoluta que esse será o resultado da lição ou que o desfecho se dê nessa ordem. Mas, a julgar pelo que informaram até aqui as mais de duas dezenas de pesquisas, é lícito prever que o favoritismo do ex-governador é consistente e reúne as condições para ser confirmado nas urnas.

Por uma série de fatores, as condições políticas do ex-governador Flávio Dino o credenciam para vencer esse pleito. Isso não significa dizer que o senador Roberto Rocha já esteja fora, que sua derrota seja um fato que só depende da consumação. Ele está em campanha, parece animado, mas sabendo que sua situação é muito difícil.

E como não pode deixar de ser, vale a lembrança de que a campanha só está começando.

 

Formação, experiência e DNA político embalam candidatura de Rodrigo Lago à Alema

Rodrigo Lago: quadro de excelência tenta AL

Se tudo ocorrer como esperam familiares, amigos e apoiadores, a Assembleia Legislativa ganhará um quadro de excelência técnica e indiscutível estatura política, o advogado Rodrigo Lago (PSB).

Rodrigo Lago tem tudo a ver com a seara política, começando pelo fato de que é especializado em Direito Eleitoral, o que lhe dá uma visão privilegiada desse universo complexo e desafiador. Já como homem público, traz no currículo a experiência de ter sido secretário de Transparência, de Comunicação e Articulação Política, e ainda de Desenvolvimento Agrário no Governo Flávio Dino.

Integrante de proa do grupo mais próximo então governador Flávio Dino, foi escalado pelo governador, em 2015, para implantar o que se tornou uma das fortes marcas do Governo que começava naquele momento: a Secretaria de Transparência, que transformou a gestão em dois mandatos como uma das mais transparentes de todo o País. Em seguida, deixou também boa impressão nas outras pastas.

No campo político propriamente dito, além de ter o aval do ex-governador Flávio Dino e o apoio do governador Carlos Brandão, Rodrigo Lago caminha para as urnas embalado pelo DNA dos Lago, um dos sobrenomes políticos mais importantes do Maranhão, e com o que aprendeu com o pai, o respeitado ex-deputado Aderson Lago.

São Luís, 18 de Agosto de 2022.

Brandão e Weverton medem forças em Imperatriz arrastando multidões nos atos de abertura das suas campanhas

 

Imperatriz, ontem: Carlos Brandão (centro) liderou uma multidão pelas ruas do centro,  depois que  Weverton Rocha fez uma festa com seus apoiadores na cidade

Imperatriz foi o grande palco da largada dos dois principais candidatos na corrida oficial às urnas na disputa pelo Governo do Maranhão, o governador Carlos Brandão (PSB), que busca a reeleição pela coligação “O Maranhão não pode parar”, tendo o ex-governador Flávio Dino (PSB) como candidato ao Senado, e o senador Weverton Rocha (PDT), que lidera a coligação “Maranhão mais feliz”, cujo candidato ao Senado é o senador Roberto Rocha (PTB). Weverton Rocha, acompanhado de Roberto Rocha, fez uma caminhada no meio da manhã pela área comercial, passando pelo shopping a céu aberto, construído no Governo Flávio Dino, à frente de um expressivo grupo de apoiadores, muitos com bandeiras e gritando slogan da campanha. Carlos Brandão, tendo ao lado Flávio Dino, encabeçou uma multidão em caminhada na avenida Getúlio Vargas e outras ruas do centro, coa participação de 18 prefeitos da região. Os dois movimentos de campanha valorizaram a importância econômica e política de Princesa do Tocantins, o segundo maior e mais rico município do Maranhão, e com grande peso eleitoral, uma vez que se trata do maior colégio eleitoral do estado depois da Capital.

Segundo colocado na última pesquisa, mas bem atrás do governador Carlos Brandão, que lidera com folga, Weverton Rocha enfrenta um incômodo e perigoso empate técnico com o candidato do PSC, Lahesio Bomfim, que está em terceiro, mas com forte viés de crescimento, podendo até alcançar e ultrapassar o candidato social-cristão nos próximos dias. Ao buscar Imperatriz como “base de lançamento”, por ser sua cidade-natal, por estar à frente nas pesquisas de intenção de voto, o senador pedetista que sua posição na disputa é muito delicada.  A escolha de Imperatriz vem do fato de que, além de ser uma região econômica e politicamente importante, a cidade é sua terra natal. Além disso, pesquisas feitas na região indicaram, pelo menos até ontem, o senador liderava a corrida aos Leões na cidade tocantina. Weverton Rocha e seus apoiadores avaliam como fundamental e decisiva para ele uma vitoriana cidade. Sem perder tempo, após sua caminhada em Imperatriz, Weverton Rocha seguiu para São Luís, onde fez outra caminhada.

E foi exatamente atrás de reverter essa situação que o governador Carlos Brandão decidiu começar por Imperatriz, tendo iniciado na verdade horas antes em Amarante, onde liderou uma grande carreata. Apoiado ali pelo ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB), que além de ser o chefe da Casa Civil do seu Governo é hoje o seu principal coordenador da sua campanha, o chefe do Poder Executivo estadual vem trabalhando duro politicamente para conseguir a maioria dos 182 mil eleitores imperatrizenses. Assim como o senador Weverton Rocha, o governador Carlos Brandão tem uma vitória em Imperatriz um dado de grande importância na sua estratégia de campanha. Tanto que ontem ele poderia ter ido à Brasília para a posse do ministro Alexandre de Moraes na residência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas preferiu cumprimentar o ministro por telefone e cumprir a agenda de campanha na cidade tocantina. “Eu senti o cheiro da vitória com essa energia no coração das pessoas. Eu senti também que o Maranhão deve continuar avançando. Em Imperatriz nós trabalhamos, fizemos obras, atendemos às pessoas. E este é só o começo. Vamos voltar aqui – declarou o governador Carlos Brandão ao final da caminhada.

A Coluna ouviu duas fontes tocantinas honestas e desinteressadas sobre o que aconteceu ontem em Imperatriz. Ambas avaliaram que os dois eventos foram expressivos, mas foram categóricas em afirmar que a caminhada liderada pelo governador Carlos Brandão e pelo ex-governador Flávio Dino foi bem maior e mais animada, chamando atenção também pelo entusiasmo dos apoiadores. Ontem à noite, aliados do senador Weverton Rocha contiveram o ânimo sobre a caminhada por ele lideradas depois que tomaram conhecimento do tamanho do evento comandado pelo governador.

A julgar pelo que aconteceu ontem em Imperatriz, a corrida dos candidatos majoritário às urnas será animada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Othelino Neto faz “adesivaço” para uma campanha forte

Othelino Neto faz o L de Lula usando óculos com seu número de campanha na Beira-Mar

A noite de segunda-feira, véspera do início da campanha eleitoral, várias praças e espaços de São Luís foram palcos de intensa movimentação por conta dos chamados “adesivaços”, ação por meio da qual candidatos adesivam com suas propagandas veículos cujos proprietários concordem em participar das suas campanhas, transformando automóveis em pequenos, mas eficientes, outdoors. Um dos mais movimentados aconteceu na Avenida Beira-Mar, em frente à Praça das Mercês, sob o comando do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), que usou a estratégia como parte da programação de lançamento da sua campanha forte à reeleição. O deputado Othelino Neto vive um momento especial da sua carreira, resultado de um conjunto de fatores que ele, com rara habilidade, pragmatismo e jogo franco. Nesse ambiente, ele saiu de uma posição confortável, com a previsão de uma reeleição tranquila, para o epicentro do redemoinho político como um dos homens fortes da aliança da aliança que embala as candidaturas do governador Carlos Brandão (PSB) à reeleição e à do ex-governador Flávio Dino (PSB) ao Senado, depois de ter se posicionado inicialmente perla candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) ao Governo do Estado, tendo avaliado até migrar para as hostes pedetistas. Nesse tabuleiro cujos espaços são ferrenhamente disputados, Othelino Neto conseguiu ocupar um lote amplo: decidiu permanecer no PCdoB, emplacou a vice-prefeita de Pinheiro Ana Paula Lobato na vaga de candidato a primeiro suplente na chapa de Flávio Dino e ainda recebeu do ex-governador a importante tarefa de coordenar politicamente a sua campanha ao Senado. No “adesivaço” em que largou de vez rumo às urnas, o presidente da Assembleia Legislativa era a imagem de quem aprendeu o caminho das pedras.

 

Simplício Araújo e Hertz Dias: discursos ideológicos distantes

Hertz Dias e Simplício Araújo: discursos de extremos ideológicos na campanha

A programação de sabatinas e entrevistas do Sistema Mirante registrou ontem a expressão de dois extremos do amplo painel ideológico que compõe o quadro de candidatos ao Governo do Maranhão. De um lado, o professor Hertz Dias, candidato do PSTU, entrevistado no telejornal matutino da emissora; de outro, o empresário Simplício Araújo, candidato do Solidariedade, sabatinado no portal imirante.com.

Militante radical de esquerda, inteiramente afinado com a linha ideológica do seu partido, Hertz Dias repetiu o discurso de sempre: o Brasil só resolverá seus problemas se o poder for tomado pela classe trabalhadora. Ou seja, numa época em que as experiências comunistas estão hoje resumidas à China, onde o PC mantém o poder, mas comanda hoje uma economia capitalista agressiva, a Coreia do Norte, cujo regime ditatorial é mantido à base de fuzilamentos, e Cuba, que fez tudo certo, mas enfrenta há seis décadas um cruel, absurdo e inaceitável boicote econômico dos EUA e alguns parceiros. Baseado na ditadura do proletariado, segundo o qual “a propriedade é um roubo”, o discurso do PSTU incorporado por Hertz Dias não faz concessões e chega a parecer ingênuo nos dias atuais.

No contraponto, Simplício Araújo, que comanda o braço regional do Solidariedade, um partido forjado na central trabalhista Força Sindical para ser o contrapeso do PT no mundo sindical, prega exatamente o contrário: a economia aberta, de viés liberal, cuja base é a relação sempre complicada entre capital e trabalho. Empresário, e com a experiência de secretário de Indústria, Comércio e Energia do Governo Flávio Dino, Simplício Araújo aposta na industrialização, na dinamização do comércio, na atração de investimentos, ou seja, uma economia montada nas bases do capitalismo, no qual capital e trabalho medem forças, mas hoje em processo fortemente regulamentado, com direitos e obrigações bem definidas para ambos os lados. E o que mais importante: num regime democrático, que não tolera ditadura de qualquer natureza.

É enorme a distância que separa os dois discursos.

São Luís, 17 de Agosto de 2022.

Pesquisa: campanha abre com Brandão líder e Lahesio tecnicamente empatado com Weverton

 

Carlos Brandão lidera, Weverton Rocha e Lahesio Bonfim formam o pelotão de frente, seguido por Edivaldo Jr., Simplício Araújo, Hertz Dias, Enilton Rodrigues, Joás Moraes e Frankle Costa

Se a eleição para o Palácio dos Leões fosse agora, haveria segundo turno, tendo de um lado o governador Carlos Brandão (PSB), que iria para a primeira rodada com 35,9% de intenções de votos válidos – quando se exclui nulos e em branco -, mas não se poderia precisar quem seria seu adversário, já que o senador Weverton Rocha (PDT) aparece na segunda posição com 23,7% das intenções de votos válidos, tendo o terceiro colocado, Lahesio Bonfim (PSC), na sua cola com 21,4% de intensões de votos válidos, o que caracteriza empate técnico dentro da margem de erro. Na sequência, o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PSD) aparece com 12,8%, o empresário Simplício Araújo (Solidariedade) com 2,6%, o professor Hertz Dias (PSTU) com 1,2%, o engenheiro florestal Enilton Rodrigues (PSOL) com 0,9%, o servidor público Frankle Costa (PCB) com 0,8%, e o professor Joas Moraes (DC) com 0,6%. São dados da pesquisa Band/Data Ilha, divulgada ontem e que ouviu n2.031 eleitores entre os dias 10 e 13 agosto, tem margem de erro de 2,17 pontos percentuais para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%, e está registrada no TSE sob o número MA-05654/2022.

É nesse ambiente favorável ao governador Carlos Brandão, que teve sua liderança confirmada, e extremamente desfavorável ao senador Weverton Rocha, cuja inércia permitiu a aproximação do ex-prefeito Lahesio Bonfim, com quem agora está tecnicamente empatado, que a campanha oficial começa. O ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. parece distanciado da possibilidade de chegar ao segundo turno, de vez que, a julgar pelos movimentos da pré-campanha e os mais recentes, seu projeto não emplacou, tornando sua tarefa, se não impossível – não existe isso em política -, muito, mas muito difícil.

Se não é ainda lastreada por uma distância segura, que lhe dê certeza absoluta da eleição, a vantagem do governador Carlos Brandão tem consistência e produz o gás que ele precisa para intensificar suas incursões no eleitorado com chances reais de ampliar o espaço que o separa dos demais concorrentes. Com a experiência que acumulou no jogo do poder, o governador reúne as condições necessárias para consolidar e viabilizar seu projeto de reeleição com a campanha que começa agora. Se passar ao eleitorado a certeza de que tem o pleno comando do Estado e de que pode levar à frente, ajustando e ampliando, o Governo que lhe foi entregue por Flávio Dino, de quem foi vice e agora é sucessor e parceiro, dificilmente perderá a chance de conquistar novo mandato.

Carlos Brandão caminha para se distanciar do que será a maior medição de força nos primeiros momentos dessa campanha: o embate entre Weverton Rocha e Lahesio Bonfim. Chama atenção o fato de que o candidato pedetista começou sua caminhada do alto da sua condição de senador da República, utilizando ao limite os recursos que o mandato lhe proporciona na relação com municípios. E com o aval do seu partido, montou uma estrutura de astro para dizer a que veio, e convidou os eleitores para fazerem “O Maranhão mais feliz”. Seus atos de pré-campanha foram animados e sua convenção, espetacular. Só que aquilo não se traduziu em ganhos reais, à medida que as 15 últimas pesquisas o mostraram no mesmo patamar, enquanto Carlos Brandão cresceu com consistência e o deixou para trás, e Lahesio Bonfim, sem um décimo do seu poder de fogo, chegou junto e ameaça deixa-lo para trás. E o senador sabe que, se acontecer, esse desfecho será um desastre imensurável para sua candidatura e para sua carreira, risco que certamente o levará a reagir. Como? É o que todos aguardam.

Os demais candidatos, a começar pelo empresário Simplício Araújo, que tem um bom discurso, parecem formar um time cuja função será mesmo criar as condições para um bom debate ao longo dos próximos 45 dias.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lahesio passa Weverton no voto espontâneo

O empate técnico entre o senador Weverton Rocha e o ex-prefeito Lahesio Bonfim pode ser confirmado por um dado expressivo da pesquisa: a manifestação espontânea dos entrevistados. De acordo com o DataIlha, quando perguntados aleatoriamente em quem votariam se a eleição fosse agora, o resultado foi esse: Carlos Brandão (10,7%), Lahesio Bonfim (9,7%) e Weverton Rocha (5,7%). Ou seja, o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes obteve quase o dobro das intenções de voto dadas ao senador. Isso quer dizer que a ameaça é real e pode ser consumada, ou repelida, durante a campanha. Ao mesmo tempo, o empate de Lahesio Bonfim com o governador Carlos Brandão, quesito deve acender luz amarela no QG de campanha do chefe do Executivo.

 

Brandão fará caminhada hoje em Imperatriz, onde Weverton lidera

O governador Carlos Brandão (PSB) desembarca hoje à tarde em Imperatriz, segundo maior e mais importante colégio eleitoral do Maranhão. Ali, juntamente com o ex-governador Flávio Dino (PSB), candidato ao Senado, liderará uma caminhada no centro da cidade, intensificando a velha e boa prática do “corpo-a-corpo” com o eleitorado. Como é sabido, Imperatriz é terra-natal do senador Weverton Rocha (PDT), que lidera as pesquisas de intenção de voto. O movimento do governador tem exatamente o objetivo de reverter essa situação, com o apoio do ex-governador Flávio Dino, que muito fez pela metrópole tocantina. À frente da organização está o chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira (PSDB), que conhece como poucos o coração e a mente dos habitantes da antiga Vila do Frei.

São Luís, 16 de Agosto de 2022.

 

Candidatos aos Leões largam amanhã na campanha oficial em cenário liderado por Brandão 

 

Carlos Brandão, Weverton Rocha, Lahesio Bonfim, Edivaldo Holanda Jr., Enilton Rodrigues, Simplício Araújo, Hertz Dias, Joás Moraes e Frankle Costa são os candidatos ao Governo do Maranhão que iniciarão campanha nesta terça-feira

A corrida eleitoral entra na sua fase decisiva, a campanha eleitoral propriamente dita, amanhã, terça-feira, dia 16. Serão 45 dias nos quais os candidatos ao Palácio dos Leões apresentarão ao eleitorado os seus programas de governo, com ou sem relação com os candidatos a presidente da República, e tendo ou não candidatos ao Senado, mas contando com o suporte de chapas às 42 cadeiras da Assembleia Legislativa e às 18 da Câmara Federal. Como é previsível e esperado, os candidatos a governador tentarão mostrar que são melhores do que os seus concorrentes. Até aqui, a disputa pelo Palácio dos Leões se desenrolou mais efetivamente no campo político, com a montagem das chapas e das alianças, movimentos que desaguaram nas convenções partidárias, que validaram as candidaturas majoritárias e proporcionais. Em meio a esses movimentos de pré-campanha, cerca de duas dezenas de pesquisas revelaram as inclinações do eleitorado em relação aos candidatos a governador, por exemplo. A última, do instituto Econométrica, mostrou o governador Carlos Brandão (PSB) liderando com alguma folga, seguido pelos demais candidatos na seguinte ordem: Weverton Rocha (PDT), Lahesio Bonfim (PSC), Edivaldo Holanda Jr. (PSD), Simplício Araújo (SD), Enilton Rodrigues (PSOL), Hertz Dias (PSTU), Joás Moraes (DC) e Frankle Costa (PCB) – os dois últimos não têm ainda posição no ranking.

Com base nas oportunas sabatinas e entrevistas que os órgãos do Sistema Mirante realizaram com os candidatos ao Governo, o governador Carlos Brandão, que busca a reeleição, mesmo tendo perdido um mês e meio de pré-campanha, por conta de uma cirurgia nos rins, chega ao início da campanha como o mais bem situado no eleitorado e com um discurso de maior densidade, principalmente no que diz respeito a propostas de governo. E a explicação é simples: o governador apresenta como eixo do seu projeto a manutenção, ajustes e ampliação os programas sociais, que formam a espinha dorsal dos sete anos e meio do Governo comandado pelo governador Flávio Dino (PSB), de quem foi vice atuante. Na entrevista e na sabatina da semana passada, ele foi de longe o candidato com o discurso mais consistente, também porque acrescentou alguns compromissos, principalmente no campo econômico. Vai para a reta final liderando a coligação “O Maranhão não pode parar” apoiado por uma dezena de partidos, o que lhe dará inclusive mais tempo de rádio e de TV. Lidera a base de apoio da campanha do petista Lula da Silva no estado.

O senador Weverton Rocha chega à reta decisiva como o candidato que mais se movimentou na busca do apoio do eleitorado, realizando uma pré-campanha sem precedentes nas corridas aos Leões, mas sem conseguir sair da posição inicial, sendo ultrapassado por Carlos Brandão e agora ameaçado por Lahesio Bonfim. O candidato do PDT iniciou a fase prévia com slogan definido (Por um Maranhão mais feliz) e uma estrutura gigantesca, deixando claro que não tinha tempo a perder. Até agora, seu discurso se sustenta em promessas de criação de emprego e renda, usando sua própria história de bem-sucedido de origem humilde como referência. Foi o que aconteceu na sabatina e entrevistas da semana passada, nas quais nada disse de essencial e de novo em relação ao que fazer se chegar lá.  Sabe que atacar o Governo Flávio Dino é faca de dois gumes afiadíssima e provavelmente embalará sua campanha com um discurso forte e personalista. A começar pelo fato de que não deixou seu partido lançar candidato a senador. Lidera, junto com o senador Roberto Rocha (PTB) e o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), as forças bolsonaristas no estado.

O ex-prefeito de São Pedro dos Crentes e candidato do PSC Lahesio Bonfim – cujo partido não lançou candidato a senador – vem tentando convencer o eleitorado de que duas décadas de medicina básica e 52 meses de gestão num município de quatro mil habitantes, tudo isso “doirado” num discurso de viés populista, o credenciam a governar o Maranhão. Durante a sabatina e as entrevistas, não apresentou uma só proposta original, limitando-se a criticar o Governo superficialmente. Suas investidas, principalmente em São Luís, o colocaram no campo dos que estão disputando os Leões para valer. Integra a base do bolsonarismo no Maranhão. No mesmo campo, um pouco mais distante do epicentro da disputa, o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. chega à pré-campanha sem candidato a senador e com um discurso vago em matéria de propostas. Aos órgãos do Sistema Mirante que o entrevistaram, ele bateu com insistência na tecla do “trabalho”, buscando, sem sucesso, densidade no resultado dos oito anos à frente de São Luís, procurando soluções para problemas relacionados com 1,2 milhão de habitantes. Colocado na quarta posição, segundo a última pesquisa, tentará virar o jogo na campanha que começa nesta terça-feira. Não tem até aqui candidato a senador nem a presidente.

Na sequência encontram-se cinco candidatos que tentarão sair da faixa inicial. Simplício Araújo se mantém na disputa com um forte discurso desenvolvimentista, que deverá incrementar na campanha, na qual, muitos acreditam que ele teria mais chances se concorresse à Câmara Federal – vota com Flávio Dino para o Senado e apoia o petista Lula da Silva. Enilton Rodrigues, Hertz Dias e Frankle Costa, que em princípio não têm a menor chance nessa disputa, farão campanha com viés fortemente ideológico, como sinalizaram claramente em todas as suas manifestações até aqui. Também nesse time aparece Joás Moraes, professor universitário, vai para a campanha com discurso denso e de centro, como mostrou de maneira surpreendente nas entrevistas ao Sistema Mirante.

É, como muitos dizem, a hora do tudo ou nada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Senado: Dino inicia campanha como franco favorito na disputa com Rocha

Flávio Dino  e Roberto Rocha polarizam a disputa para o Senado

Tida como tão importante quanto a dos candidatos a governador, a disputa para a única vaga no Senado, que neste ano renova apenas um 1/3 das suas 81 cadeiras, coloca frente a frente o ex-governador Flávio Dino (PSB) e o senador Roberto Rocha (PTB), eleito em 2014 com o apoio decisivo do hoje adversário. Linha de frente no apoio à candidatura do ex-presidente Lula da Silva (PT), Flávio Dino, que migrou do PCdoB para o PSB, vai para a campanha oficial como uma das mais duras e importantes na oposição ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Roberto Rocha, por sua vez tenta renovar o mandato, que conseguiu filiado ao PSB, agora como porta-voz assumido do bolsonarismo e membro do PTB, hoje o mais extremado braço da direita radical que dá sustentação ao presidente Jair Bolsonaro. Além dos dois, disputam o Senado o servidor federal Saulo Arcangeli (PSTU) e a professora universitária Antônia Coriongo (PSOL).

As duas dezenas de pesquisas feitas até aqui apontaram a liderança disparada do ex-governador Flávio Dino, com uma vantagem média superior a 25 pontos percentuais sobre o senador Roberto Rocha. E a explicação para essas posições está no fato de que Flávio Dino encerrou um Governo de sete anos e três meses vitorioso nas áreas de educação, saúde – especialmente na luta contra o novo coronavírus -, infraestrutura e segurança pública, para destacar apenas as áreas de ponta, além de uma política fiscal rigorosa e eficiente, além de ser considerado o Governo estadual mais transparente do País. Nos bastidores da política é corrente a especulação segundo a qual, se for eleito, como está prenunciado, e na hipótese da eleição de Lula da Silva, Flávio Dino terá papel importante na formação da base política do governo, com possibilidade concreta de fazer parte do ministério.

O senador Roberto Rocha vai para a campanha oficial embalado pelas alianças bolsonaristas e motivado por um discurso desenvolvimentista, que se sustentas em dois pilares: os recursos de emendas parlamentares e a implantação de uma Zona de Processamento e Exportação do Maranhão, já há muito conhecida como Zema, cujo projeto está encalhado e bombardeado no Senado por lobbies poderosos encabeçados pelos representantes da Zona Franca de Manaus. Roberto Rocha está alinhado à candidatura do senador Weverton Rocha, que rompeu com Flávio Dino por não ter sido o escolhido para sucedê-lo, tendo também o apoio de Lahesio Bonfim, e ainda do PSD, mas sem o aval do candidato do partido ao Governo, Edivaldo Holanda Jr.. Pelo menos até aqui não há qualquer elemento, fato ou situação que preveja sua reeleição.

A campanha que começa amanhã pode consolidar ou alterar o quadro do momento, inteiramente favorável ao ex-governador Flávio Dino.

 

Campanha poderá confirmar ou inverter tendência em relação à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal

A campanha que começa neste 16 de Agosto será também decisiva para as disputas para as Assembleia Legislativa e para a Câmara Federal. Até agora, todas as especulações e avaliações feitas por políticos experientes indicam que, grosso modo, a eleição renovará o plenário da Assembleia Legislativa entre 50% e 60%, o que é mais ou menos o resultado das últimas eleições. Já em relação à bancada maranhense na Câmara Federal, a expectativa é a de que será a mais dura de todas as eleições com a entrada na ex-governadora Roseana Sarney (MDB) e do deputado estadual Duarte Jr. (PSB) na disputa. A campanha poderá confirmar ou inverter essa tendência.

São Luís, 15 de Agosto de 2022.

ESPECIAL: “Província, o pó dos pósteros”, uma visão densa e diferenciada da vida cultural de São Luís na rica prosa do poeta Nauro Machado

 

A Praia grande e Nauro Machado às vezes se confundiam, porque um era parte do outro, como mostra “Província”

Muito já se falou e escreveu e muito ainda se falará e escreverá sobre a genial, densa, vasta e desafiadora obra poética de Nauro Machado, já consagrado como poeta de estatura universal e incluído, sem favor, entre os grandes da língua portuguesa, sobretudo pelo pleno domínio da língua. O indiscutível gigantismo do poeta eclipsa quase inteiramente o Nauro Machado prosador, escondendo de muitos um escritor excepcional, articulista de ponta, cronista de escol, dono de uma linguagem rica, culta, reveladora de um absoluto respeito pelo idioma e com um talento superior para traduzir em palavras a realidade à sua volta, em especial a memória da sua existência, como está consagrado no monumental “Província, o pó dos pósteros”, publicado em 2012, três anos antes da sua partida em 2015. O livro reúne mais de uma centena de artigos publicados ao longo de três décadas na imprensa de São Luís (O Estado do Maranhão, O Imparcial e Jornal Pequeno), além de alguns prefácios, orelhas e resenhas literárias. Os textos, além de terem o próprio poeta como epicentro e São Luís como o seu universo, formam um registro amplo e precioso da vida cultural da cidade, especialmente no campo poético, ao longo de seis décadas – dos anos 1950 aos anos 2010 -, período que coincide com a existência ativa do próprio autor.

“Província” é um atestado de que, contrariando os teóricos da comunicação fácil e medíocre, o Nauro Machado prosador não faz concessões no uso na língua portuguesa. Ele prefere a norma culta, sem modismos, começando pelo uso amplo do nosso rico acervo vocabular e das regras verbais, por exemplo. Por causa da sua riqueza idiomática, a prosa de Nauro Machado parece às vezes rebuscada, como muitos veem sua poesia, mas a verdade é que nela está o uso correto das palavras, a precisão dos seus significados – quem ousa nos dias atuais usar palavras como primevo, algures, avoengo, álgida, palustre, soez, crístico, ditirâmbico e deambulação? O livro mostra que, quando lido com atenção, o texto de Nauro Machado, além do excepcional conteúdo informativo e da sua honesta e franca impressão sobre fatos e pessoas, ganha a forma de um manancial de palavras que traduzem as situações descritas com a mais absoluta abrangência. Ou seja, às vezes com aparência gongórica e até arrogante, a prosa de Nauro Machado se comporta, na verdade, como guardiã do resultado de um hercúleo e saudável esforço para preservar a integridade da língua-mãe. E mais ainda: em meio a frases duras, cortantes e implacáveis, mas cuidadosamente elaboradas, surgem manifestações que são pura poesia num ambiente textual em que raramente faz, por exemplo, concessão ao humor.

Escritas dentro das mais severas regras da língua, e sem dar qualquer espaço à mediocridade, as mais de quatrocentas páginas de “Província” guardam dois tesouros. O primeiro é o registro do que aconteceu de essencial – poesia, artes plásticas, teatro e cinema – em mais de meio século na cultura do Maranhão, com eventuais traços de crônica política. O segundo é como o poeta Nauro Machado, com sua boêmia, seu desprezo pelo formalismo castrador, seus momentos de inferno e de paraíso, conviveu com aquela realidade – concursos literários, academia, lançamentos -, começando pela cidade de São Luís, sua musa, seu universo, onde conviveu com anjos e demônios.

Nas páginas de “Província”, o prosador Nauro Machado se define como poeta por paixão, profissão e razão de viver. E fala de poesia com a profundidade de um filósofo, a severidade de um crítico, a habilidade de um artesão, a precisão de um cientista e o conhecimento de um filólogo. Tanto que em seus artigos não trata de nada relacionado com a prosa. Já em relação à poesia, revela uma ampla e notável cultura poética, expressando-se com pleno domínio crítico e com espantosa intimidade, por exemplo, sobre a poesia dos conterrâneos Bandeira Tribuzi, Lago Burnet, Odilo Costa, filho, Ferreira Gullar, Luiz Augusto Cassas, Manoel Caetano Bandeira de Mello, José Chagas, Déo Silva, Chagas Val, de nacionais como Manoel Bandeira, Carlos Drumond de Andrade, Moacir Félix, e de universais como Fernando Pessoa, Marlamé, Rimbaud, Rilke, Garcia Lorca, Pound, Pablo Neruda e César Vellejo, e por aí vai.

Em “Província”, movido pelo sentimento e a sensibilidade do poeta e o talento de prosador, Nauro Machado resgata personalidades literárias, artísticas e culturais fora da curva no seu tempo. É o caso, por exemplo, do respeitado jornalista, poeta e escritor Bernardo Almeida, com quem teve uma relação de irmão e a quem dedica dois artigos definitivos. Traça perfis honestos e emocionados do artista plástico e amigo de farra Antônio Almeida, do poeta e jornalista Odylo Costa, filho, revelando que ele foi injustiçado por alguns dos seus contemporâneos, e de Nagy Lajos, um artista plástico húngaro fugido do nazismo e que transformou São Luís em seu refúgio, dividindo com os que o acolheram conhecimentos reunidos como artista de vanguarda na sua terra. Lembra o icônico professor Rubem Almeida, um dos mais respeitados intelectuais da história recente do Maranhão. Registra sua convivência de altos e baixos com Bandeira Tribuzi, um poeta genial e um dos mais importantes ícones da poesia maranhense. Da mesma maneira como relata a existência e a obra do jornalista, poeta e escritor Viégas Neto, do célebre poeta caxiense Déo Silva, um dos seus parceiros de verso e de farra, do poeta Murilo Ferreira, livre pensador e orador genial, e do poeta e companheiro de odisseias etílicas José Maria Nascimento. Na esteira dos registros dos seus entes de convivência cultural, Nauro Machado coloca no seu panteon personalidades elevadas como os pintores Péricles Rocha, dono de uma obra monumental ainda em andamento, e Maia Ramos, que usou as cores numa perspectiva muito além do comum. E se posiciona ao lado de José Sarney, a quem respeita como intelectual e admira como político, dedicando também largo espaço ao padre, médico e escritor João Mohana, uma das mais emblemáticas personalidades da sua geração, e um registro justo ao poeta e agitador cultural Valdelino Cécio, dentre outros.

Além da cultura poética e do profundo interesse por artes plásticas, Nauro Machado registra em “Província” a sua relação extremada, em todos os aspectos e sentidos, com São Luís, o seu mundo. Na crônica “Velhas ruas”, por exemplo, ele relata suas caminhadas noturnas pelo centro da cidade: “É um prazer supremo, se o julgarmos pela lógica hierarquizante a abrir-se sempre no conhecimento do mais alto – o que nos leva ao maior Bem -, andar depois das sete horas (da noite) pelas ruas de São Luís”. Nas suas contemplações, num beco ou na beira-mar, e nos dados efervescentes da sua memória, o poeta relata em prosa, com roupagem suavemente fantasmagórica, a passagem, dos bondes de São Luís: “Eles vinham descendo pelas ruas do Sol, da Paz, da Praia grande, bimbilhando álacres e soltos como balões coloridos pelas pandorgas da infância (…), e dos seus passageiros sentados com ternos esplêndidos, exibindo o linho ou o tropical domingueiro e sem pompas fúnebres”. E avança para o universo rico e tumultuado dos bares, onde também procurou, ao longo da sua existência, as respostas para interrogações, dores e angústias que atormentam o homem e o poeta.

Na sua prosa, Nauro Machado também navega pelas águas turbulentas da polêmica, como a em que demoliu, um a um, os argumentos da pregação skineana sobre o campo do conhecimento feita pelo jornalista e pensador cartesiano Arimatéia Athayde, que cometeu a imperdoável heresia de dizer que “qualquer um aprende a fazer poesia”. Nesse campo, o poeta teve também de enfrentar, oponentes implacáveis como Carlos Cunha. E provavelmente a mais dura e rica de todas: o duelo ácido, mas genial, sobre a base crítica da poesia moderna, travado com o jovem poeta, jornalista e crítico Roberto Kenard, um dos intelectuais mais densos da sua geração, dentro e além das fronteiras maranhenses. E é pelo viés crítico, às vezes severo, que Nauro Machado registra em “Província” a sua inconformação com “poesia ruim”. Nos altos e baixos da sua convivência com o mundo, Nauro Machado abre a guarda destrincha sua difícil e jamais resolvida relação com a Academia Maranhense de Letras, à qual se candidatou duas vezes – na primeira não foi eleito, e na outra desistiu antes da votação.

No campo estritamente pessoal, Nauro Machado dedica todas as honras à sua família, a começar pela escritora Arlete Nogueira Cruz, esposa, companheira e guardiã da sua obra, e o seu filho, o cineasta Frederico Machado, seus entes mais amados. E não esconde o orgulho que nutre pelos Machado, família que inclui personalidades como o deputado federal Lino Machado e o marechal Hugo da Cunha Machado, que dá nome ao aeroporto de São Luís. Nauro Machado destaca a importância histórica do casarão da família no Largo do Carmo, centro nervoso de São Luís, que foi transformado em QG das oposições durante a célebre Greve de 51, e de onde sua mãe, Maria de Lourdes, sairia para fazer história como a primeira mulher vereadora de São Luís.

Em outro viés cultural, o poeta Nauro Machado revela uma intensa paixão pelo cinema, demonstrando surpreendente conhecimento sobre direção, fotografia, roteiro e, claro, desempenho de elenco. Manifesta visão crítica sobre filmes clássicos e expõe a consciência de que foi essa relação que levou seu filho, Frederico Machado, a enveredar pelo universo cinematográfico, eternizando o pai em surpreendente, chocante e honesto documentário sobre seu “inferno”. Alguns artigos mostram também a relação íntima do poeta com o teatro e com a música, destacando-se o registro sobre o compositor Chico Maranhão, seu amigo. Em outros artigos, Nauro Machado mostra as agruras de um poeta para sobreviver como cidadão.

Publicado em 2012, “Província” é, da primeira à última página, um livro superlativo sob todos os aspectos. O autor é um dos gigantes da poesia de língua portuguesa, a cidade em que se situa é hoje patrimônio cultural da Humanidade, a temática dominante é tida por muitos como a mais nobre da cultura em nossa civilização, e as personalidades retratadas estão entre as mais representativas da história cultural do Maranhão em todos os tempos. E como não poderia deixar de ser, o livro tem seu momento supremo: os seis artigos nos quais Nauro Machado, a partir de uma velha e simbólica fotografia, resgata o 1º Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís, realizado em 1956, e seus personagens. A imagem, feita no salão da Câmara de Vareadores, reúne julgadores, sentados – Vera-Cruz Santana, Emmanoel Silva, Clodoaldo Cardoso, José Burnett, Mata Roma, Casemiro Carvalho e Bandeira Tribuzi – e vencedores, em pé – Nauro Machado (poesia), Bernardo Tajra, Fernando Moreira (teatro), Manoel Lopes (poesia, dividido com Nauro Machado), Lago Burnett (jornalismo), Domingos Vieira Filho (cultura) e Cadmo Silva (pintura). Nos textos, Nauro Machado restaura a importância daquele certame naquele momento, que lhe permitiu publicar “Campo sem base”, o primeiro dos seus 43 livros de poemas. Ao reconstruir aquele momento, Nauro Machado vive a dualidade prosador-poeta, à medida que dedica a cada um dos componentes daquela imagem, “amarelecida pelo tempo”, o afago que só um poeta da sua grandeza poderia dedicar.

Os registros que o compõem tornam “Província, o pó dos pósteros” um livro indispensável para quem quer conhecer Nauro Machado além da fronteira e da magia dos seus milhares de sonetos.

Em Tempo: “Província, o pó dos pósteros” abriga também uma densa e definitiva entrevista com Nauro Machado feita pelo crítico e ensaísta Ricardo Leão, uma entrevista sobre a esposa, companheira e guardiã da sua obra Arlete Nogueira Cruz, e uma conversa com o crítico Franklin de Oliveira, além de outros registros, que se completam com a trajetória do poeta em fotografias. Vale registrar também que o prosador Nauro Machado deixou também os ensaios “Tempo ladeado” (1973), “Erasmo dias e noites (1984), “Moinho e lavras de uma água mental” (1988) e “As esferas lineares” (1996).

São Luís, 12 de Agosto de 2022.

Brandão defende o legado de Dino e diz estar pronto para o embate com adversários

 

Carlos Brandão: firmeza e franqueza nas respostas durante entrevista

Se algum candidato a governador estiver apostando que em um debate inibirá o governador Carlos Brandão (PSB) com o discurso fácil de afirmar que o Governo Flávio Dino e o dele próprio agora nada fizeram pela educação, pela saúde, pela segurança alimentar e outras áreas, é bom que fundamente bem a provocação e se arme com argumentos verdadeiros, porque corre o risco de ser desautorizado. O fundamento do alerta está nos 20 minutos da entrevista que ele concedeu ontem ao jornalista Clóvis Cabalau, no telejornal matutino da TV Mirante. No curto espaço de tempo da conversa jornalística, o governador, que não é um ás em retórica, mostrou que sabe onde está e sabe como e onde pretende chegar. Com frases curtas, informações precisas e uma dose forte de franqueza, Carlos Brandão, que busca a reeleição, mostrou-se ciente dos resultados alcançados nos últimos sete anos e meio e de que seu projeto maior é ampliar e consolidar o que foi feito e investir pesado na geração de emprego e renda.

Ao longo da entrevista, quando o tema foi Educação, o governador respondeu, sem pensar duas vezes, que seu programa é continuar a obra realizada pelo governador Flávio Dino (PSB), citando alguns exemplos: mais de 1.500 obras de construção, reforma e ampliação de escolas, 50 Iemas (escolas de formação técnica), 90 escolas de tempo integral já em pleno funcionamento, 50 escolas militares, aumento no número de professores, que recebem o maior salário entre os todos os estados do País, e a implantação da Uema Sul, a única universidade pública criada no Brasil nos últimos cinco anos, e que já é uma referência de qualidade.

Se a provocação do oponente se der no campo da saúde, a recomendação é no sentido de que esteja bem lastreado. Isso porque na entrevista de ontem, em poucas frases objetivas, o governador Carlos Brandão fez um rápido balanço do que foi o Governo Flávio Dino, do qual ele participou efetivamente: 30 novos hospitais espalhados em todo o estado, todos com UTI, que não existiam no interior do Maranhão; 17 policlínicas, cuja essência é fazer saúde preventiva; uma rede de máquinas de hemodiálise que foi ampliada de 24 para 480, instaladas em cidades estratégicas; e o Hospital de Urgência de São Luís, que já está funcionando, mas que chegará a 400 leitos. Isso tudo e mais o status que o Maranhão alcançou como tendo sido o estado que registrou o menor número de mortes por habitantes na guerra contra o novo coronavírus.

Carlos Brandão destacou também na sua entrevista que o Maranhão instalou e mantém a maior rede de segurança alimentar do País, com a implantação de 150 restaurantes populares, que serão 190 em breve, com refeições ao preço simbólico de R$ 1,00. Para os críticos, ele reagiu fazendo uma conta: “Imagine o que é garantir pelo menos uma boa refeição diariamente para mais de 100 pessoas, a um preço simbólico. Isso não é gasto, isso é um grande investimento”. E revelou que a partir da próxima semana os restaurantes populares servirão também o café da manhã, e aos sábados, uma feijoada.

Lastreado por um currículo que inclui dois mandatos de deputo federal, cinco vezes secretário de Estado, sete anos e dois mandatos de vice-governador, o governador disse que, se eleito, seu próximo governo será de ampliação, ajustes. Ele tem vários investimentos privados engatilhados para o Estado, com o que pretende consolidar o maranhão como gerador de empregos, lembrando que, segundo o Caged, nos últimos três anos o Maranhão foi 1º do Nordeste e 4º do País em geração de emprego. E sinalizou que nos últimos sete anos o estado melhorou em tidas as áreas de atuação do Governo.

Liderando uma aliança com 10 partidos, segundo ele formada à base de diálogo, Carlos Brandão, disse que tem experiência suficiente para governar com todos eles. “Na democracia, se ganha a eleição com partidos e se governa com partidos. A exigência é a de quadros. Não importas o partido, o que importa é que o quadro que ele indica venha para somar. O partido pode indicar, e eu tenho o direito vetar”. Para ele, o importante é

E perguntado sobre se participará de debates, respondeu afirmativamente, sem qualquer traço de preocupação: “O debate é muito importante para se falar a verdade. Eu vou falar a verdade”.

 

PONTO & CONTRAPONTPO

 

Joás surpreende com uma boa visão sobre o Maranhão

Professor Joás: boa visão sobre o Maranhão e seus problemas

Na edição do dia 6 de Agosto, ao registrar a entrada de mais dois nomes no quadro de candidatos a governador – Professor Joás (Democracia Cristã) e Frankle Da Costa (PCB) -, a Coluna anotou que, mesmo, em princípio, sem maiores chances de chegar lá, e sem que seus movimentos tivessem causado alguma reação nos concorrentes, era lícito observar que, juntamente os demais candidatos, eles certamente contribuiriam para ampliar o debate sobre os problemas do Maranhão. O desempenho de Professor Joás, do quadro da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) na sabatina do portal imirante.com, ontem, mostrou que a Coluna acertou em cheio na sua expectativa. Durante uma hora, o candidato do DC demonstrou que tem formação e experiência técnica de alto nível, enriquecidas por um conhecimento ao Maranhão a partir das suas raízes e, mais do que isso, tem informações importantes a respeito da economia e da cultura maranhenses. Pareceu bem informado sobre educação e outras áreas, revelando-se um quadro de excelência. Com respostas precisas e completas para todas as perguntas que lhe foram feitas, e o bordão “Quer fazer diferente? Vem com a gente”, o candidato do DC demonstrou conhecer o Maranhão muito mais e melhor que a maioria dos concorrentes, abrindo caminho para, não sendo eleito governador, o que é mais provável nesse contexto, fica credenciado como promessa de um bom conselheiro estatal.

 

Por articulação de Othelino Neto, Fernando Pessoa declara apoio a Flávio Dino

Ana Paula, Othelino Neto, Flávio Dino e Fernando Pessoa: apoio articulado

Muita gente foi tomada de surpresa com a declaração de apoio do prefeito de Tuntum, Fernando Pessoa (PDT), à candidatura do ex-governador Flávio Dino (PSB) ao Senado. Na verdade, esse apoia já vinha sendo esperado há algum tempo, a começar pelo fato de que Fernando Pessoa, que integra a base de prefeitos da candidatura do senador Weverton Rocha ao Senado, não fora categórico em relação ao senador Roberto Rocha (PTB). Ele sempre teve boa relação com Flávio Dino, mas, além do fato de ser pedetista seu distanciamento da aliança liderada pelo ex-governador tinha como causa a presença do ex-prefeito Cleomar Tema (PSB), linha de frente entre os apoiadores da chapa Carlos Brandão/Flávio Dino. A mudança de posição em relação a Flávio Dino se deu com a articulação feita pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), coordenador político da campanha do ex-governador ao Senado. É a mesma situação do prefeito de Balsas, Éric Silva (PDT), que teve uma boa relação administrativa com o Governo Flávio Dino e não gosta do senador Roberto Rocha, decidindo apoiar Weverton Rocha (PDT) ao Governo e o ex-governador Flávio Dino ao Senado. Ao articular o apoio do prefeito tuntunense a Flávio Dino, o deputado Othelino Neto mata dois coelhos com uma só cajadada: aumenta o seu cacife como articulador e ampliar as chances da sua mulher, Ana Paula Lobato (PCdoB), atual vice-prefeita de Tuntum, de se tornar primeira suplente de senador e, consumando a eleição, assumir eventualmente o mandato senatorial.

São Luís, 11 de Agosto de 2022.

Sabatina: Com discurso forte contra a corrupção, Lahesio acha que vence eleição

 

Lahesio Bonfim: discurso duro contra a corrupção

A corrupção é a grande responsável pelos problemas de infraestrutura que o Maranhão enfrenta. A afirmação é do candidato do PSC ao Governo do Estado Lahesio Bonfim. O assunto foi o eixo de boa parte das declarações sobre esporte, saúde, infraestrutura e cultura que ele deu ontem durante a sabatina a que foi submetido no portal imirante.com. O candidato do PSC foi enfático ao afirmar, em diferentes momentos da sabatina, que o Maranhão não tem grandes obras porque o dinheiro foi levado pela corrupção. E prometeu: “Vou ser o governador que vai combater a corrupção como ninguém jamais combateu no Maranhão”. O candidato do PSC não fez acusação dirigida e pontual contra ninguém, mas deixou no ar a impressão de que envolveu todos os governos recentes nas suas declarações. No mais, discorreu sobre os temas sorteados com alguma segurança, tendo, na condição de médico e ex-prefeito, mostrado conhecimento na área de saúde e feito duras críticas ao ex-governador.  Sobre a corrida eleitoral, Lahesio Bonfim disse que “se houver” segundo turno, ele será um na disputa.

Lahesio Bonfim foi o segundo entrevistado da série. Durante uma hora, ele respondeu cada uma das questões que lhe foram colocadas, aproveitando o contexto das respostas para disparar torpedos poderosos na direção dos seus adversários. Ele bateu forte na política de saúde do Governo Flávio Dino, afirmou quer a malha viária do Maranhão, incluindo as rodovias estaduais e federais, “é a pior do País”. Disse que os recursos gastos com o Mais Asfalto nas sedes municiais poderiam servir para ampliar a malha rodoviária estadual, que não está em melhores condições por causa da corrupção. “Eu sei o que estou dizendo”, afirmou, sem, no entanto, fazer uma acusação direta a um governante estadual ou municipal. E fez a mesma avaliação em relação ao Governo Federal. E disse que vai investir em saneamento, por se tratar de uma maneira de evitar gastos com saúde.

O esporte foi o primeiro tema da sabatina, tendo ele afirmado o esporte é o passo inicial para a escolha de tempo integral. E aproveitou para chamar de “populista” e “demagógico” governante – seja municipal, estadual ou federal – que usa o esporte como elemento promocional dos seus governos. Na sua opinião, o esporte não tem sido levado a sério pelos últimos governantes. E quando falou de infraestrutura, apurou o verbo e bateu forte no tema da corrupção, afirmando, entre outras coisas, que “a corrupção tem matado as grandes obras, está matando sonhos”. No seu discurso, o candidato do PSC lembrou a sua condição de prefeito de São Pedro dos Crentes, cuja experiência tornou claro que se não houvesse combate à corrupção não poderia haver obras. Apontou o dedo para si próprio para afirmar que “se não houver combate à corrupção não haverá obra”.

Durante a sabatina, o candidato do PSC sinalizou com clareza que não será páreo fácil, por exemplo, nos debates. E mais: passou a impressão de que está convencido de que sua candidatura não é uma aventura qualquer, ao contrário, ela é fruto da sua “capacidade de sonhar”. Ele disse que está preparado para governar o Maranhão e que, se eleito for, realizará um governo inovador, buscando inclusive amparo nas malhas da tecnologia, inclusive no sistema estadual de saúde. Ele criticou o fato de o Maranhão ter apenas 13% dos seus domicílios com saneamento, o que é um grande problema.

Lahesio Bonfim disse estar convencido de que sairá das urnas como o candidato mais votado entre os que disputaram o Governo do Maranhão.  E num claro esforço de marketing, para consolidar suas posições, se dirigiu à câmera do portal Imirante, para afirmar: “O Lahesio é uma realidade. Vocês acabaram de assistir o próximo governador do Maranhão”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edivaldo Jr. avalia que vai virar o jogo e disputar o segundo turno com Brandão

Edivaldo Jr.

O candidato do PSD a governador, Edivaldo Holanda Jr., tem dito aos seus apoiadores mais próximo de que está convencido de que pode virar o jogo e chegar no segundo turno. Na sua avaliação, Weverton Rocha, candidato do PDT, não vai deslanchar, devendo ocorrer o mesmo com Lahesio Bonfim, do PSC. Por esse desenho, o ex-prefeito de São Luís deve disputar o Palácio dos Leões com o governador Carlos Brandão (PSB). O problema desse roteiro é que, dos quatro candidatos com viabilidade, ele é o que tem posição mais frágil, segundo as dez pesquisas mais recentes. Até aqui, sua melhor posição numa pesquisa foi o segundo lugar num levantamento em que a Econométrica investigou as tendências do eleitorado de São Luís. No plano estadual, o máximo que conseguiu foi alternar o terceiro lugar com Lahesio Bonfim.

 

Aliados de Bolsonaro apostam que Auxílio Brasil turbinará sua candidatura no estado

Auxílio Brasil é aposta de Jair Bolsonaro contra Lula

Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) apostam alto que o início do pagamento, hoje, do Auxílio Brasil no valor de R$ 600,00, que encabeça o “pacote de bondades efêmeras”, vai melhorar a posição eleitoral dele no estado, ainda que não o suficiente para colocá-lo na liderança das intenções de voto. No contraponto, apoiadores do ex-presidente Lula da Silva (PT) calculam que, se houver influência, ela causará uma alteração leve, sem gás suficiente para catapultá-lo para a liderança da corrida presidencial no estado.

São Luís, 10 de Agosto de 2022.

Sabatina: Weverton divaga sobre cultura, saúde e educação, critica Brandão e diz que está preparado

 

Weverton Rocha garante que está preparado para ser governador do Maranhão

“Estou preparado”, “Conheço os 217 municípios”, “Se estou liderando a Frente Ampla (de Oposição) é porque tenho capacidade”, “Tenho coragem de virar a chave”, “Não sou marionete de ninguém”. Tais afirmações são do senador Weverton Rocha (PDT), feitas ontem na condição de primeiro candidato ao Palácio dos Leões a ser sabatinado na programação do portal Imirante, iniciada ontem. Ao longo de 1 hora, tempo em que discorreu sobre quatro – cultura, saúde, administração e educação – dos dez temas colocados para sorteio, o candidato do PDT fez um esforçado malabarismo verbal para mostrar o seu preparo e divagar sobre o seu projeto de ser o grande opositor do ex-governador Flávio Dino (PSB), ao fazer críticas pouco consistentes ao seu governo e à continuidade comandada pelo governador Carlos Brandão (PSB), seu principal adversário na corrida às urnas. Em meio a respostas e explicações, Weverton Rocha declarou uma única vez, sem nenhuma ênfase, que “faço oposição ao presidente Jair Bolsonaro” (PL), sem ter feito qualquer menção crítica ao governo dele. Além disso, defendeu o chamado “orçamento secreto”, garantindo ser algo “normal”.

Ao iniciar sua abordagem sobre cultura, ele revelou que está inspirado no conceito de “maranhensidade” (formulado no Governo Jackson Lago (2007/2009) pelo poeta e compositor Joãozinho Ribeiro), sem, no entanto, deixar clara sua interpretação sobre tal identidade cultural. No mais, divagou sobre as diferenças culturais e regionais do Maranhão, argumentando que a cultura maranhense “vai muito além de São Luís”. Ao mesmo tempo, defendeu a necessidade de uma política em que a cultura esteja associada ao turismo, falando também de ações incentivando a produção audiovisual da cultura maranhense, mas sem oferecer argumentos que dessem sentido mais visível ao seu ideário cultural. Também falou muito em “diálogo” e na formação de “conselho”, para não tomar decisões sozinho.

Quando falou de saúde, fez de conta que o Maranhão é um estado sem uma política eficiente para a área. Suas respostas surpreenderam, à medida que nelas ele omitiu ostensivamente os grandes investimentos feitos no Governo Flávio Dino na área de saúde, também fazendo questão de ignorar que, por conta dessas ações, o Maranhão foi o estado que proporcionalmente registrou o menor número de óbitos na guerra contra o novo coronavírus. Para ele, o modelo de saúde é o Hospital do Amor, um centro de diagnóstico de câncer que conseguiu para Imperatriz e região. Quando perguntado sobre esquemas de corrupção com recursos da saúde em municípios de prefeitos aliados dele, denunciados pela revista Piauí, o senador minimizou a denúncia de desvios em Igarapé Grande, cujo prefeito é Erlânio Xavier (PDT), presidente da Famem e homem forte da sua campanha. Segundo ele, o hospital de Igarapé Grande produz oxigênio e o distribui para municípios da região, driblando a pergunta sobre a denúncia de corrupção.

O candidato do PDT começou sua abordagem sobre educação dizendo-se inspirado nos Cieps feitos pelo governador Leonel Brizola, nos anos 70, no Rio de Janeiro. Prometeu “preparar melhor” o quadro de professores, e criticou os índices de avanços na área no Governo Flávio Dino. Não disse uma palavra sobre a grande revolução educacional daquele Governo, com o programa Escola Digna, não disse uma palavra sobre os avanços na implantação da escola de tempo integral e pareceu desconhecer a existência dos Iemas.

Em ralação à administração pública, senador Weverton Rocha – que só ocupou dois cargos públicos: secretário de Juventude no Governo Jackson Lago e assessor do Ministério do Trabalho na gestão de Carlos Lupi, presidente nacional do PDT -, disse ficar à vontade com o tema por ter formação superior em Administração. Perguntado sobre como, se eleito, cuidará da máquina administrativa diante da escassez financeira agravada pela redução do ICMS dos combustíveis, ele usou a frase mágica usada por todos os candidatos: “Vamos reduzir os custos e gastar melhor”, sem dizer exatamente o que isso significa na prática. Já falando sobre equilíbrio fiscal, ele prometeu “zerar” o ICMS dos produtos da cesta básica.

No campo da política, o senador Weverton Rocha deixou um pouco a modéstia de lado quando se declarou líder da “Frente Ampla de Oposição” e se definiu como municipalista. Classificou de “desonesta” a iniciativa do governador Carlos Brandão ao pedir à Justiça a suspensão do pagamento de uma parcela (R$ 350 milhões) diante da perda de arrecadação do ICMS dos combustíveis. Além disso, criticou a linha de ação política do ex-governador Flávio Dino, demonstrando sua inconformação por não ter sido o escolhido para sucedê-lo.

Em Tempo: O senador Weverton Rocha foi entrevistado pelos bons e experientes jornalistas Carla Lima, âncora do programa, Gilberto Léda e Ronaldo Oliveira.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Lahesio e Rocha fazem de conta que estão afinados

Roberto Rocha e Lahesio Bonfim: fazendo de conta que estão afinados na corrida às urnas

As conversas conciliatórias, bem como as ameaçadoras, ocorridas nos bastidores do PSC com o objetivo de enquadrar o candidato a governador Lahesio Bonfim, de modo a colocá-lo em total alinhamento com o senador Roberto Rocha (PTB), não funcionaram a contento. Fonte com trânsito nas entranhas do PSC relata que Lahesio Bonfim faz de conta que apoia e que, em contrapartida, Roberto Rocha faz o mesmo jogo. Ou seja, quando posam para fotografias dão-se as mãos e abrem largo sorriso. Passado o momento da pose, ambos se despedem e cada um segue seu rumo. A fonte diz que não há manifestação de interesse de um pelo futuro do outro e vice-versa. Eventualmente, quando dividem o mesmo palanque, o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes e o senador fazem o gênero do “eu te apoio e tu me apoias”. Nada mais que isso. A situação ainda não ficou crítica, e provavelmente não ficará, porque a essas alturas do campeonato, tudo o que o presidente do PSC, deputado federal Aloísio Mendes, não quer é uma encrenca séria para resolver durante a campanha.

 

Renovação da Assembleia Legislativa pode chegar à metade

Palácio Manoel Beckman poderá ter renovada metade dos seus atuais inquilinos

Nos cálculos de um observador experiente, que inclusive já exerceu mandato parlamentar, a renovação da Assembleia Legislativa pode alcançar a faixa dos 50%, o que significará a eleição de pelo menos 21 novos deputados. Outras estimativas, para mais e para menos, estão sendo correndo nos bastidores, mas a que prevê a renovação da metade faz mais sentido diante do cenário político em que o Maranhão está situado.

São Luís, 09 de Agosto de 2022.