Com a bancada partidariamente pulverizada, Maranhão deve dar maioria de votos a Rodrigo Maia para presidente da Câmara Federal

 

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Rodrigo Maia esteve em São Luís e garantiu a maioria dos votos dos deputados maranhenses à sua candidatura 

O Maranhão é um dos estados cuja bancada na Câmara Federal está entre as mais pulverizadas em termos partidários, o que dificulta a ação dos candidatos a presidente da Casa – Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Jovair Arantes (PTB-GO) – que na semana passada desembarcaram em São Luís em busca de votos, mas se deram conta de que a conquista de pelo menos uma parte desses sufrágios se dará mesmo é na conversa eleitor a eleitor. Por causa de troca de legenda, decisões judiciais e de afastamentos temporários, a bancada federal sofreu alterações importantes, e por isso os atuais 18 representantes maranhenses estão espalhados em 14 partidos, da seguinte maneira: PMDB (Hildo Rocha e João Marcelo), PDT (Weverton Rocha e Julião Amin), PP (André Fufuca e Waldir Maranhão), PSB (José Reinaldo e Luana Costa), PV (Victor Mendes), PRB (Cléber Verde), PEN (Júnior Marreca), PT (Zé Carlos), PTN (Aluísio Mendes), DEM (Juscelino Filho), PTB (Pedro Fernandes), PR (Davi Filho), PPS (Eliziane Gama) e PCdoB (Rubens Jr.). Em tese, parte desses parlamentares pertence a grupos alinhados ao governador Flávio Dino (PCdoB) e parte ao Grupo Sarney, restando alguns que caminham com os próprios pés, sem maiores vinculações. No balanço das previsões, Rodrigo Maia levará pelo dos 18 deputados maranhenses, restando três para Jovair Arantes.

Esse cenário justificou plenamente, por exemplo, a surpresa de observadores ao fato de que apenas quatro deputados federais participaram a visita do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao ex-presidente José Sarney (PMDB), no seu apartamento, na Península da Ponta D`Areia. Mas com boa vontade, o Grupo Sarney tem atualmente ascendência sobre seis deputados federais: os pemedebistas Hildo Rocha e João Marcelo, o verde Victor Mendes, o democrata Juscelino Filho, o ecologista Júnior Marreca e o trabalhista-nacional Aluísio Mendes. Os dois do PMDB já estavam engatilhados com Rodrigo Maia por força da pressão do Palácio do Planalto, já que ele é escancaradamente o preferido do presidente Michel Temer. O representante do PV também já havia manifestado apoio a Maia por força de decisão partidária. O deputado democrata é do partido de Maia e não havia a menor possibilidade de ele seguir outro caminho. O representante do PTN aqui e ali ensaia rasgos de independência, mas sempre acaba seguindo a orientação de José Sarney, de quem foi ajudante de ordem por quase duas décadas. E Júnior Marreca, voto único do PEN na bancada, foi secretário no Governo passado e sempre segue a orientação de Roseana Sarney. Isso significa dizer que Rodrigo Maia não precisaria vir ao Maranhão para ter esses votos, mas preferiu fazê-lo para evitar tropeços e massagear o ego de José Sarney, ainda muito influente na política brasileira.

Rodrigo Maia também visitou o governador Flávio Dino (PCdoB), primeiro para agradecer o apoio já declarado do partido dele à sua candidatura. A rigor, Dino só tem palavra final sobre o voto do deputado Rubens Jr. seu correligionário partidário. Tem influência sobre cinco votos de partidos alinhados, mas não de maneira taxativa. Isso porque, na condição de líder do partido na Câmara Federal, Weverton Rocha e Julião Amim seguem rigorosamente a orientação da cúpula do PDT, que, pelo menos até aqui, tende a votar em Rodrigo Maia. Os deputados do PSB, José Reinaldo Tavares e Luana Costa, têm plena autonomia, devendo seguir a orientação do partido – no caso de Luana Costa, que assumiu o mandato com a morte do deputado e ex-governado0r João Castelo, há a agravante de que o marido dela, Ribamar Alves (PSB), ex-prefeito de Santa Inês, continua rompido com o Palácio dos Leões por causa dos desdobramentos do escândalo sexual que o levou para a cadeia. Na seara esquerdista, a deputada Eliziane Gama (PPS) está fechada com Rodrigo Maia por conta de decisão partidária, e o mesmo poderá acontecer com o petista Zé Carlos, que deve seguir o norte a ser dado pelo PT, que na sexta-feira parecia flertar com Jovair Arantes, homem de proa do esquema do ex-deputado Eduardo Cunha, e que foi um dos mais agressivos verdugos da presidente Dilma Rousseff (PT) no processo de impeachment. Por força de posicionamento partidário, o petebista Jovair Arantes deve contar com o voto do deputado Pedro Fernandes, que o recebeu no sábado em São Luís.

Nesse contexto, quatro deputados federais por enquanto correm soltos, mas deverão se posicionar de acordo com a orientação dos seus partidos. São eles Fufuca Dantas e Waldir Maranhão, ambos do PP, Davi Alves Filho (PR) e Cléber Verde (PRB). Se o deputado Rogério Rosso (PP-DF), Fufuca Dantas e Waldir Maranhão terão de tocar o sino de acordo com a orientação da cúpula partidária, mas se isso não acontecer, deverão trilhar o caminho dos integrantes do Grupo Sarney e apoiar Rodrigo Maia. Davi Alves Filho e Cléber Verde só vão definir seus votos quando seus partidos baterem martelo por um ou por outro.

Em resumo, mesmo com a pulverização partidária da bancada maranhense, é possível afirmar que por enquanto, Rodrigo Maia 13 votos, sendo seis da seara sarneysista e cinco da oposição, enquanto Jovair Arantes conta apenas com o voto do único representante do PTB na bancada, deputado federal Pedro Fernandes, mas podendo receber o apoio dos deputados que ainda não declararam voto.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Senadores votarão no candidato do PMDB
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João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha deverão votar em Eunício Oliveira para presidente  do Senado

Ao participar da visita do presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia, ao ex-presidente José Sarney, sexta-feira, em São Luís, o senador João Alberto declarou que vai trabalhar dentro do seu partido, o PMDB, para que a bancada pemedebista vote em massa no candidato do DEM, que já preside a Casa em mandato-tampão. E sinalizou que vai também se empenhar ao máximo para a eleição do senador cearense Eunício Oliveira para a presidência do Senado. Com a declaração, João Alberto indicou que ele e o senador Edison Lobão, que também é do PMDB, estão fechados com o candidato do partido. A manifestação de João Alberto não incluiu o senad0r Roberto Rocha no pacote de apoio à candidatura de Eunício Oliveira, mas nos bastidores do Senado é corrente que, a menos que haja uma reviravolta na bancada do PSB, todos os indícios apontam que Roberto Rocha votará com o candidato do PMDB, já que não parece nem um pouco interessado em outra candidatura. Ele só mudará seu voto se a cúpula nacional do PSB impuser uma orientação que leve a bancada socialista votar contra o candidato do PMDB. Até lá, Roberto Rocha caminha para votar com o candidato pemedebista, que, assim, terá os três votos da bancada maranhense.

Eduardo Braide e Wellington do Curso contra Edivaldo Jr.
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Eduardo Braide e Wellington do Curso estão decididos a manter o prefeito Edivaldo Jr. contra a parede

Não há mais nenhuma réstia de dúvida de que os deputados Eduardo Braide (PTN) e Wellington do Curso (PSB) estão decididos a não descer do palanque e, assim, infernizar a vida do prefeito Edivaldo Jr. (PDT) como fiscais implacáveis da sua administração. Braide começou a maratona oposicionista batendo às portas da Justiça para denunciar o que, segundo ele, são provas de que houve irregularidades na campanha do prefeito à reeleição. Além disso, está convencido de que há brechas gigantescas por meio das quais manterá o prefeito e sua equipe na defensiva. Wellington do Curso, por sua vez, não ficou de braços cruzados e parece disposto a intensificar as denúncias e cobranças e críticas ao prefeito, que na sua opinião não deveria ter sido reeleito. Eduardo Braide e Wellington do Curso têm pouca afinidade e, tudo indica, não pretendem trabalhar em parceria, já que os seus interesses nesse campo são conflitantes: querem chegar ao Palácio de la Ravardière em 2020. Até lá, os dois só concordarão num ponto: bombardear impiedosamente a gestão do prefeito Edivaldo Jr., que por sua vez não parece preocupado com as ações dos deputados.

São Luís, 21 de Janeiro de 2017.

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