Arquivos mensais: março 2026

Braide sai e anuncia candidatura aos Leões dizendo que ouviu o Maranhão “da Baixada ao sul e do sertão ao litoral”

Eduardo Braide anuncia candidatura e passa o comando da
Prefeitura de São Luís para a vice-prefeita Esmênia Miranda

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) renunciou ao cargo e anunciou hoje (31/03) sua candidatura à Prefeitura de São Luís. A carta- renúncia foi lida na sessão da Câmara Municipal nesta terça-feira, tendo a vice-prefeita Esmênia Miranda (PSD) assumido o cargo às 16 horas no parlamento municipal. Por mais que fosse um fato esperado, a troca de comando na Prefeitura de São Luís causou forte impacto no tabuleiro da política maranhense, com repercussão direta na corrida ao palácio dos Leões.

Primeiro por ser Eduardo Braide, até aqui, o líder inconteste nas preferências do eleitorado, segundo todas as pesquisas já divulgadas, e depois a sua participação redesenha o cenário da sucessão estadual. E depois, porque sua sucessora, além de mulher, é negra, policial militar e professora, sem qualquer vínculo de origem com as elites políticas de São Luís e do Maranhão.

Eduardo Braide anunciou a sua renúncia para entrar na corrida sucessória um dia depois que o PSD bateu martelo anunciando o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato a presidente da República. Mas o prefeito de preferiu e dirigir aos maranhenses uma mensagem focada na sua decisão “como alguém que carrega a imensa vontade de transformar o Maranhão, assim como transformamos São Luís”.

O vídeo, que começou a circular exatamente às 9 horas desta terça-feira, logo após o envio da carta-renúncia à Câmara Municipal, mostrou um Eduardo Braide entusiasmado, sorridente, exibindo a segurança de quem sabe o que está fazendo e onde quer chegar. Por maior que tenha sido a força política do seu gesto, o prefeito de São Luís não fez qualquer referência ao jogo pesado em que vem se dando os primeiros momentos da corrida ao Palácio dos Leões. Ele preferiu falar de gestão, de mudanças, de possibilidades e da disposição que o move para chegar ao comando ao Palácio dos Leões.

Em relação ao confronto do qual vai participar, e que na expectativa geral será duro e difícil, Eduardo Braide disparou uma estocada no ar, sem dar a ela qualquer direção: “Nós não temos a máquina. Nós não temos o dinheiro. Mas temos algo muito maior: a força do povo. Foi essa força que transformou São Luís e será essa força que vai transformar o Maranhão”.

E nesse sentido, o prefeito de São Luís deixou claro que pensou bastante, como é seu feitio, medindo e pesando cada aspecto da questão. E deixou isso claro as considerações iniciais da sua fala: “Hoje eu tomo a decisão mais importante da minha vida: sou pré-candidato a governador do Maranho. Não será uma candidatura de um homem só. Será uma candidatura que nasceu do povo. De quem acredita que é possível governar sem medo, sem amarras e sem interesses escondidos”.

Eduardo Braide não atacou adversários nem elogiou possíveis aliados, nem emitiu qualquer sinal em relação a alianças e candidaturas a vice e ao Senado, mas também não disse uma só palavra com tendência ao isolamento. O fato de ter dito que “não será uma candidatura de um homem só”, deixou em aberto que ele já tem alinhavado um projeto de aliança, que pode incluir o grupo dinista concentrado no PSB, e até o vice-governador Felipe Camarão (PT), que abriu essa possibilidade na mensagem no vídeo que divulgou há alguns dias. O fato é que Eduardo Braide deixou claro que o que há de concreto nesse momento é a sua pré-candidato e que o e que a estrutura política e partidária que liderará é assunto para logo mais. Nesse sentido, a fala contém um recado sutil: governar sem amarras.

Com a manifestação do prefeito de São Luís, a corrida ao Governo do Estado tem três pré-candidaturas assumidas e oficializadas, que não mais dependem de acertos internos ou externos para serem consideradas definitivas. Estão no páreo, portanto, o próprio Eduardo Braide pelo PSD, Orleans Brandão pelo MDB e Lahesio Bonfim pelo Novo. A única dúvida diz respeito ao vice-governador Felipe Camarão, que se declara pré-candidato, mas ainda não tem o aval do seu partido, o PT.

A renúncia do prefeito Eduardo Braide repercutiu fortemente na Assembleia Legislativa. Ali, deputados da chamada bancada dinista, de oposição, festejaram o fato político, aproveitando seus discursos para atacar duramente o governador Carlos Brandão (sem partido) e, por via de desdobramento, o seu pré-candidato a governador Orleans Brandão (MDB).

PONTO & CONTRAPONTO

Esmênia assume Prefeitura, faz gesto simbólico de consciência negra e ganha apoio de vereadores

Entre o PGJ Danilo Castro e os vereadores
Aldir Júnior e Paulo Victor, Esmênia
Miranda fez gesto de conquista negra
ao ser empossada na Câmara Municipal

São Luís deu hoje mais um passo na sua trajetória de cidade política e culturalmente diferenciada com a posse da vice-prefeita Esmênia Miranda como prefeita da Capital, que governará pelo período de dois anos e dez meses. Essa assumiu face à renúncia do prefeito Eduardo Braide, que decidiu se candidatar a governador do Estado.

Mulher, negra, policial militar, professora de História, casada, mãe, perfil diferenciado das outras três mulheres que ocuparam o cargo – Lia Varela, Gardênia Castelo e Conceição Andrade – Esmênia Miranda chegou ao topo da política municipal quando foi escolhida pelo então candidato a prefeito Eduardo Braide, em 2020, formando com ele a chapa vencedora e que foi reeleita em 2024.

Só ocupou um cargo na Prefeitura: secretária de Educação, mas preferiu deixa-lo para continuar como vice. Nessa condição, comportou-se como uma parceira política inatacável, pela correção com que desempenhou a sua posição, sendo sempre elogiada pelo prefeito.

Nesse período, Esmênia Miranda dedicou parte do seu tempo acompanhando de perto a gestão bem sucedida do prefeito Eduardo Braide, procurando inteirar-se profundamente sobre a estrutura administrativa, as atribuições e as dificuldades de cada pasta, o programa de obras e a situação financeira e o equilíbrio fiscal da administração municipal. Uma fonte ligada ao prefeito afirmou que ela assume tendo uma noção muito clara do que é a Prefeitura de São Luís e os desafios que estão à sua frente.

Esmênia Miranda também se manteve à margem da luta políticas, sem entrar em confrontos. Tanto que ontem, ao ser empossada, vereadores adversários do prefeito Eduardo Braide, como o presidente da Câmara, Paulo Victor (PSB), garantiu que ela não terá ingerência da Câmara Municipal na sua gestão, enquanto o secretário da Casa, vereador Aldir Júnior (PL), pediu aos seus colegas que deem à prefeita tempo de pelo menos 60 dias para que ela deslanche a sua gestão.

Após a posse na Câmara Municipal, Esmênia recebeu o cargo do já ex-prefeito Eduardo Braide, vem ato simples, no Palácio de la Ravardière.

Liminar do STJ interrompe julgamento de ação contra Camarão no TJ

Felipe Camarão

Medida liminar concedida ontem pelo ministro Geraldo Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), interrompeu o julgamento, pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, de ação que o Ministério Público Estadual pede o afastamento do vice-governador Felipe Camarão (PT) com base numa ação que vem causando forte polêmica nos bastidores do Judiciário e da política do Maranhão.

Com a decisão do STJ, o vice-governador Felipe Camarão continua com todas as prerrogativas que o a condição de vice lhe confere, entre elas a de assumir o Governo do Estado se o governador Carlos Brandão renunciar para disputar uma cadeira no Senado, estando apto a disputar qualquer mandato nas eleições deste ano sem precisar desincompatibilizar-se.

Se a liminar, pedida em habeas corpus, não tivesse sido concedida e o Tribunal de Justiça acatasse o pedido de afastamento do vice-governador na sessão desta quarta-feira, Felipe Camarão perderia o direito de assumir o Governo do Estado.

Com o afastamento de Felipe Camarão, a condição de vice-governador passaria a ser exercida pela presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (MDB). Tal mudança permitiria que o governador Carlos Brandão renunciasse ao cargo para se candidatar ao Senado, já que passaria o Governo a um aliado.

São Luís, 31 de Março de 2026.

Brandão reafirma que não recua da decisão de ficar no cargo até o final do mandato

Carlos Brandão confirma permanência no cargo até o final do mandato

Sábado (28), às 21 horas:

Repórter Tempo: Governador, o senhor está firme na decisão de ficar no Governo?

Sábado (28), às 23 horas

Carlos Brandão: Com certeza!

É verdade que ainda faltam sete dias para o término do prazo de desincompatibilização, muito tempo, considerando o elevado grau de imprevisibilidade da política, a resposta do governador Carlos Brandão (sem partido) à Coluna sobre sua decisão de se manter no cargo até o final do seu mandato, no dia 31 de dezembro, começa mesmo a ter o sentido de fato consumado. Essa posição é o ponto-chave de todo o processo sucessório para o Governo do Estado, e tem também peso decisivo na corrida às duas vagas no Senado. Se vier a entrar na corrida nos próximos dias, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), será impulsionado pelo seu prestígio político e eleitoral, mostrado nas pesquisas, e com a força da Prefeitura da Capital.

A permanência do governador Carlos Brandão no Governo do Estado durante a campanha eleitoral significará que o candidato mais forte já oficialmente definido, Orleans Brandão (MDB), contará, de fato, com o lastro de uma aliança de 11 partidos e o suporte gigantesco formado pela força e pelo prestígio da atual gestão, ambos concentrados no chefe do Poder Executivo. Fica cada dia mais claro que, atuando como secretário de Assuntos Muncipalistas, cumprindo à risca um plano administrativo e político cuidadosamente arquitetado, Orleans Brandão começou como o Plano B de um projeto político cujo Plano A, que nunca foi da sua simpatia, era a candidatura do governador Carlos Brandão ao Senado numa chapa liderada pelo vice-governador Felipe Camarão (PT), na condição de governador, à reeleição.

Como muitos observadores enxergaram no início, o projeto de candidatura de Orleans Brandão à Câmara Federal foi a senha para ele entrar na ciranda e evoluiu rapidamente, na mesma proporção com que as relações do governador Carlos Brandão com o chamado grupo dinista foi se desgastando. De maneira quase cartesiana, Orleans Brandão chegou ao topo como pré-candidato oficial do MDB e do governador Carlos Brandão no ato de 14 de abril no Multicenter Sebrae, e que deve ser consumado nesta terça-feira (31), quando for exonerado do cargo de secretário de Assuntos Municipalistas, para ganhar a planície, preparando-se para ser confirmado candidato na convenção emedebista de agosto e encarar dois meses de campanha, que muitos preveem dura e ácida, até o dia D da guerra pelo voto.

Além do desafio de eleger o seu sucessor, o governador Carlos Brandão tem diante de si uma tarefa espinhosa para resolver: escolher o nome para à vaga de candidato que seria sua na corrida às duas cadeiras no Senado. No páreo estão o senador Weverton Rocha (PDT), que já parece escolhido para uma delas, e o ministro do Esporte André Fufuca (PP), que se movimenta no grupo, apoia declaradamente o pré-candidato governista Orleans Brandão, mas ainda não foi cravado como o nome do grupo para disputar a outra vaga. No epicentro dessa equação está a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), já apontada por oito entre dez vozes governistas como o trunfo do governador Carlos Brandão para a segunda vaga de candidato ao Senado.

 Se nada acontecer até à meia-noite do próximo domingo, o governador Carlos Brandão continuará como o grande arquiteto e condutor desse projeto. Isso porque, assim como levou três anos para o delinear e alinhavar, terá mais seis meses para leva-lo às urnas. E trabalhando com duas possibilidades, uma sem o prefeito Eduardo Braide na disputa, que pode significar uma vantagem larga para o seu candidato, e outra com o prefeito de São Luís, que representa um risco elevado para o projeto liderado pelo mandatário maranhense.

A firmeza com que o governador Carlos Brandão respondeu à Coluna não deixa dúvida de que nesse exato momento a sua permanência no cargo é decisão sem volta. Mas não há como escapar da às vezes desconcertante imprevisibilidade da política.

PONTO & CONTRAPONTO

Braide mantém silêncio sobre candidatura, mas especulações preveem que ele anunciará renúncia nas próximas horas

Eduardo Braide deve anunciar
renúncia nas próximas horas

São muitas as especulações em relação ao futuro imediato do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD). E a mais insistente é a de que ele estaria se preparando para anunciar, ao longo desta semana, provavelmente nesta terça-feira (31/03), a decisão de renunciar ao mandato para se candidatar ao Governo do Estado. Nesse caso, a renúncia formal poderia acontecer no sábado (04/04).

Vale registrar, pela enésima vez, que o prefeito de São Luís até agora não disse uma só palavra sobre ser ou não ser candidato ao Governo do Estado.

O que tem, de alguma maneira, sugerido que Eduardo Braide alinhava um projeto de brigar para mudar-se, em janeiro de 2027, para o palácio ao lado que já ocupa desde janeiro de 2019, são alguns gestos.

Por exemplo: ele tem aparecido em muitos atos – inaugurações, lançamento de obras, eventos administrativos, etc. – com a vice-prefeita Esmênia Miranda (PSD), causando, ao que parece intencionalmente, a impressão de que se encontra em regime de transferência de poder.

Outro exemplo: Eduardo Braide tem recebido muitos políticos para conversar, a exemplo do deputado Wellington do Curso (sem partido), que o visitou na semana passada no Palácio de la Ravardière, depois de, dias antes, haver recebido o vereador imperatrizense Ricardo Seidel (PL), que lhe entregou um pedido para que se candidate a governador. Mas o que é sabido é que os dois saíram da conversa com a mesma dúvida com que entraram.

Além disso, o deputado Fernando Braide (PSB), seu irmão, tem dado declarações furta-cores que sugerem que o projeto de candidatura estaria em curso, sem que o prefeito faça qualquer gesto desautorizando-o.

Em resumo, apesar do seu silêncio sepulcral, é muito provável – a Coluna aposta até como uma verdade -que ele já contou à primeira-dama Graziella Braide, em primeira mão, que anunciará sua candidatura nas próximas 48 horas.

Roberto Costa cumpre agenda intensa como prefeito de Bacabal, presidente da Famem e articulador no MDB

Roberto Costa prefeito inaugurando escola e participando
do evento de robótica; e o presidente da Famem em reunião
com Daniel Brandão (TCE) e em evento da Saúde.

Quando assumiu a Prefeitura de Bacabal – 110 mil habitantes e muitos problemas a serem vencidos – e logo em seguida a presidência da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) – que congrega os 217 municípios maranhenses -, atraindo para si a complexa tarefa de liderar o municipalismo na sua expressão mais ampla, Roberto Costa se impôs dois desafios. Primeiro o de fazer uma gestão transformadora em Bacabal, um município polo cuja realidade se reflete em mais de uma dezena de municípios da região, e o segundo, dinamizar ao máximo, também inovando e diversificando, a atuação da Famem na assistência aos municípios.

Nas duas últimas semanas, como prefeito de Bacabal e como presidente da Famem, Roberto Costa viveu situações em que se mostra vencendo os dois desafios.

Como prefeito, ele comandou, no dia 16, no campus regional da UFMA, a abertura da FIRA Brasil 2026 e da RoboWorld Cup – American, eventos paralelos, apoiados pela Prefeitura bacabalense que transformaram Bacabal em sede de um grande encontro que reuniu pesquisadores, estudantes e 210 equipes de robótica, com 1.050 competidores de seis estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Goiás, Paraíba e Amapá – e 32 municípios maranhenses. Na mesma semana, liderou outro evento ligado à educação: reinaugurou a Unidade de Ensino Novo Bacabal, que teve ampliado de sete para 11 o número de salas de aula, ganhou sala de informática e outros instrumentos de reforço educativo.

Como presidente da Famem, se desdobrou para cumprir uma agenda na qual teve participação direta e decisiva.

Primeiro ele comandou, no dia 22, uma reunião no Tribunal de Contas do Estado, na qual solicitou e obteve do presidente da corte, conselheiro Daniel Brandão, 60 dias de prazo para que prefeitos realizam ajustes e adequações nas suas prestações de contas. Em seguida, participou intensamente de um evento que reuniu, de 24 a 26/03, em São Luís, o 1º Congresso Internacional de Saúde Coletiva, o 3º Congresso Cuidar de Todos e a 5ª Mostra Científica, promovidos pelo Governo do Estado, ao longo dos quais 34 municípios maranhenses, incluindo Bacabal, foram premiados pelos indicadores que alcançaram na atenção básica de saúde.

Finalmente, o presidente da Famem comunicou ao Maranhão que nada menos que 100 municípios sócios da entidade foram reconhecidos pelo Ministério da Educação com o Selo Ouro de Compromisso com a Alfabetização. A premiação distingue municípios que alcançaram resultados previstos no Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, cujo objetivo maior é garantir a alfabetização plena da criança na idade certa, incluindo nesse resultado a gestão das escolas, a formação dos professores e estratégias para o desenvolvimento da leitura e da escrita. Ao se manifestar sobre a conquista, o presidente Roberto Costa reforçou o avanço da educação municipal como uma das metas prioritárias da Famem.

E como não poderia deixar de ser, Roberto Costa também vem participando, como um dos mais ativos líderes do MDB, das articulações políticas envolvendo a pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado.

São Luís, 29 de Março de 2026.

CPMI do INSS acaba sob fortes críticas, mas seu relatório, no final rejeitado, fez estragos enquanto durou

Edson Araújo, Weverton Rocha e Sarney Filho
foram duramente atingidos
com pedido de indiciamento

Não há qualquer dúvida de que, visto por uma ótica séria, isenta e baseada nas regras em vigor, o desfecho da CPMI do INSS foi patético e, mais do que isso, o seu relatório, que acabou rejeitado pela maioria, vai entrar para a história do Congresso Nacional como uma peça ordinária, mas que causou estragos enquanto durou. Mesmo assim, o circo promovido por congressistas mais preocupados em aparecer do que investigar disparou chumbo grosso em direção ao mundo político do Maranhão, primeiro por haver o relatório rejeitado pedido o indiciamento e a prisão do deputado estadual licenciado Edson Araújo (sem partido), envolvido até o pescoço no esquema investigado; pedido o indiciamento do senador Weverton Rocha (PDT), e também o do ex-deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente Sarney Filho, que atua como consultor nos movimentados e perigosos bastidores de Brasília.

A pancada mais forte da CPMI foi, sem dúvida, no deputado estadual Edson Araújo. Além de indiciado, o relatório rejeitado pediu a prisão preventiva dele, pelo grau do seu envolvimento com o grande esquema. De acordo com investigações da Polícia Federal, Edson Araújo, que fez sua carreira política no setor pesqueiro, controlando dezenas de associações de pescadores nas mais diferentes regiões do estado, movimentou mais de R$ 39 milhões nos últimos três anos, dinheiro que lhe teria sido repassado pelo esquema controlado pelo tal Careca do INSS. As provas contra ele são arrasadoras, tirando-lhe qualquer possibilidade de sair ileso do escândalo. Por conta do seu envolvimento, Edson Araújo foi expulso do PSB, partido pelo qual ele obteve nas urnas cinco mandatos de deputado estadual, e terá encerrada sua carreira política ao final do atual mandato.

Se fez o deputado Edson Araújo antecipar dramaticamente o fim da sua carreira, o relatório rejeitado da CPMI do INSS colocou em risco a continuidade da carreira política do senador Weverton Rocha, a quem impõe a pecha de suspeito de envolvimento na fraude. Por conta de uma relação até agora mal explicada com o famoso Careca do INSS, o chefão do esquema. O pedido de indiciamento, que não valeu, mas aconteceu exatamente no momento em que o senador se desdobra para viabilizar a sua reeleição como candidato apoiado pela frente partidária liderada pelo governador Carlos Brandão (sem partido), com a vantagem de aparecer nas pesquisas como favorito. Momentos depois de tomar conhecimento do pedido do seu indiciamento, o senador Weverton Rocha reagiu divulgando uma nota em que considera descabido o pedido de indiciamento e reafirma que nada tem a ver com o esquema. Viu o relatório ser detonado, mas o estrago foi feito.

O pedido de indiciamento do ex-deputado federal e ex-ministro Sarney Filho teria sido motivado pelo pagamento de alguns milhões de reais que uma empresa sua recebeu de uma empresa entidade envolvida até o talo com a maracutaia. Fora da política formal, Sarney Filho comanda uma empresa que presta consultoria em diferentes áreas, muito comum em Brasília. Seu nome veio à tona em agosto do ano passado, quando, em meio à movimentação da PF desmontando ao esquema, a empresa de Maurício Camisotti, um dos principais chefes do esquema, transferiu R$ 7,5 milhões para a empresa de Sarney Filho. Ele explicou tratar-se de pagamento por consultoria, mas se recusou a explicar o tipo de serviço alegando sigilo contratual. O ex-ministro garante que essa operação nada tem a ver com o esquema do INSS. Suas explicações não foram suficientes para evitar a inclusão do seu nome entre os mais de 200 cujo indiciamento foi pedido pela CPMI do INSS, mas não valeu porque o relatório foi mandado para o arquivo morto.

São três casos ligados pelo mesmo fio, mas com situações diferentes. O deputado Edson Araújo mergulhou em problemas de saúde, não tem mais qualquer chance de voltar à Assembleia Legislativa e pode ter comprometido gravemente a carreira do filho, que de suplente de deputado federal. O senador Weverton Rocha, um político jovem que deu um salto gigantesco, e com poder de fogo para seguir em frente, pode ter sua caminhada dificultada no momento em que está em campanha para renovar o mandado. E o ex-deputado Sarney Filho, dono de uma bem sucedida carreira de oito mandatos de deputado federal e que se tornou mundialmente conhecido como ministro de Meio Ambiente do Brasil, pode ter sua “aposentadoria” tumultuada por uma operação empresarial que precisa ser explicada.

Em Tempo: Vale registrar que como vice-presidente da CPMI do INSS o deputado federal Duarte Júnior (sem partido) teve participação destacada e importante, a ponto de incomodar o presidente e o relator, que fizeram de tudo para escantea-lo. Mas ele não se dobrou e atuou com dignidade.

PONTO & CONTRAPONTO

Decisões de ministros do Supremo divulgadas por jornal paulista vêm tencionando a corrida sucessória

Decisões de Flávio Dino e Alexandre de Moraes acirraram
tensão entre Felipe Camarão e Carlos Brandão

A oito dias do prazo fatal para desincompatibilização de ocupante de cargo público que entrarão na corrida pelo voto no pleito de outubro – presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual -, a disputa pelo Governo do Estado ganhou ontem mais um ingrediente na guerra entre o chamado grupo dinista, representado pelo vice-governador Felipe Camarão (PT), que se declara pré-candidato aos Leões, e o governador Carlos Brandão (sem partido), que lançou e apoia a pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB).

O jornal O Estado de S. Paulo trouxe uma ampla reportagem revelando que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, chamou para si processo sobre o Caso Tech Office, assassinato, à queima roupa, do empresário João Bosco Pereira Oliveira Sobrinho, do ramo de alimentos, por Gibson César Soares Cutrim Júnior, em frente ao prédio do mesmo nome na Ponta D´Areia, em agosto de 2022, em plena campanha eleitoral. O caso teria outro destino se na cena do crime não estivesse o advogado Daniel Brandão, um ano depois nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

A decisão do ministro Flávio Dino é visto por aliados do governador Carlos Brandão como uma reação ao vazamento de uma ação do Ministério Público sobre suposta movimentação financeiras atípicas do vice-governador Felipe Camarão, que corria em segredo de Justiça, e que causou a instalação de uma CPI na Assembleia Legislativa. O vice-governador e seus aliados acusam o Palácio dos Leões de estar por trás do vazamento, que colocou o procurador geral de Justiça, Danilo Castro, numa situação desconfortável.

As duas situações ganharam peso depois que, na semana passada, o mesmo jornal paulista, porta-voz da direita liberal, publicou que o ministro Alexandre de Moraes deve decidir nos próximos dias sobre um pedido, feito pelo Solidariedade em 2024, de afastamento do governador Carlos Brandão, sob a alegação de que ele não teria cumprido determinações do ministro sobre casos de nepotismo, o que o chefe do Executivo nega com veemência.

O fato concreto é que até agora ninguém abriu da sua posição. O governador Carlos Brandão não dá sinais de que voltará atrás da sua decisão de permanecer no Governo, abrindo mão do Senado, e apoiar a candidatura de Orleans Brandão, a menos que o vice-governador renuncie e se candidate a deputado federal. Por sua vez, o vice-governador tem dito que não volta atrás na decisão de ser candidato a governador. As posições garantem a manutenção do clima de tensão que permeia a pré-campanha ao Governo.

Há quem diga que esse ambiente tenso vai continuar depois do dia 5 de abril.

Republicanos dá guinada radical e monta chapa forte para a Assembleia Legislativa

Janaína, Eric Costa, Ana do Gás,
Catulé Júnior, Júnior Cascaria,
Adelmo Soares, Jota Pinto e
Pará Figueiredo integram a
chapa forte do Republicanos

Surpreendente, sob todos os aspectos, a guinada do Republicanos no Maranhão. Sob o controle firme do deputado federal Aluísio Mendes, o partido se transformou numa potência para disputar cadeiras na Assembleia Legislativa, exibindo a pretensão de ocupar pelo menos seis cadeiras no plenário “Nagib Haickel”.

A revoada na direção do Republicanos chamou a atenção em alguns pontos. Primeiro foi a saída de Adelmo Soares e Kekê Teixeira, que deixaram o poderoso MDB. Depois, a deputada Ana do Gás, que para lá correu depois de dois mandatos no PCdoB e emagrecendo o PCdoB. Mais ainda tirando peso do PL ao atrair o suplente, mas exercendo o mandato Pará Figueiredo. E completando, puxou o deputado Eric Rocha do PSD, abrindo mão da força da provável candidatura do prefeito Eduardo Braide. (PSD) ao Governo.

Por conta das diferenças em Caxias, onde não fecha com o grupo Gentil, que controla o PP, o deputado Catulé Júnior também migrou para o Republicanos. E para fechar, a única deputada do partido, Janaína, pode ter ganhado a possibilidade de reeleição com o fortalecimento do partido no plano estadual.

O presidente Aluísio Mendes jogou bem e pode sair das urnas reeleito, continuando em Brasília, e com o seu cacife político reforçado, com peso para ocupar um espaço amplo nas decisões da Assembleia Legislativa de interesse do próximo Governo.

São Luís, 28 de Março de 2026.

Camarão reage a CPI e faz acusações a Brandão; governador ignora e segue na agenda municipalista

Felipe Camarão no vídeo em que denunciou suposto golpe, enquanto
Carlos Brandão, acompanhado de Orleans Brandão, Iracema Vale,
Vinícius Vale e Weverton Rocha, entregava obras em Barreirinhas

A guerra que se trava no Maranhão pelo comando do Estado entrou ontem numa espécie de paroxismo com a reação do vice-governador Felipe Camarão (PT) à instauração, pela Assembleia Legislativa, de uma CPI para investiga-lo por suposta movimentação financeira ilegal constante em ação do Ministério Público estadual, que corria em segredo de Justiça, mas foi vazada. O vice-governador divulgou um vídeo no qual, em tom de contra-ataque e também de desabafo indignado, afirma que o vazamento do documento teria sido ato de “perseguição” do governador Carlos Brandão (sem partido), segundo ele pelo fato de não haver aceitado suposta proposta para que se candidatasse à Câmara Federal. Felipe Camarão informa que o vazamento do documento e os desdobramentos colocaram ele e seus familiares em situação de risco.

O vice-governador diz que o vazamento do documento e a CPI são parte de “um golpe em andamento no Maranhão”, destinado a removê-lo do processo político, apontando o governador Carlos Brandão como responsável por tudo o que lhe está acontecendo. Na sua fala, ele dá conotação totalmente política ao imbróglio, afirmando que tudo foi armado para atingi-lo. E garante que vai se defender e usar todos os caminhos judiciais para provar sua inocência, indo às últimas consequências. E afirma que será candidato a governador, admitindo também a possibilidade de compor com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que está fora da confusão e nem disse ainda se será candidato aos Leões.

Inaugurando obras em Barreirinhas, onde entregou mais de dois mil tablets do programa “Tô Conectado” e mais oito mil para municípios da região dos Lençóis, acompanhado da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB) e do secretário de Assuntos Municipalistas e pré-candidato do MDB ao Governo Orleans Brandão, o governador Carlos Brandão pareceu não estar interessado num embate com o vice-governador Felipe Camarão. Mas através de porta-vozes informais, o Palácio dos Leões mandou uma série de recados, inicialmente negando o envolvimento do Governo no caso, afirmando que o que veio à tona com o vazamento foi investigado pelo Ministério Público. Nada além disso.

A julgar pelas declarações do vice-governador Felipe Camarão, a CPI será contestada na Justiça, o que pode desencadear uma guerra judicial sem precedentes no Maranhão. E mesmo que todas as assinaturas que garantiram a instalação sejam de deputados alinhados ao Governo, o Palácio dos Leões não parece disposto a entrar numa refrega pública, principalmente nesse momento de transição, quando mais de uma dezena de secretários, a começar por Orleans Brandão, estão deixando seus cargos para encarar as urnas em outubro. Isso num clima em que a permanência do governador Carlos Brandão no cargo caminha para se tornar irreversível depois do dia 4 de abril, quando termina o prazo de desincompatibilização. A fala do vice-governador Felipe Camarão pode ter sepultado de vez a possibilidade de um entendimento.

Esse imbróglio ganhou ontem uma perna a mais com a informação, divulgada numa coluna do jornal O Estado de São Paulo, que nos próximos dias o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decidirá sobre um pedido de afastamento do governador Carlos Brandão por suposto não cumprimento de decisão judicial no caso da acusação de nepotismo. Até onde a vista alcança, o governador Carlos Brandão cumpriu todas as determinações do próprio ministro Alexandre de Moraes naquele episódio.

O fato concreto é que, por conta dessa confusão toda, se depender do governador Carlos Brandão, o vice-governador Felipe Camarão não será governador a partir do primeiro minuto do dia 5 de abril, enquanto o atual mandatário não será candidato ao Senado. Felipe Camarão poderá ser candidato a governador pelo PT ou outro partido, mas sem o suporte da máquina, ou pode entrar numa aliança com o prefeito Eduardo Braide e entrar numa disputa de elevado risco para o Senado. Enfim, tudo pode acontecer.   

Não será surpresa se novos desdobramentos dessa guerra vierem à tona nos próximos dias. E durante a CPI, se ela vingar.

PONTO & CONTRAPONTO

Marco: Programa Restaurante Popular alcança 193 municípios com 220 unidades e se consolida como o maior da América Latina

Carlos Brandão entrega 220º Restaurante Popular
em Humberto de Campos acompanhado de Orleans Brandão, Catulé Júnior, Luiz Fernando Silva,
Juscelino Filho e Paulo Casé

Na sua incursão, ontem, na região dos Lençóis, o governador Carlos Brandão (sem partido) marcou um tento que, gostem ou não seus adversários, vai entrar para a história das ações por segurança alimentar no Maranhão e no Brasil: inaugurou em Humberto de Campos o 220º Restaurante Popular. A 219ª unidade foi inaugurada horas antes em Paulino Neves.

Para começar, não há nada parecido em nenhum estado brasileiro, e pelas contas do Governo, o programa maranhense está consolidado em 193 dos 217 municípios, já sendo de longe o maior de um estado na América Latina. E o que é mais importante: o programa alcançará todos os municípios até o final do atual Governo.

A inauguração da unidade de Paulino Neves aconteceu durante o café da manhã. Já o de Humberto de Campos foi entregue durante o almoço, com o chefe do Executivo estadual abrindo a fila.

O programa garante alimentação de qualidade – café, almoço e jantar – ao preço simbólico de R$ 1,00 para almoço ou jantar, e café da manhã por apenas R$ 0,50, totalizando um gasto de apenas R$ 2,50 pelas três refeições do dia. Diariamente, são servidos 250 cafés da manhã, 500 almoços e 250 jantares em cada unidade.
Iniciado no Governo Roseana Sarney, que implantou cerca de 20 unidades, e mantido no Governo Flávio Dino, que chegou a 70, o programa Restaurante Popular ganhou tração definitiva e mais forte no atual Governo, que implantou cerca de 150 unidades, alcançando as atuais 220.

No ano passado, o programa Restaurante Popular serviu 43,2 milhões de refeições.

Brandão reuniu Conselho e secretários que vão encarar as urnas se despediram

Na última quarta-feira, o governador Carlos Brandão reuniu o Conselho de Gestão, formado por secretários de Estado. Durante a reunião, cada um dos que estão se despedindo para encarar as urnas teve direito a cinco minutos para se despedir.

Cada um a seu modo se manifestou sobre o mesmo foco: sua participação num projeto de Governo com bons resultados e bons níveis de aprovação. O chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira (MDB), que está em São Paulo, e o chefe da Representação do Maranhão em Brasília, Washington Oliveira (PT), se manifestaram por vídeo conferência.

Todos agradeceram ao governador Carlos Brandão pela oportunidade de haver participado do Governo, fizeram relatos do que conseguiram nas suas áreas de atuação.

O governador Carlos Brandão agradeceu a participação de todos no seu Governo, destacando que os bons resultados da gestão se deveu à soma do trabalho de cada um.

Informação a ser confirmada dá conta de que eles permanecerão no cargo até o dia 31, terça-feira, quando seus atos de exoneração serão publicados no Diário Oficial.

São Luís, 27 de Março de 2026.

Se for instalada, CPI contra Felipe Camarão pode desgasta-lo, mas pode ter também desfecho imprevisível

Felipe Camarão pode
se defender atirando

Uma escalada na guerra política na qual o vice-governador Felipe Camarão, candidato a candidato do PT ao Governo do Estado, está no epicentro do campo de batalhas por conta de uma acusação, feita pelo procurador geral de Justiça (PGJ), Danilo Castro, de que ele teria feito, por meio de um grupo de auxiliares e familiares, movimentações financeiras atípicas, aconteceu ontem, com a leitura, na Assembleia Legislativa, de requerimento propondo a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso. A ação, aberta há quase dois anos, tramitava em regime de segredo de Justiça, mas o seu conteúdo foi vazado, colocando o chefe do Ministério Público, o procurador geral de Justiça, Danilo Castro, guardião institucional do sigilo, numa situação de desconforto e suspeição. O vice-governador Felipe Camarão e seus aliados, em especial o deputado Rodrigo Lago (PCdoB), vêm batendo pesado no PGJ e disparando suspeitas na direção do Palácio dos Leões. 

O entendimento de que se trata de uma guerra política é visível em alguns dados. O primeiro deles é que o requerimento que propõe a instalação de uma CPI para apurar é de autoria do deputado estadual Yglésio Moises (PRTB), a principal voz da direita radical, aliado do Governo do Estado e maior adversário do grupo identificado como dinista, do qual o vice-governador Felipe Camarão é hoje o quadro politicamente mais destacado. O vazamento da ação caiu como um prato cheio para o parlamentar, que vem trabalhando intensamente para viabilizar a CPI, de preferência como presidente ou como relator.

Outro dado que dá um caráter fortemente político à proposta de CPI está claro no placar de assinaturas. Ontem, foi divulgado equivocadamente que o requerimento assinado pelo deputado Yglésio Moises estaria sustentado por 24 assinaturas, mas foram apenas 23, incluindo a do relator, já que a deputada Edna Silva (PL), incluída na lista, que está de licença, sendo que o seu substituto interino, Sérgio Albuquerque, não assinou. Entre os deputados que não assinaram estão a chamada bancada dinista, deputados independentes e até governistas que não quiseram de envolver no imbróglio.

Na lista dos que não assinaram está, claro, a presidente Iracema Vale (MDB), que respeita a tradição, segundo a qual o chefe do Poder Legislativo não se envolve em imbróglios dessa natureza, ainda que pertença ao grupo adversário do vice-governador Felipe Camarão.

Na sua justificativa, o requerimento que propõe a CPI não faz nenhuma acusação definitiva. Político hábil e muito preparado, o deputado Yglésio Moises construiu um texto na base do “pode ser”, “há indícios”, e por aí vai. Para quem acompanha a política maranhense com atenção, o pedido de CPI serve para manter o vice-governador Felipe Camarão na defensiva num momento crítico da ciranda do quem-será-quem na corrida do Governo do Estado.

Até porque na base governista tem político experiente o suficiente para perceber que uma CPI é um processo que todos sabem como começa, mas ninguém sabe como termina. Isso porque é previsível que, alvo da investigação que virá, o vice-governador, com o suporte jurídico que tem, poderá sofrer constrangimentos, mas também poderá criar muitos embaraços para seus acusadores e supostos apoiadores desses. O discurso do deputado Rodrigo Lago na sessão de ontem dá bem uma medida do que poderá acontecer no decorrer da investigação, caso a CPI venha a ser instalada. E, claro, o que nela for dito, terá algum eco na campanha eleitoral.

Não há dúvida de que o processo tende naturalmente a impor desgastes ao vice-governador Felipe Camarão como acusado, caso haja alguma consistência na acusação, e ele terá de se defender. Mas também é certo que, com a formação de procurador federal e professor de direito, apoiado por deputados com sólida formação em direito, como Carlos Lula (PSB) e Rodrigo Lago (PCdoB), vai se defender atacando, o que tornará imprevisível o desfecha dessa CPI, caso ela seja efetivamente instalada nesse momento de largada da corrida eleitoral.

PONTO & CONTRAPONTO

Parecer do MPE sobre supostas ilegalidades eleitorais coloca em risco mandado do prefeito de Caxias

Gentil Neto pode perder o cargo e seu
antecessor Fábio Gentil, pode ficar inelegível

Um dos líderes de um dos grupos políticos familiares mais fortes do Maranhão, o prefeito de Caxias, Gentil Neto (PP), encontra-se diante de um enorme petardo contra ele disparado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), na forma de uma denúncia. A acusação do MPE tem amplo lastro do que seriam provas, dando conta de que o então prefeito Fábio Gentil (PP) teria usado a máquina municipal num suposto esquema de compra de votos para eleger o atual prefeito.

No entendimento do MPE, exposto em parecer, a decisão da Justiça Eleitoral que cassou o mandato do prefeito Gentil Neto e do vice-prefeito Eugênio Coutinho (PDT). E os argumentos são de que teria havido uso abusivo da máquina municipal, por meio de contratações temporárias, com o recolhimento de celulares desses contratados e exigência de apoio eleitoral, o que configura crime eleitoral grave. Além disso, há relatos de supostas transferências bancárias para compra de votos, entre outras estripulias destinadas a envolver eleitores.

No parecer, o MPE pede nada menos que a cassação dos mandatos do prefeito Gentil Neto e do vice Eugênio Coutinho, sendo que o prefeito, se cassado, também se tornarás inelegível por poito anos, enquanto quer o vice prefeito perderá o mandato, mas continuará elegível, já que, segundo o parecer, não há provas de que ele teria participado do suposto esquema de compra de votos. O MPE pede também a inelegibilidade do ex-prefeito e atual secretário estadual de Agricultura Fábio Gentil, que supostamente comandou o suposto esquema.

Se essa posição do MPE for acatada pela Justiça Eleitoral, resultando na cassação do prefeito e do vice de Caxias e tornando inelegível o ex-prefeito, o chamado Grupo Gentil entrará numa crise capaz de esfacela-lo. Isso porque complicará qualquer projeto eleitoral de Fábio Gentil – especula-se que ele pode ser candidato a 1º suplente na chapa liderada pelo ministro André Fufuca (PP), por exemplo -, e mais do que isso, comprometer seriamente os projetos de e eleição da deputada federal Amanda Gentil e da deputada estadual Daniella Jadão (MDB), que formam o Grupo Gentil.

Se tudo vier a ser confirmado e os mandatos sejam perdidos, o comando da Prefeitura de Caxias será disputado numa eleição complementar para um mandato tampão. E vale lembrar que Gentil Neto levou a melhor sobre Paulo Marinho Jr. (PL) por uma diferença de 575 votos.

Braide aguarda candidato presidencial do PSD para decidir se será ou não candidato ao Governo

Eduardo Braide pode passar o comando
municipal para Esmênia Miranda

O prefeito Eduardo Braide (PSD) está com as suas ações voltadas para Brasília, onde o presidente do partido, Gilberto Kassab, poderá anunciar a qualquer momento quem será o candidato do partido à Presidência da República. A disputa está entre os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, já que o terceiro pretende, o governador paranaense Ratinho Jr., desistiu permanecer no cargo com o objetivo de melar a eleição do senador Sérgio Moro.

A definição do candidato presidencial do PSD pode ser a senha para Eduardo Braide bater martelo sobre ser ou não ser candidato a governador do Maranhão. Ele até agora não emitiu nenhum sinal concreto sobre ser ou não ser candidato, a não ser o fato de que passou a incluir a vice-prefeita Esmênia Miranda (PSD) em atos de inauguração ou de lançamento de obras.

Líder das preferências na corrida ao Governo do Estado, segundo todas as pesquisas feitas, o prefeito de São Luís tem até o dia 4 de abril para decidir se entra ou não na disputa, que tem como principal adversário o secretário estadual de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), apoiado pelo governador Carlos Brandão (sem partido).

São Luís, 26 de Março de 2026.

Juscelino Filho assume e fortalece o PSDB e Duarte Jr. garante o cacife do União no Maranhão

Ao lado de Aécio neves, Juscelino Filho exibe a ficha de
filiação no PSDB; Duarte Jr. migrou do PSB para o União

A filiação, ontem, do deputado federal Juscelino Filho, ex-ministro das Comunicações, ao PSDB, em ato conduzido pelo presidente do partido, deputado federal Aécio Neves (MG), em Brasília, além de resolver a situação partidária do parlamentar, abriu caminho para que o ninho dos tucanos ocupe um novo espaço na política maranhense. E, ao que parece, foi um dos últimos atos do período de migração garantida legalmente pela janela partidária, que se encerra na próxima semana. Juscelino Filho, que deixou o União Brasil, vai para a reeleição no comando de um partido que ele poderá chamar de seu, à medida que o acordo que motivou o seu ingresso no ninho dos tucanos lhe assegurou a presidência e controle da legenda no Maranhão. O deputado federal Duarte Jr. seguiu a estratégia e migrou do PSB para o União Brasil.

O ex-ministro das Comunicações não desembarcou sozinho no ninho dos tucanos. Ele levou a irmã, Luanna Bringel, ex-prefeita de Vitorino Freire e pré-candidata à Assembleia Legislativa, o prefeito daquele município, Ademar Magalhães, e uma grande penca de líderes municipais – alguns deles foram a Brasília para o ato de filiação do parlamentar. O propósito de Juscelino Filho, além de montar uma chapa do partido para deputado federal, é disputar também cadeiras no parlamento estadual.

Ao se converter ao tucanismo, Juscelino Filho ganha um partido sem muito peso, mas bem organizado, trabalho do seu último presidente, o ex-prefeito de Imperatriz e atual chefe da Casa Civil Sebastião Madeira, que migrou para o MDB, pelo qual pretende se eleger deputado estadual. Ao mesmo tempo, livra-se da disputa, não declarada, com o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, de outra corrente do UB e que atualmente comanda a legenda no estado. O partido seria inicialmente assumido pelo ex-senador Roberto Rocha, mas ele decidiu filiar-se ao Novo, fazendo dobradinha com Lahesio Bonfim, candidato do partido ao Governo do Estado.

A guinada de Juscelino Filho foi, na verdade, um acerto de mão dupla: ele estava precisando de uma legenda expressiva para controlar no Maranhão, livrando-se do desgaste de medir força internamente, e o comando nacional do PSDB está fazendo uma forte campanha para atrair deputados federais e, assim, dar ao partido maior espaço na câmara baixa do Congresso Nacional. A filiação do parlamentar vitorinense é um ganho real muito comemorado pela cúpula do partido, inclusive pelo fato de ser ele um ex-ministro de Estado, mesmo enfrentando uma denúncia pesado de desvio de recursos de emendas parlamentares em obras controversas em Vitorino Freire.

– Vamos fazer do PSDB um dos maiores partidos do Maranhão e do Brasil – prometeu Juscelino Filho ao receber o comando do braço maranhense da agremiação tucana.

Por outro lado, ao migrar para o PSDB e assumir o seu controle no Maranhão, o deputado federal e ex-ministro Juscelino Filho deixou caminho livre para o deputado federal Pedro Lucas Fernandes consolidar de vez o seu comando no braço maranhense do União Brasil. O partido recuperou muito da perda ao receber em seus quadros o deputado federal Duarte Jr., que abandonou as fileiras da esquerda ao deixar o PSB, e migrou para o centro-direita ao se filiar ao União.

Tudo indica que Duarte Jr. Não pretende disputar o comando do braço maranhense do União com Pedro Lucas Fernandes. O seu interesse primeiro é ter um abrigo partidário para tentar a reeleição, já que sua permanência no PSB se tornou inviável por conta do rompimento do partido com o governador Carlos Brandão, com quem está alinhado por conta do Viva Cidadão.

Tanto Juscelino Filho quanto Duarte Jr. têm cacife para pleitear a reeleição. Os dois, assim como Pedro Lucas Fernandes, são membros fortes da bancada maranhense, detentores de vários mandatos, portanto com cacife para pedir ao eleitorado a renovação dos seus na elite parlamentar do País.

PONTO & CONTRAPONTO

André Fufuca reforça a cada dia seu lastro político e partidário para disputar o Senado

André Fufuca e o presidente Lula da Silva (PT):
aliança no Governo e nas urnas

O ministro do Esporte André Fufuca (PP) tem dito a interlocutores do meio político que sua candidatura ao Senado é irreversível. Primeiro porque ele está convencido de que nem o governador Carlos Brandão (sem partido) nem a deputada federal Roseana Sarney, que pontificam como líderes nas pesquisas mais recentes, serão candidatos. E depois, porque acredita que numa disputa direta das duas cadeiras com o senador Weverton Rocha (PDT), a senadora Eliziane Gama (PSD) e o ex-senador Roberto Rocha (a caminho do Novo) ele tem condições de ganhar uma delas.

O ministro, que é deputado federal mas decidiu não pleitear a reeleição, conta com bom lastro de apoio, como, por exemplo, o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral (PP), que além de ser do seu partido, tem demonstrado entusiasmo com a sua candidatura. Na mesma linha está o grupo agora comandado pelo prefeito Gentil Neto (PP) em Caxias, e que tem como líder maior o ex-prefeito Fábio Gentil, atual secretário estadual de Agricultura.

Até agora, o grupo liderado pelo governador Carlos Brandão, que tem como carro-chefe a candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado, cravou mesmo apoio ao senador Weverton Rocha, deixando a segunda vaga em aberto. É nesse nicho que o ministro do Esporte constrói a base da sua candidatura, já tendo avançado consideravelmente, tornando cada dia mais difícil a ascensão de definido nas próximas semanas, como, por exemplo, a deputada Iracema Vale (MDB), presidente da Assembleia Legislativa, poderá ser o nome do seu partido na disputa senatorial.

Detentor do aval do comando nacional do partido, André Fufuca está política e partidariamente calçado, situação que reforça a sua determinação de chegar à Câmara Alta.

Relatório de Alexandre de Moraes mostra que Jair Bolsonaro está sendo bem tratado na prisão

Jair Bolsonaro beneficiado com
decisão de Alexandre de Moraes

O ministro Alexandre de Moraes, da Suprema Corte, mostrou ontem, no despacho em que autorizou a prisão domiciliar temporária para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que, ao contrário do que diz uma banda do bolsonarismo nas redes sociais, o aspirante a ditador e hoje condenado a 27 anos de cadeia, foi muito mais bem tratado. O ministro Alexandre de Moraes registrou que em pouco mais de 119 dias na prisão, Jair Bolsonaro foi atendido em quase tudo o que pediu no que diz respeito a assistência médica e em relação a contatos com familiares e aliados políticos.

Entre o dia 15 de janeiro e 11 de março, segundo o ex-presidente teve a seguinte série de atendimentos: recebeu acompanhamento médico permanente e diário em 206 ocasiões diferentes, três vezes ao dia; recebeu visitas permanentes sem necessidade de novas autorizações judiciais de sua esposa, filhos, filha e enteada; recebeu 40 visitas de terceiros solicitadas pela defesa; fez 18 sessões de fisioterapia; fez 48 sessões de atividades físicas (caminhada); recebeu atendimento por seus advogados em 40 (quarenta) dias; recebeu assistência religiosa, inclusive com serviços de capelania, em seis dias.

Levantamento feito pelo jornal O Globo revela que no sistema penitenciário brasileiro, apenas 0,6% dos presos em regime fechado cumprem pena em casa após condenação, como será o caso de Jair Bolsonaro. Mesmo depois de todas as traquinagens que ele fez durante a prisão preventiva, como a tentativa de livrar-se da tornozeleira eletrônica

Chama a atenção o fato de bolsonaristas ainda dizerem nas redes sociais que o ex-presidente e aspirante a ditador está sendo maltratado.

São Luís, 25 de Março de 2026.

Acusação a Camarão produz complicação no MP, provável ação policial sobre vazamento e agitação na política

Felipe Camarão reage e responsabiliza
Danilo Castro por vazamento de acusação

A reação indignada do vice-governador Felipe Camarão (PT) ao vazamento do conteúdo de uma ação, que corria em sigilo judicial, na qual o procurador geral de Justiça (PGJ), Danilo Castro, o acusa de movimentar quantias acima das suas condições salariais, sugerindo um suposto esquema de lavagem, envolvendo membros da sua segurança e familiares, pode ter funcionado como o toque de trombetas de uma guerra pelo poder que poderá ir muito além da simples e republicana corrida pelo voto. Na sua reação, o vice-governador dispara chumbo grosso contra o PRJ Danilo Castro, responsabilizando-o diretamente pelo suposto forjamento da denúncia e do seu vazamento num momento crítico de decisão, e estende a sua linha de tiro ao Palácio dos Leões, acusando o governador Carlos Brandão (sem partido) de fazer parte de um esquema destinado a atingir-lhe a imagem pública.

Três situações são muito claras nesse confronto, que promete ganhar dimensões bem maiores e reações imprevisíveis.

A primeira é que a denúncia existe, com o PGJ Danilo Castro pedindo o afastamento do vice-governador. Se as informações que sustentam a denúncia são verdadeiros ou não, isso é outra história, cabendo ao vice-governador Felipe Camarão responder no plano judicial, contestando-a com informações capazes de desmonta-la. É assim que funciona no estado democrático de direito. Se convencesse, seria naturalmente absolvido, colocando o PGJ numa situação crítica; se não, teria de arcar com as consequências, inclusive com um possível afastamento.

A segunda situação bem nítida é que a ação tramitava em segredo de Justiça e veio a público, em tom de escândalo, num vazamento criminoso. A reação do vice-governador Felipe Camarão nesse aspecto é normal e justificada, e coloca o PGJ numa situação extremamente desconfortável, a começar pelo fato de ser ele uma espécie de “fiel depositário” desse segredo judicial, que escapou ao seu controle e foi parar nas páginas de jornais e nos espaços da blogosfera. Quem vazou? Cabe ao PGJ Danilo Castro responder, e a ninguém mais – como ele vai fazer isso, só ele saberá. O vice-governador tem todo o direito de cobrar esclarecimento batendo às portas do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O caráter criminoso do vazamento, porém, não invalida a denúncia, que terá de ser contestada com uma contraofensiva judicial.

A terceira situação é, de longe, mais complicada e explosiva: a politização da acusação pesada ao vice-governador Felipe Camarão e do seu vazamento criminoso. O vice-governador apontou o dedo para o Palácio dos Leões, acusando o governador Carlos Brandão “e seu irmão” de supostamente montar “um estado policialesco”, relacionando-o com o PGJ Danilo Castro. Com essa reação, o vice-governador o arremessa o pacote para o epicentro da disputa política na qual ele é peça importante, motivo principal da decisão do governador Carlos Brandão de lançar Orleans Brandão (MDB) à sua sucessão, abrindo mão do sonho colorido de todo governador, que é ser senador.

A acusação de que o vice-governador Felipe Camarão fez movimentação financeira “atípica”, que ele chama de “factoide” destinado a atingir-lhe a imagem, terá de ser resolvida no plano judicial, a menos que o PGJ a retire, o que parece improvável. Já o vazamento, que é crime grave, terá que ser desvendado por procedimento administrativo ou por investigação policial severa e abrangente, caso o PGJ Danilo Castro não tenha meios de colocar o caso em pratos limpos sem necessidade um desgastante processo, principalmente se ele envolver o CNMP. O fato é que o vazamento terá de ter nome(s) e identidade(s), sem o que o ônus será colocado na conta do PGJ Danilo Castro.

Num outro patamar, o caso pode levar a desdobramentos imprevisíveis no tabuleiro da política, a começar pelo fato de que, sejam quais forem os desfechos da acusação e da investigação do vazamento, um estrago na imagem de homem público do vice-governador Felipe Camarão está feito. E a primeira consequência política disso é a guerra fraticida que vem sendo travada nas redes sociais, na qual o vice-governador Felipe Camarão, o PGJ Danilo Castro, e, por tabela, o governador Carlos Brandão estão sendo alvejados impiedosamente num intenso jogo de ataque e contra-ataque feito por partidários dos três.

O caso certamente produzirá desdobramentos fortes e até decisivos na guerra já em curso pelo Palácio dos Leões.

PONTO & CONTRAPONTO

Com desistência de Ratinho Jr., Braide aguarda definição do PSD sobre candidato a presidente

Eduardo Braide pode ter de apoiar
Ronaldo Caiado para presidente

A decisão do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), de não concorrer à presidência da República nem disputar uma cadeira no Senado, abrindo caminho para que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, seja o nome escalado pelo PSD para enfrentar o presidente Lula da Silva (PT), pode ter desdobramentos no Maranhão.

Nos bastidores partidários, corre a informação de que a definição do PSD sobre o palácio do Planalto pode ter influência forte na decisão do prefeito de São Luís, Eduardo Braide, sobre ser ou não ser candidato ao Palácio dos Leões. Isso porque será com o candidato do PSD a presidente que ele montará o palanque no Maranhão.

De acordo com rumores, confirmados por fontes próximas ao prefeito, a definição do candidato a presidente terá peso na decisão do prefeito Eduardo Braide, que, se optar por concorrer, quer liderar no Maranhão um partido que tenha identidade nacional, a começar por um candidato a presidente da República.

Com a desistência do paranaense Ratinho Júnior – que decidiu ficar no Governo para impedir a eleição do senador Sérgio Moro -, o PSD tem duas opções para presidente da república: o goiano Ronaldo Caiado e o gaúcho Eduardo Leite. Pelas avaliações feitas de ontem para cá, a tendência é favorável a Ronaldo Caiado.

Não se conhece a preferência do prefeito Eduardo Braide nessa equação.

Maranhãozinho dá demonstração de força, mas sabe que enfrentará problemas para manter comando do PL

Josimar de Maranhãozinho mostra força
indicando Fabiana Vilar para substituí-lo
como candidata à Câmara federal

Ao anunciar a candidatura da deputada estadual Fabiana Vilar (PL) à Câmara Federal, deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) deu uma demonstração ousada de que a condenação a seis anos de cadeia, em regime semiaberto por conta das suas milionárias estripulias com emendas parlamentares não lhe tirou a base política bem forjada que construiu no Maranhão.

Primeiro, ele mostra que, pelo menos por enquanto, tem o controle absoluto do braço maranhense do PL, independentemente da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro a presidente das República pelo partido. E depois, a demonstração de força política funcionou como um recado de que ele e seu grupo estão vivos e querem ter influência na corrida ao Palácio dos Leões.

É claro que essa é uma reação do primeiro momento, com ele saindo na frente para criar a resistência ao que vem por aí em relação ao seu partido. Não é segredo que os Bolsonaro não gostam de Josimar de Maranhãozinho, que o ex-presidente o chamou de corrupto e tentou tomar-lhe o controle do partido no Maranhão é que seja possível que Flávio Bolsonaro queira fazer o mesmo. Não há dúvida, portanto, de que o poder de fogo de Josimar de Maranhãozinho será testado em pouco tempo.

Quanto à escolha da deputada Fabiana Vilar para substitui-lo na Câmara Federal, Josimar de Maranhãozinho não surpreendeu, uma vez que a parlamentar tem sido sua porta-voz na Assembleia Legislativa e no Governo do Estado. Ela representou o grupo como secretária de Agricultura no Governo Flávio Dino e atualmente lidera a bancada estadual do PL. Pensa como ele e é de sua extrema confiança. São Luís, 24 de Março de 2026.

Corrida aos Leões chega a seis meses da eleição com dois candidatos certos, um a definir e uma expectativa

Eduardo Braide recebe o vereador tocantino
Ricardo Seidel, Orleans Brandão avança em
pré-campanha, Lahesio Bonfim lança
pré-candidatura em Bacabal e Felipe
Camarão aguarda decisão de Lula da Silva

A 15 dias do término do prazo de desincompatibilização de ocupantes de cargos públicos e mandatos executivos para quem vai entrar na disputa pelo voto, o tabuleiro político do Maranhão registra indefinições, incertezas e fortes expectativas nos dois campos mais atraentes e decisivos do cenário políticos estadual: o quadro de candidatos a governador e o time de candidatos País duas vagas no Senado da República. No primeiro, dos três postulantes declarados, apenas dois Orleans Brandão (MDB) e Lahesio Bonfim (Novo), têm situação definida, com pré-candidaturas oficialmente lançadas e já em plena pré-campanha. Os outros dois representam, nesse momento, muitas dúvidas. O vice-governador Felipe Camarão se apresenta como pré-candidato do PT, mas o PT, por razões diversas, ainda não cravou o seu nome. E o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), líder absoluto nas pesquisas, continua sem dar uma palavra sobre ser ou não ser candidato.

No meio político, a expectativa dominante é a de que Eduardo Braide renunciará à Prefeitura de São Luís, alimentada principalmente por declarações mais recentes do seu irmão, o deputado estadual Fernando Braide (PSB), sinalizando nessa direção. De uns dias para cá, alguns fatos reforçaram a impressão de que a renúncia está a caminho, mas como o próprio prefeito nada diz sobre o assunto, fica valendo a frase que se tornou mote nesse jogo pré-eleitoral – “Nem a minha esposa sabe ainda” -, dita há quase um mês, sem nenhuma ressalva até aqui. Os sinais vêm da intensa atividade administrativa e da programação de inaugurações, das quais Eduardo Braide vem participando tendo ao lado a vice-prefeita Esmênia Miranda (PSD). Além disso, há manifestações de políticos do interior pedindo lhe declarando apoio, como Ricardo Seidel, de Imperatriz, e rumores de conversas do prefeito com o comando nacional do partido sobre a candidatura. Nada além disso.

Em contagem regressiva para deixar, no próxima, o dia 30, a Secretaria de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), segundo na preferência do eleitorado segundo as pesquisas, ainda se movimenta nos ecos do ato de lançamento da sua pré-candidatura, no último dia 14, cumpre uma agenda intensa de inaugurações no interior, ao mesmo tempo se preparando para iniciar uma trajetória de pré-candidato fora do Governo, o que mudará substancialmente a sua rotina. Mesmo não havendo mais quase nenhuma dúvida em relação à sua candidatura, Orleans Brandão tem de conviver com a possibilidade – muito remota, é verdade – de o governador Carlos Brandão (sem partido) renunciar até o dia 4 de abril, e com boatos sobre eventual afastamento dele do cargo. Se nada disso acontecer, sua candidatura seguirá forte e viável, do contrário, terá erguida uma muralha à sua frente.

O candidato do Novo, Lahesio Bonfim, vive no momento uma situação que não é desanimadora, mas também não gera razões para entusiasma-lo. Terceiro na corrida aos Leões, ele vê sua posição estabilizada, como se tivesse chegado a um teto. Em conversas informais e em discursos, ele avalia que sua candidatura é viável e que avançará à medida que a corrida ganhar intensidade. Além do seu próprio cacife, que na pesquisa Quaest chegou a 11% de preferência, ele agora conta com a candidatura do ex-senador Roberto Rocha (Novo) e com uma aliança com o ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza), para ganhar impulsão. Uma das suas apostas seria a não candidatura de Eduardo Braide, que o catapultaria para um cenário de polarização com Orleans Brandão.

O vice-governador Felipe Camarão tem, de longe, a situação mais complicada entre os aspirantes ao Palácio dos Leões. Ele apostou alto na sua condição de candidato do PT, mas amarga um racha no partido, com uma banda lhe dando apoio e outra manifestando ostensiva simpatia pelo candidato do MDB, Orleans Brandão, por conta de uma aliança com o governador Carlos Brandão. Nas últimas três semanas, mesmo reafirmando-se candidato, Felipe Camarão vem dando mostras de que pode mudar o rumo da sua cruzada, chegando a admitir, com um mero “talvez”, que pode mudar abrir mão do Palácio dos Leões para se candidatar a senador, num ambiente de guerra pelas duas vagas. Quarto na preferência do eleitorado, segundo as pesquisas mais recentes, aguarda o mês de abril definir o seu rumo.   

PONTO & CONTRAPONTO

Lahesio lança pré-candidatura em Bacabal em evento menor que esperava

Lahesio Bonfim lança sua
pré-candidatura em Bacabal

Anunciado durante vários dias como um evento pensado para mostrar a força mobilizadora de um projeto de candidatura já definido e em franca ação de caça ao voto, o ato de lançamento da pré-candidatura do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo), realizado sábado, em Bacabal, frustrou as expectativas de simpatizantes do movimento. Mais ainda pelo fato de que o evento marcou a apresentação do ex-senador Roberto Rocha, que está ingressando no Novo, e do ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza) como pré-candidatos da chapa ao Senado da República.

Mesmo assim, Lahesio Bonfim fez um discurso duro, disparando acusações a adversários, criticando os outros projetos de candidatura, batendo no Governo do Estado, e tentando inflamar a assistência com frases de efeito, como a que lhe serve de slogan: “Maranhão tem jeito sim, com Lahesio Bonfim”. Ele estava acompanhado do presidente estadual do Novo, Leonardo Bonfim.

O fracasso de público está explicado por vários aspectos. Para começar, ele cometeu o erro estratégico de escolher Bacabal para tentar mostrar força política e potencial eleitoral. Isso porque aquele município é hoje um dos mais fechados redutos de apoio ao pré-candidato do MDB, Orleans Brandão, que tem no prefeito Roberto Costa (MDB) um dos pilares desse projeto e, além disso, é base principal de dois importantes deputados brandonistas, Florêncio Neto e Davi Brandão, ambos do MDB e apoiadores linha de frente do secretário de Assuntos Municipalistas. Não surpreendeu, portanto, o fato de os bacabalenses não terem dado muita importância ao evento do Novo.

Mesmo assim, Lahesio Bonfim postou nas redes sociais imagens do evento e partes do seu discurso, e afirmou que mantém de pé a sua pré-candidatura, certo de que pode virar o jogo. Vale registrar, que, segundo a pesquisa Quaest, divulgada na semana passada, ele aparece terceiro lugar, com 11% das intenções de voto, 24 pontos percentuais atrás de Eduardo Braide (PSD), 14 pontos atrás de Orleans Brandão e apenas quatro pontos à frente de Felipe Camarão (PT).

PSB perde e União continua na mesma com a migração de Duarte Júnior e de Juscelino Filho

Juscelino Filho de manteve no centro e
Duarte Júnior deu uma guinada à direita

Duas migrações partidárias, envolvendo os deputados federais Juscelino Filho e Duarte Júnior, foram resolvidas na semana que passou. O primeiro deixou o União Brasil para ingressar no PSDB, se mantendo no centro, e o segundo saiu do PSB para integrar as fileiras do União Brasil, dando uma guinada à direita.

Ao trocar União Brasil pelo PSDB, o deputado Juscelino Filho resolve dois abacaxis. O primeiro é que no União Brasil ele era obrigado a dividir o comando do partido com o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que tem o apoio do presidente da legenda, Antonio Rueda. E depois, ao ingressar no PSDB, ele ganhou também o controle do partido no Maranhão, passando agora a ter um partido para chamar de seu, devendo levar o ninho maranhense para a base de apoio do presidente Lula da Silva (PT), cuja reeleição apoia.

Já o deputado federal Duarte Júnior, ao deixar as fileiras do PSB, fica livre para se manter alinhado ao governador Carlos Brandão, integrando a base da pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado e mantendo o controle do Viva Cidadão. Do ponto de vista político e ideológico, Duarte Júnior deu uma guinada radical, saindo da esquerda moderada para ingressar para o centro-direita, no qual o União Brasil está situado. E se depender do seu novo colega de partido, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, Duarte Júnior não apoiará a reeleição do presidente Lula da Silva (PT), de quem já foi escudeiro ativo na Câmara Federal.

No balanço geral, o União Brasil saiu ganhando, porque, ao mesmo tempo em que perdeu Juscelino Filho, ganhou Duarte Júnior, equilibrando o jogo. Ao migrar para o União Brasil, o deputado Duarte Júnior deixa uma expressiva lacuna no PSB, que agora não tem mais ninguém na bancada maranhense na Câmara Federal.

Nesse contexto, outras duas situações partidárias estão pendentes no mesmo campo, as dos deputados estaduais Mical Damasceno e Eric Rocha. Os dois parlamentares pertencem ao PSD, que é comandado no Maranhão pelo prefeito de São Luís Eduardo Braide, mas estão alinhados com o governador Carlos Brandão em torno da candidatura de Orleans Brandão.

São Luís, 22 de Março de 2026.

Camarão enfrenta dificuldades enquanto o PT faz jogo sobre candidatura ao Governo

Felipe Camarão: dificuldades
por conta de indefinição no PT

O vice-governador Felipe Camarão (PT) precisa definir o seu rumo político com urgência. Será mesmo candidato a governador? Pensa mudar e tentar uma vaga no Senado? Avalia disputar uma cadeira na Câmara Federal? Ou, ainda, diante dessa ciranda confusa que o envolve, projeta cumprir seu mandato, dizer tchau à política, reassumir o seu posto de procurador da República e continuar dando aulas de Direito nas UFMA, podendo alçar outros voos como gestor público competente que é?

A indefinição do seu partido, o PT, em relação à sua candidatura está drenando o seu cacife político, tanto que já é visível a iminente migração do seu discurso de candidato irreversível aos Leões para uma possível candidatura ao Senado. E agora vê sua imagem de homem público íntegro ameaçada por um petardo disparado pelo procurador geral de Justiça, Danilo Castro, acusando-o de estar no epicentro de uma ainda fumacenta movimentação financeira.

Não é possível fazer uma afirmação categórica, mas pelo que foi visto e dito nos últimos dias, são poucas as chances de o vice-governador Felipe Camarão ser confirmado candidato do PT ao Governo do Estado, reunindo todos os segmentos do partido. A movimentação do grupo liderado pelo ex-conselheiro do TCE e atual secretário da Representação do Governo do Maranhão em Brasília Washington Oliveira e a presença de petistas importantes, como Cricielle Muniz, dirigente da rede Iema, no ato de lançamento da pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado, declarando-lhe apoio entusiasmado, reforçam a impressão de ser uma situação que não tem volta.

Quanto à denúncia sobre a tal movimentação financeira, desdobramento de uma ação que corria em segredo de Justiça e que foi vazada com o claro objetivo de atingi-lo, Felipe Camarão, que é procurador federal de carreira, sabe exatamente quais são os caminhos para tratar desse assunto e colocar tudo em pratos limpos. Ficar atirando contra o procurador geral de Justiça não vai mudar nada, ao contrário dos caminhos judiciais que o vice-governador conhece.

O vice-governador Felipe Camarão já acumulou maturidade política suficiente para perceber que essas indefinições o estão deixando para trás na guerra pelo poder. Está acompanhando de perto – dizem que muito de perto mesmo – a estratégia inteligente do prefeito Eduardo Braide (PSD), que lidera as intenções de voto sem ter dito até agora uma só palavra sobre ser ou não ser candidato; observa com atenção a consolidação da pré-candidatura de Orleans Brandão pelo MDB e segundo colocado na corrida, e hoje certamente voltará suas atenções para Bacabal, onde Lahesio Bonfim (Novo), que está na terceira posição, fará um grande ato lançando a sua pré-candidatura para a região do Médio Mearim.

Se, de fato, o PT – tanto no plano estadual, quanto no plano federal – tivesse interesse na sua candidatura, já teria dado um basta no chove-não-molha e aberto caminho para ele procurar outro rumo na corrida sucessória, que poderia ser o PSB. Todos os indícios sugerem que até mesmo na cúpula nacional do PT, que antes dizia que sua candidatura era uma prioridade para a legenda, tirou o pé do acelerador e já não é tão enfática em relação a esse projeto. A posição dúbia do partido vem drenando o seu lastro de nome forte para disputar a eleição para os Leões.

Qualquer avaliação sensata certamente produzirá a conclusão de que o vice-governador Felipe Camarão não tem motivo, de qualquer natureza ou dimensão, para passar pelo que está vivendo no tabuleiro da sucessão estadual. A situação mudaria se estivesse filiado a um partido mobilizado por um projeto comum, claro, como estão fazendo o Novo em torno de Lahesio Bonfim e o MDB em relação a Orleans Brandão – que, aliás, o preside – e que certamente fará o PSD se o prefeito Eduardo Braide vier a ser candidato. É assim que funciona.

É hora, portanto, de colocar os pés fincados no chão e escolher o caminho certo, dentro ou fora do PT, ou até mesmo da política.

PONTO & CONTRAPONTO

Bonfim lança hoje pré-candidatura aos Leões em Bacabal com Rocha e Gonçalo para o Senado

Lahesio Bonfim lança hoje pré-candidatura com
Roberto Rocha e Hilton Gonçalo para o Senado

“Será um evento marcante”, previu ontem Lahesio Bonfim ao manifestar sua expectativa em relação ao ato por meio do qual lançará hoje, em Bacabal, sua pré-candidatura pelo Novo ao Governo do Estado. Ele informou ontem à Coluna que o ex-senador Roberto Rocha, que deve anunciar sua filiação ao Novo, e o ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza), participarão como pré-candidatos ao Senado.

Lahesio Bonfim passou os últimos três dias em Brasília, onde conversou com o comando nacional do Novo sobre a sua candidatura ao Governo do Estado, ao qual mostrou que ela é viável, embora esteja ele em terceiro lugar em pesquisas de intenções de voto polarizadas por Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB).

Sobre a filiação e a candidatura de Roberto Rocha ao Senado na sua chapa, Lahesio Bonfim informou que essa foi uma articulação feita pelo presidente do partido no Maranhão, ????? Arruda. O mesmo aconteceu com Hilton Gonçalo, que também acertou com o dirigente partidário a sua participação no evento de Bacabal e, provavelmente, numa aliança em torno do candidato ao Governo.

Lahesio Bonfim disse que nada está definido quanto à escolha do seu vice e que essa, como as candidaturas ao Senado e as chapas para deputado federal e para deputado estadual, também será feita pela direção partidária, Quanto à candidatura presidencial, o partido está aguardando a definição do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

Como em outras ocasiões recentes, Lahesio Bonfim reafirmou, categórico: “Minha candidatura é irreversível. E ficará mais forte ainda com Roberto Rocha e Hilton Gonçalo para o Senado”.

Movimento no MDB tenta emplacar Roseana para o Senado

Roseana Sarney: Senado?

Ganha corpo no MDB um movimento para lançar a deputada federal Roseana Sarney a uma das vagas no Senado. Outra frente dentro do partido defende a candidatura da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, recém filiada à legenda.

O movimento pró Roseana Sarney se baseia principalmente no fato de que todas as pesquisas em que ela foi incluída como candidata ao Senado, a exemplo da Quaest, divulgada nesta semana, lhe deram a liderança na disputa para uma das vagas, a exemplo do que vem acontecendo com o governador Carlos Brandão (sem partido).

Recém saída de uma guerra contra um câncer, Roseana Sarney não até agora nem sim nem não ao projeto senatorial. Mas fonte emedebista avalia que sua reação inicial foi contrária, mas que após a cirurgia e com o cenário encontrado pelas pesquisas, ela já teria admitido a possibilidade de entrar nessa corrida. Mas por enquanto sua resposta a essa indagação tem sido “Deus é quem sabe”.

São Luís, 21 de Março de 2026.

Quaest: Brandão tem larga aprovação e é nome forte para o Senado; mas ele optou por apostar alto

Carlos Brandão no encerramento da
reunião do Consórcio da Amazônia
Legal, do qual se tornou presidente

Se de um lado o governador Carlos Brandão (sem partido) recebeu com preocupação os números da pesquisa do Instituto Quaest, contratada pelo Sistema Mirante e que mediu a corrida ao Governo do Estado, por outro, o mandatário estadual ganhou motivos de sobra para comemorar parte das informações trazidas pelo levantamento sobre o que a população está pensando do seu Governo e do seu desempenho como governante. Nos dois aspectos da avaliação, os números indicam ampla aprovação popular ao atual Governo do Maranhão, tendo o governador Carlos Brandão alcançado desempenho melhor do que o presidente Lula da Silva (PT), que sempre foi líder absoluto nos resultados da medição do seu Governo e do desempenho pessoal.

O Quaest perguntou aos eleitores entrevistados como eles avaliam o Governo Brandão: 42% responderam com avaliação positiva, 39% o consideram regular, 13% o apontaram como negativo e 6% não souberam ou não quiseram responder. Já quando perguntou sobre aprovação e não aprovação do desempenho do governador Carlos Brandão como como gestor, o resultado escalou: 64% disseram aprovar o Governo, 25% responderam que desaprovam, e 11% não souberam ou não quiseram avaliar. Ou seja, aos olhos do equivalente a cerca de 700 dos 900 entrevistados, Carlos Brandão caminha para fechar o seu mandato de quatro anos na confortável posição de governante que fez a sua parte.

Os números da Quaest explicam, com clareza, a liderança que lhe tem sido dada em todas as pesquisas feitas para medir a corrida às duas cadeiras no Senado da República nas eleições desse ano. Nesse mesmo levantamento, que levou em conta outros seis pretendentes, o governador lidera com folga a corrida a uma das vagas. Caso decidisse entrar na disputa, manteria a tradição, vigente em todo o País, de governadores bem avaliados desembarcarem no Senado, a exemplo de João Castelo, Epitácio Cafeteira, Edison Lobão, Roseana Sarney e Flávio Dino – também João Alberto foi para o Senado depois de ter sido governador, só que duas eleições depois do término do seu mandato   

Dos anos 80 do século passado para cá, apenas três governadores não se tornaram senador: Luiz Rocha, porque lhe impuseram a permanência no cargo; José Reinaldo Tavares, que decidiu ficar no comando para ajudar na eleição de Jackson Lago, tendo pago um preço elevado pela decisão; e o próprio Jackson Lago, que perdeu o mandato de governador.

Carlos Brandão tomou uma decisão arrojada, motivado por sua consistente e abrangente obra de Governo e no trabalho político que vem realizando pelo viés municipalista: permanecer no cargo até o final do mandato para coordenar a campanha do seu candidato a governador, o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), seu sobrinho e braço direito na execução desse projeto político e eleitoral. Seu argumento é um disparo contra a oposição, em parte formada por ex-aliados: “Não vou passar o Governo para quem não sabe governar”.

Não há como contestar que a densidade e o largo alcance da sua obra de Governo, principalmente no campo social, em grande medida fruto de uma produtiva e bem azeitada parceria com o presidente Lula da Silva, levariam o governador Carlos Brandão ao Senado sem maiores problemas. Ele poderia desembarcar no Congresso Nacional liderando uma “bancada” de deputados federais eleitos no seu campo, e deixando no estado uma ampla e motivada “bancada” aliada na Assembleia Legislativa. Sua escolha, porém, foi por um projeto arrojado e com expressiva dose de riscos, do tipo se-ganhar-leva-tudo-mas-se-perder-fica-sem-nada.

Político pragmático e experiente, que sempre mostrou ter os pés no chão, o governador Carlos Brandão certamente sabe o que está fazendo ao abrir mão de um mandato quase certo de senador da República para encarar o desafio de comandar a sua sucessão.

PONTO & CONTRAPONTO

Renúncia de Eduardo Paes para disputar Governo do Rio de Janeiro pode ser senha para Eduardo Braide

Eduardo Braide pode seguir o caminho
do seu colega de partido Eduardo Paes

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), para disputar o Governo do Estado, mesmo tendo acontecido a 2.800 km de distância, pode ser um indicativo, de que o prefeito Eduardo Braide pode estar se preparando para deixar a Prefeitura de São Luís.

Eduardo Paes integra o time de prefeitos que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, está incentivando para disputar governos estaduais, e outro de governadores para concorrer ao Palácio do Planalto, como o gaúcho Eduardo Leite, o goiano Ronaldo Caiado e o paranaense Ratinho Jr..

Eduardo Paes passou ontem o comando da Prefeitura do Rio de Janeiro para o seu vice, Eduardo Cavaliere (PSD), que se tornou o prefeito mais jovem da história do Rio de Janeiro.

Se decidir deixar o Palácio de la Ravardière para disputar o Palácio dos Leões, Eduardo Braide passará o cargo para a vice-prefeita Esmênia Miranda (PSD), que será quarta mulher a comandar a Prefeitura de São Luís – antes dela ocuparam o cargo Gardênia Castelo, Lia Varela e Conceição Andrade.

Vale lembrar que a pesquisa do Instituto Quaest, divulgada quarta-feira, apontou o prefeito Eduardo Braide na liderança da corrida aos Leões, com 35% das intenções de voto, contra 24% de Orleans Brandão (MDB), 11% de Lahesio Bonfim (Novo) e 7% de Felipe Camarão (PT).

Eliziane denuncia rede de ataques misóginos e garante que não recua de disputar a reeleição

Eliziane Gama denunciou
ataques misóginos

Por mais que enfrente resistência no entorno do prefeito Eduardo Braide (PSD), a senadora Eliziane Gama (PSD) vem mandado uma série de recados com o mesmo conteúdo: ela é candidata à reeleição e, queiram ou não os resistentes, se o chefe do Executivo da Capital decidir entrar na corrida ao Executivo estadual, como muitos esperam, ela abraçará sua candidatura.

Eliziane Gama ocupou a tribuna do Senado nesta semana para reafirmar o seu projeto de reeleição e denunciar o que ela chamou de ataques misóginos que vem recebendo de adversários nas redes sociais, a maioria agressivos. Que incluem até planos para ataca-la fisicamente.

Brigando com o senador Weverton Rocha (PDT) e com o ministro André Fufuca (PP), a senadora maranhense fala com a consciência de que realiza um mandato correto e dinâmico. Nos últimos sete anos, foi senadora de tempo integral, tendo participado efetivamente de duas CPIs mistas, sendo que numa delas, a que apurou a tentativa de golpe no 8 de Janeiro de 2023, foi relatora, e a da Covid. Eliziane Gama também foi vice-líder do Governo no Congresso Nacional e emplacou vários projetos de lei importantes.

Por outro lado, por conta da sua atuação as Covid e do 8 de Janeiro, a senadora maranhense vem sofrendo um verdadeiro massacre em redes sociais, como uma ação organizada para fragiliza-la politicamente. Ela que tem sido duramente atacada pelo deputado estadual Fernando Braide (PSB), irmão do prefeito Eduardo Braide. “Mas não vão conseguir”, disse.

Eliziane Gama conta com o apoio irrestrito do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que é também o incentivador para que o prefeito Eduardo Braide, que deve se manifestar nos próximos dias sobre ser ou não ser candidato a governador.

São Luís, 20 de Março de 2026.