
Carlos Brandão, acompanhado de Orleans Brandão, Iracema Vale,
Vinícius Vale e Weverton Rocha, entregava obras em Barreirinhas
A guerra que se trava no Maranhão pelo comando do Estado entrou ontem numa espécie de paroxismo com a reação do vice-governador Felipe Camarão (PT) à instauração, pela Assembleia Legislativa, de uma CPI para investiga-lo por suposta movimentação financeira ilegal constante em ação do Ministério Público estadual, que corria em segredo de Justiça, mas foi vazada. O vice-governador divulgou um vídeo no qual, em tom de contra-ataque e também de desabafo indignado, afirma que o vazamento do documento teria sido ato de “perseguição” do governador Carlos Brandão (sem partido), segundo ele pelo fato de não haver aceitado suposta proposta para que se candidatasse à Câmara Federal. Felipe Camarão informa que o vazamento do documento e os desdobramentos colocaram ele e seus familiares em situação de risco.
O vice-governador diz que o vazamento do documento e a CPI são parte de “um golpe em andamento no Maranhão”, destinado a removê-lo do processo político, apontando o governador Carlos Brandão como responsável por tudo o que lhe está acontecendo. Na sua fala, ele dá conotação totalmente política ao imbróglio, afirmando que tudo foi armado para atingi-lo. E garante que vai se defender e usar todos os caminhos judiciais para provar sua inocência, indo às últimas consequências. E afirma que será candidato a governador, admitindo também a possibilidade de compor com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que está fora da confusão e nem disse ainda se será candidato aos Leões.
Inaugurando obras em Barreirinhas, onde entregou mais de dois mil tablets do programa “Tô Conectado” e mais oito mil para municípios da região dos Lençóis, acompanhado da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB) e do secretário de Assuntos Municipalistas e pré-candidato do MDB ao Governo Orleans Brandão, o governador Carlos Brandão pareceu não estar interessado num embate com o vice-governador Felipe Camarão. Mas através de porta-vozes informais, o Palácio dos Leões mandou uma série de recados, inicialmente negando o envolvimento do Governo no caso, afirmando que o que veio à tona com o vazamento foi investigado pelo Ministério Público. Nada além disso.
A julgar pelas declarações do vice-governador Felipe Camarão, a CPI será contestada na Justiça, o que pode desencadear uma guerra judicial sem precedentes no Maranhão. E mesmo que todas as assinaturas que garantiram a instalação sejam de deputados alinhados ao Governo, o Palácio dos Leões não parece disposto a entrar numa refrega pública, principalmente nesse momento de transição, quando mais de uma dezena de secretários, a começar por Orleans Brandão, estão deixando seus cargos para encarar as urnas em outubro. Isso num clima em que a permanência do governador Carlos Brandão no cargo caminha para se tornar irreversível depois do dia 4 de abril, quando termina o prazo de desincompatibilização. A fala do vice-governador Felipe Camarão pode ter sepultado de vez a possibilidade de um entendimento.
Esse imbróglio ganhou ontem uma perna a mais com a informação, divulgada numa coluna do jornal O Estado de São Paulo, que nos próximos dias o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decidirá sobre um pedido de afastamento do governador Carlos Brandão por suposto não cumprimento de decisão judicial no caso da acusação de nepotismo. Até onde a vista alcança, o governador Carlos Brandão cumpriu todas as determinações do próprio ministro Alexandre de Moraes naquele episódio.
O fato concreto é que, por conta dessa confusão toda, se depender do governador Carlos Brandão, o vice-governador Felipe Camarão não será governador a partir do primeiro minuto do dia 5 de abril, enquanto o atual mandatário não será candidato ao Senado. Felipe Camarão poderá ser candidato a governador pelo PT ou outro partido, mas sem o suporte da máquina, ou pode entrar numa aliança com o prefeito Eduardo Braide e entrar numa disputa de elevado risco para o Senado. Enfim, tudo pode acontecer.
Não será surpresa se novos desdobramentos dessa guerra vierem à tona nos próximos dias. E durante a CPI, se ela vingar.
PONTO & CONTRAPONTO
Marco: Programa Restaurante Popular alcança 193 municípios com 220 unidades e se consolida como o maior da América Latina

em Humberto de Campos acompanhado de Orleans Brandão, Catulé Júnior, Luiz Fernando Silva,
Juscelino Filho e Paulo Casé
Na sua incursão, ontem, na região dos Lençóis, o governador Carlos Brandão (sem partido) marcou um tento que, gostem ou não seus adversários, vai entrar para a história das ações por segurança alimentar no Maranhão e no Brasil: inaugurou em Humberto de Campos o 220º Restaurante Popular. A 219ª unidade foi inaugurada horas antes em Paulino Neves.
Para começar, não há nada parecido em nenhum estado brasileiro, e pelas contas do Governo, o programa maranhense está consolidado em 193 dos 217 municípios, já sendo de longe o maior de um estado na América Latina. E o que é mais importante: o programa alcançará todos os municípios até o final do atual Governo.
A inauguração da unidade de Paulino Neves aconteceu durante o café da manhã. Já o de Humberto de Campos foi entregue durante o almoço, com o chefe do Executivo estadual abrindo a fila.
O programa garante alimentação de qualidade – café, almoço e jantar – ao preço simbólico de R$ 1,00 para almoço ou jantar, e café da manhã por apenas R$ 0,50, totalizando um gasto de apenas R$ 2,50 pelas três refeições do dia. Diariamente, são servidos 250 cafés da manhã, 500 almoços e 250 jantares em cada unidade.
Iniciado no Governo Roseana Sarney, que implantou cerca de 20 unidades, e mantido no Governo Flávio Dino, que chegou a 70, o programa Restaurante Popular ganhou tração definitiva e mais forte no atual Governo, que implantou cerca de 150 unidades, alcançando as atuais 220.
No ano passado, o programa Restaurante Popular serviu 43,2 milhões de refeições.
Brandão reuniu Conselho e secretários que vão encarar as urnas se despediram
Na última quarta-feira, o governador Carlos Brandão reuniu o Conselho de Gestão, formado por secretários de Estado. Durante a reunião, cada um dos que estão se despedindo para encarar as urnas teve direito a cinco minutos para se despedir.
Cada um a seu modo se manifestou sobre o mesmo foco: sua participação num projeto de Governo com bons resultados e bons níveis de aprovação. O chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira (MDB), que está em São Paulo, e o chefe da Representação do Maranhão em Brasília, Washington Oliveira (PT), se manifestaram por vídeo conferência.
Todos agradeceram ao governador Carlos Brandão pela oportunidade de haver participado do Governo, fizeram relatos do que conseguiram nas suas áreas de atuação.
O governador Carlos Brandão agradeceu a participação de todos no seu Governo, destacando que os bons resultados da gestão se deveu à soma do trabalho de cada um.
Informação a ser confirmada dá conta de que eles permanecerão no cargo até o dia 31, terça-feira, quando seus atos de exoneração serão publicados no Diário Oficial.
São Luís, 27 de Março de 2026.