
e Pedro Lucas Fernandes, mas com Roseana Sarney
ainda no jogo em movimento familiar
O meio político vive momento de expectativa em relação ao iminente comunicado por meio do qual o governador Carlos Brandão (MDB) anunciará o outro pré-candidato a senador – um já está definido, o senador Weverton Rocha (PDT) – e o escolhido para vice-governador na chapa encabeçada por Orleans Brandão (MDB). A curiosa espera se baseia no compromisso assumido pelo mandatário, sábado (6), em Peritoró, de que nesta semana ele revelaria os dois nomes, tendo adiantado que a vaga ainda aberta de pré-candidato a senador sairá das fileiras da federação União Progressista (União/PP), à qual pertencem os deputados federais André Fufuca (PP) e Pedro Lucas Fernandes (União), o primeiro pré-candidato assumido e o segundo querendo sem dizer que quer. Carlos Brandão move as peças de um com plicado xadrez político.
Desde o discurso de Peritoró, o governador Carlos Brandão não fez qualquer menção ao assunto, produzindo assim duas possibilidades. A primeira sugere que o tema continua em aberto e que o chefe do Poder Executivo ainda não bateu martelo, nem escolhendo o pré-candidato a vice-governador, nem em relação ao outro pré-candidato a senador. E a segunda desdenha a especulação de que o mandatário estaria alinhavando essa situação com aliados, alguns dos quais estariam insatisfeitos, principalmente com a escolha do pré-candidato ao Senado – sobre esse ponto, sintomas de insatisfação teriam sido detectados no entorno da família Sarney, aliada de proa do governador Carlos Brandão e que tem forte influência no MDB e ainda controla parte expressiva do partido.
Sussurros chegados à Coluna sugeriram que o anúncio de que a outra vaga de candidato a senador pela a aliança que dá suporte à pré-candidatura de Orleans Brandão é, sem sombra de dúvida, o nó górdio que o governador Carlos Brandão tem de desatar para finalmente fechar a composição da chapa majoritária.
O primeiro problema a ser resolvido é a escolha entre André Fufuca e Pedro Lucas Fernandes. Se a opção for por André Fufuca, será um desfecho sem traumas, começando pelo fato de que a escolha agradará ao parlamentar e a mais de 100 prefeitos, entre eles os de 10 das 15 maiores cidades do Maranhão, cotando também o fato de que Pedro Lucas Fernandes assimilará facilmente e tocará o seu projeto de reeleição com prestígio reforçado no grupo de proa do projeto político e eleitoral de Orleans Brandão.
Se, por outro lado, a escolha recair sobre Pedro Lucas Fernandes, provavelmente haverá desdobramentos imprevisíveis. Isso porque, pré-candidato a senador desde a primeira hora, quando era ministro do Esporte, André Fufuca dificilmente abrirá mão do seu projeto senatorial. O seu movimento natural será procurar uma chapa majoritária onde a sua pré-candidatura seja acolhida. E como a chapa do PT, encabeçada por Felipe Camarão já está fechada, com os senadores Eliziane Gama (PT) e Weverton Rocha (PDT), ambos pré-candidatos à reeleição, restará a André Fufuca a possibilidade de uma aliança com Eduardo Braide (PSD), já admitida pelo deputado estadual Fernando Braide (PSD), porta-voz informal do ex-prefeito de São Luís.
Nesse emaranhado de situações delicadas aparece ainda a deputada federal Roseana Sarney (MDB), que no momento se encontra em São Paulo em tratamento de saúde, mas que aparece liderando as pesquisas de intenção de voto para senador, mas cujo projeto de candidatura não está na mesa de decisões do MDB. É nítido e intenso o burburinho nas fileiras de amigos e aliados da deputada, com uns defendendo ardentemente a sua candidatura, outros manifestando perplexidade em relação ao MDB e terceiros já fomentando gestos de insatisfação.
Dono de uma enorme carga de experiência, acumulada desde 2006, quando esteve no epicentro da virada que elegeu Jackson Lago (PDT), ao que somaram sete anos e três meses como vice no Governo Flávio Dino e mais quatro anos no comando, o governador Carlos Brandão certamente encontrará saída para esse cipoal de encrencas políticas e partidárias.
PONTO & CONTRAPONTO
Queda de Flávio Bolsonaro nas pesquisas atinge fortemente as vozes da direta no Maranhão
A mais recente pesquisa Quaest, uma das mais importantes empresas de investigação estatística do pais, mergulhou ainda mais o bolsonarismo na crise que poderá tirar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da corrida à presidência da República. O levantamento aponta a aplicação expressiva da vantagem do presidente Lula da Silva (PT) sobre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro num eventual 2º turno. Lula da Silva aparece 39% das intenções de voto contra 29% de Flávio Bolsonaro. A queda foi de mais de seis pontos percentuais em relação à última pesquisa Quaest, que validou outros levantamentos.
Os números revelam que o nítido caso de corrupção política protagonizado pelo senador Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, então chefão do Banco Master, tendo como pano de fundo o filme “Dark Horse”, sobre a vide do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de cadeia por tentativa de golpe de Estado. Só para lembrar: Flávio Bolsonaro pediu R$ 123 milhões para bancar o filme, tendo recebido R$ 71 milhões, sendo que a película custou pouco mais de R$ 13 milhões, sem que ninguém saiba para onde foram os outros mais de os outros quase R$ 50 milhões.
O resultado da pesquisa Quaest foi um disparo pesado na extrema direita maranhense, que tem o Lahesio Bonfim (Novo) como pré-candidato a governador e o ex-senador Roberto Rocha (Novo) como candidato a senador. Ambos são bolsonaristas de carteirinha, sendo Roberto Rocha amigo próximo de Flávio Bolsonaro. Atinge também o grupo do PL controlado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que superou as diferenças com o ex-presidente Jair Bolsonaro – que o chamou de corrupto – e decidiu apoiar o filho dele para presidente. E, finalmente, a queda alcança o deputado estadual Yglésio Moises (PRD), que se converteu ao bolsonarismo e o expressa em pautas como agressivos discurso contra o Supremo Tribunal Federal.
Em Tempo: Contratada pela Genial Investimentos, a pesquisa Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 5 e 8 de junho, tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-07661/2026.
Por decisão do Supremo, TJ formou lista tríplice para a escolha do desembargador para a vaga da OAB; Flávio Costa foi o mais votado
Destravada com a decisão do Supremo Tribunal de validar o processo de indicação de três anos atrás, a escolha do desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão para a vaga do Quinto Constitucional da OAB foi retomada ontem. O TJ escolheu e enviou ao governador Carlos Brandão a lista tríplice formada por Flávio Costa, Gabriel Costa e Lorena Saboya. O dado essencial da nova situação foi a validação da presença do advogado Flávio Costa na lista sêxtupla. Ele deve ser nomeado desembargador pelo governador Carlos Brandão (MDB).
Para lembrar: o processo para a escolha do representante da OAB no colégio de desembargadores fora judicializada em contestação feita por advogados sob a alegação de que o candidato Flávio Costa, que passara na avaliação da OAB, não tinha 10 anos consecutivos de exercício da advocacia, não podendo, portanto, ser incluído na lista sêxtupla. Flávio Costa contestou o impedimento, mas o Tribunal de Justiça decidiu pela sua exclusão. Movimentado pela pólvora da política estadual, o caso foi parar no Supremo Tribunal Federal.
Nesta semana, a Suprema Corte determinou que o processo continuasse. E a certeza dominante dentro e fora do Poder Judiciário, dentro e fora do Palácio dos Leões e no meio político em geral é a de que, caso Flávio Costa seja incluído na lista tríplice, como foi e com a condição de mais votado, será ele o escolhido e nomeado desembargador pelo governador Carlos Brandão.
São Luís, 10 de Junho de 2026.

