A corrida às duas cadeiras no Senado continua embaralhada, mas, como estava escrito nas estrelas, algumas definições importantes começam dar uma feição à disputa. E o melhor exemplo disso aconteceu ontem em Imperatriz, onde o prefeito Rildo Amarão (PP), completou o seu quadro de candidatos a senador ao declarar apoio à senadora Eliziane Gama (PT). A declaração do prefeito, feita em ato político com a presença de prefeitos e vereadores da Região Tocantina, surpreendeu meio-mundo político, causou espanto em alguns, mas seguiu a lógica dos que estão atento aos movimentos de algumas pré-candidaturas à Câmara Alta. Rildo Amaral já tem também como pré-candidato a senador o deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP), seu aliado de primeira linha e um dos grandes responsáveis pela sua eleição para o comando do segundo maior e mais importante colégio eleitoral do Maranhão.
A declaração de apoio do prefeito de Imperatriz foi uma espécie de rompimento de amarras em relação à candidatura da senadora à reeleição. Isso porque muitos prefeitos vinham alimentando indefinição por não estarem bem situados no contexto dessa corrida ao Senado. O posicionamento do prefeito Rildo Amaral, que assim definiu a dupla de candidatos que apoiará ao Senado, certamente servirá de referência para colegas dele, como os que comandam municípios do porte de Paço do Lumiar, Caxias, Timon, Codó, entre outros de grande e médio porte, já definiram seu apoio a um pré-candidato, e agora podem ser estimulados e fazer a segunda opção.
Eliziane Gama viveu uma situação de absoluta indefinição enquanto permaneceu no PSD, soube com clareza, que por uma série de razões não seria ungida como líder de proa no projeto eleitoral de Eduardo Braide (PSD). A reviravolta se deu com a sua filiação ao PT, a convite do presidente Lula da Silva, que não só abonou a sua ficha de filiação, como também foi apontada por ele e pelo comando do partido como a candidata preferencial para o Senado no Maranhão, tendo como o senador Weverton Rocha (PT) como a outra opção. Desde então, a senadora vem virando fortemente o jogo político, esperando colher os frutos eleitorais dessa guinada.
Ao receber a declaração de apoio do prefeito Rildo Amaral, que justificou informando que o gesto é a sua resposta ao trabalho que a senadora tem feito por Imperatriz, Eliziane Gama entra forte numa seara que já tinha o ex-ministro André Fufuca como primeira opção. Isso quer dizer que, pela lógica, ela vai brigar ali com o senador Weverton Rocha, que não tem sido feliz com resultados eleitorais na sua terra natal, e com o ex-senador Roberto Rocha (Novo), que se movimenta para atrair os votos da extrema-direita tocantina, a exemplo do que vem fazendo em todo o Maranhão. E poderá enfrentar ainda a deputada federal Roseana Sarney, se o partido dela, o MDB, promover uma costura interna e a lançar candidata – o que, ao que parece, não está sendo fácil.
Na previsão de um petista de proa, o cacife político da senadora Eliziane Gama deve aumentar significativamente com o provável apoio de um grupo expressivo de prefeitos, a começar pelo de Codó, Chiquinho da FC, filiado ao PT e que já declarou apoio a Weverton Rocha, estando previsto que ele se manifestará ao favor de Eliziane Gama. De acordo com os estrategistas do PT, a pré-candidatura de Eliziane Gama à reeleição se tornará mais forte à medida que o que eles chamam de “eleitorado de Lula” for assimilando que ela é a candidata preferencial do presidente, o que, para eles, ocorrerá durante a campanha.
Ah! Vale registrar que a declaração de apoio do prefeito Rildo Amaral à senadora Eliziane Gama foi uma resposta fulminante da senadora à deputada estadual de extrema direita Mical Damasceno (Republicanos), que na semana passada bradou, de alto e bom som, que a parlamentar petista teria sido “despachada” pelo eleitorado evangélico, o que não é verdade, segundo quem conhece essa seara.
PONTO & CONTRAPONTO
Maura Jorge tenta viabilizar filho em São Luís, onde a filha e o genro têm base eleitoral

entrando na seara de Thay Evangelista e Neto Evangelista
Depois de uma incursão em municípios de diversas regiões do estado, a prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (PSDB)), desembarcou em São Luís para montar barraca em busca de apoio eleitoral à pré-candidatura do seu filho, Rui Neto (MDB), à Assembleia Legislativa. Na Capital, ela deu a arrancada articulando uma aliança com o vereador Edson Guaguinho (PV).
Chamou a atenção o fato de, primeiro, esse apoio inicial não haver partido inicialmente da irmã dele, a vereadora Thaty Evangelista (Republicanos). A explicação está no fato de que Thaty Evangelista é esposa do deputado Neto Evangelista (MDB), cuja base principal das suas votações é exatamente São Luís.
Essa fato cria, em princípio, uma certo embaraço, indicando que as famílias Jorge e Evangelista podem estar vivendo um conflito de interesses eleitorais. Isso porque crias o projeto cria dificuldades para Neto Evangelista buscar votos em Lago da Pedra, onde a prefeita Maura Jorge tem enorme poder de fogo e vai, claro, concentrar esse poder na eleição de Rui Neto.
Na contramão, não há dúvida de que, mesmo levando em conta o fato de que São Luís tem um eleitorado de mais de 800 mil votos, Neto Evangelista certamente vive o desconforto de um “parente” invadir a sua seara eleitoral, e muito provavelmente conta com o apoio da vereadora Thay Evangelista.
A situação se tornará mais curiosa e complicada se o deputado Neto Evangelista se tornar pré-candidato a vice-governador na chapa de Orleans Brandão (MDB). Nesse caso, a vereadora Thay Evangelista será candidata a deputada estadual na vaga do marido e enfrentará o irmão, em São Luís e em Lago da Padre.
A pergunta é: no caso de o confronto eleitoral vir a se dar entre os irmãos, como se postará a prefeita Maura Jorge? Fará uma escolha ou vai jogar pesado para tentar eleger os dois?
Paulo Victor mergulha para ajustar gestão e garantir eleição de Beto Castro
Depois de surpreender como uma espécie de “furacão” na política de São Luís, tendo chegado a se colocar como o grande adversário do então prefeito Eduardo Braide (PSD), o ainda presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor (PSB), movimenta-se hoje de maneira bem mais discreta no tabuleiro da política municipal, e sem a menor chance, pelo menos agora de ultrapassar a fronteira de São Luís aspirando alguma expressão estadual como candidato à Assembleia Legislativa.
Antes candidatíssimo à Assembleia Legislativa, o ainda vereador-presidente resume suas atividades em duas frentes: a primeira é tentar colocar um pouco de ordem na sua gestão, que vem sendo duramente acusada de descontrole administrativo e financeiro, e a segunda é tentar garantir a eleição do vereador Beto Castro (Avante) à sua sucessão.
Na avaliação de um vereador, que prefere não se identificar, o presidente Paulo Victor tem muito mais possibilidade de eleger o sucessor do que colocar ordem no que ele chamou de “grandes problemas administrativas”, principalmente no que diz respeito à administração financeira do parlamento municipal. E chama a atenção para o fato de que “alguns colegas já começam a critica-lo”. Ele, por enquanto, não pretende entrar em confrontos sobre o assunto, mas vai ter de encarar o debate, mais cedo ou mais tarde.
O apoio aberto e intenso à candidatura de Beto Castro é visto por muitos como uma espécie de garantia de que a mudança de comando no Palácio Pedro Neiva de Santana não implicará questionamentos à sua gestão.
São Luís, 06 de Junho de 2026.

