A espantosa diferença nos resultados de duas pesquisas divulgadas na semana que passou – Inop e Veritá -, a confirmação do vice-governador Felipe Camarão como candidato do PT, e a mudança no tom das declarações os pré-candidatos, entre outros fatores, sinalizaram com clareza que a corrida aso Palácio dos Leões, mesmo ainda em fase prévia – a campanha para valer só será iniciada em 16 de agosto -, entra, de fato, numa fase de definição. A partir de agora, são seis aspirantes em busca da consolidação das suas candidaturas: Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Lahesio Bonfim (Novo), Felipe Camarão (PT), Enilton Rodrigues (PSOL) e Saulo Arcangeli (PSTU) que serão confirmadas oficialmente convenções a serem realizadas entre julho e agosto – existe ainda dúvidas sobre a pré-candidatura de Simplício Araújo (Solidariedade).
O cenário agora é o de que, mesmo ainda com algumas pontas que precisam ser amarradas, como, por exemplo, a relação de Felipe Camarão com o PT, a convivência de Eduardo Braide com o PSB e, finalmente, como o presidente Lula da Silva (PT), em busca da reeleição, será tratado no palanque de Orleans Brandão, que não obteve o apoio do comando nacional do PT. São pontos sensíveis dessa guerras, que, resolvidos, nortearão melhor as três pré-candidaturas, uma vez que assim os seus titulares saberão exatamente com quem enfrentarão a guerra pelo coração do eleitor maranhense.
O quadro mais complicado envolve o vice-governador Felipe Camarão. Ele recebeu a chancela do comando nacional do PT e o aval do presidente Lula da Silva para ser candidato a governador. Só que o braço maranhense do PT, que deveria se tornar o seu principal suporte, está claramente dividido entre a sua pré-candidatura e a de Orleans Brandão. Petistas proeminentes como Washington Oliveira e Zé Inácio, advogam que o presidente Lula da Silva deve ter dois palanques no Maranhão e estão inclinados a somar forças com Orleans Brandão, como Cricielle Muniz (ex-Iema), que está em campanha aberta em São Luís ao lado do candidato do MDB. Felipe Camarão tem o desafio de resolver esse racha partidário e unir o partido em torno de si. Se vai conseguir, o tempo dirá.
Eduardo Braide, cuja pré-candidatura está plenamente consolidada, realiza uma pré-campanha buscando reforço político e eleitoral com lideranças nas mais diversas regiões do estado – escolheu sua vice, Elaine Carneiro (PSD), em Imperatriz -, vem costurando, sem açodamento, uma aliança com o PSB, formado pelo chamado grupo dinista. O problema é que a pré-candidatura de Felipe Camarão colocou o grupo dinista em situação delicada, pois o vice-governador, mesmo no PT, é integrante destacado dessa corrente. Eduardo Braide toca sua pré-campanha sem aparentar preocupação com o dilema que se instalou no PSB. O PSB e uma pequena fatia do PT esperam que o ex-prefeito de São Luís sinalize simpatia pela reeleição de Lula da Silva. Só que o partido de Eduardo Braide, o PSD, tem um candidato a presidente, o goiano Ronaldo Caiado, e ele não está disposto a fazer um jogo dessa natureza. Por enquanto, segue com a sua pré-candidatura, sem deixar que isso altere o ritmo da sua maratona.
E, por fim, tudo indica que, mesmo com a entrada de Felipe Camarão na corrida aos Leões com o aval de Brasília, o que implica automaticamente no não apoio à pré-candidatura de Orleans Brandão, a relação política e institucional do presidente Lula da Silva com o governador Carlos Brandão tende a ser mantida. Eles tentaram, durante meses, encontrar uma solução para a corrida sucessória estadual, mas o presidente e o PT discordaram da opção do governador por Orleans Brandão, abrindo mão de ser candidato a senador, enquanto Carlos Brandão não aceitou apoiar a candidatura de Felipe Camarão. Várias alternativas foram propostas, mas nenhuma vingou. Tudo indica que os dois palanques defenderão a reeleição do presidente das República, provavelmente sem a presença dele. Nesse contexto, Orleans Brandão segue sem parecer incomodado com essa rusga.
O fato concreto é que essas pré-candidaturas dão os seus primeiros passos com tais pendências, mas sinalizando que forte disposição de seguir em frente.
PONTO & CONTRAPONTO
Partidos fortes são transformados em feudos por deputados federais

Pedro Lucas Fernandes, Duarte Jr. e Márcio
Jerry têm partidos para chamar de seus
Os partidos políticos viraram, definitivamente, agremiações controladas por deputados federais, que vêm formando verdadeiros feudos na política do Maranhão. Com exceção do PT e do MDB, que são organizações consolidadas e que conseguem evitar esse perfil distorcido, e do PSB, que é presidido pela senadora Ana Paula Lobato, e ainda do PDT que permanece sob o controle férreo do senador Weverton Rocha, depois de ter perdido deputado federal Márcio Honaiser, os demais partidos são legendas controladas com mão de ferro e chamados de seus por deputados federais.
O caso mais emblemático de controle partidário por deputado federal e o PL, comandado há tempos pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Hoje, o partido tem quatro deputados federais e continua sob a influência direta do seu líder, que tendo o seu mandato cassado e sob a acusação de corrupção do emendas, repassou o controle para sua sobrinha, Fabiana Vilar, que será candidata à Câmara Federal. Josimar de Maranhãozinho tenta reforçar uma imagem de renovação indicando o vereador por São Luís Aldir Júnior para disputar mandato de deputado federal no lugar da deputada federal Detinha, que disputará uma cadeira na Assembleia Legislativa.
O Republicanos, por exemplo, é domínio exclusivo do deputado federal Aluísio Mendes, que não abre espaço para a filiação de políticos fortes que querem disputar a Câmara Federal, usando a maioria deles, como a deputada estadual Mical Damasceno, como “buchas” para dar suporte ao seu projeto de reeleição.
O mesmo acontece com o União Brasil, que depois de uma longa disputa entre os deputados federais Pedro Lucas Fernandes e Juscelino Filho, se transformou no feudo partidário do primeiro. Juscelino Filho preferiu deixar o partido, que passou ao controle absoluto de Pedro Lucas Fernandes. E o reflexo disso chegou a Assembleia Legislativa, onde o líder do Governo, deputado estadual Neto Evangelista, um dos quadros mais antigos e consolidados do União (ex-DEM), migrou para o MDB quando percebeu que toda a estratégia de Pedro Lucas Fernandes era fortalecer a candidatura do irmão dele, Paulo Casé, à Assembleia Legislativa.
Na mesma toada, o deputado Juscelino Filho deixou o União e ganhou um partido de presente, o PSDB, que parecia destinado ao ex-senador Roberto Rocha, mas que por conta da condição de deputado federal, ganhou o controle absoluto, sem qualquer sombra.
Na mesma linha, o deputado federal Marreca Júnior controla o PRD com mão de ferro, passando a ideia de que trabalha para colocar o partido em função, primeiro, da sua reeleição. E num contexto em que a disputa para a Câmara Federal será dura, abriu o partido para o deputado estadual Yglésio Moises, que será também candidato a deputado federal. Pelos cálculos deles, o partido pode eleger os dois, embora haja quem diga que existe um risco elevado.
O PP é comandado sem questionamentos pelo deputado federal André Fufuca, que é pré-candidato ao Senado. Nas contas de pepistas juramentados, a candidatura senatorial de André Fufuca garantirá a reeleição da deputada federal Amanda Gentil, que corria o risco de não se reeleger se o ex-ministro do Esporte decidisse renovar o mandato de deputado federal. Mesmo sem estar mais no comando do PP, a parlamentar caxiense é o nome recomendado pelo
PP para deputado federal. Sem condições políticas de permanecer no PSB, que se tornou oposição ranzinza ao governador Carlos Brandão (sem partido), de quem é aliado, o deputado Duarte Júnior ganhou um partido para chamar de seu: o Avante. Ele inicialmente migrara para o União Brasil, mas dias depois acusou o senador Ciro Nogueira de ser bandido e “despachante” do chefão do Banco Master, foi obrigado a deixar a legenda. O Avante caiu-lhe no colo sem uma sombra no Maranhão.
Finalmente, o deputado federal Márcio Jerry controla o PCdoB, não havendo ninguém, dentro e fora do partido, disposto a disputar o comando da legenda comunista.
Registro
O Imparcial chega aos 100 anos vencendo desafios com ânimo de quem dá a largada para os 200

Sarney, Haroldo Sabóia, Célio Sérgio, Pedro Freire e
Raimundo Borges, Iracema Vale exibe a edição dos
100 Anos de O Imparcial; Fotos 2 e 3: Iracema Vale,
Célio Sérgio, Pedro Freire e Raimundo Borges e
Felipe Klamp, Douglas Cunha, José Sarney, Neres
Pinto e Iracema Vale. Foto 4: José Sarney, Célio
Sérgio e Raimundo Borges discursam na Alema.
O 1º de Maio deste ano deixou no Maranhão uma marca muito maior do que as tradicionais comemorações do Dia do Trabalho, ao elevar o jornal O Imparcial à condição de centenário como parte da cadeia dos Diários Associados, ao lado de ícones da imprensa nacional como O Correio Braziliense (Brasília), O Estado de Minas (Belo Horizonte), Diário de Pernambuco (Recife), e a Tarde (Salvador), por exemplo. Essa conquista, que só os que o fazem e os que o leem conseguem mensurar, foi comemorada com justiça em movimentada sessão solene da Assembleia Legislativa, na última quinta-feira. Entre os presentes, escritor e ex-presidente da República, José Sarney (MDB), que começou no Jornalismo nas páginas do diário fundado por Assis Chateaubriand.
Para alcançar esse patamar, O Imparcial atravessou um século documentando o que aconteceu em São Luís, no Maranhão, no Brasil e no mundo. Ao longo dessas 5.400 semanas, fez o registro do fato mais simples do cotidiano, como os problemas de mobilidade urbana e as ocorrências policiais, como o de grandes eventos, que vão da violenta explosão do navio Maria Celeste no cais de São Luís à tragédia que destruiu o VLT no Centro de Lançamento de Alcântara; assistiu ao nassdcimento da segundas República, e viu nascer e morrer o domínio do vitorinismo na política do Maranhão – incluindo a eleição de Assis Chateaubriand para o Senado pelo estado -, tendo ainda registrado o surgimento, a ascensão e o ápice da carreira vitoriosa de José Sarney, assim como o declínio dessa corrente com a eleição de Jackson Lago em 2006 e a de Flávio Dino em 2024. E contou nas suas páginas as tragédias e a evolução do mundo, como a Segunda Guerra Mundial, o nascimento da ONU, o surgimento e o impacto do computador e do telefone celular na vida das pessoas, e tudo o que de bom e ruim mexeu com a Humanidade nesses 36.500 dias.
Foram 100 anos fazendo a História como contador de histórias pelo via sagrada do jornalismo impresso.
Como todo meio de comunicação impressa, O Imparcial sofreu o impacto causado pela chegada do mundo virtual, um concorrente implacável, voraz e com capacidade incontrolável e imensurável de se expandir e dominar de corações e mentes. Nesse contexto conturbado, ao contrário de outros semelhantes seus, que sucumbiram por incapacidade de reação ou por calculada de sacrifica-los por decisões dos seus donos, O Imparcial vem resistindo, adaptando-se como é possível a uma realidade cada vez mais sombria para os veículos de comunicação impressa. Dá um exemplo de resistência e de dignidade ao jornal impresso e de resiliência como sobrevivente impávido numa realidade socioeconômica adversa. Circula de segunda a domingo, faça chuva ou faça sol e apesar dos desafios.
Essa trajetória é o resultado do trabalho de várias gerações de jornalistas, que têm como referência o incansável e competente Raimundo Borges, ao mesmo tempo diretor de Redação e editor e colunista de Política, em cuja figura respeitável Repórter Tempo homenageia todos os jornalistas que pertencem ou pertenceram aos quadros do jornal Associado. Da mesma maneira, reconhece a participação decisiva do diretor-geral Pedro Freire nesse processo, que hoje é levado à frente com garra, destemor e trabalho duro pelo atual diretor-geral Célio Sérgio, em nome de quem a Coluna saúde o corpo administrativo e comercial da empresa A Pacotilha.
Em momento descontraído na Assembleia Legislativa, alguém disse que aquele evento marcava a largada de O Imparcial para os seus 200 anos. Que assim seja!
São Luís, 10 de Maio de 2026.
