O anúncio de que o senador Weverton Rocha (PDT) será apoiado pelo PT, que tem o vice-governador Felipe Camarão como pré-candidato ao Palácio dos Leões, produziu uma situação inusitada, que vários políticos experimentados não conseguiram explicar nem souberam prever no que vai dar. O nó cego: o senador Weverton Rocha é também o pré-candidato a senador do MDB, que tem Orleans Brandão como pré-candidato a governador. Isso produziu uma pergunta que ninguém respondeu: qual dos dois candidatos o senador apoiará para ser o sucessor do governador Carlos Brandão (MDB)? Pedirá votos para o petista Felipe Camarão, ou marchará mesmo com o emedebista Orleans Brandão?
A questão, politicamente espantosa, ganhou forma na tarde/noite de segunda-feira (01), quando o presidente nacional do PT, Edinho Silva, após se reunir com o comando estadual do partido, anunciou, em entrevista coletiva, a confirmação da pré-candidatura de Felipe Camarão ao Governo e a da senadora Eliziane Gama à reeleição. E, para a surpresa de muitos, anunciou também a decisão do comando nacional petista e do presidente Lula da Silva de apoiar a pré-candidatura do senador Weverton Rocha à reeleição.
A lógica política foi perturbada e desenhou a tremenda contradição, baseada inclusive no fato de que candidatura a senador é sempre “casada” com a candidatura a governador. O novo rascunho gerou outra indagação: como é possível um senador candidato à reeleição frequentar os palanques de dois adversários que se batem, de maneira dura, pelo Governo do Estado? A regra política universal reza que para ter o apoio do MDB, o senador teria, obviamente, de declarar apoio incondicional ao emedebista Orleans Brandão. Da mesma maneira, para receber o aval do PT, ele naturalmente teria de declarar apoio a Felipe Camarão nas mesmas condições. Não há como ser diferente, porque não existe uma fórmula que dê sentido a essa situação.
Na segunda-feira da semana passada (25/05), em meio a grande boataria sobre o seu destino, o senador Weverton Rocha reuniu aliados, entre eles Orleans Brandão, que é também presidente do MDB, a quem declarou apoio incondicional, de corpo presente, tendo ouvido dele a contrapartida de que será o seu candidato ao Senado. A posição, referendada pela presidente da Alema, deputada Iracema Vale e por todas as lideranças do MDB e de diversos partidos presentes ao evento. Naquele momento, o Maranhão e o meio político tomaram conhecimento que Weverton Rocha marcharia incondicionalmente com Orleans Brandão.
Esse roteiro, porém, foi radicalmente alterado na última segunda-feira (01/06), quando o presidente nacional do PT anunciou a bomba: o senador Weverton Rocha terá também o apoio do PT. Em seguida, ele confirmou a bombástica decisão em reunião partidária aberta, mas em nenhum momento disse se o senador marchará como aliado incondicional do candidato petista a governador Felipe Camarão.
Chama também a atenção o fato de que o próprio senador Weverton Rocha não se manifestou sobre o assunto. É sabido que depois do ato em que ele lançou a sua candidatura ao lado de Orleans Brandão, embarcou para Brasília, onde se reuniu com o presidente Lula da Silva, a quem pediu apoio. Conforme o presidente petista Edinho Silva, o presidente decidiu avalizar o projeto de reeleição do senador pedetista, mesmo sabendo da sua forte ligação com a candidatura do emedebista Orleans Brandão. O que o petista Felipe Camarão acha disso?
Já se sabia que a corrida às duas vagas no Senado seria dura, complicada, imprevisível e, em certa medida, espetacular. Mas nem o mais arguto observador da cena política poderia imaginar que ela produziria uma equação tão desprovida de lógica e de sentido quanto essa. Tanto que caberá ao próprio senador Weverton Rocha, do alto do seu impressionante poder, escolher se irá com Orleans Brandão ou com Felipe Camarão, ou, se preferir, com os dois, ora no palanque emedebista, ora no palanque petista.
PONTO & CONTRAPONTO
Apoio a Weverton fechou as portas para Fufuca no PT e no MDB e pode empurrá-lo para Braide
A decisão do PT de apoiar o projeto de reeleição do senador Weverton Rocha (PDT) produziu outra situação: fechou as portas do PT e do MDB para o ex-ministro André Fufuca (PP), que agora caminha para uma possível, mas ainda improvável, aliança com o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide.
No caso do PT, o anúncio do presidente do partido se deu no exato momento em que André Fufuca entabulava conversações com a direção estadual com o objetivo de se viabilizar para fazer dobradinha com a candidata petista Eliziane Gama. Ele teve uma “boa conversa” com a presidente estadual Patrícia Carlos e com o ex-presidente Francimar Melo, tendo manifestado otimismo.
A decisão anunciada pelo presidente nacional apontando o senador Weverton Rocha com o outro candidato do partido desmontou a estratégia do ex-ministro André Fufuca, que foi muito elogiado por Edinho Silva.
No caso do MDB, a definição de Weverton Rocha como candidato do partido à reeleição, André Fufuca poderia batalhar para ser o nome para a outra vaga. Ocorre que a indicação para essa vaga de candidato a senador está suspensa até que o “fator” Roseana Sarney seja resolvido de vez. Será ela candidata ao Senado? Preferirá renovar o mandato de deputada federal? Ninguém sabe. O que se sabe é que há prós e contras dentro do MDB em relação ao projeto senatorial. Mas há quem diga que se ela quiser mesmo tem meios de viabilizar sua candidatura no partido.
A indefinição em relação a Roseana Sarney impossibilita André Fufuca de atuar forte nos bastidores do partido para abrir o espaço. E por isso o ex-ministro pode dar uma guinada na direção de Eduardo Braide (PSD).
Iracema mantém seu futuro indefinido, mas faz campanha forte por Orleans no interior
Em meio às intensas especulações a respeito de como ela irá para as urnas, se como candidata à reeleição, a deputada federal, a senadora ou a vice-governadora, a deputada-presidente Iracema Vale (MDB) cumpre uma agenda para quem tem fôlego, disposição e está determinada a alcançar certo objetivo.
Nas conversas informais, ela tem afirmado que está trabalhando por novo mandato na Assembleia Legislativa, usando sempre a tangente de entregar o seu futuro “a Deus”. Mas nos bastidores corre que a chefe do Poder Legislativo continua como nome forte para o Senado, caso a deputada federal Roseana Sarney resolva renovar o seu mandato.
Iracema Vale também é nome destacado na lista de “vice-governadoráveis”, embora interlocutores próximo a ela digam que não é exatamente o seu projeto.
Enquanto “Deus” se manifesta e resolve como ela caminhará para as urnas, Iracema Vale se divide, agora com mais intensidade, à gestão do Poder Legislativo, ao comando das seções, e de agendas pelos municípios, onde vem pregando fortemente na defesa da pré-candidatura do emedebista Orleans Brandão, aqui e ali disparando petardos na direção de Eduardo Braide (PSD).
São Luís, 03 de Junho de 2026.


