O Inop divulgou ontem os resultados de pesquisa apontando o pré-candidato do MDB, Orleans Brandão com 41,2% das intenções de voto, à frente do pré-candidato do PSD, Eduardo Braide, com 38,60%, virando o jogo na fase inicial da pré-campanha. Na terceira posição aparece o pré-candidato do Novo, Lahesio Bonfim, com 10,39%, seguido do recém anunciado pré-candidato do PT, Felipe Camarão, em quarto com 4,17% das intenções de voto. O levantamento totalizou 5,47% de indecisos (voto nulo, nenhum, e não sabe). O Inop não incluiu os pré-candidatos do PSOL, Enilton Rodrigues, e do PSTU, Saulo Arcangeli.
Contratado pelo Jornal Pequeno, o levantamento do Inop quebrou um longo jejum de pesquisas sobre a corrida ao Palácio dos Leões, trazendo um cenário que animou fortemente o campo liderado pelo governador Carlos Brandão (sem partido) ao apontar Orleans Brandão na liderança da disputa exatamente a cinco meses das eleições. Na verdade, o Inop registrou um empate técnico, se levado em conta o fato de que a diferença entre os dois é de 2,6 pontos percentuais e a margem de erro registrada é de 3,03 pontos percentuais, para mais ou para menos.
A circunstância de a diferença encontrar-se dentro da margem de erro, gerando a leitura de empate técnico, não muda o fato de, caso os números representem a realidade, ou pelo menos sejam próximos a ela, a posição do ex-secretário de Assuntos Municipalistas é indicativa de que seu projeto de candidatura é consistente, o que o torna um pré-candidato em condições enfrentar o poder de fogo político e eleitoral do ex-prefeito de São Luís, que liderou todas as mais de quarenta pesquisas realizadas sobre a corrida sucessória nos últimos dois anos. Isso quer dizer que o governador Carlos Brandão está determinado a entregar o bastão para Orleans Brandão.
No que respeita a Eduardo Braide, se os números do Inop expressarem a realidade, o resultado não é uma tragédia. Inicialmente, eles desenham tendência de dois turnos. E como o terceiro colocado, Lahesio Bonfim, encontra-se aparentemente estagnado, o caminho rascunhado é o da polarização, estimulando a Orleans Brandão e Eduardo Braide a medirem forças para ver quem chega a 6 de outubro na liderança da corrida. Eduardo Braide tem o fato apurado das raposas políticas, deve avaliar os números do Inop comparando-os aos indicadores que o município em pesquisas fechadas que balizam suas tomadas de decisão.
Chama a atenção o fato de que a pesquisas Inop foi realizada antes de a Executiva nacional do PT divulgar resolução confirmando a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Governo do Estado. A grande indagação no meio político é a seguinte: vai vingar? Se vingar, dar passos à frente? E se der passos à frente, tirará voto de quem? O fato é que, horas antes de a divulgação dos números do Inop, o vice-governador reafirmava sua pré-candidatura anunciando alguns nomes para compor o seu plano de Governo. O desafio de Felipe Camarão, será o de mostrar, nas próprias pesquisas, que com o apoio do PT e o aval do presidente Lula da Silva ele pode ir além dos 4,17% encontrados pela pesquisa do Inop.
O fato é que os números da pesquisa Inop confirmam a polarização Brandão/Braide, alimenta a tendência de dois turnos, podendo também abrir caminho para que a disputa seja decidida a turno único. Há espaço e tempo para que essas condições sejam criadas.
Em Tempo: contratada pelo Jornal Pequeno, a pesquisa Inop foi realizada no período de 24 de abril a 02 de maio, ouviu 2.588 eleitores, tem margem de erro de 3,03 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-06910/2026.
PONTO & CONTRAPONT
Polêmica, a pesquisa Veritá prevê vitória de Braide no 1º turno contra Orleans, Lahesio e “outros”
Outra pesquisa, esta do instituto mineiro Veritá, mostra um cenário completamente diferente, que muitos apontam como fora da realidade. De acordo com os dados divulgados compilados, se a eleição para governador do Maranhão fosse agora, Eduardo Brande (PSD) venceria no 1º turno com 52,4% dos votos, seguido de Orleans Brandão (MDB) com 18,4% e Lahesio Bonfim (Novo) com 9,3%. Sem citar Felipe Camarão (PT), Enilton Rodrigues (PSOL) e Saulo Arcangeli (PSTU), os definiu como “outros”, que juntos somariam 9,9% dos votos, enquanto os indecisos totalizariam 19,7%. Uma conta que não fecha, porque totaliza 109,7%, o que não faz sentido em qualquer resultado estatístico.
De acordo com o que foi divulgado pelo instituto Veritá, com defasagem de mais de uma semana, se a eleição acontecesse agora, Eduardo Braide seria eleito governador com 59% dos votos válidos, que é quando se exclui abstenções, votos em branco e votos nulos. Orleans Brandão seria o segundo mais votado com 20,7% da votação, e Lahesio Bonfim ficaria em terceiro com 10,5% dos votos válidos. O instituto não citou os três outros pré-candidatos declarados, referindo-se a eles como “outros”, que somariam 9,9% dos votos, sem informar quanto coube a cada um deles nessa fatia do eleitorado.
Esse levantamento chegou aos pedaços nos espaços de divulgação. Para começar, ele seria divulgado no dia 1º de maio, mas várias ações denunciaram falhas, levando a Justiça Eleitoral a suspender a sua divulgação. Depois, a Justiça liberou a divulgação, causando uma grande celeuma, principalmente por causa dos seus percentuais, que apontam definição em turno único com a eleição do ex-prefeito de São Luís.
Em Tempo: sem revelar o seu contratante, o Veritá informou que a pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 30 de abril, ouviu 1.526 eleitores, tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, intervalo de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-07144/2026.
Veritá e Inop divulgam números diferentes sobre a corrida ao Senado
Os duas pesquisas se confrontaram também em relação à disputa para o Senado. Enquanto a do instituto Veritá divulgou o cenário do levantamento estimulado, mostrando números bem realistas, mas também algumas falhas, o instituto Inop um release mostrando o cenário espontâneo da corrida ao Senado, e ainda assim com informações aparentemente contraditórias.
Para começar, a pesquisa Veritá incluiu o governador Carlos Brandão entre os pré-candidatos a senador no cenário estimulado, o que não faz o menor sentido, uma vez Carlos Brandão tornou impossível sua candidatura ao não se desincompatibilizar no prazo, que terminou a 04 de abril. Ao mesmo tempo, não incluiu a deputada federal Roseana Sarney (MDB), ainda apontada como possível candidata ao Senado. E para complicar ainda mais o quadro de absurdos, “esqueceu” o senador Weverton Rocha (PDT), que apareceu entre os primeiros em todas as outras pesquisas.
Com essas falhas inacreditáveis, o instituto mineiro encontrou os seguintes cenários na corrida às duas cadeiras no Senado: 1) Roberto Rocha (Novo) com 24,5%, Carlos Brandão (sem partido) com 15,9% e Eliziane Gama (PT) com 14,3%; e 2) Carlos Brandão com 18,7%, André Fufuca (PP) com 17,8% e Eliziane Gama com 11,9%. E ficou nisso.
Já o Inop fez uma divulgação absurdamente confusa ao apresentar os números da pesquisa espontânea para o Senado, sem mostrar os números da pesquisa estimulada, que sempre foram os mais confiáveis e mais realistas em matéria de investigação das preferências do eleitorado.
O resultada da patacoada é o seguinte: Roseana Sarney 6,38% das intenções de voto, Roberto Rocha (4,95%), Weverton Rocha (3,59%), André Fufuca (2,59%) e Eliziane Gama (1,58%). No mesmo pacote, incluiu o deputado estadual Yglesio Moises (PRD), que é candidato a deputado federal (0,97%); Hilton Gonçalo (Mobiliza) com 0,93%, Pedro Lucas (União), que é candidato à reeleição (0,85%); Mical Damasceno (Republicanos), mas é candidata à Câmara Federal (0,62%), e César Pires (0,43%).
A pesquisa Inop fecha esse estranho relatório com a seguinte informação: Iracema Vale (MDB), Juscelino Filho (PSDB), Hildo Rocha (MDB), Carlos Brandão (sem partido) e Lahesio Bonfim (Novo), todos com 0,40% das intenções de voto. Só que nenhum deles manifestou publicamente a intenção de disputar o Senado.
São Luís, 09 de Maio de 2026.


