A decisão do vice-governador Felipe Camarão, pré-candidato do PT ao Governo do Estado, de não mais procurar dialogar com o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide, pré-candidato do PSD, é uma das decisões mais pé no chão que ele tomou nos últimos tempos, pelo simples fatos de que candidatos governador são adversários e não faz nenhum sentido abrirem diálogo. Essa deve ser a motivação de Eduardo Braide, já que, atento aos movimentos de cada aspirante aos Leões, como Orleans Brandão (MDB) e Lahesio Bonfim (Novo), ele aguardou pacientemente uma definição do PT, e se fechou em copas quando o comando petista bateu martelo tornando o vice-governador candidato do partido ao Governo.
A mesma posição do vice-governador Felipe Camarão será mantida em relação aos demais candidatos depois que ele se tornou pré-candidato do PT ao Governo com o aval do presidente Lula da Silva (PT). Isso porque, por mais fragilizado que esteja no campo eleitoral, seus aliados mais próximos apostam que ele sairá do patamar de um dígito e alcançará os dois dígitos. Isso, se ocorrer, não será bom para os demais candidatos, que já na pré-campanha sinalizam que vão brigar pelo maior número possível de votos, se preciso atropelando adversários.
Pode haver procedimentos que indiquem, por exemplo, que um candidato sinalize apoio a um determinado com corrente, caso não chegue no segundo turno. Essa é uma decisão política unilateral, que não comporta qualquer nível de diálogo durante os 45 dias da guerra no turno regulamentar da corrida aos Leões. A sinalização pode se dar de várias maneiras, mas isso não muda, por exemplo, o foco dos candidatos, independentemente das suas posições políticas e da distância que mantenham entre si enquanto estiverem se engalfinhando para seduzir o eleitor.
Se a eleição não for resolvida no 1º turno, os candidatos não eleitos poderão, aí sim, dialogar com os que se enfrentarão na segunda rodada. É claro que os dois buscarão naturalmente o apoio de quem não passou no teste das urnas. Afinal, a política tem os seus momentos de confronto, mas também abre espaço para conversas e alianças em momentos decisivos, como é o caso do segundo turno de uma eleição para prefeito de cidade com eleitorado acima de 200 mil, para Governo do Estado e para a Presidência da República.
Ao afirmar que não mais procurará Eduardo Braide para dialogar, o vice-governador Felipe Camarão fez o registro sabendo da impossibilidade desse diálogo. Eduardo Braide, assim como Orleans Brandão. Lahesio Bonfim, Enilton Rodrigues (PSOL) e agora Saulo Arcangeli (PSTU), passa a olha-lo como concorrente, podendo essa visão “evoluir” para adversário e até mesmo inimigo político e eleitoral. O fato de o PSB, que abriga o chamado grupo dinista, estar alinhado ao projeto eleitoral de Eduardo Braide não muda a distância que o ex-prefeito de São Luís manterá do vice-governador agora pré-candidato candidato a governador.
Além das palavras e dos gestos, a realidade nua e crua é que o vice-governador Felipe Camarão entra na corrida aos Leões no momento em que seus participantes começam a ganhar corpo e endurecer o discurso. A começar pelos que apareceram até aqui bem situados nas preferências do eleitorado, segundo as pesquisas, como Eduardo Braide, que lidera, e Orleans Brandão, seu oponente mais próximo, com tendência de polarização. O petista chega com o dificílimo desafio de virar um jogo no qual o primeiro adversário a ser passado para trás será o pré-candidato do Novo Lahesio Bonfim.
Está escrito nas estrelas, portanto, que sua pré-candidatura, ser viabilizada, carece de força política, que o presidente Lula da Silva pode lhe dar, e de peso eleitoral, que só ele poderá atrair com o apoio determinado do PT. O diálogo que precisa, portanto, é o que pode travar com líderes e militantes petistas, para uni-los em torno da sua candidatura.
PONTO & CONTRAPONTO
Cricielle lidera ato de apoio a Orleans no momento em que Camarão é confirmado pré-candidato do PT
No momento em que inicia movimentos para consolidar sua pré-candidatura ao Governo do Estado, o vice-governador Felipe Camarão (PT) toma conhecimento, pelas redes sociais e via blogosfera, que a professora Cricielle Muniz, ex-dirigente da Rede Iema e candidata a deputada estadual, reafirmou publicamente a sua aliança com Orleans Brandão (MDB). Ela integra a ala do PT que defende aliança com o governador Carlos Brandão.
Uma das principais estrelas da nova geração de líderes do PT no Maranhão, Cricielle Muniz teve atuação destacada na equipe de ponta do governador Carlos Brandão. Já no seu segundo ano de gestão na Rede Iema, ela emitiu fortes sinais de que estava se preparando para disputar mandato na Assembleia Legislativa.
Os movimentos da militante petista foram desde o início apoiados pelo governador Carlos Brandão, que já em meados do ano passado declarou publicamente seu apoio ao projeto político-eleitoral de Cricielle Muniz, que além da sua candidatura, atua na linha de frente da pré-campanha do presidente Lula da Silva (PT) à reeleição.
No evento de terça-feira (05), que foi parte da estratégia de quebrar o favoritismo de Eduardo Braide (PSD) em São Luís, Cricielle Muniz recebeu Orleans Brandão em um ato de pré-campanha no São Francisco. No seu discurso, ela reafirmou seu apoio à candidatura dele ao Governo, argumentando que conheceu de perto o seu trabalho na Secretaria de Assuntos Municipalistas e afirmando que, na sua avaliação, o candidato emedebista está preparado para governar.
Na contrapartida, Orleans Brandão não poupou elogios à ex-dirigente da Rede Iema: “Receber o apoio da Cricielle, que tem uma história de luta pela educação e pela juventude do Maranhão, é motivo de muita alegria e também de muita responsabilidade porque ela é uma liderança muito comprometida com a educação, com sua comunidade e com o futuro do nosso estado”.
Dois petistas ouvidos ontem pela Coluna disseram basicamente a mesma coisa: Cricielle Muniz nada tem contra Felipe Camarão, mas vai cumprir até o fim o compromisso que assumiu com Orleans Brandão.
Um deles fez uma observação curiosa: “Isso pode representar um segundo palanque para o Lula no Maranhão”.
Maranhão foi o melhor do País no ranking de competitividade
O Maranhão foi o estado que mais avançou em competitividade no País entre 2023 e 2025. Saltou da 20ª para a 9ª posição, ou seja, 11 posições, de longe o melhor desempenho entre os 26 estados. Os dados são do Ranking de Competitividade dos Estados, com base em investigação realizada pelo Centro de Liderança Pública (CLP) e divulgada no início da semana.
De acordo com o relatório, o melhor desempenho foi o do Espírito Santo, cuja estratégia tem por base o equilíbrio fiscal e a melhoria da eficiência administrativa. A lanterna ficou com Roraima, que obteve os piores resultados no Ranking de Competitividade dos Estados.
A pesquisa realizada pelo CLP apurou que o desempenho competitivo do Maranhão tem como lastro a solidez fiscal do estado, ou seja, o equilíbrio entre o que arrecada e o que gasta. Esse equilíbrio gerou outros benefícios, como a melhoria de quatro posições em eficiência administrativa, segundo o relatório.
Nesse campo, o Maranhão atual aumentou a sua capacidade de investimento, o controle de gastos, a digitalização dos serviços públicos e a transparência.
São Luís, 07 de Maio de 2026.


