Líderes petistas querem dois “ou mais” palanques para Lula no Maranhão num cenário de confronto

Parte do PT quer Lula da Silva no palanque
de Felipe Camarão e de Orleans Brandão

O anúncio de que o vice-governador Felipe Camarão será o candidato do PT ao Governo do Estado colocou no tabuleiro sucessório estadual uma série de situações que terão de ser ajustadas ao novo cenário da corrida ao Palácio dos Leões. O item mais delicado desse conjunto de situações é a proposta de montagem de dois palanques para o presidente Lula da Silva (PT) no Maranhão, um liderado pelo petista Felipe Camarão e outro comandado por Orleans Brandão (MDB), ambos adversários declarados.

Esse desenho, que na visão de muitos observadores é irreal diante do quadro configurado na política maranhense. Na visão de algumas figuras proeminentes do PT, não haverá problemas para Lula da Silva ser recebido no palanque de Felipe Camarão, no qual se sentirá naturalmente “em casa”, nem marcando também presença no palanque de Orleans Brandão. Isso pode acontecer? Quem sabe? Mas a viabilidade de uma proeza assim vai depender de um quase milagre, algo que venha a “dobrar” o mais elevado grau de imprevisibilidade da política.

Quando confirmou que o PT terá o vice-governador Felipe Camarão como candidato ao Palácio dos Leões, a primeira conclusão óbvia e lógica de qualquer observador isento foi a de que o comando petista e o Palácio do Planalto se afastavam politicamente do governador Carlos Brandão (sem partido), ainda que sobrevivesse a relação institucional por meio da qual o Governo Lula da Silva financia parte expressiva da maioria das grandes obras do Governo do Estado, como o prolongamento da Avenida Litorânea, por exemplo. O afastamento político comprometerá essa relação?

Em meio a essas indagações, a até pouco tempo desconhecida presidente interina do PT estadual, Patrícia Carlos, disse que não, que o presidente Lula da Silva pode ter sim dois ou mais palanques no Maranhão, porque a prioridade é a sua reeleição, querendo dizer que a candidatura de Felipe Camarão só servirá a esse propósito. A mesma proposta foi defendida há dois dias pelo ex-vice-governador, ex-conselheiro do TCE e ex-secretário da Representação do Governo do Maranhão em Brasília, Washington Oliveira, que lidera a ala petista alinhada ao governador Carlos Brandão.

Como está claro, o braço maranhense do PT – pelo menos uma grande parte dele -, quer o presidente Lula da Silva pedindo votos para o candidato do seu partido a governador, quando o palanque for o de Felipe Camarão, e também pedindo votos para o candidato a governador adversário, como o emedebista Orleans Brandão, se vier a ser o caso. É uma situação que, seja qual for o ângulo, parece não fazer o menor sentido. Ou será que alguém imagina a situação na qual o presidente Lula da Silva ora suba no palanque de Felipe Camarão e peça votos para si e para o aliado, e num outro momento marque presença no palanque de Orleans Brandão pedindo votos somente para ele próprio e não dizendo para o eleitor votar no candidato a governador?

A situação acima zomba da realidade, a começar pelo fato de que o presidente Lula da Silva jamais toparia uma aberração política dessa natureza, e certamente o governador Carlos Brandão não aceitaria submeter o seu candidato a governador uma fórmula tão grotesca.

No caso específico dos palanques do PT, comandado por Felipe Camarão, e do MDB, encabeçado por Orleans Brandão, por mais politicamente esdrúxulo que possa parecer, seria admissível o presidente Lula da Silva participar dos dois. Mas para isso, ele teria de dispensar ao candidato do MDB o mesmo tratamento que certamente dispensará ao candidato petista, exaltando qualidades e pedindo votos com o argumento de que ele será o melhor para o Maranhão. Seria uma solução salomônica e justa do ponto de vista ético. Mas seria também, sem a menor sombra de dúvida, o maior absurdo da história política do estado, algo não visto nem nos áureos tempos do vitorinismo, quando politicamente boi voava, e de asa quebrada, nos ares políticos do Maranhão.

A candidatura do vice-governador Felipe Camarão, assim como a de Orleans Brandão, trouxe teor politicamente explosivo do rompimento, que o PT terá de administrar, como o governador Carlos Brandão vem tentando fazer em relação à candidatura de Orleans Brandão.

PONTO & CONTRAPONTO

Estreito: Justiça Eleitoral cassa prefeito do PL e sua vice do PT

Léo Cunha e Irenilde da Silva: PL e PT
foram cassados pela Justiça Eleitoral

A cassação do prefeito de Estreito, Léo Cunha e da vice-prefeita Irenilde da Silva causou estragos em duas vertentes políticas absolutamente distantes, via de regrar em confronto nos planos municipal, estadual e, principalmente nacional. Léo Cunha é um empresário de Imperatriz que chegou à Prefeitura de Estreito como candidato do PL, pelas mãos do deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Irenilde da Silva é filiada ao PT.

Os dois foram cassados pela Justiça Eleitoral sob a acusação, comprovada em provas fartas, de abuso de poder econômico e político. Ele foi tornado inelegível por oito anos e ela apenas perdeu o mandato, não tendo sido alcançada pela inelegibilidade. Durante a campanha, Léo Cunha afrontou as regras eleitorais ao distribuir brindes a eleitores, entregar ambulância em clima de comício e realizar comício em data proibida, esnobando o controle da Justiça Eleitoral.

 Como se trata de uma decisão de 1ª instância, tomada pelo juiz Bruno Miranda, titular 82ª Zona Eleitoral de Estreito, o prefeito e a vice ainda não deixam os cargos, uma vez que têm direito a recurso ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA). Mas a cassação foi uma pancada impiedosa no prefeito de Estreito e sua companheira de chapa, e a julgar pelo teor da denúncia, dificilmente o TRE desmanchará a decisão do titular da 82ª Zona Eleitoral.

Léo Cunha é parte de uma família empresarial influente em Imperatriz, cujo irmão, Ribinha Cunha, foi candidato a vice-governador na chapa liderada por Roseana Sarney (MDB) em 2018, quando foi derrotada no 1º turno por Flávio Dino (PCdoB).

A cassação de Léo Cunha e Irenilde da Silva afeta duramente o PL, que perde um prefeito importante, e o PT, que terá muito o que explicar com essa cassação. E funcionou também como um recado de que outras cassações estão a caminho.

Decisão de médico que assistia à jogo em plantão mostra que Roberto Costa usa coragem como base da sua gestão

Coragem de quebrar tabus como inaugurar
escolas só com estudantes e professores

O ato do prefeito de Bacabal, que é também presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) Roberto Costa (MDB), de afastar um médico flagrado, por ele próprio, assistindo a um jogo de futebol durante plantão em uma unidade hospitalar bacabalense, reforçou o seu conceito de bom gestor, que vem construindo desde que assumiu o cargo em janeiro de 2025. E consolidou outra marca pessoal e política: a coragem, item decisivo na composição de um perfil de gestor bem sucedido.

Roberto Costa mostrou esse traço desde os primeiros momentos, com gestos desassombrados, mostrando que, tanto quanto a razão, o senso de justiça e a correção na prática administrativa, a coragem é fundamental para a tomada de decisões em todos os níveis.  

Ele começou a se mostrar um gestor ao mesmo tempo sensato e corajoso quando decidiu, por exemplo, pôr fim às inaugurações festivas e caras, que sempre foi regras imutável nos municípios. Foi corajoso quando foi pessoalmente ao um hospital para determinar que a partir daquele momento a comida a ser servida aos pacientes teria de ser do mesmo nível de qualidade da servida aos médicos, enfermeiros e servidores, o que não acontecia.

A coragem vem moldando o seu perfil político desde o Movimento Estudantil, quando, ainda adolescente, liderou parte do Movimento Secundarista de São Luís enfrentando os ativos e temidos líderes da esquerda, como o hoje deputado federal Márcio Jerry, por exemplo.

Sua coragem foi decisiva quando ele assumiu a Juventude do MDB, no início dos anos de 1990 enfrentando fortes pressões internas e externas, o que não o impediu de se tornar uma liderança forte dentro do partido, a ponto de anos mais tarde enfrentar as lideranças do partido, como Roseana Sarney, de quem cobrou uma participação mais ampla da ala jovem nas decisões do partido.

Roberto Costa enfrentou inúmeras situações complicadas como deputado estadual, as quais só superou pelas corajosas decisões que tomou. Agora, como prefeito, ele reforça o perfil de gestor que não teme os desdobramentos das decisões que toma. No caso do afastamento do médico por assistir à um jogo de futebol em pleno plantão hospitalar.

Sua postura certamente inspira colegas prefeitos e amplia sua estatura política.

São Luís, 05 de Maio de 2026.

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