
Ricardo Seidel, Orleans Brandão avança em
pré-campanha, Lahesio Bonfim lança
pré-candidatura em Bacabal e Felipe
Camarão aguarda decisão de Lula da Silva
A 15 dias do término do prazo de desincompatibilização de ocupantes de cargos públicos e mandatos executivos para quem vai entrar na disputa pelo voto, o tabuleiro político do Maranhão registra indefinições, incertezas e fortes expectativas nos dois campos mais atraentes e decisivos do cenário políticos estadual: o quadro de candidatos a governador e o time de candidatos País duas vagas no Senado da República. No primeiro, dos três postulantes declarados, apenas dois Orleans Brandão (MDB) e Lahesio Bonfim (Novo), têm situação definida, com pré-candidaturas oficialmente lançadas e já em plena pré-campanha. Os outros dois representam, nesse momento, muitas dúvidas. O vice-governador Felipe Camarão se apresenta como pré-candidato do PT, mas o PT, por razões diversas, ainda não cravou o seu nome. E o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), líder absoluto nas pesquisas, continua sem dar uma palavra sobre ser ou não ser candidato.
No meio político, a expectativa dominante é a de que Eduardo Braide renunciará à Prefeitura de São Luís, alimentada principalmente por declarações mais recentes do seu irmão, o deputado estadual Fernando Braide (PSB), sinalizando nessa direção. De uns dias para cá, alguns fatos reforçaram a impressão de que a renúncia está a caminho, mas como o próprio prefeito nada diz sobre o assunto, fica valendo a frase que se tornou mote nesse jogo pré-eleitoral – “Nem a minha esposa sabe ainda” -, dita há quase um mês, sem nenhuma ressalva até aqui. Os sinais vêm da intensa atividade administrativa e da programação de inaugurações, das quais Eduardo Braide vem participando tendo ao lado a vice-prefeita Esmênia Miranda (PSD). Além disso, há manifestações de políticos do interior pedindo lhe declarando apoio, como Ricardo Seidel, de Imperatriz, e rumores de conversas do prefeito com o comando nacional do partido sobre a candidatura. Nada além disso.
Em contagem regressiva para deixar, no próxima, o dia 30, a Secretaria de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), segundo na preferência do eleitorado segundo as pesquisas, ainda se movimenta nos ecos do ato de lançamento da sua pré-candidatura, no último dia 14, cumpre uma agenda intensa de inaugurações no interior, ao mesmo tempo se preparando para iniciar uma trajetória de pré-candidato fora do Governo, o que mudará substancialmente a sua rotina. Mesmo não havendo mais quase nenhuma dúvida em relação à sua candidatura, Orleans Brandão tem de conviver com a possibilidade – muito remota, é verdade – de o governador Carlos Brandão (sem partido) renunciar até o dia 4 de abril, e com boatos sobre eventual afastamento dele do cargo. Se nada disso acontecer, sua candidatura seguirá forte e viável, do contrário, terá erguida uma muralha à sua frente.
O candidato do Novo, Lahesio Bonfim, vive no momento uma situação que não é desanimadora, mas também não gera razões para entusiasma-lo. Terceiro na corrida aos Leões, ele vê sua posição estabilizada, como se tivesse chegado a um teto. Em conversas informais e em discursos, ele avalia que sua candidatura é viável e que avançará à medida que a corrida ganhar intensidade. Além do seu próprio cacife, que na pesquisa Quaest chegou a 11% de preferência, ele agora conta com a candidatura do ex-senador Roberto Rocha (Novo) e com uma aliança com o ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza), para ganhar impulsão. Uma das suas apostas seria a não candidatura de Eduardo Braide, que o catapultaria para um cenário de polarização com Orleans Brandão.
O vice-governador Felipe Camarão tem, de longe, a situação mais complicada entre os aspirantes ao Palácio dos Leões. Ele apostou alto na sua condição de candidato do PT, mas amarga um racha no partido, com uma banda lhe dando apoio e outra manifestando ostensiva simpatia pelo candidato do MDB, Orleans Brandão, por conta de uma aliança com o governador Carlos Brandão. Nas últimas três semanas, mesmo reafirmando-se candidato, Felipe Camarão vem dando mostras de que pode mudar o rumo da sua cruzada, chegando a admitir, com um mero “talvez”, que pode mudar abrir mão do Palácio dos Leões para se candidatar a senador, num ambiente de guerra pelas duas vagas. Quarto na preferência do eleitorado, segundo as pesquisas mais recentes, aguarda o mês de abril definir o seu rumo.
PONTO & CONTRAPONTO
Lahesio lança pré-candidatura em Bacabal em evento menor que esperava
Anunciado durante vários dias como um evento pensado para mostrar a força mobilizadora de um projeto de candidatura já definido e em franca ação de caça ao voto, o ato de lançamento da pré-candidatura do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo), realizado sábado, em Bacabal, frustrou as expectativas de simpatizantes do movimento. Mais ainda pelo fato de que o evento marcou a apresentação do ex-senador Roberto Rocha, que está ingressando no Novo, e do ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza) como pré-candidatos da chapa ao Senado da República.
Mesmo assim, Lahesio Bonfim fez um discurso duro, disparando acusações a adversários, criticando os outros projetos de candidatura, batendo no Governo do Estado, e tentando inflamar a assistência com frases de efeito, como a que lhe serve de slogan: “Maranhão tem jeito sim, com Lahesio Bonfim”. Ele estava acompanhado do presidente estadual do Novo, Leonardo Bonfim.
O fracasso de público está explicado por vários aspectos. Para começar, ele cometeu o erro estratégico de escolher Bacabal para tentar mostrar força política e potencial eleitoral. Isso porque aquele município é hoje um dos mais fechados redutos de apoio ao pré-candidato do MDB, Orleans Brandão, que tem no prefeito Roberto Costa (MDB) um dos pilares desse projeto e, além disso, é base principal de dois importantes deputados brandonistas, Florêncio Neto e Davi Brandão, ambos do MDB e apoiadores linha de frente do secretário de Assuntos Municipalistas. Não surpreendeu, portanto, o fato de os bacabalenses não terem dado muita importância ao evento do Novo.
Mesmo assim, Lahesio Bonfim postou nas redes sociais imagens do evento e partes do seu discurso, e afirmou que mantém de pé a sua pré-candidatura, certo de que pode virar o jogo. Vale registrar, que, segundo a pesquisa Quaest, divulgada na semana passada, ele aparece terceiro lugar, com 11% das intenções de voto, 24 pontos percentuais atrás de Eduardo Braide (PSD), 14 pontos atrás de Orleans Brandão e apenas quatro pontos à frente de Felipe Camarão (PT).
PSB perde e União continua na mesma com a migração de Duarte Júnior e de Juscelino Filho
Duas migrações partidárias, envolvendo os deputados federais Juscelino Filho e Duarte Júnior, foram resolvidas na semana que passou. O primeiro deixou o União Brasil para ingressar no PSDB, se mantendo no centro, e o segundo saiu do PSB para integrar as fileiras do União Brasil, dando uma guinada à direita.
Ao trocar União Brasil pelo PSDB, o deputado Juscelino Filho resolve dois abacaxis. O primeiro é que no União Brasil ele era obrigado a dividir o comando do partido com o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que tem o apoio do presidente da legenda, Antonio Rueda. E depois, ao ingressar no PSDB, ele ganhou também o controle do partido no Maranhão, passando agora a ter um partido para chamar de seu, devendo levar o ninho maranhense para a base de apoio do presidente Lula da Silva (PT), cuja reeleição apoia.
Já o deputado federal Duarte Júnior, ao deixar as fileiras do PSB, fica livre para se manter alinhado ao governador Carlos Brandão, integrando a base da pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado e mantendo o controle do Viva Cidadão. Do ponto de vista político e ideológico, Duarte Júnior deu uma guinada radical, saindo da esquerda moderada para ingressar para o centro-direita, no qual o União Brasil está situado. E se depender do seu novo colega de partido, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, Duarte Júnior não apoiará a reeleição do presidente Lula da Silva (PT), de quem já foi escudeiro ativo na Câmara Federal.
No balanço geral, o União Brasil saiu ganhando, porque, ao mesmo tempo em que perdeu Juscelino Filho, ganhou Duarte Júnior, equilibrando o jogo. Ao migrar para o União Brasil, o deputado Duarte Júnior deixa uma expressiva lacuna no PSB, que agora não tem mais ninguém na bancada maranhense na Câmara Federal.
Nesse contexto, outras duas situações partidárias estão pendentes no mesmo campo, as dos deputados estaduais Mical Damasceno e Eric Rocha. Os dois parlamentares pertencem ao PSD, que é comandado no Maranhão pelo prefeito de São Luís Eduardo Braide, mas estão alinhados com o governador Carlos Brandão em torno da candidatura de Orleans Brandão.
São Luís, 22 de Março de 2026.

