
filiação no PSDB; Duarte Jr. migrou do PSB para o União
A filiação, ontem, do deputado federal Juscelino Filho, ex-ministro das Comunicações, ao PSDB, em ato conduzido pelo presidente do partido, deputado federal Aécio Neves (MG), em Brasília, além de resolver a situação partidária do parlamentar, abriu caminho para que o ninho dos tucanos ocupe um novo espaço na política maranhense. E, ao que parece, foi um dos últimos atos do período de migração garantida legalmente pela janela partidária, que se encerra na próxima semana. Juscelino Filho, que deixou o União Brasil, vai para a reeleição no comando de um partido que ele poderá chamar de seu, à medida que o acordo que motivou o seu ingresso no ninho dos tucanos lhe assegurou a presidência e controle da legenda no Maranhão. O deputado federal Duarte Jr. seguiu a estratégia e migrou do PSB para o União Brasil.
O ex-ministro das Comunicações não desembarcou sozinho no ninho dos tucanos. Ele levou a irmã, Luanna Bringel, ex-prefeita de Vitorino Freire e pré-candidata à Assembleia Legislativa, o prefeito daquele município, Ademar Magalhães, e uma grande penca de líderes municipais – alguns deles foram a Brasília para o ato de filiação do parlamentar. O propósito de Juscelino Filho, além de montar uma chapa do partido para deputado federal, é disputar também cadeiras no parlamento estadual.
Ao se converter ao tucanismo, Juscelino Filho ganha um partido sem muito peso, mas bem organizado, trabalho do seu último presidente, o ex-prefeito de Imperatriz e atual chefe da Casa Civil Sebastião Madeira, que migrou para o MDB, pelo qual pretende se eleger deputado estadual. Ao mesmo tempo, livra-se da disputa, não declarada, com o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, de outra corrente do UB e que atualmente comanda a legenda no estado. O partido seria inicialmente assumido pelo ex-senador Roberto Rocha, mas ele decidiu filiar-se ao Novo, fazendo dobradinha com Lahesio Bonfim, candidato do partido ao Governo do Estado.
A guinada de Juscelino Filho foi, na verdade, um acerto de mão dupla: ele estava precisando de uma legenda expressiva para controlar no Maranhão, livrando-se do desgaste de medir força internamente, e o comando nacional do PSDB está fazendo uma forte campanha para atrair deputados federais e, assim, dar ao partido maior espaço na câmara baixa do Congresso Nacional. A filiação do parlamentar vitorinense é um ganho real muito comemorado pela cúpula do partido, inclusive pelo fato de ser ele um ex-ministro de Estado, mesmo enfrentando uma denúncia pesado de desvio de recursos de emendas parlamentares em obras controversas em Vitorino Freire.
– Vamos fazer do PSDB um dos maiores partidos do Maranhão e do Brasil – prometeu Juscelino Filho ao receber o comando do braço maranhense da agremiação tucana.
Por outro lado, ao migrar para o PSDB e assumir o seu controle no Maranhão, o deputado federal e ex-ministro Juscelino Filho deixou caminho livre para o deputado federal Pedro Lucas Fernandes consolidar de vez o seu comando no braço maranhense do União Brasil. O partido recuperou muito da perda ao receber em seus quadros o deputado federal Duarte Jr., que abandonou as fileiras da esquerda ao deixar o PSB, e migrou para o centro-direita ao se filiar ao União.
Tudo indica que Duarte Jr. Não pretende disputar o comando do braço maranhense do União com Pedro Lucas Fernandes. O seu interesse primeiro é ter um abrigo partidário para tentar a reeleição, já que sua permanência no PSB se tornou inviável por conta do rompimento do partido com o governador Carlos Brandão, com quem está alinhado por conta do Viva Cidadão.
Tanto Juscelino Filho quanto Duarte Jr. têm cacife para pleitear a reeleição. Os dois, assim como Pedro Lucas Fernandes, são membros fortes da bancada maranhense, detentores de vários mandatos, portanto com cacife para pedir ao eleitorado a renovação dos seus na elite parlamentar do País.
PONTO & CONTRAPONTO
André Fufuca reforça a cada dia seu lastro político e partidário para disputar o Senado
O ministro do Esporte André Fufuca (PP) tem dito a interlocutores do meio político que sua candidatura ao Senado é irreversível. Primeiro porque ele está convencido de que nem o governador Carlos Brandão (sem partido) nem a deputada federal Roseana Sarney, que pontificam como líderes nas pesquisas mais recentes, serão candidatos. E depois, porque acredita que numa disputa direta das duas cadeiras com o senador Weverton Rocha (PDT), a senadora Eliziane Gama (PSD) e o ex-senador Roberto Rocha (a caminho do Novo) ele tem condições de ganhar uma delas.
O ministro, que é deputado federal mas decidiu não pleitear a reeleição, conta com bom lastro de apoio, como, por exemplo, o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral (PP), que além de ser do seu partido, tem demonstrado entusiasmo com a sua candidatura. Na mesma linha está o grupo agora comandado pelo prefeito Gentil Neto (PP) em Caxias, e que tem como líder maior o ex-prefeito Fábio Gentil, atual secretário estadual de Agricultura.
Até agora, o grupo liderado pelo governador Carlos Brandão, que tem como carro-chefe a candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado, cravou mesmo apoio ao senador Weverton Rocha, deixando a segunda vaga em aberto. É nesse nicho que o ministro do Esporte constrói a base da sua candidatura, já tendo avançado consideravelmente, tornando cada dia mais difícil a ascensão de definido nas próximas semanas, como, por exemplo, a deputada Iracema Vale (MDB), presidente da Assembleia Legislativa, poderá ser o nome do seu partido na disputa senatorial.
Detentor do aval do comando nacional do partido, André Fufuca está política e partidariamente calçado, situação que reforça a sua determinação de chegar à Câmara Alta.
Relatório de Alexandre de Moraes mostra que Jair Bolsonaro está sendo bem tratado na prisão
O ministro Alexandre de Moraes, da Suprema Corte, mostrou ontem, no despacho em que autorizou a prisão domiciliar temporária para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que, ao contrário do que diz uma banda do bolsonarismo nas redes sociais, o aspirante a ditador e hoje condenado a 27 anos de cadeia, foi muito mais bem tratado. O ministro Alexandre de Moraes registrou que em pouco mais de 119 dias na prisão, Jair Bolsonaro foi atendido em quase tudo o que pediu no que diz respeito a assistência médica e em relação a contatos com familiares e aliados políticos.
Entre o dia 15 de janeiro e 11 de março, segundo o ex-presidente teve a seguinte série de atendimentos: recebeu acompanhamento médico permanente e diário em 206 ocasiões diferentes, três vezes ao dia; recebeu visitas permanentes sem necessidade de novas autorizações judiciais de sua esposa, filhos, filha e enteada; recebeu 40 visitas de terceiros solicitadas pela defesa; fez 18 sessões de fisioterapia; fez 48 sessões de atividades físicas (caminhada); recebeu atendimento por seus advogados em 40 (quarenta) dias; recebeu assistência religiosa, inclusive com serviços de capelania, em seis dias.
Levantamento feito pelo jornal O Globo revela que no sistema penitenciário brasileiro, apenas 0,6% dos presos em regime fechado cumprem pena em casa após condenação, como será o caso de Jair Bolsonaro. Mesmo depois de todas as traquinagens que ele fez durante a prisão preventiva, como a tentativa de livrar-se da tornozeleira eletrônica
Chama a atenção o fato de bolsonaristas ainda dizerem nas redes sociais que o ex-presidente e aspirante a ditador está sendo maltratado.
São Luís, 25 de Março de 2026.

