O tabuleiro da sucessão estadual foi estremecido nas últimas 72 horas, a 13 dias da corrida às urnas, com os números impactantes e divergentes de duas pesquisas, uma do IPSensus, divulgada no domingo, e uma do Instituto Viva Voz, que emergiu nesta segunda-feira. Como tem acontecido com outros levantamentos, curiosamente os números só divergem em relação a Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), que se alternam na liderança, enquanto os demais candidatos alimentam divergências que raramente saem da margem de erro.
Divulgada no domingo (20), a pesquisa IPSensus trouxe o seguinte panorama da corrida ao Palácio dos Leões: Orleans Brandão com 43,6% das intenções de voto e Eduardo Braide com 35,7%, uma vantagem de 7,9 pontos percentuais em favor do emedebista.
Atrás deles aparecem Felipe Camarão (PT) com 8,1%, Roberto Rocha (PRTB) com 3%, André Luís (Missão) com 1,5% e Saulo Arcangeli (PSTU), com 1%, Reginaldo Lima (PCB) com 0,8% e Dimas Cassimiro (PCO) com 0,3%. Um contingente de 2,7% afirmou que votará em branco ou nulo e outro, com 3,3%, manifestou indecisão.
Já a pesquisa do Instituto Viva Voz, divulgada nesta segunda-feira (21), trouxe números igualmente impactantes: Eduardo Braide (PSD) com 49,3% das intenções de voto, Orleans Brandão (MDB) com 26,1%, uma surpreendente vantagem de 23 pontos percentuais do candidato de oposição sobre o concorrente governista.
No segundo bloco, Felipe Camarão (PT) aparece na frente com 6,4% das intenções de voto, seguido de Roberto Rocha (PRTB) com 3,8%, André Luís (Missão) com 0,9%, Dimas Cassimiro (PCO) com 0,6%, Reginaldo Lima (PCB) com 0,4% e Saulo Arcangeli (PSTU) com 0,3%. Além disso, 6.3% não souberam ou não quiseram responder, enquanto 5,9% responderam “nenhum, brancos e nulos”.
Pela enésima vez, a Coluna lembra uma regra universal segundo a qual, por diversas razões de ordem técnica e estatística, não se deve comparar pesquisas de institutos diferentes. Mas de novo coloca essa regra de lado diante das diferenças gritantes que vêm separando as pesquisas sobre a disputa pelo Governo do Maranhão, com um grupo de institutos, a começar pelo mais importante, o Quaest, contratado pela TV Mirante por orientação da Rede Globo, que mostram Eduardo Braide na liderança com vantagem que variam de 12 a 20 pontos percentuais, parte delas indicando vitória no 1º turno, e outro grupo empresas cujas pesquisas apontam Orleans Brandão à frente, com vantagens que variam de 6 a 10 pontos percentuais.
É exatamente o caso da IPSensus, que no domingo apontou Orleans Brandão na liderança com 10 pontos percentuais de vantagem, e do Instituto Viva Voz, que na segunda-feira veio à tona afirmando que Eduardo Braide tem 49,3% de intenções de voto contra 26,1%.
Essa divergência vem alimentando um cenário de incertezas com relação ao desfecho da disputa para o Governo do Estado, polarizada entre Eduardo Braide, cujos partidários festejam intensamente o seu favoritismo, e Orleans Brandão, cujos apoiadores comemoram cada pesquisa favorável como igual entusiasmo, a começar pelo governador Caros Brandão. Os cautelosos preferem aguardar os números da pesquisa Quaest, que devem ser divulgados nesta semana pela TV Mirante.
Em Tempo: a pesquisa IPSensus ouviu 1.000 eleitores no período de 14 a 18 de setembro, tem margem de erro 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-02374/2026. Por sua vez, contratada pelo (?) Tribuna 98, a pesquisa do Viva Voz ouviu 1.320 eleitores – não foi informado o período da coleta –, tem margem de erro de 2,7 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-02471/2026.
PONTO & CONTRAPONTO
Confrontado por assuntos ácidos, Camarão se defende e faz ataques duros a Brandão e Orleans
O vice-governador Felipe Camarão, candidato do PT ao Governo do Estado, voltou a acusar o governador Carlos Brandão (MDB) de tentar criar “uma oligarquia” no Maranhão com a candidatura do ex-secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), à sua sucessão. Com o discurso político mais forte entre os candidatos quer participaram série de entrevistas da TV Mirante, Felipe Camarão explicou que se afastou definitivamente do Governo, do qual foi secretário de Educação, por causa de divergências com o governador quanto à aplicação dos recursos de precatórios do Fundef. O candidato petista, que é procurador federal de carreira, também classificou de “armação” a suspeita, levantada pelo Ministério Público estadual, de que ele teria movimentado atipicamente grandes quantias. E declarou ser o único candidato a governador do Maranhão ligado ao presidente Lula da Silva (PT), reafirmando o mote de campanha “Lula lá, Camarão cá”.
As posições do vice-governador foram manifestadas durante os 30 minutos, tempo em que ele respondeu a perguntas dos bem articulados jornalistas Tayse Feques e Rodrigo Bomfim e de estudantes universitários convidados. Além de temas relacionados à gestão e ao seu programa de Governo, sobre os quais ele tratou afirmando ser o único candidato que tem um plano de Governo, Felipe Camarão foi confrontado com três questões incômodas, uma sobre o motivo que o levaram a romper com o governador Carlos Brandão, outra relacionada com suposta suspeita de desvio quando secretário de Educação – que causou a instalação de uma CPI na Assembleia Legislativa -, e uma terceira sobre suposta postagem de conteúdo machista contra a deputada (terrivelmente evangélica) Mical Damasceno (Republicanos).
O candidato do PT bateu forte ao responder sobre a sua saída do Governo, após apresentar o argumento sobre os precatórios do Fundef, afirmou que não participou do Governo além da área de educação, que sempre foi leal e que ao longo de três anos assumiu o Governo durante 63 dias sem cometer qualquer ato além das suas funções institucionais. E acusou o governador Carlos Brandão de tentar inviabilizar a sua candidatura: “Tentaram me comprar, me ofereceram o que vocês podem imaginar, tentaram fazer com que eu renunciasse, com que eu desistisse”. E disparou na direção de Orleans Brandão, a quem definiu como um projeto “oligárquico”. E se definiu como “resistência”, assegurando que está “tranquilo e confiante”.
Sobre a suposta movimentação financeira “atípica”, reagiu em tom indignado, afirmando ser vítima de uma armação tramada num suposto conluio de um braço da polícia e setores do Ministério Público, já com decisões do Tribunal de Justiça e do Superior Tribunal de Justiça. “Então, obviamente, absolutamente nenhum receio, não tem nada contra a minha pessoa. Isso foi julgado, tudo falso, laudo falso, nenhuma prova, isso é absolutamente mentira.”, declarou. A mesma reação foi dirigida à denúncia de que teria sido machista e desrespeitoso com a deputada Mical Damasceno (Republicanos), classificando o caso como uma tentativa de intimidá-lo. E lembrou que os dois casos ocorreram exatamente quando ele encontrava-se sobre pressão para renunciar.
– Tentaram me comprar, mas eu não me vendi declarou.
Dimas Cassimiro: o candidato do PCO a governador que até hoje não disse a que veio
A corrida ao Palácio dos Leões vem sendo diferenciada por um dado que começa a chamar a atenção e a sugerir a indagação: por onde anda e o que de fato pretende Dimas Cassimiro, anunciado candidato do PCO, partido de extrema-esquerda, cujo chefe nacional, Rui Pimenta, é candidato a presidente da República pela quinta vez?
Ele não compareceu até agora a nenhum evento público de campanha, não concedeu entrevistas a emissoras de rádio, não compareceu a sabatinas e a debates nos canais de TV, não soltou nenhum panfleto e só é conhecido por uma fotografia, da qual todos os meios de informação se valem para mostra-lo.
No currículo que entregou à Justiça Eleitoral no processo de registro da sua candidatura, Dimas Cassimiro informa que nasceu em Teresina, no Piauí, tem 66 anos, é professor universitário e já concorreu, sem sucesso, a duas eleições: a deputado estadual em 2018 e a deputado federal em 2022.
Por conta da fragilidade estrutural do seu partido, que não tem representação no Congresso Nacional, o que o priva do Fundo Partidário e de espaço no horário eleitoral gratuito, e só conta com uma merreca do Fundo Eleitoral, a candidatura de Dimas Cassimiro só existe no papel, sem qualquer ato de visibilidade.
A mesma curiosidade é dedicada a Charlieth Viana, uma professora que até agora permanece numa situação tão discreta e inusitada como a do candidato Dimas Cassimiro.
São Luís, 22 de Setembro de 2026.


