Arquivos mensais: outubro 2026

Reeleição de Lula foi vitória da democracia; Maranhão teve papel importante nesse desfecho histórico

Momentos de Lula da Silva na sua passagem
em campanha por São Luís, onde foi recebido
por multidão e por aliados, como Carlos
Brandão, Elisiane Gama e André Fufuca

A democracia brasileira, a segunda maior do continente americano, reafirmou ontem, na conclusão da eleição presidencial, consistência institucional e capacidade de resistir a ameaças internas e a pressões externas. A reeleição do presidente Lula da Silva (PT), líder de uma frente progressista, com vitória acachapante sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), representante das forças mais conservadoras do mosaico ideológico e partidário nacional, foi a demonstração cabal de que os brasileiros perceberam e reagiram democraticamente às ameaças que ganharam força dentro e fora do País. E reagiram de maneira espetacular, com uma atitude simples e poderosa: saíram de casa para votar, reduzindo a abstenção. O resultado: o presidente Lula da Silva recebeu 64.256.232 votos (51,79%), enquanto o senador Flávio Bolsonaro saiu das urnas com 59.826.041 votos (48,21%). Um desfecho nítido, limpo, num processo eleitoral inquestionável, garantido por um sistema eleitoral seguro e sem máculas.

Nesse contexto, o Maranhão teve participação importante, dando a Lula da Silva 2.799.470 votos (69,52%) e a Flávio Bolsonaro 1.227.566 votos (30,48%), uma das vitórias proporcionais mais expressivas no tabuleiro dos estados. O presidente Lula da Silva teve sua votação robustecida com 233.169 votos a mais no 2º turno, enquanto o seu oponente perdeu 11.474 votos.

Se no contexto nacional, a histórica virada se deu por uma mudança radical na campanha, diante do fato de que as forças adversárias se mobilizaram para valer, no Maranhão ele se deu pelo fato de que a militância saiu do marasmo e foi para as ruas e para as redes sociais combater o bom combate na guerra santa pelo voto. No cenário político maranhense, a base de apoio do presidente Lula da Silva, formada por partidos de esquerda, parte das forças de centro e fatias da direita democrática, se manteve fiel no 1º turno, à medida que enfrentou uma direita motivada pelo “já ganhou” pregado pelo bolsonarismo, e disposta a tudo para vencer a disputa.

Dois fatos marcaram a campanha do 2º turno no Maranhão. O primeiro foi a visita do presidente Lula da Silva na última terça-feira (20/10), que arrastou uma multidão jamais vista para a Praça João Lisboa, no coração de São Luís, ao meio dia, sob um sol implacável, e de onde partiu uma caminhada que desembocou na Praia Grande, numa demonstração de que a virada seria possível. O outro evento foi a mobilização das forças da direita no dia seguinte, na Praça Maria Aragão, onde cabeças do bolsonarismo local conseguiram concentrar milhares de partidários de Flávio Bolsonaro, que não participou, mas foi representado por Nikolas Ferreira, o jovem deputado federal mineiro que muitos apontam como a serpente que vai engoli-lo. Os dois atos sugeriram que o 2º turno seria mais duro. Não foi. Lula da Silva aumentou sua votação e Flávio Bolsonaro viu a sua base de votos minguar.

A banda do eleitorado maranhense fiel ao presidente não se deixou influenciar pela postura “já ganhou” dos partidários de Flávio Bolsonaro, que apostaram alto com a vantagem com que saiu no 1º turno, absolutamente certos de que a fatura seria liquidada ontem. Sabiam da força do presidente no Maranhão, mas calcularam que ele seria fragilizado no estado com o resultado do 1º turno no País. Erraram feio, e com um custo político eleitoral muito duro, à medida que o resultado desagrega o grupo que bolsonaristas e outras correntes da direita tentaram construir durante a campanha eleitoral.

Enfim, no que diz respeito ao Maranhão, a eleição presidencial se deu sem qualquer imprevisto, com vitória superlativa do presidente Lula da Silva no 1º e no 2º turno. Nenhuma das forças que o apoiaram na primeira rodada negou fogo na segunda, apesar da desvantagem com que ele saiu das urnas no dia 5 de outubro. A maioria maranhenses foram dormir ontem em paz com a sua escolha política.

PONTO & CONTRAPONTO

Apoiadores de Lula ganharam força com a vitória do petista no estado

Felipe Camarão, Carlos Brandão, André
Fufuca e Márcio Jerry saíram fortalecidos
com a vitória de Lula da Silva

Várias expressões políticas, em posições e situações muito diferentes, tiveram participação. O primeiro foi vice-governador Felipe Camarão (PT), que perdeu a eleição para governador, mas não se deixou abater pelo insucesso nas urnas e incorporou a campanha do presidente para o 2º turno com disposição invejável, não só em São Luís, mas também no interior. O desfecho da eleição o torna candidato natural a comandar uma frente progressista no Maranhão.

Numa posição especial, por conta do resultado da disputa para o Governo do Estado, o governador Carlos Brandão (MDB) declarou apoio ao presidente Lula da Silva e entrou de cabeça na sua campanha, fazendo vídeos pedindo voto e incentivando a ida às urnas. Carlos Brandão participou da grande mobilização pró-Lula da Silva na última terça-feira (20) e sai do processo tendo fortalecida a sua relação com o presidente.

O deputado federal e senador eleito André Fufuca (PP) teve participação ativa em apoio à candidatura do presidente Lula da Silva nos dois turnos. A sua aliança eleitoral com o candidato do PSD, Eduardo Braide, que adotou neutralidade na corrida presidencial, não alterou a posição de André Fufuca em apoio ao líder petista. Já eleito senador, André Fufuca teve participação intensa na campanha do presidente da República no Maranhão.

O deputado federal reeleito Márcio Jerry (PCdoB) foi um dos mais ativo articuladores da mobilização para a campanha do 2º turno no Maranhão. Márcio Jerry divulgou muito vídeos convocando a militância e com apelos para que as pessoas fossem votar. Sua participação foi, se não decisiva, muito importante para a mobilização.

Outras personalidades políticas, como a senadora Eliziane Gama (PT), o ex-ministro das Comunicações e deputado federal reeleito Juscelino Filho (PSDB), além do deputado federal reeleito Rubens Júnior (PT) e do prefeito de Bacabal, Roberto Costa (MDB) tiveram participação expressiva na campanha que reelegeu o presidente Lula da Silva.

Direita maranhense ficou sem norte com a derrota de Flávio Bolsonaro

Lahesio Bonfim, Mariana Carvalho, Pedro
Lucas Fernandes e Aluísio Mendes saíram
perdendo com a reeleição de Lula da Silva

O desfecho da eleição presidencial com a vitória do presidente Lula da Silva produziu também tombos importantes, com perda de força política. Essa situação atingiu a extrema direita de modo geral. Os políticos da direita não foram um bloco unitário no |maranhão, e por isso não se sabe como eles atuarão a partir da reeleição do presidente Lula da Silva.

É o caso, por exemplo, do senador eleito Lahesio Bonfim (Novo), que festejou a vitória do senador Flávio Bolsonaro antes da hora, pregou “o fim da era Lula” e avisou que a direita mudaria radicalmente o País. O resulta da eleição deixou o senador eleito sem discurso.

Perde força também a deputada federal eleita mariana Carvalho (PL), alçada com a voz do bolsonarismo no Maranhão e que esteve na linha de frente da campanha de Flávio Bolsonaro no Maranhão, articulando os atos do bolsonarista no estado. O deputado federal Aldir Júnior (PL) também não alcançou a força que esperava com a eventual eleição de Flávio Bolsonaro.

Saíram chumascado do 2º turno da eleição os deputados federais reeleitos de direita como Pedro Lucas Fernandes (União), que participou dos esforços do bolsonarismo para melhorar o desempenho de Flávio Bolsonaro nas urnas maranhenses. O mesmo acontece com o deputado federal reeleito Aluísio Mendes (Republicanos), bolsonarista de carteirinha, que também se esforçou bastante por Flávio Bolsonaro.

São Luís, 26 de Outubro de 2026.

Brasil decide hoje entre seguir como um país democrático e soberano ou correr o risco de um retrocesso

Lula da Silva X Flávio Bolsonaro: o embate entre a
democracia plena e o projeto de “redemocratizar”

O futuro do Brasil será decidido neste domingo por 158,7 milhões de brasileiros, incluídos nesse bolo 5,2 milhões de maranhenses aptos a exercerem a sua principal prerrogativa cidadã: votar. Eles vão escolher, em 2º e decisivo turno, entre o presidente Lula da Silva (PT), que tenta o quarto mandato, representando um arco que vai da direita democrática à esquerda mais dura, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), bolsonarista que está na disputa pela primeira vez como voz que vai da direita à direita radical. No 1º turno, no plano nacional, Flávio Bolsonaro saiu das urnas em vantagem com 47,03% dos votos, enquanto Lula da Silva foi mandado para o turno final com 45,17% dos votos.

Os brasileiros, incluídos os maranhenses, claro, estão diante de dois projetos de País.

O de continuidade defendido pelo presidente Lula da Silva e que representa os brasileiros afinados com a democracia plena, baseada nos pilares pétreos da Constituição Cidadã de 1988, cujo 1º Capítulo reza que “o Brasil é uma República Federativa, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituindo Estado democrático de direito e tem como fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. E tendo como Parágrafo Único a regra pétrea que determina que “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) representa uma corrente política que tenta subverter o lastro constitucional brasileiro, tendo afirmado, incontáveis vezes, durante a campanha, que pretende “redemocratizar” o Brasil. Coloca a soberania nacional em risco quando defende abertamente colocar o Brasil sob a tutela dos Estados Unidos. Põe em xeque o conceito de dignidade humana quando debocha do fato de o presidente da República ter apenas nove dedos – o dedo mínimo da mão esquerda foi perdido quando Lula da Silva, aos 16 anos, trabalhava como torneiro mecânico. E não esconde que por trás do discurso de “bondades sociais” está o propósito claro de cortar benefícios. Seus parceiros, em grande parte evangélicos de visão distorcida, pregam a intolerância religiosa, a homofobia, a submissão das mulheres e afirmam que vacina mata.

Não há registros de que em algum momento dos seus três mandatos o presidente Lula da Silva tenha feito uma declaração ou um gesto antidemocrático, ou feito alguma proposta contra os fundamentos da Constituição Cidadã.

Flávio Bolsonaro fez uma campanha parecendo um político jovem e de visão aberta, mas na verdade ele representa o ideário do pai, Jair Bolsonaro, um ex-militar de extrema-direita que se elegeu presidente pelas regras democráticas, mas que as negou tentando moldar um regime fechado no Brasil, projeto que chegou ao ápice depois das eleições de 2022, quando foi derrotado por Lula da Silva e tentou um golpe para impedir a posse do presidente eleito e permanecer no poder. Por isso foi condenado a 27 anos de cadeia.

As pesquisas divulgadas ontem apontaram empate técnico, dentro das margens de erro, com vantagens numéricas para o candidato do PL. Mas como o presidente Lula da Silva vem num crescendo, diminuindo a distância a cada pesquisa, analistas de todos os matizes que se manifestaram ontem à noite preferiram não cravar previsões de desfecho, deixando a decisão para o resultado das urnas, na noite deste domingo.

No Maranhão, o resultado do 1º foi radicalmente inverso. O presidente Lula da Silva obteve a sua quarta vitória, essa com 2.566.301 votos (63,99%) contra 1.239,040 votos (30,90%) do senador Flávio Bolsonaro. E a menos que haja um fenômeno inédito, fora de qualquer previsão, o líder petista sairá das urnas desse 25 de outubro com uma vitória maiúscula. Esse desfecho nas urnas maranhenses poderá ser ampliado se o esforços para convencer mais de 1 milhão de faltosos a saírem de casa para votar forem bem sucedidos. Partidários do líder petista e apoiadores do candidato do PL passaram os últimos dias se movimentando com esse objetivo.

O futuro do Brasil como país soberano está nas mãos dos brasileiros.

PONTO & CONTRAPONTO

Brasil pratica hoje a democracia prevista nos princípios da Carta Magna, mas eles estão ameaçados

Ulisses Guimarães na promulgação
da Constituição Cidadã em 1988

O voto a ser dado hoje na escolha do novo presidente da República, antes de ser motivado por fatores econômicos ou meramente ideológicos, deve representar consciência cidadã contra o que poderá levar a democracia brasileira a uma rota de risco.

O segundo Capítulo da Constituição Cidadã reza: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.

Já 3º Capítulo instituiu: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; e promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

E o 4º Capítulo definiu que a República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: independência nacional; prevalência dos direitos humanos, autodeterminação dos povos; não-intervenção; igualdade entre estados; defesa da paz, solução pacífica dos conflitos; repúdio ao terrorismo e ao racismo; cooperação entre os povos para o progresso na humanidade; e concessão de asilo político.

Parágrafo Único: A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural, visando a formação de uma comunidade latino-americana de nações.

Todas essas regras estão sendo praticadas no Brasil atual. Mas essa postura de respeito aos princípios pode mudar radicalmente, para pior.

Quatro políticos comandaram as campanhas de Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no Maranhão

Felipe Camarão e Márcio Jerry lutaram por
Lula da Silva e Mariana Carvalho e Aldir
Júnior comandaram a campanha de
Flávio Bolsonaro no Maranhão

Independentemente do resultado do pleito no maranhão, hoje, quatro políticos foram fundamentais para as campanhas do presidente Lulas da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno no Maranhão.

 A campanha do presidente Lula da Silva para a segunda rodada foi embalada com mais ênfase pelo vice-governador Felipe Camarão (PT), que disputou sem sucesso o Governo do Estado, e pelo deputado federal reeleito Márcio Jerry (PCdoB). Eles encarnaram efetivamente o espírito da virada que tomou de conta da campanha do líder petista nas últimas duas semanas.

Felipe Camarão tiveram papel destacado na motivação do eleitorado do presidente no Maranhão nas redes sociais, com postos diários pedindo engajamento na campanha do presidente. E foi para as ruas com disposição de militante. Na escala do presidente em São Luís, na terça-feira, ele participou da manifestação caminhando.

Já o deputado reeleito Márcio Jerry foi incansável na mobilização de partidários de Lula da Silva, com atuação intensa nas redes sociais, assim como na participação nos atos pró-Lula da Silva em São Luís.

Na linha de frente da campanha de Flávio Bolsonaro no Maranhão no 2º turno estiveram efetivamente os deputados federais eleitos Mariana Carvalho (PL) e Aldir Jr. (PL).

Com base em Imperatriz, Mariana Carvalho foi muito ativa na mobilização do eleitorado bolsonarista. Ela esteve à frente de todas os atos e movimentos que a campanha do senador no Maranhão. Mais ligada à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que se elegeu senadora no Distrito Federal, a deputada tocantina esteve, de fato, na linha de frente.

Parte corrente do PL no Maranhão, a liderada pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Vereador por São Luís, Aldir Júnior foi escalado por Josimar de Maranhãozinho para disputar a Câmara Federal, ele incorporou a campanha do candidato bolsonarista a presidente.

Duas duplas com convicções radicalmente diferentes, que independentemente do desfecho da eleição presidencial poderão continuar com suas ações políticas com as suas consciências tranquilas.

São Luís, 25 de Outubro de 2026.

Debate na Globo foi republicano, com Lula mostrando experiência e Flávio exibindo inconsistência

Lula da Silva mostrou sua experiência e
o seu lastro como dirigente, enquanto
Flávio Bolsonaro foi propositivo,
mas derrapou em inconsistências

O debate realizado ontem na Rede Globo foi bem mais civilizado do que o ocorrido, semana passada, na Rede Band, isso ninguém pode negar. O presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se comportaram republicanamente, ainda que no final tenham jogado pesado num verdadeiro pugilato verbal. Mas o último e, para muitos, decisivo confronto direto entre os dois candidatos foi revelador das estaturas dos dois contendores.

O presidente Lula da Silva mostrou, do alto da sua história de sobrevivente da seca nordestina, a experiência de líder sindical três vezes presidente da República, e a desenvoltura de quem não tem rabo preso. O senador Flávio Bolsonaro, que exerceu também quatro mandatos de deputado estadual no Rio de Janeiro, tentou se mostrar um político experiente e preparado, foi mais propositivo e menos agressivo, mas de novo derrapou por falta de substância. E fugiu da maioria das perguntas feitas pelo presidente.

Num palco que não permitiu jogo de cena, como movimentação fantasmagórica por trás do oponente, como aconteceu na Band, assegurando a integridade de cada um, o presidente Lula da Silva jogou aberto em quase tudo sobre o que ambos debateram. Não deixou pergunta sem resposta, sendo explícito e informativo na maioria delas, mostrando o que o Governo atual e os dois anteriores (2003/2010). O presidente, que busca a reeleição, não deixou dúvidas sobre as realizações do seu Governo e lembrou as mudanças que fez no Brasil desde 2003, citando grandes obras, como a transposição das águas do São Francisco, por exemplo. E demonstrou ter o pleno domínio do seu Governo e que está preparado para o quarto mandato.    

Por sua vez, o senador Flávio Bolsonaro tentou ser objetivo, mas limitou suas propostas a anúncios concisos, não muito.  Quando teve a oportunidade de detalhar, por exemplo, o plano para reduzir o endividamento das famílias brasileiras, ficou no plano da superficialidade, tendo de ouvir Lula da Silva dizer que o que ele estava propondo o seu Governo já está fazendo com o terceiro Desenrola. O candidato do PL repetiu, com as mesmas palavras, o que pretende fazer na área de segurança pública, tendo também de ouvir de Lula da Silva que algumas daquelas propostas já estão sendo efetivadas no seu Governo e que outras encontram-se previstas na PEC da Segurança, de sua iniciativa, que está pendente de aprovação no Senado da República.

O fato é que durante todo o debate Flávio Bolsonaro exibiu juventude, controlou bem o seu tempo, e usou os direito de resposta para explicar propostas, lembrando um pouco Fernando Collor de Mello em 1989, com um discurso pretensamente propositivo, mas claramente ensaiado.

Essa postura ficou evidenciada, por exemplo, quando se manifestou sobre infraestrutura, dando a impressão de que não sabia exatamente sobre o que estava falando. Lula da Silva percebeu a fragilidade e a inconsistência do discurso e relacionou as obras estruturantes que já realizou, tendo iniciado sua manifestação com uma avaliação desconcertante: “Ele não conhece o Brasil”. Repetiu a observação quando os dois discutiram sobre a região Norte, incluindo a Amazônia.

E como não poderia deixar de ser, o clima esquentou no último bloco, quando os dois se enfrentaram fazendo perguntas um ao outro em temas livres. O presidente Lula da Silva para o ataque perguntando a Flávio Bolsonaro sobre a participação dele num imbróglio envolvendo o advogado Willer Tomás, uma das figuras mais controversas do submundo de Brasília, na aquisição de uma ilha reclamada pelo jogador Richarlison, que acusa os dois de forjarem a propriedade do lugar por meio de fraude. Flávio Bolsonaro ficou visivelmente desconfortável, negando sociedade com Willer Tomás, de quem se declarou apenas amigo. Tentou desestabilizar o presidente acusando-o de haver recebido de banqueiro-bandido Daniel Vorcaro um litro de whisky de R$ 500 mil, mas Lula da Silva rebateu e a história não prosperou. O pugilato final trouxe à tona Daniel Vorcaro, o filme “Dark Horse”, Lulinha e outros penduricalhos, causando a impressão de que o presidente Lula “segurou a onda” melhor do que o senador Flávio Bolsonaro.

O presidente Lula saiu dos estúdios da Rede Globo como entrou. Flávio Bolsonaro sofreu algumas avarias, pela inconsistência em pontos do debate técnico, e pelas reações no debate ético.

PONTO & CONTRAPONTO

Amigo de Weverton Rocha, Willer Tomaz “ganhou” mais espaço do que Vorcaro no debate de ontem

Weverton Rocha e Willer Tomaz:
ligação forte

No debate de ontem na Rede Globo entre o presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), o controverso advogado Willer Tomaz, o mais novo capo produzido nas entranhas suspeitas de Brasília, ganhou espaço maior do que o banqueiro-bandido Daniel Vorcaro. E o motivo foi um só: a relação dele com o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Essa ligação que vai de sociedade em conta de off-shore na Ilha da Madeira, mão dupla num esquema de exploração de bets, compra de imóveis em dinheiro vivo, e outras cositas mais, como o escandaloso e estridente grilo de uma Ilha comprada e paga pelo jogador Richarlison no Rio de Janeiro.

As ramificações de Willer Tomaz chegaram há algum tempo no Maranhão: ele comprou a rede Difusora de TV no Maranhão. E os rumores no meio político dizem que tem como sócio secreto ninguém menos que o senador Weverton Rocha.

Há cerca de três meses, uma operação da Polícia Federal descobriu que, por meio de parentes, o senador Weverton Rocha é sócio de Willer Tomaz no campo da advocacia, um negócio, que o senador define como “profissional” e que lhe rendeu participações milionárias.

O mais curioso é que o elo “profissional” do senador Weverton Rocha com Willer Tomaz aproximou o parlamentar maranhense ao colega dele de Senado Flávio Bolsonaro, a ponto de eles terem feito uma incursão turística com suas famílias na África.

Há quem diga que a relação do senador Weverton Rocha com Willer Tomaz ainda vai lhe dar muitas dores de cabeça. Principalmente a partir de fevereiro, quando terminar o seu mandato senatorial e ele voltar a ser um cidadão comum.

Braide mantém inalterada a posição de neutralidade na disputa presidencial.

Eduardo Braide: trabalhando
duro para definir ações

O governador eleito Eduardo Braide (PSD) está mesmo decidido a não revelar o seu voto na eleição de amanhã. Vai manter sem recuo a neutralidade no embate entre o presidente Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

E não esconde que se trata de uma posição sua, que é reforçada pelo comando nacional do partido, cujo presidente, Gilberto Kassab, anunciou, já no dia 5, que o PSD adotariam a neutralidade no 2º turno.

O argumento do governador eleito é simples e direto: não apoiou nem se posicionou contrário a nenhum candidato a presidente, posicionando-se assim até em relação ao candidato do seu partido, o goiano Ronaldo Caiado (PSD), que no dia seguinte declarou apoio a Flávio Bolsonaro.

E o mais importante: pretende construir uma relação produtiva com o próximo presidente, seja ele Lula da Silva, com quem manteve boa convivência quando prefeito de São Luís, ou com Flávio Bolsonaro, com quem pretende construir parcerias em favor do Maranhão.

E enquanto o presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro travam o confronto decisivo, o governador eleito Eduardo Braide mergulha no trabalho, elaborando as primeiras ações a serem adotadas no ato da posse.  

São Luís, 24 de Outubro de 2026.

Governistas ignoram investidas da oposição e deixam Brandão sem defesa na Alema

Carlos Brandão sofre ataques da
oposição e sua base não reage

O deputado Carlos Lula (PSB) vem fazendo uma série de denúncias e cobranças envolvendo a área de Saúde do Governo do Estado, disparando duras críticas ao governador Carlos Brandão (MDB), por ele apontado como responsável pelo que definiu na quarta-feira (21) como o “colapso do Hospital da Ilha”, e ontem afirmando que o Hospital do Câncer teria suspendido o serviço de quimioterapia. Também ontem, o deputado Júlio Mendonça (PSB) disparou chumbo contra o governador, que na sua avaliação está permitindo o “desmonte” dos serviços essenciais prestados pelo Governo do Estado. Recentemente, o deputado Catulé Júnior (PL) reclamou enfaticamente da suspensão das obras de construção da Avenida Pirajá, em Caxias.

O ponto comum nos discursos inflamados desses parlamentares foi que cada um deles, ao seu modo, sugeriu que o governador Carlos Brandão renuncie ao mandato, caso não esteja mais disposto a governar a dois meses do término do seu mandato. Na mesma cena em que sofre duras investidas de ex-aliados que viraram severos adversários, é visível que aliados seus não estejam saindo em sua defesa, dando a impressão de que a sua base de apoio, que chegou a reunir 30 dos 42 deputados, está se desfazendo antes da hora.

Antes das eleições, integrantes da poderosa bancada governista, liderada pelo deputado Neto Evangelista (MDB), estavam sempre a postos, prontos para rebater, “na lata” e com argumentos prontamente fornecidos pelo Governo, todas as investidas da Oposição, em especial dos deputados do PSB, Carlos Lula, Othelino Neto, Rodrigo Lago e Júlio Mendonça, que não se reelegeram, e Leandro Bello, o único socialista que sobreviveu nas urnas, todos do chamado Grupo Dinista. Agora, quase nenhum parlamentar com ligação estreita com o Palácio dos Leões, a começar pelo líder governista, aparece para sair em defesa do Governo em geral e do governador Carlos Brandão em particular.

É um fato político previsível, e para muitos “natural”, que as forças de sustentação do Governo se dispersem após o pronunciamento das urnas. Parte dos não reeleitos mergulha na frustração, e via de regra acaba vendo o Governo, que lhes deu muito, como o responsável pelo seu fracasso nas urnas. Um expressivo número de deputados que apoiavam entusiasticamente o governador Carlos Brandão foi reduzido depois do dia 4 de outubro,

No caso do atual Governo, o desmonte da base parlamentar se dá com mais rapidez numa relação de causa e efeito provocada pela derrota dos seus candidatos majoritários – Orleans Brandão (MDB) para o Governo, e Roseana Sarney (MDB) e Weverton Rocha (PDT) para o Senado. E o que chama mais a atenção na ausência de defesa do Governo na Assembleia Legislativa é que o partido do governador Carlos Brandão, o MDB, elegeu nada menos que 17 deputados, com algumas reeleições, ou seja, uma bancada com poder de fogo para definir os rumos da próxima Assembleia Legislativa. Só que, a julgar pelos movimentos dos seus nomes mais destacados, essa representação não parece preocupada com o fechamento do atual Governo, mas sim com o tipo de relação que terá com o futuro Governo, liderado pelo governador Eduardo Braide (PSD).

O diferencial dessa situação é que o governador Carlos Brandão, mesmo carregando o peso de uma dura derrota política, se mantém de pé, atuando intensamente para impedir a desaceleração do seu Governo, ora inaugurando obras, ora acompanhando a evolução de projetos em implantação, como a extensão da Avenida Litorânea em São Luís, a joia maior do seu portfólio de obras. Numa atuação solitária, ele próprio vem fazendo a publicidade das ações do Governo. Os ganhos dessa estratégia, porém, não reverberam no plenário de uma Assembleia Legislativa onde a maioria das gavetas estão sendo limpadas e o ânimo para o embate está indo junto.

E nada custa lembrar que o que vale ali é a versão parlamentar do “bateu, levou”, onde está prevalecendo apenas o “bateu”.

PONTO & CONTRAPONTO

Eventos de campanha em São Luís assanharam as forças lulistas e bolsonaristas

Multidão de apoio a Lula da Silva no
Centro de São Luís; “blocão” de
apoio a Flávio Bolsonaro na Beira-Mar

A pesquisa Datafolha de ontem, apontando uma divisão rigorosa do eleitorado brasileiro em duas bandas iguais entre o presidente Lula da Silva (PT), candidato a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PSD), assanhou as forças aos os apoiam no Maranhão.

Os partidários do presidente Lula da Silva causam a impressão de que se dispersaram depois do gigantesco ato de apoio ao líder petista na terça-feira (20), no Centro de São Luís, comandado pelo vice-governador Felipe Camarão (PT), pela senadora Eliziane Gama(PT) e pelos deputados federais reeleitos Rubens Júnior (PT) e Márcio Jerry (PCdoB), e que contou com a presença do governador Carlos Brandão (MDB) e do senador eleito André Fufuca (PP). Foi uma das maiores manifestações organizadas em torno do presidente Lula da Silva durante a campanha em todo o País.

Mas tiveram o sinal de alerta vermelho aceso na noite do dia seguinte, quarta-feira (21), quando partidários de Flávio Bolsonaro (PL) deram o troco com uma manifestação também gigante, na Avenida Beira-Mar, sem a presença do candidato bolsonarista e embalada pelo seu porta-voz, deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e capitaneado pela deputada federal eleita Mariana Carvalho com o apoio declarado e presencial de aliados maranhenses como o senador eleito Lahesio Bonfim (Novo) e os deputados federais reeleitos Pedro Lucas Fernandes (União), Aluísio Mendes (Republicanos).

A jugar pelos números do 1º turno, que deram vitória larga e acachapante ao presidente Lula da Silva, que teve mais que o dobro dos votos do candidato Flávio Bolsonaro, é lógico prever que o líder petista saia dar urnas de domingo com mais uma vitória maiúscula sobre o seu adversário no Maranhão.

A expectativa agora é, com a mobilização visível dos partidários do candidato bolsonarista, a vantagem do presidente se manterá no mesmo patamar.

Não pesem razão que o vice-governador Felipe Camarão está em campo desde quarta-feira, trabalhando para reforçar o cacife do presidente.

Violência política orientada contra petistas em Barra do Corda não pode ficar impune

James Mota foi afastado por Rigo Teles

Não será minimamente aceitável se o desfecho do que aconteceu às vésperas das eleições em Barra do Corda seja apenas o afastamento do secretário municipal de Segurança Pública, Antônio James Mota da Silva, suspeito de orientar, em mensagem de áudio clara e explícita, que seus comandados – agentes da Guarda Municipal ou jagunços contratados – atacassem petistas com violência física e moral, caso esses atuassem nas proximidades das sessões de votação.

No áudio a ele atribuído, e não negado, o secretário simplesmente manda sua tropa partir “para cima” de petistas, usando o pior e mais criminoso dos argumentos políticos: “Quem é petista é inimigo da polícia, é inimigo da sociedade”. E arremata sugerindo o terror: “O primeiro que nós prender na cidade ou no povoado, sai a história e eles vão ficar com medo”.

Diante da denúncia feita pelo vice-governador Felipe Camarão (PT), e com a viralização da peça nas redes sociais e nos meios de comunicação em geral, ganhando inclusive repercussão nacional, o prefeito de Barra do Corda, Rigo Teles (PL), afastou temporariamente o secretário James Mota, com a promessa vaga de passar tudo a limpo, como se tudo estivesse resolvido.

Não está. Por mais que se possa argumentar de que a barbárie policial num dia de eleição, a ação do secretário James Mota, que é policial militar, foi uma orientação política, nitidamente partidária, exatamente por delegar aos seus comandados o poder de atacar militantes petistas. O secretário pode ter cometido o crime de abuso de poder e uso da força com motivação nitidamente partidária.

O “bora pra cima deles” deixou claro que entre “eles” não havia membros do PL, do MDB, do Republicanos, do PCdoB ou qualquer outro partido. O alvo exclusivo da violência seriam petistas, e ponto.

É difícil supor que o secretário de Segurança de Barra do Corda tenha tomado a decisão de usar a violência política contra petistas por conta própria. Não faz nenhum sentido numa cidade de porte médio e cujo prefeito, Rigo Teles, controla a máquina com mão de ferro, um auxiliar seu tome uma decisão dessa natureza sem chancela superior.

Difícil imaginar também que Rigo Teles tenha dado esse tipo de orientação ao secretário. Mas, se não partiu dele a “estratégia” que balizou o secretário de Segurança a orientar seus comandados nessa linha de violência política, de quem partir tal ordem? Será que o caso vai ficar no plano do “isso foi coisa” do próprio secretário?

O chefe da Segurança Pública de Barra do Corda está afastado até depois do 2º turno da eleição presidencial. O que vier a acontecer a partir de segunda-feira (26) revelará quem tem culpa nesse cartório cordense.

São Luís, 23 de Outubro de 2026.

Direita mobiliza apoiadores do candidato do PL em movimentado ato em São Luís

Apoiadores de Flávio Bolsonaro se
concentraram na Avenida Beira Mar

O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, optou por encerrar em Fortaleza, e não em São Luís, como estava previsto, a sua campanha nordestina para o 2º da eleição presidencial. Mesmo assim, a direita maranhense que o apoia, realizou um movimentado ato, ontem, que reuniu direitistas e bolsonaristas de várias regiões do Maranhão. Batizado “Bloquinho do 22”, o evento de encerramento no Maranhão foi comandado pelo o deputado federal mineiro Nikolas Ferreira (PL), que regeu o coro de palavras-de-ordem formado pelo senador eleito Lahesio Bonfim (Novo), pelos deputados federais eleitos pelo PL Mariana Carvalho, que tem base em Imperatriz, Aldir Filho e Fabiana Vilar, ambos do grupo liderado por Josimar de Maranhãozinho, e pelos deputados federais reeleitos Pedro Lucas Fernandes (União), Aluísio Mendes (Republicanos) e Júnior Lourenço (MDB).

Cientes de que dificilmente realizariam uma manifestação para ser medida com a liderada terça-feira (20) pelo presidente e candidato à reeleição Lula da Silva (PT) no Centro de São Luís, os apoiadores de Flávio Bolsonaro realizaram ao longo do dia pequenas carreatas, algumas “motociatas” com poucos participantes, tendo também nesse período colocado carros de som circulando com mensagens e músicas da campanha do candidato do PL. Os organizadores tentaram ampliar o volume de apoiadores que receberam o candidato do PL no dia 22 de setembro, em ato realizado em frente à loja da Havan, na Avenida Daniel de la Touche.

O ponto alto da concentração aconteceu no início da noite, na Praça Maria Aragão, onde milhares de apoiadores do candidato do PL se concentraram e aplaudiram seus representantes e os emissários da cúpula do partido. O gigantesco trio elétrico circulou na Avenida Beira-Mar, mas não foi muito além do ponto central da concentração. Durante horas, direitistas militantes e bolsonaristas juramentados gritaram slogans da campanha e, como era previsível, atacaram o presidente Lula da Silva. Alguns foram para a Praça Maria Aragão acreditando que o presidenciável do PL estaria presente, influenciados por uma notícia falsa dando conta de que ele estaria em São Luís, quando o senador desembarcava em Fortaleza, onde jogou a sua última cartada para reverter a tendência de derrota em toda a região Nordeste.

Motivados por uma vantagem agora quase inexistente, caracterizando empate técnico dentro da margem de erro, segundo pesquisa Quaest divulgada ontem (45% a 44%) pela Rede Globo, militantes bolsonaristas acreditaram que poderiam galvanizar o eleitorado de São Luís com uma manifestação sem a presença do candidato a presidente. Não foram muito bem sucedidos, mesmo tendo dedicado parte do dia e da noite a muitos movimentos destinados a impressionar o eleitorado da Capital mais antibolsonarista do País.

Por mais que se esforcem, os partidários de Flávio Bolsonaro dificilmente conseguirão amenizar a situação eleitoral dele no Maranhão. Isso ficou claro com o resultado do 1º turno, quando Lula da Silva saiu das urnas com mais do dobro dos votos, uma diferença que, mesmo levando em conta as surpresas que as urnas eventualmente produzem, dificilmente será alterada substancialmente, para mais ou para menos. Talvez aí esteja a explicação para a não vinda dele ao estado, preferindo fazer o encerramento nordestino no Ceará, onde a reeleição do governador petista Elmano de Freitas foi uma pancada no candidato do PL, que apostou suas fichas no frustrado projeto de eleger ali o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que finalmente revelou o seu viés de direita.

Nas redes sociais, a ordem dos chefes do bolsonarismo no Maranhão é manter a mobilização até o dia da eleição. Essa orientação foi reforçada diante dos sinais de que o presidente Lula pode virar o jogo até domingo, como indicou a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira.

PONTO & CONTRAPONTO

Braide diz que “o Maranhão tem pressa” e avisa que “a transformação” começa em janeiro

Eduardo Braide: transformação
vai começar em janeiro

“O Maranhão tem pressa”. A frase foi pronunciada ontem à noite pelo governador eleito Eduardo Braide (PSD) após um intenso dia de trabalho no processo de transição. Sem um traço de cansaço, apesar do trabalho intenso, o futuro governador apontou para o mapa do Maranhão afirmando que o seu Governo vai atuar em todos os municípios, sem exceção, e completou:

– A partir de janeiro vamos iniciar a transformação do Maranhão, para que a gente pegue todo o potencial do nosso estado e ele chegue nas mãos dos maranhenses, através das diversas ações. Então, se preparem, a transformação do Maranhão está chegando, e a todo vapor.

Como é seu estilo, o governador Eduardo Braide não descansou depois do resultado das urnas com a sua eleição em turno único. Dois dias após a conquista do mandato, ele começou a montar o grupo que vai representa-lo na transição e montou um grupo de trabalho, que juntos formam o que pode ser definido como “núcleo de ferro” do próximo Governo.

Reeleita com grande votação, Daniella admite disputar a presidência da Assembleia

Daniella pode pleitear
a presidência da Alema

A deputada reeleita Daniella Jadão Menezes (MDB), conhecida apenas como Daniella, confirmou ontem previsão feita pela Coluna na edição de 11 de outubro: está se movimentando para disputar a presidência da Assembleia Legislativa. A confirmação de que está no jogo sucessório do parlamento estadual veio ao longo de uma entrevista que ela concedeu ontem ao programa Abrindo o Verbo, da Rádio Mirante, comandado pelo jornalista Wallace Brito.

Estratégias e equações à parte, a deputada Daniella está cacifada para se lançar candidata à presidência do Poder Legislativo: conquistou o terceiro mandato com votação turbinada, é um dos 17 membros da futura bancada do MDB, tem o suporte do grupo Gentil em Caxias, reúne experiência política e parlamentar, realizou mandatos produtivos, comandou a Procuradoria da Mulher na Alema, e conhece a fundo as nuanças e humores do Poder Legislativo estadual.

A parlamentar emedebista sabe que o jogo é complexo, pois muitos interesses movem as pedras no tabuleiro sucessório do parlamento maranhense. Mas sabe também no cenário até agora desenhado, com aspirantes se lançando sem lastro, ela tem cacife sustentar sua posição. Enquanto isso, ela fala em diálogo, sinaliza a possibilidade de boa convivência com o governador eleito Eduardo Braide (PSD).

E na ponta da linha um argumento poderoso: se ganhar o apoio integral da bancada do MDB – 17 votos, incluindo o dela -, precisará de apenas mais cinco votos para fechar a conta e ganhar o comando do Legislativo estadual.

São Luís, 22 de Outubro de 2026.

Em ato histórico no “coração” de São Luís, Lula reúne multidão de apoiadores à sua reeleição

Momentos do ato por Lula da Silva: a caminhada,
a presença de Carlos Brandão, Eliziane Gama
e André Fufuca no mesmo espaço,
com José Sarney e ângulos da multidão

O dia 20 de outubro, uma terça-feira, vai entrar para a história política do Maranhão como a data em que o presidente Lula da Silva (PT) reuniu a maior multidão que o espaço João Lisboa/Largo do Carmo, no coração de São Luís, já recebeu. Milhares de maranhenses, da Capital e do interior, enfrentaram o sol inclemente de um final da manhã, para manifestar o seu apoio ao chefe da Nação, que veio ao seu encontro em busca de reforço para o difícil, tenso e imprevisível desfecho da eleição presidencial de domingo, 25, em 2º turno.

Além de atrair milhares e milhares de apoiadores conscientes e entusiasmados, mas sem fanatismo cego, o presidente Lula da Silva realizou uma proeza política até ontem improvável: reuniu no mesmo palanque o governador Carlos Brandão (MDB), o vice-governador Felipe Camarão (PT), o senador eleito André Fufuca (PP) e a senadora não reeleita Eliziane Gama (PT), para citar os exemplos mais destacados. Além disso, após o ato no Centro Histórico, faz uma visita de cortesia ao ex-presidente José Sarney, 95 anos, que se recupera de uma cirurgia.

A gigantesca multidão começou a se formar na Praça João Lisboa por volta das 8h, com pessoas de todas as idades, a esmagadora maioria usando roupas e adereços – bonés, botons, etc… – alusivos à Lula da Silva e externando uma alegria sem exagero em músicas, palavras de ordem a intensos aplausos a todos os que se manifestaram nos palanques. Por volta das 10h30m já não havia mais como circular nas duas praças conjugadas, apesar do sol escaldante e do calor implacável.

Lula da Silva chegou à concentração pela Rua do Egito, por volta das 11h, fez um rápido discurso e abriu a caminhada política – que pretendeu fazer andando, mas foi desaconselhado devido à pressão da multidão. Atravessou as duas praças sob intensa ovação dos milhares e milhares de apoiadores, em clima festivo, num dos momentos mais icônicos da vida política do Maranhão em todos os tempos.

Sem esconder a satisfação de ter confirmado o apoio dos maranhenses, que lhe deram 2,5 milhões de votos no 1º turno, mais do dobro do número de votos dado ao seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Lula da Silva enfrentou o calor com uma disposição surpreendente, movimentando-se como alguém que acredita piamente que sairá das urnas de domingo com o mandato renovado, para comandar o País no último ciclo da sua impressionante trajetória política.

Na sua companhia, figuras políticas que dificilmente se reuniriam depois das eleições do dia 04, como o governador Carlos Brandão e o vice-governador Felipe Camarão, protagonistas de um rompimento político ainda pouco explicado, apesar de muitas evidências, e que certamente não se reuniriam em outras circunstâncias. Vale registrar que a multidão, de onde poderiam ter saído focos de reação à mesclagem política do palanque, aplaudiu a trégua momentânea em favor do esforço do líder petista pela sua reeleição.

Lula da Silva deixou São Luís no início da tarde embalado pela certeza de que os maranhenses lhe darão, mais uma vez, uma vitória maiúscula nas urnas no próximo domingo. Para ele, como pediu nas suas falas, o ideal é que, além dos votos recebidos no 1º, os mais de 1,5 milhão de maranhenses que ficaram em casa no dia 04 procurem as urnas no dia 25. Não há indicativo de que isso vá acontecer efetivamente, mas a julgar pela movimentação das últimas duas semanas nas redes sociais e fora delas, não será surpresa se esse movimento político ocorra e reforce a virada a seu favor.

Misturado à multidão em volta do veículo que transportava o presidente Lula da Silva e seus aliados, o vice-governador Felipe Camarão, visivelmente entusiasmado, disse acreditar que o presidente terá votação maior no 2º turno.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão mostrou coerência ao participar na linha de frente do ato pela reeleição de Lula

Carlos Brandão, Eliziane Gama e André Fufuca:
adversários reunidos em torno de Lula da Silva

O governador Carlos Brandão (MDB) foi o grande destaque do histórico ato final da campanha do presidente Lula da Silva, ontem, em São Luís. Contrariando a expectativa de muitos líderes e chefes do PT, e com a cabeça adornada por um chapéu de couro, o governador se fez presente, discursou entusiasmado e permaneceu ao lado do presidente durante a caminhada.

O distanciamento do presidente Lula da Silva do candidato palaciano Orleans Brandão (MDB), optando pela candidatura do vice-governador Felipe Camarão, do seu partido, o governador Carlos Brandão e o próprio candidato emedebista pregaram a reeleição do chefe da Nação durante a campanha eleitoral.

O resultado do pleito, a derrota do seu candidato, cuja campanha transcorreu com momentos de dura troca de acusações entre ex-aliados, o governador Carlos Brandão se recolheu, causando em muitos a impressão de que se omitiria no 2º turno da eleição presidencial.

A mudança de postura começou com o aval do MDB maranhense, por ele controlado, à decisão de outros nove diretórios do Norte e Nordeste de declarar apoio à reeleição do presidente Lula da Silva, contrariando 17 outros diretórios que se manifestaram a favor. Dias depois, o governador Carlos Brandão pulverizou todas as dúvidas ao postar nas suas redes sociais uma imagem suas vestindo uma camiseta verde-amarela e fazendo o “L”.

O governador complementou o posicionamento em vídeo feito no canteiro de obras da extensão da Avenida Litorânea em que destaca o amplo apoio do Governo do presidente Lula da Silva ao seu Governo.

Em nome da coerência e da decência políticas, o governador Carlos Brandão fez o que fazem políticos de estatura em situações como essa.  

Esmênia mostra correção institucional ao dar suporte ao ato de Lula em São Luís

Esmênia Miranda:
neutralidade institucional

Se de um lado incorporou a posição de neutralidade do governador eleito, Eduardo Braide, na eleição presidencial, seguindo, como ele, a decisão do seu partido, o PSD, a prefeita de São Luís, Esmênia Miranda (PSD), foi política e institucionalmente correta na preparação do ato monumental do presidente Lula da Silva, ontem, no coração de São Luís.

Por sua orientação, todas as solicitações feitas à Prefeitura de São Luís pela organização do ato foram atendidas, atendendo às regras da legislação eleitoral e às do Código de Postura do Município.

O único incidente se deu por conta da decisão da Secretaria Municipal da Criança e de Assistência Social de liberar servidores para participarem do ato em defesa do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e da Política Nacional de Assistência Social. Foi uma decisão unilateral da secretaria, que será apurado, conforme anunciou a prefeita Esmênia Miranda, em nota.

Na mesma nota, a chefe do Governo municipal reafirmou a neutralidade institucional da prefeitura de São Luís em relação na eleição presidencial.

São Luís, 21 de Outubro de 2026.

Lula vem a São Luís para pedir reforço no 2º turno com autoridade de quem faz muito pelo Maranhão

Lula da Silva convida maranhenses para
superconcentração hoje em São Luís

“Eu quero convidar vocês para fazer a maior concentração já feita na história do Maranhão. É a concentração da democracia e a concentração da nossa vitória no dia 25 de outubro”. Com essa declaração, o presidente Lula da Silva (PT) confirmou sua presença em São Luís hoje, para agradecer aos maranhenses a vitória maiúscula que do 1º turno sobre Flávio Bolsonaro (PL) no estado. Com o auxílio de um megafone, o próprio presidente Lula (PT) convocou os eleitores maranhenses para o ato, que ocorrerá às 9 horas, no Largo do Carmo (Praça João Lisboa), de onde sairá a caminhada que desembocará na Praia Grande.

No embalo de quem conhece profundamente o eleitorado maranhense, que sempre lhe deu maioria esmagadora nas suas participações nas corridas ao Palácio do Planalto, desde a primeira, em 1989, contra Collor de Mello. Foram seis disputas, com três derrotas e três vitórias, podendo obter a quarta vitória no próximo domingo. Vale lembrar que no 1º turno, realizado no último dia 04, o presidente saiu das urnas maranhenses com 2,5 milhões de votos (63,9%), contra 1,2 milhão (30,9%) dados ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).

Como sempre aconteceu desde que ele se tornou presidente da República, Lula da Silva desembarca hoje no Maranhão, mais uma vez com a autoridade de quem tem feito muito pelo estado. Numa mensagem direta aos maranhenses, há dois dias, ele apresentou um balanço dos investimentos que seu atual Governo fez no estado, vários deles em parceria com o governador Carlos Brandão (MDB), que lhe declarou apoio no domingo, vestindo camisa verde-amarela e fazendo o emblemático “L” do Lula.

Na sua “prestação de contas”, o presidente informou que 418 mil jovens estudantes maranhenses estão recebendo o Pé de Meia e que nada menos que novas unidades do IFIMA estão sendo implantadas em Amarante, Balsas, Chapadinha, Colinas, Mirinzal e Vitorino Freire. Além disso, o seu atual Governo contratou 76 mil unidades do Minha Casa, Minha Vida, das quais 37 mil foram entregues – ontem, por exemplo, o governador Carlos Brandão (MDB), juntamente com o ministro, entregou 400 unidades no interior da Ilha e mais mil no interior. No campo da saúde, o seu Governo está investindo na construção de duas maternidades no Maranhão, uma em São Luís e outra em Bacabal, e policlínicas em São Luís, Chapadinha, Balsas, Timon e Codó.

E destacou a joia deste portfólio de obras no Maranhão nos últimos quatro anos: a duplicação da Avenida Litorânea em sete quilômetros, a maior obra civil de mobilidade em implantação no estado nos últimos anos, fruto da parceria institucional e política com o governador Carlos Brandão. “Eu sei que não é tudo que vocês pediram, mas é muito mais do que qualquer Governo já fez na história do Maranhão”, avaliou o presidente ao encerrar o balanço de obras.

Lula da Silva desembarca nesta terça-feira com a certeza de que terá a maioria dos votos dos maranhenses na votação de domingo. Mas chega também como desafio de incentivar e ir às urnas os eleitores que não votaram no dia 04. Se conseguir convencer esse exército da abstenção, com certeza aumentará muito o desempenho eleitoral no Maranhão, que pode contribuir para a virada na qual ele aposta todas as suas fichas.

PONTO & CONTRAPONTO

Braide confirma neutralidade no 2º turno da disputa presidencial

Eduardo Braide confirma neutralidade

O governador eleito Eduardo Braide (PSD) confirmou ontem o que já estava escrito nas estrelas e na crônica do processo eleitoral em curso: manter-se-á em campo neutro no 2º turno da eleição presidencial. Essa posição, já desenhada no 1º nas eleições, foi por ele confirmada ontem ao portal Notícias Maranhenses.

Eduardo Braide já sinalizara com clareza a sua inclinação pela neutralidade na corrida presidencial quando disputou o Governo do Estado numa campanha em que evitou vinculação com qualquer candidato presidencial, a começar pelo representante do seu próprio partido, o ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD).

Sua neutralidade na disputa entre o presidente Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) está avalizada pelo comando nacional do seu partido, o PSD, cujo presidente, Gilberto Kassab, que fora candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado, fez um comunicado nacional anunciando a neutralidade do PSD no 2º turno, liberando os membros do partido para escolherem livremente os seus candidatos.

– Eu tive votos de todos os lados, então eu vou manter a coerência no sentido de que cada maranhense possa escolher aquele candidato a presidente que melhor o represente – declarou. E justificou sua posição com um argumento absolutamente convincente: “Como governador eleito, eu terei a obrigação de me dar bem e me relacionar bem com qualquer presidente, para não prejudicar o Maranhão. E é isso que a gente vai fazer”, concluiu.

O governador eleito Eduardo Braide sabe exatamente o que está fazendo. Ele é um político pragmático, que calcula e mede cada passo que dá, já tendo na sua trajetória a experiência de ter um adversário político, por exemplo, no comando do Estado. Para ele, é mais promissor está politicamente “zerado” com o próximo presidente, seja ele quem for.

Vele lembrar que o seu o primeiro mandato de prefeito de São Luís, conquistado em 2020, se deu sob o Governo Jair Bolsonaro, enquanto a segunda metade do primeiro e os dois anos e meio iniciais do novo mandato transcorreram sob o Governo Lula, ambos sem qualquer intercorrência nem acordo de toma-lá-dá-cá.

No próximo domingo, portanto, o governador eleito Eduardo Braide votará como um cidadão comum, escolhendo o seu candidato sob segredo absoluto.

Debate na Band revelou de vez a baixa estatura política de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro: sem resposta
e com sorriso amarelo

Não há o que discutir. O debate entre os candidatos presidenciais na Rede Bandeirante foi revelador da baixa estatura política do senador Flávio Bolsonaro (PL) e da decência e do lastro moral do presidente Lula da Silva (PT). Isso ficou muito claro quando o candidato do PL fez um plágio mambembe da postura de Donald Trump nos debates com o então presidente Jo Biden, agindo como um mamulengo para tentar desestabilizar o seu adversário.

Se o seu comportamento no debate tivesse se resumido a aquela tentativa de transformar o palco do debate num picadeiro de circo de segunda, por mais condenável e agressivo que tivesse sido, seria assimilado com mais facilidade.

O problema foi que o candidato do PL insultou a inteligência dos brasileiros quando deixou sem respostas as perguntas feitas sobre temas que o envolvem: o destino dos milhões que doados por Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia do pai, sua posição sobre o fim da escala 6X1, sobre o seu projeto de detonar o Bolsa-Família, sobre seu projeto de privatizar a Petrobras, entre outras propostas sobre as quais se recusou a falar.

Não foi sem razão que ele quase desmaiou quando o presidente Lula o desafiou a que os dois, juntamente com seus familiares, abram os seus sigilos telefônicos e bancário. Ele sequer esboçou uma resposta, saindo pela tangente com um sorriso amarelo.

Nada parecido aconteceu na história dos debates entre candidatos a presidente no Brasil.

São Luís, 20 de outubro de 2026.

Deu a lógica: Brandão mostra coerência e confirma apoio à reeleição de Lula

Carlos Brandão faz o “L” no calçadão
a Nova Litorânea, obra que realiza
com o apoio total de Lula da Silva

O governador Carlos Brandão (MDB) anunciou ontem o seu apoio ao presidente Lula da Silva (PT) no 2º turno da eleição presidencial. Deu a lógica, à medida que, por conta da relação institucional e política que os dois mantêm desde que assumiram seus mandatos em janeiro de 2023, seria surreal se o mandatário maranhense tomasse outro rumo, ou mesmo subisse ao muro da neutralidade. Com a manifestação deste sábado, o governador mostrou coerência, repetindo a posição que defendeu durante a campanha do 1º turno, mesmo sem o presidente Lula da Silva apoiando o seu candidato a governador, Orleans Brandão (MDB), preferindo, também por coerência, apoiar o candidato do seu partido, Felipe Camarão (PT).

Alguns observadores de visão distorcida apostaram alto que o governador Carlos Brandão não apoiaria o presidente Lula nem no primeiro nem num segundo turno se ale não desse lastro à candidatura de Orleans Brandão ao Palácio dos Leões. Algumas vozes, incluindo umas bem próximas da cúpula do Governo, chegaram a cogitar que, por conta da opção do presidente pela candidatura do vice-governador, o chefe do Executivo maranhense não só abandonaria a bandeira do petista como migraria com os seus aliados para a base da candidatura do senador Flávio Bolsonaro.

Os pregoeiros do rompimento erraram feio. O governador Carlos Brandão e o próprio candidato Orleans Brandão levantaram o estandarte do presidente Lula da Silva durante a campanha, mesmo com o chefe das Nação declarando apoio e fazendo campanha aberta pela candidatura do vice-governador Felipe Camarão. Alguns “teóricos da conspiração” fizeram previsões sombrias sobre essa relação durante a campanha, sendo a mais frequente a de que o troco viria no 2º turno, fosse qual fosse o resultado do 1º turno.

O fato de o presidente Lula da Silva apoiar o vice-governador Felipe Camarão e receber o apoio de Orleans Brandão sem apoia-lo criou uma situação politicamente esdruxula, difícil de ser compreendida por muitos. Mas ela foi mantida durante a campanha, e o pronunciamento das urnas em 04 de outubro mostrou o desfecho da equação político-eleitoral inusitada. O candidato do presidente foi o terceiro mais votado, o do governador ficou em segundo e o eleitorado elegeu, em 1º turno, o candidato do PSD, Eduardo Braide, sem qualquer relação com o Palácio dos Leões nem com o Palácio do Planalto.

Nesse contexto, o presidente Lula da Silva mostrou a sua força eleitoral extraordinária no Maranhão, uma vez que saiu das urnas com 2,5 milhões de votos, cerca de 300 mil a mais do que o governador eleito. Já o se adversário, Flávio Bolsonaro, recebeu 1,2 milhão, menos da metade dos votos do presidente em busca da reeleição.

No vídeo em que anunciou o seu apoio ao presidente Lula da Silva no 2º turno, o governador Carlos Brandão foi direto ao ponto, deixando claro que sua posição é a contrapartida eleitoral pela rica parceria que o chefe da Nação fez com o seu Governo, relacionando dois dos muitos acordo por meio dos quais o Governo Federal investiu em obras e programas no Maranhão. O primeiro foi a extensão da Avenida Litorânea em sete quilômetros, que deve ser inaugurada antes do final do ano. O segundo é a Zona de Processamento e Exportação (ZPE), que foi aprovada e começa a se tornar realidade em Bacabeira, e que na previsão do governador gerará 30 mil empregos e bilhões em receita.

Além do seu posicionamento pessoal, feito em tom de convocação dos seus aliados, o governador Carlos Brandão foi decisivo na posição tomada pelo braço maranhense do MDB, que em documento de aliou a outros nove diretórios do Norte e do Nordeste em apoio à reeleição do presidente da República, contrariando frontalmente 17 braços emedebistas do resto do País, que manifestaram apoio ao candidato bolsonarista.

O governador Carlos Brandão fechou assim a sua declaração de apoio ao presidente Lula da Silva: “No dia 25 de outubro é 13 na urna!”

PONTO & CONTRAPONTO

Flávio Bolsonaro cancela agenda em São Luís no dia 21; seria perda de tempo

Flávio Bolsonaro: sem futuro no Maranhão

A decisão – ainda não confirmada oficialmente – do candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) de não fazer escala em São Luís na quarta-feira, 21, é uma demonstração cabal de que ele sabe que suas chances de melhorar o seu desempenho eleitoral no Maranhão são quase inexistentes. O candidato do PL será representado pelo deputado federal mineiro Nikolas Ferreira (PL).

Sua agenda previa a participação dele numa manifestação na Praça Maria Aragão – que certamente, indignada, se reviraria no túmulo -, de onde partiria em caminhada por algumas ruas do centro. Divergências entre grupos bolsonaristas teriam contribuído fortemente para o cancelamento da agenda do candidato do PL no Maranhão.

Em queda e diante do crescimento do presidente Lula da Silva, o senador bolsonarista decidiu investir em colégios maiores e mais promissores para ele. Dita de outro jeito, foi essa a explicação dada pela deputada federal eleita Mariana Carvalho (PL), ao justificar a não vinda do candidato a São Luís na quarta-feira, num dia seguinte à visita do presidente Lula da Silva (PT).

No 1º turno, o presidente Lula recebeu mais que o dobro de votos que o candidato do PL. E com a mobilização que cresce para a segunda rodada, não será surpresa se o presidente ampliar a sua vantagem no estado, o que ajudaria na soma geral dos votos que definirá o novo presidente.

Ao escalar o deputado mineiro Nikolas Ferreira para representa-lo em São Luís, Flávio Bolsonaro pode ter cometido um erro político que poderá lhe custar uma munheca de votos.

Tudo pronto para a transição, mas trabalhos só serão iniciados depois que o TRE declarar os eleitos

Ana Caroline Salgado e Luís Fernando
Silva vão coordenar a transição

Tudo pronto para o processo de transição administrativa no Governo do Estado. O governador eleito Eduardo Braide (PSD) nomeou a equipe que vai representa-lo, o mesmo tendo sido feito pelo governador Carlos Brandão (MDB).

As equipes começarão a trabalhar tão logo o Tribunal Regional Eleitoral declare os candidatos eleitos nas eleições de 2026 – Eduardo Braide venceu a eleição, mas até agora não foi declarado governador eleito. Isso não foi feito ainda por causa do 2º turno da eleição presidencial, que acontece no próximo dia 25. A previsão é que o TRE-MA declare os eleitos na primeira semana de novembro, acendendo sinal verde para a transição.

O governador eleito Eduardo Braide escalou a seguinte comissão para representa-lo: Anna Caroline Salgado (ex-secretária municipal de Educação e coordenadora do grupo), Simão Cirineu (ex-secretário municipal de Planejamento e Orçamento), José de Jesus Azzolini (ex-secretário municipal de Fazenda), David Col Debella (ex-secretário municipal de Obras), Silvana Costa dos Santos (ex-presidente da Comissão Municipal de Licitação) e Manuella Oliveira Fernandes (ex-secretária municipal de Trânsito e Transportes).

Para repassar às informações aos representantes do novo Governo, o governador Carlos brandão nomeou Luís Fernando Silva, atual secretário Geral da Governadoria, que coordenará a equipe, Aline Barros (Planejamento e Orçamento), Pedro Chagas (Meio Ambiente), Aparício Bandeira (Infraestrutura), Jandira Dias (Educação), Liliane Carvalho (Saúde), Jeonys Caldas (Governo), Marcellus Alves (Fazenda), Guilberth Garcês (Administração), Denilson Almeida (Procuradoria-Geral do Estado), Alberto Bastos (Cidades) e Raul Mochel (Transparência).

A comissão que representa o próximo Governo pode requerer qualquer informação sobre finanças, obras, programas e estrutura administrativa.

São Luís, 18 de outubro de 2026.

Esmênia mostra firmeza e veta Projeto da Lei de Zoneamento desfigurado por vereadores com 133 emendas

Esmênia Miranda ao anunciar a decisão
de vetar o Projeto da Lei de Zoneamento

A prefeita de São Luís, Esmênia Miranda (PSD), deu ontem uma demonstração maiúscula de responsabilidade pública e firmeza política ao vetar integralmente a Lei de Zoneamento, Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, aprovada pela Câmara Municipal. O veto se deu porque o projeto original encaminhado pelo então prefeito Eduardo Braide (PSD) foi implacavelmente desfigurado por 133 emendas apresentadas pelos vereadores – parte delas pouco antes da votação.  “Sancionar esse texto seria desrespeitar cada pessoa que participou dessa construção”, explicou a prefeita, que destacou o fato de que grande parte das emendas não levou em conta as informações técnicas contidas no projeto.

Os argumentos da prefeita Esmênia Miranda são consistentes. Primeiro, ela lembra que o projeto tramitou durante mais de três anos na Câmara Municipal, tempo em que foi discutido em várias audiências públicas, das quais participaram representantes de todos os segmentos da sociedade organizada da Capital, bem como membros do Conselho da Cidade. Dessas audiências saíram dezenas de sugestões e recomendações, tendo poucas sido aproveitadas na forma de emendas. Além disso, muitas de reuniões técnicas foram realizadas para o debate de temas específicos relacionados com o uso do solo urbano de São Luís.

Como é sabido, São Luís enfrenta problemas graves no que diz respeito ao uso do solo urbano. Para começar, existem ainda pendências em relação ao verdadeiro tamanho do território do Município, havendo discussões sobre os limites fronteiriços com Paço do Lumiar e São José de Ribamar, bem como o fato de que uma enorme área está indevidamente ocupada por invasões, grilos e outros problemas relacionados com a ocupação do solo urbano. Além disso, há questões graves relacionadas com os custos gerados com o uso do solo na Capital.

O Projeto de Lei de Zoneamento veio exatamente para instituir um conjunto de regras destinadas a normatizar o parcelamento e o uso e ocupação do solo urbano. Para dar forma ao projeto da Lei de Zoneamento, o então prefeito Eduardo Braide determinou a realização de detalhados estudos técnicos cujos resultados embasaram a proposta que enviou à Câmara Municipal na forma de Projeto de Lei. A proposta saída do Palácio de la Ravardière previu uma ampla discussão com a sociedade organizadas, por meio de audiências públicas e reuniões técnicas.

O Projeto da Lei de Zoneamento foi amplamente discutido nas audiências públicas e reuniões técnicas ao longo de mais de três anos.  Durante esse período, ao perceber que as propostas de emenda não levavam em conta as sugestões da sociedade organizada feitas nas audiências públicas, o prefeito Eduardo Braide fez vários alertas através dos seus porta-vozes na Câmara Municipal, mas não foi ouvido. Cientes de que o projeto desfigurado seria vetado, a exemplo do que acontecera com o Plano Diretor, vetado integralmente pelo mesmo motivo, o comando da Câmara, articulado com a base oposicionista, “segurou” a votação até a saída do prefeito, que se desincompatibilizou para ser candidato a governador.

Nos cálculos do presidente Paulo Victor (PSB) e seus 20 aliados, entre ele o controverso presidente eleito Beto Castro (Avante), o candidato a governador por eles apoiado, Orleans Brandão (MDB), e diante desse cenário, a prefeita Esmênia Miranda enfrentaria problermas. Deu tudo errado. E ontem, com uma argumentação fundamentada em bases técnicas, a prefeita vetou integralmente projeto, que agora volta à Câmara Municipal para que o veto seja analisado pelos vereadores, que poderão mantê-lo ou derrubá-lo.

Será o primeiro teste da prefeita Esmênia Miranda na relação com a Câmara Municipal. A diferença é que o seu antecessor, Eduardo Braide, enfrentou uma Câmara com 20 dos 31 vereadores numa oposição avalizada pelo Palácio dos Leões. Agora, a situação pe inversa: a prefeita vai enfrentar a mesma oposição, mas tendo ela o apoio incondicional do governador eleito Eduardo Braide.

Nesse novo cenário, o mais provável é que a Câmara Municipal acolha o veto e abra caminho para a reapresentação do projeto original da Lei de Zoneamento, Parcelamento e Ocupação do Solo Urbano, que poderá ser ajustado, mas não de maneira exagerada e irresponsável como foi feito com o atual.

PONTO & CONTRAPONTO

Flávio Bolsonaro deixou a maioria das perguntas sem resposta na entrevista à Rede Globo

Flávio Bolsonaro não deu respostas
convincentes na entrevista à Globo

O candidato do PL a presidente da República, Flávio Bolsonaro, perdeu ontem uma boa oportunidade de esclarecer uma série de densas dúvidas que pesam sobre a sua condição de aspirante ao Palácio do Planalto. Ele não respondeu a nenhuma pergunta sobre o seu tênue lastro ético, e mostrou o seu viés antidemocrático ao avaliar o 8 de Janeiro de 2023 como um movimento de “velhinhas com bíblias na mão”.

Sobre economia, foi volátil e inconsistente, não apresentando um só projeto ou programa factível. Em relação aos programas sociais, repetiu a ladainha de que manterá e melhorará os programas criados pelo presidente Lula da Silva, como o Bolsa Família, por exemplo. E sua expressão e o tom da sua fala não deixaram dúvida de que, se eleito, mexerá na regra que extinguiu a escala 6X1, uma proposta do presidente Lula da Silva, que acabou apoiando à contragosto.

Quando falou da crise no Supremo Tribunal Federal, apontou os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Zanin como “aliados de Lula”, mas não deu um pio sobre a ligação clara e evidente dos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kássio Nunes Marques com bolsonarismo, evidenciadas inclusive agora, em decisões do Tribunal Superior Eleitoral.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro chamou de “farsa” o processo que resultou na condenação do pai a 27 anos de prisão por tentativa de golpe, passando forte impressão de que pensa igual ao pai. Tanto que causou a impressão de que fez um grande esforço para dizer que respeitará o resultado da eleição, caso não seja o vencedor.

Para fechar o elenco de más impressões, o senador Flávio Bolsonaro causou espanto quando disse que usará os lucros do petróleo a ser extraído da Margem Equatorial para financiar as despesas do Governo. Só que foi lembrado pela entrevistadora Renata Lo Prete que previsão da Petrobrás é que a exploração do petróleo daquela região só será efetivamente iniciada em 2033, ou seja, daqui a seis anos, dois anos depois do fim do mandato do presidente a ser eleito no próximo dia 25

E, finalmente, fez uma série de piruetas verbais para não explicar o destino dos milhões de dólares que sobraram do financiamento do filme e que foram mandados para os EUA por meio de um instituto controlado pelo irmão Eduardo Bolsonaro.   

Difícil entender que um eleitor de direita ou de centro, mesmo não gostando da esquerda moderada, valide um discurso desses nas urnas.

Fora da cláusula de barreira, PDT encerra a era Weverton Rocha lutando contra a extinção

Cid Costa preocupado
com o futuro do PDT

A entrevista do deputado estadual eleito Cid Costa, ex-prefeito de Buriti Bravo e que saiu das urnas com exatos 35.469 votos, sobre o nebuloso e nada promissor futuro do PDT, que não venceu a cláusula de barreira e se tornou um partido nanico, marca, de fato, o fim de uma era na política partidária do Maranhão. E com um detalhe importante: encerra também o comando férreo do senador não reeleito Weverton Rocha, que deve perder a presidência e a liderança regional do partido.

Para começar, o deputado estadual eleito Cid Costa demonstra, com clareza, que o deputado federal eleito Erlânio Xavier é o novo chefe maior do PDT no Maranhão, à medida que quase não falou no senador Weverton Rocha.

É uma situação dramático para um partido que duas décadas atrás chegou ao poder no Maranhão, liderado por Jackson Lago, depois de haver dominado por uma década e meia a política de São Luís e que hoje tem apenas um vereador na Capital.

Com a queda de Jackson Lago em 2009 e sua morte anos depois, Weverton Rocha assumiu o controle do partido, e liderou um processo que termina agora com a quase extinção da legenda.

O PDT saiu das urnas saiu das urnas com um deputado federal, Erlânio Xavier, que obteve 127.715 votos, e três deputados estaduais: Maedja Campos (102.695 votos), primeira-dama de Paço do Lumiar, João Igor (ex-prefeito de São Bernardo (69.440 votos), e Cid Campos.

Fora Erlânio Xavier, que foi muito beneficiado com a força do mandado senatorial de Weverton Rocha, nenhum dos deputados estaduais eleitos deve um voto sequer ao PDT. Ele entraram na disputa com recursos próprios, tendo o PDT apenas como meio partidário para se candidatarem.

Tudo indica que Weverton Rocha deixará a presidência regional do PDT e perderá muito espaço na direção nacional do partido. Sem ele, caberá a Erlânio Xavier buscar meios para a sobrevivência do partido.

São Luís, 17 de Outubro de 2026.

Risco de derrota a Lula fez o PT do Maranhão sair da zona de conforto e entrar na guerra pelo voto

Felipe Camarão assumiu o comando da
campanha de Lula da Silva no Maranhão

O PT do Maranhão acordou e resolveu agir como um partido cujo líder maior, o presidente Luka da Silva, encontra-se numa guerra eleitoral de vida ou morte. Ao contrário de como agiu no 1º turno da eleição presidencial, provavelmente pela certeza de que, mais uma vez, o presidente venceria seu adversário com larga maioria no estado, deixando a campanha correr solta, a postura da agremiação agora mudou. O prognóstico de uma vitória arrebatadora no Maranhão foi confirmado, com presidente Lula da Silva saindo das urnas com 63,99% da votação, ou seja, 2.566.301, enquanto o seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL) obtendo menos da 30,90%, o equivalente a 1.239.040 votos. Mas na votação geral no país, o presidente acabou em segundo, com 1,90 ponto percentual atrás do candidato bolsonarista.

A derrota do presidente Lula da Silva no 1º turno acendeu o alerta vermelho na seara petista maranhense, assim como aconteceu em todo o País. O fato de haver confirmado sua liderança com uma votação substantiva estado deixou de ser uma vantagem, e levou líderes petistas, a começar pelo vice-governador Felipe Camarão, a saírem às ruas para reverter a situação. O desafio tem sido convencer mais de 1 milhão de eleitores que não votaram no dia 04 a comparecerem às urnas e, claro, votar no presidente.

Como não se via há muito, o PT maranhense, que vinha chamando a atenção pela divisão entre as candidaturas de Felipe Camarão e Orleans Brandão (MDB), saiu da zona de conforto e foi à luta à caça de votos para Lula da Silva. Nos últimos 15 dias, o PT se mostrou um exército aguerrido, exibindo uma surpreendente capacidade de mobilização ao promover manifestações em universidades públicas, nas ruas do centro e em bairros populosos.

O vice-governador Felipe Camarão guardou as mágoas da derrota na disputa para o Governo, em grande medida causada pelo próprio partido, assumiu a condição de líder da banda petista que o reconhece como tal. E atuando com o apoio da senadora Eliziane Gama (PT) e do deputado federal reeleito Márcio Jerry (PCdoB) e outros graúdos da esquerda maranhense, como os deputados estaduais do próprio PT não reeleitos Carlos Lula e Rodrigo Lago, partiu para a luta. Para a surpresa de muitos, a postura aguerrida do PT tem produzidos resultados inesperados: as manifestações organizadas pelo partido têm reunido milhares de pessoas e mantido o ânimo em relação à reeleição do presidente Lula da Silva. Tem sido assim em São Luís e em algumas cidades grandes, como Caxias, Timon, Imperatriz.

Agora, além dos atos isolados, a cúpula do grupo progressista se dedica também à preparação da visita do presidente Lula da Silva ao Maranhão no próxima terça-feira, dia 20. A cúpula da base de apoio conta com o suporte de Gilberto Carvalho, ex-secretário da Presidência da República e atual secretário Nacional de Economia Popular e Solidária do Ministério do Trabalho, um dos principais assessores do presidente e um dos principais organizadores da campanha presidencial. Sua presença há três dias em São Luís dá a medida do significado da visita de Lula da Silva ao Maranhão nesta rodada decisiva da eleição para o Palácio do Planalto.

Segundo uma fonte petista, pelo que estava rascunhado ontem, o grande evento de campanha de Lula da Silva em São Luís começará com uma carreata que percorrerá grandes avenidas da Capital e culminará comum grande ato Cidade Operária.

A tropa bolsonarista sentiu o golpe nacional e se deu cinta de que Lula da Silva pode ampliar a sua votação excepcional no Maranhão. Tanto que trouxe às pressas, ontem, o deputado federal alagoano Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro a São Luís para confirmar a visita do candidato do PL no dia 21.  

PONTO & CONTRAPONTO

Entrevista na Globo: Lula deu aula de como combater as desigualdades no Brasil e driblar ciladas

Lula da Silva na entrevista na Globo

Aconteceu de novo. Na entrevista de ontem na Rede Globo, a tarimbada apresentadora Renata Lo Prete tentou colocar o presidente Lula da Silva (PT) nas cordas, mas o chefe da Nação mostrou que aos 80 anos está na plenitude da sua lucidez, dando um show de experiência.

Como já era esperado, a experimentada jornalista começou tentando jogar a crise no Supremo Tribunal Federal no colo do chefe do Poder Executivo. Lula da Silva reagiu externando toda a sua indignação com o envolvimento de ministros com a máfia do Banco Master, defendendo a apuração de tudo, sem restrição, e cobrando a conta de quem deve. E esclareceu: a crise do Supremo não é problema seu, é do País, tem de ser resolvida, e depois da solução, o Poder Judiciário tem de ser reformado. Não deixou espaços para cascas de banana.

O presidente desmistificou de vez a catilinária do corte de gastos como a solução de todos os problemas econômicos do País, pregada por economistas liberais, que só pensam na felicidade do grande capital, pouco se importando com a situação da de fato, que é a circulação de dinheiro na grande massa da população. Lula resumiu o problema numa equação simples: economia ruim é aquele em que poucos concentram enormes riquezas enquanto a maioria se vira com quase nada.

O líder petista reconheceu que o problema da dívida pública é grave, mas foi curto e direto ao afirmar que em Governo por ele comandado isso não será resolvido cortando recursos de programas sociais como o Bolsa-Família, como sugerem os porta-vozes do grande capital, a exemplo dos comentaristas da Rede Globo. A ênfase com que Lula da Silva defendeu os investimentos do Governo em programas sociais desarmou a entrevistadora.

Em resumo: na entrevista de ontem no horário nobre da Rede Globo, fechando o Jornal Nacional, Lula da Silva deu uma aula sobre como desmontar arapucas.

Deputados eleitos mais jovens têm origem política distinta

Natália do Júnior Garimpeiro e Túlio Rezende:
renovação com diferentes origens políticas

Os deputados estaduais eleitos Natália do Júnior Garimpeiro (?), 21 anos, e Túlio Rezende (MDB), 22 anos, desembarcarão na Assembleia Legislativa, em fevereiro do ano que vem, com a difícil e importante tarefa de representar a renovação plena da política maranhense.

Natália do Júnior Garimpeiro, na verdade Natália Silva Melo chegará à Assembleia Legislativa na esteira de uma eleição que chamou muito a atenção, a começar pelo seu nome eleitoral: Natália do Júnior Garimpeiro. Mentor político, patrono e financiador da sua candidatura, Júnior Garimpeiro é o controverso prefeito de Centro Novo do Maranhão, que ganha rios de dinheiro com ouro garimpado legal e ilegalmente, segundo a Polícias Federal, que já o prendeu duas vezes. Com curso superior incompleto – não revelou qual -, e sem registro de ação política na sua família, ela exercerá seu mandato com o desafio de mostrar que reúne as condições para representar a novíssima geração de políticos maranhenses.

O mesmo desafio enfrentará Túlio Rezende, na verdade Túlio Martins Rezende, que desembarcará na Assembleia Legislativa com DNA político dos dois ramos da sua família. Sua mãe é a deputada Andrea Rezende, filha do médico balsense Francisco Martins, que foi deputado estadual constituinte; seu pai é o médico e ex-deputado de quatro mandatos Stênio Rezende, que teve problemas com a Justiça e foi obrigado a passar o bastão para a esposa e agora para o filho. Aos 22 anos e com curso superior incompleto, Túlio Rezende vai representar a nova face de um grupo político com as virtudes e os defeitos da política tradicional.

Vale torcer para que os dois busquem o caminho da renovação.

São Luís, 16 de Outubro de 2026.