
em campanha por São Luís, onde foi recebido
por multidão e por aliados, como Carlos
Brandão, Elisiane Gama e André Fufuca
A democracia brasileira, a segunda maior do continente americano, reafirmou ontem, na conclusão da eleição presidencial, consistência institucional e capacidade de resistir a ameaças internas e a pressões externas. A reeleição do presidente Lula da Silva (PT), líder de uma frente progressista, com vitória acachapante sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), representante das forças mais conservadoras do mosaico ideológico e partidário nacional, foi a demonstração cabal de que os brasileiros perceberam e reagiram democraticamente às ameaças que ganharam força dentro e fora do País. E reagiram de maneira espetacular, com uma atitude simples e poderosa: saíram de casa para votar, reduzindo a abstenção. O resultado: o presidente Lula da Silva recebeu 64.256.232 votos (51,79%), enquanto o senador Flávio Bolsonaro saiu das urnas com 59.826.041 votos (48,21%). Um desfecho nítido, limpo, num processo eleitoral inquestionável, garantido por um sistema eleitoral seguro e sem máculas.
Nesse contexto, o Maranhão teve participação importante, dando a Lula da Silva 2.799.470 votos (69,52%) e a Flávio Bolsonaro 1.227.566 votos (30,48%), uma das vitórias proporcionais mais expressivas no tabuleiro dos estados. O presidente Lula da Silva teve sua votação robustecida com 233.169 votos a mais no 2º turno, enquanto o seu oponente perdeu 11.474 votos.
Se no contexto nacional, a histórica virada se deu por uma mudança radical na campanha, diante do fato de que as forças adversárias se mobilizaram para valer, no Maranhão ele se deu pelo fato de que a militância saiu do marasmo e foi para as ruas e para as redes sociais combater o bom combate na guerra santa pelo voto. No cenário político maranhense, a base de apoio do presidente Lula da Silva, formada por partidos de esquerda, parte das forças de centro e fatias da direita democrática, se manteve fiel no 1º turno, à medida que enfrentou uma direita motivada pelo “já ganhou” pregado pelo bolsonarismo, e disposta a tudo para vencer a disputa.
Dois fatos marcaram a campanha do 2º turno no Maranhão. O primeiro foi a visita do presidente Lula da Silva na última terça-feira (20/10), que arrastou uma multidão jamais vista para a Praça João Lisboa, no coração de São Luís, ao meio dia, sob um sol implacável, e de onde partiu uma caminhada que desembocou na Praia Grande, numa demonstração de que a virada seria possível. O outro evento foi a mobilização das forças da direita no dia seguinte, na Praça Maria Aragão, onde cabeças do bolsonarismo local conseguiram concentrar milhares de partidários de Flávio Bolsonaro, que não participou, mas foi representado por Nikolas Ferreira, o jovem deputado federal mineiro que muitos apontam como a serpente que vai engoli-lo. Os dois atos sugeriram que o 2º turno seria mais duro. Não foi. Lula da Silva aumentou sua votação e Flávio Bolsonaro viu a sua base de votos minguar.
A banda do eleitorado maranhense fiel ao presidente não se deixou influenciar pela postura “já ganhou” dos partidários de Flávio Bolsonaro, que apostaram alto com a vantagem com que saiu no 1º turno, absolutamente certos de que a fatura seria liquidada ontem. Sabiam da força do presidente no Maranhão, mas calcularam que ele seria fragilizado no estado com o resultado do 1º turno no País. Erraram feio, e com um custo político eleitoral muito duro, à medida que o resultado desagrega o grupo que bolsonaristas e outras correntes da direita tentaram construir durante a campanha eleitoral.
Enfim, no que diz respeito ao Maranhão, a eleição presidencial se deu sem qualquer imprevisto, com vitória superlativa do presidente Lula da Silva no 1º e no 2º turno. Nenhuma das forças que o apoiaram na primeira rodada negou fogo na segunda, apesar da desvantagem com que ele saiu das urnas no dia 5 de outubro. A maioria maranhenses foram dormir ontem em paz com a sua escolha política.
PONTO & CONTRAPONTO
Apoiadores de Lula ganharam força com a vitória do petista no estado

Fufuca e Márcio Jerry saíram fortalecidos
com a vitória de Lula da Silva
Várias expressões políticas, em posições e situações muito diferentes, tiveram participação. O primeiro foi vice-governador Felipe Camarão (PT), que perdeu a eleição para governador, mas não se deixou abater pelo insucesso nas urnas e incorporou a campanha do presidente para o 2º turno com disposição invejável, não só em São Luís, mas também no interior. O desfecho da eleição o torna candidato natural a comandar uma frente progressista no Maranhão.
Numa posição especial, por conta do resultado da disputa para o Governo do Estado, o governador Carlos Brandão (MDB) declarou apoio ao presidente Lula da Silva e entrou de cabeça na sua campanha, fazendo vídeos pedindo voto e incentivando a ida às urnas. Carlos Brandão participou da grande mobilização pró-Lula da Silva na última terça-feira (20) e sai do processo tendo fortalecida a sua relação com o presidente.
O deputado federal e senador eleito André Fufuca (PP) teve participação ativa em apoio à candidatura do presidente Lula da Silva nos dois turnos. A sua aliança eleitoral com o candidato do PSD, Eduardo Braide, que adotou neutralidade na corrida presidencial, não alterou a posição de André Fufuca em apoio ao líder petista. Já eleito senador, André Fufuca teve participação intensa na campanha do presidente da República no Maranhão.
O deputado federal reeleito Márcio Jerry (PCdoB) foi um dos mais ativo articuladores da mobilização para a campanha do 2º turno no Maranhão. Márcio Jerry divulgou muito vídeos convocando a militância e com apelos para que as pessoas fossem votar. Sua participação foi, se não decisiva, muito importante para a mobilização.
Outras personalidades políticas, como a senadora Eliziane Gama (PT), o ex-ministro das Comunicações e deputado federal reeleito Juscelino Filho (PSDB), além do deputado federal reeleito Rubens Júnior (PT) e do prefeito de Bacabal, Roberto Costa (MDB) tiveram participação expressiva na campanha que reelegeu o presidente Lula da Silva.
Direita maranhense ficou sem norte com a derrota de Flávio Bolsonaro

Lucas Fernandes e Aluísio Mendes saíram
perdendo com a reeleição de Lula da Silva
O desfecho da eleição presidencial com a vitória do presidente Lula da Silva produziu também tombos importantes, com perda de força política. Essa situação atingiu a extrema direita de modo geral. Os políticos da direita não foram um bloco unitário no |maranhão, e por isso não se sabe como eles atuarão a partir da reeleição do presidente Lula da Silva.
É o caso, por exemplo, do senador eleito Lahesio Bonfim (Novo), que festejou a vitória do senador Flávio Bolsonaro antes da hora, pregou “o fim da era Lula” e avisou que a direita mudaria radicalmente o País. O resulta da eleição deixou o senador eleito sem discurso.
Perde força também a deputada federal eleita mariana Carvalho (PL), alçada com a voz do bolsonarismo no Maranhão e que esteve na linha de frente da campanha de Flávio Bolsonaro no Maranhão, articulando os atos do bolsonarista no estado. O deputado federal Aldir Júnior (PL) também não alcançou a força que esperava com a eventual eleição de Flávio Bolsonaro.
Saíram chumascado do 2º turno da eleição os deputados federais reeleitos de direita como Pedro Lucas Fernandes (União), que participou dos esforços do bolsonarismo para melhorar o desempenho de Flávio Bolsonaro nas urnas maranhenses. O mesmo acontece com o deputado federal reeleito Aluísio Mendes (Republicanos), bolsonarista de carteirinha, que também se esforçou bastante por Flávio Bolsonaro.
São Luís, 26 de Outubro de 2026.