
democracia plena e o projeto de “redemocratizar”
O futuro do Brasil será decidido neste domingo por 158,7 milhões de brasileiros, incluídos nesse bolo 5,2 milhões de maranhenses aptos a exercerem a sua principal prerrogativa cidadã: votar. Eles vão escolher, em 2º e decisivo turno, entre o presidente Lula da Silva (PT), que tenta o quarto mandato, representando um arco que vai da direita democrática à esquerda mais dura, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), bolsonarista que está na disputa pela primeira vez como voz que vai da direita à direita radical. No 1º turno, no plano nacional, Flávio Bolsonaro saiu das urnas em vantagem com 47,03% dos votos, enquanto Lula da Silva foi mandado para o turno final com 45,17% dos votos.
Os brasileiros, incluídos os maranhenses, claro, estão diante de dois projetos de País.
O de continuidade defendido pelo presidente Lula da Silva e que representa os brasileiros afinados com a democracia plena, baseada nos pilares pétreos da Constituição Cidadã de 1988, cujo 1º Capítulo reza que “o Brasil é uma República Federativa, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituindo Estado democrático de direito e tem como fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. E tendo como Parágrafo Único a regra pétrea que determina que “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) representa uma corrente política que tenta subverter o lastro constitucional brasileiro, tendo afirmado, incontáveis vezes, durante a campanha, que pretende “redemocratizar” o Brasil. Coloca a soberania nacional em risco quando defende abertamente colocar o Brasil sob a tutela dos Estados Unidos. Põe em xeque o conceito de dignidade humana quando debocha do fato de o presidente da República ter apenas nove dedos – o dedo mínimo da mão esquerda foi perdido quando Lula da Silva, aos 16 anos, trabalhava como torneiro mecânico. E não esconde que por trás do discurso de “bondades sociais” está o propósito claro de cortar benefícios. Seus parceiros, em grande parte evangélicos de visão distorcida, pregam a intolerância religiosa, a homofobia, a submissão das mulheres e afirmam que vacina mata.
Não há registros de que em algum momento dos seus três mandatos o presidente Lula da Silva tenha feito uma declaração ou um gesto antidemocrático, ou feito alguma proposta contra os fundamentos da Constituição Cidadã.
Flávio Bolsonaro fez uma campanha parecendo um político jovem e de visão aberta, mas na verdade ele representa o ideário do pai, Jair Bolsonaro, um ex-militar de extrema-direita que se elegeu presidente pelas regras democráticas, mas que as negou tentando moldar um regime fechado no Brasil, projeto que chegou ao ápice depois das eleições de 2022, quando foi derrotado por Lula da Silva e tentou um golpe para impedir a posse do presidente eleito e permanecer no poder. Por isso foi condenado a 27 anos de cadeia.
As pesquisas divulgadas ontem apontaram empate técnico, dentro das margens de erro, com vantagens numéricas para o candidato do PL. Mas como o presidente Lula da Silva vem num crescendo, diminuindo a distância a cada pesquisa, analistas de todos os matizes que se manifestaram ontem à noite preferiram não cravar previsões de desfecho, deixando a decisão para o resultado das urnas, na noite deste domingo.
No Maranhão, o resultado do 1º foi radicalmente inverso. O presidente Lula da Silva obteve a sua quarta vitória, essa com 2.566.301 votos (63,99%) contra 1.239,040 votos (30,90%) do senador Flávio Bolsonaro. E a menos que haja um fenômeno inédito, fora de qualquer previsão, o líder petista sairá das urnas desse 25 de outubro com uma vitória maiúscula. Esse desfecho nas urnas maranhenses poderá ser ampliado se o esforços para convencer mais de 1 milhão de faltosos a saírem de casa para votar forem bem sucedidos. Partidários do líder petista e apoiadores do candidato do PL passaram os últimos dias se movimentando com esse objetivo.
O futuro do Brasil como país soberano está nas mãos dos brasileiros.
PONTO & CONTRAPONTO
Brasil pratica hoje a democracia prevista nos princípios da Carta Magna, mas eles estão ameaçados
O voto a ser dado hoje na escolha do novo presidente da República, antes de ser motivado por fatores econômicos ou meramente ideológicos, deve representar consciência cidadão em relação em que poderá levar a democracia brasileira a uma rota de risco.
O segundo Capítulo da Constituição Cidadã reza: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.
Já 3º Capítulo instituiu: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; e promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
E o 4º Capítulo definiu que a República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: independência nacional; prevalência dos direitos humanos, autodeterminação dos povos; não-intervenção; igualdade entre estados; defesa da paz, solução pacífica dos conflitos; repúdio ao terrorismo e ao racismo; cooperação entre os povos para o progresso na humanidade; e concessão de asilo político.
Parágrafo Único: A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural, visando a formação de uma comunidade latino-americana de nações.
Todas essas regras estão sendo o praticadas pelo Brasil atual. Mas essa postura de respeito aos princípios pode mudar radicalmente, para pior.
Quatro políticos comandaram as campanhas de Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no Maranhão

Lula da Silva e Mariana Carvalho e Aldir
Júnior comandaram a campanha de
Flávio Bolsonaro no Maranhão
Independentemente do resultado do pleito no maranhão, hoje, quatro políticos foram fundamentais para as campanhas do presidente Lulas da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno no Maranhão.
A campanha do presidente Lula da Silva para a segunda rodada foi embalada com mais ênfase pelo vice-governador Felipe Camarão (PT), que disputou sem sucesso o Governo do Estado, e pelo deputado federal reeleito Márcio Jerry (PCdoB). Eles encarnaram efetivamente o espírito da virada que tomou de conta da campanha do líder petista nas últimas duas semanas.
Felipe Camarão tiveram papel destacado na motivação do eleitorado do presidente no Maranhão nas redes sociais, com postos diários pedindo engajamento na campanha do presidente. E foi para as ruas com disposição de militante. Na escala do presidente em São Luís, na terça-feira, ele participou da manifestação caminhando.
Já o deputado reeleito Márcio Jerry foi incansável na mobilização de partidários de Lula da Silva, com atuação intensa nas redes sociais, assim como na participação nos atos pró-Lula da Silva em São Luís.
Na linha de frente da campanha de Flávio Bolsonaro no Maranhão no 2º turno estiveram efetivamente os deputados federais eleitos Mariana Carvalho (PL) e Aldir Jr. (PL).
Com base em Imperatriz, Mariana Carvalho foi muito ativa na mobilização do eleitorado bolsonarista. Ela esteve à frente de todas os atos e movimentos que a campanha do senador no Maranhão. Mais ligada à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que se elegeu senadora no Distrito Federal, a deputada tocantina esteve, de fato, na linha de frente.
Parte corrente do PL no Maranhão, a liderada pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Vereador por São Luís, Aldir Júnior foi escalado por Josimar de Maranhãozinho para disputar a Câmara Federal, ele incorporou a campanha do candidato bolsonarista a presidente.
Duas duplas com convicções radicalmente diferentes, que independentemente do desfecho da eleição presidencial poderão continuar com suas ações políticas com as suas consciências tranquilas.
São Luís, 25 de Outubro de 2026.
