João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha decidem mandar Dilma para casa e legitimar Temer na Presidência da República

 

trio setatorial
João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha votam contra Dilma Rousseff por motivos diferentes

 

A menos que haja uma reviravolta espetacular, que não está prevista no roteiro da mais controvertida processo político deste século até aqui, os senadores João Alberto (PMDB), Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSB) votarão pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), na histórica sessão do Senado da República marcada para o final da manhã desta quarta-feira. São votos com motivações rigorosamente diferentes, mas que na perspectiva das relações políticas, têm lastro para serem justificados, por mais polêmicos que possam ser os argumentos. Na frase de um senador que migrou do campo da presidente afastada Dilma Rousseff para a seara do presidente interino Michel Temer (PMDB), “a hora é a de aguçar o instinto de sobrevivência e não de posar de herói de causa perdida”. João Alberto e Edison Lobão são políticos de larga experiência, passados “na casca do alho”, não estão dispostos a “morrer na praia” nem dar tiro no pé se posicionando do lado derrotado. Roberto Rocha, por sua vez, é um dos políticos mais atuantes e bem sucedidos da sua geração, por isso não está disposto em dar passos que não se traduzam em aumento de poder político.

O senador João Alberto não simpatiza com o impeachment. Ele deixou isso claro nas primeiras decisões do Senado em relação ao processo. Preferia um grande acordo nacional que abrisse caminho para a realização de eleições para presidente da República. Arquitetou um espaço no qual pudesse permanecer no PMDB mantendo sua posição. Só que o processo avançou, ganhou corpo, tendo o PMDB assumido o poder via Michel Temer, levando todo o partido – com raríssimas exceções, entre elas o senador paranaense Roberto Requião – a firmar posição pela destituição da presidente. Presidente do PMDB no Maranhão, membro da Executiva Nacional do partido e figura destacada de um grupo – liderado pelo ex-presidente José Sarney -, que rompeu com o PT e trabalha ferozmente para consumar o impeachment e legitimar Michel Temer no comando do País. Diante desses fatores de pressão, somados aos apelos do próprio presidente interino Michel Temer, o senador João Alberto foi colocado diante de dois caminhos: votar contra o impeachment e enfrentar retaliações do seu partido, ou votar a favor do impeachment e seguir a vida em paz com seu partido e com o novo governo. Preferiu a segunda opção.

O senador Edison Lobão, em princípio, estaria moralmente obrigado a votar a contra o impeachment, pois foi ministro de Minas e Energia no primeiro e em parte do segundo mandato da presidente. Mas Lobão não foi uma escolha arbitrária de Lula ou de Dilma para aquele Ministério, um dos mais importantes e influentes da esplanada. O senador foi indicado pelo PMDB para ser um dos seus representantes na equipe de governo, de acordo com as linhas mestras da aliança partidária que saíra vitoriosa das urnas. Lobão já estava distanciado da presidente Dilma desde a campanha eleitoral de 2014, quando avaliou que ela própria e os líderes do PT não deram a importância que ele esperava à candidatura do suplente de senador Lobão Filho ao Governo do Estado, emitindo muitos sinais de que o Palácio do Planalto tinha preferência pela eleição de Flávio Dino (PCdoB). Quando a presidente foi afastada, Lobão passou a ser um dos interlocutor frequentes do presidente interino Michel Temer, tendo, porém, o cuidado de se movimentar discretamente. Em todas as votações sobre o impeachment no Senado, o ex-ministro votou favorável ao andamento do processo. A menos que tenha havido uma reviravolta espetacular durante a noite, Lobão vota pelo impeachment.

Até ontem, pairava uma tênue nuvem de dúvidas sobre o voto do senador Roberto Rocha. As especulações em torno da sua posição no processo de impeachment foram as mais diversas, incluindo a mais recente, trombeteada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo: Rocha teria negociado uma diretoria do Banco do Nordeste para ajudar a legitimar o presidente interino Michel Temer. Roberto Rocha está muito à vontade para votar nesse processo. A bancada do seu partido está dividida, podendo ele optar pelo rumo que bem entender. Ao contrário dos dois pemedebistas, o socialista tem juízo formado sobre o processo de impeachment, uma visão política, o que lhe permite adotar um posicionamento pragmático, comum à política de resultados. Rocha é um político em ascensão, que se movimenta ocupar um espaço, principalmente no Maranhão, onde está o grande objetivo da sua vida, o Palácio dos Leões. Legitimando Michel Temer, ele abre uma picada larga naquela direção, inclusive fazendo um contraponto ao governador Flávio Dino (PCdoB), que ficará sem lastro político em Brasília.

O principal desdobramento da escolha dos três senadores será o político, pois implicará na injeção de novo gás no Grupo Sarney, dará mais musculatura ao senador Roberto Rocha e fragilização política do governador Flávio Dino.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Ibope ajusta posições da corrida em São Luís

nova ordem
Edivaldo Jr. agora ´=e seguido por Wellington do Curso, Eliziane Gama, Eduardo Braide, Fábio Câmara, Rose Sales, Cláudia Durans, Zéluiz Lago e Valdeny Barros

A Pesquisa Ibope sobre a corrida para a Prefeitura de São Luís, divulgada ontem pela TV Mirante, confirma os cenários que outros levantamentos feitos por institutos locais vinham rascunhando o crescimento seguro do prefeito Edivaldo Jr. (PDT), com 29%; o potencial de crescimento de Wellington do Curso (PP), com 20%, e a tendência de queda de Eliziane Gama (PPS), mostrada com apenas 16% das intenções de voto. Mais do que isso, abre uma avenida para o time intermediário: Eduardo Braide (PMN), com 5%; Fábio Câmara (PMDB), com 5%, e Rose Sales, também com 5%. E confirma a situação sem futuro do terceiro time: Cláudia Durans (PSTU) com 2%; Zéluiz Lago (PPL), com 1%, e Valdeny Barros com traço. Registrando ainda 12% de eleitores revoltados querendo votar nulo ou em branco, e os indecisos, que somam 5%.

O crescimento do prefeito já não surpreende, pois está se consolidando a cada levantamento, sustentado pela força indiscutível visível e inconteste da sua campanha.

Eliziane desidrata

Impressiona a perda de substância de Eliziane Gama, que começou sua caminhada como um furacão, preferida por 57% do eleitorado consultado. Ela vem sendo vitimada por um fenômeno absolutamente surpreendente, já que ela perdeu pontos em todas as pesquisas feitas de maio para cá, num processo de desidratação que se acentuou depois das convenções, quando vieram à tona as coligações. Sua aliança com o PSDB e o PV, que ela combatia, com certeza está contribuindo para esse debacle, pois não é novidade para ninguém o risco eleitoral e político que corre um candidato que se alia ao Grupo Sarney (PV) e ao PSDB (João Castelo – que para ela já foi “Caostelo”) numa corrida às urnas em São Luis. O mais grave é que Eliziane Gama não parece ter condições políticas de reverter esse processo de queda livre, o que será uma tragédia. O maior risco agora é esses números do Ibope, que vão balizar a campanha daqui por diante, causarem uma debandada. Será o fim do seu projeto de se tornar prefeita nesta eleição.

Wellington vira o jogo

No contrapeso, Wellington do Curso ganha substância. Enquanto fica demonstrado que Eliziane Gama tinha um teto, o candidato do PP dá um grande passo além e alcança a condição de adversário de fato do prefeito Edivaldo Jr.. Inicialmente sem nenhuma chance de chegar no time da frente, Wellington galgou cada degrau também com consistência, dando a entender, a cada rodada, que trabalhava para ser o adversário do prefeito num eventual segundo turno. Os nove pontos que separam o líder do agora vice-líder é uma distância confortável, mas não insuperável, exatamente porque não se sabe qual o limite do potencial eleitoral do candidato do PP, estando clara apenas a evidência indiscutível de que  ele é um aspirante cuja ascensão parece irreversível.

 

São Luís, 30 se Agosto de 2016.

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