Campanha entra em fase decisiva com polarização firme entre Braide e Orleans para os Leões

Eduardo Braide e Orleans Brandão iniciam
fase decisiva da campanha com polarização,
enquanto Felipe Camarão esboça reação,
e Roberto Rocha, André Luís, Saulo Arcangeli,
Reginaldo Lima e Dimas Cassimiro tentam reagir

A 28 dias, exatas quatro semanas, das eleições, os candidatos a governador, senador, deputado federal e deputado estadual entram na fase decisiva da campanha eleitoral. Agora, quando ganham força o corpo a corpo com o eleitor, a campanha no rádio e na TV, as carreatas, as caminhadas, os comícios, se firmam também os últimos acordos, muitos rompimentos – alguns deles apontados como “traição” -, questionamentos judiciais em relação a procedimentos de caça ao voto, enfim, tudo o que é possível ocorrer numa guerra eleitoral, que tem as pesquisas de opinião como balizamento. Nesse ambiente de animado confronto democrático, a disputa pelo Governo do Maranhão e pelas duas vagas no Senado chama a atenção pela intensidade com que ela avançam.

Até aqui, não há dúvida de que a corrida ao Palácio dos Leões, que reúne oito candidatos, está polarizada entre Eduardo Braide (PSD), que tem o seu próprio prumo e não está vinculado a nenhum grupo político, e Orleans Brandão (MDB), que representa a ampla aliança partidária comandada pelo governador Carlos Brandão (MDB), da qual participa o que restou do grupo Sarney. A maioria das pesquisas aponta Eduardo Braide como favorito, algumas delas, como a Quaest, contrata pela TV Mirante, via Rede Globo, o aponta com cacife para vencer a eleição no 1º turno, cenário fortemente contestado pelo comando da campanha de Orleans Brandão, que mostra, com base também em pesquisas, que está ocorrendo o inverso, com o candidato emedebista à frente.

De acordo com o cenário rascunhado pelas pesquisas divulgadas até aqui, o segundo pelotão dessa corrida é liderado por Felipe Camarão (PT), cuja campanha vem ganhando volume ainda modesto, mas sinalizando que pode avançar nas próximas semanas embalado pelo apoio do presidente Lula da Silva (PT). Com esse movimento, o petista está deixando para trás Roberto Rocha (PRTB), que conseguiu se tornar o porta-voz do bolsonarismo nessa disputa após obter o aval de Flávio Bolsonaro (PL), mas sem o apoio do seu partido no estado. André Luís (Missão), que se mostra porta-voz da direita radical não-bolsonarista, estacionou no primeiro degrau, onde convive com Saulo Arcangeli (PSTU), Reginaldo Limas (PCB) e Dimas Cassimiro (PCO), todos de esquerda radical e sem qualquer chance nessa corrida.

A disputa entre Eduardo Braide e Orleans Brandão é desenhada pela intensidade dos movimentos de cada um. Com imenso prestígio em São Luís e na região metropolitana, o ex-prefeito da Capital optou por mergulhar – às vezes literalmente – no interior, com o propósito de visitar os 217 municípios, buscando também quebrar a força do adversário nessa seara. Já o ex-secretário de Assuntos Municipalistas, que esteve nesses municípios durante o Governo, decidiu concentrar esforços na Capital, tentando minar o poder de fogo do adversário principalmente em São Luís. A diferença entre os dois é que Eduardo Braide corre o Maranhão se comprometendo a fazer no estado a boa gestão que realizou em São Luís, enquanto Orleans Brandão percorre as regiões e bairros de São Luís exibindo a alentada obra que o Governo do Estado realizou na Capital.

No meio desse confronto, que até agora vem evoluindo nos trilhos da civilidade, estão a prefeita Esmênia Miranda (PSD) e o governador Carlos Brandão. A prefeita trabalha para manter intactos, de maneira discreta, mas firme, o cacife e a imagem do ex-prefeito Eduardo Braide. O governador tomou a frente da campanha do ex-secretário Orleans Brandão, inaugurando um elenco de obras na Capital e participando de atos políticos e inaugurações em todas as regiões da cidade. Isso porque, nas avaliações feitas até aqui, São Luís terá papel decisivo na eleição.

O fato incontestável é que, a pouco mais de 650 horas da corrida às urnas, a guerra pelo voto ganha intensidade, caminhando para o seu ápice, que para muitos será o debate entre os candidatos na TV Mirante no início de outubro.

PONTO & CONTRAPONTO

Roseana lidera, mas eleição para as vagas do Senado ainda não está definida

Roseana Sarney lidera, com Weverton
Rocha, André Fufuca, Lahesio Bonfim,
Eliziane Gama e Hilton Gonçalo brigando
pelas duas vagas, e Enilton Rodrigues,
Wilson Leite, Cidônio Gonçalves,
Simplício Araújo e Raimundo Oliveira
sem chance de reação

Se a corrida ao Palácio dos Leões ganhou o rumo da polarização, a disputa para as duas vagas no Senado está mergulhada num cenário de indefinição, ainda que as pesquisas estejam mostrando uma vantagem expressiva, mas ainda inconsistente, da deputada federal Roseana Sarney (MDB) para uma das vagas, com a outra sendo disputada a ferro e fogo pelos senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT) e Lahesio Bonfim (Novo), como mostraram as pesquisas mais recentes.

Mas o fato é que o cenário de rejeição mostrado pelas mesmas pesquisas indica que a corrida senatorial encontra-se ainda longe da definição. Roseana Sarney terá de manter a sua vantagem sem percorrer todo o Maranhão em campanha, dadas as limitações da sua saúde, apostando alto no seu prestígio acumulado como governadora durante quase 14 anos. O seu parceiro de chapa, Weverton Rocha tem o enorme desafio de convencer o eleitorado de que os seus feitos como senador são bem maiores do que os problemas que enfrenta por conta de denúncias de supostos desvios de conduta.

Por outro lado, Eliziane Gama pede votos com argumentos sólidos: exerceu um mandato brilhante, reconhecida dentro e fora do parlamento e com o precioso aval do presidente Lula da Silva, e com o fato de que não tem arestas sem solução, salvo no campo da direita radical, o que lhe dá um lastro consistente. Por sua vez, André Fufuca pede voto lastreado por uma carreira parlamentar sólida na Câmara Federal, da qual já foi presidente interino, com fama justificada de grande articulador, e pela condição de ex-ministro do Esporte bem avaliado e com serviços prestados Maranhão a fora. Lahesio Bonfim é um caso à parte: bom de voto, com recall de segundo colocado na corrida ao Governo em 2022 e um discurso que vai da sua gestão em São Pedro dos Crentes à proposta de impeachment de ministros do STF.

Correndo por fora, mas incorporado à aliança comandada por Orleans brandão, o ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo (Mobiliza), vem surpreendendo com uma campanha arrojada, que lhe deu crescimento surpreendente nas últimas semanas, indicando que pode chegar ao primeiro time.

Os outros cinco candidatos ao Senado – Simplício Araújo (DC), Enilton Rodrigues (PSOL), Wilson Leite (PSTU), Raimundo Correa (PCB) e Cidônio Gonçalves (PL) parecem destinados a cumprir tabela, sem qualquer chance de chegarem lá.

Filiado ao PT, prefeito de Codó apoia Lula, mas ignora petistas para Alema, Câmara Federal, Senado e Governo

Chiquinho FC: petistas que
só apoia Lula da Silva

A corrida às urnas está produzindo situações muito curiosas nestas eleições. E essas curiosidades ganham forma na relação de prefeitos com candidatos, sendo que um dos casos mais gritantes é o do prefeito de Codó, o rico empresário Francisco Carlos de Oliveira, mais conhecido como Chiquinho FC, filiado ao PT, que apoia a reeleição do presidente Lula da Silva, mas ignora petistas em todos os outros níveis das eleições

Começando pela Assembleia Legislativa, o prefeito “petista” de Codó está investindo todo o seu poder de fogo na tentativa de reeleger o filho, o deputado Francisco Nagib, que é do MDB. Para a Câmara Federal, a preferência do prefeito é clara e assumida pelo deputado federal Juscelino Filho (PSDB). E para o Senado da República, a preferência do prefeito codoense é pela reeleição do senador Weverton Rocha, declarando também apoio à candidatura de André Fufuca (PP) para a outra vaga.

Chiquinho FC coroa o seu desapego partidário quando ignora a candidatura do petista Felipe Camarão para o Governo do Estado, para apoiar a candidatura de Orleans Brandão (MDB), com forte engajamento na campanha do emedebista.

Petistas graúdos preferem não comentar o posicionamento do prefeito codoense, sendo que um deles foi além e disse, em se tratando de Chiquinho FC, o apoio à reeleição do presidente Lula da Silva já está de bom tamanho.

São Luís, 06 de Setembro de 2026.

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