Sem Braide e Brandão, debate do Imirante mostrou Camarão preparado, André Luís repetitivo e Arcangeli informado

Felipe Camarão, Saulo Arcangeli e
André Luís aproveitaram como
puderam o debate no Imirante

Não foi um momento destacado da corrida pelo Governo do Estado, faltando um mês para a corrida às urnas, pelo simples fato de que cinco dos oito candidatos a governador – Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Roberto Rocha (PRTB), Reginaldo Lima (PCB) e Dimas Cassimiro (PCO) – não compareceram. Mas o debate realizado ontem pelo portal Imirante entre Felipe Camarão (PT), Saulo Arcangeli (PSTU) e André Luís (Missão) foi revelador do potencial desses candidatos. Os três, que representam correntes políticas e ideológicas muito diferentes – um radical de esquerda, um de centro-esquerda e um radical de direita -, se posicionaram bem e tentaram, cada um à sua maneira, dizer o que pretendem fazer em caso de eleição.

E como não poderia deixar de ser, na condição de vice-governador, secretário de Educação dos Governo Flávio Dino e Carlos Brandão e candidato do presidente Lula da Silva (PT), o petista Felipe Camarão foi alvo de duras provocações dos dois concorrentes. Saulo Arcangeli e André Filipe tentaram envolvê-lo no Caso Tech Office, lembrando que o empresário João Bosco Sobrinho, assassinado por Gilbson Cutrim Jr., em agosto de 2022, num suposto, rumoroso e explosivo caso de corrupção, fora seu subordinado na Secretaria de Educação. Sereno, Felipe Camarão explicou que já não era secretário quando o crime ocorreu e afirmou que nada tem a ver com o episódio. O candidato do PT se manteve equilibrado diante de pelo menos quatro ocasiões em que o caso foi citado pelos seus adversários ao longo do debate.

No mais, o debate foi limitado, e mostrou que Felipe Camarão está muito mais preparado do que os dois concorrentes para governar o Maranhão. Primeiro pela consistência do seu currículo, e depois pela sua indiscutível experiência como homem público, além do conhecimento que detém sobre todo o estado, adquirido quando secretário de Educação, o que o levou aos 217 municípios. O candidato petista mostrou sintonia com o programa do presidente Lula da Silva (PT), afirmando que os dois, se eleitos, farão uma dobradinha “para melhorar o nosso estado”.

Assumido como voz da direita radical, André Luís provocou Felipe Camarão e foi também provocado por ele sobre questões sociais, econômicas e culturais do Maranhão. O candidato do Missão, mesmo dando efeito retórico às suas frases, começou ontem a evidenciar que, de fato, não tem um conhecimento amplo da realidade nem um projeto para o Maranhão. Como no debate da Band, e em entrevistas e sabatinas, André Luís pareceu limitado a algumas frases de efeito sobre economia e segurança pública, mostrando fragilidade quando o debate avança para áreas como educação, cultura, turismo, por exemplo. Ao final do debate ele deixou a impressão de que está bitolado pelo que reza o tal “livro amarelo” do Missão.

Saulo Arcangeli manteve intacto o seu radicalismo de esquerda. Mas, ao contrário de André Luís, reafirmou o vasto e profundo conhecimento que tem da realidade social, econômica, ambiental e cultural do Maranhão, abordando temas diversos falando com propriedade, sempre fundamentando com exemplos e mostrando índices que explicam o que está ruim no estado. O seu discurso perde consistência quando ele assume o viés ideológico de esquerda radical e propõe medidas como a criação de uma empresa estatal para cuidar do sistema de transporte público de São Luís. Para ele, o Maranhão só vai mudar com “governo dos trabalhadores”, pressupondo a “revolução do proletariado” cujo objetivo é a socialização da riqueza e dos meios de produção.

Não há dúvida de que a presença de Eduardo Braide e de Orleans Brandão, que polarizam a disputa e estão isolados na dianteira, tornaria o debate muito mais rico e produtivo para o eleitor, pois eles poderiam detalhar melhor os seus planos de governo. Mas a ausência dos dois reduziu muito a importância do evento.

No mais, valeu a iniciativa do portal Imirante e a segura condução da jornalista Carla Lima.

PONTO & CONTRAPONTO

Ao declarar apoio a Roberto Rocha e Lahesio Bonfim, Flávio Bolsonaro cria situação estranha no cenário eleitoral

Flávio Bolsonaro criou uma situação
estranha com Roberto Rocha, Lahesio
Bonfim e Cidônio Gonçalves

Flávio Bolsonaro, candidato do PL a presidente da República, fez dois movimentos radicais na política maranhense: gravou vídeo declarando apoio à candidatura de Roberto Rocha (PRTB) ao Governo do Estado, e anunciou, numa live, estar apoiando a candidatura de Lahesio Bonfim (Novo) ao Senado.

O movimento do candidato bolsonarista cria uma situação tão curiosa quanto estranha no cenário político estadual.

Primeiro porque, se a intenção foi juntar Roberto Rocha com Lahesio Bonfim, a iniciativa tende a ser um fracasso retumbante. Pelos simples fato de que Roberto Rocha e Lahesio Bonfim são inimigos em grau tão acentuado que um só se refere ao outro com adjetivos impróprio para menores

As estranhezas prosseguem quando se sabe que, ao mesmo tempo em quem Roberto Rocha é amigão do peito do senador Bolsonaro, é sabido também que Lahesio Bonfim não é benquisto entre os Bolsonaro, a começar pelo ex-presidente, que até pouco tempo queria vê-lo pelas costas.

Outro ponto é que, ao declarar apoio à candidatura de Lahesio Bonfim, que tem chance de eleição, Flávio Bolsonaro automaticamente coloca em segundo plano a candidatura de Cidônio Gonçalves (PL), cujas chances de eleição estão próximas de zero.

Roseana e Weverton superaram inimizade que chegou ao extremo com a queda de Jackson Lago

Roseana Sarney e Weverton Rocha: do ódio
político a uma aliança inesperada

Muito embora já esteja na pauta há pelo menos dois meses, quando anunciada pelo governador Carlos Brandão (MDB), a dobradinha da deputada federal Roseana Sarney (MDB) com o senador Weverton Rocha (PDT) ainda causa perplexidade em muita gente, fortalecendo a ideia de que a política não tem limites.

A imagem dos dois em congraçamento político e como candidatos às duas vagas de senador na chapa da coligação “Avanço por Todo o Maranhão”, lideradas por Orleans Brandão (MDB) como candidato a governador, remete para outros tempos quando a deputada e o senador eram inimigos figadais – de fígado mesmo.

A inimizade política ganhou volume na eleição de 2006, quando a então senadora Roseana Sarney foi derrotada pelo então ex-prefeito de São Luís, Jackson Lago, na histórica disputa para o Governo do Estado. E chegou ao extremo em 2009, quando Jackson Lago foi derrubado no tapetão da Justiça Eleitoral, cedendo lugar à Roseana Sarney.

Homem de confiança de Jackson Lago, mas alvo da desconfiança do entorno do líder pedetista, a começar por seus familiares, Weverton Rocha foi um dos mais aguerridos defensores do seu líder, só se dirigindo aos adversários, a começar pela líder do movimento, como “golpistas”.

Anos depois, a caprichosa e imprevisível política do Maranhão decidiu unir os dois, que aparecerão no horário eleitoral gratuito no Rádio e na TV parecendo velhos parceiros de disputas eleitorais.

São Luís, 04 de Setembro de 2026.

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