Sem confrontos ácidos nem revelações graves, debate da TV Mirante destacou Braide, Orleans e Camarão

Hélter Duarte, Eduardo Braide, Orleans
Brandão, Saulo Arcangeli, Felipe Camarão,
Roberto Rocha e André Luís na TV Mirante

Nenhum fato novo, nenhuma revelação e nenhuma promessa de impacto; ao mesmo tempo, algumas alfinetadas agudas, indagações incômodas, reações comedidas, e no geral um clima tenso, mas sem que os nervos tenham saído do controle. Foi assim o debate entre os candidatos ao Governo do Estado, iniciado às 22h30m de terça-feira e encerrado na madrugada desta quarta-feira, quase três horas depois. Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Felipe Camarão (PT), Roberto Rocha (PRTB), Saulo Arcangeli (PSTU) e André Luís (Missão) tentaram vender os seus peixes num embate verbal às vezes ácido, mas sem qualquer dano moral ou ético, apesar das provocações. O mediador, jornalista Hélter Duarte, da rede Globo, não teve problemas.

O emedebista Orleans Brandão foi, de longe, o mais provocado. Primeiro a perguntar, o petista Felipe Camarão o escolheu, resumiu o seu próprio currículo – advogado, procurador federal e professor universitário e mais de uma década exercendo cargos público – e perguntou sobre sua experiência e formação. Mantendo a calma, Orleans Brandão disse ser empresário e administrador de empresas e chefe de família integrante do Governo Brandão como secretário de Assuntos Municipalistas. Felipe Camarão o acusou de inexperiência e despreparo, ao que o emedebista reagiu dizendo que o petista é “candidato laranja” de Eduardo Braide.

Outro momento de tensão partiu do candidato André Luís, que atacou perguntando a Orleans Brandão sobre dois pedidos de afastamento do governador Carlos Brandão (MDB) pela Polícia Federal por supostos desvios de dinheiro público. O emedebista reagiu afirmando nada existir contra a estatura moral e ética da sua família e usou o resto do tempo de resposta para destacar obras e programas do atual Governo. E num dos embates com Felipe Camarão, Orleans Brandão o desafiou a tornar público os seus extratos bancários dos últimos quatro anos, prometendo também revelar os seus. A briga não avançou.

Houve também várias tentativas dos candidatos de colocar Eduardo Braide contra a parede, mas o ex-prefeito de São Luís mostrou habilidade e driblou os petardos com respostas simples e diretas sobre as suas realizações na Prefeitura de São Luís. A tentativa inicial de isolá-lo não alterou o seu ânimo, que se manteve impassível, mostrando que foi para o debate preparado para responder a ataques, o que ficou claro em todos os momentos em que foi provocado.

No geral, não houve momento de impacto no debate da TV Mirante. Eduardo Braide saiu inteiro, mantendo intacto o legado como prefeito de São Luís e habilitado para o cargo de governador, reafirmando o compromisso de fazer no Maranhão o que fez nas Capital. Orleans Brandão repetiu o seu roteiro de campanha, destacando as obras do Governo Brandão, em especial os programas sociais, de cuja elaboração garante ter participado, e fechando suas intervenções com o mote “o Brandão fez muito, mas eu vou fazer muito mais”.

O petista Felipe Camarão foi o mais aguerrido do debate, ora mostrando sua experiência e seu preparo, ora disparando provocações na direção de Orleans brandão e de Eduardo Braide, e usando à vontade o seu mote maior: a relação com o presidente Lula, esforçando-se ao máximo para demonstrar a sua condição de candidato do presidente Lula da Silva (PT). Por sua vez, Roberto Rocha, cuja candidatura está garantida por um recurso ao TSE, tentou exibir conhecimentos sobre gestão pública e economia, mas foi contido pela observação de Eduardo Braide, que lembrou que, apesar dos muitos anos de vida pública, o ex-senador bolsonarista nunca exerceu um cargo executivo, não estando, portanto, credenciado para falar de gestão.

Saulo Arcangeli repetiu a performance exibida em outros debates, sabatinas e entrevistas: é um profundo conhecedor da realidade socioeconômica do Maranhão, tendo na ponta da língua informações, índices e percentuais para explicar as suas críticas, o que lhe permitiu, mais uma vez, criticar os demais candidatos, sem exceção, e reafirmar sua posição de esquerda radical, mas sem agressividade. E André Luís, que se reafirmou um radical de direita, mais uma vez deu um show de desconhecimento sobre a realidade do Maranhão, a estrutura do Estado e sobre assim como desinformação nítida sobre a realidade tributária estadual, a geografia, a sociedade e a cultura do Maranhão.

Em resumo, se não foi uma demonstração maiúscula do preparo e da competência dos candidatos ao Governo do Maranhão, o debate na TV Mirante consolidou as posições de Eduardo Braide, Orleans brandão e Felipe Camarão na corrida aos Leões.

PONTO & CONTRAPONTO

IP Sensus mostra cenário de empate técnico entre Orleans Brandão e Eduardo Braide

Orleans Brandão e Eduardo Braide aparecem
tecnicamente empatados, seguidos de
Felipe Camarão, Roberto Rocha,
André Luís, Saulo Arcangeli,
Reginaldo Lima e Dimas Cassimiro

Como estava rascunhado no tabuleiro da política estadual, uma nova pesquisa do instituto IP Sensus foi divulgada ontem, a seis dias das eleições, agora mostrando uma situação de empate técnico entre Orleans Brandão (MDB), que aparece com 41,1% das intenções de voto, contra 39,5% de Eduardo Braide (PSD), ambos, portanto, separados por apenas 1,6 ponto percentual, dentro da margem de erro, que é de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos. Esses números representam já os votos válidos, que é o resultado da exclusão de indecisos e “nenhum, brancos e nulos.

Felipe Camarão mantém o terceiro lugar, agora com 11,6% das intenções de voto, entrando, portanto, na seara dos dois dígitos, registrando uma leve tendência de crescimento, mas muito distante de Orleans Brandão e Eduardo Braide. Atrás dele, o pelotão de um só dígito: Roberto Rocha (PRTB) com 5,4%, André Luís (Missão) com 0,9%, Reginaldo Lima (PCB) e Saulo Arcangeli (PSTU) com 0,6% cada, e Dimas Cassimiro (PCO) com 0,3%.

Por esses números, a disputa pelo Governo do Estado será resolvida em dois turnos, uma vez que nenhum dos candidatos reúne metade dos votos mais um, o que garantiria a eleição em turno único. Logo, se esse resultado for confirmado, Orleans Brandão e Eduardo Braide se encontrarão no próximo domingo na primeira rodada, e na segunda e decisiva rodada, marcada para o dia 25 de outubro.

Como a divulgação apenas dos votos válidos, a nova pesquisa IP Sensus priva o eleitor e os observadores de um dado crucial: o número de indecisos. Essa informação é indispensável na avaliação de qualquer pesquisa às vésperas da corrida às urnas, porque muitos indecisos costumem fazer as suas escolhas a poucos dias, às vezes no dia, da votação. E esse posicionamento pode decidir a eleição o futuro de um dos candidatos numa disputa tão polarizada como a que ocorre no Maranhão.

O cenário encontrado pelo IP Sensus é bem diferente dos outros resultados encontrados pelo instituto nas suas três últimas pesquisas. No levantamento divulgado no dia 1º de setembro, Orleans Brandão apareceu com 42,3% das intenções de voto contra 36,4% de Eduardo Braide, uma vantagem de 5,9 pontos percentuais. Na pesquisa seguinte, divulgada no dia 14/09, Orleans Brandão tinha 43% contra 36% de Eduardo Braide, vantagem de sete pontos. E na pesquisa anterior à de hoje, divulgada em 20/09, Orleans Brandão teve 43,6% e Eduardo Braide 35,7%, vantagem, portando, de 7,9 pontos. Todas as vantagens se deram fora da margem de erro, sem situação de empate técnico.

Na pesquisa divulgada ontem, a vantagem de Orleans Brandão sobre Eduardo Braide caiu drasticamente, sendo reduzida para apenas 1,6%, dentro da margem de erro. Isso significa dizer que, embora Orleans Brandão esteja numericamente à frente, estatisticamente é impossível afirmar qual a posição real dos dois, e por isso a interpretação de que existe um empate técnico.

Em Tempo: contratada pela Farol Pesquisa e Comunicação Ltda., a pesquisa IP Sensus ouviu 1.000 eleitores em 62 municípios entre os dias 23 e 27/09, tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-00523/2026.

IP Sensus: Roseana e Fufuca se isolam na liderança da corrida ao Senado

Roseana Sarney e André Fufuca lideram;
Weverton Rocha, Lahesio Bonfim,
Eliziane Gama e Hilton Gonçalo
na briga pela segunda vaga

Roseana Sarney (MDB) com 22,1% de intenções de voto, e André Fufuca (PP) com 19,5%, lideram a disputa para as duas vagas no Senado, e se as eleições fossem hoje, os dois seriam eleitos. É o que mostra a pesquisa IP Sensus divulgada ontem, segundo a qual Weverton Rocha (PDT) tem 13,1%, Lahesio Bonfim (Novo) 11,7%, Eliziane Gama (PT) 9,2%, enquanto Hilton Gonçalo (Mobiliza) aparece com 8,1%.

No segundo bloco, Simplício Araújo (DC) aparece com 3,5%, Cidônio Gonçalves (PL) com 2,3%, Raimundo Moreira (PCB) com 1%, Enilton Rodrigues (PSOL) com 0,4% e Wilson Leite (PSTU) com 0,3%.

Em termos gerais, os números encontrados por esse levantamento são muito próximos dos da última pesquisa, divulgada no dia 20/09. E o que chama muita atenção é a distância que Roseana Sarney e André Fufuca impõem sobre os demais candidatos, num indicativo de que, se os números representarem a realidade, os dois deputados federais serão senadores a partir de janeiro.

Outros dados curiosos. O primeiro são as posições dos senadores Weverton Rocha e Eliziane Gama, ambos candidatos à reeleição, que correm sério risco de não renovarem os seus mandatos. O outro dado curioso é o ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo tecnicamente empatado – dentro da margem de erro –  com a senadora Eliziane Gama.

Em Tempo: contratada pela empresa Farol Pesquisa e Comunicação Ltda., a pesquisa foi realizada em 62 municípios no período de 23 e 27/09, ouviu 1.000 eleitores, tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-00523/2026.

São Luís, 30 de Setembro de 2026.

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