
Camarão no primeiro time, com Roberto
Rocha, Saulo Arcangeli, Reginaldo Lima,
André Luís e Dimas Cassimiro no segundo.
Pesquisa divulgada ontem pelo instituto Vox Brasil mostra Eduardo Braide (PSD) com 46.02% de intenções de voto na corrida ao Palácio dos Leões, tendo Orleans Brandão (MDB) em segundo com 29,69% na corrida ao Palácio dos Leões. Felipe Camarão (PT) com 7,28%, Roberto Rocha (PRTB) com 3,46%, Saulo Arcangeli (PSTU) com 1,41%, Reginaldo Lima (PCB) com 0,99%, André Luís (Missão) com 0,84% e Dimas Casimiro (PCO) com 0,79%. Indecisos somaram 3,61%, enquanto brancos e nulos totalizaram 5,91%.
Esse levantamento consolida em definitivo que a disputa pela sucessão do governador Carlos Brandão (MDB) está polarizada entre o ex-prefeito de São Luís, que encarna a oposição, e o ex-secretário de Assuntos Municipalistas, que representa a base governista. E se os números expressarem de fato as intenções do eleitorado, a exclusão de brancos, nulos e indecisos indica uma probabilidade, remota, mas real, de o desfecho da eleição ocorrer em um só turno.
Esse cenário ganhou consistência com a pesquisa Quaest/TV Mirante, divulgada na última sexta-feira (25), com números parecidos, e que causou forte impacto no meio político. Enquanto aliados de Eduardo Braide comemoraram de maneira estridente os números da Quaest, mas com a recomendação de não partirem para o “já ganhou”, os partidários de Orleans Brandão reagiram minimizando os percentuais com o argumento de que as suas pesquisas indicam outra tendência, essa favorável a ele.
Comandante em chefe da base governista e patrono da candidatura do candidato emedebista, o governador Carlos Brandão externou otimismo. Sem se referir à Quaest, disse, numa entrevista em Balsas, que “nós estamos um pouco à frente”, e calculou que só “precisamos de 10% para ganhar no primeiro turno”. E cantou a pedra prevendo que essa fatia – que é muito expressiva em reta final de campanha – será alcançada quando os seus aliados “saírem atrás do voto”.
O mandatário maranhense acredita numa resposta eleitoral positiva ao seu governo municipalista, com obras em todos os municípios. E aposta alto no reconhecimento do eleitorado em relação ao ex-secretário de Assuntos Municipalistas, que, segundo ele próprio, “ajudou a transformar demandas em soluções”. Orleans Brandão entrou de cabeça nesse projeto formulou um discurso, que vem mantendo ao longo da campanha com o mote da continuidade.
O problema é que informações que chegam a cada hora ao eleitorado, pelas redes sociais, vêm montando um mosaico de como a corrida está evoluindo a partir de pesquisas feitas nos municípios. Aliados experientes de Eduardo Braide avaliam que ele conseguiu formar “uma onda” em parte dos grandes municípios, como Caxias, Chapadinha, Santa Inês e Pinheiro, enquanto Orleans Brandão consegue manter vantagem em Imperatriz, Codó, Timon, Açailândia e Bacabal, por exemplo. Nesse contexto, a diferença de São Luís será decisiva para resolver a disputa, seja num desfecho de turno único, seja levando a decisão para um segundo turno.
Outro dado confirmado pela pesquisa Vox Brasil, e que pesa nesse contexto, é a não decolagem do candidato petista Felipe Camarão. Havia no meio político a expectativa de que ele poderia ganhar a estatura de “terceira via”, mas a sua candidatura não ganhou o impulso esperado, mesmo com o forte e declarado apoio do presidente Lula da Silva (PT). O PT e o próprio presidente demoraram muito para confirmar a candidatura do vice-governador. O resultado modesto reflete o erro de estratégia.
Diante desse quadro, é precipitado afirmar que a eleição para governador do Maranhão está resolvida. Mas não é um salto no escuro avaliar que, com base nas pesquisas, a situação até aqui é favorável a Eduardo Braide. Sem esquecer a previsão do governador Carlos Brandão sobre a corrida atrás do voto às vésperas da eleição.
Em Tempo: a pesquisa Vox Brasil ouviu 1910 eleitores (não informou o período), tem margem de erro de 2,35 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-04968/2026.
PONTO & CONTRAPONTO
Operação da PF: coação eleitoral e estupro podem mandar vereador e delegado para a cadeia
A prisão, ontem, pela Polícia Federal, do vereador Gaudêncio Neto (PSB) e do delegado Wlisses Alves, na Operação Habeas Votum, que investiga suspeitas de coação eleitoral, estupro, ameaça e abuso de autoridade contra uma cidadã em Colinas, pode ser vista por dois vieses.
O primeiro foi o resultado de uma denúncia isolada, de uma mulher que contra um vereador que a ameaçou por fazer campanha de um candidato adversário dele, tendo o delegado como agente da violência, acusado de estupro e violência moral. Seria um caso para a Polícia Civil, mas como a violência foi causada por motivação eleitoral, o caso é da Polícia Federal, o que torna a situação dos dois bem mais complicada.
O segundo viés é o fato de que a Justiça e a Polícia Federal estão aptas a desvendar casos como esse em qualquer município. Basta que para isso haja uma denúncia consistente contra autoridade, seja ela quem for, para que o caso seja devidamente investigado. E para isso os dois
A atenção está redobrada nesses dias decisivos de campanha eleitoral, quando os ânimos estão acirrados e os nervos à flor da pele. Nada disso justifica a coação e a violência, seja ela física ou moral. Escolha eleitoral é um direito pétreo garantido pela Constituição, não havendo qualquer nível de poder capaz de muda-lo.
E é exatamente que a suspeita de coação eleitoral e violência físicas poderá levar o vereador Gaudêncio Neto e o delegado Wlisses Alves a passarem um bom tempo na cadeia, além de perderem seus empregos.
E com um dado adicional: um alerta vermelho para que outras “autoridades” não embarquem nesse tipo de coisa.
Candidatos ao Governo se enfrentam hoje em debate da TV Mirante
Eduardo Braide, Orleans Brandão, Felipe Camarão, Roberto Rocha e Saulo Arcangeli estarão hoje, frente a frente, nos estúdios da TV Mirante, para o debate que muitos consideram decisivo para desfecho da corrida ao Governo do Estado.
Além da disputa pelo voto, que é o seu objetivo central e mais importante, o confronto permitirá aos candidatos a governador a última grande oportunidade de expor os seus programas e ideias para governar o Maranhão. Sabem que o eleitor os assistirá com atenção redobrada, alguns, ainda indecisos, esperando algo que o faça tomar posição.
É claro que o cenário será dominado por Eduardo Braide e Orleans Brandão, que além do confronto direto, serão alvos preferenciais de Felipe Camarão, Roberto Rocha e Saulo Arcangeli. Será esse o roteiro, sem mais nem menos.
São Luís, 29 de Setembro de 2026.

