Ao mesmo tempo em que vem se mantendo na crista do processo pré-eleitoral como nome forte pleiteando a reeleição para o Senado, o senador Weverton Rocha recebeu uma pancada política ao ver o seu partido ter suas representações extintas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. A pancada maior foi a saída do deputado federal Márcio Honaiser, e a pá de cal veio com a migração do deputado Glaubert Cutrim, que deixou o PDT, seguindo os passos dos deputados Osmar Filho, Viviane Silva e Cláudia Coutinho, que abandonaram o partido buscaram abrigo em outras legendas. Com a revoada, o PDT praticamente encerra um ciclo como partido estadual, à medida que, além do senador, tem alguns prefeitos e vereadores, sendo que um deles, Raimundo Penha, é o único representante do partido na Câmara Municipal de São Luís, e nada mais.
Nessa ciranda de perdas, o PDT viu o deputado Osmar Filho largar o brizolismo e migrar para o Podemos, a deputada Viviane Silva trocou o PDT pelo PSD, e os deputados Glaubert Cutrim e Claudia Coutinho migraram para o MDB. Todos deixaram o partido para tentar sobreviver em outras legendas. Ao anunciar sua mudança, o deputado Glaubert Cutrim declarou: “Agora é oficial. Sou pré-candidato à reeleição para o meu quarto mandato pelo MDB. Partido grande, forte, que tem grande representatividade na política do Maranhão”. Ou seja saiu de um partido enfraquecido que quase não mais representa a política do Maranhão.
É uma situação dramática para um partido que já teve estatura de gigante na política estadual, com pleno domínio na cena política de São Luís por duas décadas, tendo se transformado numa potência quanto teve Jackson Lago na Prefeitura por dois mandatos alternados, e Tadeu Palácio por dois mandatos consecutivos. Nos dois casos, o PDT atuou com fortes representações no parlamento municipal, assim como vários deputados estaduais e federais, entre eles Neiva Moreira, um dos gigantes da política maranhense. Depois, em 2006, quando Jackson Lago chegou ao poder estadual, o partido inflou mais ainda, com forte bancada estadual.
A derrocada do PDT começou depois que seu fundador, Jackson Lago, morreu, em 4 de abril de 2011, quando o suplente de deputado federal Weverton Rocha assumiu o controle do partido, tendo seu poder consolidado dois meses depois, no dia 4 de junho de 2011, com a morte do deputado federal Luciano Moreira (MDB) num acidente automobilístico na rodovia que liga São Luís a Barreirinhas. Weverton Rocha ganhou a titularidade, se reelegeu deputado federal em 2014 e se tornou senador em 2018 como presidente regional do PDT, juntamente com a senadora Eliziane Gama, então no PPS. Os últimos feitos do PDT foi reeleger Edivaldo Holanda Jr. prefeito de São Luís em 2016, com uma bancada modesta de vereadores, e eleger um deputado federal e quatro deputados estaduais nas eleições de 2022 – Weverton Rocha disputou o Governo do Estado e ficou em terceiro lugar numa disputa em que o governador Carlos Brandão, então no PSB, se reelegeu no primeiro turno.
De lá para cá, o PDT conseguiu eleger o próprio Weverton Rocha senador em 2018, mergulhando após isso num processo de emagrecimento que agora chega ao raquitismo. A debandada dos deputados estaduais e federal é vista por muitos como o resultado do comando do senador Weverton Rocha, acusado de concentrar poder e investir na sua própria carreira – que incluiu uma derrota amarga para o Governo do Estado em 2022, tendo sobrevivido com as quatro cadeiras que ganhou na Assembleia Legislativa.
Escolhido como um dos dois candidatos da aliança governista que tem como eixo central a pré-candidatura de Orleans Brandão ao Palácio dos Leões, o senador Weverton Rocha conseguiu algumas filiações novas, mas terá dificuldades para montar uma chapa de candidatos a deputado federal e a deputado estadual.
PONTO & CONTRAPONTO
Braide chega a Balsas, recebe apoio de ex-prefeito e deputada faz reunião na Câmara Municipal
Eduardo Braide (PSD), pré-candidato a governador, desembarcou ontem Balsas, onde foi recebido pelo ex-prefeito Eric Silva (PSD), pré-candidato a deputado federal, e pela deputada Viviane Silva (PSD), pré-candidata à reeleição. Logo no desembarque, o ex-prefeito de São Luís gravou mensagem aos balsenses convidando para uma reunião, no início da noite, na Câmara Municipal de Balsas.
Politicamente, o prefeito de Balsas, Alan da Marisol (PRD), ligado ao grupo liderado pelo governador Carlos Brandão e que apoia a Orleans Brandão (MDB), assim como a deputada Andreia Rezende (MDB). Eduardo Braide foi buscar o apoio do ex-prefeito Eric Silva, que governou Balsas por dois mandatos e se tornou uma liderança de peso no município e na região.
Vale lembrar que o então prefeito de São Luís surpreendeu o meio político ao desembarcar em Balsas em maio do ano passado para participar do Agrobalsas. Ali, ao ser indagado por blogueiros da região sobre se seria candidato ao Governo, Eduardo Braide desconversou dizendo que tinha ido conhecer a exposição e encontrar amigos.
Ainda em Imperatriz, pouco antes de embarcar para Balsas, Eduardo Braide se encontrou com Marinaldo do Gesso, principal líder de oposição em Grajaú, com quem acertou sua visita ao município nos próximos dias.
PEC que acaba aposentadoria polpuda para magistrado criminoso avança no Senado e mudança pode alcançar suspeitos no MA
A PEC 3/2024, apresentada pelo então senador Flávio Dino (PSB), atual ministro do Supremo Tribunal federal, de extinguir o uso da aposentadoria compulsória para punir magistrados e membros do Ministério Público em caso de infração disciplinar, foi acatada ontem pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A senadora Eliziane Gama foi a relatora.
Com relação à proposta essencial, que é a punição de magistrado infrator, que se condenado será expulso da magistratura sem direito a nada, como ocorre com todas as demais categorias do serviço público, com exceção dos militares, que têm um regime diferenciado e mantêm um benefício parecido, CCJ aprovou integralmente o texto final alinhavado pela relatora Eliziane Gama.
Para chegar ao relatório definitivo, a senadora Eliziane Gama teve de se desdobrar em articulações para examinar, acatar ou rejeitar diversas propostas, algumas delas “jabutis” inseridos no projeto original apresentado pelo então senador Flávio Dino.
O seu relatório, aprovado integralmente pela CCJ, vai agora ao Plenário, que poderá acata-lo ou rejeita-lo. Mas a julgar pelo clima dominante na Câmara Alta, o projeto – que foi a principal contribuição legislativa do senador Flávio Dino – o projeto será aprovado sem problemas pelos senadores.
Dependendo do tempo em que permanecer no Congresso Nacional, a nova regra poderá alcançar magistrados maranhenses recém denunciados de cometer crimes graves, como o principal deles, a venda de sentenças.
Se forem condenados, em vez de serem mandatos para casa com polpudas aposentadorias, os desembargadores Guerreiro Júnior, Nelma Sarney, Luiz Gonzaga Filho, Marcelino Weverton e vários juízes, todos os suspeitos de malfeitos, serão banidos do Poder Judiciário sem direito a nada.
São Luís, 09 de Abril de 2026.





























