Escolha de candidatos à vice virou complicador para os prefeituráveis de São Luís

 

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Candidatos a prefeito, Edivaldo Jr., Eliziane Gama, Wellington do Curso, Eduardo Braide, Rose Sales e Fábio Câmara: ainda não têm seus companheiros de chapa

A quatro dias do encerramento do período das convenções partidárias para a definição de candidaturas às eleições municipais, o quadro de candidatos à Prefeitura de São Luís está praticamente definido, permanecendo em aberto as vagas de candidatos a vice-prefeito. A escolha dos companheiros de chapa se tornou um complicado jogo de xadrez, tornando esse item o mais complicado do processo até aqui. As candidaturas a prefeitos, mesmo dependendo de ajustes políticos e partidários aqui e ali, ganharam forma sem maiores traumas. Já as dos aspirantes à cadeira de vice tem ganhado uma importância fora dos padrões, dando a impressão de que o futuro vice-prefeito de São Luís terá um papel bem mais destacado do que a mera condição de substituto eventual ou definitivo do prefeito nos casos previstos em lei. Sim, porque com os candidatos a prefeito já escolhidos, natural seria que as composições partidárias já tivessem definidas com os “companheiros de chapa” escolhidos e devidamente consolidados. O cenário, no entanto, é bem diferente do que indicaria a lógica política.

O nó mais complicado é o que foi dado para o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) desatar para encontrar o seu candidato a substituto eventual. Nos primeiros movimentos para montar a coligação que lidera agora, com 13 partidos – podendo chegar a 17 -, havia no meio político a certeza de que o vice de Edivaldo Jr. seria um nome indicado pelo PCdoB, partido do governador Flávio Dino, o que seria uma composição natural. A lógica, porém, foi atropelada, porque duas agremiações de peso na aliança comandada pelo governador, PT e PSB, por razões diversas, resolveram reivindicar, com argumentos distintos, o direito de indicar o vice. O primeiro se desdobrou para afinar a unidade e sacou do bolso do colete o advogado Mário Macieira. O segundo mergulhou numa crise interna, com o deputado Bira do Pindaré tentando ser candidato a prefeito e o comando do partido minando o projeto, para finalmente indicar o vereador Roberto Rocha Jr.

Na grande convenção realizada sábado, o PT anunciou seu apoio à candidatura do prefeito à reeleição, fazendo questão de enfatizar que havia arquivado a pré-candidatura de Mário Macieira, avalizada pelo Palácio dos Leões. A decisão do PT colocou nas mãos do PSB a indicação do candidato a vice. Ocorreu, então, o inesperado pelo senador Roberto Rocha: os líderes da coligação não aceitaram o vereador, alegando, entre outras coisas, que a chapa seria apelidada de “Os dois Juniores”, o que poderia implicar em rejeição. Se o PSB não apresentar um nome eleitoralmente viável e que agrade a gregos e troianos. O clima ficou tenso na tarde de sábado e permaneceu assim até ontem, quando correu a notícia de que o PCdoB estaria com o professor Júlio Ribeiro engatilhado na ponta da agulha. O abacaxi terá de ser descascado até o dia 4 pelo prefeito Edivaldo Jr., que tem a palavra final sobre o assunto.

A candidata do PPS, deputada federal Eliziane Gama, por sua vez, já acertou que o seu companheiro de chapa será um tucano, conforme acerto com a direção nacional do PSDB, com o aval dos chefes tucanos locais. A primeira sugestão foi a ex-deputada Gardeninha Castelo, para agradar o mais eleitor do PSDB maranhense, o ex-prefeito e hoje deputado federal João Castelo, que arquivou seu projeto de disputar a Prefeitura para apoiar a candidatura de Eliziane Gama. A candidata do PPS não disse até agora nem sim nem não a esse projeto. Ao contrário, continua tentando articular uma aliança que lhe dê reforço político e eleitoral e mais tempo na TV. Na outra ponta da linha, o tucano-mor da Capital, Pinto Itamaraty já deixou claro que a vaga de vice será do PSDB, será escolhido na convenção de amanhã (3); do contrário não haverá aliança.

O deputado Wellington do Curso vai para a convenção para ser confirmado candidato do PP, marcada para amanhã, confirmar sua candidatura, sem no entanto dizer uma só palavra sobre aliança e vice. “Não digo nada, não vou falar nada sobre esses assuntos até que tudo esteja definido”, disse ele. É o caso também do deputado Eduardo Braide, que comandará amanhã a convenção do PMN para oficializar sua candidatura, sem, porém, ter definido o seu arco de alianças nem o nome do companheiro de chapa. E do vereador Fábio Câmara, candidato do PMDB, que só definirá sua coligação e o seu vice na convenção do dia 5. A mesma situação da vereadora Rose Sales, aspirante a candidata do PMB à prefeitura de São Luís.

Ou seja, os candidatos à vice vão ficar para a última hora.

 

PONTO & CONTRAPONTO

João Marcelo: nesta semana a prioridade são as convenções
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João Marcelo: prioridade para as convenções partidárias

Poucos deputados federais embarcaram ontem para Brasília para a retomada das atividades na Câmara Federal. A maioria permaneceu no estado por causa das convenções partidárias que estão definindo candidatos a prefeito e a vereador em todos os 217 municípios maranhenses. O deputado João Marcelo (PMDB) optou por permanecer em São Luís, concentrando suas atividades na organização de dezenas de convenções que o PMDB está realizando nas mais diversas regiões. Com os pés firmes no chão, o jovem parlamentar disse que não vê sentido seguir para Brasília num momento não decisivo para o futuro da bancada como esse. Na sua avaliação, dificilmente a nova direção da Câmara conseguirá mobilizar deputados para sessões deliberativas antes do dia 5, quando se encerra o prazo para a realização de convenções. Na sua avaliação, o assunto mais urgente a ser resolvido pela Câmara nas próximas semanas são ajustes nas regras da Previdência, que dependem de o Governo encaminhar um projeto com um pedido de urgência. E indagado sobre a cassação do deputado Eduardo Cunha (PMDB), João Marcelo tem a convicção de que a maioria do plenário votação pela perdas do mandato. Acredita, no entanto, que depois que Cunha perdeu a presidência, a importância dele diminuiu, despertando mais o interesse que despertava quando ele era ainda presidente. “Isso pode esperar mais algumas semanas. Não tem problema algum, porque na hora em que chegar ao o plenário ele será cassado. Por isso não acho que seja mais importante do que as convenções partidárias”. O parlamentar só seguirá para Brasília no início da próxima semana, depois que a situação do PMDB estiver resolvida em todos os municípios onde tiver candidato a prefeito.

 

Convenções deixaram Assembleia sem quórum ontem
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Humberto Coutinho: convenções para definição de candidatos são importantes para os deputados

Não durou 10 minutos a sessão por meio da qual o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho (PDT) realizou para marcar a reabertura dos trabalhos para o segundo semestre legislativo. O motivo já era o esperado: falta de quórum. E a explicação foi a corrida dos parlamentares para o acompanhamento das convenções partidárias. Em conversa com jornalistas, o presidente assinalou a impossibilidade de até sexta-feira garantir quórum para sessões deliberativas. E foi franco ao afirmar que ele próprio tem várias convenções agendadas a partir de amanhã e que vai participar de todas, a começar pelas do PSB em Caxias e Matões. Para ele, convenção partidária para a escolha de candidato é um compromisso que nenhum parlamentar deve faltar, por que é nessas reuniões partidárias que começa o longo e exigente processo que resulta na conquista de mandatos.

 

São Luís, 01 de Julho de 2016.

 

 

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