Arquivos da categoria: Sem categoria

Weverton Rocha e Márcio Jerry se consolidam como os nomes mais fortes da bancada maranhense no Congresso Nacional

 

Weverton Rocha e Márcio Jerry: líderes partidários e parlamentares de ponta na banda oposicionista no Congresso

Na semana que passou, o FSBinfluênciarCongresso, um dos vários braços da web que atualmente medem o cacife dos membros do Congresso Nacional nas redes sociais anunciou uma nova medição e nela, entre os 589 senadores e deputados federais avaliados, o senador Weverton Rocha (PDT) apareceu a 115ª posição, como o congressista maranhense mais influente, e o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) na 132ª, em segundo lugar. Independentemente das suas colocações no ranking nacional – que não é ruim, pois estão entre os 25% mais influentes -, o senador Weverton Rocha e o deputado Márcio Jerry são atualmente os congressistas mais influentes do Maranhão. O poder de fogo dos dois pode ser medido nos mais diversos aspectos, a começar pelo fato de que, além do peso político pessoal, comandam as duas máquinas partidárias (PDT e PCdoB) mais poderosas do estado, cacife reforçado pelas duas maiores bancadas na Assembleia Legislativa. Ambos adicionam aos seus arsenais o fato de serem chefes partidários com poder de decisão.

Os canais da web que medem o cacife dos congressistas via de regra utilizam a presença deles nas redes sociais, contabilizando aparições e número de seguidores, privilegiando claramente espertalhões com mandato que passam boa parte do tempo tagarelando ao vivo nas redes, mas que nada produzem efetivamente no plano parlamentar. O senador Weverton Rocha e o deputado federal Márcio Jerry estão fora dessa. Eles atuam forte e intensamente na atividade parlamentar, respondem por bancadas e partidos, são propositivos e estão efetivamente sintonizados com a pauta que de fato interesse nesse momento, como a Reforma da Previdência, por exemplo, ambos divergindo da proposta do Governo Bolsonaro. Combatem a corrente liberal, que propõe o “cada um por si e Deus por todos”, defendendo com firmeza a proteção do Estado aos menos privilegiados ou sem privilégio algum.

No Senado, onde é líder do PDT, Weverton Rocha tem mesclado sua atuação com temas destacados da pauta nacional e assuntos de interesse do Maranhão. Vem marcando posição firme na corrente que enxerga na proposta do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de Reforma da Previdência regras para prejudicar os mais pobres, defendendo com unhas e dentes a aposentadoria rural e o Benefícios de Prestação Continuada (BPC), protegendo a sobrevivência de desvalidos idosos e inválidos. Na pauta estadual, sua última iniciativa, na semana passada, foi defender o aumento, de seis para 44, do número de municípios maranhenses na região do semiárido, o que lhes assegura uma série de benefícios. Politicamente, Weverton Rocha investe pesado para fortalecer o PDT, que comanda com mão de ferro, nas eleições municipais de 2020, ampliando a construção de uma base que o leve ao Governo do Estado em 2022, já tendo a Federação dos Municípios (Famem), agora presidida pelo aliado fiel Erlânio Xavier (PDT), prefeito de Igarapé Grande, como suporte.

O deputado Márcio Jerry tem cumprido uma verdadeira maratona eletrizante, que inclui uma intensa agenda na Câmara Federal, onde atua como umas das vozes mais influentes da bancada do PCdoB, as atividades partidárias – no momento prepara o PCdoB, hoje o maior partido do estado, para disputar as eleições em 120 municipais -, e ainda uma forte atuação como o mais influente conselheiro político do governador Flávio Dino. Como parlamentar, Márcio Jerry vai aos poucos se consolidando na tribuna e nas comissões técnicas como uma das vozes mais atuantes e duras contra o Governo Bolsonaro, participando ativamente do grande debate da pauta em curso, votando ora por questões programáticas, ora por definições partidárias e ora por pragmatismo. Seu foco principal no momento é concentrar esforços para que a Câmara Federal aprove uma reforma previdenciária “que não seja a reforma que só interessa ao mercado”. Incansável, o deputado federal e líder partidário Márcio Jerry trabalha todos os dias da semana na perspectiva de manter a aliança liderada pelo governador Flávio Dino no comando do Estado.

Não há como checar as informações que levaram o FSBinfluênciarCongresso a colocar o senador Weverton Rocha e o deputado federal Márcio Jerry nas respectivas 115ª e 135ª posições do seu ranking. Certamente seus agentes não investigaram os dois parlamentares integralmente. Se seus critérios fossem mais amplos e rígidos, o senador pedetista e o deputado federal comunista provavelmente teriam colocações bem melhore, mesmo alvos que são de pesado ataques de adversários e até mesmo do chamado “fogo amigo”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

No plano estadual, Othelino Neto ocupa espaço amplo na cena política com trajetória bem construída

Othelino Neto ganhou força politica e credibilidade no comando do Legislativo e entrou na corrida sucessória 

Enquanto o senador Weverton Rocha e o deputado federal Márcio Jerry, pelas condições que detêm, movimentam-se como os membros mais influentes da bancada federal, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), atua como o nome mais destacado do tabuleiro parlamentar estadual. Othelino Neto não tem comando partidário nem herdou lastro político. Ele deve suas conquistas a uma atuação política eficiente, coisa rara na engrenagem política estadual. Othelino Neto soube avaliar o cenário de cada momento e se colocar na posição certa e na hora certa. Soube também escolher aliados, mostrou perspicácia nas articulações e chegou ao comando da Casa na esteira de uma caminhada bem planejada e bem construída, não havendo qualquer “porém” em relação ao poder que ele concentra e que manterá pelos próximos três anos e meio, reeleito que foi, antecipadamente, para o comando do Legislativo estadual. Essa construção política inteligente, além de lhe dar o comando do Poder Legislativo, o colocou no epicentro do processo sucessório estadual, com vários destinos, dependendo de outras definições. Por exemplo: se o governador Flávio Dino sair para disputar a presidência da República e o vice-governador Carlos Brandão se candidatar a governador, Othelino Neto deve ser candidato a senador. Mas, se numa outra hipótese, remota mas plausível, Flávio Dino sair e Carlos Brandão optar por outro caminho, Othelino Neto assumirá o Governo e certamente será candidato a governador. É esse potencial que administra com o cuidado de um político maduro.

 

Atos Secretos: Ney Bello Filho tem razões pessoais de sobra para não participar do julgamento que envolve José Sarney

Ney Bello Filho: coerência ao se dar por impedido no julgamento do Caso dos Atos Secretos

O desembargador federal Ney Bello Filho não vai relatar o Caso dos Atos Secretos do Senado, que será julgado no dia 18 de junho pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O caso, apontado como um dos grandes escândalos da República neste século, tem como figuras centrais os ex-presidentes do Senado da República José Sarney (MDB), Garibaldi Alves (MDB), ex-senador pelo Rio grande do Norte, e também o então todo-poderoso diretor da Casa e hoje deputado distrital (Distrito Federal) Agaciel Maia – o ex-senador baiano Antônio Carlos Magalhães, já falecido. A rigor, o desembargador Ney Bello Filho não tem um argumento formal para fundamentar sua decisão de se dar por impedido, mas no aspecto puramente ético, no caso lastreado por uma forte dose de bom senso, o magistrado passou o processo em frente num gesto também de prudência e decência. Tivesse decidido permanecer como relator, faria sua parte sem problemas de natureza formal e técnica, mas pagaria algum preço, independentemente de qual fosse o seu voto.

Várias razões explicam a prudência do desembargador Ney Bello Filho. A primeira é o fato de ser membro destacado da terceira geração de uma família politicamente influente, que no seu auge – décadas de 50 e 60 do século passado – foi liderada pelo seu avô, o  governador Newton Bello, adversário duro e implacável do governador José Sarney, que o sucedeu em 1966. A posição adversária aos Sarney foi mantida na família Bello pelo advogado Newton Bello Filho, conselheiro do Tribunal de Contas por quase quatro décadas. No final dos anos 90, numa tentativa de sepultar as diferenças entre os Bello e os Sarney, a então governadora Roseana Sarney batizou o viaduto da Cohab de “Governador Newton Bello”, homenagem recebida pelo então juiz federal Ney Bello Filho em nome da família.  No início de 2003, uma traumática reviravolta na relação das duas famílias. A Operação Navalha, que prendeu o ex-governador José Reinaldo Tavares, levou junto o respeitado engenheiro civil Ney Bello, então secretário estadual de Obras e pai do então juiz federal. Sua prisão surpreendeu a todos, ganhando conotação política a partir da especulação de que os então senadores José Sarney e Roseana Sarney estariam por trás da operação, o que nunca ficou comprovado. Ney Bello saiu do escândalo inocentado e moralmente intacto, já que nada foi provado contra sua atuação correta na Secretaria de Obras. Finalmente, quando foi escolhido pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para o cargo de desembargador federal, Ney Bello Filho enfrentou, incomodado, mas equilibrado, especulações maldosas de que o ex-presidente José Sarney influenciou a então presidente da República a favor da nomeação. Nada ficou comprovado, tornando-se evidente que a escolha foi respaldada pela classe política maranhense.

Como se vê, o desembargador poderia atuar no caso, já que nada o impede. Mas as razões de natureza ética o fizeram passar a bola para o juiz federal Pablo Zuninga Doudado.

São Luís, 09 de Junho de 2019.

 

Previdência: Flávio Dino critica carta de governadores que não estava pronta e reafirma que proposta de Bolsonaro é ruim

 

Enquanto a carta que não assinou agitava o meio político, Flávio Dino e a vice-governadora de Pernambuco e presidente do PCdoB Luciana Santos visitavam o ex-presidente Lula da Silva na Carceragem da Polícia Federal em Curitiba

A contagem regressiva para a apresentação do relatório sobre a proposta de Reforma da Previdência na Câmara Federal gerou ontem um imbróglio monumental, que envolveu todos os governadores, em especial o maranhense Flávio Dino (PCdoB). O dia começou com divulgação de uma carta-manifesto assinada por 25 governadores – com exceção dos do Maranhão e da Bahia -, defendendo a inclusão dos servidores dos Estados e Municípios no regime geral de aposentadoria no sistema previdenciário que será aprovado pelo Congresso Nacional. Já no início da tarde veio à tona a surpreendente informação de que a carta teria sido divulgada precipitadamente, com boa parte dos governadores negando terem-na assinado, alegando que seus termos ainda estavam sendo discutidos. O governador Flávio Dino reafirmou ser favorável à inclusão Estados e Municípios na nova Previdência, mas criticou duramente a divulgação da carta, “que ainda estava sendo discutida”. Isso porque, na sua avaliação, a reforma proposta pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) “é muito ruim, porque começa prejudicando os pobres e privilegiando os ricos”.

No início da noite, ficou claro que a divulgação antecipada da carta dos governadores foi uma trama bem armada para pressionar os chefes de Estado, entre eles Flávio Dino, que têm mantido posição firme contra aspectos fundamentais da reforma proposta pelo Palácio do Planalto, como a extinção da Aposentadoria Rural (AR), que alcança milhões de brasileiros não amparados pelo Poder Público, e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que assegura a sobrevivência de idosos, inválidos e outros desvalidos que não contribuíram para o sistema previdenciário. Já há no Congresso Nacional um entendimento majoritário e, tudo indica, irreversível, de que a AR e o BPC não devem ser extintos, mas líderes atentos como Flávio Dino querem que esses benefícios sejam garantidos. E têm se recusado a declarar apoio à proposta de Reforma da Previdência sem que esses e outros pontos polêmicos e outros itens tenham sido definidos.

Mesmo sem estar entre os que teriam assinado a carta, o governador Flávio Dino foi o primeiro a protestar contra a divulgação, argumentando que seu conteúdo ainda estava sendo discutido pelos governadores, considerando sua publicação uma precipitação injustificada. “Nem eu nem a maioria dos governadores (assinamos). A carta ainda estava sendo debatida. Não sei quem se precipitou, só sei que não existe carta aprovada pela maioria”, disse o governador do Maranhão. E acrescentou: “Essa reforma que está tramitando eu não apoio. Precisa melhorar muito. Em melhorando, é claro que regime previdenciário dos servidores tem que ser para todos. Inclusive militares. A existência de milhares de regimes previdenciários diferentes no Brasil seria, aí sim, uma balbúrdia jurídica”.

A reação à divulgação não consensual da carta repercutiu no Congresso Nacional, gerando um clima pesado entre deputados federais, principalmente os que, por conta de conveniências políticas e eleitorais, muitos temem eventuais prejuízos previdenciários a servidores estaduais e municipais. Além da reação de governadores insatisfeitos com a divulgação da carta, a situação criada causou manifestação do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que, como chefe de Poder como economista de formação sólida, externou uma preocupação central: se Estados e Municípios ficarem de fora da nova Previdência, faltará dinheiro para Governos estaduais e Prefeituras.

Há no cenário uma tendência clara no sentido de que Estados e Municípios sejam incorporados à Reforma da Previdência, e é muito provável que o Maranhão seja incluído. Mas até que todos os acordos definitivos sejam firmados na seara dos pontos polêmicos, o que deve acontecer na próxima terça-feira (11), quando os governadores se reunirão em Brasília para bater martelo, o governador Flávio Dino usará o seu espaço político para defender suas posições.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Após visita, Dino afirma que Lula é o maior líder popular do Brasil e tem ainda muito a fazer pelo País

Segundo Flávio Dino, Lula da Silva está bem, está preocupado com o Brasil, continua a ser o maior líder popular do País e pode conseguir prisão domiciliar em breve 

“O ex-presidente Lula ainda tem muito a fazer pelo Brasil”. A frase do governador Flávio Dino (PCdoB) resumiu o estado de ânimo do ex-presidente Lula da Silva (PT), com quem esteve ontem na Carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR), juntamente com a vice-governadora de Pernambuco e presidente nacional do partido, Luciana Santos. Na avaliação de Flávio Dino, durante a visita o ex-presidente manifestou uma visão correta e bem fundamentada da conjuntura nacional, tendo estimulado “a continuidade desses movimentos que temos feito em defesa da democracia e dos direitos dos mais pobres, e sobretudo acentuando a importância da luta pela soberania do Brasil”. Além disso, o governador do Maranhão ressaltou que, assim como Lula, o PCdoB tem “uma visão crítica do que vem acontecendo com o Brasil e evidentemente essa convergência se materializou nesse diálogo”.

Na entrevista que concedeu ao sair da Carceragem da PF em Curitiba, Flávio Dino afirmou que Lula “é a principal liderança popular do Brasil, continua a ser e por isso foi muito importante esse diálogo. Ele reforçou em nós a convicção de que, apesar desse momento, tem muito ainda a fazer pelo Brasil. E terá nosso apoio”. Mas para isso, é preciso que o ex-presidente tenha de volta pelo menos parte da sua liberdade, benefício que poderá alcançar a partir do parecer do Ministério Público em favor da progressão da sua pena para o regime semiaberto. Sobre isso, Flávio Dino, que foi juiz federal por 12 anos, revelou:
“Eu manifestei minha opinião jurídica, de que ele tem esse direito, e espero que o STJ acolha para que a gente tenha, não a Justiça, que seria a não condenação, mas um caminho que imediatamente pode garantir que ele recupere parte da sua liberdade e com isso ajude ainda mais a política brasileira”.

O governador manifestou a crença de que Lula da Silva tem ainda muito poder de fogo para influenciar na cena política brasileira e afirmou que está disposto a apoiá-lo.

 

Imprudência: Fábio Macedo e membros de Comissão da Assembleia Legislativa passam constrangimento na Eneva

Observado pelos deputados Wendel Lages e Ciro Neto, o deputado Fábio Macedo reclama de ter sido barrado na Eneva, que tentaram visitar sem avisar previamente

Um vexame. É como se pode definir a situação constrangedora amargada pelos deputados Fábio Macedo (PDT), Leonardo Sá (PL), Wendel Lages (PMN), Zito Rolim (PDT), Ciro Neto (PP) e Antônio Pereira (DEM) na portaria da Eneva, termelétrica instalada em São Luís, que usa gás natural para produzir energia, onde foram barrados. O episódio constrangedor se deu pelo fato de o deputado Fábio Macedo, que preside a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Assembleia Legislativa, ter decidido fazer uma “visita de surpresa” para “inspecionar” o funcionamento da usina. Ninguém sabe de onde o parlamentar tirou a ideia de que poderia chegar numa empresa privada, cuja atividade é regida por legislação federal específica, bater à porta e entrar sem um entendimento prévio, valendo-se de uma visita de inspeção de fiscais do Instituto de Metrologia e Qualidade Industrial do Maranhão (Inmeq-MA).

Não há como evitar a trajetória recente do deputado Fábio Macedo para explicar o escorregão de ontem. Há pouco mais de dois meses, impulsionado pelo álcool, Fábio Macedo envolveu-se numa baita confusão durante show de um cantor sertanejo de periferia, em Teresina (PI). Foi detido por policiais, os quais desacatou invocando sua condição de “deputado” e “rico”, e só não foi mantido atrás das grades porque o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), usou seu prestígio e sua habilidade diplomática para acalmar as autoridades piauienses para liberar parlamentar. Diante da forte repercussão e do mal-estar que dominou o parlamento estadual, Fábio Macedo alegou problemas com bebidas, pediu desculpas e sumiu do mapa sem ter sido sequer advertido pela Comissão de Ética.

Semanas depois, Fábio Macedo reapareceu no plenário como se nada tivesse acontecido. E provavelmente para demonstrar que de fato havia mudado, apresentou sua primeira bandeira parlamentar em mais de 50 meses de mandato: colocar o Maranhão entre os estados que já usam o Gás Natural Veicular (GNV) como combustível para automóveis, ônibus e caminhões. Foram vários discursos, alguns debates, seminários e audiências, parecendo que o movimento poderia, pelo menos, abrir caminho para uma discussão séria sobre tema tão interessante. A desastrada visita de surpresa à Eneva demonstrou que Fábio Macedo não tem ainda a exata noção do que está propondo, de como fazer, nem de onde quer chegar. A começar por um detalhe simples e decisivo: a termelétrica Eneva não se encaixa no seu projeto. O deputado reclamou, prometeu providências, mas sabe que nada pode fazer. Pelo simples fato de que não tem razão.

Alguém precisa avisar ao deputado Fábio Macedo que a atuação parlamentar tem regras e limites, e que a Assembleia Legislativa merece total cuidado dos seus integrantes. O que não foi o caso.

São Luís, 07 de Junho de 2019.

Bolsonarista apoia proposta de Edilázio Jr. sobre visita ao Itaqui, mas ataca Família Sarney e sarneysistas não reagem

 

Carla Zambelli associou a Família Sarney a corrupção e Edilázio Jr. não reagiu

A pancada verbal que a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), bolsonarista de primeira linha, deu na Família Sarney, associando-a a suspeitas de corrupção, ao declarar apoio à proposta do deputado federal Edilázio Jr. (PSD) de que o Porto do Itaqui, administrado pela Emap sob a responsabilidade do Governo Flávio Dino, seja alvo de uma visita técnica por missão parlamentar, desenhou uma situação inusitada. Primeiro porque, provavelmente desavisada, Carla Zambelli atacou a Família Sarney exatamente ao apoiar proposta de Edilázio Jr., um dos seus mais jovens e fiéis integrantes e hoje a única voz do clã no Congresso Nacional, mas que também é bolsonarista assumido e de carteirinha. E depois, a deputada paulista reforçou a impressão de que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seus seguidores não querem aproximação com os Sarney, que dificilmente assumirão uma postura clara de Oposição, como também é pouco provável que venham declarar apoio ao Governo do PSL. E nessa roleta, o grande atingido foi o deputado Edilázio Jr., que certamente passou por um baita constrangimento diante das declarações da parlamentar bolsonarista.

Quando se referiu à família liderada pelo ex-presidente José Sarney, associando-a a suspeitas de corrupção no Maranhão, a deputada Carla Zambelli falou por alto, causando a impressão de que se referia mais a uma imagem deixada por um poder político dominante e longevo dos Sarney no Maranhão, do que a fatos concretos, sugerindo a existência de investigações sobre os Sarney. Disse ela: “O Estado do Maranhão tem todo um histórico de corrupção, famílias ali que se perpetuam por décadas, e são nesses casos que a gente pode pegar pequenas ordens de corrupção para descobrir grandes ordens de corrupção”. E foi mais longe: “A gente tem que tentar buscar a verdade acima de qualquer coisa. A gente sabe que a família Sarney realmente tem aí muitas investigações, mas nunca se conseguiu pegar nada. E há que se pensar: sim, a gente não pode ser hipócrita, em pensar com a família Sarney sempre esteve presente, claramente pode haver um problema de fiscalização do estado”.

Com as declarações, pouco objetivas, mas contundentes, a deputada Carla Zambelli evidenciou com clareza o juízo que ela faz da Família Sarney, indicando que essa pode ser a impressão dominante nas correntes do PSL que orbitam o Palácio do Planalto. E não será surpresa se as impressões da deputada paulista expressarem o posicionamento da cúpula do Governo Bolsonaro, a começar pelo próprio presidente da República. Em algumas ocasiões, Jair Bolsonaro fez resgados elogios ao ex-presidente José Sarney (MDB), mas em outros momentos, criticou duramente o fundador da Nova República. José Sarney, por sua vez, faz um jogo de raposa experiente quando se refere ao presidente Jair Bolsonaro e seu Governo, demonstrando que pelo andar da carruagem, o Brasil corre o risco de ser tragado por uma crise política e institucional tão grave como a que derrubou a presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, por meio do impeachment, que até hoje a esquerda denuncia como golpe.

Apesar do incômodo que devem ter causado no ex-presidente José Sarney e na ex-governadora Roseana Sarney (MDB), é altamente improvável que as duras declarações da deputada Carla Zambelli sobre a Família Sarney causem uma reação igualmente dura por parte de algum dos seus membros, que estão mergulhados na discrição desde a pancada das urnas de 2018 e certamente não têm interesse numa confrontação direta com vozes bolsonaristas influentes. Mais improvável ainda é que os petardos verbais afastem o deputado Edilázio Jr. do terreiro bolsonarista em Brasília. Já talhado por dois mandatos de deputado estadual e com planos de ganhar estatura para ser a principal voz de contraponto ao governador Flávio Dino (PCdoB), o parlamentar sarneysista não tem qualquer interesse uma vez que sem espaço na seara governista, que ele vem buscando com insistência desde que se instalou na Câmara Baixa.

Não será, portanto, precipitado afirmar que as declarações da deputada federal Carla Zambelli ficarão por isso mesmo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ambientalista militante, Othelino Neto avisa que Brasil vive retrocesso no campo ambiental

Ambientalista militante, Othelino Neto vê retrocesso no Brasil 

O Brasil vive um grave e perigoso retrocesso em gestão ambiental e em conservação dos recursos naturais. Depois de muitos anos o desmatamento na Amazônia voltou a crescer, a legislação ambiental – uma das mais avançadas do mundo – está sendo desrespeitada. De maneira arrogante, o atual Governo Federal estimula o retrocesso e precisa ser contido. Essas preocupações foram manifestadas pelo presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), numa fala em que saudou o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado ontem em todo o planeta, mas com muita preocupação no Brasil.

Com a autoridade e a experiência de quem foi um dos primeiros quadros ativos do Partido Verde (PV) no Maranhão e foi Secretário de Estado do Meio Ambiente nos Governos de José Reinaldo Tavares e Jackson Lago (PDT), além de ser um militante verde, identificado sempre com as causas ambientais e conservacionistas, o deputado Othelino Neto chamou a atenção da Assembleia Legislativa para os problemas que identifica nesse campo:  “É triste ver o presidente da República promover retrocessos tão grandes em tão pouco tempo. Nós, depois de muitos anos, percebemos, por exemplo, que o desmatamento na Amazônia voltou a crescer acima da média. E isto, senhores deputados, senhoras deputadas, não é uma questão de um governo de esquerda, de um governo de centro, ou de um governo mais conservador”.

Othelino Neto comemorou, por exemplo, a medida provisória que foi editada no começo do Governo Bolsonaro e que perdeu a validade agora, “porque o Congresso Nacional, muito sabiamente, não apreciou e não converteu aquela medida provisória em lei, porque ela premiaria aqueles que infringiram a legislação ambiental, aqueles que cometeram crime ambiental”. E criticou fortemente decreto do presidente da República, que retira a participação popular do Conselho Nacional de Meio Ambiente, criado pela Constituição de 88 e que foi ampliado nos governos que sucederam desde a volta do regime democrático. “E, agora, vejo diversas investidas do Governo Federal contra o meio ambiente”, assinalou.

O presidente da Assembleia Legislativa concluiu: “Finalizo minhas palavras deixando essa preocupação que deve ser de todos nós para que, num futuro próximo, nós não tenhamos muitos problemas em razão desses retrocessos. Lembrando que, para corrigir retrocessos na gestão ambiental, serão necessárias décadas e décadas. Então, por isso, precisamos conter mais esse impulso arrogante do Governo Federal, que tenta retroceder em algo tão caro e sagrado, como é a defesa do meio ambiente”.

 

“Grupo dos 7” de Vitória do Mearim caiu na armadilha montada por um tarimbado promotor de Justiça aposentado

Almir Coelho: promotor de Justiça aposentado desmontou golpe de vereadores em Vitória do Mearim

A operação de desmonte da bandalha tramada por sete vereadores de Vitória do Mearim, que pretendiam roubar R$ 2,2 milhões – royalties pagos pela Vale -, por meio de chantagem e corrupção, foi ação exemplar do Ministério Público do Maranhão, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), e da Polícia Civil, por meio da Superintendência Estadual de Prevenção e Combate à Corrupção (Seccor). Foram apanhados e estão temporariamente na cadeia, sob a acusação de crime de corrupção e associação criminosa os vereadores George Maciel da Paz (PTC), presidente da Câmara Municipal, Hélio Silva (Solidariedade), Oziel Gomes (PT), Marcelo Brito (PRTB), Mauro Rogério (PMB), José Mourão (PPL) e Nonato do Chelo (PPL). Além destes, o vereador Benoa Pacheco (PP) não está preso, mas encontra-se sob investigação por suspeita de corrupção passiva.

Provavelmente achando-se geniais e intocáveis, os sete acusados de banditismo político armaram um plano primário, facílimo de ser desmascarado: criaram uma situação em que colocaram a prefeita Dídima Coelho (MDB) sob ameaça de CPI na Câmara Municipal, condicionando o fim da pressão à partilha entre os sete “gênios” de R$ 2,2 milhões recebidos pelo município como royalties mineral pago pela Vale. Chegaram ao ponto de aprovar um procedimento que permitiria o afastamento da prefeita, para que o vice-prefeito assumisse, sacasse a dinheirama e entregasse aos “abençoados”.

Estavam tão convencidos de que a armação daria certo que não se deram conta de que o seu interlocutor, Almir Coelho Filho, marido da prefeita e secretário-chefe de Gabinete, um experiente promotor de Justiça aposentado, estava preparando a armadilha, gravando as conversas sobre a extorsão, reunindo documentos e evidências da tentativa de golpe em curso, atuando de acordo com o Gaeco. As gravações comprovam que os meliantes políticos vitorienses pretendiam, cada um, receber R$ 320 mil para não instalar CPI contra a prefeita Dídima Coelho.

O desfecho da trama: o “Grupo dos 7” foram apanhados e mandados para uma curta temporada no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, inicialmente pelo prazo de cinco dias, mas com toda a ponta de que esse período inicial é apenas um estágio para uma temporada muito maior que eles curtirão ali.

São Luís, 06 de Junho de 2019.

Acordo Justiça-Famem pode reduzir a tragédia causada pelos acidentes de trânsito nos municípios maranhenses

 

Othelino Neto mediou acordo entre Douglas Martins (d) e Erlânio Xavier (e) para reverter a tragédia no trânsito que afeta os municípios maranhenses

Um acordo firmado ontem entre o presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), prefeito Erlanio Xavier (PDT), e o juiz titular da Vara de Interesses Difusos e Coletivos, Douglas Martins, mediado pelo presidente da Assembleia legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), deve reduzir drasticamente o dramático índice de morte, invalidez e imobilização de pessoas causadas por acidentes de trânsito, podendo frear uma tragédia social em curso no Maranhão. Pelo acordo, o juiz Douglas Martins flexibilizará as regras para que os municípios maranhenses voltem a receber recursos transferidos voluntariamente pelo Estado para custear o atendimento hospitalar a acidentados do trânsito e, nesse processo, adiram ao Sistema Nacional de Trânsito (SNT). Na avaliação do presidente da Assembleia Legislativa, que atuou como mediador, o acordo é altamente benéfico, porque resolverá um grave problema de saúde pública em todo o Maranhão: “Esse é um problema de saúde pública grave, pois boa parte da superlotação dos hospitais se deve aos problemas com acidentes de trânsito, com muitas pessoas ficando inválidas para sempre, assim como a questão da segurança pública”.

O acordo firmado ontem no Palácio Manoel Bequimão pode mesmo ajudar, se não na solução definitiva dessa chaga que angustia o Maranhão e todo o Brasil, que são os acidentes de trânsito, causado principalmente pelo desrespeito absoluto às regras de trânsito, principalmente na condução de motocicletas. Muitos desses acidentes causam lesões graves na cabeça, devido ao não uso do capacete, que é obrigatório, previsto no Código Nacional de Trânsito (CNT), gerando falta grave para quem desrespeita a regra. No interior do Maranhão, como em grande parte do interior do País, essa regra é simplesmente ignorada, com a agravante de que não se respeita também a obrigatoriedade da habilitação de motoqueiros, bem como o uso dessas máquinas por crianças. O mesmo acontece com a condução de veículos maiores, como automóveis e caminhões, configurando, na maioria dos municípios, uma situação na qual as regras de trânsito são simplesmente ignoradas.

Esse descaso generalizado gera danos sociais gravíssimos, e por isso atraiu a mão pesada da Justiça. Isso porque boa parte da superlotação dos hospitais de urgência e emergência do Maranhão, envolvendo todos os 217 municípios, é causada pela grande quantidade de acidentados de trânsito, sobretudo   condutores e “caronas” de motos. Em São Luís, por exemplo, são dezenas de casos por dia, produzindo um cenário caótico nos Socorrões I e II. A média estatística é a de que 70% dos casos de internação nos setores de traumatismo são de vítimas de acidentes com motos. Trata-se de uma regra que alcança o estado inteiro, independentemente do tamanho do município.

Diante de tal situação, o titular de Direitos Difusos e Coletivos, juiz Douglas Martins acolheu ação do Ministério Público e proibiu a transferência voluntária do Estado para custear ações hospitalares em municípios não enquadrados no SNT, fora, portanto das regras de trânsito do País. No momento, conforme dados da Famem, apenas 58 dos 217 municípios maranhenses têm trânsito municipalizado e integram o SNT, o que lhes dá direito a receber transferências voluntárias do Estado para essa finalidade. Outros 20 estão em processo de adesão. Isso significa dizer que 139 municípios, ou seja, mais da metade, estão fora das regras, enfrentam problemas graves com acidentes, mas não podem receber ajuda financeira voluntária do Estado para, pelo menos, amenizar o sufoco.

O entendimento negociado muda esse cenário, à medida que o juiz Douglas Martins se comprometeu a flexibilizar a proibição, enquanto a Famem vai se empenhar para que todos os municípios maranhenses passem a integrar o SNT. Isso significa aderir totalmente às regras de trânsito em vigor no País, principalmente nas áreas urbanas, disciplinamento da circulação de veículos – mão, contramão, faixas de pedestre, semáforo onde for o caso, além de uso de cinto de segurança e uso de capacete para motoqueiro e “carona”, entre outras regras, como a fiscalização severa, com multas e outras punições previstas em lei para infratores, etc. O juiz Douglas Martins avalia que não é fácil para boa parte dos prefeitos aderir ao SNT, daí a decisão de acatar o pedido do presidente da Famem, com a mediação do presidente da Alema, para flexibilizar a proibição, permitindo tentem solucionar o problema sem perder o direito de receber recursos voluntários do Estado.

Se levado a sério com decisão política pela Famem e respeitado pelos prefeitos, o acordo firmado ontem pelo comandante da entidade municipalista, Erlanio Xavier, e o juiz Douglas Martins, com a mediação oportuna e eficiente do presidente Othelino Neto, pode vir a ser um marco no processo de modernização das cidades maranhenses. É o que todos esperam.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Visita de Flávio Dino a Lula prevista para hoje pode ter repercussão no cenário político nacional

Flávio Dino e Lula da Silva: uma relação cada vez mais estreita e que pode ter repercussão forte no cenário nacional

O governador Flávio Dino (PCdoB) desembarca amanhã em Curitiba (PR) para visitar o ex-presidente Lula da Silva (PT) na carceragem da Polícia Federal, onde está preso há mais de 1 ano. Revelada na semana que passou pelo jornal Folha de S. Paulo como um gesto para a atender a um pedido do ex-presidente, a ida do governador maranhense a Curitiba despertou reações diversas, sendo a mais estridente delas a do ex-governador do Ceará e pré-candidato assumido do PDT à presidência da República, Ciro Gomes. Tem sido também objeto de mumunhos de bolsonaristas incomodados como o prestígio nacional   crescente do governador do Maranhão. Será segunda visita de Flávio Dino a Lula da Silva, a primeira ocorreu no ano passado, semanas após a prisão do ex-presidente. Flávio Dino levou a solidariedade pessoal e partidária a Lula da Silva, com quem conversou por cerca de meia hora na companhia de outros três governadores. A visita de hoje será individual, com mais tempo e com reserva para que os dois líderes conversem por mais tempo. A visita se dará em meio à informação de que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) está prestes a acatar pedido da defesa no sentido de que o ex-presidente cumpra prisão domiciliar. E também que Lula da Silva estaria inclinado a incentivar a posição de Flávio Dino como o nome da esquerda para disputar a presidência da República em 2022. O fato é que a visita de Flávio Dino a Lula da Silva hoje, em Curitiba, será um fato político de peso neste momento, que pode repercutir fortemente no debate sobre o cenário político nacional nos próximos tempos. Poderá, por exemplo, aumentar o isolamento e a irritação de Ciro Gomes, e estimular o PT a sair do muro.

 

Deputados compram briga de cobradores e transformam Alema em Câmara de São Luís.

Adriano Sarney, Wellington do Curso e Duarte Jr.: fazendo papel de vereadores de São Luís no caso dos cobradores

O caso que envolve a substituição de cobradores nos veículos que fazem o transporte coletivo de São Luís está chamando atenção em diversos aspectos. O que está acontecendo? O seguinte: a partir de agora, a cobrança nos ônibus será feita em parte pelo motorista, que passa a ter duas funções, e em parte pelo sistema de bilhetagem eletrônica, por meio do qual o usuário paga a passagem apenas aproximando um cartão com crédito a um dispositivo eletrônico. Com a mudança, a figura do cobrador deixa de existir, num processo absolutamente previsível desde que a modernização no sistema de transporte urbano de São Luís começou, começou, na última década do século passado. Num País civilizado, o poder público e as empresas deveriam prever a mudança e poderiam preparar os cobradores para a extinção da sua função. Isso não foi feito. Eles estão sendo dispensados sumariamente. Essa é a verdade.

Mas o que chama a atenção nesse cenário é o fato de que poucos dos 31 vereadores de São Luís compraram a briga, ao mesmo tempo em que três deputados estaduais – Adriano Sarney (PV), Wellington do Curso (PSDB) e Duarte Jr. (PCdoB), todos interessados na corrida sucessória municipal  – transformaram o caso dos cobradores em bandeira, numa surpreendente e curiosa inversão de papéis. Os três deputados mergulharam fundo no caso, provavelmente não se dando conta de que estão perdendo tempo e prestígio ao levar para o plenário da Assembleia Legislativa assunto diretamente ligado à Câmara Municipal. Só que os vereadores já se deram conta de que nada podem fazer para evitar a mudança. Alguns tentam corrigir alguns pontos, como o vereador Humbelino Júnior (Cidadania), que apresentou um projeto que proíbe motorista exercer também a função de cobrador. Vai funcionar? Difícil prever, por se tratar de uma interferência indevida do Legislativo municipal na atividade privada. Em resumo: com diferente enfoque, três deputados estaduais estão transformando a Assembleia Legislativa em Câmara Municipal de São Luís.

São Luís, 05 de Junho de 2019.

 

Dr. Yglésio pode mudar a tendência do PDT na escolha do candidato a prefeito de São Luís  

 

Dr. Yglésio caminha para disputar com Neto Evangelista, Osmar Filho e Ivaldo Rodrigues a vaga de candidato do PDT à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr.

Todos os sinais emitidos até agora indicam que os partidos mais fortes terão dificuldades para escolher candidatos à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr., mas essas mesmas evidências apontam para uma certeza: o PDT será o partido que enfrentará grandes dificuldades internas para escolher um candidato r definir um caminho. No momento, há uma corrente dentro da agremiação pedetista tentando viabilizar uma aliança com o DEM em torno da candidatura do deputado estadual democrata  Neto Evangelista. Na mesma seara o vereador pedetista Osmar Filho, presidente da Câmara de São Luís, emite diariamente sinais de que está no páreo e de que a escolha tem de passar pela sua mesa, o mesmo acontecendo com o vereador Ivaldo Rodrigues. E agora, ainda com sinais cifrados para o público, mas com um projeto audacioso em construção, começa a ganhar corpo no arraial do PDT a pré-candidatura do deputado estadual Yglésio Moisés, ou Dr. Yglésio, como é conhecido na cena política. E deve ganhar consistência como um “fator” de peso no leque de opções pedetistas e alterar fortemente a agenda do presidente e chefe influente do partido, senador Weverton Rocha.

Ao contrário do que tem sido especulado, não existe um acordo fechado e irreversível entre o PDT e o DEM em torno da pré-candidatura do deputado Neto Evangelista. As conversas existem, estão em andamento, os líderes dos dois partidos já manifestaram simpatia pela aliança, e até o governador Flávio Dino, sem ter feito declarações favoráveis, disse que nada tem contra. Logo, é um projeto que poderá ou não se consolidar. No caso do vereador Ivaldo Rodrigues, ele tem dito que está à disposição do seu partido, que topa ser candidato, mas não transformou, pelo menos até aqui, sua vontade de ser candidato numa pré-candidatura e não parece interessado em transformar essa intenção num cavalo-de-batalha.

Numa outra perspectiva, o vereador-presidente Osmar Filho não tem perdido oportunidade para mostrar que tem um projeto de candidatura e que vai se movimentar até onde for possível para viabilizá-lo. Desde que assumiu o comando da Câmara Municipal, Osmar Filho tem se esforçado para se mostrar um gestor dinâmico e produtivo, que ainda que a instituição que dirige seja uma Casa legislativa, com obrigações bem específicas, rotinas bem amarradas e que não abre muito espaço para mudanças administrativas de uma gestão reformadora. O presidente da Câmara Municipal, no entanto, tem agido para mostrar que tem vontade e garra para encarar o desafio de administrar São Luís. Daí a sua determinação de construir pré-candidatura que vem ganhando forma.

O deputado Dr. Yglésio é o que se pode definir como novo fator nesse cenário ainda em formação da corrida para a Prefeitura de São Luís. Político jovem, conhecido pela sua boa formação como médico e pela militância intensa de quadro formado nas fileiras do brizolismo, tendo ainda bebido no PDT criado por Jackson Lago e Neiva Moreira, dois dos maiores gigantes da política maranhense nas últimas seis décadas. Como deputado estadual, tem se destacado como legislador produtivo – já apresentou seis Propostas de Emendas Constitucionais (PECs), vários projetos e indicações -, como articulador ativo e com presença frequente eficiente na tribuna, onde tem feito boas defesas políticas e técnicas de propostas e decisões do Governo do Estado. Ontem, por exemplo, foi duro ao desmentir, com autoridade de médico, informação falsa sobre meningite no Maranhão.

Dr. Yglésio tem sido cuidadoso quando o assunto é a sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr., mas como militante do partido e detentor de mandato, já vem discutindo o assunto em círculos fechados e agora parece decidido a entrar de vez no cenário sucessório em formação. E com a tranquilidade de quem sabe onde quer chegar e o compromisso de se preparar bebendo em fontes de qualidade superior, como visita que na semana passada à Prefeitura de Curitiba, onde trocou impressões sobre gestão municipal de ninguém menos que o respeitado prefeito curitibano Rafael Greca (PDT) e membros destacados da sua equipe sobre como fazer uma gestão-modelo numa cidade com mais de 1 milhão de habitantes. Que Neto Evangelista, Ivaldo Rodrigues e Osmar Filho fiquem espertos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Maranhão produz Documento que vai revolucionar a elaboração curricular da educação no Maranhão

Flávio Dino recebe no Palácio dos Leões professores que elabiraram o Documento Curricular liderados pelo secretário Felipe Camarão (camisa vermelha)

Documento Curricular do Território Maranhense para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental. O documento é resultado de um trabalho conjunto da União dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME), Conselho Estadual de Educação (CEE), da União dos Conselhos Municipais de Educação (UNCME) e com o apoio da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Sua elaboração envolveu milhares de educadores e profissionais da educação, por meio da participação de diversas consultas públicas e encontros regionais e estaduais realizados em todo o estado. O Documento é parte do Pacto Estadual pela Aprendizagem, foi construído ao longo de 2018 e servirá de base para que as escolas elaborem seus Projetos Político-Pedagógicos (PPP) e planos de aulas de seus docentes em todo o Maranhão.

À primeira leitura, as informações acima parecem fazer parte daqueles projetos que, mesmo realizados, foram destinados às gavetas da Secretaria Estadual de Educação para nunca produzir qualquer resultado. Mas é exatamente o contrário, porque se trata de um dos projetos maus arrojados, abrangentes e promissores da atual gestão educacional do Maranhão. As informações contidas no documento serão a base para a elaboração do currículo escolar da educação infantil e do ensino fundamental da rede escolar maranhense, que passa pela maior transformação que se tem notícia em matéria de investimento, estruturação, organização, planejamento e inovação. E coloca o Maranhão no pequeno e seleto grupo de Governos estaduais   que elaboraram esse documento e hoje dispõem de bases curriculares perfeitamente encaixadas na realidade social, econômica e cultural, tornando o ensino muito mais produtivo.

O Documento Curricular do Território Maranhense para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental levou ontem, liderado pelo secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, um grupo de 30 professores que participaram da pesquisa e elaboração para um encontro no Palácio dos Leões. Ali, o governador Flávio Dino não conseguiu esconder sua empolgação com o Documento: “Nós temos que perenizar legados e um desses legados mais poderosos que eu desejo muito solidificar é esse da educação, espelhado no IDEB, que tem que continuar a crescer, e espelhado em uma institucionalidade que garanta que qualquer que seja o governo não haja retrocesso”.

Rede escolar, escola de tempo integral, institutos de educação, escola digna, professor com maior piso salarial do Brasil, R$ 5,6 mil e um gigantesco esforço de qualificação de professores ganharão muito em qualidade com o Documento Curricular, transformando a política educacional em curso como um assunto de Estado e não uma ação de Governo.

 

Em vez do devaneio de disputar a Prefeitura de São Luís, Maura Jorge poderia pensar um projeto para Lago da Pedra

Maura Jorge poderia tentar voltar à Prefeitura de Lago da Pedra, mostrar prestígio com o presidente Jair Bolsonaro e mudar a realidade do município

Se, de fato, estiver mesmo sendo influenciada por grupo de pré-candidatos a vereador, como o ex-vereador Fábio Câmara, embarcando na biana furada de disputar a Prefeitura de São Luís, a ex-candidata a governadora, Maura Jorge (PSL), estará passando ao mundo o recibo de que perdeu completamente o senso de avaliação político, que foi ingrediente destacado no seu aprendizado com o pai, Mauro Jorge, e com o irmão, o ex-prefeito e ex-deputado Waldir Jorge. Trata-se de um projeto sem pé nem cabeça, mesmo levando-se em conta o fato de que ela está politicamente legitimada a mudar seu título para a Capital e tentar chegar ao Palácio de la Raverdière. Nada lhe impede de cometer tal operação, mas nada proíbe também que se veja nela um fracasso anunciado. E qualquer avaliação sensata certamente levará à conclusão de que o seu caminho mais coerente será disputar a Prefeitura de Lago da Pedra, após alto que, em caso de vitória, poderá usar o prestígio no Governo Bolsonaro e transformar o município num polo de desenvolvimento.

São Luís, 04 de Junho de 2019

Reação de Ciro a notícia do pedido de Lula a Dino confirma agressividade do cearense e o peso político do maranhense

 

Ciro Gomes joga agressivamente, enquanto Flávio Dino mostra habilidade política

A reação agressiva do ex-governador Ciro Gomes (PDT) à notícia, divulgada pela coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, dando conta de que o ex-presidente Lula da Silva (PT) pediu ao governador Flávio Dino (PCdoB) que vá visitá-lo na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, produziu vários sinais claros de que a corrida pela vaga de candidato a presidente no âmbito das correntes centro-esquerda e esquerda já começou. Primeiro evidenciou, de maneira mais evidente, que Ciro Gomes está em campanha aberta, tendo o antipetismo como um dos seus motes. E, ao mesmo tempo, confirmou uma situação que vem se consolidando de maneira cada vez mais enfática: o governador Flávio Dino é, de fato, um dos nomes dessa seara com mais força e prestígio político para liderar uma grande aliança na disputa pelo comando do País em 2022. A reação crítica de Ciro Gomes ao convite de Lula da Silva a Flávio Dino, mais do que mais uma estocada no ex-presidente, a quem vem atacando duramente, é claramente um gesto de beligerância destinado a inibir a caminhada do governador maranhense nesse cenário ainda impreciso e no qual o candidato que vier a ter o apoio do PT agregará ao seu projeto um cacife extremamente poderoso.

O episódio, ao mesmo tempo, revelou, de maneira acentuada, as posturas dos dois líderes.

Ciro Gomes, ao mesmo tempo em que é um quadro de muita competência e experiência, que representa com o melhor produzido pela geração saída das lutas estudantis contra a ditadura no final dos anos 70, continua pavio curto, dono de uma agressiva e inacreditável incontinência verbal, sustentando seu projeto num discurso em que alveja qualquer um que possa lhe fazer sombra. A prova disso, foi quando esteve em São Luís, no início de 2018, em busca de apoio à sua candidatura presidencial pelo PDT, foi recebido como um líder pelo Flávio Dino, declarando, num pronunciamento no Palácio dos Leões, que o governador maranhense “foi a melhor coisa que surgiu na política brasileira nos últimos tempos”. Agora, que Flávio Dino desponta como fato novo no cenário nacional, Ciro Gomes avisa que vai tratá-lo como adversário, principalmente se o PT vier a apoiá-lo.

Flávio Dino tem demonstrado, além de prestígio, muita habilidade ao se movimentar nesse campo movediço. Se coloca como adversário e duro crítico do Governo Bolsonaro, mas sem a vulgaridade de entrar no plano pessoal com adjetivações grosseiras. Foi visitar Lula da Silva na prisão, mostrou força ao se reeleger em turno único e liderar a vitória acachapante do candidato do PT, Fernando Haddad, no Maranhão. Ultimamente, vem falando para plateias cada vez maiores e qualificadas, sempre muito aplaudido, e protagonizando gestos políticos surpreendentes, como a recente visita ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com quem trocou impressões sobre o cenário nacional e a situação dos estados e municípios – é sabido que FHC nutre muito respeito por Flávio Dino. Ou seja, ao contrário de Ciro Gomes, que não consegue controlar seu destempero, Flávio Dino é um político com os pés no chão, civilizado e que não usa agressividade grotesca no embate político.

Com sua tentativa de atrair Flávio Dino para o confronto aberto, antecipado e desnecessário nesse momento, Ciro Gomes parece não perceber que ao se manter nessa linha de atacar aliados e potenciais aliados mergulhará num desgaste que pode pulverizar sua pretensão presidencial, pois afinal, ainda tem três anos pela frente. Essa consciência é clara no governador, que trabalha duro para conciliar a gestão do Governo do Estado com a participação no grande debate em curso no País, principalmente pela revelação nada animadora revelação de que Jair Bolsonaro (PSL) se elegeu presidente sem um projeto de Governo para o Brasil. Ciro Gomes, por sua vez, parece não entender o que está acontecendo no País.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Eduardo Braide tem força eleitoral, mas precisa de um partido que lhe dê suporte

Eduardo Braide: à procura de um partido que lhe dê suporte

O deputado federal Eduardo Braide ainda não decidiu se permanecerá no PMN ou se trocará de partido para disputar a Prefeitura de São Luís. Ele foi sondado pelas agremiações que fazem Oposição ao governador Flávio Dino – MDB, PV e PSD -, esteve próximo de fazer um acordo com Josimar de Maranhãozinho para entrar no agora PL, e ainda está sendo sondado pelo PSDB. Dificilmente permanecerá no PMN, mas essa possibilidade existe. De qualquer maneira, tem prazo até   setembro para resolver o seu futuro partidário.

Eduardo Braide não precisa exatamente de um partido forte, cheio de caciques. Ele necessita de um partido que lhe dê suporte – Fundo Partidário e Fundo Eleitoral, por exemplo -, e sobre o qual tenha total controle. No PMN, ele tem o domínio absoluto, mas a agremiação nada lhe assegura em matéria de suporte, já que, por causa da desidratação que sofreu nas eleições de 2018, embora tenha eleito ele e o Pastor Gildenemyr para a Câmara Federal, perdeu o direito aos benefícios que a legislação eleitoral assegura a partidos que conseguem vencer as chamadas cláusulas de barreira. Sem esse suporte, seu poder de fogo eleitoral fica vulnerável. Daí ser fundamental para ele dispor de um partido minimamente estruturado.

Todos os levantamentos formais e informais feitos até agora para medir a posição dos aspirantes à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) indicaram que Eduardo Braide lidera a corrida com muita folga. E com um dado que chama a atenção: nenhuma pesquisa apontou tendência de queda. A muitos pontos de distância, o deputado estadual Duarte Jr. (PCdoB) aparece como o seu adversário mais próximo, que pode crescer se tiver sua candidatura confirmada pelo grupo dinista. Outros projetos de candidatura estão em andamento, mas não parecem ter força para causar uma reviravolta – pelo menos por enquanto. Eduardo Braide, porém, já tem experiência suficiente para saber que daqui a um ano a situação pode ser outra. Daí a necessidade de estar à frete de um partido que lhe dê condições de se movimentar.

 

 

Roberto Rocha avisa que o PSDB vai disputar nos grandes municípios, mas não deu um só nome

Roberto Rocha

O senador Roberto Rocha surpreendeu em entrevista a O Estado do Maranhão. Primeiro reconheceu que, a exemplo do que aconteceu na maior parte do País, do braço do PSDB no estado, que o tem como presidente, foi triturado nas eleições de 2018, mas avisou que o partido vai dar a volta por cima lançando candidatos num grande número de municípios, principalmente nos maiores. Vai a pergunta: quem o PSDB tem para lançar em São Luís, Caxias, Codó, Timon, Bacabal, Pedreiras, Pinheiro, São José de Ribamar, Santa Inês, Chapadinha com chances reais de sair das urnas eleito? Em outro trecho da entrevista, ao ser indagado sobre o seu futuro político, já que seu mandato de senador caminha para o final e se quiser continuar em Brasília terá de disputar a única vaga em 2022, respondeu de maneira ao mesmo tempo simplista e enigmático dizendo que ainda não decidiu porque até lá “muitas águas vão rolar”. Que águas são essas, com o poder de salvar um mandato solitário e sem lastro político nem partidário? Roberto Rocha não soltou qualquer pista capaz de esclarecer o enigma das águas rolantes.

São Luís, 02 de Junho de 2019.

 

Milhares de estudantes vão às ruas em defesa da educação e fazem São Luís reviver a condição de Ilha Rebelde

 

Estudantes inundaram a Rio branco e marcharam para a Beiramar num protesto alegre, mas com recado forte

São Luís reviveu ontem à tarde os seus melhores momentos de cidade onde o protesto “está na veia”, como diz o ditado popular, o que lhe valeu o título de “Ilha rebelde”, identificada que sempre foi com o avesso do que o poder aqui e ali tenta lhe impor na marra. Foi impactante ver a Rua Rio Branco tomada por uma multidão de estudantes um protesto alegre, pacífico, mas contundente contra a decisão quase irracional do Governo Bolsonaro de cortar 30% dos recursos das universidades federais e institutos de formação superior, ora alegando falta de caixa, ora argumentando que essas instituições estão “jogando dinheiro fora”, e ora acusando algumas universidades respeitadas de estarem “fazendo bagunça”. Os estudantes maranhenses foram às ruas de São Luís dizer “não” a essa atitude política com viés ideológico, anunciada e sustentada pelo segundo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que está se revelando pior do que o primeiro, Ricardo Vélez, um colombiano de extrema direita que não sabe falar português e que caiu depois de passar meses no cargo sem saber o que fazer.

Os estudantes maranhenses levaram para as ruas seu espírito independente e libertário, e por seu intermédio dizer aos confusos e arrogantes mandatários do País que a Universidade Federal do Maranhão é uma instituição séria, movida pela liberdade de cátedra, pela ciência e pela democracia, o que faz dela um importante bastião onde a educação superior é levada a sério. E que ali todas as áreas têm cursos respeitados nacionalmente pela qualidade, como Medicina, Enfermagem, Engenharia Elétrica, Comunicação Social, Letras e Serviço Social, para citar alguns de referência conhecida. Foram às ruas também para lembrar que o uso da ameaça e mesmo da força não funciona no Campus do Bacanga e seus braços nas mais diferentes regiões do Maranhão.

A comunidade universitária deu um show de mobilização em todo o País, principalmente nos centros onde a academia é forte, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará, com manifestações sérias, sem “bagunça”, sem desvio de conduta. E nesse contexto os estudantes maranhenses realizaram um protesto diferenciado, vibrante, inteligente, com cartazes, faixas, palavras de ordem e até interpretação teatral do drama que a Educação vive hoje no Brasil. Criticaram as medidas, cobraram uma revisão dessa política de confrontação, e deixaram um recado muito claro: não querem confronto, querem paz e apoio, mas se isso não for possível, estão prontos para lutar pelos nossos direitos. E a julgar para multidão que se formou na Praça Deodoro, serpenteou pela Rio Branco, pela Gonçalves Dias, pela Maria Aragão e inundou a Beira-Mar, a comunidade universitária de São Luís está pronta manter o clima de protesto.

A manifestação de ontem em São Luís foi plenamente justificada. Afinal, de acordo com as contas feitas pela reitora Nair Portela, se o contingenciamento de 30% for efetivamente cumprido, serão subtraídos nada menos que R$ 33 milhões, e a partir de agosto a UFMA e os Ifmas terão de fechar as portas, pois não haverá recursos para pagar energia elétrica, limpeza, conservação, segurança, só sobrará dinheiro para pagar servidores e alguns serviços essenciais. Será uma tragédia financeira que causará uma tragédia educacional de largo alcance, porque praticamente todos os cursos terão de ser interrompidos, já que suas aulas são presenciais, pesquisas serão suspensas e serviços de atendimento social vão deixar de existir. E por mais que o inacreditável ministro da Educação insista na ideia de apertar o torniquete nas universidades, fica mais claro que essa política é um erro monumental, pelo qual o Brasil pode vir a pagar um preço muito alto. Até porque não há registro de que algum País que tenha feito algo parecido.

E para quem duvida do poder de mobilização dos estudantes universitários do Maranhão, vale lembrar manifestações recentes, como as manifestações de 2013 e de 2014. E todas elas levando o DNA da greve de 1979, quando a “Ilha rebelde” foi transformada numa praça de guerra, porque o então governador João Castelo, insuflado pelos “Weintraubs” que o assessoravam no Palácio dos Leões, mandou a Polícia Militar reprimir as manifestações de rua com cassetete e gás lacrimogêneo. Hoje é quase impossível que se repita uma situação como aquela, porque, apesar dos conservadores e golpistas, o Brasil respira democracia, que é vivenciada integralmente no Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PR é rebatizado de PL, mas no Maranhão, nada muda com a troca de nome

Josimar de maranhãozinho 

Morreu o Partido da República (PR), nº 22. Nasceu o Partido Liberal (PL), nº 22. Na verdade, o PL está renascendo pela terceira vez. Foi criado ainda no Império, depois desapareceu na República Velha, para renascer em 1985, com a instalação da Nova República, pelas mãos do deputado federal Álvaro Valle, do Rio de Janeiro, passando para o controle do deputado federal paulista Waldemar Costa Neto, que o fundiu em 2006 com o Prona do incomparável Enéas, e lhe deu o nome de Partido da República. Agora, o próprio Waldemar Costa Neto o rebatiza como Partido Liberal.

No Maranhão, o novo PL será comandado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que há anos vinha controlando o PR como mão de ferro, só permitindo acesso a quem lhe jurasse fidelidade absoluta. Com o PL nada mudará. Josimar de Maranhãozinho é um político controvertido e audacioso e tem projetos ambiciosos, entre eles o de ser governador do Maranhão, e por isso só abre o partido aos que lhe juram lealdade. Além de Josimar de Maranhãozinho, o PL conta com o deputado federal Júnior Lourenço, aliado incondicional e seguidor fiel do presidente do partido. No plano estadual, o PL conta com uma bancada de quatro parlamentares: os deputados Detinha, mulher de Josimar de Maranhãozinho, e como ele para a Câmara Federal, campeã de votos para a Assembleia Legislativa, Hélio Soares, um político experiente que retornou ao parlamento estadual com o seu apoio, Vinícius Louro, que se reelegeu pelo PR, e agora Leonardo Sá, que se elegeu pelo PRTB, migrou para o PR e se torna agora membro do PL e será seu candidato à Prefeitura de Pinheiro.

Com o partido rebatizado, Josimar de Maranhãozinho sairá agora a campo para realizar duas ambições: encontrar bons nomes para lançar como candidatos às prefeituras de São Luís e Imperatriz, conquistas essenciais para o seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões.

 

Curiosidade: em viagem ao Paraná, Yglésio Moisés investiga a fundo o sistema que faz de Curitiba uma cidade-modelo

Dr. Yglésio na audiência com Rafael Greca para falar sobre os avanços de Curitiba

Curiosa a viagem do deputado estadual Yglésio Moisés (PDT) a Curitiba, a moderna e referencial capital do Paraná. Para começar, foi participar do VII Fórum Paranaense de Mobilidade, uma especialidade do Paraná, principalmente de Curitiba, que revolucionou o conceito de transporte de massa urbano nos anos 70, na gestão do revolucionário e inovador prefeito Jaime Lerner (PDT). Yglésio Moisés aproveitou para visitar o atual prefeito, Rafael Greca (PDT), discípulo de Jaime Lerner, arquiteto que foi ministro do Turismo e é considerado um dos maiores craques em urbanismo em todo o País. O mais interessante foi que Moisés e Greca trocaram impressões sobre sistema de saúde, redução do déficit público, previdência municipal, Lei de Responsabilidade Fiscal, concursos públicos, cargos comissionados, e por aí vai. O deputado maranhense saiu da audiência com uma radiografia completa acerca de como funciona a máquina moderna e eficiente que embala e mantém Curitiba como uma cidade-referência em todos os aspectos. E prefeito agradeceu a visita: “Grande alegria receber o deputado Dr. Yglésio, que vem da bela São Luís passar frio em Curitiba. Estou presenteando ele com meu livro, da minha amada cidade, e desejando a ele que esse livro seja penhor de uma trajetória lá no Maranhão e pelo bem que nós desejamos para aquela cidade, tão linda que é Patrimônio da Humanidade”.

E não ficou só nisso. O deputado Yglésio Moisés visitou também a URBS – Urbanização de Curitiba S.A -, empresa responsável pelas ações estratégicas de planejamento, operação e fiscalização, que envolvem o serviço de transporte público, além do gerenciamento e administração de equipamentos urbanos de uso comercial da cidade, instalados em bens públicos. Ali se reuniu com o presidente da URBS, Ogeny Maia, com quem trocou informações sobre as soluções no trânsito de Curitiba, que, mesmo sem a presença de metrôs, consegue fluidez com o investimento em BRTs e construção de corredores exclusivos, mais baratos e, às vezes, até mais eficiente do que um metrô.

Saudável, sem dúvida, mas curioso que um deputado estadual maranhense desembarque em Curitiba para um evento sobre mobilidade urbana e mergulhe nas entranhas da Prefeitura curitibana para informar-se sobre tudo o que diz respeito à engrenagem que a tornou e a mentem como uma cidade-modelo.

Tem-se aí um pré-candidato a prefeito de São Luís?

São Luís, 31 de Maio de 2019.

PCdoB projeta lançar 120 candidatos a prefeito e ter participação decisiva na sucessão em São Luís

 

Márcio Jerry entre Rubens Jr., Duarte Jr. e Júlio Nogueira: o comandante e os pré-candidatos do PCdoB em São Luís em recente ato do partido para atrair filiados 

Depois de sair das urnas em 2016 com 46 prefeitos, o que consolidou a posição de secção mais importante do País, o braço maranhense do PCdoB quer dar um salto ainda mais alto nas eleições municipais de 2020: aumentar o número de prefeitos, incluindo entre eles o próximo mandatário de São Luís. Esse projeto começa com a meta de chegar no ano eleitoral com candidatos a prefeito em pelo menos 120 municípios, em voo solo ou em coligação. Esse cenário foi desenhado pelo presidente regional do partido, deputado federal Márcio Jerry, no programa Sala de Entrevista, da TV Assembleia, comandado pelo jornalista Juracy Filho. Quando falou como presidente do PCdoB, Márcio Jerry exibiu confiança em mais uma resposta afirmativa do eleitorado maranhense ao desempenho do Governo Flávio Dino, que tem no PCdoB e 15 partidos aliados, entre eles o PDT e o PSB, sua base política, manifestando convicção de o partido que comanda sairá mais uma vez consagrado das urnas. No caso de São Luís, ele previu que o candidato da aliança será escolhido numa articulação do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) com o governador Flávio Dino (PCdoB), podendo ser um pedetista, um comunista ou nome de outro partido aliado, como o DEM, por exemplo.

Na entrevista, Márcio Jerry avisou que o PCdoB vai jogar pesado para consolidar e até ampliar sua posição de partido dominante no cenário atual da política maranhense. Para começar, pretende chegar a 31 de janeiro do ano que vem com nada menos que diretórios do partido instalados nos 217 municípios maranhenses, feito que nenhuma agremiação – nem o PMDB nos seus melhores momentos – conseguiu alcançar. Se “bater” tal meta, não terá concorrente em número de candidatos a prefeito, a vice-prefeito e, principalmente, a vereador, e certamente ocupará um lugar na crônica dos partidos políticos do Maranhão com esse feito inédito. E fez questão de frisar que o número de candidatos a prefeito previsto (120), é uma previsão de agora, o que significa dizer que esse exército de candidatos poderá ser bem maior. Márcio Jerry sinalizou que o “alongamento” do PCdoB no Maranhão é um projeto nacional, tanto que foi alinhavado em reunião em São Luís com o comando nacional do partido, e será conversado com prefeitos, vereadores e presidentes municipais da agremiação.

No caso de São Luís, Márcio Jerry escala pré-candidatos do PCdoB a prefeito, mas dá tom mais forte à estratégia de lançar um candidato viável pela grande aliança, a partir de uma articulação do prefeito Edivaldo Holanda Jr. e o governador Flávio Dino. “O nosso objetivo, nossa meta, é novamente ganhar a eleição em São Luís em 2020 e manter o Governo do Estado em 2022. Nós, nosso partido, tivemos uma importância grande na eleição do nosso querido prefeito Edivaldo Holanda Jr. em 2012 e tivemos um papel importante na reeleição de Edivaldo Holanda Jr. em 2016. Temos, portanto, legitimidade para participar desse processo”, disse. E deixou claro que essa articulação deve envolver nomes do PCdoB (o deputado federal Rubens Jr., o deputado estadual Duarte Jr. e o vice-prefeito Júlio Nogueira), do PDT (os vereadores Osmar Filho e Ivaldo Rodrigues), do PSB (Bira do Pindaré) e do DEM (Neto Evangelista), citando também a pré-candidatura independente do radialista Jeisael Marx. “Temos um grande leque de pré-candidatos, e pelo consenso progressivo, nós vamos encontrar um bom caminho”, projetou, ciente de que a disputa em São Luís será um desafio e tanto, a começar pela existência incontestável de um candidato forte na Oposição, o deputado federal Eduardo Braide (PMN).

Além de São Luís, Márcio Jerry deixou no ar a impressão de que o PCdoB vai jogar pesado para ganhar o comando de grandes municípios. Tudo indica que pode eleger o prefeito de Imperatriz, o deputado estadual Marco Aurélio ou o secretário Clayton Noleto (Infraestrutura). Poderá reeleger Domingos Dutra em Paço do Lumiar e Wellryk Costa em Barra do Corda. Mas até aqui ainda não tem nomes fortes para disputar em São José de Ribamar, Caxias, Timon, Pinheiro, Santa Inês, Bacabal, Balsas, Codó, Pedreiras e Chapadinha, por exemplo, sendo quase certo que fará composições nesses municípios, se possível emplacando o candidato a vice.

No meio político é dominante a impressão de que o projeto de “alongamento” do PCdoB é viável.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Prefeitura de São Luís: antecipação da folha é resultado de um esforço gigantesco que já dura 65 meses

Edivaldo Holanda Jr.: esforço mensal para manter a folha de pessoal em dia durante 65 meses

A Prefeitura de São Luís anuncia para esta quinta-feira (30) o pagamento do funcionalismo municipal. Nada excepcional se o anúncio fosse feito num cenário em que o Poder Público estivesse vivendo uma situação de normalidade financeira. Mas não é o caso. A regularidade com que o prefeito Edivaldo Holanda Jr. vem pagando os servidores é o desdobramento de um esforço gigantesco que vem sendo feito há exatos 65 meses, tempo de duração dos seus dois mandatos até aqui. Ainda está bem vivo na memória dos barnabés ludovicenses o clima de incerteza e de insegurança que se instalou na máquina administrativa municipal no final do mandato do então prefeito João Castelo (PSDB), em dezembro de 2012. Jovem e inexperiente, Edivaldo Holanda Jr. recebeu a Prefeitura em estado caótico, com os servidores cobrando dezembro e 13º e os sistemas municipais de Saúde e de Educação em colapso, tudo concorrendo para o desenho de um futuro sombrio. Mas, ao contrário do desastre previsto, que muitos consideraram fato consumado, o jovem prefeito trincou os dentes, segurou a pancadaria e conseguiu o inesperado: pagou o mês de janeiro, o primeiro da sua gestão, e apesar de todas as previsões catastróficas, manteve a folha em dia nestes quase cinco anos e meio de mandato. O anúncio do pagamento, que há muito se tornou rotineiro, é o resultado de um esforço gigantesco feito pelo prefeito Edivaldo Holanda Jr. nas suas primeiras semanas de gestão em 2013, que começou com um duro ajuste nas finanças, reforçado por um controle draconiano nos gastos, pelos quais pagou preço político, mas que o futuro cuidou de mostrar o prefeito fez o que tinha de ser feito e hoje colhe os frutos. Ainda com muita dificuldade, mas certamente dormindo sem ser atormentado por pesadelos.

 

Assembleia aprova homenagem de Roberto Costa a Patrícia Sousa, idealizadora da Casa de Apoio Ninar

Roberto Costa e Patrícia Souza em visita à Casa de Apoio Ninar

O deputado Roberto Costa (MDB) conseguiu um feito incomum para um parlamentar de Oposição. Teve aprovado na Assembleia Legislativa Projeto de Resolução concedendo a Medalha do Mérito Legislativo Manoel Bequimão, a maior honraria do Poder Legislativo, à neuropediatra Patrícia da Silva Sousa, idealizadora e coordenadora do projeto Casa de Apoio Ninar, que completa dois anos como uma das mais diferenciadas e simbólicas obras sociais do Governo do PCdoB.

Instalada na antiga residência de veraneio e de festas do Governo do Estado, na Ponta do Farol, em São Luís, a Casa de Apoio Ninar proporciona assistência a bebês com doenças que afetam o neurodesenvolvimento, assegurando-lhes acompanhamento de médico em neurologia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia, assistência social, oftalmologia, pediatria, neuropediatra, psiquiatria infantil e infectologia. Ali também é assegurada assistência física, emocional e educacional a pais. Todo o trabalho é coordenado por Patrícia Sousa.

O deputado Roberto Costa transformou-se num entusiasmado apoiador da Casa de Apoio Ninar quando, a partir de informações que colheu durante meses, visitou a mansão que em outros tempos foi sinônimo de festas, descobrindo ali uma obra transformadora. Sua boa impressão aumentou quando conversou com a idealizadora e coordenadora Patrícia Sousa.

Ao idealizar a homenagem, Roberto Costa emedebista justificou: “É o mínimo de reconhecimento que podemos demonstrar à doutora Patrícia Sousa, que é a idealizadora de todo o projeto. Ela planejou e executou, por meio do Governo do Estado, que está de parabéns, bem como o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, por apostar e dar essa oportunidade a um projeto que se tornou referência nacional, atendendo a crianças de todo o Maranhão”.

São Luís, 30 de Maio de 2019.

Flávio Dino afirma que para rever sua força, a esquerda precisa reconquistar a classe média e articular uma frente ampla

 

Em cima: Flávio Dino fala a centenas de pessoas no Tuca, em São Paulo Embaixo: Flávio Dino em visita ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com quem trocou impressões sobre a situação do Brasil e quem relatou os resultados do seu Governo vem alcançando

A esquerda perdeu a classe média, influenciada pela agenda da corrupção, e precisa dela para recuperar a sua ofensiva histórica. E o caminho para isso é trabalhar na formação de uma ampla frente de correntes políticas. Com essa posição, que só um político com os pés fincados no chão e com visão aberta e pragmática, mas sem abrir mão de princípios, pode defender, o governador Flávio Dino (PCdoB) centrou uma fala de 25 minutos em mesa redonda realizada ontem, no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca), para uma plateia de 800 pessoas – entre jornalistas, intelectuais, professores e profissionais liberais – sobre o tema “Governo Bolsonaro – Como o Brasil pode superar essa encruzilhada? ” O evento contou com a participação do ex-prefeito de São Paulo, ex-ministro da Educação e ex-candidato presidencial Fernando Haddad (PT), do ex-ministro da Defesa e ex-chanceler Celso Amorim (PT), além da deputada estadual Erica Malunguinho (PSOL-SP). Por sua visão e análise da atual conjuntura brasileira, calcadas no realismo próprio das suas intervenções, que sempre incluem dura autocrítica, o governador do Maranhão foi o palestrante mais aplaudido.

Com a autoridade de governante já testado e reeleito, Flávio Dino avaliou que nos primeiros meses o Governo Bolsonaro instalou sobre a Nação “um sentimento de perplexidade e angústia”, com a chegada ao poder de “uma direita política preconceituosa e violenta, forte e mobilizada”, que soube manipular a “agenda da corrupção” a partir das manifestações de 2013.  Assinalou que “essa pauta se entranhou na alma do povo brasileiro como a determinante de todas as tragédias políticas e sociais que o País vive”. E com a segurança de quem sabe o que está falando, comentou: “É claro que a corrupção é grave, mas a apropriação da bandeira dessa corrupção específica foi para esconder as outras, inclusive a maior delas – a grande desigualdade social do Brasil”.

Ao desenhar esse contexto, Flávio Dino assinalou que a vitória da chapa Jair Bolsonaro – Hamilton Mourão, ambos do PSL, sobre a chapa de Fernando Haddad (PT) e Manuela D’Ávila (PCdoB), nas eleições presidenciais de 2018, “apenas reforça a tendência de ofensiva estratégica da direita. A esquerda entra numa brutal defensiva”. E chamou a atenção para o fato de que, “para alcançar a hegemonia” e “inverter o sinal histórico”, o bolsonarismo polarizou a classe média. E com isso “cindiu o bloco do lulismo” – a grande base que chegou a dar mais de 80% de aprovação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

E foi direto ao ponto ao traçar uma linha para a reviravolta: “Perdemos a classe média, influenciada pela agenda da corrupção. E precisamos dela para recuperar a ofensiva histórica”. E acrescentou, em tom de alerta: “Até temos ganhado batalhas de hashtags nas redes, certo? Mas estamos perdendo as batalhas no mundo material. Isso não nos serve”. E fechou a avaliação afirmando, em tom quase didático, que “é preciso recuperar a esperança na nossa ação coletiva, consciente e transformadora – mas fazer isso com método”.

Falando para uma plateia majoritariamente de esquerda e centro-esquerda, Flávio Dino fundamentou sua argumentação lembrando que Lênin, líder maior da Revolução Russa, “Nas Teses de Abril (1917)”, não escreveu ‘Viva o Socialismo’ ou ‘Socialismo Já’. “Ele escreveu ‘Paz, Pão e Terra’”. Assim, conseguiu galvanizar amplas correntes, alcançando uma espécie de frente numa situação improvável. Para ele, a ideia da frente ampla deve ir além dos partidos tradicionais de esquerda, como acontece no Maranhão, onde lidera uma aliança com 16 partidos, num arco que vai da esquerda à direita. “Frente ampla não é retórica – é desafio. E só é possível fazer isso com quem não é igual a nós. Falar com iguais é mais cômodo, mas não é consequente”, destacou, com base na experiência que vive, para assinalar que é preciso, nesse sentido, que a agenda da frente tenha “a democracia como pré-condição”, o compromisso com o interesse nacional e a soberania, além de um projeto para “a produção, o emprego e o trabalho”.

No entendimento do governador do Maranhão, só a frente ampla pode viabilizar um caminho para mudanças profundas na sociedade a partir de vitórias nas urnas. As eleições 2020 abrem a oportunidade para avançar a presença dos valores democráticos e progressistas nas cidades. “Será hora de união com generosidade. Mesmo onde houver 100 ou 150 candidatos bons a prefeito, como em São Paulo, só dois ou três têm condições de ganhar. A esquerda deve conversar e se unir em torno desses nomes”, afirmou Flávio Dino. Para ele, uma vez eleitos, os prefeitos poderão “transformar concepções abstratas em políticas públicas concretas”.

Como tem acontecido nos eventos em que atua como palestrante, mostrando sua experiência reformadora no Governo do Maranhão suas impressões sobre o cenário nacional, o governador Flávio Dino foi efusivamente aplaudido. E saiu do Tuca como nome forte para liderar uma frente ampla na corrida presidencial de 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ao se lançar pré-candidato, Osmar Filho põe mais oxigênio sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr.

Osmar Filho: mais um sopro de juventude na corrida para a Prefeitura de São Luís

“Eu afirmo que estou à disposição, estou buscando criar esse cenário de viabilidade, para que meu grupo possa entender a mensagem, abraçar a causa e a gente monte um forte palanque e um projeto robusto para São Luís”. A declaração, que teve o impacto de lançamento, foi dada ontem pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Osmar Filho (PDT), no programa Ponto e Vírgula, da Difusora FM, admitindo formalmente sua pré-candidatura à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) no pleito do ano que vem.

Disse ainda: “É uma pauta que está bastante discutida, em virtude da aproximação do pleito. Estamos a pouco mais de um ano para as eleições municipais e, é claro, os grupos políticos que têm o interesse em disputar começam a se movimentar. Aqui eu deixo ao público meu interesse em disputar, mas, claro, a gente está tratando de uma eleição majoritária, não de um projeto individual. Então nosso objetivo é mostrar para o grupo político do qual faço parte, que posso ser uma opção”.

Um dos quadros mais atuantes da nova geração de políticos de São Luís, o vereador Osmar Filho está no terceiro mandato de vereador, tendo iniciado sua trajetória na década passada nas hostes do PMDB. Seus movimentos nas reentrâncias políticas da Capital o levaram ao PDT, onde batalhou, ocupou espaço e se tornou um dos nomes de proa do partido, com cacife turbinado nas eleições de 2016, quando saiu das urnas como o mais votado do partido, e mais ainda no ano passado, quando, numa eleição antecipada, tornou-se presidente da Câmara Municipal de São Luís, encerrando um longo domínio do vereador Astro de Ogum (PR) no comando da Casa.

Ao se colocar como uma opção, Osmar Filho manifesta consciência de que, para ser candidato, precisa tirar do páreo vereador Ivaldo Rodrigues, pedetista de raiz, e demover os líderes do PDT, a começar pelo senador Weverton Rocha e o prefeito Edivaldo Holanda Jr., de que sua candidatura tem mais futuro do que uma aliança do seu partido com o DEM em torno da pré-candidatura do deputado estadual Neto Evangelista. Quando diz que disputar a Prefeitura da Capital tem de ser um projeto coletivo, que poderá ser liderar a chapa de uma aliança comandada pelo governador Flávio Dino, em aliança com o prefeito Edivaldo Holanda Jr., Osmar Filho parece ciente do imenso desafio que será disputar a vaga de candidato com o deputado federal Rubens Jr. (PCdoB), o deputado federal Bira do Pindaré (PSB), o deputado estadual Duarte Jr. (PCdoB).

Independentemente do seu cacife, Osmar Filho entra na corrida sucessória de São Luís como um saudável sopro de oxigênio político no cenário da Capital.

 

Missão brasileira vai à Guiana Francesa visitar o Centro de Lançamento de Kourou. Para quê?

Centro de Lançamento de Kourou, na Guiana Francesa: nada tem de parecido com o Centro de Lançamento de Alcântara, de quem é, na verdade, um feroz concorrente

Anunciada a visita que um grupo de 21 brasileiros, incluindo parlamentares federais e estaduais maranhenses, representantes do Governo do Maranhão e da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), fará ao Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, na próxima semana. Organizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e Comunicações (MCTCI), deve ser um primeiro passo do Governo para tentar destravar o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), firmado em março, entre o Brasil e os Estados Unidos, para uso comercial da Base Espacial de Alcântara. Além de conhecer de perto o espaço dedicado a lançamentos no território franco-guianês, a expectativa é que a comitiva tenha a oportunidade de entender mais a fundo os impactos socioeconômicos da implantação da Base no território vizinho.

Tudo bem, nada contra. Mas vale lembrar, primeiro, que Kourou fica em território francês, onde tudo funciona de acordo com as regras vigentes na França e será um feroz concorrente do CLA. Ali não teve uma Alcântara por perto nem comunidades quilombolas ameaçadas no entorno das instalações. Todo franco-guianês é um cidadão francês, e vive numa sociedade onde há muito não existem problemas causados por desigualdade aviltante, como no Brasil. Provavelmente nenhum franco-guianês compreenderá a relação entre o Acordo de Salvaguarda Tecnológica, base de futuros contratos comerciais para lançamento de foguetes, com a situação de Alcântara e das comunidades quilombolas do entorno da Base maranhense. Afinal, beneficiar a cidade-monumento e zelar pelas comunidades quilombolas usando com parte dos ganhos financeiros dos contratos deve ser regra interna, de casa, que não guarda qualquer relação com contratos que venham a ser firmados entre o Brasil e eventuais locatários do CLA, que nada têm a ver com os problemas econômicos e sociais do nosso País.

São Luís, 28 de Maio de 2019.