Voto de Gil Cutrim tirou o PDT do eixo causou fissura na liderança de Weverton Rocha

 

Weverton Rocha: liderança regional colocada em risco pelo voto de Gil Cutrim

Mais do que um forte indicativo de que o comando nacional do PDT está em crise, o voto do deputado federal Gil Cutrim a favor da Reforma da Previdência, contrariando a orientação do partido – outros sete deputados pedetistas fizeram o mesmo -, causou um forte embaraço na cúpula estadual do arraial neobrizolista, deixando o chefe maior da legenda, o senador Weverton Rocha, que lidera o partido no Senado, numa posição delicada. O episódio colocou em xeque a autoridade e também a liderança do senador, reconhecido por seus pares, eleitores, adversários e observadores como um comandante firme e determinado, não havendo registro, pelo menos até aqui, de qualquer fato dentro do PDT maranhense que tenha deixado Weverton Rocha desarmado e sem resposta à altura. O voto de Gil Cutrim, pode se dizer, foi o primeiro contrapé que abalou a solidez da posição do sucessor de Jackson Lago no comando do braço maranhense do socialismo moreno.

A votação da Reforma da Previdência foi um desastre completo para o PDT e para o PSB, funcionando também como uma pancada na esquerda. Enquanto partidos como PCdoB e PT, por exemplo, votaram em bloco contra o projeto, as bancadas do PDT e do PSB racharam, com oito dos 27 deputados pedetistas e sete dos 32 da bancada socialista se insurgiram contra a orientação do partido pelo voto contrário e aumentando o número de votos favoráveis. A consequência foi instantânea: PDT e PSB foram apontados nacionalmente como partidos de comandos fracos, que têm na Câmara Federal bancadas que se dividem, com os insurgentes alegando convicções diferente a respeito do que lhes foi orientado. E como um efeito dominó, a impressão de falta de firmeza desembarca nos estados, onde os chefes partidários são responsáveis pelo posicionamento dos seus representantes no Congresso Nacional.

Nas suas explicações para o voto divergente da orientação partidária, o deputado Gil Cutrim insistiu no argumento segundo o qual votou a favor do texto-base de acordo com as suas convicções. Isso indica claramente que sua posição já era conhecida dos chefes pedetistas, não tendo sido, portanto, um fator surpresa. Por dedução lógica, torna-se praticamente impossível que Gil Cutrim tivesse escondido suas convicções dentro da bancada para revelá-las apenas no momento da votação. Logo, a mesma lógica sugere que tanto a liderança da bancada quanto o chefe regional do partido, senador Weverton Rocha, já sabiam da dissidência. Do contrário, serão facilmente apontados como dirigentes relapsos, que não cuidam da consciência ideológica, doutrinária e programática dos seus liderados, tornando o partido uma colcha de retalhos mal alinhavados.

Mesmo sabendo que sua insurgência lhe imporia consequências, é provável que o deputado Gil Cutrim não tenha avaliado os desdobramentos políticos do seu gesto, menos ainda que eles colocariam em dúvida o comando do senador Weverton Rocha. O problema em política é que decisões controversas costumam causar estragos em cadeia, e o voto do deputado Gil Cutrim foi uma decisão controversa no que diz respeito à posição do partido. E como não poderia deixar de ser, sua atitude dissidente   produziu um questionamento natural acerca do papel do líder partidário regional na crise em que o neobrizolismo foi mergulhado, na noite de quarta-feira, no plenário da Câmara Federal.

Numa perspectiva mais frouxa, a crise pedetista nacional e seus desdobramentos regionais poderia ser resolvida com o enquadramento dos insurgentes nos cânones neobrizolistas. Mas a repercussão da insurgência, festejada pela direita e pelo Palácio do Planalto, e certamente lamentada pelo Palácio dos Leões, tirou o PDT do eixo e, sem dúvida, mexeu com o comando do senador Weverton Rocha, causando uma rasura no seu projeto maior, cuja primeira etapa é levar o PDT a uma grande vitória nas urnas municipais, e a segunda, e mais importante, é chegar ao Governo do Estado em 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pedro Lucas fez o que deve ser feito: votou de acordo com a orientação do seu partido

Pedro Lucas Fernandes: voto favorável de acordo com a orientação que recebeu do seu partido, o PTB

Não houve qualquer questionamento a respeito do voto do deputado federal Pedro Lucas Fernandes (PTB) a favor da Reforma da Previdência, mesmo sendo ele politicamente alinhado ao governador Flávio Dino. E a explicação é simples: seguindo os passos do seu pai, o respeitado ex-deputado federal e hoje suplente de senador Pedro Fernandes, Pedro Lucas Fernandes é hoje bem situado na cúpula do partido, de onde saiu a decisão colegiada de apoiar a reforma da Previdência sem as maldades contidas no projeto original apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). Além disso, Pedro Lucas Fernandes é o líder da bancada do PTB na Câmara, com 12 deputados, mesmo que o partido integre um bloco com o PP e o MDB, totalizando 85 deputados. Os parceiros de bloco também votaram integralmente a favor da reforma, numa situação na qual Pedro Lucas Fernandes sentiu-se inteiramente à vontade para cumprir a orientação do partido. Vale registrar que sua posição não foi assumida à última; ao contrário, se posicionou como favorável ao texto-base desde que a proposta foi protocolada na Câmara Federal. Como todos os parlamentares de bom senso, fez cargas contra o fim da aposentadoria rural, do BPC e rejeitou a capitalização. Pedro Lucas Fernandes fez o que todo deputado tem de fazer: votar de acordo com a orientação do seu partido, mesmo que torça o nariz para partes ou para o projeto inteiro.

 

Wellington do Curso avisa que será candidato a prefeito e não tem concorrente no PSDB

Wellington do Curso: partido de peso e 103 mil votos em 2016 garantem candidatura a prefeito

Observadores atentos da cena política têm registrado que o deputado Wellington do Curso (PSDB) já dá sinais de que será mesmo o candidato à Prefeitura de São Luís. Se já bateu martelo pela candidatura, faz o que qualquer político minimamente inteligente na sua condição faria. Para começar, é deputado reeleito com uma votação maior do que a primeira. Depois, tem no currículo 103 mil votos recebidos na disputa municipal de 2016, tendo sido o terceiro mais votado. Além disso, tem um partido que, apesar de todo o cruel processo de desidratação que sofreu nos últimos tempos, ainda é uma referência a ser levada em conta. A menos que seja o próprio presidente regional, senador Roberto Rocha, Wellington do Curso não adversário dentro do PSDB de São Luís. O próprio PSDB cometerá um erro primário se, por uma ou outra conveniência interna, tentar obstaculizar a corrida do parlamentar. E finalmente, todas as pesquisas realizadas até agora para medir o cacife dos pré-candidatos à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) apontam Wellington do Curso como detentor de oito a 10 pontos percentuais de intenção de voto. Logo, mesmo considerando a confusa e midiática a sua ação política, o deputado Wellington do Curso é nome para ser levado em conta para a corrida ao Palácio de la Ravardière.

São Luís, 13 de Julho de 2019.

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