Aprovação de Dino e reprovação de Bolsonaro e de Edivaldo Jr. pela maioria dos ludovicenses têm explicações óbvias

 

Flávio Dino, Jair Bolsonaro e Edivaldo Holanda Jr.: posições diferentes na avaliação dos ludovicenses

Os ludovicenses, conhecidos pelo seu elevado grau de politização e que têm um histórico de rejeição a grupos dominantes e a caciquismo político-partidário. A maioria deles está insatisfeita com o Governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), aprova, na mesma proporção, o Governo do governador Flávio Dino (PCdoB), e anda mal-humorada com o Governo do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT). É o que informa pesquisa do JPesquisa – empresa de investigação estatística pertencente ao Jornal Pequeno -, divulgada pelo diário na quarta-feira (17). O levantamento, que é parte de uma pesquisa bem mais ampla para avaliar o cenário prévio da corrida à Prefeitura de São Luís, revela que o eleitorado de São Luís não engole o bolsonarismo confirmando a rejeição que externou nas urnas de 2018, mantém a confiança no governador Flávio Dino, a quem apoiou na eleição de 2014 e na reeleição de 2018, e alimenta uma relação de “tapas e beijos” com o prefeito Edivaldo Holanda Jr., mesmo tendo-o eleito em 2012 e reeleito em 2016 e reconhecendo sua postura de gestor correto e eficiente.

A pesquisa informa que 56% dos ludovicenses reprovam o Governo Bolsonaro, contra 39% que o aprovam, e 4% não soube ou não quiseram responder. Em relação ao governador Flávio Dino, 55% disseram que aprovam seu Governo, contra 42% que não aprovam e 3% que não responderam. E, finalmente, em relação ao prefeito Edivaldo Holanda Jr., o resultado é o seguinte: 56% disseram que não aprovam sua gestão, contra 42% que aprovam e 2% que não externaram suas posições.

A reprovação do Governo Bolsonaro não surpreendeu. A maioria dos ludivocenses rejeitou sua candidatura nas urnas e nada viu de positivo nos primeiros seis meses da sua gestão. O presidente da República não tem qualquer afinidade com a Capital do Maranhão, assim como os seus representantes políticos, a exemplo de Maura Jorge (PSL), cuja ligação política direta é com Lago da Pedra, o deputado federal Aloísio Mendes (Podemos), que não é ludovicense e tem pouca empatia com a cidade, e o deputado federal Edilázio Jr. (PSD), que tem defendido posições na contramão da maioria. O presidente da República não tem a menor noção do que é São Luís em termos políticos e culturais, e provavelmente por conta dessa ignorância, até hoje não fez qualquer aceno no sentido de estabelecer um link mais direto com a cidade que mais sintetiza e representa a cultura e o sentimento político dos maranhenses. Não surpreende, portanto, o fato de a maioria não aprovar seu Governo. Ao mesmo tempo, vale anotar que 39% de aprovação não é o fundo do poço, ao contrário, pode ser uma sinalização de que esse cenário pode mudar se o Governo Bolsonaro mudar sua atitude.

A aprovação do governador Flávio Dino é o resultado natural de uma relação política que começa com o fato de o governador ser “ludovicense da gema” e sempre incluir São Luís nos seus projetos. A maioria da população de São Luís reconhece que o Governo Flávio Dino vem fazendo o que está ao seu alcance para melhorar a infraestrutura, os serviços – educação, saúde e segurança, por exemplo – e os meios para dar à Capital a condição socioeconômica e cultural que o status de Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade exige. As obras de urbanização do Governo do Estado, a parceria com a Prefeitura, o calendário cultural e programas como Nosso Centro têm contribuído fortemente para fortalecer a relação dos ludovicenses com o Palácio dos Leões. Ao mesmo tempo, 42% de desaprovação deve funcionar como um bom sinal de alerta no sentido os laços sejam fortalecidos.

A não aprovação da maioria dos ludovicenses à gestão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. cobra uma avaliação muito mais complexa. Para começar, o entrevistado reflete o sentimento do dia a dia – o buraco na rua, o sufoco nos transportes urbanos, o custo de vida elevado, a falta de urbanização em bairro ou complexos de bairros populosos, entre outras situações cuja cobrança cai diretamente na conta do ocupante do gabinete principal do Palácio de la Ravardière. O sentimento de desaprovação da maioria mostrado pelo levantamento do JPesquisa tem uma série de explicações, uma delas, de suma importância, é a timidez da comunicação direta do prefeito Edivaldo Holanda Jr. com a população. Ele trabalha muito, faz uma gestão limpa, tem uma boa máquina de divulgação, mas resiste a um contado mais direto com o povo. São raras as suas entrevistas, e suas aparições públicas acontecem sempre em situações que impedem esse contato.

Oportuna e realizada num momento adequado, a pesquisa divulgada pelo Jornal Pequeno é uma boa referência para que o presidente da República, o governador do Estado e o prefeito da Capital ajustem suas bússolas políticas em relação a São Luís.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Entrega de fuzis novos à PM revelou que numa democracia os contrários podem conviver em harmonia

Acima: Flávio Dino entre Othelino Neto e Paulo Sérgio Nogueira. No meio: Jefferson Portela entrega um dos fuzis ao comandante da PM observado por Othelino Neto, e Flávio Dino e Othelino Neto ouvem o pronunciamento do comandante militar do Norte

A Polícia Militar do Maranhão (PMMA) reforçou seu arsenal com mais 100 fuzis, dos quais 50 foram comprados pelo Governo do Estado com recursos próprios e 50 doados pelo Exército Brasileiro. As armas foram entregues à corporação ontem, em ato no Palácio dos Leões, presidido pelo governador Flávio Dino e com a participação do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), general Paulo Sérgio Nogueira, comandante militar do Norte, do secretário de Estado de Segurança Pública, Jefferson Portela, e do vice-presidente da Comissão de Segurança da Alema, deputado Duarte Jr. (PCdoB). Os fuzis entregues ontem são um reforço e tanto no aparelhamento das forças policiais maranhenses, segundo governador Flávio Dino: “Nós sempre buscamos unir esforços em favor da segurança pública e, neste caso, temos a parceria do Exército, mediante a doação de fuzis, que se somam àqueles que adquirimos com recursos do Governo do Estado. De modo que estamos incrementando a capacidade das polícias do Maranhão de garantir a aplicação da lei”. Por sua vez, o general Paulo Sérgio Nogueira afirmou que, além da doação de armas, o Exército está pronto para firmar parcerias nas áreas de inteligência, operacional, logística e apoio às ações psicossociais. “O Exército está sempre pronto a esse tipo de parceria. A gente fica muito satisfeito em poder apoiar o Governo do Estado do Maranhão na defesa da nossa sociedade e o reforço à Secretaria de Segurança Pública no combate ao crime organizado”, declarou. Por sua vez, o presidente Othelino Neto destacou: “Hoje, com a doação destes armamentos para a segurança pública, somando esses esforços, conseguiremos avançar muito mais no objetivo de deixar a sociedade maranhense mais segura”.

O ato de entrega dos 100 fuzis à PM confirmou com clareza que o Brasil vive uma democracia política plena, com outrora contrários convivendo em perfeita harmonia, apesar dos esforços zoadentos do bolsonarismo em sentido contrário. Os fuzis foram entregues por um general comandante militar do Norte, acompanhado de oficiais do Exército, tradicionalmente conservadores e de direita, ao governador do Maranhão, um político membro do PCdoB, militante ativo da chamada esquerda democrática, na presença de um deputado-presidente do Legislativo também de esquerda, tendo as armas foram recebidas por um secretário de Segurança Pública também militante de esquerda. O ato, transcorrido em clima de descontração e sem qualquer lampejo de tensão ou mal-estar, traduziu com perfeição o fato de que numa democracia plena é perfeitamente possível a convivência de contrários, o que, nos ensinamentos dialéticos, ajuda a criar o novo e aperfeiçoar a civilização.

 

Encontro do PSL revelou que o braço do bolsonarismo no Maranhão está dividido

Chico Carvalho, Maura Jorge, Allan Garcez e Pará Figueiredo: PSL rachado em quatro partes

O encontro estadual do PSL, realizado no final da semana passada em São Luís, confirmou a situação anômala que movimenta as correntes do bolsonarismo no Maranhão. Primeiro, porque ratificou o comando inabalável do vereador Chico Carvalho, que depois de ter sido fortemente pressionado para passar o bastão, conseguiu reverter a tendência e se manter firme no poder, mesmo tendo ainda boa parte dos graúdos contrários à sua presidência. Segundo, porque ficou claro que o PSL estadual se encontra irremediavelmente dividido em quatro correntes, a de Chico Carvalho, que tem como parceiro o vereador Isaías Pereirinha; a liderada pela ex-prefeita de Lago da Pedra e atual superintendente da Funasa, Maura Jorge; a comandada pelo médico Allan Garcez, e outra representada pelo deputado Pará Figueiredo (PSL), que parece isolado do bolsonarismo estadual. O racha torna praticamente impossível a união de todas num só bloco. A iminente definição das linhas de atuação do partido na corrida à Prefeituras deverá funcionar como um divisor de águas, podendo reduzir as tensões na agremiação em função dos candidatos, também podendo explodir de vez o arremedo de partido que é o PSL no Maranhão. É só aguardar o desenrolar dos fatos.

São Luís, 19 de Julho de 2019.

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