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Sete aliados de Flávio Dino vão atacar o prefeito Edivaldo Jr. na pré-campanha à Prefeitura de São Luís

 

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Edivaldo Jr. vai ser alvejado por Eliziane Gama, Bira do Pindaré, Neto Evangelista, João Castelo, Eduardo Baide, Sérgio Frota e Wellington do Curso na campanha

A corrida para a Prefeitura de São Luís está produzindo um quadro político inusitado, que consiste numa verdadeira guerra – com traços de autofagia -, entre candidatos da ampla colcha de retalhos partidários alinhavada  pelo governador Flávio Dino (PCdoB). São sete os pré-candidatos saídos dessa seara para tentar desbancar o prefeito Edivaldo Jr. (PDT): o deputado estadual Bira do Pindaré (PSB), o deputado federal e ex-prefeito João Castelo (PSDB), o deputado estadual Sérgio Frota (PSDB) e o deputado estadual licenciado e secretário de Estado de Desenvolvimento Social Neto Evangelista (PSDB), a deputada federal Eliziane Gama (PPS), e os deputados estaduais Bira do Pindaré (PSB), Eduardo Braide (PMN) e Wellington do Curso (PP). Todos estão liberados para se bater politicamente pelo voto, o que causa, ao mesmo tempo, certa confusão no eleitorado, que já começa a demonstrar alguma dificuldade para entender claramente o que está acontecendo na banda política governista.

Na semana que passou, o secretário Neto Evangelista e o ex-prefeito João Castelo ocuparam horário na TV para bater forte, o primeiro no prefeito Edivaldo Jr. e o segundo para fazer uma defesa enfática do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), posição sabidamente satanizada pelo governador e seu grupo mais próximo, e na esteira disso alfinetar agudamente o prefeito de São Luís. Edivaldo Jr. não deu resposta direta ao secretário Neto Evangelista, preferindo dizer na TV que não foi eleito para fazer política, mas para resolver os problemas da cidade. A mesma peça foi usada para rebater o ex-prefeito João Castelo, que comparou os problemas do Governo Dilma com os do Governo Edivaldo Jr.. Sérgio Braga ainda não entrou de cabeça na campanha, mas em alguns discursos na Assembleia Legislativa deu a entender que se sair candidato partirá para o confronto com o prefeito Edivaldo Jr..

O deputado Bira do Pindaré tem feito duras críticas à administração municipal, embora o faça com o cuidado de não alvejar diretamente o prefeito Edivaldo Jr.. Bira do Pindaré, no entanto, parece determinado a mostrar que tem força eleitoral em São Luís e a sair das urnas politicamente fortalecido, se não eleito prefeito, pelo menos com uma votação que o credencie a dar voos mais altos. Político forjado nos campos de oposição, tendo aprendido mais a atacar do que a defender, Pindaré com certeza elevará o tom das críticas ao prefeito de São Luís à medida que a campanha for evoluindo. Sabe que  se não partir para o ataque, para o debate forte, será um candidato caricato, sem personalidade, e assim não será nenhum risco ao projeto de eleição de Edivaldo Jr..

O prefeito de São Luís enfrentará também os ataques do deputado Eduardo Braide, um político de postura amena, pouco afeito a embates agressivos, mas que costuma desarmar adversários com um discurso inteligente, o que em muitos casos é mais devastador do que a agressividade verbal pura e simples. Braide tem dito que não entrou nessa briga para fazer mera figuração; isso quer dizer que vai jogar o jogo como o jogo for, ou seja, que ele também vai jogar pesado, já que sua candidatura nata tem a ver com o Palácio dos Leões.

O deputado Wellington do Curso se tornou – pelo menos na tribuna da Assembleia Legislativa – o mais agressivo e incômodo adversário do prefeito Edivaldo Jr., dando versões dramáticas aos problemas da cidade e culpando o chefe do Executivo e sua equipe por tudo de ruim que existe na Capital. A catilinária agressiva vem sendo repetida diariamente e de maneira tão intensa que o deputado Edivaldo Holanda (PTC), defensor e propagador das ações do filho, resolveu se dedicar a rebater os ataques, usando uma retórica muito pesada, do tipo “o deputado Wellington do Curso tem diarreia mental” e “esse rapaz é um desequilibrado”, e por aí vai. O fato é que, com seu excesso de zelo, Edivaldo pai transformou um marinheiro de primeira viagem atrevido em candidato a prefeito.

Entre os aliados do governador Flávio Dino que querem chegar à Prefeitura atropelando o prefeito Edivaldo Jr., o mais perigoso é a deputada federal Eliziane Gama. Até aqui líder nas pesquisas que medem a corrida pré-eleitoral, a deputada do PPS não tem perdido oportunidade de estocar o prefeito, a quem já responsabilizou “pelos problemas que São Luís vive neste momento”. Em tempos recentes, Eliziane tem aproveitado todos os seus pronunciamentos para meter São Luís no meio, sempre usando frases duras, que funcionam como pancadas no prefeito Edivaldo Jr.. Entre os observadores da cena pré-eleitoral é quase unânime que dentre os aliados do governador Flávio Dino os ataques mais duros a Edivaldo Jr. partirão da candidata popular-socialista.

Nessa briga eleitoral, o prefeito de São Luís aparece como o alvo a ser atingido por todos. Mas se decidir reagir, terá em alguns casos de atacar no campo pessoal, pois se tentar alvejar a atuação dos ex-secretários Neto Evangelista e Bira do Pindaré, por exemplo, acertará o Governo Flávio Dino. O desdobramento dessa estranha equação é imprevisível, mas leva a uma conclusão bem clara: nessa briga de aliados, o prefeito de São Luis está em desvantagem. E o Palácio dos Leões assiste a tudo como se nada estivesse acontecendo, provavelmente por avaliar que os petardos desse tiroteio não alcançarão o Governo do Estado, já que parte dessa penca de candidatos depende dele para desenhar caminhos futuros.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Senadores ainda não decidiram votos
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João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha: indecisos

Vários observadores da cena política nacional – inclusive a Coluna – andaram cantando uma pedra que não está devidamente definida: a de que os três senadores maranhenses votarão pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.  Mas a verdadeira informação é que até agora os três senadores ainda não definiram seus votos para valer, e o fato que atesta essa afirmação é que nenhum deles declarou pública e formalmente como vai votar. Há, é verdade, uma tendência para que João Alberto (PMDB), Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSB) votem pelo impeachment. Muita gente ainda acredita que João Alberto seguirá o voto corajoso e firme do deputado federal João Marcelo Souza (PMDB) contra o impeachment. Muitos também não acreditam que o senador Edison Lobão dê as costas para a presidente de quem foi o poderoso e influente ministro de Minas e Energia no seu primeiro Governo. Não custa lembrar, por outro lado, que João Alberto e Edison Lobão são senadores do PMDB e estão sofrendo uma pressão gigantesca do partido, o que justificará sua eventual definição pelo impeachment. Já o senador Roberto Rocha nada tem a fazer a não ser seguir a orientação do seu partido também pelo impedimento da presidente da República. Mas como em tempos de crise as posições políticas são imprevisíveis, o mais certo é esperar que eles digam claramente como votarão.

 

Destaque

Fábio Braga quer o Maranhão na Rota do Cordeiro
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Braga quer Rota do Cordeiro no Maranhão

O deputado Fábio Braga (SD) decidiu apostar parte das suas fichas como parlamentar num projeto audacioso, mas que na avaliação dele pode funcionar como uma alavanca poderosa no processo de desenvolviment Regiões do Itapecuru e do Baixo Parnaíba, formadas por nada menos que 17 municípios: incentivar fortemente a Cadeia Produtiva da Ovinocaprinocultura com o objetivo de incluir o Maranhão na chamada Rota do Cordeiro.

Na semana passadas, juntamente com o deputado Levi Pontes (PCdoB), Fábio Braga participou de uma reunião na Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (SAF), coordenada pelo secretário Adelmo Soares, com a participação de representantes de outras pastas, de dois ministérios e outros órgãos federais de fomento, universidades e prefeituras para debater o projeto e definir metas no que diz respeito à infraestrutura para a criação de rebanhos de ovinocaprinos, assegurar-lhes a reprodução em escala adequada, garantir o acompanhamento no que respeita à saúde animal e outras providências necessárias para incentivar a criação em larga escala.

O objetivo da reunião foi, enfim, promover a profissionalização da cadeia produtiva da ovinocaprinocultura maranhense e o desenvolvimento do subsistema de insumo, produção, processamento e comercialização, que viabilizará um resultado maior na quantidade de carne de caprinos para abate sob inspeção em matadouros e frigoríficos.

O objetivo maior de Fábio Braga é incluir o Maranhão na chamada Rota do Cordeiro, através dos municípios Água Doce, Anapurús, Araioses, Belágua, Brejo, Buriti, Chapadinha, Magalhães de Almeida, Mata Roma, Milagres do Maranhão, Santana do Maranhão, Santa Quitéria do Maranhão, São Bernardo, Tutóia, Urbano Santos e Vargem Grande.

ROTA DO CORDEIRO – Para quem não sabe, a chamada Rota do Cordeiro é uma ação de desenvolvimento econômico baseada na produção e comercialização de ovinocaprinos. A rota já existe em pelo menos quatro estados do Nordeste e foi implantada recentemente no Ceará em regiões mais áridas. Há informações de que também o Piauí já se movimenta no sentido de ampliar sua cadeia produtiva ovinocaprina para integrá-la à Rota do Cordeiro, num movimento que poderá chegar rapidamente ao Maranhão se as providências forem tomadas agora.

Durante a reunião, Fábio Braga expôs ao secretário Adelmo Soares, aos representes dos Ministérios da Integração Nacional e do Desenvolvimento Social, às comitivas de bancos internacionais e às demais autoridades presentes, a necessidade de fazer um diagnóstico do Itapecuru e do Baixo Parnaíba, a fim de promover o aumento da cadeia produtiva da ovinocaprinocultura nessas regiões, que já recebem incentivos da política do governador Flávio Dino. E avaliou que se forem ofertados aos pequenos produtores recursos financeiros e assistência técnica de órgãos federais e estaduais, universidades e órgãos de pesquisas, a cadeia produtiva da ovinocaprinocultura maranhense vai melhorar e aumentar a produção.

Num relato sobre a reunião que fez à Assembleia Legislativa na última quarta-feira (19), o deputado Fábio Braga defendeu o investimento declarando: “Quem ganha com isso é a população, que terá uma carne de origem e qualidade fiscalizada pelos governos Federal e Estadual refletindo, sobretudo, na saúde humana”.

 

São Luís, 23 de Abril de 2016.

Revista e líder uruguaio mostram como a crise no Brasil está sendo vista por direita e esquerda em todo o mundo

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Dilma: crise que a tem como pivô está em discussão no mundo inteiro entre vozes de direitas e de esquerda

 

Dois registros da versão online do jornal Folha de S. Paulo mostram com clareza que a crise no Brasil tem basicamente duas versões, uma conservadora, de concepção capitalista, que sataniza a presidente Dilma Rousseff (PT), apontando-a como o principal responsável por tudo o que esta acontecendo no país, e outra progressista, inspirada nas bases do socialismo democrático, que enxerga erros de política econômica e de gestão cometidos pela presidente da República, mas afirma que o que está acontecendo no Brasil é, na verdade, efeitos da grande crise sistêmica do capitalismo. As duas visões criticam, cada uma a seu modo, a atuação da classe política e não veem o impeachment da chefe da Nação como solução para o gigantesco trauma político-econômico a que o País está sendo submetido. A visão conservadora, que é defendida pela revista britânica The Economist, em matéria na qual afirma que o Brasil foi traído pela sua classe política e, por isso, defende “eleições já”, enquanto a visão mais progressista estão nas palavras do ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica, um septuagenário ex-guerrilheiro, que deu ao mundo um exemplo de como deve ser um chefe de Estado e de Governo e se tornou um ícone da esquerda democrática. Os textos a seguir são registros jornalísticos simples, sem arroubos analíticos ou interpretativos, mas dão bem a medida do debate sobre o Brasil em todo o mundo.

Brasil foi traído por Dilma e por classe política, diz revista The Economist
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Capa de The Economist: denuncia que o Brasil foi vítima de traição de Dilma e da classe politica

A revista britânica “The Economist” dedicou um texto de sua edição impressa desta semana para a “grande traição” que o Brasil sofreu, tanto pela presidente Dilma Rousseff quanto pela classe política. A publicação defende novas eleições. A votação do impeachment no domingo (17) na Câmara dos Deputados é um dos mais estranhos momentos entre as cenas bizarras que o Congresso testemunhou nos últimos anos, de acordo com a publicação. Como exemplo, há os confetes jogados pelo deputado Wladimir Costa (SD-SP) e as dedicatórias, durante os dez segundos de votação de cada parlamentar, a religiões, cidades de origem e causas envolvendo pets e corretores de seguro.

A reportagem, que é a capa da edição da Améria Latina, avalia que a votação veio num “momento de desespero”. Há forte recessão, previsão de queda do PIB, altas taxas de inflação e desemprego. A responsabilidade, de acordo com a revista, deve ser atribuída a Dilma e aos políticos, envolvidos em corrupção e negligência. Para a revista, que já pediu a renúncia da presidente, o “Brasil não pode chorar” por Dilma, já que a incompetência de seu primeiro mandato fez a economia ficar incomparavelmente pior. O que é alarmante, segundo o texto, é que “aqueles que estão trabalhando pela remoção dela são muito piores”.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é investigado no esquema de corrupção da Petrobras e, dos 21 deputados envolvidos na Lava Jato, 16 votaram pelo impeachment, lembra o texto. “Cerca de 60% dos parlamentares são acusados de algum crime”, completa. A revista britânica é esperançosa ao afirmar que o Brasil tem “reservas de tolerância” e que as investigações da Lava Jato são fruto da maturidade do país e de uma nova e bem-educada classe média, que se nega a se envolver com a impunidade.

Defendendo novas eleições, o texto aponta que apenas “novos líderes e novos legisladores podem realizar as reformas fundamentais que o Brasil necessita”, principalmente num sistema político propenso à corrupção e num descontrole da despesa pública. Para a publicação, é improvável que mudanças passem pelo Congresso, mas, como o texto indica, os eleitores não devem se esquecer desse momento, já que, no fim, eles terão a chance de ir às urnas e eleger algo melhor.

Direita pode tirar Dilma do cargo, mas não solucionará a crise, diz Mujica
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Mujica vê no Brasil crise sistêmica do capitalismo

O ex-presidente uruguaio José “Pepe” Mujica afirmou nesta quinta-feira (21) que a direita não vai solucionar a crise no Brasil tirando a presidente Dilma Rousseff. “A direita pode pensar que magicamente, ao tirar Dilma, consertará a crise. Não podem. Pode consertar a crise em um país sem conciliar o capital com o trabalho? Não, não pode”, disse o uruguaio em Ouro Preto, onde foi homenageado com o Grande Colar, grau máximo da Medalha da Inconfidência.

Ele afirmou ainda que há hoje no Brasil uma ilusão de que a presidente Dilma seria a responsável pela retração econômica quando, na verdade, crises fazem parte do capitalismo e, portanto, são sistêmicas. “O Brasil se encontra hoje no ponto mais baixo da crise do próprio capitalismo. Este é um problema do sistema, mas quando há dor na sociedade, precisam encontrar em quem colocar a culpa. Vai passar um tempo e o brasileiro vai perceber que nada é tão mau nem tão bom.”

Mujica também foi questionado se o impeachment da petista pode ser considerado golpe. “Há um ditado popular no Uruguai que diz: não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem.” Ele defendeu ainda o voto popular e disse que ele jamais deve ser esvaziado. “As pessoas se equivocam, mas ainda assim são elas as que têm o direito de se equivocar [ao votar] porque são elas as que pagam impostos”, afirmou ele, frisando que ele não abordaria o aspecto institucional ou legal do Brasil.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino reage a crítica por uso de redes sociais
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Dino: uso de redes sociais é forma de prestar contas

No forte discurso que fez na homenagem aos deputados federais que votaram contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff – só foram quatro dos nove: Waldir Maranhão (PP), Weverton Rocha (PDT), Rubens Jr. (PCdoB) e Zé Carlos (PT) -, o governador Flávio Dino (PCdoB) se defendeu da provocação, feita por um juiz de direito, segundo a qual passa mais tempo twittando do que governando. Pelo tom que deu ao assunto, o governador deixou no ar a impressão de que a alfinetada o incomodou. Sem se referir ao caso em si, mas sem conseguir esconder do que se tratava, disse que usa redes sociais para prestar contas do que seu governo está fazendo, o que é uma forma inovadora de se relacionar com a sociedade. E informou, em tom elevado e enfático, que trabalha todos os dias “pelo menos 14, 15 horas”. E aproveitou para estocar governantes passados, que dormiam até tarde por causa “do champanhe” que ingeriam durante a noite. A reação do governador pareceu um desabafo às críticas que aqui e ali o alcançam por causa do uso que ele faz das redes sociais, principalmente o twitter.

 

Rocha propõe voto de bancada no impeachment
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Rocha propõe voto de bancada

O senador Roberto Rocha (PSB) está propondo que os senadores do Maranhão devem votar em bloco no impeachment da presidente Dilma Rousseff. Rocha, porém, não sugere a posição a ser adotada pela bancada. Ele próprio ainda não definiu como votará, tendo sido até agora especulado que ele acompanhará a posição do seu partido, que é a favor do impeachment. A posição do PSB contém o ranço magoado deixado por seu líder maior, Eduardo Campos, que tentou ser o candidato do PT, mas foi rejeitado porque Dilma e seu grupo fincaram pé pela reeleição, tendo deixado Lula sem argumento para “rifar” presidente do seu partido para apoiar a candidatura de um aliado. Desde então as relações nunca mais foram as mesmas. E o senador Roberto Rocha representa hoje esse estado de ânimo. Ele tem conversado com os senadores Edison Lobão e João Alberto, ambos do PMDB, que se encontram entre a cruz e a espada em relação à presidente Dilma. Os dois querem apoiar a presidente, mas o PMDB os mantém sob forte pressão para que acompanham a decisão do partido, que é pelo impeachment. Os três senadores podem votar pelo impeachment, mas os dois pemedebistas não o farão por motivos que não terão qualquer relação com a proposta do representante socialista.

 

São Luís, 21 de Abril de 2016.

 

Dino põe o peso do seu prestígio num jogo político em que pode chegar longe ou tropeçar na caminhada

 

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Dino no Planalto:discurso forte contra impeachment, que na sua visão “é golpe”

O governador Flávio Dino (PCdoB) está atuando na crise política que assola o País como um político adulto, centrado e, portanto, coerente, e com todas as possibilidades de sair-se bem e fortalecido para seguir em frente como uma liderança nacional acreditada?  Ou está se deixando levar pelo que resta nele do militante estudantil, impulsionado pelas contradições do infantilismo de esquerda, atuando nesse cenário como um político imaturo, tomado pelo radicalismo e correndo todos os riscos de trombar com a realidade e ser jogado para fora da cena? São indagações que observadores tarimbados estão formulando, sem ousar ainda formar um juízo de valor definitivo sobre o assunto. O fato é que, com a bagagem de quem foi militante estudantil de ponta, tornou-se professor de constitucionalismo, ganhou projeção nacional como juiz federal, ocupou grande espaço no meio político como um deputado federal acima da média como político e como legislador e entrou para a elite política do País ao se eleger governador do Maranhão, Flávio Dino encontra-se no olho do furacão da crise como um dos principais aliados da presidente Dilma Rousseff (PT), cujo mandato defende com o bordão segundo o qual o impeachment “é golpe”. Revelou, enfim, um político que toma decisões, sujeito a aplausos entusiasmados e críticas duras.

Todas as situações que protagonizou até agora como o mais ativo e contundente aliado da presidente da República entre os governadores – incluindo os do PT – apontam para a conclusão de que o governador do Maranhão sabe perfeitamente o que está fazendo e certamente calculando como e quais serão os desdobramentos das suas ações. Os que se propõem a analisar os seus atos e o seu discurso devem estar bem atentos, porque, ao contrário do que já sinalizaram algumas interpretações equivocadas, Dino está rigorosamente focado em apenas dois vetores da crise: a defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff, que está ameaçado por um processo de impeachment para muitos inconsistente por não haver base nos motivos da denúncia – decretos de suplementação orçamentária sem numeração; e as chamadas pedalas fiscais. Na sua interpretação, a presidente da República não cometeu nenhum dos crimes de responsabilidade dos quais está sendo acusada, o que dá ao impeachment a natureza de golpe. Além disso, o ex-juiz federal tem feito críticas pontuais a decisões do juiz Sérgio Moro no contexto da Operação Lava Jato.

Em nenhum dos inúmeros pronunciamentos que fez desde que entrou de cabeça na defesa da presidente Dilma Rousseff o governador do Maranhão defendeu o Governo do PT ou pronunciou alguma frase contra as investigações que têm levado muitos líderes petistas e grandes empresários amasiados com o partido para detrás das grades sob a acusação de desviar dinheiro público nos inacreditáveis e inaceitáveis esquemas de corrupção como “mensalão” e “petrolão”. Ao contrário, tem repetido uma espécie de catilinária na qual vocifera contra os esquemas de corrupção e defende o aprofundamento das investigações, a identificação e a condenação dos corruptos com penas pesadas e exemplares. Não pode, portanto, ser acusado de defender corruptos, já que contra a presidente Dilma Rousseff não pesa qualquer acusação de malfeito criminoso com o dinheiro público. “Eu defendo o mandato de uma presidente honesta e honrada”, tem dito o governador.

O outro dado forte do seu discurso é uma coerente e insistente proposta de um grande diálogo envolvendo todas as correntes com o objetivo de superar a crise política e, na esteira desse resultado, criar as condições para superar a crise econômica. Nesse item, falam, ao mesmo tempo, o líder político e o governador. O líder político se expõe com as condições para ser um interlocutor das esquerdas com as oposições, que formam um arco político e ideológico que vai do centro à extrema direita. E como os grandes porta-vozes do PT para essa interlocução saíram de cena – como José Dirceu, por exemplo, que está na cadeia acusado de corrupção e jurando inocência -, Dino desponta como a mais acreditada liderança dessa corrente político-partidária, podendo tornar-se o seu porta-voz numa ampla interlocução, consolidando e ampliando assim o espaço que já ocupa no primeiro plano da política brasileira.

O sucesso político não pode, por outro lado, ofuscar o gestor público, porque um não terá razão de ser se o outro fracassar. Isso significa dizer que, se pretende mesmo dar passos largos no estado e além das suas fronteiras, terá de transformar o Maranhão, ou, pelo menos, fincar bases visíveis para que o processo de transformação seja continuado e irreversível. No comando de um estado pobre, Flávio Dino sabe que nesta quadra de crise assoladora terá de brigar muito para conseguir os recursos necessários à concretização de um plano de governo ousado em todos os seus aspectos. Se não der a virada com a qual se comprometeu enfrentará problemas para dar a devidas substância ao político que enxerga e quer chegar longe. Nesse caso, o cacife de jovem líder que destronou o sarneysismo nas urnas e o de governador desassombrado e consciente que peitou os inimigos do mandato da presidente Dilma Rousseff será emagrecido se não estiver composto com o de gestor competente e inovador, que leve na bagagem uma convincente relação de bem-feitos.

Em relação às questões iniciais o mais sensato e honesto é o governador Flávio Dino é a soma de tudo o que foi, e que no caso ele tem se mostrado o político focado, pés no chão e coerente com a sua visão de mundo, como também carrega a impulsão saudável que conserva nas suas ações os traços de um enfant terrible.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Em ato político inusitado, Dino homenageia deputados federais que votaram contra o impeachment da presidente Dilma
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Fotos publicadas no Blog do jornalista Clodoaldo Corrêa: Dino abraça mulher, Waldir diz que foi tocado, Weverton reafirmou sua falas e Rubens Jr. relata voto

Foi um ato diferente, inusitado, até mesmo difícil de definir ou classificar dentro lógica política, porque de cara o entendimento é o de que, tecnicamente, os homenageados foram derrotados no final das contas. Mas o fato é que o governador Flávio Dino em ato realizado ontem à noite no auditório Fernando Falcão, da Assembleia Legislativa, homenageou deputados federais que votaram contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, na polêmica sessão legislativa, que certamente entrará para a História como um dos momentos mais controversos do parlamento brasileiro. Uma leitura mais ampliada do ato de ontem indica que o governador Flávio Dino quis mandar um recado, a quem interessar possa, que ele e seu partido não se conformaram com autorização dada pela Câmara Federal para que o Senado processe e julgue a presidente Dilma Rousseff e vão continuar a gritar em tom de denúncia contra “o golpe” . Receberam os afagos do governador e seu grupo os deputados Waldir Maranhão (PP), o polêmico 1º vice-presidente da Câmara Federal; Rubens Jr. (PCdoB), que teve papel importante nos esforços dos aliados da presidente Dilma para evitar o pior; Weverton Rocha (PDT), líder da bancada do seu partido na Câmara e que teve também papel destacado na batalha do impeachment, e Zé Carlos (PT), que incorporou com firmeza o discurso do seu partido contra “o golpe”.

 

Boa vontade de Caxias mata sede de Bacabal
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Humberto Coutinho e Roberto Costa: esforços por Bacabal

As boas relações entre políticos de orientações diferentes ás vezes produzem situações inusitadas e saudáveis. Ontem, a pedido do deputado Roberto Costa (PMDB), o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho (PDT) intermediou a solução de um problema que há mais de uma semana vinha infernizando a população de Bacabal. Sensibilizado com a denúncia feita por Roberto Costa segundo a qual a população de Bacabal estava há mais de uma semana sem uma gota de água nas suas torneiras devido à pane numa bomba d`água. Envolvido com os problemas da cidade que pretende administrar a partir do ano que vem, o deputado Roberto Costa vinha tentando, sem sucesso, solucionar o problema, até que tomou conhecimento de que havia uma bomba de reserva em Caxias, que tem um bem estruturado serviço autônomo de abastecimento de água, o SAAE, que não tem qualquer relação com a Caema. De imediato expôs a situação ao presidente Humberto Coutinho, tio do prefeito de Caxias, Leo Coutinho. Sensibilizado com o relato de Roberto Costa, Humberto Coutinho intermediou a negociação por meio da qual a Prefeitura de Caxias cedeu, como doação, a bomba à Prefeitura de Bacabal. Com o gesto do prefeito de Caxias intermediado pelo presidente da Assembleia Legislativa, população de Bacabal terá restabelecido o abastecimento de água a partir de amanhã. “O Roberto Costa é muito ligado a mim, é meu amigo particular e ele estava chocado com o estado de calamidade que a cidade de Bacabal está passando. Dez dias sem uma gota d’água no cano”, lembrou. “Como Caxias tem uma boa estrutura, entrei em contato com a Prefeitura. Lá tinha uma bomba reserva que resolve o problema de Bacabal. Caxias está doando uma bomba de 100 cavalos para Bacabal, além dos técnicos capacitados para a instalação. Tudo a pedido do deputado Roberto Costa, que está muito apreensivo com o estado de calamidade pública. Porque água é vida”, enfatizou. O deputado Roberto Costa observou que a precariedade no abastecimento de água é um problema grave em Bacabal. “A pane na bomba que capta água do rio Mearim deixou a cidade desprotegida, com escolas suspendendo aulas, os hospitais com carência de água, além das famílias”,  destacou Roberto Costa,  criticando duramente os gestores da cidade por não terem um plano emergencial para problemas dessa natureza.

 

São Luís, 20 de Abril de 2016.

João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha têm razões para se posicionar a favor ou contra o processo de impeachment de Dilma

 

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João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha: razões diferentes para votar okntra ou a favor do impeachment

No vai-vem das posições muito comum nos últimos dias no Brasil, vem à tona agora a informação, ainda imprecisa, segundo a qual os três senadores maranhenses votarão a favor do impedimento da presidente Dilma Rousseff (PT). Pelo que está sendo ventilado nos bastidores e nos mais diversos canais de informação, João Alberto (PMDB), Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSB) já estariam decididos a tomar essa posição, mesmo antes de o processo ser instaurado no Senado da República. Tal definição não surpreende, pois afinal, tudo o que já foi escrito e dito acerca do conteúdo da denúncia que alveja a presidente da República é mais que suficiente para que os parlamentares diretamente envolvidos, que encaram suas atividades com responsabilidade, já tenham formado um juízo a favor ou contra o impeachment. Os senadores João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha são políticos experientes, acostumados a embates políticos de peso e com visão larga o suficiente para se posicionarem sem maiores problemas.

O senador João Alberto, que vinha resistindo a fortes pressões do seu  o seu partido para apoiar o processo de impeachment, por entender que a acusação não tem base legal e que o que está em curso é um movimento político destinado a derrubar o Governo, pode perfeitamente redefinir seu posicionamento. E tem várias razões para, se for o caso, rever a argumentação que vinha orientando sua posição. A primeira delas: o apelo para que vote pelo impeachment vem do seu partido, o PMDB, o que significa dizer que, no caso, o senador seria parte de uma dissidência que agora estará retornando ao leito da sua agremiação partidária, situação que obedece a uma lógica política, à medida que ele é um pemedebista dos mais afinados com a linha de ação do partido. Outra razão para justificar a provável redefinição da sua posição é o fato de que o senador não tem maiores ligações com o PT, embora tenha respeitado integralmente a aliança PMDB/PT no Maranhão. E finalmente, na observação de um aliado, o senador João Alberto já fez a sua parte pró-Dilma quando avalizou o voto “não ao impeachment” dado pelo deputado federal João Marcelo Souza. Se, numa hipótese remota, decidir votar a favor da presidente, o senador o fará muito à vontade, mesmo contrariando o seu partido.

A situação do senador Edison Lobão é rigorosamente diferente, podendo ser considera excepcional. Lobão foi ministro de Minas e Energia nos dois últimos anos do Governo Lula e em todo o primeiro Governo Dilma, teve participação importante nos momentos bons e ruins das duas gestões, e hoje amarga uma situação incômoda, com seu nome envolvido no escandaloso esquema de corrupção na Petrobras. Com a experiência de quem já enfrentou enormes dificuldades políticas e que agora se vê numa espécie de encruzilhada, principalmente por estar na alçada da mira da Operação Lava Jato. Se decidir motivado pelo fato de ter sido ministro de proas por mais de cinco anos e de ter, nesse período, criado laços de amizade com a presidente Dilma Rousseff, Lobão certamente votará contra o impeachment. Mas se, ao invés disso, optar por seguir a orientação do PMDB, na perspectiva de ter um presidente do seu partido, Michel Temer, e pressionado por amigos e aliados, Lobão votará pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Nesse contexto, Edison Lobão vive uma situação ao mesmo tempo delicada e incômoda. Mas a julgar pelo que está circulando nos bastidores, o senador e ex-ministro tende a votar de acordo com a orientação do PMDB, que é pelo impedimento da presidente.

O senador Roberto Rocha tem a situação mais confortável em relação ao processo de impeachment da presidente Dilma. Em princípio, o senador deve votar pelo impedimento da presidente, de acordo com a orientação do seu partido, o PSB. Por outro lado, Roberto Rocha poderá ouvir um apelo do governador Flávio Dino (PCdoB), que certamente não atenderá, porque ele não tem emitido sinais evidentes de simpatia pela presidente República. Roberto Rocha é um parlamentar jovem, pragmático, que faz uma política de resultados e que dificilmente se deixará encantar por acenos que o levem a tomar uma posição desastrada. Visivelmente empenhado em pavimentar estradas que o levem ao Palácio dos Leões em 2018 ou em 2022, ou à Prefeitura de São Luís em 2020, Rocha está muito à vontade nesse processo, a começar pelo fato de que nada o liga à situação dramática do Governo Dilma, que ele julgará em breve. Daí ser lógico se ele optar pelo impeachment que entronize o vice-presidente na cadeira principal do Palácio do Planalto..

No Senado, que é uma Casa revisora e tem um colégio eleitoral bem menor, é também um campo de batalha onde estratégias podem dar certo ou fracassar redondamente; onde decisões são negociadas, de modo que nenhum senador vai se dobrar tão facilmente a pressões.

 

PONTO& CONTRAPONTO

 

Página triste na História
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Othelino Neto lamenta espetáculo “feio” e decisão pelo impeachment de Dilma na Câmara Federal

“É uma página triste na história da democracia, do parlamento brasileiro. E quando me pronunciei sobre esse assunto aqui, fiz sempre questão de dizer que eu era crítico de alguns aspectos do governo petista, em especial das alianças excessivamente à direita que fez, fortalecendo e deixando valentes os monstros que hoje são os algozes do PT”. Com essas afirmações, o 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) se manifestou ontem em relação ao desfecho da primeira etapa do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara Federal. Destacou o “posicionamento firme” do seu partido, o PCdoB “na luta pela democracia” com a totalidade de sua bancada votando pelo estado democrático de direito. Na sua fala, Othelino não perdeu a oportunidade de ferroar o PT: “Infelizmente, o governo do PT sofre um grave revés por de terem valorizado os aliados errados. Os deputados do PCdoB estavam lá, firmes com a democracia”, completou. Na sequência, o deputado destacou ainda a postura de outros partidos de esquerda, como o PDT, com a grande maioria de sua bancada, o PSOL, deputados da Rede que estavam, na Câmara, protestando contra o impeachment. “Realmente foi um momento muito feio para a história do país, onde vários deputados manifestaram votos pela continuidade do impedimento da presidente da República sem, sequer, citar o fato gerador do processo. Poucos se referiram às pedaladas. Quase todos disseram que estavam cassando por razões, eminentemente, político-ideológicas”, disse.

 

Governador não foi derrotado

O 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa foi contundente ao rebater  também críticas feitas ao governador Flávio Dino pela posição tomada contra o processo de impeachment. Quanto às críticas ao governador Flávio Dino (PCdoB) por conta do prosseguimento do processo de impeachment, Othelino enfatizou que ele “não foi derrotado” como tenta passar a oposição. Segundo o deputado, “quem perdeu foi o Brasil, o Estado Democrático de Direito. “O governador foi o político que sempre foi. Teve posição e a manifestou publicamente. Teve a coragem de levantar a sua bandeira e de defendê-la até o final. Muito embora tivesse razões, fosse ele apenas olhar para o que o PT fez com ele nas últimas duas eleições de governador, para até ser solidário. Mas ele não estava falando para a ocasião; estava falando para a história. E mesmo tendo tido os constrangimentos que teve, quando o PT do Maranhão foi obrigado a não estar na coligação dele, teve a postura de defender, acima de tudo, aquilo que ele compreende e de defender a democracia”, concluiu.

 

São Luís, 19 de Abril de 2016.

Votação do impeachment na Câmara Federal produziu ganhadores e perdedores na bancada do Maranhão

 

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Júnior Marreca, Weverton Rocha, José Reinaldo, João Castelo, André Fufuca, Rubens Jr., Eliziane Gama, João Marcelo, Pedro Fernandes e Aluísio Mendes saíram ganhando com seus votos

Como em todo embate político, a votação por meio da qual a Câmara federal autorizou o Senado da República a instaurar um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, realizada domingo, produziu vencedores e perdedores. Mas uma análise mais cuidadosa de casa caso levou à conclusão de que uns deputados ganharam muito mais do que outros que votaram na mesma direção, enquanto que alguns saíram da sessão com grandes problemas para resolver nos próximos tempos. De um modo geral, ganharam politicamente os deputados que votaram a favor do impeachment, ficando os que votaram contra em situação delicada, amargando o sentimento de derrota. Em meio a aqueles, um grupo significativo fez sua parte e não espera afagos nem castigos e pretendem tocar suas carreiras situando-se na realidade política que começa a se desenhar em Brasília.

Protagonista do voto “sim” que chamou mais atenções na bancada maranhense, o deputado José Reinaldo Tavares (PSB) foi, de longe, o que saiu da sessão mais tranquilo, tanto no sentido pessoal quanto no que diz respeito à política. Na sua declaração de voto, fez um desabafo, soltando “o que estava entalado há muito tempo na minha garganta” em relação ao que sofrera por parte do Governo Lula quando comandava o Maranhão, e também quanto à cassação do governador Jackson Lago, que na sua avaliação foi patrocinada pelo PMDB com a anuência do PT com o aval do presidente Lula. “Não poderia votar ´não` aos que fizeram tanto mal a mim e ao Maranhão”, justificou, pedindo desculpas ao aliado e amigo governador Flávio Dino. Além disso, José Reinaldo ganhou politicamente porque tem canal aberto de comunicação com o vice-presidente Michel Temer, podendo ser um interlocutor importante em situação futura.

Inicialmente visto como um parlamentar que estava “perdido”, André Fufuca saiu da sessão de domingo fortalecido, com cacife para se situar num eventual governo do PMDB. Seu maior ganho foi herdar o comando do PP no Maranhão, que, tudo indica, foi tirado do deputado Waldir Maranhão, que decidiu romper com a orientação do partido e votar contra o impeachment. André Fufuca, que chegou à Câmara Federal timidamente como membro do PEN, se aliou ao presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ganhou a presidência da CPI da Prótese, driblou deputados experientes e assumiu a função de coordenador da bancada maranhense, migrou para o PP e agora é o chefe do partido no Maranhão, o que lhe dá expressiva força política, dado o tamanho da agremiação.

A deputada Eliziane Gama (PPS) votou pelo impeachment apostando que terá turbinado o seu projeto de chegar à Prefeitura de São Luís, tanto que ao declarar seu voto o dedicou “à minha querida São Luís”, confirmando um afinado senso de oportunidade. A parlamentar conta com o aval do seu partido e acredita que num eventual Governo do PMDB possa turbinar seu projeto político de chegar ao comando de São Luís nas eleições de outubro. Na mesma linha, o deputado João Castelo (PSDB) ganhou pontos políticos com seu partido, o PSDB, que deve ocupar um espaço de larga importância num eventual Governo Michel Temer, daí porque saiu da sessão com um sorriso largo.

O deputado Weverton Rocha (PDT) saiu do processo fortalecido como líder partidário, mesmo tendo perdido na votação. A atuação dele no comando da bancada do PDT foi irreprovável, mesmo com o registro de alguns excessos. Com o ele, o deputado Rubens Jr. (PCdoB), que comprou a briga contra o pedido de impeachment como um parlamentar centrado, bem informado e competente no que diz respeito à natureza e ao funcionamento das instituições.

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Afinados com seus partidos, Hildo Rocha, Victor Mendes, Cléber Verde, Juscelino Filho, Zé Carlos, Sarney Filho e Alberto Filho sapiram como entraram na votação

No quesito coerência, três deputados saíram maiores da sessão de domingo: Pedro Fernandes (PTB), que não se deixou seduzir pela possibilidade de se dar bem num eventual Governo temer e votou “não” com convicção; João Marcelo Souza (PMDB), que também por convicção, esnobou o oportunismo e votou com consciência; e Aluísio Mendes (PTN), que resistiu a muitas pressões, mas manteve sua convicção de que a denúncia não tem base para justificar um processo de impeachment. Como eles, o deputado Júnior Marreca (PEN), que parecia um parlamentar apagado, mas que cresceu e no ato de votar fez uma defesa surpreendente de princípios que devem nortear a vida pública.

Os deputados Alberto Filho (PMDB), Hildo Rocha (PMDB), Sarney Filho (PV), Victor Mendes (PSD), Cléber Verde (PRB), Zé Carlos (PT) e Juscelino Filho (DEM) votaram com suas bancadas e não cresceram nem diminuíram de tamanho político nesse processo.

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Waldir Maranhão saiu da sessão como o grande perdedor

A votação do impeachment na Câmara Federal teve um grande perdedor na bancada maranhense, o deputado Waldir Maranhão (PP). Ao contrariar o seu partido e votar contra o impeachment, Waldir Maranhão, 1º vice-presidente da Casa, viu seu castelo de poder quase desabar. Convencido pelo governador Flávio Dino a apoiar a presidente Dilma Rousseff, Maranhão comprou duas brigas com adversários que ninguém quer. Primeiro contrariou frontalmente o presidente Eduardo Cunha e depois peitou o seu partido, que fechara questão pelo impeachment. Foi um Waldir tenso e constrangido que, ao votar, desculpou-se com Cunha, a quem prometeu fidelidade plena e de quem recebeu apenas um sorriso debochado. Antes, fora informado de que perdeu o comando do PP o Maranhão, que era a sua maior fonte de poder político. O fato é que Waldir Maranhão saiu da histórica sessão da Câmara como um vice com problemas e um deputado praticamente sem partido.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Wellington e Edivaldo Holanda travam dura guerra verbal
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Edivaldo Holanda e Wellington do Curso: guerra aberta e palavras muito duras

Piorou ontem a grau preocupante, a relação dos deputados  Edivaldo Holanda (PTC) e Wellington do Curso (PP). Os dois trocaram palavras duras ontem no plenário da Assembleia Legislativa por causa do prefeito Edivaldo Jr. (PDT); tendo Wellington do Curso criticado acidamente o chefe do Executivo municipal, que foi defendido pelo pai, deputado Edivaldo Holanda. Tudo começou quando Wellington do Curso acusou o prefeito de haver mentido quando prometeu construir uma rede de creches durante seu governo, o que não aconteceu. A resposta do deputado Edivaldo Holanda foi excessivamente dura. Ele acusou o deputado Wellington de se meter onde não é chamado nem, acusando ainda de “não ter ética” e que ataca sua adversários de maneira “covarde” e de ter “diarreia mental” e de se comportar de maneira “histérica” e de ter uma boca “que fede”. A metralha verbal de Edivaldo Holanda surpreendeu os deputados, principalmente quando ele resolveu lecionar as primeiras letras. Poucas vezes um deputado foi tão duro com um colega como Edivaldo Holanda, um político de larga experiência com o parlamentar, fez com Wellington do Curso. O deputado reagiu com indignação, cobrando mais moderação do colega, mas reafirmando tudo o  dissera e acusou o Edivaldo Holanda pai, repetiu que o prefeito “é mentiroso”, que não trabalha perla população e que é preguiçoso”. O fato é que a temperatura dos dois só aumenta quando eles entram em combate. E se o presidente Humberto Coutinho (PDT) não agir rápida para  construir uma ponte entre os dois lados, as sessões do parlamento estadual poderão virar um campo de batalha com todos os riscos para os gladiadores. Em tempo: Wellington do Curso é pré-candidato à Prefeitura de São Luís, e tem tentado viabilizar o seu projeto batendo forte no prefeito Edivaldo Jr., levando o deputado Edivaldo Holanda, seu pai a defendê-lo em tom cada vez mais elevado e duro.

 

 

São Luis, 18 de Abril de 2016.

 

 

Em outra reviravolta comandada pelo presidente Eduardo Cunha, bancada maranhense deu maioria a favor do impeachment

 

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Alberto Filho, André Fufuca, Hildo Rocha, Cléber Verde, João Castelo, Eliziane Gama, José Reinaldo Tavares, Sarney Filho, Juscelino Filho e Victor Mendes: votaram pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, após muitas pressões nos bastidores

 

A oposição pressionou e conseguiu reverter a maioria que no início da semana passada estava desenhada na bancada maranhense para votar contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). A ciranda das articulações demonstrou que as forças do governo estavam mesmo isoladas na Câmara Federal, tanto que nem reforços importantes – como o do governador Flávio Dino (PCdoB), por exemplo – foram suficientes para reverter a tendência que começou a se materializar já da terça-feira, num movimento agressivo que culminou com o empate (9 a 9) na noite de sexta-feira.  O governador retornou a São Luís naquela noite certo de que havia, pelo menos, equilibrado o jogo, tendo convencido o deputado José Reinaldo Tavares (PSB) a contrariar o seu partido e votar contra o impeachment. No final, 10 deputados votaram pelo impeachment e oito deram votos contrários. Um placar equilibrado, bem disputado, se levado em conta o que aconteceu na maioria dos estados.

O voto que quebrou o empate e sacramentou a vitória do “sim” na bancada maranhense foi o do deputado José Reinaldo. A começar pela maneira como ele o justificou; primeiro pedindo desculpas ao seu amigo e aliado governador Flávio Dino, que tentou convencê-lo a apoiar a presidente Dilma Rousseff. O ex-governador, no entanto, sacou do colete situações por que passou durante o governo do presidente Lula. A primeira foi o “massacre” que sofreu devido ao isolamento a que seu governo foi submetido pelo Palácio do Planalto, fruto da pressão feita pela então senadora Roseana Sarney (PMDB). Naquele momento, José Reinaldo fez tudo o que esteve ao seu alcance para estabelecer um canal com o Governo, mas todas as suas tentativas foram minadas pelo poder de fogo dos senadores José Sarney (PMDB) e Roseana Sarney – os dois tinham poder até para proibir a vinda de ministros ao Maranhão. O deputado trouxe à tona o processo no qual a cúpula do Grupo Sarney, com o beneplácito do PT, minou e derrubou o governador Jackson Lago (PDT) em abril de 2009, com base em denúncias à Justiça Eleitoral.  “Só eu sei o que sofri, e não posso esquecer tudo isso e votar contra o impeachment fazendo de conta que nada aconteceu”, disse José Reinaldo à Coluna no final da manhã, quando ainda estava sob forte pressão.

Ao votar a favor do impeachment, José Reinaldo na verdade confirmou uma tendência clara, que vinha desenhando nos artigos que publica às terças-feiras no Jornal Pequeno. Ele admite que chegou perto de sucumbir aos apelos do governador e amigo Flávio Dino, mas as cicatrizes que ficaram das suas relações com o PT durante o seu governo (2001 a 2006) falaram mais alto, impedindo-o de atender ao amigo governador.

No mais, os votos da bancada seguiram caminhos os mais diferentes. Os que votaram pelo impeachment tiveram as seguintes motivações: Eliziane Gama (PPS) votou pelo impeachment seguindo a orientação do seu partido; João Castelo (PSDB) jamais poderia contrariar a posição do tucanato; André Fufuca (PP) jogou no time do presidente Eduardo Cunha e ainda ganhou o comando do PP no Maranhão; Sarney Filho justificou o voto como sendo uma orientação, mas ele votaria pelo impeachment de qualquer maneira, dados os laços que mantém com o PSDB; Victor Mendes (PSD) seguiu a orientação do seu partido, mas o que corre nos bastidores é que ele cedeu às pressões que recebera de Roseana Sarney, com quem teria tido uma discussão dura; Cléber Verde (PRB) entrou na “onda” do PRB, mas na verdade seguiu orientação de Eduardo Cunha, a quem é muito ligado; e Juscelino Filho ganhou o comando estadual do DEM, saindo do quase anonimato para o centro das decisões.

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Weverton Rocha, Pedro Fernandes, Júnior Marreca, Rubens Jr., Waldir Maranhão, Zé Carlos e João Marcelo votaram con tra o impedimento da presidente Dilma

Já os que votaram contra o impeachment o fizeram pelos seguintes motivos: Weverton Rocha (PDT), que lidera seu partido na Câmara, respeitou fielmente a posição pedetista de brigar pelo mandato presidencial; Rubens Jr. (PCdoB) seguiu à risca a orientação do PCdoB, reforçando sua atuação – que foi intensa -, com a orientação do governador Flávio Dino; João Marcelo (PMDB) votou com a presidente contrariando orientação do seu partido, por não concordar com os argumentos que embasam a acusação; Pedro Fernandes (PTB) foi claro: não aceita a acusação e avalia que o processo afronta a Constituição e caracteriza um golpe; Júnior Marreca (PEN) firmou posição contra o impeachment invocando princípios políticos que não aceitam a destituição da presidente pelo Congresso, que na sua avaliação “precisa se limpar primeiro”;  Aluísio Mendes (PTN) também bateu na tecla da inconsistência da denúncia e disse que sua consciência não o deixou concordar com a acusação;  Waldir Maranhão (PP) pediu desculpas a Eduardo Cunha, a quem chamou de “meu comandante”, e disse que votava contra o impeachment para defender a democracia. Zé Carlos (PT) repetiu o discurso dos aliados da presidente Dilma Rousseff denunciando o “golpe”.

Ao final da votação, ficou claro que muitos desdobramentos estão a caminho e impactarão a bancada até que o processo seja concluído pelo Senado, que condenará ou absorverá a presidente da República.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Agora a guerra é no Senado
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João Alberto, Edison Lobão e Roberto Rocha: a bola do impeachment da presidente Dilma agora é com eles

Começou ontem mesmo a batalha decisiva do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), que acontecerá primeiro nos bastidores e depois no plenário do Senado da República. Nesse confronto final das forças pró e contra o mandato da presidente da República estarão envolvidos 81 senadores, sendo três deles maranhenses; João Alberto (PMDB), Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSB). Na bancada do Maranhão, a presidente Dilma Rousseff deve ganhar por dois votos contra um, placar que dificilmente será alterado. E mais do que isso, as chamadas forças externas não terão influência sobre os votos dos senadores pemedebistas, que por razões diferentes são fechados com a presidente da República, independentemente do que o restante dos senadores vier a decidir. Já o voto do senador socialista será dado por pressão do partido.

 

 

São Luís, 18 de Abril de 2016.

 

Luta por votos na guerra do impeachment Dino se fortalece e Roseana se desdobra para recuperar força política

 

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Dino e Roseana alimentam a guerra política nos bastidores da guerra do impeachment que movimenta Brasilia e o País

Independente do resultado que aparecer hoje no painel eletrônico da Câmara Federal, com a maioria dos deputados autorizando ou não o Senado da República a instaurar um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), uma realidade será desenhada com muita clareza: a crise revelou que a luta pelo Poder no Maranhão, travada pelo grupo comandado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) e o que restou do Grupo Sarney – que reúne o braço estadual do PMDB, PV e outros partidos menores, além de alguns aliados, mas não subordinados – continua acirrada, sem a menor possibilidade sequer de uma trégua. No embate entre as forças que defendem a presidente Dilma Rousseff e as que querem derrubá-la se enfrentam governador Flávio Dino e a ex-governadora Roseana Sarney. Para Dino, a crise política atual é só um momento na sua trajetória; para Roseana, essa guerra é uma questão de vida ou morte política para ela e seu grupo.

O governador Flávio Dino entrou de cabeça na defesa da presidente Dilma Rousseff embalado por três fatores essenciais para quem pratica uma política por consciência: a proximidade ideológica com a presidente, a identificação forte com a linha programática do Governo do PT e, finalmente, a convicção jurídica e política de que o processo de impeachment proposto pela oposição não tem base legal, afronta a Constituição e, por isso, caracteriza um “golpe”. Com esse lastro, o governador está disposto a encarar resultados e consequências, motivado principalmente pela certeza de que defende a bandeira correta e também porque, mesmo acontecendo o pior, suas convicções não serão mudadas e, cedo ou tarde, a História lhe dará razão.

A ex-governadora Roseana Sarney não se move por convicções jurídicas ou doutrinárias, mas pelo mais puro e forte pragmatismo. Sua lógica – que é a do PMDB e a do ex-presidente José Sarney – é a do jogo político – puro ou duro, dependendo das circunstâncias – sem idealismo, mas que gera resultado e poder. Protagonista maior da história política do Maranhão nas duas últimas décadas, a trajetória de Roseana demonstra isso com clareza solar. A aliança com os tucanos nos governos de FHC, com todos os altos de baixos, desconfianças de ambos os lados e tentativas de rasteiras de um e de outro, foi mantido até o momento em que os interesses – a sucessão presidencial de 2002 – se chocaram violentamente. Roseana e seu grupo migraram para o barco liderado por Lula, que se mostrava imbatível. Manteve a relação até um mês atrás, quando embarcou na maioria pemedebista e passou a ser uma agente ativa na “grande conspiração” comandada pelo vice-presidente Michel Temer para viabilizar o impeachment.

No cenário da crise, o governador do Maranhão está sendo visto como uma espécie de “herói”, a começar pelo fato de que se posicionou aberta e corajosamente no lado supostamente mais fraco. Com a experiência de quem veio do movimento estudantil e já viveu muitos momentos dramáticos e decisivos da política “adulta”, Flávio Dino sabe que atitude como a dele tem preço e riscos políticos elevados. Sabe, por exemplo, que não terá vida fácil num eventual governo do PMDB, comandado por Michel Temer, que certamente entregará os assuntos do Maranhão ao Grupo Sarney. Mas calcula também que se o Governo Dilma Rousseff sobreviver, ele terá força descomunal, com poder para triturar o que restou do sarneysismo em embates futuros. Além disso, ganhando ou perdendo na “Guerra do Impeachment”, Dino sairá com um quadro político de larga envergadura e projetado nacionalmente, politicamente correto e confiável.

O cenário para Roseana Sarney e seu grupo no pós-crise não é muito claro. Se a presidente Dilma for derrubada, Michel Temer, ninguém duvida que o PMDB do Maranhão possa recuperar pelo menos parte da musculatura que perdeu com a derrota de 2014. Mas reunirá força suficiente para reverter a clara tendência de vitória do grupo de Dino nas eleições municipais e, assim, cacifar o PMDB para o grande embate eleitoral de 2018? Há quem acredite, mas há também que não aposta nisso, preferindo entender que o Grupo Sarney encerrou de vez seu ciclo na política do Maranhão. Os observadores mais cautelosos lembram a maestria do Grupo Sarney no uso do poder. Mas até mesmo esses lembram que em 2018 Flávio Dino estará no auge do seu mandato e que dificilmente ele será derrotado nas urnas, principalmente se o seu grupo for bem sucedido nas eleições municipais.

O fato é que a crise nacional, com ou sem impeachment será um marco no cenário político do Maranhão, no qual o governador Flávio Dino reforçará o seu poder de fogo político, enquanto que Roseana, mesmo prestigiada num eventual Governo Temer – pode até ser ministra -, tem futuro político rigorosamente incerto.

Placar

Até onde a Coluna acompanhou ontem, a bancada maranhenses mantinha a divisão sobre o impeachment: 9 x 9

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Depois de brigar por votos em Brasília, Dino visita obras em São Luís
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Dino e assessores vistoriam obras do Governo do Estado no interior da Ilha

Depois de articular durante dois dias em Brasília, tempo em que conseguiu quebrar o desânimo de alguns segmentos do governo e reverter votos dados como certos contra a presidente Dilma Rousseff, o governador Flávio Dino retornou a São Luís na noite de sexta-feira. Já na manhã de sábado saiu logo cedo para vistoriar uma série de obras do Governo do Estado em diferentes regiões da Ilha. Quem esteve com o governador garante que ele estava descontraído e demonstrando confiança de que a presidente Dilma teria superado o pior momento e conseguido votos suficientes para barrar o processo de impeachment na Câmara Federal. Nas mais de três horas que circulou pela Ilha, onde visitou canteiros de obras, o governador estava inteiramente focado nas obras que inspecionava, querendo explicações detalhadas sobre o que está sendo feito, ora aprovando, ora demonstrando insatisfação com esse ou aquele detalhe. A expectativa era a de que ele retornaria a Brasília ontem à noite, para acompanhar o desenrolar da votação ao lado da presidente Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada.

Sarney mantém silêncio sobre impeachment
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Sarney mantém silêncio sobre  o pedido de impeachment

Jornalistas e políticos tentaram de todas as maneiras arrancar do ex-presidente José Sarney (PMDB) sobre o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Todos os esforços fracassaram. José Sarney se manteve em silêncio sepulcral nesse particular, por julgar que não é parte do eleitorado que vai decidir o futuro da presidente da república, por isso não tem que tornar pública sua opinião sobre esse processo. Sarney já teria dito várias vezes que o Governo Dilma teria acabado, mas não soltou uma só palavra sobre o processo propriamente dito.  Para muito, o silencio do ex-presidente equivale a uma declaração de apoio ao PMDB, portanto ao processo de impeachment.

 

Placar

Até onde a Coluna acompanhou ontem, a bancada maranhenses mantinha a divisão sobre o impeachment: 9 x 9

São Luís, 16 de Abril de 2016.

Nova reviravolta na bancada do Maranhão: Dino entra no jogo e consegue equilibrar as forças num empate de 9 X 9

 

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Flávio Dino, Dilma Rousseff, Waldir Maranhão e Márcio Jerry comemoram, no Palácio do Planalto, a radical virada de voto de 1º vice presidente da Câmara Federal
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Weverton Rocha, Aluísio Mendes, Zé Carlos, João Marcelo, Júnior Marreca, Pedro Fernandes, Rubens Jr. , Waldir Maranhão e José Reinaldo : todos co ntra o impeachment da presidente Dilma

Como que num jogo em que os times se desfazem e os jogadores são liberados para o “salve-se quem puder e como puder”, a maioria dos partidos com representação na Câmara Federal desfez suas bancadas e libertaram os deputados para votarem “de acordo com as suas consciências” para autorizar ou não a abertura de um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os 18 integrantes da bancada do Maranhão passaram pelos mais diferentes corredores de pressão montados nos bastidores, e em apenas cinco dias, o placar que era de 10 votos contra o impeachment, cinco a favor e três indecisos virou para nove a favor do impeachment, nove contra. No final da tarde de ontem, de novo a maioria dos votos voltou a favorecer a presidente da República, graças, principalmente, à entrada do governador Flávio Dino (PCdoB) no cenário das articulações, mas o empate veio em seguida. A ação de Dino reverteu a posição do deputado Waldir Maranhão (PP), que de novo retornou ao grupo de apoiadores da presidente; e tirou da indecisão o deputado José Reinaldo Tavares (PSB), que decidiu votar contra o impeachment. Mas em seguida, or pressão da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), o pemedebista Hildo Rocha pulou para a oposição.  Se não houver mais mudanças – tudo é possível nesse momento – serão nove votos contra o impeachment e nove a favor.

Na noite de segunda-feira, o placar era o seguinte: contra o impeachment: Weverton Rocha (PDT), Pedro Fernandes (PTB), Zé Carlos (PT), Victor Mendes (PSD), Rubens Jr. (PCdoB), Júnior Marreca (PEN), Hildo Rocha (PMDB), João Marcelo Souza (PMDB), Alberto Filho (PMDB), Aluísio Mendes (PTN).  A favor do impeachment: Eliziane \gamas (PPS), João Castelo (PSDB), Sarney Filho (PV), Juscelino Filho (DEM) e André Fufuca (PP). Indecisos: José Reinaldo Tavares (PSB), Cléber Verde (PRB) e Waldir Maranhão (PP).

Ontem, no início da noite, o quadro mudou radicalmente, e os deputados estavam assim divididos: a favor do impeachment: Eliziane Gama, Alberto Filho, Hildo Rocha, João Castelo, Juscelino Filho, Sarney Filho, André Fufuca, Victor Mendes e Cléber Verde. Contra o impeachment: Weverton Rocha, Aluísio Mendes, João Marcelo Souza, Júnior Marreca,  Zé Carlos, Rubens Jr., Pedro Fernandes, Waldir Maranhão e José Reinaldo Tavares.

Como se vê, foi uma virada radical, com quatro deputados – Hildo Rocha,  Alberto Filho, Cléber Verde e Victor Mendes – migrando das fileiras de apoio à presidente Dilma Rousseff para as fileiras da oposição que defende o impedimento da presidente. Outro, Waldir Maranhão, saindo da oposição e voltando para a base governista. E, finalmente, o único indeciso, José Reinaldo Tavares, saindo do isolamento para votar a favor da presidente. Essa migração nas duas direções se deu em meio ao jogo bruto das pressões que se instalou no eixo Congresso Nacional-Palácio do Planalto. Em meio a uma frenética onda de reuniões realizadas por ambas as correntes, todas destinadas a “virar votos”, três dos quatro parlamentares que reviram posições sucumbiram às pressões da oposição e às promessas de que dias melhores viram e que seus afilhados entronizados em cargos federais na região serão mantidos num provável Governo Michel Temer.

Primeiro vice-presidente da Câmara Federal e aliado de proa do presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com quem vem fazendo dobradinhas polêmicas, Waldir Maranhão jogou o jogo mais longo que poderia jogar. Primeiro se situou nas fileiras governistas, garantindo voto contra o impeachment e assim – dizem – garantindo alguns privilégios a ele concedidos pela presidente Dilma Rousseff. Mas tão logo percebeu que a “onda” contra a presidente estava se formando, ele aprovou o desembarque do PP da base governista e declarou-se favorável ao impeachment na tarde de quinta-feira, de modo que amanheceu a sexta-feira no quadro de inimigos da presidente da República. Só que no final da tarde de ontem, depois de algumas conversas, uma delas com o governador Flávio Dino, deixou a oposição e retornou à bancada governista.

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Sarney Filho, Eliziane Gama, André Fufuca, João Castelo, Cléber Verde, Hildo Rocha, Alberto Filho, Juscelino Rezende e Victor Mendes votos a favor do impeachment da presidente da República

O deputado Alberto Filho seguiu o mesmo caminho. Inicialmente, se posicionou contra o impeachment, certamente agradecido por ter conseguido liberar recursos para 20 quilômetros de asfalto em Bacabal, onde seu pai, José Alberto, é prefeito, e por alguns cargos nos quais conseguiu emplacar afilhados, como nos Correios, por exemplo. Sabe-se, porém, que tinha “compromisso” com Eduardo Cunha e foi colocado contra a parede. Andou ensaiando resistir às pressões, mas aproveitou a guinada do PMDB e se posicionou junto com os quase 60 deputados pemedebistas que decidiram somar forças para derrubar a presidente Dilma, anunciando sua posição logo após a reunião.

São várias as versões para a virada de mesa protagonizada pelo deputado Victor Mendes (PSD). A mais corrente delas é a de que sua mudança de contrário para favorável ao impeachment teria sido uma pressão forte feita pela ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), que teria lhe cobrado obediência política invocando o fato de tê-lo mantido como seu secretário de Meio Ambiente. No diálogo, Roseana teria alegado o fato de que a sua família sempre ajudou a família do deputado, o que ele teria retrucado que a família dele ajudou mais à família dela ao longo de muítos anos. Em princípio, Victor Mendes deixou claro que não se dobraria à pressão da ex-governadora, mas logo em seguida deixou o grupo de apoiadores de Dilma, e ontem confirmou posição favorável ao impeachment.

Surpreendeu a muitos a guinada do deputado Hildo Rocha, que já estava consolidado como voto contra o impeachment. Nos bastidores o que correu foi que a mudança se deu por pressão da ex-governadora Roseana Sarney. Roseana já tinha tentado mudar o voto de Rocha, mas ele reagiu e não aceitou a cobrança. Mas quando correu a informação de que Waldir Maranhão havia voltado à base do Governo, a pressão sobre Hildo Rocha foi violenta e ele não resistiu.

A definição do deputado José Reinaldo Tavares se deu depois de uma longa conversa com o governador Flávio Dino, que pediu o seu apoio à presidente Dilma. José Reinaldo tem sido um duro crítico do Governo, mas todas as suas críticas são honestas e com fundamento. Além disso, o seu partido, o PSB, está contra a presidente. Não foi fácil, mas o ex-governador ouviu os apelos do governador e decidiu apoiar a presidente, correndo todos os riscos políticos de uma decisão desfavorável.

Mas nunca é demais lembrar que o jogo continua e posições podem ser mudadas até mesmo na hora de votar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

João Alberto reafirma posição contra o impeachment
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João Alberto mantém posição contra o impeachment da presidente Dilma

O senador João Alberto tem sido fortemente pressionado por figurões do PMDB para que mude sua posição de aliado incondicional da presidente Dilma Rousseff na guerra do impeachment, levando assim o deputado João Marcelo Souza a rever o seu voto declarado contra o movimento para derrubar a chefe do Governo. João Alberto tem deixado claro que não está contrariando uma orientação do partido, porque para ele ainda está valendo o acordo por meio do qual o PMDB foi para as urnas numa aliança com o PT. Ele avalia como politicamente incorreta a posição recente do PMDB de romper com o Governo, lembrando que o seu partido tem responsabilidade direta no atual Governo.  E tem avaliado que o PMDB deveria ter permanecido na base de apoio da presidente, evitando assim que o vice-presidente Michel Temer viesse a ser acusado, como está sendo agora, de chefiar a conspiração para derrubar o Governo. Já comunicou inclusive ao próprio vice-presidente que o deputado João Marcelo votará contra o impeachment, e que se o processo chegar ao Senado, o seu voto será contra a abertura do processo. “E tenho minhas diferenças com o Governo, mas não posso concordar com o que está acontecendo. Tenho ojeriza à palavra golpe, mas é isso que estão tentando fazer com a presidente Dilma. Infelizmente”, disse o senador à Coluna.

 

São Luís, 15 de Abril de 2016.

Jogo de pressões nos bastidores do Congresso provoca mudanças na bancada maranhenses na guerra do impeachment

 

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Contra o impeachment: Weverton Rocha, João Marcelo, Aluísio Mendes, Rubens Jr., Hildo Rocha, Júnior Marreca, Pedro Fernandes e Zé Carlos

Não será surpresa se o peso das pressões virar o jogo e induza a maioria dos 18 deputados maranhenses a votar a favor da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Ontem, três deputados mudaram suas posições: Waldir Maranhão (PP), Cléber Verde (PRB) e Victor Mendes (PSD). Isso aconteceu porque, queiram ou não os simpáticos ao “politicamente correto”, no campo de batalha em que se transformou as duas Casas do Congresso Nacional, as palavras que movem a maioria são “interesse” e “conveniência”, que são, todos sabem, os combustíveis da política no Brasil. Para a grande maioria não está valendo ideologia e doutrina e programa partidários, porque, em primeiro plano, o que está em jogo é a sobrevivência de cada nas próximas eleições, e, em segundo plano, como serão situados no poder após a decisão sobre o impeachment. E não há como fazer outra leitura, porque é assim que as forças políticas se movem num momento de crise como o que está em curso e ameaça desestabilizar as instituições.

Participantes, até ontem, do time dos indecisos, os deputados Waldir Maranhão (PP), 1º vice-presidente da Câmara Federal, e Cléber Verde (PRB), que ocupa o poderoso cargo de Diretor de Comunicação da Casa, decidiu sair do isolamento e se integrar às fileiras dos que votarão pelo impeachment. O que chama atenção nos dois casos é que tanto Waldir Maranhão quanto Cléber Verde foram aquinhoados com importantes cargos federais no Maranhão. O 1º vice-presidente da Câmara tem, por exemplo, o controle do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no Maranhão, e até o início da noite de ontem não constava que ele tivesse orientado seu afilhado a entregar o cargo, como mandaria a boa ética. Também o deputado Cléber Verde, que controlo o Incra e a superintendência do Ministério da Pesca no Maranhão, não orientou seus afilhados a pedir demissão.

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Pelo impeachment: Eliziane Gama, João Castelo, André Fufuca, Alberto Filho, Juscelino Filho, Sarney Filho, Waldir Maranhão e Cléber Verde

O deputado Alberto Filho foi puxado pela “onda” que se formou dentro do PMDB e que envolveu 90% da bancada pemedebista para votar pelo impeachment. Até a tarde de quarta-feira, o jovem parlamentar de Bacabal mantinha posição contrária ao impeachment, alinhando-se a um pequeno grupo do qual faziam parte três maranhenses – ele, João Marcelo Souza e Hildo Rocha. Com forte ligação com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), Alberto Filho seguiu a orientação do pai, José Alberto, prefeito de Bacabal, e decidiu rever sua posição e se juntar aos pemedebistas que votarão a favor da abertura de processo contra a presidente no Senado da República. Com a decisão, Alberto Filho se afasta do grupo liderado pelo senador João Alberto (PMDB), que tem posição firme e inarredável contra o impeachment.

Outra mudança movimentou o deputado Victor Mendes (PSD), que vinha integrando o grupo parlamentar contrário ao impeachment para mergulhar no oceano da dúvida. Ele se juntou ao experiente deputado José Reinaldo Tavares (PSB), que deixou para se posicionar depois de esgotadas todas as possibilidades de construção de uma terceira via, que seria a de um grande pacto nacional. Victor Mendes poderá optar por seguir a maioria da bancada do seu partido, que foi liberada, para que os deputados votem de acordo com as suas convicções. Já o deputado José Reinaldo Tavares, com o lastro que tem como ex-ministro e ex-governador, dificilmente se orientará pela conveniência partidária, devendo definir seu voto de acordo com as suas próprias avaliações.

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Indecisos: José Reinaldo Tavares e Victor Mendes

Ontem, no final da tarde, o placar era o seguinte:

Pelo impeachment: Eliziane Gama (PPS), André Fufuca (PP), Cléber Verde (PRB), Alberto Filho (PMDB), João Castelo (PSDB), Juscelino Filho (DEM), Sarney Filho (PV) e Waldir Maranhão (PP).

Contra o impeachment: Pedro Fernandes (PTB), Rubens Jr, (PCdoB), Weverton Rocha (PDT), João Marcelo (PMDB), Hildo Rocha (PMDB), Aluísio Mendes (PTN), Zé Carlos (PT), Júnior Marreca (PEN).

Indecisos: José Reinaldo Tavares (PSB) e Victor Mendes (PSD).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pedro Fernandes: coerência e coragem na guerra do impeachment
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Pedro Fernandes: coerência e honestidade política em relação ao impeachment

Nesse emaranhado de posições, que se alternam a cada momento, um dos mais experientes representantes do Maranhão na Câmara Federal, o deputado Pedro Fernandes (PTB), dá um exemplo de coerência, sustentando sua posição contra o impeachment. Além das pressões externas, Fernandes enfrentou a direção nacional do seu partido, comandada pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson, que desembarcou em Brasília na semana passada para pregar a favor do impeachment. Em mensagem nas redes sociais, ele revela que vem sofrendo muitas pressões para mudar sua posição e declara: “Não posso cometer essa violência à democracia que tanto queremos ver consolidada. Prefiro sofrer as críticas agora do que carregar a culpa de ter contribuído para enfraquecer o nosso sonho de ter um País republicano e verdadeiramente democrático. Por isso estou convencido de que o melhor será um grande acordo nacional”. Não é todo detentor de mandato que demonstra esse grau de coragem e de decência políticas.

 

Nonato Reis agora é cidadão de São Luís
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Entre a vereadora Bárbara Soeiro, o ex-vereador Albino Soeiro e a esposa Jose Reis, o jornalista Nonato Reis exibe o diploma de Cidadão de São Luís na Câmara Municipal

O jornalista Nonato Reis é o mais novo filho de São Luís. Ele ganhou essa condição – na verdade um status de primeira grandeza – ontem, ao receber o título de Cidadão Ludovicense outorgado pela Câmara Municipal a partir de projeto proposto pela vereadora Bárbara Soeiro (PMN). A homenagem coroa uma trajetória brilhante do jornalista que trilhou com correção e competência todas as áreas e possibilidades do jornalismo, a ponto de se notabilizar como repórter e se consagrar como cronista que enriquece as edições dominicais do Jornal Pequeno com textos muito bem armados e inteligentes. Nonato Reis se encantou e adotou São Luís como seu espaço de vida profissional e familiar desde que desembarcou na cidade, ainda criança, vindo de Viana, sua terra natal. Jornalista formado pela Universidade Federal do Maranhão, o agora Filho da Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade militou em todos os jornais da cidade, foi correspondente de jornais do Sul, realizou trabalhos de assessoria de imprensa até tornar-se, por concurso público, jornalista do quadro do Poder Judiciário do Maranhão, cuidando atualmente da assessoria do Fórum Desembargador Sarney Costa. Deixou em cada órgão a marca indelével de um jornalismo correto, competente e responsável. A cidadania ludovicense é, portanto, o reconhecimento do seu trabalho, principalmente a vasta produção diretamente relacionada com a vida da cidade que adotou como sua, conforme acentuou a vereadora Bárbara Soeiro ao saudá-lo. A Coluna festeja a honraria e cumprimenta Nonato Reis, estendendo os cumprimentos a sua esposa e companheira, a também jornalista Jose Reis. Na mesma sessão, a Câmara Municipal concedeu também título de cidadania ao juiz de direito Sebastião Bonfim, natural de Tuntum e atual diretor do Fórum Desembargador Sarney Costa, proposto pelo vereador Osmar Filho (PDT).

 

São Luís, 14 de Abril de 2016.

Mesmo numericamente pequena, bancada maranhense na Câmara Federal tem atuação forte na guerra do impeachment

 

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Eliziane Gama, Weverton Rocha, Victor Mendes, Waldir Maranhão, Zé Carlos, Sarney Filho, João Castelo, André Fufuca, Cléber Verde, Hildo Rocha, Alberto Filho, Aluísio Mendes, José Reinaldo, João Marcelo, Juscelino Filho, Pedro Fernandes, Rubens Jr. e Júnior Marreca decidirão o futuro de Dilma Rousseff  na votação de domingo.

As próximas 48 horas serão decisivas para o futuro imediato do País. Ao longo desse tempo exíguo, forças políticas da situação e da oposição travarão, principalmente nos bastidores, uma guerra cuja batalha final terá como campo o plenário da Câmara Federal, onde 513 deputados, entre eles 18 maranhenses, decidirão se o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) será ou não aberto pelo Senado da República. Nesse contexto de grave tensão política e forte expectativa, o Maranhão tem tido papel relevante, já que alguns dos seus líderes estão diretamente envolvidos no confronto político, uns de maneira aberta e assumida, correndo todos os riscos que a situação impõe; outros agindo nos bastidores, o que não lhes tira legitimidade para participar da movimentação das forças. São os 18 deputados federais e os três senadores. Poucas bancadas têm tido participação tão forte na “guerra do impeachment” quanto a do Maranhão, com ações favoráveis e contrárias à presidente Dilma.

Os deputados José Reinaldo Tavares (PSB), Weverton Rocha (PDT), Eliziane Gama (PPS), Rubens Jr. (PCdoB), Sarney Filho (PV), João Castelo (PSDB), João Marcelo Souza (PMDB), Alberto Filho (PMDB), Hildo Rocha (PMDB), André Fufuca (PP), Waldir Maranhão (PP), Pedro Fernandes (PTB), Zé Carlos (PT), Juscelino Filho (DEM), Cléber Verde (PRB), Aluísio Mendes (PTN), Victor Mendes (PSD) e Júnior Marreca (PEN) são, nesta etapa, as figuras centrais, os protagonistas do processo, porque são os seus votos que decidirão se o pedido de impeachment será aceito e encaminhado ao Senado para a instalação do processo de impedimento propriamente dito.

A bancada do Maranhão é uma das mais expressivas da Câmara Federal nesse momento; não pelo seu valor numérico – são apenas 18 representantes -, mas pelos papeis que vários dos seus integrantes estão exercendo. O Maranhão teve quatro representantes na Comissão Especial – Weverton Rocha, João Marcelo, Júnior Marreca, e num determinado momento, a deputada Eliziane Gama. Proporcionalmente, foi o segundo estado com mais membros na Comissão. E com um dado que poucos observaram: dois dos integrantes da Comissão são líderes de bancada – Weverton Rocha (PDT) e Júnior Marreca (PEN) – e um é vice-líder – João Marcelo (PMDB). Além disso, os três votaram contra o impeachment, os dois primeiros respeitando integralmente a aliança dos seus partidos com o Palácio do Planalto, e o terceiro contrariando, por convicção, a orientação da sua agremiação.

No plano geral do embate, os maranhenses têm tido papel destacado nas articulações e no confronto direto em plenário. O deputado Rubens Jr., por exemplo, vem se notabilizando como o principal artilheiro da base governista nos esforços para desmontar as artimanhas da oposição na seara judicial. Weverton Rocha, por sua vez, tem se desdobrado, individualmente e como líder do PDT, para fortalecer a posição da presidente, sendo incansável na pregação do “não ao golpe”, alcançando, para muitos, um espaço que a maioria dos demais líderes da Casa não alcançou. O deputado Sarney Filho faz o contrapeso liderando a bancada do PV para votar pelo impeachment, confirmando posição tomada pelo partido e que ele abraçou como chefe da bancada. Os deputados Aluísio Mendes, líder do PTN, e Júnior Marreca, líder do PEN, negociaram com as direções dos seus partidos e decidiram liberar as bancadas, deixando a cada deputado a liberdade de votar com o bem entender.

Um dos personagens de proa desse momento, o deputado Waldir Maranhão enfrenta situação delicada como 1º vice-presidente da Câmara Federal, preferindo, por cautela, atuar discretamente nos bastidores, para evitar exposição. Com o mandato o endurado por uma liminar da Justiça Eleitoral, e na incômoda posição de suspeito da Operação Lava Jato, o parlamentar vive forte expectativa. Se a presidente Dilma cair e o vice Michel Temer assumir, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, será o vice-presidente da República, o que assegura a Waldir o direito de comandar a Casa todas as vezes em que Cunha for presidente na ausência de Temer. No controle de alguns órgãos federais no estado, Maranhão contraria interesses e deve votar contra o impeachment da presidente Dilma.

No Senado, dos três senadores trabalham intensamente contra o impeachment. João Alberto e Edison Lobão, ambos do PMDB são linha de frente do grupo de pemedebistas que não concordaram com o desembarque do partido do Governo, vendo na decisão do partido um mero lance de oportunismo político. João Alberto, que preside o Conselho de Ética pela quinta vez consecutiva, tem dito que não abandonará a presidente, e desde o acirramento da crise, tem sido um interlocutor de ponta do Palácio do Planalto.

Qualquer que seja a avaliação da atuação e do desempenho da bancada levará à conclusão que, proporcionalmente, nenhuma bancada regional é tão ativa nesse processo quanto a do Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sarney faz um silêncio que grita
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Sarney: influencia mesmo se mantendo em silêncio

Mesmo considerando o luto familiar, causado pela morte do irmão mais novo Evandro Sarney, o ex-senador José Sarney está mergulhado num silêncio “ensurdecedor”, principalmente se levado em conta o fato de que o seu partido, o PMDB, encontra-se agora na linha de frente do  movimento oposicionista destinado a derrubar a presidente Dilma Rousseff. Legalista assumido, que defende com intransigência a ordem constitucional e respeita o ritual em torno do cargo de presidente da República, Sarney atuou fortemente para destronar o presidente Fernando Collor – então deputada federal, Roseana Sarney foi a coordenadora da votação do impeachment do caçador de marajá. Tem sido um dos mais ativos articuladores do PMDB nos últimos anos, e por isso ninguém acredita que esteja distanciado da crise política no seu momento mais agudo. Sim, porque no caso dele, isolamento e silêncio, podem ser armas eficientes, cujo uso, por ele, só será medido na noite de domingo, quando o plenário da Câmara Federal autorizar o processo de impeachment pelo Senado ou mandá-lo para o arquivo morto.

 

Curso de medicina a caminho de Bacabal
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Roberto Costa, Nair Portela, João Alberto e Aloísio Mercadante: buscando meios de implantar o Curso de Medicina em Bacabal, um pleito antigo do senador

O forte clima de tensão política não impediu de que se discutisse em Brasilia projetos que interessam, de fato, à população. Em meio a isso, o deputado estadual Roberto Costa (PMDB) ficou a um passo de comemorar uma grande conquista para Bacabal. Se os compromissos que obteve do ministro da Educação, Aluízio Mercadante, a principal cidade do Médio Mearim terá em pouco tempo um Curso de Medicina em funcionamento. O acordo foi firmado em audiência realizada terça-feira, em Brasília, no Ministério da Educação, com a participação do senador João Alberto (PMDB) e do deputado federal João Marcelo Souza (PMDB). O compromisso assumido pelo ministro da Educação pode coroar um projeto que vem sendo perseguido há anos pelo senador João Alberto e pelo deputado Roberto Costa. O deputado pemedebista, que se prepara para disputar a Prefeitura de Bacabal, saiu da reunião em estado de graça, por ter conseguido criar a convicção de que o projeto de imantar um Curso de Medicina em Bacabal é viável e tem tudo para dar certo. Tanto Roberto Costa quanto o senador João Alberto e o deputado federal João Marcelo comemoraram o resultado da reunião com o ministro Mercadante. “O ministro falou em retomar a implantação do Curso de Medicina. E agora nós temos duas possibilidades: o curso pela UFMA, o que demoraria um pouco, ou por uma universidade privada, que seria mais rápida a tramitação do processo e a consequente implantação”, analisou Roberto Costa, ratificado pelo senador João Alberto. O ministro Aluízio Mercadante lembrou que o processo para implantação do curso data de 2013 e que o senador João Alberto já vinha lutando por esta demanda. “Devido a alguns problemas técnicos exigidos por Lei, o Curso de Medicina para Bacabal acabou não saindo. Mas agora, em alguns aspectos houve avanços e podemos retomar o processo”, disse o ministro. Presente à reunião com o ministro, a reitora da UFMA, Nair Portela assinalou que enquanto o Curso de Medicina não sai, outras demandas da comunidade de Bacabal podem ser atendidas, como o Curso de Enfermagem e o de Educação Física, além de melhorias no campus da instituição em Bacabal.

 

São Luís, q3 de Abril de 2016.