ESPECIAL: Mudança no comando da República muda o discurso e a posição dos principais pré-candidatos a prefeito de São Luís

A troca de comando no Palácio do Planalto, com o afastamento temporário – que pode se tornar definitivo se o impeachment passar – da presidente Dilma Rousseff (PT), e a posse do presidente interino Michel Temer – que pode se tornar efetivo se a presidente Dilma cair – poderá mudar o cenário de tendências hoje desenhado para a disputa pela Prefeitura de São Luís. Faltando menos de dois meses para o início do período das convenções partidárias que escolherão candidatos a prefeito e a vereador, há sinais de que um novo painel poderá ser riscado, já que o equilíbrio de forças foi alterado com a reviravolta radical na situação política do País. Os desdobramentos dessa mudança brusca e radical influenciarão na corrida pelo comando da Capital? Há quem avalie que sim, mas também há quem pense que a troca de governo não influenciará a guerra pelo voto no âmbito dos municípios. É provável que os fluídos não alcancem municípios menores, onde a briga pelo voto é paroquial, mas é pouco provável que colégios como São Luís e Imperatriz, por exemplo, escapem dessa influência.  Daí ser pertinente a indagação: entre os pré-candidatos a prefeito de São Luís, quem ganha e quem com a troca de guarda no poder central da República?

Quem ganha

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Eliziane Gama, Andrea Murad e Fábio Câmara podem ganhar força com novo discurso para a campanha

O vereador Fábio Câmara e a deputada estadual Andrea Murad, que disputam a vaga de candidato do PMDB, são, aparentemente, os grandes beneficiados com a ascensão do pemedebista Michel Temer à presidência da República. Eles ganharam o discurso de que o seu partido está no poder e que isso facilitará a viabilização dos seus projetos de governo. Há cerca de dois meses, quando o PMDB decidiu romper com o PT e desembarcar do Governo Dilma, Fábio Câmara esteve em Brasília e foi recebido pelo então vice-presidente Temer, a quem expôs o seu projeto de chegar à Prefeitura e ouviu que se ele se tornar o candidato, terá todo o seu apoio – a conversa foi testemunhada pela senadora Marta Suplicy, pré-candidata do PMDB em São Paulo. Semanas depois, quando Michel Temer esteve em São Luís e almoçou na residência do senador João Alberto, Andrea Murad fez um discurso avisando ser pré-candidata e cobrando apoio do então vice-presidente, ouvindo em seguida que apoio não lhe faltará se ela for candidata. Dentro do Grupo Sarney há ânimo novo com a queda de Dilma Rousseff e já se fala em reunir PMDB, PV e outros partidos menores para lançar um candidato, pode o vereador ou a deputada.

Ganha força também a deputada federal Eliziane Gama, cujo partido, o PPS, foi um dos mais ativos no movimento para a derrubada do Governo do PT. Se permanecesse na oposição, correria sérios riscos de ter sua candidatura politicamente esvaziada, mas com aliados no comando do País, ganha novo ânimo. A mudança de comando em Brasília deu a Eliziane Gama mais gás para articular uma aliança partidária forte, que pode reuniu PPS, PSDB e PSB, todos integrantes da grande aliança que assumiu o Governo do País. Ela tem conversado muito com o vice-governador Carlos Brandão, que comanda o PSDB, e com o senador Roberto Rocha, que controla o PSB, o que abre a possibilidade de uma aliança em torno da sua candidatura.

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João Castelo, Neto Evangelista e Sérgio Frota também ganharam novo discurso para suas corridas pelo voto

Juntamente com o PMDB, o PSDB foi um dos partidos que mais ganharam com a derrubada do Governo Dilma, saindo de uma posição de dificuldades políticas para sentar à mesa e voltar a dar as cartas como o mais forte aliado do Governo de Michel Temer.  No novo cenário, o deputado federal João Castelo, o deputado estadual Sérgio Frota e o deputado estadual licenciado Neto Evangelista ganharam ânimo e parecem dispostos a pressionar o partido para ter um candidato. O vice-governador Carlos Brandão, vinha manobrando para levar o PSDB para a aliançado prefeito Edivaldo Jr., começa a rever sua posição, já admitindo até, o lançamento de candidato próprio a participação do partido em outra aliança. Antes, terá de convencer Castelo, Frota e Evangelista.

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Eduardo Braide e Wellington do Curso também podem usar o discurso da mudança nas suas campanhas

Ganham também os pré-candidatos Eduardo Braide (PMN) e Wellington do Curso (PP). Não é possível a avaliar, por exemplo, o peso político do PMN na candidatura do deputado Eduardo Braide, mas o simples fato de acrescentar ao seu discurso o fato de seu partido pertencer à base de sustentação do novo Governo é um dado animador. A situação é praticamente a mesma do deputado Wellington do Curso, que poderá usar o argumento da força do PP na aliança política que está dando as cartas em Brasília.

Quem perde

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Agora na oposição, Edivaldo Jr. e Bira do Pindaré perderam o discurso de aliados do Governo Federal 

O prefeito Edivaldo Jr. (PDT), cujo projeto de reeleição tem como base política o seu partido e o PCdoB, liderado pelo governador Flávio Dino. A aliança que lastreia a pré-candidatura do prefeito conta ainda com vários partidos menores, que não, influenciam no lastro. O PDT e o PCdoB foram os dois partidos, além do PT, que estão votando em bloco contra o impeachment da presidente Dilma, inclusive adotando um discurso duro e agressivo contra o PMDB e seus aliados, assumindo assim, sem nenhuma dúvida, o papel oposição ao Governo Michel Temer. Nesse contexto, o prefeito Edivaldo Jr. vive uma situação tão singular quanto complicada: não pode se apresentar como aliado do Governo Temer, como também terá dificuldade de adotar um discurso como oposição, já que na sua aliança estão vários partidos que apoiam o novo Governo, como o DEM, por exemplo.

O PSB vive uma situação complicada em São Luís no que diz respeito a que discurso adotar na campanha, se de fato vier mesmo a ter um candidato. Se o nome for o deputado estadual Bira do Pindaré, dificilmente ele poderá se colocar como aliado do novo Governo da República, a começar pelo fato de que tem se movimentado como aliado do da presidente afastada Dilma Rousseff, adotando o mesmo discurso “contra o gol” do governador Flávio Dino. Mas sua pré-candidatura está por um fio, já que o senador Roberto Rocha, que de fato é quem dá as cartas no PSB de São Luís, além de simpatizar com o projeto de Pindaré, parece não gostar da ideia de PSB ter em São Luís um candidato hostil ao Palácio do Planalto.

Em relação aos candidatos de partidos menores, a começar pelos de esquerda (PSOL e PSTU), a situação política nacional não tem qualquer influência. Daí tanto fazer se eles sejam a favor ou contra o Governo central.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Ouvindo os ecos do pedido de Sarney e dos protestos, Temer recria o Ministério da Cultura
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Sarney pediu a ressurreição do MinC, Temer fez que não ouviu, mas acabou se dobrando, e a raposa levou a melhor

A decisão do presidente interino Michel Temer de voltar atrás e ressuscitar o Ministério da Cultura, que fora incorporado ao Ministério de Educação com o status de secretaria, foi motivada pela reação da classe artística, que se mobilizou em protesto e com seguiu criar uma grande onda nacional, com manifestações no País inteiro, inclusive no Maranhão. Nessa decisão, pesou o pedido feito pelo ex-presidente José Sarney, que alertou o presidente interino de que a medida foi antipática e que desagradou praticamente todos os segmentos da área cultural em todas as regiões. Sarney apelou para o bom senso de Temer certo de que seria ouvido. Em princípio, a impressão que passou foi a de que o presidente interino esnobou o pedido do ex-presidente, o que, aparentemente, deixou Sarney numa posição desconfortável. Mas a velha raposa sabia o que estava fazendo. Seu faro e seus ouvidos, muito afinados, lhe diziam que os protestos contra a extinção da pasta ganhariam volume a ponto de colocar o presidente interino numa situação delicada. Não comentou o não atendimento do seu pedido, mergulhou no silêncio e esperou, sabendo perfeitamente o que estava fazendo. Não deu outra: os protestos se espraiaram, as manifestações ganharam robustez e as vozes prudentes do Governo certamente sopraram conselhos para que Temer voltar atrás ainda a tempo de não deixar sequelas mais graves com o mundo artístico brasileiro, que está entre os segmentos mais politizados da Nação. Quando registrou o pedido de Sarney não atendido por Temer, a Coluna avaliou que, mesmo não sendo sutilmente esnobado, Sarney sairia do episódio na confortável situação do criador que tentou salvar a sua importante criatura da degola, enquanto Temer entraria para a história como o verdugo que fez a degola contra a vontade da maioria. Michel Temer ouviu Sarney pela voz das ruas, e vai se eternizar como o poderoso que corrigiu a tempo um erro monumental depois de alertado pelo criador. Em resumo: a mais experiente raposa da República acrescentou mais um item à sua vasta coleção de vitórias.

 

São Luís, 21 de Maio de 2016.

 

3 comentários sobre “ESPECIAL: Mudança no comando da República muda o discurso e a posição dos principais pré-candidatos a prefeito de São Luís

  1. Eliziane gama já não tem o meu voto por si só, apoiada por tucanos então, beira o impossível… eu me recuso a entregar a minha cidade na mão desse povo e sei que existe muita gente que pensa assim também.

  2. Não acho que influenciará em nada as mudanças na esfera federal, o Prefeito Edivaldo está em larga vantagem em relação aos demais por ter serviços prestados a mostrar pra população.

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