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Maior parte da base partidária que dá apoio a Flávio Dino é adversária do ex-presidente Lula

 

Flávio Dino recebe Lula da Silva no desembarque do ex-presidente em São Luís
Flávio Dino recebe Lula da Silva no desembarque do ex-presidente em São Luís, onde fará hoje um grande ato

A maior parte dos partidos que forma a base de sustentação do governador Flávio Dino (PCdoB) atua na contramão do Palácio dos Leões em relação ao ex-presidente Lula da Silva (PT). Enquanto PCdoB, PT, PDT e PSB representam, juntos, o pilar mais forte da aliança, PSDB, DEM, SD, PPS, PTB, PRB e PR, entre outros, estão firmemente posicionados na frente anti-Lula que se formou no Congresso Nacional e que tem reflexos muito nítidos nos estados, a começar pelo Maranhão. São situações políticas que a princípio não fazem muito sentido, mas que na prática têm explicações muito claras, sendo a principal delas o “instinto de sobrevivência”, que não é limitado por regras e dá pouca importância à coerência. É verdade que, reunida, a frente partidária de esquerda que forma a linha dianteira das forças lideradas pelo governador Flávio Dino tem um poder de fogo muito maior, mas o que chama atenção nesse cenário é que elas se mobilizam facilmente quando a situação exige e que só estão orbitando o Palácio dos Leões e incensando um Governo de esquerda pela vontade indômita de sobreviver. Isso significa dizer que , enquanto o grupo de partidos de esquerda permanecerá com governador Flávio Dino em qualquer circunstância, os representantes do Centrão no Maranhão se movimentarão de acordo com a maré, tendo ou não apoio ao governador atualmente no poder.

A situação mais delicada e difícil de entender é a do PSDB, o mais duro, atuante e intransigente adversário do PT e, por via de desdobramento, o mais duro crítico do ex-presidente Lula. No Maranhão, o PSDB está sob o comando de ninguém menos que o vice-governador Carlos Brandão que, ate onde é sabido, cultiva boas relações com a mais destacada – e agora controvertida – figura do senador mineiro Aécio Neves, que como o – ex-presidente petista caiu nas malhas da Operação Lava Jato. Brandão tem feito um esforço gigantesco para se equilibrar nessa gangorra, mesmo sabendo que o rompimento do PSDB com o PCdoB no Maranhão é apenas uma questão de tempo. Por providencial coincidência, o vice-governador maranhense encontra-se na China prospectando investimentos para a implantação de uma refinaria, a fim de ocupar o frustrante vazio causado pelo PT na sua aliança com o PMDB, mantida por mais de uma década.

Partidos como o DEM, por exemplo, apoia o Governo de esquerda no Maranhão, mas no plano nacional é peça-chave na aliança de centro-direita que dá sustentação ao frágil Governo do presidente Michel Temer (PMDB), não deixando qualquer dúvida de que, dependendo do traçado final do cenário em construção para as eleições de 2018, poderá permanecer na base d governador Flávio Dino ou migrar para outro, desde que ele seja mais seguro e garanta a sua sobrevivência de raposas como o deputado estadual Stênio Rezende, por exemplo. Na mesma linha se movimentam o Solidariedade e outros partidos menores, como PRB e PR, representados no estado pelos deputados Júnior Verde e Josimar de Maranhãozinho, mas que no plano nacional estão fechados com o Governo do PMDB.

Duas situações se destacam nesse contexto, a do PTB e a do PPS. Partido trabalhista que poderia estar na esquerda, mas que prefere navegar pelo centro e se adaptar às circunstâncias, o PTB foi linha de frente do Governo do presidente Lula até que teve seus interesses foram contrariados e levaram o seu presidente, Jefferson, a conceder a explosiva entrevista que deu origem ao “Mensalão”, que mandou para o limbo as mais ilustres e promissoras figuras do PT, a começar por José Dirceu, o ex-guerrilheiro que comandava o partido e dava as cartas como número dois do Governo petista e que era apontado como o sucessor do presidente Lula no Palácio do Planalto. Atualmente, o PTB, que já fez parte do chamado Grupo Sarney, alimenta uma tênue aliança com o Governo do PCdoB no estado, mas é linha de frente na base de sustentação de Michel Temer em Brasília. A situação do PPS é um pouco diferente: representado no Maranhão pela deputada Eliziane Gama, o partido formou com o PSDB e o DEM uma trica poderosa na grade de oposição aos Governos Lula e Dilma Rousseff, contribuiu para a derrubada do segundo e a ascensão do vice Michel Temer, de quem já está se afastando, mas que no Maranhão está posicionado ao lado do governador Flávio Dino.

Em resumo: o ex-presidente Lula da Silva deve ter claro que o seu futuro político está na busca do apoio das massas, porque se vier a depender de suporte partidário para voltar ao poder, só contará mesmo com PT, PCdoB, PDT e PSB.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Reviravolta na Lava Jato alcança Lula em São Luís, onde tudo começou com a prisão de Alberto Youssef.

documento será apresentado pelo presidente do Conselho, Rodrigo Janot, na sede do CNMP, em Brasilia.  FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAO
Rodrigo Janot: saia justa ao anunciar reviravolta na Operação  Lava Jato

Por uma dessas peças que o destino costuma pregar para alterar a rotação da ciranda que move a política, a chegada do ex-presidente Lula da Silva a São Luís, onde a Operação Lava Jato apanhou o seu primeiro peixe-grande – o doleiro Alberto Youssef -, coincidiu com a bombástica entrevista na qual o procurador geral da República, Rodrigo Janot, revelou a existência de uma armação criminosa entre delatores e procuradores e que pode desmanchar muito foi feito até agora, a começar pelo perdão concedido aos irmãos Batista, que podem perder os benefícios e acabar na cadeia, onde deveriam estar. Se a história apontar se confirmar como o procurador geral da República a anunciou, a Operação Lava Jato passará pelo seu maior testes desde que foi deflagrada. A confirmação de relações subterrâneas espúrias e criminosas entre procuradores e delatores, que já vinha sendo objeto de fartas suspeitas levantadas por delatados e denunciados, produzirá uma avalanche de contestações sobre a lisura das ações realizadas até aqui. Será uma reviravolta monumental. E não há dúvida de que o ex-presidente Lula da Silva será um dos primeiros a se posicionar, já que nenhuma das acusações que lhe foram está forrada provas concretas, robustas e irrefutáveis. É quase certo de que a entrevista bombástica do procurador geral Rodrigo Janot será um dos temas do discurso que o ex-presidente fará no final da tarde na Praça Pedro II, na Capital do Maranhão.

 

Assembleia Legislativa adia votações mais uma vez por falta de quórum

Othelino Neto: defesa de Dino e provocação à Oposição
Othelino Neto: faz verificação de quórum para votações

A Assembleia Legislativa adiou mais uma vez a pauta de votação. Na sessão de ontem, de novo não reuniu quórum suficiente para submeter ao crivo do plenário uma série de Medidas Provisórias editadas pelo governador Flávio Dino, entre elas uma que autoriza o Governo a definir uma política de benefícios fiscais para o projeto de refinaria que está sendo prospectado pelo Governo do Estado. No comando da sessão, o deputado Othelino Neto (PCdoB), cuidou de atender à solicitação de verificação de quórum. Líderes explicam a ausência de parlamentares com o fato de, além do fato de que a corrida eleitoral para eles já está começando para valer, a ausência de ontem foi ampliada pela chegada do ex-presidente Lula a São Luís no meio da tarde. Depois do feriadão da Semana da Pátria, está previsto que as lideranças farão esforços para normalizar o processo de votações, já que há matérias importantes para serem decididas pelo plenário do Poder Legislativo.

 

São Luís, 04 de Setembro de 2017.

Visita de Lula ao Maranhão vai liquidar vestígios da aliança com Sarney e consolidar união com Flávio Dino

 

Lula da Silva e Flávio Dino consolidando aliança
Lula da Silva e Flávio Dino consolidando aliança para 2018

São Luís será palco, nas próximas 72 horas, de uma série de eventos que poderão ter influência decisiva no desenho político-partidário para a corrida eleitoral do ano que vem. Trata-se da etapa maranhense da peregrinação que o ex-presidente Lula da Silva (PT) faz pelo Nordeste, na qual terá o governador Flávio Dino (PCdoB), seu aliado declarado, como anfitrião, e o ex-presidente José Sarney (PMDB), também aliado e guru durante seu governo, agora como adversário.  Dois itens da programação marcarão a visita: a recepção do ex-presidente pelo governador no Palácio dos Leões e o ato público no qual o PT espera reunir uma multidão para ouvir e aplaudir seu maior líder. Lula tem dois objetivos claros: consolidar-se como vítima do que ele chama de armação político-judicial destinada a sufocar sua trajetória e tirá-lo da vida pública, e pavimentar a estrada para disputar estrada para tentar voltar ao Palácio do Planalto se puder ser candidato. Nesse contexto, além de anfitrião, o governador Flávio Dino reafirmará sua posição de referência destacada da esquerda moderada no País e de apoiador linha de frente da (im)provável candidatura do líder petista.

Nas avaliações feitas por entusiasmados militantes petistas, de certa maneira corroboradas por analistas ligados ao Palácio dos Leões, Lula aposta alto que, se candidato, arrebanhará entre 70% e 80% dos mais de quatro milhões de votos maranhenses. Tal perspectiva se baseia no histórico do seu vitorioso desempenho eleitoral no Maranhão. E nesse contexto, nada mais natural e promissor do que uma dobradinha com o governador Flávio Dino, que caminha para consolidar a tendência de favoritismo na corrida ao voto. Mesmo os observadores mais cautelosos e nada simpáticos ao ex-presidente petista, a expectativa é que, em sendo candidato, Lula não terá menos que 50% dos votos no Maranhão, sejam quais forem seus concorrentes.

Durante sua passagem por São Luís, onde desembarcará amanhã (4) à tarde e seguirá em frente na manhã de quarta-feira (6), Lula deverá colocar pingos nos is e até mesmo ponto final nas dúvidas que ainda restam a respeito do seu relacionamento com o ex-presidente José Sarney e em relação à solidez da sua amizade política com o governador Flávio Dino. Isso porque sua aliança pessoal e política com o ex-presidente foi tão forte que em 2006, quando Lula deu as costas para seus antigos aliados no Maranhão e obrigou o PT a romper com Dino e Jackson Lago (PDT) para apoiar a candidatura de Roseana Sarney (PMDB), chegando ao ponto de, às vésperas da eleição, num discurso emocionado em Timon, pedir “pelo amor de Deus” que os maranhenses elegessem Roseana, que àquela altura já estava irreversivelmente derrotada. A aliança Lula-Sarney se manteve firme em 2010 em torno das candidaturas de Dilma Rousseff (PT) para presidente e Roseana Sarney para o Governo, tendo inviabilizado as candidaturas de Flávio Dino e Jackson Lago. Em 2014, Lula e Dilma de novo ficaram com o Grupo Sarney, desta vez apoiando o empresário e suplente de senador Lobão Filho (PMDB) contra Flávio Dino. Naquela disputa, porém, pressionado pela banda rebelada do PT, que o apoiava aberta e ostensivamente, Flávio Dino fez uma campanha pedindo votos para Dilma contra José Serra (PSDB), mesmo com a petista mantendo indiferença ao candidato pemedebista.

Os laços de Lula e do comando nacional do PT com Flávio Dino só se estreitaram na crise do impeachment, quando Dilma Rousseff foi abandonada pelo PMDB, que arrastou o Centrão para a campanha do “Fora Dilma!” tendo o Grupo Sarney na linha de frente. Dino assumiu a defesa da então presidente, entrando em choque aberto com os caciques do Congresso Nacional, acusando-os de tramar um golpe de estado contra a presidente, e até mesmo com os chefes da Operação Lava Jato, questionando decisões do juiz Sérgio Moro em relação ao ex-presidente Lula.  Nos momentos mais decisivos da crise, Dino colocou em risco o seu cacife político e seu prestígio pessoal e se expôs na defesa de Dilma e Lula. A tomada de posição do governador resultou na reunificação do PT no Maranhão, que agora está inteiramente integrado à aliança partidária comandada pelo governador.

A visita de Lula servirá para colocar uma pá de cal nas dúvidas e incertezas do passado recente e consolidar definitivamente uma relação política sólida que abra um horizonte largo no grande confronto eleitoral que está a caminho.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lula e Dino devem conversar sobre aspirações do PT em relação à vice e ao Senado

Waldir maranhãom entra no PTdoB para ser candidato a senador
Waldir Maranhão entra no PTdoB e pode ser  candidato a senador apoiado por Lula

O governador Flávio Dino e o ex-presidente Lula da Silva deverão se reunir a portas fechadas para colocar sobre a mesa alguns pontos que precisam ser ajustados na relação do PCdoB com o PT no Maranhão. Mesmo com cacife eleitoral não muito atraente – tem um deputado federal (José Carlos), um estadual (Zé Inácio) e uma penca modesta de sete prefeitos e algumas dezenas de vereadores –, a cúpula do PT quer emplacar o candidato a vice-governador na chapa que será liderada por Flávio Dino, ou um nome do partido ou o deputado federal Waldir Maranhão (PTdoB), que teria o aval de Lula, compor com o deputado federal Weverton Rocha (PDT) a chapa de candidatos ao Senado. No caso da candidatura à vice, o PT, além de não ter nome para propor, terá de brecar os movimentos do vice-governador Carlos Brandão para permanecer no PSDB e convencer o tucanato de que o partido deve mantar a aliança com o PCdoB no Maranhão. Além disso, está em andamento um movimento destinado a viabilizar a candidatura de Cleomar Tema Cunha, atual prefeito de Tuntum e presidente da Famem, à vice-governador.  No núcleo que cerca o governador há quem garanta que esses assuntos não serão tratados agora, mas garantem que é apenas uma questão de tempo, de escolher o momento mais adequado, que deve surgir provavelmente até o final deste mês de setembro. Mas há também que ache que o PT entrar na aliança e apoiar o projeto de reeleição de Flávio Dino só com seus candidatos a deputado federal e deputado estadual, por considerar que o importante agora e alimentar o poder eleitoral de Lula da Silva no Maranhão e torcer para que ele seja candidato a presidente.

 

“Fake news” tentou encurtar a interinidade de Fufuca no comado da Câmara Federal

André Fufuca: exercício da presidência sem cometer erros
André Fufuca: presidente interino da Câmara

Tentaram diminuir em um dia – de quarta-feira (6) para terça-feira (5) – a interinidade do deputado maranhense André Fufuca (PP) na presidência da Câmara Federal. O jornalismo sôfrego que vem sendo feito pela Globo News, que se preocupa em investigar quem entra e quem sai do Palácio do Jaburu, produziu uma imensa barriga na sexta-feira, quando a bela repórter Andrea Sadi, ouvindo sabe-se lá que fonte – ministro, assessor, porteiro, motorista ou jardineiro? –, “descobriu” que, por causa de provável nova denúncia do empresário-bandido Joesly Batista, o presidente Michel Temer anteciparia em um dia o seu retorno da bem sucedida viagem à China. Era uma “fake news” (notícia falsa) grosseira, desmentida pelo próprio presidente da República, que exibiu um indisfarçável ar de ironia. André Fufuca, que passa o fim de semana no estado, nem se tocou para o imbróglio que a turma da Globo News se desdobrou para desmanchar, tarefa que foi entregue ao Jornal Nacional.

 

São Luís, 02 de Setembro de 2017.

 

Extinção de reserva ambiental por Temer causa protestos e cria embaraço para Sarney Filho

 

Sarney Filho: ônus de explicar extinção de reserva ambiental
Sarney Filho: ônus de explicar extinção de reserva ambiental

A decisão do presidente Michel Temer  (PMDB) de extinguir, via decreto, a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca) – uma área de preservação de 47 mil quilômetros quadrados incrustada entre o Pará e o Amapá, rica em cobre, ouro, ferro, manganês e outros minerais nobres, mas que também abriga reservas, parques e terras indígenas – abriu uma grande janela para o incremento da indústria da mineração, mas também formou uma onda de protestos de ambientalistas do Brasil e do mundo inteiro. A reação contrária foi tão forte que o presidente voltou atrás, desfez o primeiro decreto e editou outro na perspectiva de tornar mais claros os objetivos da decisão inicial, corroborada pelo Ministério de Minas e Energia. Só que a bomba estourou no birô do ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, que nada teve a ver com o decreto presidencial, mas acabou pressionado pelos desdobramentos e tendo de assumir a espinhosa tarefa de destacar as vantagens e as virtudes e de explicar as marchas e contramarchas da decisão, funcionando como anteparo das críticas dirigidas ao presidente Michel Temer. O ministro corre o risco de enfrentar os respingos dessa reação no seu projeto de chegar ao Senado no ano que vem.

Posicionado no centro do fogo cruzado da imprensa e das organizações ambientalistas que querem preservar a Renca tal como ela foi criada, há 43 anos, pelo general João Figueiredo, o último presidente da Ditadura Militar, Sarney Filho, vem fazendo as vezes de porta-voz do Governo, já que o ministro de Minas e Energia, Marcelo Coelho Filho, mais diretamente envolvido no assunto, não vinha dando conta de colocar a coisa no seu devido lugar com explicações técnica e politicamente convincentes. Sarney Filho informou que o novo decreto mantém a extinção da Renca, mas institui regras duras e muito claras sobre a pesquisa ou lavra nas áreas de preservação. Mesmo mais claro e mais leve em relação à abertura da área para pesquisas e explorações minerais, o novo decreto do presidente da República acalmou os ânimos e amenizou as críticas à iniciativa.

Experimentado na convivência com organizações ambientalistas que vivem medindo força com o Governo, Sarney Filho deu a garantia de que o seu Ministério dispõe de recursos suplementares para bancar fiscalização “rigorosa contra garimpos ilegais”. “Achamos que precisava ficar mais clara nossa preocupação ambiental”, destacou. Segundo ele, o decreto deixa claro que não pode haver exploração mineral em unidade de conservação. “O decreto cria comitê de acompanhamento das áreas ambientais da extinta Renca”, explicou. Para o ministro do Meio Ambiente, o decreto ajuda a ordenar o desenvolvimento na Amazônia.

Ao entrar de cabeça nessa bola dividida, Sarney Filho corre o risco de ter seu projeto senatorial arranhado pelo imbróglio. Vivenciado nesse jogo, o ministro sabe exatamente com quem está lidando e por isso tem consciência de que pode sair politicamente arranhado do episódio. Quando se apresentou numa entrevista coletiva sobre o assunto, Sarney Filho parecia fortemente incomodado com a situação, sinalizando involuntariamente que, politicamente, a extinção da Renca pode lhe causar algum dano.

Em Tempo: Na área da Renca extinta pelo decreto presidencial estão sete unidades de conservação, sendo três de proteção integral (Estação Ecológica do Jari, Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e Reserva Biológica de Maicuru); quatro de uso sustentável (Reserva Extrativista Rio Cajari, Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, Floresta Estadual do Amapá e Floresta Estadual do Paru) e duas terras indígenas (Rio Paru d’Este e Waiãpi).

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Othelino Neto destaca arquivamento de denúncia contra Dino e provoca Oposição

Othelino Neto: defesa de Dino e provocação à Oposição
Othelino Neto: defesa de Dino e provocação à Oposição

O deputado Othelino Neto (PCdoB), vice-presidente da Assembleia Legislativa foi o único integrante da base do Governo a ocupar a tribuna  para registrar, com entusiasmo, o arquivamento, pelo STJ, do pedido de investigação baseado na delação fajuta do executivo da Odebrecht José de Carvalho Filho, que disse em depoimento que o governador Flávio Dino teria recebido R$ 200 mil de “caixa dois” para sua campanha em 2010. O parlamentar comunista foi duro com a Oposição, dizendo que os adversários do governador Flávio Dino deveriam pedir-lhe desculpas pelo fato de o terem atacado duramente enquanto a suspeita, ainda que inconsistente, se manteve de pé. Othelino Neto lembrou do entusiasmo que dominou políticos do campo adversário com a tentativa de emplacar  Flávio Dino como investigado da Operação Lava Jato.  “Eu gostaria de ver a oposição saudosista informando o arquivamento do processo com a mesma veemência, com a mesma alegria, com o mesmo espetáculo, com o mesmo entusiasmo que comemorou quando houve a frágil citação de Flávio Dino na delação da Odebrecht”, provocou.

 

André Fufuca supera primeiros obstáculos e tensões na presidência da Câmara Federal

André Fufuca: exercício da presidência sem cometer erros
André Fufuca: exercício da presidência sem cometer erros

O deputado federal André Fufuca (PP) fechou as primeiras complicadas e tensas 48 horas como presidente interino da Câmara Federal sem cometer um escorregão, o que reforçou sua posição que inicialmente parecia extremamente frágil, segundo as avaliações apressadas da turma de comentaristas da Globo News e da equipe do Bom Dia Brasil, da Rede Globo. Numa entrevista que concedeu ainda na quarta-feira, André Fufuca colocou pingos nos is em relação à Reforma Política, admitindo que a falta de consenso poderá inviabilizar a votação das mudanças para as eleições do ano que vem. Disse que se houver um esforço das lideranças partidárias, a situação poderá ser resolvida na próxima semana. E num rasgo de autonomia, avisou que se a nova denúncia contra o presidente Michel Temer chegar à Câmara Federal durante a sua presidência, ele dará prosseguimento ao processo, encaminhando à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, de acordo com o que reza o regimento da Casa.

São Luís, 31 de Agosto de 2017.

 

STJ arquiva delação fajuta e tira Flávio Dino da sombra incômoda e perigosa da Operação Lava Jato

 

Flávio Dino: ação política ultrapassou as fronteiras do Maranhão
Flávio Dino: livre de denúncia na Lava Jato

Se algum adversário do governador Flávio Dino (PCdoB) apostou alto que ele seria alcançado pela Operação Lava Jato e teria interrompida sua respeitável trajetória política, perdeu feio. Por falta de elementos que pudessem justificar a abertura de uma apuração, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu arquivar o pedido de investigação contra o governador, feito com base na delação de José de Carvalho Filho, executivo da Odebrecht , segundo a qual o então deputado federal Flávio Dino teria recebido R$ 200 mil de caixa dois para gastar na sua campanha para governador. Ao ser acusado, o governador desmentiu enfaticamente o teor da delação, ao mesmo tempo em que o delator não conseguiu provar a acusação. Em sua decisão, o ministro-relator Félix Fischer afirma que o pedido de arquivamento era “irrecusável” dada a falta de provas contra o governador. Numa rede social, o governador comemorou: “Comunico que o STJ determinou o arquivamento da notícia de que eu teria recebido vantagem indevida de empresa. A verdade venceu”.

A decisão do STJ varreu do cenário político a única ameaça ao projeto de poder do governador Flávio Dino, cujo próximo passo será sua candidatura à reeleição o pleito do ano que vem. A possibilidade de uma reviravolta radical, ou mesmo de uma mancha incômoda, na biografia política do líder da aliança que consolidou a interrupção da sua hegemonia política no Maranhão assanhou a cúpula e as bases do Grupo Sarney. A julgar pelas manifestações dos seus chefes intermediários, a delação do executivo da Odebrecht, feita com claros sinais de inconsistência, seria a bomba de efeito retardado que inviabilizaria qualquer projeto político-eleitoral do governador de agora por diante. Assim, a decisão do STJ de enterrar o pedido de investigação frustra uma aposta alta do Grupo Sarney, obrigando-o agora a manter seu plano A, que é lançar a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) para um embate direto com o governador Flávio Dino.

Sem o risco da pancada que seria a aceitação do pedido de investigação, o político Flávio Dino tem livre a estrada por meio da qual poderá alcançar patamares diversos da escalada que pode fazer por disputas eleitorais. Sim, porque ele é por muitos apontado como uma das revelações mais surpreendentes, bem sucedidas e bem vistas das safras mais recentes de políticos brasileiros. Nesse contexto, o prosseguimento do processo com a abertura de investigação seria um revés altamente danoso, que  prejudicaria suas possibilidades políticas, pois o atiraria na vala comum dos suspeitos e denunciados e o desidrataria a ponto de afastá-lo de cenário político. Tal circunstância abriria caminho para turbinar a candidatura da ex-governadora Roseana Sarney, dando também incentivo ao senador Roberto Rocha (PSB), que vem se apresentando como terceiro nome credenciado para disputar o gabinete principal do Palácio dos Leões.

A pá de cal do STJ sobre a ameaça se dá no momento em que o governador Flávio Dino se prepara para dar um passo importante na fase preparatória para a corrida às urnas no ano que vem, quando buscará mais quatro anos no Palácio dos Leões. Na próxima semana, ele será anfitrião de ninguém menos que o ex-presidente Lula da Silva (PT). O líder petista desembarcará em São Luís no dia 4 de setembro para cumprir a etapa maranhense da sua peregrinação pelo País em busca de reafirmação política diante do massacre que lhe vem sendo imposto pela Operação Lava Jato, que já lhe rendeu uma condenação de nove anos de prisão num processo recheado de controvérsias. Dino receberá Lula receberá o ex-presidente com a cabeça mais erguida do que nunca, pois comanda um governo reformista e que vem fazendo investimentos ousados e mantendo as contas em dia. E com elevada aprovação popular.

O chega-pra-lá que o STJ deu ontem na Operação Lava Jato reafirmou o governador Flávio Dino como peça importante e influente no cenário que está sendo montado para as eleições do ano que vem, dentro e fora do Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

André Fufuca frustra críticos e exerce presidência da Câmara Federal com desenvoltura

André Fufuca: momento decisivo para consolidar sua carreira
André Fufuca: segurança na presidência da Câmara

As tentativas de transformá-lo numa piada política por causa da pouca  idade, do apelido e do fato de ser um maranhense não tiraram o deputado André Fufuca (PP) na condição de presidente interino da Câmara Federal. Ao contrário do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), que andou perdendo o eixo ao comandar, na terça-feira, a tensa e conturbada sessão do Congresso Nacional, o parlamentar maranhense comandou ontem a sessão da Câmara de maneira tranquila. Para começar, André Fufuca foi saudado por todos os deputados federais que usaram microfone no plenário da Casa – Rubens Jr. (PCdoB), Weverton Rocha (PDT), Victor Mendes (PSD), Eliziane Gama (PPS), entre outros -, e foi efusivamente saudado pelos membros da bancada do PP que se manifestaram durante a sessão. Demonstrando surpreendente intimidade com as regras que movem o complicado tabuleiro que é o plenário da mais importante Casa do Congresso Nacional, André Fufuca conduziu as votações com a desenvoltura que seus críticos n.ao esperavam. Tanto que, à medida que a sessão avançava, o tom de alguns dos seus colegas, inicialmente inclinados a brincar, foi mudando. Até o mineiro Júlio Delgado (PSB), considerado um dos quadros mais chatos da Câmara Federal, por sua postura insuportável de professor de Deus, engoliu a língua e ainda tentou ganhar um espaçozinho na mídia sentando-se à Mesa dos trabalhos sem ser convidado. O fato é que o candidato a motivo de piada frustrou os piadistas de plantão e deu seu recado sem tropeços.

 

Hilton Gonçalo cuida bem de Santa Rita e cumpre agenda de pré-candidato a senador

Hilton Gonçalo: pré-campanha para o Senado
Hilton Gonçalo: pré-campanha para uma vaga no Senado

Engana-se redondamente quem imaginar que o quadro de candidatos às duas vagas no Senado está fechado ou dependendo apenas da definição do governador Flávio Dino em relação à segunda vaga na sua aliança, e da batida de martelo no Grupo Sarney sobre quem fará dobradinha com o ministro Sarney Filho (PV) que já está confirmado em uma das vagas. Numa corrida solitária, como se não pertencesse a grupo, o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PCdoB), um político ousado e bem articulado, que controla três Prefeituras e mantém uma legião de aliados nas mais diversas regiões do estado, está em campo como pré-candidato a senador, sem dar a menor bola para as candidaturas já postas. Com disposição política invejável, o prefeito de Santa Rita tem feito incursões que chamam atenção. Recentemente, ele foi à China em busca de uma refinaria para a região de Bacabeira, que tem sua mulher, Fernanda Gonçalo (PMN), como prefeita. No fim da semana passada, percorreu vários municípios da Baixada: Bequimão – onde foi levar sua solidariedade à família do ex-prefeito e líder regional Juca Martins -, Turiaçu, Pinheiro, Viana, São Vicente Ferrer. Nesses Municípios, o prefeito de Santa Rita conversou com prefeitos, vereadores e líderes políticos e cidadãos comuns, numa movimentação com características de pré-campanha eleitoral. Hilton Gonçalo cumpre essas agendas paralelas sem descuidar da gestão de Santa Rita, onde é respeitado pela população por sua eficiência administrativa. Há quem diga que se a candidatura dele se consolidar, será sinônimo de dor de cabeça para os demais candidatos.

São Luís, 30 de Agosto de 2017.

Wellington do Curso aproveita plateia de professores em greve e ataca agressivamente o prefeito Edivaldo Jr.

 

Wellington do Curso: ataques duros ao prefeito Edivaldo Jr.
Wellington do Curso: ataques duros ao prefeito Edivaldo Jr. na sessão de ontem

Poucas vezes na atual legislatura um prefeito foi tão agressivamente atacado por um deputado estadual, como foi ontem o prefeito de São Luís, Edivaldo Jr. (PDT), pelo deputado Wellington do Curso (PP). A pretexto de defender os professores do Município, que estão em greve por reajuste salarial, o deputado pepista aproveitou aparte a discurso do deputado Eduardo Braide (PMN) sobre o assunto e atacou violentamente o prefeito da Capital, resvalando para o campo pessoal, numa clara e injustificada derrapagem ética. Valendo-se do fato de haver professores grevistas nas galerias, que aplaudiam qualquer palavra de apoio ao seu movimento, Wellington do Curso desenhou um quadro exageradamente negativo da Educação em São Luís e acusou o prefeito Edivaldo Jr. na mira da sua metralhadora verbal, e movido pelos aplausos, saiu do eixo da discussão e partiu para um ataque pessoal e absolutamente descabido ao Prefeito de São Luís, a quem chamou de irresponsável, incompetente, covarde e criminoso. O furioso e agressivo ataque de Wellington do Curso alcançou o governador Flávio Dino (PCdoB).

Não é novidade que, desde que tentou, sem sucesso, chegar ao comando da Capital na eleição de 2016, o deputado Wellington do Curso vem se esforçando ao máximo para permanecer no palanque e ser o grande adversário do prefeito reeleito Edivaldo Jr.. O titular do Palácio de la Ravardière, no entanto, não lhe dá a importância que ele julga ter e responde aos seus ataques anunciando na TV a reabertura de escolas com padrão civilizado de qualidade, como ar condicionado, por exemplo. O deputado tem ocupado a tribuna quase que diariamente para dizer que tudo “é mentira e enganação”.

No ataque de ontem, Wellington do Curso usou ao limite a liberdade de expressão e opinião que lhe é garantida pela imunidade parlamentar.   Primeiro, fez um desafio tão agressivo quanto inócuo ao prefeito de São de Luís, principalmente por confundir virilidade masculina com decisão administrativa: “Eu desafio, se o prefeito tem coragem, se ele é macho de verdade, se ele é homem ou se ele é só um veste calça, que ele mostre aos professores e vá até a SEMED conversar com os professores, juntamente com o secretário, para solucionar o problema dos professores”. Em seguida, reforçou o ataque: “O prefeito comete crime de responsabilidade, ele é um criminoso, o prefeito desrespeita totalmente a Lei de Responsabilidade Fiscal, uma vez que deveria aplicar no mínimo 95%, mas só aplica 74%”.

Na sequência, o deputado afirmou que o prefeito não concede o reajuste porque não quer, pois tem dinheiro em caixa, e indagou: “Sabe qual é o problema do prefeito Edivaldo Holanda? É que ele é um bom filho, é um bom marido, é um bom pai, mas é um péssimo prefeito, é um péssimo gestor, é um péssimo administrador. E quando nós estamos falando aqui, não estamos falando da pessoa dele, estamos falando da sua gestão. Ele é um incompetente, ele não tem competência para gerir uma Prefeitura, administrar uma cidade com 1 milhão e 73 mil habitantes”. E se contradisse: “Infelizmente, é o que nós temos aí: um omisso, um covarde, um veste calça. Se ele é macho, se ele é homem, atenda os professores. Se ele é homem, que respeite a educação”.

No seu aparte ao deputado Eduardo Braide – que fazia um discurso duro, mas técnico e ético, sem xingar o prefeito Edivaldo Jr. -, o deputado Wellington do Curso atacou também o governador Flávio, apontando-o como o mentor do prefeito Edivaldo Jr.: “O prefeito ocupa os meios de comunicação com propaganda enganosa, (…) igual ao seu mentor. E quem é o seu mentor? O governador Flávio Dino. O prefeito Edivaldo Holanda é um filhote do governador Flávio Dino, que traiu alguns outros candidatos, como foi o caso de Tadeu, de Eliziane Gama. Flávio Dino escolheu alguém que ele pudesse manipular. E quem era o manipulável? O filhote. Então o Edivaldo Holanda é o filhote e o filhote não administrou quatro anos, o filhote sumiu durante quatro anos, mas se utilizou da máquina pública, da propaganda enganosa para conquistar um novo mandato. E ao conquistar um novo mandato, sumiu, desapareceu, escafedeu-se, ninguém encontra o prefeito. Mas o prefeito apareceu agora fazendo a mesma propaganda enganosa do mentor. O filhote, tal qual o criador, a criatura. O filhote fazendo igual o seu mentor. O que o mentor fez depois que soube que estava delatado no Lava Jato? O governador Flávio Dino, (…) armou algumas estratégias de defesa da sua imagem, uma delas foi aumentar a propaganda. E aumentou a propaganda enganosa”.

Curiosamente, o deputado Wellington do Curso elevou o tom e aumentou a agressividade já nos momentos finais da sessão, quando não havia mais deputados governistas no plenário. Esse dado contribuiu ainda mais para deixar no ar a nítida impressão de que, ao jogar para a plateia, o deputado pepista exagerou na dose e escorregou feio na ética.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Diferenças políticas do Maranhão aumentam a tensão em conturbada sessão do Congresso Nacional

João Alberto e Weverton Rocha: diferenças levam tensões a sessão do Congresso Nacional
João Alberto e Weverton Rocha: diferenças levam tensões a sessão do Congresso Nacional

As profundas diferenças que agitam a polpitica do Maranhão contribuíram decisivamente para acirrar as tensões na sessão do Congresso Nacional, realizada ontem no plenário da Câmara Federal. Em meio às tensões que marcaram os debates e as votações desde o início, o senador João Alberto (PMDB) presidia a em substituição ao presidente do Senado e do Congresso, Eunício Oliveira (PMDB-CE) , quando o deputado federal Weverton Rocha, que, lidera a bancada do PDT, teria pedido a palavra para orientar seus liderados na votação de um veto presidencial. Não se sabe porque motivo, o senador não atendeu ao pedido, o que gerou uma grande confusão, com deputados reclamando de senadores.  Revoltado, o deputado Weverton Rocha teria atirado um exemplar do Regimento do Congresso Nacional contra a Mesa Diretora, quando o presidente Eunício Oliveira acabava de reassumir a presidência. As manifestações dos deputados e o fato de o livro ter sido atirado contra Mesa Diretora irritaram profundamente o senador-presidente, que passou a responder aos insultos dizendo que não tem medo de gritos nem de cara feia. Experiente nesse tipo de confronto, o senador João Alberto permaneceu impassível diante do tumulto, não se alterando nem quando um grupo de deputados de oposição incluindo Weverton Rocha, invadiram a Mesa Diretora. O episódio obrigou o presidente do Congresso Nacional a suspender a sessão por alguns minutos, até que os ânimos fossem serenados, e deixou uma certeza no ar, a de que terá desdobramentos em embates políticos no estado. Vale lembrar que Weverton Rocha é candidato a senador, podendo ter o senador João Alberto como um dos seus adversários.

André Fufuca saiu ileso do primeiro dia de interinidade na presidência da Câmara Federal

André Fufuca: momento decisivo para consolidar sua carreira
André Fufuca não presidiu sessão no primeiro dia

Os comentaristas políticos mais precipitados quebraram a cara ontem em Brasília. Eles apostavam alto que o presidente interino da Câmara Federal, deputado André Fufuca (PP), comandaria a Casa em sessão tensa, correndo o risco de perder o controle da situação. Aconteceu exatamente o contrário, pois enquanto as raposas felpudas se engalfinhavam numa longa e tumultuada sessão do Congresso Nacional, produzindo situações inacreditáveis numa casa congressual, o jovem presidente interino da Câmara passou o dia mergulhado em articulações e negociações para que as diferenças sobre pontos cruciais da Reforma Política fossem superadas. Enquanto era alvo de comentários sérios e de outros debochados, André Fufuca conversava com ninguém menos que o presidente interino da República, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que fazia as pontes para as negociações com as lideranças partidárias. E tudo leva a crer que, depois da tumultuada sessão do Congresso Nacional, a Câmara Federal vai cair na real e aprovar a reforma possível, já que todas as evidências indicam que alcançar consenso em relação a itens como o Distritão é impossível. E pela segurança que exibe, André Fufuca não pretende deixar que as sessões da Câmara Federal que vier a presidir sejam tão tumultuadas como foi a do Congresso Nacional ontem. Vale aguardar e conferir o que vem por aí.

São Luís, 30 de Agosto de 2017.

 

André Fufuca assume hoje a presidência da Câmara Federal para viver o maior desafio da sua vida política

 

André Fufuca: momento decisivo para consolidar sua trajetória
André Fufuca: momento decisivo para consolidar sua trajetória

Se não houver algum contratempo e a agenda do presidente Michel Temer (PMDB) for cumprida à risca, com seu embarque para uma viagem de sete dias à China, com passagem em Portugal, o deputado federal maranhense André Fufuca (PP-MA) será alçado à condição de ocupante do segundo cargo mais importante na estrutura do Poder em Brasília. Aos 29 anos, completados no domingo (27), será presidente interino da Câmara Federal, já que o presidente titular, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que assumirá a presidência da República, enquanto o 1º vice-presidente da Câmara Federal, Fábio Ramalho (PMDB-MG), integra a comitiva do presidente Michel Temer. Na sua interinidade, André Fufuca terá sobre sua mesa de trabalho o desafio de comandar sessões e votações tensas, que exigirão dele firmeza, equilíbrio e diplomacia no enfrentamento às “feras” da Câmara Baixa, principalmente na votação das PECs da Reforma Política, nas quais se encontram itens explosivos, como  Distritão e o Fundo Eleitoral bilionário, além das cláusulas de barreira, entre outras.

André Fufuca sabe que ao sentar-se na cadeira principal da Mesa em sessão plenária terá colocado sobre seus ombros todo o peso de decisões que podem mudar o perfil político-partidário do País. Tem consciência também que decisões erradas e outras derrapagens, como, por exemplo, se deixar intimidar pela malandragem das “raposas” da Casa, podem resultar num fracasso retumbante, e como consequência venha ele ser marcado como o carimbo do despreparo. Terá ali o apoio de parlamentares tarimbados como o pemedebista catarinense André Perondi, vice-líder do Governo e que acha que o jovem deputado maranhense tem “lucidez e firmeza”. Mas terá também a torcida contrária de adversários como o tucano mineiro Tarcísio Delgado, que arrogantemente o vê como um deputado “despreparado” para lidar com “questões tão complexas”.

Presidir a Câmara dos Deputados nesse momento, quando ali estão tramitando várias matérias que estão dividindo o mundo político e a sociedade, pois terão impacto profundo no futuro imediato do País, como a Reforma da Previdência, por exemplo. A realidade e as circunstâncias exigem que o presidente da Casa esteja turbinado com doses extras de serenidade, paciência, tolerância e habilidade para administrar os conflitos que ali são visíveis e se mostram a cada discurso e votação. Tais recursos e talentos estão sendo vistos com frequências no presidente Rodrigo Maia em momentos de tensão que estremeceram a Câmara Baixa em tempos recentes.

Ao contrário do que muitos estão supondo, o deputado André Fufuca não é um parlamentar ingênuo largado à própria sorte numa arena política num momento em que correntes ideológicas e programáticas encontram-se em conflito aberto. Apesar da pouca idade, tem personalidade forte, sabe se posicionar em situações complicadas e conta com a retaguarda do pemedebista mato-grossense Carlos Marum, políticos hábeis assumiram de frente a defesa do presidente Michel Temer e saíram ilesos daquele embate, contando também, se precisar e quiser, com a orientação de falcões da política, como os senadores João Alberto e Edison Lobão, ambos do PMDB, e, dependendo das circunstâncias, até mesmo o ex-presidente José Sarney (PMDB). E para completar, o titular da Câmara Federal estará ali ao lado, no Palácio do Planalto, podendo ser informalmente consultado a qualquer momento. Isso sem contar com os conselhos do pai, prefeito de Alto Alegre do Pindaré, Fufuca Dantas (PP), que sabe tudo a respeito de como sobreviver na política. Quem imaginar que André Fufuca vai cumprir a interinidade desarmado e sujeito a manipulações, pode estar muito enganado e correndo o risco de quebrar a cara.

Com dois anos de Câmara Federal e tendo o início do seu aprendizado no convívio raposas tarimbadas, a começar pelo próprio Eduardo Cunha, André Fufuca é hoje um político ao esmo tempo sóbrio e ousado, que sabe onde quer chegar e está aprendendo rápido o caminho das pedras. Os próximos sete dias poderão ser decisivos para os passos que ele pretende dar na consolidação da sua trajetória.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Líderes petistas tentam criar clima de festa para a visita de Lula a São Luís na próxima semana

Lula será recebido com entusiasmo pelos chefes petistas
Lula será recebido com entusiasmo pelos chefes petistas em sua visita a São Luís

O braço maranhense do PT está se mobilizando como nunca para tornar visita do ex-presidente Lula da Silva, na próxima semana, como o fato político mais importante do Maranhão nos últimos tempos. Todo tempo disponível pelo partido no rádio e na TV está sendo usado pelos novos dirigentes e outros líderes da agremiação para criticar duramente o Governo do presidente Michel Temer e anunciar a caravana de Lula como o prenúncio de retorno dele ao comando do País. O presidente do partido no estado, Lobato, o ex-presidente Raimundo Monteiro, o secretário de Mobilização Henrique Sousa e o secretário de Estado de Esportes, Márcio Jardim têm se desdobrado para galvanizar os petistas maranhenses e os simpatizantes do ex-presidente, que tem reunido milhares em atos políticos por onde passa. Ao mesmo tempo, o governador Flávio Dino (PCdoB) e seus auxiliares e colaboradores políticos mais próximos vêm trabalhando para minar as armadilhas que seus adversários têm preparado para desestabilizar o clima de otimismo e euforia gerado pela iminente visita do ex-presidente da República. A ordem no PT criar uma situação em que Lula seja recebido em São Luís como o grande líder que, apesar de todos os revezes que tem amargado, continua sendo o maior líder político do País e que está fazendo o caminho de volta para a Presidência da República.

 

Denúncias contra Sarney podem ser arquivadas por falta de consistência

José Sarney: biografia ameaçada por birra de Rodrigo Janot
José Sarney: pode ter denúncias arquivadas

Todos os sinais indicam que a denúncia feita pelo ainda procurador geral da República, Rodrigo Junot, acusando o ex-presidente José Sarney (PMDB) de tramar contra a Operação Lava Jato e tentar obstruir a ação está sendo empurrada para o brejo. De acordo com levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo, as investigações feitas até agoira frustraram as expectativas dos acusadores. A Polícia federal, por exemplo, concluiu que o teor das conversas de José Sarney com os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá, ambos do PMDB, gravadas pelo ex-presidente da Petrus, o ex-senador cearense Sérgio Machado, não passaram de “meras conjecturas”, não sendo, portanto, suficientes para configurar crise de construção da Justiça nem caracterizam uma trama para prejudicar a Operação Lava Jato. Quanto à denúncia protocolada no Supremo Tribunal Federal por Rodrigo Janot, na semana passada, acusando o ex-presidente da República e três senadores pemedebistas de “corrupção passiva” e “lavagem de dinheiro”, foi bombardeada pelo advogado de defesa Antônio Carlos Almeida Castro como “inconsistentes” e desprovidas de provas que lhes dê sustentação. O criminalista  acredita que o Supremo não acolherá a denúncia contra José Sarney será arquivada por falta de provas. O provável destino das denúncias reforçam duas marcas da trajetória do líder político José Sarney: ele não foi pilhado em ato explícito e confirmado de corrupção, e não existe uma só acusação ou suspeita de que ele tenha usado violência para alcançar os seus objetivos.

São Luís, 28 de Agosto de 2017.

Ao acusar Sarney de “corrupção passiva e lavagem de dinheiro”, Janot parece fazer birra contra ex-presidente

José Sarney tem biografia ameaçada por birra de Rodrigo Janot
José Sarney: imagem a ameaçada por birra de Rodrigo Janot

O ex-presidente da República José Sarney (PMDB) terminou a semana numa situação em que poderá ter fortes dores de cabeça, mas que dificilmente evoluirá para um tombo político ou coisa parecida. Ele foi denunciado, na sexta-feira (25), pelo ainda procurador geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF), por “corrupção passiva e lavagem de dinheiro”, juntamente com os senadores Renan Calheiros, Romero Jucá, Waldir Raupp, Garibaldi Alves, todos do PMDB, e o ex-presidente da Petrus, Sérgio Machado, que os delatou. Aos 87 anos, sem mandato, mas ainda exercendo forte influência no PMDB e no cenário político nacional como um todo, o ex-presidente foi acusado de receber propina milionária da Petrus para bancar sua última e vitoriosa campanha ao Senado da República pelo Amapá e também a corrida fracassada da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) ao Governo do Maranhão em 2006. Nada há de prova concreta, material, que dê sustentação à delação de Sérgio Machado em relação ao ex-presidente da República, que já foi inocentado da acusação de atentar contra a Operação Lava Jato e obstruir em processos envolvendo seus aliados pemedebistas, com base em gravações de conversas feitas pelo ex-senador cearense.

Com a aparência de um caso pensado com o propósito de melar de vez a biografia de um dos políticos mais importantes do País na segunda metade do século passado, a denúncia de Rodrigo Janot contra está lastreada única e exclusivamente nas afirmações de Sérgio Machado. Nela, não há informações sobre mala de dinheiro entregue à Sarney, não se encontra relatos de que a dinheirama chegou ao ex-presidente em parcelas de tanto nestes e naqueles locais, não há qualquer informação de que Sarney tenha recebido pessoalmente pelo menos um pacote, um envelope ou uma cédula sequer da suposta propina incluída no pacote de denúncias contra os senadores pelo procurador geral da República em fim de mandato. Tanto que o advogado de José Sarney, o badalado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, atacou a iniciativa do chefe da PGR afirmando que a denúncia está baseada numa “delação desmoralizada”, opinião compartilhada até mesmo por segmentos da Polícia Federal que a investiga e até mesmo em algumas vozes entre procuradores.

A suspeita de que a denúncia do ainda chefe do Ministério Público Federal esteja alimentando uma birra contra o ex-presidente da República ganha peso, a começar pelo fato de que as investigações feitas até aqui não resultaram em fatos concretos e irrefutáveis. Sarney já foi inclusive inocentado da acusação de atentar contra a Operação Lava Jato tentando obstruir a Justiça em processos envolvendo seus aliados pemedebistas. Sobraram as declarações de Sérgio Machado sobre o suposto repasse de propina, que deram a Rodrigo Janot a oportunidade de metralhar o ex-presidente, misturando-o com Calheiros, Jucá, Raupp e Alves, do modo a impingir-lhe a pecha de corrupto, algo que seus adversários políticos mais duros conseguiram fazer nos períodos mais críticos das guerras que travaram contra ele. Antes, durante e depois de exercer a presidência da República, José Sarney foi duramente atacado como um líder político sedento de poder, que articula, arma e trama para minar seu adversários, mas ninguém o acusou, com dados concretos, de ser corrupto e de praticar violência como arma política. Não há, portanto, registros contendo indícios consistentes e inquestionáveis de que ele tenha sido pilhado com a mão no jarro, beneficiando-se de dinheiro público. Quando presidente, algumas suspeitas atingiram fortemente seu Governo, mas em nenhum delas o envolveu, no todo ou em parte.

No caso da delação do ex-presidente da Petrus, o que está sendo  investigado é um suposto esquema de desvio para bancar campanhas do PMDB e do PT. Nesse contexto, não é descartável a possibilidade de que quantias elevadas tenham sido repassadas à agremiação pemedebista e que parte delas tenham turbinado campanhas de Sarney e aliados no Maranhão e no Amapá. Mas daí a apontá-lo como um corrupto passivo e lavador de dinheiro sujo há uma distância imensa. É claro que petardos como esse disparados contra sua biografia, que ele protege com obstinada determinação, mexem com a sua vaidade política, mas com a sabedoria acumulada ao longo de quase 90 anos, poucos duvidam de que o ex-presidente sairá ileso. Por falta de provas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Com vários nomes viáveis, Flávio Dino deve fechar setembro com candidatos a senador definidos

Flávio Dino deverá escolher entre José ReinadoWaldir Maranhão, Eliciane  gama ou Carlos madeira
Flávio Dino deverá escolher entre José Reinado, Waldir Maranhão, Eliziane
gama ou Carlos Madeira para preencher a segunda vaga de candidato a senador

O mês de setembro, que se avizinha, será decisivo para que o governador Flávio Dino (PCdoB) bata martelo sobre quem a aliança que ele lidera apoiará para a vaga ainda aberta de candidato ao senado da República. Até aqui, mesmo levando em conta as voltas e reviravoltas que a política pode dar, parece não haver dúvidas de que o deputado federal Weverton Rocha (PDT) está consolidado como um dos candidatos a ser apoiado pelo Palácio dos Leões. A outra vaga está sendo o grande quebra-cabeça do governador, dado o grande número de candidatos e o perfil de cada um deles. O nome mais provável seria o deputado federal José Reinaldo Tavares, mas ele não tem afinidades ideológicas nem programáticas com o governador nem com o seu partido, o PSB, sendo por isso acomodado como carta fora do baralho. O deputado federal Waldir Maranhão (???) faz uma pré-campanha com o aval do Palácio dos Leões da circunstancia de que o ex-1º vice-presidente da Câmara Federal teria o aval do ex-presidente Lula da Silva (PT). A deputada federal Eliziane Gama (PPS), mesmo pertencendo a uma banda da esquerda que não fecha com Lula da Silva, vem ganhando clara simpatia do governador, a começar pelo fato de que vem liderando com folga tidas as pesquisas sobre a corrida senatoria. Correu nos bastidores que o deputado Bira do Pindaré, agora fortalecido no comando do PSB de São Luís, seria o Plano B do Palácio dos Leões, mas ele próprio foi enfático em declaração à Coluna: “Não há nada sobre isso. Sou pré-candidato à deputado federal”. Em círculos mais fechados do Governo, corre uma possibilidade surpreendente: o juiz federal Carlos Madeira seria o verdadeiro Plano B do governador Flávio Dino para formar com Weverton Rocha a dupla de candidatos às duas vagas de senador.

É provável que o governador Flávio Dino feche o mês de setembro com essa equação definida.

 

Governistas seguem para Brasília com posições definidas em relação à Reforma Política.

 

O plenário da Câmara será palco das decisões da reforma Política
Plenário da Câmara será o centro das decisões da reforma Político nesta terça-feira

Os deputados federais alinhados ao Palácio dos Leões seguirão amanhã para Brasília com posição definida em à reforma política que deve ser votada nesta terça-feira, conforme anunciou, na semana passada, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), após o fracasso da terceira tentativa de votação. Os governistas, que defendem o voto distrital misto, baterão contra o Distritão, mas acabarão por dar-lhe seus votos se a vitória dessa proposta de mostrar irreversível. Darão total apoio ao financiamento público de campanha, apoiam a criação de um fundo com essa destinação, mas discutirão os valores, e se posicionarão radicalmente contra a volta do financiamento empresarial, como já começam a defender alguns grupos do chamado Centrão. Essas posições são avalizadas pelo governador Flávio Dino, que acompanha com atenção, e com alguma influência, o desenrolar da reforma que mudará regras importantes do sistema eleitoral.

São Luís, 26 de Agosto de 2017.

Saúde: Carlos Lula vai à Assembleia, responde a todas as perguntas e deixa a Oposição sem argumentos

 

Carlos Lula respondeu a todas perguntas feitas por Andrea Murad, Souza Neto, Edilázio Jr, e Wellington do Curso
Carlos Lula respondeu a todas perguntas feitas por Andrea Murad, Souza Neto, Edilázio Jr, e Wellington do Curso durante a sabatina sobre hospital na Assembleia

Mais uma vez a Oposição errou o alvo e a dose e amargou uma derrota na Assembleia Legislativa. O tropeço aconteceu ontem, na Sala das Comissões, onde o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, numa sabatina que durou menos duas horas, frustrou a expectativa de que ele seria jogado nas cordas e nocauteado por atacantes oposicionistas, e fez exatamente o contrário, colocando os adversários do Governo Flávio Dino (PCdoB) na desconfortável situação de não ter o que perguntar ou questionar. O secretário Carlos Lula atendeu a convite da bancada da Oposição a prestar esclarecimentos sobre o aluguel e a reforma, pelo Governo do Estado, do prédio onde funcionou a Clínica Eldorado e onde está sendo implantado o Hospital de Traumatologia e Ortopedia de São Luís. Formado basicamente pelos deputados Andrea Murad (PMDB), Edilázio Jr. (PV), Souza Neto (PROS), Nina Melo (PMDB) e Wellington do Curso (PP), o grupo de ataque da Oposição fez os questionamentos que quis ao secretário de Saúde, que não deixou uma única pergunta sem resposta, usando argumentos precisos, prestando as informações necessárias, salvo nos casos em que o assunto não lhe dizia respeito.

Em resumo: Carlos Lula detalhou o contrato de locação, confirmou os valores do aluguel (R$ 90 mil/mês); explicou os detalhes do acordo, como a inclusão dos materiais e equipamentos no pacote; assinalou que o Governo não poderia reformar o prédio sem assinar antes o contrato de locação; garantiu que não existe irregularidade nem nesse contratou ou em qualquer outro firmado em sua gestão; falou sobre os programas que estão em andamento; criticou a construção de 52 hospitais de 20 leitos pelo Governo passado e desafiou os deputados oposicionistas a provarem qualquer irregularidade no contrato. Já no final reunião o secretário Carlos Lula reagiu a uma provocação do deputado Edilázio Jr., exigindo que ele o respeitasse. Em nenhum momento o secretário foi colocado contra a parede ou foi constrangido. Saiu do jeito que entrou, com a situação sob total controle.

Carlos Lula não foi à Assembleia Legislativa com as mãos abanando, pois sabia que lhe seriam jogadas cascas de banana e qualquer reação ou resposta equivocada seria suficiente para que oposicionistas o trucidassem. Ele estava acompanhado de governistas “bons de briga” reunidos pelo líder do Governo, Rogério Cafeteira (PSB), e ciceroneado pelo presidente da Comissão de Saúde, Levi Pontes (PCdoB), e mais uma dezena de deputados governistas. Mas não se valeu desse apoio em nenhum momento. Respondeu com segurança a todas as perguntas e não deu bola para as provocações. Conseguiu desarmar o ataque oposicionista sem maiores esforços, e essa eficiência no contra-ataque levou alguns atacantes a perder o eixo. O deputado Edilázio Jr., por exemplo, perdeu a estribeira depois de criticar a doação de medicamentos a Prefeituras e ouvir do secretário que o Governo não vai deixar pessoas morrerem por causa de entraves burocráticos. Já no final, a deputada Andrea Murad, que no início lera um rosário de perguntas, todas respondidas pelo secretário, tentou fazer “algumas observações”, mas o presidente Levi Pontes encerrou a reunião, o que a levou a atrair os holofotes para protestar agredindo o secretário Carlos Lula e exaltando a figura do ex-secretário Ricardo Murad, seu pai, sendo vaiada por servidores que lotavam a sala.

A Oposição começou a ser desarmada já na terça-feira, quando o secretário Carlos Lula levou um grupo de deputados para conhecer as instalações onde funcionará o Hospital de Traumatologia e Ortopedia. Os deputados ficaram impressionados com o que viram na antiga Clínica Eldorado, onde obtiveram a certeza de que as obras serão concluídas em setembro e a Casa de Saúde será inaugurada ainda neste ano. A visita municiou a bancada governista de argumentos, o que fragilizou a bancada oposicionista. Os deputados oposicionistas foram para a reunião já sabendo que dificilmente criariam uma situação para embaraçar o Governo. Estavam certos, pois não foi o seu dia. E o Palácio dos Leões comemorou.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Humberto Coutinho encerrou sessão mais cedo e foi acompanhar sabatina a secretário

Humberto Coutinho entre Andrea Murad (e), Nina Melo e Roberto Costa
Humberto Coutinho entre Andrea Murad (e), Nina Melo e Roberto Costa na reunião

A sabatina do secretário Carlos Lula na Comissão de Saúde atraiu a maioria dos deputados presentes ao Palácio Manoel Beckman e esvaziou a sessão ordinária da Assembleia Legislativa, que foi encerrada mais cedo. O presidente do Poder, deputado Humberto Coutinho (PDT), foi à Sala das Comissões, onde assistiu aos momentos finais do  “embate”, sem fazer qualquer interferência. Ele foi convidado pelo deputado Levi Pontes para se acomodar junto aos dirigentes dos trabalhos, mas ele preferiu se juntar aos deputados, sentando-se entre as deputadas e Andrea Murad e Nina Melo, de onde acompanhou os momentos finais da reunião, presenciando, impassível, ao destempero da deputada Andrea Murad, que, inconformada com o desfecho da reunião inteiramente favorável ao secretário de Saúde e ao Governo, tentou reverter a situação chamando Carlos Lula de “muito fraco”, não merecendo ocupar o cargo. O ataque da deputada pemedebista foi feito exatamente no momento em que o secretário era efusivamente cumprimentado pelo seu desempenho na reunião.

 

Oposição se mobiliza e emperra a votação da Reforma Política na Câmara Federal

Rodrigo Maia: equilíbrio e competência na condução dos trabalhos
Rodrigo Maia: equilíbrio e competência na condução dos trabalhos na Câmara Baixa

Mais uma vez a Câmara Federal empacou na votação da Reforma Política, que começa a correr sério risco de morrer na praia por falta de consenso entre os deputados em relação aos principais itens da proposta geral. Ontem, a Câmara avançou na análise da PEC que acaba com as coligações nas eleições proporcionais já em 2018 e estabelece uma cláusula de desempenho para as próximas eleições. O texto foi aprovado em comissão. Como foi modificado na Câmara, de qualquer maneira, terá de ser analisado novamente no Senado, onde foi originado. Ao contrário do que aconteceu na Assembleia Legislativa, onde a Situação se articulou, se mobilizou e inibiu a Oposição, na Câmara Federal as forças oposicionistas se articularam e ergueram uma barricada de recursos regimentais. Com a obstrução sistemática, conseguiu melar a votação de propostas como o Distritão e o Fundo Eleitoral bilionário, que foi adiada para a próxima terça-feira (29), conforme anunciou o equilibrado e competente presidente da instituição deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

São Luís, 24 de Agosto de 2017.