Arquivamento de denúncia por falta de consistência mantém José Sarney com a biografia intacta

 

José Sarney: biografia ameaçada por birra de Rodrigo Janot
José Sarney: arquivamento de denúncia mantém intacta a biografia do ex-presidente da República

Quando as gravações feitas pelo ex-presidente da Petrus, Sérgio Machado, vieram à tona, o Brasil inteiro previu que o ex-presidente José Sarney e os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá, que à época comandavam o PMDB, estavam política e moralmente acabados. Os adversários do ex-presidente da República soltaram rojões de alegria e os seus aliados mergulharam no mais profundo mar de incertezas, certos de que o Grupo Sarney estava definitivamente liquidado. Ontem, passados alguns meses de sufoco, o ministro Edson Fachin, relator dos processos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, atendeu a recomendação do ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot, e arquivou a denúncia por inconsistência. A recomendação da PGR usou um argumento simples e fatal para o processo: depois de analisadas cuidadosamente, do lado direito e pelo avesso, os investigadores concluíram que os diálogos entre Sarney, Calheiros e Jucá nada continham que pudesse caracterizar o crime de obstrução da Justiça. O ex-presidente está livre da acusação, assim como seus aliados pemedebistas.

O arquivamento determinado pelo ministro Edson Fachin foi o fim previsto pelo próprio José Sarney. Quando o áudio produzido por Sérgio Machado foi mostrado ao País, o ex-presidente da República reagiu com indignação, classificando a iniciativa do MPF de não respeitar a liberdade de reunião e, menos ainda, a de expressão. Sarney definiu o ex-afilhado Sérgio Machado de “verme”, apontando-o com o um sujeito de caráter frágil e sem honra, chegando ao ponto de defini-lo como um “monstro moral”. A reação do ex-chefe da Nação foi tão dura contra o ex-presidente da Petros, que já naquele momento multa gente mudou de opinião sobre o que estava acontecendo.

Sérgio Machado acusara o ex-presidente e os senadores de ter recebido dinheiro sujo, desviado da Petros, para financiar as suas campanhas eleitorais. Sarney disse que se o Ministério Público levasse adiante aquela acusação, a instituição estaria cometendo um grave erro e poderia sofrer um duro e perigoso processo de erosão na sua credibilidade como uma das instituições mais importantes do País. Além de disparar chumbo grosso contra Sérgio Machado, José Sarney fez duras críticas ao então procurador geral da República, Rodrigo Janot, acusando de transformar em verdade uma armação que não produziu qualquer dano  ao País, agindo, portanto, como um irresponsável, mais interessado nos holofotes. Na sua defesa, José Sarney jamais negou a autenticidade das gravações, confirmou a reunião em que as conversas se deram. Ao mesmo tempo, negou, com veemência e indignação, que estivesse se reunido com seus aliados políticos para traças um plano destinado usar dinheiro público desviado para financiar as campanhas de candidatos do PMDB.

Por mais que tenha disfarçado, o procurador geral Rodrigo Janot sentiu a pancada, deu-se cinta de que havia forçado a barra  a começar pelo fato de que ninguém enxergou crime na conversa em que José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá. Investigadores da Polícia Federal se debruçaram sobre a gravação em busca de qualquer indício que pudesse ser usado como prova do “crime”, mas tudo o que puderam interpretar foi uma conversa entre políticos procurando meios para enfrentar acusações feitas a nomes pemedebistas nos momentos iniciais da Lava Jato, mas sem a ideia de tramar fórmulas que pudessem ser interpretadas como  artimanhas contra investigações como objetivo de obstruir a Justiça.

Já visto como o decano dos políticos brasileiros e dono de inteligência e habilidades raras nesse campo minado onde só os competentes têm vida longa, José Sarney milita nesse batente por mais de seis décadas. A velha raposa dificilmente montaria uma armadilha para ela própria cair, mesmo convivendo com gente do naipe do “monstro moral” Sérgio Machado. O arquivamento da denúncia mostra que, pelo menos até aqui, o ex-deputado federal, ex-governador, ex-senador, ex-presidente do Senado e do Congresso Nacional e ex-presidente da República vai mantendo sua biografia intacta em três aspectos fundamentais: todos os mandatos que exerceu foram conquistados pelo voto direto em eleições duras, venceu todos os confrontos que travou nas urnas, e até agora não sofreu condenação judicial por qualquer motivo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Inauguração do HTO: governador e secretário comemoram e oposicionistas amarga derrota

Governador Flávio Dino entregou o novo Hospital de Traumatologia e Ortopedia, em São Luís. Foto: Handson Chagas/Secap
Flávio Dino, (centro), Carlos Lula e Edivaldo Jr. â direita, e Rubens Jr. Clayton Noleto e Bira do Pindaré à esquerda, no ato inauguração do HTO, ontem pela manhã

Contrariando todas as previsões negativas e tentativas de minar o projeto levadas a cabo pela Oposição, o governador Flávio Dino (PCdoB) inaugurou ontem (09), com a pompa devida, o Hospital de Traumatologia e Ortopedia (HTO), uma unidade inédita no Estado, capaz de atender casos de alta complexidade e capacidade para realizar 400 cirurgias por mês, o que contribuirá decisivamente para desafogar o sistema municipal de Saúde nessa área. O HTO, que fica no Jardim Eldorado, vai atender pacientes tanto da Grande Ilha e do continente. Na sua fala, o governador o HTO representa um marco para a Saúde maranhense, pois foi preciso vencer resistências para que ele fosse concluído e inaugurado. “Não perdemos nunca a alegria de fazer o bem. Esse é o milagre desse governo, o milagre da multiplicação das oportunidades, da luta obstinada pela igualdade, de não ter medo de nada e nem de ninguém”, disse o governador, fortemente emocionado. E foi mais longe e mais enfático: “Não importa quem foi poderoso ontem ou se esse alguém se acha dono da riqueza e do poder. Aqui não temos medo”. E concluiu dando a dimensão exata do que sentia: “Poucas inaugurações me emocionaram tanto quanto esta, porque é fruto de luta”.

E não foi fácil mesmo. Desde que o projeto começou a ganhar forma, oposicionistas ligados ao ex-secretário de Saúde Ricardo Murad tentaram bombardeá-lo de todas as maneiras, levantando dúvidas sobre o aluguel do prédio, sobre as obras que ali estavam sendo realizadas, sobre a instalação dos equipamentos, numa espécie de catilinária com o objetivo era embaraçar o andamento das obras e a concretização do projeto. Por conta disso, o secretário de Saúde, Carlos Lula, teve de responder a várias investidas e chegou a ser levado à Assembleia Legislativa para explicar o que estava claro. No seu discurso, Carlos Lula disse que o hospital atende a um pedido antigo dos médicos maranhenses. Ele previu que, em um ano, a fila de espera por cirurgias vai estar consideravelmente menor. Hoje, são cerca de duas mil pessoas no aguardo. O HTO tem capacidade para 4,8 mil cirurgias por ano, mas “a fila vai ganhando novos componentes a cada dia”, principalmente por causa dos acidentes de moto, frisou o secretário. “Temos 100% de capacidade aqui. Ninguém mais precisa sair do Maranhão para tratar qualquer doença ortopédica”, disse.

A inauguração do HTO deixou a Oposição desanimada.

Flerte do PSDB cm Sarney Filho tem prós e contra

Sarney Filho: candidatura decidida
Sarney Filho: namoro sem futuro com PSDB

Não surpreendeu a informação de que o braço maranhense do PSDB caminha para uma aproximação com o Grupo Sarney, que começaria com a possibilidade de conversa para o ingresso do deputado federal e atual ministro do Meio Ambiente Sarney Filho, que é pré-candidato ao Senado e encontra-se na iminência de deixar o PV, tendo como alternativas o PSD e o PMDB. Agora, esse leque de alternativas de amplia com a inclusão do PSDB, conforme revelação feita pelo ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião

Madeira, ao blog do jornalista Marco Aurélio D`Eça. Se o deputado Sarney Filho vier a se converter ao tucanato, a corrida sucessória no Maranhão poderá ganhar desdobramentos e montagens absolutamente surpreendentes, mas possíveis, já que PSDB e PMDB deverão se juntar no plano nacional contra o projeto eleitoral das esquerdas, com repetição desse cenário nos estados, em especial no Maranhão.

Mesmo que ainda restem traços fortes de rusgas entre os Sarney e o PSDB, consequência do rumoroso Caso Lunus, uma armação supostamente engendrada pelos tucanos para detonar a caminhada da então governadora Roseana Sarney (PMDB) para se tornar candidata à presidência da República em 2002, Sarney Filho não teria maiores problemas para ingressar no ninho. Suas afinidades com a linha de atuação do PSDB se desenvolveram durante a sua convivência com os líderes tucanos quando foi ministro de Minas e Energia do Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem mantém. Seu ingresso no PSDB, portanto, seria bem recebido pelos líderes tucanos, a começar pelo ex-presidente, que em diferentes ocasiões elogiou o deputado pela eficiência como ministro do Meio Ambiente e pela lealdade à linha de ação daquele Governo.

Por outro lado, há obstáculos políticos gigantescos separando o ministro Sarney Filho do PSDB. O primeiro é a provável candidatura da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) ao Governo do Estado. Como é sabido que, pelo menos até aqui, o PSDB terá candidato a governador, o senador Roberto Rocha, Sarney Filho ficaria numa situação de extrema complexidade. Apoiaria o candidato do seu partido ou, mesmo convertido ao tucanato, se engajaria na candidatura da irmã? Não é preciso fazer grande esforço para obter a resposta. Isso porque nem o senador Roberto Rocha nem a ex-governadora Roseana Sarney abriria mão da sua candidatura em favor do projeto de Sarney Filho. Logo, é improvável que o ministro do Meio Ambiente se converta ao tucanato, sendo mais provável que ingresse no PSD, vá se juntar aos seus no PMDB ou permaneça no PV.

São Luís, 10 de Outubro de 2017.

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